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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eu confio no meu marido: estudo da representação social de mulheres com parceiro fixo sobre prevenção da AIDS]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study concerns the social representations of the women in stable relationships about sexuality and prevention of AIDS. Aids’s incidence has been increasing among heterosexuals in stable relationships, especially women, who have been infected mostly by their sexual partners. The research’s purpose was to identify how women in stable relationships elaborate social representations about AIDS and if it has an impact over their prevention practices concerning this disease. It was carried as a descriptive study in which were used indirect observations and non-directive interviews. Were interviewed 20 women between 30 and 40 years who were in close relationships at the time. In the data analysis, a software for quantitative analysis of textual data (ALCESTE) was used. The findings showed that this group of women knows about diseases and how to prevent themselves, but they don’t do that mostly because they feel safe and trustworthy towards their sexual partners. Furthermore, it was observed a division between two clusters: one regarding the house, where they are more secure and the other concerning the street where people who they don’t have a close relationship with would be more vulnerable to HIV.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Eu confio no meu marido: estudo da representação social de mulheres com parceiro fixo sobre prevenção da AIDS</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>I trust my husband:    research of social representations of women in a closed relationship about AIDS    prevention</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>                          <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Andréia Isabel Giacomozzi<sup>I </sup>, Brigido Vizeu Camargo<sup>II </sup></B></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup> Curso    de Pós-Graduação, Universidade Federal de Santa Catarina    <br>   <sup>II </sup> Faculdade de Psicologia, Universidade Federal de Santa Catarina</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="Enda"></a><a href="#end">Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>RESUMO</B></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo refere-se às representações sociais de mulheres com parceiro fixo sobre sexualidade e prevenção a AIDS. A incidência de AIDS tem aumentado entre indivíduos com relações heterossexuais estáveis em regime de conjugalidade, e, em se tratando de mulheres, a maioria tem se contaminado por intermédio do parceiro. O objetivo da pesquisa foi verificar como as mulheres com relacionamento fixo elaboram suas representações sociais sobre AIDS e se isso tem repercussão nas suas práticas de prevenção à doença. Trata-se de um estudo descritivo, no qual foi empregada a técnica de observação indireta por meio de entrevistas “semidiretivas”. Foram entrevistadas 20 mulheres entre 30 e 40 anos que mantinham relações fixas em regime de conjugalidade no momento da entrevista. Para a análise do material coletado, foi utilizado um <i>software</i> de análise quantitativa de dados textuais (ALCESTE). Os resultados demonstraram que as mulheres mostramse conhecedoras da doença e informadas a respeito de práticas preventivas, não apresentando, porém, o uso de proteção no seu relacionamento conjugal em virtude de um sentimento de segurança no casamento e da confiança no parceiro. Verificou-se também uma divisão de duas instâncias: a da casa, onde elas se encontram mais seguras, e a da rua, que segundo elas é onde as pessoas que não têm um relacionamento fixo estariam mais expostas ao vírus do HIV.</font></p>       <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Palavras-chave:</B> Representações sociais, Sexualidade, Mulheres, AIDS, Conjugalidade.</font></p>  <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present study concerns the social representations of the women in stable relationships about sexuality and prevention of AIDS. Aids’s incidence has been increasing among heterosexuals in stable relationships, especially women, who have been infected mostly by their sexual partners. The research’s purpose was to identify how women in stable relationships elaborate social representations about AIDS and if it has an impact over their prevention practices concerning this disease. It was carried as a descriptive study in which were used indirect observations and non-directive interviews. Were interviewed 20 women between 30 and 40 years who were in close relationships at the time. In the data analysis, a software for quantitative analysis of textual data (ALCESTE) was used. The findings showed that this group of women knows about diseases and how to prevent themselves, but they don’t do that mostly because they feel safe and trustworthy towards their sexual partners. Furthermore, it was observed a division between two clusters: one regarding the house, where they are more secure and the other concerning the street where people who they don’t have a close relationship with would be more vulnerable to HIV.</font></p>       <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Keywords:</B> Social representations, Sexuality, Women, AIDS, Stable relationships.</font></p>   <hr noshade size="1">      <P>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdução</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo o Boletim Epidemiológico de 2002, publicado pelo Ministério da Saúde, o número de mulheres contaminadas com o vírus da AIDS<sup><a name="1"></a><a href="#1a">1</a></sup> tem crescido a cada ano e, na maioria dos casos, por intermédio de relações heterossexuais. Entre as décadas de 80 e 90 as mulheres maiores de 13 anos contaminadas pela relação heterossexual perfaziam um total de 61,1%. No ano de 2002 essa porcentagem elevou-se a 93,5%.<sup><a name="2"></a><a href="#2a">2</a></sup></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, o número    de casos de AIDS é de 257.780 pessoas (notificados desde 1980), sendo que, destas,    66,61% (185.061) são homens e 26,17% (72.719) são mulheres. Entretanto, nota-se    que, a cada boletim epidemiológico o número de mulheres infectadas aumenta gradualmente.    Observou-se, também, a redução da participação das categorias “homo/bissexual”,    de 44,5% nas décadas 80 a 90 para 16,3% no ano de 2002, ao mesmo tempo em que    houve incremento da categoria “heterossexual” de 16,4%, nas décadas de 80 a    90, para 58,0 % em 2002.<sup><a name="3"></a><a href="#3a">3</a></sup></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dados revelam    um aumento dessa epidemia, principalmente entre indivíduos heterossexuais com    parceiro fixo, em regime de conjugalidade. Faz-se, portanto, necessário investigar    os fatores determinantes na propagação dessa doença entre este grupo de pessoas.    Assim, esta pesquisa pretende estudar os aspectos interacionais da epidemia    da AIDS, no âmbito da intimidade e da conseqüência da confiança existente no    ambiente privado dos lares, sob o ponto de vista das mulheres.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O foco desta pesquisa    é a representação social de mulheres com relacionamento fixo sobre sexualidade    e AIDS. O trabalho se fundamenta na teoria das representações sociais de Serge    Moscovici (estudo sistemático das teorias do senso comum) e no gênero como categoria    de análise.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">É importante entendermos    que para as mulheres a representação social da AIDS, ou seja, seu conhecimento    elaborado cotidianamente, configura-se de forma diferente do que para os homens.    Como exemplo temos a pesquisa de Camargo (2000), que estudou a representação    da AIDS entre estudantes universitários. Mesmo com a prevenção da AIDS estando    relacionada com a prevenção sexual, homens e mulheres associaram a AIDS com    promiscuidade. Porém as mulheres parecem atribuir à desinformação o fato de    as pessoas contraírem o vírus, enquanto os homens têm a tendência de pensar    que a infecção pelo vírus HIV se dá por um descuido do indivíduo contaminado.    Faz-se necessário, então, estudar a representação social das mulheres sobre    AIDS de maneira mais aprofundada, para acrescentar dados à literatura a respeito    da sexualidade feminina e da transmissão heterossexual do vírus, possibilitando    ainda um melhor direcionamento das campanhas de prevenção a essa epidemia.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Algumas pesquisas,    como as de Carvalho (1998); Tura, (1998); Madeira (1998), demonstram que o cuidado    com a AIDS está pautado em relações em que predomina um sentimento de desconfiança,    enquanto nas relações conjugais essa desconfiança inexiste ou é diminuída, pois    o perigo da AIDS está relacionado ao “outro” em quem se desconfia.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A AIDS no universo feminino</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A AIDS é o primeiro caso de doença cujas histórias social e médica se desenvolveram conjuntamente, pois a ausência de referenciais médicos ocasionou uma primeira qualificação social da doença, gerando uma série de especulações sobre a mesma. (JODELET, 1998).</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os primeiros casos    de AIDS, notificados na década de 80, foram identificados em homossexuais masculinos,    fato que acabou por contribuir com a visão de que essa síndrome seja vista como    um problema relacionado ao gênero masculino. A AIDS, então, foi definida como    uma doença “gay”, levando a sociedade como um todo a se ver longe da doença,    deixando inclusive de lado a possibilidade de ocorrer a transmissão do vírus    às mulheres.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os fatores de contaminação pelo vírus HIV estiveram durante muito tempo diretamente ligados ao modo de vida das pessoas “censuráveis” pela sociedade, como homossexualismo, bissexualismo, uso da droga injetável, por isso as autoridades de saúde e os setores conservacionistas da sociedade não investiram nessa área.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Amaro (1995), há até uma década nos EUA, as mulheres ainda não tinham tomado conhecimento da AIDS como uma real ameaça: “Em 19 de junho de 1991 o New York Times publicou uma página inteira com o anúncio: ‘Mulheres não pegam AIDS, elas somente morrem disso’, para enunciar que as mulheres tinham ignorado até então a epidemia da AIDS”<sup><a name="4"></a><a href="#4a">4</a></sup> (AMARO, 1995, p. 2). Hoje em dia, entretanto, passadas duas décadas do surgimento da doença, temos a contaminação de pessoas de todas as idades, de vários níveis socioeconômico, cultural, racial, e os números mostram que a AIDS não é só uma doença masculina.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O aumento do número    de mulheres infectadas é bastante preocupante, visto que nem sempre os números    oficiais revelam a realidade (há um problema histórico de subnotificação de    doenças infecto-contagiosas no Brasil), e, sobretudo, à medida que cresce o    número de casos de AIDS em mulheres, aumenta também o risco de nascerem bebês    contaminados, colocando em risco o futuro da população.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Leary e Cheney (1993), para as mulheres, a AIDS representa uma tripla ameaça: 1) assim como o homem, a mulher pode se contaminar com o HIV e pode, posteriormente, ficar doente de AIDS; 2) quando contaminada, a mulher pode transmitir a infecção para o seu bebê durante a gravidez, e ele poderá desenvolver a doença; 3) a responsabilidade de cuidar das pessoas doentes recai tradicionalmente sobre a mulher. É ela quem carrega esse fardo quando alguém do seu círculo familiar fica com AIDS.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando a mulher adoece, portanto, geralmente não tem quem cuide dela. Além disso, muitas delas são abandonadas pelo parceiro ao manifestarem os sintomas da doença.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A mulher, além de cuidadora de todos, pode ser uma disseminadora da infecção. E acima de tudo ela é o elemento polarizador da família, que diante do seu contágio fica desestruturada e fragilizada, podendo ainda haver uma desagregação da mesma. (WESTRUPP, 1997).</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A situação se agrava    com a história da nossa sociedade, que tradicionalmente reconhecia implicitamente    o direito ao homem de fazer sexo com mais de uma parceira e negava explicitamente    a existência em número significativo de homens que fossem ao mesmo tempo homossexuais    e tivessem uma esposa ou parceira. A esse respeito, Foucault (1985, p. 171)    comenta que:</font></p>      <blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O adultério era juridicamente condenado e moralmente reprovado a título da injustiça que era feita por um homem àquele cuja mulher ele desencaminhava. O que constituía uma relação fora do casamento era o fato de a mulher ser casada, e apenas este fato; por parte do homem, o eventual estado de casado não deveria intervir [...]".</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A infecção do HIV    pelas mulheres foi durante muito tempo negligenciada pela sociedade, segundo    Guimarães (1996), isso se deve a quatro fatores: o bissexualismo masculino com    maior aceitabilidade do que o homossexualismo; o pouco reconhecimento da sexualidade    da mulher, a não ser para a reprodução; o atraso dos profissionais da área médica    no reconhecimento da fisiologia das mulheres diante das doenças sexualmente    transmissíveis (DSTs) em geral e HIV/AIDS em particular, possibilitando, assim,    o estabelecimento de diagnósticos errôneos ou tardios; e, por último, a possibilidade    de a própria mulher ser um risco diante da epidemia da AIDS, principalmente    as pertencentes à classe social menos favorecida, tendo em vista sua posição    inferior em relação aos homens e sua baixa auto-estima.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Teoria das representações    sociais</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A teoria das representações sociais se originou na Europa, a partir da publicação feita por Serge Moscovici (1961) da obra <i>La Psychanalyse: Son image et son public</i>. Nessa obra, o autor estuda a representação social da psicanálise, com o objetivo de compreender como a teoria psicanalítica se disseminava de formas diferentes em diversos grupos.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Abric (1998, p. 27), a teoria das representações sociais abandona a distinção clássica das abordagens behavioristas, entre sujeito e objeto, e o que se convencionou chamar de “realidade objetiva”:</font></p>      <blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Nós propomos que não existe uma realidade objetiva a priori, mas sim que toda realidade é representada, quer dizer, reapropriada pelo indivíduo ou pelo grupo, reconstruída no seu sistema cognitivo, integrada no seu sistema de valores, dependente de sua história e do contexto social e ideológico que o cerca".</font></p> </blockquote>  </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A representação    é mais que um reflexo da realidade, ela é uma entidade organizadora dessa realidade,    que rege as relações dos indivíduos com seu meio físico e social, determinando    suas práticas. Além disso, ela orienta as ações e as interações sociais, pois    determina um conjunto de antecipações e expectativas.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Moscovici diferencia    dois universos: o <i>consensual</i>, formado pelo senso comum e pelas características    da realidade coletiva, e o reificado, formado pelos especialistas, técnicos    e cientistas. Segundo Bangerter (1995), o primeiro se caracteriza por ter baixa    estabilidade, depender do conhecimento externo, ter definições polissêmicas    ser “profano” e exotérico (conhecimento aberto), enquanto o segundo corresponderia    ao “sagrado”, ao científico, por ser formal com definições estritas, possuir    alta estabilidade, ser “esotérico” (conhecimento fechado) e não depender do    conhecimento vindo de fora. As representações sociais correspondem ao universo    consensual. Essa é outra grande diferença entre a teoria de Moscovici e o que    se vinha fazendo até então, pois a maior parte das pesquisas em cognição social    estava mais interessada em entender como lidamos com o conhecimento social reificado,    e Moscovici se propõe a resgatar o conhecimento da cognição social, investigando    o saber do senso comum. As representações sociais centram-se, portanto, no estudo    do senso comum, que ele define como: “aquela soma de conhecimentos que constituem    o <I>substratum</I> de imagens e significados sem os quais nenhuma coletividade pode    operar” (MOSCOVICI, 1985, p. 8).</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de um estudo descritivo, no qual foi empregada a técnica de observação indireta por meio de entrevistas “semidiretivas”, com intuito de coletar dados textuais como indicadores de RS e de práticas sociais de mulheres com e sem parceiros fixos diante da prevenção da AIDS. Foram entrevistadas 20 mulheres que no momento da pesquisa possuíam um parceiro fixo, estando em regime de conjugalidade. As participantes são mulheres que freqüentam o serviço de ambulatório de ginecologia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina – HU-UFSC, estando na faixa etária entre 30 e 40 anos de idade. Para a analise dos dados foi utilizado o <I>software</I> ALCESTE – (Análise Lexical Contextual de um Conjunto de Segmentos de Texto)<sup><a name="5"></a><a href="#5a">5</a></sup>. Esse programa foi utilizado para organizar e classificar dados textuais obtidos por entrevistas, por meio de uma análise hierárquica descendente. Esse tipo de análise permite a repartição do corpus original em corpus derivados (classes), em função da semelhança entre as unidades de contexto elementares do texto (UCE). A descrição do conteúdo do texto é feita por meio das palavras associadas a cada classe e do contexto de ocorrência das mesmas, ou seja, das UCE características de cada uma das classes obtidas (NASCIMENTO-SCHULZE e CAMARGO, 2000). O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o protocolo 008/2003.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discussão de    resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As perguntas que orientaram a produção deste material foram as seguintes: 1) O que você pensa a respeito da prevenção da AIDS?; 2) Você acha que se previne o suficiente da AIDS?; 3) O que é confi ança para você?; 4) Você poderia me contar algum fato que tenha lhe impressionado sobre AIDS?</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse <i>corpus</i>    analisado foi composto de 20 unidades de contexto iniciais (UCI), representando    20 entrevistas. Ele foi dividido em 532 unidades de contexto elementar (UCE)    e a análise hierárquica descendente levou em conta todas as 532 UCE, ou seja,    100% do total. </font></p>        <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Houve, neste <i>corpus</i>,    um total de 24.530 ocorrências e 3.701 formas distintas de palavras, indicando    uma média de 7 ocorrências por palavra. Para a análise que segue foram consideradas    palavras com freqüência igual ou superior à média e <font face="Symbol">c</font>2>3,84.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conscientização    das pessoas e prevenção da AIDS</b></font></p>        <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta classe organiza-se    em torno do que as entrevistadas consideram importante para o aumento da prevenção    da AIDS entre as pessoas e para a melhoria das campanhas de prevenção (ver Tabela    I).</font></p>      <blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Eu acho que deveria haver mais divulgações sobre prevenção<sup><a name="6"></a><a href="#6a">6</a></sup> de AIDS para as pessoas se conscientizarem mais do que é a AIDS, para ver se pelo menos diminui um pouco os números de aidéticos" (D., 30 anos, segundo casamento, 2 filhos, primeiro grau).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo as entrevistadas, ainda falta muita consciência da população a respeito da prevenção da AIDS, as pessoas precisam estar mais conscientes dos riscos reais que o vírus HIV apresenta para não se arrependerem depois de terem tido algum comportamento de risco.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Eu disse a ela        que eles não deveriam ter feito isso, e ela disse que estava com muita vontade,        mas agora está com medo até de engravidar. Então eu penso que a falta de        consciência faz com que as pessoas não se cuidem, porque hoje em dia na        minha opinião as pessoas não estão tão conscientes, e eu penso que a campanha        do HIV deveria tocar mais as pessoas (L ., 32 anos, 2 filhos, segundo casamento,        primeiro grau)".</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se que as entrevistadas falam impessoalmente sobre a questão da prevenção da AIDS, sempre remetendo aos outros a necessidade da consciência e da adoção de comportamentos mais seguros, tendo, portanto, uma baixa percepção da autovulnerabilidade.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Dentro de casa    existe segurança e proteção</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conteúdo da classe 5 (ver Tabela 2) indica que as entrevistadas se sentem prevenidas da AIDS e que têm sentimento de segurança no casamento, concebendo suas casas como um instância segura e de proteção. Mas demonstram preocupação e medo de contrair o vírus de alguma outra forma, tal como em uma transfusão de sangue ou em um procedimento hospitalar.</font></p>      <blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Mas casada com um homem fiel e de confiança em um casamento seguro, não tem risco. Sinto-me sexualmente prevenida, mas eu sei que em uma transfusão de sangue eu posso pegar AIDS além de outras formas, então não posso me sentir totalmente prevenida, mas com relação a meu marido em casa, estou totalmente segura (M., 31 anos, casada há 12 anos, 3 filhos, segundo grau)".</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Barbosa    (1999), não existe percepção de risco entre mulheres dos setores populares,    porque elas constroem sua identidade em um sistema de representações no qual    o valor mais alto é o da família e da casa, ocorrendo uma sobreposição do valor-família    em relação ao valor-indivíduo, o que torna impossível, para essas mulheres,    reconhecer tal possibilidade no seio da família, sob o risco de perderem a sua    identidade social. </font></p>        <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistadas    relatam ainda um sentimento de insegurança perante os dias atuais para aqueles    que são solteiros e não têm uma relação fixa, projetando mais uma vez o risco    para os "outros" aqueles que não pertencem ao seu grupo.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Então eu sinto que no meu casamento eu estou mais segura e mais protegida, de repente se eu fosse solteira hoje e meu namorado tivesse relação comigo e com outras pessoas daí sim eu correria risco de contrair AIDS" (M., 31 anos, casada há12 anos, 3 filhos, segundo grau).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Prevenir? Só    a gravidez</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na classe 6 o material textual remete ao fato de as mulheres usarem anticoncepcionais orais no casamento e atribuírem importância ao uso da camisinha, para a prevenção de doenças sexualmente transmissíeis, somente para pessoas que não tiverem um relacionamento fixo, ou para quando um homem casado trair a esposa. Aqui, elas distinguem dois universos: o da mulher dentro de "casa"e o das mulheres da "rua".</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mulheres associam ao universo masculino o fato de terem mais tendência a trair e a ter muitas parceiras, referem-se aos homens em geral como sendo traidores em potencial, mas, quando falam do seu marido, colocam-no em um lugar diferente, assegurando que ele é diferente dos demais.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Acho que a proteção        depende do casamento, porque tem muito <i>marido</i> por aí que tem <i>mulher</i> fora,        na <i>rua</i>, então cada caso é um caso. Eu sei de <i>muitos</i> casos que o <I>marido</I> tem        a <i>mulher</i> em casa e tem <i>mulher</i> na rua também, então a <I>mulher</I> dele tem que        se <I>prevenir</I> e usar <I>camisinha</I>" (Z., 34 anos, casada há 7 anos, 1 filha, primário        incompleto).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para estas mulheres, a camisinha (ver Tabela 3), quando usada dentro do casamento, é encarada como um método anticoncepcional e não como meio de evitar o contato com doenças sexualmente transmissíveis.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t3.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Uso camisinha, mas como anticoncepcional. E da família do meu marido são oito homens, e destes, dois que não sabemos estão fora do trilho, traem suas esposas, mas não usam camisinhas. Das pessoas que eu conheço, é difícil encontrar aquelas que usam camisinha para prevenir uma doença, se usam, é mais para prevenir uma gravidez" (T., 39 anos, casada há 13 anos, 1 filho, segundo grau).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Eu confio no    meu marido</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A classe 2 mostra a confi ança que as mulheres depositam nos parceiros (ver Tabela 4), que segundo elas é a certeza de que eles não têm relações extraconjugais e de que existe uma certa "cumplicidade" entre o casal que garante isso.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t4.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Sempre conversamos sobre isso, e às vezes, quando a gente aborda o assunto de que aconteceu uma traição em um casal nós achamos terrível e sabemos que com a gente não vai acontecer porque confi amos um no outro" (M., 31 anos, casada há 12 anos, 3 filhos, segundo grau).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa certeza muitas    vezes é corroborada pelo fato de o marido não ir a nenhum lugar sem a esposa,    e de o casal viver bem e não brigar. A desconfiança aparece relacionada a brigas    dentro do casamento o que perturbaria o bom andamento das coisas.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Então eu também sei que ele não faz isso, não sai com os amigos, ele vai do serviço para casa ou vai à academia treinar, perto de casa também. Eu confi o nele por isso. E por isso a gente não briga por que não tem desconfi ança, a confi ança é muito boa para o casamento" (M., casada há 15 anos, segundo grau, 35 anos, 1 filho).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Barbosa (1999),    a obtenção de prazer para a mulher guarda uma dimensão de cumplicidade e entrega,    que são viabilizados pelo amor e pelos laços de confiança. O afeto pelo companheiro    e a confiança no relacionamento impulsionam a busca pelo prazer das mulheres.    Neste modelo de relacionamento, baseado no companheirismo, percebido como algo    construído por duas pessoas, a infidelidade romperia esta confiança, de forma    que se torna muito difícil questioná-la, mesmo para as mulheres que se consideram    vivendo relações mais igualitárias e prazerosas.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Proximidade com    pessoas contaminadas e garantia da fidelidade no casamento</B></font></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A classe 4 se refere    à proximidade de comportamentos de risco por pessoas conhecidas, amigos e parentes    (ver Tabela 5). As entrevistadas trazem os comportamentos de risco associados    aos homens em geral. Eles estariam mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis    pelos comportamentos mais impulsivos e inconseqüentes em busca do prazer.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t5.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <blockquote>      <blockquote>         <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Mas eu acho que        se a mãe está falando é para o bem da filha, porque depois ela pode vir        a pegar uma doença, mas ela não liga. Tem uma outra amiga minha que o marido        dela anda em boates, em zona, e há um tempo atrás ele esteve com um problema        nas partes íntimas dele, ela me contou que estava saindo pus do pênis e        também estava saindo uns pedaços de pele" (S., 32 anos, casada há 14 anos,        3 filhos, sexta série).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistadas falam da proximidade com pessoas contaminadas pelo vírus do HIV e das conseqüentes rotinas nos hospitais.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"A gente ficou até        bem surpresos porque faz três anos que meu pai ficou doente e ficou internado        durante um mês aqui no hospital universitário e só então a gente foi descobrir        que o que realmente ele tinha era AIDS" (S., 30 anos, casada há 12 anos,        3 filhos, segundo grau).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para elas é importante    que se garanta a fidelidade dentro da relação conjugal. Ela pode ser comprovada    por hábitos, como o de ir da casa para o trabalho e vice-versa.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Ele confia        em mim porque eu não trabalho, fico em casa e só saio uma vez por mês para        vir na casa da minha família. E ele, quando não trabalha fica em casa direto        ou vem aqui para a casa da minha família no pantanal, ele é quieto, não        gosta de bagunça, nem nas festas de família nós não vamos, somos bem parados        mesmo" (S., segundo casamento, sexta série, 30 anos, 2 filhos).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Sexo, amor, carinho    e companheirismo no casamento</B></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na classe 3, conforme a Tabela 6, as mulheres entrevistadas relacionam sexo a companheirismo, respeito, carinho e mostram que conversam com seus companheiros sobre tudo isso.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"E com outros        casais que têm confiança e companheirismo a coisa fica mais pensada, mais        sustentada. Com certeza a confiança sustenta a relação, eu penso assim,        eu sinto isso. E o sexo logicamente vem em conseqüência do amor que um sente        pelo outro e do resto todo, confiança, respeito e companheirismo" (R., 37        anos, sem filhos, mestranda).</font></p> </blockquote>  </blockquote>       <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/1a03t6.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Elas compreendem ainda que é importante que o sexo aconteça com alguém que se conheça bem para se sentirem seguras. Relatam também a importância de casar e constituir uma família para as mulheres e a importância que o sexo tem para os homens.</font></p>      <blockquote>      <blockquote>         <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Para o homem o        sexo é muito importante. Eu quando casei, foi com este intuito de construir        família, de ser esposa, amiga, amante. Eu pedia muito para Deus que colocasse        um homem na minha frente que fosse honesto comigo, não precisava ser rico        nem bonito, mas que fosse educado comigo, carinhoso e um bom parceiro para        mim" (V., 40 anos, 1 filho, segundo grau incompleto).</font></p> </blockquote>  </blockquote>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Faria (1998),    a sexualidade nos coloca diante da dialética entre generalização e especificidade,    ela é, portanto, uma experiência histórica e pessoal ao mesmo tempo. E, mesmo    considerando todas as diferenças entre cada mulher entrevistada, podemos dizer    que todas elas têm em comum a vivência do sexo em uma sociedade machista e patriarcal,    em que a mulher relaciona sexo com amor e carinho enquanto considera a traição    um elemento natural do universo masculino, embora não atribua esse comportamento    a seu marido.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considerações    finais</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em relação ao <i>corpus</i>    analisado, obtivemos aspectos da representação social desse grupo de mulheres    sobre prevenção da AIDS. As entrevistadas acreditam que a falta de consciência    das pessoas é a maior responsável pela contaminação pelo vírus HIV, considerando    a prevenção da AIDS uma coisa fundamental para todas as pessoas nos dias atuais,    exceto para elas mesmas, visto que se sentem protegidas dentro do casamento,    pois confiam em seus maridos. A confiança para elas é a certeza de que seus    maridos não as traem e de que não as contaminarão com nenhuma doença sexualmente    transmissível, portanto é desnecessário o uso de preservativos em um casamento    confiável.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verificou-se também uma divisão de duas instâncias: a da casa, onde elas se encontram mais seguras, e a da rua, que segundo elas é onde as pessoas que não têm um relacionamento fixo estariam mais expostas ao vírus do HIV.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se que,    apesar da associação traição/contágio estar presente em vários momentos, as    mulheres não identificam o risco pessoal para o HIV e para as doenças sexualmente    transmissíveis, pois a traição não está identificada com o próprio marido, mas    com um comportamento masculino definido socialmente, que elas têm incorporado.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas contradições    entram em jogo quando se trata de negociação sexual em relacionamentos fixos,    portanto, precisam ser consideradas em programas que visam à prevenção e à intervenção    junto a essa população. Tais programas poderiam privilegiar o trabalho com casais,    pois essas questões envolvem ambos os parceiros, com suas significações, crenças,    tabus e preconceitos difíceis de serem modificados. Dessa forma, trabalhar a    prevenção exclusivamente com um dos sexos é desconsiderar o caráter relacional    constituinte dos gêneros e depositar sobre as mulheres a responsabilidade de    negociar com seus parceiros práticas de sexo seguro, sendo que elas mesmas ainda    possuem dificuldade de se visualizarem em uma posição de risco.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Referências</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ABRIC, J. A abordagem estrutural das representações sociais. In: Moreira, A. S. P. <b>Estudos interdisciplinares de representação social</b>. Goiânia: AB, 1998. p. 27-38.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196107&pid=S1516-3687200400010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______________. O Estudo experimental das representações sociais. In: Jodelet, D. (Org.). <b>As representações sociais</b>. Rio de Janeiro: UERJ, 2001. p. 155-172.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196108&pid=S1516-3687200400010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AMARO, H. Love, sex, and power: considering women’s realities in HIV prevention. <b>American Psychologist</b>, v. 50, n. 6, june 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196109&pid=S1516-3687200400010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BANGERTER, A. Rethinking the relation between science and common sense: a comment on the current state of ST theory. <b>Papers on social representations</b>. Threads of discussion, electronic version, v. 4, 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196110&pid=S1516-3687200400010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARBOSA, M. R. Negociação sexual ou sexo negociado? Poder, gênero e sexualidade em tempos de AIDS. In: Barbosa, Regina M.; Parker, Richard (Orgs). <b>Sexualidades pelo avesso</b>: direitos, identidades e poder. Rio de Janeiro: IMS/UERJ. São Paulo: Ed. 34, 1999.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196111&pid=S1516-3687200400010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CAMARGO. Sexualidade e representações sociais da AIDS. <b>Revista de Ciências Humanas</b> – Especial. Florianópolis: EDUFSC, 2000. p. 97-110.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196112&pid=S1516-3687200400010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CARVALHO, M. Eu    confio, tu prevines, nós contraímos: uma (psico)lógica (im)permeável à informação?    In: Madeira, M.; Jodelet, D. (Org.), <b>AIDS e representações sociais</b>: a    busca de sentidos. Natal: EDUFRN, 1998. p. 89-94.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196113&pid=S1516-3687200400010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FARIA, N. (Org.). Sexualidade e gênero: uma abordagem feminista. <b>Cadernos Sempreviva</b>. São Paulo, 1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196114&pid=S1516-3687200400010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FARR, R. Representações sociais: a teoria e a sua história. In: JOVCHELOVITCHT, S. (Org.). <b>Textos em representações sociais</b>. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 31-59.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196115&pid=S1516-3687200400010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOUCAULT, M. <b>O cuidado de si</b>. Rio de Janeiro: Graal, 1985.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196116&pid=S1516-3687200400010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GUIMARAES, K. Nas raízes do silêncio: a representação cultural da sexualidade feminina e a prevenção do HIV/AIDS. In: PARKER, R.; GALVÃO, J. (Orgs.). <b>Quebrando o silêncio</b>: mulheres e AIDS no Brasil. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: ABIA:IMS/UERJ, 1996. p. 89-113.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196117&pid=S1516-3687200400010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JODELET, D. Representações do contágio e a AIDS. In: MADEIRA, M.; JODELET, D. (Orgs.). <b>AIDS e representações sociais</b>: a busca de sentidos. Natal: EDUFRN,1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196118&pid=S1516-3687200400010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MADEIRA, M. C. A    confiança afrontada: representação social da AIDS para jovens. In: MADEIRA,    M.; JODELET, D. (Orgs.). <b>AIDS e representações sociais</b>: à busca de sentidos.    Natal: EDUFRN, 1998. p. 47-73.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196119&pid=S1516-3687200400010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MOSCOVICI, S. <b>A    representação social da psicanálise</b>. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196120&pid=S1516-3687200400010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">___________ . On    social representation. In: FORGAS, J. P. (Orgs.). <B>Social cognition</B>. London:    Academic Press, 1985.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196121&pid=S1516-3687200400010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NASCIMENTO-SCHULZE, C. M.; CAMARGO, B. V. Psicologia social, representações sociais e métodos. <b>Temas de psicologia</b>, Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Psicologia, v. 8, n. 3, p. 287-299, 2000.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196122&pid=S1516-3687200400010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LEAVY, O.; CHENEY, B. (Orgs.). <b>Tripla ameaça</b>: AIDS e mulheres. Rio de Janeiro: Abia, 1983.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196123&pid=S1516-3687200400010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TURA, L. F. R. AIDS e estudantes: a estrutura das representações sociais. In: MADEIRA, M.; JODELET, D. (Orgs.). <b>AIDS e representações sociais</b>: à busca de sentidos. Natal: EDUFRN, 1998. p. 121-154.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196124&pid=S1516-3687200400010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">WESTRUPP, M. H.    <b>Práticas sexuais de mulheres de parceiros infectados pelo HIV</b>: contribuições    acerca da cadeia epidemiológica da transmissão do HIV/AIDS. Florianópolis, 1997.    Tese (Doutorado em Filosofia da Enfermagem) – Universidade Federal de Santa    Catarina.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2196125&pid=S1516-3687200400010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><img src="../img/revistas/ptp/v6n1/seta.gif"><a name="end"></a><a href="#enda">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font>    <br>   <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Andréia Isabel Giacomozzi    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Theófilo de Almeida, 171, apto 104 – Bom Abrigo    <br>   88085-310, Florianópolis, SC, Brasil    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:agiacomozzi@hotmail.com">agiacomozzi@hotmail.com</a></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i><b>Tramitação</b></i>    <br> Recebido em novembro/2003    <br> Aceito em fevereiro/2004</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">1</a></sup> AIDS: Síndrome da Imunodefi ciência Adquirida, decorrente da infecção pelo vírus HIV (Vírus da Imunodefi ciência Humana).    <br>   <sup><a name="2a"></a><a href="#2">2</a></sup> <a href="http://www.http:/www.aids.gov.br" target="_blank">http:/www.aids.gov.br</a>.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup><a name="3a"></a><a href="#3">3</a></sup> <a href="http://www.http:/www.aids.gov.com.br" target="_blank">http:/www.aids.gov.com.br</a>.    <br>    <sup><a name="4a"></a><a href="#4">4</a></sup> Tradução da autora.    <br> <sup><a name="5a"></a><a href="#5">5</a></sup> “Analyse Lexicale par contexto d’un ensemble de segments de texte” – Análise Lexical Contextual de um Conjunto de Segmentos de Texto.    <br> <sup><a name="6a"></a><a href="#6">6</a></sup>  As palavras características da classe estão grifadas.</font></p>      ]]></body>
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