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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formação do psicólogo: um debate a partir do significado do fenômeno psicológico]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo: um debate a partir do significado do fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Merc&ecirc;s    Bahia Bock</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Doutora em Psicologia    Social. Diretora da Faculdade de Psicologia da PUC/S. Presidente do Conselho    Federal de Psicologia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicologia &eacute;    apresentada despida de suas pend&ecirc;ncias naturalizantes. O ser humano &eacute;    visto como aquele que cria a hist&oacute;ria ao inv&eacute;s de sofr&ecirc;-la    passivamente. O artigo recoloca, seriamente, a Psicologia como participante    do elenco das ci&ecirc;ncias sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">V&aacute;rios estudos    t&ecirc;m sido apresentados sobre a forma&ccedil;&atilde;o do psicol&oacute;gico.    Pretendemos aqui, acrescentar a essa discuss&atilde;o um aspecto pouco abordado:    a vis&atilde;o sobre o fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico e sobre o homem que    tem embasado nossas propostas de forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; importante    explicitar algumas refer&ecirc;ncias te&oacute;rica b&aacute;sicas que guiam    nossa reflex&atilde;o e que guiam aqui nossa vis&atilde;o sobre a forma&ccedil;&atilde;o:    a concep&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-hist&oacute;rica em Psicologia, que,    resumidamente, est&aacute; fundada em cinco pontos b&aacute;sicos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1.&nbsp;N&atilde;o    existe a natureza humana: o homem tem sido pensado, na Filosofia e em v&aacute;rias    ci&ecirc;ncias, a partir da id&eacute;ia de Natureza Humana concebida como uma    ess&ecirc;ncia universal e abstrata, o que o caracteriza desde sua origem. &Eacute;    a forma humana do Absoluto. Nestas concep&ccedil;&otilde;es h&aacute; sempre    um homem aprior&iacute;stico dentro do homem; h&aacute; um homem que se atualizar&aacute;,    que se realizar&aacute;, se as condi&ccedil;&otilde;es adequadas forem dadas.    H&aacute; uma natureza em cada homem, natureza esta que o faz homem e que determina    suas possibilidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para n&oacute;s,    essa id&eacute;ia de natureza humana tem um car&aacute;ter ideol&oacute;gico,    pois camufla a determina&ccedil;&atilde;o social do homem, pensando-o de forma    descolada de sua realidade social, realidade essa que o constitui e lhe d&aacute;    sentido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O homem e todo    pensamento te&oacute;rico e sistem&aacute;tico sobre ele tem origem na realidade    social. No entanto, o resultado que temos nas ci&ecirc;ncias &eacute; uma id&eacute;ia    de homem como aut&ocirc;nomo, como uma entidade, dotado de uma ess&ecirc;ncia    que o caracterfza como homem. A realidade social passa a ser pensada como o    local onde essa ess&ecirc;ncia se desenvolve, atualiza-se, dasabrocha e realiza-se.    Toda a determina&ccedil;&atilde;o social do homem fica oculta sob essas id&eacute;ias    e conceitos, que se tornam representa&ccedil;&otilde;es ilus&oacute;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2.&nbsp;Existe    a condi&ccedil;&atilde;o humana: A condi&ccedil;&atilde;o humana estaria dada    por dois elementos: o homem constr&oacute;i as formas de satisfa&ccedil;&atilde;o    de suas necessidades e faz isso com os outros homens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A id&eacute;ia    de condi&ccedil;&atilde;o humana &eacute; fundamental para darmos o salto da    concep&ccedil;&atilde;o naturalista do homem para uma concep&ccedil;&atilde;o    s&oacute;cio-hist&oacute;rica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na id&eacute;ia    de condi&ccedil;&atilde;o humana, nada no homem est&aacute; aprioristicamente    concebido. N&atilde;o h&aacute; nada em termos de habilidade, faculdade, valores,    aptid&otilde;es ou tend&ecirc;ncias que nas&ccedil;am com o ser humano. As condi&ccedil;&otilde;es    biol&oacute;gicas heredit&aacute;rias do homem s&atilde;o a sustenta&ccedil;&atilde;o    de um desenvolvimento s&oacute;cio-hist&oacute;rico, que lhe imprimir&aacute;    possibilidades, habilidades, valores, aptid&otilde;es e tend&ecirc;ncias historicamente    conquistadas pela humanidade e que se encontram condensadas nas formas culturais    desenvolvidas pelos homens em sociedade. 3.O homem &eacute; um ser ativo, social    e hist&oacute;rico: O homem produz sua sobreviv&ecirc;ncia com os outros homens.    A rela&ccedil;&atilde;o do homem com a natureza, atrav&eacute;s de suas atividades,    e a rela&ccedil;&atilde;o com os outros homens constituem o ser humano. Como    essa atividade sobre o mundo &eacute; um processo hist&oacute;rico, pois os    homens v&atilde;o construindo novas formas de satisfa&ccedil;&atilde;o de suas    necessidades e v&atilde;o tamb&eacute;m construindo novas necessidades, h&aacute;    um permanente movimento e um permanente processar do homem. 4. O homem &eacute;    criado pelo homem: N&atilde;o h&aacute; natureza humana pronta. N&atilde;o h&aacute;    aptid&otilde;es. A &uacute;nica aptid&atilde;o do homem &eacute; poder desenvolver    v&aacute;rias aptid&otilde;es. E o desenvolvimento do indiv&iacute;duo se d&aacute;    atrav&eacute;s do contato com a cultura e com os outros homens. Os objetos da    cultura materializam a hist&oacute;ria e cristalizam as aptid&otilde;es desenvolvidas    pela humanidade no decorrer de sua hist&oacute;ria. O indiv&iacute;duo, ao entra    em contato com esses objetos, "descongela" essas aptid&otilde;es e adquire as    habilidades necess&aacute;rias a sua sobreviv&ecirc;ncia na cultura humana.    O homem se constitui e aprende a ser homem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O indiv&iacute;duo,    ao adquirir as condi&ccedil;&otilde;es para sobreviver, adquire tamb&eacute;m    uma vis&atilde;o de mundo, adquire um conjunto de significados, pois essa rela&ccedil;&atilde;o    do homem com a cultura, mediada que est&aacute; pelos outros homens, tem como    elemento mediador fundamental a linguagem. No conjunto das rela&ccedil;&otilde;es    sociais, mediadas pela linguagem, o indiv&iacute;duo vai desenvolvendo sua consci&ecirc;ncia.    Com o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia, o homem sabe seu mundo, sabe-se    no mundo, antecede as coisas do seu mundo, partilha-as com os outros, troca,    constr&oacute;i e reproduz significados. Quando atua sobre o mundo, relacionando-se,    apropria-se da cultura e adquire linguagem; apropria-se dos significados e constr&oacute;i    um sentido pessoal para suas viv&ecirc;ncias. Tem, assim, todas as condi&ccedil;&otilde;es    para atuar com os outros, criar cultura e elaborar significados. O homem, se    faz homem ao mesmo tempo que constr&oacute;i seu mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5.O homem concreto    &eacute; objeto da Psicologia: A Psicologia deve buscar compreender o indiv&iacute;duo    a partir da inser&ccedil;&atilde;o desse homem na sociedade. O indiv&iacute;duo    s&oacute; pode ser realmente compreendido em sua singularidade, quando inserido    na totalidade social e hist&oacute;rica que o determina e d&aacute; sentido    a sua singularidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicologia n&atilde;o    tem trabalhado assim. Tem descolado o homem dessa totalidade que o determina,    estudando-o de forma isolada. Com esse procedimento, a Psicologia tem naturalizado    o homem e o psiquismo acaba sendo tomado como algo j&aacute; existente no homem,    que se realiza, desabrocha, atualiza-se; o psiquismo &eacute; tomado como um    a prior no homem. A realidade social aparece apenas como "canteiro", onde a    semente de homem, com sua natureza ps&iacute;quica, pode se desenvolver. As    condi&ccedil;&otilde;es materiais de vida n&atilde;o s&atilde;o tomadas, pela    Psicologia, como constitutivas do psiquismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base nestas    concep&ccedil;&otilde;es e considerando as determina&ccedil;&otilde;es j&aacute;    apontadas acima, pretendemos refletir criticamente sobre as concep&ccedil;&otilde;es    de homem e de fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico que t&ecirc;m fundamentado a    pr&aacute;tica dos psic&oacute;logos e a forma&ccedil;&atilde;o. Vale ressaltar    que estas reflex&otilde;es est&atilde;o sistematizadas em trabalho de pesquisa    realizado como doutoramento<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <b>fen&ocirc;meno    psicol&oacute;gico</b> tem sido visto de forma abstrata. Ora como manifesta&ccedil;&atilde;o    de processos internos, ora como produto de viv&ecirc;ncias externas, ora como    conte&uacute;do do mundo interno, ora como processo, mas sempre visto de forma    abstrata e naturalizante. O fen&ocirc;meno &eacute; visto como algo da esp&eacute;cie    humana, caracter&iacute;stica universal da esp&eacute;cie e aparece definido    por um n&uacute;mero enorme de palavras e express&otilde;es, como por exemplo:    manifesta&ccedil;&otilde;es do aparelho ps&iacute;quico, individualidade, subjetividade,    mundo interno, manifesta&ccedil;&otilde;es do homem, pensar e sentir o mundo,    consci&ecirc;ncia, inconsciente, viv&ecirc;ncias, engrenagens de emo&ccedil;&otilde;es,    motiva&ccedil;&otilde;es, comportamentos, habilidades e potencialidades, experi&ecirc;ncias    emocionais, conflitos pulsionais, psique, pensamento, sensa&ccedil;&otilde;es,    entendimento de si e do mundo, manifesta&ccedil;&otilde;es da vida mental, tudo    que &eacute; percebido pelos sentidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; pouco    consenso sobre o fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico entre os psic&oacute;logos,    mas alguns elementos aparecem na maior parte das concep&ccedil;&otilde;es: um    fen&oacute;meno interior ao homem, que possui v&aacute;rios componentes e recebe    influ&ecirc;ncias do meio f&iacute;sico e social em seu desenvolvimento. A intera&ccedil;&atilde;o    com o meio &eacute; portanto fator de desenvolvimento. H&aacute; nele algo de    biol&oacute;gico e algo de social; algo de consciente e algo de inconsciente.    &Eacute; um fen&ocirc;meno que se desestrutura, se desequilibra, se desorganiza    e o psic&oacute;logo parece ter os Instrumentos adequados para lidar com ele.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta vis&atilde;o    do fen&oacute;meno psicol&oacute;gico, o pensa como algo descolado, independente    do indiv&iacute;duo. Ele est&aacute; transformado, no discurso dos psic&oacute;logos,    em uma entidade que atormenta, restringe, possibilita, enriquece, movimenta-se,    desenvolve-se; uma entidade que tem voca&ccedil;&atilde;o, destino, percurso,    uma realiza&ccedil;&atilde;o a cumprir. Mecanismos universais caracterizam,    assim, esse fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A id&eacute;ia    da exist&ecirc;ncia de um meio est&aacute; presente, mas &eacute; um meio gen&eacute;rico,    que &agrave;s vezes &eacute; social e &agrave;s vezes &eacute; f&iacute;sico.    Esse meio influencia o indiv&iacute;duo, mas essa influ&ecirc;ncia tamb&eacute;m    &eacute; gen&eacute;rica. Recheia, preenche, molda, constitui, possibilita,    impede, bloqueia, molda, constitui, possibilita, impede, bloqueia, estimula.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute;, a nosso    ver, uma quest&atilde;o de fundo nestas concep&ccedil;&otilde;es: a vis&atilde;o    de homem que as fundamenta. O <b>Homem</b> n&atilde;o est&aacute; conceituado    a partir de uma perspectiva hist&oacute;rica. N&atilde;o &eacute; pensado como    algu&eacute;m que se constitui ao constituir o seu mundo. &Eacute; pensado separado    das condi&ccedil;&otilde;es de vida. &Eacute; pensado a partir de uma perspectiva    de natureza humana, isto &eacute;, um ser dotado de uma ess&ecirc;ncia universal    e abstrata, que faz dele homem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O homem aparece    como um ser que possui em si a ess&ecirc;ncia humana e seu desenvolvimento nada    mais &eacute; do que a atualiza&ccedil;&atilde;o desta ess&ecirc;ncia. H&aacute;    um homem aprior&iacute;stico em cada um de n&oacute;s. Al&eacute;m disso, a    no&ccedil;&atilde;o de homem carrega uma vis&atilde;o de que &eacute; um ser    dotado de possibilidades de controlar, garantir, responsabilizar-se pelo seu    pr&oacute;prio processo de individualiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um aspecto que    chama a aten&ccedil;&atilde;o na vis&atilde;o de homem &eacute; a exist&ecirc;ncia    de um "eu verdadeiro" que habita o indiv&iacute;duo; um eu cheio de potencialidades,    de habilidades, que com certeza est&atilde;o referenciadas na id&eacute;ia de    natureza humana, e que n&atilde;o se manifestam de imediato. Esse "eu" dever&aacute;,    no decorrer da vida, dependendo das experi&ecirc;ncias vividas, realizar-se,    presentificar-se, atualizar-se. As condi&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o    aqui impeditivas dessa tarefa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <b>rela&ccedil;&atilde;o    do Indiv&iacute;duo com a sociedade</b> &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o praticamente    inexistente. As rela&ccedil;&otilde;es apontadas como necess&aacute;rias e importantes    para o desenvolvimento do homem dizem respeito, fundamentalmente, &agrave;s    rela&ccedil;&otilde;es com os outros homens. N&atilde;o s&atilde;o, no entanto,    rela&ccedil;&otilde;es situadas no tempo hist&oacute;rico, em condi&ccedil;&otilde;es    determinadas de vida, permeadas de significa&ccedil;&otilde;es e linguagens    espec&iacute;ficas, com condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e formas de produ&ccedil;&atilde;o    da sobreviv&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute; a vis&atilde;o de um conjunto de    homens compartilhando esses elementos hist&oacute;ricos e sendo determinados    por esses elementos. O termo social parece se referir apenas &agrave; exist&ecirc;ncia    de outros homens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <b>pr&aacute;tica    profissional,</b> conseq&uuml;&ecirc;ncia destas concep&ccedil;&otilde;es, &eacute;    vista como uma pr&aacute;tica t&eacute;cnica, isto &eacute;, uma pr&aacute;tica    que cont&eacute;m um saber (m&eacute;todos, t&eacute;cnicas e teorias) que auxilia    o desenvolvimento do homem. Auxilia a retomada de um "caminho desviado", auxiliam    a redu&ccedil;&atilde;o do sofrimento, o autoconhecimento necess&aacute;rio    para o equil&iacute;brio e a adapta&ccedil;&atilde;o ao meio social. O trabalho    busca esclarecer, permitir a compreens&atilde;o, favorecer a escuta, conhecimento    de aspectos desconhecidos, explicitar aspectos do indiv&iacute;duo que ele desconhece    etc. N&atilde;o se coloca uma finalidade social ou pol&iacute;tica para essa    pr&aacute;tica. As finalidades est&atilde;o ligadas apenas ao indiv&iacute;duo    e a um movimento que lhe &eacute; pr&oacute;prio, natural, que deve ser conservado    ou reconduzido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pr&aacute;tica    aparece tamb&eacute;m associada &agrave; id&eacute;ia de ajuda ao pr&oacute;ximo,    de aux&iacute;lio, de compreens&atilde;o absoluta, de aceita&ccedil;&atilde;o    total.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ajuda ao outro,    finalidade de adapta&ccedil;&atilde;o, busca de felicidade e do equil&iacute;brio    evidenciam uma no&ccedil;&atilde;o onipotente da profiss&atilde;o. O psic&oacute;logo    parece ter em suas m&atilde;os a possibilidade de fazer do outro um homem feliz,    coloc&aacute;-lo em movimento, estimul&aacute;-lo, acompanhar seu destino, converter    percep&ccedil;&otilde;es em consci&ecirc;ncia, estruturar, transformar, humanizar,    enfim, acredita que muito pode ser feito e muitas mudan&ccedil;as podem ser    operadas com a ajuda do psic&oacute;logo, enquanto portador de um conhecimento    e enquanto ser humano dotado de intui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, encontramos,    contradi torlamente, o discurso: o psic&oacute;logo n&atilde;o muda o homem,    apenas contribui para que ele pr&oacute;prio se modifique. E a onipot&ecirc;ncia    se traveste de humildade absoluta e o psic&oacute;logo nega seu pr&oacute;prio    trabalho. Nega a sua interven&ccedil;&atilde;o como um trabalho, isto &eacute;,    como uma interven&ccedil;&atilde;o dirigida para uma finalidade na qual emprega    sua energia para transformar o que se apresenta naquilo que surge em seu pensamento    como o fim desejado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro aspecto importante    de considerarmos nesta reflex&atilde;o, &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de,    pois tem sido definidora da identidade dos psic&oacute;logos. Sa&uacute;de &eacute;    um conceito que complementa e refor&ccedil;a todas as outras concep&ccedil;&otilde;es.    &Eacute; definida a partir de conte&uacute;dos morais que, em &uacute;ltima    inst&acirc;ncia, nos ajudam a compreender a ess&ecirc;ncia universal e eterna    atribu&iacute;da ao homem. Aparecem, ent&atilde;o, como crit&eacute;rios de    sa&uacute;de: autoconfian&ccedil;a, abertura para as experi&ecirc;ncias, ju&iacute;zo    cr&iacute;tico, esp&iacute;rito contestado, conhecimento de como usufruir os    momentos da vida, de como compartilhar com seus semelhantes, simpatia, solidariedade,    compreens&atilde;o do que &eacute; amar, trabalhar e brincar, viv&ecirc;ncias    de rela&ccedil;&otilde;es afetivas, intera&ccedil;&atilde;o harmoniosa com o    meio, express&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es, afetividade e intelig&ecirc;ncia,    buscas, movimentos constantes, doa&ccedil;&atilde;o, sustenta&ccedil;&atilde;o    de sua pr&oacute;pria fala, contribui&ccedil;&atilde;o a favor da vida, sentimento    de utilidade, promo&ccedil;&atilde;o de seu crescimento pessoal, aut&ocirc;nomo    para ser feliz, exerc&iacute;cio da cidadania, equil&iacute;brio, adapta&ccedil;&atilde;o,    ajustamento ao meio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A defini&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de expressa vis&otilde;es adaptativas, trazendo capacidades que    os homens devem possuir para estar bem; vis&otilde;es naturalizantes, trazendo    um desenvolvimento previsto, esperado, natural do homem; vis&otilde;es m&eacute;dicas,    trazendo estados ideais para o homem sentir-se bem e vis&otilde;es abstratas,    que trazem condi&ccedil;&otilde;es adequadas para se ter sa&uacute;de. Em nenhuma    dessas concep&ccedil;&otilde;es se faz a rela&ccedil;&atilde;o com as condi&ccedil;&otilde;es    de vida a que os homens est&atilde;o submetidos pelo contr&aacute;rio, a maioria    delas carrega a no&ccedil;&atilde;o de que a sa&uacute;de depende de esfor&ccedil;o    pr&oacute;prio do homem. O meio, quando aparece relacionado, surge como terreno    "onde cai a sementinha de homem" e que pode ser um terreno f&eacute;rtil ou    n&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todo esse conjunto    de elementos na vis&atilde;o do fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico, da vis&atilde;o    de homem e de sa&uacute;de n&atilde;o foi, no entanto, inventado na e pela Psicologia.    Estas concep&ccedil;&otilde;es tem seu fundamento na vis&atilde;o liberal dominante,    que possui como valor central o individualismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O liberalismo,    express&atilde;o necess&aacute;ria do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista    est&aacute; fundamentado na id&eacute;ia de que cada individuo &eacute; um ser    moral que possui direitos inalien&aacute;veis, derivados de sua pr&oacute;pria    humanidade. Dotado de potencialidades, deve ser livre para desenvolv&ecirc;-las.    A submiss&atilde;o dos indiv&iacute;duos a condi&ccedil;&otilde;es opressivas    de vida e a vontade arbitr&aacute;rias &eacute; incompat&iacute;vel com a dignidade    humana e com a id&eacute;ia de autonomia do ser humano. Para resolver essa dif&iacute;cil    quest&atilde;o da liberdade dos indiv&iacute;duos, o liberalismo colocou na    Lei a express&atilde;o daquilo que garante a liberdade de cada um, criando,    assim, algo acima de todos, impessoal e objetivo, que garante o controle das    vontades individuais e, consequentemente a liberdade necess&aacute;ria ao desenvolvimento    de cada um.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As teses fundamentais    do liberalismo cl&aacute;ssico s&atilde;o, portanto, os direitos naturais &agrave;    liberdade e &agrave; igualdade e os direitos legais de propriedade e seguran&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O liberalismo se    desenvolveu em nossa sociedade. O positivismo fertilizou o liberalismo com seus    conceitos abstratos e universais de neutralidade, objetividade, progresso, ordem    e desenvolvimento, coes&atilde;o e moral. Esse liberalismo incrementado foi    fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociologia da ordem, na qual    se neutralizaram as contradi&ccedil;&otilde;es existentes na sociedade de classes    e despolitizaram suas manifesta&ccedil;&otilde;es. O positivismo ainda recha&ccedil;ou    o indiv&iacute;duo como categoria de pensamento, entregando-o aos cuidados da    psicologia do ajustamento e da adapta&ccedil;&atilde;o, que o estudou de forma    isolada das condi&ccedil;&otilde;es materiais da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O individualismo,    valor central da ideologia liberal, expressa um pensamento sobre o homem, onde    este n&atilde;o &eacute; concebido como ser social, mas sim como possuidor de    direitos naturais e de propriedades universais. Os indiv&iacute;duos possuem    caracter&iacute;sticas e atributos que se configuram de modo particular, determinando    seu lugar social, seu sucesso ou fracasso na sociedade. Dadas condi&ccedil;&otilde;es    adequadas e liberdade aos condi&ccedil;&otilde;es adequadas e liberdade aos    indiv&iacute;duos, estes s&atilde;o os &uacute;nicos respons&aacute;veis pelo    seu desenvolvimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicologia trabalhou    sob a orienta&ccedil;&atilde;o liberal e positivista, produzindo uma naturaliza&ccedil;&atilde;o    do homem, isto &eacute;, o concebeu a partir da no&ccedil;&atilde;o de natureza    humana; um homem aprior&iacute;stico, que tem seu desenvolvimento previsto pela    sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de homem. Este desenvolvimento pode    ser facilitado ou dificultado pelo meio externo, social e cultural. Um homem    livre, dotado de potencialidades, respons&aacute;vel pelo seu processo pessoal.    O homem foi afastado da realidade social e o fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico    tornou-se uma entidade abstrata. O fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico &eacute;    algo que o homem j&aacute; possui aprioristicamente, pois pertence &agrave;    natureza humana. &Eacute; algo privado e &iacute;ntimo. &Eacute; a ess&ecirc;ncia    do homem. E no decorrer do tempo hist&oacute;rico foi se desenvolvendo o sentimento    de identidade individual e conhecer-se a si mesmo tornou-se uma finalidade.    A psique passou a ser tratada como se tivesse uma vida interior pr&oacute;pria,    devendo ser cuidada e conhecida. A Psicologia teve, ent&atilde;o, um grande    desenvolvimento e import&acirc;ncia na sociedade moderna.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Importante, neste    momento de nossa reflex&atilde;o, registrar que outras vis&otilde;es de homem    e de fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico, foram produzidas no decorrer da hist&oacute;ria    da Psicologia. No Brasil, desde Manoel Bomfim, Ulisses Pernambucano e outros,    se buscou uma concep&ccedil;&atilde;o alternativa &agrave; dominante. Hoje,    encontramos, com freq&uuml;&ecirc;ncia, nos debates entre psic&oacute;logos,    a coloca&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es que p&otilde;em em d&uacute;vida    as "verdades" do liberalismo. Vale registrar que as mudan&ccedil;as sociais    vividas em nossa sociedade nas d&eacute;cadas de 70 e 80, colocaram novas possibilidades    te&oacute;ricas para os psic&oacute;logos, que tinham em suas pr&aacute;ticas,    nos setores p&uacute;blicos de servi&ccedil;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o,    desafios enormes, pois sentiam a necessidade de rever seus conhecimentos, obtidos    nos cursos de Psicologia, para poder efetivamente prestar o servi&ccedil;o.    Estes desafios foram de enorme import&acirc;ncia para que em alguns espa&ccedil;os    da Psicologia se desencadeasse um processo de cr&iacute;tica e de revis&atilde;o    do seu compromisso e dos seus conhecimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Id&eacute;ias e    teorias psicol&oacute;gicas cr&iacute;ticas, inovadoras e conspiradoras convivendo    com uma Psicologia, essa dominante em nosso meio profissional, carregada de    concep&ccedil;&otilde;es liberais, que transforma em entidades as realidades    que apreende. Uma Psicologia que tem transformado todos os problemas que s&atilde;o    sociais, em problemas individuais; que tem reduzido o homem, como ser social    que se constitui nas rela&ccedil;&otilde;es e nas atividades, a um homem isolado,    dotado de potencialidades e natureza humana, como ess&ecirc;ncia universal e    gen&eacute;rica. Uma Psicologia que ignora a realidade pol&iacute;tica e social    das desigualdades. Uma Psicologia que contribui para o ocultamente da realidade    social, na medida em que acredita que esta s&oacute; pode ser compreendida a    partir da realidade individual. Uma Psicologia que enquanto profiss&atilde;o    possui uma t&ocirc;nica individualista, voltada para o patol&oacute;gico e calcada    na cren&ccedil;a de que o indiv&iacute;duo possui possibilidades de sozinho    responsabilizar-se pelo seu processo de individualiza&ccedil;&atilde;o.O esfor&ccedil;o    do autoconhecimento, esfor&ccedil;o este que elimina aspectos exteriores que    dificultam ou impedem o desenvolvimento pleno de potencialidades naturais. Um    homem que, com a ajuda da Psicologia, descobre e conhece seu "verdadeiro eu"    (outro mito da Psicologia Liberal!), tornando forte para enfrentar a realidade,    que por natureza &eacute; algo que se op&otilde;e aos interesses e possibilidades    naturais do desenvolvimento humano. Um homem em choque com a realidade social.    Um homem dividido em dois: um que &eacute; ele mesmo e outro que &eacute; o    estranho. Um que &eacute; natural e outro que &eacute; social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Toda essa reflex&atilde;o    para podermos pensar a forma&ccedil;&atilde;o nessa nova perspectiva. A forma&ccedil;&atilde;o    dos psic&oacute;logos tem sido dominada pela vis&atilde;o liberal de homem.    Temos formado nossos psic&oacute;logos na perspectiva do individualismo, da    naturaliza&ccedil;&atilde;o do homem e do fen&ocirc;meno ps&iacute;quico. Temos    priorizado a pr&aacute;tica cl&iacute;nica nos consult&oacute;rios particulares    (nossas cl&iacute;nicas escola t&ecirc;m se constitu&iacute;do &agrave; imagem    e semelhan&ccedil;a destes consult&oacute;rios e n&atilde;o &agrave; imagem    e semelhan&ccedil;a das institui&ccedil;&otilde;es do servi&ccedil;o p&uacute;blico).    Temos atra&iacute;do jovens que desejam "fazer Psicologia" para ajudar o outro    e conhecer-se a si pr&oacute;prio<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>,    denotando valores individualistas em uma pr&aacute;tica assistencial. N&atilde;o    temos conseguido mudar esses motivos de escolha da profiss&atilde;o, temos apenas,    como demonstrou Mello<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>, aperfei&ccedil;oado    o discurso de nossos alunos, sem alterar os valores subjacentes. Temos fornecido    uma forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica que ensina a atuar de determinada    maneira em determinada situa&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo pouco ou quase    nada a capacidade de lidar com o novo, com o desconhecido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">V&aacute;rias an&aacute;lises    t&ecirc;m apontado que o psic&oacute;logo aprende pouco sobre o que seja o fen&ocirc;meno    psicol&oacute;gico com o qual trabalha, tornando-se dif&iacute;cil a constru&ccedil;&atilde;o    de novos fazeres. Carvalho<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>    analisa esta quest&atilde;o em muitos de seus estudos e nossa pesquisa pode    refor&ccedil;ar essa conclus&atilde;o, mostrando que os psic&oacute;logos n&atilde;o    t&ecirc;m um discurso &uacute;nico ou parecido para designar o fen&oacute;meno    psicol&oacute;gico, mas subjacente &agrave;s diversas defini&ccedil;&otilde;es    est&aacute; uma vis&atilde;o liberal e individualista de homem e do fen&ocirc;meno    psicol&oacute;gico. Essa nossa conclus&atilde;o nos permite avan&ccedil;ar afirmando    que n&atilde;o basta trabalharmos na constru&ccedil;&atilde;o de um psicol&oacute;gico.    Essa nossa conclus&atilde;o nos permite avan&ccedil;ar afirmando que n&atilde;o    basta trabalharmos na constru&ccedil;&atilde;o de um consenso sobre o fen&oacute;meno,    mas &eacute; preciso trabalhar na constru&ccedil;&atilde;o de uma concep&ccedil;&atilde;o    social do psiquismo humano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa concep&ccedil;&atilde;o    social do psiquismo dever&aacute; contribuir para que nossa pr&aacute;tica e    nossas an&aacute;lises da realidade humana possam ser "desvendadoras" das condi&ccedil;&otilde;es    sociais. Estaremos trabalhando para construir uma Psicologia pol&iacute;tica    que, ao fazer seu trabalho, denuncia condi&ccedil;&otilde;es desumanas de vida,    denuncia desigualdades, que at&eacute; agora foram acobertadas por conceitos    psicol&oacute;gicos como diferen&ccedil;as individuais, potencialidades, autonomia    e outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa forma&ccedil;&atilde;o,    o ensino das t&eacute;cnicas deve ser entendido como elemento da praxis. As    t&eacute;cnicas n&atilde;o podem ser ensinadas como elementos fechados em si    mesmos, mas como instrumentos a servi&ccedil;o de uma finalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ensino da pesquisa    deve ter lugar de destaque, construindo uma postura, nos profissionais, de permanente    curiosidade, cr&iacute;tica, insatisfa&ccedil;&atilde;o e busca do novo. A certeza    de que o conhecimento &eacute; hist&oacute;rico e deve acompanhar o movimento    da realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um psic&oacute;logo    em movimento. Essa deve ser a nossa meta. Um psic&oacute;logo aliado da transforma&ccedil;&atilde;o    social, do movimento da sociedade e dos interesses da maioria da popula&ccedil;&atilde;o.    Um psic&oacute;logo inquieto, conspirador, que saiba estranhar aquilo que na    realidade se torna t&atilde;o familiar que chega a ser pensado como natural.    Um psic&oacute;logo em permanente metamorfose<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>.    Um psic&oacute;logo perme&aacute;vel &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es que aceite    o desafio de, coletivamente, produzir alternativas &agrave; Psicologia tradicional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>&Eacute; poss&iacute;vel    esta forma&ccedil;&atilde;o?</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acredito que sim.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o acho    que seja f&acirc;cil ou simples, mas acho que poss&iacute;vel. Cabe aos professores    e &agrave;s entidades da categoria a constru&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o    para essa organiza&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o do novo projeto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gostaria de terminar    sistematizando alguns elementos da forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica que    estamos aqui defendendo:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. &Eacute; preciso    uma forma&ccedil;&atilde;o plural, isto &eacute;, as mais diversas teorias em    Psicologia devem estar sendo ensinadas. No entanto, essa forma&ccedil;&atilde;o    pluralista deve estar acompanhada de uma forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida    que ensine a perspectiva filos&oacute;fica e epistemol&oacute;gica que embasa    cada teoria. Qual &eacute; a vis&atilde;o de homem e qual a vis&atilde;o de    produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento que est&atilde;o embasando essas vis&otilde;es    te&oacute;ricas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aliada a essa discuss&atilde;o,    deve-se compreender a vis&atilde;o de fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico de cada    teoria ensinada. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel se falar do fen&ocirc;meno,    se ensinar a lidar com ele e mesmo a transform&aacute;-lo, sem que se explicite    sua concep&ccedil;&atilde;o. Esta forma&ccedil;&atilde;o abstrata que temos    propiciado precisa ser superada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o que estimule o aluno &agrave; pesquisa. Uma    forma&ccedil;&atilde;o que ensine a perguntar, a estranhar o familiar e buscar    novas respostas. O conhecimento deve ser ensinado como hist&oacute;rico, isto    &eacute;, como um saber produzido para responder a determinadas quest&otilde;es    em um determinado momento da sociedade, por isso um saber em permanente movimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o que ensine a construir projetos a partir    de situa&ccedil;&otilde;es desafiadoras e novas. &Eacute; preciso formar psic&oacute;logos    criativos no sentido de profissionais que sabem, frente a uma nova realidade,    recorrer criativamente ao seu saber.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o em Psicologia colada &agrave; realidade social    brasileira. Uma forma&ccedil;&atilde;o impregnada de realidade. Uma forma&ccedil;&atilde;o    que, ao ensinar as teorias e saberes acumulados, &eacute; capaz de falar da    realidade vivida pela popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Uma forma&ccedil;&atilde;o    que permita a entrada franca da realidade cotidiana. Uma forma&ccedil;&atilde;o    que integre numa leitura ampla as v&aacute;rias dimens&otilde;es desta realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o que ensine t&eacute;cnicas de Interven&ccedil;&atilde;o    como instrumentos a servi&ccedil;o de finalidades amplas. O instrumento deve    ser ensinado como elemento da praxis e n&atilde;o como um elemento fechado em    si mesmo. Os instrumentos t&ecirc;m finalidades; os instrumentos est&atilde;o    a servi&ccedil;o de concep&ccedil;&otilde;es e valores. Devem ser ensinados    de forma cr&iacute;tica, isto &eacute;, desvendando essas rela&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o interdisciplinar em dois sentidos: primeiro    que contemple v&aacute;rias &aacute;reas da ci&ecirc;ncias, fornecendo conhecimentos    que possam enriquecer o conhecimento da Psicologia. Segundo, uma forma&ccedil;&atilde;o    que prepare o profissional para o trabalho coletivo e parceiro com outros profissionais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o cuidadosa e rica em Psicologia. V&aacute;rias    teorias, v&aacute;rias t&eacute;cnicas, pesquisas. S&oacute; uma forma&ccedil;&atilde;o    densa, cuidadosa e diversa poder&aacute; ser fundamento da habilidade de perguntar.    Queremos um psic&oacute;logo que fa&ccedil;a perguntas &agrave; realidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o generalista, com um pequeno grau de especializa&ccedil;&atilde;o    apenas no &uacute;ltimo ano. Os estudantes de Psicologia devem compreender que    o aprendizado da Psicologia implica o conhecimento de todas as suas possibilidades    e contribui&ccedil;&otilde;es. Devem ser formados para serem psic&oacute;logos    capazes de utilizar o conhecimento espec&iacute;fico da Psicologia para interven&ccedil;&otilde;es    que se fizerem necess&aacute;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9.&nbsp;&Eacute;    preciso uma forma&ccedil;&atilde;o cuidadosa, diversa, instigante no treino    da pr&aacute;tica profissional. Nossos est&aacute;gios dever&atilde;o ser revistos,    buscando novos campos, novas institui&ccedil;&otilde;es, novas orienta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. E preciso uma    forma&ccedil;&atilde;o de um profissional comprometido com o seu tempo e sua    sociedade, que trabalhe na promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de desta comunidade.    Um profissional que discuta seu compromisso com a sociedade, um profissional    que retire deste debate a finalidade social de seu trabalho; um profissional    cidad&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bock, A.M.B., Gon&ccedil;alves,    M.G.M et alli <i>-A Psicologia S&oacute;cio-Hist&oacute;rica-</i> mimeo, S&atilde;o    Paulo, 1996</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065593&pid=S1414-9893199700020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Carvalho, A.M.A.    <i>-Atua&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica- alguns elementos para uma reflex&atilde;o    sobre os rumos da profiss&atilde;o e da forma&ccedil;&atilde;o -</i> in Conselho    Federal de Psicologia- Revista Psicologia: Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o,    ano4, no.2/1984, p.7/9</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065594&pid=S1414-9893199700020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chariot, B. <i>-A    Mistifica&ccedil;&atilde;o Pedag&oacute;gica: realidades sociais e processos    ideol&oacute;gicos na teoria da educa&ccedil;&atilde;o</i> -Zahar Ed.,RJ, 1979</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065595&pid=S1414-9893199700020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comiss&atilde;o    de Especialistas de Ensino de Psicologia -MEC/SESU- <i>A Forma&ccedil;&atilde;o    em Psicologia:</i> contribui&ccedil;&otilde;es para reestrutura&ccedil;&atilde;o    curricular e avalia&ccedil;&atilde;o dos cursos, mimeo,</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065596&pid=S1414-9893199700020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conselho Federal    de Psicologia (C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o    Profissional) - <i>Psic&oacute;logo Brasileiro - pr&aacute;ticas emergentes    e desafios para a forma&ccedil;&atilde;o -</i> Ed.Casa do Psic&oacute;logo,    SP, 1994</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065597&pid=S1414-9893199700020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mello, S.L. <i>-    Psicologia e Profiss&atilde;o em S&atilde;o Paulo</i> - Ed.&Aacute;tica, SP,    1975</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065598&pid=S1414-9893199700020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Warde, M.J. - <i>Liberalismo    e Educa&ccedil;&atilde;o -</i> tese de doutoramento, PUC-SP, 1984</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2065599&pid=S1414-9893199700020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i><a name="back1"></a></i><a href="#top1">1</a>    <i> Bock, A.M.B.-As Aventuras do Bar&atilde;o de M&uuml;nchhausen na Psicologia:    um estudo sobre o significado do fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico na categoria    dos psic&oacute;logos - tese de doutoramento em Psicologia Social PUCSP/97    <br>   <a name="back2"></a></i><a href="#top2">2</a> <i>Ver Conselho Federal de Psicologia-    Quem &eacute; o Psic&oacute;logo Brasileiro-Edicon/ EDUC/ Scientia er Labor,    1988, SP    <br>   <a name="back3"></a></i><a href="#top3">3</a> <i>Mello, S.L. - Psicologia e    Profiss&atilde;o em S&atilde;o Paulo -Ed.&Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, 1975    <br>   <a name="back4"></a></i><a href="#top4">4</a> <i>Carvalho, A.M.A.- Atua&ccedil;&atilde;o    Psicol&oacute;gica: alguns elementos para uma reflex&atilde;o sobre os rumos    da profiss&atilde;o e da forma&ccedil;&atilde;o, em Conselho Federal de Psicologia    -Revista Psicologia Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, ano 4, n&uacute;mero 2/    1984, p. 7/9    <br>   <a name="back5"></a></i><a href="#top5">5</a> <i>conceito trabalhado por Ciampa,    A.C. a partir de seu livro: A est&oacute;ria do Severino e a hist&oacute;ria    da Severina- um ensaio em Psicologia Social, Ed.Brasiliense, S&atilde;o Paulo,    1982</i></font></p>      ]]></body>
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