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<journal-title><![CDATA[Cadernos de Psicologia Social do Trabalho]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dançarinos de quadrilha junina: um divertimento que é trabalho?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[June square dance revelers: is this work or entertainment?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In June revels in Campina Grande/PB, "The Greatest São João in the World", square dance groups of revelers are considered the greatest hits of the revels. A research carried out among the June square dance groups in this city is the subject of this article, the social representations constructed around this activity. Besides the participating observations, twenty semi-structured interviews were carried out among dancers of both sexes, members of the groups "Arraial da Felicidade", and "Mistura Gostosa". The data analysis was performed using the hermeneutical-dialectical method and the result shows that June square dance revelers construct different representations about this activity: entertainment, leisure, pleasure, responsibility and professional work. It was concluded that the subjects interviewed make up a discourse that stresses the positive effects of this activity, such as social recognition, collective understanding and personal fulfillment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Representações sociais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="title"></a>Dan&ccedil;arinos de quadrilha junina: um divertimento que &eacute; trabalho?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>June square dance revelers: is this work or entertainment?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Nat&aacute;lia Bezerra da Silva<sup>I, 1</sup>; Thelma Maria Grisi Vel&ocirc;so<sup>II, 2</sup>; Francinaldo do Monte Pinto<sup>II, 3</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Centro de Refer&ecirc;ncia da Assist&ecirc;ncia Social (Brejo da Madre de Deus, PE, Brasil)    <br>   <sup>II</sup>Universidade Estadual da Para&iacute;ba (Campina Grande, PB, Brasil)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos festejos juninos de Campina Grande, PB, conhecidos como "O maior S&atilde;o Jo&atilde;o do mundo", as quadrilhas juninas s&atilde;o consideradas um grande &iacute;cone da festa. A partir de uma pesquisa realizada com dan&ccedil;arinos de quadrilha dessa cidade, nos ocuparemos, neste artigo, das representa&ccedil;&otilde;es sociais que s&atilde;o constru&iacute;das sobre essa atividade. Foram realizadas, al&eacute;m da observa&ccedil;&atilde;o participante, vinte entrevistas semiestruturadas com dan&ccedil;arinos de ambos os sexos, das quadrilhas Arraial da Felicidade e Mistura Gostosa. A an&aacute;lise dos dados, operada pelo m&eacute;todo hermen&ecirc;utico-dial&eacute;tico, evidenciou que os dan&ccedil;arinos de quadrilhas juninas constroem diferentes representa&ccedil;&otilde;es sobre essa atividade: divertimento, lazer, prazer, responsabilidade e trabalho. Por fim, observou-se que os entrevistados constroem um discurso que enfatiza os efeitos positivos dessa atividade, o reconhecimento social, o entrosamento coletivo e a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> Representa&ccedil;&otilde;es sociais, Dan&ccedil;arinos de quadrilha junina, Trabalho.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In June revels in Campina Grande/PB, "The Greatest S&atilde;o Jo&atilde;o in the World", square dance groups of revelers are considered the greatest hits of the revels. A research carried out among the June square dance groups in this city is the subject of this article, the social representations constructed around this activity. Besides the participating observations, twenty semi-structured interviews were carried out among dancers of both sexes, members of the groups "Arraial da Felicidade", and "Mistura Gostosa". The data analysis was performed using the hermeneutical-dialectical method and the result shows that June square dance revelers construct different representations about this activity: entertainment, leisure, pleasure, responsibility and professional work. It was concluded that the subjects interviewed make up a discourse that stresses the positive effects of this activity, such as social recognition, collective understanding and personal fulfillment.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords: </b>Social representations, June square-dance revelers, Work.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No espa&ccedil;o urbano, os festejos juninos perderam o seu lado concreto de <i>festa rural</i>, exemplo de <i>manifesta&ccedil;&atilde;o cultural,religiosidade popular</i> e <i>festa da tradi&ccedil;&atilde;o</i>, e institu&iacute;ram-se como "uma produ&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica e discursiva, imag&eacute;tica e c&ecirc;nica, a qual toma a ideia de tradi&ccedil;&atilde;o como principal e fundamental enunciado e elemento definidor do evento junino" (Lima, 2008, p. 21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As quadrilhas juninas s&atilde;o consideradas por autores como Carvalho (2008) e Lima (2008) o grande &iacute;cone e s&iacute;mbolo de um grande evento, realizado em Campina Grande &#150;PB, em comemora&ccedil;&atilde;o aos festejos juninos, denominado "O maior S&atilde;o Jo&atilde;o do mundo". Outros elementos constitutivos da festa, como a fogueira, os bal&otilde;es e as bandeiras multicolores, ajudam na composi&ccedil;&atilde;o desse evento, mas a quadrilha junina &eacute;, definitivamente, o seu grande s&iacute;mbolo, de tal maneira que n&atilde;o existe festa junina sem a participa&ccedil;&atilde;o de quadrilhas juninas. "&Eacute; ela, inclusive, que ajuda a criar e a instituir todo o imagin&aacute;rio em torno da festa junina como uma <i>festa matuta</i>, atrav&eacute;s, por exemplo, de sua indument&aacute;ria e vestu&aacute;rio" (Lima, 2008, p. 114, grifo da autora).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso espec&iacute;fico da cidade de Campina Grande, assinala a referida autora, as quadrilhas ganham ainda mais destaque, pois foram elas que deram o incentivo inicial para a constru&ccedil;&atilde;o paulatina dos chamados "festejos de rua". As quadrilhas juninas contribuem, ainda, para a institui&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio da festa como um evento inocente, ing&ecirc;nuo, uma festa primitiva e ex&oacute;tica com um misto de humor e de simplicidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Afirma Trigueiro (2007) que as quadrilhas "s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es culturais contempor&acirc;neas (re)significadas para atender &agrave;s demandas de consumo da sociedade midiatizada, em que se misturam as experi&ecirc;ncias tradicionais modernas" (p. 1). Essa atividade se encontra, portanto, em meio a todo um jogo de interesses que se apresenta mascarado sobre um discurso de busca e preserva&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es da cidade. Diante desse cen&aacute;rio, realizamos uma pesquisa que analisou as representa&ccedil;&otilde;es sociais constru&iacute;das por dan&ccedil;arinos de quadrilha sobre a participa&ccedil;&atilde;o deles nessa atividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Partimos do conceito de representa&ccedil;&atilde;o social como um conhecimento produzido pelo senso comum, compartilhado e articulado, que se constitui em uma teoria leiga a respeito de determinados objetos sociais e que est&aacute; intimamente ligado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o das identidades (Guareschi, 1996; Oliveira &amp; Werba, 1998), estas, por sua vez, constitu&iacute;das a partir das v&aacute;rias inter-rela&ccedil;&otilde;es que interpelam os sujeitos e caracterizadas como m&uacute;ltiplas e mut&aacute;veis (Ciampa, 1984, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a> foi realizada com dan&ccedil;arinos de duas quadrilhas juninas de Campina Grande, a quadrilha tradicional Arraial da Felicidade e a quadrilha estilizada Mistura Gostosa<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a>, ambas filiadas &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o de Quadrilhas Juninas de Campina Grande (ASQUAJU &#150; CG).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o, Esporte e Cultura de Campina Grande, existe cerca de 150 quadrilhas registradas. Com o intuito de delimitar nosso universo de pesquisa, foram definidos alguns crit&eacute;rios. Assim, a quadrilha estilizada Mistura Gostosa se destacou entre as demais por ter sido a que recebeu mais vezes o t&iacute;tulo de campe&atilde; no concurso de quadrilhas de Campina Grande, no total de 4 coloca&ccedil;&otilde;es em primeiro lugar; por estar associada &agrave; ASQUAJU e por se encontrar, no momento da coleta dos dados, com 15 anos de exist&ecirc;ncia. A Arraial da Felicidade, uma quadrilha tradicional, destacou-se por ser vinculada &agrave; ASQUAJU desde sua funda&ccedil;&atilde;o, mas nunca ter participado do concurso de quadrilhas de Campina Grande; e por estar, no momento da coleta dos dados, com 35 anos de exist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram realizadas vinte entrevistas, dez com cada uma das quadrilhas. Foram entrevistados cinco mulheres e cinco homens em cada uma. Os participantes das quadrilhas s&atilde;o adolescentes ou adultos jovens, sendo assim, a faixa et&aacute;ria variou entre 15 e 24 anos. A maioria dos entrevistados se definiu como solteiro, apenas uma entrevistada era casada. O grau de estudo variou entre ensino fundamental completo e n&iacute;vel superior completo, por&eacute;m a maior parte havia cursado o ensino m&eacute;dio. O tempo de quadrilha dos entrevistados variou entre 1 e 15 anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os entrevistados foram escolhidos pelo crit&eacute;rio de acessibilidade, isto &eacute;, foram entrevistados os dan&ccedil;arinos(as) das referidas quadrilhas, que se colocaram &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para participar da pesquisa. O n&uacute;mero de entrevistas foi definido pelo crit&eacute;rio do "ponto de satura&ccedil;&atilde;o". Nesse sentido, a an&aacute;lise dos dados acompanha todo o processo de desenvolvimento da pesquisa, e o ponto de satura&ccedil;&atilde;o &eacute; atingido quando se disp&otilde;e de informa&ccedil;&otilde;es suficientes sobre determinado aspecto que est&aacute; sendo analisado (Lang, Campos &amp; Demartini, 2010; S&aacute;, 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m das entrevistas, foi realizada a observa&ccedil;&atilde;o participante, que ficou organizada em torno de dez visitas, divididas da seguinte forma: uma entrevista a cada um dos ensaios das duas quadrilhas pesquisadas, e duas, no dia da apresenta&ccedil;&atilde;o das quadrilhas, a Arraial da Felicidade se apresentou na Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado da Para&iacute;ba (FIEP), e a Mistura Gostosa se apresentou no Parque do Povo, durante o concurso de quadrilhas juninas de Campina Grande. Foram realizadas, ainda, quatro visitas nas reuni&otilde;es da ASQUAJU &#150; CG, e duas observa&ccedil;&otilde;es de ensaios de outras quadrilhas estilizadas, as quadrilhas Arraial da Alegria e Trilha Junina. Vale destacar que estas duas &uacute;ltimas observa&ccedil;&otilde;es foram realizadas antes da delimita&ccedil;&atilde;o do universo de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise das entrevistas foi guiada pelo m&eacute;todo hermen&ecirc;utico-dial&eacute;tico proposto por Minayo (1996), que afirma que esse m&eacute;todo possibilita uma interpreta&ccedil;&atilde;o que "coloca a fala em seu contexto para entend&ecirc;-la a partir do seu interior e no campo da especificidade hist&oacute;rica e totalizante em que &eacute; produzida" (p. 231).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>"Ser" dan&ccedil;arino de quadrilha: divertimento, trabalho, prazer</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas entrevistas realizadas, as representa&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das pelos dan&ccedil;arinos vinculam essa atividade ao divertimento e ao trabalho. Diante disso, buscamos inspira&ccedil;&otilde;es nas Cl&iacute;nicas do Trabalho, notadamente na Ergologia e na Psicodin&acirc;mica do Trabalho, que, apesar de suas diferen&ccedil;as, t&ecirc;m em comum o fato de estudar a atividade humana de trabalho. A no&ccedil;&atilde;o de atividade sinaliza uma a&ccedil;&atilde;o, "um impulso de vida, de sa&uacute;de, sem limite predefinido, que sintetiza, cruza e liga tudo o que se representa separadamente (corpo/esp&iacute;rito; individual/coletivo; privado/profissional)" (Durrive &amp; Schwartz, 2008, p. 23).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A atividade dos dan&ccedil;arinos de quadrilhas juninas, express&atilde;o do folclore nordestino, &eacute; representada, neste estudo, por diferentes constru&ccedil;&otilde;es de sentidos atravessados pela dan&ccedil;a, como: divertimento, responsabilidade, lazer, prazer, trabalho, sofrimento e preconceito. De modo geral, o agrupamento desses sentidos/representa&ccedil;&otilde;es mobilizados pela dan&ccedil;a remete &agrave; tentativa permanente do viver junto, de partilhar as conquistas e de superar os obst&aacute;culos vivenciados na quadrilha, na busca da no&ccedil;&atilde;o do bem comum.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Lazer/divers&atilde;o/prazer x trabalho</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seus relatos, alguns dan&ccedil;arinos afirmaram que um dos fatores que os levaram a participar da quadrilha junina foi o fato de lhes proporcionar momentos de divers&atilde;o, de lazer:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; mais assim um significado... por eu gostar, &eacute;... &eacute; um... &eacute; um tipo assim um respeito que eu tenho, mas essa parte de quadrilha assim na minha vida &eacute; mais como divers&atilde;o, porque eu estudo tanto, durante o ano todo, e assim o m&ecirc;s de junho eu decidi dan&ccedil;ar quadrilha pra ser como uma forma de divers&atilde;o, <b>de lazer</b> [enfatiza] porque eu n&atilde;o tenho momentos de lazer durante o ano, &eacute; mais uma forma de divertimento mesmo a quadrilha.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Entrevistadora: Como &eacute; esse divertimento?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Durante as apresenta&ccedil;&otilde;es, primeiramente come&ccedil;ando nos ensaios, porque os ensaios come&ccedil;aram agora no m&ecirc;s de janeiro, a&iacute;... novas amizades fazemos, porque... nem sempre ficam os mesmos dan&ccedil;arinos do ano anterior, entram novas pessoas, ent&atilde;o j&aacute; s&atilde;o novos amigos que voc&ecirc; vai fazer, construir novas amizades, antes de come&ccedil;ar os ensaios, eles ligam l&aacute; o som... fica a turma conversando e tudo isso &eacute; uma forma assim de descontrair, uma forma de n&atilde;o... n&atilde;o continuar na mesmice, que no caso &eacute; durante a semana com meus estudos. No in&iacute;cio &eacute; s&oacute; no fim de semana os ensaios, sexta, s&aacute;bado e domingo, mas como agora que t&aacute; chegando perto &eacute; todos os dias, e &eacute; uma forma de divertimento pra mim, eu passo o dia na faculdade estudando e &agrave; noite eu vou pro ensaio esquecer um pouco daquela... do meu dia... meio turbilhante que foi... e &eacute; isso, conversas, risadas e durante <b>o m&ecirc;s mesmo</b> [enfatiza] de junho s&atilde;o as apresenta&ccedil;&otilde;es, lugares novos que conhecemos, amizades novas que fazemos e tudo isso pra mim &eacute; uma forma de lazer, de divertimento (Corina, 20 anos, MG<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a>).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">e hoje pra mim &eacute; minha divers&atilde;o, porque, como eu tava trabalhando, como a gente trabalha muito, chega em casa cansado, n&atilde;o tem tempo pra se divertir, e eu... tenho a quadrilha como meu lazer, todo ano a gente tira esse per&iacute;odo junino do S&atilde;o Jo&atilde;o, pra se divertir por a&iacute;, conhecer outros lugares.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Ent&atilde;o hoje &eacute; o seu lazer?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Hoje &eacute; o meu lazer, e &eacute; o que eu gosto de fazer, pra mostrar a cultura das cidades da Para&iacute;ba e Campina Grande.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora:</b> E como &eacute; esse gostar de fazer?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;... &eacute; voc&ecirc; ter prazer e fazer uma coisa que voc&ecirc; gosta, pois... a [pausa] quando eu morava l&aacute; no bairro, n&atilde;o tinha nenhuma divers&atilde;o, a &uacute;nica divers&atilde;o que a gente tinha era realmente a quadrilha, que justamente era onde reunia os amigos, pra poder a gente se ver, se divertir. A&iacute; a quadrilha nesse momento que eu gostei mesmo, que eu vi ent&atilde;o que era o que eu queria, e at&eacute; ent&atilde;o da Mistura Gostosa... l&aacute; eu s&oacute; fazia dan&ccedil;ar, na Mistura Gostosa eu entrei mais de dentro mesmo da quadrilha, e hoje eu fa&ccedil;o, eu ajudo l&aacute; os meninos numa coreografia numa opini&atilde;o, hoje em dia &eacute; um <i>hobby</i> pra mim.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">. . .</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Entrevistadora: E que significado tem pra voc&ecirc; o fato de ser dan&ccedil;arino de quadrilha? O que isso significa na sua vida?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Pra mim significa assim... porque... primeiramente vem minha vida pessoal, meu trabalho, e... meu relacionamento familiar, amoroso, e tudo mais, mas, pessoalmente assim, s&oacute; pra satisfazer a minha... vontade de dan&ccedil;ar e... o meu ego maior, n&eacute;? &eacute; muito bom, pra quem, pra quem gosta mesmo, &eacute; uma divers&atilde;o muito boa, tem que gostar muito pra aproveitar mesmo, e... eu gosto, isso aqui &eacute; a minha divers&atilde;o. (Jos&eacute;, 23 anos, MG).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Isso, porque... S&atilde;o Jo&atilde;o, at&eacute; antes de S&atilde;o Jo&atilde;o, a gente... ensaia uns meses antes, isso &eacute; o meu lazer &agrave; noite, eu encaro como isso, sabe? como um... um lazer, de dan&ccedil;ar quadrilha, trabalha o dia todinho, quando chega a noite, vou ali, vou, meu lazer &eacute; isso, dan&ccedil;ar quadrilha (Biu, 22 anos, AF).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos discursos anteriores, os entrevistados representaram a atividade de dan&ccedil;arinos de quadrilha como uma forma de divers&atilde;o n&atilde;o vivenciada no trabalho. Neste caso, como enunciado por Corina e Jos&eacute;, o lazer e o divertimento s&atilde;o sin&ocirc;nimos, apesar de n&atilde;o serem vivenciados simultaneamente no trabalho. Ora, a divers&atilde;o, concebida no sentido de festa, "&eacute; por defini&ccedil;&atilde;o, o oposto do trabalho. Ela sempre marca o desejo de renova&ccedil;&atilde;o, o tempo em que se pode deixar levar, n&atilde;o ser s&eacute;rio . . . Enfim, deixar o racional da vida cotidiana para se entregar ao irracional, ao emocional e aos excessos" (Enriquez, 2014, p. 170).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As representa&ccedil;&otilde;es convergem para uma separa&ccedil;&atilde;o entre lazer/divertimento e trabalho. Nesse caso, o lazer proporcionado pela quadrilha parece estar desvinculado de algum tipo de trabalho. Lazer, aqui, &eacute; diferente (n&atilde;o o contr&aacute;rio) de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em princ&iacute;pio, a quadrilha n&atilde;o recebe o status de trabalho. De um lado, ela opera como um espa&ccedil;o livre de mobiliza&ccedil;&atilde;o do corpo, da criatividade, do prazer e do viver junto; de outro, o engajamento dos dan&ccedil;arinos na quadrilha sinaliza a aus&ecirc;ncia de prazer em seu trabalho, dando a entender que o trabalho &eacute; dominado pelo desgaste f&iacute;sico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aquino e Martins (2007) afirmam que, j&aacute; na Gr&eacute;cia Antiga, os conceitos de &oacute;cio e de trabalho eram antag&ocirc;nicos. Por&eacute;m, nessa &eacute;poca, o &oacute;cio "era uma condi&ccedil;&atilde;o de liberdade relativa &agrave; necessidade de trabalhar" (p. 9). Depois da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, o tempo livre passou a ser configurado como conquista social da classe prolet&aacute;ria. Diante da explora&ccedil;&atilde;o do capital, o lazer se institui como um direito social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A dicotomia estabelecida entre lazer e trabalho remete a uma vis&atilde;o de trabalho destitu&iacute;da de prazer. Mas, afinal, &eacute; o trabalho mesmo que n&atilde;o oferece prazer a quem o realiza? N&atilde;o seria o caso de atribuirmos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, isto &eacute;, ao modo como s&atilde;o fixados os objetivos, as regras, a divis&atilde;o de tarefas e responsabilidades, como um dos fatores que im(possibilita) o prazer no trabalho?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cumpre ainda ressaltar que o divertimento, nas entrevistas, ainda se encontra associado ao prazer despertado pela dan&ccedil;a em si, como atividade r&iacute;tmica. Por outro lado, para esses entrevistados, a escolha de ser dan&ccedil;arino de quadrilha est&aacute; associada a algum tipo de identifica&ccedil;&atilde;o com a dan&ccedil;a, independentemente de seu ritmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em alguns discursos, ainda encontramos refer&ecirc;ncia &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o em realizar apresenta&ccedil;&otilde;es por meio das referidas quadrilhas, em viajar, conhecer novos lugares e pessoas.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Foi... &eacute; algo... &eacute; algo que eu gosto, apesar que eu gosto de dan&ccedil;a, adoro dan&ccedil;ar, gosto muito, e quando voc&ecirc; conhece, tem novas amizades, voc&ecirc; conhece muitos estados, voc&ecirc; viaja muito, e &eacute; muito bom, eu, eu gosto (Jo&atilde;o, 19 anos, MG).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Porque eu gosto de dan&ccedil;a, e gosto de dan&ccedil;a de todo tipo, sabe? Comecei desde pequena, dan&ccedil;ando em escola, a&iacute; comecei a fazer dan&ccedil;a de sal&atilde;o, j&aacute; fiz dan&ccedil;a do ventre (Zefinha, 22 anos, AF).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu acho que porque... &eacute; a dan&ccedil;a, n&eacute;? em si? A dan&ccedil;a &eacute; muito bom, voc&ecirc; t&aacute; dan&ccedil;ando, escutando aquela m&uacute;sica bem... A batida, voc&ecirc; sente aquele neg&oacute;cio (inintelig&iacute;vel). Ai terminou pegando e eu n&atilde;o pretendo deixar t&atilde;o f&aacute;cil. (Pedro, 24 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque eu gosto muito de dan&ccedil;ar, assim, admiro muito, acho muito lindo, &eacute; uma coisa muito especial pra mim, gosto demais, nunca, eu s&oacute; vou deixar a quadrilha quando... dizer assim: "acabou", a&iacute; eu saio. (Detinha, 17 anos, AF).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise dessas representa&ccedil;&otilde;es denota o sentido da dan&ccedil;a, desde os tempos primitivos, como essencialmente um conjunto de gestos e movimentos regidos por uma necessidade de padroniza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica (de normas, coreografias, passos e batidas) que ser&atilde;o executados em um espa&ccedil;o e tempo determinados pelo ritmo individual e coletivo do(s) dan&ccedil;arino(s) (Rangel &amp; Mommensohn, 1991 citado por Fernandes, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso das quadrilhas juninas, percebe-se que o entusiasmo pela dan&ccedil;a, embalada pela sonoridade musical, ritmada pelos gestos e pelos movimentos na quadrilha, produz significados, &agrave;s vezes indecifr&aacute;veis aos dan&ccedil;arinos, sobre a magia da dan&ccedil;a em apresenta&ccedil;&otilde;es de quadrilhas juninas. A complexa rela&ccedil;&atilde;o entre gesto e movimento, postulada por Leplat (2013), remete ao entendimento de que o movimento de uma pessoa adquire o estatuto de gesto quando ela lhe atribui um significado. Em outros termos, um gesto pode ser considerado movimento &agrave; propor&ccedil;&atilde;o que os humanos encontrarem significados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os entrevistados relatam que <i>sentem prazer</i> em dan&ccedil;ar quadrilha e se realizam durante as apresenta&ccedil;&otilde;es, como podemos observar a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E por que voc&ecirc; escolheu ser dan&ccedil;arina de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque assim, &eacute; muito gostoso voc&ecirc; t&aacute; ali se apresentando, voc&ecirc; t&aacute; fazendo o melhor poss&iacute;vel, as pessoas lhe observando, apreciando ali aquele espet&aacute;culo, porque hoje em dia a quadrilha t&aacute; muito diferente do que era antigamente. (Lena, 20 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E como voc&ecirc; se sente quando voc&ecirc; est&aacute; dan&ccedil;ando? O que &eacute; que voc&ecirc; sente?</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Eu sinto prazer.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Prazer?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora:</b> Como &eacute; esse prazer?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; uma emo&ccedil;&atilde;o muito grande, eu espero que voc&ecirc; venha aqui, assistir a apresenta&ccedil;&atilde;o da gente no domingo, toda vez que a gente se apresenta aqui, vem o povo todo, <b>&ecirc;ita </b>[enfatiza] &eacute; muito bom, muito bom mesmo, &eacute;... (Ant&ocirc;nio, 23 anos, AF).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Assim... &eacute;... eu fico... <b>fico emocionada</b> [enfatiza], chego at&eacute; a casos assim, como na nossa primeira apresenta&ccedil;&atilde;o que sempre &eacute; no bairro, <b>n&atilde;o tem uma &uacute;nica quadrilha</b> [enfatiza] que n&atilde;o chore, na primeira apresenta&ccedil;&atilde;o, porque a gente v&ecirc; o esfor&ccedil;o que n&oacute;s tivemos durante, de cinco a seis meses ensaiando, ensaiando, chegando tarde em casa, e isso &eacute; uma motiva&ccedil;&atilde;o muito grande pra um dan&ccedil;arino <b>que gosta do que faz</b> [enfatiza]. (Corina, 20 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;, &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o, pra gente que passa por dificuldades pra... ter um vestido, pra comprar um vestido, porque hoje em dia como as quadrilhas evolu&iacute;ram muito o figurino tamb&eacute;m evoluiu muito... n&eacute;? Ent&atilde;o a gente trabalha e passa, trabalha o dia todinho a&iacute; tem um dinheiro ali, quer ir prum canto, mas n&atilde;o, guarda, porque j&aacute; &eacute; alguma coisa pra quadrilha..., n&eacute;? Passa pelo esfor&ccedil;o e dificuldade de juntar trinta e dois pares, &eacute;... trinta e duas cabe&ccedil;as pensando diferente pra chegar num acordo, mas quando a gente... a nossa primeira apresenta&ccedil;&atilde;o, quando todo mundo se veste, que t&aacute; todo mundo assim com um olhinho brilhando, um olhando um pro outro, dizendo chegou <b>a hora </b>[enfatiza], voc&ecirc; esquece tudo e voc&ecirc; <b>se realiza </b>[enfatiza], de ver aonde voc&ecirc; vai dan&ccedil;ar, um Arraial lotado aplaudindo... chamando o nome da quadrilha, &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o (Joana, 22 anos, MG).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Observemos nesses relatos a &ecirc;nfase ao prazer proporcionado pela atividade. O prazer de se apresentar para o p&uacute;blico e obter reconhecimento. Eles dizem se sentirem realizados e, nesse momento, todos os esfor&ccedil;os e dificuldades s&atilde;o relativizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por outro lado, como explicitado anteriormente, n&atilde;o se pode desconsiderar que as quadrilhas s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es culturais que procuram atender &agrave;s necessidades da sociedade de consumo e midiatizada (Trigueiro, 2007). Lena, ao definir a apresenta&ccedil;&atilde;o como um espet&aacute;culo, "apreciando ali aquele espet&aacute;culo, porque hoje em dia a quadrilha t&aacute; muito diferente do que era antigamente", nos remete &agrave;s discuss&otilde;es de alguns autores sobre a sociedade da imagem<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a>. Nessa sociedade se vive em meio a uma cultura dominada por imagens onde a m&iacute;dia desempenha um papel fundamental, pois cria narrativas que formam um universo de "ilus&otilde;es" para os sujeitos. O "espet&aacute;culo" exposto na m&iacute;dia atinge diversas esferas sociais e produz "uma realidade &agrave; parte", ou um "hiper-real"<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a>. Nessa sociedade, tudo vira espet&aacute;culo e, consequentemente, tudo o que vira espet&aacute;culo passa a ser consumido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Divers&atilde;o com responsabilidade</i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A divers&atilde;o proporcionada pela quadrilha tamb&eacute;m &eacute; apresentada como algo realizado de modo respons&aacute;vel, devido &agrave;s regras existentes dentro das quadrilhas, como o compromisso com os ensaios e os hor&aacute;rios a seguir, como podemos observar nas falas a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E por que voc&ecirc; escolheu ser dan&ccedil;arino de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">[Sil&ecirc;ncio]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque eu escolhi... &eacute; uma &oacute;tima pergunta, visse? Primeiro... por... assim, <b>tipo uma divers&atilde;o </b>[enfatiza].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Tipo uma divers&atilde;o?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; uma divers&atilde;o, assim, devido ao S&atilde;o Jo&atilde;o, devido &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es, n&eacute;? de antigamente.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora: </b>Devido &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;, devido &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es, e... objetivo assim [pausa] &eacute; uma divers&atilde;o com responsabilidades, tem a responsabilidade, tem outras divers&otilde;es, essas festas assim, mas a quadrilha mesmo <b>&eacute; uma divers&atilde;o</b> [enfatiza] totalmente diferente totalmente diferente dessas outras festas, porque a quadrilha, a gente come&ccedil;a um ano antes, a&iacute; j&aacute; vem...</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Eacute; uma divers&atilde;o diferente?</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A&iacute; j&aacute; &eacute; diferente, porque voc&ecirc; conhece pessoas novas, culturas novas, &eacute;... convive mais tempo com o pessoal, e essas outras festas assim paralela &eacute; s&oacute; aquele dia... a&iacute; pronto, acabou, n&atilde;o tem mais [pausa] &eacute; s&oacute; isso, por divers&atilde;o mesmo (Ti&atilde;o, 22 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E que significado isso tem na sua vida, o fato de ser dan&ccedil;arino?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Vou lhe ser bem sincero, &eacute;... como eu lhe falei logo no in&iacute;cio, pra mim tem essa quest&atilde;o da... da responsabilidade de defender a cultura, de mostrar a nossa cultura, mas &eacute; o significado de divers&atilde;o, t&aacute; entendendo? Com um pouco de responsabilidade, <b>n&atilde;o tanto</b> [enfatiza], com um pouco de responsabilidade, mas pra mim, &eacute; um significado de divers&atilde;o.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Com um pouco de responsabilidade?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Assim, em rela&ccedil;&atilde;o para com a quadrilha, n&eacute;? Aquela regra, porque todo, todo lugar tem uma regra, &eacute; igual a uma sala de aula, tem uma regra pro aluno, n&eacute; isso? [risos] A&iacute; pronto, pra mim, na, na minha vis&atilde;o &eacute; uma... um divertimento com responsabilidade, com um pouco de responsabilidade que a gente gosta, n&eacute;? (Bento, 23 anos, MG).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Percebe-se, nessas falas, que a representa&ccedil;&atilde;o da atividade de dan&ccedil;arino se faz presente pela via da divers&atilde;o com responsabilidade, justificada por regras e crit&eacute;rios predeterminados, partilhados coletivamente na quadrilha. O trabalho coletivo &eacute; poss&iacute;vel pelo agrupamento das experi&ecirc;ncias singulares, com a finalidade de construir uma din&acirc;mica coletiva comum, em que prevalecem os elos que os humanos fabricam com o prop&oacute;sito de trabalhar, atrav&eacute;s da coopera&ccedil;&atilde;o, por meio de uma atividade espec&iacute;fica denominada deontologia do fazer (Dejours, 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse modo de fazer e de viver juntos o acontecimento "quadrilha" mobiliza o desejo dos dan&ccedil;arinos de cooperarem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma obra comum. Todavia essa coopera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o os exime do compromisso de cumprir regras e de assumir responsabilidades perante o grupo. Como assinala Dejours (2012), "a coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; com certeza um poderoso dispositivo de estrutura&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es de ajuda m&uacute;tua, solidariedade e harmonia" (p. 113).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>O preconceito/vagabundagem</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os relatos tamb&eacute;m evidenciam o preconceito que os dan&ccedil;arinos vivenciam, observemos a seguir:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora:</b> Que significado tem na tua vida, que import&acirc;ncia tem pra voc&ecirc; ser dan&ccedil;arino de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Quadrilha [pausa]<b> c</b>omo &eacute; que eu explico...</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">[Sil&ecirc;ncio]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora:</b> &Eacute; importante?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Pra mim &eacute;</b> [enfatiza]... &eacute; importante sim.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Por que &eacute; importante?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque voc&ecirc; passa pras pessoas uma forma diferente da quadrilha, que tem muita gente que condena, diz que &eacute; coisa de vagabundo, que n&atilde;o v&ecirc; futuro, e <b>eu acho que tem</b> [enfatiza]. Pena que o... o estado, o munic&iacute;pio n&atilde;o ajudam tanto.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: N&atilde;o ajudam?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;, porque era pra ter uma ajuda maior, de um apoio maior, porque &agrave;s vezes voc&ecirc; chega nos cantos pra pedir uma ajuda, pra uma viagem, e o pessoal lhe d&aacute; as costas, pensa que quadrilha &eacute; s&oacute;... "n&atilde;o, quadrilha &eacute; coisa de vagabundo", eu acho que n&atilde;o.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Voc&ecirc; acha que n&atilde;o?</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Hum.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Por que voc&ecirc; acha que n&atilde;o &eacute; coisa de vagabundo?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque... tem... pessoas casadas que dan&ccedil;am, tem... casal de namorado, noivo, <b>pessoal que trabalha</b>[enfatiza]o) se esfor&ccedil;a pra ir, entendeu? Faz de tudo pra ir, se voc&ecirc; gosta mesmo voc&ecirc; faz de tudo, voc&ecirc; se sacrifica. (Pedro, 24 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E que consequ&ecirc;ncias tem em sua vida o fato de ser dan&ccedil;arino de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Fora o preconceito de muitas pessoas que n&atilde;o reconhecem o trabalho dos dan&ccedil;arinos, que o espa&ccedil;o &eacute; muito pouco aqui em Campina.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: O preconceito?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Com certeza, o preconceito em rela&ccedil;&atilde;o a... tem grupos que dan&ccedil;a que n&atilde;o aceitam dan&ccedil;arinos que dan&ccedil;am em quadrilha, n&atilde;o aceita nos seus grupos, sabendo eles que os melhores dan&ccedil;arinos desses grupos sa&iacute;ram de quadrilhas, mas j&aacute; que eles t&ecirc;m esse preconceito a gente n&atilde;o pode fazer nada, em rela&ccedil;&atilde;o a.... &agrave;s outras pessoas &eacute;... [pausa] porque [pausa] muitas pessoas n&atilde;o entendem, acham que a gente t&aacute; s&oacute; pra... se "amostrar", pra num... &eacute; um tipo de um... quem n&atilde;o faz nada da vida, mas pelo contr&aacute;rio, <b>tem pai de fam&iacute;lia</b> [enfatiza]), &eacute; toda uma estrutura, &eacute; todo um... antigamente n&atilde;o, antigamente tudo bem que... antigamente a gente fazia quadrilha de bairro, sem concurso, sem essas coisas a&iacute;... hoje a gente cresceu mais e o pensamento &eacute; outro.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Entrevistadora: Hoje o pensamento &eacute; outro?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Com certeza. (Jos&eacute;, 23 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu n&atilde;o, num passo por isso, mas tem muitas pessoas aqui que passam pelo fato da cobran&ccedil;a em casa, que tem muitos pais que n&atilde;o querem, que acham que &eacute; coisa de gente desocupado, que acham que &eacute; uma coisa que n&atilde;o tem futuro, que acham que n&atilde;o vai levar a nada. Ent&atilde;o, tem muita gente que passa por isso, que n&atilde;o &eacute; o meu caso, que eu tenho total apoio da minha fam&iacute;lia. (Joana, 22 anos, MG).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E que consequ&ecirc;ncias tem em sua vida o fato de ser dan&ccedil;arina?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Olhe, consequ&ecirc;ncias... porque assim, muita gente, hoje em dia, pelo fato de voc&ecirc; dizer <b>eu sou dan&ccedil;arina</b> [enfatiza] a de quadrilha, n&atilde;o leva isso a s&eacute;rio, entendeu? Ent&atilde;o quando eu digo: "eu sou dan&ccedil;arina" v&atilde;o pensar <b>outra coisa</b> [enfatiza] .</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Que outras coisas?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">V&atilde;o pensar assim, &eacute;... que eu n&atilde;o tenho o que fazer, que... eu.... n&atilde;o me dedico a uma coisa s&eacute;ria, sabe? A estudos, a trabalho, mas n&atilde;o &eacute;, n&atilde;o &eacute; n&atilde;o, porque assim, pra mim dan&ccedil;arino &eacute; um... hobby que voc&ecirc;... gosta, que j&aacute; vem dentro de voc&ecirc;, s&oacute; que pra muita gente isso &eacute; um... um fato assim, de voc&ecirc; n&atilde;o querer fazer nada, de voc&ecirc; n&atilde;o se dedicar a nada, &eacute; como se fosse <b>um nada ser dan&ccedil;arino</b> [enfatiza]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Como se fosse um nada?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute;, a&iacute;... eu acho que... isso traz consequ&ecirc;ncias, porque muita gente vai olhar pra voc&ecirc; e vai dizer que voc&ecirc; n&atilde;o faz nada da sua vida, um dan&ccedil;arino... <b>n&atilde;o ganha nada</b> [enfatiza] n&atilde;o faz nada, s&oacute;, isso pra mim &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia. (Gra&ccedil;a, 20 anos, MG).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">As representa&ccedil;&otilde;es sociais de Pedro, Jos&eacute;, Joana e Gra&ccedil;a s&atilde;o constru&iacute;das na tentativa de legitimar a atividade de dan&ccedil;arino de quadrilha junina e se defender da afirma&ccedil;&atilde;o de que ela "&eacute; coisa de vagabundo". Nesse sentido, utilizam argumentos em que o tema trabalho &eacute; mencionado como um elemento que qualifica a atividade. Portanto, para Pedro, o argumento utilizado &eacute; que existem pessoas casadas, que trabalham (e &eacute; enf&aacute;tico), que dan&ccedil;am quadrilha e que se esfor&ccedil;am, sacrificam-se, sugerindo que quem se sacrifica n&atilde;o &eacute; vagabundo. O sacrif&iacute;cio aparece atrelado ao esfor&ccedil;o e ao trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; Jos&eacute;, para se defender do preconceito, representa a atividade como um trabalho n&atilde;o reconhecido. Os dan&ccedil;arinos de quadrilha junina s&atilde;o discriminados devido ao fato de algumas pessoas os considerarem desocupados, o que tamb&eacute;m aparece na fala de Joana. Ao mencionar que "pais de fam&iacute;lia" participam, que h&aacute; o concurso, Jos&eacute; agrega notabilidade a essa atividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Gra&ccedil;a &eacute; mais enf&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o sofrida pelos dan&ccedil;arinos de quadrilha ao declarar que muitas pessoas consideram "um nada ser dan&ccedil;arino", devido ao fato de acharem que ele n&atilde;o "ganha nada", "n&atilde;o faz nada". Os argumentos utilizados por ela para se defender e legitimar a atividade s&atilde;o tamb&eacute;m muito pr&oacute;ximos dos argumentos utilizados pelos demais. Destaca que ser dan&ccedil;arino &eacute; um hobby, mas que ela estuda, trabalha e faz "coisas s&eacute;rias".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A representa&ccedil;&atilde;o da quadrilha enunciada por esses dan&ccedil;arinos p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a falta de valoriza&ccedil;&atilde;o do trabalho n&atilde;o remunerado desses trabalhadores, na medida em que este, exercido como divertimento e fonte de prazer na quadrilha, n&atilde;o &eacute; reconhecido socialmente por uma parcela da sociedade local, j&aacute; que, como afirma Campos (1993, p. 124 citado por Ribeiro &amp; L&eacute;da, 2004, p. 80), "para a concep&ccedil;&atilde;o dominante, s&oacute; tem sentido o trabalho bem remunerado".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao se defenderem dessa discrimina&ccedil;&atilde;o, os entrevistados constroem representa&ccedil;&otilde;es da atividade de dan&ccedil;arinos, ressaltam valores como responsabilidade e dignidade e, desse modo, se op&otilde;em &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de trabalho n&atilde;o reconhecido socialmente, aqui nomeado de vagabundagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><i>Trabalho que d&aacute; prazer</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O termo "trabalho" &eacute; empregado em alguns trechos das entrevistas para se referir &agrave; atividade de dan&ccedil;arino, como ressaltado nas falas a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E essa quest&atilde;o de participar de concurso, gosta de participar?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Adoro, &eacute; &oacute;timo </b>[enfatiza]! A disputa &eacute; &oacute;tima, apimentada, &eacute;... assim porque a gente v&ecirc; que... n&atilde;o s&oacute; quando a gente ganha, como quando a gente perde tamb&eacute;m, que a gente faz um <b>trabalho</b> [enfatiza] pra agradar o p&uacute;blico, n&atilde;o s&oacute; pra os jurados, o p&uacute;blico gostando, e a gente, assim a gente v&ecirc; que a gente fez um bom trabalho mesmo, n&atilde;o tem coisa mais satisfat&oacute;ria n&atilde;o.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: N&atilde;o tem nada mais satisfat&oacute;rio?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E como voc&ecirc; se sente realizando essa atividade, como voc&ecirc; se sente dan&ccedil;ando?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Ah! Eu me sinto &oacute;timo, esque&ccedil;o todos os problemas que eu tenho durante o dia, esque&ccedil;o do stress, &eacute;... fica emocionado, &agrave;s vezes <b>chora dan&ccedil;ando</b> [enfatiza].</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Agrave;s vezes chora?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">At&eacute; nas apresenta&ccedil;&atilde;o mesmo, <b>a emo&ccedil;&atilde;o &eacute;... extrema </b>[enfatiza].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Como &eacute; este choro?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">De emo&ccedil;&atilde;o, devido, devido... a gente ver o trabalho da gente ali, o esfor&ccedil;o da gente ali, o stress <b>de um ano a gente ensaiando </b>[enfatiza] pra montar a quadrilha, e... as conseq&uuml;&ecirc;ncias que &agrave;s vezes a gente passa devido patroc&iacute;nio, devido... muitas coisas, &eacute; muito gratificante, &eacute; muita emo&ccedil;&atilde;o aqui, quando a gente... <b>sabe?</b> [enfatiza] Vai entrar no arraial.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Eacute; muito gratificante?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Demais, demais. (Ti&atilde;o, 22 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">na maioria das vezes as quadrilhas n&atilde;o d&atilde;o dan&ccedil;am s&oacute; pela apresenta&ccedil;&atilde;o, hoje em dia t&atilde;o visando muito concurso.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: T&atilde;o visando muito concurso?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Exatamente, t&atilde;o visando muito concurso, a&iacute;... quando voc&ecirc; ver que n&atilde;o &eacute; s&oacute; obrigado ganhar, se voc&ecirc;... &eacute;... ver seu trabalho sendo reconhecido pelo p&uacute;blico, o que vale &eacute; aquilo, vit&oacute;ria &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia do trabalho.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Ent&atilde;o pra voc&ecirc; o mais importante &eacute;?</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A... a... a... como &eacute; que se diz, a... o reconhecimento do p&uacute;blico, a vit&oacute;ria &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia que, porque voc&ecirc; t&aacute; num concurso, s&oacute; s&atilde;o aqueles sete jurados, que t&aacute; vendo a quadrilha, se <b>pra eles </b>[enfatiza] se eles gostarem da quadrilha, da quadrilha deles, n&eacute;? porque a gente vai ser classificado, mas se eles n&atilde;o gostarem, e ver um p&uacute;blico com mais de mil pessoas, duas mil, tr&ecirc;s mil pessoas, tem fase, lhe aplaudindo de p&eacute;, isso &eacute; mais gratificante ainda do que um t&iacute;tulo.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Ent&atilde;o a gratifica&ccedil;&atilde;o vem do p&uacute;blico?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Vem do p&uacute;blico.<b> [</b>Sil&ecirc;ncio]. (Rosa, 24 anos, MG).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E pra voc&ecirc;, o que &eacute; ser dan&ccedil;arino de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Rapaz, &eacute; muito gratificante.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Eacute; muito gratificante?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; muito gratificante porque por onde voc&ecirc; passa, voc&ecirc; v&ecirc; o olhar das pessoas, o sorriso num olhar, em ver voc&ecirc; fazendo um trabalho bonito, mantendo a tradi&ccedil;&atilde;o de Campina Grande. (Em&iacute;dio, 19 anos, AF).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">A gente j&aacute; t&aacute;... j&aacute; t&aacute; chegando no ponto certo, porque a gente j&aacute; fez v&aacute;rias viagens, &eacute;... v&aacute;rios trabalhos, inclusive o &uacute;ltimo foi para o Banco o Brasil, que... assim, pra mim... o ano passado eu n&atilde;o dancei, mas, como eu j&aacute; tinha sido dan&ccedil;arina, &eacute;... pra mim foi... um trabalho excelente, porque... estava mostrando v&aacute;rias culturas . . . mostrando o nome de Campina Grande . . . a cada ano a Mistura vai subindo um degrau, e ela vai tipo que empurrando quando tem dificuldade, entendeu? Porque a quadrilha tem sim dificuldades, entendeu? Ent&atilde;o a cada ano a gente vai tentando melhorar, entendeu?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Que tipos de dificuldades?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Assim, a gente faz um trabalho &eacute;... e demora a receber o cach&ecirc;, porque.. &eacute; um trabalho, ent&atilde;o a gente tem que receber cach&ecirc;, certo que a gente dan&ccedil;arino<b> n&atilde;o recebe, mas a quadrilha recebe</b> [enfatiza] ent&atilde;o pra ajudar em adere&ccedil;os, vestidos, essas coisas, assim. Quando se participa de um concurso... tem um valor que a gente sempre ganha, a quadrilha que ganha em primeiro, segundo ou terceiro, ent&atilde;o assim, demoram a pagar, demoram a depositar, ent&atilde;o, &eacute; sim um obst&aacute;culo, porque chega agora m&ecirc;s de S&atilde;o Jo&atilde;o, a gente podendo t&aacute; com o dinheiro e n&atilde;o, a gente tem que esperar o dinheiro ainda ser depositado. Mas at&eacute; agora t&aacute; indo tudo bem, a gente t&aacute; tirando de letra. (Gra&ccedil;a, 20 anos, MG).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nessas falas anteriores, a atividade de dan&ccedil;arino &eacute; representada como trabalho, com todos os desdobramentos da&iacute; decorrentes, e dentre eles o reconhecimento do p&uacute;blico, apesar das dificuldades como enfatiza Gra&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Levando em considera&ccedil;&atilde;o as falas que remetem ao prazer proporcionado pela quadrilha, para a realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho em conjunto, observa-se que o engajamento e a coopera&ccedil;&atilde;o mobilizados no trabalho como dan&ccedil;arinos de quadrilha resultam em uma forma particular de retribui&ccedil;&atilde;o, ainda que seja de natureza simb&oacute;lica, denominada de reconhecimento (Dejours, 2005, 2012). Na verdade, trata-se de um modo particular de reconhecimento do trabalho, atrav&eacute;s do julgamento do p&uacute;blico e da aprecia&ccedil;&atilde;o do j&uacute;ri, que avalia a apresenta&ccedil;&atilde;o da quadrilha. Desse duplo julgamento, tem-se o reconhecimento social do trabalho em rela&ccedil;&atilde;o ao fazer coletivo e &agrave; conquista da identidade dos dan&ccedil;arinos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Dejours (2012), "a conquista da identidade no campo social, mediada pela atividade de trabalho, passa pela din&acirc;mica do reconhecimento" (p. 109). V&ecirc;-se, assim, nas falas dos dan&ccedil;arinos, uma mobiliza&ccedil;&atilde;o gerada espontaneamente pelos integrantes da quadrilha &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma obra em comum. Nisso, segundo o autor citado, consiste a conquista da identidade, na medida em que se relaciona &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de cada sujeito no campo das rela&ccedil;&otilde;es sociais. Nessas representa&ccedil;&otilde;es, a atividade de dan&ccedil;arino de quadrilha &eacute; um trabalho que d&aacute; prazer e satisfa&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E que consequ&ecirc;ncias tem em sua vida o fato de ser dan&ccedil;arina de quadrilha?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">S&oacute; consequ&ecirc;ncias boas, num tem consequ&ecirc;ncias ruins, sem contar que &eacute; muito bom para a sa&uacute;de, n&eacute;? ... mental e f&iacute;sica, &eacute; muito bom.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Eacute; bom pra sa&uacute;de?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; muito bom, excelente tanto mental, como f&iacute;sica [pausa]... trabalhar em grupo, voc&ecirc; se entrosa, conhece muita gente, visita muitos lugares.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: As consequ&ecirc;ncias boas s&atilde;o essas?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Boas, s&oacute; tem boas, n&atilde;o tem consequ&ecirc;ncias ruins, h&aacute; n&atilde;o ser uma dorzinha aqui, outra ali porque a gente dan&ccedil;a muito, mas isso faz parte de dan&ccedil;arino, n&eacute;? Tudo tem seus pr&oacute;s e seus contras, mas n&atilde;o vejo consequ&ecirc;ncias ruins em dan&ccedil;ar n&atilde;o, s&oacute; consequ&ecirc;ncias boas.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E essas coisas boas?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Muito entrosamento, muita gente conhecida, a gente fica mais comunicativo tamb&eacute;m, conhecer muita gente, essas coisas.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Fica mais comunicativo?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Bem mais, n&eacute;? Voc&ecirc; sabe que a gente t&aacute; trabalhando, isso &eacute; um trabalho, um trabalho... que voc&ecirc; se d&aacute;, n&eacute;? N&atilde;o &eacute; aquele trabalho por obriga&ccedil;&atilde;o, e &eacute; um trabalho que voc&ecirc; n&atilde;o realiza sozinho, voc&ecirc; realiza com in&uacute;meros, com in&uacute;meros... componentes, n&eacute;? Todo mundo compartilhando, porque se um n&atilde;o t&aacute; dando certo, a quadrilha toda vai desandar, ent&atilde;o, tem que ter aquele entrosamento em conjunto.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E voc&ecirc; se d&aacute;?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Com certeza. [Sil&ecirc;ncio]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: E como voc&ecirc; se sente realizando essa atividade?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Muito bem, contente <b>tenho certeza mesmo</b> [enfatiza] que eu t&ocirc;... fazendo o que eu gosto, realmente fazendo o que eu gosto. (Zefinha, 22 anos, AF).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Pra mim, o significado de ser dan&ccedil;arino &eacute; que... pra mim, &eacute; uma profiss&atilde;o, <b>&eacute; uma profiss&atilde;o pra gente</b> [enfatiza].</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: &Eacute; uma profiss&atilde;o?</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Uma profiss&atilde;o e tanto [pausa]... pra cada um de n&oacute;s.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><b>Entrevistadora</b>: Por que &eacute; uma profiss&atilde;o?</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Porque &eacute; uma coisa que cada um gosta, cada um tem vontade de t&aacute; ali dentro, &eacute; igual a um trabalho, todo mundo n&atilde;o tem vontade de ter um trabalho? &Eacute; como a gente, n&oacute;s tamb&eacute;m temos vontade de ter aquela... de estar ali dan&ccedil;ando, se divertindo. (Tereza, 20 anos, AF).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Zefinha constr&oacute;i um discurso em que qualifica a atividade, ressaltando que ela s&oacute; tem consequ&ecirc;ncias boas, inclusive para a sa&uacute;de f&iacute;sica e mental. Banaliza e justifica as dores que sente no corpo quando dan&ccedil;a muito: "h&aacute; n&atilde;o ser uma dorzinha aqui, outra ali porque a gente dan&ccedil;a muito, mas isso faz parte de dan&ccedil;arino, n&eacute;? Tudo tem seus pr&oacute;s e seus contras, mas n&atilde;o vejo consequ&ecirc;ncias ruins em dan&ccedil;ar n&atilde;o, s&oacute; consequ&ecirc;ncias boas."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ela &eacute; enf&aacute;tica, ao definir a atividade de dan&ccedil;arinos como um trabalho, e faz uma diferencia&ccedil;&atilde;o desse trabalho afirmando que &eacute; trabalho onde ela "se doa",  denotando, talvez, uma identifica&ccedil;&atilde;o com ele. Acrescenta, ainda, que &eacute; um tipo de trabalho que &eacute; desenvolvido em grupo e que, consequentemente, requer entrosamento e coopera&ccedil;&atilde;o entre os componentes. Zefinha destaca que o trabalho de dan&ccedil;arina n&atilde;o &eacute; um "trabalho por obriga&ccedil;&atilde;o". Tereza, por sua vez, afirma que a atividade &eacute; "uma profiss&atilde;o", igual a um trabalho e associa o trabalho ao divertimento: "todo mundo n&atilde;o tem vontade de ter um trabalho? &Eacute; como a gente, n&oacute;s tamb&eacute;m temos vontade de ter aquela... de estar ali dan&ccedil;ando, se divertindo."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise dessas afirma&ccedil;&otilde;es enunciadas pelos dan&ccedil;arinos coloca em evid&ecirc;ncia a representa&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de trabalho na quadrilha. Essas afirma&ccedil;&otilde;es nos remetem a elementos discutidos por autores como Marcellino (2006), Stevanato (1995) e Albornoz (2004), que entendem que, para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, o trabalho n&atilde;o &eacute; considerado uma realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, mas uma obriga&ccedil;&atilde;o. A atividade de dan&ccedil;arino de quadrilha n&atilde;o se caracteriza um trabalho por obriga&ccedil;&atilde;o, como apregoa o discurso da tradi&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde;. Ao contr&aacute;rio, os entrevistados enfatizam a import&acirc;ncia do entrosamento coletivo, dos efeitos positivos dessa coletividade para a sa&uacute;de. Em outros termos, o sentido de pertencimento &agrave; quadrilha pode ser traduzido como um trabalho que d&aacute; prazer. N&atilde;o &eacute; por acaso que os dan&ccedil;arinos fazem essa atribui&ccedil;&atilde;o, haja vista que a concep&ccedil;&atilde;o de trabalho de muitos desses entrevistados (fora da quadrilha) n&atilde;o proporciona essa forma de divertimento com responsabilidade, orientada por dedica&ccedil;&atilde;o e cumprimento de regras da quadrilha. Talvez, pela via do reconhecimento social, como assinalado por Dejours (2005, 2012), os entrevistados tenham apontado outros significados para o trabalho, tais como: o desejo de ser reconhecido por outrem, por si mesmo, pela recusa ao t&eacute;dio e, com isso, buscar meios de superar as dificuldades (sofrimento) e adquirir prazer como dan&ccedil;arinos de quadrilha.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A quadrilha junina foi representada como um divertimento, por&eacute;m essa "divers&atilde;o" &eacute; diferenciada por ser realizada com "responsabilidade", devido &agrave;s regras existentes nas quadrilhas, tais como o compromisso com os ensaios e os hor&aacute;rios a cumprir. Nessas representa&ccedil;&otilde;es, ressalta-se o sentido de constru&ccedil;&atilde;o coletiva e compartilhada dessa atividade de dan&ccedil;arinos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observou-se que em alguns relatos o divertimento, representado pelos entrevistados como sin&ocirc;nimo de lazer, &eacute; considerado contr&aacute;rio ao trabalho, que &eacute; representado como uma obriga&ccedil;&atilde;o. Ao realizar essa separa&ccedil;&atilde;o, alguns entrevistados constru&iacute;ram suas identidades de trabalhadores que se divertem como dan&ccedil;arinos de quadrilha, um "divertimento com responsabilidade".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O divertimento tamb&eacute;m &eacute; associado ao prazer despertado pela dan&ccedil;a em si, como atividade r&iacute;tmica, e a satisfa&ccedil;&atilde;o em realizar apresenta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas por meio das quadrilhas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A discrimina&ccedil;&atilde;o direcionada aos dan&ccedil;arinos de quadrilha tamb&eacute;m &eacute; ressaltada pelos entrevistados. Segundo eles, s&atilde;o considerados por algumas pessoas e por familiares como desocupados, pessoas que n&atilde;o trabalham em algo &uacute;til social e economicamente. Considerando a import&acirc;ncia que tem o trabalho remunerado na vida moderna, os discursos dos dan&ccedil;arinos respondem a essa discrimina&ccedil;&atilde;o legitimando a atividade que realizam, por meio da representa&ccedil;&atilde;o dessa atividade como um trabalho que gera prazer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A representa&ccedil;&atilde;o da atividade de dan&ccedil;arino como um trabalho que d&aacute; prazer e que n&atilde;o &eacute; por obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; ressaltada tamb&eacute;m em outros relatos, que nos conduzem aos sentidos positivos desse tipo de atividade para a sa&uacute;de, resultantes do reconhecimento social, do compartilhar com os outros e do sentido de realiza&ccedil;&atilde;o. Perguntamo-nos, ent&atilde;o: Ser dan&ccedil;arino de quadrilhas juninas &eacute; um divertimento que &eacute; trabalho? Sem a pretens&atilde;o de responder a essa indaga&ccedil;&atilde;o, posto que correr&iacute;amos o risco de simplific&aacute;-la, arriscamo-nos a afirmar que o trabalho como modo de agir dos humanos sobre o mundo n&atilde;o se op&otilde;e necessariamente ao divertimento, nem ao lazer, nem mesmo ao sofrimento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Albornoz, S. (2004). <i>O que &eacute; trabalho?</i> (6a ed.). S&atilde;o Paulo, SP: Brasiliense.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Aquino, C. A. B., &amp; Martins, J. C. O. (2007). &Oacute;cio, lazer e tempo livre na sociedade do consumo e do trabalho. <i>Revista Mal-estar e Subjetividade,  7</i>(2), 479-500. Recuperado de: <a href="http://pepsic.bvspsi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151861482007000200013&lng=pt&nrm=iso" target="_blank">http://pepsic.bvspsi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S151861482007000200013&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542090&pid=S1516-3717201500010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Belloni, M. L. (2003). A forma&ccedil;&atilde;o na sociedade do espet&aacute;culo: g&ecirc;nese e atualidade do conceito. <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, (22). Recuperado de <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782003000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-24782003000100011&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542091&pid=S1516-3717201500010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Carvalho, M. (2008). Quadrilhas "estilizadas" animam S&atilde;o Jo&atilde;o de Campina Grande. <i>O Jornal Brasil de Fato</i>. Recuperado de <a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/quemsomos" target="_blank">http://www.brasildefato.com.br/v01/quemsomos</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542092&pid=S1516-3717201500010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ciampa, A. C. (1984). Identidade. In: S. T. M. Lane &amp; W. Codo (Org.), <i>Psicologia social: o homem em movimento</i> (pp. 58-75). S&atilde;o Paulo, SP: Brasiliense.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ciampa, A. C. (2008). <i>A est&oacute;ria do Severino e a hist&oacute;ria da Severina</i>. S&atilde;o Paulo, SP: Brasiliense.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dejours, C. (2005). <i>O fator humano</i>. Rio de Janeiro, RJ: Editora FGV.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dejours, C. (2012). <i>Trabalho vivo</i>: trabalho e emancipa&ccedil;&atilde;o. Tomo 2. Bras&iacute;lia, DF: Paralelo.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Durrive, L., &amp; Schwartz, Y. (2008). Gloss&aacute;rio da ergologia. <i>Laboreal, 4</i>(1), 23-28. Recuperado de <a href="http://laboreal.up.pt/revista/artigo.php?id=48u56oTV6582234396587;63882" target="_blank">http://laboreal.up.pt/revista/artigo.php?id=48u56oTV6582234396587;63882</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542097&pid=S1516-3717201500010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Enriquez, E. (2014). O trabalho, ess&ecirc;ncia do homem? O que &eacute; o trabalho<i>? Caderno de Psicologia Social do Trabalho, 17</i>(spe. 1), 163-176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542098&pid=S1516-3717201500010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fernandes, S. M. (2011). <i>Psicodin&acirc;mica do trabalho em uma companhia de dan&ccedil;a do ventre </i>(Monografia de Conclus&atilde;o de Curso). Universidade do Estado do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542100&pid=S1516-3717201500010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fridman, L. C. (1999). P&oacute;s-modernidade: sociedade da imagem e sociedade do conhecimento. <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos, 6</i>(2). Recuperado de <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701999000300007&lng=en&nrm=iso&tlng=pt" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59701999000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542102&pid=S1516-3717201500010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Guareschi, P. A. (1996). Representa&ccedil;&otilde;es sociais: alguns coment&aacute;rios oportunos. <i>Colet&acirc;neas da ANEPP, 1</i>(10), 9-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542103&pid=S1516-3717201500010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Lang, A. B. S. G., Campos, M. C. S. S., &amp; Demartini, Z. B. S. (2010). <i>Hist&oacute;ria oral, sociologia e pesquisa</i>: a abordagem do CERU. S&atilde;o Paulo, SP: Humanitas.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Leplat, J. (2013). Les gestes dans l'activit&eacute; en situation de travail. <i>Pistes, 15</i>(1), 1-19. Recuperado de <a href="http://pistes.revues.org/2951" target="_blank">http://pistes.revues.org/2951</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542106&pid=S1516-3717201500010000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lima, E. C. A. (2008). <i>A f&aacute;brica dos sonhos</i>: a inven&ccedil;&atilde;o da festa junina no espa&ccedil;o urbano (2a ed.). Campina Grande, PB: EDUFCG.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Marcellino, N. C. (2006). <i>Estudos do lazer</i>: uma introdu&ccedil;&atilde;o (4a ed.). Campinas, SP: Autores Associados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Minayo, M. C. S. (1996). <i>O desafio do conhecimento</i>: pesquisa qualitativa em sa&uacute;de (4a ed.). S&atilde;o Paulo, SP: Hucitec.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Oliveira, F. O. de, &amp; Werba, G. C. (1998). Representa&ccedil;&otilde;es sociais. In M. G. C. Jacques, M. N. Strey, &amp; N. M. G. Bernardes (Org.), <i>Psicologia social</i> (pp. 104-117). Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ribeiro, C. V. S., &amp; L&eacute;da, D. B. (2004). O significado do trabalho em tempos de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva. <i>Estudos e Pesquisas em Psicologia, 4</i>(2) 76-83. Recuperado de <a href="http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/11145/8847" target="_blank">http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/11145/8847</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542111&pid=S1516-3717201500010000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font size="2" face="Verdana">S&aacute;, C. P. (1996). <i>Sobre o n&uacute;cleo central das representa&ccedil;&otilde;es sociais</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Stevanato, L. A. (1995). Os significados do trabalho. <i>Viver Psicologia, 3</i>(32), 19-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542113&pid=S1516-3717201500010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Trigueiro, O. M. (2007). O festival de quadrilhas estilizadas no Parque do Povo. <i>Jornal Intercom Not&iacute;cias, 3</i>(64). Recuperado de <a href="http://revcom.portcom.intercom.org.br/&iacute;ndex.php/jornal/article/viewArticle/3028/2842" target="_blank">http://revcom.portcom.intercom.org.br/&iacute;ndex.php/jornal/article/viewArticle/3028/2842</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=542115&pid=S1516-3717201500010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="end"></a><a href="#title"><img src="/img/revistas/cpst/v18n1/seta.jpg" border="0"></a> <b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b>    <br>   <a href="mailto:nataliabezerra_pe@yahoo.com.br">nataliabezerra_pe@yahoo.com.br</a>, <a href="mailto:thelma_veloso@yahoo.com.mx">thelma_veloso@yahoo.com.mx</a>, <a href="mailto:montepinto@ig.com.br">montepinto@ig.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em: 20/05/2014    <br>   Aprovado em: 30/04/2015</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Esta pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa.    <br>   <a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Alguns coordenadores de quadrilhas classificam-nas em estilizadas e tradicionais e afirmam que a principal diferen&ccedil;a est&aacute; no fato de a quadrilha tradicional ter um puxador, que &eacute; a pessoa encarregada de direcionar os passos a serem realizados durante a apresenta&ccedil;&atilde;o da quadrilha junina, e os passos realizados serem os ditos passos tradicionais, que incluem balanc&ecirc;, cestinha de flores, alavantu, anarri&ecirc; (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 31 de mar&ccedil;o de 2009).    <br>   <a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Para garantir o anonimato dos entrevistados, os nomes deles foram substitu&iacute;dos por pseud&ocirc;nimos. Em seguida, vem a idade do entrevistado e as siglas MG ou AF, que servir&atilde;o para designar as quadrilhas entrevistadas, significando, respectivamente, Mistura Gostosa e Arraial da Felicidade.    <br>   <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> O conceito de sociedade da imagem, ou sociedade do espet&aacute;culo, remonta &agrave; d&eacute;cada de 1960, na Fran&ccedil;a, por meio das formula&ccedil;&otilde;es de Guy Debord. Essa &eacute; mais uma denomina&ccedil;&atilde;o da sociedade de consumo, em que se enfatiza a rela&ccedil;&atilde;o da imagem com o capitalismo (Belloni, 2003; Fridman, 2009).    <br>   <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> As express&otilde;es "uma realidade &agrave; parte" e "hiper-real" s&atilde;o utilizadas aqui a partir de Baudrillard (1997 citado por Fridman, 2009).</font></p>      ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A formação na sociedade do espetáculo: gênese e atualidade do conceito]]></article-title>
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