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<journal-title><![CDATA[Psicologia: Ciência e Profissão]]></journal-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top1"></a>Que    profissional queremos formar?<a href="#back1"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Maria Teresa    Castelo Branco</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professor a assistente    do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paran&aacute; - UFPR;    doutora em educa&ccedil;&atilde;o na Universidade Federal de S&atilde;o Carlos    - UFSCar</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo est&aacute;    em plena efervesc&ecirc;ncia. Paradigmas cient&iacute;ficos s&atilde;o rompidos,    o desemprego aumenta, as pessoas adoecem no trabalho, mudam de carreira, enfim,    v&atilde;o se estruturando e sendo impactadas por estes novos processos produtivos.    O objetivo da presente trabalho &eacute; discutir esses novos desafios postos    &agrave; Psicologia por esse contexto de mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo nos remete a tr&ecirc;s quest&otilde;es importantes: a realidade    social que vem demandando a atua&ccedil;&atilde;o deste profissional; a diversidade    te&oacute;rica e metodol&oacute;gica da psicologia; e a situa&ccedil;&atilde;o    do ensino universit&aacute;rio no Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o h&aacute;    como refletir sobre o profissional que se pretende formar sem se analisar a    sociedade onde ele atuar&aacute;, a atividade que exercer&aacute; e a ag&ecirc;ncia    que o educar&aacute;. Cada um destes aspectos ser&aacute; analisado nas suas    especificidades, mas eles se interpenetrar&atilde;o, inevitavelmente, no decorrer    da exposi&ccedil;&atilde;o do assunto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Realidade Social    e Demanda pelo Trabalho do Psic&oacute;logo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sociedade brasileira    apresenta, hoje, algumas caracter&iacute;sticas que devem ser consideradas na    reflex&atilde;o que pretendemos:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;no    seu processo de produ&ccedil;&atilde;o social h&aacute; uma divis&atilde;o do    trabalho que separa os indiv&iacute;duos em classes que se apropriam desigualmente    do produto do trabalho total. O conceito de classes n&atilde;o pressup&otilde;e    grupos estanques de sujeitos, mas antagonismo e inter-depend&ecirc;ncia, em    que uma classe s&oacute; existe em oposi&ccedil;&atilde;o a outra. As rela&ccedil;&otilde;es    sociais s&atilde;o essencialmente heterog&ecirc;neas, de domina&ccedil;&atilde;o    e conflituosas;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;n&atilde;o    pode ser analisada fora do contexto internacional, onde o Brasil tem mantido    posi&ccedil;&atilde;o de subordina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, social    e cultural em rela&ccedil;&atilde;o ao grande capital;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp; separa    trabalho intelectual de trabalho manual, como em qualquer sociedade capitalista,    que provoca uma cis&atilde;o no processo de conhecimento entre teoria e pr&aacute;tica;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp; promove    acesso insuficiente da maioria da popula&ccedil;&atilde;o ao ensino formal;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;&nbsp;sua    hist&oacute;ria gerou uma experi&ecirc;ncia democr&aacute;tica fr&aacute;gil,    com a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da classe trabalhadora constantemente    cerceada, a sociedade civil se organizando lentamente, determinando uma consci&ecirc;ncia    social mais facilmente ideologizada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    de massa;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;&nbsp;apresenta    uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo e &iacute;ndices elevados    de subnutri&ccedil;&atilde;o e desnutri&ccedil;&atilde;o;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;&nbsp;trabalho    infantil precoce, que aumenta a cada dia, e um n&uacute;mero, tamb&eacute;m    crescente, de crian&ccedil;as e adolescentes que vivem nas e das ruas;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp; formas    institucionalizadas de viol&ecirc;ncia cotidiana - contra a crian&ccedil;a,    os velhos, as mulheres, os negros, os homossexuais, os desabrigados, etc;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149;&nbsp;&nbsp;"quase    cem milh&otilde;es de pessoas que vivem na pobreza. Destas, quase 60 milh&otilde;es    sobrevivem em condi&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria e nada menos do que    20 milh&otilde;es em total indig&ecirc;ncia"<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Buarque (1991,    p.17) sintetiza tudo isto no seguinte texto:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O Brasil mostra    uma qualidade de vida pior &agrave; dos mais pobres pa&iacute;ses do mundo:    viol&ecirc;ncias sob todas as formas, mortalidade infantil, desnutri&ccedil;&atilde;o,    baixo n&iacute;vel de escolaridade, p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es    habitacionais, elevado grau de endividamento, aviltamento monet&aacute;rio,    desarticula&ccedil;&atilde;o social, corrup&ccedil;&atilde;o, amplo processo    de prostitui&ccedil;&atilde;o de todos os tipos, inclusive infantil, falta de    solidariedade nacional, vandalismo, falta de confian&ccedil;a no futuro (...)    A quase totalidade da popula&ccedil;&atilde;o na mis&eacute;ria e uma minoria    rica assustada. Uma sociedade violenta e inst&aacute;vel em todos os aspectos.    A pobreza n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno novo. Mas agora ela &eacute;    fabricada, como consequ&ecirc;ncia das decis&otilde;es de moderniza&ccedil;&atilde;o.    A crise urbana foi induzida pela &ecirc;nfase na industrializa&ccedil;&atilde;o;    a moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola agravou a fome; a desigualdade    social deriva das decis&otilde;es econ&ocirc;micas para viabilizar a moderniza&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O quadro &eacute;    de viol&ecirc;ncia e mis&eacute;ria, por&eacute;m, na medida que a sociedade    &eacute; contradit&oacute;ria, mesmo que a exacerba&ccedil;&atilde;o das desigualdades    gere alternativas desagregadoras, infelicidade humana, perda da esperan&ccedil;a,    medo, massifica&ccedil;&atilde;o, enrijecimento dos valores, falta de reciprocidade,    gera, tamb&eacute;m, formas de resist&ecirc;ncia cultural, de organiza&ccedil;&otilde;es    populares, associa&ccedil;&otilde;es, sindicatos etc. H&aacute; sempre movimentos    contra-hegem&ocirc;nicos, que permitem, apesar do institu&iacute;do, que singularidades    e espa&ccedil;os de autogest&atilde;o coletiva se produzam, no trabalho cotidiano    do instituinte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Qual a demanda    pelo psic&oacute;logo nesse cen&aacute;rio nacional? Pressup&otilde;e-se que    a afetividade deva estar fluindo com dificuldade nas rela&ccedil;&otilde;es    hierarquizadas experimentadas pelos indiv&iacute;duos nos seus ambientes de    trabalho, nas escolas, nas fam&iacute;lias, nos hospitais, nos meios de transporte,    nas ruas etc. Por&eacute;m, as institui&ccedil;&otilde;es esperam comportamentos    que mantenham um "equil&iacute;brio" e uma produtividade adequada &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&atilde;o. Se a sa&uacute;de    mental for considerada como um estado de "bem-estar" de sujeitos singulares,    conquistado nas suas rela&ccedil;&otilde;es objetivas, quem demandaria a atua&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo na sociedade? Quem definiria o que &eacute; "bem-estar"?    E em que situa&ccedil;&otilde;es seria poss&iacute;vel ser sujeito, em uma sociedade    que mercantiliza at&eacute; as emo&ccedil;&otilde;es?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A concep&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de mental adotada por grande parte dos psic&oacute;logos isola    o indiv&iacute;duo de sua realidade hist&oacute;rico-social, considerando seus    problemas como frutos de um funcionamento interno ou de um condicionamento externo.    Demonstram uma vis&atilde;o dicotomizada da realidade que ir&aacute; orientar    suas pr&aacute;ticas. Macedo (1984, p.13) chamou o modelo de atua&ccedil;&atilde;o    que adv&eacute;m dessas concep&ccedil;&otilde;es de "cl&iacute;nico tradicional",    no qual as atividades b&aacute;sicas s&atilde;o o diagn&oacute;stico, a terapia,    o aconselhamento e o exame psicot&eacute;cnico. A autora revela o sentido das    demandas pelo trabalho do psic&oacute;logo no contexto das rela&ccedil;&otilde;es    sociais:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"temos de um lado    as classes mais altas, 'intelectualizadas e narcisistas' (Monteiro, 1993) cuja    demanda sempre maior por atendimento psicol&oacute;gico, principalmente terap&ecirc;utico,    reflete uma cultura em que a terapia seria uma sa&iacute;da vi&aacute;vel para    a resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos interiores causados por uma sociedade    tecnol&oacute;gica, desafiadora, competitiva e destitu&iacute;da de espa&ccedil;o    para trocas afetivas entre as pessoas, encerrando-as em si mesmas e na sua solid&atilde;o;    de outro lado temos as classes menos favorecidas, para as quais os problemas    s&atilde;o consequ&ecirc;ncias inevit&aacute;veis das circunst&acirc;ncias externas    para cuja resolu&ccedil;&atilde;o seria destitu&iacute;da de significado uma    interven&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na realidade, o    tratamento psicol&oacute;gico &eacute; dirigido principalmente &agrave; burguesia    nos consult&oacute;rios particulares e &agrave;s classes populares resta o atendimento    psiqui&aacute;trico, como corretivo para o que &eacute; considerado um comportamento    "anormal".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho de Patto    (1987), que faz uma retrospectiva da hist&oacute;ria da psicologia, ressaltando    o caso da psicologia escolar, observa que "a psicologia nasce com a marca de    uma demanda: a de prover conceitos e instrumentos 'cient&iacute;ficos' de medida    que garantam a adapta&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos a nova ordem social"    (a capitalista).(p.96)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O resultado destas    e outras pesquisas demonstram que a sociedade tem demandado o psic&oacute;logo    para atividades de ajustamento social, para aumento da efici&ecirc;ncia dos    indiv&iacute;duos e do sistema. Surge da&iacute;, a preocupa&ccedil;&atilde;o    com os instrumentos de medida que servir&atilde;o para classificar, selecionar,    reeducar e tratar. Ao responder a esse tipo de demanda, o psic&oacute;logo se    compromete com a reprodu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es institu&iacute;das    e funciona como legitimador da desumaniza&ccedil;&atilde;o do homem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, observa-se    que, paralelamente &agrave; demanda social tradicional segmentada em &aacute;reas    - escolar, organizacional e cl&iacute;nica - tem ocorrido, no Brasil p&oacute;s-ditadura    militar, um processo novo de discuss&atilde;o sobre os modelos de atua&ccedil;&atilde;o    psicol&oacute;gica, realizado por algumas gest&otilde;es do Conselho Federal    de Psicologia e Conselhos Regionais, Associa&ccedil;&otilde;es e Sindicatos    da categoria em v&aacute;rios pontos do pa&iacute;s e o Movimento Nacional de    Sa&uacute;de Mental. A luta antimanicomial, a participa&ccedil;&atilde;o dos    psic&oacute;logos nas unidades de sa&uacute;de, nos trabalhos sociais e comunit&aacute;rios    e a assessoria a grupos populares, demonstram que novas possibilidades de atua&ccedil;&atilde;o    t&ecirc;m sido criadas, buscando responder a outros tipos de demanda anteriormente    negadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na medida que se    rompe com as amarras da demanda tradicional, o espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo se amplia, novos empregos se abrem e o profissional necessita    de uma vis&atilde;o de totalidade, capacidade de refazer a pr&aacute;tica e    n&atilde;o simplesmente traj&aacute;-la com novas cores recobrindo um mesmo    conte&uacute;do<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Diversidade    Te&oacute;rica e Metodol&oacute;gica da Psicologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A diversidade te&oacute;rico-metodol&oacute;gica    da psicologia a fragmenta em concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas inconcili&aacute;veis.    V&aacute;rias tentativas de unifica&ccedil;&atilde;o e ecletismo t&ecirc;m sido    realizadas sem sucesso, do ponto de vista da consist&ecirc;ncia te&oacute;rica.    As partes irredut&iacute;veis e aparentemente arbitr&aacute;rias da psicologia,    revelam, se contextualizadas, diferentes vis&otilde;es de homem e de sociedade    poss&iacute;veis em determinados momentos hist&oacute;ricos. Patto (op.cit,    p.87) considera a psicologia como "pseudoci&ecirc;ncia"<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>    e utiliza uma cita&ccedil;&atilde;o de Deleuze (1972, p.47) para explicar que    ela "longe de romper com a ideologia dominante, traz a esta &uacute;ltima o    apoio de seu aparato t&eacute;cnico e seu arcabou&ccedil;o te&oacute;rico".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sa&iacute;da    que muitos psic&oacute;logos encontram para fugir &agrave; cr&iacute;tica e    ao confronto de posi&ccedil;&otilde;es &eacute; a do fechamento dogm&aacute;tico    nos seus referenciais te&oacute;rico-pr&aacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existem v&aacute;rias    psicologias, cada qual com seu desenvolvimento espec&iacute;fico e discuss&otilde;es    internas que merecem aprofundamentos, revis&otilde;es e isol&aacute;-las ou    unific&aacute;-las s&atilde;o tarefas que fragilizam a constru&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. Torna-se urgente conhecer a hist&oacute;ria    da psicologia, com suas implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, ideol&oacute;gicas    e te&oacute;ricas para desvendar suas crises no &acirc;mbito da vida social    e cultural. Figueiredo (1991, p.206) diz:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Uma hist&oacute;ria    da psicologia (entendida como hist&oacute;ria dos conflitos, de suas origens    na vida da sociedade e da cultura, de suas implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas,    ideol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas), ainda por fazer, teria fun&ccedil;&atilde;o    essencial na forma&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo e deveria ser contemplada    em todos os curr&iacute;culos de gradua&ccedil;&atilde;o. Ela seria um instrumento    de auto reflex&atilde;o e auto conhecimento que contribu&iacute;sse tanto para    esclarecer ao futuro profissional o verdadeiro significado da dispers&atilde;o    e desconex&atilde;o das disciplinas e orienta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas    que enfrentou durante o curso, como faz&ecirc;-lo entender o real alcance de    suas op&ccedil;&otilde;es. Se as diferentes matrizes refletem e expressam diferentes    formas de rela&ccedil;&otilde;es humanas, a op&ccedil;&atilde;o individual entre    correntes psicol&oacute;gicas &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, uma    quest&atilde;o &eacute;tica e n&atilde;o cient&iacute;fica, mas n&atilde;o absolutamente    uma quest&atilde;o para qual s&oacute; existam solu&ccedil;&otilde;es irracionais    e arbitr&aacute;rias".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constituir essa    hist&oacute;ria &eacute; ponto de partida para uma re-leitura da psicologia    que contemple diverg&ecirc;ncias. No entanto, o que vem ocorrendo &eacute; uma    dispers&atilde;o cada vez maior, com uma corrida alarmante dos psic&oacute;logos    para alternativas pouco fundamentadas, que expressam, por um lado, desprezo    pelo que aprenderam nas universidades, e por outro lado, uma busca de formas    de oferecer ajuda psicol&oacute;gica que pare&ccedil;am mais eficazes. Em uma    sociedade em que o ser humano sofre restri&ccedil;&otilde;es constantes a sua    singulariza&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;ticas que o levem a um mergulho em si    mesmo podem trazer satisfa&ccedil;&atilde;o imediata, sensa&ccedil;&otilde;es    de encontro com a felicidade e com fragmentos perdidos na sua hist&oacute;ria    de vida. Por&eacute;m, a totalidade almejada &eacute; negada nas rela&ccedil;&otilde;es    concretas e o mergulho em um si mesmo descolado do mundo engana-o, aliena-o,    deixando-o no mesmo lugar, sem transformar o real, que faz parte da constitui&ccedil;&atilde;o    da sua subjetividade; entregue ao institu&iacute;do, viver&aacute; abstratamente    sua "transforma&ccedil;&atilde;o pessoal". Muitas destas pr&aacute;ticas alienantes    fazem parte, hoje, do exerc&iacute;cio profissional de in&uacute;meros psic&oacute;logos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o &eacute;    somente o ensino de uma hist&oacute;ria que permita a cr&iacute;tica &agrave;s    diferentes psicologias que far&aacute; esta pluralidade de concep&ccedil;&otilde;es    avan&ccedil;ar como ci&ecirc;ncia e profiss&atilde;o. Al&eacute;m disso, a forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo deve propiciar a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento    no processo de aprender, transformando a realidade, sistematizando e trocando    id&eacute;ias, atrav&eacute;s de materiais escritos pelos estudantes que gerem    pol&ecirc;mica, re-estudos, novas elabora&ccedil;&otilde;es. Teorias e pr&aacute;ticas    devem se articular. As implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, culturais    e ideol&oacute;gicas das pr&aacute;ticas devem se constituir como pontos de    reflex&atilde;o. Os professores devem se expor, explicitando o fundamento daquilo    que ensinam e a inconsist&ecirc;ncia das teorias que estudam. Mais do que em    qualquer campo do conhecimento, os especialistas precisam desenvolver uma vis&atilde;o    de totalidade e romper com os limites de suas &aacute;reas, problema s&eacute;rio    na psicologia. Patto (op. cit, p.95) recupera a hist&oacute;ria da constitui&ccedil;&atilde;o    da psicologia nas tr&ecirc;s &aacute;reas tradicionais - escolar, cl&iacute;nica    e organizacional - por onde se formam os especialistas, demonstrando como essa    divis&atilde;o foi fruto da demanda social das elites dirigentes:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"(...) uma sociedade    que necessitava (e ainda necessita) de instrumentos para selecionar, orientar,    adaptar e racionalizar (...) No territ&oacute;rio da terapia as coisas n&atilde;o    se passam de modo muito diferente; seu objetivo &eacute; a cura, simples processo    de adapta&ccedil;&atilde;o a normas que mant&eacute;m o status quo e que t&ecirc;m    como valores supremos a sa&uacute;de, a maturidade e o &ecirc;xito, assimilando    amor e produtividade e baseando os valores culturais numa vasta harmonia que    unicamente o indiv&iacute;duo ... poderia romper".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A divis&atilde;o    em &aacute;reas aumenta a fragmenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o psicol&oacute;gico,    contribui para que os diferentes profissionais permane&ccedil;am surdos &agrave;s    demais tarefas que n&atilde;o se referem aos seus claustros. A Universidade    reproduz essa circunst&acirc;ncia e n&atilde;o reinventa uma forma&ccedil;&atilde;o    sem &aacute;reas, onde o psic&oacute;logo n&atilde;o se defina por seu local    de trabalho, mas por ser um profissional que ofere&ccedil;a ajuda psicol&oacute;gica    em qualquer ambiente onde o homem atue. Trata-se de conhecer a atividade humana    na sua totalidade, na sua historicidade, apreendendo a dimens&atilde;o pessoal    na din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es sociais. Qual &eacute; o papel    de um profissional de sa&uacute;de mental? O que seria sa&uacute;de mental?    E por que estas &aacute;reas na psicologia? Quem as definiu? Por que repetimos    incessantemente essa divis&atilde;o? O que estamos legitimando?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Ensino Universit&aacute;rio    no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme Fernandes    (1989), a Universidade vive, h&aacute; algum tempo, uma crise profunda, que    n&atilde;o se expressa somente no desmantelamento de sua infra-estrutura material    e desvaloriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos, mas tamb&eacute;m, na n&atilde;o    produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, que ele chamou de "crise do saber".    A reforma universit&aacute;ria de 1968, no Brasil, direcionou a educa&ccedil;&atilde;o    rumo a tecnocracia, para satisfazer a necessidade de implementar uma moderniza&ccedil;&atilde;o    que respondesse aos interesses do capital internacional. Importou-se "modos    de fazer, viver e pensar modernos" que conviveram com estruturas de poder arcaicas    e riqueza concentrada, determinando aumento da mis&eacute;ria da maioria dos    brasileiros. A Universidade e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa tiveram    que oferecer suporte para esta moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora e "dolorosa",    como foi chamada por Silva (1982). Ainda hoje, o neo-liberalismo d&aacute; continuidade    aos mesmos planos, embora em nova conjuntura pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O modelo de Universidade    tra&ccedil;ado visa a forma&ccedil;&atilde;o de tecnocratas bem preparados para    as exig&ecirc;ncias de um mercado de trabalho escasso e competitivo. Quaisquer    a&ccedil;&otilde;es que tentem romper com essa perspectiva sofrem in&uacute;meras    dificuldades, tanto do ponto de vista dos recursos materiais, como administrativos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A departamentaliza&ccedil;&atilde;o    dos cursos propiciou a forma&ccedil;&atilde;o de verdadeiros "feudos", dificultando    o trabalho interdisciplinar de pesquisa e extens&atilde;o. Ceralmente, o cen&aacute;rio    que se encontra &eacute; de cada professor realizando seu pr&oacute;prio trabalho    individual, respondendo a interesses e rela&ccedil;&otilde;es pessoais, sem    que este possa promover pol&ecirc;mica, reflex&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o    de um conhecimento coletivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo, dada a diversidade te&oacute;rica e metodol&oacute;gica    da psicologia, a situa&ccedil;&atilde;o da Universidade cria obst&aacute;culos    ainda mais dif&iacute;ceis de se transpor. A ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica,    no est&aacute;gio atual, exige pesquisa, extens&atilde;o e ensino reflexivos,    cr&iacute;ticos e engajados. Como atender a esta exig&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>S&iacute;ntese    dos Tr&ecirc;s Aspectos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O psic&oacute;logo    que recebe o seu diploma ap&oacute;s frequentar, no m&iacute;nimo, cinco anos    de aulas na Universidade, enfrenta: dispers&atilde;o no campo do saber psicol&oacute;gico;    fragmenta&ccedil;&atilde;o no processo de trabalho social realizado nas institui&ccedil;&otilde;es,    al&eacute;m de falta de recursos materiais; ilus&atilde;o de uma pseudo-autonomia    do profissional liberal, almejada pela maioria no sonho do consult&oacute;rio    particular; competi&ccedil;&atilde;o acirrada entre os pr&oacute;prios psic&oacute;logos,    na corrida por emprego e posi&ccedil;&otilde;es nas institui&ccedil;&otilde;es    que os demandam e que s&atilde;o escassas; demanda por uma fun&ccedil;&atilde;o    adaptativa, corretiva re-educadora que lhe exigir&aacute; clareza do seu papel    como psic&oacute;logo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">V&aacute;rias pesquisas    t&ecirc;m constatado que o psic&oacute;logo quando n&atilde;o trabalha em consult&oacute;rio    tem grande dificuldade em definir sua identidade. Mello (1975) diz que muitos    psic&oacute;logos n&atilde;o sabem caracterizar o que seria uma atividade cl&iacute;nica    e encontra confirma&ccedil;&atilde;o do resultado de sua pesquisa em Carvalho    (1983), apresentados por Macedo (1984). Carvalho (op. cit.) demonstrou que em    muitas circunst&acirc;ncias onde o psic&oacute;logo estava registrado como tal,    ele n&atilde;o sabia classificar-se em nenhuma &aacute;rea e considerava ineficientes    as t&eacute;cnicas que aprendeu na Universidade para o contexto onde atuava.    O estudo sobre A Inser&ccedil;&atilde;o dos Psic&oacute;logos nas Unidades B&aacute;sicas    de Sa&uacute;de, realizado pelo</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conselho Regional    de Psicologia 06, demonstrou que, al&eacute;m da dificuldade de definir o seu    papel, recriar t&eacute;cnicas e encontrar os referencias te&oacute;ricos adequados,    o psic&oacute;logo, assim como outros profissionais das unidades b&aacute;sicas    de sa&uacute;de, n&atilde;o sabem trabalhar em equipe, compartimentando as a&ccedil;&otilde;es    executadas junto a um mesmo sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estes estudos nos    fazem acreditar que o trabalho dos psic&oacute;logos, na maior parte dos locais    onde atuam, deve estar ocorrendo de acordo com o que se espera deles: a&ccedil;&otilde;es    normalizadoras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a, ao adolescente,    ao velho, ao louco e ao pobre que o impedir&aacute; de "escutar" a fala do outro    e "enxerg&aacute;-lo" como sujeito concreto, com uma hist&oacute;ria individual    e social. Neste sentido, eles estariam atendendo ao mercado de trabalho que    ainda requisita um profissional que remende os "malfeitos" da organiza&ccedil;&atilde;o    social. Esta constata&ccedil;&atilde;o nos aponta que h&aacute; necessidade    de voltar a forma&ccedil;&atilde;o dos psic&oacute;logos n&atilde;o para atender    &agrave;s demandas do mercado, mas para um compromisso &eacute;tico com o ser    humano. Os servi&ccedil;os de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de n&atilde;o    podem ser vistos como uma mercadoria a ser consumida e os profissionais que    atuam nesse campo n&atilde;o devem estar respondendo a rela&ccedil;&otilde;es    mercadol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como diz Freire    (1975), o compromisso de qualquer profissional com a sociedade &eacute; inevit&aacute;vel.    Por&eacute;m a sociedade n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea, voltada para interesses    comuns e para o "bem-estar"de todos. Assim, n&atilde;o h&aacute; neutralidade    poss&iacute;vel. E preciso explicitar o compromisso - "com o qu&ecirc;?", "com    quem"?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Que tipo de profissional    queremos formar nos cursos de psicologia? Comprometido com a mudan&ccedil;a    ou com a legitima&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais? Especialista,    tecnocrata ou conhecedor cr&iacute;tico das teorias psicol&oacute;gicas, produtor    de conhecimento e agente de mudan&ccedil;as? Comprometido com o avan&ccedil;o    da ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica ou amarrado ao dogmatismo de uma ou outra    corrente do pensamento constitu&iacute;do? Preso &agrave;s &aacute;reas espec&iacute;ficas    de atua&ccedil;&atilde;o ou capaz de lidar com quest&otilde;es de sa&uacute;de    mental dentro de uma vis&atilde;o de totalidade da atividade humana?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    Finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o deve    haver d&uacute;vida de que o profissional que pretendemos formar se comprometer&aacute;    com a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. Para tal, n&atilde;o poder&aacute;    legitimar as rela&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia institu&iacute;das na    sociedade. A sa&uacute;de envolve elimina&ccedil;&atilde;o da fome, da mis&eacute;ria,    da subnutri&ccedil;&atilde;o, da ignor&acirc;ncia e de qualquer forma de opress&atilde;o.    O compromisso do psic&oacute;logo s&oacute; poder&aacute; ser com a mudan&ccedil;a    social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ele n&atilde;o    deve ser um especialista, embora um estudioso permanente das situa&ccedil;&otilde;es    nas quais sua pr&aacute;tica esteja implicada; deve desenvolver uma vis&atilde;o    de totalidade, perceber as contradi&ccedil;&otilde;es inerentes a sua pr&aacute;tica,    ajudando aos grupos, indiv&iacute;duos e institui&ccedil;&otilde;es a eliminarem    os processos de desumaniza&ccedil;&atilde;o e aliena&ccedil;&atilde;o respons&aacute;veis    pelo sofrimento ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo deve possibilitar o engajamento do futuro profissional na    sociedade, al&eacute;m da re-elabora&ccedil;&atilde;o do conhecimento constitu&iacute;do.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para uma reformula&ccedil;&atilde;o    dos curr&iacute;culos dos cursos de psicologia n&atilde;o podemos pensar, apenas,    numa nova listagem de conte&uacute;dos a serem ministrados. Devemos encontrar    uma defini&ccedil;&atilde;o de finalidades a partir das quais empreenderemos    um trabalho cont&iacute;nuo de planejamento conjunto das atividades pedag&oacute;gicas.    N&atilde;o devemos eliminar as diferen&ccedil;as te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas,    apesar das finalidades comuns. O trabalho acad&ecirc;mico coletivo deve explicitar    e aprofundar as diverg&ecirc;ncias. Al&eacute;m disso, a exig&ecirc;ncia por    uma articula&ccedil;&atilde;o entre teoria e pr&aacute;tica n&atilde;o poder&aacute;    significar ativismo que diminua o estudo das teorias. Precisamos abarcar, de    forma profunda, todas as matrizes do pensamento psicol&oacute;gico, em uma din&acirc;mica    de trabalho que permita o confronto de pontos de vista e projetos que re&uacute;nam    v&aacute;rios campos do saber. A tradicional grade curricular por disciplinas,    que fragmenta o conhecimento e o faz parecer produzido fora da vida, deve ser    superada. A nova organiza&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo deve provocar    a busca de solu&ccedil;&otilde;es para problemas concretos e gerar a compreens&atilde;o    de que o conhecimento se constr&oacute;i a partir das indaga&ccedil;&otilde;es    que o ser humano se faz e procura responder. Quais os problemas que a psicologia    tem se proposto responder e quais procedimentos te&oacute;rico-pr&aacute;ticos    t&ecirc;m se apresentado a partir de seus esfor&ccedil;os? Quais os pontos que    permanecem obscuros a partir das elabora&ccedil;&otilde;es j&aacute; realizadas,    ou que novas d&uacute;vidas puderam levantar? Que problemas a realidade brasileira    coloca hoje para a psicologia e para os psic&oacute;logos? Que elementos podemos    buscar em outros campos da ci&ecirc;ncia, da filosofia, das artes e do saber    popular para problematizar o pr&oacute;prio campo constitu&iacute;do pela psicologia?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Buarque, C. (1991).    <i>O colapso da modernidade brasileira:</i> e uma proposta alternativa. Rio    de Janeiro: Paz e Terra.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068464&pid=S1414-9893199800030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><i>Carvalho,    A.M.A (1983). Modalidades alternativas de trabalho para psic&oacute;logos rec&eacute;m-formados.    In:</i> Simp&oacute;sio sobre campos recentes em psicologia. <i>SBPC, Bel&eacute;m,    PA.</i></b></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068465&pid=S1414-9893199800030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><i>Deleuse,    D. (1972).</i> La psicologia, mito cient&iacute;fico. <i>Barcelona, Anagrama.</i></b></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068466&pid=S1414-9893199800030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fernandes, F. (1989).    <i>O desafio educacional.</i> S&atilde;o Paulo: Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068467&pid=S1414-9893199800030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figueiredo, L.C.M    (1991). <i>Matrizes do pensamento psicol&oacute;gico.</i> Rio de Janeiro: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068468&pid=S1414-9893199800030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freire, P (1975).    <i>Pedagogia do oprimido.</i> Rio de Janeiro: Paz eTerra.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068469&pid=S1414-9893199800030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Macedo, R.M. (Org.)    (1984). <i>Psicologia e institui&ccedil;&atilde;o:</i> novas formas de atendimento.    S&atilde;o Paulo: Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068470&pid=S1414-9893199800030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><i>Mello, S.L    (1975).</i> Psicologia e Profiss&atilde;o. <i>S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.</i></b></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068471&pid=S1414-9893199800030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Patto, M.H.S (1987).    <i>Psicologia e ideologia:</i> uma introdu&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica &agrave;    psicologia escolar. S&atilde;o Paulo: TA; Queiroz editor.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068472&pid=S1414-9893199800030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Silva, J.G. da.    (1982). <i>A moderniza&ccedil;&atilde;o dolorosa.</i> Rio de Janeiro: Zahar.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068473&pid=S1414-9893199800030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="back"></a><a href="#top1"><img src="/img/revistas/pcp/v18n3/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>     <br>   </b> Maria Teresa Castelo Branco    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Desembargador Motta, 3762, Aptº 401    <br>   Bairro Merc&ecirc;s 80430-200 Curitiba/PR    <br>   Tel.: (041)336-4810    <br>   E-mail: <a href="mailto:machado@ifnet.com.br">machado@ifnet.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i><a name="back1"></a></i><a href="#top1">1</a>.    <i> Este texto foi apresentado em reuni&atilde;o pedag&oacute;gica do departamento    de Psicologia da UFPR, no ano de 1993, com a finalidade de subsidiar discuss&otilde;es    sobre a reformula&ccedil;&atilde;o curricular do curso de psicologia.    <br>   <a name="back2"></a></i><a href="#top2">2</a>. <i>Dados do N&uacute;cleo de    Estudos do Brasil Contempor&acirc;neo, do Centro de Estudos Avan&ccedil;ados    Multidisciplinares da UNB, In: Buarque, C. (1991). O Colapso da Modernidade    Brasileira, Paz e Terra, Rio de Janeiro.    <br>   <a name="back3"></a></i><a href="#top3">3</a>. <i>Conforme o que demonstra a    pesquisa In: Carvalho, C. V. & Silva, L.C. da. (1990). Atua&ccedil;&atilde;o    dos Psic&oacute;logos na Sa&uacute;de P&uacute;blica. Psicologia, Ci&ecirc;ncia    e Profiss&atilde;o, n&deg; 2, 3-4.    <br>   <a name="back4"></a></i><a href="#top4">4</a>. <i>Patto utiliza o termo de Sastre:    "ideologias que sendo regi&otilde;es diferenciadas da ideologia dominante, costumam    ser reconhecidas socialmente&nbsp; como ci&ecirc;ncias". Sastre, C. (1974).    La Psicologia. Buenos Aires.</i></font></p>     ]]></body>
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