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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A alteridade da arte: estética e psicologia]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The alterity of art: aesthetics and psychology]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The problem of the relation between Psychology and Art is considered with reference to the limits of the field structured by the plastic arts and originated by the specificity of the "human order". Pareyson, Battaille and Merleau-Ponty lay the foundation of an idea of work of art as a reflexive field asking the interpreter to be opened to the new, thence alterity, a fundamental attitude for research in Social Psychology of Art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A alteridade da arte: est&eacute;tica e psicologia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The alterity of art: aesthetics and psychology</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jo&atilde;o A. Frayze&#45;Pereira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto de Psicologia &#45; USP</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre    a Psicologia e a Arte &eacute; considerada tendo por refer&ecirc;ncia os limites    do campo estruturado pelas artes pl&aacute;sticas, fundado pela especificidade    da "ordem humana", A teoria da arte como "formatividade"    (Pareyson), a interpreta&ccedil;&atilde;o da pintura rupestre como "milagre"    (Bataille) e a filosofia da pintura como "ontologia da vis&atilde;o"    (Merleau&#45;Ponty) fundamentam um pensamento que elabora uma concep&ccedil;&atilde;o    de obra de arte como campo reflexivo a solicitar do int&eacute;rprete a abertura    para o novo e, portanto, para a alteridade &#151;postura fundamental na pesquisa    em Psicologia Social da Arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Descritores:</b> Arte. Pintura (Arte). Est&eacute;tica    Percep&ccedil;&atilde;o. Psicologia Social.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"> The problem of the relation between Psychology    and Art is considered with reference to the limits of the field structured by    the plastic arts and originated by the specificity of the "human order".    Pareyson, Battaille and Merleau&#45;Ponty lay the foundation of an idea of work    of art as a reflexive field asking the interpreter to be opened to the new,    thence alterity, a fundamental attitude for research in Social Psychology of    Art.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Index terms:</b> Art Painting (Art). Aesthetics.    Perception. Social Psychology.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">A aproxima&ccedil;&atilde;o entre a Arte e a    Psicologia n&atilde;o &eacute; um movimento recente. Muito anterior ao pr&oacute;prio    advento da Psicologia como disciplina cient&iacute;fica, na verdade, em sua    origens, foi a pr&oacute;pria Est&eacute;tica que se abriu &agrave; Psicologia    que estava por vir:</font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">foi a perspectiva do Belo, como dom&iacute;nio      da sensibilidade, imediatamente relacionado com a percep&ccedil;&atilde;o,      os sentimentos e a imagina&ccedil;&atilde;o, que Baumgarten incorporou ao      conte&uacute;do dessa disciplina, o qual apareceu numa &eacute;poca em que      a Beleza e a Arte eram geralmente, ou marginalizadas pela reflex&atilde;o      filos&oacute;fica, que as tinha na conta de irrelevantes, ou consideradas      apenas sob o aspecto racional das normas aplic&aacute;veis ao reconhecimento      de uma e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da outra (Nunes, 1989, p. 12).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Formulada como disciplina no s&eacute;culo XVIII    por Baumgarten, a Est&eacute;tica baseava&#45;se na id&eacute;ia de que a Beleza    e seu reflexo nas Artes representavam um tipo de conhecimento sens&iacute;vel,    confuso e inferior ao racional, claro e distinto, isto &eacute;, ao conhecimento    voltado para a verdade. Posteriormente, atrav&eacute;s da Filosofia de Kant,    a quest&atilde;o do Belo ir&aacute; converter&#45;se na quest&atilde;o da "experi&ecirc;ncia    est&eacute;tica" que acabar&aacute; sendo diferentemente interpretada pelas    diversas tend&ecirc;ncias te&oacute;ricas do s&eacute;culo XIX. E, paulatinamente,    a Est&eacute;tica filos&oacute;fica abandonar&aacute; o dom&iacute;nio metaf&iacute;sico    para se aproximar do dom&iacute;nio experimental e psicol&oacute;gico. N&atilde;o    &eacute; dif&iacute;cil encontrar as raz&otilde;es dessa aproxima&ccedil;&atilde;o    da Psicologia. Na &eacute;poca, afirmava&#45;se que toda "experi&ecirc;ncia    est&eacute;tica" e, consequentemente toda a arte, se articulava segundo    dois p&oacute;los: um subjetivo (o sujeito, isto &eacute;, o artista ou o espectador    que sente e julga) e outro, objetivo (o objeto, isto &eacute;, aquelas manifesta&ccedil;&otilde;es    que condicionam ou provocam o que sentimos e julgamos). A Psicologia nascente    passou a se ocupar, quase exclusivamente, do aspecto subjetivo, valorizando    seus elementos heterog&ecirc;neos, como o prazer sens&iacute;vel, os impulsos,    os sentimentos e as emo&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, em 1876, na sua <i>Introdu&ccedil;&atilde;o    &aacute; Est&eacute;tica, </i>G.T. Fechner prop&ocirc;s, pela primeira vez,    o termo "est&eacute;tica indutiva", "de baixo" <i>(von unten),    </i>por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; antiga "est&eacute;tica metaf&iacute;sica"    que deduzia "de cima" <i>(von oben) </i>a "determina&ccedil;&atilde;o    conceptual da ess&ecirc;ncia objetiva do belo". O primeiro laborat&oacute;rio    de Psicologia, fundado por Wundt em Leipzig (1878), assinalou um marco importante    na hist&oacute;ria da Est&eacute;tica. Pode&#45;se dizer que o reino espec&iacute;fico    da Psico&#45;Est&eacute;tica Experimental nasce com Wundt, feita a ressalva de que    muitos predecessores contribu&iacute;ram para essa est&eacute;tica indutiva.    Nessa mesma medida, tamb&eacute;m seria um exagero dizer que Fechner inventou    a Est&eacute;tica Cient&iacute;fica. De qualquer maneira, o que importa ressaltar    &eacute; que o advento da Psicologia como disciplina est&aacute; diretamente    relacionado com a pesquisa de problemas cuja natureza &eacute; de ordem est&eacute;tica,    tais como, os do limiar est&eacute;tico do crescimento, da unidade na variedade,    da aus&ecirc;ncia de contradi&ccedil;&atilde;o, de clareza, de associa&ccedil;&atilde;o,    de contraste, etc. Mas, no tocante ao conhecimento da Arte ou do Belo, Fechner    reincide em teorias obscuras que nada possuem de experimental (Huisman, 1961).    Ali&aacute;s, tamb&eacute;m como observa Weber (1972, p.9) "apesar do ineg&aacute;vel    interesse de seus resultados, n&atilde;o    parece que o m&eacute;todo experimental tenha oferecido grandes contribui&ccedil;&otilde;es    &agrave; uma Ci&ecirc;ncia da Arte". Faltou a esses pesquisadores a condi&ccedil;&atilde;o    essencial para a pesquisa de quest&otilde;es est&eacute;ticas: a frequenta&ccedil;&atilde;o    da arte. (Munro, 1969).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, as correntes que privilegiaram    o aspecto objetivo da experi&ecirc;ncia est&eacute;tica focalizaram os elementos    materiais (sons, cores, linhas, volumes), as rela&ccedil;&otilde;es formais    puras (ritmo, harmonia, propor&ccedil;&atilde;o, simetria), as formas concretas    no espa&ccedil;o e no tempo, capazes de produzir efeitos est&eacute;ticos. E    entre essas correntes, as mais recentes, que consideram as obras de arte como    objetos est&eacute;ticos privilegiados, examinando&#45;as do ponto de vista de sua    estrutura, pretendem determinar&#45;lhes caracter&iacute;sticas essenciais e, s&oacute;    com base nesse levantamento, estabelecer conclus&otilde;es de ordem geral e    objetiva, aplic&aacute;veis a todas as artes. Tal &eacute; a ambi&ccedil;&atilde;o    de uma Ci&ecirc;ncia Geral da Arte, bem representada pelos te&oacute;ricos da    chamada Teoria da Pura Visibilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, se a tend&ecirc;ncia do pensamento alem&atilde;o,    desde o s&eacute;culo XVIII, foi a de decifrar a natureza do fen&ocirc;meno    art&iacute;stico (os estetas especulam sobre a natureza da arte e os historiadores    da arte empenham&#45;se em estabelecer biografias dos artistas, em atribuir e inventariar    obras, dat&aacute;&#45;las, situ&aacute;&#45;las na evolu&ccedil;&atilde;o dos estilos),    &eacute; da &Aacute;ustria que partir&aacute; o impulso para aprofundar o campo    de investiga&ccedil;&atilde;o da obra de arte. Assim, em Viena, surge um grupo    de grandes historiadores da arte entre os quais E. Gombrich e E. Panofsky, cuja    compreens&atilde;o de seu objeto de estudo, curiosamente, foi secundada pelo    fato de terem se inspirado nos psic&oacute;logos (os cursos de Psicologia da    Universidade eram frequentados por esses historiadores), contribuindo para a    elabora&ccedil;&atilde;o do conceito de Gestalt. Foram os professores da Escola    de Viena que fundaram o importante Instituto Warburg, transferido com a ascen&ccedil;&atilde;o    de Hitler, em 1933, para Londres. Ao mesmo tempo, R. Arnheim, que realizava    estudos sobre cinema, parte de Berlim para Roma, em seguida para Londres e,    finalmente, para os Estados Unidos, convidado a ocupar no Sarah Lawrence College,    N.Y., uma c&aacute;tedra de Psicologia da Arte criada para ele. Desenvolve&#45;se    a&iacute; o primeiro Laborat&oacute;rio de Estudos Gest&aacute;lticos dedicado    &agrave; Arte. Em Londres, recorrendo aos psic&oacute;logos (p.ex.: J. Gibson),    Gombrich desenvolveu a id&eacute;ia da Arte como "percep&ccedil;&atilde;o    solicitada", argumentando que uma ci&ecirc;ncia da Arte deve estar fundada    na Psicologia. Tamb&eacute;m em Londres, outro membro do Instituto Warburg,    Ernst Kris, dava continuidade ao trabalho que iniciara em Viena junto a Freud    sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre Psican&aacute;lise e Arte. J&aacute; na    Fran&ccedil;a, nessa mesma &eacute;poca, R. Huyghe (que era conservador do Louvre)    resignifica a Psicologia da Arte (conhecida atrav&eacute;s de H. Delacroix)    atrav&eacute;s de d&iacute;vidas te&oacute;ricas contra&iacute;das com os historiadores    da arte Emile M&acirc;le e Elie Faure (este tamb&eacute;m pressuposto pela Psicologia    da Arte de Malraux), ocupando em 1951 uma c&aacute;tedra de <i>Psicologia das    Artes Pl&aacute;sticas </i>no <i>Coll&egrave;ge de France (Bazin, 1986). </i>E,    entre n&oacute;s, &eacute; fundamental lembrar que j&aacute; em 1949, o cr&iacute;tico    Mario Pedrosa defende sua tese <i>Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte    </i>para a c&aacute;tedra de Hist&oacute;ria da Arte no Col&eacute;gio Pedro    II, Rio de Janeiro. Esse fato &eacute; digno de nota, pois essa tese representa    uma articula&ccedil;&atilde;o pioneira entre Psicologia da Gestalt e o universo    da artes, anterior mesmo &agrave; obra de Arnheim, assim como a pr&aacute;tica    terap&ecirc;utica inaugurada pela Dra. Nise da Silveira no Hospital Psiqui&aacute;trico    Pedro II (Engenho de Dentro, R.J.), nessa mesma &eacute;poca, realiza uma nova    aproxima&ccedil;&atilde;o entre Psicologia Anal&iacute;tica e Arte para o tratamento    de esquizofr&ecirc;nicos, distinta da an&aacute;lise mais freudiana que Os&oacute;rio    C&eacute;sar mantinha em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    pl&aacute;stica dos internos no Hospital do Juqueri (Franco da Rocha, S.P.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, vista em panor&acirc;mica, negligenciando    nomes e a exata cronologia, a Psicologia da Arte, em suas v&aacute;rias vertentes    (da experimental &agrave; psicanal&iacute;tica), aprofunda&#45;se e institucionaliza&#45;se    no in&iacute;cio dos anos 50. E a maior contribui&ccedil;&atilde;o que desse    movimento resulta &eacute; que n&atilde;o basta considerar apenas os dois p&oacute;los    da "experi&ecirc;ncia est&eacute;tica" &#151; o subjetivo e o objetivo.    N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel esquecer que o sentido inerente a ela n&atilde;o    reside apenas nos estados ps&iacute;quicos do sujeito, nem deriva dos objetos    como direta consequ&ecirc;ncia de suas qualidades f&iacute;sicas, pois a "experi&ecirc;ncia    est&eacute;tica" tem um profundo "car&aacute;ter valorativo".    Nesse contexto, que significa isso &#151; a "experi&ecirc;ncia est&eacute;tica"?    E exatamente que contribui&ccedil;&atilde;o &eacute; essa resultante da Psicologia    que se aproxima da Arte? Para tematizarmos essas quest&otilde;es, retomaremos    algumas id&eacute;ias por n&oacute;s mesmos elaboradas em outro momento (Frayze&#45;Pereira,    1984;1994), redirecionando&#45;as &agrave; luz de uma das c&eacute;lebres declara&ccedil;&otilde;es    de Marcel Duchamp &#151; "S&atilde;o os    espectadores que realizam as obras" (Junod, 1986, p.279) &#151;    frase de grande efeito que, em 1957, n&atilde;o foi compreendida e que se viu    retomada posteriormente pelos estudos de Est&eacute;tica da Recep&ccedil;&atilde;o    (Jauss, 1978). Ora, o campo de implica&ccedil;&otilde;es aberto por ela, entretanto,    &eacute; mais fecundo do que se pode supor: O exemplo que daremos a seguir,    retirado da m&iacute;dia recente, &eacute; ilustrativo, nesse sentido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em mar&ccedil;o de 1991, o <i>Caderno Ci&ecirc;ncia    </i>da Folha de S&atilde;o Paulo publicou um artigo intitulado: "Animais    usam pintura para fugir do t&eacute;dio", sugerindo que as pinturas produzidas    por macacos e elefantes em zool&oacute;gicos questionam a tradi&ccedil;&atilde;o    que as separa das cria&ccedil;&otilde;es pl&aacute;sticas humanas. Esse tipo    de compara&ccedil;&atilde;o, embora possa parecer resultar de pesquisas recentes,    n&atilde;o &eacute; uma novidade. Em 1961, desenhos de um primata foram expostos    numa galeria em Mil&atilde;o por iniciativa do pintor Francesco D'Areno, exposi&ccedil;&atilde;o    que deu lugar a uma discuss&atilde;o sobre as fronteiras da arte. E tr&ecirc;s    anos antes, isto &eacute;, em 1959, em S&atilde;o Francisco, Calif&oacute;rnia,    uma galeria de arte expusera quadros de um chimpanz&eacute; que foram comprados    por pequenas fortunas (Maccaulay, 1968, p.49).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, a tese subjacente a esses artigos e epis&oacute;dios    &eacute; a mesma: os animais t&ecirc;m capacidade e motiva&ccedil;&atilde;o    para as artes pl&aacute;sticas. Basta oferecer&#45;lhes tintas e pinc&eacute;is    que eles, inicialmente, passam a explor&aacute;&#45;los e, depois, a manchar telas    quando estas lhes s&atilde;o oferecidas. O l&uacute;dico caracteriza essa atividade    e, no artigo da Folha de S&atilde;o Paulo, o artista cuja pintura &eacute; comparada    &agrave; dos primatas &eacute; Willen De Kooning, um dos grandes pintores do    s&eacute;culo XX, um not&aacute;vel do abstracionismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Praticamente um ano antes dessa not&iacute;cia,    portanto em maio de 1990, igualmente no <i>Caderno Ci&ecirc;ncia, </i>publica&#45;se    um artigo intitulado: "Pintura rupestre n&atilde;o &eacute; a pr&eacute;&#45;hist&oacute;ria    da arte". O texto fala dos resultados das pesquisas da equipe que trabalha    em Paris, no laborat&oacute;rio do Museu do Louvre. Isto &eacute;, que "as    pinturas rupestres n&atilde;o s&atilde;o realizadas com meros pigmentos de base    e sim com uma sofisticada composi&ccedil;&atilde;o de elementos que n&atilde;o    tem nada de natural". N&atilde;o s&oacute; as t&eacute;cnicas utilizadas,    mas a pr&oacute;pria composi&ccedil;&atilde;o, conforme analisadas pela aparelhagem    sofisticad&iacute;ssima do Louvre, revelam a exist&ecirc;ncia de "um projeto    do artista anterior &agrave; pintura final,    isto &eacute;, que esta pintura n&atilde;o era imediata, mas pensada e bem acabada".    Por exemplo, al&eacute;m do &oacute;xido de ferro para obten&ccedil;&atilde;o    do vermelho e do &oacute;xido de mangan&ecirc;s ou carv&atilde;o de madeira    para o preto, esses primeiros artistas empregavam minerais adicionais (granito    e talco) que se destinavam &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o das obras, evitando    as rachaduras da pintura ao secar. Al&eacute;m disso, foram identificados diferentes    per&iacute;odos de trabalho dentro de uma mesma caverna. Mais do que isso, os    t&eacute;cnicos detectaram esbo&ccedil;os em carv&atilde;o por baixo das pinturas.    E, em suma, o conjunto dessas descobertas acabaram por levar os especialistas    a pensar que as cavernas, al&eacute;m de verdadeiros santu&aacute;rios, poderiam    ser compreendidas como complexos ateli&ecirc;s de pintura.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psicousp/v5n1-2/a04img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Esses artigos de jornal s&atilde;o, evidentemente,    muito simples. Mas por serem fundados em pesquisas cient&iacute;ficas, podem    ser levados a s&eacute;rio, surgindo da sua compara&ccedil;&atilde;o uma s&eacute;rie    de quest&otilde;es b&aacute;sicas que permitem realicer&ccedil;ar as poss&iacute;veis    rela&ccedil;&otilde;es entre a Psicologia e as Artes. Ou seja, se os macacos    s&atilde;o capazes da arte &#151; assim afirmam alguns espectadores (especialistas)    &#151; por qu&ecirc; ser&aacute; que suas manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    comparadas &agrave; pintura abstracionista, resultado de s&eacute;culos de hist&oacute;ria    da arte? Por qu&ecirc; n&atilde;o s&atilde;o comparadas &agrave; chamada arte    pr&eacute;&#45;hist&oacute;rica, por suposto muito mais pr&oacute;xima dos primatas,    na vertente evolucionista? Ser&aacute; que &eacute; porque a figura&ccedil;&atilde;o,    t&atilde;o elaborada j&aacute; nas pinturas rupestres, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    da parte desses seres pr&eacute;&#45;humanos? E se a figura&ccedil;&atilde;o &eacute;    imposs&iacute;vel no animal, se o primata s&oacute; &eacute; capaz de "abstra&ccedil;&otilde;es"    e se na rela&ccedil;&atilde;o entre estas n&atilde;o se verifica nenhuma filia&ccedil;&atilde;o    pl&aacute;stica ou gr&aacute;fica, seria o caso de usarmos o termo <i>arte </i>para    designar aquele tipo de produ&ccedil;&atilde;o pr&eacute;&#45;humana? Ser&aacute;    que podemos falar, nesse n&iacute;vel animal, de um est&aacute;gio ou de uma    etapa de um tipo de comportamento, o est&eacute;tico, que se verificaria de    modo mais complexo no homem? Ou ser&aacute; que o pr&oacute;prio comportamento,    suposto e implicado pela arte, &eacute; um tipo de comportamento inaugurado    com a humanidade?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Pensando nessas quest&otilde;es, acabamos sendo    levados a outra, mais geral e fundamental, para o in&iacute;cio de qualquer    debate sobre a arte. A pergunta &eacute;, justamente, o que se entende por Arte?    E essa quest&atilde;o &eacute; fundamental porque a partir dela &eacute; que    poderemos compreender o comportamento propriamente est&eacute;tico e especificar    melhor a rela&ccedil;&atilde;o entre a Psicologia e a Arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Se cada leitor pensar individualmente em alguns    exemplos de obras de arte, com toda certeza n&atilde;o hesitar&aacute; muito.    Todos n&oacute;s concordamos que a Monalisa de Leonardo Da Vinci &eacute; Arte,    que os Lus&iacute;adas de Cam&otilde;es &eacute; Arte, que um Noturno de Chopin    &eacute; Arte, que as pinturas no teto da Capela Sistina s&atilde;o Arte. Mas    se &eacute; f&aacute;cil encontrar exemplos de obras de arte, o mesmo n&atilde;o    ocorre quando se pensa nos crit&eacute;rios que levam algu&eacute;m a dizer    porque elas s&atilde;o Arte (Coli, 1981). Ou seja, &eacute; dif&iacute;cil dizer    o que &eacute; Arte, sobretudo quando vemos num desses livros ilustrados e bem    encadernados, os chamados livros de arte, refer&ecirc;ncias aos trabalhos desse    important&iacute;ssimo artista pl&aacute;stico contempor&acirc;neo, M. Duchamp,    entre os quais um aparelho sanit&aacute;rio de lou&ccedil;a, exatamente igual    aos existentes no mundo inteiro &#151; um objeto que passou a ser conservado em museu    e exposto &agrave; visita&ccedil;&atilde;o do chamado p&uacute;blico de arte.    No entanto, trata&#45;se de um objeto que n&atilde;o corresponde exatamente &agrave;    id&eacute;ia que se costuma ter da Arte. E se esse tipo de objeto nos questiona,    de qualquer maneira nossas incertezas acabam se acalmando quando, ap&oacute;s    ter buscado saber o que &eacute; arte na Teoria da Arte, percebemos que o campo    sem&acirc;ntico do termo &eacute; ele pr&oacute;prio incerto. E que os te&oacute;ricos    apontam como um dos aspectos da pr&oacute;pria Arte as dificuldades que apresenta    ao enquadramento numa defini&ccedil;&atilde;o fixa, positiva. Isto &eacute;,    os te&oacute;ricos encontram dificuldades para delimitar as fronteiras da pr&oacute;pria    Arte, pois, de um lado, a Arte n&atilde;o teve sempre, nem em toda a parte,    o mesmo estatuto, o mesmo conte&uacute;do e a mesma fun&ccedil;&atilde;o. O    que se verifica ainda hoje... De outro lado, independentemente de qualquer pressuposto    s&oacute;cio&#45;cultural, desconfia&#45;se hoje muito da palavra arte. O campo recoberto    pelo conceito &eacute; extenso: entre "a obra&#45;prima e o esbo&ccedil;o,    o desenho do mestre e o desenho da crian&ccedil;a, o canto e o grito, o som    e o ru&iacute;do, a dan&ccedil;a e a gesticula&ccedil;&atilde;o, o objeto e    o acontecimento", &eacute; dif&iacute;cil tra&ccedil;ar uma fronteira e    at&eacute; poder&iacute;amos nos perguntar se vale a pena tra&ccedil;ar essa    fronteira. "Porque n&atilde;o s&atilde;o apenas as teorias da arte que    hesitam em atribuir&#45;lhe uma ess&ecirc;ncia, mas a pr&oacute;pria pr&aacute;tica    dos artistas &eacute; que desmente a todo momento qualquer defini&ccedil;&atilde;o".    Assim, uma defini&ccedil;&atilde;o da arte n&atilde;o deve procurar contrariar    esse "movimento de auto&#45;contesta&ccedil;&atilde;o e de inven&ccedil;&atilde;o"    que orienta a arte e que "a torna literalmente inapreens&iacute;vel"    (Dufrenne, 1982, p.8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Um erro muito freq&uuml;ente &eacute; considerar    a Arte ou admitir como conceito geral e definidor da Arte um programa particular    de arte, uma po&eacute;tica. Segundo o grande esteta italiano Pareyson (1984,    p.24&#45;5), esse engano &eacute; freq&uuml;ente e consiste em tomar a parte pelo    todo, por exemplo, quando se diz que a Arte &eacute; express&atilde;o do eu    profundo do artista sem se dar conta que essa &eacute; uma id&eacute;ia que    surge com o Romantismo no come&ccedil;o do s&eacute;culo XIX, e n&atilde;o antes.    Para evitar esse equivoco, muitos estudiosos admitem uma defini&ccedil;&atilde;o    que possua um car&aacute;ter negativo, isto &eacute;, que impe&ccedil;a a busca    de uma defini&ccedil;&atilde;o "real", de ess&ecirc;ncia ou de qualquer    ser oculto, como durante s&eacute;culos fizeram todas as po&eacute;ticas, afirmando    que a arte &eacute; intui&ccedil;&atilde;o ou forma, que &eacute; id&eacute;ia    ou express&atilde;o, que &eacute; isto ou aquilo, sempre na ilus&atilde;o por    parte de cada uma dessas posi&ccedil;&otilde;es de ter sido esta e n&atilde;o    as outras a que capturou com sua rede conceptual "a pr&oacute;pria universalidade    da arte, toda arte e para sempre" (Formaggio, 1981, p.9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, se considerarmos historicamente as    defini&ccedil;&otilde;es da Arte, segundo Pareyson (1984, p.29&#45;33), podemos    orden&aacute;&#45;las basicamente em tr&ecirc;s categorias: arte entendida como    <i>fazer, </i>arte entendida como <i>exprimir, </i>arte entendida como <i>conhecer.    </i>S&atilde;o concep&ccedil;&otilde;es que ora se op&otilde;em, ora se combinam,    mas que <i>grosso modo </i>apontam para contextos hist&oacute;ricos bastante    distintos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, a primeira concep&ccedil;&atilde;o    &#151; a arte entendida como fazer &#151; prevaleceu na Antig&uuml;idade, quando o aspecto    fabril, manual, executivo, era acentuado. Com o Romantismo permaneceu a segunda    &#151; a beleza n&atilde;o era compreendida como adequa&ccedil;&atilde;o a um modelo    exterior, mas pela &iacute;ntima coer&ecirc;ncia das figuras art&iacute;sticas    com o sentimento que as inspirava e suscitava. E foi no Renascimento que prevaleceu    a terceira maneira de conceber a arte &#151; a arte como vis&atilde;o da realidade,    ora da realidade sens&iacute;vel, ora de uma realidade metaf&iacute;sica superior,    mais verdadeira, ou de uma realidade espiritual mais &iacute;ntima, profunda,    emblem&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Seria poss&iacute;vel dizer que a Arte encerra    todos esses atributos. No entanto, &eacute; preciso observar mais de perto os    pr&oacute;prios termos envolvidos nessas defini&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Se considerarmos a primeira defini&ccedil;&atilde;o,    <i>arte &eacute; express&atilde;o, </i>teremos que admitir, no entanto, que    todas as opera&ccedil;&otilde;es humanas s&atilde;o mais ou menos expressivas,    isto &eacute;, que toda obra humana cont&eacute;m a espiritualidade e a personalidade    de quem a realizou e a ela se dedicou e que, nesse sentido, <i>a arte &eacute;,    tamb&eacute;m, opera&ccedil;&atilde;o expressiva. </i>E que n&atilde;o &eacute;    esse aspecto que a caracteriza essencialmente. Dizer, por exemplo, que <i>arte    &eacute; express&atilde;o de sentimentos </i>&#151; pode ter sentido no plano de    um particular programa de arte (isto &eacute;, no plano de <i>uma po&eacute;tica),    </i>mas n&atilde;o no plano da <i>est&eacute;tica, </i>quer dizer, no plano    de uma concep&ccedil;&atilde;o geral de arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Esse mesmo tipo de reflex&atilde;o vale para    a concep&ccedil;&atilde;o que diz <i>ser a arte conhecimento, </i>isto &eacute;,    que h&aacute; um componente cognitivo na arte. Mas, sabemos, se a arte pode    chegar a se fazer ci&ecirc;ncia como em Leonardo Da Vinci, aquilo que se diz    da arte &#151; que ela &eacute; reveladora da verdadeira realidade das coisas &#151; pode&#45;se    dizer de outras atividades humanas, que no seu concreto exerc&iacute;cio, abrem    portas sobre a constitui&ccedil;&atilde;o da realidade: a Filosofia, a Ci&ecirc;ncia,    a Moral, a Religi&atilde;o...</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a <i>arte &eacute; tamb&eacute;m um fazer.    </i>E tamb&eacute;m aqui &eacute; preciso observar que todas as atividades humanas    t&ecirc;m esse lado executivo, que h&aacute; cria&ccedil;&atilde;o em outros    planos que n&atilde;o o art&iacute;stico. E, nesse momento, ainda estamos no    ponto zero, &agrave;s voltas com a quest&atilde;o da qual partimos: o que &eacute;    a Arte?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Pensar a articula&ccedil;&atilde;o exprimir &#151;    conhecer &#151; fazer, rompendo com a atitude isolante, que opera com positividades,    &eacute;, atrav&eacute;s de Pareyson (1984), a maneira de nos aproximarmos de    uma resposta que d&ecirc; conta da concretude da arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, a arte &eacute; necessariamente expressiva    enquanto &eacute; <i>forma, </i>isto &eacute;, um ser que "vive por conta    pr&oacute;pria e cont&eacute;m tudo o que deve conter". E esta afirma&ccedil;&atilde;o    significa que "a forma &eacute; expressiva enquanto o seu <i>ser </i>&eacute;    um <i>dizer". </i>Nesse sentido, ela n&atilde;o tem um significado, mas    <i>&eacute; </i>um significado. E, a partir da&iacute; entende&#45;se porque a arte    &eacute; tamb&eacute;m um conhecer, pois ao revelar um sentido das coisas, o    faz de modo particular, ensinando uma <i>nova </i>maneira de perceber a realidade.    Esse novo olhar &eacute; revelador porque &eacute; construtivo, isto &eacute;,    formador. Nessa medida &eacute; um olhar    que se prolonga no fazer, "como o olho do pintor cujo ver j&aacute; &eacute;    um pintar" <i>(Idem, </i>p.31).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Conclus&atilde;o: a arte &eacute; um fazer. Mas    &eacute; um fazer espec&iacute;fico. Ou seja, <i>"&eacute; um tal fazer    que, enquanto faz, inventa o por fazer e o modo de fazer</i>"<i>. </i>&Eacute;    uma atividade na qual execu&ccedil;&atilde;o e inven&ccedil;&atilde;o caminham    paralelamente, simultaneamente e de modo insepar&aacute;vel. Assim, na arte    concebe&#45;se executando, projeta&#45;se fazendo, executa&#45;se encontrando a regra, j&aacute;    que a obra existe s&oacute; quando &eacute; acabada. Isto &eacute;, n&atilde;o    h&aacute; arte sem obra, entendida inicialmente como objeto sens&iacute;vel    que &eacute; inventado ao ser feito. A sua realiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; um <i>facere, </i>mas um <i>per&#45;f&iacute;cere, </i>isto &eacute;, um    acabar, um levar a termo de modo t&atilde;o radical que o resultado &eacute;    um ser inteiramente novo e irrepet&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o essas, em suma, as caracter&iacute;sticas    da <i> forma: </i>"exemplar na sua perfei&ccedil;&atilde;o, singular&iacute;ssima    na sua originalidade". Portanto, a arte &eacute; uma atividade que &eacute;    um <i>formar, </i>isto &eacute;, um executar que &eacute; um inventar. <i>(Idem,    </i>p.32). Nesse sentido, se a obra de arte &eacute; <i>forma, </i>a atividade    art&iacute;stica <i>&eacute; formatividade, </i>na medida em que &eacute; o    resultado de um processo de perfei&ccedil;&atilde;o. A obra &eacute; perfeita    exatamente na medida em que o por fazer e o como fazer foram levados a termo    plenamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, o modo como os homens concebem a arte    e a atividade art&iacute;stica, isto &eacute;, a forma e a formatividade, concretamente,    &eacute; uma outra hist&oacute;ria: a hist&oacute;ria da arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Uma maneira abrangente de se compreender a arte,    portanto, teria que levar em conta a sua particularidade, definida pela sua    historicidade. Assim, por exemplo, um outro pensador italiano importante &#151; Formaggio    (1981, p.9) &#151; define arte dizendo o seguinte: "arte &eacute; tudo aquilo    a que os homens na hist&oacute;ria chamaram e chamam arte". Como se pode    observar, trata&#45;se de uma defini&ccedil;&atilde;o que permite a pr&oacute;pria    verifica&ccedil;&atilde;o do conceito de arte, isto &eacute;, ela suscita uma    s&eacute;rie de interroga&ccedil;&otilde;es que come&ccedil;a com a seguinte    pergunta: como se constitui aquilo a que os homens chamam arte? E esta indaga&ccedil;&atilde;o    gera outras: que significa "aquilo", que "homens" s&atilde;o    esses, qual a "validade desses discursos" e, principalmente, "a    que hoje os homens chamam arte". Trata&#45;se, portanto, de um questionamento    que nos leva necessariamente a admitir,    lembrando Foucault (1972), que &eacute; somente na hist&oacute;ria que se poder&aacute;    descobrir o &uacute;nico <i>a priori </i>concreto a partir do qual a arte assume    seus contornos necess&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Claro deve estar, a partir dessa breve apresenta&ccedil;&atilde;o    da problem&aacute;tica conceituai encerrada pelo termo arte, que o terreno no    qual se deve fundamentar qualquer pesquisa que envolve o processo art&iacute;stico    &eacute; o tra&ccedil;ado pela hist&oacute;ria da arte. Esse &eacute; o ponto    de partida indiscut&iacute;vel de qualquer pesquisa sobre a arte. E a partir    dele fica imposs&iacute;vel pensar a arte em geral. E isso porque, como j&aacute;    sabemos, falar sobre a Arte em geral &eacute; correr o risco de falar sobre    o nada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa medida, quando o desejo &eacute; o de estabelecer    um di&aacute;logo com a arte, h&aacute; que se reconhecer o ponto b&aacute;sico    do qual qualquer pesquisa deve partir: a obra de arte. Afinal, "a arte    existe para ser percepcionada" (Argan, 1982, p.109). Contudo, percebemos    muitos objetos que nada t&ecirc;m de art&iacute;sticos. Quer dizer,</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">a percep&ccedil;&atilde;o orientada para a      arte, tenta comunicar&#45;nos algo diferente do que nos &eacute; comunicado pela      percep&ccedil;&atilde;o normal, projeto que se evidencia no modo de elabora&ccedil;&atilde;o      das coisas que os artistas oferecem &agrave; nossa percep&ccedil;&atilde;o,      ou seja, nas t&eacute;cnicas art&iacute;sticas <i>(Idem).</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Essas t&eacute;cnicas que s&oacute; podem ser    postas em pr&aacute;tica tendo em vista certos materiais, junto com estes, variam    conforme as &eacute;pocas e os lugares. E esse fato &#151; embora n&atilde;o seja    decisivo na determina&ccedil;&atilde;o de um objeto como obra de arte, pois    para isso concorrem, al&eacute;m do artista e dos meios que emprega, tamb&eacute;m    a cr&iacute;tica, o p&uacute;blico, o mercado e, em suma, todos os espa&ccedil;os    institucionais da arte (museus, galerias, etc.) &#151; permite&#45;nos observar novamente    que &eacute; praticamente imposs&iacute;vel definir para a arte um esquema ou    um programa de realiza&ccedil;&atilde;o universal e invari&aacute;vel. Vejamos    um exemplo fundado na contemporaneidade quando, &eacute; bem evidente, &eacute;    imposs&iacute;vel manter a unicidade da arte para falarmos da Arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, de um lado, encontramos os expressionistas    abstratos dos anos 40&#45;50 que reviveram</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">uma concep&ccedil;&atilde;o rom&acirc;ntica      do artista, como um homem concomitantemente pertencente e contr&aacute;rio      ao seu tempo e que d&aacute; forma aos conflitos mais profundos de sua &eacute;poca,      e que al&eacute;m dessa concep&ccedil;&atilde;o rom&acirc;ntica do artista      defendiam que uma era violenta exigia uma arte violenta (Lasch, 1986, p. 133).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">De outro lado, h&aacute; que se considerar a    sensibilidade minimalista que se originou de um esp&iacute;rito de redu&ccedil;&atilde;o    e reflete um sentimento de que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para a arte    e de que a sociedade moderna, como a arte moderna, aproxima&#45;se do fim do caminho.    Se considerarmos esses dois movimentos, veremos que, de um ao outro, temos o    contempor&acirc;neo e possibilidades de se pensar o indiv&iacute;duo, os tempos    modernos e a pr&oacute;pria arte segundo modos distintos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Numa confer&ecirc;ncia pronunciada em 1951, o    pintor franc&ecirc;s Jean Dubuffet antecipou os tra&ccedil;os principais da    sensibilidade minimalista, ao defender a "completa liquida&ccedil;&atilde;o    de todas as formas de pensamento, cujo conjunto constitui o que se designou    'humanismo' e que foi fundamental para a nossa cultura, desde o Renascimento".    Segundo Dubuffet, o artista deve suprimir a assinatura pessoal de sua obra.    Se ele pinta um retrato, insiste, deve procurar libertar o retrato de quaisquer    tra&ccedil;os pessoais. Trata&#45;se de fazer uma arte impessoal que rejeita o primitivismo,    o surrealismo e o expressionismo abstrato com veem&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa linha, Ad Reinhardt, pintor americano que    de 1957 a 1967 n&atilde;o pintou outra coisa sen&atilde;o composi&ccedil;&otilde;es    em negro, no texto <i>Doze regras para uma nova academia </i>(1957), dizia o    seguinte:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">nenhuma textura, nenhum trabalho de pincel      ou caligrafia, nenhum esbo&ccedil;o ou desenho (...) nenhuma forma, desenho,      cor, luz, espa&ccedil;o, tempo, movimento, dimens&atilde;o ou escala, nenhum      objeto, nenhum sujeito; nenhum tema; nenhum s&iacute;mbolo; imagem ou signo;      nem prazer, nem dor (Lasch, 1986, p.133).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">De outro lado, Mark Rothko, com a s&eacute;rie    de trabalhos em negro semelhantes aos de Reinhardt, destacava estar interessado    somente em "expressar as emo&ccedil;&otilde;es humanas e em comunic&aacute;&#45;las    aos outros". Uma compara&ccedil;&atilde;o entre as pinturas em negro de    Reinhardt e as de Rothko</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">mostra a diferen&ccedil;a entre uma arte que,      tendo renunciado &agrave; esperan&ccedil;a de impor a ordem do artista ao      mundo, apega&#45;se, no entanto, &agrave; individualidade, como a &uacute;nica      fonte de continuidade num meio circundante      de outro modo ca&oacute;tico, e uma arte que, por outro lado, renuncia &agrave;      pr&oacute;pria possibilidade de uma vida interior (Lasch, 1986, p.134).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psicousp/v5n1-2/a04img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Eliza Rothbone as pinturas em negro de    Rothko "mant&ecirc;m sua preocupa&ccedil;&atilde;o com uma experi&ecirc;ncia    humanamente vivida". A &uacute;nica id&eacute;ia desse artista &eacute;    a de "uma experi&ecirc;ncia que possa se expandir na resposta do espectador,    ao passo que Reinhardt recusa qualquer interc&acirc;mbio desse tipo entre possibilidades    interpretativas". Para Reinhardt "a op&ccedil;&atilde;o pelo negro    foi o &uacute;ltimo passo para evitar qualquer uso da cor..." (Idem).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, admitindo que &eacute; quase imposs&iacute;vel    manter a unidade da arte na contemporaneidade, dada a multiplicidade das po&eacute;ticas    existentes, como compreender que todas elas sejam arte, ou melhor, que Reinhardt    e Rotko, por exemplo, representem <i>modos diferentes </i>de se fazer arte,    ou diferencia&ccedil;&otilde;es da arte, e que as express&otilde;es dos demais    primatas n&atilde;o fazem parte desse processo que justamente admite tantas    varia&ccedil;&otilde;es? Para compreendermos esta quest&atilde;o, ser&aacute;    preciso entendermos que tipo de comportamento &eacute; esse, pressuposto e implicado    pela arte, que se verifica na "ordem humana". E, nesse instante, a    indaga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais hist&oacute;rica, cultural    ou psicol&oacute;gica. Ela &eacute;, antes, uma quest&atilde;o filos&oacute;fica.    Entre os pensadores contempor&acirc;neos, Maurice Merleau&#45;Ponty &eacute; talvez    aquele que mais radicalmente considerou essa quest&atilde;o, elaborando uma    Filosofia na qual o "comportamento est&eacute;tico" tem um valor ontol&oacute;gico    fundamental.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>A Estrutura do Comportamento </i>(1942),    o fil&oacute;sofo distingue a "ordem humana", a "ordem f&iacute;sica"    e a "ordem vital". E a "ordem humana" &eacute; definida    por uma "estrutura simb&oacute;lica" cujo equil&iacute;brio n&atilde;o    se verifica como conserva&ccedil;&atilde;o de uma ordem dada (ordem f&iacute;sica),    nem como adapta&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das virtualidades do organismo    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es atuais (ordem vital), mas em virtude da possibilidade    de ultrapassar a imediatez das situa&ccedil;&otilde;es e criar uma situa&ccedil;&atilde;o    nova tendo em vista algo que est&aacute; ausente. O s&iacute;mbolo justamente    &eacute; o que exprime esse tipo de estrutura&ccedil;&atilde;o onde a a&ccedil;&atilde;o    se orienta para o virtual, orienta&ccedil;&atilde;o que se presentifica na percep&ccedil;&atilde;o,    na linguagem e no trabalho. A "estrutura simb&oacute;lica" define&#45;se,    ent&atilde;o, por um movimento de transcend&ecirc;ncia que confere &agrave;    exist&ecirc;ncia humana o poder de ultrapassar    o dado, encontrando para ele um sentido novo atrav&eacute;s de uma a&ccedil;&atilde;o    orientada em fun&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel. "Por isso mesmo,    diz Chau&iacute; (1974), somente nessa dimen&ccedil;&atilde;o &eacute; que se    poder&aacute; falar em <i>hist&oacute;ria </i>propriamente dita" .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel tratar    dessas distin&ccedil;&otilde;es com a minucia que elas exigem, no espa&ccedil;o    deste artigo, algo que j&aacute; fizemos em outro trabalho (Frayze&#45;Pereira,    1984), cabe citar deste apenas uma passagem para esclarecer um pouco mais a    quest&atilde;o que nos interessa.</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">A transcend&ecirc;ncia j&aacute; descoberta          no plano vital &eacute;, na ordem humana, conservada e ultrapassada, pois          a peculiaridade da 'estrutura simb&oacute;lica' &eacute; ser reflexionante.          Trata&#45;se de uma reflex&atilde;o que, como sabemos, ocorre primordialmente          no corpo, propagando&#45;se nas coisas e instaurando entre ele e elas uma rela&ccedil;&atilde;o          expressiva. &Eacute; o corpo reflexivo, portanto, que inaugura a 'estrutura          simb&oacute;lica', destruindo a oposi&ccedil;&atilde;o subjetivo/objetivo.      ]]></body>
<body><![CDATA[    &Eacute;, nesse sentido, imposs&iacute;vel distinguir nessa dimens&atilde;o          meios e fins como elementos separados. A a&ccedil;&atilde;o humana s&oacute;          poder&aacute; ser apreendida concretamente atrav&eacute;s de uma estrutura          que rompe com a exterioridade entre meios e fins. Diz&#45;nos Merleau&#45;Ponty (1942,          p.188): 'sem d&uacute;vida, o vestu&aacute;rio, a moradia, servem para nos          proteger do frio; a linguagem ajuda o trabalho coletivo e a an&aacute;lise          do 's&oacute;lido inorg&acirc;nico'. Mas, o ato de se vestir torna&#45;se o ato          de enfeite ou, ainda, o do pudor, e revela uma nova atitude para consigo mesmo          e para com o outro. Somente os homens v&ecirc;em que est&atilde;o nus. Na          casa que constr&oacute;i para si, o homem projeta e realiza seus valores preferidos.      ]]></body>
<body><![CDATA[    O ato da palavra exprime, enfim, que deixa de aderir imediatamente ao meio,          eleva&#45;o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de espet&aacute;culo, e apodera&#45;se          dele (...) pelo conhecimento propriamente dito'. A estrutura que vincula meios          e fins determina a g&ecirc;nese da a&ccedil;&atilde;o como transforma&ccedil;&atilde;o          do dado em fins, e destes, em meios para novos fins (Chau&iacute;, 1974).          A ponte constru&iacute;da pelo castor reitera&#45;se num processo c&iacute;clico          a perdurar nas suas condi&ccedil;&otilde;es naturais. &Eacute; um objeto que          n&atilde;o tem sentido sen&atilde;o na sua rela&ccedil;&atilde;o vital com          o comportamento do organismo. Do mesmo modo, se o chimpanz&eacute; &eacute;          capaz de conferir valor instrumental a um galho de &aacute;rvore, jamais chega      ]]></body>
<body><![CDATA[    a construir instrumentos a servir&#45;lhe para repor outros. Ademais, no galho          de &aacute;rvore transformado em bast&atilde;o, o galho &eacute; suprimido          enquanto tal. 'Para o homem, ao contr&aacute;rio, o galho de &aacute;rvore          transformado em bast&atilde;o permanecer&aacute; justamente um galho&#45;de&#45;&aacute;rvore&#45;transformado&#45;em&#45;bast&atilde;o,          uma mesma <i>coisa </i>com duas fun&ccedil;&otilde;es diferentes, vis&iacute;vel          <i>para ele </i>sob uma pluralidade de aspectos. O poder de escolher          e de fazer variar os pontos de vista permite&#45;lhe criar instrumentos, n&atilde;o          sob a press&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de fato, mas para um uso          virtual e em particular para fabricar outros' (Merleau&#45;Ponty, 1942, p.190).          A a&ccedil;&atilde;o propriamente humana n&atilde;o pode ser reduzida &agrave;      ]]></body>
<body><![CDATA[    a&ccedil;&atilde;o vital. O galho transfigurado em bast&atilde;o adquire para          o agente a forma de um instrumento de trabalho, trabalho este que os consome          no processo ao mesmo tempo que rep&otilde;e novos instrumentos. E &eacute;          dessa maneira que o galho de &aacute;rvore dado desaparece no bast&atilde;o.          E &eacute; este o sentido do trabalho, isto &eacute;, o reconhecimento para          al&eacute;m do mundo atual de um mundo de possibilidades (Merleau&#45;Ponty, 1942,          p.190). E estas s&atilde;o possibilidades do corpo e das coisas. Escreve Bosi          (1977, p.55): 'morar &eacute; poss&iacute;vel porque m&atilde;os firmes de          pele dura amassam o barro, empilham pedras, atam bambus, assentam tijolos,          aprumam o fio, tran&ccedil;am ripas, diluem a cal virgem, moldam o concreto,      ]]></body>
<body><![CDATA[    argamassam juntas, desempenam o reboco, armam o madeirame, cobrem com telha,          goivo ou sap&eacute;, pregam ripas no forro, pregam t&aacute;buas no assoalho,          rejuntam azulejos, abrem portas, recortam janelas, chumbam batentes, d&atilde;o          &agrave; pintura a &uacute;ltima dem&atilde;o'. A casa n&atilde;o est&aacute;          em pot&ecirc;ncia como forma indeterminada na mat&eacute;ria. Depende de um          ato de viol&ecirc;ncia atrav&eacute;s do qual se extraem da mat&eacute;ria,          mediante a visualiza&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva (a casa), possibilidades          que a transformam e viabilizam o seu uso. O ciclo natural se rompe na medida          em que a a&ccedil;&atilde;o humana &#151; na qual o agente se encontra corporalmente          engajado e com dom&iacute;nios ampliados mediante o uso de instrumentos &#151;      ]]></body>
<body><![CDATA[    n&atilde;o &eacute; mera negatividade, mas negatividade formadora: projeta          'objetos de uso' ('a vestimenta, a mesa, o jardim') e 'objetos culturais'          ('o livro, o instrumento de m&uacute;sica, a linguagem'), que constituem o          meio propriamente humano e fazem emergir um ciclo in&eacute;dito de comportamentos          (Merleau&#45;Ponty, 1942, p. 175). S&atilde;o esses os objetos que inicialmente          comp&otilde;em o campo da percep&ccedil;&atilde;o. E mesmo quando a percep&ccedil;&atilde;o          se orienta para 'objetos naturais' &eacute;, ainda, atrav&eacute;s de objetos          humanos (por exemplo: a linguagem) que ela os visa. E isto &eacute; poss&iacute;vel          porque o homem n&atilde;o &eacute; uma coisa e nem um ser que se perde nas          transforma&ccedil;&otilde;es reais que opera sem poder reproduzi&#45;las: 'tem      ]]></body>
<body><![CDATA[    o privil&eacute;gio de relacionar&#45;se com outra coisa diferente dele pr&oacute;prio,          porque n&atilde;o &eacute; simplesmente, mas 'existe' (Merleau&#45;Ponty, 1966,          p.227). Na 'estrutura simb&oacute;lica', o corpo humano deixa, portanto, de          aderir ao meio da maneira como o animal adere. Ademais, esse corpo j&aacute;          n&atilde;o est&aacute; sozinho. Encontra&#45;se situado entre outros corpos tamb&eacute;m          situados, de sorte que a a&ccedil;&atilde;o humana aqui referida &eacute;          tomada no seu sentido particular e concreto. O agente n&atilde;o &eacute;          a subjetividade, mas uma intersubjetividade , de modo que 'o conhecimento          se encontra recolocado na totalidade da <i>praxis </i>humana e lastreado por          ela' (Merleau&#45;Ponty, 1966, p.237). Nesse sentido, 'o que define o homem n&atilde;o      ]]></body>
<body><![CDATA[    &eacute; a capacidade para criar uma segunda          natureza &#151; econ&ocirc;mica, social, cultural &#151; para al&eacute;m da natureza          biol&oacute;gica, &eacute; sobretudo o poder de ultrapassar as estruturas          criadas criando outras' (Merleau&#45;Ponty, 1942, p.189). &Eacute; um poder de          transcend&ecirc;ncia que p&otilde;e o agente humano como um ser hist&oacute;rico.          Ou seja, 'a dial&eacute;tica humana &eacute; amb&iacute;g&uuml;a: ela se manifesta          inicialmente atrav&eacute;s das estruturas sociais ou culturais que faz aparecer          e nas quais se aprisiona. Mas seus objetos de uso e seus objetos culturais          n&atilde;o seriam o que s&atilde;o se a atividade que os fez aparecer n&atilde;o          tivesse tamb&eacute;m como sentido neg&aacute;&#45;los e ultrapass&aacute;&#45;los' (Merleau&#45;Ponty, 1942, p.190 &#151; grifos do autor omitidos). Assim, com      ]]></body>
<body><![CDATA[    a 'estrutura simb&oacute;lica' marca&#45;se o advento da l&oacute;gica da express&atilde;o          mediante a qual o significante e o significado n&atilde;o se vinculam com          base numa associa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, por sua vez fundada na          situa&ccedil;&atilde;o imediata e limitada que circunda o agente. Isto &eacute;,          com a 'estrutura simb&oacute;lica' abre&#45;se a possibilidade de express&otilde;es          variadas de um mesmo tema; 'multiplicidade de perspectivas' (Merleau&#45;Ponty,          1942, p.133). (Frayze&#45;Pereira, 1984, p. 191&#45;4).</font></p>     </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, a estrutura simb&oacute;lica &eacute;    polarizada pelo "corpo enquanto unidade de condutas e n&uacute;cleo de    significa&ccedil;&otilde;es e pelas coisas, enquanto qualidades expressivas,    isto &eacute;, dotadas de sentido" (Chau&iacute;, 1974). Isto quer dizer    que a estrutura simb&oacute;lica &eacute; reflexionante, reflex&atilde;o que    ocorre primordialmente no corpo e n&atilde;o na consci&ecirc;ncia, situando&#45;se    o "para&#45;si" num dom&iacute;nio que sempre, filosoficamente, pertenceu    ao em&#45;si.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">O enigma &eacute; que meu corpo &eacute; simultaneamente      vidente e vis&iacute;vel. Ele, que olha todas as coisas, tamb&eacute;m pode      olhar&#45;se e reconhecer naquilo que v&ecirc; o 'outro lado' de sua pot&ecirc;ncia      vidente. Ele se v&ecirc; vendo, toca&#45;se tocando, &eacute; vis&iacute;vel e      sens&iacute;vel para si mesmo. &Eacute; um si, n&atilde;o por transpar&ecirc;ncia,      como o pensamento que s&oacute; pode pensar assimilando o pensado, constituindo&#45;o,      transformando&#45;o em pensamento, mas um si por confus&atilde;o, narcisismo,      iner&ecirc;ncia daquele que v&ecirc;, naquilo que v&ecirc;, daquele que toca      naquilo que toca (...). Vis&iacute;vel e m&oacute;vel, meu corpo est&aacute;      no n&uacute;mero das coisas, &eacute; uma delas, preso no tecido do mundo      e dotado da coes&atilde;o de uma coisa. Mas, porque v&ecirc; e se move, mant&ecirc;m      as coisas em c&iacute;rculo ao seu redor, s&atilde;o um anexo ou um prolongamento      dele mesmo, est&atilde;o incrustadas em sua carne, fazem parte de sua defini&ccedil;&atilde;o      plena, e o mundo &eacute; feito do pr&oacute;prio estofo do corpo (Merleau&#45;Ponty,      1964, p. 18&#45;9).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">E comentando Merleau&#45;Ponty, diz Chaui (1974):</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">a propaga&ccedil;&atilde;o da reflex&atilde;o      corporal nas coisas desdobra a &iacute;nterior&iacute;dade ou o sentido presente      nelas como neles. Quando o pintor diz que &eacute; visto pelas coisas ao inv&eacute;s      de serem as coisas vistas por ele, p&otilde;e a vis&atilde;o no pr&oacute;prio      mundo. Ou seja, h&aacute; uma visibilidade secreta nas coisas que se torna      visibilidade manifesta atrav&eacute;s de nosso corpo (...). A estrutura simb&oacute;lica,      portanto, p&otilde;e a reversibilidade do sujeito e do mundo como uma rela&ccedil;&atilde;o      expressiva. N&atilde;o h&aacute; coisas puras, mas coisas humanas, fisionomias,      valores. Os outros e as coisas se oferecem como polos do <i>desejo </i>e a      dial&eacute;tica humana nasce ai, na tentativa de apropria&ccedil;&atilde;o      e nega&ccedil;&atilde;o do mundo natural, fazendo emergir o mundo humano da      linguagem e do trabalho.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em outras palavras, dir&iacute;amos, &eacute;    a&iacute; que nasce o mundo da arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, sabemos que a arte &eacute; um fazer    formativo, isto &eacute;, trabalho. Mas, sabemos tamb&eacute;m que &eacute;    um fazer expressivo, significante, quer dizer, linguagem. Ora, como o s&iacute;mbolo    exprime justamente um tipo de estrutura&ccedil;&atilde;o onde a a&ccedil;&atilde;o    visa o que est&aacute; ausente, a linguagem e o trabalho podem aparecer no mundo    humano e com elas a dimens&atilde;o do sentido. Nessa medida, percebemos que    &eacute; desde o seu pr&oacute;prio corpo que o homem se diferencia dos outros    seres. E mais, que &eacute; atrav&eacute;s desse corpo, vidente&#45;vis&iacute;vel,    que se abre o campo das significa&ccedil;&otilde;es picturais, campo aberto    desde o momento em que um homem surgiu no mundo. &Eacute;, nesse sentido, que    o historiador da arte Th&eacute;voz (1984, p.7) tamb&eacute;m pensa ser o homem    diferente dos outros seres, isto &eacute;, por seu corpo, pois o homem &eacute;    um ser que se situa numa rela&ccedil;&atilde;o amb&iacute;g&uuml;a com sua pr&oacute;pria    imagem, ambig&uuml;idade que o leva a retocar seu corpo de m&uacute;ltiplas    maneiras, deformando&#45;o, mutilando&#45;o, ornamentando&#45;o atrav&eacute;s de tatuagens,    escarifica&ccedil;&otilde;es, maquilagem, cirurgia pl&aacute;stica... E pode    ser que essa tend&ecirc;ncia auto&#45;pl&aacute;stica sugira a alguns a raiz vital    da pr&oacute;pria arte. No entanto, se o homem nasce prematuramente, com uma    pele muito fina, muito fr&aacute;gil, muito pura e que, por isso, pede uma prote&ccedil;&atilde;o    artificial, esta n&atilde;o &eacute; apenas f&iacute;sica, mas, sobretudo, simb&oacute;lica.    Quer dizer, ao nascer, o homem fica exposto num duplo sentido: aos perigos,    mas tamb&eacute;m aos olhares. Ele &eacute; com toda certeza o &uacute;nico    animal que nasce n&uacute; e que faz de sua pele uma superf&iacute;cie a pintar    &#151; superf&iacute;cie na qual gradualmente se inscreve sua identidade que, por    exemplo, a tela, epiderme ultra&#45;sens&iacute;vel, atrav&eacute;s da pintura e    de toda a arte, ir&aacute; ampliar. Assim, o que permitir&aacute; ao homem se    dizer diferente de todos os outros seres, de um modo definitivo, assume na hist&oacute;ria    a forma espetacular de um milagre, n&atilde;o o milagre grego, mas o "milagre    de Lascaux" (Bataille, 1955, p.ll). Desse ponto de vista, que significa    Lascaux ?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Lascaux constitui o primeiro signo sens&iacute;vel    que nos foi legado do v&iacute;nculo entre a humanidade e a arte. H&aacute;    em Lascaux uma figura&ccedil;&atilde;o in&uacute;til de signos que seduzem,    que nasceram da emo&ccedil;&atilde;o e ainda se dirigem a ela, atrav&eacute;s    dos contornos de uma determinada Forma: trata&#45;se de uma arte naturalista, mas    de um naturalismo que atinge, exprimindo&#45;o com exatid&atilde;o, aquilo que no    animal &eacute; maravilhoso, uma beleza sobrenatural. Para Bataille (1955),    o homem de Lascaux tirou do nada&#45;art&iacute;stico, isto &eacute;, criou literalmente    o mundo art&iacute;stico e com este inaugurou a hist&oacute;ria da "comunica&ccedil;&atilde;o    dos esp&iacute;ritos". &Eacute; em Lascaux que tem in&iacute;cio a hist&oacute;ria    da arte, pois os homens que a&iacute; viveram instauraram um sofisticad&iacute;ssimo    processo de comunica&ccedil;&atilde;o, um la&ccedil;o intersubjetivo com uma    long&iacute;nq&uuml;a posteridade constitu&iacute;da por n&oacute;s, uma humanidade    que na condi&ccedil;&atilde;o de receptora faz outro uso dessa heran&ccedil;a.    &Eacute; nas profundezas da terra, no oco mesmo de uma caverna, que podemos    ver e pagar para ver uma esp&eacute;cie de ronda noturna, uma cavalgada animal    que percorre paredes, signos da presen&ccedil;a no mundo de seres dotados n&atilde;o    apenas de uma intelig&ecirc;ncia utilit&aacute;ria, mas de uma vida interior,    t&atilde;o distante de n&oacute;s, que apenas a arte pode dela nos aproximar    e assumir a comunica&ccedil;&atilde;o efetiva. Nesse sentido, pode&#45;se dizer,    retomando agora o pensamento de Merleau&#45;Ponty (1975, p.347), que "os primeiros    desenhos nas cavernas instauravam o mundo como a pintar ou a desenhar, invocavam    um porvir indefinido da pintura e por isso nos falam e os evocamos por metamorfoses    em que fluem conosco". E isto quer dizer que "o primeiro desenho nas    paredes das cavernas fundava uma tradi&ccedil;&atilde;o unicamente por recolher    outra: a da percep&ccedil;&atilde;o" (1975, p.355).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, quer tratemos do desenho rupestre, quer    da pintura contempor&acirc;nea, o suposto &eacute; uma opera&ccedil;&atilde;o    reflexiva que funda a <i>unidade da pintura </i>e que <i>na pintura se amplifica.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Que significa isso?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/psicousp/v5n1-2/a04img03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Devemos observar, ampliando mais nossa reflex&atilde;o    e sempre com Merleau&#45;Ponty, que:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">a obra que se cumpre n&atilde;o &eacute; a      que existe em si como coisa, mas a que atinge o espectador, convidando&#45;o a      retomar o gesto que a criou e, saltando media&ccedil;&otilde;es, sem outro      guia que n&atilde;o o movimento da linha inventada, a alcan&ccedil;ar o mundo      silencioso do pintor... (1975, p.341).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentemente do trabalho do escritor, o trabalho    do pintor n&atilde;o &eacute; o da express&atilde;o de um sentido, mas o de    sua impress&atilde;o num suporte. Quer dizer: o pintor imprime um sentido na    tela antes que esta o exprima &#151; sentido que permanece cativo para n&oacute;s    "que n&atilde;o nos comunicamos com o mundo pela pintura" (p.343).    E, no entanto, continua o fil&oacute;sofo,</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">esse dom se merece pelo exerc&iacute;cio, e      n&atilde;o &eacute; em alguns meses, n&atilde;o &eacute; tampouco na solid&atilde;o,      que um pintor entra na posse de sua vis&atilde;o. N&atilde;o est&aacute; nisso      a quest&atilde;o: precoce ou tardia, espont&acirc;nea ou formada no museu,      (...) a sua vis&atilde;o s&oacute; aprende vendo, s&oacute; aprende por si      mesma. O olho v&ecirc; o mundo, e o que falta ao mundo para ser quadro, e      o que falta ao quadro para ser ele mesmo, e, na palheta, a cor que o quadro      aguarda; e, uma vez feito, v&ecirc; o quadro dos outros, as respostas outras      a outras faltas.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">E, mais adiante, Merleau&#45;Ponty conclui,</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">o pintor &eacute; um homem em servi&ccedil;o      que toda manh&atilde; detecta no aspecto das coisas a mesma interroga&ccedil;&atilde;o,      o mesmo apelo a que jamais ter&aacute; conclusivamente respondido. Aos seus      olhos, a obra n&atilde;o est&aacute; nunca terminada, mas sempre em curso      (...).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">E quando ela chega a ser exposta a outros olhos    &eacute; o trabalho de express&atilde;o dessa abertura impressa na tela que    se verifica. Quer dizer, &eacute; somente aos olhos do espectador que a pintura    &eacute; "express&atilde;o art&iacute;stica", sendo o trabalho do    espectador o que leva a efeito a opera&ccedil;&atilde;o expressiva. Ora, no    campo da pintura, mais evidente do que em qualquer outro, "a experi&ecirc;ncia    &eacute; aquilo que abre para o que n&atilde;o &eacute; n&oacute;s", para    usar novamente as palavras do fil&oacute;sofo; &eacute; o que nos coloca em    contato com tudo o que &eacute; outro, isto &eacute;, com tudo aquilo que "exige    de n&oacute;s cria&ccedil;&atilde;o para dele termos experi&ecirc;ncia"    (Merleau&#45;Ponty, 1971, p.187). No campo da pintura essa experi&ecirc;ncia &eacute;    a da vis&atilde;o, pois</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">seja qual for a civiliza&ccedil;&atilde;o em      que nas&ccedil;a, sejam quais forem as cren&ccedil;as, os motivos, os pensamentos,      as cerim&ocirc;nias de que se cerque e mesmo quando parece fadada a outra      coisa, desde Lascaux at&eacute; hoje, pura ou impura, figurativa ou n&atilde;o,      a pintura jamais celebra outro enigma a n&atilde;o ser o da visibilidade (1975,      p.281).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">E o que &eacute; pr&oacute;prio do vis&iacute;vel,    como sabemos, "&eacute; ter um forro de invis&iacute;vel no sentido pr&oacute;prio,    que ele torna presente como uma certa aus&ecirc;ncia"; e o pr&oacute;prio    do olho &eacute; realizar "o prod&iacute;gio de abrir &agrave; alma aquilo    que n&atilde;o &eacute; alma, o bem&#45;aventurado dom&iacute;nio das coisas, e    seu deus, o sol" (Merleau&#45;Ponty, 1975, p.298&#45;9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, ser&aacute; que a partir dessas considera&ccedil;&otilde;es    que delimitam o campo da arte &eacute; preciso dizer algo mais para que os psic&oacute;logos    percebam nesse campo um sentido para o seu pr&oacute;prio trabalho? No momento    contempor&acirc;neo da modernidade, momento que abrange o s&eacute;culo XX (Berman,    1986, p.16), no qual a arte se emancipa definitivamente de uma cultura totalizante,    se desliga de valores religiosos, &eacute;ticos ou sociais, adquirindo o poder    de exprimir uma rela&ccedil;&atilde;o mais profunda, mais origin&aacute;ria    do homem com o mundo, rela&ccedil;&atilde;o que Dufrenne (1982, p.30) ousa chamar    "pr&eacute;&#45;cultural ou pr&eacute;&#45;hist&oacute;rica", nesse momento    contempor&acirc;neo em que surgem como quest&otilde;es, simultaneamente, o olhar    e o desejo, o imagin&aacute;rio e o real, a arte possui "uma fun&ccedil;&atilde;o    e uma for&ccedil;a insubstitu&iacute;veis". Ora, exatamente por isso, n&atilde;o    ter&aacute; a Psicologia &#151; com lugar interdisciplinar garantido entre a Hist&oacute;ria    da Arte e a Est&eacute;tica &#151; algo a dizer?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Huyghe(1986)</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">enquanto para o historiador da Arte o fato      &eacute; o documento, a pe&ccedil;a de arquivo ou a marca caracter&iacute;stica      que identificam a obra, estabelecendo seu estado civil e determinando sua      posi&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca, para a Psicologia da Arte ele reside      na pr&oacute;pria obra exposta &agrave; leitura e que permite decifrar, n&atilde;o      s&oacute; o que um homem dip&ocirc;s nela intencionalmente, mas tamb&eacute;m      o que nela colocou, inconscientemente, de si pr&oacute;prio e do grupo humano      a que pertence (p.19).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">A obra de arte n&atilde;o &eacute; o reflexo    de um real recortado pr&eacute;viamente a toda interven&ccedil;&atilde;o humana,    n&atilde;o constitui um sinal de uma realidade localiz&aacute;vel por outras    vias e exprim&iacute;vel por outras t&eacute;cnicas, n&atilde;o remete a um    universo de formas imut&aacute;veis, mas d&aacute; inicio a um processo "de    representa&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre o percebido, o real, e o    imagin&aacute;rio. Ela n&atilde;o remete a um absoluto, mas aos devires humanos"    (Francastel, 1973, p.17) Portanto, a perspectiva aberta pela Psicologia da Arte    &eacute; a de evidenciar os princ&iacute;pios de uma conduta pr&oacute;pria    ao homem, reguladores de uma estrutura ao mesmo tempo material e imagin&aacute;ria,    no quadro e limites de seus poderes e de seus conhecimentos, num certo momento    de sua hist&oacute;ria e em determinado circulo de civiliza&ccedil;&atilde;o.    Por essas raz&otilde;es, Francastel (1973) conclui:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">estou seguro que a ci&ecirc;ncia da Arte e      a pr&oacute;pria Arte t&ecirc;m muito a ganhar com uma aprecia&ccedil;&atilde;o      melhor de seu papel psicol&oacute;gico e t&eacute;cnico na vida das sociedades.      Apreciaremos melhor a Arte do passado e a do presente se lhe conhecermos melhor      a significa&ccedil;&atilde;o humana (p.48).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, a Psicologia Social tem se esfor&ccedil;ado    em todos os dom&iacute;nios &#151; das comunidades &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es    , das classes populares &agrave;s elites, das v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es    &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas &#151; por descobrir e    interpretar, segundo as modalidades mais adequadas , os fen&ocirc;menos particulares    que caracterizam e diferenciam a vida dos indiv&iacute;duos em sociedade. Portanto,    n&atilde;o h&aacute; nenhum motivo para excluir as artes de suas preocupa&ccedil;&otilde;es.    No entanto, com base nos balan&ccedil;os feitos por R. Huyghe, por P. Francastel,    por G. Bazin e por in&uacute;meras publica&ccedil;&otilde;es recentes que fundamentam    os estudos em Psicologia da Arte no contexto das Ci&ecirc;ncias Sociais, a abertura    do psic&oacute;logo para a arte depender&aacute; principalmente de sua disposi&ccedil;&atilde;o,    como <i>espectador da arte, </i>para introduzir&#45;se nesse campo abissal, de cujos    limites tratamos aqui, correndo o risco da vertigem e o da perda de pontos fixos,    risco que esse campo necess&aacute;riamente suscita. Afinal, relembrando com    Huyghe (1986, p.19), "a obra n&atilde;o p&otilde;e apenas em jogo a psicologia    do artista, mas tamb&eacute;m a do espectador. Que procura nela, que recebe    dela e por que raz&atilde;o a sente?" &#151; s&atilde;o quest&otilde;es que    o int&eacute;rprete ao se abrir para o campo das obras, mais cedo ou mais tarde,    ter&aacute; que responder. E, conseq&uuml;entemente, se comprometer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">ANIMAIS usam pintura para fugir do t&eacute;dio.    <i>Folha de S&atilde;o Paulo, </i>S&atilde;o Paulo, mar. 1991. Caderno Ci&ecirc;ncia,    p.6.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042008&pid=S1678-5177199400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">ARGAN, G.C. Artes visuais. In: DUFRENNE, M. <i>A    est&eacute;tica e as ci&ecirc;ncias da arte. </i>Lisboa, Bertrand, 1982. v.2,    p.105&#45;19.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042009&pid=S1678-5177199400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">BATAILLE, G. <i>La peinture pr&eacute; historique:    Lascaux ou la naissance de l'art. </i>Gen&eacute;ve, Ed. d'Art Albert Skira,    1955.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042010&pid=S1678-5177199400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">BAZIN, G. <i>Hist&oacute;ria da Hist&oacute;ria    da Arte. </i>S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 1986.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042011&pid=S1678-5177199400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">BERMAN, M. <i>Tudo que &eacute; s&oacute;lido    desmancha no ar. A aventura da modernidade. </i>S&atilde;o Paulo, Companhia    das Letras, 1986.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042012&pid=S1678-5177199400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">BOSI, A. <i>O ser e o tempo da poesia. </i>S&atilde;o    Paulo, Cultrix, 1977.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042013&pid=S1678-5177199400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">CHAU&Iacute;, M. <i>A no&ccedil;&atilde;o de    estrutura em Merleau&#45;Ponty: uma esperan&ccedil;a malograda? </i>S&atilde;o Paulo,    1974. Confer&ecirc;ncia apresentada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias    Humanas da USP. / Mimeografado/</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042014&pid=S1678-5177199400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">COLI, J. <i>O que &eacute; arte. </i>S&atilde;o    Paulo, Brasiliense, 1981.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042015&pid=S1678-5177199400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">DUFRENNE, M. <i>A est&eacute;tica e as ci&ecirc;ncias    da arte. </i>Lisboa, Bertrand, 1982. v.1.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042016&pid=S1678-5177199400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">FOUCAULT, M. <i>Histoire de la folie. </i>Paris,    Gallimard, 1972.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042017&pid=S1678-5177199400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">FORMAGGIO, D. <i>L 'art. </i>Paris, Klincksieck,    1981.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042018&pid=S1678-5177199400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">FRANCASTEL, P. <i>A realidade figurativa. </i>S&atilde;o    Paulo, Perspectiva, 1973.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042019&pid=S1678-5177199400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">FRAYZE&#45;PEREIRA, J.A. <i>A tenta&ccedil;&atilde;o    do amb&iacute;guo. </i>S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1984.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042020&pid=S1678-5177199400010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">FRAYZE&#45;PEREIRA, J.A. Os limites da Arte: a abertura    para a Psicologia. <i>Psicologia: Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, </i>Ano    14, Nos. 1, 2, e 3, 1994. p. 14&#45;21.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042021&pid=S1678-5177199400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">HUYGHE, R. <i>O poder da imagem. </i>Lisboa,    Edi&ccedil;&otilde;es 70 / S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 1986. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042022&pid=S1678-5177199400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">HUISMAN, D. <i>Esth&eacute;tique. </i>Paris,    PUF, 1961. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042023&pid=S1678-5177199400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">LASCH, C. <i>O m&iacute;nimo eu. </i>S&atilde;o    Paulo, Brasiliense, 1986.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042024&pid=S1678-5177199400010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">JASS, R. <i>Pour une esth&egrave;tique de la    r&eacute;ception. </i>Paris, Gallimard, 1978.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042025&pid=S1678-5177199400010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">JUNOD, Ph. La perception esth&eacute;t&iacute;que    comme variable historique. In: MOULIN, R. <i>Sociologie de d'Art. </i>Paris,    La Documentation Fran&ccedil;aise, 1986, p. 279&#45;283.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042026&pid=S1678-5177199400010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MACCAULAY, J.T. O macaco veio do homem. In: ENCICLOP&Eacute;DIA    Bloch. s.l., s.ed., 1968. p.38&#45;49. (Ano II, n.14)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042027&pid=S1678-5177199400010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>La structure du comportment.    </i>Paris, PUF, 1942. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042028&pid=S1678-5177199400010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>L 'oeil et l 'esprit </i>Paris,    Galimard, 1964. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042029&pid=S1678-5177199400010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>Sens et non sens. 5.&eacute;d.    </i>Paris, Nagel, 1966. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042030&pid=S1678-5177199400010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>O vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel.    </i>S&atilde;o Paulo, Perspectiva, 1971.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042031&pid=S1678-5177199400010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>O olho e o esp&iacute;rito.    </i>S&atilde;o Paulo, Abril Cultural, 1975. (Os Pensadores)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042032&pid=S1678-5177199400010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU&#45;PONTY, M. <i>A linguagem indireta e as    vozes do sil&ecirc;ncio. </i>S&atilde;o Paulo, Abril Cultural, 1975. (Os Pensadores)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042033&pid=S1678-5177199400010000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">MUNRO, T. La psicologia del arte: passado, presente    y futuro. In: Hoog, J. et al. <i>Psicologia y artes visuales. </i>Barcelona,    Gustavo Gilli, S.A., 1969, p. 21&#45;54</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042034&pid=S1678-5177199400010000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">NUNES, B. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;    Filosofia da Arte. </i>S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1989.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042035&pid=S1678-5177199400010000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif"> PAREYSON, L. <i>Os problemas da est&eacute;tica.    </i>S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 1984.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042036&pid=S1678-5177199400010000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">PINTURA rupestre n&atilde;o &eacute; a pr&eacute;&#45;hist&oacute;ria    da arte. <i>Folha de s&atilde;o Paulo, </i>S&atilde;o Paulo, maio 1990. Caderno    Ci&ecirc;ncia, p.3.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042037&pid=S1678-5177199400010000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif">TH&Eacute;VOZ, M. <i>Le corps peint. </i>Gen&egrave;ve,    Skira, 1984.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2042038&pid=S1678-5177199400010000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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