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<journal-title><![CDATA[Psicologia da Educação]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vozes no silêncio: um grupo de formação crítico-reflexiva de professoras de alunos com autismo]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Voces en el silencio: un equipo de formación crítico reflexiva de profesores de alumnos con autismo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The main objective of this research was the analysis of a formation process for teachers of autistic students intended to bring to these professionals a reflective-critic position through the appropriation of knowledges and competencies targeted to the characteristics of these special-needs students. The action-research and participant observation procedures were the methodological approaches used and the data collection was done in a descriptive fashion. We have adopted Donald A. Schön, Pimenta and Contreras theories about the use of reflection in the formation professional groups, which were articulated with information about the new inclusion policies on public education. Our conclusion is based on what we believe are success indicators of this reflective-critic teachers formation approach. The participants expressed their personal and professional evolution process and the possibilities of reflection about their behavior as teachers of students deserving special educational needs, leading us wondering how much we can step further into education as a fundamental right for each and every citizen.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Esta investigación tuvo como objetivo analisar un proceso de formación que buscó desarrollar en profesoras de alumnos con trastornos autistas, una postura crítca reflexiva, a través de la apropiación de conocimientos y competencias de actuación volcadas a las características de este tipo de alumno. Como método adoptamos la investigación acción participante y la selección de datos con carácter descriptivo. Utilizamos las fundamentaciones teóricas de Donal A. Schön, Pimenta y Contreras sobre el uso de la reflexión en los grupos de formación de profesional, que se articularon con informaciones sobre las nuevas políticas de inclusión en la enseñanza pública, resaltando la importancia de un espacio que propicie el aprendizaje, valorice la interacción entre los profesores y respete los tiempos individuales y las formas distintas de aprender.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vozes no sil&ecirc;ncio: um grupo de forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-reflexiva de professoras de alunos com autismo </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Voices of silence: a critical-reflexive education for treachers of autistic students</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Voces en el silencio: un equipo de formaci&oacute;n cr&iacute;tico reflexiva de profesores de alumnos con autismo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ruth Cabral Monteiro de Castro </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora da Escola de Gest&atilde;o e Neg&oacute;cios da Universidade do GrandeRio. E-mail: <a href="mailto:ruth_castro@terra.com.br">ruth_castro@terra.com.br</a> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pesquisa teve como objetivo analisar um processo de forma&ccedil;&atilde;o que procurou desenvolver, em professoras de alunos com transtornos autistas, uma postura cr&iacute;ticoreflexiva, atrav&eacute;s da apropria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e compet&ecirc;ncias de atua&ccedil;&atilde;o voltados para as caracter&iacute;sticas desse aluno. Adotamos as pesquisas a&ccedil;&atilde;o e participante como m&eacute;todos investigativos e a coleta de dados foi descritiva. Utilizamos as fundamenta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de Donald A. Sch&ouml;n, Pimenta e Contreras sobre o uso da reflex&atilde;o nos grupos de forma&ccedil;&atilde;o de profissionais, que foram articuladas com informa&ccedil;&otilde;es sobre as novas pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o no ensino p&uacute;blico, ressaltando a import&acirc;ncia de um espa&ccedil;o que fosse prop&iacute;cio &agrave; aprendizagem, valorizasse a intera&ccedil;&atilde;o entre os professores, respeitasse os tempos individuais e as formas diversas de aprender.    <br>   Conclu&iacute;mos acreditando que foram obtidos indicadores de &ecirc;xito nessa abordagem cr&iacute;tico-reflexiva de forma&ccedil;&atilde;o de professores, atrav&eacute;s de depoimentos e avalia&ccedil;&otilde;es das participantes que expressaram o seu crescimento profissional e pessoal e suas possibilidades de reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica como professoras de alunos com necessidades educativas especiais, levando-nos a refletir o quanto podemos caminhar para chegarmos mais perto de uma educa&ccedil;&atilde;o que seja realmente um direito de todo e qualquer cidad&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> educa&ccedil;&atilde;o especial; autismo e forma&ccedil;&atilde;o de professores. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The main objective of this research was the analysis of a formation process for teachers of autistic students intended to bring to these professionals a reflective-critic position through the appropriation of knowledges and competencies targeted to the characteristics of these special-needs students.    <br>   The action-research and participant observation procedures were the methodological approaches used and the data collection was done in a descriptive fashion. We have adopted Donald A. Sch&ouml;n, Pimenta and Contreras theories about the use of reflection in the formation professional groups, which were articulated with information about the new inclusion policies on public education.    <br>   Our conclusion is based on what we believe are success indicators of this reflective-critic teachers formation approach. The participants expressed their personal and professional evolution process and the possibilities of reflection about their behavior as teachers of students deserving special educational needs, leading us wondering how much we can step further into education as a fundamental right for each and every citizen. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Special Education; Autism and Process of formation for teacher. </font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMEN</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta investigaci&oacute;n tuvo como objetivo analisar un proceso de formaci&oacute;n que busc&oacute; desarrollar en profesoras de alumnos con trastornos autistas, una postura cr&iacute;tca reflexiva, a trav&eacute;s de la apropiaci&oacute;n de conocimientos y competencias de actuaci&oacute;n volcadas a las caracter&iacute;sticas de este tipo de alumno. Como m&eacute;todo adoptamos la investigaci&oacute;n acci&oacute;n participante y la selecci&oacute;n de datos con car&aacute;cter descriptivo. Utilizamos las fundamentaciones te&oacute;ricas de Donal A. Sch&ouml;n, Pimenta y Contreras sobre el uso de la reflexi&oacute;n en los grupos de formaci&oacute;n de profesional, que se articularon con informaciones sobre las nuevas pol&iacute;ticas de inclusi&oacute;n en la ense&ntilde;anza p&uacute;blica, resaltando la importancia de un espacio que propicie el aprendizaje, valorice la interacci&oacute;n entre los profesores y respete los tiempos individuales y las formas distintas de aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palabras clave:</b> educaci&oacute;n especial; autismo e formaci&oacute;n de profesores. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>Aqui se relata parte de uma hist&oacute;ria que come&ccedil;ou quando um dia uma voz saiu ao encontro de outra voz. As vozes come&ccedil;aram a caminhar juntas. Sua rela&ccedil;&atilde;o foi simples, am&aacute;vel e cheia de afeto e de escuta. Por&eacute;m, de in&iacute;cio, esta rela&ccedil;&atilde;o estava afetada pela dist&acirc;ncia de seus contextos de proced&ecirc;ncias e, portanto, por inten&ccedil;&otilde;es, desejos e interesses distintos. Assim, uma voz tomou a iniciativa de conhecer e compreender a outra, de perguntar-lhe, de observar o seu tom, seu volume, sua express&atilde;o de j&uacute;bilo ou de ang&uacute;stia, suas melodias, seus ritmos, suas modula&ccedil;&otilde;es. As reflex&otilde;es e decis&otilde;es que ser&atilde;o expostas estar&atilde;o baseadas nesta hist&oacute;ria relacional quando uma voz iniciou a busca de compreens&atilde;o da outra voz. (Remei Arnaus in Bolzan, 2002, p. 12)</blockquote></font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo tem por objetivo desenvolver e analisar, junto a professores de alunos portadores do transtorno autista, um processo de forma&ccedil;&atilde;o que promova uma postura reflexiva e cr&iacute;tica atrav&eacute;s da apropria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos que incluem desde conte&uacute;dos e estrat&eacute;gias did&aacute;ticas at&eacute; compet&ecirc;ncias mais espec&iacute;ficas de atua&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa ocorreu por interm&eacute;dio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o do Munic&iacute;pio de Duque de Caxias - Equipe de Educa&ccedil;&atilde;o Especial e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o Especial. Utilizamos a pesquisa a&ccedil;&atilde;o e a pesquisa participante como m&eacute;todos de abordagem e contamos com seis professoras como sujeitos do grupo, que se desenvolveu em oito encontros coletivos para a forma&ccedil;&atilde;o proposta. Fizemos a coleta de dados de forma descritiva, a partir das observa&ccedil;&otilde;es participantes, de depoimentos das professoras<a name="nt01a"></a><a href="#nt01b"><sup>1</sup></a> em entrevistas semi-abertas e de registros produzidos ao longo do processo grupal. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adotamos as fundamenta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de Donald A. Sch&ouml;n, sobre o uso da reflex&atilde;o nos grupos de forma&ccedil;&atilde;o de profissionais, revistas e ampliadas a partir de uma perspectiva cr&iacute;tica por outros autores, como Pimenta e Contreras. Essas fundamenta&ccedil;&otilde;es foram articuladas com informa&ccedil;&otilde;es sobre a etiologia do autismo, caracter&iacute;sticas de pessoas nessas condi&ccedil;&otilde;es, formas de interven&ccedil;&atilde;o com destaque para alguns m&eacute;todos pedag&oacute;gicos considerados eficazes na educa&ccedil;&atilde;o de alunos com autismo, que s&atilde;o o Tratamento e Educa&ccedil;&atilde;o para Autistas e Crian&ccedil;as com Defici&ecirc;ncias relacionadas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o (TEACCH) e a Comunica&ccedil;&atilde;o Alternativa e Ampliada (CAA). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; singularidade e a import&acirc;ncia desse processo de forma&ccedil;&atilde;o, considera-se que sejam justificadas com base nos seguintes fatores: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>&#149; as in&uacute;meras dificuldades encontradas pelos professores que j&aacute; trabalham com alunos portadores do transtorno autista e a falta de espa&ccedil;o para coloc&aacute;-las e discuti-las; </p>       <p>&#149;o desconhecimento sobre essa s&iacute;ndrome, que resiste &agrave;s recentes investidas em termos de debates e investiga&ccedil;&otilde;es; </p>       <p>&#149;a relev&acirc;ncia do tema da forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada de professores para atender &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es educacionais da atualidade; </p>       <p>&#149;o desafio da inclus&atilde;o do aluno com autismo no sistema regular de ensino. </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, quem lida com a crian&ccedil;a portadora de dificuldades de aprendizagem &eacute; o professor. A ele cabe, muitas vezes, decidir impasses que ser&atilde;o determinantes na vida daquela crian&ccedil;a. E, in&uacute;meras vezes, suas decis&otilde;es s&atilde;o tomadas sem consci&ecirc;ncia das raz&otilde;es ou das conseq&uuml;&ecirc;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa vincula-se &agrave; necessidade de preparar o professor diante dos novos desafios da educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo as atuais pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o escolar e social. A proposta da educa&ccedil;&atilde;o inclusiva &eacute; possibilitar condi&ccedil;&otilde;es educacionais adequadas para todos, inclusive os portadores de necessidades educativas especiais (defici&ecirc;ncia mental, f&iacute;sica, auditiva, visual, m&uacute;ltipla, altas habilidades e transtornos<a name="nt02a"></a><a href="#nt02b"><sup>2</sup></a> invasivos do desenvolvimento). &Eacute; condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non </i>que essa nova educa&ccedil;&atilde;o esteja inserida numa sociedade inclusiva, onde as desigualdades sociais n&atilde;o atinjam os n&iacute;veis repudi&aacute;veis com os quais temos convivido e que nela exista a celebra&ccedil;&atilde;o da diversidade humana. De acordo com o conceito formulado por Sassaki (1997), </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) a inclus&atilde;o social constitui, ent&atilde;o, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda exclu&iacute;das, e a sociedade buscam em parceria equacionar problemas, decidir sobre solu&ccedil;&otilde;es e efetivar a equipara&ccedil;&atilde;o de oportunidades para todos. (p. 41) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a integra&ccedil;&atilde;o ou inclus&atilde;o de alunos com necessidades educativas especiais no sistema regular de ensino tem sido causa de freq&uuml;entes discuss&otilde;es em nosso pa&iacute;s, nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Ao voltarmos nossas aten&ccedil;&otilde;es para esses alunos, especialmente &agrave;queles que s&atilde;o portadores de alguma defici&ecirc;ncia, acreditamos que a desigualdade a eles impingida se legitima pela aus&ecirc;ncia de iguais condi&ccedil;&otilde;es de acesso e perman&ecirc;ncia no sistema escolar. Entretanto, reconhecer que a diferen&ccedil;a est&aacute; presente mesmo entre os alunos de uma classe regular &eacute; o ponto de partida para que o aluno especial possa ser aceito e respeitado na suas singularidades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante deste impasse, a escola dever&aacute; se colocar, prioritariamente, a servi&ccedil;o do seu alunado, proporcionando-lhe uma pr&aacute;xis educativa de qualidade e coerente com o seu contexto sociocultural. Refor&ccedil;ando essa id&eacute;ia, M&uuml;ller e Glat (1999) colocam: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Garantir ao indiv&iacute;duo o direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, entretanto, &eacute; uma responsabilidade que vai muito al&eacute;m da oferta de um lugar de transmiss&atilde;o de conhecimentos e regras. Significa a oferta de uma escola de qualidade, que seja capaz de proporcionar a socializa&ccedil;&atilde;o dos saberes e garantir a todos - incluindo-se nesse contexto os portadores de necessidades educativas especiais - o acesso ao conhecimento e aos valores sociais que possibilitem uma vida aut&ocirc;noma e cr&iacute;tica. (p. 15) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, reconhecer que a diferen&ccedil;a est&aacute; presente, mesmo entre os alunos de uma classe regular, &eacute; o ponto de partida para que o aluno especial possa ser aceito e respeitado na suas singularidades. Entretanto, quando a escola &eacute; preparada para receber os alunos como se todos fossem iguais, deixando de considerar as caracter&iacute;sticas individuais de cada um, acaba por refor&ccedil;ar ainda mais a desigualdade entre eles. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale ressaltar que n&atilde;o s&oacute; aqueles alunos que apresentam algum comprometimento f&iacute;sico, mental ou sensorial s&atilde;o considerados portadores de necessidades especiais. Tamb&eacute;m est&atilde;o inclu&iacute;dos todos aqueles que estejam experimentando dificuldades tempor&aacute;rias ou permanentes na escola, a saber, dificuldades emocionais ou sociais, por tr&aacute;s das quais podem existir p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de vida e completa falta de perspectiva, interferindo seriamente no processo de aprendizagem. Al&eacute;m disso, alguns grupos de alunos com necessidades educativas especiais apresentam caracter&iacute;sticas muito espec&iacute;ficas, que demandam, na maioria das vezes, um atendimento especializado, com professores capacitados para atend&ecirc;los em suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse rol encontram-se os alunos portadores de transtorno autista, que representam um grande desafio aos professores que assumem para si essa dif&iacute;cil tarefa. O transtorno autista ainda &eacute;, para a maioria, uma grande interroga&ccedil;&atilde;o, que gera sentimentos inquietantes e provoca discuss&otilde;es freq&uuml;entes sobre a sua etiologia e formas de interven&ccedil;&atilde;o. O aluno portador do transtorno autista faz parte de um grupo com caracter&iacute;sticas diferentes, o que n&atilde;o significa que sejam inferiores &agrave;s dos demais; e o professor, diante dessa nova experi&ecirc;ncia, geralmente se defronta com in&uacute;meras dificuldades, que podem lev&aacute;-lo a um sentimento de incapacidade e frustra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ressignificando o papel da educa&ccedil;&atilde;o especial na sociedade brasileira atual </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conhecer e entender fatos e acontecimentos do passado constitui uma das mais antigas preocupa&ccedil;&otilde;es do homem. A hist&oacute;ria sempre foi o caminho para a dimens&atilde;o mais profunda da realidade, buscando o grande princ&iacute;pio explicativo para fen&ocirc;menos sociais e culturais da humanidade. Relatar hist&oacute;rias acerca do que ocorreu no passado implica entender o presente e contextualizar os fatos e acontecimentos, constatando o relativismo de todos os aspectos da cultura humana. Para que haja ci&ecirc;ncia &eacute; preciso haver hist&oacute;ria e pretendemos refletir e analisar a din&acirc;mica social e relacional que envolveu a hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o especial na sociedade brasileira. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A defici&ecirc;ncia nasceu com a humanidade e o seu percurso atrav&eacute;s dos tempos sempre foi marcado pelo desconhecimento e pela exclus&atilde;o social. No passado, ap&oacute;s o advento do cristianismo, os indiv&iacute;duos que eram portadores de alguma defici&ecirc;ncia mental, incluindo as crian&ccedil;as, eram misturados aos loucos, aos criminosos e aos possu&iacute;dos pelo dem&ocirc;nio, julgados incapazes de conviver em sociedade e punidos com a morte (Mazzotta, 1996). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o autor: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A pr&oacute;pria religi&atilde;o, com toda a sua for&ccedil;a cultural, ao colocar o homem como "imagem e semelhan&ccedil;a de Deus", ser perfeito, inculcava a id&eacute;ia da condi&ccedil;&atilde;o humana como incluindo perfei&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e mental. (p. 16) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meados do s&eacute;culo XX, a defici&ecirc;ncia passou das m&atilde;os do misticismo para a responsabilidade dos m&eacute;dicos, imperando, ent&atilde;o, o modelo cl&iacute;nico da defici&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo esse modelo, os indiv&iacute;duos deficientes eram considerados portadores de altera&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas (estruturais ou funcionais) e vistos socialmente como enfermos e incapazes. Para Mart&iacute;n e Marchesi (1995), </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) esta concep&ccedil;&atilde;o impulsionou um grande n&uacute;mero de estudos que tinham por objetivo organizar em diferentes categorias todos os poss&iacute;veis dist&uacute;rbios que pudessem ser detectados. Ao longo dos anos, as categorias foram sendo modificadas, ampliadas e especializadas, mantendo-se, entretanto, este tra&ccedil;o comum de que o dist&uacute;rbio era um problema inerente &agrave; crian&ccedil;a, com poucas possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o. No fundo desta perspectiva jazia uma concep&ccedil;&atilde;o determinista do desenvolvimento, sobre a qual se baseava qualquer tipo de aprendizagem. (p. 7) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda segundo os autores, dentro dessa concep&ccedil;&atilde;o organicista, surgiram os primeiros testes de intelig&ecirc;ncia, criados para mensurar os diferentes n&iacute;veis de atraso cognitivo.<a name="nt03a"></a><a href="#nt03b"><sup>3</sup></a> Eles contribu&iacute;ram para uma maior conscientiza&ccedil;&atilde;o da necessidade de uma educa&ccedil;&atilde;o distinta e separada para indiv&iacute;duos que portassem qualquer tipo de defici&ecirc;ncia, fosse ela mental, f&iacute;sica, visual, auditiva, m&uacute;ltipla ou decorrente de dist&uacute;rbios invasivos do desenvolvimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As d&eacute;cadas de 40 e 50 foram marcadas por v&aacute;rias transforma&ccedil;&otilde;es importantes nessa &aacute;rea. Embora os testes de intelig&ecirc;ncia fornecessem dados quantitativos significativos na detec&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel mental do indiv&iacute;duo, as posi&ccedil;&otilde;es ambientalistas e comportamentalistas (dominantes na &aacute;rea da psicologia) ganharam for&ccedil;a no campo da defici&ecirc;ncia, introduzindo a id&eacute;ia de que esta pudesse ser conseq&uuml;&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia de uma estimula&ccedil;&atilde;o adequada ou de processos educativos incorretos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, de acordo com os crit&eacute;rios dessa nova perspectiva, os alunos que apresentavam qualquer defici&ecirc;ncia eram encaminhados para uma "outra" rede de atendimento educacional - as escolas de educa&ccedil;&atilde;o especial (ibid.). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o especial, historicamente, em nossa cultura, adquiriu uma conota&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-terap&ecirc;utica, que, na realidade, significa dizer que existem dois tipos distintos de educa&ccedil;&atilde;o, uma feita para atender aos alunos considerados "normais" e outra, voltada para os portadores de defici&ecirc;ncia, que s&atilde;o atendidos em institui&ccedil;&otilde;es especializadas, com professores e t&eacute;cnicos devidamente habilitados, onde h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o crescente com o diagn&oacute;stico m&eacute;dico-psicopedag&oacute;gico desse aluno, a partir do qual se desenvolve a interven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, como nos coloca Correia (1997), &eacute; importante n&atilde;o esquecermos que: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> (...) se a pol&iacute;tica de exclus&atilde;o elimina as crian&ccedil;as da sociedade de que devem ser parte integrante, o procedimento de as colocar com estatuto desviante segrega-as: excluindo dos programas de educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos, impedidas de intera&ccedil;&otilde;es ben&eacute;ficas para o seu desenvolvimento, crescem em ambientes interpessoais &aacute;ridos e, muitas vezes, hostis, n&atilde;o existindo servi&ccedil;os que as ajudem ou &agrave;s suas fam&iacute;lias na tarefa educativa. (p. 14) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Mazzota (1982), nesse contexto, a educa&ccedil;&atilde;o especial foi sendo constitu&iacute;da como um subsistema da educa&ccedil;&atilde;o geral, negligenciado nas discuss&otilde;es te&oacute;ricas sobre os processos educativos regulares. Comungando com essas id&eacute;ias, Sassaki (1997) lembra que: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A d&eacute;cada de 60, por exemplo, testemunhou o <i>boom </i>de institui&ccedil;&otilde;es especializadas, tais como: escolas especiais, centros de habilita&ccedil;&atilde;o, oficinas protegidas de trabalho, clubes sociais especiais, associa&ccedil;&otilde;es desportivas especiais. (p. 31) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as d&eacute;cadas de 70 e 80, movimentos sociais apoiados por pais de portadores de necessidades educativas especiais pressionaram o governo a investir em uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de atendimento que desse suporte administrativo social e financeiro ao processo de integra&ccedil;&atilde;o desses indiv&iacute;duos na sociedade. A id&eacute;ia de integra&ccedil;&atilde;o surgiu em uma fase de transi&ccedil;&atilde;o, para acabar com a pr&aacute;tica da exclus&atilde;o social de pessoas portadoras de defici&ecirc;ncia e tem como princ&iacute;pio diretivo adequ&aacute;-las para o conv&iacute;vio em sociedade. Por&eacute;m, foram os novos conhecimentos alcan&ccedil;ados pela comunidade cient&iacute;fica que entenderam a integra&ccedil;&atilde;o como insuficiente, considerando que essa parcela da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o participava de forma plena e igual na intera&ccedil;&atilde;o social (Mazzota, 1996). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percorrendo o caminho hist&oacute;rico da educa&ccedil;&atilde;o especial, podemos aferir que, somente da d&eacute;cada de 70, com as profundas transforma&ccedil;&otilde;es sofridas nas concep&ccedil;&otilde;es da defici&ecirc;ncia, p&ocirc;de-se criar uma abordagem mais condizente ao atendimento educacional especializado. Segundo Mart&iacute;n e Marchesi (1995), "necessidades educativas especiais", foi o termo adotado internacionalmente ap&oacute;s 1978 para substituir a ent&atilde;o terminologia m&eacute;dica, "defici&ecirc;ncia". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mediante as diversas discuss&otilde;es levantadas por grupos populares e minorias exclu&iacute;das de exercer os seus plenos direitos de cidad&atilde;os, o Brasil comprometeuse a iniciar um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no ensino, que foi expresso por lei na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, onde constam v&aacute;rios cap&iacute;tulos, artigos e incisos sobre a educa&ccedil;&atilde;o, habilita&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o da pessoa com necessidades educativas especiais, al&eacute;m da sua integra&ccedil;&atilde;o na sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo nos colocam Ferreira e Glat (2003): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Na educa&ccedil;&atilde;o, destaca-se o Inciso III, do art.208, que define como dever do Estado "o atendimento educacional especializado aos portadores de defici&ecirc;ncia, preferencialmente na rede regular de ensino". &Eacute; interessante observar que duas palavras do artigo ainda suscitam debates: "especializado" e "preferencialmente". A primeira por lembrar a no&ccedil;&atilde;o do "tratamento especial" e por identificar a defici&ecirc;ncia como um processo educacional diferente (apud Mazzota, 1996); a segunda, por permitir m&uacute;ltiplas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre como se configura e se decide esta prefer&ecirc;ncia. (p. 377) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o trouxe novas perspectivas ao sistema educacional brasileiro, gerando uma s&eacute;rie de instrumentos legais que viabilizaram inser&ccedil;&otilde;es importantes na pol&iacute;tica educacional brasileira, garantidas de forma mais espec&iacute;fica pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional, Lei n. 9394/96. </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Art. 58 - Entende-se por educa&ccedil;&atilde;o especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educa&ccedil;&atilde;o regular, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores de necessidades especiais. </font></p>       <p>&#167;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1º - Entende-se por educa&ccedil;&atilde;o especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educa&ccedil;&atilde;o escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores de necessidades especiais. </font></p>       <p>&#167;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2º- O atendimento educacional ser&aacute; feito em classes, escolas ou servi&ccedil;os especializados, sempre que em fun&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas dos alunos, n&atilde;o for poss&iacute;vel a sua integra&ccedil;&atilde;o nas classes comuns de ensino regular. </font></p>       <p>&#167;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3º - A oferta de educa&ccedil;&atilde;o especial, dever constitucional do Estado, tem in&iacute;cio na faixa et&aacute;ria de zero a seis anos, durante a educa&ccedil;&atilde;o infantil. (Art. 58, Lei 9394/96) </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferreira e Glat (2003) fazem uma ressalva no texto da LDB, atentando para a substitui&ccedil;&atilde;o da palavra "defici&ecirc;ncia" pela express&atilde;o "portadores de necessidades especiais", e abordam tamb&eacute;m a inclus&atilde;o, nessa condi&ccedil;&atilde;o, dos alunos considerados com altas habilidades (superdotados) e, em um segundo momento, os alunos com algum desvio de conduta. Ainda sobre o olhar atento dos dois autores, a LDB continuou a manter a id&eacute;ia inicial do texto da constituinte e, ao inv&eacute;s de ampliar o rol dos benefici&aacute;rios pela nova lei, manteve a mesma vis&atilde;o generalista e d&uacute;bia, que deixa margens para quaisquer tipos de interpreta&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como constatamos, as iniciativas pautadas no panorama internacional exerceram influ&ecirc;ncias tardias em nosso pa&iacute;s, pois em 1994, o conceito de "Educa&ccedil;&atilde;o para todos" j&aacute; era discutido amplamente na Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade, onde estiveram presentes 92 pa&iacute;ses e 25 organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. Nessa confer&ecirc;ncia, tamb&eacute;m foi elaborado o documento Declara&ccedil;&atilde;o de Salamanca e Enquadramento da A&ccedil;&atilde;o - Necessidades Educativas Especiais (Corde, 1994), destacando-se algumas proposi&ccedil;&otilde;es: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>&#91;...&#93; - institui&ccedil;&otilde;es que incluam todas as pessoas, aceitem as diferen&ccedil;as, ap&oacute;iem a aprendizagem e respondam &agrave;s necessidades individuais (Pref&aacute;cio). </p>       <p>&#91;...&#93; Todos os interessados devem aceitar o desafio e trabalhar, de modo que a Educa&ccedil;&atilde;o para Todos seja, efetivamente, PARA TODOS, em especial para os mais vulner&aacute;veis e com necessidades. (Pref&aacute;cio) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, teoria e pr&aacute;tica ainda est&atilde;o muito distantes e as inquieta&ccedil;&otilde;es sobre a educa&ccedil;&atilde;o especial v&atilde;o surgindo na mesma medida em que os professores desses alunos se confrontam com desafios di&aacute;rios em sala de aulas, especiais ou regulares. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, vive-se uma fase de transi&ccedil;&atilde;o entre a inclus&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o, e esses termos ainda s&atilde;o bastante confundidos. Segundo Glat e Duque (2003): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Tecnicamente, integra&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o s&atilde;o duas propostas educacionais distintas. No primeiro caso, os alunos com necessidades especiais (geralmente oriundos do ensino especial) s&atilde;o <i>integrados </i>na sala de aula regular, na medida que demonstrem condi&ccedil;&otilde;es de acompanhar a turma, recebendo atendimento paralelo na sala de recursos. No segundo caso, esses alunos, independentemente do tipo ou grau do comprometimento, devem ser <i>inclu&iacute;dos </i>diretamente no ensino regular, cabendo &agrave; escola se adaptar para atender &agrave;s suas necessidades na pr&oacute;pria classe regular. (p. 70) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso espec&iacute;fico do aluno com autismo, a complexidade das suas manifesta&ccedil;&otilde;es assume um papel relevante na discuss&atilde;o sobre a inclus&atilde;o, e levanta quest&otilde;es obrigat&oacute;rias, alvo de intensas controv&eacute;rsias. Como devem ser educados os alunos com autismo? Existem possibilidades de receb&ecirc;-los em uma escola regular, onde os professores n&atilde;o est&atilde;o preparados para atender alunos com esse tipo de problem&aacute;tica? Qual deve ser o espa&ccedil;o educativo mais indicado para um aluno com autismo: a educa&ccedil;&atilde;o regular ou a educa&ccedil;&atilde;o especial? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos consci&ecirc;ncia de que esta pesquisa n&atilde;o se prop&otilde;e a dar respostas para essas quest&otilde;es, e compreendemos que, no contexto educacional brasileiro, a forma&ccedil;&atilde;o do professor que lida com alunos que apresentam o transtorno autista ainda se apresenta em fase embrion&aacute;ria, em um estado permanente de constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o de saberes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo pretende, na verdade, permitir que essas discuss&otilde;es caminhem para uma reflex&atilde;o sobre o principal paradoxo que tem caracterizado a an&aacute;lise da converg&ecirc;ncia entre autismo e educa&ccedil;&atilde;o: o distanciamento entre a educa&ccedil;&atilde;o regular dos alunos ditos normais e a educa&ccedil;&atilde;o dos alunos com autismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O que se sabe sobre o autismo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Leboyer (1987), o psiquiatra Leo Kanner, em 1943, descobriu caracter&iacute;sticas raras em um grupo de onze crian&ccedil;as que n&atilde;o se enquadravam em nenhum caso cl&iacute;nico at&eacute; ent&atilde;o conhecido pela comunidade cient&iacute;fica. Dentre essas caracter&iacute;sticas, a que mais sobressa&iacute;a era uma enorme incapacidade de comunica&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o social desde o nascimento. Outras dificuldades foram constatadas, a saber: altera&ccedil;&otilde;es na linguagem, uso inadequado das palavras, dificuldades de contatos f&iacute;sicos, dentre outras. Sobre a identifica&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com transtorno autista, a quarta edi&ccedil;&atilde;o do <i>Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais 1995 - DSM IV,</i> enumera as seguintes caracter&iacute;sticas: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>1. destacada diminui&ccedil;&atilde;o no uso de comportamentos n&atilde;o verbais m&uacute;ltiplos, tais como contato ocular, express&atilde;o facial, postura corporal e gestos para lidar com a intera&ccedil;&atilde;o social; </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2. dificuldade em desenvolver rela&ccedil;&otilde;es de companheirismo apropriadas para o n&iacute;vel de comportamento; </p>       <p>3. falta de procura espont&acirc;nea em dividir satisfa&ccedil;&otilde;es, interesses ou realiza&ccedil;&otilde;es com outras pessoas, por exemplo: dificuldades em mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse; </p>       <p>4. aus&ecirc;ncia de reciprocidade social ou emocional; </p>       <p>5. atraso ou aus&ecirc;ncia total de desenvolvimento da linguagem oral, sem ocorr&ecirc;ncia de tentativas de compensa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de modos alternativos de comunica&ccedil;&atilde;o, tais como gestos ou m&iacute;micas; </p>       <p>6. em indiv&iacute;duos com fala normal, destacada diminui&ccedil;&atilde;o da habilidade de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas; </p>       <p>7. aus&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es variadas, espont&acirc;neas e imagin&aacute;rias ou a&ccedil;&otilde;es de imita&ccedil;&atilde;o social apropriadas para o n&iacute;vel de desenvolvimento; </p>       <p>8. obsess&atilde;o por um ou mais padr&otilde;es estereotipados e restritos de interesse que seja anormal tanto em intensidade quanto em foco; </p>       <p>9. fidelidade aparentemente inflex&iacute;vel a rotinas ou rituais n&atilde;o funcionais espec&iacute;ficos; </p>       <p>10. h&aacute;bitos motores estereotipados e repetitivos, por exemplo: agita&ccedil;&atilde;o ou tor&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os ou dedos, ou movimentos corporais complexos; </p>       <p>11. obsess&atilde;o por parte de objetos; </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>12. atrasos ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes &aacute;reas, com in&iacute;cio antes dos tr&ecirc;s anos de idade: </p>       <blockquote>         <p>&#149; intera&ccedil;&atilde;o social </p>         <p>&#149; linguagem usada na comunica&ccedil;&atilde;o social </p>         <p>&#149; jogos simb&oacute;licos ou imagin&aacute;rios. </p>   </blockquote> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o diagn&oacute;stico de autismo, o indiv&iacute;duo tem que se enquadrar em um total de seis ou mais dos itens relacionados acima e, por defini&ccedil;&atilde;o, se houver um per&iacute;odo de desenvolvimento normal para a crian&ccedil;a, ele n&atilde;o pode se estender al&eacute;m dos tr&ecirc;s anos de idade (DSM IV, 1995). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A complexidade do quadro de autismo e a car&ecirc;ncia de uma estrutura adaptada para indiv&iacute;duos nessa condi&ccedil;&atilde;o acabaram retardando a evolu&ccedil;&atilde;o de alternativas de atendimento no Brasil. As que existem atualmente, convergem na busca de diminuir os comportamentos inapropriados e auxiliar no desenvolvimento de fun&ccedil;&otilde;es atrasadas ou inexistentes, tais como linguagem, formas de express&atilde;o emocional e atividades da vida di&aacute;ria. As interven&ccedil;&otilde;es, geralmente, s&atilde;o de base psicoter&aacute;pica, comportamental,<a name="nt04a"></a><a href="#nt04b"><sup>4</sup></a> medicamentosa e educacional, mas, na maioria das vezes, s&atilde;o desenvolvidas em conjunto, podendo variar de acordo com o caso e com a op&ccedil;&atilde;o escolhida pelos respons&aacute;veis e profissionais envolvidos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Gauderer (1997), no Brasil, "os primeiros atendimentos especializados aos autistas datam de 1954 e pertencem &agrave; iniciativa privada", mas foi somente em 1960, atrav&eacute;s da Lei de Diretrizes e Bases n. 4.020/61, que o governo iniciou um programa voltado para a educa&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos com necessidades especiais, objetivando sua melhor integra&ccedil;&atilde;o com a sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dos avan&ccedil;os constatados, o poder p&uacute;blico custou a se envolver no atendimento a indiv&iacute;duos com autismo e outras necessidades educativas especiais e, ainda hoje, n&atilde;o foram efetivadas a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas dignas da magnitude do problema, tais como professores capacitados e especializados, escolas preparadas fisicamente para receber esses alunos, um curr&iacute;culo adaptado &agrave;s necessidades individuais, orienta&ccedil;&atilde;o para os familiares e a comunidade, incentivo ao desenvolvimento de pesquisas na &aacute;rea junto &agrave;s universidades, dentre tantas outras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por este motivo, a maioria dos atendimentos educacionais para alunos com autismo tem sido realizados por associa&ccedil;&otilde;es de pais e algumas iniciativas privadas (geralmente a um custo muito alto) de v&aacute;rios estados brasileiros, como: Associa&ccedil;&atilde;o de Amigos do Autista (AMA, SP e SE ), Associa&ccedil;&atilde;o de Pais e Amigos dos Portadores de Necessidades Especiais (AMES, RJ), Associa&ccedil;&atilde;o dos Pais de Autistas do Rio de Janeiro (APARJ, RJ), Funda&ccedil;&atilde;o de Pais Pr&oacute; Sa&uacute;de Mental Infantil (FUPASMI, RS), entre outras. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desconhecimento de m&eacute;todos pedag&oacute;gicos alternativos que atendam &agrave;s dificuldades educativas dos alunos com autismo, a escassez de profissionais especializados, a aus&ecirc;ncia de um curr&iacute;culo flex&iacute;vel, os espa&ccedil;os reduzidos na sala de aula inviabilizam o atendimento para a grande maioria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar das diferen&ccedil;as constatadas nas diversas &aacute;reas caracteristicamente atingidas pela s&iacute;ndrome, alguns movimentos de adequa&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca est&atilde;o sendo feitos entre a escola e a crian&ccedil;a com autismo, buscando suprir as dificuldades desse aluno. Dentre esses movimentos est&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um curr&iacute;culo din&acirc;mico e flex&iacute;vel, alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s das trocas de experi&ecirc;ncias profissionais que redimensionariam a pr&aacute;tica em sala de aula, incentivando movimentos mais livres e com maior significado para o aluno. Tamb&eacute;m &eacute; importante que a aprendizagem continue na casa da crian&ccedil;a, com a participa&ccedil;&atilde;o direta dos seus familiares, o que &eacute; imprescind&iacute;vel para maior efic&aacute;cia dos procedimentos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O professor cr&iacute;tico reflexivo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O in&iacute;cio dessa nova concep&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do professor deu-se na d&eacute;cada de 60, como uma variante dos grupos operativos criados por Pichon-Rivi&egrave;re, mas foi na d&eacute;cada de 70, atrav&eacute;s de seu precursor, Donald Sch&ouml;n, que o conceito sobre a pr&aacute;tica reflexiva no of&iacute;cio do professor foi desenvolvido, com base no pensamento epistemol&oacute;gico e pedag&oacute;gico de autores como John Dewey, Lev Vigotsky, Jean Piaget entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde ent&atilde;o, o conceito de professor reflexivo vem sendo discutido e ampliado por v&aacute;rios autores, a saber, Freire e Shor (1986); Ziechener, (1997); N&oacute;voa, (1997); Garcia, (1997); G&oacute;mez, (1997); Gomes e Lima, (2002); Contreras, (2002); Perrenoud, (2002); Pimenta (2002), Sacrist&aacute;n (2002) entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a divulga&ccedil;&atilde;o dessa id&eacute;ia aconteceu em meados da d&eacute;cada de 90, atrav&eacute;s de te&oacute;ricos europeus, principalmente portugueses e espanh&oacute;is, que encontraram na teoria de Sch&ouml;n uma alternativa para ampliar e transformar as condi&ccedil;&otilde;es da forma&ccedil;&atilde;o dos professores e, conseq&uuml;entemente, elevar o <i>status </i>da profiss&atilde;o docente. A proposta em quest&atilde;o desenvolveu-se em um per&iacute;odo pol&iacute;tico p&oacute;s-ditadura, quando a sociedade vislumbrava uma abertura democr&aacute;tica e o professor, por sua vez, enxergava uma chance de ver valorizada a sua condi&ccedil;&atilde;o profissional (Pimenta, 2002). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sch&ouml;n (1997) discordava da id&eacute;ia de que o saber escolar s&oacute; poderia ser proveniente de uma constru&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e que deveria ser usado pelo docente como algo absoluto e irrefut&aacute;vel. O autor, contrariado com essa forma de ensinar, procurou uma alternativa epistemol&oacute;gica para a pr&aacute;tica profissional do professor, defendendo um tipo de saber docente que compreende e valoriza o saber do seu aluno, auxiliando-o a fazer uma jun&ccedil;&atilde;o do seu conhecimento na a&ccedil;&atilde;o e o conhecimento que ele adquire na escola. O autor denominou esse tipo de ensino uma <i>reflex&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Corroborando com esta an&aacute;lise, descreve N&oacute;voa (1997): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) A pedagogia cient&iacute;fica tende a legitimar a raz&atilde;o instrumental; os esfor&ccedil;os de racionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino n&atilde;o se concretizam a partir de uma valoriza&ccedil;&atilde;o dos saberes de que os professores s&atilde;o portadores, mas sim atrav&eacute;s de um esfor&ccedil;o para impor novos saberes ditos "cient&iacute;ficos". A l&oacute;gica da racionalidade t&eacute;cnica op&otilde;e-se sempre ao desenvolvimento de uma pr&aacute;xis reflexiva. (p. 27) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">G&oacute;mez (1997) e Contreras (2002) criticam a racionalidade t&eacute;cnica como modelo de atua&ccedil;&atilde;o do professor. Suas raz&otilde;es se justificam pela presen&ccedil;a de casos pr&aacute;ticos inesperados que surgem no cotidiano do professor, do tipo que n&atilde;o consta em nenhum manual t&eacute;cnico e que exige que ele aja com a delicadeza de um artes&atilde;o, construindo com sua pr&oacute;pria criatividade, enfrentando situa&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas, incertas e conflitantes que vivencia em sala de aula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A alternativa de Sch&ouml;n para a racionalidade t&eacute;cnica pode ser fundamentada no modelo de racionalidade pr&aacute;tica, segundo palavras de Sacristan e G&oacute;mez (1998): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A forma&ccedil;&atilde;o do professor/a se basear&aacute; prioritariamente na aprendizagem da pr&aacute;tica, para a pr&aacute;tica e a partir da pr&aacute;tica. A orienta&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica confia na aprendizagem por meio da experi&ecirc;ncia com docentes experimentados, como o procedimento mais eficaz e fundamental na forma&ccedil;&atilde;o do professorado e na aquisi&ccedil;&atilde;o da sabedoria que requer a interven&ccedil;&atilde;o criativa e adaptada &agrave;s circunst&acirc;ncias singulares e mutantes da aula. (p. 363) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora cada uma dessas concep&ccedil;&otilde;es ofere&ccedil;a propostas e destaques diferentes, todas procuram dar &ecirc;nfase &agrave; import&acirc;ncia da an&aacute;lise e &agrave; compreens&atilde;o desse profissional quando se depara com problemas complexos em sua sala de aula e os supera atrav&eacute;s do improviso, ultrapassando a rea&ccedil;&atilde;o linear e mec&acirc;nica provocada pelo cientificismo t&eacute;cnico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sch&ouml;n (1997), ao sistematizar as t&eacute;cnicas dos grupos de reflex&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o docente, observou que seu objetivo maior era propiciar aos integrantes a oportunidade de viverem a experi&ecirc;ncia de participar como membros de um grupo, e que esse grupo se constitu&iacute;sse em um espa&ccedil;o no qual pudessem trocar experi&ecirc;ncias e elaborar as tens&otilde;es sofridas pela pr&aacute;tica em sala de aula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda segundo ele, o ditado popular que diz que o homem tem dois ouvidos e uma s&oacute; boca para lembr&aacute;-lo de que deve escutar mais do que falar &eacute; perfeitamente condizente com a concep&ccedil;&atilde;o de professor reflexivo. No entanto, estamos sempre &agrave; espera de sermos escutados e muito raramente estamos dispon&iacute;veis para ouvir o que o outro quer nos dizer. Como esse &eacute; um desejo individual compartilhado por todos, aprender a conviver e trabalhar em grupo representa, acima de tudo, aprender a conversar. No caso singular da educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso ouvir o que nossos alunos t&ecirc;m a nos dizer, na forma&ccedil;&atilde;o, dialogar e interagir com outros professores, e, pela experi&ecirc;ncia m&uacute;tua da conviv&ecirc;ncia, crescer na determina&ccedil;&atilde;o de sermos melhores profissionais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contreras (2002), com o objetivo de ampliar o conceito do profissional reflexivo, prop&otilde;e que este, al&eacute;m de refletir sobre sua a&ccedil;&atilde;o docente, deva ampliar suas perspectivas a fim de atingir uma reflex&atilde;o mais cr&iacute;tica e abrangente sobre a sua posi&ccedil;&atilde;o na sociedade. Para o autor, &eacute; necess&aacute;rio que o docente compreenda a influ&ecirc;ncia organizacional no controle da sua autonomia e de sua pr&aacute;tica educativa, muitas vezes interferindo em seus valores e princ&iacute;pios &eacute;ticos (p. 157). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, a pr&aacute;tica reflexiva n&atilde;o encerraria uma concep&ccedil;&atilde;o concreta sobre si mesma, mas serviria de est&iacute;mulo cr&iacute;tico para superar diversas situa&ccedil;&otilde;es que se perpetuam h&aacute; muito tempo na profiss&atilde;o docente, tais como: condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias de trabalho, falta de valoriza&ccedil;&atilde;o do profissional, estrutura hier&aacute;rquica r&iacute;gida e completa falta de autonomia do educador. Em palavras proferidas ao professor reflexivo, Alarc&atilde;o (2003), ressalta, entre as suas virtudes, a de ser um profissional que, </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) pensa no que faz, que &eacute; comprometido com a profiss&atilde;o e se sente aut&ocirc;nomo, capaz de tomar decis&otilde;es e ter opini&otilde;es. Ele &eacute;, sobretudo, uma pessoa que atende aos contextos em que trabalha, os interpreta e adapta a pr&oacute;pria atua&ccedil;&atilde;o a eles. Os contextos educacionais s&atilde;o extremamente complexos e n&atilde;o h&aacute; um igual a outro. Eu posso ser obrigado a, numa mesma escola e at&eacute; numa mesma turma, utilizar pr&aacute;ticas diferentes de acordo com o grupo. Portanto, se eu n&atilde;o tiver capacidade de analisar, vou me tornar um tecnocrata. (pp. 45-47) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para alcan&ccedil;ar uma pr&aacute;tica reflexiva, a postura de an&aacute;lise sistem&aacute;tica da a&ccedil;&atilde;o deve se tornar freq&uuml;ente e, sobretudo, adquirir um car&aacute;ter fundamentalmente cr&iacute;tico, constituindo-se como uma for&ccedil;a e uma forma de identidade profissional. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abordando a forma&ccedil;&atilde;o do professor que lida com o aluno portador de necessidades especiais, o processo de qualifica&ccedil;&atilde;o desse profissional aparece como requisito indispens&aacute;vel &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o do nosso sistema educacional. Entre os problemas apresentados na atua&ccedil;&atilde;o docente inclui-se, tamb&eacute;m, a inexist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es que favore&ccedil;am o desenvolvimento de uma compet&ecirc;ncia voltada para a compreens&atilde;o da diversidade apresentada pelo alunado com necessidades especiais. Em outras palavras, falta ao professor reflex&atilde;o sobre o seu pr&oacute;prio processo de pensamento, sobre o processo de pensamento de seu aluno e o momento espec&iacute;fico da aprendizagem. Somente desse modo, o professor estar&aacute; preparado para construir uma pr&aacute;tica pedag&oacute;gica adequada a diversidade em sala de aula.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O processo de forma&ccedil;&atilde;o: a hist&oacute;ria de um grupo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma&ccedil;&atilde;o proposta foi conduzida atrav&eacute;s de din&acirc;micas de grupo, trocas de experi&ecirc;ncias, reflex&otilde;es sobre textos, observa&ccedil;&otilde;es e discuss&otilde;es sobre tudo que foi vivenciado pelas integrantes do grupo em sala de aula. As estrat&eacute;gias utilizadas em din&acirc;micas de grupo, al&eacute;m de priorizarem muitas vezes o l&uacute;dico e as express&otilde;es espont&acirc;neas das professoras no agir e no pensar, tamb&eacute;m facilitavam a quebra das resist&ecirc;ncias e dos medos ocasionados por uma nova situa&ccedil;&atilde;o de aprendizagem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m abriu espa&ccedil;o para novas alternativas pedag&oacute;gicas na educa&ccedil;&atilde;o do aluno com autismo, reestruturando o antigo saber do professor e ampliando possibilidades para um novo aprender. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Optamos por trabalhar em grupo por entender que os conte&uacute;dos da forma&ccedil;&atilde;o deveriam partir das pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas e necessidades das professoras, e tamb&eacute;m por acreditar que a forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-reflexiva evidencia que a aprendizagem significativa acontece na interse&ccedil;&atilde;o do cognitivo, do afetivo e do relacional entre as integrantes do grupo. N&atilde;o se trata mais de vencer individualmente o desafio de ensinar alunos com autismo, mas de compartilhar hist&oacute;rias e experi&ecirc;ncias que enrique&ccedil;am a viv&ecirc;ncia de cada participante do grupo. Citando Tatagiba e Fil&aacute;rtiga (2002): "N&atilde;o existe outro modo de exercitar e desenvolver as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais sen&atilde;o experimentando as diversas nuances que se manifestam nos grupos que fazem parte" (p. 29). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ponto de relev&acirc;ncia a ser mencionado foi a "imprevisibilidade" em rela&ccedil;&atilde;o aos temas que ir&iacute;amos trabalhar; ou seja, apesar de direcionarmos o grupo para o estudo proposto, d&aacute;vamos &agrave;s participantes a liberdade de encaminhar seus questionamentos e sentimentos de acordo com o que fosse mais premente para todas. Nessa perspectiva, Alarc&atilde;o (2003) coloca: "Se a capacidade reflexiva &eacute; inata no ser humano, ela necessita de contextos de liberdade e responsabilidade" (p. 45). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Integrantes do grupo </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participaram dessa pesquisa como membros do grupo de forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;ticoreflexiva sobre a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica com crian&ccedil;as autistas, seis professoras da rede municipal de ensino de Duque de Caxias. Algumas delas atuavam em classes especiais, outras em salas de recursos (onde a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica &eacute; desenvolvida como um complemento ao trabalho feito nas turmas regulares, sempre de forma individual e com dias e hor&aacute;rios previamente estabelecidos entre a escola e os pais) e uma em classe regular, que recebia na sua sala um aluno com autismo acompanhado de uma outra professora, tamb&eacute;m do grupo, para algumas atividades espec&iacute;ficas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A seguir fizemos uma s&iacute;ntese das informa&ccedil;&otilde;es recolhidas pelas professoras do grupo de forma&ccedil;&atilde;o<a name="nt05a"></a><a href="#nt05b"><sup>5</sup></a>: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">D&eacute;bora </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">D&eacute;bora tinha, na ocasi&atilde;o, 27 anos e exercia o magist&eacute;rio desde 1985. Tem forma&ccedil;&atilde;o superior em educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, por&eacute;m s&oacute; exerceu por dois anos. Trabalha no munic&iacute;pio de Duque de Caxias desde 1994, e suas primeiras experi&ecirc;ncias foram em turmas regulares de 1ª a 4ª s&eacute;ries. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2002, D&eacute;bora trabalhou em sala de recursos e, entre os seus alunos, um era diagnosticado como autista. Seus resultados durante a aprendizagem eram lentos, mas D&eacute;bora motivava-se com os desafios que apareciam. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Am&eacute;lia </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Am&eacute;lia tinha 28 anos e iniciou no magist&eacute;rio por op&ccedil;&atilde;o, passando no concurso p&uacute;blico para professores de 1ª a 4ª s&eacute;ries no munic&iacute;pio de Duque de Caxias em 1994. Sempre trabalhou em turmas regulares e nunca havia pensado em trabalhar com alunos com necessidades especiais. A professora possui o curso superior em pedagogia e completou alguns minicursos e semin&aacute;rios oferecidos pela Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o de Duque de Caxias. Na ocasi&atilde;o trabalhava em salas de recursos com alunos portadores de autismo, mas isso n&atilde;o aconteceu por op&ccedil;&atilde;o. Mostrou-se interessada em participar da forma&ccedil;&atilde;o, pois gostaria de aprender mais sobre o autismo para poder fazer mais pelos seus alunos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Helena </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Helena sempre quis ensinar, tinha 34 anos e passou para o concurso de professores do munic&iacute;pio de Duque de Caxias em 1994. Escolheu, depois de um tempo, fazer uma dobra<a name="nt06a"></a><a href="#nt06b"><sup>6</sup></a> na sala de recursos com crian&ccedil;as portadoras de necessidades especiais. Fez sua especializa&ccedil;&atilde;o no Instituto de Surdos e Mudos com alunos portadores de dificuldades auditivas e fez, tamb&eacute;m, alguns minicursos patrocinados pela Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente trabalha em sala de recurso, onde h&aacute; um aluno portador de autismo, que chamaremos pelo nome fict&iacute;cio de Bruno. O seu contato com esse aluno fez a professora se interessar em estudar mais sobre o autismo e talvez assumir uma turma especial, quando se sentir mais preparada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tem obtido alguns avan&ccedil;os, mas s&atilde;o muito lentos, por isso a forma&ccedil;&atilde;o veio em "boa hora", ela falou. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isa </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isa come&ccedil;ou a escola normal aos 17 anos, formou-se em dezembro de 1984 e, em fevereiro de 1985, j&aacute; estava lecionando. Tinha 37 anos e sempre trabalhou em turmas regulares at&eacute; conhecer um aluno com autismo na educa&ccedil;&atilde;o infantil, quando optou por trabalhar com alunos portadores de necessidades educativas especiais. Interessou-se de pronto sobre o assunto, passando a ler livros que lhe indicavam. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isa trabalhava em turmas especiais h&aacute; bastante tempo e, na ocasi&atilde;o, tinha uma turma s&oacute; com alunos autistas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&iacute;lvia </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trabalhava no mesmo col&eacute;gio que Helena e, como a colega, ingressou no magist&eacute;rio porque era a &uacute;nica coisa que lhe interessava fazer. Tinha 30 anos e passou no concurso de professores de Duque de Caxias em 1994, e, desde ent&atilde;o, trabalha na mesma escola. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&iacute;lvia tamb&eacute;m havia sido professora de Bruno, um ano antes de Helena. Tamb&eacute;m se envolveu muito com ele, mas teve que interromper o seu trabalho quando engravidou. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Disse que, quando voltou, no ano seguinte, notou um grande progresso no desenvolvimento do aluno, e as duas professoras iniciaram uma parceria. S&iacute;lvia, na ocasi&atilde;o da pesquisa, estava trabalhando em uma turma regular e recebia Bruno diariamente para fazer algumas atividades extra-classe com os seus alunos. Helena sempre o acompanhava e ajudava no que era preciso. Na vis&atilde;o da professora, os alunos da turma n&atilde;o se importavam com a presen&ccedil;a de Bruno, e ele tamb&eacute;m demonstrava gostar da sua participa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amanda </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estava com 28 anos. Formada em pedagogia, ingressara no magist&eacute;rio em 1990. Passou no mesmo concurso que outras colegas, mas nunca pensou em trabalhar com alunos com necessidades especiais. Sempre trabalhou em turmas regulares e disse ter paix&atilde;o em ensinar a ler e escrever. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amanda teve a sua primeira experi&ecirc;ncia com alunos portadores de autismo, quando resolveu fazer a dobra de turnos, trabalhando em turma regular pela manh&atilde; e &agrave; tarde numa sala de recursos com alunos com necessidades especiais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O quadro abaixo caracteriza as professoras que se constitu&iacute;ram sujeitos da presente pesquisa, para que o leitor possa melhor identific&aacute;-las.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&iacute;ntese dos encontros grupais </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A s&iacute;ntese das reuni&otilde;es do grupo que apresentaremos a seguir foi realizada com base em alguns depoimentos registrados pelas professoras, bem como em coment&aacute;rios e reflex&otilde;es nossas, durantes os encontros de forma&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mediadora procurou ser sens&iacute;vel &agrave;s rea&ccedil;&otilde;es do grupo, exercitando a sua capacidade de empatia, respeitando e mantendo o sigilo absoluto sobre os temas que eram abordados durante os encontros. Seus coment&aacute;rios eram feitos dentro do contexto, tentando sintetizar, clara e objetivamente, as verbaliza&ccedil;&otilde;es pessoais e grupais, se o momento assim o exigisse. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os depoimentos das participantes s&atilde;o muito significativos e demonstram o quanto professoras de alunos com autismo se sentem despreparadas e segregadas dentro da sua profiss&atilde;o. Como mencionado anteriormente, as integrantes do grupo foram identificadas por nomes fict&iacute;cios, com o intuito de preservar suas identidades e tornar a leitura mais humana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1º Encontro </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Constru&ccedil;&atilde;o" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compareceram neste primeiro encontro seis professoras do munic&iacute;pio de Duque de Caxias. Ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o da proposta pela mediadora, as participantes se apresentaram, colocaram para o grupo suas expectativas e fizeram questionamentos sobre o desenvolvimento do trabalho. Ficou aparente, por parte de algumas, um certo ceticismo quanto &agrave; continuidade e a objetividade dos encontros, al&eacute;m de sentimentos de incerteza e inseguran&ccedil;a que as novas experi&ecirc;ncias geralmente despertam. No entanto, no decorrer da reuni&atilde;o, esses sentimentos foram sendo substitu&iacute;dos por sentimentos de identifica&ccedil;&atilde;o com as dificuldades das outras participantes, o que conduziu ao in&iacute;cio do rompimento com as defesas pessoais. Esta mudan&ccedil;a de atitude nos deu a percep&ccedil;&atilde;o de um clima mais relaxado entre as professoras, ao ponto de elas pr&oacute;prias sugerirem espontaneamente os temas a serem discutidos nos encontros seguintes; o que ia ao encontro de nossa proposta de valorizar as id&eacute;ias e os questionamentos trazidos pelo grupo e de n&atilde;o fazer um planejamento r&iacute;gido dos temas que seriam trabalhados nos encontros. Pretend&iacute;amos criar um clima de espontaneidade no grupo, proporcionando &agrave;s integrantes um espa&ccedil;o e um tempo para falarem das dificuldades que mais as afligiam. Coerente com essa perspectiva, o papel da mediadora durante os encontros se restringiu a ouvir atentamente as professoras e a propor algumas reflex&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram v&aacute;rios os temas considerados relevantes no entender do grupo, o que nos levou a concluir que talvez fossem poucos os encontros estabelecidos para a quantidade de quest&otilde;es a serem discutidas. Entre os t&oacute;picos levantados destacamos: a) educa&ccedil;&atilde;o do aluno com autismo; b) informa&ccedil;&otilde;es e bibliografia sobre o transtorno autista; c) fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica espec&iacute;fica para embasar a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica do aluno com autismo; d) necessidade de um planejamento pedag&oacute;gico sistematizado, para uma pr&aacute;tica eficaz; e) participa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia para o desenvolvimento da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica; f) sentimentos das professoras no lidar com o aluno portador de autismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Utilizamos diversas estrat&eacute;gias para os encontros propostos, tais como: v&iacute;deos, filmes, textos did&aacute;ticos, dramatiza&ccedil;&otilde;es e "tarefas de casa", essas com o objetivo de possibilitar a aplica&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia aprendida e de compartilhar com o grupo os resultados obtidos. Os temas priorizados pelas professoras deixaram transparecer claramente a sua inseguran&ccedil;a e despreparo para a fun&ccedil;&atilde;o que desempenhavam. Este fato nos levou a refletir sobre palavras de Muller e Glat (1999), proferidas a esse respeito: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> A atual supervaloriza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica em detrimento da experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica certamente tamb&eacute;m tem sua parcela de influ&ecirc;ncia neste processo. Esse problema &eacute; acentuado pelo pouca supervis&atilde;o e assist&ecirc;ncia que recebem, uma vez que os especialistas, via de regra, est&atilde;o distantes do dia-a-dia da escola. (p. 31) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, cabe ressaltar que nosso intuito com essa pesquisa foi situar o ato educativo em uma perspectiva multidimensional, cr&iacute;tica e integrada. Nele, compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica, compromisso pol&iacute;tico e dimens&atilde;o humana se entrela&ccedil;am, apresentando-se como um todo unificado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No primeiro encontro, como esperado, houve receio das participantes em se expor, sendo que as poucas coloca&ccedil;&otilde;es feitas eram geralmente sucedidas pelo sil&ecirc;ncio do grupo. Como ressaltamos anteriormente, nem sempre &eacute; f&aacute;cil para o professor - aquele que ensina - se colocar no lugar do aprendiz - aquele que aprende -, pois essa situa&ccedil;&atilde;o envolve uma mudan&ccedil;a na sua identidade pessoal e profissional. O sil&ecirc;ncio do grupo foi respeitado pela mediadora como um momento de reflex&atilde;o interna das professoras presentes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns dos poucos depoimentos foram registrados a seguir: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>&Eacute; muito dif&iacute;cil falar das nossas dificuldades.</i>" ( D&eacute;bora) </p>       <p>"<i>Acho que &eacute; assim mesmo... a primeira vez a gente se sente incomodada e envergonhada de falar, mas aqui as pessoas t&ecirc;m problemas iguais e, &agrave;s vezes, piores. Foi por isso que aceitei vir, posso aprender alguma coisa.</i>" (S&iacute;lvia)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Isa, ent&atilde;o, complementou o coment&aacute;rio da colega: "<i>E ensinar!</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As coloca&ccedil;&otilde;es das professoras soavam como um desabafo e, ao final do encontro, pod&iacute;amos sentir que algumas integrantes j&aacute; conseguiam falar com mais naturalidade sobre suas dificuldades com o aluno autista, sob o aspecto tanto profissional quanto pessoal. &Eacute; importante assinalar que durante os encontros n&atilde;o surgiram apenas questionamentos te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos; muitos sentimentos como afli&ccedil;&atilde;o, medo, inadequa&ccedil;&atilde;o para a fun&ccedil;&atilde;o, solid&atilde;o, incapacidade, culpa e outros, foram, da mesma forma, expressados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das quest&otilde;es mais angustiantes levadas pela maioria das professoras foi o tempo em sala de aula do aluno. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>"<i>Eu tenho um aluno que s&oacute; consegue ficar comigo vinte minutos.</i>" (Isa) </p>       <p>"<i>Eu sou contra um aluno ficar na sala de aula quatro horas e s&oacute; produzir duas horas.</i>" (D&eacute;bora)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em resposta a estas quest&otilde;es, a mediadora levantou uma discuss&atilde;o sobre a necessidade de se fazer um planejamento de aula para que o tempo passado em classe fosse preenchido com atividades produtivas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa primeira reuni&atilde;o, todos falaram livremente, pois ficou entendido que era o momento de estabelecer novos v&iacute;nculos tanto entre os participantes do grupo, como tamb&eacute;m entre a mediadora e o grupo. O encontro encerrouse com a reflex&atilde;o das professoras de que elas pouco ou quase nada conheciam sobre o transtorno autista e de que muito desejariam aprender para tornar suas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas mais eficazes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2º Encontro </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Gente" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Visando clarificar para o grupo a id&eacute;ia de que n&atilde;o existe uma pessoa igual &agrave; outra e o que nos torna iguais &eacute; justamente o fato de sermos todos diferentes, neste segundo encontro, em que compareceram oito professoras, apresentamos uma din&acirc;mica denominada: "boneco divertido". Com essa finalidade, compactuamos com Gon&ccedil;alves e Perp&eacute;tuo (2002) para quem a utiliza&ccedil;&atilde;o de din&acirc;micas nos processos grupais funciona como um recurso facilitador, possibilitando viv&ecirc;ncias inovadoras para o grupo, sem, no entanto, amea&ccedil;&aacute;-lo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Iniciamos a primeira etapa da reuni&atilde;o, explicando a din&acirc;mica: cada uma das participantes deveria desenhar uma figura de boneco contendo algumas caracter&iacute;sticas que seriam ditadas pela mediadora. Alertamos que ningu&eacute;m poderia olhar o boneco da outra e que as caracter&iacute;sticas definidas seriam repetidas somente no final, com o objetivo de que cada professora desenhasse somente aquilo que havia entendido no momento em que recebeu a mensagem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No decorrer da din&acirc;mica, o grupo parecia estar vivendo uma grande brincadeira. Todos se divertiam com suas cria&ccedil;&otilde;es, escondendo-as uma das outras como se fossem verdadeiras crian&ccedil;as. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>"<i>N&atilde;o vale olhar. Ela est&aacute; querendo ver o meu boneco.</i>" (Am&eacute;lia) </p>       <p>"<i>Nossa! Eu n&atilde;o sei mesmo desenhar, o meu boneco est&aacute; ficando um monstrinho.</i>" (Helena)</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na segunda etapa da din&acirc;mica, cada uma das participantes deveria mostrar seu boneco e compar&aacute;-lo com os desenhos feitos pelas demais. Como j&aacute; esper&aacute;vamos, foram muitas as diferen&ccedil;as constatadas. Cada professora havia colocado um pouco da sua criatividade no que havia sido solicitado pela mediadora, e o resultado final foi muito curioso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passadas as duas primeiras etapas, a mediadora solicitou a reflex&atilde;o do grupo sobre o objetivo da din&acirc;mica aplicada. Vale observar que, propositadamente, isso n&atilde;o foi explicado no in&iacute;cio do trabalho para facilitar a percep&ccedil;&atilde;o de como a mesma realidade pode ser entendida de forma distinta por diferentes indiv&iacute;duos, propiciando a contribui&ccedil;&atilde;o de cada professora com questionamentos e reflex&otilde;es originais. Neste momento, os semblantes se fecharam demonstrando seriedade e preocupa&ccedil;&atilde;o. Era como se elas estivessem descobrindo naquele instante o que "estava por tr&aacute;s" da brincadeira. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma professora, ent&atilde;o, falou, assumindo, para si, o papel de porta-voz do sentimento grupal: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> "<i>Todos os bonecos ficaram diferentes. Cada um tem uma maneira diferente de ver o seu aluno.</i>" (D&eacute;bora) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra professora pronunciou-se logo em seguida, concordando com o depoimento da colega e argumentando: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> "<i>Veja o boneco dela, n&atilde;o tem absolutamente nada a ver com o meu ou com o da outra. Exatamente isso que acontece em classe com nossos alunos. Tratamos todos da mesma maneira, quando, na verdade, cada um &eacute; &uacute;nico.</i>(S&iacute;lvia) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As coloca&ccedil;&otilde;es feitas a partir desse momento enfatizaram, especificamente, as diferen&ccedil;as e a maneira como isso &eacute; visto e sentido pelas professoras. Causou um grande desconforto, na maioria das integrantes do grupo, perceber como muitas vezes o professor n&atilde;o se d&aacute; conta da diversidade que h&aacute; em sua sala de aula e por isso age como se todos os seus alunos pensassem e sentissem da mesma maneira ou, melhor, da maneira que ele acha que eles pensam. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A din&acirc;mica refor&ccedil;ou o que todas j&aacute; pareciam saber, mas que em alguns momentos da pr&aacute;tica, por in&uacute;meros motivos, alguns nem sempre conscientes, n&atilde;o se percebiam como capacidades e comportamentos s&atilde;o &uacute;nicos, devendo ser respeitados como tal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muito embora objetiv&aacute;ssemos com essa din&acirc;mica levantar quest&otilde;es sobre a heterogeneidade dos alunos em sala de aula, as reflex&otilde;es se estenderam para um forte sentimento de exclus&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias professoras, o qual foi compartilhado por todas as integrantes do grupo. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>Isso me faz lembrar a maneira como sou tratada pelas outras professoras.</i>(Isa) </p>       <p>"<i>Que bom que voc&ecirc; falou! Me sinto t&atilde;o sozinha naquela escola. Se, por um lado, n&atilde;o obtenho as respostas desejadas dos meus alunos, por outro, n&atilde;o creio que as outras professoras da escola me vejam com bons olhos. O simples fato, de dividirmos o mesmo refeit&oacute;rio na hora da merenda me faz sentir diferente e deslocada. Parece que comentam: l&aacute; vem a professora dos doidinhos.</i>" (D&eacute;bora) </p>       <p>"<i>Ningu&eacute;m se lembra de mim! J&aacute; reclamei no conselho, o motivo da minha turma n&atilde;o participar em algumas programa&ccedil;&otilde;es na escola. Foi apresentado um teatro em todas as salas, mas n&atilde;o foi apresentado na minha sala! Eu falo claramente para a dire&ccedil;&atilde;o, mas elas querem me fazer acreditar que &eacute; paran&oacute;ia minha. Paran&oacute;ia que nada, elas &eacute; que t&ecirc;m um baita medo de se misturar.</i>" (Amanda) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante esse encontro, a mediadora chamou a aten&ccedil;&atilde;o para um sentimento geral de solid&atilde;o e para uma sensa&ccedil;&atilde;o de injusti&ccedil;a, j&aacute; que todas vivenciavam situa&ccedil;&otilde;es de preconceito e segrega&ccedil;&atilde;o semelhantes dentro de sua escola, por serem professoras de alunos com autismo. Essa problem&aacute;tica foi tamb&eacute;m detectada por outros pesquisadores, como M&uuml;ller e Glat (1999) que, ao analisar o discurso de professoras de classes especiais observaram: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Esse &eacute; um exemplo do que, em outro trabalho (Glat, 1995) foi denominado "estigma por contamina&ccedil;&atilde;o"; ou seja, todas as pessoas relacionadas diretamente com o deficiente, seja seus familiares, seja, como no nosso caso, suas professoras, s&atilde;o com ele identificadas e igualmente rotuladas. Esse processo contribui ainda mais para o isolamento e a marginaliza&ccedil;&atilde;o da classe especial do resto da escola, pois a professora, que &eacute; o elemento chave para estimular a integra&ccedil;&atilde;o de seus alunos, fica ressentida e inibida em suas a&ccedil;&otilde;es". (pp. 41-42) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Prosseguindo com o pensamento das autoras, o estigma da contamina&ccedil;&atilde;o vivenciado pelas professoras foi refor&ccedil;ado, em parte, por elas tamb&eacute;m se sentirem diferentes das demais. Uma condi&ccedil;&atilde;o, a princ&iacute;pio negada pela maioria, mas que depois foi enxergada como inconsciente, por&eacute;m verdadeira. Essa experi&ecirc;ncia de rejei&ccedil;&atilde;o compartilhada afian&ccedil;ou ao grupo falar de seus sentimentos mais defendidos, de uma forma mais aberta, evidenciando um novo modo de as integrantes se relacionarem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3º Encontro </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Reconstruindo o papel do professor" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para este terceiro encontro, em que compareceram oito professoras, foi solicitado que o grupo pensasse como &eacute; vivenciado um t&iacute;pico dia na sala de aula com o seu aluno e, a partir dessa reflex&atilde;o, que cada uma desenvolvesse uma produ&ccedil;&atilde;o que poderia ser um texto, um desenho ou mesmo uma dramatiza&ccedil;&atilde;o, expressando essa realidade. Objetiv&aacute;vamos com essa din&acirc;mica gerar questionamentos e posicionamentos sobre a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica exercida na sala de aula com o aluno portador de autismo. Essa tarefa levou as professoras a se defrontarem com suas pr&oacute;prias dificuldades te&oacute;ricas e pr&aacute;ticas, que repercutiram em uma s&eacute;rie de depoimentos, como os que se seguem: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>N&atilde;o sabia por onde come&ccedil;ar e me dei conta que acontecia o mesmo em sala de aula.</i>" (Helena) </p>       <p>"<i>Desenhei v&aacute;rias exclama&ccedil;&otilde;es e interroga&ccedil;&otilde;es, pois &eacute; tudo o que eu pude depreender da minha reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica. &Eacute; dif&iacute;cil ensinar algu&eacute;m que nem olha para voc&ecirc;.</i>" (Isa) </p>       <p>"<i>Fa&ccedil;o muitas coisas durante o tempo que estou com eles na sala, mas n&atilde;o sei o que eles realmente est&atilde;o assimilando e o que realmente servir&aacute; para eles usarem no seu cotidiano.</i>" (Amanda) </p>       <p>"<i>Acho que falta conhecer mais o nosso aluno, o que &eacute; importante para ele saber. Conhecimento e planejamento.</i>" (S&iacute;lvia) </p>       <p>"<i>&Eacute; verdade, realmente eu n&atilde;o planejo nada. Sinto falta de mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o transtorno autista, de que maneira poderemos intervir no seu processo de aprendizagem, e o que seria funcional para eles aprenderem?</i>" (Amanda) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da&iacute;, o encontro prosseguiu repleto de indaga&ccedil;&otilde;es, deixando claro que o grupo sentia a necessidade de conhecer mais sobre o transtorno autista e de desenvolver um planejamento dos conte&uacute;dos mais importantes a serem aprendidos por esses alunos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa lacuna demonstrou provocar um grande distanciamento entre a professora e os alunos com autismo, dificultando a possibilidade de cria&ccedil;&atilde;o de um v&iacute;nculo entre ambos e a realiza&ccedil;&atilde;o de um trabalho produtivo. Freire (1996) adverte-nos para a necessidade de assumirmos uma postura coerente e s&eacute;ria inerente ao saber-da compet&ecirc;ncia: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, ao longo dos tempos, historicamente, mulheres e homens descobriram que era poss&iacute;vel ensinar. Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos mulheres e homens perceberam que era poss&iacute;vel - depois preciso - trabalhar maneiras, caminhos, m&eacute;todos de ensinar. Aprender precedeu o ensinar ou, em outras palavras, ensinar se dilu&iacute;a na experi&ecirc;ncia realmente fundante de aprender. (p. 26) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a mediadora ponderou e todas as professoras concordaram unanimente que a pr&aacute;tica n&atilde;o poderia ser apenas produto da intui&ccedil;&atilde;o, deveria ser aut&ocirc;noma e criativa e resultado de um aprofundamento te&oacute;rico fundamentado e de um planejamento de atividades funcionais dirigidas para as caracter&iacute;sticas do aluno com autismo. E, assim, mais uma vez Freire (ibid.), sabiamente proferiu: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Quanto mais criticamente se exerce a capacidade de aprender tanto mais se constr&oacute;i e desenvolve o que venho chamando de <i>curiosidade epistemol&oacute;gica</i>, sem a qual n&atilde;o alcan&ccedil;amos o conhecimento cabal do objeto" (p. 27) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao final do encontro, conforme sugerido pelas professoras, indicamos uma bibliografia de apoio que as auxiliasse durante o desenvolvimento da pr&aacute;tica em sala de aula. Combinamos, tamb&eacute;m, que levar&iacute;amos algumas op&ccedil;&otilde;es de m&eacute;todos pedag&oacute;gicos j&aacute; utilizadas com relativo sucesso em alunos com autismo, a saber, o m&eacute;todo Teaach e a Comunica&ccedil;&atilde;o Alternativa e Ampliada (CAA). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4º, 5º E 6º Encontros</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "Para que o novo venha, o velho precisa ser transformado" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os tr&ecirc;s encontros que se seguiram foram mais voltados &agrave;s dificuldades da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica, e, como j&aacute; hav&iacute;amos combinado anteriormente, levamos algumas op&ccedil;&otilde;es de refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas sobre m&eacute;todos de ensino para alunos com autismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observamos que os primeiros discursos desse encontro pareciam revelar uma dire&ccedil;&atilde;o do grupo &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o do conhecimento pedag&oacute;gico compartilhado, que foi acontecendo &agrave; medida que o grupo se sentia mais confiante em transformar o dizer em fazer, e as professoras come&ccedil;assem a fazer o "gancho" entre a teoria e a pr&aacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Citando Freire (1996): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> &Eacute; pr&oacute;prio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceita&ccedil;&atilde;o do novo que n&atilde;o pode ser negado ou acolhido s&oacute; porque &eacute; novo, assim, com o crit&eacute;rio de recusa ao velho n&atilde;o &eacute; apenas cronol&oacute;gico. O velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradi&ccedil;&atilde;o ou marca uma presen&ccedil;a no tempo continua novo. (p. 39) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As palavras do autor mostram o saber do professor em discernir entre o que se apresenta como novo, e &eacute; apenas uma repeti&ccedil;&atilde;o do antigo com uma "nova roupagem", e o que j&aacute; &eacute; considerado velho, mas que ainda mant&eacute;m a sua pr&aacute;tica eficaz e contextualizada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma professora, fazendo refer&ecirc;ncia a um texto sobre Comunica&ccedil;&atilde;o Alternativa e Ampliada (Gill, 1997), comentou: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> "<i>Isso poderia ter sido escrito por qualquer uma de n&oacute;s: ... ela est&aacute; me entendendo, mas eu n&atilde;o consigo entender o que ela fala... vejo nos seus olhos, face e corpo que est&aacute; tentando me dizer algo...Ah! se eu conseguisse entend&ecirc;-la"</i>! ( Am&eacute;lia) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ficaram evidenciados nesse depoimento o sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o da professora por n&atilde;o conseguir comunicar-se com seus alunos e a necessidade premente de conhecer e entender uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o que facilite essa intera&ccedil;&atilde;o. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>A Comunica&ccedil;&atilde;o Alternativa e Ampliada e o m&eacute;todo Teacch parece que facilitar&atilde;o a intera&ccedil;&atilde;o com meus alunos.</i>" (D&eacute;bora) </p>       <p>"<i>Foi justamente isso que a gente estudou nesse texto, formas n&atilde;o convencionais de fazermos nossos alunos se comunicarem. E o interessante &eacute; que eu j&aacute; utilizava este m&eacute;todo com crian&ccedil;a da pr&eacute;-escola. Montei livrinhos com gravuras, trabalhei com texturas, cheiros, objetos, bichinhos, etc.</i>" (Amanda) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entendemos que a expectativa em aprender algo novo estava sendo uma tarefa, no m&iacute;nimo, instigante. A mediadora deixou claro, para o grupo, o desejo de cada professora em quebrar suas resist&ecirc;ncias e repensar as quest&otilde;es pr&aacute;ticas &agrave; luz das novas teorias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para nossa satisfa&ccedil;&atilde;o, soubemos que as professoras haviam tomado a iniciativa de estudar os textos juntas, levantando questionamentos para serem colocados durante os encontros. Come&ccedil;ou a se esbo&ccedil;ar, assim, mesmo diante das dificuldades, uma posi&ccedil;&atilde;o mais ativa e aut&ocirc;noma por parte delas. Essa perspectiva construtiva exercitou a a&ccedil;&atilde;o que permitiu &agrave;s integrantes do grupo se tornarem agentes coerentes na reconstru&ccedil;&atilde;o da sua identidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante este encontro, a mediadora entendeu que havia alcan&ccedil;ado o seu objetivo, buscando possibilitar uma a&ccedil;&atilde;o construtiva de aprendizagem, oferecendo &agrave;s professoras do grupo espa&ccedil;o e orienta&ccedil;&atilde;o para que elas tivessem a oportunidade de desenvolver com autonomia todas as suas potencialidades. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7º Encontro </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Um mergulho no ser" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Iniciamos o s&eacute;timo encontro com a presen&ccedil;a de todas as professoras e levamos, para leitura do grupo, um texto de autoria de Angel Riviere G&oacute;mez (s/d), que se intitula: "O que nos pediria um autista". Nosso objetivo foi levantar uma reflex&atilde;o sobre a dificuldade em nos colocarmos no lugar do outro ou ainda da pessoa do autista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos afirmar que durante esse encontro os depoimentos foram sofrendo as mais diversas e profundas transforma&ccedil;&otilde;es. As participantes j&aacute; podiam falar, sem tantos bloqueios, como se sentiam lidando com o aluno portador de autismo. Alguns desses sentimentos ficaram registrados nas seguintes falas: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>Geralmente me sinto muito entediada lidando com o autista.</i>" (S&iacute;lvia)</p>       <p> "<i>A ang&uacute;stia me acompanha at&eacute; depois das aulas, acho que n&atilde;o me esfor&ccedil;o muito para entend&ecirc;-lo, mas o pouco que fa&ccedil;o sinto que &eacute; em v&atilde;o. Mas depois aparece a professora (falou, dando &ecirc;nfase na palavra) e diz: n&atilde;o, eu n&atilde;o vou desistir assim t&atilde;o f&aacute;cil.</i>" (D&eacute;bora) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mediadora sensibilizou o grupo para a constata&ccedil;&atilde;o da culpa que essas professoras sentem por n&atilde;o conseguirem resolver as dificuldades dos seus alunos. Ficou registrado, nos depoimentos, que o dif&iacute;cil reconhecimento da falta de preparo levou-as a n&iacute;vel muito forte de emo&ccedil;&atilde;o. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>Fico muito mal, acho que culpada, quando vejo que ele n&atilde;o compreendeu nada do que eu disse. Tento novamente, mas &agrave;s vezes cansa. Parece que estou conversando com as paredes.</i>" (Helena) </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"<i>Qual de n&oacute;s ainda n&atilde;o se sentiu assim? Incapaz, incompetente e insens&iacute;vel. &Agrave;s vezes me questiono se &eacute; esse o meu lugar, se outra professora n&atilde;o estaria fazendo melhor.</i>" (Am&eacute;lia) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse momento, a mediadora sugeriu que todas lessem um trecho do texto distribu&iacute;do para a reflex&atilde;o, no qual um autista supostamente fala: "N&atilde;o precisas mudar completamente a sua vida pelo fato de viver com uma pessoa autista. A mim nada aproveita o estares mal, que te feches e te deprimas.(...)". Essa passagem de texto levantou uma reflex&atilde;o sobre o motivo pelo qual elas buscaram o grupo de forma&ccedil;&atilde;o. Todas sabiam que n&atilde;o seria uma miss&atilde;o das mais f&aacute;ceis. Teriam que abdicar de tempo e estarem abertas &agrave;s mudan&ccedil;as. O que refor&ccedil;ou a cren&ccedil;a de que para estar l&aacute; era preciso insistir, persistir, compartilhar, sofrer, alegrar-se com algumas poucas vit&oacute;rias, mas principalmente persistir no aux&iacute;lio a esse aluno. A l&aacute;grima e o riso fizeram parte desse processo de forma&ccedil;&atilde;o como importantes instrumentos pedag&oacute;gicos. Elas entenderam que a conquista do aluno n&atilde;o acontece s&oacute; pelo saber acad&ecirc;mico, mas tamb&eacute;m pelo afeto, pelo riso, pela serenidade; ou seja, pelo melhor de cada professora. Professor &eacute; aquele que mora na alma do aluno, aquele que fica, mesmo quando n&atilde;o est&aacute; mais presente em sala de aula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim se expressou a mediadora: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> <i>(...) nada impede que voc&ecirc;s fa&ccedil;am uso do que julgam ser o mais acertado para os seus alunos. Aqui o importante n&atilde;o &eacute; fazer tudo certo, e sim errar para conseguir acertar. Se a intera&ccedil;&atilde;o entre professor e aluno &eacute; verdadeira, o restante &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia. Os passos podem ser de formiguinha, indo &agrave; frente, retrocedendo, mas nunca desistindo de prosseguir</i>. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma professora fez um coment&aacute;rio, emocionada: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> "<i>Durante todo o texto, o autista tenta nos ensinar a compreend&ecirc;-lo e aceit&aacute;-lo assim como ele &eacute;. Vejam isso: (...) 'minha vida poder&aacute; ser satisfat&oacute;ria se for simples, ordenada e tranq&uuml;ila, desde que n&atilde;o me fa&ccedil;am constantes exig&ecirc;ncias e s&oacute; me pe&ccedil;am as coisas mais dif&iacute;ceis para mim.(...).'" </i>(Isa) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&uuml;ller e Glat (1999) perceberam em sua pesquisa que professoras de alunos com necessidades educativas especiais, por n&atilde;o conseguirem avan&ccedil;ar naquilo que haviam se proposto, sentiam-se extremamente culpadas. Como a culpa e a raiva "andam de m&atilde;os dadas" em determinados momentos, muitas vezes sem perceberem, essas professoras direcionavam sua raiva para aqueles que elas julgavam serem os grandes causadores do seu fracasso: os alunos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8º Encontro</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "Como uma onda" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme o combinado, utilizar&iacute;amos nossa &uacute;ltima reuni&atilde;o para uma avalia&ccedil;&atilde;o do processo de forma&ccedil;&atilde;o. Todas as integrantes compareceram e participaram com alternativas criativas que foram compartilhadas pelo grupo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As vozes das professoras foram un&iacute;ssonas na express&atilde;o de valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho realizado. Tamb&eacute;m foi vis&iacute;vel no grupo o sentimento de solidariedade, j&aacute; que todas vivenciavam as mesmas dificuldades, e a experi&ecirc;ncia de ouvir e se colocar no lugar do outro surtira o mesmo efeito de se mirar em um espelho. Helena comentou: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> "<i>&Eacute; necess&aacute;ria uma pol&iacute;tica mais atuante tanto na Educa&ccedil;&atilde;o Regular, como na Educa&ccedil;&atilde;o Especial. A lei parece que veio para ficar, mas muito pouco ou quase nada foi feito para ajudar na sua implementa&ccedil;&atilde;o.</i>" </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A negocia&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita para algumas solu&ccedil;&otilde;es dos problemas pr&aacute;ticos vivenciados pelo grupo e a sugest&atilde;o de id&eacute;ias criativas baseadas em seu conhecimento adquirido desencadearam uma "chuva" de sugest&otilde;es e diferentes opini&otilde;es, que denotavam explicitamente o processo coletivo das reflex&otilde;es. Assim, foi poss&iacute;vel perceber que as transforma&ccedil;&otilde;es nos dizeres das professoras demonstravam que mudan&ccedil;as qualitativas j&aacute; estavam ocorrendo nas pr&aacute;ticas cotidianas com seus alunos e nos seus posicionamentos cr&iacute;ticos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns coment&aacute;rios significativos sugiram: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>Eu acho sempre muito importante ouvir o que o outro tem a dizer, parece que a gente sozinha n&atilde;o enxerga.</i>" (D&eacute;bora) </p>       <p>"<i>&Eacute;, eu acho que a riqueza do nosso encontro &eacute; justamente essa. S&atilde;o tantas id&eacute;ias, tantas experi&ecirc;ncias diferentes. Trocando a gente se ajuda muito.</i>" (Isa)</p>       <p>"<i>As rea&ccedil;&otilde;es que os alunos demonstram diante da atividade &eacute; o que mais me incomoda. Pareceque est&atilde;o voando. N&atilde;o consegui ver nada diferente disso na aula de D&eacute;bora. Seu esfor&ccedil;o foi enorme para conseguir um m&iacute;nimo de aten&ccedil;&atilde;o.</i>" (Am&eacute;lia)</p>       <p>"<i>Engra&ccedil;ado, mesmo com todas as dificuldades e esses problemas espec&iacute;ficos que Helena falou, eu consegui ver uma intera&ccedil;&atilde;o entre os alunos e a professora, que de alguma forma estava conduzindo a alguma aprendizagem. Os m&iacute;nimos progressos s&atilde;o gigantescos para n&oacute;s.</i>" (S&iacute;lvia) </p>       <p>"<i>OK, talvez eu exija demais dos meus alunos e tamb&eacute;m de mim. &Eacute; tudo uma quest&atilde;o de mudar o foco da vis&atilde;o. Pelo que vi e pelo que D&eacute;bora falou, houve modifica&ccedil;&otilde;es, e isso deve ser o mais importante.</i>" (S&iacute;via)</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> "<i>Gente, o que vou dizer agora &eacute; pura verdade! Depois da visita &agrave; minha turma e dos coment&aacute;rios que voc&ecirc;s fizeram, eu me senti meio estranha, mas resolvi aceitar aquilo como parte do meu crescimento. Eu pensava assim: nado do que fa&ccedil;o est&aacute; dando certo com meus alunos. Aquele jogo de futebol foi um fiasco!</i>" (D&eacute;bora) </p>       <p>"<i>Foi o teu sentimento diante da situa&ccedil;&atilde;o? Sobre a nossa observa&ccedil;&atilde;o da sua aula e os nossos coment&aacute;rios, depois?</i>" (S&iacute;lvia)</p>       <p>"<i>Sim, isso tudo influiu muito. Foi muita pretens&atilde;o minha achar que tudo daria certo. Pois, no fundo, era isso que eu queria. Mostrar que n&atilde;o tinha medo de me expor. Venham ver minha aula, como &eacute; bonitinha! Vejam, eu tenho o controle. Naquela noite eu pensei muito no que tinha acontecido. &Eacute; muito importante a gente ter a opini&atilde;o de outras pessoas, foi um grande passo, apesar de doloroso, eu mostrar o que acontece na minha aula. Come&ccedil;o a achar que estou no caminho certo. N&atilde;o tenho o controle de nada, ou pelo menos preciso de ajuda. Nada a esconder. Quero aprender com voc&ecirc;s, com eles (os alunos) e com todos que queiram me ajudar. E como existe gente que pode ajudar, &eacute; s&oacute; querer. O governo, a sociedade, as escolas, as organiza&ccedil;&otilde;es, se realmente querem uma sociedade democr&aacute;tica e um ensino para todos, o esfor&ccedil;o tem que ser de todos.</i>" (D&eacute;bora) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante desses coment&aacute;rios, ficou claro para o grupo que refletir sobre o trabalho pedag&oacute;gico realmente &eacute; uma tarefa complexa que exige uma reconstru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de todo o conhecimento j&aacute; acumulado. Ao ouvirmos o que a colega tem a dizer sobre o nosso trabalho, podemos buscar internamente nossos pensamentos a respeito de como atuamos na nossa pr&aacute;tica e estabelecer rela&ccedil;&otilde;es com o que o outro prop&ocirc;s, repensando o que acreditamos ser uma boa atividade e o que na verdade precisamos modificar para que nossos alunos avancem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do clima ser de descontra&ccedil;&atilde;o, observou-se uma tend&ecirc;ncia &agrave; vulnerabilidade e &agrave; fragilidade do grupo diante da amea&ccedil;a de separa&ccedil;&atilde;o e da perda do espa&ccedil;o coletivo constru&iacute;do, evidenciando o quanto aqueles encontros haviam sido significativos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi tamb&eacute;m um momento em que todas puderam conversar e se relacionar de maneira mais informal, pois a rela&ccedil;&atilde;o estabelecida durante os encontros evidenciou a confian&ccedil;a adquirida de forma parcimoniosa e abriu espa&ccedil;o &agrave;s integrantes para se conhecerem um pouco mais, al&eacute;m das suas vidas profissionais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns depoimentos foram registrados como o in&iacute;cio de um novo movimento no pensamento daquelas professoras: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>"<i>Tinha vezes, que eu achava que estava fazendo terapia. Quando come&ccedil;amos eu n&atilde;o falava nada, agora... Acho que vou fazer terapia...</i>" (Am&eacute;lia) </p>       <p>Risos! </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"<i>Esse espa&ccedil;o deve continuar, estou gostando tanto, a gente precisa, voc&ecirc;s n&atilde;o acham?</i>" (S&iacute;lvia) </p>       <p>"<i>&Agrave;s vezes, pessoas de fora entendem mais a gente do que nossa pr&oacute;pria fam&iacute;lia. Nunca me senti t&atilde;o valorizada na minha profiss&atilde;o, quanto agora. E, veja s&oacute;, foi t&atilde;o pouco perto do que realmente dever&iacute;amos receber como educadoras.</i>" (Isa) </p>       <p>"<i>Teve um momento que eu pensei que n&atilde;o ia suportar, mas o grupo me deu for&ccedil;as para n&atilde;o desanimar.</i>" (Am&eacute;lia) </p>       <p>"<i>Descobri que posso errar e que a incerteza faz parte do processo. N&atilde;o preciso saber tudo, ali&aacute;s, posso at&eacute; dizer que estou aprendendo e que ainda n&atilde;o sei nada. Sou tamb&eacute;m uma aluna, uma eterna aluna. E como toda aluna precisa de professor, precisamos tamb&eacute;m aprender com algu&eacute;m que saiba mais. Precisamos de mais investimentos na educa&ccedil;&atilde;o, na nossa forma&ccedil;&atilde;o, precisamos tomar parte de todas essas leis que nos s&atilde;o colocadas como as situa&ccedil;&otilde;es mais naturais do mundo. Virem-se.</i>" (Helena) </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar, argumentei que o grupo havia conseguido mudan&ccedil;as profundas e que souberam explorar a situa&ccedil;&atilde;o, a cada instante, transformando-a ou transformando-se se fosse o caso. Em meio a tantos pensamentos, s&oacute; consegu&iacute;amos enxergar que n&atilde;o bastaria apenas o esfor&ccedil;o conjunto de algumas professoras para superar o desafio de incluir em classe regular o aluno com transtorno autista. A complexidade dos nossos questionamentos voltava-se diretamente para a qualidade do ensino que poder&iacute;amos proporcionar a esse aluno: "O que posso fazer?", "Que devo fazer para melhorar?" e "Que posso esperar?" Pareceu-nos que o sentimento vivido pelo grupo naquele momento era de esperan&ccedil;a, esperan&ccedil;a por acreditar que ainda existem pessoas que desejam investir o que t&ecirc;m de melhor na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa e igualit&aacute;ria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&otilde;es </b></font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Olhar para tr&aacute;s, ap&oacute;s uma longa caminhada, pode fazer perder a no&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia que percorremos. Mas, se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao t&eacute;rmino, certamente nos lembraremos de quanto nos custou chegar at&eacute; o ponto final, e, hoje, temos a impress&atilde;o de que tudo come&ccedil;ou ontem. N&atilde;o somos os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais um dos outros. E &eacute; por esse motivo que dizer adeus se torna complicado. Digamos, ent&atilde;o, que nada se perder&aacute;. Pelo menos dentro da gente... (Guimar&atilde;es Rosa) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante das novas implementa&ccedil;&otilde;es nas pol&iacute;ticas educacionais, trazendo para escola regular crian&ccedil;as com necessidades educativas especiais, algumas quest&otilde;es relevantes devem ser levantadas e urgem por respostas mais concretas: como melhorar a qualidade geral do nosso ensino? Como diminuir o fracasso escolar? Como municiar os professores de uma forma&ccedil;&atilde;o que lhes permita um conhecimento mais abrangente e autonomia suficiente para que eles possam decidir sobre a sua pr&aacute;tica? Como transformar a forma&ccedil;&atilde;o inicial do educador em uma forma&ccedil;&atilde;o que inclua conte&uacute;dos importantes da Educa&ccedil;&atilde;o Especial, n&atilde;o s&oacute; como uma disciplina ou especializa&ccedil;&atilde;o, mas sim como uma abordagem sobre diversidade humana? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos depreender que a proposta de uma sociedade inclusiva n&atilde;o &eacute; uma empreitada f&aacute;cil, e que ela s&oacute; se tornar&aacute; vi&aacute;vel atrav&eacute;s da preocupa&ccedil;&atilde;o, do interesse e da participa&ccedil;&atilde;o de toda a sociedade, e a&iacute; se incluem fam&iacute;lias, escolas, organiza&ccedil;&otilde;es, governo, etc. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo desse pressuposto, no rol dos desafios propostos pela inclus&atilde;o, encontramos uma modifica&ccedil;&atilde;o estrutural no sistema educacional brasileiro e a redefini&ccedil;&atilde;o do papel da Educa&ccedil;&atilde;o Especial, na medida em que essa se constitui uma &aacute;rea de conhecimentos espec&iacute;ficos e deve encontrar o seu lugar no processo de inclus&atilde;o, pois, de acordo com Gon&ccedil;alves e Perp&eacute;tuo (2002): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> No marco de uma sociedade competitiva como a nossa, o termo educa&ccedil;&atilde;o especial adquire, em muitas ocasi&otilde;es, um car&aacute;ter pejorativo, que n&atilde;o apenas se reflete no processo de aprendizagem dos alunos como afeta igualmente o processo de ensino por parte dos professores. <i>Talvez, quase sempre em rela&ccedil;&atilde;o com o bin&ocirc;mio ensino-aprendizagem, demos demasiada &ecirc;nfase ao segundo deles quando, &agrave;s vezes, &eacute; detectado falhas no primeiro.</i> (p. 60, grifo nosso) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compactuando com as id&eacute;ias dos autores, a frase final &eacute; grifada para ressaltar que grande parte dos professores especialistas ainda baseia seu trabalho na minimiza&ccedil;&atilde;o das defici&ecirc;ncias dos seus alunos, em vez de ir em busca de suas habilidades individuais. N&atilde;o se est&aacute; negando, contudo, que existam caracter&iacute;sticas e dificuldades inerentes a esta ou &agrave;quela defici&ecirc;ncia, que muitas vezes necessitam de um atendimento especial. O que se est&aacute; propondo, por&eacute;m, &eacute; que o professor que lida diretamente com alunos portadores de necessidades especiais possa ter discernimento para entender as dificuldades dos seus alunos e promover situa&ccedil;&otilde;es que o ajudem a evoluir, tanto quanto poss&iacute;vel, em torno dos seus interesses e potencialidades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como sinaliza Bueno (1999): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Se por um lado a educa&ccedil;&atilde;o inclusiva exige que o professor do ensino regular adquira algum tipo de especializa&ccedil;&atilde;o para fazer frente a uma popula&ccedil;&atilde;o que possui caracter&iacute;sticas peculiares, por outro, exige que o professor de Educa&ccedil;&atilde;o Especial amplie suas perspectivas, tradicionalmente centrada nessas caracter&iacute;sticas. (p. 24) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A proposta deste estudo foi desenvolver e analisar, com professores de alunos portadores de transtorno autista, um processo de forma&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;o, cujo objetivo era compreender em que medida a constitui&ccedil;&atilde;o de uma rede de intera&ccedil;&otilde;es e media&ccedil;&otilde;es poderia favorecer a apropria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos que incluem desde conte&uacute;dos e estrat&eacute;gias did&aacute;ticas at&eacute; um exerc&iacute;cio cont&iacute;nuo de reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a pr&aacute;tica do professor. Acreditamos que o trabalho coletivo e o compromisso com o grupo foram fundamentais para o cumprimento desse desafio da pol&iacute;tica educacional atual, qual seja um ensino de qualidade voltado aos alunos com necessidades educativas especiais e a valoriza&ccedil;&atilde;o e autonomia do professor de educa&ccedil;&atilde;o especial em poder explorar possibilidades pr&aacute;ticas, oriundas de um processo de reflex&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o e deliberar sobre elas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A metodologia empregada, a pesquisa-a&ccedil;&atilde;o, completou o quadro que almej&aacute;vamos com a nossa proposta, mostrando-se eficiente e ajustada aos nossos objetivos. Foi tamb&eacute;m essencial a parceria com a Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o de Duque de Caxias - Equipe de Educa&ccedil;&atilde;o Especial, para que a educa&ccedil;&atilde;o, aqui representada pela escola e seus agentes educativos, tivesse a oportunidade de ampliar suas perspectivas de a&ccedil;&atilde;o, buscando maneiras alternativas de se estruturar tamb&eacute;m como um enriquecedor p&oacute;lo de pesquisa. Para os objetivos pessoais e profissionais dessa pesquisadora, este estudo representou um grande avan&ccedil;o na oportunidade de experimentar suas hip&oacute;teses sobre o emprego da teoria cr&iacute;ticoreflexiva, dentro de uma institui&ccedil;&atilde;o escolar da rede p&uacute;blica municipal, como uma fonte relevante de interven&ccedil;&atilde;o no processo de forma&ccedil;&atilde;o do professor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma como conduzimos a forma&ccedil;&atilde;o proposta, com din&acirc;micas, troca de experi&ecirc;ncias, observa&ccedil;&otilde;es de pr&aacute;tica em sala de aula e discuss&otilde;es sobre tudo que foi vivenciado, facilitou por parte das professoras o processo <i>de reflex&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o</i>, fundamental para o crescimento profissional das integrantes do grupo. A forma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m abriu espa&ccedil;o para novas alternativas pedag&oacute;gicas na educa&ccedil;&atilde;o do aluno com autismo, reestruturando o antigo saber do professor de Educa&ccedil;&atilde;o Especial e ampliando possibilidades para um novo aprender. A utiliza&ccedil;&atilde;o de teorias pedag&oacute;gicas espec&iacute;ficas que facilitassem o aprendizado do aluno com autismo despertou o desejo das integrantes em aprender mais e em dar continuidade aos encontros de forma&ccedil;&atilde;o, buscando, assim, a valoriza&ccedil;&atilde;o do papel do professor de educa&ccedil;&atilde;o especial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Optamos por trabalhar em grupo por entender que os conte&uacute;dos da forma&ccedil;&atilde;o deveriam partir das pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas e necessidades das professoras e tamb&eacute;m por acreditarmos que a forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-reflexiva evidencia que a aprendizagem significativa acontece na interse&ccedil;&atilde;o do cognitivo, do afetivo e do relacional entre as integrantes do grupo. N&atilde;o se trata mais de vencer individualmente o desafio de ensinar alunos com autismo, mas de compartilhar hist&oacute;rias e experi&ecirc;ncias que enrique&ccedil;am a viv&ecirc;ncia de cada participante do grupo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em nossa experi&ecirc;ncia aqui relatada, partilhar comportamentos e sentimentos implicou aprendizagem, mas essa nem sempre aconteceu de uma forma muito serena nos nossos encontros, pois envolveu a provoca&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as nas identidades pessoais e profissionais das professoras. Um claro exemplo desse fato foi a necessidade de algumas participantes de falarem sobre as dificuldades dos seus alunos como que se eximindo de culpa pelo insucesso deles. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ansiedade e a vulnerabilidade geradas pela situa&ccedil;&atilde;o fizeram com que as professoras retivessem seus pensamentos e sentimentos, repercutindo em sil&ecirc;ncios coletivos ou assuntos descontextualizados. Nesses momentos, houve necessidade da interven&ccedil;&atilde;o da mediadora do grupo. Para Sch&ouml;n (2000), a reflex&atilde;o tanto poder&aacute; trazer mais dinamismo na trajet&oacute;ria do grupo, com torn&aacute;-lo mais lento e refrat&aacute;rio &agrave;s mudan&ccedil;as em determinados momentos. Entendemos, pelas palavras do autor, que diferentes grupos reflexivos poder&atilde;o ter resultados distintos. Tal fato foi experimentado e comprovado na nossa forma&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o, desde o in&iacute;cio percebemos que o grupo estava propenso e dispon&iacute;vel para se ajudar mutuamente, formando um clima de harmonia e confian&ccedil;a entre as professoras. Foi importante observar que as situa&ccedil;&otilde;es vividas pelo grupo facilitaram a troca de experi&ecirc;ncias entre as participantes e demonstraram um envolvimento significativo com o processo de forma&ccedil;&atilde;o, que p&ocirc;de ser constatado pela pesquisadora nos relatos das professoras, nas trocas de experi&ecirc;ncias, na freq&uuml;&ecirc;ncia e pontualidade das integrantes do grupo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim sendo, al&eacute;m da confian&ccedil;a, a humildade tamb&eacute;m foi um sentimento necess&aacute;rio para a fluidez do grupo. Percebemos que o grupo estava crescendo com todas aquelas viv&ecirc;ncias e que esse movimento era algo muito importante para a vida profissional e pessoal das participantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pareceu-nos bastante claro, no levantamento das expectativas das professoras que participariam dos encontros, que elas buscavam agregar conte&uacute;dos e t&eacute;cnicas did&aacute;ticas para auxili&aacute;-las no processo de ensino do aluno com autismo. O grupo acreditava que o bom professor &eacute; algu&eacute;m que tem o dom&iacute;nio da t&eacute;cnica e de muitos conte&uacute;dos a transmitir logo e, por n&atilde;o se encontrarem nessas condi&ccedil;&otilde;es, as participantes esperavam que a forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-reflexiva proposta suprisse sua defici&ecirc;ncia te&oacute;rica. Para Muller e Glat (1999), &eacute; necess&aacute;rio que o professor que atua com alunos portadores de necessidades especiais: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Tenha o instrumental pedag&oacute;gico especializado para fazer frente &agrave;s dificuldades de aprendizagem espec&iacute;ficas de seus alunos. O que n&atilde;o pode continuar acontecendo &eacute; um professor ser colocado em uma classe especial, ou receber um aluno especial em sua classe, apenas com a "cara e a coragem"! (p. 38) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deste modo, a possibilidade de o grupo planejar, agir e debater sobre o que era realizado em sala de aula com seus alunos com autismo favoreceu a realiza&ccedil;&atilde;o de pequenas iniciativas e projetos pedag&oacute;gicos, de forma significativa e contextualizada, permitindo a ponte entre a teoria e a pr&aacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observamos que o grupo percorreu um caminho sinuoso, no qual algumas professoras manifestavam inseguran&ccedil;a e medo em alguns momentos e, em outros, determina&ccedil;&atilde;o e confian&ccedil;a. Algumas atividades desenvolvidas levaram as professoras a se colocarem no lugar do seu aluno, e isso despertou sentimentos de inseguran&ccedil;a e fragilidade no grupo. Nossa inten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era dar a essa forma&ccedil;&atilde;o um olhar terap&ecirc;utico e muito menos determinar uma t&eacute;cnica precisa de como ensinar alunos com autismo. O objetivo dessa forma&ccedil;&atilde;o foi proporcionar um espa&ccedil;o em que as professoras pudessem discutindor e refletir sobre suas quest&otilde;es mais prementes, criando uma rela&ccedil;&atilde;o de compromisso com a sua profiss&atilde;o, adquirindo novos saberes sobre a educa&ccedil;&atilde;o de aluno com essas condi&ccedil;&otilde;es e podendo expressar seus sentimentos mais contidos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A transforma&ccedil;&atilde;o nos v&iacute;nculos entre as integrantes do grupo foi outro aspecto relevante. Modifica&ccedil;&otilde;es muito significativas na maneira de perceber a si pr&oacute;prio e ao outro despertaram, nas professoras, novas formas de se relacionar. Percebemos que o grupo conseguiu verbalizar seus sentimentos e refletir sobre eles, estabelecendo a verdadeira intera&ccedil;&atilde;o entre pensar, sentir e agir. O encontro das vozes, durante as reflex&otilde;es dessas professoras, deu-nos a oportunidade de conversar, de expor nossas id&eacute;ias e de observar a partir dessa conversa uma pessoa "transformada", isto &eacute;, enriquecida pela experi&ecirc;ncia do outro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conclu&iacute;mos acreditando que foram obtidos indicadores de &ecirc;xito nessa abordagem cr&iacute;tico-reflexiva de forma&ccedil;&atilde;o de professores, atrav&eacute;s de depoimentos e avalia&ccedil;&otilde;es das participantes que expressaram o seu crescimento profissional e pessoal e suas possibilidades de reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica como professoras de alunos com necessidades educativas especiais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da an&aacute;lise do processo grupal, chegamos &agrave; conclus&atilde;o de que a identifica&ccedil;&atilde;o dos obst&aacute;culos afetivos e cognitivos que impedem o desenvolvimento da tarefa do professor de educa&ccedil;&atilde;o especial em lidar com a aprendizagem do aluno com autismo n&atilde;o depende somente da sua boa vontade em aprender e se dedicar a esse aluno. O professor n&atilde;o consegue agir isoladamente. Nessa perspectiva, esta pesquisa teve o complexo prop&oacute;sito de ser apenas uma ponta do fio condutor que mobilizar&aacute; por alguns momentos uma sociedade que parece n&atilde;o ter tempo para querer ouvir, ver e compreender o seu semelhante, como a si pr&oacute;pria. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe ressaltar que a Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o de Duque de Caxias - Equipe de Educa&ccedil;&atilde;o Especial deu continuidade ao trabalho iniciado em 2002, com palestras e grupos de estudo, ampliando a proposta da forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-reflexiva de professores de alunos com autismo, tamb&eacute;m para as fam&iacute;lias e para a equipe de profissionais da sa&uacute;de. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alarc&atilde;o, I. (2003). Refletir na pr&aacute;tica. <i>Revista Nova Escola, </i>S&atilde;o Paulo, SP, ano XVII, nº 154, pp .45-47. S&atilde;o Paulo, Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666343&pid=S1414-6975200500020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brasil (1994). <i>Declara&ccedil;&atilde;o de Salamanca e Linha de a&ccedil;&atilde;o: Sobre Necessidades Educativas Especiais. </i>Bras&iacute;lia, Corde.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666344&pid=S1414-6975200500020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> ____ (1996). <i>Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional - Lei nº 9394/20.12.96. </i>Distrito Federal,  Saraiva.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666345&pid=S1414-6975200500020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> ____ (2001). <i>Diretrizes Nacionais para a Educa&ccedil;&atilde;o Especial na Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Especial. </i>MEC; Seesp. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666346&pid=S1414-6975200500020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bolzan, D. (2002). <i>Forma&ccedil;&atilde;o de Professores: compartilhando e reconstruindo conhecimentos.</i> Porto Alegre, Media&ccedil;&atilde;o. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666347&pid=S1414-6975200500020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bueno, J. G. S. (1999). <i>Repensando a pesquisa participante</i>. S&atilde;o Paulo, Brasiliense. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666348&pid=S1414-6975200500020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contreras, J. (2002). <i>A autonomia de professores</i>. S&atilde;o Paulo, Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666349&pid=S1414-6975200500020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Correia, H. C. (1997). <i>Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares. </i>Porto, Porto Editora. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666350&pid=S1414-6975200500020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferreira, J. R. e Glat, R. (2003). "Reformas Educacionais P&oacute;s-LDB. A inclus&atilde;o do aluno com necessidades especiais no contexto da municipaliza&ccedil;&atilde;o". In: Souza, D. B. e Faria, L. C. M. (orgs). <i>Desafios da educa&ccedil;&atilde;o municipal. </i>Rio de Janeiro, DP&A. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666351&pid=S1414-6975200500020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freire, P. (1996). <i>Pedagogia da autonomia. Saberes necess&aacute;rios &agrave; pr&aacute;tica educativa</i>. S&atilde;o Paulo, Paz e Terra. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666352&pid=S1414-6975200500020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freire, P. e Shor, I. (1986). <i>Medo e ousadia</i>. S&atilde;o Paulo, Paz e Terra. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666353&pid=S1414-6975200500020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, C. M. (1997). "A forma&ccedil;&atilde;o de professores: novas perspectivas baseadas no pensamento do professor". In: N&oacute;voa. A. (org.). <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa, Portugal, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666354&pid=S1414-6975200500020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gauderer, C. E. (1997). <i>Autismo e outros atrasos do desenvolvimento - guia pr&aacute;tico para pais e profissionais. </i>Rio de Janeiro, Revinter. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666355&pid=S1414-6975200500020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gill, B. N. (1997). Comunica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de s&iacute;mbolos: abordagem cl&iacute;nica baseada em diversos estudos. <i>Temas sobre desenvolvimento</i>. v. 6, n. 34, pp. 34-43. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666356&pid=S1414-6975200500020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Glat, R. (2000). Capacita&ccedil;&atilde;o de professores: pr&eacute;-requisito para uma escola aberta &agrave; diversidade. <i>Revista Souza Marques,</i> V.1, n.6, pp.16-22. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666357&pid=S1414-6975200500020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Glat, R. e Duque, T. M A. (2003). <i>Convivendo com filhos especiais: o olhar paterno. </i>Rio de Janeiro, Sete Letras. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666358&pid=S1414-6975200500020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gomes, M. O. e Lima, M. S. L. (2002). "Redimensionando o papel dos profissionais da educa&ccedil;&atilde;o: algumas considera&ccedil;&otilde;es". In: Ghedin, E. e Pimenta, S. G. (orgs.). <i>Professor reflexivo no Brasil: g&ecirc;nese e cr&iacute;tica de um conceito</i>. S&atilde;o Paulo, Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666359&pid=S1414-6975200500020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">G&oacute;mez, A. P. (1997). "O pensamento pr&aacute;tico do professor: a forma&ccedil;&atilde;o do professor como profissional reflexivo". In: N&oacute;voa, A. (org.). <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa, Portugal, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666360&pid=S1414-6975200500020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gon&ccedil;alves, A. M. e Perp&eacute;tuo, S. C. (2002). <i>Din&acirc;mica de grupos na forma&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as</i>. Rio de Janeiro, DP&A. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666361&pid=S1414-6975200500020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gonz&aacute;les, J. A. T. (2002). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e diversidade. Bases did&aacute;ticas e organizativas</i>. Porto Alegre, Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666362&pid=S1414-6975200500020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Leboyer, M. (1987). <i>Autismo infantil - fatos e modelos.</i> S&atilde;o Paulo, Papyrus. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666363&pid=S1414-6975200500020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Leboyer, M. e  Shor, I. (1986). <i>Medo e ousadia. </i>S&atilde;o Paulo, Paz e Terra. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666364&pid=S1414-6975200500020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais </i>- DSM IV-TR (1995). 4 ed. Porto Alegre, Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666365&pid=S1414-6975200500020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mart&iacute;n, E. e Marchesi, A. (1995). "Da terminologia do dist&uacute;rbio &agrave;s necessidades educacionais especiais". In: Coll, C.; Palacios, J. e Marchesi, A. (orgs.). <i>Desenvolvimento, psicologia e educa&ccedil;&atilde;o: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar</i>. vol. 3, Rio Grande do Sul, Artes M&eacute;dicas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666366&pid=S1414-6975200500020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mazzota, M. J. (1982). <i>Fundamentos da educa&ccedil;&atilde;o especial</i>. S&atilde;o Paulo, Pioneira. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666367&pid=S1414-6975200500020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mazzota, M. (1996). <i>Educa&ccedil;&atilde;o Especial no Brasil: hist&oacute;rias e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</i>. S&atilde;o Paulo, Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666368&pid=S1414-6975200500020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&uuml;ller, T. M. P e Glat, R. (1999). <i>Uma professora muito especial. </i>Rio de Janeiro, Sette Letras. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666369&pid=S1414-6975200500020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&oacute;voa, A. (1997). "A forma&ccedil;&atilde;o de professores e profiss&atilde;o docente". In: N&oacute;voa, A. (1997). <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa, Portugal, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666370&pid=S1414-6975200500020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os&oacute;rio, C. L. (2003). <i>Psicologia grupal. Uma nova atitude para o advento de uma era. </i>Porto Alegre,  Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666371&pid=S1414-6975200500020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Perrenoud, P. (1993). <i>Pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, profiss&atilde;o docente e forma&ccedil;&atilde;o. </i>Lisboa, D. Quixote.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666372&pid=S1414-6975200500020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> ____ (2002). <i>A pr&aacute;tica reflexiva do professor: profissionaliza&ccedil;&atilde;o e raz&atilde;o pedag&oacute;gica. </i>Porto Alegre, Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666373&pid=S1414-6975200500020000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pimenta, S. G. (2002). "Professor reflexivo: construindo uma cr&iacute;tica". In: Pimenta, S. G. e Ghedin, E. (orgs.). <i>Professor reflexivo no Brasil: g&ecirc;nese e cr&iacute;tica de um conceito.</i> S&atilde;o Paulo, Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666374&pid=S1414-6975200500020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sacrist&aacute;n, J. G. (2002). "Tend&ecirc;ncias investigativas na forma&ccedil;&atilde;o de professoras". In: Pimenta, S. G. e Ghedin, E. (orgs.). <i>Professor reflexivo no Brasil: g&ecirc;nese e cr&iacute;tica de um conceito</i>. S&atilde;o Paulo,  Cortez. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666375&pid=S1414-6975200500020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sacrist&aacute;n, J. G. 	e G&oacute;mez, A. P. (1998). <i>Compreender e transformar o ensino</i>. Porto Alegre, Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666376&pid=S1414-6975200500020000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sacrist&aacute;n, J. G. e G&oacute;mez, P. I. A. (2000). <i>Compreender e transformar o ensino</i>. Porto Alegre, Artmed. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666377&pid=S1414-6975200500020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sassaki, K. R. (1997). <i>Inclus&atilde;o. Construindo uma sociedade para todos</i>. Rio de Janeiro, WVA. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666378&pid=S1414-6975200500020000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sch&ouml;n, D. A. (1997). "Formar professores como profissionais reflexivos". In: N&oacute;voa, A. (1997). <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa, Portugal, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666379&pid=S1414-6975200500020000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">____ (2000). <i>Educando o profissional reflexivo</i>. Porto Alegre, Artes M&eacute;dicas Sul. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666380&pid=S1414-6975200500020000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tatagiba, M. C. e Fil&aacute;rtiga, V. (2002). <i>Vivendo e aprendendo com os grupos. Uma metodologia construtivista de din&acirc;mica de grupo</i>. Rio de Janeiro, DP&A. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666381&pid=S1414-6975200500020000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zeichner, K. (1997). "Novos caminhos para o Paractium: uma perspectiva para os anos 90". In: N&oacute;voa, A. (org.). <i>Os professores e a sua forma&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa, Portugal, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1666382&pid=S1414-6975200500020000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em maio de 2005.    <br>   Aprovado em outubro de 2005.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt01b"></a><a href="#nt01a">1</a> Empregamos o termo professora pelo fato de o grupo ser composto exclusivamente de mulheres.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="nt02b"></a><a href="#nt02a">2</a> Os termos s&iacute;ndrome e transtorno ser&atilde;o tratados como palavras sin&ocirc;nimas ao longo do artigo.    <br>   <a name="nt03b"></a><a href="#nt03a">3</a> O psic&oacute;logo franc&ecirc;s Alfred Binet (1857-1911) criou a primeira medi&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da intelig&ecirc;ncia focalizando as suas observa&ccedil;&otilde;es nas habilidades cognitivas, dura&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o, mem&oacute;ria, julgamentos est&eacute;ticos e morais, pensamento l&oacute;gico e compreens&atilde;o de senten&ccedil;as.    <br>   <a name="nt04b"></a><a href="#nt04a">4</a> Tamb&eacute;m chamada behaviorismo. Como o pr&oacute;prio nome sugere, a &ecirc;nfase era a insist&ecirc;ncia na primazia do comportamento observ&aacute;vel.    <br>   <a name="nt05b"></a><a href="#nt05a">5</a> Lembramos que os nomes das participantes do grupo s&atilde;o fict&iacute;cios.    <br>   <a name="nt06b"></a><a href="#nt06a">6</a> Dobra significa que a professora trabalhar&aacute; em dois turnos durante a sua jornada de trabalho.</font></p>      ]]></body>
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