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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the hypermodern times, in which the "compliment to moderation and cult of the excess" (Lipovetsky, 2004) paradox reigns, the bodies increasingly attract visibility and are dealt with as merchandise to be sold by the cultural industry and health industry. Not rarely does the publicity create an impression that a perfect body, diffused as synonymous of health, well-being and happiness is achievable by all as long as the right instructions and prescriptions are followed./ This way, the body is seen as a "sketch body", which can be remodeled over and over according to the "owner's" taste in order to reach the ideal model. Considering this context, the objective of this article is to reflect critically on the different aspects of this paradox, which are expressed in the current modality of wellness/ discomfort, with emphasis in its excesses and having the Frankfurt school (Critical Theory) as a reference for our theoretic-methodological axis. The collected data from a research on self-image disorders as bulimia, anorexia and overtraining is also examined. This qualitative investigation was executed in blogs, network relationship sites (Orkut) of individuals who carry the referred disorders and it has provided us information related to the contemporaneous ways of discipline/control, social exclusion/ self-confinement, corporal metamorphosis as well as significant testimonials linked to the influence of the new technologies and the media models in a quest/ for the idealized body of consumption. The theoretic-critical analysis undertaken/ has pointed out to the non-existence of a true paradox, whereas to an "excessive" obedience to the ideal norms of a standard body, and when not followed they generate feelings of failure and "discomfort". The "wellness"(well-being) is transmuted into "discomfort", in a journey/ in which associates pleasure to effort, success to control and "perfection" to suffering (pain).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>AUTORES    DO BRASIL    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O    corpo idealizado de consumo: paradoxos da hipermodernidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Maria de F&aacute;tima    Vieira Severiano<sup>I</sup>; Mariana Oliveira do R&ecirc;go<sup>II</sup>; &Eacute;rica    Vila Real Montefusco<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Psic&oacute;loga,    Profª Associada do Depto. de Psicologia da UFC com Doutorado na UNICAMP e no    Depto. de Psicolog&iacute;a Social da Universidad Complutense de Madrid. Desenvolve    pesquisas no Laborat&oacute;rio de Psicologia em Subjetividade e Sociedade,    do Mestrado em Psicologia-UFC. End.: Av. Rui Barbosa, 640, apto. 401. Meireles.    Fortaleza- CE. Cep: 60115-220. E-mail: <a href="mailto:fatimasev@terra.com.br">fatimasev@terra.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Psic&oacute;loga (UFC) e mestranda em Psicologia (UFC)<a href="#back"><sup>1</sup></a>.    End.: R. Amadeu Furtado, 150. S&atilde;o Gerardo. CEP : 60450-130 Fortaleza    - CE. E-mail: <a href="mailto:mariana_orego@hotmail.com">mariana_orego@hotmail.com</a>    <br>   <sup>III</sup>Psic&oacute;loga (UFC) e Profª substituta do Depto. De Psicologia    da UFC<sup>1</sup>. End.: R. Professor Her&aacute;clito, 313, apto. 1101. Papicu.    Fortaleza - CE. Cep: 60175-595. E-mail: <a href="mailto:ericavrm@hotmail.com">ericavrm@hotmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em tempos hipermodernos,    nos quais reina o paradoxo do "elogio da modera&ccedil;&atilde;o e da cultura    do excesso" (Lipovetsky, 2004), os corpos, cada vez mais, ganham visibilidade    e s&atilde;o tratados enquanto mercadoria a ser vendida pela ind&uacute;stria    cultural e pela ind&uacute;stria da sa&uacute;de. A publicidade, n&atilde;o    raro, d&aacute; a impress&atilde;o de que um corpo perfeito, veiculado como    sin&ocirc;nimo de sa&uacute;de, bem-estar e felicidade, est&aacute; ao alcance    de todos, desde que seguidas as devidas prescri&ccedil;&otilde;es. Assim, o    corpo &eacute; tratado enquanto "corpo rascunho", que pode ser modelado e remodelado    a gosto de seu "propriet&aacute;rio" no intuito de alcan&ccedil;ar o modelo    ideal. Diante deste contexto, temos por objetivo, neste artigo, refletir criticamente    sobre as diversas facetas desse paradoxo expresso na atual modalidade de "bem-estar"    / "mal-estar", com &ecirc;nfase em seus "excessos". Adotamos por eixo te&oacute;rico-metodol&oacute;gico    o referencial da Escola de Frankfurt (Teoria Cr&iacute;tica), al&eacute;m de    dados coletados em uma pesquisa acerca dos dist&uacute;rbios de auto-imagem:    anorexia, bulimia e vigorexia. Essa investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa,    realizada em blogs e sites de relacionamentos Orkut de sujeitos portadores dos    referidos dist&uacute;rbios, nos forneceu dados relativos &agrave;s contempor&acirc;neas    formas de disciplina/controle, exclus&atilde;o social/auto-confinamento e metamorfoses    corporais, al&eacute;m de depoimentos significativos vinculados &agrave; influ&ecirc;ncia    das novas tecnologias e dos modelos midi&aacute;ticos na busca pelo corpo idealizado    do consumo. A an&aacute;lise te&oacute;rico-cr&iacute;tica apontou para a n&atilde;o    exist&ecirc;ncia de um verdadeiro paradoxo, mas sim de um excesso de obedi&ecirc;ncia    &agrave;s normas ideais do corpo padr&atilde;o, que, quando n&atilde;o cumpridas,    engendram sentimentos de fracasso e "mal-estar". O "bem-estar" transmuta-se,    pois, em "mal-estar", numa jornada em que o prazer se associa ao esfor&ccedil;o,    o sucesso ao controle e a perfei&ccedil;&atilde;o ao sofrimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:    </b> Corpo. Consumo. Hipermodernidade. Transtornos alimentares. Excessos.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In the hypermodern    times, in which the "compliment to moderation and cult of the excess" (Lipovetsky,    2004) paradox reigns, the bodies increasingly attract visibility and are dealt    with as merchandise to be sold by the cultural industry and health industry.    Not rarely does the publicity create an impression that a perfect body, diffused    as synonymous of health, well-being and happiness is achievable by all as long    as the right instructions and prescriptions are followed./ This way, the body    is seen as a "sketch body", which can be remodeled over and over according to    the "owner's" taste in order to reach the ideal model. Considering this context,    the objective of this article is to reflect critically on the different aspects    of this paradox, which are expressed in the current modality of wellness/ discomfort,    with emphasis in its excesses and having the Frankfurt school (Critical Theory)    as a reference for our theoretic-methodological axis. The collected data from    a research on self-image disorders as bulimia, anorexia and overtraining is    also examined. This qualitative investigation was executed in blogs, network    relationship sites (Orkut) of individuals who carry the referred disorders and    it has provided us information related to the contemporaneous ways of discipline/control,    social exclusion/ self-confinement, corporal metamorphosis as well as significant    testimonials linked to the influence of the new technologies and the media models    in a quest/ for the idealized body of consumption. The theoretic-critical analysis    undertaken/ has pointed out to the non-existence of a true paradox, whereas    to an "excessive" obedience to the ideal norms of a standard body, and when    not followed they generate feelings of failure and "discomfort". The "wellness"(well-being)    is transmuted into "discomfort", in a journey/ in which associates pleasure    to effort, success to control and "perfection" to suffering (pain).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Body. Consumption. Hypermodernity. Eating disorders. Excesses.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A inser&ccedil;&atilde;o    da Psicologia no debate contempor&acirc;neo acerca do corpo idealizado do consumo    na "Hipermodernidade" implica questionar-se n&atilde;o apenas sobre a diversidade,    mas igualmente sobre a adversidade dos novos tempos, seus paradoxos, contradi&ccedil;&otilde;es    e implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e pol&iacute;ticas; decorrentes das    novas formas de estrutura&ccedil;&atilde;o das subjetividades contempor&acirc;neas,    sob o signo do consumo, do hiperindividualismo e das novas tecnologias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pesquisas anteriores    (Severiano, 2006) nos apontaram que, dentre os objetos paradigm&aacute;ticos    do consumo contempor&acirc;neo (celulares, carros, computadores e cart&otilde;es    de cr&eacute;dito), outro "objeto" se destaca de forma especial, permeando e    dando suporte a todos os demais: o corpo. Este, considerado por Baudrillard    (1970) como "o mais belo objeto de consumo", &eacute; enquadrado, contemporaneamente,    na l&oacute;gica fetichista da mercadoria, &agrave; semelhan&ccedil;a de qualquer    outro objeto. Ainda mais agudamente que os demais, ele encarna uma promessa    impl&iacute;cita de inclus&atilde;o social, diferencia&ccedil;&atilde;o, <i>status</i>,    prazer, poder, amor e felicidade. Todos os outros objetos parecem se constitu&iacute;rem    em meras pr&oacute;teses para o alcance daquilo que passou a constituir-se,    na hipermodernidade, sin&ocirc;nimo de salva&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica    e social: "o corpo ideal".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante disso, todos    os cuidados convergem para a sua "constru&ccedil;&atilde;o": da tecnobiologia    &agrave; ind&uacute;stria da publicidade, passando por spas, cl&iacute;nicas    est&eacute;ticas, dietas <i>lights</i>, <i>fitness</i>, anabolizantes, al&eacute;m    de complexos procedimentos cir&uacute;rgicos, que findam por torn&aacute;-lo    um "<b>corpo-rascunho</b>" (Le Breton, 2003): amontoado inst&aacute;vel e assim&eacute;trico    de pele, m&uacute;sculos, ossos e cabelos, eternamente em busca do desenho perfeito    a ser modelado pelos signos do consumo. Erigido e dissolvido incessantemente    pela ind&uacute;stria da sa&uacute;de e do entretenimento em busca da forma    ideal, nesse "corpo-rascunho" se conjugaria a experi&ecirc;ncia da busca de    uma felicidade desp&oacute;tica que implica promessas de "bem-estar", mas que    trazem, paradoxalmente (?), intenso "mal-estar".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trabalhar com o    conceito de Hipermodernidade (Lipovetsky, 2004) implica compreender que as caracter&iacute;sticas    que embasaram a modernidade - o individualismo, o mercado e o progresso t&eacute;cnico-cient&iacute;fico    - n&atilde;o apenas n&atilde;o desapareceram, mas intensificaram-se, tornando-se    hiperlativas: hipercapitalismo, hipercidade, hiperfen&ocirc;meno, hiperdesempenho,    hipertexto, hiperindividualismo, hipercards, hiperconsumo, hipermercado, hipervigil&acirc;ncia,    hiperviol&ecirc;ncia, hipercorpo etc.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que concerne    aos padr&otilde;es do corpo, observam-se ideais hedonistas e a moral do "aqui-agora"    convivendo lado a lado com a ideologia da sa&uacute;de, da longevidade e da    preven&ccedil;&atilde;o. Ou seja, assiste-se a um hiperindividualismo ora prudente    e calculista; ora desregrado, desequilibrado e ca&oacute;tico - composto paradoxal    de "frivolidade e ansiedade, de euforia e vulnerabilidade" (Lipovetsky, p.65).    Apesar desta cultura do "Hiper" sugerir o triunfo do "excesso", do "sempre mais",    ela se caracteriza predominantemente, segundo o autor, por ser uma "cultura    paradoxal" em que convivem lado a lado, "o excesso e o elogio da modera&ccedil;&atilde;o",    numa divis&atilde;o, como diria ele, "quase esquizofr&ecirc;nica", entre mal-estar/bem-estar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em que consistiria    a real natureza deste "paradoxo"? Para al&eacute;m da excessiva publiciza&ccedil;&atilde;o    do "bem estar" - numa sociedade que se apresenta t&atilde;o "plural", "diversa",    e "dadivosa" (Baudrillard, 1970) em suas apresenta&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas    - em que s&iacute;tios estariam alocados o controle, a domina&ccedil;&atilde;o,    o auto-sacrif&iacute;cio e a exclus&atilde;o social, enfim, o sofrimento ps&iacute;quico,    reveladores do atual "mal-estar"? Ressalta-se que esta sociedade se "oferta"    igualmente, mas n&atilde;o igualitariamente, atrav&eacute;s de seus bens de    consumo, espa&ccedil;os de entretenimentos, estilos de vida, formas exemplares    de ser, sentir e amar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nossa hip&oacute;tese    &eacute; a de que subjacente &agrave; prud&ecirc;ncia e &agrave; modera&ccedil;&atilde;o    - supostos provedores de "bem-estar" - reside um "mal-estar" oriundo dos "excessos"    (desregramentos, dist&uacute;rbios, transtornos, adi&ccedil;&otilde;es etc)    que n&atilde;o s&atilde;o necessariamente paradoxais, no sentido de contradit&oacute;rios    aos ideais de modera&ccedil;&atilde;o, mas que se constituem, justamente, num    cont&iacute;nuo, numa sequ&ecirc;ncia de respostas coerentes aos excessivos    apelos por modera&ccedil;&atilde;o "receitados" pela m&iacute;dia. Excessos    podem ocorrer seja por obedi&ecirc;ncia cega &agrave;s regras estipuladas para    o alcance do corpo ideal, seja por sucessivos fracassos no cumprimento dessas    mesmas regras, gerando, por fim, um "mal-estar".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ind&uacute;stria    da beleza, atrav&eacute;s dos diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de    massa - revistas, <i>internet</i>, <i>blogs</i>, <i>Orkut</i> etc. - exp&otilde;e    o corpo a uma sabatina incessante de prescri&ccedil;&otilde;es, vigil&acirc;ncia    e cobran&ccedil;as para alcan&ccedil;ar o t&atilde;o propalado "bem-estar".    Entretanto, parece que a inacessibilidade e o n&atilde;o cumprimento deste ideal    de corpo revelam a outra faceta deste paradoxo: transtornos de imagem, exclus&atilde;o    social, sentimentos de fracasso e perda da auto-estima, enfim, sofrimento ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    objetivamos neste artigo refletir criticamente sobre as diversas facetas desse    paradoxo, expressos nas atuais formas de "bem-estar"/"mal-estar", tendo por    eixo te&oacute;rico o referencial da Escola de Frankfurt, al&eacute;m de dados    coletados em uma pesquisa que realizamos acerca de dist&uacute;rbios de auto-imagem:    anorexia, bulimia e vigorexia - fen&ocirc;menos exemplares do "mal-estar" contempor&acirc;neo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <b>bulimia</b>    &eacute; uma afec&ccedil;&atilde;o conhecida desde a Gr&eacute;cia antiga, sob    o nome de cinorexia ou fome de cachorro. Consiste em hiperfagia seguida de v&ocirc;mitos.    Atualmente, a bulimia &eacute; uma psicopatologia bastante debatida, embora,    de forma nenhuma, tenha-se chegado a um consenso terap&ecirc;utico a respeito    de suas estruturas ou de seu tratamento. Os pr&oacute;prios <i>media</i> t&ecirc;m    contribu&iacute;do para fazer da afec&ccedil;&atilde;o bul&iacute;mica uma doen&ccedil;a    mais conhecida, "popular". Fernandes (2006), em seu livro <b>Transtornos Alimentares</b>,    define a afec&ccedil;&atilde;o como:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) epis&oacute;dios      repetidos de compuls&otilde;es alimentares, acompanhados por comportamentos      compensat&oacute;rios inadequados, tais como v&ocirc;mitos auto-induzidos,      mau uso de laxantes e diur&eacute;ticos, jejuns ou exerc&iacute;cios f&iacute;sicos      excessivos sem que se evidencie uma perda de peso t&atilde;o significativa      como ocorre na anorexia. (p. 39)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mesmo sabendo que    a doen&ccedil;a &eacute; antiga, salta aos olhos o aumento do n&uacute;mero    de casos nos &uacute;ltimos anos. Esse mesmo per&iacute;odo foi marcado pela    intensifica&ccedil;&atilde;o do apelo da m&iacute;dia para a obten&ccedil;&atilde;o    de um corpo ideal a ser <b>consumido</b> enquanto modelo de sa&uacute;de, beleza    e bem-estar. Ainda que as condi&ccedil;&otilde;es acima citadas sejam verdadeiras,    seria imprudente, decerto, atribuir o aumento do do fen&ocirc;meno da bulimia    unicamente &agrave; a&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e da sociedade de consumo,    mas n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida alguma de que podemos tecer correla&ccedil;&otilde;es    pertinentes entre as vari&aacute;veis envolvidas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    <b>anorexia</b>, esta se constitui em uma doen&ccedil;a cujos sintomas j&aacute;    s&atilde;o relatados desde a Idade M&eacute;dia (Weinberg &amp; Cordas, 2006),    quando mulheres consideradas santas aderiam a jejuns extremamente rigorosos    como forma de uma ascese corporal que visava a purificar a pr&oacute;pria alma.    Embora os sintomas da anorexia tenham sempre sido registrados atrav&eacute;s    dos s&eacute;culos, a doen&ccedil;a s&oacute; ganha o cen&aacute;rio da psiquiatria    moderna em 1980, com o advento do DSM - III. (Fernandes, 2006) A anorexia pode    ser classificada em "anorexia restritiva" - na qual ocorrem epis&oacute;dios    de jejuns demasiado rigorosos, havendo recusa a praticamente qualquer alimento    - e "anorexia purgativa" - com sintomas bastante semelhantes aos da bulimia:    h&aacute; v&ocirc;mitos depois da ingest&atilde;o (n&atilde;o necessariamente    excessiva, como na bulimia) de alimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <b>vigorexia</b>    ou S&iacute;ndrome de Ad&ocirc;nis - termo utilizado pela primeiramente em 1993,    pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope, da Universidade de Harvard - &eacute;    um transtorno no qual a pessoa realiza pr&aacute;ticas esportivas de forma intensa    e cont&iacute;nua para ganhar massa muscular e defini&ccedil;&atilde;o corporal,    sem se importar com eventuais consequ&ecirc;ncias prejudiciais &agrave; sa&uacute;de    ou contra-indica&ccedil;&otilde;es. Os portadores de Vigorexia s&atilde;o, em    sua maioria, homens entre 18 e 34 anos, os quais chegam a ingerir mais de 4.500    calorias di&aacute;rias (o normal seria cerca de 2.500), incluindo perigosos    complexos vitam&iacute;nicos e suplementos alimentares e at&eacute; o consumo    de ester&oacute;ides e anabolizantes, com o fim de conseguir "melhores e mais    r&aacute;pidos resultados". Trata-se de uma das mais recentes patologias potencializadas    pela cultura, n&atilde;o tendo sido ainda catalogada como doen&ccedil;a espec&iacute;fica    pelos manuais de classifica&ccedil;&atilde;o (CID.10 e DSM. IV). Alguns autores    consideram-na uma manifesta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica particular de um    quadro denominado Transtorno Dism&oacute;rfico Corporal, (historicamente conhecido    como dismorfofobia), o qual &eacute; definido, de acordo com o DSM-IV, como    uma preocupa&ccedil;&atilde;o com um imaginado defeito na apar&ecirc;ncia. Se    uma ligeira anomalia f&iacute;sica est&aacute; presente, a preocupa&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo &eacute; acentuadamente excessiva. Caracteriza-se, tamb&eacute;m,    por uma obsess&atilde;o de tra&ccedil;o narc&iacute;sico, voltada de maneira    abusiva para o culto ao corpo nas suas mais &iacute;ntimas e fatais propor&ccedil;&otilde;es.    N&atilde;o obstante o qu&atilde;o musculosos se apresentem, os vigor&eacute;xicos    consideram-se "fracos", "raqu&iacute;ticos", "frangos" ou "mirrados", recorrendo    cada vez mais a anabolizantes e exerc&iacute;cios intensos na tentativa de alcan&ccedil;ar    a silhueta "ideal".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando que    o presente estudo n&atilde;o possui um car&aacute;ter cl&iacute;nico-diagn&oacute;stico    e que se insere numa perspectiva na qual o corpo &eacute; compreendido como    um territ&oacute;rio em que se expressam os sintomas sociais contempor&acirc;neos    - sofrimento ps&iacute;quico, sob o signo do hedonismo e da pseudolibera&ccedil;&atilde;o    - questionamos: haveria um real paradoxo, como reporta Lipovetsky, entre o "frenesi    consumista", "as bul&iacute;micas e anor&eacute;xicas" e os "compulsivos e vigor&eacute;xicos"?    N&atilde;o seriam tais patologias e "excessos", justamente, os frutos colhidos    ante o fracasso do indiv&iacute;duo n&atilde;o conseguir cumprir t&atilde;o    "moderadamente" com os padr&otilde;es ideais?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Perspectivas    Te&oacute;ricas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compreender o corpo    idealizado do consumo, com vistas a elucidar suas facetas de modera&ccedil;&atilde;o,    controle, comedimento e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, de subjuga&ccedil;&atilde;o,    implica em reportar-nos aos te&oacute;ricos pioneiros na an&aacute;lise dos    processos de racionaliza&ccedil;&atilde;o e domina&ccedil;&atilde;o da sociedade    moderna: a Escola de Frankfurt, especialmente T. Adorno, M. Horkeimer e H. Marcuse.    A proposta desses te&oacute;ricos ancora-se na exig&ecirc;ncia de uma individualidade    capaz de refletir sobre as pr&oacute;prias vicissitudes da raz&atilde;o no mundo    moderno, com aten&ccedil;&atilde;o especial a certas formas de condu&ccedil;&atilde;o    de satisfa&ccedil;&atilde;o "espont&acirc;neas" do desejo - pr&oacute;prias    da ind&uacute;stria cultural contempor&acirc;nea - aparentemente progressista    e liberal; mas que, ao elidir o componente reflexivo da raz&atilde;o em prol    de solu&ccedil;&otilde;es imediatas, pautadas no fasc&iacute;nio da imagem do    consumo, findam por remeter o indiv&iacute;duo a uma situa&ccedil;&atilde;o    de menoridade, uma vez que subordinam o desejo &agrave; l&oacute;gica do mercado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As rela&ccedil;&otilde;es    do homem com os signos do consumo foram exaustivamente analisadas pelos frankfurteanos    atrav&eacute;s do conceito de "Ind&uacute;stria Cultural". H&aacute; d&eacute;cadas,    esses autores afirmaram que, nas sociedades modernas, a domina&ccedil;&atilde;o    saiu da esfera restrita do trabalho para impor-se, de forma totalit&aacute;ria    e impl&iacute;cita, por sobre todos os aspectos da cultura. Aqui, a domina&ccedil;&atilde;o    assume uma nova forma, n&atilde;o mais expl&iacute;cita e direta, mas atrav&eacute;s    da imposi&ccedil;&atilde;o de uma hegemonia ideol&oacute;gica, utilizando-se    da pr&oacute;pria gratifica&ccedil;&atilde;o do desejo; seja atrav&eacute;s    do consumo de mercadorias fetichizadas, seja atrav&eacute;s da reprodu&ccedil;&atilde;o    ampliada da ind&uacute;stria cultural e do lazer programado para produzir uma    subjetividade humana homogeneizada e acr&iacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; em 1944,    por ocasi&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o da obra <b>A Dial&eacute;tica    do Esclarecimento</b>, Adorno e Horkheimer cunharam o termo "Ind&uacute;stria    Cultural", a fim de substituir a express&atilde;o, ent&atilde;o em uso, de "cultura    de massa". Negando ambos os termos da express&atilde;o, ou seja, nem "cultura",    nem "massa", eles denunciaram a impossibilidade de haver qualquer vest&iacute;gio    de igualdade entre "cultura de massa" e democratiza&ccedil;&atilde;o da cultura    ao sublinhar o car&aacute;ter compuls&oacute;rio da ind&uacute;stria cultural    por eles concebida como "a integra&ccedil;&atilde;o deliberada, a partir do    alto, de seus consumidores" (1986a, p.92), na qual &eacute; suprimida tanto    a complexidade da "cultura erudita" quanto a rudeza espont&acirc;nea da cultura    popular, que permitia resistir ao controle da "sociedade administrada". Sua    finalidade n&atilde;o seria a de servir &agrave;s massas, mas &agrave; racionalidade    tecnol&oacute;gica e administrativa do grande capital, produzindo uma falsa    concilia&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duo e sociedade, na qual o particular    (indiv&iacute;duo) seria dilu&iacute;do na universalidade do social, instaurando,    assim, o reino da positividade e o culto ao presente imediato como as &uacute;nicas    formas de realidade poss&iacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ind&uacute;stria    da beleza e do entretenimento - ferramentas b&aacute;sicas da atual ind&uacute;stria    cultural - evidencia, ainda hoje, a concilia&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duo    e sociedade, o reino da positividade e o culto ao presente imediato em seus    apelos ao corpo idealizado do consumo. Celulares, carros, computadores, cart&otilde;es    de cr&eacute;ditos, assim como corpos "sarados", s&atilde;o convertidos em uma    esp&eacute;cie de "passe" para a inclus&atilde;o social e um "certificado" de    "estilo e personalidade".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A respeito do que    denominamos por "objeto de consumo", seguindo Baudrillard (1993), &eacute; importante    ressaltarmos que n&atilde;o estamos tratando de um mero objeto, funcional, em    seu valor de uso, mas de um complexo "c&oacute;digo de signos", no qual est&atilde;o    implicados todo um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o, diferencia&ccedil;&atilde;o    e permutas sociais, enfim: "um modo novo e espec&iacute;fico de socializa&ccedil;&atilde;o"    (p.92). O referido autor, ao tratar o consumo numa perspectiva semiol&oacute;gica,    considera que o objeto de consumo contempor&acirc;neo se funda predominantemente    na l&oacute;gica do "valor-signo", o qual &eacute; orientado por um sistema    distintivo de imagens de marca, ditado pela moda, cujo sentido n&atilde;o est&aacute;    mais referido a nenhuma rela&ccedil;&atilde;o humana, mas sim "en la relaci&oacute;n    diferencial respecto a otros signos" (p.38), que se hierarquizam de acordo com    os atributos subjetivos e de prest&iacute;gio social agregados ao produto, regidos    pela l&oacute;gica formal da moda e da diferencia&ccedil;&atilde;o. Para ele,    o objeto, deixa de ser a solu&ccedil;&atilde;o para um problema pr&aacute;tico    ("valor de uso") para ser valorado em seus aspectos "inessenciais", passando    a ser a "solu&ccedil;&atilde;o de um conflito social ou psicol&oacute;gico".    (p.134).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso "do mais    belo objeto de consumo" - o corpo - Baudrillard (1970) enfatiza o <i>status</i>    a ele atribu&iacute;do, na sociedade de consumo. O atual investimento narc&iacute;sico    no corpo promove, na vis&atilde;o deste autor, uma "evolu&ccedil;&atilde;o regressiva    da afetividade para o corpo/crian&ccedil;a e para o corpo/objeto" (p.159). Nesse    processo, o sujeito &eacute; dissociado de seu corpo, o qual &eacute; objetificado,    passando a significar apenas "reflexos dos signos do sistema da moda". Nesse    sentido, investir narcisicamente no corpo n&atilde;o significa reapropi&aacute;-lo    como signo de desejo e sexualidade com fins de liberta&ccedil;&atilde;o, mas    unicamente trat&aacute;-lo como um "patrim&ocirc;nio" de acordo com "o princ&iacute;pio    normativo do prazer e da rentabilidade hedonista" (p. 160) aos moldes do c&oacute;digo    de produ&ccedil;&atilde;o e consumo das sociedades capitalistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto,    o corpo deixa de ser visto como um ef&ecirc;mero e desagrad&aacute;vel inv&oacute;lucro    da alma (Bruckner, 2002) para transmutar-se na pr&oacute;pria felicidade materializada:    instrumento e passaporte de "bem-estar", <b>desde que</b> se cumpra com todas    as prescri&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria da sa&uacute;de midi&aacute;tica;    numa jornada em que o prazer se associa ao esfor&ccedil;o, o sucesso &agrave;    determina&ccedil;&atilde;o, a auto-estima ao reconhecimento do outro, a libera&ccedil;&atilde;o    &agrave; adequa&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas vigentes, a felicidade ao poder    irrestrito de consumo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Perspectivas    metodol&oacute;gicas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esclarecemos que    o presente manuscrito n&atilde;o se trata de um "relato de pesquisa" propriamente    dito, mas de uma discuss&atilde;o te&oacute;rico-cr&iacute;tica que se vale    de alguns dados ilustrativos de pesquisas (Severiano, 2007, 2008). Entretanto,    se fazem necess&aacute;rios alguns breves esclarecimentos a fim de contextualizar    certos procedimentos em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em termos metodol&oacute;gicos,    a Teoria Cr&iacute;tica frankfurteana insiste em que o particular somente pode    ser compreendido quando referido a uma totalidade maior que lhe d&aacute; sentido    e significa&ccedil;&atilde;o; ou seja, o particular funciona como &iacute;ndice    do universal, &eacute; o seu representante e, como tal, deve ser objeto de uma    rigorosa reflex&atilde;o cr&iacute;tica para que se consiga ascender &agrave;    complexidade do todo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em nosso caso espec&iacute;fico,    apresentaremos alguns excertos das falas dos sujeitos portadores de anorexia,    bulimia e vigorexia, retirados de <i>blogs</i> e de comunidades do <i>site</i>    de relacionamento <i>Orkut</i>, representando, dessa forma, um elemento particular,    representativo do atual "bem-estar/mal-estar" que assola a sociedade hipermoderna,    em que se evidenciam os "excessos"; seja sob a forma de rigorosa disciplina    e autocontrole, seja por meio de fen&ocirc;menos de exclus&atilde;o social,    auto-confinamento, metamorfoses corporais, assim como a influ&ecirc;ncia das    novas tecnologias e dos modelos midi&aacute;ticos na busca pelo corpo idealizado</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale ainda salientar    que apenas foram analisados os depoimentos espont&acirc;neos, j&aacute; tornados    p&uacute;blicos pelos pr&oacute;prios membros dos <i>sites</i>, sem qualquer    forma de contato presencial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sele&ccedil;&atilde;o    e an&aacute;lise dos depoimentos basearam-se em uma an&aacute;lise categorial    e te&oacute;rico-cr&iacute;tica (Escola de Frankfurt), na qual elegemos temas-chave    (subcategorias) que se repetiram ao longo dos depoimentos, a saber: <b>disciplina/controle</b>;    <b>exclus&atilde;o social/auto-confinamento</b>; <b>metamorfoses corporais e    tecnologia/modelos midi&aacute;ticos</b>. Essas subcategorias, por sua vez,    foram oriundas das duas grandes categorias que nortearam nossas an&aacute;lises:    "bem-estar" e "mal-estar".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>"Bem-Estar"    - o elogia da modera&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Historicamente,    a felicidade nem sempre se relacionou &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de um    corpo perfeito. Na sociedade medieval, estava destinada &agrave; alma, cabendo    ao corpo o lugar do pecado; na sociedade moderna, era a raz&atilde;o quem aparecia    como meio de assegurar o progresso e a felicidade humana. &Eacute; somente na    contemporaneidade, na atual "cultura das sensa&ccedil;&otilde;es", que o corpo    ganha o lugar de mediador da felicidade, se constituindo no mais caro deposit&aacute;rio    da personalidade - a j&aacute; referida "personalidade som&aacute;tica" (Costa,    2004).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bruckner (2002),    em sua obra <b>Euforia Perp&eacute;tua</b>, considera que a felicidade, antes    caracter&iacute;stica ut&oacute;pica, agora se tornou uma obriga&ccedil;&atilde;o.    O sujeito est&aacute; "condenado" de alguma maneira a ser feliz ou, para dizer    de outra forma, s&oacute; pode culpar a si pr&oacute;prio se n&atilde;o conseguir    a forma ideal (p.52). Vejamos nas palavras do autor:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) durante      s&eacute;culos o corpo foi reprimido, esmagado em nome da f&eacute; ou das      conveni&ecirc;ncias. Pois bem, agora que foi liberado d&aacute;-se um estranho      fen&ocirc;meno: em vez de usufruir com toda a inoc&ecirc;ncia, os homens transferiram      a proibi&ccedil;&atilde;o para o interior da satisfa&ccedil;&atilde;o. Esta,      tornada ansiosa por causa de si mesma, erigiu seu pr&oacute;prio tribunal      e se condena, n&atilde;o mais em nome de Deus ou do pudor, mas de sua insufici&ecirc;ncia:      nunca &eacute; grande o bastante, adequada o bastante. (p. 60)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    o discurso de que qualquer um pode ser belo desloca a responsabilidade das insufici&ecirc;ncias    para o pr&oacute;prio indiv&iacute;duo. N&atilde;o h&aacute; desculpas: sempre    h&aacute; oportunidade de se fazer uma cirurgia pl&aacute;stica, dietas e exerc&iacute;cios.    A beleza se artificializa e, como consequ&ecirc;ncia, se "democratiza". Aos    consumidores s&atilde;o auferidos "direitos" de serem jovens e belos, conquanto    que adiram aos m&uacute;ltiplos planos de sa&uacute;de e beleza, ditados pela    l&oacute;gica do mercado. Controle sutil e poderoso porque inculca no consumidor    uma autoridade travestida de poder de escolha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A diversidade e    a "acessibilidade" quanto aos investimentos est&eacute;ticos e, ainda, a autoridade    cient&iacute;fica, legitimadora do discurso de que a beleza est&aacute; ao "alcance    de todos", mal oculta uma mensagem velada: &eacute; feliz quem quer, &eacute;    gordo quem quer, &eacute; belo quem quer; &agrave; semelhan&ccedil;a das mercadorias,    tudo est&aacute; a sua disposi&ccedil;&atilde;o para o alcance do corpo ideal.    A este respeito, nossa m&iacute;dia impressa &eacute; pr&oacute;diga em exemplos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"As pessoas ficam      &agrave; vontade para escolher o que desejam fazer. Mas sugerimos reeduca&ccedil;&atilde;o      alimentar, nutricional e atividade f&iacute;sica. Tudo isso em um espa&ccedil;o      agrad&aacute;vel que mais parece a extens&atilde;o da nossa casa" (Revista      <b>Isto &Eacute;</b>, de 15 de dezembro de 2006, nº 1934);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"A era da ind&uacute;stria      da beleza est&aacute; em plena expans&atilde;o. Est&aacute; havendo uma socializa&ccedil;&atilde;o      da ind&uacute;stria da beleza e da cosm&eacute;tica" (Revista <b>Isto &Eacute;</b>,      de 15 de dezembro de 2006, nº 1934)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"A beleza, como      antes dela o autom&oacute;vel, a TV em cores, o <i>walkman</i> e o celular,      se tornou artigo t&atilde;o cobi&ccedil;ado, e por tanta gente, que baixou      do olimpo dos pre&ccedil;os proibitivos para o maracan&atilde; das promo&ccedil;&otilde;es      acess&iacute;veis a uma boa parte dos mortais". (Revista <b>Veja</b>, Editora      Abril, edi&ccedil;&atilde;o 1835, ano 37, nº 1, janeiro de 2004, p. 65);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"H&aacute; empresas      que financiam as cirurgias em at&eacute; 48 vezes, funcionando como intermedi&aacute;rias      entre os m&eacute;dicos e os pacientes que disponham de poucas verbas, como      a <i>Master Health</i> - SP que intermedeia cerca de 2.500 cirurgias por ano,      e a Higiia - SC, que contabiliza 400 anuais" (Revista <b>Veja</b>, Editora      Abril, edi&ccedil;&atilde;o 1835, ano 37, nº 1, janeiro de 2004, p. 68);</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ante as facilidades    propiciadas pela ind&uacute;stria da beleza - sua objetifica&ccedil;&atilde;o,    "socializa&ccedil;&atilde;o" e comercializa&ccedil;&atilde;o em m&oacute;dicas    presta&ccedil;&otilde;es - a &ecirc;nfase agora recai sobre a vontade/controle    de seu "propriet&aacute;rio" - respons&aacute;vel &uacute;nico por seus sucessos    e fracassos. Assiste-se, hoje, ao horror &agrave; fei&uacute;ra, &agrave; gordura    e &agrave; flacidez percebida como um "defeito", uma "fraqueza" da pr&oacute;pria    personalidade de seu portador. Ocorre, assim, uma psicologiza&ccedil;&atilde;o    dos afetos corporais, em que o corpo &eacute; considerado uma esp&eacute;cie    de extens&atilde;o mimetizada da pr&oacute;pria identidade; numa era em que    os atuais apelos a estados subjetivos e particulares de satisfa&ccedil;&atilde;o    ("auto-estima", "confian&ccedil;a-em-si-mesmo", "felicidade", "libera&ccedil;&atilde;o"    etc.) t&ecirc;m por via privilegiada a modelagem padronizada do pr&oacute;prio    corpo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    proliferam as frustra&ccedil;&otilde;es e as patologias individuais naqueles    que, na busca pelo alcance da forma ideal, n&atilde;o conseguem se adequar aos    padr&otilde;es prescritos, incidindo em excessos. Para al&eacute;m do corpo    ideal, subjaz, portanto, um "mal-estar": surge um <b>corpo d&oacute;cil</b>,    submisso, que sofre com normas e m&eacute;todos rigorosos, constitu&iacute;dos    por ren&uacute;ncias, sacrif&iacute;cios, auto-confinamento, exclus&atilde;o    social ou at&eacute; mesmo a morte. Aqui o exerc&iacute;cio do poder n&atilde;o    se restringe apenas &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o ou enquadramento do    corpo em determinadas patologias, mas ao poder de manipul&aacute;-lo de acordo    com os interesses do mercado, da Ind&uacute;stria da beleza, estabelecendo estrat&eacute;gias    de controle ainda mais sutis sobre a vida - o "Biopoder" (Foucault, 1975/2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se da eterna    busca de defini&ccedil;&atilde;o de um "<b>corpo rascunho</b>", o corpo que    est&aacute; sempre por ser refeito, a exemplo dos anor&eacute;xicos, bul&iacute;micos    e vigor&eacute;xicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>"Mal-Estar"</b>    - <b>Cultura do excesso</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma excessiva <b>disciplina/controle</b>,    com forte dosagem de auto-sacrif&iacute;cio e culpa, foi repetidamente expressa    por todos aqueles que se denominaram anor&eacute;xicas, bul&iacute;micas e vigor&eacute;xicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando-se    com Freud (1980a;1980b), que &eacute; do aparato cultural que o psiquismo retira    os elementos significantes para sua forma&ccedil;&atilde;o e visto que o dever    de ser bela, bem como o dever de ser feliz constitui-se no mais forte imperativo    da cultura contempor&acirc;nea, acreditamos que esses ideais (inscritos no aparelho    ps&iacute;quico) contribuam substancialmente para a forma&ccedil;&atilde;o dos    referidos dist&uacute;rbios de auto-imagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em todos esses    casos, a busca pelo corpo perfeito tende a inscrever-se ao n&iacute;vel do ideal    de Eu desses sujeitos, fazendo com que, inconscientemente, busque-se um objeto    que venha a obturar a falta original; considerando-se que o circuito do desejo    nada mais &eacute; que a busca incessante de substitui&ccedil;&otilde;es parciais    para tamponar a hi&acirc;ncia primordial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Supereu, - parte    consciente e parte inconsciente - teria como uma de suas fun&ccedil;&otilde;es    impelir o Eu, a todo custo, a se enquadrar no padr&atilde;o (ideal de Eu) internalizado    enquanto sublime. Esse ideal &eacute;, entretanto, inalcan&ccedil;&aacute;vel,    o que faz com que o Supereu dispense v&aacute;rias san&ccedil;&otilde;es punitivas    ao Eu, como forma de castigo por n&atilde;o atingir a meta desejada. A magnitude    de tal puni&ccedil;&atilde;o - presente, de fato, em todos os seres humanos    - pode ser, no entanto, exponencialmente aumentada se levarmos em conta que    a "hipermodernidade" responsabiliza totalmente o sujeito por seus fracassos.    Assim, a culpabiliza&ccedil;&atilde;o, neste caso, &eacute; dupla: primeiro,    se sente culpado por n&atilde;o ter um corpo padr&atilde;o ideal. Segundo, sente-se    <b>mais</b> culpado ainda por ser incapaz de <b>consegui-lo</b>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vejamos, a este    respeito, alguns depoimentos:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fiquei triste      com isso e hoje de manh&atilde; acabei n&atilde;o me controlando e comi 4      fatias de p&atilde;o de forma integral. &Eacute; nessas horas que me sinto      uma fracassada. Me esfor&ccedil;o pra olhar pra frente e continuar. N&atilde;o      posso desistir, isso vai ser pior... mas por outro lado eu n&atilde;o consigo      fugir da compuls&atilde;o. Acabei de miar e agora t&ocirc; com dor de est&ocirc;mago.      (etirado de <a href="http://cristinaproana.livejournal.com/" target="_blank">http://cristinaproana.livejournal.com/</a>)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tenho at&eacute;      vergonha em contar pra voces o tanto que tenho comido recentemente. Eu me      sinto mal em comer, eu sei o qto estou engordando e o qto estou ficando feia,      mas h&aacute; uma for&ccedil;a maior dentro de mim que me faz comer absurdamente      e oq eu mais quero &eacute; destruir isso e ser dominada novamente pela vontade      e for&ccedil;a de emagre&ccedil;er! (extra&iacute;do de <a href="http://www.fatnever-anaforever.blogger.com.br/" target="_blank">http://www.fatnever-anaforever.blogger.com.br/</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O supereu tender&aacute;    sempre a cobrar, de um eu fragilizado, a obten&ccedil;&atilde;o de um ideal    que, de fato, nunca chegar&aacute;; acresce-se a isto uma intensa carga de apelos    midi&aacute;ticos, j&aacute; referidos, enaltecendo as "facilidades" e "m&uacute;ltiplas    escolhas" para o alcance deste ideal, o que exacerba ainda mais a culpa ante    a n&atilde;o obten&ccedil;&atilde;o do mesmo, gerando, por sua vez, necessidade    de autopuni&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a culpa pelo fracasso pode ser redimida    atrav&eacute;s de uma s&eacute;rie de atitudes (exerc&iacute;cios, dietas, <i>fitness</i>,    etc.) que pretendem propiciar bem-estar, mas que, devido ao excesso de rigor    e de idealiza&ccedil;&atilde;o do objetivo, causam tanto mal-estar que findam    por servir, tamb&eacute;m, como purga&ccedil;&atilde;o pelo "pecado" de n&atilde;o    conseguir o "corpo perfeito". Sendo assim, vemos um ciclo de retroalimenta&ccedil;&atilde;o,    no qual o mal-estar (de ser "feio/a", gordo/a, etc.) gera culpa e a culpa gera    os comportamentos autopunitivos. Os pr&oacute;prios sintomas das patologias    estudadas (fome, desnutri&ccedil;&atilde;o, problemas card&iacute;acos, musculares    e intestinais, dentre outros) s&atilde;o boas ilustra&ccedil;&otilde;es desse    car&aacute;ter destrutivo do Supereu em rela&ccedil;&atilde;o a um Eu supostamente    n&atilde;o adequado. Tais comportamentos teriam duas fun&ccedil;&otilde;es:    purga&ccedil;&atilde;o da culpa e via de obten&ccedil;&atilde;o da meta (o bem-estar).    Em ambos os casos, findam por gerar um mal-estar que dar&aacute; in&iacute;cio    a um novo ciclo:</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/malestar/v10n1/7f01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A patologia estaria    n&atilde;o em tentar encontrar um objeto substituto, mas em querer amalgamar-se    a ele, em uma condi&ccedil;&atilde;o regressiva que tenta ilusoriamente reativar    o estado de narcisismo prim&aacute;rio. Em uma sociedade do espet&aacute;culo    como a nossa, que enaltece o sup&eacute;rfluo e raramente propicia projetos    culturais identificat&oacute;rios provedores do desenvolvimento do Eu, a ado&ccedil;&atilde;o    de condi&ccedil;&otilde;es regressivas se torna uma via mais acess&iacute;vel    &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos ideais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A disciplina &eacute;,    nesse contexto, associada &agrave; "for&ccedil;a de car&aacute;ter" e tamb&eacute;m    ao meio mais seguro de se alcan&ccedil;ar o corpo almejado j&aacute; que, acima    de tudo, "meu corpo" &eacute; de minha inteira responsabilidade, passando a    beleza de uma quest&atilde;o est&eacute;tica a uma quest&atilde;o moral, permeada    por sentimentos de culpa e fracasso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vejamos um depoimento    exemplar:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hoje, eu cansei.      Dela eu j&aacute; cansei a tempos mas hoje eu realmente digo CHEGA. N&atilde;o      me interessa o pre&ccedil;o que voc&ecirc; vai me cobrar, eu aceito qualquer      coisa. S&oacute; me deixe bonita. Me fa&ccedil;a sentir bem. Eu ainda repito,      contra voc&ecirc;, n&atilde;o tenho armas, n&atilde;o eu n&atilde;o tenho.      Tudo &eacute; in&uacute;til contra voc&ecirc;, pois voc&ecirc; sabe o meu      ponto fraco e eu n&atilde;o sei o seu. Claro, voc&ecirc; n&atilde;o tem um.      Voc&ecirc; &eacute; perfeita e mesmo querendo que eu seja como voc&ecirc;,      me incentivando, eu ouso te apunhalar. Desculpa se eu n&atilde;o fui boa o      bastante at&eacute; ontem, ana. Hoje eu mudei, voc&ecirc; viu. Tanto viu que      eu j&aacute; percebi sua pequena recompensa. J&aacute; senti minha barriga      um pouco, muito pouco, mais baixa. Mas pra mim que come&ccedil;ei hoje e fui      t&atilde;o fraca, j&aacute; &eacute; muita coisa.(retirado de <a href="http://pro.anna.zip.net/" target="_blank">http://pro.anna.zip.net/</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A disciplina, nos    casos de <b>vigorexia</b>, pode abranger desde a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios    aos domingos e feriados at&eacute; as dietas de ingest&atilde;o de carboidratos    e prote&iacute;nas extremamente rigorosas. Para alcan&ccedil;ar o objetivo de    hipertrofia, &eacute; preciso sacrif&iacute;cio, dedica&ccedil;&atilde;o e dor.    &Eacute; necess&aacute;rio dar o melhor de si. &Eacute; o corpo sendo mortificado    para ser aceito. Os sacrif&iacute;cios da carne atuais envolvem al&eacute;m    da dor, tempo e dinheiro, e convergem para a busca incessante do corpo perfeito,    &aacute;vido por olhares de admira&ccedil;&atilde;o e reconhecimento. Modificar    o corpo tamb&eacute;m se mostra ligado &agrave;s quest&otilde;es de diferencia&ccedil;&atilde;o    entre fracos e fortes. Para os "fortes" e "musculosos", mesmo indiv&iacute;duos    tidos como "desfavorecidos" podem se transformar, atrav&eacute;s de seu esfor&ccedil;o    e dedica&ccedil;&atilde;o, num arqu&eacute;tipo de beleza e for&ccedil;a herc&uacute;lea.    Vejamos alguns depoimentos destes &uacute;ltimos:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o importa      quem &eacute; voc&ecirc;, ou o que voc&ecirc; faz. Aqui &eacute; um local      para aqueles que est&atilde;o preparados para dor. Disciplina, Dedica&ccedil;&atilde;o,      Determina&ccedil;&atilde;o, o que te caracteriza. Muitos n&atilde;o entendem:      o que leva uma pessoa a buscar a perfei&ccedil;&atilde;o? (retirado de <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390</a>)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A DISCIPLINA      de nos alimentarmos corretamente, nos hor&aacute;rios certos, de mantermos      sempre aquele ritmo de treino intenso e forte! (retirado de <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=31063063" target="_blank">http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=31063063</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fen&ocirc;meno    peculiar que encontramos nos discursos coletados foi um empobrecimento da vida    social dos indiv&iacute;duos, seja por <b>exclus&atilde;o social</b> dos pares,    seja por um <b>auto-confinamento</b>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em meio a uma "Sociedade    do Espet&aacute;culo" (Debord, 1992), em que a imagem &eacute; cada vez mais    valorizada - "o que aparece &eacute; o bom e o que &eacute; bom aparece" - e    as rela&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o mediadas por imagens, o corpo torna-se    o protagonista maior deste cen&aacute;rio. Dessa forma, a mensagem dos meios    de comunica&ccedil;&atilde;o em torno dos ideais de beleza acaba reduzindo o    sujeito a um corpo em evid&ecirc;ncia - socialmente aceito ou publicamente depreciado.    As tecnologias de rede (os <i>blogs</i> e <i>webcams</i> na <i>internet</i>)    e as novas t&eacute;cnicas de vigil&acirc;ncia promovem uma mudan&ccedil;a no    estatuto do olhar do outro, possibilitando uma exterioriza&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo, em que o mais importante &eacute; o modo como se aparenta    ser do que o que outrora era considerado como relevante: os sentimentos e o    car&aacute;ter. Costa (2004) fala da "<b>desconfian&ccedil;a persecut&oacute;ria</b>",    ou seja, se nossa identidade, felicidade, sa&uacute;de e normalidade est&atilde;o,    hoje, expostas no corpo f&iacute;sico, est&atilde;o tamb&eacute;m expostos aos    olhares do outro, supostamente acusador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto,    um corpo belo &eacute;, supostamente, garantia de visibilidade, sucesso, auto-estima,    sa&uacute;de e felicidade; enquanto um corpo "feio" e "disforme" &eacute; tratado    como simples consequ&ecirc;ncia do desleixo e da falta de vontade de seus "propriet&aacute;rios",    que findam por serem tachados de "fracos de vontade" e "desregulados", passando    a pertencer &agrave; categoria dos <b>estultos</b>: "A estult&iacute;cia &eacute;    a in&eacute;pcia, a incompet&ecirc;ncia para exercer a vontade no dom&iacute;nio    do corpo e da mente segundo os preceitos da qualidade de vida". (Costa, 2004,    p.195)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre os referidos    estultos situam-se os "frangos", ou aqueles que n&atilde;o se consideram ainda    suficientemente "musculosos", os quais s&atilde;o alvos de uma dupla exclus&atilde;o:    aquela oriunda dos vigor&eacute;xicos e outra, origin&aacute;ria do pr&oacute;prio    indiv&iacute;duo, expressa sob a forma de auto-confinamento.Vejamos um exemplo    do primeiro tipo:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que mais me      irrita s&atilde;o os instrutores frangos q nem treinam mas msm assim pagam      de forte...e qdo vc vai pedir pra eles te ajudarem a pegar um alter de 50      kg pra vc faze supino naum aguentam erguer o peso...vai treinar frango ou      vai dar aula de ed f&iacute;sica pro prim&aacute;rio... (<a href="http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2606889&amp;tid=2483060459428110738" target="_blank">http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2606889&amp;tid=2483060459428110738</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segundo tipo    de exclus&atilde;o social, mais abundantemente observado nos sites, refere-se    a uma segrega&ccedil;&atilde;o auto-infligida. O superinvestimento narc&iacute;sico    em si e o investimento excessivo em atividades vinculadas a modelar o corpo    findam por comprometer a vida social do sujeito. Em alguns casos, este pretere    as atividades sociais para se dedicar a dietas, exerc&iacute;cios ou outras    atividades relacionadas ao corpo. No auto-confinamento, a exclus&atilde;o &eacute;,    portanto, auto-imposta, seja por considerar-se aqu&eacute;m do padr&atilde;o    ideal, seja por defesa frente ao suposto olhar acusador do outro.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">deixo de sair      com meus amigos na semana para ir a academia, minha namorada briga muito comigo      por n&atilde;o poder sair com ela na semana, sempre vou a academia em busca      de resultados cada vez melhores e sempre ainda n&atilde;o esta bom. (extra&iacute;do      de <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu n&atilde;o      saio mais de noite h&aacute; mais de um ano, h&aacute; um ano e meio mais      ou menos n&atilde;o entra um gole de alcool na minha boca, to com 43 de bra&ccedil;o,      mas dificilmente saio sem moletom por me achar minusculo, todo dia me olho      no espelho e acho q diminui, peguei 2 infec&ccedil;oes intestinais em um m&ecirc;s      e to com um problema no es&ocirc;fago por causa da minha alimenta&ccedil;&atilde;o      exagerada. (extra&iacute;do de <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=2606889&amp;tid=2484105560270835915" target="_blank">http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=2606889&amp;tid=2484105560270835915</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">pow nem fala      nessa parada , sofro paka com isso , me sinto o cara mais magrelo , dakeles      frangos , bem frango mesmo ... geral fala que ja usei bomba , geral fala que      tenho corpo maneiro , geral fala tudo , mais nao me vejo do jeito que falam      ... &agrave;s vezes deixo de sair por inseguran&ccedil;a de alguem ficar me      olhando , as vezes me olha eu ja me sinto mal , pois acho que ja esta falando      que sou frango , magrelo e tal ... <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2606889" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2606889</a></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Treino 4 horas      por dia ...se n&atilde;o treino fico depre, depre a ponto d nem sair de casa....antes      d sair da casa e colocar camiseta sempre fa&ccedil;o abdominal...e se acha      q n&atilde;o fiquei inchado,troco a camiseta,se mesmo assim n&atilde;o ajudo,n&atilde;o      saio indpendnt do lugar q eu ia).... (extra&iacute;do de <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26426390</a>);</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desinteresse    por atividades que anteriormente eram de capital import&acirc;ncia, como o trabalho    e o c&iacute;rculo de amizades, &eacute; crescente. O sujeito volta uma consider&aacute;vel    parcela de sua energia libidinal para o pr&oacute;prio Eu. Ora, se a quantidade    de libido presente no psiquismo de forma alguma &eacute; ilimitada, e levando    em conta que esses indiv&iacute;duos em muito investem em si mesmos, n&atilde;o    &eacute; de se espantar que o envolvimento com outrem ou com grupamentos sociais    sofra um embotamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute;, aqui,    uma &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o entre essas exclus&otilde;es. S&oacute;    se pode sair quando se atinge o ideal, mas, ao mesmo tempo, essa intera&ccedil;&atilde;o    social representa o perigo de desperdi&ccedil;ar todo um &aacute;rduo esfor&ccedil;o    e, ainda, de ser ridicularizada pelos pares. A exclus&atilde;o, assim como o    mal-estar causado pela "fraqueza de vontade", age, mais uma vez como um mecanismo    de retro alimenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fen&ocirc;meno    real&ccedil;ado nos discursos coletados diz respeito aos <b>excessos</b> provenientes    de <b>metamorfoses corporais</b>. O estado de "excesso" e a busca constante    por transforma&ccedil;&otilde;es corporais, por si mesmas excessivas, encontram-se    presentes em todas as patologias observadas - anorexia, bulimia e vigorexia    -, diferindo apenas na <b>forma</b> com que esse excesso se manifesta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O excesso est&aacute;    presente, nas anor&eacute;xicas e bul&iacute;micas, sob v&aacute;rias formas:    excesso de exerc&iacute;cios, excesso de dietas, excesso de inibidores de apetite,    excesso de comida, excesso de jejuns, excesso de v&ocirc;mitos, excesso de medo    da gordura etc. Sendo o modelo de corpo ideal inalcan&ccedil;&aacute;vel, nenhuma    transforma&ccedil;&atilde;o ser&aacute; suficiente para atingi-lo e, assim,    o sujeito entra em um ciclo infind&aacute;vel de metamorfoses. No caso das anor&eacute;xicas,    a perda de peso &eacute; mais not&aacute;vel. As bul&iacute;micas, por sua vez,    frequentemente n&atilde;o apresentam um ganho ou uma perda de peso consider&aacute;vel,    embora se entreguem a dietas, purgativos e v&ocirc;mitos constantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As <b>bul&iacute;micas</b>    cometem um duplo excesso: o de comer e o de purgar. A hiperfagia provoca uma    culpa quase insuport&aacute;vel. Culpa de comer, culpa de n&atilde;o ter controle,    culpa de ser "gorda". &Agrave; guisa de purga&ccedil;&atilde;o, recorrem a v&ocirc;mitos,    laxantes, anorex&iacute;genos, exerc&iacute;cios e dietas fadadas a durarem    apenas at&eacute; a pr&oacute;xima crise. Exemplos de excessos bul&iacute;micos:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Achava-me gorda      e suspeitava que a dieta que ela me dava era muito para mim. Estaria ela me      enganando? Estaria ela enganada? Acabava de comer, pesava-me e ia fazer exerc&iacute;cios.      Meu personal trainer era louco! S&oacute; 40 minutos de corrida? Fazia 40      minutos com ele we depois mais 40 e pedalava e caminhava. Evitava sexo com      meu marido pois tinha que estar em p&eacute; muito cedo para correr e treinar.      Como eu n&atilde;o vomitava, n&atilde;o me achava bul&iacute;mica! Mas o exerc&iacute;cio      sempre era pouco. (retirado de <a href="http://www.tommaso.psc.br/html/alimentar/bulimi/bulimi3.htm" target="_blank">http://www.tommaso.psc.br/html/alimentar/bulimi/bulimi3.htm</a>)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voces conseguem      imaginar uma pessoa q sempre foi neurotica com o corpo, sempre se achou gorda,      sempre fez regimes, sempre tentou comer cosias saudaveis e leves para nao      virar uma bola e agora esta a propria bola?!?!?!?! (<a href="http://www.fatnever-anaforever.blogger.com.br/" target="_blank">http://www.fatnever-anaforever.blogger.com.br/</a>);</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As <b>anor&eacute;xicas</b>    se destacam pelo excesso de exerc&iacute;cios (geralmente na fase inicial da    doen&ccedil;a) e pelos per&iacute;odos prolongados sem ingerir nenhum tipo de    alimenta&ccedil;&atilde;o. A "for&ccedil;a de vontade" inabal&aacute;vel e a    resist&ecirc;ncia em n&atilde;o comer transformam muitas dessas meninas em modelos    para as outras. Como exemplo, podemos ver a pr&oacute;pria personifica&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a ao lermos uma carta escrita, tendo por "autoria", a pr&oacute;pria    Anorexia:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu vou te fazer      diminuir calorias consumidas e vou aumentar a carga de seus exerc&iacute;cios.      Eu vou te for&ccedil;ar at&eacute; o limite! Eu preciso fazer isso, pois voc&ecirc;      n&atilde;o pode me derrotar! Eu estarei come&ccedil;ando a me colocar dentro      de voc&ecirc;. Logo, eu j&aacute; vou estar l&aacute;. Eu vou estar l&aacute;      quando voc&ecirc; acordar de manha, e correr para a balan&ccedil;a. Os n&uacute;meros      come&ccedil;am ser amigos e inimigos ao mesmo tempo, e voc&ecirc;, em pensamento      reza para que eles sejam menores do que ontem &agrave; noite. Voc&ecirc; olha      no espelho com enj&ocirc;o. Voc&ecirc; fica enjoada quando v&ecirc; tanta      banha nesse seu estomago, e sorri quando come&ccedil;am a aparecer seus ossos.      E eu estou l&aacute; quando voc&ecirc; pensa nos planos do dia: 400cal e 2h      de exerc&iacute;cios. (<a href="http://br.geocities.com/proana_paradise/cartadaana.htm" target="_blank">http://br.geocities.com/proana_paradise/cartadaana.htm</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso dos indiv&iacute;duos    acometidos pela <b>Vigorexia</b>, o excesso se mostra atrav&eacute;s da pr&aacute;tica    constante e desmesurada de exerc&iacute;cios de levantamento de peso e pelo    consumo de anabolizantes e suplementos alimentares, bem como pela ingest&atilde;o    de comida em quantidades exageradas. A comida &eacute; vista n&atilde;o como    inimiga, mas como elemento imprescind&iacute;vel na constru&ccedil;&atilde;o    de m&uacute;sculos para alcan&ccedil;ar o objetivo da perfei&ccedil;&atilde;o    e robustez m&aacute;scula. Vejamos alguns relatos:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Come&ccedil;ei      a malhar com 15 anos malhei 1 ano e fui pro jiu-jitsu, pesava 64kg, treinei      at&eacute; os 19 anos que foi qndo eu me dediquei a musucula&ccedil;&atilde;o      hoje tenho 23 anos, 1,73, 93kg meu limite ?! O C&Eacute;U. (<a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=2606889" target="_blank">http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=2606889</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comecei a comer      muito, muito msm. com 12 anos eu ja estava comendo mais de 1 kg por refei&ccedil;&atilde;o.      hoje eu estou consumindo quase 5kg por dia (isso sem contar os liquidos como      sucos, vitaminas, agua, etc...) ja tive varios problemas com gastrite por      causa do excesso de comida q eu jogo no meu estomago...hoje eu tenho 17 anos,      1.76 e 97kg (<a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=26426390" target="_blank">http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=26426390</a>)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora o n&atilde;o    alcance da meta, a despeito de todos os exageros cometidos para atingi-la, cause    mal-estar, este &eacute; visto como um pre&ccedil;o a se pagar pelo belo corpo    desejado. Tal qual a l&oacute;gica monet&aacute;ria, na qual grandes lucros    implicam algum risco, o corpo ideal exige uma grande cota de sacrif&iacute;cios.    &Eacute; a filosofia do <i>no pain, no gain</i>. O desconforto &eacute; visto    como meio leg&iacute;timo de se chegar ao ideal, e, ao mesmo tempo, "n&atilde;o    existe uma vit&oacute;ria sem sacrif&iacute;cios". Entretanto, atentemos para    o detalhe sutil de que a patologia n&atilde;o est&aacute; necessariamente implicada    na l&oacute;gica do <i>no pain, no gain</i>, que remonta, inclusive, &agrave;s    origens protestantes do esp&iacute;rito capitalista moderno, mas aos <b>extremos</b>    a que ela &eacute; levada por alguns indiv&iacute;duos hipermodernos. O efeito    nocivo est&aacute; em considerar mesmo o mal-estar mais excruciante como uma    via r&eacute;gia para a perfei&ccedil;&atilde;o corporal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A promessa de felicidade    para aqueles que "se esfor&ccedil;am" tamb&eacute;m est&aacute; fortemente referendada    por corpos de <b>modelos midi&aacute;ticos</b> apresentados via <b>novas tecnologias</b>,    dos quais as "celebridades" parecem ser a encarna&ccedil;&atilde;o mais fidedigna.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de ser sabido    que sempre existiram mulheres de beleza exemplar, de Cle&oacute;patra &agrave;    Gisele Bundchen, e &iacute;cones da muscula&ccedil;&atilde;o como Arnold Schwarzenegger,    a influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia sobre os corpos tem-se intensificado sobremaneira    nos &uacute;ltimos anos, e isso se deve, em parte, aos novos recursos tecnol&oacute;gicos    da inform&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com o uso massivo    da tecnologia, as personalidades que servem de modelo a esses jovens aparentam,    em v&iacute;deo e foto, uma silhueta cada vez mais bem definida e distante da    real. Pequenas imperfei&ccedil;&otilde;es da pele ou excessos de gorduras localizadas    s&atilde;o apagadas com um simples <i>click</i> atrav&eacute;s de programas    de computador. Trata-se da virtualiza&ccedil;&atilde;o dos corpos que, com t&eacute;cnicas    computadorizadas cada vez mais refinadas, tornam os corpos ainda mais perfeitos    - objetos de desejo a serem reproduzidos na pr&oacute;pria carne - sem os "defeitos"    herdados pela natureza. Neste sentido, as amea&ccedil;as ao corpo perfeito podem    atualmente ser desfeitas e "curadas" atrav&eacute;s de programas de computador    como <i>PhotoShop, Illustrator</i> e <i>Indesign</i>. Com esses programas, tudo    o que &eacute; considerado "feio" pode ser apagado, retocado, corrigido, numa    verdadeira avers&atilde;o a tudo o que &eacute; org&acirc;nico: poros na pele,    p&ecirc;los, veias, tend&otilde;es, gordura, flacidez, manchas, rugas etc.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Sibila    (2005), os sonhos de "virtualiza&ccedil;&atilde;o" e o culto ao "corpo belo"    escondem um verdadeiro desprezo pela carne impura - sendo esta a que traz em    si o peso da organicidade, a que n&atilde;o atende aos ideais pregados pela    corpolatria -, al&eacute;m da vontade de elimin&aacute;-la com a ajuda das novas    ferramentas da tecnologia, de modo a "deletar" toda e qualquer eventual impureza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isto tudo colabora    para que os ideais de beleza midi&aacute;ticos se tornem ainda mais tir&acirc;nicos,    propelindo jovens a uma meta imposs&iacute;vel de ser alcan&ccedil;ada j&aacute;    que n&atilde;o se pode concorrer com os efeitos da computa&ccedil;&atilde;o    gr&aacute;fica - uma esp&eacute;cie de cirurgia pl&aacute;stica virtual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na comunidade intitulada    "Quero ter o corpo da Beyonc&eacute;", em uma enqu&ecirc;te, foi perguntado    como seria se "voc&ecirc; tivesse o corpo da Beyonc&eacute;", duas usu&aacute;rias    afirmam:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nossa eu seria      a pessoa + feliz do mundo... num eh nem pra us&aacute; AKELA ropa...mais pre      pelo menos as q eu uso ficarem melhores neh e achar mais ro&ccedil;a e ate      um namorado pq gorda num da certo neh..hehehe (extra&iacute;do de <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=5108446&amp;tid=2444588255528763409&amp;start=1" target="_blank">http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=5108446&amp;tid=2444588255528763409&amp;start=1</a>)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nossaaaa se eu      tivesse um corpo q nem o dela sria felisissimas...usaria vestidos com decote      pras baladas hehe blusinhas agarradinhas...shortinhus...cal&ccedil;a baixa      tudo fikaria &oacute;timoooo!!!! Hehe (extra&iacute;do de <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=5108446&amp;tid=2444588255528763409&amp;start=1" target="_blank">http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=5108446&amp;tid=2444588255528763409&amp;start=1</a>)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com certeza..90%      das pessoas usam photoshop depois q viram q tirava defeitos e blablabl&aacute;      Da&iacute; quando vc encontra a pessoa &eacute; capaz de nem reconhecer em      alguns casos &not;&not; Quem n&atilde;o tem sinais, defeitinhos, algumas espinhas      e tal? (extra&iacute;do de <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=7359645&amp;tid=2438700669260147232" target="_blank">http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=7359645&amp;tid=2438700669260147232</a>);</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que tange aos    modelos masculinos, tem-se a figura paradigm&aacute;tica de Arnold Schwarzenegger    como o &iacute;dolo maior dos vigor&eacute;xicos, tendo sido vencedor de v&aacute;rias    competi&ccedil;&otilde;es de fisiculturismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vejamos exemplos    desta idolatria:</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Arnold eh o DEUS      da muscula&ccedil;&atilde;o!" (Usu&aacute;rio an&ocirc;nimo, em 24/04/06 ,      Comunidade: "Seguidores do Mestre Arnold). <a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=2550506&amp;tid=2459426946624683799" target="_blank">http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=2550506&amp;tid=2459426946624683799</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para todos os      "bombados" ou FANATICOS por ACADEMIA e MUSCULA&Ccedil;&Atilde;O que se INSPIRA      nesse GRANDE homem, um verdadeiro VENCEDOR. (<a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28587930" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28587930</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para todos que      s&atilde;o simplesmente FANATICOS por suplementos e muscula&ccedil;&atilde;o.      Se vc n&atilde;o vive sem eles, gasta seu salario todo com eles e quase fali,      entre nessa comunidades. Para fanaticos por essas "BOMBAS" naturais. (<a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26538582" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26538582</a>);</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comunidade para      todos que acha que o que cresce natural &eacute; planta... N&atilde;o &eacute;      s&oacute; para quem toma bomba, mais sim tb para quem toma suplementos...      Suplemento n&atilde;o &eacute; bomba. Seja bem vindo os BOMBADOS e os "SUPLEMENTADOS".      (<a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25994780" target="_blank">http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25994780</a>).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal tirania corporal    tamb&eacute;m &eacute; fomentada pela atual ind&uacute;stria de alimentos. N&atilde;o    raro, as compuls&otilde;es bul&iacute;micas (ou as restri&ccedil;&otilde;es    anor&eacute;xicas) acabam se estendendo tamb&eacute;m ao alimento tecnologicamente    modificado para ajudar a manter o corpo em forma: hiperfagia de produtos <i>diet,    light</i> e <i>low carb</i>. No caso da vigorexia, a tecnologia promove a cria&ccedil;&atilde;o    de novos e eficazes complexos vitam&iacute;nicos, anabolizantes e suplementos    alimentares, capazes de promover altera&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas    que potencializam a hipertrofia, levando o corpo a superar seus limites gen&eacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em todos os casos,    o corpo &eacute; visto como algo que pode ser constru&iacute;do e reconstru&iacute;do    em seus contornos, como um terreno onde s&atilde;o cultivadas as identidades,    um quadro inacabado e sempre pass&iacute;vel de transforma&ccedil;&otilde;es.    "S&oacute; depende de voc&ecirc;" - nos diz a m&iacute;dia, que mostra o que    &eacute; "belo" e, ainda, nos apresenta, de forma "acess&iacute;vel a todos",    uma infinidade de produtos tecnol&oacute;gicos para s&ecirc;-lo. Alguns lidam    com isso n&atilde;o comendo, outros, compensando o excesso de comida, e outros,    remodelando seus corpos. Assim, o n&atilde;o alcance de t&atilde;o perseguido    "bem-estar" somente produz intenso sofrimento ps&iacute;quico e "mal-estar".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Reflex&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como resultado    de nossas reflex&otilde;es "te&oacute;rico-cr&iacute;ticas" acerca do corpo    idealizado do consumo na hipermodernidade cabe-nos, por fim, apontar as novas    formas de controle e domina&ccedil;&atilde;o impostas sob o signo da liberdade,    da diversidade e da abund&acirc;ncia. Aqui n&atilde;o h&aacute; paradoxos, tampouco    contradi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de um    "excesso" de obedi&ecirc;ncia &agrave;s normas ideais do corpo padr&atilde;o,    que quando n&atilde;o cumpridas engendram sentimentos de fracasso, provocam    s&eacute;rios dist&uacute;rbios alimentares e produzem forte exclus&atilde;o    social dirigida &agrave;queles que muito se distanciam de tais normas. O "bem-estar"    t&atilde;o almejado transmuta-se em "mal-estar" quando do n&atilde;o cumprimento    das regras. Aquele - o bem-estar - que se pautava pelo elogio da modera&ccedil;&atilde;o    e do equil&iacute;brio, quando n&atilde;o alcan&ccedil;ado (apesar de dito "acess&iacute;vel    a todos"), evidencia seu car&aacute;ter autorit&aacute;rio e coercitivo: redunda    em comportamentos excessivos, arriscados e desmesurados, produzindo um intenso    "mal-estar". N&atilde;o h&aacute; paradoxos!</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A este respeito,    Costa (1986, p.180) j&aacute; nos alertara: "o outro &eacute; uma abstra&ccedil;&atilde;o    reificada do corpo inventado pela sociedade de consumo", ou seja, o outro portador    do corpo ideal n&atilde;o existe, &eacute; apenas um signo fe&eacute;rico, um    "simulacro", que, como tal, n&atilde;o remete o sujeito a lugar algum que n&atilde;o    &agrave; sua pr&oacute;pria ordem; seu fundamento consiste, justamente, em jamais    remeter o sujeito ao ideal proposto, n&atilde;o podendo, portanto, realizar,    efetivamente, o que promete. Nisto consiste, o que esse autor chama de a "maior    viol&ecirc;ncia da sociedade de consumo", uma vez que instila frustra&ccedil;&atilde;o    - por manter o sujeito em um ciclo infind&aacute;vel de tentativas fracassadas    - e culpa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal ideologia estimula    apenas "o mito da igualdade diante do prazer, simulacro da igualdade diante    dos direitos do homem, e refor&ccedil;a-se a ideologia da competi&ccedil;&atilde;o    e do sucesso individual" (Costa, 1986, p.178). Neste "para&iacute;so", somente    os "inaptos", "doentes" ou "neur&oacute;ticos" continuam a sofrer, num <b>suposto    paradoxo</b>, uma vez que "tudo" lhes &eacute; "solicitamente ofertado". A responsabilidade,    portanto, recai inteiramente sobre o indiv&iacute;duo. Esta "ren&uacute;ncia"    e esta frustra&ccedil;&atilde;o, tornadas ainda mais patentes no caso do corpo    idealizado do consumo produzem, de forma coerente, sentimentos de "ansiedade,    depress&atilde;o e fadigas cr&ocirc;nicas"; ao desejo excitado e sempre frustrado,    correspondem, tamb&eacute;m sentimentos de "frieza afetiva e descompromisso    emocional" (Ibd. p. 184), exacerbando, desta forma, o "mal estar" que Freud    (1980c) descreve em o "<b>Mal Estar da Civiliza&ccedil;&atilde;o</b>".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, consideramos    que, na esfera do corpo, a an&aacute;lise dos paradoxos revela mais uma quest&atilde;o    de controle e domina&ccedil;&atilde;o do que propriamente de "modera&ccedil;&atilde;o".    O enquadramento do corpo nos ditames dos c&oacute;digos do consumo seria, deste    modo, o respons&aacute;vel pelo regime corp&oacute;reo fundador deste "corpo-rascunho",    cuja fragmenta&ccedil;&atilde;o, liquidez e eterna busca de completude revela,    sob uma capa de hedonismo, novas formas de domina&ccedil;&atilde;o e controle,    travestidas de libera&ccedil;&atilde;o e felicidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top">1</a>.    A pesquisa que originou este trabalho foi desenvolvida enquanto a autora era    graduanda em Psicologia pela UFC e bolsista de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    pelo programa PIBIC/CNPq, ao qual agradecemos pelo financiamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Adorno, T. (1986).    A ind&uacute;stria cultural. In G. Cohn (Org.), Theodor W. Adorno: <i>Sociologia</i>    (Cole&ccedil;&atilde;o Grandes Cientistas Sociais, n. 54). S&atilde;o Paulo:    &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290589&pid=S1518-6148201000010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Adorno, T., &amp;    Horkheimer, M. (1944). <i>Dial&eacute;tica do esclarecimento</i>. Rio de Janeiro:    Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290591&pid=S1518-6148201000010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">American Psychological    Association (1989). <i>Diagnostic and statistical manual for mental disorders    IV</i>. Recuperado em 10 junho 2007 da <a href="http://www.psiqweb.med.br" target="_blank">http://www.psiqweb.med.br</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290593&pid=S1518-6148201000010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Baudrillard, J.    (1970). <i>A sociedade de consumo</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290594&pid=S1518-6148201000010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Baudrillard, J.    (1976). L<i>a g&eacute;nesis ideol&oacute;gica de las necesidades</i>. Barcelona,    Espa&ntilde;a: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290596&pid=S1518-6148201000010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bauman, Z. (2001).    <i>Modernidade l&iacute;quida</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290598&pid=S1518-6148201000010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Birman, J. (2000).    <i>Mal-estar na atualidade a psican&aacute;lise e as novas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o</i>.    Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290600&pid=S1518-6148201000010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bruckner, P. (2002).    <i>A euforia perp&eacute;tu</i>a. S&atilde;o Paulo: Difel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290602&pid=S1518-6148201000010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Costa, J. F. (1991).    Narcisismo em tempos sombrios. In <i>Tempo do desejo: Sociologia e psican&aacute;lise.</i>    S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290604&pid=S1518-6148201000010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Costa, J. F. (2004)    <i>O vest&iacute;gio e a aura: Corpo e consumismo na moral do espet&aacute;culo</i>.    Rio de Janeiro: Garamond.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290606&pid=S1518-6148201000010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Debord, G. (1997).    <i>A sociedade do espet&aacute;culo</i> (E. dos S. Abreu, Trad.). Rio de Janeiro:    Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290608&pid=S1518-6148201000010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fernandes, M. H.    (2006) <i>Transtornos alimentares: Anorexia e bulimia</i>. S&atilde;o Paulo:    Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290610&pid=S1518-6148201000010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault, M. (2000).    <i>Em defesa da sociedade: Curso no Coll&egrave;ge de France</i>. S&atilde;o    Paulo: Martins Fontes (Originalmente publicado em 1975-1976)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290612&pid=S1518-6148201000010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1980a).    <i>Sobre o narcisismo: Uma introdu&ccedil;&atilde;o</i> (Edi&ccedil;&atilde;o    Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. 14) Rio de Janeiro:    Imago. (Originalmente publicado em 1914).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290613&pid=S1518-6148201000010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1980b).    <i>Psicologia de grupo e an&aacute;lise do ego</i> (Edi&ccedil;&atilde;o Standard    Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago.    (Originalmente publicado em 1921).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290615&pid=S1518-6148201000010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1980c).    <i>O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</i> (Edi&ccedil;&atilde;o Standard    Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. 21). Rio de Janeiro: Imago.    (Originalmente publicado em 1929).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290617&pid=S1518-6148201000010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lasch, C. (1983).    <i>A cultura do narcisismo: A Vida Americana numa era de esperan&ccedil;as em    decl&iacute;nio</i>. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290619&pid=S1518-6148201000010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lasch, C. (1987).    <i>O m&iacute;nimo eu: Sobreviv&ecirc;ncia ps&iacute;quica em tempos dif&iacute;ceis</i>.    S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290621&pid=S1518-6148201000010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Le Breton, D. (2003).    <i>Adeus ao corpo: Antropologia e sociedade</i>. Campinas, SP: Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290623&pid=S1518-6148201000010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lipovetsky, G.    (2004). <i>Os tempos hipermodernos</i>. S&atilde;o Paulo: Barcarolla.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290625&pid=S1518-6148201000010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marcuse, H. (1982).    <i>A ideologia da sociedade industrial: O homem unidimensional</i>. Rio de Janeiro:    Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290627&pid=S1518-6148201000010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Novaes, J. (2001a).    <i>Perdidas no espelho? Sobre o culto ao corpo nas sociedades de consumo.</i>    Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada, Pontif&iacute;cia    Universidade Cat&oacute;lica, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290629&pid=S1518-6148201000010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Novaes, J. (2001b).    <i>Mulher e beleza: Em busca do corpo perfeito: Pr&aacute;ticas corporais e    regula&ccedil;&atilde;o social</i> (Tempo Psicanal&iacute;tico, Num. 33). Rio    de Janeiro: SPID.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290631&pid=S1518-6148201000010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pope, H. G. (2000).    <i>O complexo de Ad&ocirc;nis: A obsess&atilde;o masculina pelo corpo</i>. Rio    de Janeiro: Campus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290633&pid=S1518-6148201000010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sant&acute;Anna,    D. (1995). <i>Pol&iacute;ticas do corpo: Elementos para uma hist&oacute;ria    das pol&iacute;ticas corporais.</i> S&atilde;o Paulo: Esta&ccedil;&atilde;o    Liberdade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290635&pid=S1518-6148201000010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Severiano, M. F.    V. (2001). <i>Narcisismo e publicidade: Uma an&aacute;lise psicossocial dos    ideais do consumo na contemporaneidade</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290637&pid=S1518-6148201000010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Severiano, M. F.    V. (2006). Pseudo-individua&ccedil;&atilde;o e homogeneiza&ccedil;&atilde;o    na cultura do consumo: Reflex&otilde;es cr&iacute;ticas sobre as subjetividades    contempor&acirc;neas. <i>Estudos e Pesquisas em Psicologia, 6</i> (2), 105-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290639&pid=S1518-6148201000010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Weinberg, C., &amp;    Cord&aacute;s, T. (2006). <i>Do altar &agrave;s passarelas: Da anorexia santa    &agrave; anorexia nervosa</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3290641&pid=S1518-6148201000010000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 24    de agosto de 2009    <br>   Aceito em 29 de outubro de 2009    <br>   Revisado em 15 de dezembro de 2009</font></p>      ]]></body>
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