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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O feminino e as drogas na atualidade: The feminine and the drugs in contemporary]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The work starts from the questioning in respect of the possibility to think in a specificity of the relation between the woman and the drug, such as pointed by some researches that put the chemically dependent women as a specific subgroup. It verifies that the term woman, in this case, refers to the female gender. It presents, then, the psychoanalysis' point of view on the questions of the human "sexualization", which, from Freud, and above all, from the re-reading proposed by Lacan, articulates the woman to a given inscription in a not-all phallic jouissance way. Without intending to overtake the behavior reality by the signifier's, it is proposed, however, some possible articulations between the feminine and the drugs from the Lacan's affirmation (1975) that the drug allows to break the marriage with the phallus. From this hypothesis, it presents a clinical case that permits to follow the place of the drug in the libidinal economy of a woman.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O feminino e as drogas na atualidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The feminine and the drugs in contemporary</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Laura Prates Pacheco<a name="Autor" href="#Autora"><sup>&#42;</sup></a></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Escola de Psican&aacute;lise dos F&oacute;runs do Campo Lacaniano &#45; Brasil</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="top" href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <HR size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste trabalho, questiona&#45;se a possibilidade de pensar uma especificidade da rela&ccedil;&atilde;o da mulher com a droga, tal como apontam algumas pesquisas que colocam as mulheres dependentes qu&iacute;micas como um subgrupo espec&iacute;fico. Verifica&#45;se que o termo mulher, neste caso, refere&#45;se ao g&ecirc;nero feminino. Apresenta&#45;se, ent&atilde;o, o ponto de vista da psican&aacute;lise &agrave; quest&atilde;o da sexua&ccedil;&atilde;o humana que, a partir de Freud e, sobretudo, da releitura proposta por Lacan, articula a mulher a uma dada inscri&ccedil;&atilde;o num modo de gozo n&atilde;o todo f&aacute;lico. Sem pretender sobrepor a realidade do comportamento &agrave; do significante, prop&otilde;em&#45;se, entretanto, algumas articula&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis entre o feminino e as drogas a partir da afirma&ccedil;&atilde;o de Lacan &#40;1975&#41; de que a droga permite romper o casamento com o falo. A partir dessa hip&oacute;tese, apresenta&#45;se um caso cl&iacute;nico que permite acompanhar o lugar da droga na economia libidinal de uma mulher. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b>  Feminilidade, Droga, Mulher, Depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica, Psican&aacute;lise.</font></p> <HR size="1" noshade>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The work starts from the questioning in respect of the possibility to think in a specificity of the relation between the woman and the drug, such as pointed by some researches that put the chemically dependent women as a specific subgroup. It verifies that the term woman, in this case, refers to the female gender. It presents, then, the psychoanalysis&#39; point of view on the questions of the human &#34;sexualization&#34;, which, from Freud, and above all, from the re&#45;reading proposed by Lacan, articulates the woman to a given inscription in a not&#45;all phallic jouissance way. Without intending to overtake the behavior reality by the signifier&#39;s, it is proposed, however, some possible articulations between the feminine and the drugs from the Lacan&#39;s affirmation &#40;1975&#41; that the drug allows to break the marriage with the phallus. From this hypothesis, it presents a clinical case that permits to follow the place of the drug in the libidinal economy of a woman.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>  Femininity, Drug, Woman, Chemical dependency, Psychoanalysis.</font></p> <HR size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O feminino e as drogas na atualidade<a name="Link1" href="#2"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao receber o convite para falar no evento &#34;Leituras psicanal&iacute;ticas e o uso de drogas na atualidade&#34;, entendi, como psicanalista, que ao ser convocada a ler, certamente algo deveria estar escrito. Haveria tra&ccedil;os decifr&aacute;veis, leg&iacute;veis, sobre o uso de drogas e, mais ainda, a suposi&ccedil;&atilde;o de uma especificidade desse uso &#45; t&atilde;o antigo quanto a pr&oacute;pria humanidade &#45; no mundo contempor&acirc;neo. Quanto a essa leitura psicanal&iacute;tica poss&iacute;vel, gostaria de lembrar uma advert&ecirc;ncia que Lacan &#40;1998&#41; faz aos psicanalistas em &#34;Fun&ccedil;&atilde;o e campo da fala e da linguagem&#34; &#40;1953&#41;:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Que renuncie a isso &#40;&agrave; psican&aacute;lise&#41; quem n&atilde;o conseguir alcan&ccedil;ar em seu horizonte a subjetividade de sua &eacute;poca. Pois, como poderia fazer de seu ser o eixo de tantas vidas quem nada soubesse da dial&eacute;tica que o compromete com essas vidas num movimento simb&oacute;lico. Que ele conhe&ccedil;a bem a espiral a que o arrasta sua &eacute;poca na obra cont&iacute;nua de Babel, e que conhe&ccedil;a sua fun&ccedil;&atilde;o de int&eacute;rprete na disc&oacute;rdia das l&iacute;nguas &#40;p. 322&#41;.</font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Resgatando a afirma&ccedil;&atilde;o de Lacan a respeito da fun&ccedil;&atilde;o do analista de &#34;int&eacute;rprete na disc&oacute;rdia das l&iacute;nguas&#34;, gostaria de comentar, especificamente, o t&iacute;tulo desta mesa: &#34;O feminino e as drogas na psican&aacute;lise&#34;. Confesso que fiquei bastante intrigada com sua gram&aacute;tica e tamb&eacute;m muito inclinada a dela fazer minha <i>leitura</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira quest&atilde;o que me ocorreu &eacute; se o adjetivo <i>feminino</i> &#40;aqui curiosamente substantivado&#41; e o substantivo <i>droga</i> podem, de fato, ser encontrados na psican&aacute;lise. A resposta ser&aacute; claramente afirmativa se levarmos em conta seu aparecimento no corpo te&oacute;rico psicanal&iacute;tico. Freud e Lacan, minhas refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas privilegiadas, bem como seus seguidores, trataram fartamente da mulher &#40;substantivo em rela&ccedil;&atilde;o ao qual o adjetivo <i>feminino</i> faz refer&ecirc;ncia&#41;, bem como da <i>droga</i>, embora a articula&ccedil;&atilde;o entre ambos n&atilde;o seja encontrada t&atilde;o facilmente. Entretanto, se pensarmos em elevar esses termos &agrave; categoria de conceitos, talvez tenhamos que admitir que ambos n&atilde;o possam ser acolhidos pela psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psican&aacute;lise, por n&atilde;o ser uma teoria de g&ecirc;nero, n&atilde;o concebe &#34;o&#34; feminino como conceito: antes de tudo, lida com o sujeito; a sexua&ccedil;&atilde;o &eacute; um fato de discurso. Tampouco a droga &#45; j&aacute; que a psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; essencialista &#45; poderia ser considerada uma categoria psicanal&iacute;tica espec&iacute;fica, tratando&#45;se t&atilde;o somente de mais um objeto &#40;ou, brincando um pouco com as palavras, um objeto &#34;a mais&#34;&#41;. Assim, rigorosamente falando, j&aacute; que a psican&aacute;lise, sobretudo a de orienta&ccedil;&atilde;o lacaniana, privilegia em seu corpo te&oacute;rico o universal da estrutura &#40;embora trate, na cl&iacute;nica, do acontecimento singular na estrutura&#41;, o que ela pode propor &eacute; um avan&ccedil;o no debate a respeito da especificidade da rela&ccedil;&atilde;o sujeito&#45;objeto no ser humano. Esse seria, digamos, seu campo propriamente dito ou, como diz Lacan, no semin&aacute;rio 17 &#45; &#34;O avesso da psican&aacute;lise&#34;&#45;, o campo do gozo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Falar da rela&ccedil;&atilde;o sujeito&#45;objeto no ser humano, segundo a psican&aacute;lise, implica falar do gozo; um gozo, no entanto, aparelhado pela linguagem. Entretanto, ao me autorizar, aqui, a exercer minha fun&ccedil;&atilde;o de &#34;int&eacute;rprete na disc&oacute;rdia das l&iacute;nguas&#34;, penso que n&atilde;o se pode recuar em rela&ccedil;&atilde;o ao desafio de tentar articular &#40;numa conjun&ccedil;&atilde;o disjuntiva&#41; o sujeito <i>feminino</i> com o objeto <i>droga</i>. Considero, portanto, que esse seja um trabalho de interlocu&ccedil;&atilde;o entre campos distintos, entre l&iacute;nguas distintas: psican&aacute;lise e teoria de g&ecirc;nero, psican&aacute;lise e neuroci&ecirc;ncias e, por &uacute;ltimo, mas n&atilde;o menos importante, a heteridade social, a Outra l&iacute;ngua da mulher, tal como prop&otilde;e a psican&aacute;lise. Tentarei fazer essas pontes em tr&ecirc;s breves tempos:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>1&#41; O feminino na psican&aacute;lise</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De modo geral, h&aacute; uma polariza&ccedil;&atilde;o quanto ao encaminhamento dado &agrave;s quest&otilde;es sobre o feminino: por um lado, considera&#45;se que h&aacute; uma feminilidade em si mesma, ou seja, inerente ao fato de se nascer do sexo feminino, com genitais femininos. Essa ess&ecirc;ncia feminina estaria respaldada pela Biologia, embora repercutisse na constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica. Por outro lado, opera&#45;se com uma distin&ccedil;&atilde;o entre sexo anat&ocirc;mico e g&ecirc;nero, sendo esse &uacute;ltimo uma constru&ccedil;&atilde;o da cultura: as caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das ao feminino seriam flex&iacute;veis e determinadas por raz&otilde;es hist&oacute;rico&#45;culturais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse debate necessariamente aponta para a seguinte quest&atilde;o: de que ordem s&atilde;o as diferen&ccedil;as sexuais humanas? H&aacute; ou n&atilde;o uma sexualidade que possa ser chamada de feminina? O conceito de feminilidade como constru&ccedil;&atilde;o talvez seja um dos aspectos da teoria freudiana em que melhor se evidencia seu v&iacute;nculo paradoxal com o organicismo vigente na &eacute;poca e o car&aacute;ter radical da psican&aacute;lise no sentido de fundar um novo campo epistemol&oacute;gico. A leitura estruturalista que Lacan faz de Freud oferece uma possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o do impasse encontrado nos debates psicanal&iacute;ticos sobre a feminilidade que ora aprisiona a mulher no circuito f&aacute;lico &#45; cuja conseq&uuml;&ecirc;ncia mais not&oacute;ria &eacute; o problem&aacute;tico alinhamento entre mulher e m&atilde;e &#40;o filho substituindo o falo perdido&#41; &#45;, ora resgata a especificidade n&atilde;o&#45;f&aacute;lica da sexualidade feminina baseada em seu destino anat&ocirc;mico, retornando a uma concep&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica da sexualidade humana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan resgata o radicalismo do pr&oacute;prio Freud &agrave; medida que articula o falo simb&oacute;lico como produto da met&aacute;fora paterna, como opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica que possibilita que o sujeito neur&oacute;tico d&ecirc; um sentido &#45; no plano da fantasia inconsciente &#45; ao significante da falta do Outro tomado como demanda: o que o Outro quer de mim? O falo, ent&atilde;o, &eacute; aquilo que regula e contorna o gozo imposs&iacute;vel, unindo o desejo &agrave; lei. A opera&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora paterna, portanto, al&eacute;m de estruturante para o sujeito &eacute; tamb&eacute;m um ato de sexua&ccedil;&atilde;o, pois a tomada de posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao falo no n&iacute;vel do s&ecirc;&#45;lo ou t&ecirc;&#45;lo revela a&iacute; toda a sua import&acirc;ncia. Assim, vemos que o sexo feminino n&atilde;o deixa morrer a pergunta de por que precisamos do artif&iacute;cio do desvio f&aacute;lico para construir uma diferen&ccedil;a que est&aacute; dada a <i>priori</i> na natureza. Se a significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, por um lado, permite aos seres falantes se posicionarem em rela&ccedil;&atilde;o ao desejo do Outro, institui, ao mesmo tempo, um &#34;a mais&#34; ao gozo f&aacute;lico. &Eacute; para &#34;dar conta do que n&atilde;o se conta&#34;, ou seja, desse Outro gozo, que Lacan ir&aacute; subverter a l&oacute;gica aristot&eacute;lica para escrever a &#34;n&atilde;o rela&ccedil;&atilde;o sexual&#34;. Para faz&ecirc;&#45;lo, introduz a negativa no quantificador universal, escrevendo que a mulher &eacute; &#34;n&atilde;o&#45;toda&#34; inscrita na fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica. Os sujeitos inscritos do lado mulher, o lado &#34;n&atilde;o&#45;todo&#34;, portanto, n&atilde;o entram com tudo na linguagem. Podemos tamb&eacute;m apreender dessa l&oacute;gica que n&atilde;o h&aacute; conjunto de mulheres; o grupo &eacute; sempre homossexual &#45; j&aacute; que o <i>heteros</i> descompleta. A mulher se articula a esse imposs&iacute;vel, ao limite da linguagem, incur&aacute;vel, intrat&aacute;vel...</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seria poss&iacute;vel curar um sujeito dos efeitos d&#39;A Mulher? Contradizendo as propostas da sexologia e da farmacologia, ouso dizer que a psican&aacute;lise, desde Freud, n&atilde;o cura &#34;A mulher&#34;. A psican&aacute;lise nos ensina que falta r&eacute;gua e compasso para localiz&aacute;&#45;la. Assim, talvez possamos entender o mal&#45;estar que o desejo feminino provoca na civiliza&ccedil;&atilde;o; inc&ocirc;modo que, em alguns casos extremos, chega ao horror ao feminino, exemplificado pela imposi&ccedil;&atilde;o ao uso da <i>burka</i>, em alguns pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio: o tal &#34;algo&#34; na mulher &#45; que Camille Claudel nomeou &#34;alguma coisa de ausente&#34; &#45; que escapa &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o, ao nome, ao falo... essa fora da lei &#34;que n&atilde;o tem governo, nem nunca ter&aacute;&#34; faz com que &#34;A Mulher&#34; sempre escape e nunca esteja onde se julga poss&iacute;vel encontr&aacute;&#45;la. Mas, mesmo n&atilde;o&#45;localiz&aacute;vel, ela volta, via mascarada, fingindo existir, mesmo que seja fingindo&#45;se de homem, como coloca Lacan em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; histeria. N&atilde;o existe mulher honesta, dizia Nelson Rodrigues, tentando forjar um ponto de identifica&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para o conjunto das mulheres. &#34;Como pode querer que a mulher v&aacute; viver sem mentir?&#34; &#45; pergunta Caetano Veloso. O sintoma que faz existir &#34;A Mulher&#34; cria nomes. Por exemplo: m&atilde;e, esposa de fulano de tal. O que acontece, entretanto, quando a m&aacute;scara cai?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2&#41; As drogas na psican&aacute;lise</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No texto &#34;A psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; uma Neuroci&ecirc;ncia&#34; &#40;2002&#41;, Gabriel Lombardi diz que:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ruptura da psican&aacute;lise deixou um hiato irrevers&iacute;vel cujas conseq&uuml;&ecirc;ncias rigorosas o pr&oacute;prio Freud sofreu. N&atilde;o h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o entre os discursos sobre os neur&ocirc;nios e o discurso sobre a neurose &#91;...&#93;. O psicanalista, tanto em seus m&eacute;todos quanto na reflex&atilde;o sobre seus m&eacute;todos, n&atilde;o pode esquecer esse gesto de ruptura radical com o saber de seu tempo. Adiante, ele acrescenta: a psican&aacute;lise pode incitar a ci&ecirc;ncia a rever sua ci&ecirc;ncia e pode sempre o fazer a partir deste ponto de interroga&ccedil;&atilde;o: que lugar a ci&ecirc;ncia reserva para o sujeito, definido como o efeito de divis&atilde;o da linguagem sobre o vivente? &#40;p. 92&#41;</font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se levarmos essa quest&atilde;o a s&eacute;rio, ser&aacute; preciso nos perguntar qual o sentido, para a psican&aacute;lise, da defini&ccedil;&atilde;o de &#34;depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica a uma ou mais subst&acirc;ncias psicoativas&#34;. Qual o lugar para o sujeito, se a rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com o objeto estivesse determinada organicamente? E mais: n&atilde;o se pode prescindir, a&iacute;, de certa especificidade quanto &agrave;s caracter&iacute;sticas intr&iacute;nsecas ao pr&oacute;prio objeto &#45; no caso, a droga.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu texto &#34;Mais&#45;al&eacute;m dos fen&ocirc;menos&#34; &#40;1989&#41;, Fran&ccedil;ois Leguil esclarece que o que se pode esperar de um diagn&oacute;stico &eacute; &#34;que ele s&oacute; diga as maneiras como se repartem, na estrutura, os efeitos de uma confronta&ccedil;&atilde;o com o enigma do desejo do Outro e n&atilde;o as que permitem dividir os fen&ocirc;menos em fun&ccedil;&atilde;o de modelos dados&#34; &#40;p. 61&#41;. Portanto, o diagn&oacute;stico em psican&aacute;lise &eacute; deslocado do sintoma para a l&oacute;gica da fantasia e s&oacute; serve, como diz Leguil, &#34;para visar a causa, numa iniciativa necess&aacute;ria &agrave; pr&oacute;pria orienta&ccedil;&atilde;o do psicanalista&#34; &#40;p. 62&#41;. Assim, um diagn&oacute;stico, diferentemente de uma etiqueta, &eacute; um dos meios de se orientar num tratamento &#40;p. 69&#41;. E ele adverte:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Agarradas a um aparelhamento te&oacute;rico datado, demarc&aacute;veis na hist&oacute;ria das id&eacute;ias da cl&iacute;nica, numerosas inven&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas posteriores &agrave; obra de Freud, todas pouco ou muito fundadas numa concep&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento ps&iacute;quico, n&atilde;o indicam sen&atilde;o mediocremente o que se pode extrair de um tratamento, e muito mais aquilo sobre o que se espera: o alinhamento do paciente.</font></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A toxicomania, do ponto de vista da psican&aacute;lise, parece ser mais uma dessas inven&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas e, nesse sentido, compartilho do ponto de vista defendido por S&ocirc;nia Alberti &#40;2003&#41; de que &#34;a toxicomania como fen&ocirc;meno n&atilde;o associado particularmente a nenhuma das tr&ecirc;s estruturas cl&iacute;nicas &#40;neurose, psicose e pervers&atilde;o&#41; n&atilde;o pode ser fundado sobre um mito comum&#34;. Na mesma orienta&ccedil;&atilde;o, Raul Pacheco &#40;1999&#41; discute a sobreposi&ccedil;&atilde;o entre toxicomania e pervers&atilde;o, questionando &#34;o emprego dessas no&ccedil;&otilde;es como conceitos absolutos que possam enquadrar em todos os casos, de modo un&iacute;voco e perfeito, o fen&ocirc;meno em quest&atilde;o&#34;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o obstante essa tomada de posi&ccedil;&atilde;o bastante clara, podemos nos perguntar se quando um sujeito recorre &agrave; droga, h&aacute; ou n&atilde;o forma&ccedil;&atilde;o de sintoma. Ou, como eu disse no in&iacute;cio desse trabalho, que gozo est&aacute; implicado nessa rela&ccedil;&atilde;o com o objeto. E ainda, de que modalidade objetal se trata. Fernando Grossi &#40;1997&#41;, coerente com a afirma&ccedil;&atilde;o freudiana de que a toxicomania &eacute; a narcose da neurose, diz que o sujeito faz um curto&#45;circuito da droga, diferentemente da forma&ccedil;&atilde;o de sintoma; embora ao levantar a possibilidade de associar a droga a um ideal, n&atilde;o deixa de fora, &#34;de todo&#34;, certa articula&ccedil;&atilde;o ao pai.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Evidenciar a possibilidade de um posicionamento &#34;n&atilde;o sem o pai&#34; no toxic&ocirc;mano me parece importante diante de algumas coloca&ccedil;&otilde;es um tanto generalizantes. Em texto brilhante, at&eacute; por seu posicionamento pol&iacute;tico contundente, o que costuma ser raro entre os psicanalistas, Ernestro Sinatra &#40;1997&#41; afirma que &#34;dos amores secretos proibidos da moral vitoriana, na qual os sintomas eram dirigidos ao Outro para seu deciframento, deslizamo&#45;nos ao gozo c&iacute;nico dos processos de &lsquo;segrega&ccedil;&atilde;o renovadas&#39;, na &eacute;poca da &lsquo;toxicomania generalizada&#39;&#34;. Nesse sentido, o sujeito toxic&ocirc;mano, muito ao contr&aacute;rio do perverso, parece bem adaptado ao discurso do capitalista que, por meio de uma propaganda de cerveja, grita em coro: &#34;Experimenta, experimenta!&#34; Entretanto, se concordo inteiramente com sua argumenta&ccedil;&atilde;o de que a droga seja apenas mais um <i>gadget</i>, penso que devemos questionar se, de fato, esse fen&ocirc;meno estaria assim t&atilde;o fora do campo do Outro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fazendo alus&atilde;o e contraponto &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o freudiana de que o sujeito realiza um casamento com a droga, Lacan &#40;1974&#41;, afirma que a droga permite romper o casamento com o falo, o que ele chama &#34;pequeno&#45;xixi&#34;, fazendo refer&ecirc;ncia ao caso Hans. Seria, ent&atilde;o, a droga o &#34;antiobjeto&#34; f&oacute;bico? Talvez essa frase de Lacan d&ecirc; margem &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es que coloquem o toxic&ocirc;mano num gozo &#34;sem o falo&#34;. Entretanto, Lacan acrescenta que &#34;tudo o que permite escapar a esse casamento &eacute; evidentemente bem vindo&#34;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, reafirmo minha posi&ccedil;&atilde;o afinada com a de S&ocirc;nia Alberti no texto &#34;O sintoma, a toxicomania&#34;, quando diz que se &eacute; pr&oacute;prio do discurso do capitalista desmentir a castra&ccedil;&atilde;o, &#34;o sujeito hist&eacute;rico pode muito bem utilizar a droga para se recusar ao trabalho, ao estudo, &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, se isso puder ser validado como tentativa de furar o Outro, pelo discurso do Psicanalista&#34; &#40;p. 52&#41;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fala inicial do filme <i>Trainsppotting</i>, nesse sentido, &eacute; bastante precisa:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Escolha a vida, um emprego, escolha uma carreira, uma fam&iacute;lia, uma TV enorme, escolha uma m&aacute;quina de lavar roupa, autom&oacute;veis, CDs, abridores el&eacute;tricos de latas, escolha a boa sa&uacute;de e o colesterol baixo, as hipotecas com prazo fixo e se pergunte em um domingo, de manh&atilde; cedo, que merda voc&ecirc; &eacute;. Escolha se sentar para olhar programas que o tornem est&uacute;pido enquanto como comida lixo, escolha se apodrecer em um lar miser&aacute;vel, sendo uma vergonha os mal criados que voc&ecirc; criou para lhe suceder. Escolha seu futuro, escolha a vida. Por que quereria isso? Escolho a n&atilde;o vida, escolho outras coisas, as raz&otilde;es? N&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es; quem as necessita se h&aacute; a hero&iacute;na?</font></blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>3&#41; O feminino e a droga na psican&aacute;lise</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Haver&aacute;, ent&atilde;o, uma especificidade na rela&ccedil;&atilde;o da mulher com a droga? O trabalho das coordenadoras do PROMUD &#40;Silvia Brasiliano e Patr&iacute;cia Hochgraf&#41; apontam que sim. Embora o termo &#34;mulher&#34;, aqui, trate do g&ecirc;nero feminino e n&atilde;o da inscri&ccedil;&atilde;o num modo de gozo, penso que, sem pretender sobrepor a realidade do comportamento &agrave; do significante, seja poss&iacute;vel fazer algumas articula&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mulheres s&atilde;o, atualmente, tomadas como subgrupo espec&iacute;fico entre os dependentes qu&iacute;micos, e as raz&otilde;es que justificam tal posicionamento s&atilde;o bastante curiosas. Para al&eacute;m da peculiaridade que se deve ao lugar ocupado pela mulher na sociedade, penso que &eacute; poss&iacute;vel encontrar outra especificidade. Uma das pesquisas, por exemplo, apontam algumas raz&otilde;es para a import&acirc;ncia da psicoterapia para a mulher dependente qu&iacute;mica: baixa auto&#45;estima, freq&uuml;&ecirc;ncia de sintomas de ansiedade e depress&atilde;o, maior probabilidade de ter um companheiro tamb&eacute;m dependente qu&iacute;mico e maior probabilidade de terem sido f&iacute;sica ou sexualmente abusadas na inf&acirc;ncia. Como caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas, recortei algumas que considerei bastante valiosas para uma interpreta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica: a preocupa&ccedil;&atilde;o com o relacionamento interpessoal, com a cria&ccedil;&atilde;o de uma identidade independente e com a maternidade. Outro aspecto bastante interessante para o qual as pesquisas apontam &eacute; o de que o uso de &aacute;lcool e de drogas em mulheres parece relacionado a uma tentativa de neutralizar os sentimentos depressivos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da leitura desses dados, que certamente est&atilde;o escritos em uma l&iacute;ngua estrangeira &agrave; psican&aacute;lise, retomei a frase de Lacan a respeito do rompimento do casamento com o falo, propiciado pela droga. Em primeiro lugar, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel romper com algo que esteja estabelecido. Em segundo lugar, Lacan parece apontar para uma faceta pouco &oacute;bvia &#45; a de que o acesso a Outro gozo n&atilde;o deixa de ser bem vindo. No caso espec&iacute;fico da mulher, ter&iacute;amos, ent&atilde;o, que questionar as conseq&uuml;&ecirc;ncias espec&iacute;ficas do div&oacute;rcio com o falo que a droga proporciona, j&aacute; que o casamento da mulher com o falo &eacute;, desde sempre, um &#34;casamento aberto&#34;. A mulher, como dissemos anteriormente, &eacute; &#34;n&atilde;o&#45;toda&#34; casada com o falo. Isso faz com que a modalidade de supl&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; despropor&ccedil;&atilde;o sexual seja diversa no homem e na mulher.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No semin&aacute;rio 20 &#45; &#34;Mais, ainda&#34;, Lacan afirma que enquanto o homem coloca o objeto a na fantasia, no lugar do parceiro que falta, quanto &agrave; mulher &eacute; outra coisa, que n&atilde;o do objeto <i>a</i>, que faz supl&ecirc;ncia a essa rela&ccedil;&atilde;o &#40;propor&ccedil;&atilde;o&#41; sexual que n&atilde;o h&aacute;. &Eacute; claro que uma mulher, por se tratar de um sujeito, tamb&eacute;m se relaciona com um objeto no n&iacute;vel da fantasia &#40;um filho, por exemplo, ocupa esse lugar&#41;. Mas h&aacute; um gozo suplementar que transborda e que, por vezes, pode ser devastador. Quanto a esse &uacute;ltimo termo, ali&aacute;s, Lacan o utilizou para falar da rela&ccedil;&atilde;o da mulher com a m&atilde;e e, posteriormente, retoma&#45;o para diferenciar que se uma mulher para um homem &eacute; um sintoma, um homem, para uma mulher pode ser uma devasta&ccedil;&atilde;o. Colette Soler, no livro &#34;Vari&aacute;veis do fim de an&aacute;lise&#34;, lembra que quando Lacan diz &#34;devasta&ccedil;&atilde;o&#34;, est&aacute; refor&ccedil;ando o tamanho do alheamento da rela&ccedil;&atilde;o para acentuar exatamente o dom&iacute;nio do Outro pelo sujeito: um sujeito &agrave; merc&ecirc; da vontade do outro. N&atilde;o subestimemos, ali&aacute;s, a freq&uuml;&ecirc;ncia com que mulheres fazem existir &#34;A Mulher&#34; sob a m&aacute;scara da masoquista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Soler chamar&aacute; essa tend&ecirc;ncia &agrave; submiss&atilde;o de &#34;aliena&ccedil;&atilde;o do amor&#34;, que ela diz quase &#34;natural&#34; nas mulheres &#45; ressaltando, entretanto, que s&oacute; h&aacute; &#34;natureza&#34; do discurso. Ela diz: &#34;pensamos que isso designaria aqui uma posi&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ada no desejo do outro, entendido aqui como parceiro. &#91;...&#93; n&atilde;o existem limites nas concess&otilde;es que est&atilde;o prontas a fazer a um homem: de seu corpo, de seus bens, de sua alma&#34;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pergunta que deixei formulada na primeira parte deste trabalho, sobre o que ocorre quando a m&aacute;scara de uma mulher cai, talvez agora possa ser respondida. Quando a m&aacute;scara cai, nos diz Soler, &eacute; a devasta&ccedil;&atilde;o: h&aacute; devasta&ccedil;&atilde;o quando a m&aacute;scara que ficou sobre uma cena transborda e realiza&#45;se como sujeito real, sujei&ccedil;&atilde;o realizada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A droga pode ser usada pela mulher no sentido de ajudar a realizar o casamento com o falo pela via da mascarada como, por exemplo, nos casos de utiliza&ccedil;&atilde;o de drogas para emagrecer, moldando&#45;se ao falo magro, supostamente desejado pelo homem ou nos casos em que a mulher &#34;vai no embalo&#34; do parceiro usu&aacute;rio para n&atilde;o decepcion&aacute;&#45;lo. N&atilde;o vou me ater a esses casos, pois eles me parecem mais &oacute;bvios. Quero me ater no segundo caso, aquele em que o uso da droga aparece como supl&ecirc;ncia ao div&oacute;rcio com o falo, gerado pela queda da m&aacute;scara, do lugar que se supunha ocupar para o Outro. A perda do amor, o abandono, a identifica&ccedil;&atilde;o com &#34;alguma coisa ausente&#34; parece se revelar naquilo que se apresenta nas pesquisas como tentativa de anular a dor, nem que seja pela via da morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apresentarei, para finalizar, um fragmento de caso cl&iacute;nico que revela essa segunda modalidade t&atilde;o feminina do uso de drogas. Trata&#45;se de um caso bastante complexo, com o qual trabalhei durante muitos anos. Ele n&atilde;o ser&aacute; apresentado com todos os seus meandros, mas apenas um recorte, bastante espec&iacute;fico, que revela o gozo implicado na rela&ccedil;&atilde;o dessa mulher com a droga.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Fenix</i> &eacute; seu nome de gozo. Nome pr&oacute;prio que ela mesma escolhe ao &#34;renascer&#34; no inferno. Dezesseis anos, virgem, &eacute; assim que responde &agrave; demanda do outro &#45; o dono do bordel &#45; para que invente um nome mais apropriado a seu novo papel, o de puta! &Eacute; tamb&eacute;m com esse nome, dez anos depois, que ela marca uma hora comigo. A analista que ela sabe ser amiga da mulher tra&iacute;da. Esse &eacute; o meu lugar, no in&iacute;cio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do que essa mo&ccedil;a vem se queixar? Da trai&ccedil;&atilde;o da qual julga ser v&iacute;tima. Do &oacute;dio que sente. Do desejo de vingan&ccedil;a. Em suma: da loucura. Louca &#45; &eacute; assim que ela se apresenta ao mundo, na escolha for&ccedil;ada que teve de fazer para separar&#45;se do Outro do horror. J&aacute; foi ladra, puta, agora &eacute; louca. Cria v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es embara&ccedil;osas e perigosas no la&ccedil;o social. Nesse jogo de cena alucinado e alienado, os homens s&atilde;o uns &#34;porcos imundos&#34; e as mulheres, umas &#34;vagabundas&#34;. Mas todos, sem exce&ccedil;&atilde;o, &#34;traidores&#34;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Curiosamente, o que <i>Fenix</i> chama de depress&atilde;o &#45; estado que a faz emagrecer, perder muito cabelo e a impulsiona a me ligar &#45; tem in&iacute;cio quando ela se separa do marido. Ele, um oriental, conheceu&#45;a como prostituta. Levou&#45;a para casa, na condi&ccedil;&atilde;o de que continuasse saindo com outros homens. Depois quis descart&aacute;&#45;la, mas ela, com suas loucuras, n&atilde;o permitiu. Quando engravida, sofre amea&ccedil;as de que se a crian&ccedil;a n&atilde;o apresentasse tra&ccedil;os orientais seria expulsa de casa. O filho nasce loiro, de olhos azuis, mas &eacute; reconhecido e ganha o sobrenome do pai. Ela mesma, na verdade, torna esse homem pai, de quem dependente financeira e emocionalmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s essa tentativa de separa&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;a a namorar um garoto mais novo, sem recursos financeiros, mas com quem, no entanto, consegue a satisfa&ccedil;&atilde;o sexual que h&aacute; muito tempo n&atilde;o tinha mais. Essa nova condi&ccedil;&atilde;o &eacute; insuport&aacute;vel. Primeiro porque, como dizia, &#34;esse garoto n&atilde;o &eacute; para mim, eu sou muito cara&#34;. Segundo, porque o marido inicia, simultaneamente, um caso com uma prostituta. Ela n&atilde;o suporta essa &#34;trai&ccedil;&atilde;o&#34;, ainda mais com algu&eacute;m que ele foi buscar no mesmo lugar de onde a havia tirado, anos atr&aacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na rela&ccedil;&atilde;o transferencial, o paradoxo entre as posi&ccedil;&otilde;es de tra&iacute;da e traidora evidencia&#45;se. Faz quest&atilde;o de dizer, a cada sess&atilde;o, que n&atilde;o sabe se vai continuar. Prefere ligar para confirmar, deixando&#45;me sempre &agrave; espera. Ap&oacute;s a terceira entrevista, liga dizendo que vai se matar. Digo que venha imediatamente ao consult&oacute;rio, mas &eacute; in&uacute;til. Ela toma v&aacute;rios calmantes com <i>whisky</i> e diz: &#34;J&aacute; tomei, agora n&atilde;o tem mais jeito&#34;. De fato, ela fica hospitalizada para fazer lavagem estomacal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recuperada, retoma as entrevistas: &#34;Eu s&oacute; queria aten&ccedil;&atilde;o, no fundo sabia que n&atilde;o ia morrer&#34;. Faz uso constante de tranq&uuml;ilizantes misturados com &aacute;lcool e tamb&eacute;m o uso de maconha, embora diga que &eacute; &#34;careta&#34; e detesta drogas. Diz que usa drogas &#34;para esquecer&#34; e por querer morrer. Quase sempre se droga sozinha, &agrave; noite, em sua casa. A cada sess&atilde;o, anuncia um segredo, que nunca &eacute; revelado imediatamente: diz que foi puta, que n&atilde;o sabe de quem &eacute; o filho e, finalmente, ap&oacute;s tr&ecirc;s meses, revela: &#34;Eu n&atilde;o me chamo <i>Fenix</i>&#34;. Mas recusa&#45;se a dizer seu nome pr&oacute;prio, impronunci&aacute;vel. H&aacute; sempre um tom desafiador e at&eacute; amea&ccedil;ador em seu discurso. Quer saber se n&atilde;o tenho medo dela e por que ela &#34;tem que vir&#34; &#40;<i>sic</i>&#41;. Sempre respondo que se quiser vir, ser&aacute; bem vinda. Mas a desconfian&ccedil;a &eacute; grande: &#34;Como posso saber que voc&ecirc; n&atilde;o vai me trair? Como saber se n&atilde;o est&aacute; interessada s&oacute; no meu dinheiro?&#34; Os sonhos transferenciais, no entanto, revelam outra cena: em quase todos os sonhos, ela est&aacute; deitada no colo da analista e a analista est&aacute; gr&aacute;vida. Ao mesmo tempo, ela aparece desprezando&#45;a, expulsando&#45;a, dando mais aten&ccedil;&atilde;o a alguma &#34;outra&#34; crian&ccedil;a. S&atilde;o esses sonhos que a trazem de volta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante o tratamento, a &#34;loucura&#34;, aos poucos, foi cedendo, escorregando pelo desfiladeiro dos significantes. A consist&ecirc;ncia imagin&aacute;ria e especular dos semelhantes ganhou banho simb&oacute;lico. Com isso, sua f&uacute;ria p&ocirc;de ser aplacada. Decide retomar o casamento e consegue se matricular num curso profissionalizante no qual tem que usar seu verdadeiro nome e sustent&aacute;&#45;lo. Ao final desse curso, pela primeira vez na vida, tem uma profiss&atilde;o. Durante esse per&iacute;odo, p&aacute;ra de usar tranq&uuml;ilizante e passa a praticar esportes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar desses benef&iacute;cios aparentes, o nome <i>Fenix</i> n&atilde;o pode ser abandonado na rela&ccedil;&atilde;o transferencial. Ao contr&aacute;rio, ele indica a atualiza&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica promovida pela presen&ccedil;a do analista: &#34;Aquela pessoa&#34; &#45; como ela se refere a si mesma, para n&atilde;o pronunciar seu nome de registro &#45; viveu no horror: mis&eacute;ria, ignor&acirc;ncia, crian&ccedil;as mortas, crimes etc. E vivenciou, principalmente, as trai&ccedil;&otilde;es da m&atilde;e &#34;devastadora&#34;. Mas a admirava, afinal, sustentou os filhos na falta do dinheiro que o pai n&atilde;o levava para casa. Sentia &oacute;dio pela posi&ccedil;&atilde;o de testemunha na qual a m&atilde;e a colocava.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Falava sobre os homens da m&atilde;e: aqueles &#34;porcos imundos&#34;, que tamb&eacute;m olhavam para ela e a desejava. Ainda havia a amea&ccedil;a materna: se contasse ao pai, &agrave; noite viria o fantasma de um homem com olhos vermelhos para peg&aacute;&#45;la. Verdadeira encarna&ccedil;&atilde;o do &iacute;ncubo, revelador da posi&ccedil;&atilde;o de objeto da mulher. Passava a noite com o cobertor sobre a cabe&ccedil;a, suando lor e morrendo de medo, h&aacute;bito que s&oacute; perdeu h&aacute; pouqu&iacute;ssimo tempo. O pai, expulso da cama materna, a chamava para dormir com ele. Mas ela pressentia desejo no convite paterno, o que lhe provocava a mesma repugn&acirc;ncia que sente hoje pelo marido, colocado no lugar do pai/homem que quer uma puta em casa. Preferia dormir com a m&atilde;e, no lugar dos outros beb&ecirc;s perdidos. O nascimento de uma irm&atilde;zinha que &#34;vinga&#34;, e por quem se sente &#34;trocada&#34;, a subtrai da cama materna e desse lugar simb&oacute;lico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A s&eacute;rie das trocas se inicia aqui. Torna&#45;se um errante. Nessa troca entre duas moedas de mesmo valor, prefere o horror ao horror: para n&atilde;o revelar sua identidade, da qual se envergonha, mente para obter amor. Oferece aquilo que n&atilde;o tem a quem n&atilde;o &eacute;. Embora j&aacute; tenha um deslocamento de &#34;oferecida em troca&#34; para &#34;oferecer algo em troca&#34;, ainda n&atilde;o havia &#34;se oferecido em troca&#34;. Mantinha&#45;se virgem, embora soubesse que poderia ser ajudada se desse o que eles queriam em troca &#45; o seu corpo. Mas n&atilde;o era disso que fugira? Ap&oacute;s v&aacute;rios anos, entretanto, cumpre finalmente o destino oracular que a demanda materna e o zelo paterno anunciavam: deitar&#45;se com qualquer homem em troca de dinheiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando come&ccedil;a a revelar esses &#34;segredos&#34;, a dor, como ela diz, fica insuport&aacute;vel. H&aacute; v&aacute;rias idas e vindas com o marido, por quem sente muito &oacute;dio, mas, ao mesmo tempo, dirige uma demanda incessante de reconhecimento. Volta a usar rem&eacute;dios para dormir, &aacute;lcool e &eacute;ter obtido nos hospitais onde agora faz est&aacute;gio. Um dia, vai completamente dopada de tranq&uuml;ilizantes &agrave; sess&atilde;o. Digo que n&atilde;o vou mais atend&ecirc;&#45;la naquele estado. Ela ironiza, diz que n&atilde;o mando na vida dela, que usa o que quiser e que se quiser se matar ningu&eacute;m vai impedir. Respondo que tudo aquilo &eacute; verdade, mas na minha frente, n&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na sess&atilde;o seguinte, diz que precisa se dopar &#34;para esquecer&#34; &#40;<i>sic</i>&#41; ou, ao menos, &#34;suportar a dor&#34; &#40;<i>sic</i>&#41;. Fa&ccedil;o uma interven&ccedil;&atilde;o um tanto arriscada e n&atilde;o muito comum na minha cl&iacute;nica, e que, de algum modo, refor&ccedil;a e consente com sua aliena&ccedil;&atilde;o ao Outro, validando, ao mesmo tempo &#45; como prop&ocirc;s S&ocirc;nia Alberti &#45; sua tentativa de fur&aacute;&#45;lo. Digo que realmente sua hist&oacute;ria &eacute; muito triste, muito dif&iacute;cil de suportar, que jamais uma crian&ccedil;a deveria ter passado por tudo aquilo, mas que apesar de tudo, ela havia sobrevivido e tratava&#45;se, ent&atilde;o, de pensar o que queria fazer com sua vida a partir daquele momento. Afirmo que, talvez, os rem&eacute;dios at&eacute; pudessem ajud&aacute;&#45;la a suportar o sofrimento, mas, para isso, ela teria que procurar um m&eacute;dico e tom&aacute;&#45;los de forma adequada. Essa interven&ccedil;&atilde;o pouco ortodoxa tem um efeito surpreendente: ela realmente procura uma psiquiatra, comparece &agrave; consulta com seu verdadeiro nome e passa a tomar antidepressivo do modo como &eacute; prescrito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao retomar a hist&oacute;ria das trai&ccedil;&otilde;es maternas e contar novamente fatos j&aacute; tantas vezes relatados, revela que, ao acompanhar a m&atilde;e nos encontros com seus homens, al&eacute;m de testemunha &#45; posi&ccedil;&atilde;o que a colocaria como v&iacute;tima &#45; era tamb&eacute;m c&uacute;mplice: essa revela&ccedil;&atilde;o &eacute; feita aos prantos, uma rar&iacute;ssima concess&atilde;o de fragilidade na situa&ccedil;&atilde;o transferencial, tanto quanto na vida: &#34;eu me divertia &agrave; custa daqueles homens. Aceitava seus presentes, eles me levavam em parques de divers&atilde;o e eu gostava&#34;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O gozo extra&iacute;do da trai&ccedil;&atilde;o materna a colocava como c&uacute;mplice da m&atilde;e em rela&ccedil;&atilde;o ao pai e a impossibilitava de aceitar sua oferta de amor: era ela mesma a traidora. Ao mesmo tempo, p&ocirc;de finalmente questionar se seu pai era mesmo v&iacute;tima do engano materno e depara&#45;se com a natureza da montagem fantasm&aacute;tica: o pai, assim como seu marido, talvez soubesse que a m&atilde;e o tra&iacute;a. O horror dessa verdade que, como diz Lacan, &eacute; irm&atilde; do gozo, era ao mesmo tempo velado e revelado no entorpecimento que a fazia esquecer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ALBERTI, S&ocirc;nia. O Sintoma, a toxicomania. <i>Stylus Revista de Psican&aacute;lise</i>, n. 6 &#45; Ang&uacute;stia e sintoma. Associa&ccedil;&atilde;o F&oacute;runs do Campo Lacaniano &#40;AFCL&#41;. Rio de Janeiro, 2003.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438913&pid=S1679-4427200700020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GROSSI, Fernando Teixeira. &#38; NOGUEIRA, Cristina Sandra Pinelli. Novas Considera&ccedil;&otilde;es sobre a abordagem psicanal&iacute;tica no tratamento da toxicomania. In: INEN,Clara L&uacute;cia. &#38; BAPTISTA, Marcos &#40;Org.&#41;. <i>Toxicomanias &#45; abordagem cl&iacute;nica</i>. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1997.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438914&pid=S1679-4427200700020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LACAN, Jacques. &#40;1953&#41;. Fun&ccedil;&atilde;o e campo da fala e da linguagem em psican&aacute;lise. In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438915&pid=S1679-4427200700020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LACAN, Jacques. &#40;1975&#41;. <i>RSI</i>. Vers&atilde;o n&atilde;o editada.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438916&pid=S1679-4427200700020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LEGUIL, Fran&ccedil;ois. Mais&#45;al&eacute;m dos fen&ocirc;menos. In: LACAN, Jacques. e outros. <i>A querela dos diagn&oacute;sticos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438917&pid=S1679-4427200700020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LOMBARDI, Gabriele. A psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; uma neuroci&ecirc;ncia. In: Heteridade 2 &#45; <i>2001 A Odiss&eacute;ia Lacaniana</i>. Internacional dos F&oacute;runs do Campo Lacaniano &#40;IF&#41;, 2001.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438918&pid=S1679-4427200700020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PACHECO, Raul. Drogas: um mal&#45;estar na cultura contempor&acirc;nea. <i>Psican&aacute;lise e Universidade</i>, n. 9 e 10. S&atilde;o Paulo: EDUC, 1998/1999.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438919&pid=S1679-4427200700020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PRATES, Ana Laura. <i>Feminilidade e experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Hacker, 2001.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438920&pid=S1679-4427200700020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SOLER, Colete. <i>Vari&aacute;veis do fim da an&aacute;lise</i>. Campinas: Papirus,1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438921&pid=S1679-4427200700020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end"></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/mental/v5n9/seta.gif" border="0"><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b></a>    <br></b> E&#45;mail: <a href="mailto:Texto">analauraprates@terra.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido em: 20/9/7    <br>   Aprovado para publica&ccedil;&atilde;o em: 5/10/7</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="Autora" href="#Autor"><sup>&#42;</sup></a>Psicanalista, AME da Escola de Psican&aacute;lise dos F&oacute;runs do Campo Lacaniano &#40;FCL&#45;SP&#41;, Doutora em Psicologia Cl&iacute;nica pela USP. Autora do livro &#34;Feminilidade e experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica&#34; &#40;S&atilde;o Paulo, FAPESP/Hacker, 2001&#41;.</font>    <br> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="2"></a><a href="#Link1"><sup>1</sup></a>Este texto foi apresentado no Col&oacute;quio &#34;Leituras psicanal&iacute;ticas e o uso de drogas na atualidade&#34;, promovido em 2003 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl&iacute;nicas da Faculdade de Medicina da USP e pelo PROMUD &#40;Programa de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Mulher Dependente Qu&iacute;mica&#41;. Ele foi apresentado na mesa &#34;O feminino e as drogas na psican&aacute;lise&#34;.</font></p>      ]]></body>
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