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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O lugar da afetividade e do desejo na rela&ccedil;&atilde;o    ensinar-aprender </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sandra Francesca Conte de Almeida</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade de Bras&iacute;lia </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <table width="578" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">   <tr>     <td colspan="2"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Quase parece como se a an&aacute;lise fosse a terceira daquelas profiss&otilde;es 'imposs&iacute;veis' quanto &agrave;s quais de antem&atilde;o se pode estar seguro de chegar a resultados insatisfat&oacute;rios. As outras duas, conhecidas h&aacute; muito tempo, s&atilde;o a educa&ccedil;&atilde;o e o governoo</i  ></font></td>   </tr>   <tr>     <td width="367">&nbsp;</td>     <td width="211">    <div align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(Freud, 1937, p. 282).</font></div></td>   </tr> </table>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tema que abordaremos, se n&atilde;o &eacute; da ordem do imposs&iacute;vel, tal como escreveu Freud a respeito da educa&ccedil;&atilde;o, em uma de suas &uacute;ltimas obras, coloca-se-nos, pelo menos, como um desafio a ser enfrentado, tanto em n&iacute;vel te&oacute;rico quanto das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas propriamente ditas, as quais traduzem, de forma concreta, a rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A afetividade e o desejo pouco t&ecirc;m sido teorizados na sua vincula&ccedil;&atilde;o com o processo de aprendizagem. Isto porque a pedagogia tradicional, bem como algumas teorias psicol&oacute;gicas, baseadas no racionalismo e numa vis&atilde;o dualista do homem, t&ecirc;m considerado a aprendizagem como um processo exclusivamente consciente e produto da intelig&ecirc;ncia. A import&acirc;ncia dos fatores relacional e afetivo implicados no ato de ensinar-aprender s&atilde;o descartados e a influ&ecirc;ncia dos processos inconscientes na aquisi&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o do conhecimento &eacute; negada. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contrariando esta corrente de pensamento, propomo-nos a analisar e a discutir a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem a partir de uma vis&atilde;o integradora do ser humano. Nesta perspectiva, consideramos que a afetividade, que se expressa na rela&ccedil;&atilde;o vincular entre aquele que ensina e aquele que aprende, constitui elemento insepar&aacute;vel e irredut&iacute;vel das estruturas da intelig&ecirc;ncia. Acreditamos, ainda, que na transmiss&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o do conhecimento, que ocorre numa rela&ccedil;&atilde;o sujeito a sujeito, interv&ecirc;m processos conscientes e inconscientes dos pares em rela&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; ato de ensinar-aprender sem a media&ccedil;&atilde;o concreta de<i> sujeitos humanos, </i>n&atilde;o havendo, portanto, rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem sem que haja atua&ccedil;&atilde;o indissoci&aacute;vel entre intelig&ecirc;ncia, afetividade e desejo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fim de que tenhamos maior clareza a respeito das id&eacute;ias j&aacute; avan&ccedil;adas, e porqu&ecirc; retom&aacute;-las, mais &agrave; frente, conceituaremos o que entendemos por ensino, aprendizagem, conhecimento, intelig&ecirc;ncia, afetividade e desejo. Adotaremos, como referencial te&oacute;rico privilegiado, as contribui&ccedil;&otilde;es de J. Piaget, H. Wallon, S. Freud, J. Lacan, S. Pain e A. Fern&aacute;ndez. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ensino, conhecimento, aprendizagem e intelig&ecirc;ncia </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O<i> ensinar</i> &eacute; conceituado, de uma forma geral, como o ato que consiste na transmiss&atilde;o de conhecimento. Transmiss&atilde;o que sup&otilde;e, necessariamente, um sujeito, o professor, que toma para si a fun&ccedil;&atilde;o de ensinar a um outro sujeito, o aprendiz. O<i> conhecimento,</i> por sua vez, enquanto produto da hist&oacute;ria e da cultura, consideradas nos seus aspectos materiais e simb&oacute;licos, pode ser definido como "a organiza&ccedil;&atilde;o operat&oacute;ria de um c&oacute;digo, isto &eacute;, as regras pelas quais se pode gerar significado" (Pain, 1991b, p. 80). Assim compreendido, o conhecimento n&atilde;o pode ser transmitido de uma s&oacute; vez e sua transmiss&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; no v&aacute;cuo, ou seja, na aus&ecirc;ncia do outro. Pain (1991b) refere que "n&atilde;o h&aacute;, propriamente falando, auto-aprendizagem, pois as estruturas mentais n&atilde;o atuam no vazio" (p. 80). Segundo ainda a autora, mesmo nos casos de autodidatismo, em que o aprendiz se transforma em seu pr&oacute;prio mestre, encontraremos, na base dessa atitude, um processo de identifica&ccedil;&atilde;o com um outro, que se torna modelo permanente de poss&iacute;veis interc&acirc;mbios cognoscitivos e ao qual o sujeito se referencia para legitimar as aprendizagens aprendidas por essa via. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conhecimento constitui, portanto, os conte&uacute;dos concretos e mais variados que ser&atilde;o transmitidos na rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem. &Eacute; atrav&eacute;s desta rela&ccedil;&atilde;o que o aprendiz, usando uma s&eacute;rie de estruturas cognitivas, e mobilizando afetos e desejo, se apropriar&aacute; do conte&uacute;do ensinado, transformando-o e sendo capaz de reproduz&iacute;-lo enquanto conhecimento elaborado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Fern&aacute;ndez (1991) "o conhecimento &eacute; conhecimento do outro, porque o outro o possui, mas tamb&eacute;m porque &eacute; preciso conhecer o outro, quer dizer, p&ocirc;-lo no lugar do professor (...) e conhec&ecirc;-lo como tal. N&atilde;o aprendemos de qualquer um, aprendemos daquele a quem outorgamos confian&ccedil;a e direito de ensinar" (p. 52). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A<i> aprendizagem</i> &eacute; concebida por Pain (1991b) como processo de transmiss&atilde;o de conhecimento, na qual se localizam dois p&oacute;los, entre os quais se produz a transfer&ecirc;ncia de saber. Um dos p&oacute;los &eacute; constitu&iacute;do pela inst&acirc;ncia daquele que sabe, isto &eacute;, o outro do conhecimento, e o segundo p&oacute;lo pela inst&acirc;ncia do sujeito do conhecimento, que se torna sujeito justamente devido &agrave; transmiss&atilde;o, ou seja, na medida em que se instaura a sujei&ccedil;&atilde;o a uma cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta concep&ccedil;&atilde;o, ensinar e aprender constituem um &uacute;nico processo inter-ativo, pois n&atilde;o h&aacute; ensino sem transmiss&atilde;o de conhecimento a um outro, assim como n&atilde;o h&aacute; aprendizagem sem aquele que &eacute; reconhecido como detentor de um determinado saber. &Eacute; na rela&ccedil;&atilde;o que se instaura entre os dois p&oacute;los que se compreende, de forma mais clara, porque "o conhecimento &eacute; o conhecimento do outro" (Pain, 1991b; Fern&aacute;ndez, 1991). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aprendizagem, neste sentido, &eacute; tanto um processo quanto uma fun&ccedil;&atilde;o. Processo enquanto transmiss&atilde;o (e apropria&ccedil;&atilde;o) de conhecimento, e fun&ccedil;&atilde;o cuja finalidade &eacute; permitir que algu&eacute;m se torne sujeito, justamente atrav&eacute;s da aprendizagem: sujeito humano, inserido na cultura. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o que caracteriza o ensinar e o aprender &eacute; sempre vincular e ocorre, inicialmente, no seio da fam&iacute;lia para, progressivamente, estender-se ao meio social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na concep&ccedil;&atilde;o de Fern&aacute;ndez (1991), para que o ser humano aprenda, quatro n&iacute;veis constitutivos do sujeito entram em cena: "a) seu organismo individual herdado, b) seu corpo constru&iacute;do especularmente, c) sua intelig&ecirc;ncia autoconstru&iacute;da interacionalmente e d) a arquitetura do desejo, desejo que &eacute; sempre desejo do desejo do Outro" (pp. 47-48). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estas quatro dimens&otilde;es se encontram presentes, igualmente, no sujeito que ensina, sendo fun&ccedil;&atilde;o da aprendizagem permitir um inter-relacionamento entre aquele que det&eacute;m o saber e aquele que aprende, num processo din&acirc;mico e dial&eacute;tico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das quatro dimens&otilde;es apontadas por Fern&aacute;ndez, interessam, sobretudo, ao nosso tema, as dimens&otilde;es da intelig&ecirc;ncia e do desejo, &agrave;s quais acrescentaremos a dimens&atilde;o da afetividade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passaremos, ent&atilde;o, a conceituar, rapidamente, a<i> intelig&ecirc;ncia,</i> tomando como principal refer&ecirc;ncia a teoria construtivista da intelig&ecirc;ncia, elaborada por Jean Piaget. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Referir-se &agrave; intelig&ecirc;ncia, no sentido piagetiano do termo, significa compreend&ecirc;-la enquanto uma estrutura l&oacute;gica e gen&eacute;tica. Em sua obra<i> Biologia e Conhecimento,</i> Piaget (1969) insiste em que as estruturas do conhecimento n&atilde;o s&atilde;o inatas. O conhecimento se constr&oacute;i. Para Piaget, a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; inata nem adquirida, mas o resultado de uma constru&ccedil;&atilde;o progressiva, que ocorre em fun&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o entre as pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es do sujeito (car&aacute;ter heredit&aacute;rio da intelig&ecirc;ncia, como aptid&atilde;o do ser humano) e as condi&ccedil;&otilde;es do meio social. A a&ccedil;&atilde;o &eacute; o ponto de partida do desenvolvimento cognitivo e fonte permanente de organiza&ccedil;&atilde;o e reorganiza&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o. "Em todos os n&iacute;veis, a a&ccedil;&atilde;o sup&otilde;e sempre um interesse que a desencadeia, podendo tratar-se de uma necessidade fisiol&oacute;gica, afetiva ou intelectual (...)" (Piaget, 1964; Ed. Br. 1972, p. 12). Ou ainda "a a&ccedil;&atilde;o humana consiste neste movimento cont&iacute;nuo e perp&eacute;tuo de reajustamento ou de equilibra&ccedil;&atilde;o" (Piaget, 1964; Ed. Br. 1972, p. 14). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget atribui a todos os est&aacute;gios de desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia fun&ccedil;&otilde;es, invari&aacute;veis e constantes, de assimila&ccedil;&atilde;o e acomoda&ccedil;&atilde;o, chamando de adapta&ccedil;&atilde;o ao equil&iacute;brio entre as assimila&ccedil;&otilde;es e as acomoda&ccedil;&otilde;es. Ao lado das fun&ccedil;&otilde;es, ele distingue as estruturas vari&aacute;veis, que assumem formas diferentes de acordo com o desenvolvimento intelectual, sendo definidas como as formas de organiza&ccedil;&atilde;o da atividade mental, sob um duplo aspecto: motor ou intelectual, de uma parte, e afetivo de outra, com suas duas dimens&otilde;es individual e social (interindividual) (Piaget, 1964; Ed. Br., 1972). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento cognitivo, para Piaget, aparecer&aacute;, ent&atilde;o, em sua organiza&ccedil;&atilde;o progressiva, como uma adapta&ccedil;&atilde;o sempre mais precisa e objetiva &agrave; realidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pain (1991a), reportando-se &agrave; teoria piagetana, define a intelig&ecirc;ncia como o "conjunto de processos que habilitam para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma realidade ou objetividade coerente" (p. 22). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Afetividade e desejo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra dimens&atilde;o, presente na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender, e &agrave; qual atribu&iacute;mos um papel fundamental, &eacute; a da afetividade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Freud, o conceito de<i> afeto (affekt)</i> est&aacute; ligado ao de puls&atilde;o<i> (trieb).</i> A puls&atilde;o &eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de Freud, "conceito situado na fronteira entre o mental e o som&aacute;tico, como o representante ps&iacute;quico dos est&iacute;mulos que se originam dentro do organismo e alcan&ccedil;am a mente, como uma medida de exig&ecirc;ncia feita &agrave; mente no sentido de trabalhar em consequ&ecirc;ncia de sua liga&ccedil;&atilde;o com o corpo" (Freud, 1915a, Ed. St. Br., 1974, p. 142). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depreende-se, desta conceitua&ccedil;&atilde;o da puls&atilde;o, que esta, ao mesmo tempo que representa o corpo no psiquismo s&oacute; se faz presente, neste &uacute;ltimo, atrav&eacute;s de seus representantes ps&iacute;quicos. Estes s&atilde;o a representa&ccedil;&atilde;o, ou elementos ideativos ou id&eacute;ia<i> (Vorstellung)</i> e o afeto<i> (affekt). </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos escritos metapsicol&oacute;gicos (O recalcamento -<i>Die Verdr&auml;ngung, </i>1915; O inconsciente -<i> Das Unberwussie,</i> 1915 - Ed. St. Br., 1974, vol. XIV) Freud designa o afeto como sendo a tradu&ccedil;&atilde;o subjetiva da quantidade de energia pulsional. Ele utiliza o termo "quantum de afeto" para designar esse outro elemento do representante ps&iacute;quico da puls&atilde;o e o conceitua como correspondendo &agrave; puls&atilde;o, "na medida que esta se afasta da id&eacute;ia e encontra express&atilde;o proporcional &agrave; sua quantidade em processos que s&atilde;o sentidos como afetos" (Freud, 1915b, Ed. St. Br., 1974, p. 176). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Freud, apenas os representantes ideativos da puls&atilde;o podem ser recalcados, enquanto os afetos, como express&atilde;o qualitativa da quantidade de energia pulsional, sofrem outros destinos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ant&iacute;tese entre consciente e inconsciente, na teoria freudiana, n&atilde;o se aplica &agrave;s puls&otilde;es. Uma puls&atilde;o, escreveu Freud, nunca pode tornar-se objeto da consci&ecirc;ncia. "Se a puls&atilde;o n&atilde;o se prendeu a uma id&eacute;ia ou n&atilde;o se manifestou como um estado afetivo, nada poderemos conhecer sobre ela (...). Podemos apenas referirmo-nos a um impulso pulsional cuja representa&ccedil;&atilde;o ideativa &eacute; inconsciente (...). (...) faz parte da natureza de uma emo&ccedil;&atilde;o que estejamos c&ocirc;nscios dela, isto &eacute;, que ela se torne conhecida pela consci&ecirc;ncia. Assim, a possibilidade do atributo da inconsci&ecirc;ncia seria completamente excluida no tocante &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es, sentimentos e afetos" (Freud, 1915c, Ed. St. Br., 1974, p. 203). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto aos destinos do afeto, Freud (1915c) aponta tr&ecirc;s possibilidades: ou ele permanece, no todo ou em parte, como &eacute;; ou &eacute; transformado num afeto qualitativamente diferente, sobretudo em ang&uacute;stia; ou &eacute; suprimido, isto &eacute;, impedido de se desenvolver. Suprimir o desenvolvimento do afeto constitui, para Freud, a verdadeira finalidade do recalcamento (e da repress&atilde;o). Ali&aacute;s, ele admite falar de "afetos inconscientes" apenas nos casos em que estes foram inibidos, em seu desenvolvimento, pelo processo de recalcamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud chama a aten&ccedil;&atilde;o, no entanto, para a diferen&ccedil;a produzida pela incid&ecirc;ncia do recalcamento na id&eacute;ia e no afeto. Ap&oacute;s o processo de recalcamento, diz ele, "as id&eacute;ias inconscientes continuam a existir como estruturas reais no sistema inconsciente, ao passo que tudo o que naquele sistema corresponde aos afetos inconscientes &eacute; um in&iacute;cio potencial impedido de se desenvolver" (Freud, 1915c, Ed. St. Br., 1974, p. 204). Portanto, n&atilde;o existem, para Freud, rigorosamente falando, afetos inconscientes da mesma forma que existem id&eacute;ias inconscientes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Referindo-se ao afeto, Pain (1991a) situa dois n&iacute;veis: "a) o da categoria dos afetos, reconhec&iacute;veis como estados ou sinais espec&iacute;ficos de um estado emocional e b) o da categoria dos valores afetivos, onde se produz a transforma&ccedil;&atilde;o da emo&ccedil;&atilde;o em um valor dentro de um sistema simb&oacute;lico. As opera&ccedil;&otilde;es que atingem tal transforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pertencem ao dom&iacute;nio das sensa&ccedil;&otilde;es emotivas, mas a uma estrutura independente, tribut&aacute;ria da fun&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica geral" (p. 39). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um curso ministrado na Sorbonne, em 1954, intitulado<i> As rela&ccedil;&otilde;es entre a intelig&ecirc;ncia e a afetividade no desenvolvimento mental da crian&ccedil;a,</i> Piaget define a afetividade sob duas formas: "a) os sentimentos propriamente ditos, e em particular as emo&ccedil;&otilde;es e b) as diversas tend&ecirc;ncias, nelas compreendidas as 'tend&ecirc;ncias superiores', e em particular a vontade" (p. 02). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deixaremos em aberto, por enquanto, a quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre intelig&ecirc;ncia e afetividade, pois voltaremos a ela no momento em que discutirmos o lugar da afetividade e do desejo na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ocupemo-nos, agora, da dimens&atilde;o do<i> desejo. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na teoria freudiana, o desejo tem por modelo a primeira experi&ecirc;ncia de satisfa&ccedil;&atilde;o. Sua origem encontra-se no reinvestimento ps&iacute;quico de um tra&ccedil;o mn&ecirc;mico de satisfa&ccedil;&atilde;o ligado &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de uma excita&ccedil;&atilde;o pulsional. "Um componente essencial dessa viv&ecirc;ncia de satisfa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma percep&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica (a da nutri&ccedil;&atilde;o, em nosso exemplo), cuja imagem mn&ecirc;mica fica associada, da&iacute; por diante, ao tra&ccedil;o mn&ecirc;mico da excita&ccedil;&atilde;o produzida pela necessidade. Em decorr&ecirc;ncia do v&iacute;nculo assim estabelecido, na pr&oacute;xima vez em que essa necessidade for despertada, surgir&aacute; de imediato uma mo&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica que procurar&aacute; recatexizar a imagem mn&ecirc;mica da percep&ccedil;&atilde;o e reevocar a pr&oacute;pria percep&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, restabelecer a situa&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o original. Uma mo&ccedil;&atilde;o dessa esp&eacute;cie &eacute; o que chamamos de desejo (...)" (Freud, 1900, Ed. St. Br., 1987, p. 516). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comentando a defini&ccedil;&atilde;o de desejo, em Freud, Dor (1989) ressalta que o reinvestimento ps&iacute;quico de um tra&ccedil;o mn&ecirc;mico de satisfa&ccedil;&atilde;o &eacute; din&acirc;mico, e que esse dinamismo constitui a ess&ecirc;ncia do desejo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laplanche e Pontalis (1981) observam que a concep&ccedil;&atilde;o freudiana do desejo refere-se, por excel&ecirc;ncia, ao desejo inconsciente, ligado aos signos infantis indestrut&iacute;veis. Acentuam, ainda, que Freud n&atilde;o identifica o desejo &agrave; necessidade: "o desejo &eacute; indissociavelmente ligado aos 'tra&ccedil;os mn&ecirc;micos' e encontra sua realiza&ccedil;&atilde;o na reprodu&ccedil;&atilde;o alucinat&oacute;ria das percep&ccedil;&otilde;es tornadas os signos desta satisfa&ccedil;&atilde;o" (p. 121). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com Lacan<a name="t1"></a><a href="#nt1">*</a> a no&ccedil;&atilde;o do desejo &eacute; al&ccedil;ada ao primeiro plano da teoria psicanal&iacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele situa o desejo entre a necessidade e a demanda, e sua inscri&ccedil;&atilde;o se d&aacute; no registro de uma rela&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica com o Outro. O outro (a m&atilde;e, por exemplo), ao atribuir sentido &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es corporais e emocionais de um beb&ecirc; (o choro, para ilustrar), interv&eacute;m como uma resposta a algo que foi, de antem&atilde;o, suposto como uma demanda. Assim procedendo, o outro inscreve a crian&ccedil;a na ordem da linguagem e no universo simb&oacute;lico de seus significantes, tornando-se, para a crian&ccedil;a, um outro privilegiado: o Outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da&iacute; a f&oacute;rmula lacaniana segundo a qual o desejo &eacute; sempre o desejo do Outro (Lacan, 1960-61, p. 172). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crian&ccedil;a passa a ter condi&ccedil;&otilde;es de desejar pela media&ccedil;&atilde;o de uma demanda endere&ccedil;ada ao Outro. "Para al&eacute;m da demanda de satisfa&ccedil;&atilde;o da necessidade, perfila-se a demanda do 'a mais' que &eacute;, antes de tudo, demanda de amor (...). (...) a crian&ccedil;a deseja ser o &uacute;nico objeto do desejo do Outro que satisfaz suas necessidades. (...) este desejo do desejo do Outro encarna-se no desejo de um 're-encontro' da satisfa&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria onde a crian&ccedil;a foi totalmente satisfeita sob a forma de um gozar que n&atilde;o demandou nem esperou" (Dor, 1989, pp. 145-146). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Lacan (1957), &eacute; pela interven&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o paterna que a crian&ccedil;a ter&aacute; acesso &agrave; dimens&atilde;o simb&oacute;lica, afastando-se do assujeitamento imagin&aacute;rio &agrave; m&atilde;e. O Nome-do-Pai introduzir&aacute; a crian&ccedil;a na Lei da Ordem Simb&oacute;lica, da Linguagem Objetivante, permitindo ao serzinho biol&oacute;gico situar-se como crian&ccedil;a humana, como sujeito desejante. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan refere, no entanto, que o pai interv&eacute;m como elemento estruturante na evolu&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica da crian&ccedil;a apenas na medida em que sua fala v&ecirc;-se significada no discurso da m&atilde;e, enquanto uma inst&acirc;ncia terceira, mediadora do desejo do Outro: "Mas sobre o qu&ecirc; queremos insistir &eacute; que n&atilde;o &eacute; unicamente a maneira pela qual a m&atilde;e aceita a pessoa do pai que conviria se ocupar, mas da import&acirc;ncia que ela d&aacute; a sua fala, a sua palavra, a sua autoridade, ou melhor dizendo, ao lugar que ela reserva ao Nome-do-Pai na promo&ccedil;&atilde;o da lei" (Lacan, 1957, p. 579). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante ressaltar, ainda, que o desejo, para Lacan, est&aacute; intrinsicamente ligado a uma falta que n&atilde;o pode ser preenchida por nenhum objeto real. Isto porque, ao tentar significar seu desejo, o sujeito o faz pela media&ccedil;&atilde;o da demanda, a qual introduz uma divis&atilde;o entre o que &eacute; desejado, fundamentalmente, e o que se faz ouvir deste desejo na demanda. O objeto do desejo &eacute; sempre, portanto, um objeto faltoso. O que determina a circula&ccedil;&atilde;o ou deslocamento do desejo em objetos substitutos &eacute;, justamente, a falta do objeto para sempre perdido, objeto do desejo que &eacute;, ao mesmo tempo, objeto causa do desejo, denominado por Lacan<i> objeto a</i> (Lacan, 1959-60; 1969-70). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos concluir, com Freud e Lacan, que n&atilde;o existe, em &uacute;ltima an&aacute;lise, satisfa&ccedil;&atilde;o do desejo na realidade. A dimens&atilde;o do desejo n&atilde;o tem outra realidade sen&atilde;o a realidade ps&iacute;quica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Afetividade e desejo na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estando, pois, definidos os termos que t&ecirc;m implica&ccedil;&atilde;o com o nosso tema, voltemos &agrave; quest&atilde;o que nos interessa: como articular, na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender, intelig&ecirc;ncia, afetividade e desejo? Qual o lugar da afetividade e do desejo na pr&aacute;tica pedag&oacute;gica de transmiss&atilde;o do conhecimento? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Piaget (1954), afirmar que a intelig&ecirc;ncia e a afetividade s&atilde;o indissoci&aacute;veis pode envolver duas significa&ccedil;&otilde;es bastante diferentes: a) num primeiro sentido, pode-se querer dizer, com essa afirma&ccedil;&atilde;o, que a afetividade interv&eacute;m nas opera&ccedil;&otilde;es da intelig&ecirc;ncia, que ela as estimula ou as perturba, que ela &eacute; causa de acelera&ccedil;&atilde;o ou de atraso no desenvolvimento intelectual, mas que ela n&atilde;o poderia modificar as estruturas da intelig&ecirc;ncia enquanto tais; b) num segundo sentido, pode-se querer afirmar, ao contr&aacute;rio, que a afetividade interv&eacute;m nas estruturas da intelig&ecirc;ncia, que ela &eacute; fonte de conhecimento e de opera&ccedil;&otilde;es cognitivas originais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget (1954) defende a primeira interpreta&ccedil;&atilde;o, afirmando que a afetividade desempenha um papel de fonte energ&eacute;tica da qual dependeria o funcionamento da intelig&ecirc;ncia, mas n&atilde;o suas estruturas. Para ele, a afetividade n&atilde;o engendra, ela pr&oacute;pria, estruturas cognitivas e nem modifica as estruturas no funcionamento nas quais ela interv&eacute;m. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estabelecendo uma distin&ccedil;&atilde;o entre fun&ccedil;&otilde;es cognitivas e fun&ccedil;&otilde;es afetivas, Piaget afirma que essas duas fun&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m natureza diferente, embora elas permane&ccedil;am indissoci&aacute;veis na conduta concreta do indiv&iacute;duo. As fun&ccedil;&otilde;es cognitivas, para Piaget, v&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o e das fun&ccedil;&otilde;es sens&oacute;rio-motoras at&eacute; a intelig&ecirc;ncia abstrata, com as opera&ccedil;&otilde;es formais, e as fun&ccedil;&otilde;es afetivas compreenderiam os sentimentos de satisfa&ccedil;&atilde;o-insatisfa&ccedil;&atilde;o, sentimentos est&eacute;ticos, a vontade, o interesse etc. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget resume sua tese nas seguintes proposi&ccedil;&otilde;es: a) a afetividade trabalha incessantemente no funcionamento do pensamento, mas n&atilde;o cria novas estruturas; b) pode-se dizer que a energ&eacute;tica da conduta tem a ver com a afetividade, enquanto as estruturas t&ecirc;m a ver com as fun&ccedil;&otilde;es cognitivas. Segundo o autor, a distin&ccedil;&atilde;o entre estrutura e energ&eacute;tica mostra bem que intelig&ecirc;ncia e afetividade s&atilde;o constantemente indissoci&aacute;veis na conduta concreta do indiv&iacute;duo, embora devamos consider&aacute;-las como sendo de natureza diferente (Piaget, 1954). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, do ponto de vista piagetano, &eacute; importante ressaltar que, se n&atilde;o existe estrutura cognitiva sem energ&eacute;tica, isto &eacute;, sem afetividade, e, reciprocamente, se a toda nova estrutura deve corresponder uma nova forma de regula&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, a cada n&iacute;vel de conduta afetiva deve corresponder, igualmente, um certo tipo de estrutura cognitiva. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget lembra, no entanto, que diversos autores sustentaram posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; sua, entre os quais Henri Wallon, no que concerne &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre a intelig&ecirc;ncia e a afetividade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, para Wallon<a name="t2"></a><a href="#nt2">**</a> as emo&ccedil;&otilde;es podem ser causa de progresso no desenvolvimento, podem ser fonte de conhecimento, pois enquanto express&otilde;es do sujeito, as emo&ccedil;&otilde;es precedem, acompanham e orientam as atividades de rela&ccedil;&atilde;o, sem as quais elas n&atilde;o teriam como capturar o mundo exterior. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recorreremos ao estudo de Thanh Huong (1976), sobre a<i> Forma&ccedil;&atilde;o das atitudes afetivas - ensaio de s&iacute;ntese de Freud e de Wallon,</i> para apresentarmos breve resumo do pensamento de Wallon a respeito do papel das emo&ccedil;&otilde;es no desenvolvimento infantil e, em particular, suas rela&ccedil;&otilde;es com o desenvolvimento intelectual. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Wallon, interpreta Thanh Huong, n&atilde;o reduz a vida afetiva a uma pura energ&eacute;tica que as atividades sens&oacute;rio-motoras e intelectuais estruturam &agrave; medida de seu aparecimento, como o sustenta Piaget (1954). As emo&ccedil;&otilde;es, na teoria walloniana, est&atilde;o na origem de toda linguagem. Tornando poss&iacute;vel a comunica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com seu meio, as emo&ccedil;&otilde;es aparecem como as primeiras manifesta&ccedil;&otilde;es sociais. Ao interpretar, desde muito cedo, as express&otilde;es de bem-estar ou de mal-estar do beb&ecirc; como sinais de apelo ou de respostas<a name="t3"></a><a href="#nt3">***</a>, as pessoas que o cercam transformam as emo&ccedil;&otilde;es em linguagem m&iacute;mica ou, segundo uma express&atilde;o de Ajuriaguerra (citado em Thanh Huong, 1976, p. 167), em um "di&aacute;logo t&ocirc;nico", que precede a linguagem falada e n&atilde;o cessa de acompanh&aacute;-la. A linguagem &eacute; reconhecida por todos, lembra Thanh Huong, como o instrumento sem o qual nenhuma intelig&ecirc;ncia conceituai e discursiva seria conceb&iacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Wallon, as emo&ccedil;&otilde;es contribuem, ainda, com o desenvolvimento intelectual, tornando poss&iacute;vel a representa&ccedil;&atilde;o. Tendo sua origem na interioriza&ccedil;&atilde;o de um modelo, a partir da imita&ccedil;&atilde;o e do simulacro, a representa&ccedil;&atilde;o ir&aacute; se destacar, progressivamente, do ambiente afetivo e motor de onde emergiu para se elevar em dire&ccedil;&atilde;o aos signos cada mais abstratos, passando pelo s&iacute;mbolo, esta sorte de linguagem "imaginada" (de imagens), ainda impregnada de afetividade e para qual regressa o pensamento nos estados de relaxamento, de sonho ou de devaneios (Thanh Huong, 1976). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na teoria walloniana, portanto, a afetividade precede toda forma&ccedil;&atilde;o sens&oacute;rio-motora e mental. As primeiras formas de pensamento, designadas de pensamento sincr&eacute;tico, s&atilde;o todas impregnadas de afetividade. Tamb&eacute;m as outras formas de pensamento, tais como o pensamento categorial e o temporal, s&atilde;o, para Wallon, fortemente influenciadas pelas experi&ecirc;ncias afetivas do sujeito, pois, para aceder &agrave;s formas de pensamento mais abstrato, a crian&ccedil;a deve aprender a se desvencilhar de seu subjetivismo, tornando-se cada vez mais objetiva, ou seja, cada vez mais centrada sobre o objeto de conhecimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos concluir, sem grande risco de equ&iacute;voco, que a afetividade, tanto em Freud quanto em Piaget e Wallon, embora vista sob diferentes &acirc;ngulos, ocupa um lugar privilegiado no desenvolvimento ps&iacute;quico e intelectual da crian&ccedil;a e do adolescente. Se as posi&ccedil;&otilde;es de Freud e de Wallon s&atilde;o mais pr&oacute;ximas uma da outra, na medida em que, para ambos, as ra&iacute;zes afetivas se encontram na base de toda atividade ps&iacute;quica, a&iacute; inclu&iacute;da a atividade intelectual, a posi&ccedil;&atilde;o de Piaget n&atilde;o deve ser interpretada, como alguns o fazem, como tendo relegado a um plano absolutamente secund&aacute;rio o papel da afetividade no desenvolvimento cognitivo da crian&ccedil;a. Vimos que essa interpreta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; procedente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A afetividade, nas diferentes concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas aqui expostas, desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o, em maior ou menor grau, de organiza&ccedil;&atilde;o e de sustenta&ccedil;&atilde;o das atividades ps&iacute;quicas, sendo indispens&aacute;vel e indissoci&aacute;vel das diferentes tarefas e atividades desenvolvidas pelo ser humano. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se os afetos, as emo&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o com a intelig&ecirc;ncia e vice-versa, e se o ato de ensinar-aprender ocorre num processo relacional, vincular, necessariamente, essa rela&ccedil;&atilde;o ter&aacute; de levar em considera&ccedil;&atilde;o, no seu <i>modus operandiy</i> toda a variada gama de express&otilde;es dos afetos e das emo&ccedil;&otilde;es, presentes na rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno e, consequentemente, na transmiss&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o do conhecimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerada como express&atilde;o subjetiva da energia pulsional, como um estado emocional, como tend&ecirc;ncias "superiores" ou, ainda, como uma categoria de valores que se constr&oacute;i a partir do sistema simb&oacute;lico, a afetividade revela toda a riqueza das possibilidades das intera&ccedil;&otilde;es humanas, tanto ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es interindividuais de trocas subjetivas, quanto das rela&ccedil;&otilde;es sujeito-objeto de conhecimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Defendemos que a aprendizagem pressup&otilde;e, sempre e necessariamente, uma rela&ccedil;&atilde;o com outra pessoa, a que ensina. Aprender, pois, &eacute; aprender com algu&eacute;m. &Eacute; no campo das rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre o professor e o aluno que se criam as condi&ccedil;&otilde;es para o aprendizado, sejam quais forem os objetos de conhecimento a serem trabalhados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este campo n&atilde;o se reduz, no entanto, a uma mera "rela&ccedil;&atilde;o de encontro", que tem por base a aplica&ccedil;&atilde;o equivocada, na educa&ccedil;&atilde;o, de modelos cl&iacute;nicos advindos, sobretudo, das abordagens humanistas centradas na pessoa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se pode pretender abolir a diferen&ccedil;a professor-aluno em nome de uma<i> soi-disante</i> rela&ccedil;&atilde;o afetiva favor&aacute;vel. O professor que se identifica com a crian&ccedil;a se apaga, anula sua identidade de professor e de adulto, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria especular e concebendo a aprendizagem como uma experi&ecirc;ncia auto-engendrada. Segundo Amorim (1989), a auto-educa&ccedil;&atilde;o, assim concebida, seria uma tentativa de escapar do desejo do outro. O saber &eacute;, a&iacute;, reduzido ao prazer de reencontrar-se a si mesmo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"N&atilde;o se pode pretender, igualmente, que o modelo psicanal&iacute;tico da rela&ccedil;&atilde;o terapeuta-cliente se substitua ao modelo pedag&oacute;gico da rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno. A especificidade da rela&ccedil;&atilde;o educativa deve ser mantida, sob pena de se esvaziar a escola de seus saberes e de tornar o professor uma mera figura decorativa ou "promotor" da felicidade do aluno, despojado, portanto, de suas atribui&ccedil;&otilde;es originais" (Almeida, no prelo). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o educativa que se constitui na rela&ccedil;&atilde;o com o outro n&atilde;o se d&aacute; apenas a partir das caracter&iacute;sticas imediatas do "encontro" em sala de aula, mas, tamb&eacute;m, a partir das interpreta&ccedil;&otilde;es e expectativas do que, socialmente, significa ser professor e aluno, isto &eacute;, a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o, tanto subjetiva quanto social, do papel de cada um. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entender a rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender como a intera&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea das infinitas formas que o "encontro" pode adquirir &eacute; mistificar o v&iacute;nculo educativo e abstra&iacute;-lo de toda determina&ccedil;&atilde;o. &Eacute; negar que o simb&oacute;lico est&aacute; presente em toda intera&ccedil;&atilde;o e pretender criar uma "liberdade" para o sujeito gestada e restrita &agrave;s quatro paredes de uma sala de aula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que parece-nos essencial na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender &eacute; que se <i>reconhe&ccedil;a</i> a afetividade do aluno como uma dimens&atilde;o insepar&aacute;vel, indissoci&aacute;vel da intelig&ecirc;ncia, promotora de desenvolvimento, e que o educador tenha, ele mesmo, clareza "de sua pr&oacute;pria afetividade enquanto educador, considerado nas suas fun&ccedil;&otilde;es de professor ou de pai, ou seja, de seu estatuto de adulto em geral" (Almeida, no prelo). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Negar ou superdimensionar a afetividade na rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem significa, em ambos os casos, um desconhecimento profundo da natureza das atividades ps&iacute;quicas. As a&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es do homem n&atilde;o s&atilde;o unicamente derivadas da ordem l&oacute;gico-matem&aacute;tica, como tamb&eacute;m n&atilde;o se orientam apenas pelas rea&ccedil;&otilde;es emocionais-afetivas de prazer-desprazer. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda atitude ou ato humano resulta de dois processos: "do processo objetivante (l&oacute;gico-intelectual) e do processo subjetivante (simb&oacute;lico-desejante)" (Fern&aacute;ndez, 1991, p. 74). Na aprendizagem, al&eacute;m do organismo e do corpo, esses dois n&iacute;veis interv&ecirc;m conjuntamente, indissociavelmente, de forma que "n&atilde;o podemos continuar situando a aprendizagem do lado da intelig&ecirc;ncia e a sexualidade do lado do desejo, dicotomicamente separados. Tanto a sexualidade como a aprendizagem s&atilde;o fun&ccedil;&otilde;es em que interv&ecirc;m ambos os n&iacute;veis" (Fern&aacute;ndez, 1991, p. 74). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passamos, assim, da dimens&atilde;o da afetividade para a do desejo, inscri&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica que organiza e orienta, a partir do inconsciente, a vida afetiva e o mundo das significa&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo, enquanto uma das dimens&otilde;es estruturantes da subjetividade (as outras s&atilde;o a linguagem e o inconsciente), se introduz, com sua cadeia de significantes, no campo das rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre o professor e o aluno, sustentando, por seu dinamismo pr&oacute;prio, o circuito pulsional e marcando o que se pode denominar, do lado do aluno, desejo de saber, e do lado do professor, desejo de poder. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A transferencia na rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conceito psicanal&iacute;tico de<i> transfer&ecirc;ncia</i> pode nos auxiliar na compreens&atilde;o de como o desejo se faz presente na rela&ccedil;&atilde;o ensinar-aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; no relato de<i> Fragmento da an&aacute;lise de um caso de histeria,</i> o famoso caso Dora, que Freud (1901) passou a conceber a transfer&ecirc;ncia como uma exig&ecirc;ncia indispens&aacute;vel da t&eacute;cnica anal&iacute;tica. Neste texto, Freud define a transfer&ecirc;ncia como "reedi&ccedil;&otilde;es, reprodu&ccedil;&otilde;es das mo&ccedil;&otilde;es e fantasias que, durante o avan&ccedil;o da an&aacute;lise, soem despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a caracter&iacute;stica (pr&oacute;pria do g&ecirc;nero) de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do m&eacute;dico. Dito de outra maneira: toda uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias ps&iacute;quicas &eacute; revivida, n&atilde;o como algo passado, mas como um v&iacute;nculo atual com a pessoa do m&eacute;dico" (Freud, 1901, Ed. St. Br., 1989, p. 110). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud descobre, com a an&aacute;lise de Dora, que a transfer&ecirc;ncia, enquanto manifesta&ccedil;&atilde;o do inconsciente, e, at&eacute; ent&atilde;o, percebida como "destinada a constituir o maior obst&aacute;culo &agrave; psican&aacute;lise, converte-se em sua mais poderosa aliada quando se consegue detect&aacute;-la a cada surgimento e traduz&iacute;-la para o paciente" (Freud, 1901, Ed. St. Br., 1989, pp. 111-112). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A transfer&ecirc;ncia, entretanto, n&atilde;o ocorre apenas na rela&ccedil;&atilde;o paciente-analista; trata-se de um fen&ocirc;meno que permeia qualquer rela&ccedil;&atilde;o humana, embora, na an&aacute;lise, ela assuma caracter&iacute;sticas singulares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos pensar, ent&atilde;o, na rela&ccedil;&atilde;o transferencial que ocorre no campo das rela&ccedil;&otilde;es professor-aluno. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda transfer&ecirc;ncia &eacute; sempre ligada a um desejo, ou seja, transfere-se para algu&eacute;m um sentido que se relaciona a um desejo, cuja express&atilde;o, ao n&iacute;vel transferencial, pode ser de hostilidade, de agressividade, de amor, e que, psicanaliticamente falando, refere-se a experi&ecirc;ncias vividas primitivamente com as figuras parentais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a transfer&ecirc;ncia se estebelece na rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno, este atribui ao professor um sentido especial, determinado pelo seu desejo. O professor torna-se, ent&atilde;o, deposit&aacute;rio de algo que lhe foi conferido pelo desejo do outro. Kupfer (1989) descreve muito bem a rela&ccedil;&atilde;o transferencial: "(...) o analista ou o professor, colhidos pela transfer&ecirc;ncia, n&atilde;o s&atilde;o exteriores ao inconsciente do sujeito, mas o que quer que digam ser&aacute; escutado a partir desse lugar onde est&atilde;o colocados. Sua fala deixa de ser objetiva, pois &eacute; escutada 'atrav&eacute;s' dessa especial posi&ccedil;&atilde;o que ocupa no inconsciente do sujeito" (p. 92). Ou ainda: "na rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno a transfer&ecirc;ncia se produz quando o desejo de saber do aluno se aferra a um elemento particular, que &eacute; a pessoa do professor" (p. 91). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Revestido de import&acirc;ncia especial e possuidor de algo que pertence ao aluno, o professor se v&ecirc; na dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o de sustentar esse lugar no qual ele foi colocado e que lhe confere, sem sombra de d&uacute;vidas, autoridade e poder. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Situa-se, a&iacute;, no desejo de poder do professor, conferido pela transfer&ecirc;ncia, o maior desafio do ato educativo. Sobre esse poder, escreveu Millot (1987): "O educador, cujo poder &eacute; proveniente da transfer&ecirc;ncia, n&atilde;o poderia querer, enquanto tal, desfazer-se dele; a inst&acirc;ncia do ideal-do-eu e a possibilidade de transfer&ecirc;ncia fundam o poder de todo condutor de homens, educador ou governante" (p. 132). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cedendo ao desejo de poder e abusando de sua autoridade, o professor se coloca como figura ideal, subjugando o aluno ao seu sistema de valores, impondo suas id&eacute;ias, escravizando, impedindo, ou mesmo estacando, o desejo de saber do outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, ocupando o lugar designado pelo aluno, na transfer&ecirc;ncia, estaria o professor anulando ou renunciando ao seu pr&oacute;prio desejo? Millot (1987) responde afirmativamente a essa quest&atilde;o e Kupfer (1989) segue a mesma linha de racioc&iacute;nio, ao afirmar que, para exercer sua fun&ccedil;&atilde;o de mestre, o professor precisa renunciar ao seu desejo. Kupfer v&ecirc;, a&iacute;, "mais uma raz&atilde;o para apoiar a id&eacute;ia de que a Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel" (p. 94). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora reconhe&ccedil;amos tratar-se de uma quest&atilde;o complexa, cujas interpreta&ccedil;&otilde;es merecem maior reflex&atilde;o e aprofundamento te&oacute;rico, ousamos acreditar, diferentemente das autoras acima mencionadas, que &eacute; justamente por se deixar atravessar por seu pr&oacute;prio desejo que o professor exerce sua fun&ccedil;&atilde;o de educador. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo de poder, ao qual ele tem de renunciar, para sustentar o desejo de saber do aluno, n&atilde;o o esvazia de seu<i> Desejo,</i> cujos deslocamentos e deslizamentos na cadeia de significantes constituem, dialeticamente, a ess&ecirc;ncia propulsora da vida humana, permanentemente confrontada com a falta e, por essa raz&atilde;o mesma, eternamente desejante. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por essa via, e concluindo, talvez possamos interpretar, de forma otimista, o pensamento de Freud a respeito da educa&ccedil;&atilde;o enquanto tarefa imposs&iacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se considerarmos que a educa&ccedil;&atilde;o jamais ser&aacute; tarefa acabada, que a aprendizagem se gera na inquietude que a engendra, e que o conhecimento, uma vez apreendido, coloca-nos em contato com a ignor&acirc;ncia, poderemos compreender que<i> &eacute; a impossibilidade da educa&ccedil;&atilde;o que a torna poss&iacute;vel</i> E &eacute; no campo pedag&oacute;- gico das rela&ccedil;&otilde;es professor-aluno que intelig&ecirc;ncia, afetividade e desejo se articulam, num mesmo circuito, confrontando-se com faltas e car&ecirc;ncias e, por assim ser, construindo, pensando e desejando, novas e infinitas possibilidades. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Referencias Bibliogr&aacute;ficas </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Almeida, S.F.C, de (no prelo). Psicologia, psican&aacute;lise e educa&ccedil;&atilde;o: tr&ecirc;s discursos diferentes? Em R. B&ucirc;cher e S.RC. de Almeida (Orgs.).<i> Psican&aacute;lise e Psicologia: Desafios.</i> Bras&iacute;lia: Ed. da UnB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552312&pid=S1413-389X199300010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amorim, M. (1989). A escola e o terceiro exclu&iacute;do.<i> Revista de Psicologia e Psican&aacute;lise, 1,</i> 81-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552314&pid=S1413-389X199300010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dor, J. (1989).<i> Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; leitura de Lacan: o Inconsciente Estruturado como Linguagem.</i> Porto Alegre: : Artes  M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552316&pid=S1413-389X199300010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fernandez, A. (1991).<i> A Intelig&ecirc;ncia Aprisionada: Abordagem Psicopedag&ocirc;gica Clinica da Crian&ccedil;a e sua Fam&iacute;lia.</i> Porto Alegre: Artes Medicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552318&pid=S1413-389X199300010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1900). Realiza&ccedil;&atilde;o de desejos. Em <i>A Interpreta&ccedil;&atilde;o dos Sonhos,</i> Parte II. Ed. Standard Brasileira, vol. V, Rio de Janeiro: Imago, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552320&pid=S1413-389X199300010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1901).<i> Fragmento da An&aacute;lise de um Caso de Histeria.</i> Ed. Standard Brasileiro, vol. VII, Rio de Janeiro: Imago, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552322&pid=S1413-389X199300010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1915a).<i> As Puls&otilde;es e suas Vicissitudes.</i> Ed. Standard Brasileira, vol. XIV, Rio de Janeiro: Imago, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552324&pid=S1413-389X199300010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1915b).<i> Recalcamento.</i> Ed. Standard Brasileira, vol. XIV, Rio de Janeiro: Imago, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552326&pid=S1413-389X199300010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1915c).<i> O Inconsciente.</i> Ed. Standard Brasileira, vol. XIV, Rio de Janeiro: Imago, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552328&pid=S1413-389X199300010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1937).<i> An&aacute;lise Termin&aacute;vel e Intermin&aacute;vel.</i> Ed. Standard Brasileira, vol. XXIII, Rio de Janeiro: Imago, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552330&pid=S1413-389X199300010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kupfer, M.C. (1989).<i> Freud e a Educa&ccedil;&atilde;o: o Mestre do Imposs&iacute;vel.</i> S&atilde;o Paulo: Scipione.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552332&pid=S1413-389X199300010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1957). D'une question pr&eacute;liminaire &agrave; tout traitement possible de la psychose. Em<i> &Eacute;crits.</i> Paris: Seuil, 1966.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552334&pid=S1413-389X199300010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1959-60).<i> A &Eacute;tica da Psican&aacute;lise.</i> Livro 7. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552336&pid=S1413-389X199300010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lacan, J. (1960-61).<i> A Transfer&ecirc;ncia.</i> Livro 8. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552338&pid=S1413-389X199300010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lacan, J. (1969-70).<i> O Avesso da Psican&aacute;lise.</i> Livro 17. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552340&pid=S1413-389X199300010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laplanche, J. e Pontalis, J.-B. (1981).<i> Vocabulaire de la Psychanalyse.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552342&pid=S1413-389X199300010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Millot, C. (1987).<i> Freud Antipedagogo.</i> Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552344&pid=S1413-389X199300010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pain, S. (1991a).<i> A Fun&ccedil;&atilde;o da Ignor&acirc;ncia - Estruturas Inconscientes do Pensamento.</i> Vol. 1, Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552346&pid=S1413-389X199300010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pain, S. (1991b).<i> A Fun&ccedil;&atilde;o da Ignor&acirc;ncia - a G&ecirc;nese do Inconsciente.</i> Vol. 2, Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552348&pid=S1413-389X199300010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget, J. (1954).<i> Les Relations entre l'Affectivit&eacute; et VIntelligence dans le D&eacute;veloppement de l'Enfant.</i> Paris: Les Cours de Sorbonne, Centre de Documentation Universitaire.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget, J. (1964).<i> Seis Estudos de Psicologia.</i> Rio de Janeiro: Forense, 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552351&pid=S1413-389X199300010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Piaget, J. (1969).<i> Biolog&iacute;a y Conocimiento.</i> Madrid: Siglo XXI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552353&pid=S1413-389X199300010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Thanh Huong, N.T. (1976).<i> La Formation des Attitudes Affectives - Essai de Synth&egrave;se de Freud et de Wallon</i>. Paris Vrin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3552355&pid=S1413-389X199300010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt1"></a><a href="#t1">*</a> A no&ccedil;&atilde;o de desejo permeia quase toda a Lacran, oque se torna dificil indicar referencias bibliograficas precisas, do autor, a respeito deste conceito. Entretanto, recomendamos, para aqueles que t&ecirc;m interesse em  aprofundar a concep&ccedil;&atilde;o lacaniana do desejo, remeterem-se &agrave; leitura dos Semin&aacute;rios de Lacan: Livro 2 -<i>O eu na teoria de Freud e na t&eacute;cnica da psican&aacute;lise;</i> Livro 7 -<i> A &eacute;tica da psican&aacute;lise;</i> Livro 8 -<i>A transfer&ecirc;ncia; </i>Livro<i> 11- Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise,</i> todos publicados, no Brasil, pela Editora Zahar.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="nt2"></a><a href="#t2">**</a> As contribui&ccedil;&otilde;es de H. Wallon &agrave; psicologia da crian&ccedil;a e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de grande import&acirc;ncia, tanto do ponto de vista te&oacute;rico quanto pr&aacute;tico. Devido aos limites deste trabalho, n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel nos aprofundarmos em sua teoria. Recomendamos, portanto, a leitura de algumas de suas obras:<i> L'&Eacute;volution Psychologique de l'Enfant,</i> Paris: A. Colin, 1957;<i> De l'acte &agrave; la pens&eacute;e,</i> Paris, Flammarion, 1942;<i> Les Origines de la Pens&eacute;e chez l'Enfant,</i> Paris: PUF, 1963.    <br> <a name="nt3"></a><a href="#t3">***</a> &Eacute; importante ressaltar, aqui, a proximidade do pensamento de Wallon com o de Lacan, em suas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre a origem do desejo e a instaura&ccedil;&atilde;o da Ordem Simb&oacute;lica. </font></p>      ]]></body>
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