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<publisher-name><![CDATA[Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo]]></publisher-name>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study intends to discuss women' s presence in a place of power, stating a need to articulate psychology with feminist theories and with citizenship perspectives. Following a brief reference to work about women in leadership positions, different feminist views inherent to women' s representation in politics and in leadership in general will be presented. Finally, through the presentation of in depth interviews, the discourses of some women that already occupy these positions are shown. Further discussion is of utmost importance seeing that our interpretation suggests that the psychological characteristics linked to gender mustn' t be the core of the reasoning for political representation but participation per se.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Os discursos das mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de poder</font></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">The Discourses of women in power positions</font></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Maria da Concei&ccedil;&atilde;o de Oliveira Carvalho Nogueira</b><a name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym" sdfixed=""><sup>1</sup></a></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade do Minho, Portugal</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="topo"></a><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>  <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste trabalho pretende-se discutir a presen&ccedil;a das mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de poder, assumindo a necessidade de uma articula&ccedil;&atilde;o da psicologia com as teorias feministas e com perspectivas de cidadania. Depois de uma breve refer&ecirc;ncia aos trabalhos sobre mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a, apresentam-se as posi&ccedil;&otilde;es de diferentes posicionamentos feministas relativamente &agrave; quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica e na lideran&ccedil;a em geral. Por fim, apresentam-se os discursos de algumas mulheres que j&aacute; se encontram nesses lugares, conseguidos atrav&eacute;s da an&aacute;lise de entrevistas em profundidade. Da an&aacute;lise efetuada argumenta-se pela a necessidade de maior discuss&atilde;o dessa problem&aacute;tica, desenfatizando as caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas associadas ao g&ecirc;nero como argumentos para a representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, assumindo a participa&ccedil;&atilde;o em si mesma como fulcral. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Mulheres, Lideran&ccedil;a, Discursos, Feminismo, Poder.</font></p>  <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This study intends to discuss women&rsquo;s presence in a place of power, stating a need to articulate psychology with feminist theories and with citizenship perspectives. Following a brief reference to work about women in leadership positions, different feminist views inherent to women&rsquo;s representation in politics and in leadership in general will be presented. Finally, through the presentation of in depth interviews, the discourses of some women that already occupy these positions are shown. Further discussion is of utmost importance seeing that our interpretation suggests that the psychological characteristics linked to gender mustn&rsquo;t be the core of the reasoning for political representation but participation per se.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Women, Leadership, Discourses, Feminism, Power.</font></p>  <hr noshade="noshade" size="1">     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a entrada da mulher no mundo de trabalho e as revoltas sociais em favor da igualdade social, a discrimina&ccedil;&atilde;o sexual da mulher deveria desaparecer, j&aacute; que homens e mulheres se encontravam cada vez mais unidos por um determinado modelo de sociedade. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No entanto, depois de d&eacute;cadas de lutas feministas e da ineg&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o nas condi&ccedil;&otilde;es de vida de muitas mulheres, &eacute; evidente que o seu acesso a posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a ou de poder nas in&uacute;meras organiza&ccedil;&otilde;es de diferentes dom&iacute;nios ainda n&atilde;o &eacute; um fato e a possibilidade de mudan&ccedil;a nesse sentido, pouco segura. &ldquo;A realidade actual indica (...) que a mudan&ccedil;a estrutural representada pela entrada das mulheres de diferentes classes sociais nos diversos sectores do mundo do trabalho, n&atilde;o &eacute; suficiente para alterar a fun&ccedil;&atilde;o da mulher na fam&iacute;lia, nem d&aacute; necessariamente origem a uma mudan&ccedil;a na sua condi&ccedil;&atilde;o social&rdquo; (Am&acirc;ncio, 1989, p. 33). </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Apesar das mulheres representarem cerca de 40% da popula&ccedil;&atilde;o ativa no mundo ocidental, elas continuam a ser uma minoria nas posi&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o e na pol&iacute;tica, sendo praticamente invis&iacute;veis nas posi&ccedil;&otilde;es de topo (Pallar&eacute;s, 1993; Powell, 1993).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A subrepresenta&ccedil;&atilde;o das mulheres nos processos de tomada de decis&atilde;o em Portugal est&aacute; patente em v&aacute;rios setores, apesar de Portugal ser, dentre os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, um dos que apresenta taxas de emprego feminino mais elevadas (65,3%). Ao n&iacute;vel do governo e em rela&ccedil;&atilde;o aos ministros/as, secret&aacute;rios/as de Estado e secret&aacute;rio/as adjuntos, h&aacute; apenas 6 mulheres para 53 lugares (11%). Na Assembleia da Rep&uacute;blica h&aacute; 45 mulheres deputadas para 213 lugares (21%). Na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &– nas dire&ccedil;&otilde;es gerais e equiparados, nas Juntas de Freguesia temos 157 mulheres para 3708 lugares (4%). Nas c&acirc;maras municipais tivemos 308 presidentes de c&acirc;mara eleitos em 2001, dos quais apenas 16% s&atilde;o mulheres (5,2%). Nas universidades e polit&eacute;cnicos temos entre 8% a 17% de representa&ccedil;&atilde;o feminina. Nas associa&ccedil;&otilde;es, federa&ccedil;&otilde;es, ordens, sindicatos e sociedades, 20%). E, ainda, nos cargos de dire&ccedil;&atilde;o de empresas, 7%<a name="sdfootnote2anc" href="#sdfootnote2sym" sdfixed=""><sup>2</sup></a>. Como se pode comprovar, a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres &eacute; assim&eacute;trica nos lugares onde o poder e a tomada de decis&atilde;o s&atilde;o fundamentais. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Continua a ser raro encontrar mulheres em altos cargos associados ao poder pol&iacute;tico ou ao mundo econ&ocirc;mico. Aceder a postos de alto n&iacute;vel &eacute; muito mais f&aacute;cil para os homens do que para as mulheres, mesmo quando eles est&atilde;o menos bem preparados do que elas. O fosso entre a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres com treino e forma&ccedil;&atilde;o profissional adequados e aquelas que atingem posi&ccedil;&otilde;es de proemin&ecirc;ncia nas organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; elevado. Todos os dados indicam que o n&uacute;mero de mulheres decresce progressivamente conforme se ascende aos mais altos n&iacute;veis da hierarquia. E, mesmo quando as mulheres chegam a ocupar postos de lideran&ccedil;a &eacute; freq&uuml;ente que seja em setores de atividade econ&ocirc;mica tradicionalmente femininos.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nas ci&ecirc;ncias sociais a lideran&ccedil;a tem sido estudada de formas variadas. Especificamente na psicologia tem havido uma grande quantidade de estudos relacionados com a quest&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero e com os desafios que as mulheres nessas fun&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m de enfrentar seja para alcan&ccedil;ar ou para manter essas posi&ccedil;&otilde;es. Esse investimento tem levado &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das barreiras &agrave; lideran&ccedil;a para as mulheres, assim como ao levantamento de possibilidades positivas para as organiza&ccedil;&otilde;es no que diz respeito &agrave; lideran&ccedil;a exercida por mulheres. A exist&ecirc;ncia de um &ldquo;telhado de vidro&rdquo; (<i>glass ceiling</i>, Davidson & Cooper, 1992) representa todas as barreiras invis&iacute;veis, mas poderosas, que dificultam as carreiras das mulheres que pretendem chegar a postos de lideran&ccedil;a. Os estere&oacute;tipos (Schein, 1975), as expectativas diferenciadas em fun&ccedil;&atilde;o do sexo (Lipman-Blumen, 1980), as motiva&ccedil;&otilde;es, os constrangimentos familiares e os constrangimentos relacionados com as organiza&ccedil;&otilde;es de trabalho (Marshall, 1984), onde se pode fazer sentir a discrimina&ccedil;&atilde;o formal (no que diz respeito &agrave;s pol&iacute;ticas da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o), e a discrimina&ccedil;&atilde;o informal (praticada por indiv&iacute;duos, pares e superiores) surgem como as barreiras mais evidentes. Os estudos relativos aos estilos de lideran&ccedil;a onde as mulheres s&atilde;o apresentadas como indispens&aacute;veis, porque complementares aos homens (Nicholson & West, 1988), ou a id&eacute;ia de uma lideran&ccedil;a andr&oacute;gina (Powell & Butterfield, 1989) t&ecirc;m sido paradigm&aacute;ticos da maioria das investiga&ccedil;&otilde;es sobre o tema. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Poucas pesquisas t&ecirc;m preocupado-se em compreender as vidas das mulheres que lutaram para atingir essas posi&ccedil;&otilde;es apesar das barreiras: freq&uuml;entemente generalizam as experi&ecirc;ncias das mulheres e d&atilde;o pouca aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sua variabilidade. Infelizmente, muita dessa pesquisa psicol&oacute;gica, claramente convencional e imbu&iacute;da de um esp&iacute;rito positivista a-cr&iacute;tico, n&atilde;o questiona as bases da pr&oacute;pria discrimina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o reflete sobre seu pr&oacute;prio papel enquanto mecanismo de regula&ccedil;&atilde;o social e construtor de &ldquo;identidades&rdquo;, &ldquo;verdades&rdquo; e &ldquo;possibilidades&rdquo; que, nesse assunto em particular, continuam a manter as mulheres afastados do poder e dos locais de tomada de decis&atilde;o, n&atilde;o socializadas como sujeitos pol&iacute;ticos e continuamente longe da arena pol&iacute;tica quer como sujeitos, quer como agentes.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Lutar por um aumento do n&uacute;mero de mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a pode passar por compreender e tentar alterar as barreiras acima enunciadas ou mesmo argumentar pela complementaridade dos sexos. Mas questionar a no&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a feminina &– sem esquecer o problema e a necessidade de mais mulheres fazerem parte da hierarquia das organiza&ccedil;&otilde;es &– &eacute; uma tarefa dif&iacute;cil. Parece-nos perigoso continuar a lutar por um aumento do n&uacute;mero de mulheres no poder em nome de an&aacute;lises e argumentos pouco complexos e com dedu&ccedil;&otilde;es simplistas que podem comportar perigos para as pr&oacute;prias mulheres, para a teoria feminista e o para o feminismo em geral. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Pensamos ser importante perspectivar a promo&ccedil;&atilde;o de mais mulheres em lugares de tomada de decis&atilde;o, tomando por ponto de partida anal&iacute;tico as diferentes perspectivas feministas quando confrontadas com a problem&aacute;tica da cidadania.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O conceito de cidadania s&oacute;cio-liberal toma os direitos como foco principal de aten&ccedil;&atilde;o. Pretende garantir a cada cidad&atilde;o (pensados de forma igual, abstrata e universal) direitos civis, pol&iacute;ticos e sociais, n&atilde;o considerando o grau em que esses mesmos cidad&atilde;os exercem os direitos. Compete aos cidad&atilde;os decidirem como exercitar os seus direitos e se querem ou n&atilde;o exerc&ecirc;-los. Oferece uma perspectiva passiva e n&atilde;o ativa de cidadania. Da&iacute; que alterar a teoria dominante de cidadania liberal &eacute;, assim, e tamb&eacute;m, um objetivo fundamental para um qualquer feminismo que se pretenda emancipador. Apesar das diferentes teorias feministas advogarem de forma inquestion&aacute;vel a necessidade de mais mulheres ocuparem posi&ccedil;&otilde;es de poder, apresentam contudo, argumentos profundamente distintos para justificar essa mudan&ccedil;a.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a an&aacute;lise desses argumentos, seguiremos de perto a obra de Rian Voet (1998), <i>Feminism and citizenship</i>, na qual a autora faz a distin&ccedil;&atilde;o entre tr&ecirc;s tipos de teorias feministas<a name="sdfootnote3anc" href="#sdfootnote3sym" sdfixed=""><sup>3</sup></a>: teorias feministas humanistas, teorias feministas centradas nas mulheres e teorias feministas desconstrucionistas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Asfeministas humanistas<a name="sdfootnote4anc" href="#sdfootnote4sym" sdfixed=""><sup>4</sup></a>, inseridas na perspectiva dominante socioliberal, acreditam e lutam pela igualdade plena entre homens e mulheres. Igualdade de oportunidades (essencialmente), mas tamb&eacute;m (algumas dentro dessa perspectiva) igualdade nos resultados. Exigem igualdade pol&iacute;tica total assumindo a luta contra a discrimina&ccedil;&atilde;o. Assumem uma subjetividade pol&iacute;tica igualit&aacute;ria, neutra, abtracta e universal, baseada na cren&ccedil;a da racionalidade livre e universal de todos os seres humanos. Em termos de representatividade pol&iacute;tica para as mulheres, as suas propostas enfatizam o quebrar das barreiras, a educa&ccedil;&atilde;o, a socializa&ccedil;&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o de infra-estruturas de apoio familiar, por exemplo. Essa perspectiva oferece uma concep&ccedil;&atilde;o normativa e passiva de cidadania: refere-se essencialmente a direitos e n&atilde;o a atividades relacionadas com a cidadania. Exigem direitos de participa&ccedil;&atilde;o igual, mas n&atilde;o assumem a necessidade e a responsabilidade de os exercitar.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> As feministas de tipo <i>standpoint</i> (centradas nas mulheres)<a name="sdfootnote5anc" href="#sdfootnote5sym" sdfixed=""><sup>5</sup></a> desafiam a cidadania socioliberal ao tomarem como ponto de partida a experi&ecirc;ncia das pr&oacute;prias mulheres, as suas atividades e valores. Ao desafiarem por isso o car&aacute;ter abstrato de um sujeito universal neutro, assumem uma subjetividade pol&iacute;tica de base feminina, proclamando a necessidade de uma <i>pol&iacute;tica de identidade</i>. Acentuam a categoria &ldquo;Mulher&rdquo; e nela baseiam toda a l&oacute;gica da subjetividade pol&iacute;tica. Fala-se da feminiliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica ou da lideran&ccedil;a e n&atilde;o em uma assimila&ccedil;&atilde;o &agrave; ideologia dominante. As mulheres devem ser respeitadas pelas suas diferen&ccedil;as e &eacute; com &ecirc;nfase nas diferen&ccedil;as que se advoga a sua maior representa&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica. Pensam que se deve femininizar a esfera p&uacute;blica, n&atilde;o necessariamente apenas pela presen&ccedil;a das mulheres, mas pela incorpora&ccedil;&atilde;o, por ambos os sexos, de valores femininos. No que diz estritamente respeito &agrave; lideran&ccedil;a, essas teorias advogam a necessidade de uma lideran&ccedil;a mais relacional<a name="sdfootnote6anc" href="#sdfootnote6sym" sdfixed=""><sup>6</sup></a> (tamb&eacute;m para os homens) e fazem apelo a valores tradicionalmente atribu&iacute;dos &agrave;s mulheres.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Dentro desse grande grupo podem encontrar-se dois tipos de posicionamentos ligeiramente distintos. Por um lado, h&aacute; as que defendem a exist&ecirc;ncia de f&oacute;rum de mulheres ou feministas &– como prop&otilde;e a autora Iris Young (1990) &–, espa&ccedil;o onde mais facilmente as mulheres poderiam falar e descobrir quais os seus interesses e as suas necessidades. Se nos grupos mistos a domin&acirc;ncia masculina afeta a delibera&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante reivindicar a diferencia&ccedil;&atilde;o entre esfera p&uacute;blica e uma &ldquo;pol&iacute;tica de interpreta&ccedil;&atilde;o de necessidades&rdquo; (Fraser, 1989) que facilite a cria&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico feminista e feminino. Nessa &ldquo;pol&iacute;tica de interpreta&ccedil;&atilde;o de necessidades&rdquo;, as necessidades espec&iacute;ficas de diferentes grupos t&ecirc;m de ser tomadas em considera&ccedil;&atilde;o antes de se ter uma vis&atilde;o de justi&ccedil;a. S&oacute; assim a igualdade pode ser encontrada, onde nem se negligencia nem se passa por cima das diferen&ccedil;as particulares (Benhabib, 1992).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Por outro lado, dentro dessa perspectiva tamb&eacute;m se posicionam as feministas que advogam um feminismo associado &agrave; moralidade, a uma &eacute;tica do cuidado, referindo claramente de que modo as mulheres podem contribuir para a sociedade e a para a pol&iacute;tica<a name="sdfootnote7anc" href="#sdfootnote7sym" sdfixed=""><sup>7</sup></a> ao atuarem de forma superior em termos de valores morais.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ambos os dois tipos de feminismo reivindicam uma pol&iacute;tica de identidade feminina, a exist&ecirc;ncia de um &ldquo;n&oacute;s&rdquo; claramente distinto e diferente de um &ldquo;eles&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> T&ecirc;m um conceito normativo de cidadania: h&aacute; um programa, n&atilde;o apenas para as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas entre os cidad&atilde;os e os Estados, mas entre os pr&oacute;prios cidad&atilde;os; um programa baseado numa &eacute;tica do cuidado e de uma pol&iacute;tica de identidade. O feminismo centrado nas mulheres enfatiza n&atilde;o s&oacute; os direitos como tamb&eacute;m as obriga&ccedil;&otilde;es e as atividades da cidadania. A exist&ecirc;ncia de f&oacute;runs de mulheres e a focaliza&ccedil;&atilde;o em grupos oprimidos como formas de organiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o disso um exemplo.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> As feministas desconstrucionistas s&atilde;o freq&uuml;entemente designadas de p&oacute;s-modernas. A teoria p&oacute;s-moderna feminista pressup&otilde;e m&uacute;ltiplas categorias, imbu&iacute;das de temporalidade, n&atilde;o-universalistas (Flax, 1990; Fraser & Nicholson, 1990), substitui as no&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias de mulher e de identidade de g&ecirc;nero feminino por concep&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das, complexas e plurais de identidade social, trata o g&ecirc;nero como algo relevante e importante, entre outras coisas, atendendo tamb&eacute;m &agrave; etnicidade, &agrave; idade e &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual (Haraway, 1990). A grande vantagem desse tipo de teoria reside na sua utilidade para a pr&aacute;tica pol&iacute;tica feminista contempor&acirc;nea, j&aacute; que esta &eacute; cada vez mais uma quest&atilde;o de alian&ccedil;as e n&atilde;o uma unidade &agrave; volta da universalidade partilhada de interesses ou identidade. Reconhecer a diversidade das necessidades e das experi&ecirc;ncias das mulheres significa n&atilde;o aceitar solu&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas e universais. Nesse sentido, pode-se falar do termo &ldquo;plural&rdquo; como pr&aacute;tica de feminismos (Fraser & Nicholson, 1990). Quanto mais diferen&ccedil;as encontradas, menos sentido faz sugerir que as mulheres entrem na pol&iacute;tica &ldquo;como mulheres&rdquo;. Elas pr&oacute;prias avisam para o perigo de no&ccedil;&otilde;es de moralidade feminina positiva e de <i>sisterhood</i>. Essas id&eacute;ias podem ser usadas num jogo estrat&eacute;gico, mas acreditar nelas &eacute; mais perigoso. Pelo contr&aacute;rio elas desejam ter uma pluralidade de subjetividades pol&iacute;ticas a sua escolha. Dado que existem diferentes posi&ccedil;&otilde;es de sujeito, frutos de diferentes discursos dispon&iacute;veis, a subjetividade pol&iacute;tica ou a agenticidade podem ser obtidas ao saltar-se de um discurso para outro, de um jogo conversacional para outro (Hekman, 1991). N&atilde;o apresentam nenhuma proposta para uma maior representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de mulheres, mas assumem clara desconfian&ccedil;a de mulheres que representem apenas mulheres a comportar-se como mulheres. Essas feministas n&atilde;o acreditam que as pessoas escolhidas n&atilde;o representem tamb&eacute;m as suas opini&otilde;es enquanto sujeitos particulares numa determinada posi&ccedil;&atilde;o de sujeito. Ignorar quem essas pessoas s&atilde;o e donde v&ecirc;m &eacute; ignorar a evid&ecirc;ncia. No entanto, tamb&eacute;m s&atilde;o muito cr&iacute;ticas da id&eacute;ia de que as mulheres na pol&iacute;tica devam representar os interesses de todas as mulheres ou mesmo de que promovam uma pol&iacute;tica melhor para uma melhor sociedade. Dizer que uma verdadeira democracia n&atilde;o permite a exclus&atilde;o de certos grupos n&atilde;o &eacute; equivalente a acreditar que a inclus&atilde;o garanta uma melhor representa&ccedil;&atilde;o. As desconstrucionistas procuram e desejam mais pluralidade na pol&iacute;tica. N&atilde;o s&oacute; mulheres, mas tamb&eacute;m outros grupos oprimidos. A id&eacute;ia de cotas associadas a uma l&oacute;gica de &ldquo;cidadania diferenciada&rdquo; (para grupos oprimidos dentro da sociedade), defendida inicialmente por Iris Young em 1989, foi posteriormente por ela revista e transformada numa id&eacute;ia de &ldquo;cidadania comunicativa&rdquo;, na qual os diferentes grupos se fazem ouvir e negociam diferentes aspectos importantes para as suas vidas. O fato de existirem m&uacute;ltiplos aspectos das nossas identidades que podem em momentos determinados entrar em conflito (Yeatman, 1994) implica, mais que uma cidadania diferenciada com express&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, que seja importante a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de consulta, de di&aacute;logo e o &ldquo;ouvir a voz&rdquo; das minorias<a name="sdfootnote8anc" href="#sdfootnote8sym" sdfixed=""><sup>8</sup></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A autora Rian Voet (1998) encontra problemas nas diferentes perspectivas feministas, no que diz respeito &agrave; argumenta&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para uma maior representa&ccedil;&atilde;o das mulheres em lugares de poder. Parece que a maioria dos posicionamentos feministas ou t&ecirc;m posicionamentos normativos pouco inovadores (humanista), problem&aacute;ticos (centrado nas mulheres) ou a aus&ecirc;ncia de normatividade (desconstrucionista).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> As abordagens humanistas, ao ultrapassarem as diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero e falarem de cidadania em geral, d&atilde;o pouca aten&ccedil;&atilde;o aos interesses e &agrave;s opini&otilde;es das minorias pol&iacute;ticas. Se as mulheres pol&iacute;ticas n&atilde;o puderem nem quiserem enfatizar as dificuldades espec&iacute;ficas que as mulheres t&ecirc;m, a pol&iacute;tica n&atilde;o necessita preocupar-se com isso e as desigualdades de g&ecirc;nero s&atilde;o refor&ccedil;adas. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Relativamente aos problemas de uma <i>pol&iacute;tica de identidade</i>, a autora, apesar de concordar que as feministas devem encorajar identidades pol&iacute;ticas positivas para as mulheres, n&atilde;o concorda com uma pol&iacute;tica de identidade feminista ou feminina. Por um lado, pode afastar homens de boa vontade, que s&atilde;o freq&uuml;entemente rejeitados como &ldquo;inimigos&rdquo;, e, por outro, coloca um peso excessivo no grupo do &ldquo;n&oacute;s&rdquo;. Se uma <i>pol&iacute;tica de identidade</i> se baseia numa perspectiva de &ldquo;virtude&rdquo;, pode-se incorrer no risco de se ficar ligado &agrave; pr&oacute;pria opress&atilde;o. Dentro de uma pol&iacute;tica de identidade as mulheres t&ecirc;m sempre os mesmo papel. O desejo &eacute; que haja maior reconhecimento p&uacute;blico para esse papel e para o seu desempenho. Elas enfatizam que desejam ser elas pr&oacute;prias na pol&iacute;tica e celebram o valor da autenticidade. Da&iacute; que Voet questione: Qual a mulher que quer ser escolhida para um lugar onde tenha de estar sempre a defender os interesses do seu grupo, a comportar-se como mulher e a articular os interesses, opini&otilde;es e virtudes das mulheres, obrigando a estereotipar-se continuamente e com isso a congelar as caracter&iacute;sticas da sua identidade? E, para al&eacute;m disso, como se pode representar as minorias que existem dentro desse grande grupo &ldquo;mulheres&rdquo;?</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ela pensa que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio escolher entre um socioliberalismo universalista e individualista (que passa por cima das diferen&ccedil;as entre grupos sociais) ou uma pol&iacute;tica de identidade que faz da mulher um ser diferente. Concorda com o argumento p&oacute;s-moderno de que as lutas hist&oacute;ricas n&atilde;o constru&iacute;ram s&oacute; interesses, mas tamb&eacute;m posi&ccedil;&otilde;es de sujeito (Mouffe, 1993), de mulher, trabalhadora, l&eacute;sbica, negra etc., mas isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o devam ser tomadas em considera&ccedil;&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, devem ser aceitas como refer&ecirc;ncias para o di&aacute;logo pol&iacute;tico. N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio basear a subjetividade pol&iacute;tica num tipo de natureza humana, geral ou neutra, de homem ou de mulher, o que obrigatoriamente levaria a clausura do grupo e a argumenta&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas restritivas. As feministas podem aceitar um desconstrucionismo moderado, no sentido de aceitarem o fato de que a categoria mulher &eacute; constru&iacute;da, mas n&atilde;o devem hesitar em us&aacute;-la como subjetividade pol&iacute;tica se e quando for necess&aacute;rio. Como a feminista Jane Gallop (1982, citado por Wetherell, 1995) argumenta, &ldquo;<i>a identidade, como parte da estrat&eacute;gia feminista, deve ser continuamente assumida e imediatamente posta em quest&atilde;o</i>&rdquo; (it&aacute;licos nossos).</font></p>      <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Partindo de todos os pressupostos acima enunciados, assumindo uma perspectiva de psicologia feminista e estando comprometida com a abordagem de an&aacute;lise cr&iacute;tica do discurso, foi inten&ccedil;&atilde;o compreender os discursos de mulheres que estivessem em posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a. Isto &eacute;, perceber de que modos equacionavam o seu percurso enquanto mulheres l&iacute;deres, posi&ccedil;&otilde;es claramente contradit&oacute;rias do ponto de vista simb&oacute;lico.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Discursos de mulheres com poder sobre as &ldquo;mulheres e a lideran&ccedil;a&rdquo;</font></b></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O material que se apresenta nesta parte do trabalho prov&eacute;m de entrevistas em profundidade, individuais e n&atilde;o-diretivas, que foram realizadas com dezoito mulheres de diferentes idades e estados civis, mas que desempenhavam fun&ccedil;&otilde;es ou cargos de lideran&ccedil;a, quer em organiza&ccedil;&otilde;es do Estado, quer particulares, de natureza industrial, cient&iacute;fica e pol&iacute;tica. Essas mulheres foram escolhidas dentre um conjunto (restrito) de mulheres que se posicionam no topo da hierarquia das organiza&ccedil;&otilde;es em que se encontram. Neste estudo, apresentamos uma proposta e exemplifica&ccedil;&atilde;o do seu discurso. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No que diz respeito &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista da amostra, a &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o residiu nem no tamanho nem na representatividade no sentido tradicional, j&aacute; que isso n&atilde;o assume um papel de relevo na an&aacute;lise do discurso; o nosso interesse na escolha das entrevistadas residiu num crit&eacute;rio de natureza estrat&eacute;gica, isto &eacute;, procurou-se maximizar a variabilidade discursiva. Pensamos que essa variabilidade discursiva seria poss&iacute;vel elegendo-se personagens cujas caracter&iacute;sticas s&oacute;cio-hist&oacute;ricas particulares permitissem esperar que emitissem discursos diferenciados. Nesse sentido, procuramos mulheres que se situavam em categorias heterog&ecirc;neas, isto &eacute;, que tivessem idades diferentes, distintos estados civis (solteiras, divorciadas ou casadas), diferentes forma&ccedil;&otilde;es e profiss&otilde;es, assim como serem, ou n&atilde;o, figuras p&uacute;blicas. Como refere Llombart (1995), &eacute; precisamente a heterogeneidade da amostra que permite que se atribua um maior peso ret&oacute;rico &agrave;s semelhan&ccedil;as discursivas que se identificam &agrave; medida que se transcrevem e analisam-se as entrevistas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para este trabalho foram realizadas 18 entrevistas com mulheres com idades compreendidas entre 38 anos e 57 anos<sup><a name="sdfootnote9anc" href="#sdfootnote9sym" sdfixed=""><sup>9</sup></a></sup>. No que diz respeito ao estado civil, 5 eram solteiras, 5 estavam no primeiro casamento, 3 estavam no segundo casamento e 5 eram divorciadas. Em termos de habilita&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas, todas possu&iacute;am no m&iacute;nimo a licenciatura (algumas eram doutoradas). Relativamente &agrave;s esferas de envolvimento profissional, 8 exerciam cargos em organiza&ccedil;&otilde;es industriais ou de servi&ccedil;os, 3 exerciam cargos na pol&iacute;tica, 2 estavam ligadas &agrave; ci&ecirc;ncia e 5 ao direito. Dessas 18 entrevistas, apenas 4 se realizaram na cidade portuguesa do Porto, sendo que todas as outras se realizaram em Lisboa. Essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de todo estranha, dada a centraliza&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico e n&atilde;o s&oacute; pelo de ser essa cidade a capital do pa&iacute;s.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> As entrevistas realizaram-se no ambiente de trabalho das entrevistadas, isto &eacute;, nos seus gabinetes particulares, o que em alguns casos, implicou ser na resid&ecirc;ncia particular. Nesses contextos tornou-se poss&iacute;vel um ambiente ainda mais informal e relaxado, possibilitando a conversa&ccedil;&atilde;o. </font> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A justificativa da escolha dessa popula&ccedil;&atilde;o deve-se a certos fatores de ordem psico-s&oacute;cio-hist&oacute;ricos que importam referir. O n&uacute;mero de mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de poder &eacute; ainda muito restrito, assistindo-se no presente a debates sobre seu aumento em postos de decis&atilde;o. Relativamente &agrave;s poucas que ocupam esses lugares, &eacute; freq&uuml;ente a opini&atilde;o p&uacute;blica (freq&uuml;entemente veiculada atrav&eacute;s de artigos em revistas de divulga&ccedil;&atilde;o femininas, mas n&atilde;o s&oacute;) apresentar discursos aparentemente contradit&oacute;rios, do tipo &ldquo;super-mulheres&rdquo; ou ent&atilde;o &ldquo;mulheres-homem&rdquo;. Nos dois casos, a componente feminina &eacute; sobrevalorizada, quer por excesso (super-mulheres), quer por car&ecirc;ncia (mulheres-homem). Isto &eacute;, essas mulheres ou s&atilde;o apresentadas como mulheres invulgarmente dotadas, com uma resist&ecirc;ncia pouco comum por conseguirem combinar &ldquo;&agrave; perfei&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou eficazmente os pap&eacute;is tradicionais femininos (gest&atilde;o da casa, responsabilidade e cuidado dos filhos) e os pap&eacute;is tradicionalmente associados aos homens (a gest&atilde;o de uma carreira exigente na qual exercem poder e lideran&ccedil;a) ou, pelo contr&aacute;rio, s&atilde;o apresentadas como mulheres que desistem do seu papel tradicional, que optam pelo papel masculino, sendo normalmente apresentadas como mulheres solteiras ou sem fam&iacute;lia, mas &agrave;s quais tamb&eacute;m se atribuem as caracter&iacute;sticas de personalidade associadas ao estere&oacute;tipo masculino. Em ambos os casos, existe uma suposi&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca da exist&ecirc;ncia de pap&eacute;is tradicionais e de caracter&iacute;sticas de personalidade a eles associados.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A hip&oacute;tese central deste trabalho sugere que esse tipo de discursos representa os efeitos de uma ideologia dominante sobre a constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade feminina. A escolha das mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de poder como objeto de estudo, em termos dos discursos que emitem, deveu-se essencialmente ao fato de pensarmos que a viv&ecirc;ncia dessas &ldquo;contradi&ccedil;&otilde;es&rdquo; de pap&eacute;is (papel tradicional feminino, papel tradicional masculino), as expectativas e as identidades poderiam constituir um local privilegiado e complexo para a constru&ccedil;&atilde;o de vers&otilde;es da subjetividade feminina. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Sendo essas mulheres sujeitos com posicionamentos contradit&oacute;rios, isto &eacute;, ocupando posi&ccedil;&otilde;es que as identificam com uma subjetividade masculina, neste trabalho procuramos analisar de que forma a subjetividade feminina, constru&iacute;da pelo senso comum e pela ideologia dominante, transparece das pr&oacute;prias identifica&ccedil;&otilde;es dessas mulheres ou, se pelo contr&aacute;rio, elas desenvolvem formas de resist&ecirc;ncia a essa subjetividade.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; importante ter em aten&ccedil;&atilde;o que os efeitos dos discursos que essas mulheres elaboram atuam em dois n&iacute;veis: para a constru&ccedil;&atilde;o e a adapta&ccedil;&atilde;o das suas pr&oacute;prias identidades e para a constru&ccedil;&atilde;o das suas identidades como modelos apresentados pela comunica&ccedil;&atilde;o social e em todos os setores de sua vida social.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A an&aacute;lise do discurso que apresentamos baseou-se na an&aacute;lise das transcri&ccedil;&otilde;es totais das 18 entrevistas realizadas. O fio condutor da entrevista inclu&iacute;a um conjunto de temas abertos e muito gerais, n&atilde;o pressupondo sequer uma ordem pr&eacute;-estabelecida. Essa situa&ccedil;&atilde;o permitiu que, muitas vezes, a conversa&ccedil;&atilde;o se iniciasse por certos assuntos e muitas vezes se desviasse de algumas das quest&otilde;es colocadas. A entrevistadora intervinha tamb&eacute;m na conversa&ccedil;&atilde;o, de forma espont&acirc;nea e n&atilde;o controlada. Os assuntos que se pretendia abordar diziam respeito, unicamente, a tr&ecirc;s grandes temas: a trajet&oacute;ria pessoal e profissional at&eacute; o momento da entrevista, a liga&ccedil;&atilde;o entre a esfera privada e a p&uacute;blica e as suas posi&ccedil;&otilde;es relativamente &agrave; lideran&ccedil;a exercida por homens e &agrave; exercida por mulheres. No in&iacute;cio da entrevista era referido que se abordariam essencialmente esses tr&ecirc;s grandes temas, podendo as entrevistadas iniciar a conversa por qualquer um deles. Assim, apesar de falarmos em fio condutor de entrevista, isso pode ser questionado, j&aacute; que, para al&eacute;m desses tr&ecirc;s assuntos, n&atilde;o se pressupunha mais nenhuma quest&atilde;o espec&iacute;fica. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A an&aacute;lise do discurso utilizada baseou-se nas id&eacute;ias de Foucault (1979), isto &eacute;, tratou-se de fazer aparecer as pr&aacute;ticas discursivas na sua complexidade. Mostrar que falar &eacute; fazer algo, algo distinto de expressar o que se pensa, traduzir o que se sabe, distinto de p&ocirc;r em jogo as estruturas de uma l&iacute;ngua; mostrar que agregar um enunciado a uma s&eacute;rie pr&eacute;-existente de enunciados &eacute; fazer um ato complicado e custoso que implica certas condi&ccedil;&otilde;es e que comporta regras. Como o pr&oacute;prio Parker (1992) refere, a id&eacute;ia de <i>discurso</i> pode surgir da no&ccedil;&atilde;o de <i>forma&ccedil;&atilde;o discursiva</i> de Foucault e por isso utilizaremos a no&ccedil;&atilde;o de <i>discurso</i>. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Do ponto de vista do construcionismo social (Burr, 1995), a interpreta&ccedil;&atilde;o realizada pode ser considerada apenas uma interpreta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel entre outras igualmente prov&aacute;veis, mas nem por isso inv&aacute;lida. Outros leitores poder&atilde;o n&atilde;o considerar importante a an&aacute;lise efetuada, os discursos identificados, assim como os efeitos discursivos explicitados. Nessa perspectiva, o que parece ser importante n&atilde;o &eacute; se os discursos identificados s&atilde;o <i>verdadeiros</i> ou n&atilde;o, se refletem algo de est&aacute;vel que existe nas pessoas, mas apenas uma compreens&atilde;o poss&iacute;vel do que pode implicar a utiliza&ccedil;&atilde;o desses discursos por esse conjunto de mulheres entrevistadas (neste nosso caso particular). Para o construcionismo social, o autor de qualquer &ldquo;pe&ccedil;a de texto&rdquo; &eacute; irrelevante, j&aacute; que o que esse texto representa &eacute; apenas uma manifesta&ccedil;&atilde;o de discursos existentes e n&atilde;o se pretende &ldquo;localizar dentro&rdquo; dos sujeitos para procurar as suas origens. Isso n&atilde;o implica que n&atilde;o haja alguma regularidade, apenas que a regularidade no discurso n&atilde;o se pode provar no n&iacute;vel do &ldquo;falante&rdquo; individual (Potter & Wetherell, 1992).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Podemos dizer que as a&ccedil;&otilde;es discursivas, atrav&eacute;s das quais as mulheres que ocupam posi&ccedil;&otilde;es de poder definem o seu percurso e as suas percep&ccedil;&otilde;es sobre a lideran&ccedil;a, s&atilde;o v&aacute;rias, mas pensamos que podemos considerar tr&ecirc;s discursos (duas forma&ccedil;&otilde;es discursivas ou duas rela&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-discursivas) distintos qualitativamente. Esses discursos diferem essencialmente em fun&ccedil;&atilde;o dos efeitos ou das conseq&uuml;&ecirc;ncias que acarretam para a constru&ccedil;&atilde;o das suas identidades e para a constru&ccedil;&atilde;o das identidades que os outros fazem delas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em primeiro lugar &eacute; importante referir a exist&ecirc;ncia de um discurso de valoriza&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a feminina que, por ser comum a todas as entrevistadas, a ele n&atilde;o nos deteremos em particular. Apresentamos essencialmente excertos dos tr&ecirc;s discursos que identificamos como: o discurso essencialista da nega&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o, o discurso essencialista-individualista das compet&ecirc;ncias femininas e o discurso das compet&ecirc;ncias adquiridas pela pr&aacute;tica, no confronto com a discrimina&ccedil;&atilde;o. Veremos na se&ccedil;&atilde;o seguinte como as diferen&ccedil;as qualitativas entre essas duas formas de falar sobre os temas em debate se referem essencialmente aos efeitos produzidos e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade feminina. Apresentaremos em seguida os discursos e v&aacute;rios excertos de entrevistas. Este artigo apresenta-se apenas como um simples instrumento para fazer passar as suas vozes. </font> </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O discurso essencialista da <i>nega&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o</i> </b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Um dos pontos freq&uuml;entemente expressos nesse tema e nesse discurso representa a nega&ccedil;&atilde;o, freq&uuml;entemente &ldquo;veemente&rdquo;, do fato de terem sofrido qualquer tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o. Algumas mulheres referem muitas vezes serem imperme&aacute;veis a essas quest&otilde;es. No entanto, freq&uuml;entemente no seu discurso emitem frases, que podem ser contradit&oacute;rias face a essa nega&ccedil;&atilde;o. </font> </p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Essas mulheres que emitem este tipo de discurso negam a discrimina&ccedil;&atilde;o e freq&uuml;entemente assumem que sua trajet&oacute;ria de sucesso se deve a qualidades pessoais muito particulares. N&atilde;o negam que possa haver discrimina&ccedil;&atilde;o no geral, apenas se situam em um n&iacute;vel particular, fora do grupo, fora da categoria &ldquo;mulher&rdquo;, assumindo-se desse modo como pessoas singulares. </font> </p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 10:</b><i> ...n&atilde;o, nunca me senti discriminada! Eu acho que... eu tamb&eacute;m n&atilde;o ligo para essas coisas, est&aacute; a perceber? N&atilde;o... n&atilde;o ligo (...) Pronto, eu acho que estou... imperme&aacute;vel contra essas coisas (...) eu acho que isso faz com que eu n&atilde;o veja. Claro, eu tenho conhecimento de... assuntos... de problemas de discrimina&ccedil;&atilde;o, que eles existem, efectivamente, existem;</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 4:<i> </i></b><i>...eu n&atilde;o tenho sentido isso, pronto... isso diz-se que &eacute; assim (...) est&aacute; provado que &eacute; assim, mas eu digo-lhe com a m&aacute;xima sinceridade, e j&aacute; disse isto a v&aacute;rias pessoas, eu durante a minha vida profissional, eu nunca senti, eu nunca senti esse tipo de atitude dos homens</i>;</font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 8:</b><i> ...n&atilde;o senti nenhuma discrimina&ccedil;&atilde;o pessoal, mas n&atilde;o senti nenhum apoio especial! Nada, nem pensar nisso! Isso, s&atilde;o coisas diferentes! (...) pelo facto de ser mulher, eu nunca tive apoio! tive, sempre, que me organizar como tal</i>.</font></p>  </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No entanto e freq&uuml;entemente, mesmo negando a discrimina&ccedil;&atilde;o, referem que t&ecirc;m circunst&acirc;ncias de vida diferentes ou que t&ecirc;m que lutar mais para alcan&ccedil;ar os mesmos objetivos que os seus colegas do sexo masculino. Adotam em muitos casos uma postura de indiferen&ccedil;a face a essa constata&ccedil;&atilde;o ou pelo menos n&atilde;o a encaram como um dos efeitos da discrimina&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 5:</b> <i>...eu nunca me senti discriminada, verdade seja dita, nunca, nunca senti (...) sim, discriminada na carreira, embora... embora, volte a referir que, para n&atilde;o ser discriminada na carreira, eu tenho que ser mais cumpridora e mais zelosa do que muitos homens</i>;</font></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) portanto, assim, abertamente, nunca tive problemas nem nunca senti, o chamado machismo, ou cr&iacute;ticas por ser mulher, agora, que ele existe, existe, manifestamente e que, &agrave;s vezes, at&eacute; eu pr&oacute;pria me deixo, um bocado, levar por isso, ou seja, &agrave;s mulheres &eacute; exigido dez vezes mais do que aos homens, para serem reconhecidas. (...) precisam de ser dez vezes melhor, dez vezes mais dedicadas. Se um homem falta porque foi ao futebol, &eacute; absolutamente compreens&iacute;vel. Se uma mulher falta porque foi levar um filho ao m&eacute;dico, </i>&ldquo;<i>&eacute; uma chatice as mulheres exercerem estas fun&ccedil;&otilde;es</i>&rdquo;<i>. Pronto, isto &eacute; um coment&aacute;rio absolutamente comum, e... irrita-me bastante, agora, reconhe&ccedil;o, realmente, as mulheres para conseguir serem conhecidas t&ecirc;m que ser muito, muito, muito melhores, &eacute;-lhes muito mais exigido, s&atilde;o muito mais facilmente criticadas, qualquer falha que tenham &eacute; porque... &eacute; mulher</i>;</font></p>  </blockquote>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 2:</b> <i>...eu acho que &eacute; absolutamente igual, pondo unicamente de parte... a parte de fam&iacute;lia, digamos. Eu sou divorciada, eles s&atilde;o todos casados, eu tenho que fazer tudo o que h&aacute;, em minha casa...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 17:<i> </i></b><i>...efectivamente, n&atilde;o fui... n&atilde;o fui prejudicada, na carreira... (...) n&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o (...) pois &eacute; evidente que eu tive que trabalhar mais do que muitos deles.</i></font></p>  </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Essas mulheres referem tamb&eacute;m, muito freq&uuml;entemente, custos pessoais, sem assumirem que isso possa ser o resultado de qualquer tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 5:</b> <i>...&eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o muito apaixonante, eventualmente, demasiado apaixonante (...) demasiado, exactamente, porque depois fica para tr&aacute;s o resto. Tudo. Fica para tr&aacute;s a fam&iacute;lia, ficam para tr&aacute;s a vida pessoal, fica para tr&aacute;s as distrac&ccedil;&otilde;es, fica tudo para tr&aacute;s... a profiss&atilde;o em si &eacute; interessante, realmente &eacute; extremamente absorvente. A fam&iacute;lia sai um bocado prejudicada, mas..</i>.<i> (...) &agrave;s vezes quando me sinto mais cansada (...), &agrave;s vezes, fico a pensar se realmente... se as mulheres que trabalham, que t&ecirc;m filhos, t&ecirc;m fam&iacute;lia, t&ecirc;m marido n&atilde;o s&atilde;o, n&atilde;o ser&aacute; a gera&ccedil;&atilde;o das mulheres est&uacute;pidas. Ou seja, a gera&ccedil;&atilde;o da minha m&atilde;e n&atilde;o ser&aacute; a mais inteligente? ficou em casa sossegadamente, n&atilde;o (...) at&eacute; nem havia grandes dificuldades econ&oacute;micas, viveu uma vida, comparada com a minha, regalada. Eu, nesse aspecto, acho, que ao fim das contas, tenho levado uma vida muito mais est&uacute;pida</i>.</font></p>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O discurso essencialista/individualista das <i>compet&ecirc;ncias femininas</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Normalmente o discurso da nega&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o acima enunciado surge associado ao assumir de caracter&iacute;sticas pessoais, de personalidade e de natureza, que as fazem ultrapassar os problemas e as poss&iacute;veis, ou prov&aacute;veis, discrimina&ccedil;&otilde;es. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 16:</b> <i>...n&atilde;o. Nunca senti isso. N&atilde;o, creio que n&atilde;o. (...) n&atilde;o, o que eu... o que eu consegui... portanto, eu tenho uma certa, digamos, habilidade para o consenso (...) digamos, eu tenho habilidade para compor as coisas! Eu posso ser diplomata, eu tenho... mas outro homem tamb&eacute;m pode ter! Isso n&atilde;o &eacute; intui&ccedil;&atilde;o feminina, s&atilde;o qualidades pessoais</i>;</font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 4:<i> </i></b><i>...que eu tenho muita vaidade em referir este aspecto, porque em todos os lugares por onde tenho andado, eu n&atilde;o me tenho sentido menosprezada, n&atilde;o tenho sentido qualquer marginaliza&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio do que muitas mulheres dizem, eu, sinceramente, n&atilde;o tenho sentido isso (&hellip;) assumi, tenho sempre assumido essa situa&ccedil;&atilde;o como mulher, funciono no feminino e n&atilde;o tento alterar aquilo que sinto. Eu penso que &eacute; essa espontaneidade e essa verdade que t&ecirc;m contribu&iacute;do para que eu tamb&eacute;m seja respeitada.</i></font></p>  </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Muito freq&uuml;entemente, quando fazem apelo a caracter&iacute;sticas pessoais, como atr&aacute;s se referiu, essas s&atilde;o especificamente e tradicionalmente femininas. Consideram serem essas caracter&iacute;sticas as respons&aacute;veis pelo sucesso e pela inexist&ecirc;ncia de discrimina&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 16:<i> </i></b><i>...eu nunca tive, rigorosamente, nenhum problema, nada! E penso que isso n&atilde;o tem a ver nem com mulher nem com homem. Tem a ver com a personalidade da mulher ou do homem que desempenha o lugar. Eu nunca tive problemas, conhe&ccedil;o homens que tamb&eacute;m nunca tiveram, conhe&ccedil;o mulheres que tiveram e homens que tiveram</i>;</font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) eu acho que &eacute; uma quest&atilde;o... de saber tratar com as pessoas. Ora, saber tratar com as pessoas... o homem ou a mulher devem saber tratar com as pessoas</i>;</font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 2:<i> </i></b><i>...para mim, o que &eacute; importante &eacute; uma pessoa saber-se impor, saber-se respeitar e saber fazer-se respeitar. E acho que foi isso que eu sempre consegui, isso aliado a bons resultados que eu fui obtendo em termos de imagem da empresa;</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) eu considero-me uma pessoa bastante feminina e eu acho que tenho de ser feminina em todos os aspectos da minha vida! Feminina como mulher, com os meus amigos, com a minha fam&iacute;lia, no emprego tamb&eacute;m... eu sou feminina, n&atilde;o vou esconder isso atr&aacute;s de uma capa que n&atilde;o sou eu</i>;</font></p>        <p><i><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) sou feminina, todos os dias me preparo, de manh&atilde; e tenho o cuidado de estar bem e gosto de me olhar ao espelho, sou incapaz de andar em casa sozinha mal arranjada, gosto sempre de andar arranjada... podia p&ocirc;r o roup&atilde;o e as chinelas... n&atilde;o ponho, porque... isso faz parte de mim! Portanto, faz parte de mim em qualquer momento...</font></i></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 6:<i> </i></b><i>...o compromisso exclusivo a uma ideia &eacute; incompat&iacute;vel com um compromisso exclusivo a uma crian&ccedil;a. Eu se tivesse um filho, desligava, quer dizer, via a fam&iacute;lia e os filhos como compromissos exclusivos (...) exclusivo, sim. Numa fase da vida da crian&ccedil;a, absolutamente!</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 17:</b><i> ...porque o facto de uma pessoa exp&ocirc;r as coisas com maior naturalidade, com maior simpatia, tamb&eacute;m pode constituir uma qualidade! Ou de conseguir convencer as pessoas de uma forma mais agrad&aacute;vel, de criar um melhor ambiente de trabalho, de n&atilde;o ser t&atilde;o estressada, eu acho que os homens... a minha experi&ecirc;ncia diz-me que os homens s&atilde;o muito mais vulner&aacute;veis ao estresse profissional do que s&atilde;o as mulheres...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 8:<i> </i></b><i>...eu acho que n&atilde;o sou nada assim. Eu dou muita import&acirc;ncia &agrave; feminilidade, dou muita import&acirc;ncia... e n&atilde;o me estou a ver nada, por exemplo, como mulher-homem. Eu acho que essas mulheres s&atilde;o mulheres frustradas, s&atilde;o mulheres que n&atilde;o se conseguiram realizar, h&aacute; qualquer azedume, h&aacute; qualquer coisa que n&atilde;o est&aacute; bem, h&aacute; qualquer coisa que falta... de equil&iacute;brio; e para a gente ter uma carreira e para as coisas tamb&eacute;m correrem bem, pois tamb&eacute;m tem que haver equil&iacute;brio, o equil&iacute;brio &eacute; muito necess&aacute;rio, para ser natural, sen&atilde;o n&atilde;o &eacute; natural</i>.</font></p>  </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nesse tipo de discurso assiste-se freq&uuml;entemente &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a feminina, essencialmente devido &agrave; exist&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas pessoais que distinguem as mulheres. Essas caracter&iacute;sticas assumem uma estabilidade naturalizadora e essencialista como sendo caracter&iacute;sticas de &ldquo;todas&rdquo; as mulheres, do &ldquo;feminino&rdquo;, por oposi&ccedil;&atilde;o a caracter&iacute;sticas de &ldquo;todos&rdquo; os homens, do &ldquo;masculino&rdquo;. Os tra&ccedil;os como sensibilidade, ternura, emocionalidade, pureza, surgem como caracterizadores da &ldquo;natureza&rdquo; feminina e os tra&ccedil;os como rispidez e agressividade, caracterizando o lado masculino.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 10:</b> <i>...s&atilde;o coisas aparentemente pequeninas... mas t&ecirc;m outra dimens&atilde;o. No tratamento com as pessoas... portanto, ela tem uma maneira de estar totalmente diferente e depois, quando ela quer puxar pela sua veia de sensibilidade e p&ocirc;r... pronto, aquelas, todas suas capacidades em jogo para captar certas e determinadas coisas, pois, com certeza, ela &eacute; capaz de o fazer muito bem. E o homem &eacute; muito frio nessas coisas, n&atilde;o tem essa percep&ccedil;&atilde;o, essa sensibilidade... (...) sou uma pessoa extremamente sens&iacute;vel para as quest&otilde;es alheias... (...) eu acho que &eacute; mais f&aacute;cil que uma mulher diga aquilo que sente... logo &agrave; partida ela reage, muito mais, com o cora&ccedil;&atilde;o do que com a cabe&ccedil;a... o homem n&atilde;o...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 15:</b> <i>...nestas fun&ccedil;&otilde;es que exer&ccedil;o, tudo &eacute; feito com a m&aacute;xima radicalidade, portanto, no sentido da m&aacute;xima pureza, portanto, eu parto para a decis&atilde;o abrindo-me a todos os argumentos, aos contr&aacute;rios e &agrave;queles que mais rejeito, at&eacute; em termos de sensibilidade e aos outros e com a m&aacute;xima ingenuidade...</i> <i>(...) a abordagem feminina, neste tipo de coisas... &eacute; mais emotiva. &Eacute; mais emotiva, mais apaixonada...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 17:</b><i> ...eu penso que &eacute; em grande parte, j&aacute; &eacute; da sua natureza, eu acredito que o homem e a mulher s&atilde;o diferentes (...) natureza e educa&ccedil;&atilde;o e tudo isso!</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 2:<i> </i></b><i>...hoje em dia, eu acho que sabe bem entrar num escrit&oacute;rio qualquer, de uma empresa qualquer e ver um n&uacute;mero igual, ir para uma reuni&atilde;o e ver mulheres &agrave; volta da mesa e n&atilde;o digo, propriamente, os homens nas secret&aacute;rias (...), mas mulheres &agrave; volta da mesa! Depois, eu acho que n&oacute;s completamos, um bocadinho, com o nosso bom senso... certas coisas que eles n&atilde;o v&ecirc;m...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 4:</b> <i>...as mulheres-chefe s&atilde;o mais sens&iacute;veis que os homens, eu penso que sim, ali&aacute;s, eu atribuo um pouco tamb&eacute;m o &ecirc;xito da minha carreira ao facto de ser mulher, neste aspecto. Eu acho que as mulheres t&ecirc;m mais capacidade (...) porque as mulheres n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o r&iacute;gidas, t&atilde;o dr&aacute;sticas e, perante uma situa&ccedil;&atilde;o de impacto ou de confronto, a mulher consegue negociar e consegue chegar ao objectivo duma maneira menos agressiva e menos r&iacute;spida, essa ternura, essa flexibilidade, essa aten&ccedil;&atilde;o, a sensibilidade... um sentido mais human&iacute;stico, principalmente mais flex&iacute;vel, mas &eacute; esta capacidade de esperar, por exemplo, tamb&eacute;m &eacute; outra caracter&iacute;stica que eu acho que as mulheres t&ecirc;m que os homens n&atilde;o t&ecirc;m, essa capacidade de esperar...</i></font></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) acontecerem sem grande alarido... &eacute; prefer&iacute;vel que a nossa conduta seja mais discreta, mas que de facto tenha um rumo e que em cada dia se tenha um pequenino &ecirc;xito, do que tentar... (...) no fundo a gente est&aacute; a conseguir tudo o que queremos de uma maneira muito subtil e muito, muito discreta, mas n&atilde;o os agredimos, n&atilde;o os agredimos...</font></i></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 2:</b> <i>...digo-lhe francamente que... talvez seja a &uacute;nica coisa que eu posso dizer que os homens n&atilde;o t&ecirc;m... n&atilde;o sei se &eacute; o sexto sentido que me d&aacute; isto, percebe? Mas, n&atilde;o t&ecirc;m tanta sensibilidade para aspectos aparentemente menores, s&oacute; v&ecirc;m a quest&atilde;o imediatamente acima; temos uma maior sensibilidade, por isso &eacute; que eu acho que uma equipa com mulheres e homens, acho que &eacute; muito mais completa do que uma s&oacute; de homens ou de que uma s&oacute; de mulheres</i>;</font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 8:</b> <i>...mas a mulher tem uma sensibilidade que o homem n&atilde;o tem... a sensibilidade feminina... &eacute; muito importante! N&oacute;s temos uma sensibilidade... o homem tende a ser simplista... eu acho que, realmente, o homem &eacute; diferente da mulher, a mulher &eacute;, um bocadinho, mais complicada. Tamb&eacute;m acho que a mulher &eacute; mais complicada. Eu tamb&eacute;m n&atilde;o ponho, assim, tantos elogios nas mulheres quanto isso! Os homens t&ecirc;m, realmente, qualidades que n&oacute;s n&atilde;o temos (...) resolvem as quest&otilde;es, &ldquo;p&atilde;o-p&atilde;o, queijo-queijo&rdquo;. S&atilde;o mais assim, n&oacute;s somos mais complicadas, tamb&eacute;m!</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 17:</b> <i>...ah, eu acho que sim, muito diferente, totalmente diferente. Penso que &eacute; a mulher que &eacute; muito mais informal e que n&atilde;o tem receio, eu penso que a mulher n&atilde;o tem tanto receio, tamb&eacute;m salvo excep&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o tem receio de ter menos poder, pelo facto de ser mais acess&iacute;vel; eu acho que isso &eacute; uma forma mais inteligente de exercer o poder. Porque normalmente os homens t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a confundir o poder, a rever&ecirc;ncia, medo ou, digamos, a intimida&ccedil;&atilde;o, e eu penso que a mulher n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o preocupada com isso, est&aacute; mais preocupada que as suas decis&otilde;es sejam aceites e que sejam compreendidas e que sejam cumpridas! Eu acho que, a princ&iacute;pio, n&atilde;o abdica disso. Mas como n&atilde;o tem aquele tipo de preocupa&ccedil;&atilde;o que o homem tem, a sua maneira de exercer o poder &eacute; mais informal, &eacute; mais leve! S&atilde;o mais male&aacute;veis, s&atilde;o menos agressivas... eu penso que ao contr&aacute;rio do que se diz, eu penso que ser&atilde;o menos agressivas, entre aspas, mas no sentido de serem menos carregadas de dist&acirc;ncia, autoritarismo</i>.</font></p>  </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Surge com freq&uuml;&ecirc;ncia a id&eacute;ia da &ldquo;humaniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, algo que seria devido e melhorado pela entrada das mulheres nas posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 10:<i> </i></b><i>...eu acho que ela v&ecirc; coisas que o homem n&atilde;o v&ecirc;, &eacute; capaz de olhar para essas coisas pequeninas, mas &eacute; enquanto essas pequenas coisas humanizam a sua profiss&atilde;o. Isso, o homem n&atilde;o v&ecirc;...</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 8:<i> </i></b><i>...eu penso que as mulheres est&atilde;o muito mal aproveitadas na nossa sociedade, no dia em que a mulher tiver um papel diferente e que tudo puder ser organizado mais na base da mulher, tudo ser&aacute; mais humanizado!</i></font></p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 2:<i> </i></b><i>...tenho um di&aacute;logo permanente... (...) criar um esp&iacute;rito de equipa que os ponha, completamente &agrave; vontade, n&atilde;o sou pessoa de andar aos gritos, mas tenho a firmeza suficiente para quando qualquer coisa me desagrada mesmo, para eles percebem, eu n&atilde;o grito mas </i>&ldquo;<i>ela n&atilde;o gostou nada disto!</i>&rdquo;,<i> portanto, acho que &eacute; mais todo o contacto humano...</i></font></p>  </blockquote>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O discurso das c<i>ompet&ecirc;ncias adquiridas pela pr&aacute;tica</i> no confronto com a discrimina&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O assumir de dificuldades no in&iacute;cio das carreiras e a discrimina&ccedil;&atilde;o aberta por parte dos colegas do sexo masculino parece ser evidente para certas mulheres.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 3:</b> <i>...o que custa mais, no meu entender, s&atilde;o as fases iniciais, at&eacute; nos tomarem a s&eacute;rio</i>;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 9:<i> </i></b><i>...ai sim, senti! Senti, &eacute; evidente que as mulheres s&atilde;o, diariamente, submetidas a testes consecutivos e que t&ecirc;m de provar que s&atilde;o melhores, porque, &agrave; partida, h&aacute; preconceitos e desconfian&ccedil;as e as mulheres t&ecirc;m que provar que s&atilde;o melhores do que os homens para serem aceites para os mesmos lugares que os homens s&atilde;o...</i></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) portanto, as mulheres t&ecirc;m capacidade... e s&atilde;o, at&eacute;, em maioria, a terminar os cursos superiores. No entanto, depois nos conselhos de administra&ccedil;&atilde;o, nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o e de poder, s&atilde;o os homens que preenchem maioritariamente isso! Portanto, h&aacute; algo que est&aacute; mal... tamb&eacute;m penso que a pr&oacute;pria sociedade n&atilde;o est&aacute; estruturada para facilitar a vida &agrave; mulher e a mulher tem muita dificuldade em conciliar as coisas todas</i>;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 1:<i> </i></b><i>...quando principiei, era olhada como lixo, como algo assim de esquisito. Eu era rejeitada e eu queria ultrapassar isso</i>;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) o respeito pelas mulheres em termos profissionais &eacute; muito pouco. Os homens, penso que por defesa, continuam um bocado numa de   </i>&ldquo;<i>eles &eacute; que s&atilde;o homens &eacute; que sabem, as mulheres s&atilde;o de gabinete ou s&atilde;o de trabalhos menos importantes</i>&rdquo;<i>;</i></font></p>       <p><i><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) h&aacute; discrimina&ccedil;&atilde;o no trabalho, h&aacute;! H&aacute; uma tend&ecirc;ncia para fazer chacota da mulher. Portanto, a mulher em termos de trabalho, mesmo em iguais a n&iacute;vel de curso, tem que ter um cuidado enorme na maneira como executa os trabalhos, porque a um homem &eacute; permitido um esquecimento, um deslize, a uma mulher n&atilde;o &eacute;. &Eacute;-lhe permitido, &eacute; &oacute;bvio, mas serve para chacota ou o epis&oacute;dio fica sempre registrado e, portanto, a gente tem que ter alguma, alguma manha na maneira de reagir a essas coisas, mesmo que as fa&ccedil;a, porque as faz, &eacute; &oacute;bvio;</font></i></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) portanto, a n&iacute;vel de colegas, tentam sempre arranjar ver algo da nossa, daquilo que eles acham que &eacute; a nossa fragilidade feminina, apanhar-nos os pontos fracos, todos temos e eles tamb&eacute;m os t&ecirc;m. A mulher, normalmente, n&atilde;o usa os pontos fracos dos homens, os homens tentam usar os pontos fracos da mulher</i>;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 13:<i> </i></b><i>...mas acho que sim, que houve alguma discrimina&ccedil;&atilde;o decorrente de eu ser mulher, a esse n&iacute;vel;</i></font></p>       <p><i><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) entre duas pessoas, diria, com a mesma capacidade intelectual, com a mesma capacidade de interven&ccedil;&atilde;o, com as mesmas qualidades (se &eacute; que isso existe...), os homens ter&atilde;o prioridade sobre as mulheres. Portanto, &eacute; preciso que uma mulher se distinga (...) &eacute; preciso que uma mulher se distinga para obter um lugar. (...) N&atilde;o tenho d&uacute;vidas (...) que &eacute; preciso ser melhor;</font></i></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) as mulheres s&atilde;o, absolutamente, excep&ccedil;&atilde;o em cargos de topo, enquanto que qualquer homem, qualquer homem serve para ocupar lugares... um homem pode chegar a um determinado lugar com caracter&iacute;sticas muito comuns. Para chegar ao mesmo lugar a mulher precisa de ter caracter&iacute;sticas acima da m&eacute;dia. Percebe o que eu digo? Pronto, &eacute; um pouco isto que eu sinto</i>.</font></p> </blockquote>               <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Quando referem caracter&iacute;sticas pessoais, essas s&atilde;o apresentadas como resultado de experi&ecirc;ncias e lutas pessoais.</font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 19:</b> <i>...a cultura feminina, como esteve sempre enfiada no privado, n&atilde;o &eacute; valorizada! Portanto, aquilo que eu acho, a primeira tarefa &eacute;, de facto, valorizar aquilo que as mulheres sabem e s&atilde;o capazes de fazer, n&atilde;o s&oacute; na &aacute;rea privada, mas nas outras; </i></font>   </p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) &eacute; a tal grande quest&atilde;o, sempre saber se uma pessoa deve actuar de uma forma mais radical ou de uma forma mais reformista... a&iacute; tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; grande receita, tamb&eacute;m depende muito de... do ju&iacute;zo de ocasi&atilde;o...</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) estou-lhe a dizer &eacute; que n&oacute;s adquirimos... n&oacute;s acumulamos, por raz&otilde;es v&aacute;rias, saberes... o facto de nos ter sido privada uma dimens&atilde;o da vida n&atilde;o quer dizer que a gente n&atilde;o tenha tido outra e nessa outra dimens&atilde;o acumulamos uma data de saberes que, neste momento, s&atilde;o extraordinariamente necess&aacute;rios &agrave; humanidade, n&atilde;o &eacute;? E a gente sabe-os. Mais do que eles...</i></font></p> </blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Raramente assumem a id&eacute;ia de custos, preferindo a palavra op&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font color="#000000"><b>E. 14:</b><i> A id&eacute;ia dos custos pessoais... (...) n&atilde;o! Isso... isso &eacute; completamente errado. (...) porque a gente s&oacute; faz as coisas que quer! Portanto, se isso lhe d&aacute; gozo, se isso lhe d&aacute; prazer! (...) N&atilde;o &eacute; custo, &eacute; op&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; custo. (...) N&atilde;o &eacute; custo, de maneira nenhuma. Porque, se eu quisesse... ningu&eacute;m me obriga a andar nesta corrida, portanto... se eu quiser volto para casa... n&atilde;o &eacute;?</i></font></font></p> </blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nesse discurso, as mulheres, quando referem algum tipo de especificidade feminina, referem essencialmente caracter&iacute;sticas n&atilde;o naturalizadoras ou essencialistas. Sugerem a exist&ecirc;ncia de compet&ecirc;ncias ou tra&ccedil;os adquiridos, constru&iacute;dos e negociados pela experi&ecirc;ncia. Acontece referirem que a experi&ecirc;ncia com as tarefas dom&eacute;sticas lhes permite adquirir compet&ecirc;ncias de gest&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o. Assumem muitas vezes contradi&ccedil;&otilde;es e ambival&ecirc;ncias.</font></font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 3:</b><i> ...eu acho que as mulheres, normalmente, s&atilde;o muito duras, acabam por ser mais duras que os homens, porque s&atilde;o mais exigentes, pode ser devido &agrave; inseguran&ccedil;a que t&ecirc;m ou pode ser pelo facto de, para terem ascendido onde ascenderam, tiveram que passar muitos obst&aacute;culos, tiveram que lutar por muita coisa e isso endurece-as. (...) H&aacute; uma grande dureza na procura dos objectivos e um certa afabilidade formal no discurso. Essas mulheres s&atilde;o mulheres que tiveram que passar muito e portanto &eacute; natural que...</i></font></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>E. 1:</b> <i>...eu costumo dizer que, se uma mulher cria filhos, &eacute; capaz de fazer qualquer coisa (...) n&atilde;o posso dizer isto &agrave; frente dos homens do meu trabalho, porque eles acham logo que isto &eacute; mesmo mentalidade tacanha, mas eu, honestamente, acho que uma pessoa que gere uma casa, um or&ccedil;amento familiar, manifesta uma capacidade de gerir muito superior &agrave; de um homem</i>.</font></font></p> </blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Conclus&atilde;o</font></font></b></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Concluindo, achamos que este tipo de an&aacute;lise, apesar de toda a subjetividade que o caracteriza, permite compreender melhor, n&atilde;o como essas pessoas s&atilde;o ou dizem ser (n&atilde;o interessam aqui as personagens como pessoas particulares), mas sim como elas utilizam certos discursos para, em certas ocasi&otilde;es (como o foi a situa&ccedil;&atilde;o de entrevista), narrarem e constru&iacute;rem um sentido para as situa&ccedil;&otilde;es que lhes prop&uacute;nhamos explorar. </font> </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na an&aacute;lise da interpreta&ccedil;&atilde;o realizada das entrevistas das mulheres que ocupavam posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a &– que definimos como posi&ccedil;&otilde;es &ldquo;contradit&oacute;rias&rdquo;, j&aacute; que divergentes dos pap&eacute;is tradicionais assumidos para o seu g&ecirc;nero &–, podemos tentar equacionar duas implica&ccedil;&otilde;es fundamentais, uma de car&aacute;ter te&oacute;rico e outra de car&aacute;ter mais pr&aacute;tico e de estrat&eacute;gia pol&iacute;tica. </font> </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Do ponto de vista te&oacute;rico, podemos dizer que o fato de assumirem posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a implica em que construam para si pr&oacute;prias um posicionamento que lhes possibilite o relacionamento com os outros e uma dada constru&ccedil;&atilde;o de subjetividade feminina. Mostramos como um conjunto de mulheres, ao construir um discurso essencialista e individualista (isto &eacute;, apelando para a constru&ccedil;&atilde;o de homem e mulher como entidades distintas em fun&ccedil;&atilde;o de qualidades de natureza espec&iacute;fica e para a utiliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e de personalidades espec&iacute;ficas como &ldquo;recurso&rdquo; ao acesso a postos de lideran&ccedil;a), acaba por perpetuar as categorias, o seu car&aacute;ter universal e perpetuado, que obscurece as rela&ccedil;&otilde;es de poder e nega a discrimina&ccedil;&atilde;o. </font> </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Aquelas que constroem um discurso de compet&ecirc;ncias associadas &agrave; experi&ecirc;ncia, ao terem consci&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es de poder subjacentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero, resistem-lhes, apresentam a experi&ecirc;ncia pessoal como fonte de reflex&atilde;o e permitem a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa discursiva que coloca a ordem social em quest&atilde;o, logo as rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero e a discrimina&ccedil;&atilde;o. </font> </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Dessa interpreta&ccedil;&atilde;o retemos como id&eacute;ia principal o fato das pr&oacute;prias mulheres, por n&atilde;o refletirem sobre os &ldquo;dados&rdquo; adquiridos e os fen&ocirc;menos sociais &ldquo;naturais&rdquo;, acabarem por manter a matriz de relacionamento como masculina e n&atilde;o alterando as normas sociais. Dessa forma, pode-se ver como os discursos da ideologia dominante podem ser de tal modo poderosos de forma a serem partilhados e reconstru&iacute;dos no sentido da desigualdade. </font> </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esses discursos existem na nossa cultura, s&atilde;o disseminados e podem ser consumidos de forma acr&iacute;tica ou, pelo contr&aacute;rio, de forma resistente dependendo da perspectiva ideol&oacute;gica de quem os pretenda utilizar. O discurso essencialista-individualista &eacute; por norma mais utilizado para caracterizar as mulheres em situa&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a quando da dissemina&ccedil;&atilde;o pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, o mesmo n&atilde;o acontecendo com o outro. Admite-se ser realmente mais f&aacute;cil, porque mais difundido e compreens&iacute;vel, a utiliza&ccedil;&atilde;o desse discurso; ele &eacute; tamb&eacute;m muito mais conveniente a uma ideologia dominante, que permite a &ldquo;algumas mulheres especiais&rdquo; certas posi&ccedil;&otilde;es, mas que n&atilde;o organiza a sociedade de forma igualit&aacute;ria para &ldquo;todas&rdquo; as outras mulheres. Tamb&eacute;m do ponto de vista das diferentes perspectivas feministas apresentadas, pode-se dizer que, apesar dessas mulheres n&atilde;o se assumirem claramente como feministas, os seus discursos enquadram-se mais claramente nas perspectivas feministas humanistas e nas de <i>standpoint</i>. </font> </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Do ponto de vista das implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas e pol&iacute;ticas, esta interpreta&ccedil;&atilde;o permite assumir que um mero aumento do n&uacute;mero de mulheres em cargos de decis&atilde;o, se n&atilde;o acompanhado de reconstru&ccedil;&atilde;o, resist&ecirc;ncia e partilha de experi&ecirc;ncias por parte das mulheres, apenas aumenta o n&uacute;mero no &ldquo;clube&rdquo;, mas n&atilde;o altera a ordem estabelecida e, por isso, n&atilde;o possibilita uma radical transforma&ccedil;&atilde;o social. Ser uma mulher isolada n&atilde;o parece ser solu&ccedil;&atilde;o de futuro. S&atilde;o necess&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es paralelas, de aumento do n&uacute;mero de mulheres em postos de lideran&ccedil;a, mas tamb&eacute;m o desenvolvimento de discursos alternativos sobre homens e mulheres.</font></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No entanto, apesar de poder haver diferentes subjetividades, diferentes posi&ccedil;&otilde;es de sujeito, do ponto de visita pol&iacute;tico &eacute; necess&aacute;rio que as mulheres tenham uma identifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. T&ecirc;m de se ver como sujeitos pol&iacute;ticos e para isso &eacute; necess&aacute;rio propor uma cidadania ativa e parit&aacute;ria, na qual a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica seja um valor em si mesma (Voet, 1998). As mulheres necessitam uma maior representa&ccedil;&atilde;o nos &oacute;rg&atilde;os de poder, porque os interesses das mulheres podem estar mais defendidos<a name="sdfootnote10anc" href="#sdfootnote10sym" sdfixed=""><sup>10</sup></a>, porque um leque de talentos mais amplo (de homens e de mulheres) permite a escolha dos mais qualificados e porque a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; um valor em si mesmo, sem o qual n&atilde;o h&aacute; cidadania plena.</font></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A proposta de uma cidadania ativa e parit&aacute;ria implica, assim, na participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nos corpos de tomada de decis&atilde;o. Devem desenvolver as suas compet&ecirc;ncias e estar desejosas de as usar nos altos n&iacute;veis decis&oacute;rios. &Eacute; importante que afirmem que s&atilde;o cidad&atilde;s respons&aacute;veis e l&iacute;deres que desejam determinar, conjuntamente com outros, o conte&uacute;do e o futuro da sociedade. Mas para isso &eacute; importante que os discursos das &ldquo;que j&aacute; est&atilde;o l&aacute;&rdquo; sejam desconstru&iacute;dos de forma a possibilitar a modelagem e n&atilde;o a percep&ccedil;&atilde;o da dificuldade associada a &ldquo;custos pessoais&rdquo; ou mesmo a id&eacute;ia de &ldquo;mulheres excepcionais&rdquo;, &agrave;s quais a discrimina&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o atinge&rdquo;.</font></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Refer&ecirc;ncias</font></font></b></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Am&acirc;ncio, L. (1989). <i>Factores psicossociol&oacute;gicos da discrimina&ccedil;&atilde;o da mulher no trabalho</i>. Tese de Doutorado, Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, Lisboa.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508801&pid=S1516-3717200600020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Benhabib, S. (1992). <i>Situating the self. Gender, community, and postmodernism in contemporary ethics</i>. Cambridge: Polity Press.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508802&pid=S1516-3717200600020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Burr, V. (1995). <i>An introduction to Social Constructionism</i>. London: Routledge.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508803&pid=S1516-3717200600020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Davidson, M. J. & Cooper, C. L. (1992). <i>Shattering the glass ceiling-the woman manager.</i> London: Paul Chapman Publishing.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508804&pid=S1516-3717200600020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Flax, J. (1990). <i>Thinking fragments: psychoanalysis, feminism and postmodernism in the contemporary west</i>. Berkeley: University of California Press.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508805&pid=S1516-3717200600020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fraser, N. & Nicholson, N. (1990). Social criticism without philosophy: an encounter between feminism and Postmodernism. In L. Nicholson (Ed.), <i>Feminism/Postmodernism</i>. New York: Routledge.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508806&pid=S1516-3717200600020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fraser, N. (1989). <i>Unruly practices. Power, discourse and gender in contemporary socail theory</i>. Cambridge: Polity press.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508807&pid=S1516-3717200600020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Haraway, D. (1990). A manifesto for cyborgs: science, technology, and socialist feminism in the 1980. In L. J. Nicholson (Ed.), <i>Feminism/postmodernism</i>. London: Routledge.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508808&pid=S1516-3717200600020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Harding, S. (1986). <i>The science question in feminism</i>. Ithaca and London: Cornell University Press. </font> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508809&pid=S1516-3717200600020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hekman, S. (1991). Reconstructing the subject: feminism, modernism, and postmodernism. <i>Hypatia</i>, <i>6</i> (2), 44-63.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508810&pid=S1516-3717200600020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lipman-Blumen, J. (1980). Female leadership in formal organizations: must the female leader go formal. In H. J. Leavitt, L. R. Pondy & D. M. Boje (Eds.), <i>Readings in managerial psychology</i>, <i>54</i> (21), 341-362.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508811&pid=S1516-3717200600020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lombart, M. (1995). Discurso, orden social y relaciones de poder: una propuesta y su ejemplificaci&oacute;n en el discurso sobre la maternidade.<i> </i><i>Revista de psicologia Social aplicada</i>, <i>5</i> (1/2), 165-184.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508812&pid=S1516-3717200600020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marshall, J. (1984). <i>Women managers-travellers in a male world</i>. Chichester: John Wiley & Sons. </font> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508813&pid=S1516-3717200600020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mouffe, C. (1993). Feminism, citizenship and radical democratic politics (pp. 74-89). In C. Mouffe (Ed.), <i>The return of the political.</i> London and New York: Verso.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508814&pid=S1516-3717200600020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nicholson, N. & West, M. A. (1988). <i>Managerial job change: men and women in transition.</i> Cambridge: Cambridge University Press.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508815&pid=S1516-3717200600020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pallar&eacute;s, S. (1993). <i>La Mujer en la direcci&oacute;n</i>. Barcelona: Universitat Autonoma de Barcelona.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508816&pid=S1516-3717200600020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Parker, I. (1992). <i>Discourse dynamics: critical analysis for social and individual psychology</i>. London: Routledge.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508817&pid=S1516-3717200600020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Potter, J. & Wetherell, M. (1992). <i>Mapping the language of racism: discourse and legitimation of explotation</i>. London: Harvester Wheatsheap.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508818&pid=S1516-3717200600020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Powell, G. N. (1993). <i>Women & men in management</i>. London: Sage. </font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508819&pid=S1516-3717200600020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Powell, G. N. & Butterfield, D. A. (1989). The &ldquo;good manager&rdquo;: did androgyny fare better in the 1980s? <i>Group and Organization Studies</i>, <i>14</i> (2), 216-233.</font></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Schein, V. E. (1975). Relationships between sex-role stereotypes and requesite management characteristics among female managers. <i>Journal of Applied Psychology</i>, <i>60</i>, 340-344.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508821&pid=S1516-3717200600020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voet, R. (1998). F<i>eminism and citizenship. </i>London: Sage Publications.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508822&pid=S1516-3717200600020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wetherell, M. (1995). Romantic discourse and feminist analysis: interrogating investment, power and desire. In S. Wilkinson & C. Kitzinger (Eds.), <i>Feminism and discourse: psychological perspectives</i>. London: Sage.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508823&pid=S1516-3717200600020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Yeatman, A. (1994). Despotism and civil society: the limits of patriarchal citizenship (pp. 153-176). In J. Stiehm (Ed.), <i>Women&acute;s views of the political world of men.</i> New York: Transnational.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508824&pid=S1516-3717200600020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Young, I. (1989). Polity and group differnce. A critique of the ideal of universal citizenhip. <i>Ethics</i>, <i>99</i>, 250-274.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508825&pid=S1516-3717200600020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Young, I. (1990). <i>Justice and politics of difference</i>. Princeton: Princeton University Press.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=508826&pid=S1516-3717200600020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a href="#topo"></a><a href="#topo" name="end"></a><a href="#topo"><img src="../img/revistas/cpst/v9n2/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></b>    <br> E-mail: <a href="mailto:cnog@iep.uminho.pt">cnog@iep.uminho.pt</a></font></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em: 25/05/2005    <br>  Pareceres enviados em: 13/10/2005    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  Aprovado em: 24/10/2005</font></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <a name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc">1</a> Doutora em psicologia social e Professora Auxiliar do Departamento de Psicologia do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia (Campus Universit&aacute;rio de Gualtar) da Universidade do Minho, Braga, Portugal.    <br>  <a name="sdfootnote2sym" href="#sdfootnote2anc">2</a> Os dados que se apresentaram foram retirados da publica&ccedil;&atilde;o &ldquo;A igualdade de g&eacute;nero em Portugal 2003&rdquo;, da responsabilidade da Comiss&atilde;o para Igualdade e Direitos das Mulheres (CIDM) e de documentos de trabalho da APEM (Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres).    <br>  <a name="sdfootnote3sym" href="#sdfootnote3anc">3</a> Essa distin&ccedil;&atilde;o &eacute; muito semelhante &agrave; divis&atilde;o feita por Sandra Harding (1986) relativamente &agrave;s epistemologias feministas. Segundo a autora, pode-se distinguir as epistemologias feministas empiricistas, as de <i>standpoint </i>feminista (centradas nas mulheres) e as p&oacute;s-modernas.     <br>  <a name="sdfootnote4sym" href="#sdfootnote4anc">4</a> Freq&uuml;entemente designadas por feministas liberais.    <br>  <a name="sdfootnote5sym" href="#sdfootnote5anc">5</a> Os feminismos radical e cultural adequam-se claramente a essa designa&ccedil;&atilde;o.    <br>  <a name="sdfootnote6sym" href="#sdfootnote6anc">6</a> Da&iacute; ter estado t&atilde;o em voga, pelos anos 70, as id&eacute;ias da lideran&ccedil;a andr&oacute;gina, que incorporaria o prot&oacute;tipo de um l&iacute;der com as caracter&iacute;sticas positivas de ambos os sexos.    <br>  <a name="sdfootnote7sym" href="#sdfootnote7anc">7</a> S&atilde;o freq&uuml;entemente designadas de feministas culturais.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  <a name="sdfootnote8sym" href="#sdfootnote8anc">8</a> De certa maneira algumas feministas parecem pedir e exigir pelo menos alguns dos elementos de uma democracia participativa.     <br>  <a name="sdfootnote9sym" href="#sdfootnote9anc">9</a> Quatro entre 38 e 43 anos; 9 entre 44 e 45 anos e 5 entre 56 e 57 anos.    <br>  <a name="sdfootnote10sym" href="#sdfootnote10anc">10</a> O fato de serem mulheres n&atilde;o as obriga a representarem todas as outras mulheres, mas &eacute; obvio que defendem mais facilmente interesses que podem compreender.</font></font></p>       ]]></body>
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