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<publisher-name><![CDATA[Vetor Editora Psico-Pedagógica]]></publisher-name>
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<institution><![CDATA[,Centro Riopretense de Estudos Psicanalíticos  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present article was written in order to make some considerations of Hysteria from different focus: as historical as current conceptions of hysteria; the hysteria and its relation to the Psychoanalysis emphasizing the importance of "hysterical people" to Sigmund Freud in his discovery of uncounsciousness and its theory and also the psychoanalytic technique; and later the writer presents a clinical case which shows the evolution of a patient's treatment whose diagnostic is hysteria.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Histeria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Giovani Belintani <sup><a name="*"></a><a href="#*b">*</a></sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Centro Riopretense de Estudos Psicanalíticos de São José do Rio Preto</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="ender"></a><a href="#enderb">Endereço para correspondência</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo tem como prop&oacute;sito oferecer algumas reflex&otilde;es    sobre o tema Histeria a partir de diferentes enfoques: as concep&ccedil;&otilde;es    tanto hist&oacute;ricas quanto atuais da histeria; a histeria e sua rela&ccedil;&atilde;o    com a psican&aacute;lise, enfatizando a import&acirc;ncia que as "hist&eacute;ricas"    tiveram para Sigmund Freud na descoberta do inconsciente e na elabora&ccedil;&atilde;o    da teoria e da t&eacute;cnica psicanal&iacute;tica, e num terceiro momento,    o autor apresenta um caso cl&iacute;nico exemplificando a evolu&ccedil;&atilde;o    de um tratamento de uma paciente cujas manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    de ordem hist&eacute;rica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Histeria, Psican&aacute;lise.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present article was written in order to make some considerations of Hysteria    from different focus: as historical as current conceptions of hysteria; the    hysteria and its relation to the Psychoanalysis emphasizing the importance of    "hysterical people" to Sigmund Freud in his discovery of uncounsciousness    and its theory and also the psychoanalytic technique; and later the writer presents    a clinical case which shows the evolution of a patient's treatment whose diagnostic    is hysteria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Hysteria, Psychoanalysis.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A histeria vem    sendo objeto de estudo desde os prim&oacute;rdios da medicina, na Gr&eacute;cia    Antiga com Hip&oacute;crates. O diagn&oacute;stico para a pessoa <i>hist&eacute;rica</i>    era conhecido como <i>neurose hist&eacute;rica ou histeria de convers&atilde;o</i>.    Hoje o diagn&oacute;stico &eacute; nomeado como transtorno dissociativo ou conversivo.    As pessoas que manifestavam tais sintomas e comportamentos, expostos no decorrer    do presente artigo, foram alvo de estudo n&atilde;o somente de m&eacute;dicos,    mas de neurologistas, psiquiatras e at&eacute; de padres e bispos da &eacute;poca.    Foi por meio dos atendimentos &agrave;s hist&eacute;ricas, que Sigmund Freud,    no final do s&eacute;culo XIX, descobriu o inconsciente, elaborando um m&eacute;todo    de tratamento, a Psican&aacute;lise. E desde a &eacute;poca de Freud que esse    tratamento vem sendo utilizado em pacientes com o referido diagn&oacute;stico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Objetivo</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CONCEP&Ccedil;&Otilde;ES    HIST&Oacute;RICAS DA HISTERIA</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O termo histeria    &eacute; derivado da palavra grega <i>hystera</i> e significa matriz. De acordo    com Aur&eacute;lio Buarque de Holanda Ferreira, matriz &eacute; o "lugar    onde algo se gera ou cria; &oacute;rg&atilde;o das f&ecirc;meas dos mam&iacute;feros    onde se gera o feto; &uacute;tero" (1988, p. 422).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hip&oacute;crates,    m&eacute;dico renomado da Gr&eacute;cia Antiga (460-377 a.C) entendia a histeria    como sendo uma doen&ccedil;a org&acirc;nica de origem uterina e, portanto, especificamente    feminina que afetava todo o corpo por <i>sufoca&ccedil;&otilde;es da matriz</i>.    Ele supunha que a histeria se desenvolvia pela priva&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    sexuais, dessecando o &uacute;tero, que perderia peso e se deslocaria pelo corpo    em busca da umidade necess&aacute;ria. A paciente teria sua respira&ccedil;&atilde;o    afetada, desenvolvendo convuls&otilde;es se o &uacute;tero subisse at&eacute;    o hipoc&ocirc;ndrio e estacionasse nesse &oacute;rg&atilde;o. Caso o &uacute;tero    prosseguisse sua subida e atingisse o cora&ccedil;&atilde;o, a paciente emitiria    sinais de ansiedade, opress&atilde;o e v&ocirc;mitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Na Idade M&eacute;dia, "per&iacute;odo hist&oacute;rico compreendido entre    o come&ccedil;o do s&eacute;c. V e meados do s&eacute;c. XV" (Ferreira,    1988, p. 348-349), a histeria deixou de ser abordada pela medicina e, sob a    influ&ecirc;ncia das id&eacute;ias religiosas mais especificamente as concep&ccedil;&otilde;es    agostinianas, passou a ser objeto da Teologia. De acordo com as concep&ccedil;&otilde;es    religiosas da &eacute;poca: "O homem, dotado de uma alma imortal, seria    sujeito a tenta&ccedil;&atilde;o pelo n&atilde;o cumprimento de seus deveres    religiosos ou por n&atilde;o conduzir a sua vida dentro do esp&iacute;rito crist&atilde;o"    (Ramadam, 1985, p. 55).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Elisabeth Roudinesco e Michel Plon afirmam que "as convuls&otilde;es e    as famosas sufoca&ccedil;&otilde;es da matriz eram consideradas a express&atilde;o    de um prazer sexual e, por conseguinte, de um pecado" (1998, p. 338). A    mulher era vista como sendo possu&iacute;da por um dem&ocirc;nio, que a fazia    agir involuntariamente, simulando doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Igreja Cat&oacute;lica    Romana, por meio da Inquisi&ccedil;&atilde;o<sup><a name="1"></a><a href="#1b">1</a></sup>,    investigava e reconhecia os <i>casos de bruxaria</i> e mandava para a fogueira    todos aqueles que se comportavam histericamente. Durante mais de dois s&eacute;culos,    a ca&ccedil;a &agrave;s bruxas fez muitas v&iacute;timas, mesmo a opini&atilde;o    m&eacute;dica se opondo contra essa concep&ccedil;&atilde;o demon&iacute;aca    da possess&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ramadam considera que no per&iacute;odo cl&aacute;ssico (s&eacute;culo XVII    at&eacute; parte do s&eacute;culo XVIII), a histeria era entendida como desenvolvida    pelo efeito de "um calor interno que propagaria atrav&eacute;s de todo    o corpo uma efervesc&ecirc;ncia, uma ebuli&ccedil;&atilde;o, manifestando-se    sem cessar em convuls&otilde;es e espasmos" (1985, p. 56). Esse calor seria    representante da paix&atilde;o, entusiasmo ou ardor amoroso. Sob essa perspectiva,    a histeria &eacute; associada a mo&ccedil;as que procuram namorados, jovens    vi&uacute;vas ou separadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Em meados do s&eacute;culo XVIII com as colabora&ccedil;&otilde;es de Franz    Anton Mesmer, as concep&ccedil;&otilde;es demon&iacute;acas da histeria cederam    &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas da mesma. A histeria deixa    de ser objeto de investiga&ccedil;&atilde;o da Igreja para ser uma doen&ccedil;a    dos nervos, cabendo &agrave; medicina estud&aacute;-la e trat&aacute;-la.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <blockquote>Mesmer sustentou que as doen&ccedil;as nervosas tinham como origem    um desequil&iacute;brio na destribui&ccedil;&atilde;o de um <i>flu&iacute;do    universal</i>. Assim, bastava que o m&eacute;dico, transformado em magnetizador,    provocasse crises nos pacientes, em geral mulheres, para cur&aacute;-los mediante    o restabelecimento do equil&iacute;brio do flu&iacute;do. (Roudinesco &    Plon, 1998, p. 338)</blockquote> </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1843, na Inglaterra,    o m&eacute;dico escoc&ecirc;s James Braid substituiu a teoria do flu&iacute;do    da histeria pela id&eacute;ia de estimula&ccedil;&atilde;o f&iacute;sico-qu&iacute;mico-psicol&oacute;gica    da histeria, mostrando a inutilidade das interven&ccedil;&otilde;es do tipo    magn&eacute;tica. Braid evidencia a palavra <i>hipnotismo</i><sup><a name="2"></a><a href="#2b">2</a></sup>    nos seus estudos cient&iacute;ficos. Ainda na segunda metade do s&eacute;culo    XVIII, com os estudos e pesquisas do neurologista franc&ecirc;s Jean-Martin    Charcot, a histeria &eacute; tratada como uma neurose. A moderna no&ccedil;&atilde;o    de uma <i>neurose hist&eacute;rica</i> subentendia uma causa traum&aacute;tica    de ordem genital tornando-se uma doen&ccedil;a funcional, de origem heredit&aacute;ria,    afetando tanto os homens quanto as mulheres. Charcot utilizava a <i>hipnose</i><sup><a name="3"></a><a href="#3b">3</a></sup>    para demonstrar o fundamento de suas hip&oacute;teses. Ele hipnotizava as <i>loucas</i>    do hospital parisiense Salp&ecirc;tri&egrave;re, fabricando sintomas hist&eacute;ricos    para suprimi-los de imediato, comprovando o car&aacute;ter neur&oacute;tico    da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sigmund Freud,    m&eacute;dico austr&iacute;aco, entre 1888 a 1893, usufruindo dos achados de    Charcot sobre os aspectos traum&aacute;ticos da histeria, afirma com sua <i>Teoria    da Sedu&ccedil;&atilde;o</i> que o trauma vivido pelo paciente hist&eacute;rico    era de origem sexual, sublinhando que a histeria era fruto de um abuso sexual    realmente vivido pelo sujeito na inf&acirc;ncia (sedu&ccedil;&atilde;o real).    Num segundo momento, apresentando a no&ccedil;&atilde;o de <i>fantasia</i><sup><a name="4"></a><a href="#4b">4</a></sup>,    renuncia &agrave; teoria da sedu&ccedil;&atilde;o, introduzindo as id&eacute;ias    de um trauma, n&atilde;o de ordem f&iacute;sica, mas sim de ordem ps&iacute;quica.    Na Comunica&ccedil;&atilde;o Preliminar dos <i>Estudos sobre a histeria</i>,    Freud nos alerta para o fato de que a conex&atilde;o entre o acontecimento precipitante    e o desenvolvimento da histeria freq&uuml;entemente &eacute; bem clara. E completa    que "em outros casos, a conex&atilde;o causal n&atilde;o &eacute; t&atilde;o    simples. Consiste somente no que poderia ser denominado uma rela&ccedil;&atilde;o    <i>simb&oacute;lica</i> entre a causa precipitante e o fen&ocirc;meno patol&oacute;gico    - uma rela&ccedil;&atilde;o tal como as pessoas saud&aacute;veis forma os sonhos"    (Freud, 1895/1974, p. 45).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Roudinesco e Plon    (1998, p. 340) escrevem que foi nos <i>Estudos sobre a histeria</i>, que Freud    prop&ocirc;s "os grandes conceitos de uma nova apreens&atilde;o do inconsciente:    o recalcamento, a ab-rea&ccedil;&atilde;o, a defesa, a resist&ecirc;ncia e,    por fim, a convers&atilde;o". Citam tamb&eacute;m que com a publica&ccedil;&atilde;o,    em 1900, de <i>A Interpreta&ccedil;&atilde;o dos Sonhos</i>, "o conflito    ps&iacute;quico inconsciente &eacute; que foi reconhecido por Freud como a principal    causa da histeria" (Roudinesco & Plon, 1998, p. 340). E continuam enfatizando    os achados de Freud, que "ao lado da realidade material, existia uma realidade    ps&iacute;quica do sujeito", que era de igual import&acirc;ncia na hist&oacute;ria    do seu desenvolvimento. E afirmam que "em seguida, a teoriza&ccedil;&atilde;o    da <i>sexualidade infantil</i> permitiu a Freud identificar o conflito <i>nuclear</i>    da neurose hist&eacute;rica, desenvolvendo os conceitos de <i>Complexo de &Eacute;dipo    e Ang&uacute;stia de Castra&ccedil;&atilde;o</i>" (Roudinesco & Plon,    1998, p. 340).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As epidemias hist&eacute;ricas    do fim do s&eacute;culo XIX contribu&iacute;ram de tal maneira para o nascimento    e difus&atilde;o do <i>freudismo</i> que a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o    de histeria desapareceu do campo da cl&iacute;nica. A partir de 1914, ningu&eacute;m    mais ousou falar em histeria, a tal ponto que a palavra foi identificada com    a pr&oacute;pria psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O debate sobre    histeria ressurge com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando as discuss&otilde;es    geravam em torno de uma nova forma de etiologia traum&aacute;tica e da <i>neurose    de guerra</i>. Por fim, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o    desenvolvimento dos trabalhos da medicina psicossom&aacute;tica de inspira&ccedil;&atilde;o    psicanal&iacute;tica, o termo <i>histeria de convers&atilde;o</i> teve uma aten&ccedil;&atilde;o    especial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A partir da d&eacute;cada    de 1960, com os debates norte-americanos e ingleses sobre a <i>Self Psychology</i>    e os <i>borderlines</i>, a id&eacute;ia de personalidade <i>m&uacute;ltipla</i>,    termo utilizado para caracterizar a personalidade do indiv&iacute;duo hist&eacute;rico,    &eacute; alvo de estudos de m&eacute;dicos, psiquiatras e psicanalistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ROMANCE DE GABRIEL    GARC&Iacute;A M&Aacute;RQUEZ</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <i>Do amor e outros    dem&ocirc;nios</i>, obra do escritor colombiano Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez,    conta a hist&oacute;ria da adolescente Sierva Maria de Todos los &Aacute;ngeles.    Seu pai, Ygnacio, &eacute; um crioulo rico. Sua m&atilde;e, Bernarda Cabrera,    foi uma pleb&eacute;ia pobre at&eacute; conhecer Ygnacio. &Aacute;ngeles foi    fruto de um plano da m&atilde;e para casar com Ygnacio por causa dos seus bens    materiais. Rejeitada pelos pais, ela foi criada junto com os escravos do pr&oacute;prio    pai. Ela recebia da escrava Dominga de Adviento todo carinho e cuidado materno,    necess&aacute;rio para a sua cria&ccedil;&atilde;o. &Aacute;ngeles cresceu aprendendo    a cultura africana, suas l&iacute;nguas e dan&ccedil;as. Nasceu quase morta    com o cord&atilde;o umbilical enrolado no pesco&ccedil;o. A parteira acreditava    que ela n&atilde;o iria sobreviver. Foi ent&atilde;o que Dominga de Adviento    prometeu a seus santos que se lhe fosse concedida a gra&ccedil;a de viver n&atilde;o    se cortaria o cabelo da menina at&eacute; a noite de seu casamento. Mal acabava    de fazer a promessa, a crian&ccedil;a come&ccedil;ou a chorar, mais viva do    que nunca. Quando tinha 9 anos, Adviento faleceu, e &Aacute;ngeles vai morar    com seus pais pela primeira vez, mas por pouco tempo. Sua m&atilde;e a expulsa    de casa quando encontra uma de suas bonecas flutuando dentro de uma tina<sup><a name="5"></a><a href="#5b">5</a></sup> e,    acreditando que aquilo fosse um feiti&ccedil;o africano contra ela, alega que    n&atilde;o haveria lugar para as duas na casa. Assim, &Aacute;ngeles volta a    morar com os escravos. Aos 11 anos foi mordida por um cachorro no tornozelo    esquerdo numa ocasi&atilde;o que estava com a mulata Caridad del Cobre. Elas    faziam compras para a festa de anivers&aacute;rio de 12 anos da menina. M&aacute;rquez    escreve que "era assunto de todo dia os c&atilde;es sem dono morderem algu&eacute;m    quando andavam perseguindo gatos ou brigando com os urubus por alguma carni&ccedil;a    de rua..." (1994, p. 15). Dois dias ap&oacute;s a festa, Caridad del Cobre,    por descuido, comenta com Bernarda Cabrera sobre a mordida do cachorro em sua    filha. Bernarda decide examin&aacute;-la numa noite enquanto a menina dormia,    temendo que a filha pudesse ter sido mordida por um cachorro raivoso. Cabrera    decide n&atilde;o dar import&acirc;ncia para o fato uma vez que o crit&eacute;rio    da &eacute;poca era o de n&atilde;o se pensar em raiva, enquanto n&atilde;o    se manifestavam os primeiros sintomas. Crit&eacute;rio este que n&atilde;o foi    aceito pelo pai, que, imediatamente, procura o mais not&aacute;vel e discutido    m&eacute;dico da cidade Abrenuncio de S&aacute; Pereira C&atilde;o, para que    ele examinasse sua filha. Ygnacio assume os cuidados da filha e a administra&ccedil;&atilde;o    da casa. Assim, &Aacute;ngeles volta a morar com seus pais. M&aacute;rquez,    se referindo ao pai, escreve: "A primeira coisa que fez foi devolver &agrave;    menina o quarto de dormir de sua av&oacute; marquesa, de onde fora tirada para    dormir com os escravos" (1994, p. 38-39). &Aacute;ngeles, n&atilde;o contente    nesse novo ambiente, foge logo na primeira noite e volta para o aconchego dos    escravos, no seu mundo africano. A criada Caridad del Cobre, em obedi&ecirc;ncia    &agrave; ordem de Ygnacio, fica respons&aacute;vel pelos cuidados da menina.    Abrenuncio de S&aacute; Pereira C&atilde;o, na sua consulta com &Aacute;ngeles,    diz que o progn&oacute;stico n&atilde;o era alarmante. "A ferida estava    longe da &aacute;rea de maior risco, e ningu&eacute;m lembrava que tivesse sangrado.    O mais prov&aacute;vel era que Sierva Maria n&atilde;o contra&iacute;sse raiva",    e sugere para a menina a receita da felicidade. "...toquem m&uacute;sica,    encham a casa de flores, fa&ccedil;am cantar os passarinhos, levem-na para ver    o p&ocirc;r-do-sol no mar, d&ecirc;em-lhe tudo o que possa faz&ecirc;-la feliz"    (M&aacute;rquez, 1994, p. 51). Mas nada disso podia evitar que &Aacute;ngeles    tivesse sua primeira crise e, durante as duas semanas seguintes, teve vertigens,    convuls&otilde;es, espasmos, del&iacute;rios, solturas de ventre e de bexiga,    retorcia-se no ch&atilde;o uivando de dor e de f&uacute;ria. Submeteu-se ao    tratamento dos escravos sendo trancada nua na dispensa de cebolas. Passou pelas    m&atilde;os de outros tr&ecirc;s m&eacute;dicos, de curandeiros e de mestres    em feiti&ccedil;aria. Com a &iacute;ndia Sagunta, &Aacute;ngeles foi v&iacute;tima    da receita de Santo Humberto. A &iacute;ndia esfregava seu corpo lambuzado com    ung&uuml;entos<sup><a name="6"></a><a href="#6b">6</a></sup> de &iacute;ndios contra o corpo nu da menina que era submetida    &agrave; for&ccedil;a. Com Sagunta, o pai desiste de procurar ajuda de m&eacute;dicos    e passa a buscar apoio divino. O bispo do lugar, Dom Tor&iacute;bio de C&aacute;ceres    y Virtudes, em conversa com o pai, questiona-o a respeito das manifesta&ccedil;&otilde;es    da filha e sugere que ela estaria sendo possu&iacute;da pelo dem&ocirc;nio.    O pai, aceitando as orienta&ccedil;&otilde;es do bispo, leva a filha para o    convento de Santa Clara para ser exorcizada. &Aacute;ngeles &eacute; presa no    pavilh&atilde;o solit&aacute;rio, que serviu de c&aacute;rcere da Inquisi&ccedil;&atilde;o,    e amarrada &agrave; cama pelas m&atilde;os e p&eacute;s, depois de tr&ecirc;s    meses ap&oacute;s ter sido mordida pelo cachorro e n&atilde;o apresentando nenhum    sintoma de raiva. Certo dia no refeit&oacute;rio do convento, durante o almo&ccedil;o,    &Aacute;ngeles fora rodeada por novi&ccedil;as que admiravam seu colares. Uma    delas tentou arranc&aacute;-los, deixando-a muito irritada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <blockquote>Sierva Maria se    encabritou. Com um repel&atilde;o, tirou de cima as guardi&atilde;s que tentavam    subjug&aacute;-la. Subiu na mesa, correu de uma ponta a outra gritando como    uma possessa de verdade que n&atilde;o se deixa dominar. Quebrou tudo quanto    encontrou no caminho, pulou pela janela e desfez os caramanch&otilde;es do p&aacute;tio,    alvoro&ccedil;ou as colm&eacute;ias e derrubou as cercas dos est&aacute;bulos    e dos currais. As abelhas se dispersaram e os animais em disparada se precipitaram    uivando de p&acirc;nico at&eacute; os dormit&oacute;rios da clausura. (M&aacute;rquez,    1994, p. 104)</blockquote></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da&iacute; por    diante, todos os acontecimentos eram atribu&iacute;dos ao malef&iacute;cio de    &Aacute;ngeles. Novi&ccedil;as declararam que ela voava com umas asas transparentes    que emitiam um zumbido fant&aacute;stico. Boatos se espalharam pelo convento    de que os porcos estavam envenenados, de que as &aacute;guas provocavam vis&otilde;es    premonit&oacute;rias, de que uma das galinhas espantadas saiu voando por cima    dos telhados at&eacute; desaparecer no horizonte do mar. Assim, a cela de &Aacute;ngeles    se transformou no centro da curiosidade de todos e ela passou a receber visitas    constantes das freiras. Elas queriam que a menina levasse at&eacute; o dem&ocirc;nio    seus pedidos mais imposs&iacute;veis. &Aacute;ngeles, aproveitando da situa&ccedil;&atilde;o,    se divertia imitando vozes de degolados, de mortos, de monstros sat&acirc;nicos,    etc. Uma noite sua cela &eacute; assaltada por um grupo de freiras que roubaram    seus colares. Durante a fuga, a comandante do assalto trope&ccedil;a nas escadas    e fratura o cr&acirc;nio. M&aacute;rquez escreve que "suas companheiras    n&atilde;o tiveram um instante de paz enquanto n&atilde;o devolveram &agrave;    dona os colares roubados. Ningu&eacute;m mais tornou a perturbar as noites da    cela" (1994, p. 106).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Cayetano Alcino del Esp&iacute;rito Santo Delaura y Escudero, padre espanhol    com 36 anos de idade, &eacute; indicado pelo bispo para ser o exorcista de &Aacute;ngeles.    Desde os primeiros encontros, Delaura sabia que n&atilde;o se tratava de um    caso de possess&atilde;o demon&iacute;aca e supunha que a mo&ccedil;a estava    somente assustada. Ele vai ao encontro de Ygnacio para colher informa&ccedil;&otilde;es    a respeito de sua ferida no tornozelo, e, na conversa com o m&eacute;dico Pereira    C&atilde;o, ele p&ocirc;de aprender bastante sobre a raiva e que essa doen&ccedil;a    era facilmente confundida com possess&otilde;es demon&iacute;acas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <blockquote>O m&eacute;dico    fez uma exposi&ccedil;&atilde;o erudita e inteligente sobre a raiva desde a    origem da humanidade, sobre seus estragos impunes e a incapacidade milenar da    ci&ecirc;ncia m&eacute;dica para impedi-los. Deu exemplos lament&aacute;veis    de como sempre fora confundida com a possess&atilde;o demon&iacute;aca, assim    como certas formas de loucura e outras perturba&ccedil;&otilde;es do esp&iacute;rito.    Quanto a Sierva Mar&iacute;a, depois de quase cento e cinq&uuml;enta dias, n&atilde;o    parecia prov&aacute;vel que a contra&iacute;sse. O &uacute;nico perigo, concluiu    Abrenuncio, era que morresse, como tantos outros, em conseq&uuml;&ecirc;ncia    da crueldade dos exorcismos. (M&aacute;rquez, 1994, p. 172)</blockquote></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas, todo o esfor&ccedil;o    de Delaura foi em v&atilde;o, pois o bispo n&atilde;o considera suas conclus&otilde;es    e ordena que prossiga os preparativos para as sess&otilde;es de exorcismos.    Delaura se apaixona por &Aacute;ngeles e recita&ccedil;&otilde;es de versos    de amor tomam lugar das supostas rezas do exorcismo. Assim, eles puderam ficar    juntos durante as noites em que Delaura dormia com ela em sua cela, at&eacute;    o momento que seu desejo foi afetado pelo seu arrependimento moral, permitindo    que os dois jovens apaixonados permanecessem virgens. Delaura &eacute; destitu&iacute;do    de seu cargo e encaminhado para ser enfermeiro de pacientes leprosos em um hospital.    O pr&oacute;prio bispo &eacute; quem assume as sess&otilde;es de exorcismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   No dia 27 de abril, a cela de &Aacute;ngeles foi invadida. Vieram busc&aacute;-la    pois as sess&otilde;es de exorcismos teriam in&iacute;cio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <blockquote>Arrastaram-na para    o tanque, lavaram-na a baldes de &aacute;gua, despojaram-na aos pux&otilde;es    de seus colares e puseram-lhe o camisol&atilde;o brutal dos hereges. Uma irm&atilde;    jardineira cortou-lhe a cabeleira at&eacute; a altura da nuca com quatro mordidas    de uma tesoura de podar e atirou-a numa fogueira acesa no p&aacute;tio. A irm&atilde;    cabeleireira acabou de tosar-lhe os cabelos at&eacute; o tamanho de meia polegada,    como usavam as clarissas debaixo da mantilha, e foi lan&ccedil;ando-os ao fogo    &agrave; medida que cortava. Sierva Mar&iacute;a viu a deflagra&ccedil;&atilde;o    dourada, ouviu o crepitar da lenha virgem e sentiu a exala&ccedil;&atilde;o    acre de chifre queimado sem que se movesse um m&uacute;sculo de seu rosto impenetr&aacute;vel.    Por fim lhe puseram uma camisa-de-for&ccedil;a, a cobriram com um trapo f&uacute;nebre,    e dois escravos a levaram &agrave; capela numa padiola de soldados. (M&aacute;rquez,    1994, p.193-194)</blockquote></font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Ara&uacute;jo,    as duas naturezas pelas quais a Inquisi&ccedil;&atilde;o julgava os crimes eram:    "De um lado, estavam aqueles contra a f&eacute;, que eram considerados    os mais graves e tinham as penas mais severas; de outro, os contra o moral e    os costumes, que comportavam toda uma gama de modalidades, tais como bigamia<sup><a name="7"></a><a href="#7b">7</a></sup>, sodomia<sup><a name="8"></a><a href="#8b">8</a></sup>, feiti&ccedil;aria etc., e que, inclusive, se misturavam com o campo    religioso". O caso de &Aacute;ngeles ajusta-se no segundo tipo de crime.    Conseq&uuml;entemente, como puni&ccedil;&atilde;o, ela tem sua cabe&ccedil;a    raspada, deve vestir o sambentino, ser presa e ficar amarrada. Como assinala    Ara&uacute;jo, "seu &uacute;nico motivo para a condena&ccedil;&atilde;o    foi a materializa&ccedil;&atilde;o do dem&ocirc;nio nos imaginados sinais de    raiva" (2000, p. 12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   &Aacute;ngeles sente muita a aus&ecirc;ncia de Delaura e fica sem saber os motivos    pelos quais ele n&atilde;o ia mais v&ecirc;-la durante as noites. No dia 29    de maio, quando deveria ser levada para sua &uacute;ltima sess&atilde;o de exorcismo,    a guardi&atilde; encontra-a morta na cama.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Dessa forma ficam ilustradas na obra de Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez    vidas como a de &Aacute;ngeles, que foram v&iacute;timas de uma cren&ccedil;a    religiosa e objetos de investiga&ccedil;&atilde;o da Inquisi&ccedil;&atilde;o    da Igreja Cat&oacute;lica Romana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Os rep&oacute;rteres Alexandre Mansur e Luciana Vic&aacute;ria escrevem:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    <blockquote>At&eacute; o s&eacute;culo    XIX, crises hist&eacute;ricas ou casos de dupla personalidade eram interpretados    por padres cat&oacute;licos como possess&otilde;es demon&iacute;acas. Com o    avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia, varreu-se o obscurantismo. Na d&eacute;cada    de 60, o Conc&iacute;lio Vaticano II decretou que apenas alguns sacerdotes,    nomeados pela Igreja, poderiam expulsar dem&ocirc;nios. Para regulamentar os    rituais quase clandestinos, o papa lan&ccedil;ou em 2000 um manual oficial do    exorcismo. Fez quest&atilde;o de destacar que casos suspeitos devem ser encaminhados    primeiro a um psiquiatra. (2003, p. 72)</blockquote></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CONCEP&Ccedil;&Otilde;ES    ATUAIS DA HISTERIA</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   No atual Manual de Classifica&ccedil;&atilde;o de Transtornos Mentais e de Comportamento    da CID-10, a histeria &eacute; citada na categoria dos transtornos neur&oacute;ticos,    relacionados ao estresse e somatoformes, mais especificamente na subcategoria    transtornos dissociativos (ou conversivos). Esse transtorno &eacute; caracterizado    por uma perda parcial ou completa da integra&ccedil;&atilde;o normal entre as    mem&oacute;rias do passado, consci&ecirc;ncia de identidade e sensa&ccedil;&otilde;es    imediata, e controle dos movimentos corporais. "Nos transtornos dissociativos    presume-se que essa capacidade de exercer um controle consciente e seletivo    est&aacute; comprometida em um grau que pode variar de dia para dia ou mesmo    hora para hora". (CID-10, 1993, p. 149)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Esses transtornos    foram anteriormente classificados como tipos diversos de <i>histeria de convers&atilde;o</i>,    mas agora parece melhor evitar o termo <i>histeria</i> tanto quanto poss&iacute;vel,    em virtude de seus muitos e variados significados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Para que o diagn&oacute;stico desse transtorno seja preciso e verdadeiro, &eacute;    necess&aacute;rio que estejam presentes os seguintes crit&eacute;rios:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   a) os aspectos cl&iacute;nicos, que n&atilde;o s&atilde;o citados aqui para    os transtornos pertencentes a essa categoria: amn&eacute;sia dissociativa, fuga    dissociativa, estupor dissociativo, transtorno de transe e possess&atilde;o,    transtornos motores dissociativos, convuls&otilde;es dissociativas, anestesia    e perda sensorial dissociativas, transtornos dissociativos (ou conversivos)    mistos, outros transtornos dissociativos (ou conversivos) e transtorno dissociativo    (ou conversivo) n&atilde;o especificado;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   b) nenhuma evid&ecirc;ncia de um transtorno f&iacute;sico que pudesse explicar    os sintomas;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   c) evid&ecirc;ncia de causa&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica na forma de    clara associa&ccedil;&atilde;o no tempo a acontecimentos e problemas estressantes    ou relacionamentos perturbados (ainda que negados pelo indiv&iacute;duo).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No <i>Comp&ecirc;ndio    de psiquiatria</i> de Kaplan, Sadock e Grebb (1997), o termo histeria &eacute;    citados nos transtornos somatoformes, especificamente nos transtornos de somatiza&ccedil;&atilde;o    e nos transtornos dissociativos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   De acordo com Kaplan et al. (1997, p. 584): "O transtorno de somatiza&ccedil;&atilde;o    &eacute; caracterizado por m&uacute;ltiplos sintomas som&aacute;ticos que n&atilde;o    podem ser adequadamente explicados com base em exames f&iacute;sicos e laboratoriais."    E continuam: "o nome anterior para este transtorno era histeria" (Kaplan    et al., 1997, p.584). Os autores citam os processos psicol&oacute;gicos que    contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o dos sintomas como sendo "inconscientes,    culturais e desenvolvimentais" e que a motiva&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o    dos sintomas s&atilde;o os "fatores psicol&oacute;gicos inconscientes"    (Kaplan et al.,1997, p. 585).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Os transtornos dissociativos s&atilde;o caracterizados pela perda que o indiv&iacute;duo    tem de ser &uacute;nico, de ter uma &uacute;nica personalidade. Nesse caso,    o indiv&iacute;duo sente a falta dessa identidade ou uma confus&atilde;o envolvendo    sua identidade, ou tem m&uacute;ltiplas identidades. Estudos revelam que uma    das causas para que se desenvolva o transtorno dissociativo s&atilde;o os eventos    traum&aacute;ticos ocorridos na vida do indiv&iacute;duo, especialmente abuso    f&iacute;sico e sexual na inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <blockquote>Na maioria dos estados dissociativos, representa&ccedil;&otilde;es    contradit&oacute;rias do pr&oacute;prio indiv&iacute;duo s&atilde;o mantidas    em compartimentos mentais separados, porque est&atilde;o em conflito umas com    as outras. Na forma extrema de transtorno dissociativo de identidade (personalidade    m&uacute;ltipla), essas representa&ccedil;&otilde;es separadas do self assumem    uma exist&ecirc;ncia metaf&oacute;rica de personalidades distintas, conhecidas    como <i>personalidades alternativas</i>. (Kaplan et al., 1997, p. 603)</blockquote> </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>Manual de    diagn&oacute;stico e estat&iacute;stica de transtornos mentais</i> (DSM-IV)    &eacute; citado por Kaplan et al. (1997, p. 603) para mostrar que existem crit&eacute;rios    diagn&oacute;sticos espec&iacute;ficos para quatro transtornos dissociativos.    Esses transtornos, anteriormente eram conhecidos como <i>neurose hist&eacute;rica</i>    do tipo dissociativa: a <i>amn&eacute;sia dissociativa</i> caracteriza-se pela    "incapacidade para recordar informa&ccedil;&otilde;es, geralmente relacionadas    com um evento estressante ou traum&aacute;tico, ingest&atilde;o de subst&acirc;ncias    ou uma condi&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica geral". A <i>fuga dissociativa</i>    caracteriza-se por "viagens s&uacute;bitas e inesperadas para longe de    casa ou do trabalho, associada com uma incapacidade para recordar o pr&oacute;prio    passado e confus&atilde;o acerca da pr&oacute;pria identidade pessoal ou ado&ccedil;&atilde;o    de uma nova identidade" (Kaplan et al., 1997, p. 603). O <i>transtorno    dissociativo de identidade</i> &eacute; caracterizado pela "presen&ccedil;a    de duas ou mais personalidades distintas dentro de uma &uacute;nica pessoa"    e o <i>transtorno de despersonaliza&ccedil;&atilde;o</i>, caracterizado por    "sensa&ccedil;&otilde;es recorrentes ou persistentes de distanciamento    do pr&oacute;prio corpo ou mente". Os autores continuam citando o DSM-IV    como tamb&eacute;m possuidor de uma categoria diagn&oacute;stica de <i>transtorno    dissociativo sem outra especifica&ccedil;&atilde;o</i> para transtornos dissociativos    que "n&atilde;o satisfa&ccedil;am os crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos    dos demais transtornos dissociativos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ESTUDOS SOBRE A    HISTERIA (Freud, 1895)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Freud, em 1895,    publica seus <i>Estudos sobre a histeria</i> em que apresenta seus achados e    conclus&otilde;es a respeito da histeria. Essa obra &eacute; composta pelo relato    de cinco casos cl&iacute;nicos, sendo que quatro deles foram atendidos pelo    pr&oacute;prio Freud. As pacientes de Freud foram Frau Emmy von N., Miss Lucy    R., Katharina e Fra&uuml;lein Elisabeth von R. O caso Anna O. &eacute; o primeiro    caso cl&iacute;nico citado na obra. Ela foi atendida por Josef Breuer, m&eacute;dico    austr&iacute;aco, que teve com Freud uma rela&ccedil;&atilde;o bastante significativa,    tanto afetiva quanto profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Freud (1895/1974),    nessa obra enfatiza a import&acirc;ncia que suas pacientes tiveram para a constru&ccedil;&atilde;o    da teoria e t&eacute;cnica psicanal&iacute;tica. As <i>hist&eacute;ricas</i>    ensinaram a Freud alguns dos principais rudimentos da Psican&aacute;lise. Emmy    von N., por exemplo, se aborrecia quando Freud a questionava de onde veio isto    ou aquilo e pedia para ele que a deixasse falar o que ela tinha a dizer. Assim,    ouvir para Freud, "tornou-se mais do que uma arte, tornou-se um m&eacute;todo,    uma via privilegiada para o conhecimento, &agrave; qual os pacientes lhe davam    acesso" (Gay, 1989, p. 80). A escuta do terapeuta e a fala do paciente    foram ganhando reconhecimento de tal forma que a <i>hipnose</i>, como t&eacute;cnica    terap&ecirc;utica, foi perdendo seu valor, sua import&acirc;ncia. Com a ajuda    de Emmy von N., reconhece a hipnose como sendo um procedimento in&uacute;til    e sem sentido. Ao abandonar gradualmente a hipnose, Freud adota um novo modelo    de tratamento: a t&eacute;cnica da <i>associa&ccedil;&atilde;o livre</i><sup><a name="9"></a><a href="#9b">9</a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Elisabeth von    R. mostrou-lhe a resist&ecirc;ncia, quando se <i>negava</i> a responder o que    estava se passando pela sua mente nos momentos em que ele a interrogava. Ela    foi a paciente respons&aacute;vel pela descoberta da necessidade de se <i>elaborar</i>    os traumas recalcados com a ajuda da <i>interpreta&ccedil;&atilde;o</i> de Freud.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <blockquote>Os sintomas de Elisabeth von R. come&ccedil;aram <i>entrar na conversa</i>,    tamb&eacute;m: desencadeavam-se no momento em que ela falava da erup&ccedil;&atilde;o    deles, e amainavam quando terminava de contar toda a sua hist&oacute;ria. Mas    Freud tamb&eacute;m precisava aprender a li&ccedil;&atilde;o mais dif&iacute;cil    de que a cura n&atilde;o era uma explos&atilde;o melodram&aacute;tica de percep&ccedil;&otilde;es.    Apenas o relato raramente bastava; os traumas tinham de ser <i>elaborados</i>.    O ingrediente final na recupera&ccedil;&atilde;o de Elisabeth von R. foi a interpreta&ccedil;&atilde;o    dos ind&iacute;cios que Freud lhe apresentou e &agrave; qual ela resistiu veementemente    por algum tempo: ela amava seu cunhado, e havia reprimido desejos perversos    pela morte de sua irm&atilde;. O fato de aceitar esse desejo imoral p&ocirc;s    termo a seus sofrimentos. "Na primavera de 1894", contou Freud, "soube    que ela ia a um baile exclusivo, ao qual tratei de conseguir acesso, e n&atilde;o    deixei escapar a oportunidade de ver minha ex-paciente a voar numa dan&ccedil;a    ligeira" (Gay, 1989, p. 81-82).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Enfim, Freud deve    muito, n&atilde;o somente a Elisabeth von R. e a Emmy von N., mas tamb&eacute;m    a Miss Lucy R. e a Katharina por elas terem contribu&iacute;do t&atilde;o ativamente    na elabora&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica e teoria psicanal&iacute;tica:    observa&ccedil;&atilde;o atenta, passividade alerta o que Freud chamaria de    <i>aten&ccedil;&atilde;o flutuante</i><sup><a name="10"></a><a href="#10b">10</a></sup>,    interpreta&ccedil;&atilde;o h&aacute;bil, associa&ccedil;&atilde;o livre sem    o recurso da hipnose e elabora&ccedil;&atilde;o. Rothged, em refer&ecirc;ncia    aos <i>Estudos sobre a histeria</i>, afirma que "Freud originou os desenvolvimentos    t&eacute;cnicos, juntamente com os conceitos te&oacute;ricos primordiais de    resist&ecirc;ncia, defesa e recalcamento provenientes daqueles" (2001,    p. 119). Em seu artigo <i>E o verbo se fez carne</i>, Maria Jos&eacute; Ceranto    Garcia enfatiza que "o esclarecimento da etiologia da histeria se d&aacute;    paralelo ao desenvolvimento da psican&aacute;lise" (2000, p. 30).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O CASO ANNA O.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Josef Breuer atendeu por um ano e meio, com in&iacute;cio em dezembro de 1880,    Anna O. (pseud&ocirc;nimo de Bertha Pappenheim). Caso este que seria reconhecido    como o "caso fundador da psican&aacute;lise" (Gay, 1989, p. 74).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Anna O., durante    o seu tratamento, foi dando importantes contribui&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o    da teoria psicanal&iacute;tica. Ela realizou sozinha grande parte do trabalho    de imagina&ccedil;&atilde;o, <i>ensinando</i> Freud sobre a import&acirc;ncia    da escuta do analista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Anna O. adoeceu    quando tinha 21 anos. Apresentava uma tend&ecirc;ncia para ficar em um <i>devaneio    sistem&aacute;tico</i>, seu teatro particular como ela mesma definia. Tinha    uma vida bastante mon&oacute;tona, totalmente restrita &agrave; fam&iacute;lia    e, como relembrou Freud sobre o julgamento de Breuer a ela, "assombrosamente    pouco desenvolvida em termos sexuais" (Gay, 1989, p. 75). A doen&ccedil;a    fatal do pai &eacute; entendida como sendo o acontecimento que precipitou sua    histeria. Ela desenvolveu sintomas crescentes de incapacidade, durante os meses    que cuidou do pai: fraqueza por n&atilde;o ter apetite, uma s&eacute;rie de    tosse nervosa e, ap&oacute;s seis meses, foi atingida por um estrabismo convergente.    Tamb&eacute;m apresentava dores de cabe&ccedil;a, acessos de agita&ccedil;&atilde;o,    perturba&ccedil;&otilde;es da vista, paralisias parciais e perda de sensibilidade.    Sua sintomatologia foi se modificando com o tempo, chegando a representar lapsos    mentais, longos intervalos de sonol&ecirc;ncia, r&aacute;pidas altera&ccedil;&otilde;es    de &acirc;nimo, alucina&ccedil;&otilde;es com cobras cegas, caveiras e esqueletos,    crescentes dificuldades de fala. Desenvolveu duas personalidades contrastantes,    uma delas bastante rebelde. Ela era visitada por Breuer todos os dias. Durante    suas consultas ela contava muitas hist&oacute;rias a ele, descobrindo juntos    que seus sintomas se amenizavam devido essa liberdade para falar. Procedimento    este que ficou conhecido como a<i> cura pela fala</i>, como fun&ccedil;&atilde;o    o processo de <i>catarse</i><sup><a name="11"></a><a href="#11b">11</a></sup>.    Anna O. teve seu momento de cura pela fala quando, passando por um per&iacute;odo    de hidrofobia<sup><a name="12"></a><a href="#12b">12</a></sup>, ela se recorda    que havia visto sua dama de companhia inglesa de quem n&atilde;o gostava, deixar    que um c&atilde;ozinho bebesse de um copo. Quando o nojo reprimido veio a tona,    a hidrofobia desapareceu. Dessa forma, todos os sintomas, as contra&ccedil;&otilde;es    paralisantes, as v&aacute;rias alucina&ccedil;&otilde;es, etc., foram <i>expulsos    pela fala</i>. Seus sintomas revelaram ser res&iacute;duos de sentimentos e    impulsos que ela se sentira obrigada a reprimir. Anna O. se tornou uma pioneira    ativista social, l&iacute;der de causas feministas e de organiza&ccedil;&otilde;es    de mulheres judias. Mas Breuer omitiu a verdadeira causa que o fez interromper    o tratamento com Anna O. Ele terminou a exposi&ccedil;&atilde;o do caso, apresentando    a paciente como liberta de seus sintomas e afirmando que o t&eacute;rmino do    tratamento ocorreu devido ao desejo de Anna O. de encerr&aacute;-lo por motivos    de mudan&ccedil;a. N&atilde;o &eacute; o que afirma Luiz Alfredo Garcia-Rosa    quando escreve que "o que motivou o t&eacute;rmino do tratamento foi um    fen&ocirc;meno que, apesar de ser hoje em dia bastante conhecido, impossibilitou    Breuer de continuar a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica com Anna O.: o    fen&ocirc;meno da <i>transfer&ecirc;ncia</i><sup><a name="13"></a><a href="#13b">13</a></sup>e    da contratransfer&ecirc;ncia<sup><a name="14"></a><a href="#14b">14</a></sup>"    (1999, p. 39).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Para Breuer, o fato de ele falar de sua paciente com uma freq&uuml;&ecirc;ncia    acima do comum, n&atilde;o lhe parecia ind&iacute;cio de nenhum envolvimento    emocional. A mulher do m&eacute;dico se tornou triste e ciumenta por escut&aacute;-lo    e perceb&ecirc;-lo empolgado com sua paciente. Breuer, por&eacute;m, percebendo    o que estava se passando, perturbou-se e resolveu encerrar o tratamento. Anna    O., sabendo de sua decis&atilde;o, desenvolve uma de suas piores crises. A paciente    apresentava contra&ccedil;&otilde;es abdominais de uma crise de parto hist&eacute;rica.    Breuer foi chamado para consult&aacute;-la e quando ela o viu disse que seu    filho estava chegando. Breuer atendeu Anna O. e a hipnotizou livrando-a da crise.    No outro dia, Breuer viaja com sua esposa de f&eacute;rias para Veneza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dessa forma, Freud    conclui que a excita&ccedil;&atilde;o emocional que se encontrava por tr&aacute;s    dos sintomas neur&oacute;ticos era de natureza sexual e conflitiva. No decorrer    de suas pesquisas, Freud vai dando uma import&acirc;ncia cada vez maior a sexualidade,    tanto para a compreens&atilde;o da neurose como para a compreens&atilde;o do    indiv&iacute;duo normal. Ele escreve, em seu trabalho <i>Um caso de histeria</i>:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>Se &eacute; verdade que as causas das perturba&ccedil;&otilde;es hist&eacute;ricas    devem ser encontradas nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e    que os sintomas hist&eacute;ricos s&atilde;o a express&atilde;o de seus desejos    mais secretos e reprimidos, ent&atilde;o a elucida&ccedil;&atilde;o completa    de um caso de histeria implica certamente a revela&ccedil;&atilde;o dessas intimidades    e a divulga&ccedil;&atilde;o desses segredos. (Freud, 1972, pp. 5-6)</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   CASO CL&Iacute;NICO</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O terceiro e &uacute;ltimo    momento deste artigo &eacute; composto por um caso cl&iacute;nico citado por    Carlos Estevam (1995), em seu livro <i>Freud</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Arlete, de 34 anos, sofria de crises nervosas, manifestando sensa&ccedil;&otilde;es    de sufocamento, contra&ccedil;&atilde;o do corpo, paralisia dos membros e perda    dos sentidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O tratamento pelo    m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, basicamente, consiste na investiga&ccedil;&atilde;o    da hist&oacute;ria do paciente com o objetivo de descobrir as causas do conflito    psicol&oacute;gico que foi resolvido por ele de forma incompleta por manter    no inconsciente representa&ccedil;&otilde;es (pensamentos, imagens, recorda&ccedil;&otilde;es)    ligadas a uma <i>puls&atilde;o</i><sup><a name="15"></a><a href="#15b">15</a></sup>, opera&ccedil;&atilde;o esta conhecida como    recalque<sup><a name="16"></a><a href="#16b">16</a></sup>. Assim, Arlete desenvolve sintomas que est&atilde;o ligados a algum    processo ps&iacute;quico inconsciente que recalcou alguma experi&ecirc;ncia    afetiva dolorosa ocorrida na sua vida. Afirma Estevam (1995, p. 114) que "o    hist&eacute;rico n&atilde;o sabe qual &eacute; a causa do seu mal porque o que    ele v&ecirc; s&atilde;o apenas os sintomas: a causa est&aacute; recalcada no    inconsciente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Utilizando as t&eacute;cnicas da psican&aacute;lise, tais como a livre associa&ccedil;&atilde;o    de id&eacute;ias e a interpreta&ccedil;&atilde;o de sonhos, &eacute; poss&iacute;vel    ajudar o paciente a reviver experi&ecirc;ncias emocionais dolorosas e, com o    analista, elabor&aacute;-las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Arlete, com seu analista, p&ocirc;de relembrar de fatos que para ela foram traumatizantes    emocionalmente. Quando tinha 7 anos de idade, Arlete costumava ficar brincando    numa praia pouco freq&uuml;entada que havia perto de sua casa. Um dia, ela estava    sozinha se distraindo com suas brincadeiras de crian&ccedil;a quando se aproximou    dela um homem completamente despido. Ele estava tomando banho de mar sem roupa    e quando saiu da &aacute;gua, dirigiu-se at&eacute; ela. Arlete assustou-se,    n&atilde;o conseguindo sair de onde estava. Ficou paralisada por medo. O homem    aprisionou a menina em seus bra&ccedil;os, segurando-a pelos punhos e obrigou-a    a se deitar na areia. Deitou-se sobre ela para possu&iacute;-la. Ela n&atilde;o    podia fazer nada para se esquivar, pois o homem, muito mais forte do que ela,    mantinha-a imobilizada segurando-a com as duas m&atilde;os em volta do pesco&ccedil;o.    Durante todo o tempo que durou a cena, a sensa&ccedil;&atilde;o mais profunda    que Arlete experimentava era a de que estava sendo estrangulada. A impress&atilde;o    que a dominava era a id&eacute;ia de que havia perdido o corpo e a &uacute;nica    coisa que lhe restava era apenas a cabe&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Sua fam&iacute;lia jamais suspeitou de tal fato. Quando interrogados a respeito,    a &uacute;nica lembran&ccedil;a era de que, quando Arlete tinha 7 anos foi atingida    por uma febre muito forte, acompanhada de del&iacute;rio. Os m&eacute;dicos    n&atilde;o descobriram a causa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Outros sonhos e associa&ccedil;&otilde;es de id&eacute;ias, em que a cabe&ccedil;a    do pai aparecia misturada com a cabe&ccedil;a do homem que violentou a menina,    acabaram revelando ao psicanalista que Arlete se recordava de um traumatismo    ainda mais antigo do que o que sofrera na praia. Quando tinha 5 anos, ela estava    brincando com seu pai numa cama e num momento foi tomada de pavor. Come&ccedil;ou    a se debater e a dizer nervosamente que havia segurado nos cabelos. De fato,    durante a brincadeira, seus dedos tinham tocado nos p&ecirc;los do p&uacute;bis    do pai. Isso a assustara, e como n&atilde;o sabia o que era, chamava de cabelos.    A palavra cabelos se associava &agrave; dolorosa experi&ecirc;ncia que vivera    na praia, raz&atilde;o pela qual a cabe&ccedil;a de seu pai aparecida em seus    sonhos misturada com a cabe&ccedil;a do homem que a violentara.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Todos esses fatos reunidos explicam perfeitamente a histeria de Arlete. Compreende-se    por que raz&atilde;o suas crises de histeria apresentavam aqueles sintomas:    paralisia do corpo, exceto da cabe&ccedil;a, sensa&ccedil;&atilde;o de sufocamento,    etc. V&ecirc;-se que os sintomas estavam ligados aos conflitos ps&iacute;quicos    intensos que, desde a inf&acirc;ncia, n&atilde;o a abandonaram at&eacute; a    idade de 34 anos. Depois de se submeter ao tratamento. Quando sua sa&uacute;de    come&ccedil;ou a melhorar, Arlete p&ocirc;de finalmente dizer: "Sem a psican&aacute;lise,    eu n&atilde;o teria conhecido, em toda minha vida, um s&oacute; momento de felicidade"    (Estevam, 1995, p. 117).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Conclusão</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo nos    trouxe informa&ccedil;&otilde;es a respeito de um, entre muitos outros, transtorno    mental e de comportamento, o transtorno dissociativo (ou conversivo), a antiga    neurose hist&eacute;rica ou histeria de convers&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Hoje, quando tenho um paciente com tais manifesta&ccedil;&otilde;es em tratamento    psicoterap&ecirc;utico, penso na responsabilidade que me cabe como profissional    e ser humano para com aquela pessoa: tentar ajud&aacute;-la na elabora&ccedil;&atilde;o    dos seus traumas, n&atilde;o somente f&iacute;sicos, mas tamb&eacute;m de ordem    ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Com os avan&ccedil;os da medicina e com os da psicologia, mais especificamente    os da psican&aacute;lise, podemos oferecer aos nossos pacientes, al&eacute;m    de um tratamento mais adequado e aprimorado, compreens&atilde;o, acolhimento    e respeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Curar, do latim curare significa cuidar, tratar. Assim, acredito que, cuidando    dos nossos pacientes por meio de experi&ecirc;ncias afetivas e emocionais, portanto,    terap&ecirc;uticas, desenvolvemos, com eles, a possibilidade de cura ou os recursos    para se ter uma melhor qualidade de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Este deve ser o nosso objetivo e a raz&atilde;o pelo qual praticamos a nossa    profiss&atilde;o de psic&oacute;logos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Refer&ecirc;ncias</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ara&uacute;jo,    M. I. (2000, Junho). Do amor e outros dem&ocirc;nios. paroxismo, exorcismo e    desamparo no romance de Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez. <i>Pulsional:    Revista de Psican&aacute;lise, 13</i> (134), 5-15.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545114&pid=S1676-7314200300020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   CID-10. (1993). <i>Classifica&ccedil;&atilde;o de transtornos mentais e de comportamento    da CID-10: descri&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e diretrizes diagn&oacute;sticas</i>.    Porto Alegre, RS: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545115&pid=S1676-7314200300020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Estevam, C. (1995). <i>Freud</i>. (2a ed.). Rio de Janeiro: Paz e Terra.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545116&pid=S1676-7314200300020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ferreira, A. B. H. (1988) <i>Novo dicion&aacute;rio b&aacute;sico da L&iacute;ngua    Portuguesa Folha/Aur&eacute;lio</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545117&pid=S1676-7314200300020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Freud, S. (1974). <i>Estudos sobre a histeria (Edi&ccedil;&atilde;o Standard    Brasileira da Obras Completas e de Sigmund Freud</i>, Vol. 2). Rio de Janeiro:    Imago.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545118&pid=S1676-7314200300020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Freud, S. (1972). <i>Um caso de histeria. (Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira    da Obras Completas e de Sigmund Freud</i>, Vol. 7). Rio de Janeiro: Imago.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545119&pid=S1676-7314200300020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Garcia, M. J. C. (Junho, 2000). <i>E o verbo se fez carne</i> (pp. 29-33). Trabalho    apresentado &agrave; XI Jornada do Centro de Trabalho em Psican&aacute;lise.    Curitiba, PR.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545120&pid=S1676-7314200300020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Garcia-Rosa, L. A. (1999). <i>Freud e o inconsciente</i> (16a ed.). Rio de Janeiro:    Jorge Zahar.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545121&pid=S1676-7314200300020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Gay, P. (1989). <i>Freud: uma vida para o nosso tempo</i>. S&atilde;o Paulo:    Companhia das Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545122&pid=S1676-7314200300020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Grande Dicion&aacute;rio Larousse Cultural da L&iacute;ngua Portuguesa. (1994).    S&atilde;o Paulo: Nova Cultural.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545123&pid=S1676-7314200300020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Kaplan, H. I., Sadock, B. J., & Grebb, J. A. (1997). <i>Comp&ecirc;ndio    de psiquiatria: ci&ecirc;ncias do comportamento e psiquiatria cl&iacute;nica</i>.    (7a ed.). Porto Alegre, RS: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545124&pid=S1676-7314200300020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Laplanche, J., & Pontalis, J. B. (1992). <i>Vocabul&aacute;rio de psican&aacute;lise</i>.    S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545125&pid=S1676-7314200300020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Mansur, A., & Vic&aacute;ria, L. (2003, 28 Abril). O exorcismo &eacute;    a atra&ccedil;&atilde;o da noite. <i>&Eacute;poca</i>, S&atilde;o Paulo, (258),    68-74.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545126&pid=S1676-7314200300020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   M&aacute;rquez, G. G. (1994). <i>Do amor e outros dem&ocirc;nios</i>. (2a ed.)    Rio de Janeiro: Record.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545127&pid=S1676-7314200300020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Moore, B. E., & Fine, B. D. (1992). <i>Termos e conceitos psicanal&iacute;ticos</i>.    Porto Alegre, RS: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545128&pid=S1676-7314200300020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ramadam, Z. B. A. (1985). <i>A histeria</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545129&pid=S1676-7314200300020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Roudinesco, E., & Plon, M. (1998). <i>Dicion&aacute;rio de psican&aacute;lise</i>.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545130&pid=S1676-7314200300020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Rothgeb, C. L. (2001). <i>Sigmund Freud: chaves-resumo das obras completas</i>    (Guia de Consulta R&aacute;pida dos 23 Volumes da Edi&ccedil;&atilde;o Standard).    S&atilde;o Paulo: Atheneu, 2001.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1545131&pid=S1676-7314200300020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="enderb"></a><a href="#ender"><img src="/img/revistas/psic/v4n2/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>    <br> E-mail: <a href="mailto:giovanibelintani@hotmail.com">giovanibelintani@hotmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Encaminhado em 27/08/03</i>    <br>   <i>Revisado em 11/11/03</i>    <br>   <i>Aceito em 29/12/03</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o autor:</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="*b"></a><a href="#*"><sup>*</sup></a> Giovani Belintani é Psicólogo graduado pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP). Integrante do Grupo de Estudos e de Atendimento Psicoterapêutico da Sé Catedral (GEAPSC). Psicólogo associado ao Centro Riopretense de Estudos Psicanalíticos de São José do Rio Preto (CREP).    <br> <a name="1b"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>Inquisição: "Tribunal permanente, distinto do ordinário, dirigido pelo bispo, encarregado pelo papado de lutar contra as heresias por meio do processo de Inquisição". (Larousse Cultural, 1999, p. 351).    <br> <a name="2b"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>Hipnotismo: "conjunto de técnicas que permite provocar um estado de hipnose". (Larousse Cultural, 1999, p. 495).    <br> <a name="3b"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a>Hipnose: "estado artificial provocado por sugestão, que se caracteriza por uma sucetibilidade aumentada pela influência do hipnotizador e por uma diminuição da receptividade às outras influências". (Larousse Cultural, 1999, p. 495).    <br> <a name="4b"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>Fantasia: "forma de realização de desejos encenada na imaginação". (Moore & Fine, 1992, p. 74).    <br> <a name="5b"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>Tina: "vaso grande de pedra ou de metal, para nele tomar banho". (Larousse Cultural, 1999, p. 872).    <br> <a name="6b"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>Ungüento: "nome que os antigos davam a substâncias aromáticas e a essências com que per-fumavam e embalsamavam os corpos; medicamento feito à base de resina, gorduras e princípios ativos diversos, para ser aplicado sobre a pele". (Larousse Cultural, 1999, p. 896).    <br> <a name="7b"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>Bigamia: "estado de bígame; aquele que tem, simultaneamente, dois cônjuges". (Larousse Cultural, 1999, p. 141).    <br> <a name="8b"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>Sodomia: "coito anal; pederastia". (Larousse Cultural, 1999, p. 835).    <br> <a name="9b"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>Associação livre: "método que consiste em exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que ocorrem ao espírito, quer a partir de um elemento dado (palavra, número, imagem de um sonho, qualquer representação), quer de forma espontânea". (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 38).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="10b"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>Atenção flutuante: "segundo Freud, modo como o analista deve escutar o analisando: não deve privilegiar a priori qualquer elemento do discurso dele, o que implica que deixe funcionar o mais livremente possível a sua própria atividade inconsciente e suspenda as motivações que dirigem habitualmente a atenção. Essa recomendação técnica constitui o correspondente da regra da associação livre proposta ao analisando". (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 40).    <br> <a name="11b"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>Catarse: "efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou traumatizante, até então reprimida". (Ferreira, 1988, p. 136).    <br> <a name="12b"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>Hidrofobia: "horror a água e a quaisquer líquidos". (Larousse Cultural, 1999, p. 492).    <br> <a name="13b"></a><a href="#13"><sup>13</sup></a>Transferência: "deslocamento de padrões de sentimentos, pensamentos e comportamentos, originalmente experienciados em relação a pessoas significativas durante a infância, para uma pessoa envolvida em um relacionamento interpessoal atual". (Moore & Fine, 1992, p. 208).    <br> <a name="14b"></a><a href="#14"><sup>14</sup></a>Contratransferência: "conjunto de reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste". (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 102).    <br> <a name="15b"></a><a href="#15"><sup>15</sup></a>Pulsão: "processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta". (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 394).    <br> <a name="16b"></a><a href="#16"><sup>16</sup></a>Recalque: "operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações) ligadas a uma pulsão". (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 430).</font></p>      ]]></body>
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