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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Autonomous workers cooperatives are workers associations with the aim of assure work and income in a democratic context. In this sense, they constitute alternative spaces in the social economic and politic capitalist order. The objective of this paper is to describe how the workers in one cooperative of Fortaleza, Ceará view the cooperative and their work, through the analyses of their discourses. The focus is on the impact in the subjective perceptions of the work structure and organization in the process of change from being traditional workers to associated workers in a cooperative. The participants were 38 professionals from a cooperative of 768 workers. Focal groups, individual interviews and open questionnaires were used to collect the information. The results have shown that in spite of the occurrence of some changes in their attitudes in relation to their former work in a traditional company, there are persistent habits and expectations linked to the former condition, besides a feeling of dissatisfaction towards the cooperative. In their discourses there is no sign of appropriation of the actual condition of autonomy. Their subjective process reproduces the same old pattern and the cooperative organizational culture is hybrid, showing a mixture of a traditional firm and the possibilities of an autonomous cooperative. This is probably due to the place the cooperatives have in the socio-economic scene; a place that does not reflects a real progress in the worker's condition, but its deterioration.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O mal-estar nas novas formas de trabalho:    um estudo sobre a percep&ccedil;&atilde;o do papel dos cooperados em uma cooperativa    de trabalho autogestion&aacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Regina Heloisa Maciel<sup>I</sup>; Filad&eacute;lfia    Carvalho de Sena<sup>II</sup>; Iratan Bezerra de Sab&oacute;ia<sup>III</b></sup> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Doutora em Psicologia Experimental/Ergonomia.    Professora Titular do Mestrado em Psicologia da Universidade de Fortaleza -    UNIFOR. End.: R. Rangel Pestana, 2424. CEP:60834-250 Fortaleza CE. E-mail: <a href="mailto:rhmaciel@rapix.com.br">rhmaciel@rapix.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Mestre em Psicologia pelo Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    de Mestrado em Psicologia da Universidade de Fortaleza. Aluna do programa de    P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o da    Universidade Federal do Cear&aacute;    <br>   <sup>III</sup>Especialista em Administra&ccedil;&atilde;o de Recursos Humanos.    Aluno do programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Mestrado em Psicologia    da Universidade Federal do Cear&aacute;. End.: R. St&ecirc;nio Gomes, 421. Casa    01 Jardim das Oliveiras. CEP: 60821-450. Fortaleza-CE. E-mail: <a href="mailto:iratan@gmail.com">iratan@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As cooperativas de trabalho autogestion&aacute;rio    s&atilde;o associa&ccedil;&otilde;es de profissionais com o objetivo de garantir    trabalho e renda dentro de um contexto democr&aacute;tico, constituindo-se como    espa&ccedil;os alternativos na ordem s&oacute;cio-pol&iacute;tica-econ&ocirc;mica.    O objetivo desta investiga&ccedil;&atilde;o foi verificar como membros de uma    cooperativa do Estado do Cear&aacute;, atrav&eacute;s de seus discursos, percebem    a cooperativa e seu trabalho, analisando o impacto da mudan&ccedil;a na estrutura    do trabalho de empregados para cooperados sobre a subjetividade dos trabalhadores.    Foram realizadas entrevistas em grupo e individuais, al&eacute;m de terem sido    aplicados question&aacute;rios abertos, em 38 cooperados de um universo de 768    de uma mesma cooperativa. Atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos discursos, pode-se    perceber que, apesar de terem ocorrido certas mudan&ccedil;as na postura e atitudes    dos cooperados em rela&ccedil;&atilde;o ao seu trabalho anterior na empresa    tradicional, existem ainda h&aacute;bitos e expectativas ligados ao tipo de    emprego anterior, n&atilde;o se percebendo nos discursos, em geral, uma apropria&ccedil;&atilde;o    pelos sujeitos da sua situa&ccedil;&atilde;o de trabalho, o que resulta em um    mal-estar com rela&ccedil;&atilde;o a sua atual situa&ccedil;&atilde;o de trabalho.    Os sujeitos reproduzem os mesmos esquemas anteriores, aprendidos na organiza&ccedil;&atilde;o    de origem, e a cultura da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; h&iacute;brida,    n&atilde;o possuindo caracter&iacute;sticas das empresas tradicionais, mas tamb&eacute;m    n&atilde;o refletindo as possibilidades de uma cooperativa autogestion&aacute;ria.    Provavelmente, isto ocorre porque o local reservado &agrave;s cooperativas na    ordem socioecon&ocirc;mica n&atilde;o representa um progresso real nas condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho desses profissionais, mas sim uma deteriora&ccedil;&atilde;o dessa    condi&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras chave:</b> mal-estar no trabalho,    cooperativas de trabalho, cultura organizacional, subjetividade e trabalho,    identidade e trabalho.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Autonomous workers cooperatives are workers associations    with the aim of assure work and income in a democratic context. In this sense,    they constitute alternative spaces in the social economic and politic capitalist    order. The objective of this paper is to describe how the workers in one cooperative    of Fortaleza, Cear&aacute; view the cooperative and their work, through the    analyses of their discourses. The focus is on the impact in the subjective perceptions    of the work structure and organization in the process of change from being traditional    workers to associated workers in a cooperative. The participants were 38 professionals    from a cooperative of 768 workers. Focal groups, individual interviews and open    questionnaires were used to collect the information. The results have shown    that in spite of the occurrence of some changes in their attitudes in relation    to their former work in a traditional company, there are persistent habits and    expectations linked to the former condition, besides a feeling of dissatisfaction    towards the cooperative. In their discourses there is no sign of appropriation    of the actual condition of autonomy. Their subjective process reproduces the    same old pattern and the cooperative organizational culture is hybrid, showing    a mixture of a traditional firm and the possibilities of an autonomous cooperative.    This is probably due to the place the cooperatives have in the socio-economic    scene; a place that does not reflects a real progress in the worker's condition,    but its deterioration. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> discontents in work, cooperatives,    organizational culture, workers subjectivity, workers identity.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No capitalismo, o trabalho assume uma concep&ccedil;&atilde;o    predominante de trabalho assalariado e sua organiza&ccedil;&atilde;o repousa    sobre a coopera&ccedil;&atilde;o subordinada, cujos fins a serem alcan&ccedil;ados    n&atilde;o s&atilde;o determinados pelos indiv&iacute;duos e cujas riquezas,    decorrentes da produ&ccedil;&atilde;o social, s&atilde;o apropriadas de forma    privada. A coopera&ccedil;&atilde;o subordinada &eacute; a forma fundamental    do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, sendo, na sua forma mais simples,    constituinte do germe de esp&eacute;cies mais desenvolvidas de coopera&ccedil;&atilde;o    e que continua a existir ao lado delas (Marx, 1989). Nesta modalidade de organiza&ccedil;&atilde;o    dos processos de trabalho, os trabalhadores-produtores n&atilde;o participam    do plano de trabalho, n&atilde;o definem a sua jornada de trabalho e n&atilde;o    participam da apropria&ccedil;&atilde;o dos excedentes por eles produzidos (Braverman,    1987). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As cooperativas de trabalho s&atilde;o definidas    como aquelas associa&ccedil;&otilde;es civis que, constitu&iacute;das entre    oper&aacute;rios de uma determinada profiss&atilde;o ou of&iacute;cio, ou de    of&iacute;cios v&aacute;rios de uma mesma classe, t&ecirc;m como finalidade    primordial melhorar a remunera&ccedil;&atilde;o, as condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho e as condi&ccedil;&otilde;es pessoais de seus associados. Dispensando    a interven&ccedil;&atilde;o de um patr&atilde;o ou empres&aacute;rio, as cooperativas    prop&otilde;em-se a contratar trabalhos ou servi&ccedil;os p&uacute;blicos e    particulares, coletivamente por todos ou por grupos de alguns de seus membros.    Denomina-se cooperativa de trabalho tanto as que produzem bens como aquelas    que produzem servi&ccedil;os, sempre pelos pr&oacute;prios cooperados. Os trabalhadores    s&atilde;o a pr&oacute;pria m&atilde;o de obra, participam ao mesmo tempo na    gest&atilde;o e na produ&ccedil;&atilde;o (Queiroz, 1996; Cattani, 1996; Schneider,    1999). Assim, as organiza&ccedil;&otilde;es cooperativas, na sua ess&ecirc;ncia,    podem ser consideradas como experi&ecirc;ncias que, al&eacute;m de gerar trabalho    e renda, podem apontar para novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o explorem a for&ccedil;a de trabalho e de construir rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho sim&eacute;tricas e horizontais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As in&uacute;meras experi&ecirc;ncias associativas    deste tipo que v&ecirc;m se multiplicando hoje, no mundo, nas &aacute;reas da    produ&ccedil;&atilde;o, do consumo, dos servi&ccedil;os e de cr&eacute;dito,    recebem tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de nomes como economia solid&aacute;ria,    socioeconomia, cooperativa, economia popular solid&aacute;ria, associativismo    e economia popular (Singer, 1996; Ribeiro, 2001). Este trabalho focaliza especificamente    as cooperativas de trabalho, organiza&ccedil;&otilde;es onde o trabalho cooperativo    se organiza por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o subordinada,    base da produ&ccedil;&atilde;o capitalista. O trabalho cooperativo autogestion&aacute;rio,    enquanto alternativa ao capitalismo, &eacute; uma realidade concreta na experi&ecirc;ncia    hist&oacute;rica dos trabalhadores. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, estavam cadastradas nas juntas comerciais    em 2001 cerca de 20.579 cooperativas, representando um crescimento de 331%,    quando se considera o n&uacute;mero de cooperativas em 1991 (4.666) (Silva et    al, 2003). Segundo os mesmos autores, cerca de 94,2% do total de cooperativas    registradas eram cooperativas de trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, o atual movimento cooperativista    mundial e brasileiro tem dividido as opini&otilde;es. De um lado, h&aacute;    aqueles que acreditam nas suas possibilidades enquanto for&ccedil;a transformadora    das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, garantindo melhorias nas condi&ccedil;&otilde;es    de vida e trabalho dos cooperados (Rufino, 2003). De outro, h&aacute; os te&oacute;ricos    que apontam as limita&ccedil;&otilde;es do cooperativismo no atual momento hist&oacute;rico-social,    argumentando que enquanto preso a rela&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias    com o modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, convivendo no seio do pr&oacute;prio    sistema, pode estar servindo a objetivos esp&uacute;rios (Ide, 2005) e pode,    no m&aacute;ximo, ser um horizonte orientador para as organiza&ccedil;&otilde;es    das classes trabalhadoras nas lutas contra a globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, h&aacute; cooperativas que    fogem da doutrina original das cooperativas de trabalho, isto &eacute;, s&atilde;o    falsas cooperativas criadas por determinadas empresas ou empres&aacute;rios    para servir aos seus prop&oacute;sitos de barateamento e precariza&ccedil;&atilde;o    do trabalho. Estas &uacute;ltimas s&atilde;o denominadas de "falsas cooperativas",    "cooperfraudes", "cooperativas de fachada" ou ainda "coopergatos" (Ide, 2005;    Lima, 2004; Piccinini, 2004). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Basicamente, qualquer cooperativa de fato, para    o bom desenvolvimento de seus trabalhos, possui em sua estrutura uma Assembl&eacute;ia    Geral, conjunto ou reuni&atilde;o de todos os associados, que constitui o principal    f&oacute;rum de decis&atilde;o da cooperativa. A igualdade do poder de voto    de cada s&oacute;cio na defini&ccedil;&atilde;o dos interesses da empresa representa    o princ&iacute;pio da gest&atilde;o democr&aacute;tica do empreendimento cooperativista.    Al&eacute;m disso, deve possuir uma Diretoria ou Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o,    &oacute;rg&atilde;o superior na administra&ccedil;&atilde;o da cooperativa,    formado por cooperados eleitos pelos demais, respons&aacute;vel pela execu&ccedil;&atilde;o    das propostas aprovadas pela Assembl&eacute;ia Geral, podendo ainda indicar    uma diretoria executiva, com a fun&ccedil;&atilde;o de administrar o dia-a-dia    da cooperativa. O Conselho Fiscal &eacute; um &oacute;rg&atilde;o independente    dentro da cooperativa; cabendo-lhe fiscalizar, em nome dos demais associados,    a administra&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio e das opera&ccedil;&otilde;es    da organiza&ccedil;&atilde;o. Podem ser criados tamb&eacute;m &Oacute;rg&atilde;os    Auxiliares da Administra&ccedil;&atilde;o, comit&ecirc;s, comiss&otilde;es ou    n&uacute;cleos, com atribui&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O princ&iacute;pio de cada pessoa representar    um voto na empresa cooperativa faz do associado seu principal elemento. Essa    gest&atilde;o democr&aacute;tica significa que o dinheiro &eacute; utilizado    para servir ao cooperado e n&atilde;o &eacute; o que determina seu poder. A    economia cooperativa socializa o capital quando, se concentra no "homem s&oacute;cio"    que, em igualdade com todos os demais, decide os rumos de sua vida econ&ocirc;mica,    conforme os objetivos comuns. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O capital integralizado &eacute; o valor subscrito    pelo associado ao capital da cooperativa. Ao formar ou ingressar numa cooperativa,    a pessoa assume uma obriga&ccedil;&atilde;o financeira que &eacute; sua cota    de participa&ccedil;&atilde;o no neg&oacute;cio, intransfer&iacute;vel a terceiros.    Segundo a legisla&ccedil;&atilde;o vigente, o volume de capital, de cada s&oacute;cio    deve ser remunerado a uma taxa anual limitada, no m&aacute;ximo, at&eacute;    12% ao ano. Limitando os juros sobre o capital impede-se a especula&ccedil;&atilde;o    financeira, pois, na cooperativa, o capital deve ser fator de produ&ccedil;&atilde;o    e n&atilde;o de renda financeira (Brasil, 1988; Xavier, 2005). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em uma cooperativa autogestion&aacute;ria, os    associados s&atilde;o os donos da empresa cooperativa que, reunidos em assembl&eacute;ia    geral, definem, pelo voto, os objetivos e funcionamento do neg&oacute;cio. As    decis&otilde;es tomadas nestas reuni&otilde;es gerais devem ser respeitadas    e cumpridas pela Diretoria e demais associados, estejam ou n&atilde;o presentes    &agrave;s assembl&eacute;ias (Drimer e Drimer, 1984; Xavier, 2005). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A participa&ccedil;&atilde;o &eacute; o objetivo    e o meio para se criar e manter uma cooperativa. &Eacute; "objetivo" porque    &eacute; com a finalidade de participar da riqueza e benef&iacute;cios gerados    pelo seu trabalho que as pessoas se unem nessa forma de sociedade. &Eacute;    "meio" porque somente atrav&eacute;s da efetiva participa&ccedil;&atilde;o de    todos os s&oacute;cios se obt&eacute;m o sucesso das metas socioecon&ocirc;micas    do empreendimento (Limbemberg, 1996; Faveret Filho, 1996; Guillerm e Bourdet,    1976; Lucena, 1994; Silva et al, 2003). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma quest&atilde;o que se relaciona &agrave;    mudan&ccedil;a de postura do trabalhador para cooperado tem a ver com a apropria&ccedil;&atilde;o/expropria&ccedil;&atilde;o    do conceito de cooperativa por parte dos cooperados, e os s&iacute;mbolos a    ele ligados. Dejours (1996) afirma que as patologias de cunho psicol&oacute;gico    t&ecirc;m tido uma &ecirc;nfase cada vez maior no mundo do trabalho na contemporaneidade,    estresse, estafa mental, <i>burnout</i>, entre outros; v&ecirc;m tomando conta    do cen&aacute;rio da sa&uacute;de no trabalho. Esse fen&ocirc;meno &eacute;    apontado pelo autor como resposta a uma falta cada vez maior de simboliza&ccedil;&atilde;o    da atividade produtora, ou seja, da atividade de transformar a natureza em materiais    de valor utilit&aacute;rio ou de mercado, o que se relaciona principalmente    com a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho subordinado e os modelos de gest&atilde;o.    As cooperativas autogestion&aacute;rias poderiam vir a se constituir em um contraponto    a essa situa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, Sato (1999) considera o processo    de constru&ccedil;&atilde;o de cooperativas como uma intera&ccedil;&atilde;o    que envolve dimens&otilde;es simb&oacute;licas e materiais, de ordem pol&iacute;tica,    econ&ocirc;mica e psicossocial, modificando a rela&ccedil;&atilde;o do trabalhador    com seu trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para se avaliar o funcionamento e a transforma&ccedil;&atilde;o    do trabalhador de uma cooperativa, um aspecto importante a ser observado &eacute;    como ocorre a participa&ccedil;&atilde;o de seus associados. O envolvimento    do cooperado deve ir al&eacute;m da utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os    oferecidos e de sua freq&uuml;&ecirc;ncia em reuni&otilde;es e assembl&eacute;ias    e se consubstanciar nos sentimentos e rela&ccedil;&otilde;es que ele mant&eacute;m    com seu trabalho e com a cooperativa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As organiza&ccedil;&otilde;es cooperativas, portanto,    suscitam quest&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho, autogest&atilde;o    e empreendedorismo (Rech, 1995). A principal delas tem a ver com o aspecto socioecon&ocirc;mico    dessas associa&ccedil;&otilde;es, se elas realmente propiciam avan&ccedil;os    na dire&ccedil;&atilde;o da maior democratiza&ccedil;&atilde;o do trabalho,    pela autogest&atilde;o e posse coletiva dos meios de produ&ccedil;&atilde;o,    superando assim a subordina&ccedil;&atilde;o ao capital (Lima, 2004; Lins, 2001),    e se essa supera&ccedil;&atilde;o &eacute; percebida pelos cooperados. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo deste trabalho &eacute; refletir sobre    a rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho cooperativo e a concep&ccedil;&atilde;o    que o trabalhador construiu, ao longo do tempo, do seu papel na cooperativa.    Pretendeu-se verificar, por meio dos discursos dos cooperados, como eles percebem    a cooperativa e seu trabalho. Foi analisado, especificamente, o impacto da mudan&ccedil;a    na estrutura do trabalho de empregados para cooperados sobre a percep&ccedil;&atilde;o    de seus pap&eacute;is como trabalhadores e, ao mesmo tempo, gerentes do neg&oacute;cio,    principalmente no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A import&acirc;ncia dessa reflex&atilde;o e an&aacute;lise    consiste em perceber o fio condutor das mudan&ccedil;as ocorridas nas rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho e verificar se houve mudan&ccedil;as equivalentes no interior dos    sujeitos. Em outras palavras, identificar se os antigos empregados de uma empresa    estatal, hoje trabalhando em uma cooperativa, conseguiram formar uma nova cultura    no seio da cooperativa ou se eles ainda se sentem como "empregados", sujeitos    ao comando de outros, reproduzindo as mesmas rela&ccedil;&otilde;es de poder    e a cultura da organiza&ccedil;&atilde;o de onde vieram. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&eacute;todo</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Local do estudo e popula&ccedil;&atilde;o    estudada</i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa foi realizada em uma empresa cooperativa    autogestion&aacute;ria no Cear&aacute; que tem quatro anos de funda&ccedil;&atilde;o,    da qual participam trabalhadores com diferentes fun&ccedil;&otilde;es e forma&ccedil;&otilde;es.    A empresa &eacute; regida pelos valores e princ&iacute;pios do cooperativismo    e tem como ramo de atividade econ&ocirc;mica a venda dos servi&ccedil;os profissionais    dos cooperados, trabalhadores oriundos, na sua maioria, de uma &uacute;nica    empresa privatizada. Trata-se de uma cooperativa que presta servi&ccedil;os    &agrave; empresa de energia el&eacute;trica da cidade de Fortaleza. A cooperativa    conta hoje com cerca de 768 associados, entre profissionais especialistas, agentes    administrativos e engenheiros. Destes, 38 participaram desta pesquisa. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram realizados grupos focais com 16 dos 38    cooperados, divididos em dois grupos. Os grupos foram formados por pessoas com    diferentes idades e classes sociais, tendo n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o    do ensino fundamental ao superior completo. Os participantes eram todos homens,    dado o tipo de trabalho da cooperativa, com idades variando de 18 a 50 anos.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com cada grupo de oito participantes foram realizados    tr&ecirc;s encontros em diferentes ocasi&otilde;es, cada um com a dura&ccedil;&atilde;o    aproximada de duas horas. Apenas um dos participantes faltou a dois dos encontros.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os encontros foram realizados em uma sala que,    na cooperativa, &eacute; utilizada para reuni&otilde;es, um ambiente bastante    agrad&aacute;vel. Todos os encontros foram gravados e foram feitas algumas anota&ccedil;&otilde;es,    observando-se o estado f&iacute;sico e emocional do cooperado naquele momento.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Inicialmente, foram apresentados ao grupo um    esbo&ccedil;o da agenda dos encontros e um cronograma, com um tema definido    para cada encontro. Os temas propostos para as discuss&otilde;es foram: </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Concep&ccedil;&atilde;o do papel de ser dono,    autogestor, empreendedor: qual o entendimento, percep&ccedil;&atilde;o, que    se tem desses pap&eacute;is? </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. A partir da sua experi&ecirc;ncia na cooperativa,    qual a sua percep&ccedil;&atilde;o de cooperativismo? </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Com sua vinda para a cooperativa, quais suas    expectativas? Para voc&ecirc;, o que impede a constru&ccedil;&atilde;o dessa    nova forma de pensar as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho? </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi solicitado aos participantes que preenchessem    uma ficha em que eles deveriam informar a idade, o sexo, a profiss&atilde;o,    o tempo na fun&ccedil;&atilde;o e na cooperativa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O primeiro encontro prosseguiu com uma breve    din&acirc;mica de apresenta&ccedil;&atilde;o do grupo e do pesquisador. Em seguida,    o pesquisador esclareceu que a discuss&atilde;o seria de car&aacute;ter informal,    na tentativa de tornar o clima da reuni&atilde;o mais descontra&iacute;do, espont&acirc;neo    e participativo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Question&aacute;rios e entrevistas</i> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns cooperados, notando a organiza&ccedil;&atilde;o    dos encontros dentro da cooperativa, perguntaram se tamb&eacute;m podiam participar.    Para n&atilde;o perturbar o andamento dos grupos focais, a esses cooperados    foi fornecido um question&aacute;rio, mantendo os mesmos temas de discuss&atilde;o    apresentados aos grupos. Foram distribu&iacute;dos 22 question&aacute;rios.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dezoito participantes receberam o question&aacute;rio    e o devolveram preenchido no dia seguinte. Preencheram tamb&eacute;m a ficha    com seus dados pessoais. Os outros quatro preferiram que suas respostas fossem    gravadas, afirmando que falando eram melhores que escrevendo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistas com os grupos focais foram gravadas    e transcritas, bem como as entrevistas individuais. As transcri&ccedil;&otilde;es    foram analisadas juntamente com os question&aacute;rios respondidos pelos cooperados.    As principais id&eacute;ias foram enquadradas dentro de uma s&eacute;rie de    categorias que descreveremos a seguir. Desenvolveram-se as id&eacute;ias centrais,    como proposto por Lef&egrave;vre F., Lef&egrave;vre M. e Teixeira (2000). Ap&oacute;s    a transcri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise, foram feitas v&aacute;rias leituras    do material obtido e as fitas foram ouvidas v&aacute;rias vezes para confirmarem    as categorias da an&aacute;lise. Os question&aacute;rios e entrevistas foram    analisados da mesma forma. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na an&aacute;lise das id&eacute;ias centrais    procurou-se especificar sua rela&ccedil;&atilde;o com as categorias normalmente    propostas nos estudos sobre a cultura organizacional (Fleury & Fischer,    1996), especificamente as rela&ccedil;&otilde;es de poder e as concep&ccedil;&otilde;es    sobre lideran&ccedil;a e sobre o papel dos trabalhadores cooperados. Ao final    da an&aacute;lise, foi constru&iacute;do o "Discurso do Sujeito Coletivo" (DSC),    mostrando as principais id&eacute;ias e sentimentos dos cooperados na sua rela&ccedil;&atilde;o    com o trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Duas categorias principais emergiram dos discursos    colhidos: a primeira tem a ver com a rela&ccedil;&atilde;o dos cooperados com    os ganhos e benef&iacute;cios oriundos do trabalho, e a segunda, com as rela&ccedil;&otilde;es    entre os profissionais em diferentes posi&ccedil;&otilde;es na estrutura da    cooperativa, aqui denominados de aspectos psicossoais. Al&eacute;m disso, parece    n&atilde;o haver um discurso &uacute;nico, mas tr&ecirc;s posturas distintas:    a dos cooperados em posi&ccedil;&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o ou coordena&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os; a dos cooperados que n&atilde;o s&atilde;o oriundos da    estatal e, finalmente, os que anteriormente eram empregados da empresa estatal.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Direitos, benef&iacute;cios e sal&aacute;rios:    repeti&ccedil;&otilde;es do modelo tradicional</i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cooperativa de trabalho, na vis&atilde;o do    cooperado ex-estatal, n&atilde;o consegue manter os benef&iacute;cios que eram    fornecidos aos trabalhadores na empresa de onde vieram. Assim, os cooperados,    incluindo os dirigentes, mas em menor escala, sentem a falta desses benef&iacute;cios    e n&atilde;o conseguem canalizar esfor&ccedil;os coletivos para substitu&iacute;-los    por uma forma adequada &agrave; cooperativa. Desejam os mesmos direitos que    tinham na empresa estatal, sem se darem conta de que a realidade de trabalho    na cooperativa &eacute; outra. A mudan&ccedil;a da empresa estatal para a cooperativa    &eacute; praticamente ignorada, levando o trabalhador a reclamar "melhores sal&aacute;rios"    e "benef&iacute;cios m&eacute;dicos e odontol&oacute;gicos", entre outros. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para os que n&atilde;o vieram da estatal, no    entanto, as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vistas de maneira diferente.    Consideram as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho da cooperativa melhores que    sua condi&ccedil;&atilde;o anterior nas empresas tradicionais de presta&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os, mas queixam-se dos colegas ex-estatal que querem "manter    os privil&eacute;gios" que tinham na estatal. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Piccinnini (2004), nas entrevistas com dirigentes    de cooperativas de Porto Alegre, encontrou que as cooperativas tentam oferecer    aos cooperados algum tipo de benef&iacute;cio tais como planos de sa&uacute;de,    mas a defini&ccedil;&atilde;o do tipo e qualidade do benef&iacute;cio, dependem    das condi&ccedil;&otilde;es da cooperativa e nem sempre atendem &agrave;s expectativas    dos cooperados. Isto, &eacute; claro, se relaciona ao fato de as cooperativas,    na atual ordem socioecon&ocirc;mica, serem, acima de tudo, uma alternativa do    capital para a diminui&ccedil;&atilde;o dos custos do trabalho. Os ganhos da    cooperativa nem sempre comportam os benef&iacute;cios almejados pelos trabalhadores.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto aos "sal&aacute;rios", os cooperados mais    antigos e mais comprometidos com a cooperativa, bem como os que ocupam os cargos    de diretoria tentam incutir nos cooperados a no&ccedil;&atilde;o de que seus    ganhos s&atilde;o o resultado do que eles produzem e que isso n&atilde;o deve    ser denominado de sal&aacute;rio, mas sim "resultado do trabalho". Contudo,    os cooperados agem em rela&ccedil;&atilde;o aos ganhos como se fossem verdadeiros    "sal&aacute;rios", inclusive utilizando o termo constantemente. Queixam-se do    "sal&aacute;rio", pois este, sem d&uacute;vida, n&atilde;o se compara ao percebido    na empresa estatal. J&aacute; os cooperados que n&atilde;o s&atilde;o oriundos    da estatal, admitem ter melhorado seu n&iacute;vel "salarial" e se sentem satisfeitos    com isso. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cacciamali e Brito (2002) ressaltam que, nos    contratos terceirizados pelas grandes empresas, a m&atilde;o-de-obra contratada    pode estar sujeita &agrave;s mesmas situa&ccedil;&otilde;es dos empregados contratados    diretamente pela empresa, apresentando, contudo, maior inseguran&ccedil;a na    manuten&ccedil;&atilde;o de seu contrato de trabalho e, em geral, condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho inferiores &agrave;quelas deliberadas para os trabalhadores contratados    diretamente. Os autores citam como exemplo especificamente a contrata&ccedil;&atilde;o    sob a forma de cooperativa de trabalho. Assim, os cooperados ex-estatal se sentem    expropriados de seus ganhos e benef&iacute;cios, enquanto os outros comparam    sua situa&ccedil;&atilde;o atual com os empregos em outras empresas, em que    o n&iacute;vel de precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho &eacute; provavelmente    igual ou maior do que a que encontraram na cooperativa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Chefes e subordinados: aspectos psicossociais</i>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O modelo de gest&atilde;o preconizado pelo sistema    taylorista/fordista deveria ser o piv&ocirc; da mudan&ccedil;a de um trabalho    subordinado para o autogestion&aacute;rio, transformando trabalhadores em cooperados.    No entanto, os cooperados n&atilde;o demonstram uma mudan&ccedil;a significativa    em rela&ccedil;&atilde;o a suas atitudes para com as lideran&ccedil;as. Percebem    os coordenadores n&atilde;o como companheiros de trabalho, mas como "chefes".    Isto &eacute;, continuam a ver na figura do coordenador o "chefe que manda e    determina o que se deve fazer". Os cooperados n&atilde;o se colocam em uma postura    de igualdade com os coordenadores, sentem-se como subordinados. Por outro lado,    o coordenador, quando assume a fun&ccedil;&atilde;o, passa a se relacionar mais    com a diretoria e a manter "uma certa dist&acirc;ncia" em rela&ccedil;&atilde;o    aos companheiros. Os cooperados apontam os dirigentes e coordenadores como detentores    de privil&eacute;gios e de melhores ganhos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os discursos mostram que o significado refletido    nas rela&ccedil;&otilde;es coordenador-cooperado &eacute; apenas uma repeti&ccedil;&atilde;o    da que ocorre nos modelos tradicionais, n&atilde;o havendo, portanto, uma supera&ccedil;&atilde;o.    As mesmas "dist&acirc;ncias de poder", caracter&iacute;sticas das empresas tradicionais    e causadores de sofrimento (Fleury & Fischer, 1996), se mant&ecirc;m na    cooperativa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    diretoria n&atilde;o se diferenciam das que normalmente ocorrem nas empresas    em geral. A diretoria &eacute; criticada e responsabilizada pelas mazelas que    ocorrem com os cooperados. Os cooperados a responsabilizam por qualquer eventualidade    que venha a ocorrer no curso de suas atividades, o que denota, por parte dos    cooperados n&atilde;o dirigentes, uma "postura de expectador" na rela&ccedil;&atilde;o.    Os cooperados n&atilde;o se sentem respons&aacute;veis pelo pr&oacute;prio trabalho    e n&atilde;o tomam iniciativas, mantendo uma postura de passividade em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de trabalho. No momento em que os coordenadores    tentam compartilhar as responsabilidades do trabalho, os cooperados se negam    a faz&ecirc;-lo, sempre "esperando" que algu&eacute;m tome a iniciativa e se    responsabilize por ele. Isto reflete, em parte, a pr&oacute;pria postura dos    coordenadores, que ao assumirem o posto passam a repetir as atitudes de um "chefe"    na empresa tradicional. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na percep&ccedil;&atilde;o do cooperado, h&aacute;    dentro da cooperativa uma n&iacute;tida divis&atilde;o entre os que pensam e    os que fazem o trabalho, bem aos moldes do modelo tradicional taylorista/fordista    (Antunes, 1998). Inclusive, os ganhos de cada profissional se diferenciam de    acordo com essa f&oacute;rmula. Na distribui&ccedil;&atilde;o dos ganhos relacionados    aos diferentes contratos feitos pela cooperativa, os que planejam o trabalho    sempre aparecem com maiores vantagens do que os "oper&aacute;rios". Essa situa&ccedil;&atilde;o    &eacute; contestada, mas n&atilde;o &eacute; modificada, causando as mesmas    insatisfa&ccedil;&otilde;es que ocorrem em uma empresa tradicional. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As id&eacute;ias contidas nos discursos est&atilde;o    em contradi&ccedil;&atilde;o, ao menos na cooperativa pesquisada, ao afirmado    por Ruffino (2003), que analisou tr&ecirc;s cooperativas de trabalhadores e    concluiu que houve uma melhora, em compara&ccedil;&atilde;o com os modelos tradicionais    de gest&atilde;o do trabalho, na contribui&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o    dos membros das cooperativas. Essa melhora, no entanto, &eacute; percebida por    alguns dirigentes, refor&ccedil;ando, portanto, a id&eacute;ia de repeti&ccedil;&atilde;o    dos modelos tradicionais de gest&atilde;o e mostrando a exist&ecirc;ncia de    conflitos internos, similares aos existentes nas empresas tradicionais. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sato (1999), discutindo o processo de forma&ccedil;&atilde;o    de grupos cooperados, afirma que o processo n&atilde;o passa apenas por aspectos    t&eacute;cnicos formais, mas por processos de negocia&ccedil;&atilde;o entre    os membros do grupo que colocam no contexto as express&otilde;es de diferentes    sujeitos, ou diferentes subjetividades. Pontua que em contextos de "poder e    controle assim&eacute;tricos - tanto material como simb&oacute;lico-", pode    acontecer a n&atilde;o explicita&ccedil;&atilde;o de conflitos, pois "o poder    do outro pode implicar na exclus&atilde;o daquele que det&eacute;m menor poder    e controle" e que isso pode levar a comportamentos de evita&ccedil;&atilde;o    e sil&ecirc;ncio, &agrave;s vezes interpretados como consentimento, mas que    &eacute; o oposto disso, "onde pap&eacute;is sociais j&aacute; desempenhados    anteriormente - de empregado, de subordinado e de chefe - acabam por dificultar    a constru&ccedil;&atilde;o e o exerc&iacute;cio da comunica&ccedil;&atilde;o."    Ainda segundo a autora, o desafio das cooperativas de trabalho &eacute; </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) criar um novo modo de relacionar-se,      de ver o trabalho e a vida, que opere atrav&eacute;s de uma outra racionalidade,      que n&atilde;o a instrumental, a partir das pessoas que somos, das experi&ecirc;ncias      de vida que temos e da sociedade onde vivemos, tendo, ainda que n&atilde;o      como objetivo &uacute;nico e priorit&aacute;rio, a busca de condi&ccedil;&otilde;es      materiais de sobreviv&ecirc;ncia. </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de n&atilde;o terem uma id&eacute;ia clara    de seu papel na estrutura da cooperativa e de se ressentirem com os dispositivos    inerentes ao tipo de remunera&ccedil;&atilde;o recebida, as expectativas dos    participantes da pesquisa s&atilde;o positivas e est&atilde;o mescladas por    idealiza&ccedil;&otilde;es, desejos e vontade de mudan&ccedil;a. De uma certa    forma, a cooperativa &eacute; percebida como este espa&ccedil;o para mudan&ccedil;as    e como uma situa&ccedil;&atilde;o que permite a viabiliza&ccedil;&atilde;o de    projetos pessoais e coletivos num cont&iacute;nuo processo de supera&ccedil;&atilde;o    de crises. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas considera&ccedil;&otilde;es podem ser claramente    percebidas no discurso do sujeito coletivo constru&iacute;do a partir das verbaliza&ccedil;&otilde;es    dos participantes. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discurso do Sujeito Coletivo do Cooperado    Ex-Estatal</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Chegar aqui n&atilde;o foi uma escolha. Eu    fazia parte de um grupo de eletricistas, leituristas que diante da privatiza&ccedil;&atilde;o    da empresa teve que aceitar o PDV (pedido demiss&atilde;o volunt&aacute;ria).    Era um grupo de homens com faixa de idade avan&ccedil;ada, ia ser dif&iacute;cil    encontrar emprego, com certeza n&atilde;o &iacute;amos ser aproveitados e, mesmo    sendo aproveitados, &iacute;amos passar a ter sal&aacute;rios bem inferiores,    o jeito era construir algo que fosse nosso, que aproveitasse a m&atilde;o de    obra de tantos pais de fam&iacute;lia. Na verdade, vim por n&atilde;o ter outra    op&ccedil;&atilde;o, por n&atilde;o ter coragem de sair atr&aacute;s de emprego    com essa idade.</i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Claro que outros chegaram porque, queriam trabalhar,    mas eles reclamam do quanto o ex-estatal esta mal acostumado, quer ter privil&eacute;gios,    se acha no direito de escolher servi&ccedil;o. Sei que a cooperativa &eacute;    nossa, que n&atilde;o se preocupa com o lucro. Em nossas conversas, &eacute;    comum a id&eacute;ia de que tudo que &eacute; arrecadado &eacute; para ser distribu&iacute;do    entre os cooperados: um bom sal&aacute;rio; dinheiro no bolso; temos de garantir    um bom servi&ccedil;o m&eacute;dico/odontol&oacute;gico; n&atilde;o preciso    trabalhar de domingo a domingo tirando servi&ccedil;o. O que n&atilde;o entendo    &eacute; porque o tomador de servi&ccedil;o, a &#91;empresa ex- estatal&#93;,    &eacute; que nos diz como trabalhar e como organizar nosso trabalho interno    e de campo e porque tudo que acontece aqui o cooperado vai reclamar na ex-estatal,    ela fica sabendo de tudo que acontece aqui. Temos que dizer para ela que ela    n&atilde;o manda mais em n&oacute;s. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&oacute;s ainda n&atilde;o temos consci&ecirc;ncia    de que n&atilde;o somos mais ex-estatal pelo fato de n&oacute;s ainda pensarmos    que l&aacute; a coisa era f&aacute;cil, trabalho pouco, muitas garantias e gratifica&ccedil;&otilde;es,    bom sal&aacute;rio. Por querer que a cooperativa garanta servi&ccedil;os de    oficina, de combust&iacute;vel, porque sen&atilde;o n&atilde;o vai trabalhar.    Tem um cooperado, entre outros que trabalham comigo, ex-estatal, diz que a Cooperativa    tem que garantir os servi&ccedil;os de oficina, de combust&iacute;vel porque    sen&atilde;o, n&atilde;o vai trabalhar, eu digo: - companheiro, voc&ecirc; j&aacute;    recebe um bom percentual para manter o seu carro em perfeitas condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho, quando voc&ecirc; agrega o seu carro na empresa, voc&ecirc; j&aacute;    tem essa garantia, n&atilde;o tem porque voc&ecirc; estar falando isso. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o vejo diferen&ccedil;a entre os chefes    da ex-estatal com o coordenador daqui, os de l&aacute; eram e s&atilde;o melhores.    Aqui gritam, esbravejam, n&atilde;o t&ecirc;m modos ao se dirigir ao cooperado    trabalhador, querem ser ouvidos e temos que obedecer. Aqui o L., mesmo sem ser    o presidente, &eacute; o dono, &eacute; quem manda mais, toda a diretoria, conselhos    baixam a cabe&ccedil;a para ele. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o sei o que passa na cabe&ccedil;a do    cooperado. Quando ele &eacute; apenas leiturista, eletricista e passa a ser    coordenador de servi&ccedil;os, passa a ter um cargo, ocupar um lugar de chefe,    n&atilde;o &eacute; mais o mesmo. Ele &eacute; um cooperado como qualquer outro,    mas a partir do momento em que passa a ter um cargo na cooperativa, n&atilde;o    &eacute; mais o mesmo para os cooperados. Se houve elei&ccedil;&atilde;o, ele    se candidatou, venceu e assume o cargo de coordena&ccedil;&atilde;o por um per&iacute;odo    na cooperativa, no dia seguinte as pessoas j&aacute; n&atilde;o o olham como    no dia anterior. Por ele estar l&aacute; em outro local e, &eacute; claro, estar    l&aacute; comandando, assume certas responsabilidades, que n&atilde;o tinha    antigamente, as pessoas n&atilde;o entendem. E ainda dizem: - olha, bastou ser    coordenador, agora j&aacute; est&aacute; diferente. Essa &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    que tem que ser trabalhada. N&atilde;o conhe&ccedil;o, ainda, nenhum cooperado    que tenha se tornado coordenador, que tenha continuado o mesmo, eu sou uma pessoa    que bate muito sobre isso e estou com medo de pegar esse mal. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o h&aacute; por parte dos coordenadores    o escutar o cooperado. Muitas vezes determinam, dizem como fazer. Vou dar um    exemplo. Certa vez, eu estava aqui no hor&aacute;rio da tarde e o meu chefe    disse: - tenho uma coisa para lhe dizer, mas s&oacute; vou dizer amanh&atilde;,    quando voc&ecirc; vier pegar o servi&ccedil;o. Mas eu vou levar o servi&ccedil;o    agora. Ent&atilde;o diz logo. N&atilde;o, voc&ecirc; vai vir amanh&atilde;,    pega o seu servi&ccedil;o, a&iacute; eu te digo. Como? Vai ser preciso eu gastar    dinheiro com o transporte, pra voc&ecirc; me falar e eu pegar o servi&ccedil;o.    Isso &eacute; brincadeira. N&atilde;o &eacute; brincadeira, ningu&eacute;m vai    levar servi&ccedil;o hoje. Achei isso abuso de poder. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma vez, cheguei para conversar, pedir explica&ccedil;&atilde;o,    deixar os acontecimentos, as coisas claras, pedir informa&ccedil;&otilde;es,    buscando respostas para algumas coisas e o que um dos diretores me disse: -    Cara, pra que tantas perguntas, deixa que a diretoria resolve isso, fiquei frustrado.    Eu trabalho, produzo, fa&ccedil;o bem o meu trabalho, quero que a cooperativa    cres&ccedil;a e eu n&atilde;o fa&ccedil;o nada para mudar e ningu&eacute;m faz    nada. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acho tamb&eacute;m que um grande problema para    a cooperativa &eacute; o de estar sempre convivendo com o limite de endividamento.    Qualquer coisa que aconte&ccedil;a, que extrapola aquele limite, fica-se desesperado    para arranjar recurso de onde n&atilde;o tem. Acho fator decisivo a gente ter    um capital de giro para esses momentos turbulentos, para assim sanear e continuar    em frente. Atualmente, nosso maior problema est&aacute; nas decis&otilde;es    pol&iacute;ticas de pagar a folha de algumas coordena&ccedil;&otilde;es, quando    esta ultrapassa o percentual permitido. Essa decis&atilde;o pol&iacute;tica    da diretoria de pagar fez o problema complicar. As APS (Apontamento de Produ&ccedil;&atilde;o    e Servi&ccedil;o) pagas pela empresa contratante foram de valor menor do que    o valor a ser pago ao cooperado. A folha de pagamento foi muito maior. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando a contratante paralisa as equipes no campo    por estarem com os EPI's e EPC's em p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es    de uso, canso de ouvir os cooperados dizerem: - a multa a ser paga n&atilde;o    &eacute; culpa minha, cad&ecirc; a diretoria que n&atilde;o vem ver se o nosso    material est&aacute; em boa condi&ccedil;&atilde;o de uso e trabalho. Vejo nesses    cooperados um total descompromisso, querendo se isentar da responsabilidade    pelo seu trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estamos sempre esperando que algu&eacute;m assuma    a responsabilidade que &eacute; de todos, porque &eacute; que t&ecirc;m alguns    que mandam tanto e outros s&oacute; obedecem? &Eacute; dif&iacute;cil compreender    o sistema cooperativo. N&atilde;o entendo muito, em alguns momentos sou dono,    em outro sou o empregado que apenas cumpre ordem e realiza tarefas, n&atilde;o    cabe a mim decidir seus rumos. </font></I></P>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Na nossa cooperativa, a grande mudan&ccedil;a    tem que acontecer na cabe&ccedil;a do cooperado, porque geralmente dizem assim:    a cooperativa tem que mudar, mas todo mundo s&oacute; pensa que s&atilde;o os    diretores, coordenadores, n&atilde;o pensam que a cooperativa &eacute; um todo,    fica dif&iacute;cil mudar a cooperativa assim, temos que mudar nossa maneira    de ser e pensar, come&ccedil;ando por n&atilde;o culpar somente a diretoria    ou coordena&ccedil;&otilde;es por irresponsabilidades pessoais,n&atilde;o posso    dizer que culpa d&aacute; multa, &eacute; de A ou B, quando ela &eacute; minha.    </i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Existe entre n&oacute;s uma divis&atilde;o de    ganhos que eu n&atilde;o compreendo, quem mais trabalha &eacute; que menos ganha,    ralo o m&ecirc;s inteiro, pego servi&ccedil;o de quem n&atilde;o quer fazer    o servi&ccedil;o, mesmo assim meu sal&aacute;rio n&atilde;o melhora, j&aacute;    tenho mais de dois anos na cooperativa e nunca houve um aumento. E o pior &eacute;    n&atilde;o receber no dia certo, trabalho o m&ecirc;s inteiro, entro no outro    e n&atilde;o recebo o meu sal&aacute;rio, foi o meu suor, a minha luta, eu mere&ccedil;o    o meu sal&aacute;rio. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. N&atilde;o podemos negar    que para alguns o sal&aacute;rio daqui &eacute; bom, o ruim &eacute; n&atilde;o    ter um dia certo para receber e assim organizar a vida da gente. J&aacute; pensei    em sair daqui, minha produ&ccedil;&atilde;o &eacute; baixa e meu sal&aacute;rio    uma mis&eacute;ria e ainda n&atilde;o sai no dia. Devo aluguel, luz j&aacute;    foi cortada, o que ganho n&atilde;o d&aacute;. S&oacute; os cooperados que assumem    coordena&ccedil;&otilde;es, cargos de diretoria, t&ecirc;m uma significativa    melhora quanto aos ganhos, para eles a cooperativa significa uma melhora consider&aacute;vel.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que se v&ecirc; muito por aqui &eacute; a desigualdade,    o cara que entrou junto com a gente, sem ter onde cair morto, 3 ou 4 meses depois    que assumiu coordena&ccedil;&atilde;o j&aacute; tem carro, j&aacute; aluga carro    para a cooperativa, tem casa de praia etc. Isso &eacute; estranho, mas &eacute;    o que estamos vendo. Pena &eacute; que ningu&eacute;m v&ecirc; o contra-cheque    desses coordenadores, a nossa produ&ccedil;&atilde;o &eacute; exposta, todos    v&ecirc;m, mas o que coordena&ccedil;&otilde;es e diretoria recebem, isso n&atilde;o    &eacute; do conhecimento de todos. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Critica-se muito o coordenador t&eacute;cnico    por ele receber o que ele recebe, mas nenhum de n&oacute;s tem a coragem de    falar isso para ele. Quando ele, em assembl&eacute;ia, fez todo mundo achar    que os ganhos dele estavam corretos, nenhum de n&oacute;s levantou a voz e disse    que n&atilde;o aceitava isso. Agora est&aacute; a&iacute; ganhando os tubos    de dinheiro e todo mundo tem medo devido &agrave; forma como ele fala com a    gente, aos berros, e s&oacute; estamos manifestando isso porque quem est&aacute;    ouvindo &eacute; uma amiga nossa, se n&atilde;o fosse a gente n&atilde;o tinha    essa coragem n&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o adianta, quem tem cabe&ccedil;a para    pensar aqui &eacute; o coordenador t&eacute;cnico, ele determina o que fazer,    como fazer e quem vai fazer, os outros s&oacute; obedecem e se submetem aos    seus mandos e desmando. &Eacute;, companheiro, o problema est&aacute; na diretoria    que deu ao coordenador t&eacute;cnico muito poder, agora ningu&eacute;m consegue    cortar as asas dele, n&atilde;o serei eu a fazer isso. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Numa reuni&atilde;o ouvi o pessoal da Universidade    falando sobre isso, mas n&atilde;o me pergunte, pois &eacute; coisa que eu n&atilde;o    entendo. Sei que tenho que trabalhar muito, mas muito mesmo, para garantir o    meu sal&aacute;rio e o dos outros. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que se v&ecirc; faz qualquer um desanimar,    n&atilde;o h&aacute; como melhorar, as melhoras s&oacute; chegam para alguns.    Eu pensava que aqui fosse diferente, de todos os lugares que eu tinha passado    enquanto celetista, l&aacute; &eacute; normal enriquecer o patr&atilde;o: na    hora de trabalhar divide tarefa, na hora de dividir lucro, isso nunca foi posto    em pr&aacute;tica. N&atilde;o h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o com as    pessoas, como est&atilde;o, se s&atilde;o e est&atilde;o bem, os coordenadores    n&atilde;o sabem tratar os cooperados, n&atilde;o sabem dialogar, muitos mandos    e desmandos, isso n&atilde;o deve ser o tratamento com o cooperado, &eacute;    o nosso trabalho de campo que sustenta tudo isso. O que vem causando muita incerteza,    inseguran&ccedil;a &eacute; a falta de clareza, porque estamos nessa situa&ccedil;&atilde;o    t&atilde;o dif&iacute;cil, onde est&aacute; a t&atilde;o prometida gest&atilde;o    participativa, porque as informa&ccedil;&otilde;es s&oacute; chegam a um n&iacute;vel    de cooperados, porque os cooperados do campo n&atilde;o recebem as mesmas informa&ccedil;&otilde;es.    Estou insatisfeito com essa pol&iacute;tica que a cooperativa encontrou de fazer    as coisas, porque n&atilde;o se conversa ou ouve o cooperado.</font></I></P>       <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este trabalho procurou compreender como os trabalhadores    cooperados percebem a cooperativa e seu trabalho dentro dela. Os grupos focais,    entrevistas e question&aacute;rios mostraram um conjunto de dimens&otilde;es    importantes a serem levadas em considera&ccedil;&atilde;o em qualquer projeto    de cooperativa com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; postura dos cooperados e sua    compreens&atilde;o do trabalho autogestion&aacute;rio. Colocam tamb&eacute;m    em quest&atilde;o a validade do modelo na perspectiva de uma mudan&ccedil;a    real, positiva, nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de vida dos cooperados.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; importante ressaltar que a cooperativa    analisada &eacute; considerada na regi&atilde;o como um modelo de cooperativa,    n&atilde;o se constituindo em uma cooperativa "de fachada", uma vez que s&atilde;o    cumpridas todas as exig&ecirc;ncias legais para este tipo de associa&ccedil;&atilde;o    e que grande parte de seus membros, pelo menos os fundadores, afirmam que o    cerne da cooperativa &eacute;, de fato, os princ&iacute;pios autogestion&aacute;rios.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, a an&aacute;lise dos discursos mostrou    que a atitude geral dos cooperados ainda &eacute; bastante passiva e pouco efetiva    nas decis&otilde;es, pois participam muito pouco e acreditam que esse &eacute;    o seu papel, procurando se envolver apenas o suficiente para a realiza&ccedil;&atilde;o    do seu trabalho. Essa postura &eacute; coerente com a atitude que, em geral,    os trabalhadores demonstram nas organiza&ccedil;&otilde;es tradicionais. Por    outro lado, nota-se tamb&eacute;m que os cooperados que possuem experi&ecirc;ncias    anteriores em organiza&ccedil;&otilde;es sociais ou trabalhos coletivos tendem    a ter seu desempenho potencializado dentro da gest&atilde;o da cooperativa e    no seu pr&oacute;prio trabalho. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lideran&ccedil;as,    pode-se perceber que elas apresentam dificuldades quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es    interpessoais e &agrave; forma de gest&atilde;o democr&aacute;tica, caracter&iacute;sticas    inerentes ao trabalho em cooperativa. As lideran&ccedil;as atuais da cooperativa    em estudo n&atilde;o parecem possuir o perfil necess&aacute;rio aos l&iacute;deres    da associa&ccedil;&atilde;o. A diretoria e seus t&eacute;cnicos, indicados com    base apenas no estilo carism&aacute;tico, n&atilde;o sabem ou n&atilde;o querem    ouvir os cooperados, agem como se fossem os reais "donos" da empresa. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado, os cooperados delegam aos l&iacute;deres    informais e formais o poder de decis&atilde;o que s&oacute; caberia &agrave;    assembl&eacute;ia, ou seja, a eles mesmos, e tendem a reclamar das decis&otilde;es    tomadas, mostrando um distanciamento do poder e repetindo a atitude que os trabalhadores    normalmente demonstram nas organiza&ccedil;&otilde;es tradicionais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os cooperados estudados aqui trouxeram para a    cooperativa sua hist&oacute;ria de vida pessoal dentro da organiza&ccedil;&atilde;o    de onde se originou a cooperativa. Este fato determina, por exemplo, a forma    de relacionamento interno: s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es embrutecidas com    pouco respeito para com os outros associados/trabalhadores, colegas da cooperativa.    A auto-estima dos associados &eacute;, em geral, baixa, o que dificulta o processo    de apropria&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia de ser cooperado e dono. O foco    dos cooperados ainda est&aacute; no ganho individual, n&atilde;o havendo uma    vis&atilde;o compartilhada das vantagens do trabalho coletivo. Em alguns casos,os    cooperados querem obter os privil&eacute;gios que tinham na organiza&ccedil;&atilde;o    original e repetem as atitudes que tinham naquela organiza&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A discuss&atilde;o levantada por este trabalho    pode ser resumida em duas quest&otilde;es interrelacionadas. A primeira diz    respeito &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o sobre o objetivo do trabalho cooperativo    no atual momento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s, se &eacute; apenas uma alternativa    ao desemprego, como apontado por Singer (2000) e Lins (2004), ou se traz em    sua ess&ecirc;ncia a perspectiva de transforma&ccedil;&atilde;o do modo de pensar    o trabalho, da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova cultura nas rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho. Esta &uacute;ltima quest&atilde;o se refere &agrave; reflex&atilde;o    de que a exist&ecirc;ncia de cooperativas, mesmo as verdadeiras, n&atilde;o    garante as transforma&ccedil;&otilde;es individuais e sociais necess&aacute;rias    para uma real modifica&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso da cooperativa em quest&atilde;o, &eacute;    evidente, pelo discurso de alguns trabalhadores, que a cooperativa &eacute;    apenas uma alternativa ao desemprego e que, se pudessem, voltariam a trabalhar    na empresa estatal original. Esta fala vem geralmente acompanhada da id&eacute;ia    de perda de benef&iacute;cios e direitos, bem como rebaixamento salarial e inseguran&ccedil;a.    Assim, a resposta &agrave; primeira indaga&ccedil;&atilde;o &eacute; a de que,    embora os princ&iacute;pios gerais da cooperativa sejam realmente os tradicionais,    para os cooperados ela &eacute;, na maior parte das vezes, uma alternativa ao    desemprego e pouco mais que isso. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pelos discursos, pode-se notar que n&atilde;o    h&aacute; de fato a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa ao modo de produ&ccedil;&atilde;o    capitalista no que concerne &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de seu papel social.    Na verdade, o trabalhador n&atilde;o se transforma, apenas repete os comportamentos    e atitudes aprendidas e vivenciadas no sistema capitalista de trabalho, e n&atilde;o    poderia ser diferente. Como discute Lins (2001), as cooperativas s&atilde;o    o reflexo do aprofundamento da deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho e &eacute; dessa maneira que o cooperado percebe sua situa&ccedil;&atilde;o    e n&atilde;o como uma alternativa de trabalho e modelo de produ&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para que haja uma mudan&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho e nas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos cooperados, s&atilde;o    necess&aacute;rios mecanismos de organiza&ccedil;&atilde;o das atividades produtivas    e mudan&ccedil;as sociais que ultrapassem as experi&ecirc;ncias de organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho cooperativo, uma vez que essa organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute;    presa &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com o mercado e &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o    das cooperativas feita pelo aparelho jur&iacute;dico do Estado. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa transforma&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda    pouco prov&aacute;vel, uma vez que na cooperativa prevalecem os modelos de gest&atilde;o    capitalista, em especial o modelo taylorista, com a separa&ccedil;&atilde;o    entre trabalho manual e trabalho intelectual, a fragmenta&ccedil;&atilde;o da    produ&ccedil;&atilde;o e a conseq&uuml;ente perda do controle sobre o processo    de trabalho, separando-se assim a produ&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o, a    economia da pol&iacute;tica, a pol&iacute;tica da t&eacute;cnica. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na pr&aacute;tica, a igualdade de condi&ccedil;&otilde;es    em que se colocam os associados para gerir a empresa, no in&iacute;cio, vai,    aos poucos, dando lugar &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o entre t&eacute;cnicos    e oper&aacute;rios, entre os que administram e os que executam. Al&eacute;m    do mais, o discurso sobre a propriedade dos meios de produ&ccedil;&atilde;o    e a gest&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o coincidem com a subordina&ccedil;&atilde;o    que a empresa acaba adotando para responder aos contratos firmados, para procurar    novos contratos ou para substitu&iacute;-los, buscando amparar as necessidades    financeiras da cooperativa e dos cooperados. Isto acaba por impor um hor&aacute;rio    de trabalho r&iacute;gido ou algo semelhante, no mesmo modelo da empresa tradicional    e uma diferen&ccedil;a salarial marcante entre os que administram e os que executam.    S&atilde;o os que pensam, de fato, os que dominam as assembl&eacute;ias gerais,    porque os que incorporaram a caracteriza&ccedil;&atilde;o de "ignorantes" (oper&aacute;rios)    n&atilde;o falam para n&atilde;o confirmar o papel que lhes foi delegado nessa    cultura h&iacute;brida, como bem pontua Sato (1999). Os "oper&aacute;rios",    os menos escolarizados e ligados diretamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o,    ao serem interpelados sobre as diferen&ccedil;as salariais, s&atilde;o capazes    de justific&aacute;-las pela "compet&ecirc;ncia": os que administram devem ter    vantagens salariais. Um ponto positivo, no entanto, &eacute; que nem todos percebem    as diferen&ccedil;as de ganhos como "naturais", expondo claramente suas insatisfa&ccedil;&otilde;es    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; divis&atilde;o dos lucros. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cultura, enquanto fonte de transforma&ccedil;&atilde;o    do pensar, n&atilde;o se manifesta de forma imediata, mas &eacute; resultante    da pr&oacute;pria hist&oacute;ria pessoal do associado e do modo pelo qual a    cooperativa foi formada. Os fatores socioculturais externos influenciam de forma    direta as rela&ccedil;&otilde;es e a forma&ccedil;&atilde;o autogestion&aacute;ria,    impedindo que a participa&ccedil;&atilde;o e a autogest&atilde;o real ocorram.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De maneira geral, n&atilde;o se nota uma apropria&ccedil;&atilde;o    real, pelos cooperados, da natureza de uma organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho    cooperativista, que tem como principais pilares uma nova cultura, a autogest&atilde;o    e a id&eacute;ia de ser dono. Este processo de apropria&ccedil;&atilde;o requer    uma transi&ccedil;&atilde;o de cultura, necessitando de indiv&iacute;duos cr&iacute;ticos    e aut&ocirc;nomos, indiv&iacute;duos que precisam sentir que h&aacute; de fato    uma mudan&ccedil;a social em curso. A falta de apropria&ccedil;&atilde;o e a    manuten&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de trabalho formal dentro de uma    organiza&ccedil;&atilde;o autogestionada criam incompatibilidades nos cooperados    que s&atilde;o vividas na forma de mal-estar, expresso pela insatisfa&ccedil;&atilde;o,    as cr&iacute;ticas veladas, a delega&ccedil;&atilde;o de responsabilidade por    ganho menor, etc. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em s&iacute;ntese, podemos perceber claramente    a dificuldade dos cooperados em romper com o modelo de trabalho a que estavam    submetidos. Desta forma, a pr&oacute;pria estrutura da cooperativa encontra    dificuldades para se estabelecer de uma forma consistente e satisfat&oacute;ria    &agrave;s expectativas destes cooperados; n&atilde;o apenas em termos de ganhos    financeiros, mas de apropria&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de produtor    e gestor de seu trabalho. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma alternativa para o problema &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o    de mecanismos para uma capacita&ccedil;&atilde;o ao modelo cooperativo. Esta    a&ccedil;&atilde;o deveria n&atilde;o somente instrumentalizar administrativamente    e legalmente os novos cooperados, mas, principalmente, buscar uma mudan&ccedil;a    de posicionamento frente a esse novo tipo de empreendimento. Essa mudan&ccedil;a    se expressaria, de maneira central, na apropria&ccedil;&atilde;o do modelo cooperativo    em contra-parte ao modelo vigente. Os pesquisadores da &aacute;rea da Psicologia    do Trabalho, principalmente os que estudam a precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho    e novas alternativas para os sujeitos inseridos na cadeia produtiva, tem, com    a perspectiva de desenvolver pesquisas desta natureza, um campo amplo na interface    da Psicologia com a Educa&ccedil;&atilde;o como movimento te&oacute;rico para    desenvolvimento de instrumentos que possam auxiliar nessa apropria&ccedil;&atilde;o    dos novos cooperados e seu reposicionamento na vida comunit&aacute;ria. Mesmo    cientes de que romper com a estrutura de mercado j&aacute; estabelecida e com    as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho na contemporaneidade &eacute; um trabalho    demasiadamente amplo para ser alcan&ccedil;ado em um s&oacute; estudo ou interven&ccedil;&atilde;o,    iniciativas dessa natureza poderiam minimizar o impacto da passagem de um modelo    de trabalho tradicional para um modelo cooperado, amenizando o mal-estar causado    pela n&atilde;o apropria&ccedil;&atilde;o desse novo conceito produtivo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antunes, R. (1998 ). <i>Adeus ao trabalho?</i>    S&atilde;o Paulo: Cort&ecirc;s; Campinas, SP: Edunicamp. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270318&pid=S1518-6148200600020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Brasil. <i>Lei n&#186; 5.764 ,17 de dezembro    de 1971</i>. Define a Pol&iacute;tica Nacional de Cooperativismo, institui o    regime jur&iacute;dico das sociedades cooperativas, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.    Recuperado em 14 novembro 2003 de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5764.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5764.htm</a>.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270319&pid=S1518-6148200600020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Braverman, H. (1987). <i>Trabalho e capital monopolista:    A degrada&ccedil;&atilde;o do trabalho no s&eacute;culo XX</i>. Rio de Janeiro:    Editora Guanabara. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270320&pid=S1518-6148200600020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cattani, A. D. (1996). Trabalho e autonomia.    In A. D. Cattani, <i>Trabalho e tecnologia: Dicion&aacute;rio cr&iacute;tico</i>.    Petr&oacute;polis, RJ: Vozes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270321&pid=S1518-6148200600020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Djours, C. (1996). Uma nova vis&atilde;o do sofrimento    humano nas organiza&ccedil;&otilde;es. In J-F. Chanlat (Coord.), <i>O indiv&iacute;duo    na organiza&ccedil;&atilde;o: Dimens&otilde;es esquecidas</i> (3a ed, v. 1,    pp. 149-173). S&atilde;o Paulo: Atlas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270322&pid=S1518-6148200600020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Drimer, B., & Drimer, A. K. (1984).<i>Comp&ecirc;ndio    de cooperativismo</i>. Buenos Aires, Argentina: Intecoope. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270323&pid=S1518-6148200600020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Faveret Filho, P. (1996). Autogest&atilde;o:    Promessas e desafios. <i>Revista do BNDS</i>, <i>5</i>, 215-234. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270324&pid=S1518-6148200600020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fleury, M. T. L., & Fischer, R. M. (1996).    <i>Cultura e poder nas organiza&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Atlas.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270325&pid=S1518-6148200600020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guillerm, A., Bourdet, Y. (1976). <i>Autogest&atilde;o:    Uma mudan&ccedil;a radical</i>. Rio de Janeiro: Zahar. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270326&pid=S1518-6148200600020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ide, R. M. (2005). Uma an&aacute;lise das diferentes    no&ccedil;&otilde;es do cooperativismo na perspectiva construcionista. <i>Psicologia    & Sociedade</i>, <i>17</i> (2), 70-78. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270327&pid=S1518-6148200600020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lef&egrave;vre, F., Lef&egrave;vre, A. M. C.,    & Teixeira, J. J. V. (2000). <i>O discurso do sujeito coletivo: Uma abordagem    metodol&oacute;gica em pesquisa qualitativa</i>. S&atilde;o Paulo: EDUCS. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270328&pid=S1518-6148200600020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lima, J. C. (2004). O trabalho autogestion&aacute;rio    em cooperativas de produ&ccedil;&atilde;o: O paradigma revisitado. <i>Revista    Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, <i>19</i> (56), 45-62. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270329&pid=S1518-6148200600020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Limberger, E. (1996). <i>Cooperativa: Empresa    socializante</i>. Porto Alegre, RS: Imprensa Livre. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270330&pid=S1518-6148200600020001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lins, H. N. (2001). Cooperativas de trabalhadores:    Op&ccedil;&atilde;o frente &agrave; crise do emprego ou aspecto da crescente    precariedade do trabalho? <i>Nova Economia, 11</i> (1), 39-76. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270331&pid=S1518-6148200600020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lucena, M. B. (1994).<i>Coopera&ccedil;&atilde;o    e organiza&ccedil;&atilde;o: Desafios do cooperativismo</i>. Natal, RN: OCERN.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270332&pid=S1518-6148200600020001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marx, K. (1989). <i>O capital: Livro 1 </i> (Vol.    1). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270333&pid=S1518-6148200600020001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Piccinini, V. C. (2004). Cooperativas de trabalho    de Porto Alegre e flexibiliza&ccedil;&atilde;o do trabalho. <i>Sociologias</i>,    <i> 6</i> (12), 68-105. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270334&pid=S1518-6148200600020001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Queiroz, C. A. R. S. (1996). <i>Manual da cooperativa    de servi&ccedil;os e trabalho</i>. S&atilde;o Paulo: STS Publica&ccedil;&otilde;es    e Servi&ccedil;os. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270335&pid=S1518-6148200600020001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rech, D. (1995). <i>Cooperativas: Uma alternativa    de organiza&ccedil;&atilde;o popular</i>. Rio de Janeiro: Fase. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270336&pid=S1518-6148200600020001200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ribeiro, M. (2001). Trabalho cooperativo no MST    e ensino fundamental rural: Desafios &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.    <i>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, 17</i>, 20-30. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270337&pid=S1518-6148200600020001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rufino, S. Evaluation of the quality of life    in self-management cooperatives. <i>Meeting Production and Operations Management</i>,    2003. Recuperado em 20 dezembro 2005, de <a href="http://www.poms.org/Meeting2003/2003A/Papers/CAS-03.2.pdf" target="_blank">http://www.poms.org/Meeting2003/2003A/Papers/CAS-03.2.pdf</a>    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270338&pid=S1518-6148200600020001200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Schneider, J. O. (1999). <i>Democracia, participa&ccedil;&atilde;o    e autonomia cooperativa</i> (2a ed.). S&atilde;o Leopoldo, RS: UNISINOS. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270339&pid=S1518-6148200600020001200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Silva, E. S., Salom&atilde;o, I. L., Mcintyre,    J. P., Guerreiro, J., Pires, M. L. L. S., Albuquerque, P. P. et al. (2003).    Panorama do cooperativismo brasileiro: Hist&oacute;ria, cen&aacute;rios e tend&ecirc;ncias.    <i>Revita uniRcoop</i>, <i>1</i> (2), 75-102. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270340&pid=S1518-6148200600020001200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Singer, P. (2000). Economia solid&aacute;ria:    Um modo de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o. In P. Singer    & A. R. Sousa (Orgs.), <i>A economia solid&aacute;ria no Brasil: A autogest&atilde;o    como resposta ao desemprego</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270341&pid=S1518-6148200600020001200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Singer, P. (1996). <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o    e desemprego: Diagn&oacute;stico e alternativas</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270342&pid=S1518-6148200600020001200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Federal do Cear&aacute;. (1998).    <i>Curso b&aacute;sico: Cooperativismo e autogest&atilde;o</i>. Fortaleza, CE:    1998. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270343&pid=S1518-6148200600020001200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Xavier, B. A. P. (2003). Cooperativas de trabalho    e rela&ccedil;&atilde;o de emprego. <i>Jus Navigandi</i>, <i>7</i> (61). Recuperado    em 20 outubro 2005, de <a href="http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3635" target="_blank">http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3635</a>.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3270344&pid=S1518-6148200600020001200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 20 de janeiro de 2006    <br>   Aceito em 06 de fevereiro de 2006    <br>   Revisado em 20 de junho de 2006</font></p>       ]]></body>
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