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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desemprego e subjetividade no contexto brasileiro: uma análise interpretativa sob a ótica dos excluídos do mercado de trabalho industrial]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The changes in the world of the work, since the 1970, lead to new conditions of empregability, the increase of the unemployment and stirring up the emergency of new social values. The study of the unemployment from the standpoint of the unemployeds and its subjectivity is advocated. The objective was to investigate the sense produced by unemployeds of the industrial sector, in a city in the south of Minas Gerais, as well as understanding the subjective manifestation of these senses. A qualitative research and interviews it were used. The unemployment was verified as social product of the new conditions of empregability, as product of the transformations in the world of the work, as social exclusion, as an "arrest", as condition in search of a social place and as "symbolic death". Last senses had been identified, these senses represent theoretical elements for the study of the unemployment: "disqualified periphery", "violence and crime" and "symbolic death". We believe that this study can provide subsidies for more profound studies the phenomenon of the unemployment and, consequently, for other studies in the several fields.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Desemprego e subjetividade no contexto brasileiro:    uma an&aacute;lise interpretativa sob a &oacute;tica dos exclu&iacute;dos do    mercado de trabalho industrial</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Maria Cec&iacute;lia Pereira<sup>I</sup>;    Mozar Jos&eacute; de Brito<sup>II</b></sup> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Aluna do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    de Doutoranda em Administra&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Lavras    UFLA. End.: R. Jo&atilde;o Laurente, 175, Cruzeiro do Sul, Lavras, MG, CEP:    37200-000. E-mail: <a href="mailto:cecilia@navinet.com.br">cecilia@navinet.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Doutor em Administra&ccedil;&atilde;o - Universidade de S&atilde;o    Paulo FEA/USP. Professor no Departamento de Administra&ccedil;&atilde;o e Economia    DAE/UFLA. End.: R. Des. Ed&eacute;sio Fernandes, 205, Monte L&iacute;bano, Lavras,    MG, CEP: 37200-000. E-mail: <a href="mailto:mozarjdb@ufla.br">mozarjdb@ufla.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mudan&ccedil;as ocorridas no mundo do trabalho,    desde a d&eacute;cada de 1970, al&eacute;m de definirem novas pr&aacute;ticas    produtivas, com impactos diretos sobre o trabalho, e direcionarem para novas    condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade, tamb&eacute;m levam &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho e ao aumento do desemprego, incitando a emerg&ecirc;ncia de novos    valores sociais. Portanto, advoga-se o estudo do fen&ocirc;meno do desemprego    sob a &oacute;tica dos desempregados e sua subjetividade. Com isso, objetivou-se    investigar os sentidos produzidos por desempregados e desempregadas do setor    industrial, em um munic&iacute;pio no sul de Minas Gerais, acerca do desemprego,    bem como compreender a manifesta&ccedil;&atilde;o subjetiva desses sentidos.    Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, por meio de entrevistas. Verificou-se    o desemprego como produto social das novas condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade,    como produto das transforma&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho, como exclus&atilde;o    social, como uma "pris&atilde;o", como condi&ccedil;&atilde;o em busca de um    lugar social e como "morte simb&oacute;lica". Foram identificados sentidos &uacute;ltimos,    esses sentidos representam <b>elementos te&oacute;ricos para o estudo do fen&ocirc;meno    do desemprego</b>. S&atilde;o eles: "periferia desqualificada", "viol&ecirc;ncia    e criminalidade" e "morte simb&oacute;lica". Acredita-se que este estudo &eacute;    de extrema import&acirc;ncia para diversas &aacute;reas de pesquisa, principalmente    ao apresentar uma proposta te&oacute;rico-metodol&oacute;gica para o estudo    do fen&ocirc;meno do desemprego e, conseq&uuml;entemente, para outros estudos    que possam auxiliar no campo, por exemplo, da Administra&ccedil;&atilde;o, como    o desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a gera&ccedil;&atilde;o    de empregos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> sentidos do desemprego,    subjetividade, reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho, exclus&atilde;o</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The changes in the world of the work, since the    1970, lead to new conditions of empregability, the increase of the unemployment    and stirring up the emergency of new social values. The study of the unemployment    from the standpoint of the unemployeds and its subjectivity is advocated. The    objective was to investigate the sense produced by unemployeds of the industrial    sector, in a city in the south of Minas Gerais, as well as understanding the    subjective manifestation of these senses. A qualitative research and interviews    it were used. The unemployment was verified as social product of the new conditions    of empregability, as product of the transformations in the world of the work,    as social exclusion, as an "arrest", as condition in search of a social place    and as "symbolic death". Last senses had been identified, these senses represent    theoretical elements for the study of the unemployment: "disqualified periphery",    "violence and crime" and "symbolic death". We believe that this study can provide    subsidies for more profound studies the phenomenon of the unemployment and,    consequently, for other studies in the several fields. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key-words:</b> sense of the unemployment,    subjectivity, productive reorganization, precarization of the work, exclusion</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio desta pesquisa, objetivou-se investigar    os sentidos produzidos por desempregados e desempregadas do setor industrial    acerca do desemprego, bem como compreender a manifesta&ccedil;&atilde;o subjetiva    desses sentidos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mudan&ccedil;as ocorridas no mundo do trabalho,    desde a d&eacute;cada de 1970, al&eacute;m de definirem novas pr&aacute;ticas    produtivas, com impactos diretos sobre o trabalho, e direcionarem para novas    condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade, tamb&eacute;m levam &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho e ao aumento do desemprego, seja pela diminui&ccedil;&atilde;o nos    postos de trabalho formais, seja pelas dificuldades impostas pelas novas condi&ccedil;&otilde;es    de empregabilidade. Nesse contexto, destaca-se o trabalhador como algu&eacute;m    inclu&iacute;do em um novo padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o capitalista    que, muitas vezes, desmobiliza, desregula e desvaloriza as rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desemprego e o trabalho informal destacam-se    no cen&aacute;rio brasileiro. A taxa m&eacute;dia de desemprego aberto no Brasil,    calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE),    elevou-se de 3,8% em junho de 1996 para 13% em junho de 2003, com um aumento    de 2,5% em rela&ccedil;&atilde;o a dezembro de 2002. Em mar&ccedil;o de 2004,    a taxa de desemprego apresentou-se em 12,8% e, no mesmo per&iacute;odo de 2005,    o desemprego apresentou taxa de 10,8%. Embora as taxas tenham apresentado ligeira    queda nos &uacute;ltimos dois anos, o n&iacute;vel de desemprego &eacute; considerado    elevado no Pa&iacute;s (IBGE, 2005). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, as condi&ccedil;&otilde;es    prec&aacute;rias de emprego tamb&eacute;m merecem destaque. O n&iacute;vel de    emprego formal no Brasil decresceu, com o fechamento de 304,9 mil postos de    trabalho em 1996, para a elimina&ccedil;&atilde;o de mais 581 mil postos de    trabalho formais em 1998. Em 2003, o emprego informal cresceu 8,4% em rela&ccedil;&atilde;o    a 2002 (Boletim do Banco Central do Brasil, 2005). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em Minas Gerais, o desemprego aberto apresentou    taxa m&eacute;dia de 12,1% em mar&ccedil;o de 2004 e 10,7% em mar&ccedil;o de    2005, tomando como base a regi&atilde;o metropolitana de Belo Horizonte (IBGE,    2005). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante desse cen&aacute;rio, admite-se que o    processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho    associa-se ao aumento do desemprego, incitando a emerg&ecirc;ncia de novos valores    sociais no contexto da reestrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho. Portanto, advoga-se o estudo do fen&ocirc;meno do desemprego sob    a &oacute;tica dos desempregados e sua subjetividade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As formas de manifesta&ccedil;&otilde;es subjetivas    s&atilde;o influenciadas pela hist&oacute;ria e cultura, e remetem &agrave;s    formas de interpreta&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;sticas de determinada    realidade social. O Brasil caracteriza-se por uma sociedade que ainda mant&eacute;m    a conviv&ecirc;ncia do moderno/contempor&acirc;neo com valores mais tradicionais,    como clientelismo e paternalismo, em um contexto que exige competitividade e    impessoalidade nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho. No que tange &agrave;s    mudan&ccedil;as no mundo do trabalho, isso implica, por exemplo, a manuten&ccedil;&atilde;o    de rela&ccedil;&otilde;es de trabalho conservadoras, ao lado de t&eacute;cnicas    denominadas flex&iacute;veis, que exigem novas formas de qualifica&ccedil;&atilde;o,    culminando com maneiras particulares de interpretar o trabalho e, conseq&uuml;entemente,    o desemprego no Brasil. Sendo assim, justificam-se as formas de manifesta&ccedil;&otilde;es    subjetivas como formas de interpreta&ccedil;&atilde;o em torno do fen&ocirc;meno    do desemprego no cen&aacute;rio brasileiro. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Adverte-se, ent&atilde;o, a necessidade de focalizar    a quest&atilde;o do desemprego por meio dos pr&oacute;prios desempregados, imersos    no processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o, explorando os sentidos produzidos    por eles e a forma como esses sentidos se manifestam em sua subjetividade. Trata-se    de um novo "olhar" sobre o fen&ocirc;meno do desemprego, atentando para aspectos    subjetivos, por&eacute;m considerando o ambiente social e cultural. Dessa forma,    advoga-se o estudo do desemprego para al&eacute;m de enfoques macroecon&ocirc;micos    ou individualizantes, de cunho psicol&oacute;gico. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa foi realizada em um munic&iacute;pio    no sul de Minas Gerais, considerando suas particularidades hist&oacute;rico-culturais,    bem como as caracter&iacute;sticas econ&ocirc;mico-sociais referentes &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, mais especificamente, no setor industrial.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A respeito do desemprego</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A no&ccedil;&atilde;o moderna de desemprego est&aacute;    relacionada &agrave; rela&ccedil;&atilde;o salarial, imposta gradativamente    em conseq&uuml;&ecirc;ncia do desenvolvimento da mecaniza&ccedil;&atilde;o das    f&aacute;bricas. Surge uma nova concep&ccedil;&atilde;o de desemprego em que    sua causa n&atilde;o mais seria atribu&iacute;da aos defeitos pessoais dos desempregados,    mas resultaria das leis objetivas do mercado (Topalov, 1990). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da d&eacute;cada de 1970, nos pa&iacute;ses    capitalistas desenvolvidos, a rela&ccedil;&atilde;o salarial predominante come&ccedil;a    a corroer-se. O assalariamento, caracterizado por contrato por tempo indeterminado,    come&ccedil;a a ser substitu&iacute;do por um novo tipo de rela&ccedil;&atilde;o    salarial, menos baseada na estabilidade do emprego. Essas transforma&ccedil;&otilde;es    no mundo do trabalho trazem consigo a precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho e o aumento do desemprego. O novo paradigma produtivo exige um esfor&ccedil;o    redobrado, que supere os enfoques convencionais da economia do trabalho, com    &ecirc;nfase nos mecanismos econ&ocirc;micos; e, da sociologia do trabalho,    com &ecirc;nfase na situa&ccedil;&atilde;o dos assalariados. A implanta&ccedil;&atilde;o    das novas tecnologias de gest&atilde;o e das novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho, como o modelo japon&ecirc;s de produ&ccedil;&atilde;o, influenciou    nas condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade, repercutindo na trajet&oacute;ria    profissional e qualifica&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maioria dos estudos acerca do desemprego enfatiza    o impacto desse fen&ocirc;meno, na sa&uacute;de, nas rela&ccedil;&otilde;es    familiares, no uso do tempo e na sua rela&ccedil;&atilde;o com a criminalidade.    Jahoda (1982) explica as conseq&uuml;&ecirc;ncias psicossociais do desemprego.    A autora afirma que o n&atilde;o-trabalho provoca uma desestrutura&ccedil;&atilde;o    temporal, restringindo os contatos sociais e o espectro de objetivos a m&eacute;dio    e longo prazo, assim como retirando as bases para a refer&ecirc;ncia pessoal.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, os estudos sobre o mercado de trabalho,    at&eacute; a d&eacute;cada de 1980, apontavam para o problema da qualidade dos    postos criados e para a qualifica&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. Com a    persist&ecirc;ncia de taxas elevadas de desemprego, o debate direcionou para    o desemprego, suas causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias, bem como o perfil do desempregado.    Pode-se citar o estudo realizado por Hirata e Humphrey (1989), analisando as    trajet&oacute;rias de trabalhadores desligados da ind&uacute;stria durante a    d&eacute;cada de 1980. Os autores examinam o comportamento dos oper&aacute;rios    fabris numa situa&ccedil;&atilde;o de desemprego e verificam que n&atilde;o    acontece uma entrada direta do trabalhador e desempregado industrial no setor    informal, demonstrando a busca preferencial por empregos na atividade de origem.    Na atividade de busca pelo trabalho, verifica-se o aumento do poder do empregador    que se expressa n&atilde;o s&oacute; no grau de exig&ecirc;ncias, mas tamb&eacute;m    nos tipos de postos de trabalho oferecidos. Esse quadro reflete o poder que    as organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m, na contemporaneidade sobre os trabalhadores    e, at&eacute; mesmo, sobre a oferta e o tipo de empregos oferecidos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hirata e Humphrey (1989) afirmam que o desemprego    repercute na din&acirc;mica familiar, dependendo da posi&ccedil;&atilde;o que    o indiv&iacute;duo desempregado ocupa na fam&iacute;lia. Os autores analisam    as trajet&oacute;rias de trabalhadores industriais desempregados e evidenciam    que as press&otilde;es para aceitar empregos n&atilde;o-industriais ou realizar    "bicos" dependem tamb&eacute;m das press&otilde;es familiares; chefes de fam&iacute;lia    sentem de forma mais aguda a press&atilde;o econ&ocirc;mica, por exemplo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os impactos do desemprego na estrutura das rela&ccedil;&otilde;es    familiares tamb&eacute;m podem ser explicados por uma altera&ccedil;&atilde;o    na posi&ccedil;&atilde;o do membro contribuinte, bem como nas altera&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero. Tais mudan&ccedil;as acarretaram altera&ccedil;&otilde;es nos    arranjos familiares de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, modificando,    por exemplo, o peso da contribui&ccedil;&atilde;o de cada membro na composi&ccedil;&atilde;o    da renda familiar. Quanto aos efeitos de g&ecirc;nero nos estudos sobre o desemprego,    constatou-se uma tend&ecirc;ncia de crescimento da taxa de participa&ccedil;&atilde;o    feminina, concomitante &agrave; queda daquela referente aos homens na estrutura    da manuten&ccedil;&atilde;o financeira da fam&iacute;lia (Hirata & Humphrey,    1989). Ao redimensionar as estruturas familiares, tanto na contribui&ccedil;&atilde;o    da renda quanto na quest&atilde;o de g&ecirc;nero, verificou-se a crescente    exposi&ccedil;&atilde;o das mulheres, por exemplo, &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    do desemprego e, conseq&uuml;entemente, &agrave;s suas implica&ccedil;&otilde;es    comportamentais, refor&ccedil;ando as conseq&uuml;&ecirc;ncias no n&uacute;cleo    familiar. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, os autores apontam para o fato    de que homens, chefes de fam&iacute;lia, n&atilde;o podem aceitar o desemprego    de maneira passiva. Para esses indiv&iacute;duos, estar sem trabalho significa,    em muitos casos, n&atilde;o ter como suprir as necessidades b&aacute;sicas,    como alimenta&ccedil;&atilde;o e vestu&aacute;rio, gerando cobran&ccedil;as    e tens&otilde;es familiares. Para esses autores, a repercuss&atilde;o do desemprego    nas mulheres, principalmente, casadas, &eacute; menor e menos instant&acirc;nea.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto, o fen&ocirc;meno do desemprego    tornou-se um indicador de uma situa&ccedil;&atilde;o social que afeta, de modo    diferente, diferentes grupos da popula&ccedil;&atilde;o, visto que o trabalho    &eacute; considerado, muitas vezes, o eixo das rela&ccedil;&otilde;es sociais    (Cattani, 1996). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desemprego, portanto, tem se tornado mais vis&iacute;vel,    particularmente nos pa&iacute;ses europeus mais avan&ccedil;ados que, juntamente    com os Estados Unidos e o Jap&atilde;o, constituem o eixo propulsor e definidor    da din&acirc;mica da economia mundial. No entanto, o desemprego n&atilde;o deve    ser visto apenas como um fen&ocirc;meno macroecon&ocirc;mico c&iacute;clico,    relacionado a um problema de demanda agregada; nem mesmo como aus&ecirc;ncia    de trabalho; mas como busca de um trabalho com melhores condi&ccedil;&otilde;es.    Nesse sentido, o desempregado pode ser entendido como "agente social", que constr&oacute;i    a realidade da sociedade pela sua pr&aacute;tica, que atua sobre a realidade    e &eacute; influenciado por ela. Ou seja, &eacute; preciso conhecer o que &eacute;    o trabalho e o desemprego e, com base nisso, compreender o desempregado como    ator social, suas refer&ecirc;ncias e suas estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o    (Pereira, 1993). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por isso, julga-se v&aacute;lido o estudo do    desemprego por meio da subjetividade do sujeito desempregado. Para tanto, apresenta-se    a concep&ccedil;&atilde;o de subjetividade adotada nesta pesquisa. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Enfoques conceituais da subjetividade</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta se&ccedil;&atilde;o, pretende-se destacar,    considerando-se as concep&ccedil;&otilde;es de Vygotsky (2000), Guattari (2004;    1993) e Foucault (2004), algumas sistematiza&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas    acerca da subjetividade que parecem adequadas &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es    te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas desta pesquisa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na contemporaneidade, &agrave; medida que contexto,    hist&oacute;ria, rela&ccedil;&otilde;es e lugares sociais s&atilde;o continuamente    transformados, como resultado da atividade dos pr&oacute;prios sujeitos, ressalta-se    o car&aacute;ter complexo de entender a subjetividade. Compreender essa subjetividade    na contemporaneidade requer o olhar para o interior (o sujeito) e para o exterior    (a sociedade). Esse fato refor&ccedil;a a necessidade de focalizar a dimens&atilde;o    de processo e movimento permanente, tanto no que se conclui, quanto na forma    como as an&aacute;lises s&atilde;o tecidas, reconhecendo, ao mesmo tempo, o    car&aacute;ter central e perif&eacute;rico do sujeito social. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vygotsky (2000) procura compreender a g&ecirc;nese    da subjetividade, incorporando os n&iacute;veis biol&oacute;gico, psicol&oacute;gico,    antropol&oacute;gico, hist&oacute;rico e, essencialmente, cultural. Os trabalhos    do autor partem de uma concep&ccedil;&atilde;o de sujeito ps&iacute;quico at&eacute;    uma concep&ccedil;&atilde;o de sujeito como "um agregado de rela&ccedil;&otilde;es    sociais encarnadas no indiv&iacute;duo" (Vygotsky, 2000, p. 33). Essa concep&ccedil;&atilde;o    de sujeito justifica-se pela import&acirc;ncia que Vygotsky atribui &agrave;    dimens&atilde;o social e hist&oacute;rica do funcionamento psicol&oacute;gico    e &agrave; intera&ccedil;&atilde;o social na constru&ccedil;&atilde;o do ser    humano. Nessa perspectiva, o conceito de subjetividade &eacute; ressignificado    como sua forma de desenvolvimento e o modo como esse se processa, na medida    em que o processo de constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade existe como    resultado da atividade humana, no contexto das rela&ccedil;&otilde;es sociais.    O sujeito existe, pois est&aacute; inserido em um contexto social, e os contextos,    por sua vez, resultam da a&ccedil;&atilde;o destes sujeitos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Vygotsky (2000), o processo de constitui&ccedil;&atilde;o    da subjetividade inicia-se com a percep&ccedil;&atilde;o interna e externa dos    sujeitos, baseadas nas experi&ecirc;ncias pessoais. O autor afirma que, no momento    de organiza&ccedil;&atilde;o e reelabora&ccedil;&atilde;o dessas experi&ecirc;ncias,    deve-se levar em considera&ccedil;&atilde;o a vida em sociedade e a cultura    como um produto da vida e da atividade social. Sendo assim, trata-se de uma    abordagem hist&oacute;rico-cultural da constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guattari (1993) define a subjetividade como sendo,    ao mesmo tempo, emergente e singular &agrave;s tramas de rela&ccedil;&otilde;es    sociais. O autor utiliza a express&atilde;o "produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade"    como base para a evolu&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as estruturais (econ&ocirc;micas,    sociais e culturais). Dessa forma, a subjetividade guarda uma rela&ccedil;&atilde;o    de produto e produtora, reconhecida como um sistema aberto ao mundo e em constante    estrutura&ccedil;&atilde;o. Para Guattari (1993, p. 19), subjetividade &eacute;    o "conjunto de condi&ccedil;&otilde;es que torna poss&iacute;vel que inst&acirc;ncias    pr&oacute;prias do indiv&iacute;duo estejam em posi&ccedil;&atilde;o de emergir".    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guattari (2004) discute a concep&ccedil;&atilde;o    de ecologia como composta de tr&ecirc;s elementos: o meio ambiente, as rela&ccedil;&otilde;es    sociais e a subjetividade. O autor coloca em quest&atilde;o a maneira de viver    no planeta, no contexto das mudan&ccedil;as t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas,    e centraliza, nesse contexto, o trabalho, o desemprego e a subjetividade. Guattari    (2004) defende que a rela&ccedil;&atilde;o da subjetividade com sua exterioridade    social, animal, vegetal ou c&oacute;smica delimitaria a pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o    dessa subjetividade e, conseq&uuml;entemente, a produ&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    sociais. A produ&ccedil;&atilde;o da subjetividade, portanto, n&atilde;o est&aacute;    centrada nos sujeitos em si mesmos, mas nos mecanismos de express&atilde;o estrutural,    como os sistemas econ&ocirc;mico, social e cultural; e, nos mecanismos ps&iacute;quicos,    como os sistemas de percep&ccedil;&atilde;o, valor, biol&oacute;gico etc. Ou    seja, a conforma&ccedil;&atilde;o da subjetividade se d&aacute; no &acirc;mbito    do social (Guattari, 1994). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A subjetividade constru&iacute;da socialmente    est&aacute; intimamente relacionada, na concep&ccedil;&atilde;o de Foucault    (2004), &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a estabelecidas na sociedade,    manifestadas por meio da linguagem. Para esse autor, o exerc&iacute;cio do poder    n&atilde;o seria privil&eacute;gio apenas dos grupos dominantes, mas seria difuso,    perpassando diversos espa&ccedil;os sociais, permeando as linguagens, respons&aacute;veis,    muitas vezes, pela pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade.    Sendo assim, a subjetividade est&aacute; centrada na linguagem em curso, n&atilde;o    podendo ser considerada apenas como elemento interior a um sujeito. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault (2004) descreve o saber como uma arqueologia    das pr&aacute;ticas, manifestadas por meio da linguagem, dos discursos. A subjetividade,    nesse sentido, n&atilde;o &eacute; considerada manifesta&ccedil;&atilde;o inerente    ao sujeito em si. O autor n&atilde;o relaciona o discurso diretamente a uma    subjetividade, mas remete-a &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es e &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es    que os sujeitos ocupam em uma diversidade discursiva, ou seja, a subjetividade    est&aacute; diretamente relacionada aos jogos de poder estabelecidos na linguagem,    para a busca do conhecimento, da verdade. Para o autor, essa busca implica "escolhas"    por parte dos sujeitos e, portanto, liberdades que s&oacute; poderiam ser compreendidas    por meio da subjetividade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A subjetividade, portanto, n&atilde;o &eacute;    apenas um elemento interior a um sujeito, partindo das caracter&iacute;sticas    do inconsciente, mas um microfen&ocirc;meno de an&aacute;lise, o qual pode se    manifestar tanto psicologicamente quanto por meio da linguagem. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observa-se, ressalvando as particularidades das    sistematiza&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de cada autor, que Vygotsky, Guattari    e Foucault concebem a import&acirc;ncia da inser&ccedil;&atilde;o do sujeito    em um mundo social no qual ele constitui sua subjetividade, conferindo a ela    um car&aacute;ter de constru&ccedil;&atilde;o social, definida hist&oacute;rica    e culturalmente, e que pode se expressar no momento da intera&ccedil;&atilde;o    e da linguagem em curso. Destaca-se a import&acirc;ncia do resgate de uma concep&ccedil;&atilde;o    de subjetividade, principalmente no campo da psicologia, enfatizando a tend&ecirc;ncia    de produ&ccedil;&atilde;o social da realidade, n&atilde;o deixando de destacar    os aspectos inconscientes implicados tamb&eacute;m nos grupos sociais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ferreira (2000) ressalta que falar do indiv&iacute;duo    como algo isolado constitui a abstra&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria realidade    subjetiva. Para essa autora, existe um movimento dial&eacute;tico entre indiv&iacute;duo    e sociedade. Os indiv&iacute;duos, ao se relacionarem, produziriam a subjetividade    e a sociedade como um todo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Desemprego e subjetividade: apresentando algumas    pesquisas</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> De maneira geral, os temas do trabalho e do    desemprego, na sociedade contempor&acirc;nea, t&ecirc;m sido relacionados, em    diversas pesquisas, com aspectos subjetivos da perda do emprego (Caldas, 2000a;    2000b; Jahoda, 1982). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em alguns trabalhos, prop&otilde;e-se a an&aacute;lise    da dimens&atilde;o subjetiva do desemprego, focalizando as implica&ccedil;&otilde;es    para o desempregado (Caldas, 2000a; Fryer & Payne, 1986). "Parece natural    que a demiss&atilde;o afete mais o indiv&iacute;duo desligado do que qualquer    outro envolvido" (Caldas, 2000a, p. 2). Esse autor discute a perda do emprego,    e seus efeitos subjetivos no contexto brasileiro, partindo do sentido do pr&oacute;prio    trabalho para o sujeito. Em sua pesquisa, Caldas (2000a) apresenta algumas dimens&otilde;es    do desemprego como a perda da identidade e da auto-estima. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o a essas dimens&otilde;es,    ressalta-se que o conceito de identidade utilizado por Caldas (2000a) aproxima-se    da no&ccedil;&atilde;o de confus&atilde;o intelectual ou emocional entre sujeitos    para com outros sujeitos ou para com objetos. Ou seja, o autor parece aproximar-se    mais da no&ccedil;&atilde;o de identifica&ccedil;&atilde;o, no sentido de refer&ecirc;ncia    social, do que de identidade propriamente dita. Especificamente, em sua obra,    Caldas (2000a) pretende demonstrar que o sujeito estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o    de identifica&ccedil;&atilde;o com seu trabalho ou com a organiza&ccedil;&atilde;o    que lhe confere uma refer&ecirc;ncia social e, ao ficar desempregado, perde    essa identifica&ccedil;&atilde;o e, conseq&uuml;entemente, sua auto-estima.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pag&egrave;s, Bonetti, DeGaulejae e Descenfdre    (1987) focalizam o rompimento do elo entre o sujeito e a organiza&ccedil;&atilde;o:    </font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o, na sua realidade      econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, prop&otilde;e aos indiv&iacute;duos uma      imagem de for&ccedil;a e de poder: o porte da organiza&ccedil;&atilde;o, seu      car&aacute;ter mundial, sua efic&aacute;cia, seus objetivos de conquista (lucro      e expans&atilde;o) constituem uma imagem agressiva de onipot&ecirc;ncia, que      favorece a proje&ccedil;&atilde;o de sonhos individuais de onipot&ecirc;ncia,      ao mesmo tempo que mant&eacute;m a ang&uacute;stia que os alimenta (Pag&egrave;s;      Bonetti; DeGaulejae & Descenfdre, 1987, p. 163). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, Caldas (2000a) defende que o desemprego    seria a dissolu&ccedil;&atilde;o de uma liga&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica    que o trabalhador mant&eacute;m com o trabalho, ou com a organiza&ccedil;&atilde;o,    por meio da qual atenuaria suas incertezas e inseguran&ccedil;as. A identifica&ccedil;&atilde;o    ou o elo entre o trabalhador e o trabalho/organiza&ccedil;&atilde;o estaria    intimamente relacionado &agrave; import&acirc;ncia dada ao trabalho como uma    forma de contato interpessoal e como imagem, ou seja, como posi&ccedil;&atilde;o    de <I>status</I>. Nessa perspectiva, o emprego &eacute; tido como uma fonte    central de auto-estima e reconhecimento social. O desemprego, portanto, representaria    a perda da refer&ecirc;ncia social que levaria &agrave; perda da auto-estima    que acompanha esse papel. A posi&ccedil;&atilde;o de desempregado &eacute; apresentada    como uma posi&ccedil;&atilde;o de menor prest&iacute;gio, desviante, de segunda    categoria, n&atilde;o providenciando uma verdadeira perten&ccedil;a ao social    (Caldas, 2000a). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enriquez (1999) adverte que o trabalho instaura    a realidade e a temporalidade para o trabalhador. Segundo o autor: "quando n&atilde;o    temos temporalidade, n&atilde;o sabemos mais quem n&oacute;s somos nem o que    temos a fazer" (Enriquez, 1999, p. 79). O elemento de atemporalidade remete    &agrave; condi&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria na qual se encontra o desempregado.    A falta de exig&ecirc;ncias e compromissos cotidianos pode produzir um excesso    de tempo e retirar a necessidade de escolher entre diferentes atividades; uma    redu&ccedil;&atilde;o geral dessas mesmas exig&ecirc;ncias &eacute; freq&uuml;entemente    acompanhada pela perda de uma diferencia&ccedil;&atilde;o temporal. Essa dificuldade,    para preencher o tempo por falta de atividade, pode acarretar dimens&otilde;es    comportamentais da perda do trabalho, como as rea&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia    e as mudan&ccedil;as nas estruturas das rela&ccedil;&otilde;es familiares (Caldas,    2000 a). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sargentini (2001), ao investigar a trajet&oacute;ria    do trabalhador brasileiro em determinados momentos do s&eacute;culo XX, verificou    que os trabalhadores da d&eacute;cada de 1930, ao se organizarem, lutavam por    justi&ccedil;a ao valor da for&ccedil;a de trabalho que vendiam. Os trabalhadores    da d&eacute;cada de 1990, por sua vez, procuravam garantir o direito de ainda    poder vender a for&ccedil;a de trabalho: "assim, o momento leva o trabalhador    a voltar-se para um novo foco: organizar-se para vender a for&ccedil;a de trabalho"    (Sargentini, 200, p. 256). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A trajet&oacute;ria dos trabalhadores tamb&eacute;m    pode ser analisada no interior das organiza&ccedil;&otilde;es, tra&ccedil;ando    compara&ccedil;&otilde;es entre o trabalhador do per&iacute;odo fordista e o    trabalhador no contexto da reestrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho. Nesse per&iacute;odo, tamb&eacute;m chamado de per&iacute;odo da    especializa&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, a sintonia com as emo&ccedil;&otilde;es    e a capacidade de trabalhar em equipe emergem como elementos importantes no    contexto da nova organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho. Rosa (1998) afirma que    esse cen&aacute;rio incita um tipo de "governo dos homens", no qual o trabalhador    e sua subjetividade s&atilde;o requalificados no seu "dever ser". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma de governo e as responsabilidades colocadas    pelas mudan&ccedil;as no mundo do trabalho, segundo a autora, consideram o poder    como a pr&oacute;pria liberdade humana de reiniciar a a&ccedil;&atilde;o e,    portanto, realizar a pluralidade e as singularidades inclusas nas novas formas    de trabalho. A reflex&atilde;o revela que o trabalhador, no contexto da reestrutura&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, deve estar preparado para um novo formato    de emprego: o emprego que exige dele o "saber ser respons&aacute;veis", multifuncionais,    soci&aacute;veis, entre outras caracter&iacute;sticas. &Eacute; o desenvolvimento    de um ideal trabalhador contr&aacute;rio ao ideal trabalhador <I>taylorista</I>.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado, Oliveira e Mattoso (2003) argumentam    que as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas pela nova organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho s&atilde;o pautadas, muito mais do que em uma autonomia real, em    uma autonomia outorgada, de base instrumental. Essa autonomia seria um instrumento    de coordena&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho com vistas    a atingir um objetivo econ&ocirc;mico. Dessa forma, a nova organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho seria voltada para a forma&ccedil;&atilde;o de trabalhadores capazes    de cooperar em situa&ccedil;&atilde;o de trabalho. Por&eacute;m, a coopera&ccedil;&atilde;o    seria produtiva e operacional e n&atilde;o solid&aacute;ria e unificadora. Nesse    cen&aacute;rio, a figura do sujeito reivindicador de direitos, por meio, por    exemplo, dos sindicatos, tem enfraquecido perante a crescente competitividade    e inseguran&ccedil;a no &acirc;mbito do trabalho. O discurso na contemporaneidade    incita cada trabalhador a diferenciar-se, para, com isso, promover-se e sair    do interior de uma imensa massa de comuns (Sargentini, 2001). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse fato pode acarretar o sentimento de inseguran&ccedil;a,    em grande parte refor&ccedil;ado pela individualiza&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o    e valoriza&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es de <b>empregabilidade</b>.    Sorj (2000), ao discutir sobre os aspectos da nova sociedade brasileira, apresenta    as conseq&uuml;&ecirc;ncias da reorganiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    e do emprego, ressaltando as novas formas de estrat&eacute;gias sociais diante    das condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade. Para o autor, uma massa cada    vez maior de desempregados procura reciclar-se, enquanto as novas gera&ccedil;&otilde;es    desenvolvem estrat&eacute;gias para adaptar-se &agrave;s exig&ecirc;ncias do    novo mercado de trabalho. O contexto, portanto, requer do sujeito um constante    investimento privado em sintonia com as eventuais oportunidades que o mercado    de trabalho oferece. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As novas condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade    podem estar associadas a uma forma de transfer&ecirc;ncia da responsabilidade    da "n&atilde;o contrata&ccedil;&atilde;o" da organiza&ccedil;&atilde;o para    o trabalhador: </font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um trabalhador "n&atilde;o empreg&aacute;vel"      &eacute; um trabalhador n&atilde;o formado para o emprego, n&atilde;o competente,      etc. O acesso ou n&atilde;o ao emprego aparece como dependente da estrita      vontade individual de forma&ccedil;&atilde;o, quando se sabe que fatores de      ordem macro e meso econ&ocirc;micos contribuem decisivamente para essa situa&ccedil;&atilde;o      individual (Cortella, 1997, p. 33). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o sujeito &eacute; o respons&aacute;vel    pela sua pr&oacute;pria capacidade de conseguir um emprego (construir sua condi&ccedil;&atilde;o    de empregabilidade), esse se v&ecirc; diante da necessidade de financiar sua    entrada no mercado de trabalho por meio de diversos mecanismos. Al&eacute;m    da busca por capacita&ccedil;&atilde;o profissional, Sorj (2000) aponta a valoriza&ccedil;&atilde;o    das redes sociais no Brasil como elemento de empregabilidade. Trata-se de uma    quest&atilde;o que mant&eacute;m &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o com o contexto    econ&ocirc;mico. O autor afirma que, nos momentos de expans&atilde;o econ&ocirc;mica,    surgem oportunidades de ascens&atilde;o por m&eacute;rito, independente de fatores    da origem social. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em contrapartida, a deteriora&ccedil;&atilde;o    da economia, as mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas e o acelerado decl&iacute;nio    dos empregos, a despeito de aumentarem as exig&ecirc;ncias em termos de compet&ecirc;ncia,    tamb&eacute;m fortalecem as redes sociais como mecanismos de filtro e sele&ccedil;&atilde;o:    "valoriza-se o capital social individual e familiar do candidato (como crit&eacute;rio    central de sele&ccedil;&atilde;o, dado o grande n&uacute;mero de candidatos    para um pequeno n&uacute;mero de cargos)" (Sorj, 2000, p. 81). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante desses elementos, a empregabilidade parece    real&ccedil;ar o sentimento de inseguran&ccedil;a, principalmente para os desempregados.    Ao romper o elo com a organiza&ccedil;&atilde;o, o desempregado estaria em um    estado de incerteza, o qual poderia acarretar o estresse e at&eacute; mesmo    a depress&atilde;o, encarada n&atilde;o apenas como um fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico,    mas como uma manifesta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m social e complexa (Whooley,    2002). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gomes (2003), ao realizar um estudo acerca da    liga&ccedil;&atilde;o entre desemprego, depress&atilde;o e sentido de coer&ecirc;ncia,    afirma que, al&eacute;m de intimamente relacionada a esse fen&ocirc;meno e de    ocasionar conseq&uuml;&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas, a depress&atilde;o pode    acirrar uma situa&ccedil;&atilde;o que, para o desempregado, por si s&oacute;,    j&aacute; &eacute; alarmante, qual seja: a dificuldade econ&ocirc;mica. O autor    ressalta que os deprimidos s&atilde;o v&iacute;timas de sucessivas consultas,    repetidos exames e an&aacute;lises ou de pequenas cirurgias, os quais representariam    os <b>custos da depress&atilde;o cl&iacute;nica</b>. Os custos da depress&atilde;o    tamb&eacute;m podem ser identificados no n&iacute;vel social e familiar, embora    n&atilde;o sejam t&atilde;o facilmente identific&aacute;veis nesses n&iacute;veis.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A proposta de Caldas (2000a) &eacute; a no&ccedil;&atilde;o    de emprego como vida, ou seja, o emprego representaria para o trabalhador a    liga&ccedil;&atilde;o com a vida e o sentido de fazer parte dela. Por meio do    trabalho, t&ecirc;m-se compromissos, regras a cumprir, podem-se esperar recompensas    pelo esfor&ccedil;o despendido, enfim, representa a atividade. Por conseguinte,    o desemprego manifestar-se-&iacute;a como express&atilde;o de inatividade e    morte. Esse sentimento &eacute; refor&ccedil;ado pela no&ccedil;&atilde;o de    invalidez, pelo fato de n&atilde;o produzir, de n&atilde;o colaborar, de estar    fora do mercado, da esfera <b>ativa</b> da sociedade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As dimens&otilde;es do desemprego apresentadas    neste cap&iacute;tulo, considerando-se o que o trabalho pode representar para    o sujeito, s&atilde;o de extrema relev&acirc;ncia para os estudos no &acirc;mbito    do trabalho e do desemprego. Entretanto, nesta pesquisa, pretendeu-se compreender    o fen&ocirc;meno do desemprego, tomando por base seu sentido produzido por desempregados    e desempregadas do setor industrial, a partir de sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o    de estar desempregado(a). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao considerar a import&acirc;ncia do elemento    social no processo de subjetiva&ccedil;&atilde;o, incita-se a discuss&atilde;o    de algumas formas de subjetividade inerentes &agrave; modernidade e, mais precisamente,    das maneiras como tais subjetividades articulam-se no contexto brasileiro. Dessa    forma, &eacute; poss&iacute;vel investigar e analisar a produ&ccedil;&atilde;o    de sentidos, tendo em conta as particularidades das formas de agir e pensar    na sociedade brasileira (subjetividade), n&atilde;o deixando, contudo, de considerar    as minuciosidades de cada sujeito envolvido na pesquisa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Manifesta&ccedil;&otilde;es brasileiras da    subjetividade</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Optou-se por tratar a constru&ccedil;&atilde;o    da subjetividade particularizando a no&ccedil;&atilde;o de individualismo desenvolvida    por Dumont (1985) e, posteriormente, pelos estudos de DaMatta (1990) e Figueiredo    (1995), em di&aacute;logo com o primeiro, considerando especificamente o cen&aacute;rio    brasileiro. N&atilde;o &eacute; pretens&atilde;o esgotar, neste t&oacute;pico,    as discuss&otilde;es a respeito do tema da subjetividade no Brasil, mas, a partir    do recorte proposto, tra&ccedil;ar algumas caracter&iacute;sticas que permeiam    a constru&ccedil;&atilde;o subjetiva do brasileiro, as quais podem se relacionar    aos sentidos produzidos por ele. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dumont (1985) apresenta um estudo acerca do desenvolvimento    do conceito moderno de indiv&iacute;duo. O autor apresenta a no&ccedil;&atilde;o    de individualismo que seria um valor pr&oacute;prio das sociedades ocidentais    modernas. Para Dumont (1985), a primazia do indiv&iacute;duo constitui o cerne    da heran&ccedil;a judaico-crist&atilde;, que trata da afirma&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo nas sociedades ocidentais modernas, da busca da liberdade,    da propriedade privada, da limita&ccedil;&atilde;o do poder do Estado, enfim,    da afirma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo perante a sociedade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Admite-se que o conceito que permeia a sociedade    ocidental, o individualismo, remonta a uma &eacute;poca remota. Dumont (1985)    cita o mundo helen&iacute;stico como um mundo j&aacute; impregnado da concep&ccedil;&atilde;o    individualista que, posteriormente, veio a ser retomado pelo cristianismo, expresso    na cren&ccedil;a da fraternidade do amor em Cristo e por Cristo e na igualdade    de todos. Mas o problema ressaltado por Dumont (1985) &eacute;, principalmente,    o problema da origem do individualismo. O autor se pergunta como, a partir do    tipo geral das sociedades (<b>holistas</b>), p&ocirc;de se desenvolver o tipo    de sociedade individualista. Ele pr&oacute;prio conclui, com base na observa&ccedil;&atilde;o    da sociedade indiana, que, em sociedades tradicionais, o individualismo aparece    como uma rea&ccedil;&atilde;o, uma forma de oposi&ccedil;&atilde;o a essa sociedade.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tem-se, portanto, um paralelo entre o indiv&iacute;duo    moderno ocidental: indiv&iacute;duo tradicional, pr&oacute;prio das sociedades    hierarquizadas, hol&iacute;sticas, e o chamado indiv&iacute;duo-fora-do-mundo.    O primeiro caracteriza-se por um indiv&iacute;duo que constitui valor supremo;    suas regras pessoais movem sua exist&ecirc;ncia e a sociedade trabalha a seu    servi&ccedil;o: <b>indiv&iacute;duos-no-mundo</b>. O segundo, o indiv&iacute;duo    tradicional, &eacute; aquele que pensa no todo e considera a hierarquia de valores    institucionalizada em sua sociedade: <I>o homo hierarchiccus</i> (Dumont, 1992).    O terceiro &eacute; o indiv&iacute;duo renunciante das formas tradicionais e    hierarquizadas da sociedade: <b>o indiv&iacute;duo-fora-do-mundo</b>. Com isso,    o autor ressalta que o individualismo s&oacute; pode aparecer em uma sociedade    tradicional sob a forma de indiv&iacute;duo-fora-do-mundo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em face das considera&ccedil;&otilde;es tra&ccedil;adas,    &eacute; relevante apresentar duas acep&ccedil;&otilde;es do termo indiv&iacute;duo    para Dumont (1985). A primeira &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de um sujeito    emp&iacute;rico, "um objeto fora de n&oacute;s" (Dumont, 1985, p. 37). Analiticamente,    trata-se de um sujeito que fala, pensa e deseja. A segunda concep&ccedil;&atilde;o    &eacute; a do ser moral, independente e aut&ocirc;nomo. Quando o individuo constitui    o valor supremo, configura-se, ent&atilde;o, o individualismo. Para Dumont (1985,    p. 109): "A Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem e do Cidad&atilde;o    adotada pela Assembl&eacute;ia Constituinte no ver&atilde;o de 1789 marca, num    sentido, o triunfo do Indiv&iacute;duo". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda segundo esse autor, com o surgimento do    Estado moderno, extingue-se a harmonia universal do todo com Deus. Nessa concep&ccedil;&atilde;o,    o indiv&iacute;duo &eacute; um ser aut&ocirc;nomo, integrante de uma comunidade    que forma o Estado, tornando-o o poder supremo. A id&eacute;ia de individualismo    op&otilde;e-se ao nacionalismo sem explica&ccedil;&atilde;o, mas vincula-se    a esse como valor, pois a na&ccedil;&atilde;o &eacute; um tipo de sociedade    correspondente ao individualismo; portanto, pode-se dizer que a na&ccedil;&atilde;o    &eacute; um tipo de sociedade composta de indiv&iacute;duos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As id&eacute;ias de Dumont (1985) s&atilde;o    retomadas por DaMatta (1990) e Figueiredo (1995), na tentativa de interpretar    as formas de subjetividade inseridas na sociedade brasileira. DaMatta (1990)    ressalta que a no&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duo (social, <b>no mundo</b>)    desenvolvida por Dumont pode ser posta em contraste com a id&eacute;ia de pessoa    como constru&ccedil;&atilde;o social. E, com base nesse paralelo, o autor revela    a dial&eacute;tica da constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade no universo    brasileiro como um contexto no qual os sujeitos articulam suas a&ccedil;&otilde;es    transitando entre manifesta&ccedil;&otilde;es autorit&aacute;rias e hier&aacute;rquicas    (atribu&iacute;das ao mundo da rua), e harm&ocirc;nicas e democr&aacute;ticas    (atribu&iacute;das ao mundo da casa). Para o autor, o Brasil &eacute; uma sociedade    que convive com um paradoxo, j&aacute; que opera em dois n&iacute;veis de subjetividade:    uma constitui&ccedil;&atilde;o de subjetividade considerada tradicional e hierarquizada,    e um modo mais "individualizado" e impessoal. Trata-se de oposi&ccedil;&otilde;es    entre o </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) pessoal e o impessoal, o p&uacute;blico      e o privado, o an&ocirc;nimo e o conhecido, o universal e o biogr&aacute;fico.      Tudo, como vimos, conduzindo &agrave; descoberta de que, no sistema brasileiro,      &eacute; b&aacute;sica a distin&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo      e a pessoa como duas formas de conceber o universo social e nele agir (DaMatta,      1990, p. 178). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, o autor articula a no&ccedil;&atilde;o    de indiv&iacute;duo, vinculado ao conceito de individualismo e igualitarismo    e a no&ccedil;&atilde;o de pessoa, tratada como um ponto de encontro entre a    no&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duo psicol&oacute;gico e unidade social,    como a no&ccedil;&atilde;o de personagem protegido por um sistema de rela&ccedil;&otilde;es.    Sob esse aspecto, evidencia-se o p&oacute;lo social, ou seja, o indiv&iacute;duo    imerso na sociedade e ligado aos valores familiares, religiosos etc., correspondendo    &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <b>pessoa</b> "(...) como entidade capaz de    remeter ao todo, e n&atilde;o mais &agrave; unidade, e ainda como elemento b&aacute;sico    atrav&eacute;s do qual se cristalizam rela&ccedil;&otilde;es essenciais e complementares    do universo social" (DaMatta, 1990, p. 182). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com essa articula&ccedil;&atilde;o, o autor pretende    demonstrar que ambas as no&ccedil;&otilde;es seriam "manifesta&ccedil;&otilde;es    subjetivas" inerentes ao mundo social brasileiro. Essa dial&eacute;tica torna-se    evidente, principalmente, pela recorr&ecirc;ncia a posi&ccedil;&otilde;es de    status em momentos de conflitos (&acirc;mbito da rua). A express&atilde;o: <b>"Voc&ecirc;    sabe com quem est&aacute; falando"</b> &eacute; uma evid&ecirc;ncia desse processo.    Para DaMatta (1990), por meio dessa express&atilde;o, confrontam-se o igualitarismo    individualista e o esqueleto hierarquizante, presentes na sociedade brasileira.    Por um lado, tem-se a exig&ecirc;ncia da pr&aacute;tica da lei (o indiv&iacute;duo    que reclama seus "direitos"). Por outro, tem-se o apelo para a dimens&atilde;o    relacional e pessoal como forma de autoritarismo (aquele que pergunta: voc&ecirc;    sabe com quem est&aacute; falando?). O autor afirma que esse tra&ccedil;o da    sociedade brasileira comporta um aspecto escondido e latente, pois remete a    vertentes, muitas vezes, indesej&aacute;veis da cultura brasileira. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A respeito dessa vertente, Martins (1994) discute    algumas caracter&iacute;sticas da cultura brasileira, baseado na hist&oacute;ria    dessa sociedade. O autor aponta para diversos aspectos culturais, como confus&atilde;o    estabelecida, na sociedade brasileira, entre o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico    e o patrim&ocirc;nio privado, <b>o patrimonialismo</b>. Para o autor, essa tem    sido a base sobre a qual essa rela&ccedil;&atilde;o foi dando lugar a procedimentos    classificados como corruptos. Outras caracter&iacute;sticas culturais apontadas    referem-se ao "modelo familiar" prevalecente no Brasil: <b>o paternalismo</b>.    Essas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o representadas nos grupos de interesses    e coaliz&otilde;es que favorecem o cultivo do "padrinho" na sociedade brasileira.    Dessa forma, a sociedade brasileira tenderia a ser mais <b>nepotista </b> no    provimento de cargos ou de lugares nas organiza&ccedil;&otilde;es e no mercado    de trabalho em geral (DaMatta, 1990). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nota-se, ent&atilde;o, a apropria&ccedil;&atilde;o    do conceito de individualismo desenvolvido por Dumont no estudo de DaMatta (1990),    ressaltando que esse &uacute;ltimo coloca em paralelo &agrave; no&ccedil;&atilde;o    de indiv&iacute;duo a no&ccedil;&atilde;o de pessoa e revela que, em uma sociedade    como a brasileira, a pessoa &eacute; soberana. Esse &eacute; um enfoque que    remete ao c&oacute;digo da moral, do misticismo, da caridade e da bondade, como    demonstra Figueiredo (1995) baseando-se na leitura de DaMatta. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, DaMatta (1990) reconhece que a vertente    individualizante tamb&eacute;m existe no contesto brasileiro: o aparato legal.    E complementa que talvez essa seja a sua maior contribui&ccedil;&atilde;o, ressaltando    que, no Brasil, as leis s&atilde;o utilizadas em fun&ccedil;&atilde;o de interesses,    muitas vezes, particulares (da pessoa): "a lei universalizante e igualit&aacute;ria    &eacute; utilizada para servir como um elemento fundamental da sujei&ccedil;&atilde;o    e diferencia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social (...) as leis s&oacute;    se aplicam aos indiv&iacute;duos e nunca &agrave;s pessoas" (DaMatta, 1990,    p. 194). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figueiredo (1995), por sua vez, amplia as categorias    gerais de subjetividade moderna (indiv&iacute;duo e pessoa) no cen&aacute;rio    brasileiro e apresenta uma reflex&atilde;o sobre os modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o    no Brasil contempor&acirc;neo. O autor tamb&eacute;m se ap&oacute;ia na divis&atilde;o    realizada por Dumont (1985) entre o <b>holismo</b> e o <b>individualismo</b>    e afirma que ao sistema holista corresponde a id&eacute;ia de indiv&iacute;duo    como pessoa; e, ao sistema individualista, a id&eacute;ia de indiv&iacute;duo    como mero indiv&iacute;duo ou como sujeito (em um n&iacute;vel idealista). Dessa    forma, Figueiredo (1995) relaciona ao sistema individualista duas formas de    individualiza&ccedil;&atilde;o: o mero indiv&iacute;duo e o sujeito. Al&eacute;m    disso, ressalta que essas formas tamb&eacute;m podem ocorrer em contextos relacionais    como forma de sobreviv&ecirc;ncia. Por&eacute;m, quando esses "indiv&iacute;duos"    encarnam os valores dos grupos para a sua sobreviv&ecirc;ncia, tornam-se entidades    posicionais (usam m&aacute;scaras) e incorporam a pessoa como forma de subjetividade.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As categorias <b>sujeito</b> e <b>mero indiv&iacute;duo</b>,    desenvolvidas por Figueiredo (1995), fundamentam-se, principalmente, em uma    cr&iacute;tica direcionada ao trabalho de Dumont (1985). Figueiredo (1995) aponta    a inexist&ecirc;ncia de uma distin&ccedil;&atilde;o entre independ&ecirc;ncia    e autonomia em Dumont e, para suprir essa lacuna, recorre aos conceitos de liberdade    negativa e liberdade positiva. O primeiro conceito refere-se &agrave; mera aus&ecirc;ncia    de v&iacute;nculos, ao passo que o segundo &eacute; caracterizado pela capacidade    do ser humano de gerar leis e viver sob o imp&eacute;rio delas. O mero indiv&iacute;duo    &eacute; aquele "indiv&iacute;duo" que apenas conquistou sua liberdade, mas,    grosso modo, n&atilde;o sabe o que fazer com ela (escravo liberto). O sujeito,    portanto, &eacute; aquele que ascende &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duo    aut&ocirc;nomo e realiza sua liberdade positiva. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Figueiredo (1995), podem existir v&aacute;rias    pessoas e v&aacute;rios meros indiv&iacute;duos em uma sociedade, visto que    as pessoas compartilham e se utilizam das formas relacionais de prote&ccedil;&atilde;o    e conviv&ecirc;ncia de diversas maneiras. O mesmo ocorre com os meros indiv&iacute;duos,    os quais se encontram, em diferentes n&iacute;veis ou aspectos, submetidos a    uma prec&aacute;ria independ&ecirc;ncia e formas autorit&aacute;rias de controle.    Entretanto, s&oacute; pode existir um sujeito na concep&ccedil;&atilde;o de    Figueiredo (1995), pois, ao conquistar sua autonomia, o sujeito revela-se sob    uma mesma dimens&atilde;o em toda a sociedade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse autor afirma que os meros indiv&iacute;duos    podem estar abertos &agrave; personaliza&ccedil;&atilde;o ou ao assujeitamento    e, nesse ponto, o autor concorda com DaMatta (1990), ilustrando os caminhos    das duplicidades e dos la&ccedil;os que mant&ecirc;m as partes que comp&otilde;em    o Brasil unidas em uma rela&ccedil;&atilde;o de antagonismo e complementaridade.    Figueiredo (1995) descobre, no trabalho de DaMatta (1990), uma insinua&ccedil;&atilde;o    quanto a uma terceira possibilidade de subjetividade: a do brasileiro que n&atilde;o    se submete &agrave; forma individualista ou &agrave; forma tradicional (pessoa)    para agir em sociedade. Em contrapartida, o brasileiro se utiliza dessas formas    de acordo com seus interesses (oportunistas). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As formas de manifesta&ccedil;&otilde;es subjetivas,    portanto, s&atilde;o influenciadas pelo contexto social e cultural. Ao tratar    do fen&ocirc;meno do desemprego e suas manifesta&ccedil;&otilde;es na subjetividade    do desempregado, deve-se atentar para as particularidades do cen&aacute;rio    brasileiro. Al&eacute;m disso, julga-se importante avaliar outros trabalhos    que, de alguma forma, tratam o desemprego relacionado &agrave; subjetividade.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse universo de subjetividades, particulares    ao contexto brasileiro, est&atilde;o inseridos os desempregados e suas formas    de agir e pensar em sociedade. Nesta pesquisa, o que se p&ocirc;de apreender    dos conceitos apresentados &eacute; que se deve considerar a produ&ccedil;&atilde;o    de sentidos como um elemento intimamente relacionado &agrave;s formas de constru&ccedil;&atilde;o    da subjetividade. Ambas, a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos e a subjetividade,    foram admitidas como constru&ccedil;&otilde;es sociais imersas em um universo    de valores complexos (como o brasileiro). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"> <b>Metodologia de pesquisa</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo situa-se sob o paradigma interpretativo    de an&aacute;lise (Morgan, 1980). Esse autor afirma que o investigador interpretativista    tenta entender os processos pelos quais as m&uacute;ltiplas realidades compartilhadas    surgem, sustentam-se e modificam-se, atentando para a rede de jogos de linguagem,    baseada em grupos de conceitos e regras subjetivamente determinadas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sob esse paradigma, realizou-se a an&aacute;lise    qualitativa dos dados. Na pesquisa qualitativa, permite-se a imers&atilde;o    no fen&ocirc;meno para a compreens&atilde;o da diferen&ccedil;a, postura essa    que abre espa&ccedil;o para a subjetividade. Trivi&ntilde;os (1987) afirma que    m&eacute;todos qualitativos podem fornecer detalhes intrincados de um fen&ocirc;meno,    os quais s&atilde;o dif&iacute;ceis de serem captados pelos m&eacute;todos quantitativos.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comp&otilde;em o universo da pesquisa desempregados    e desempregadas do setor industrial (considerados, para tanto, os indiv&iacute;duos    acima de 18 anos, sem v&iacute;nculo empregat&iacute;cio e &agrave; procura    de emprego), de um munic&iacute;pio no sul de Minas Gerais, cadastrados no Sistema    Nacional de Empregos (SINE). A determina&ccedil;&atilde;o do universo da pesquisa    foi baseada em listagens repassadas pelo SINE. Foram identificados 319 desempregados,    totalizando o universo da pesquisa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Definido o universo da pesquisa, o tamanho da    amostra foi delineado de forma n&atilde;o probabil&iacute;stica, seguindo o    crit&eacute;rio de escolha intencional (Alencar, 1999), visando a abranger a    m&aacute;xima amplitude em termos de g&ecirc;nero, idade, escolaridade, entre    outros. Com isso, foram selecionados 28 desempregados provenientes do setor    industrial para a realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa. Ressalta-se que o    n&uacute;mero de entrevistados condiz com os pressupostos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos    da pesquisa, visto que a an&aacute;lise qualitativa demanda trabalho consider&aacute;vel.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recorreu-se &agrave; coleta de dados por entrevistas    baseadas em roteiro de entrevista, conforme sugere Alencar (1999). A an&aacute;lise    dos dados transcorreu conforme as recomenda&ccedil;&otilde;es de Spink (2004):    a) imers&atilde;o no conjunto de informa&ccedil;&otilde;es coletadas, deixando    aflorar as interpreta&ccedil;&otilde;es sem categorizar <I>a priori</I>; b)    defini&ccedil;&atilde;o de categorias, presentes na pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o    da linguagem, para classificar e explicar o fen&ocirc;meno estudado. A apresenta&ccedil;&atilde;o    dos resultados transcorreu por meio da discuss&atilde;o das categorias encontradas    nas entrevistas (interpreta&ccedil;&otilde;es) e os conceitos que sustentam    o trabalho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Desemprego e subjetividade no cen&aacute;rio    brasileiro: uma an&aacute;lise sob a &oacute;tica de desempregados e desempregados    do setor industrial, no sul de Minas Gerais</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base nas an&aacute;lises dos depoimentos    dos desempregados, verificou-se a preocupa&ccedil;&atilde;o com as novas condi&ccedil;&otilde;es    de empregabilidade no setor industrial, representando o <b>desemprego como produto    social das novas condi&ccedil;&otilde;es de empregabilidade</b> e explicitando    a rela&ccedil;&atilde;o desemprego/exig&ecirc;ncias do mercado em termos de    qualifica&ccedil;&atilde;o, refor&ccedil;ando o quadro apresentado por Sargentini    (2001), acerca da individualiza&ccedil;&atilde;o no processo de "constru&ccedil;&atilde;o    da empregabilidade" e da forma&ccedil;&atilde;o de uma periferia de trabalhadores    e desempregados "desqualificados", constitu&iacute;da por aqueles que n&atilde;o    se adaptam &agrave;s novas exig&ecirc;ncias. Esses, por sua vez, recorrem ao    trabalho prec&aacute;rio e informal como alternativa de sobreviv&ecirc;ncia.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m observou-se a manifesta&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o, interpretada como um "canal de    empregabilidade" capaz de "superar" as dificuldades da qualifica&ccedil;&atilde;o.    As caracter&iacute;sticas culturais do munic&iacute;pio, a proximidade nos relacionamentos    sociais, facilitam essa interpreta&ccedil;&atilde;o. Na pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o,    reflete-se uma "cren&ccedil;a" ou um discurso, j&aacute; institucionalizado,    de que os desempregados, mesmo diante das exig&ecirc;ncias em termos de qualifica&ccedil;&atilde;o,    ainda devem atentar para a constru&ccedil;&atilde;o de uma "rede de relacionamentos    sociais", conforme atenta Sorj (2000). Por um lado, essa "rede" &eacute; interpretada    como dependente de la&ccedil;os pessoais, como os la&ccedil;os de parentesco,    e funcionam como canal direto para a conquista de uma vaga de emprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A qualifica&ccedil;&atilde;o foi interpretada    como um fator cr&iacute;tico de desemprego, principalmente no que tange aos    "canais de acesso &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o" no munic&iacute;pio em    estudo. Nesse sentido, os desempregados manifestaram a conscientiza&ccedil;&atilde;o    quanto &agrave;s exig&ecirc;ncias do mercado e &agrave; necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o    de investimentos na empregabilidade, para, ent&atilde;o, se tornarem "pessoas    empreg&aacute;veis", conforme discute Cortella (1997), ao ressaltar a transfer&ecirc;ncia,    nesse caso, da responsabilidade da contrata&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o    para o pr&oacute;prio trabalhador. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, as condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o    da empregabilidade manifestaram-se como uma barreira de acesso ao emprego, quando    relacionadas &agrave; idade do desempregado. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o    revelou-se, principalmente, entre os desempregados com idade acima de 30 anos.    Entre os desempregados com menos de 30 anos, e solteiros, ressaltou-se a interpreta&ccedil;&atilde;o    do conflito entre a busca da qualifica&ccedil;&atilde;o e experi&ecirc;ncia    profissional, culminando com o tema da falta de oportunidade de trabalho para    os jovens no setor industrial. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    de empregabilidade, os desempregados referiram-se &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o    como mais uma forma de "burocracia", ressaltando o poder, o controle social    das organiza&ccedil;&otilde;es sobre a oferta de vagas. Pag&eacute;s et al.    (1987), de alguma forma, chamam a aten&ccedil;&atilde;o para o poder que as    organiza&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas exercem sobre os funcion&aacute;rios.    Neste trabalho, verificou-se que esse poder n&atilde;o remete apenas ao indiv&iacute;duo    na condi&ccedil;&atilde;o de trabalhador da empresa, mas como desempregado.    Os desempregados interpretaram as organiza&ccedil;&otilde;es como as "ditadoras"    da oferta de empregos e do n&iacute;vel de qualifica&ccedil;&atilde;o ao qual    esses desempregados devem adaptar-se. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao analisarem-se os depoimentos, observou-se    a emerg&ecirc;ncia dos temas referentes &agrave; empregabilidade como conseq&uuml;&ecirc;ncia    das altera&ccedil;&otilde;es no processo de produ&ccedil;&atilde;o industrial,    o que reflete <b>o desemprego como produto das transforma&ccedil;&otilde;es    no mundo do trabalho</b>. Segundo os desempregados, os canais de acesso &agrave;    qualifica&ccedil;&atilde;o, no munic&iacute;pio em estudo, n&atilde;o apresentaram    a mesma din&acirc;mica dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos. Al&eacute;m disso,    os temas da automa&ccedil;&atilde;o e do aumento da competitividade somaram-se    &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as como elementos que    refor&ccedil;am a forma&ccedil;&atilde;o de uma massa de desempregados desqualificados,    caracterizando uma "periferia desqualificada". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A competitividade entre os pr&oacute;prios desempregados    e a oferta de m&atilde;o-de-obra apareceu como um fator que favorece a precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho como, por exemplo, os contratos flex&iacute;veis e o trabalho informal.    A interpreta&ccedil;&atilde;o dos desempregados foi a seguinte: o trabalhador    se submete &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o,    aos contratos flex&iacute;veis e ao trabalho informal, pois ele tem conhecimento    do n&uacute;mero de desempregados que esperam por uma oportunidade de trabalho,    mesmo que prec&aacute;ria. Os contratos flex&iacute;veis foram citados pelos    desempregados como as formas de emprego sem o registro na carteira de trabalho,    ou mediante a fixa&ccedil;&atilde;o de contratos flex&iacute;veis. Nesse contexto,    os trabalhadores vivem em condi&ccedil;&atilde;o limiar, ora como trabalhadores    marginalizados, ora como desempregados. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os desempregados caracterizaram a condi&ccedil;&atilde;o    de trabalhador informal, conseq&uuml;entemente, a de desempregado, como pertencente    &agrave; "rua", conforme DaMatta (1990), remetendo ao <b>desemprego como exclus&atilde;o    social</b>. Na "rua", n&atilde;o existem os direitos, as responsabilidades;    o que existem s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es, a informalidade, os contratos    flex&iacute;veis. Ao refletir a respeito do pr&oacute;prio tema flexibilidade,    percebe-se que uma rela&ccedil;&atilde;o contratual desse tipo pode variar em    fun&ccedil;&atilde;o de interesses pessoais ou emergentes, n&atilde;o existem    acordos fixos, regras claras e r&iacute;gidas, que garantam o cumprimento dos    deveres e direitos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A esse universo, da informalidade, os desempregados    declararam estarem submetidos, mesmo com a ci&ecirc;ncia dos direitos e deveres.    Em alguns casos, observou-se a submiss&atilde;o pela cren&ccedil;a, discursivamente    interpretada, de que o informal, o relacional, a espera pela indica&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o procedimentos leg&iacute;timos e justific&aacute;veis diante da condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado. Dessa forma, pelas an&aacute;lises, revelou-se uma forma de    manifesta&ccedil;&atilde;o subjetiva dos desempregados, a qual, por sua vez,    relacionada aos estudos de Figueiredo (1995), reporta-se ao mero-indiv&iacute;duo.    O desempregado que se "submete" &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias    de trabalho, ou permanece &agrave; espera de conseguir trabalho mediante "la&ccedil;os    pessoais", embora tenha consci&ecirc;ncia de que est&aacute; expropriado de    seus direitos e deveres, manifesta-se, subjetivamente, como mero-indiv&iacute;duo.    Esse desempregado encontra-se "imerso no sistema", est&aacute; livre, por&eacute;m    n&atilde;o possui autonomia. Est&aacute; submetido a um sistema relacional,    &agrave; merc&ecirc; de interesses personalistas, "flex&iacute;veis". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante desse cen&aacute;rio, os desempregados    manifestaram-se subjetivamente como "atores fora de cena". Em alguns casos,    o homem desempregado passa a ser sustentado pela mulher; em outros, a m&atilde;e    desempregada passa a ser sustentada pelos filhos, ocorrendo a invers&atilde;o    dos pap&eacute;is. Os sujeitos da pesquisa manifestaram a condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado(a), como a impossibilidade de cumprir seu papel social de provedor    da casa. Os desempregados do g&ecirc;nero masculino expressaram o tema da "masculinidade",    a imagem de que seria "do homem" o papel da responsabilidade de sustentar a    fam&iacute;lia. Nesse &acirc;mbito, a condi&ccedil;&atilde;o de desempregado,    al&eacute;m de configurar-se na impossibilidade do cumprimento de um papel,    ainda conferia o sentido do n&atilde;o-cumprimento do papel que representaria    a pr&oacute;pria "masculinidade", o papel de "ser homem". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa constata&ccedil;&atilde;o pode ser refor&ccedil;ada    pelos estudos de Hirata e Humphrey (1989). Esses autores afirmam que o desemprego    repercute na din&acirc;mica familiar, dependendo da posi&ccedil;&atilde;o que    o indiv&iacute;duo desempregado ocupa na fam&iacute;lia. Tais mudan&ccedil;as    acarretaram altera&ccedil;&otilde;es nos arranjos familiares e provocando efeitos    de g&ecirc;nero, como, por exemplo, a tend&ecirc;ncia de crescimento da taxa    de participa&ccedil;&atilde;o feminina, concomitante &agrave; queda daquela    referente aos homens na estrutura da manuten&ccedil;&atilde;o financeira da    fam&iacute;lia. No entanto, o fato de que homens, chefes de fam&iacute;lia,    n&atilde;o podem aceitar o desemprego de maneira passiva acarreta no sentido    de n&atilde;o cumprimento de um papel. Contudo, no caso das desempregadas, principalmente    casadas, verificou-se que esse sentido apresentou-se de maneira mais sutil.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, p&ocirc;de-se observar, pelo resgate    de alguns tra&ccedil;os da hist&oacute;ria e pelas caracter&iacute;sticas do    munic&iacute;pio em estudo, que a cultura local serve de refer&ecirc;ncia para    o desenvolvimento de rela&ccedil;&otilde;es pautadas pelo paternalismo e o personalismo    nas rela&ccedil;&otilde;es, delimitando, muitas vezes, o papel de homem e de    mulher, conforme as id&eacute;ias de Martins (1994). O que interessa &eacute;    que o desemprego pode conferir sentido do n&atilde;o-cumprimento da responsabilidade    ou do papel institucionalizado culturalmente. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela pr&oacute;pria interpreta&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o como um canal "personalista" para    se conseguir emprego, reflete-se esse quadro de influ&ecirc;ncia cultural. No    caso da pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o, por exemplo, os desempregados    utilizaram a met&aacute;fora do "padrinho" aludindo &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de la&ccedil;os pessoais, de parentesco, como canal de emprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ressalta-se que, na interpreta&ccedil;&atilde;o    dos desempregados, esse tipo de "canal" ocorre com maior facilidade em "cidades    pequenas", como o munic&iacute;pio em estudo, onde as rela&ccedil;&otilde;es    privilegiam a emerg&ecirc;ncia da "pessoa" ao inv&eacute;s do "indiv&iacute;duo".    No entanto, a pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi interpretada    como "refer&ecirc;ncia", pela necessidade de indica&ccedil;&atilde;o pela compet&ecirc;ncia    e dependente de uma rede de informa&ccedil;&atilde;o eficiente. Esse cen&aacute;rio    reflete a forma como DaMatta (1990) caracteriza a sociedade brasileira como    uma sociedade em que as rela&ccedil;&otilde;es subjetivas transitam entre o    tradicional, o pessoal (a indica&ccedil;&atilde;o personalista) e o harm&ocirc;nico    e democr&aacute;tico, individual (a refer&ecirc;ncia pela compet&ecirc;ncia).    E aqui sua interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; transferida para o munic&iacute;pio    palco da pesquisa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os desempregados e desempregadas interpretaram    sua condi&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o de um personalismo, ou seja,    o desempregado depende de uma rede pessoal que possa conduzi-lo ao mercado de    trabalho, tem que ser "pessoa". Do contr&aacute;rio, passa a n&atilde;o cumprir    seu papel, por exemplo, de homem respons&aacute;vel pela fam&iacute;lia. Outrora,    a condi&ccedil;&atilde;o de desempregado(a) foi interpretada em fun&ccedil;&atilde;o    de um individualismo, ou seja, os entrevistados expressam o desejo de exercer    seus direitos e deveres, como indiv&iacute;duos incluso em uma sociedade e,    portanto, interpretam a condi&ccedil;&atilde;o de desempregado(a) como condi&ccedil;&atilde;o    de expropria&ccedil;&atilde;o dos direitos e deveres. Trata-se de uma interpreta&ccedil;&atilde;o    que reflete uma forma de agir e pensar em sociedade, na qual os desempregados,    diante de sua condi&ccedil;&atilde;o e de acordo com seus interesses, expressam-se,    subjetivamente, ora sob a influ&ecirc;ncia da "pessoa", ora sob a influ&ecirc;ncia    do "indiv&iacute;duo". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <b>desemprego tamb&eacute;m foi interpretado    como uma "pris&atilde;o"</b> e os desempregados, por sua vez, expressaram-se    como prisioneiros em sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o. A interpreta&ccedil;&atilde;o    do desempregado como dependente e "preso" expressou-se sob v&aacute;rias perspectivas:    os jovens dependentes dos pais; os pais dependentes dos filhos; os maridos dependentes    das esposas; o desempregado sem mobilidade para satisfazer suas necessidades    ou vontades "pessoais". </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se refere &agrave; depend&ecirc;ncia dos    jovens/filhos para com os pais, observou-se a tentativa de fuga da condi&ccedil;&atilde;o    de depend&ecirc;ncia e da pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de desempregado.    Essa manifesta&ccedil;&atilde;o subjetiva de fuga esteve, em alguns casos, atrelada    &agrave; passividade, ou seja, os desempregados manifestaram-se passivos quanto    &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, a fuga pode refletir no prolongamento    da uma condi&ccedil;&atilde;o de desemprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A depend&ecirc;ncia dos pais para com os filhos    foi interpretada, principalmente, em fun&ccedil;&atilde;o de um estado de "explora&ccedil;&atilde;o    dos pais para com os filhos" e permeada pelos temas da culpa e da humilha&ccedil;&atilde;o.    Os desempregados que se declararam dependentes dos filhos manifestaram-se subjetivamente    como "exploradores", visto que, na maioria dos casos, os filhos abandonaram    os estudos para dedicarem-se ao trabalho. Diante desse quadro, verifica-se uma    importante implica&ccedil;&atilde;o: os filhos, ao abandonarem os estudos para    suprirem o desemprego dos pais, contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o de    uma massa de trabalhadores desqualificados, ligados a trabalhos prec&aacute;rios.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas interpreta&ccedil;&otilde;es remetem &agrave;    condi&ccedil;&atilde;o de <b>desempregado(a) como condi&ccedil;&atilde;o em    busca de um lugar social</b>, de uma refer&ecirc;ncia. A identifica&ccedil;&atilde;o    com a organiza&ccedil;&atilde;o apareceu como tema recorrente nos depoimentos,    principalmente dos desempregados que haviam permanecido por um per&iacute;odo    acima de um ano na organiza&ccedil;&atilde;o. Essa rela&ccedil;&atilde;o remete    &agrave;s considera&ccedil;&otilde;es de Pag&eacute;s et al. (1987) quanto ao    "poder" exercido pela organiza&ccedil;&atilde;o, esse poder envolve o funcion&aacute;rio,    o qual acredita estabelecer la&ccedil;os afetivos com a empresa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitas vezes, essa interpreta&ccedil;&atilde;o    apareceu como um recurso dos desempregados para fugir de sua condi&ccedil;&atilde;o,    expressando-se como ex-trabalhadores de determinada empresa, ao inv&eacute;s    de desempregados. Esses "la&ccedil;os imagin&aacute;rios" s&atilde;o convenientes    para as empresas, segundo os pr&oacute;prios desempregados, os quais passaram    a visualizar essa situa&ccedil;&atilde;o somente depois de terem, delas, se    retirado. A l&oacute;gica &eacute; a seguinte: por meio desses la&ccedil;os,    a empresa faz com que o funcion&aacute;rio acredite estar trabalhando e produzindo    para uma organiza&ccedil;&atilde;o que o protege, que o ajuda. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, os funcion&aacute;rios internalizam    os discursos organizacionais e acreditam ter valor afetivo para a empresa, interpretam    esse la&ccedil;o como "seguran&ccedil;a". &Eacute; por meio dessa interpreta&ccedil;&atilde;o    que os funcion&aacute;rios constroem suas refer&ecirc;ncias, perante a sociedade    e perante si mesmos. Ao encontrarem-se desempregados, os integrantes da pesquisa    declararam-se "tra&iacute;dos", desvalorizados pela organiza&ccedil;&atilde;o.    A destrui&ccedil;&atilde;o dos "la&ccedil;os" foi interpretada como perda da    refer&ecirc;ncia organizacional. A condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a)    revelou-se como uma condi&ccedil;&atilde;o de estar sem refer&ecirc;ncia perante    a sociedade e perante a si mesmo. Esse fato remete ao conceito de atemporalidade    de Enriquez (1999). Diante da situa&ccedil;&atilde;o de atemporalidade, o desempregado    n&atilde;o sabe mais quem ele &eacute; e o que tem a fazer. Trata-se de uma    condi&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria. Nesse sentido, vale retomar as id&eacute;ias    de Jahoda (1982), ao estudar as conseq&uuml;&ecirc;ncias psicossociais do desemprego.    Assim como a atemporalidade, a autora afirma que o n&atilde;o-trabalho restringe    os contatos sociais e faz com que os indiv&iacute;duos percam suas refer&ecirc;ncias.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Visualizou-se a perda do v&iacute;nculo organizacional,    n&atilde;o apenas como perda da refer&ecirc;ncia social, mas como perda do valor    do desempregado na sociedade capitalista. De maneira geral, os desempregados    interpretaram sua condi&ccedil;&atilde;o como desvalorizada perante uma sociedade    que constr&oacute;i rela&ccedil;&otilde;es baseadas nas trocas materiais. Nos    depoimentos, o valor do ser humano apareceu ligado ao poder de compra que ele    tem ou &agrave; possibilidade de conquistar esse poder. No caso de estar desempregado(a),    esse poder ou essa possibilidade foram interpretados como m&iacute;nimos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, os desempregados, al&eacute;m    de perderem a refer&ecirc;ncia perante a sociedade e perante si mesmos, tamb&eacute;m    se v&ecirc;em como impossibilitados de atuarem no sistema, de exercerem atividades    no sistema capitalista; a tentativa de realiza&ccedil;&atilde;o dessas atividades    refletiria em temas como vergonha e frustra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Reporta-se novamente &agrave;s categorias de    subjetividade constru&iacute;das por Dumont (1985) visto que, na condi&ccedil;&atilde;o    de funcion&aacute;rios, ligados a uma institui&ccedil;&atilde;o e, portanto,    inclu&iacute;dos em um sistema social (capitalista), os desempregados interpretavam    sua condi&ccedil;&atilde;o como "indiv&iacute;duos no mundo". A partir do momento    em que esses la&ccedil;os foram cortados, os desempregados, sem lugar no sistema,    marginalizados, se v&ecirc;em como an&ocirc;nimos: n&atilde;o se manifestaram    como "indiv&iacute;duos no mundo" ou como imersos em uma sociedade hierarquicamente    organizada, e nem mesmo manifestaram-se como "indiv&iacute;duos fora do mundo",    questionando suas posi&ccedil;&otilde;es. Trata-se de uma condi&ccedil;&atilde;o    em busca de um lugar. Essa busca remete at&eacute; mesmo &agrave; busca de um    lugar na pr&oacute;pria fam&iacute;lia e entre os amigos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estado de exclus&atilde;o e a busca por um    lugar social refletiram situa&ccedil;&otilde;es nas quais os desempregados expressaram    o des&acirc;nimo e a falta de esperan&ccedil;a quanto a conseguir um emprego.    Nesse contexto, emergiu o tema do isolamento, o fato de os pr&oacute;prios desempregados    afastarem-se do conv&iacute;vio social. O isolamento foi um tema recorrente    nos depoimentos dos desempregados, qual sejam as suas trajet&oacute;rias ou    caracter&iacute;sticas pessoais. O isolamento, por sua vez, foi seguido da interpreta&ccedil;&atilde;o    da inatividade, ou seja, os desempregados, ao isolarem-se e perderem a esperan&ccedil;a    de conseguir trabalho, passam a realizar cada vez menos atividades, o "tempo    inativo" se expande. Isso remete ao <b>desemprego como morte simb&oacute;lica</b>.    Gomes (2003) chamou a aten&ccedil;&atilde;o para esse fator como um impulso    para o problema da depress&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta pesquisa, verificou-se o fen&ocirc;meno    da depress&atilde;o, interligado, principalmente, a essa busca por um lugar,    permitindo a condu&ccedil;&atilde;o de um racioc&iacute;nio que leva a incorporar    as particularidades do universo social no qual se inserem os desempregados desta    pesquisa como elemento cr&iacute;tico para essa interpreta&ccedil;&atilde;o.    Trata-se de um munic&iacute;pio tradicionalmente interiorano, no qual os moradores    se relacionam e se incluem socialmente, considerando a manifesta&ccedil;&atilde;o    subjetiva da pessoa; a refer&ecirc;ncia social &eacute; a pessoa e, nesse contexto,    a perda da refer&ecirc;ncia social manifestou-se como agravante no fen&ocirc;meno    da depress&atilde;o. Essa, por sua vez, tamb&eacute;m se manifestou como resultado    de culpas (geralmente dos pais que dependem dos filhos) e culminando, geralmente,    com manifesta&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia, criminalidade e morte. Dessa    forma, a despeito do trabalho de Caldas (2000a), nesta pesquisa, verificaram-se    aspectos subjetivos inerentes ao fen&ocirc;meno do desemprego com base na pr&oacute;pria    interpreta&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de desempregado, considerando    outras dimens&otilde;es atreladas ao desemprego. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Uma s&iacute;ntese anal&iacute;tica dos sentidos    do desemprego</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio das an&aacute;lises, foram verificados    "sentidos &uacute;ltimos" quanto ao fen&ocirc;meno do desemprego. Esses n&atilde;o    se expressaram textualmente, estando subentendidos, subjetivamente manifestos    e, dessa forma, puderam ser melhor interpretados ap&oacute;s as primeiras an&aacute;lises.    N&atilde;o se pretende, nesta pesquisa, afirmar que os "sentidos &uacute;ltimos"    apresentados s&atilde;o <b>conseq&uuml;&ecirc;ncias</b> ou <b>causas</b> da    condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a). Dessa forma, pode-se afirmar    que os sentidos, bem como os "sentidos &uacute;ltimos", representam uma possibilidade    l&oacute;gica de pesquisar o desemprego, considerando a condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado(a), e tamb&eacute;m os recortes desta pesquisa: o setor industrial,    o contexto hist&oacute;rico e cultural e a pr&oacute;pria subjetividade dos    desempregados. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os "sentidos &uacute;ltimos", definidos no decorrer    das an&aacute;lises, culminaram com os elementos: "periferia desqualificada",    "viol&ecirc;ncia e criminalidade" e "morte simb&oacute;lica. Esses elementos    s&atilde;o de extrema import&acirc;ncia como manifesta&ccedil;&otilde;es da    condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a) e, conseq&uuml;entemente, como    interpreta&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno do desemprego. O que esses sentidos    representam s&atilde;o <b>elementos te&oacute;ricos para o estudo do fen&ocirc;meno    do desemprego</b>. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O elemento: "periferia desqualificada" representa    o sentido de que a condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a) pode ser    interpretada como decorrente da forma&ccedil;&atilde;o de uma periferia de pessoas    desqualificadas; ou pode culminar com o aumento dessa "massa de desqualificados".    No primeiro caso, a falta de oportunidade para o incremento das condi&ccedil;&otilde;es    de empregabilidade no munic&iacute;pio em estudo seria o principal fator indicativo    para o desemprego, considerando o n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia das ind&uacute;strias    locais. No segundo caso, a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de desempregado(a),    a falta de recursos financeiros e o per&iacute;odo de inatividade (falta de    experi&ecirc;ncia) levariam ao aumento do n&uacute;mero de pessoas desqualificadas    na regi&atilde;o. Esse "sentido &uacute;ltimo" reflete uma forma de an&aacute;lise    do desemprego baseada nas conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais, das exig&ecirc;ncias    em torno da qualifica&ccedil;&atilde;o, para o munic&iacute;pio. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que tange ao elemento "viol&ecirc;ncia e criminalidade",    esse elemento se reporta, principalmente, &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de    desempregado como algu&eacute;m sem lugar na sociedade, sem refer&ecirc;ncias,    inativo. Verificou-se que, no munic&iacute;pio palco da pesquisa, esses sentidos    tomam dimens&otilde;es consider&aacute;veis, devido ao fato de se tratar de    uma "cidade pequena", segundo os pr&oacute;prios desempregados, onde prevalece    o relacional e onde o desempregado fica em evid&ecirc;ncia e &eacute; apontado    como "desocupado" e exclu&iacute;do socialmente. Trata-se de uma possibilidade    de investigar o fen&ocirc;meno do desemprego, considerando as pr&oacute;prias    caracter&iacute;sticas culturais do munic&iacute;pio, atentando para as conseq&uuml;&ecirc;ncias    advindas dessas caracter&iacute;sticas, atreladas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    de estar desempregado(a). Nesse caso, explicitaram-se a viol&ecirc;ncia (dom&eacute;stica,    social) e a criminalidade (roubo, inadimpl&ecirc;ncia) como manifesta&ccedil;&otilde;es    &uacute;ltimas, como express&atilde;o de revolta dos desempregados. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A "morte" ou a "morte simb&oacute;lica do sujeito    trabalhador" &eacute; outro elemento que tamb&eacute;m se reporta ao desempregado    na condi&ccedil;&atilde;o de isolado e inativo, no entanto, da mesma forma que    "viol&ecirc;ncia e criminalidade", pelas an&aacute;lises, verificou-se que as    caracter&iacute;sticas particulares do munic&iacute;pio podem acirrar esse sentido.    Na condi&ccedil;&atilde;o de isolamento, ainda que em uma "cidade pequena",    onde as pessoas estendem la&ccedil;os personalistas, surge o sentido da "depress&atilde;o"    e, conseq&uuml;entemente, o sentido da "morte", expresso como o fim desse anonimato    e isolamento diante de pessoas que se relacionam com substancial proximidade.    Nesse sentido, o fen&ocirc;meno do desemprego pode ser estudado considerando-se    as dimens&otilde;es psicol&oacute;gicas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao considerar a subjetividade, expressa por meio    da linguagem dos desempregados e desempregadas do setor industrial, foi poss&iacute;vel    investigar os sentidos do desemprego, produzidos na condi&ccedil;&atilde;o de    desempregado(a) e identificar a emerg&ecirc;ncia de elementos te&oacute;ricos    e possibilidades de estudo desse fen&ocirc;meno. A abordagem hist&oacute;rico-cultural,    estruturante e discursiva da subjetividade, considerando, para tanto, as id&eacute;ias    de Foucault (2004), Guattari (2004;1993) e Vygotsky (2000), foram significativamente    importantes para a compreens&atilde;o das interpreta&ccedil;&otilde;es acerca    da condi&ccedil;&atilde;o de desempregado(a). De fato, verificou-se que os sentidos    subjetivamente manifestados, de forma alguma, poderiam desatrelar-se do elemento    "espa&ccedil;o-temporal" desta pesquisa, bem como das pr&oacute;prias trajet&oacute;rias    dos desempregados, que, por sua vez, deixaram aflorar por meio da linguagem    sua subjetividade, conferindo a interpreta&ccedil;&atilde;o que configura a    verdade do fen&ocirc;meno do desemprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os sentidos do desemprego, considerando a condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado(a), no munic&iacute;pio em estudo, foram constru&iacute;dos    em comunh&atilde;o com outros sentidos e, baseado nesse compartilhamento, os    desempregados interpretaram a realidade do desemprego e de sua condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado(a). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Objetivou-se, na presente pesquisa, investigar    os sentidos produzidos por desempregados e desempregadas do setor industrial,    em um munic&iacute;pio no sul de Minas Gerias, acerca do desemprego, bem como    compreender a manifesta&ccedil;&atilde;o desses sentidos na subjetividade humana.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para alcan&ccedil;ar esse objetivo, adotou-se    a abordagem interpretativa e a pesquisa qualitativa como posturas te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os sentidos do desemprego puderam ser analisados    pela subjetividade dos integrantes da pesquisa. Por meio da subjetividade, sob    a perspectiva hist&oacute;rico-cultural e considerando a linguagem como forma    de manifesta&ccedil;&atilde;o, foram identificados aspectos importantes acerca    do fen&ocirc;meno do desemprego, afirmando-se como postura privilegiada para    o estudo. Nesse sentido, considerou-se os depoimentos dos desempregados como    express&atilde;o subjetiva, constru&iacute;da com base no discurso dos outros.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As manifesta&ccedil;&otilde;es subjetivas particulares    ao contexto brasileiro tamb&eacute;m foram consideradas nesta pesquisa. Os desempregados    interpretaram sua condi&ccedil;&atilde;o ora como indiv&iacute;duos, ora como    mero-indiv&iacute;duos e ora como pessoas. Diante dessas formas de manifesta&ccedil;&otilde;es    subjetivas, a produ&ccedil;&atilde;o de sentido p&ocirc;de ser analisada em    diversas dimens&otilde;es. Como por exemplo: a an&aacute;lise da categoria <b>a    pr&aacute;tica da indica&ccedil;&atilde;o</b> variou, dependendo da interpreta&ccedil;&atilde;o    do desempregado, como pessoa, como indiv&iacute;duo, ou como mero-indiv&iacute;duo.    Portanto, a subjetividade tamb&eacute;m foi considerada em suas dimens&otilde;es    particulares ao ambiente cultural. Nesta pesquisa, consideraram-se as categorias    de subjetividade modernas levantadas para o cen&aacute;rio brasileiro. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a apresenta&ccedil;&atilde;o de alguns trabalhos    desenvolvidos em torno do desemprego, tratando esse fen&ocirc;meno, principalmente,    sob o ponto de vista subjetivo ao inv&eacute;s do econ&ocirc;mico, foi delineado    um quadro de estudos que enriqueceu e forneceu certo "direcionamento" para as    an&aacute;lises. No entanto, nesta pesquisa, n&atilde;o se prop&ocirc;s a preestabelecer    categorias de an&aacute;lise. Na pesquisa, n&atilde;o houve outro intuito sen&atilde;o    o de apresentar o ponto de vista de alguns autores ao estudar o fen&ocirc;meno    do desemprego pela &oacute;tica da subjetividade. Portanto, o ponto de partida    desta pesquisa foi o desempregado e n&atilde;o os conceitos j&aacute; institucionalizados    em torno dos "sentidos" do trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo assim, nesta pesquisa, parece inovar-se    o estudo do desemprego visto que, ao considerar a dimens&atilde;o hist&oacute;rico-cultural    da subjetividade, parte da linguagem dos pr&oacute;prios desempregados e dos    sentidos que atribu&iacute;ram &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o, para, ent&atilde;o,    tra&ccedil;ar algumas considera&ccedil;&otilde;es acerca do fen&ocirc;meno do    desemprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela compreens&atilde;o dos aspectos intrincados    na constru&ccedil;&atilde;o da realidade desse fen&ocirc;meno, podem-se fornecer    subs&iacute;dios para estudos mais aprofundados no &acirc;mbito do desemprego.    Na administra&ccedil;&atilde;o, por exemplo, acredita-se que a elabora&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a gera&ccedil;&atilde;o de    empregos possa ser mais bem planejada considerando-se a compreens&atilde;o dos    sentidos desse fen&ocirc;meno para os desempregados. Acredita-se que os sentidos    possam revelar aspectos dif&iacute;ceis de captar por outros tipos de pesquisas.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas,    englobando um total de 28 desempregados e desempregadas provenientes do setor    industrial. Esse n&uacute;mero justificou-se para o objetivo proposto. Vale    ressaltar que, em an&aacute;lises qualitativas, deve-se sempre priorizar o estudo    em profundidade. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, a pr&oacute;pria linguagem dos desempregados    e sua manifesta&ccedil;&atilde;o subjetiva foram consideradas como elementos    construtores de uma realidade. Nas an&aacute;lises, a interpreta&ccedil;&atilde;o    do desempregado acerca de si mesmo, o que refletiu na forma como expressou suas    interpreta&ccedil;&otilde;es em torno do fen&ocirc;meno do desemprego, foi considerada.    Trata-se da interpreta&ccedil;&atilde;o subjetivamente manifesta. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, os desempregados manifestaram a preocupa&ccedil;&atilde;o    com as mudan&ccedil;as nos processos de trabalhos do setor industrial, especificamente    no munic&iacute;pio em estudo. Nessa interpreta&ccedil;&atilde;o, houve direcionamento,    principalmente, para as preocupa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    de manuten&ccedil;&atilde;o da empregabilidade, as quais foram interpretadas    como acirradas, j&aacute; que o acesso &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o,    no que tange &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e complementar,    &eacute; restrito. Al&eacute;m disso, fatores inerentes &agrave; pr&oacute;pria    cultura do munic&iacute;pio, como a dificuldade de adapta&ccedil;&atilde;o ao    trabalho industrial, e os canais pessoais de empregabilidade (pr&aacute;tica    da indica&ccedil;&atilde;o) tamb&eacute;m se manifestaram nos depoimentos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A interpreta&ccedil;&atilde;o em torno da condi&ccedil;&atilde;o    de desempregado(a) apresentou-se durante todo o transcorrer da entrevista. A    interpreta&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de desempregado como condi&ccedil;&atilde;o    "sem lugar social", como condi&ccedil;&atilde;o que impossibilita o cumprimento    das responsabilidades, o exerc&iacute;cio dos direitos e dos deveres, foi recorrente    nos depoimentos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com refer&ecirc;ncia &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o    das condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da empregabilidade no    munic&iacute;pio em estudo, verificou-se a emerg&ecirc;ncia das manifesta&ccedil;&otilde;es    quanto ao <b>novo conceito de qualifica&ccedil;&atilde;o, aumento do n&iacute;vel    de qualifica&ccedil;&atilde;o no setor industrial, e mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es    de produ&ccedil;&atilde;o no setor industrial</b>, representando a interpreta&ccedil;&atilde;o    do desemprego como um fen&ocirc;meno que adv&eacute;m e, ao mesmo tempo, impulsiona    a marcha da qualifica&ccedil;&atilde;o e da manuten&ccedil;&atilde;o da empregabilidade.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A manifesta&ccedil;&atilde;o <b>da pr&aacute;tica    da indica&ccedil;&atilde;o como elemento de empregabilidade</b> apresentou-se    como resultado de uma interpreta&ccedil;&atilde;o que ora representou esperan&ccedil;a    para alguns desempregados e ora representou revolta a respeito dos canais personalistas    da empregabilidade. As manifesta&ccedil;&otilde;es <b>o aumento da competitividade,    a explora&ccedil;&atilde;o, a precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e a informalidade,    e a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do trabalhador</b> parecem direcionar a interpreta&ccedil;&atilde;o    do que seriam as conseq&uuml;&ecirc;ncias do desemprego. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com refer&ecirc;ncia &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    de estar desempregado, as manifesta&ccedil;&otilde;es acerca do desemprego e    do desempregado constitu&iacute;ram as categorias: <b>o desempregado &eacute;    dependente e est&aacute; "preso" em sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o    e o desempregado n&atilde;o tem lugar na sociedade</b>. Essas &uacute;ltimas    refletiram a interpreta&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de desempregado    a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de trabalhador.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os desempregados interpretaram a si mesmos como    impossibilitados de cumprir as responsabilidades e os "pap&eacute;is sociais".    Em alguns casos, esse papel refletiu a pr&oacute;pria masculinidade dos desempregados,    ou seja, o desemprego impedia de cumprir o papel de "homem provedor" respons&aacute;vel    pela fam&iacute;lia etc. Com isso, emergiram as categorias da "pris&atilde;o"    e da falta de lugar na sociedade, levando diretamente &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o    do <b>desemprego como um isolamento e do desempregado como expropriado de seus    direitos e submetido &agrave; informalidade</b>, essas categorias expressaram,    posteriormente, conseq&uuml;&ecirc;ncias do desemprego para o pr&oacute;prio    sujeito desempregado, como a depress&atilde;o, por exemplo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram identificados "sentidos &uacute;ltimos",    definidos no decorrer das an&aacute;lises e nomeados como <b>periferia desqualificada,    viol&ecirc;ncia e criminalidade e morte simb&oacute;lica</b>. Esses sentidos    compuseram os <b>elementos te&oacute;ricos para o estudo do fen&ocirc;meno do    desemprego</b>. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O elemento: <b>periferia desqualificada</b> representa    o sentido de que a condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a) pode ser    interpretada como decorrente da forma&ccedil;&atilde;o de uma periferia de pessoas    desqualificadas; ou pode culminar com o aumento dessa "massa de desqualificados".    Esse sentido apresentou-se atrelado &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o das    condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da empregabilidade, principalmente.    No que tange ao elemento <b>viol&ecirc;ncia e criminalidade</b>, esse se reporta,    principalmente, &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de desempregado como algu&eacute;m    sem lugar na sociedade, sem refer&ecirc;ncias, inativo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verificou-se que, no munic&iacute;pio em estudo,    esses sentidos tomam dimens&otilde;es consider&aacute;veis, devido ao fato de    se tratar de uma "cidade pequena", segundo os pr&oacute;prios desempregados,    onde prevalece o relacional e onde o desempregado fica em evid&ecirc;ncia, &eacute;    apontado como "desocupado" e exclu&iacute;do socialmente. A <b>morte simb&oacute;lica</b>    foi outro elemento que tamb&eacute;m se reportou ao desempregado na condi&ccedil;&atilde;o    de isolado e inativo; no entanto, da mesma forma que o sentido da <b>viol&ecirc;ncia    e criminalidade</b>, verificou-se que o sentido da <b>morte simb&oacute;lica</b>    pode acirrar-se pelas caracter&iacute;sticas particulares do munic&iacute;pio.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale ressaltar que, entre os "sentidos &uacute;ltimos",    foram identificados v&aacute;rios sentidos que auxiliaram na compreens&atilde;o    do fen&ocirc;meno do desemprego na condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a).    Por conseguinte, observa-se que, ao pesquisar os sentidos do desemprego, foi    poss&iacute;vel o levantamento de alternativas para se estudar esse fen&ocirc;meno.    Uma dessas propostas &eacute; a possibilidade de an&aacute;lise do desemprego    baseada nas conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais, nas exig&ecirc;ncias em torno    da qualifica&ccedil;&atilde;o para o munic&iacute;pio em estudo. Nesse sentido,    defende-se a realiza&ccedil;&atilde;o de um estudo mais detalhado acerca do    fen&ocirc;meno do desemprego paralelo &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o    da empregabilidade no munic&iacute;pio. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra proposta &eacute; investigar o fen&ocirc;meno    do desemprego, considerando as caracter&iacute;sticas culturais da realidade    local, atentando para as conseq&uuml;&ecirc;ncias advindas dessas caracter&iacute;sticas,    atreladas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de estar desempregado(a). Acredita-se    v&aacute;lida a iniciativa de estudos acerca do desemprego que recuperam a hist&oacute;ria    e as caracter&iacute;sticas culturais da realidade social na qual est&aacute;    sendo estudado. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na pesquisa do fen&ocirc;meno do desemprego,    considerando a subjetividade dos desempregados, ressaltou-se a import&acirc;ncia    da interdisciplinaridade na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Acredita-se    que este estudo &eacute; de extrema import&acirc;ncia para o campo das ci&ecirc;ncias    sociais, principalmente ao apresentar uma proposta te&oacute;rico-metodol&oacute;gica    para o estudo do fen&ocirc;meno do desemprego e, conseq&uuml;entemente, para    outros estudos que possam auxiliar no campo, por exemplo, da Administra&ccedil;&atilde;o,    como o desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a gera&ccedil;&atilde;o    de empregos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, verificou-se que o <b>desemprego    </b> &eacute; um fen&ocirc;meno que pode ser estudado, a despeito de outras    dimens&otilde;es, considerando o pr&oacute;prio sujeito desempregado, sua subjetividade    e, principalmente, a linguagem como forma de media&ccedil;&atilde;o entre o    indiv&iacute;duo e o mundo do trabalho marcado pela precariza&ccedil;&atilde;o    e pelo desemprego. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alencar, E. (1999). <I>Introdu&ccedil;&atilde;o    &agrave; metodologia de pesquisa social</I>. Lavras, MG: UFLA. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267505&pid=S1518-6148200600010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Caldas, M. (2000a). <I>Demiss&atilde;o: Causas,    efeitos e alternativas para empresa e indiv&iacute;duo</I>. S&atilde;o Paulo:    Atlas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267506&pid=S1518-6148200600010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Caldas, M. (2000b). Enxugamentos. <I>Revista    de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas, 40</I>, (1), 29-41. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267507&pid=S1518-6148200600010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cattani, A. D. (1996). <I>Trabalho e autonomia</I>.    Porto Alegre, RS: Vozes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267508&pid=S1518-6148200600010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cortella, M. S. (1997). Introdu&ccedil;&atilde;o.    In A. Casali, M. S. Cortella, H. Hirata, J. E. Teixeira, & P. Spink (Orgs.),    <I>Educa&ccedil;&atilde;o e empregabilidade: Novos caminhos da aprendizagem    </i> (pp. 21-22). S&atilde;o Paulo: EDUC. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267509&pid=S1518-6148200600010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DaMatta, R. A. (1990).<I>Carnavais, malandros    e her&oacute;is: Para uma sociologia do dilema brasileiro</I>. Rio de Janeiro:    Ed. Guanabara. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267510&pid=S1518-6148200600010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dumont, L. (1985). <I>O individualismo: Uma perspectiva    antropol&oacute;gica da ideologia moderna</I>. Rio de Janeiro: Rocco. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267511&pid=S1518-6148200600010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dumont, L. (1992). <I>Homo hierarquicus: O sistema    de castas e suas implica&ccedil;&otilde;es.</i> S&atilde;o Paulo: UNESP. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267512&pid=S1518-6148200600010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enriquez, E. (1999). Perda do trabalho, perda    da identidade. In M. R. Nabuco & A. M. Carvalho Neto, Org.), <I>Rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho contempor&acirc;neas</i> (pp. 13-30). Belo Horizonte, MG: Instituto    de Rela&ccedil;&otilde;es do Trabalho. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267513&pid=S1518-6148200600010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ferreira M. G. (2000). <I>Concep&ccedil;&otilde;es    de subjetividade em psicologia</I>. Campinas, SP: Pontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267514&pid=S1518-6148200600010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figueiredo, L. C. (1995). <I>Modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o    no Brasil e outros escritos</I>. S&atilde;o Paulo: Escuta. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267515&pid=S1518-6148200600010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Foucault, M. (2004). <I>A arqueologia do saber</I>.    Rio de Janeiro: Forense-Universit&aacute;ria. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267516&pid=S1518-6148200600010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Fryer, D., & Payne, R. (1986). Being unemployed:    A review of the literature on the psychological experience of unemployment.    <I>International Review of Industrial and Organizational Psychology, 1</I>,    235-277. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267517&pid=S1518-6148200600010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gomes, J. C. R. (2003). Desemprego depress&atilde;o    e sentido de coer&ecirc;ncia: Uma vis&atilde;o do desemprego sob o prisma da    sa&uacute;de p&uacute;blica. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o    publicada, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267518&pid=S1518-6148200600010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guattari, F. (1994). Da produ&ccedil;&atilde;o    de subjetividade. In A. Parente (Org.), <I>Imagem m&aacute;quina</i> (pp. 177-191).    Rio de Janeiro: Editora 34. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267519&pid=S1518-6148200600010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guattari, F. (2004). <I>As tr&ecirc;s ecologias    </i> (15a ed.). Campinas, SP: Papirus. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267520&pid=S1518-6148200600010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Hidrata, H., & Humphrey, J. (1989). Trabalhadores    desempregados: Trajet&oacute;rias de oper&aacute;rios e oper&aacute;rias industriais    no Brasil. <I>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais, 4</I>, (11), 71-84.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267521&pid=S1518-6148200600010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Jahoda, M. (1982). <I>Employment and unemployment,    a social-psychological analysis.</I> Cambridge: Cambridge University Press.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267522&pid=S1518-6148200600010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Martins, J. S. (1994). <I>O poder do atraso:    Ensaios de sociologia da hist&oacute;ria lenta</I> (2a ed.). S&atilde;o Paulo:    Hucitec. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267523&pid=S1518-6148200600010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Morgan, G. (1980, December). Paradigms, metaphors    and puzzle solving in organization theory. <I>Administratives Science Quarterly,    25</I> (4), 605-622. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267524&pid=S1518-6148200600010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Oliveira, C. A. B., & Mattoso, J. E. L.    (Org.). (1996). <I>Crise e trabalho no Brasil: Modernidade ou volta ao passado</I>?    S&atilde;o Paulo: Scritta/P&aacute;gina Aberta/Cisit. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267525&pid=S1518-6148200600010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pag&eacute;s, M., Bonetti, M., DeGaulejae, V.,    & Descenfdre, D. (1987). <I>O poder das organiza&ccedil;&otilde;es: A domina&ccedil;&atilde;o    das multinacionais sobre os indiv&iacute;duos</I>. S&atilde;o Paulo: Atlas.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267526&pid=S1518-6148200600010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pereira, V. M. C. (1993). Quem s&atilde;o os    desempregados para a sociologia? Natureza, hist&oacute;ria e cultura. <I>Cadernos    de Sociologia</I>, (N&uacute;mero especial), 27-37. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267527&pid=S1518-6148200600010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rosa, M. I. (1998). Do governo dos homens: "novas    responsabilidades" do trabalhador e acesso aos conhecimentos. <I>Educa&ccedil;&atilde;o    e Sociedade, 19</I> (64), 130-147. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267528&pid=S1518-6148200600010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sargentini, V. M. O. (2001). Discurso e hist&oacute;ria:    a constru&ccedil;&atilde;o de identidade do trabalhador brasileiro. In M. R.    Gregolin, M. F. Cruvinel, & M. G. Khalil. <I>An&aacute;lise do discurso:    Entornos do sentido</i> (pp. 249-261 ). S&atilde;o Paulo: Cultura Acad&ecirc;mica.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267529&pid=S1518-6148200600010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Sorj, B. (2000 ). <I>A nova sociedade brasileira</I>.    Rio de Janeiro: J. Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267530&pid=S1518-6148200600010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Topalov, C. (1990). A inven&ccedil;&atilde;o    do desemprego: Reforma social e moderna rela&ccedil;&atilde;o salarial na Gr&acirc;-Bretanha,    na Fran&ccedil;a e nos Estados Unidos no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.    <I>Dados-Revista de Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, (3), 379-416. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267531&pid=S1518-6148200600010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trivi&ntilde;os, A. N. S. (1987). <I>Introdu&ccedil;&atilde;o    &agrave; pesquisa em ci&ecirc;ncias sociais: A pesquisa qualitativa em educa&ccedil;&atilde;o</I>.    S&atilde;o Paulo: Atlas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267532&pid=S1518-6148200600010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vygotsky, L. S. (2000). Manuscrito de 1929. <I>Educa&ccedil;&atilde;o    e Sociedade, 21</I> (71), 21-44. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267533&pid=S1518-6148200600010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Whooley, M. A., Kiefe, C. I., Chesney, M. A.,    Markovitz, J. H., Matthews, K., Hulley, S. B. (2002, December). Depressive symptoms,    unemployment, and loss of income. <I>Archives of Internal Medicine, 162</I>    (22), 2614-2620. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3267534&pid=S1518-6148200600010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 11 de abril de 2005    <br>   Aceito em 03 de maio de 2005    <br>   Revisado em 14 de novembro de 2005 </font></p>       ]]></body>
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