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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transtornos psicossomáticos e o brincar: um caso clássico]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Winnicott de São Paulo  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text presents some connections between the basic task of maturation, the psychosomatic integration, and play, seen on Winnicott's understanding as one of the possibilities of potential space. The theoretical articulations will be hold through the girl with convulsions' case, presented in three different moments in the work of Winnicott.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Transtornos psicossom&aacute;ticos e o brincar: um caso cl&aacute;ssico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b> Psychosomatic disorders and play: a classic case</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&acirc;nia Corrallo Hammoud<a href="#1a"><sup>1</sup></a><a name="1"></a></b></font></p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Centro Winnicott de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Este texto traz algumas articula&ccedil;&otilde;es entre a tarefa b&aacute;sica do amadurecimento, a integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica, e o brincar. Na compreens&atilde;o winnicottiana, essa tarefa &eacute; entendida como uma das possibilidades fundamentais do espa&ccedil;o potencial. As articula&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tecidas por meio do caso da menina das convuls&otilde;es, apresentado em tr&ecirc;s momentos diferentes na obra de Winnicott.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Palavras-chave</b>:    convuls&otilde;es; integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica; brincar; espa&ccedil;o potencial.</font></p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> This text presents some connections between the basic task of maturation, the psychosomatic integration, and play, seen on Winnicott's understanding as one of the possibilities of potential space. The theoretical articulations will be hold through the girl with convulsions' case, presented in three different moments in the work of Winnicott.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Keywords:</b> convulsions; psychosomatic integration; play; potential space.</font></p> <hr nonshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott entende a natureza humana como um cont&iacute;nuo processo de vir a ser, que depende, para sua exist&ecirc;ncia significativa, da possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o entre a pessoa que cresce e o ambiente apoiador. Para ele, o que acontece de significativo no viver &eacute; criado no espa&ccedil;o potencial, &acirc;mbito intermedi&aacute;rio entre o subjetivo e o objetivo. A conquista do amadurecimento se d&aacute; depois que o ambiente garantir a integra&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; no espa&ccedil;o, no tempo e em seu pr&oacute;prio corpo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No espa&ccedil;o potencial, duas pessoas encontram-se de maneira especial. A um s&oacute; tempo, cada uma delas deve n&atilde;o s&oacute; ser e estar nele pessoalmente como tamb&eacute;m conceder &agrave; outra a mesma possibilidade. Nesse processo de amadurecimento, duas garantias s&atilde;o necess&aacute;rias: a continuidade da exist&ecirc;ncia pessoal a partir de um movimento pr&oacute;prio de cada indiv&iacute;duo, com suas caracter&iacute;sticas &uacute;nicas, e o contato compartilhado com a realidade externa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Uma das quest&otilde;es mais importantes no transcurso do amadurecimento &eacute; o estabelecimento da confian&ccedil;a do indiv&iacute;duo em seu ambiente. Nessa base de confian&ccedil;a, o mundo, apresentado ao indiv&iacute;duo em pequenas doses, ser&aacute; encontrado a partir do pr&oacute;prio indiv&iacute;duo, levando-o &agrave; experi&ecirc;ncia da ilus&atilde;o onipotente de sua cria&ccedil;&atilde;o. A partir dessa experi&ecirc;ncia, outras tornam-se poss&iacute;veis nessa jornada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A passagem pela transicionalidade que leva &agrave; exist&ecirc;ncia do espa&ccedil;o potencial e ao brincar &eacute; de fundamental import&acirc;ncia. Nela, conjugam-se as realidades pessoal e externa. Dessa forma, nas tramas do essencialmente pessoal e mesmo com o mundo percebido objetivamente, o indiv&iacute;duo pode entrela&ccedil;ar sua subjetividade, preservando-a at&eacute; certo ponto. Ambos, mundo pessoal e realidade externa, podem existir e coexistir, enriquecendo-se mutuamente. O brincar &eacute; essencial nesse processo, pois cria as bases das conquistas pessoais e das que fazem parte da cultura e da conviv&ecirc;ncia compartilhada entre os indiv&iacute;duos: "Para mim, o brincar conduz naturalmente &agrave; experi&ecirc;ncia cultural e, na verdade, constitui o seu fundamento" (Winnicott, 1971q/1975, p. 147).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Embora seja "uma forma b&aacute;sica do viver" (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, p. 75), a possibilidade de brincar n&atilde;o est&aacute; garantida para todos. "A precariedade do brincar est&aacute; no fato de que ele se acha na linha te&oacute;rica existente entre o subjetivo e o que &eacute; objetivamente percebido" (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, p. 75). Desse modo, o brincar pode ser amea&ccedil;ado em fun&ccedil;&atilde;o do lidar com a tarefa de se equilibrar nesse fio de navalha entre o pessoal e o externo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A essencial integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica, por sua vez, atravessa todo o processo de amadurecimento. Ela se relaciona com algo &aacute;rduo como tarefa e que pode vir a se perder a qualquer momento. Winnicott afirma que n&atilde;o existe &aacute;rea do desenvolvimento da personalidade n&atilde;o envolvida com essa tarefa espec&iacute;fica de integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica (Winnicott, 1966d&#91;1964a&#93;/1994, p. 88). O espa&ccedil;o potencial e as poss&iacute;veis experi&ecirc;ncias atrav&eacute;s dessa conquista desempenham papel essencial nessa integra&ccedil;&atilde;o. Vale ainda frisar que, ao se constituir como dist&uacute;rbio em fun&ccedil;&atilde;o de alguma falha nessa trajet&oacute;ria, a dissocia&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica carrega em si a esperan&ccedil;a de que algo possa ser feito para que essa unidade pessoal n&atilde;o se perca, seja recuperada. H&aacute; ainda a esperan&ccedil;a de que algu&eacute;m possa ouvir e entender esse pedido de socorro (Winnicott, 1966d&#91;1964a&#93;/1994, p. 90).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Este texto buscar&aacute; mostrar a rela&ccedil;&atilde;o entre a tarefa b&aacute;sica do acontecer humano, a integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica, e sua poss&iacute;vel dissocia&ccedil;&atilde;o. O brincar ser&aacute; entendido como condi&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de, a participa&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o do mundo cultural e para a an&aacute;lise. "Quando um paciente n&atilde;o pode brincar, o psicoterapeuta tem de atender a esse sintoma principal" (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, p. 71). O caso que dar&aacute; suporte a essa articula&ccedil;&atilde;o &eacute; citado por Winnicott em diferentes momentos de sua obra: &eacute; o de uma menina que apresenta uma dissocia&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica e convuls&otilde;es e perde a possibilidade de brincar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">     <b>2. A integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica e o brincar na obra de Winnicott</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em seu primeiro livro, <i>Clinical Notes on Disorders of Childhood</i> (1931e), voltado basicamente a casos psicossom&aacute;ticos, Winnicott relata o caso de uma menina que sofria de convuls&otilde;es &ndash; mesmo caso retomado no texto "A observa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s em uma situa&ccedil;&atilde;o estabelecida" (1941b/2000). O psicanalista estava ent&atilde;o interessado na observa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s, na situa&ccedil;&atilde;o que viria a ser conhecida como o jogo das esp&aacute;tulas. Algum tempo depois, ele retoma o mesmo caso em <i>O brincar e a realidade</i> (Winnicott, 1971a/1975), relatando o significado e a import&acirc;ncia do brincar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Atrav&eacute;s desse caso, Winnicott percorre todo o seu desenvolvimento te&oacute;rico e faz um entrela&ccedil;amento entre a integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica e o brincar. Ao longo deste texto, buscarei expor em detalhes as articula&ccedil;&otilde;es que se sucedem em seus escritos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em 1931, o autor afirma que a menina sofria de convuls&otilde;es muito frequentes. Relata, ent&atilde;o, um fato ocorrido em seu consult&oacute;rio: "Sentada em meu colo, depois de muito chorar, a menina mordeu violentamente a junta de meu dedo. Esse ataque agressivo coincidiu exatamente com a cessa&ccedil;&atilde;o das convuls&otilde;es e com uma melhora cl&iacute;nica bastante pronunciada (...). Enquanto estava no meu joelho, ela conseguiu participar da brincadeira" (Winnicott apud Ara&uacute;jo, 2005, pp. 165-166). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ele se refere a outro caso, citado por outro m&eacute;dico: ao mamar, um beb&ecirc; morde o seio da m&atilde;e e esta reage gritando. Nesse mesmo dia, a crian&ccedil;a teve sua primeira convuls&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ao articular a compreens&atilde;o desses dois casos, Winnicott, ainda bastante fiel &agrave; teoria kleiniana, conclui que as convuls&otilde;es est&atilde;o relacionadas a um tipo de culpa, vinculada ao morder e ao machucar aquilo que tamb&eacute;m &eacute; amado. "&Eacute; uma experi&ecirc;ncia bastante comum. Ao investigarmos o in&iacute;cio das convuls&otilde;es, encontramos uma rela&ccedil;&atilde;o entre a primeira convuls&atilde;o e uma situa&ccedil;&atilde;o na qual a atitude dupla da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;e na fase oral veio &agrave; tona" (Winnicott <i>apud</i> Ara&uacute;jo, 2005, pp. 165-166).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Embora a &ecirc;nfase de sua an&aacute;lise esteja concentrada no mundo interno &ndash; culpa inconsciente de machucar o que &eacute; amado &ndash;, &eacute; poss&iacute;vel perceber que em 1931 est&aacute; aberto o caminho para a compreens&atilde;o de que a rea&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e como ambiente externo entra na forma&ccedil;&atilde;o do sintoma. O brincar propiciado por outro ambiente tem participa&ccedil;&atilde;o decisiva na cura do sintoma. A m&atilde;e que grita e o m&eacute;dico que n&atilde;o reage &agrave; mordida da menina parecem apontar que o ambiente/m&atilde;e tem participa&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o e na cura do sintoma.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em 1941, no texto "A observa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s em uma situa&ccedil;&atilde;o estabelecida", presente no livro <i>Da pediatria &agrave; psican&aacute;lise</i>, Winnicott retoma o caso. Ele descreve sua experi&ecirc;ncia com beb&ecirc;s que se relacionam com a esp&aacute;tula usada em um exame cl&iacute;nico. Trata-se de um jogo no qual Winnicott n&atilde;o interfere nos movimentos do beb&ecirc; e pede &agrave; m&atilde;e que tamb&eacute;m n&atilde;o o fa&ccedil;a. Ele est&aacute; interessado em demonstrar como a observa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s comprova sua teoria a respeito do desenvolvimento humano, e como uma simples experi&ecirc;ncia pode, por si mesma, contribuir para a melhoria dos sintomas (Winnicott, 1941b/2000, pp. 115-116).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O beb&ecirc; fica no colo da m&atilde;e e uma esp&aacute;tula &eacute; colocada em um canto da mesa, ao alcance do beb&ecirc;. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, os beb&ecirc;s que estiverem se desenvolvendo bem agir&atilde;o de forma muito semelhante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O jogo tem basicamente tr&ecirc;s fases. Na primeira delas, a crian&ccedil;a tem sua aten&ccedil;&atilde;o despertada pela esp&aacute;tula e busca alcan&ccedil;&aacute;-la. Assim que a pega, descobre que a situa&ccedil;&atilde;o merece reflex&atilde;o. Ela hesita. &Eacute; nesse momento que os beb&ecirc;s, sentindo alguma ansiedade, mostrar&atilde;o seu mal-estar. Se tudo estiver correndo bem, eles rapidamente passar&atilde;o para a segunda fase. Caso contr&aacute;rio, a hesita&ccedil;&atilde;o se prolongar&aacute; e se manifestar&aacute; sob v&aacute;rias formas &ndash; esse &eacute; o caso do beb&ecirc; das convuls&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na segunda fase, o beb&ecirc; percebe, olhando para a m&atilde;e sempre tranquila, que tudo est&aacute; bem e agarra de novo a esp&aacute;tula. Nesse momento, ele saliva intensamente, coloca a esp&aacute;tula na boca e a morde. A hesita&ccedil;&atilde;o se transforma na manipula&ccedil;&atilde;o confiante da esp&aacute;tula. Em seguida, come&ccedil;a o brincar, forma que os beb&ecirc;s usam para relacionar-se com o mundo. Ele se comporta como se quisesse devorar, com grande prazer, a esp&aacute;tula. Na elabora&ccedil;&atilde;o imaginativa, ele devorou, de fato, o objeto que agora lhe pertence e que pode ser usado por ele. Ele "pede" para que a m&atilde;e entre na brincadeira. Faz de conta que a alimenta e ela aceita entrar no faz de conta. O mundo do beb&ecirc; se enriquece e ele enriquece o mundo, pois tem algo a oferecer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na terceira fase, o beb&ecirc; deixa cair furtivamente a esp&aacute;tula. Quando ela lhe &eacute; restitu&iacute;da, ele repete seu gesto, e a deixa cair voluntariamente. Parece sentir um grande prazer nisso. Ele quer deixar a esp&aacute;tula cair. O brincar acontece, ent&atilde;o, na sua plenitude. A partir da&iacute;, abandonando esse objeto, ele passa a interessar-se por outras coisas. Poder&iacute;amos dizer, assim, que a experi&ecirc;ncia do brincar e do viver se completaram, com princ&iacute;pio, meio e fim (Winnicott, 1949c/1977, pp. 83 e 87).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott quer demonstrar que propiciar o brincar pode ajudar na retomada do desenvolvimento do beb&ecirc; e em suas v&aacute;rias integra&ccedil;&otilde;es. Quando &eacute; poss&iacute;vel a um adulto estar com uma crian&ccedil;a que se relaciona com o mundo exterior, sem invadir sua experi&ecirc;ncia com quest&otilde;es que n&atilde;o perten&ccedil;am ao beb&ecirc;, a experi&ecirc;ncia do brincar sempre surgir&aacute;. Sendo uma experi&ecirc;ncia completa, esta levar&aacute; o beb&ecirc; a uma integra&ccedil;&atilde;o e o conduzir&aacute; a uma nova experi&ecirc;ncia. Se tudo correr bem, a crian&ccedil;a se enriquece, enriquece o mundo e a vida segue (Winnicott, 1949c/1977, p. 86).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em 1971, o caso foi retomado com mais detalhes. Winnicott conta que, aos seis meses de idade, a menina que tinha convuls&otilde;es foi internada em um hospital, com problemas digestivos. Aos sete meses, foi levada a uma consulta porque n&atilde;o dormia e chorava durante a noite. Al&eacute;m disso, adoecia ap&oacute;s alimentar-se. O desmame aconteceu em poucas semanas. Aos nove meses, ela teve uma convuls&atilde;o. Continuou a t&ecirc;-las, mais ou menos um quarto de hora ap&oacute;s o despertar. Aos onze meses, as convuls&otilde;es tornaram-se frequentes. A crian&ccedil;a tornou-se nervosa, sobressaltando-se ao menor ru&iacute;do. Com um ano de idade, sofria quatro a cinco convuls&otilde;es por dia. &Agrave;s vezes, sentava-se ap&oacute;s uma refei&ccedil;&atilde;o, dobrava-se sobre si mesma e desmaiava. Mesmo nesse per&iacute;odo mais grave, a m&atilde;e conseguia interromper uma convuls&atilde;o em sua primeira fase, distraindo a filha. N&atilde;o havia sinais de doen&ccedil;a f&iacute;sica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott fez a seguinte observa&ccedil;&atilde;o, importante para a compreens&atilde;o que buscamos:</font></p>     <blockquote>       <blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       Colocada sobre meus joelhos, ela chorava incessantemente, mas n&atilde;o demonstrava hostilidade. Puxa minha gravata de maneira descuidada, enquanto chora. Voltando ao colo da m&atilde;e, n&atilde;o mostra interesse na mudan&ccedil;a e continua a chorar, chorando cada vez mais lastimavelmente enquanto &eacute; vestida; continua assim, at&eacute; ser levada para fora do pr&eacute;dio &#91;...&#93;. No correr de uma das consultas, fiquei com a crian&ccedil;a sobre os joelhos, observando-a. Ela tentou, furtivamente, morder a junta de meus dedos. Tr&ecirc;s dias mais tarde, coloquei-a novamente sobre os joelhos e esperei para ver o que faria. Mordeu a junta de meus dedos, por tr&ecirc;s vezes, t&atilde;o fortemente que quase me cortou a pele. Brincou ent&atilde;o de atirar esp&aacute;tulas no ch&atilde;o, incessantemente, durante quinze minutos. Chorava durante todo o tempo, como se estivesse infeliz. Dois dias depois, tive-a novamente sobre os joelhos, por meia hora. Ela sofrera quatro convuls&otilde;es nos dois dias anteriores. A princ&iacute;pio, a menina chorou, como de costume. Mordeu novamente meu dedo, com for&ccedil;a, dessa vez sem demonstrar sentimento de culpa. Depois brincou de morder e de jogar fora as esp&aacute;tulas; <i>enquanto estava sobre meus joelhos, tornou-se capaz de sentir prazer em brincar.</i></font></p>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       Ap&oacute;s certo tempo, come&ccedil;ou a mexer nos artelhos com os dedos. Fiz com que lhe tirassem os sapatos e as meias. O resultado foi um per&iacute;odo de experimenta&ccedil;&atilde;o que absorveu todo seu interesse. Parecia estar descobrindo e experimentando, repetidas vezes, para sua grande satisfa&ccedil;&atilde;o, que, enquanto as esp&aacute;tulas podiam ser postas na boca, jogadas e perdidas, os artelhos n&atilde;o podiam ser arrancados fora.</font></p>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       Quatro dias mais tarde, a m&atilde;e informava que, desde a &uacute;ltima consulta, o beb&ecirc; tornara-se "uma crian&ccedil;a diferente". N&atilde;o s&oacute; n&atilde;o tivera mais convuls&otilde;es, como tamb&eacute;m havia dormido bem a noite &ndash; feliz durante todo o dia, sem brometo. Onze dias depois a melhora se mantivera sem rem&eacute;dios; n&atilde;o tivera convuls&otilde;es durante quatorze dias e a m&atilde;e pediu sua alta. (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, pp. 73-74)</font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esse relato demonstra a teoria do amadurecimento de Winnicott e sua rela&ccedil;&atilde;o com a import&acirc;ncia do brincar. Al&eacute;m disso, p&otilde;e &agrave; luz os prim&oacute;rdios do pensamento sobre as condi&ccedil;&otilde;es do atendimento anal&iacute;tico, que ele formular&aacute; mais tarde:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       A psicoterapia efetua-se na sobreposi&ccedil;&atilde;o de duas &aacute;reas do brincar, a do paciente e a do terapeuta. Trata-se de duas pessoas que brincam juntas. Em consequ&ecirc;ncia, onde o brincar n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, o trabalho efetuado pelo terapeuta &eacute; dirigido ent&atilde;o no sentido de trazer o paciente de um estado em que n&atilde;o &eacute; capaz de brincar para um estado em que o &eacute;. (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, p. 59)</font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">     <b>3. Articula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas entre o amadurecimento, o brincar a as convuls&otilde;es desse beb&ecirc;</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No estado de depend&ecirc;ncia absoluta, a confian&ccedil;a se desenvolve quando a m&atilde;e pode atender &agrave; necessidade do beb&ecirc;. Este come&ccedil;a a fruir de "experi&ecirc;ncias" baseadas no "casamento" da onipot&ecirc;ncia dos processos internos com o controle do real (Winnicott, 1971g/1975, p. 71). Nesse momento, a confian&ccedil;a na m&atilde;e cria um espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio, o espa&ccedil;o potencial. Nele, surgir&aacute; o objeto transicional e, depois dele, o brincar. Quando o mundo chega &agrave; crian&ccedil;a no momento em que ela o procura, a experi&ecirc;ncia vivida d&aacute; origem a esse sentimento: o mundo &eacute; um espl&ecirc;ndido lugar para se viver. Com base nessa experi&ecirc;ncia, cria-se a possibilidade da exist&ecirc;ncia do espa&ccedil;o potencial e de tudo o que dele se origina. O espa&ccedil;o potencial &eacute; criado da confian&ccedil;a no ambiente, conquistada gradativamente. Diante das primeiras necessidades de afastamento, &eacute; preciso que aquilo que acontece nesse espa&ccedil;o una m&atilde;e e beb&ecirc; em vez de separ&aacute;-los. Essa experi&ecirc;ncia de uni&atilde;o na separa&ccedil;&atilde;o s&oacute; acontece nesse primeiro momento se a m&atilde;e puder aceitar a necessidade do beb&ecirc; de ir e vir, de aproximar-se e afastar-se de seu seio e de seus suced&acirc;neos. O mundo tem que ser criado por ele, para que ele n&atilde;o entre no mundo de forma desintegradora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Fazendo liga&ccedil;&otilde;es com o caso que nos serve de base aqui, podemos pensar que, sem essa experi&ecirc;ncia de uni&atilde;o na aus&ecirc;ncia, a menina se viu diante da aus&ecirc;ncia de forma precoce. Assim, ela parou de brincar. Talvez a apresenta&ccedil;&atilde;o de um objeto que pudesse ser usado por esse beb&ecirc; como um objeto transicional tivesse colocado tudo de novo no bom caminho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Penso que a menina, de toda forma, ainda faz uma tentativa de comunica&ccedil;&atilde;o importante a respeito da dificuldade que se anunciava. Ela chora e protesta veementemente, pois, nessa fase, uma das coisas mais importantes para ligar psique e soma &eacute; justamente "chorar, gritar, berrar, protestar iradamente" (Winnicott, 1989vm&#91;1969&#93;/1994, p. 92). Ao chorar e ao protestar, a menina buscava a comunica&ccedil;&atilde;o que poderia lev&aacute;-la de volta para a via da integra&ccedil;&atilde;o, caso a m&atilde;e pudesse cont&ecirc;-la sem ansiedade excessiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Al&eacute;m de uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o, o choro tamb&eacute;m &eacute; raiva, raiva de ter sido tirado de seu lugar seguro, de seu conforto. Um beb&ecirc; raivoso n&atilde;o se sente inofensivo. Diante da raiva, o beb&ecirc; chorar&aacute;, morder&aacute;, arranhar&aacute; e se for realmente decidido, reter&aacute; a respira&ccedil;&atilde;o at&eacute; o ponto de uma convuls&atilde;o (Winnicott, 1945j&#91;1944&#93;/1977, p. 69).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para que a integra&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;a, &eacute; preciso que a m&atilde;e receba o grito de ajuda sem se desesperar, sem desconsiderar a comunica&ccedil;&atilde;o e sobrevivendo a ele. Quando o beb&ecirc; chora de raiva, ele se desintegra e pode viver como se tivesse destru&iacute;do o mundo. Nas palavras de Winnicott:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       Se o beb&ecirc; chora num acesso de raiva e se sente como se tivesse destru&iacute;do o mundo inteiro, mas em sua volta pessoas mant&ecirc;m-se calmas e ilesas, essa experi&ecirc;ncia fortalece enormemente sua capacidade de apreender que o que ele acha ser verdadeiro n&atilde;o &eacute; necessariamente real, que a fantasia e o fato concreto, ambos importantes, s&atilde;o entretanto distintos um do outro. (Winnicott, 1945j&#91;1944&#93;/1977, p. 69) </font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um beb&ecirc; zangado n&atilde;o &eacute; um beb&ecirc; perigoso. Se a m&atilde;e viver como se o fosse, o beb&ecirc; confundir&aacute; essas duas realidades, at&eacute; que algu&eacute;m possa ajud&aacute;-lo a desfazer essa confus&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Pelo que se segue na hist&oacute;ria desse beb&ecirc;, podemos pensar que foi com ang&uacute;stia que esse choro de protesto foi vivido e uma intrus&atilde;o se deu, uma confus&atilde;o se instalou, e o beb&ecirc; passou a viver como se tudo, dentro e fora, fosse muito perigoso. Poder diferenciar real de imaginado, como no brincar, &eacute; fundamental. Se a m&atilde;e pode de alguma forma brincar, sendo algu&eacute;m que recebe o ataque sem se transformar em uma esp&eacute;cie de v&iacute;tima, ela ajuda seu beb&ecirc; nessa tarefa t&atilde;o complexa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Essa deve ter sido a primeira falha no caso da menininha, mas n&atilde;o foi a &uacute;nica. Possivelmente, ela era colocada para comer, dormir e acordar de forma desarticulada de seu tempo. Logo ap&oacute;s comer ou ser acordada, apresentava as convuls&otilde;es, como a encenar a desarticula&ccedil;&atilde;o com o seu pr&oacute;prio tempo e com o ritmo de suas necessidades. Essa desarticula&ccedil;&atilde;o encontrava no corpo sua express&atilde;o. Nas palavras de Winnicott:</font></p>     <blockquote>       <blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       A psique de uma crian&ccedil;a pode normalmente perder contato com o corpo, e pode haver fases em que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para a crian&ccedil;a retornar de s&uacute;bito para o corpo, como ao acordar de um sono profundo. As m&atilde;es sabem disso. Antes de pegar no colo uma crian&ccedil;a adormecida, acordam-na gradualmente, para n&atilde;o provocar choro de p&acirc;nico. Este pode advir de uma mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o corporal num momento em que a psique encontra-se ausente. (Winnicott, 1958j/2005, p. 8)</font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A pequena crian&ccedil;a, que vivia uma incipiente integra&ccedil;&atilde;o psicossom&aacute;tica a partir dessas intrus&otilde;es, passou a viver esse momento de forma persecut&oacute;ria. Passou a sobressaltar-se frente a variados ru&iacute;dos e a n&atilde;o conseguir estar ali tranquila em seu pr&oacute;prio corpo. De novo nas palavras de Winnicott:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       O desenvolvimento para frente se acha muit&iacute;ssimo associado com a morada, tal como com outros aspectos da integra&ccedil;&atilde;o, mas ele &eacute;, sob todos os sentidos, assustador para o indiv&iacute;duo interessado se n&atilde;o for deixado aberto o caminho de volta &agrave; depend&ecirc;ncia total. (Winnicott, 1971d&#91;1970&#93;/1994, pp. 203-204)</font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esse beb&ecirc; provavelmente n&atilde;o teve o retorno &agrave; depend&ecirc;ncia totalmente garantido. Possivelmente, essa menininha precisava de um desmame mais gradativo, mais caracter&iacute;stico de um ir e vir que pudesse atender &agrave; sua necessidade de recusar a m&atilde;e e de voltar a ela de forma absoluta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esse beb&ecirc; estava &agrave;s voltas com a percep&ccedil;&atilde;o ainda incipiente do mundo externo. Por&eacute;m, j&aacute; podia dar-se conta, ainda que precariamente, de que a pessoa de quem dependia era a mesma que era usada sem compaix&atilde;o. Estava, portanto, diante dos prim&oacute;rdios da tarefa de integra&ccedil;&atilde;o de amor e &oacute;dio nessa rela&ccedil;&atilde;o. Era preciso poder integrar a motilidade agressiva, n&atilde;o destrutiva, na rela&ccedil;&atilde;o com o seio, para poder integr&aacute;-la em si e em seu corpo. Para tanto, seria necess&aacute;rio um ambiente que lhe permitisse a experi&ecirc;ncia de devorar essa m&atilde;e, esquec&ecirc;-la depois e voltar a ela para poder dela depender de novo e novamente devor&aacute;-la. Era importante poder ir e vir sem a sensa&ccedil;&atilde;o de t&ecirc;-la destru&iacute;do.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott lhe propicia na consulta terap&ecirc;utica a integra&ccedil;&atilde;o psique e soma, motilidade e agressividade, amor e &oacute;dio. Ao permitir ser mordido sem retaliar, ele propiciou o encontro com o brincar. Ela p&ocirc;de, ent&atilde;o, usar livremente a esp&aacute;tula, que podia ser jogada, repelida e recuperada. Entrou em contato com seus pezinhos, experimentando a diferen&ccedil;a entre eles e a esp&aacute;tula. Verificou que seus dedinhos n&atilde;o podiam ser jogados fora. Atrav&eacute;s dessa experi&ecirc;ncia, o brincar foi resgatado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott termina o relato do caso dizendo: visitei essa crian&ccedil;a um ano depois e "encontrei-a inteiramente sadia, feliz, inteligente e amistosa, que gostava de brincar, e liberta das ansiedades comuns" (Winnicott, 1968i&#91;1967&#93;/1975, p. 74).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">     <b>4. Mais sobre o mesmo &agrave; guisa de conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O psique-soma inicial s&oacute; pode prosseguir ao longo de uma determinada linha de desenvolvimento na medida em que sua continuidade n&atilde;o seja quebrada por qualquer tipo de fator. A sa&uacute;de, assim propiciada no in&iacute;cio do desenvolvimento individual, leva a uma continuidade de ser, uma experi&ecirc;ncia fundamental no &acirc;mbito da exist&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A crian&ccedil;a sente que mora em seu corpo porque vive experi&ecirc;ncias em que todo o seu corpo est&aacute; envolvido. Ela come, chora, chuta, morde, grita, anda, corre e, assim, vivencia seu corpo como o lugar em que mora. &Eacute; fundamental que o ambiente possa, em fun&ccedil;&atilde;o do manejo suficientemente bom, propiciar essa integra&ccedil;&atilde;o. Caso o ambiente n&atilde;o possa fornecer essa experi&ecirc;ncia, torna-se, ent&atilde;o, uma invas&atilde;o, e isso exige que o psique-soma reaja. &Eacute; basicamente essa rea&ccedil;&atilde;o que perturba a continuidade de ser.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; evidente que n&atilde;o se pode afirmar que as pessoas vivem em seu corpo de forma pronta e acabada. V&aacute;rias vezes em seus textos, Winnicott faz refer&ecirc;ncia ao fato de que as coisas podem caminhar bem desde que a pessoa em quest&atilde;o n&atilde;o esteja, por exemplo, muito cansada. Caso estejam excessivamente cansadas, com sono ou fome, mesmo adultas, as pessoas podem descobrir-se num lugar um pouco diferente. Ter&atilde;o a sensa&ccedil;&atilde;o de que o corpo no qual vivem n&atilde;o lhes pertence ou de que ele ainda n&atilde;o est&aacute; l&aacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para ilustrar melhor essa hip&oacute;tese, embora j&aacute; bastante clara no caso de Winnicott, trago rapidamente uma vinheta do caso de um paciente, j&aacute; h&aacute; alguns anos em an&aacute;lise. Por respeito ao sigilo, fa&ccedil;o algumas mudan&ccedil;as no caso. Elas n&atilde;o comprometem a compreens&atilde;o do que desejo abordar. Trata-se de um adulto, casado, sofrendo no in&iacute;cio do tratamento de dificuldades com a profiss&atilde;o, com o casamento e com a vida, como ele mesmo dizia. Aos dois anos de idade, ele sofreu uma quebra na rela&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima com a m&atilde;e, em fun&ccedil;&atilde;o do nascimento de um irm&atilde;o muito doente. O paciente estruturou uma defesa que oscilava entre certo isolamento, marcado por muitas "idas para o mundo das ideias", segundo sua pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o, e uma depend&ecirc;ncia das pessoas que o aprisionava a elas. A necessidade intensa de ser visto, ouvido e entendido pelo outro levava-o a perder-se de si mesmo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em uma determinada sess&atilde;o, referindo-se a esse tipo de dificuldade no trabalho e, sobretudo, com a mulher, lembrou-se de um epis&oacute;dio ocorrido na adolesc&ecirc;ncia. Estava vivendo o t&eacute;rmino de um longo namoro. Mantivera um relacionamento muito intenso com a namorada. O contato corporal no e para al&eacute;m do sexo era reassegurador, proporcionando-lhe muito bem-estar. Diante da proximidade desse t&eacute;rmino, que relutava em admitir, viveu sensa&ccedil;&otilde;es muito estranhas e angustiantes no corpo. N&atilde;o conseguia manter-se em contato com ele e tinha medo. Ele dizia que tinha sensa&ccedil;&otilde;es muito estranhas. Procurou ent&atilde;o um acupunturista. Logo ao chegar, o profissional olhou para ele e o abra&ccedil;ou, sem que nada tivesse sido dito. Por que ele escolheu esse tipo de profissional e como o acupunturista p&ocirc;de se dar conta do que fazer, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber. Na sess&atilde;o, ele comenta: "N&atilde;o era um abra&ccedil;o afetuoso, era um forte abra&ccedil;o de conten&ccedil;&atilde;o, como se ele segurasse meu corpo todo". Depois dessa experi&ecirc;ncia, as sensa&ccedil;&otilde;es corporais e ang&uacute;stias diminu&iacute;ram e ele p&ocirc;de terminar o namoro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esse relato aconteceu em um per&iacute;odo da an&aacute;lise no qual ele p&ocirc;de relatar um epis&oacute;dio que pudemos considerar juntos, tempos depois, como um momento de extrema import&acirc;ncia em seu processo anal&iacute;tico. Ele conta como viveu uma experi&ecirc;ncia de perda angustiante dos limites do pr&oacute;prio corpo e de sensa&ccedil;&otilde;es apavorantes de desintegra&ccedil;&atilde;o corporal na rela&ccedil;&atilde;o com a mulher e como p&ocirc;de sair dessa viv&ecirc;ncia apavorante. Diante de uma recusa em atender a um pedido da mulher de participa&ccedil;&atilde;o em seu trabalho, instalou-se uma briga. A mulher reagiu violentamente, gritando que nunca mais iria querer ouvir ou saber nada da vida dele. Em um primeiro momento, ele foi tomado por um grande temor, como se fosse ficar abandonado para sempre. Passou a sentir como se fosse morrer e seu corpo estava profundamente envolvido nesse sofrimento. Viveu um momento de quase agonia. Por&eacute;m, em meio a essa dor, conseguiu dizer a si mesmo: n&atilde;o, eu n&atilde;o quero morrer, e se eu n&atilde;o puder ser mais ouvido, ent&atilde;o, n&atilde;o vale a pena viver. &Eacute; justamente em meio a essa dor que consegue se recompor e expressar suas viv&ecirc;ncias, fazendo-se ouvir pela mulher, que, nesse momento, o entende e o acolhe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Entrar nesse estado e sair dele tem sido uma conquista no seu desenvolvimento. Vale ressaltar que essa an&aacute;lise foi marcada por v&aacute;rias manifesta&ccedil;&otilde;es da necessidade de viver a experi&ecirc;ncia de ir e vir, aproximar-se e afastar-se, sem receber cr&iacute;ticas ou amea&ccedil;as de abandono. Testar a capacidade de ser ele mesmo numa rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, por vezes extrema, era condi&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o dessa an&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Constatamos, assim, a precariedade da morada da psique no corpo, que est&aacute; longe de ser um fato dado. Trata-se de uma conquista que tem que acontecer permanentemente. Ela pode romper-se por simples cansa&ccedil;o, intrus&otilde;es ou demandas excessivas da realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Para que a integra&ccedil;&atilde;o de si mesmo se d&ecirc;, &eacute; preciso estabelecer um v&iacute;nculo consistente entre o contato com a realidade e o sentimento de que vivemos num corpo que nos pertence e n&atilde;o vamos perd&ecirc;-lo muito facilmente. &Eacute; igualmente importante a experi&ecirc;ncia desse v&iacute;nculo entre a realidade subjetiva e objetiva, para que n&atilde;o nos percamos em uma queda para um dos dois lados: nem totalmente para dentro, nem totalmente para fora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A &aacute;rea intermedi&aacute;ria entre essas duas realidades &eacute; a &aacute;rea do espa&ccedil;o potencial. Nela, os objetos transicionais constroem o caminho para o brincar e este, para o mundo cultural compartilhado. Essa &aacute;rea, como diz Winnicott, n&atilde;o deve ser contestada, mas aceita. Ela d&aacute; argamassa a esse v&iacute;nculo, possibilitando a realiza&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias integra&ccedil;&otilde;es que precisam acontecer ao longo de toda a vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esse mesmo paciente progrediu em sua profiss&atilde;o e em seu casamento. Fazendo refer&ecirc;ncia ao meu e ao seu trabalho, ele disse: "Para que uma aprendizagem ocorra, &eacute; preciso que o mundo possa entrar um pouquinho na pessoa e que a pessoa possa entrar um pouquinho no mundo".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para concluir, vou me permitir citar a can&ccedil;&atilde;o "A linha e o linho" (1983), de Gilberto Gil, porque acho que os poetas de todas as envergaduras conhecem muito bem tudo isso. Expressam-se de diferentes formas, e elas nos enriquecem. O cantor e compositor fala de uma rela&ccedil;&atilde;o de amor entre um homem e uma mulher. Como sabemos, ela &eacute; engendrada nessa primeira rela&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica com a m&atilde;e. Diz ele:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <blockquote>         <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; a sua vida que eu quero bordar na minha    <br>  Como se eu fosse o pano e voc&ecirc; fosse a linha    <br>  E a agulha do real nas m&atilde;os da fantasia    <br>  Fosse bordando ponto a ponto nosso dia a dia. (Gil, 1983/1990)</font></p>   </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Araujo, T. W. (2005). Apropria&ccedil;&otilde;es da teoria psicanal&iacute;tica nos textos iniciais de D. W. Winnicott. <i>Psych&ecirc;, 9</i>(15), 49-64. Recuperado em 15 setembro, 2015, de <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-11382005000100005&amp;lng=pt&amp;nrm=iso" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-11382005000100005&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999916&pid=S1679-432X201500010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Gil, Gilberto. (1983). A linha e o linho. Em <i>A gente precisa ver o luar</i> &#91;CD&#93;. Rio de Janeiro: Warner Music Brasil. (1990) </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999917&pid=S1679-432X201500010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Winnicott, D. W. (1931a). Convulsions, fits (pp. 157-171). In D. Winnicott, <i>Clinical Notes on Disorders of Childhood</i>. London: Heinemann. (Original word published 1931e).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999918&pid=S1679-432X201500010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1975). <i>O brincar e a realidade</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1971a).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999920&pid=S1679-432X201500010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1975). O lugar em que vivemos. In D. Winnicott (1975/1971a), <i>O brincar e a realidade</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1971q).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999922&pid=S1679-432X201500010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1975). A criatividade e suas origens. In D. Winnicott (1975/1971a), <i>O brincar e a realidade</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1971g).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999924&pid=S1679-432X201500010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1975). O brincar &ndash; uma exposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica. In D. Winnicott (1975/1971a), <i>O brincar e a realidade</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1968i&#91;1967&#93;).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1975). Objetos transicionais e fen&ocirc;menos transicionais. In D. Winnicott (1975/1971a), <i>O brincar e a realidade</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1953c&#91;1951&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999927&pid=S1679-432X201500010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1977). Por que choram os beb&ecirc;s?. In D. Winnicott (1977/1964a), <i>A crian&ccedil;a e seu mundo</i> (&Aacute;. Cabral, Trad., 4a ed.). Rio de Janeiro: Zahar. (Trabalho original publicado em 1945j&#91;1944&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999929&pid=S1679-432X201500010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1977). O beb&ecirc; como pessoa. In D. Winnicott (1977/1964a), <i>A crian&ccedil;a e seu mundo</i> (&Aacute;. Cabral, Trad., 4a ed.). Rio de Janeiro: Zahar. (Trabalho original publicado em 1949c).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999931&pid=S1679-432X201500010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Winnicott, D. W. (1977). <i>A crian&ccedil;a e seu mundo</i> (&Aacute;. Cabral, Trad., 4a ed.). Rio de Janeiro: Zahar. (Trabalho original publicado em 1964a).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999933&pid=S1679-432X201500010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1994). Transtorno (disorder) psicossom&aacute;tico &#91;II &ndash; Nota adicional sobre transtorno psicossom&aacute;tico&#93;. In D. Winnicott (1994/1989a), <i>Explora&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas</i>. Porto Alegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 1989vm&#91;1969&#93;).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1994). Transtorno psicossom&aacute;tico &#91;I &ndash; A enfermidade psicossom&aacute;tica em seus aspectos positivos e negativos&#93;. In D. Winnicott (1994/1989a), <i>Explora&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas</i>. Porto Alegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 1966d&#91;1964&#93;).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1994). Sobre as bases para o self no corpo. In D. Winnicott (1994/1989a), <i>Explora&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas</i>. Porto Alegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 1971d&#91;1970&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999937&pid=S1679-432X201500010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (1994). Sobre as bases para o self no corpo &#91;II &ndash; Dois outros exemplos cl&iacute;nicos&#93;. In D. Winnicott (1994/1989a), <i>Explora&ccedil;&otilde;es psicanal&iacute;ticas</i>. Porto Alegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 1989c).</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (2000). A observa&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s em uma situa&ccedil;&atilde;o estabelecida. In D. Winnicott (2000/1958a), <i>Da pediatria &agrave; psican&aacute;lise</i> (D. Bogomoletz, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1941b).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999940&pid=S1679-432X201500010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (2000). <i>Da pediatria &agrave; psican&aacute;lise</i> (D. Bogomoletz, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1958a).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999942&pid=S1679-432X201500010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Winnicott, D. W. (2005). O primeiro ano de vida. Concep&ccedil;&otilde;es modernas do desenvolvimento emocional. In D. Winnicott (2005/1965a), <i>A fam&iacute;lia e o desenvolvimento individual</i> (M. B. Cipola, Trad., 3a ed.). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1958j).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999944&pid=S1679-432X201500010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Winnicott, D. W. (2005). <i>A fam&iacute;lia e o desenvolvimento individual</i> (M. B. Cipola, Trad., 3a ed.). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1965a).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3999946&pid=S1679-432X201500010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
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