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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[ABSTRACT The Mental Health Community Group (MHCG) is a mental health promotion strategy whose care proposal is based on attention to daily experiences. The purpose of this paper is to understand the relationships established by long-term regular participants with MHCG, which means people who have been participating in the MHCG for at least two years, voluntarily and actively. This is a qualitative research, conducted through open interviews and participant observation, using the thematic analysis method. Seven participants were interviewed, who were users of mental health services. The analysis points to the participants' bond with the Group, which can be understood by three main themes: affective relationships (feelings of gratitude and appreciation for the Group); community relationships (relations based on empathy and solidarity); and belonging relationships (gradual Group connection process, perception of place of belonging). The study of the relations established with the MHCG contributed to a better understanding of the protagonism of people in mental distress, besides helping to problematize the concept of adherence to interventions of mental health strategies.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[RESUMEN El Grupo Comunitario de Salud Mental (GCSM) es un dispositivo de promoción de la salud mental cuya propuesta se basa en la atención de las experiencias cotidianas. El objetivo de este artículo es comprender las relaciones establecidas por los participantes regulares a largo plazo con el GCSM, es decir, las personas que han estado participando en el GCSM durante al menos dos años, de forma voluntaria y activa. Se trata de un recorte de una investigación cualitativa, realizada mediante entrevistas abiertas y observación participante, utilizando el método de análisis temático. Fueron entrevistados siete participantes, ex usuarios del servicio de salud mental. El análisis apunta al vinculo de los participantes al Grupo, comprendido por tres temas principales: relaciones afectivas (sentimientos de valorización, gratitud y aprecio por el Grupo); relaciones comunitarias (basadas en empatia y solidaridad); y relaciones de pertenencia (proceso gradual de vinculación al grupo, percepción del lugar de pertenencia). El estudio de las relaciones establecidas con el GCSM contribuyó a una mejor comprensión del protagonismo de personas con sufrimiento mental, además de ayudar a problematizar el concepto de adhesión a las intervenciones de salud mental.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Grupo comunit&aacute;rio de sa&uacute;de mental: rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas por participantes regulares de longo prazo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mental health community group: relationships established by long-term regular participants</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Grupo comunitario de salud mental: relaciones establecidas por los participantes regulares de largo plazo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nath&aacute;lia Fernandes Minar&eacute;; Carmen L&uacute;cia Cardoso</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto, Universidade de S&atilde;o Paulo, SP, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O Grupo Comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental (GCSM) &eacute; um dispositivo de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental cuja proposta de cuidado se fundamenta na aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s experi&ecirc;ncias cotidianas. O objetivo deste artigo &eacute; compreender as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas por participantes regulares de longo prazo com o GCSM, ou seja, pessoas que participam h&aacute; no m&iacute;nimo dois anos do GCSM, de forma volunt&aacute;ria e ativa. Trata-se de um recorte de uma pesquisa qualitativa, realizada atrav&eacute;s de entrevista aberta e observa&ccedil;&atilde;o participante, com uso do m&eacute;todo de an&aacute;lise tem&aacute;tica. Foram entrevistados sete participantes, ex-usu&aacute;rios de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental. A an&aacute;lise aponta vincula&ccedil;&atilde;o dos participantes ao Grupo, compreendida segundo tr&ecirc;s principais temas: rela&ccedil;&otilde;es afetivas (sentimentos de valoriza&ccedil;&atilde;o, gratid&atilde;o e apre&ccedil;o pelo Grupo); rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias (rela&ccedil;&otilde;es pautadas pela empatia e movimento de solidariedade); e rela&ccedil;&otilde;es de pertencimento (processo gradual de vincula&ccedil;&atilde;o ao Grupo, percep&ccedil;&atilde;o de lugar de perten&ccedil;a). O estudo das rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas com o GCSM contribuiu para melhor compreens&atilde;o do protagonismo de pessoas em sofrimento mental, al&eacute;m de auxiliar a problematizar o conceito de ades&atilde;o &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es de dispositivos de sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Sa&uacute;de Mental; Grupo Comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental; Promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de; V&iacute;nculo; Rela&ccedil;&otilde;es.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> The Mental Health Community Group (MHCG) is a mental health promotion strategy whose care proposal is based on attention to daily experiences. The purpose of this paper is to understand the relationships established by long-term regular participants with MHCG, which means people who have been participating in the MHCG for at least two years, voluntarily and actively. This is a qualitative research, conducted through open interviews and participant observation, using the thematic analysis method. Seven participants were interviewed, who were users of mental health services. The analysis points to the participants' bond with the Group, which can be understood by three main themes: affective relationships (feelings of gratitude and appreciation for the Group); community relationships (relations based on empathy and solidarity); and belonging relationships (gradual Group connection process, perception of place of belonging). The study of the relations established with the MHCG contributed to a better understanding of the protagonism of people in mental distress, besides helping to problematize the concept of adherence to interventions of mental health strategies.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Mental health; Mental Health Community Group; Health promotion; Bond; Relationships.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMEN</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> El Grupo Comunitario de Salud Mental (GCSM) es un dispositivo de promoci&oacute;n de la salud mental cuya propuesta se basa en la atenci&oacute;n de las experiencias cotidianas. El objetivo de este art&iacute;culo es comprender las relaciones establecidas por los participantes regulares a largo plazo con el GCSM, es decir, las personas que han estado participando en el GCSM durante al menos dos a&ntilde;os, de forma voluntaria y activa. Se trata de un recorte de una investigaci&oacute;n cualitativa, realizada mediante entrevistas abiertas y observaci&oacute;n participante, utilizando el m&eacute;todo de an&aacute;lisis tem&aacute;tico. Fueron entrevistados siete participantes, ex usuarios del servicio de salud mental. El an&aacute;lisis apunta al vinculo de los participantes al Grupo, comprendido por tres temas principales: relaciones afectivas (sentimientos de valorizaci&oacute;n, gratitud y aprecio por el Grupo); relaciones comunitarias (basadas en empatia y solidaridad); y relaciones de pertenencia (proceso gradual de vinculaci&oacute;n al grupo, percepci&oacute;n del lugar de pertenencia). El estudio de las relaciones establecidas con el GCSM contribuy&oacute; a una mejor comprensi&oacute;n del protagonismo de personas con sufrimiento mental, adem&aacute;s de ayudar a problematizar el concepto de adhesi&oacute;n a las intervenciones de salud mental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palabras Clave:</b> Salud mental; Grupo Comunitario de Salud Mental; Promoci&oacute;n de la salud; Vinculo, Relaciones.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensar os cuidados em sa&uacute;de mental no atual contexto brasileiro demanda compreens&atilde;o do movimento da Reforma Psiqui&aacute;trica brasileira, de sua repercuss&atilde;o na assist&ecirc;ncia psicossocial e nas estrat&eacute;gias de cuidado. Amarante e Nunes (2018) descrevem a Reforma Psiqui&aacute;trica como um movimento social complexo, que n&atilde;o se reduz &agrave; reforma de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental e suas tecnologias de cuidado, mas sim que visa a um amplo processo de reflex&atilde;o acerca da assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de mental e do lugar social da loucura em nossa cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir disso, a Lei nº 10.216/2001 (Brasil, 2001) reconheceu o movimento reformista iniciado no Brasil na d&eacute;cada de setenta, visando &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o do modelo manicomial, o que representa um complexo processo de transforma&ccedil;&otilde;es sociais no campo da sa&uacute;de mental permeado por alguns momentos de avan&ccedil;os e outros de retrocessos (Amarante &amp; Nunes, 2018). Dentre as principais propostas nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de mental advindas da reforma est&atilde;o: reduzir os leitos psiqui&aacute;tricos e a hospitaliza&ccedil;&atilde;o; priorizar modelos substitutivos de atendimento em sa&uacute;de mental (como Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial e os Hospitais-Dia); fortalecer atendimentos integrais, comunit&aacute;rios, interdisciplinares e descentralizados, al&eacute;m de promover reinser&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial (Brasil, 2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas assistenciais substitutivas em sa&uacute;de mental e de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, as pr&aacute;ticas grupais se revelam instrumentos potenciais para o cuidado integral em sa&uacute;de mental no &acirc;mbito comunit&aacute;rio, pois possibilita o reconhecimento da multiplicidade e da sociabilidade de usu&aacute;rios, familiares e profissionais de sa&uacute;de (Nogueira, Munari, Fortuna &amp; Santos, 2016). Al&eacute;m disso, os trabalhos grupais favorecem a constru&ccedil;&atilde;o coletiva de conhecimento, identifica&ccedil;&atilde;o, estabelecimento de v&iacute;nculos, comunica&ccedil;&atilde;o, troca de experi&ecirc;ncias e reflex&atilde;o sobre as realidades vivenciadas e compartilhadas (Zimerman, 2007). Este trabalho aborda especificamente uma estrat&eacute;gia comunit&aacute;ria grupal denominada Grupo Comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental (GCSM).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GCSM &eacute; um grupo de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental que se desenvolveu no contexto do Hospital-Dia (HD), integrado a um hospital geral no interior do estado de S&atilde;o Paulo. Teve in&iacute;cio em 1997 e ocorre, semanalmente, como uma proposta singular, gratuita, aberta &agrave; comunidade e heterog&ecirc;nea, cujo enfoque &eacute; o cuidado em sa&uacute;de mental atrav&eacute;s de aten&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o e compartilhamento de experi&ecirc;ncias cotidianas (Ishara &amp; Cardoso, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GCSM tem uma hora e meia de dura&ccedil;&atilde;o e ocorre em sess&atilde;o &uacute;nica, ou seja, n&atilde;o pressup&otilde;e continuidade para as pr&oacute;ximas semanas. Em sua estrutura, a sess&atilde;o grupal est&aacute; dividida em tr&ecirc;s principais etapas: ap&oacute;s o acolhimento dos participantes e a apresenta&ccedil;&atilde;o da tarefa grupal, inicia-se o Sarau, cuja proposta &eacute; o compartilhamento de produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas ou culturais que sejam significativas para os participantes; promovendo a express&atilde;o da pessoa e de sua subjetividade a partir da arte e da cultura. A segunda etapa envolve o compartilhamento de experi&ecirc;ncias pessoais cotidianas, o que permite valoriza&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias, visando favorecer processos de elabora&ccedil;&atilde;o, amadurecimento da pessoa humana, apropria&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias e aprendizados. Por fim, o terceiro momento &eacute; a Etapa Reflexiva, que consiste na elabora&ccedil;&atilde;o do trabalho grupal e possibilita que os participantes relatem sobre a repercuss&atilde;o daquela sess&atilde;o grupal em si mesmos, favorecendo a troca de experi&ecirc;ncias e identifica&ccedil;&otilde;es (Ishara &amp; Cardoso, 2013).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GCSM foi originalmente inspirado na proposta dos grupos operativos de Enrique Pichon-Rivi&egrave;re (1907-1977), e seu desenvolvimento tem ocorrido por meio de observa&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas, discuss&otilde;es cl&iacute;nicas e investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, possibilitando amplia&ccedil;&atilde;o e refinamento de seus objetivos e reformula&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas. Assim, estabeleceu-se um di&aacute;logo com a fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938) e Edith Stein (1891-1942). A partir de tal abordagem te&oacute;rica, os construtos acerca da dimens&atilde;o do encontro humano, da empatia e da dimens&atilde;o comunit&aacute;ria se mostram prof&iacute;cuos para a proposta de cuidado em sa&uacute;de mental do GCSM (Ishara &amp; Cardoso, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A dimens&atilde;o do encontro humano remete &agrave; concep&ccedil;&atilde;o do relacionamento interpessoal como fator constitutivo da pessoa. A ideia de empatia abarca o entendimento de que o humano possui em sua estrutura atos emp&aacute;ticos que permitem reconhecer o outro como sujeito e n&atilde;o objeto. Na compreens&atilde;o de Stein, isso vai al&eacute;m de se colocar no lugar do outro, mas se refere, principalmente, a um ato que possibilita o reconhecimento e a apreens&atilde;o do outro como meu semelhante.  Por fim, a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria implica caracter&iacute;sticas predominantes de solidariedade e responsabiliza&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, assim como cuidados e afetos entre os membros de uma comunidade (Ishara &amp; Cardoso, 2013). Coelho J&uacute;nior e Mahfoud (2006) compreendem, a partir de Stein, que uma viv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria implica "um reconhecimento de uma experi&ecirc;ncia de 'n&oacute;s', uma experi&ecirc;ncia de perten&ccedil;a" (p. 17).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais quest&otilde;es tamb&eacute;m dialogam com o que alguns estudiosos da psican&aacute;lise discutem quanto &agrave; sa&uacute;de mental e constitui&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es humanas. Nessa linha, Mizrahi (2017) e Safra (2004, 2005, 2006) abordam, a partir da teoria de Donald Winnicott (1896-1971), a relev&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es humanas para a experi&ecirc;ncia subjetiva, compreendendo a possibilidade de ser recebido, acolhido e reconhecido por um outro como essencial ao desenvolvimento saud&aacute;vel do <i>self.</i> Al&eacute;m disso, segundo Mizrahi (2017), a experi&ecirc;ncia de pertencer ao ambiente relacional est&aacute; associada, na teoria winnicottiana, &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria subjetividade, uma vez que o autor entende a possibilidade de exist&ecirc;ncia ps&iacute;quica como dependente de um contexto que permita ao indiv&iacute;duo "sentir-se parte".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, Mizrahi (2017) discute o desamparo e a fragilidade de v&iacute;nculos e rela&ccedil;&otilde;es como um aspecto marcante da contemporaneidade, sejam essas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, de assist&ecirc;ncia, de comunidade, ou de fam&iacute;lia. Nesse contexto, as pessoas t&ecirc;m experienciado sentimentos recorrentes de n&atilde;o pertencimento e solid&atilde;o, que segundo a autora, podem se desdobrar em adoecimento mental de maior ou menor gravidade. Em conson&acirc;ncia, Safra (2004) aborda o ser humano como um ser essencialmente comunit&aacute;rio de modo que quando h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es que fraturem ou impe&ccedil;am a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria, h&aacute; adoecimento do ser humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GCSM pode ser entendido como uma a&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental que prop&otilde;e o retorno &agrave; dimens&atilde;o comunit&aacute;ria, compreendida como essencial para sa&uacute;de, integridade e constitui&ccedil;&atilde;o humana (Ishara &amp; Cardoso, 2013). Ao longo do desenvolvimento do GCSM e dos constantes estudos realizados sobre o mesmo, tem sido poss&iacute;vel observar a participa&ccedil;&atilde;o continuada de usu&aacute;rios e ex-usu&aacute;rios de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental que t&ecirc;m mostrado engajamento para com este trabalho grupal. Tais participantes frequentam o mesmo, de modo volunt&aacute;rio, de forma ativa, ou seja, trazendo contribui&ccedil;&otilde;es frequentes ao Grupo, por per&iacute;odo superior a dois anos, apresentando certa regularidade em sua presen&ccedil;a. Por isso, optou-se por denomin&aacute;-los neste estudo como <i>"participantes regulares de longo prazo".</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contexto da assist&ecirc;ncia psicossocial humanizada &eacute; v&aacute;lido retomar estudos acerca das estrat&eacute;gias comunit&aacute;rias; assim como refletir sobre o trabalho do GCSM, que atua no campo da promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de e tem por caracter&iacute;sticas em sua estrutura ser aberto, de sess&atilde;o &uacute;nica, de modo que qualquer pessoa possa participar quantas vezes desejar. A partir disso, emerge a possibilidade de estudo acerca da percep&ccedil;&atilde;o dos "participantes regulares de longo prazo" sobre a rela&ccedil;&atilde;o com o GCSM, a fim de compreender como a mesma repercute em seu cuidado com a sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, o objetivo deste artigo &eacute; compreender as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas por participantes regulares de longo prazo com o GCSM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este trabalho &eacute; um recorte de uma pesquisa amparada na abordagem qualitativa que, segundo Minayo (2014), possibilita compreender a complexidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais a partir da perspectiva dos atores sociais envolvidos. Por se tratar de uma pesquisa com seres humanos, o estudo foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa (CAAE nº 88102418.1.0000.5407), e todos os procedimentos &eacute;ticos foram seguidos, dentre eles a elabora&ccedil;&atilde;o e assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, a preserva&ccedil;&atilde;o da identidade dos participantes e a ado&ccedil;&atilde;o de nomes fict&iacute;cios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Contexto do estudo</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O contexto deste estudo &eacute; o GCSM que ocorre em um Hospital-Dia (HD), unidade de assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de mental no n&iacute;vel terci&aacute;rio, que se responsabiliza pelo regime intermedi&aacute;rio entre a interna&ccedil;&atilde;o hospitalar e o atendimento ambulatorial, atendendo casos psiqui&aacute;tricos graves e em crise, por meio de interna&ccedil;&atilde;o parcial durante cinco dias na semana (Brasil, 1992). H&aacute; atendimentos individuais e em grupos para usu&aacute;rios e familiares, reuni&otilde;es comunit&aacute;rias, atividades f&iacute;sicas e recreativas, com equipe multiprofissional. O tratamento nessa institui&ccedil;&atilde;o visa valorizar os v&iacute;nculos e o conv&iacute;vio dos pacientes com familiares, profissionais e com a comunidade, como forma de cuidado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GCSM ocorre semanalmente no HD, com dura&ccedil;&atilde;o de uma hora e meia, abarcando cerca de 30 a 40 participantes, dentre os quais usu&aacute;rios e ex-usu&aacute;rios do HD, seus familiares, profissionais de sa&uacute;de, residentes, estudantes, e pessoas da comunidade. Este Grupo tem sido coordenado por seu fundador desde o nascimento deste programa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Constitui&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise do corpus</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram utilizados dois instrumentos: entrevista aberta e observa&ccedil;&atilde;o participante. A entrevista aberta se mostra uma ferramenta interativa que possibilita ao entrevistado a liberdade de relatar sobre si, expor ideias sobre a tem&aacute;tica proposta e atribuir significados &agrave;s mesmas, n&atilde;o apresentando roteiro estruturado, e sim perguntas disparadoras (Minayo, 2014). A entrevista teve por quest&atilde;o norteadora: <i>"Conte-me sobre sua participa&ccedil;&atilde;o no grupo".</i> J&aacute; a observa&ccedil;&atilde;o participante possibilita "ao observador mergulhar em outros sentidos do contar-se, ultrapassando os limites da fala" (Santos, Ara&uacute;jo e Bellato, 2016, p. 7). A observa&ccedil;&atilde;o participante foi realizada pela primeira autora deste estudo por tr&ecirc;s anos, o que resultou na elabora&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;rio de campo com registros de detalhes do fen&ocirc;meno estudado, al&eacute;m de favorecer o v&iacute;nculo da pesquisadora com os participantes do estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados foram analisados por meio do m&eacute;todo de an&aacute;lise tem&aacute;tica proposto por Braun e Clarke (2006), o qual possibilita identifica&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise e apresenta&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es tem&aacute;ticos presentes no material atrav&eacute;s da organiza&ccedil;&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o do conjunto de dados. Para a discuss&atilde;o dos resultados, foi realizada interlocu&ccedil;&atilde;o com autores cujos estudos e teorias t&ecirc;m auxiliado o embasamento metodol&oacute;gico do GCSM (amparados pela fenomenologia de Edith Stein), al&eacute;m de autores da &aacute;rea de sa&uacute;de mental e trabalhos grupais (amparados sobretudo pela psican&aacute;lise winnicottiana).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos participantes</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram convidados a participar da pesquisa pessoas que integram o GCSM, de acordo com os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: (a) ter acima de 18 anos; (b) ter participado do GCSM por no m&iacute;nimo dois anos; (c) ter apresentado participa&ccedil;&atilde;o regular, ou seja, volunt&aacute;ria, ativa e com regularidade; e (d) ser ex-usu&aacute;rio de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental. Foram entrevistados sete participantes, que foram considerados participantes regulares de longo prazo no GCSM. Os participantes apresentam idade m&eacute;dia de 44 anos e tempo de participa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dio no GCSM de 7,3 anos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da an&aacute;lise realizada destacam-se tr&ecirc;s principais temas quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelos participantes regulares de longo prazo com o GCSM: rela&ccedil;&otilde;es afetivas; rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias; e rela&ccedil;&otilde;es de pertencimento. Essas ser&atilde;o discutidas a seguir de modo inter-relacionado, pois apresentam uma interdepend&ecirc;ncia, constituindo uma a outra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primeiramente, os entrevistados relatam um percurso de participa&ccedil;&atilde;o no GCSM permeado por diversos momentos, reflex&otilde;es, experi&ecirc;ncias e sentimentos. Todos contam sobre um desafio inicial em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, decorrente de dificuldades de compreens&atilde;o do Grupo, de suas caracter&iacute;sticas e propostas, al&eacute;m de dificuldades em lidar com o convite realizado pela tarefa grupal de postura de abertura para a troca e compartilhamento de experi&ecirc;ncias. Isso pode ser ilustrado pelo seguinte relato:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eu n&atilde;o gostava muito de vir aqui (no GCSM) (...) e tem pessoas com dificuldades e eu n&atilde;o tava</i> t&atilde;o acostumado com esse tipo de p&uacute;blico que era daqui (...) Eu vinha aqui, eu n&atilde;o entendia muito bem, ent&atilde;o eu ficava um pouco mais quieto, assim, n&eacute;. A&iacute; como, com o tempo eu fui entendendo e fui trazendo a, &eacute;, as minhas experi&ecirc;ncias, o que me fazia bem tamb&eacute;m (...) eu aprendi que quanto mais eu convivo com as pessoas eu vou aprendendo com as pessoas, eu vou, eu vou trocando ideias (Carlos)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O participante refere distanciamento do GCSM e das pessoas que o compunham no in&iacute;cio do contato, o que lhe instigava a permanecer <i>"mais quieto",</i> mais reservado em seu espa&ccedil;o de observador, evitando manifestar-se. Contudo, <i>"com o tempo",</i> o entrevistado relata maior entendimento da proposta, a qual foi se tornando mais familiar, possibilitando-lhe compartilhar suas experi&ecirc;ncias e perceber que isso lhe <i>"fazia bem",</i> indicando o potencial terap&ecirc;utico do compartilhamento das pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias para este participante, que passa a referir certo bem-estar subjetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os demais relatos a seguir trazem outras percep&ccedil;&otilde;es dos participantes acerca de modos de se relacionar com o GCSM:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eles te acolhem. &Eacute; isso o Grupo Comunit&aacute;rio, acolhedor (...) uma comunidade, uma fam&iacute;lia (...) &Eacute; esse gesto deles, de quando a gente chega e a primeira coisa quando chega &eacute; '&oacute;, voc&ecirc; veio, que bom te ver aqui, fico feliz, de te ver'. E quando voc&ecirc; abra&ccedil;a algu&eacute;m e fala '&ocirc;, gostei desse abra&ccedil;o, tava precisando', 'o seu sorriso hoje tava mais bonito que ter&ccedil;a-feira passada'. Voc&ecirc; escuta isso tamb&eacute;m, viu</i> (L&uacute;cia).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eu sinto muito apre&ccedil;o pelo Grupo. Porque o Grupo sente muito apre&ccedil;o por mim (...) quando eu trago a minha experi&ecirc;ncia e vejo que todo mundo aproveitou a experi&ecirc;ncia, todo mundo sentiu que a experi&ecirc;ncia foi boa pra eles, isso me deixa t&atilde;o bem, isso me deixa t&atilde;o realizado, me deixa t&atilde;o de bem comigo mesmo, &eacute; como se eu tivesse feito uma troca</i> (Luiz).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais falas se referem a sutilezas presentes no cotidiano do GCSM. &Eacute; poss&iacute;vel entender que h&aacute; um ambiente humano que preza pelo acolhimento, algo que n&atilde;o &eacute; desempenhado apenas pela equipe profissional, mas tamb&eacute;m pelos demais participantes, que interagem de modo afetivo a partir de um <i>"gesto".</i> Safra (2004, 2005, 2006), sob o vi&eacute;s winnicottiano, discute a ideia de <i>gesto,</i> que se refere a um movimento espont&acirc;neo em busca de um outro, de uma presen&ccedil;a humana. Pode-se pensar que, a partir dessa possibilidade de gesto humano associada &agrave; recep&ccedil;&atilde;o do outro e manifesta&ccedil;&atilde;o de afetos percebida no contexto do GCSM, a participante L&uacute;cia significa o Grupo como uma fam&iacute;lia, o que sugere estabelecimento de v&iacute;nculos de ordem afetiva, comunit&aacute;ria e de perten&ccedil;a com os demais participantes e com o pr&oacute;prio GCSM.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, no trecho da fala de Luiz, pode-se perceber uma rela&ccedil;&atilde;o afetiva m&uacute;tua, uma vez que se sentir importante e querido pelo conjunto grupal est&aacute; associado ao apre&ccedil;o que o entrevistado sente pelo mesmo, de modo a tamb&eacute;m considerar o Grupo relevante e essencial para suas viv&ecirc;ncias cotidianas. A partir disso, o entrevistado pode realizar trocas de experi&ecirc;ncias que s&atilde;o valorizadas por ele, pois se percebe como algu&eacute;m que ajuda aos demais. Assim, &eacute; poss&iacute;vel refletir que tal constata&ccedil;&atilde;o se associa a uma percep&ccedil;&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e bem-estar subjetivo, uma vez que o entrevistado sente contribuir com algo que lhe &eacute; pr&oacute;prio, tendo em vista que suas experi&ecirc;ncias dizem muito sobre si mesmo, e podem ser aproveitadas pelo Grupo como um todo. Tal percep&ccedil;&atilde;o &eacute; semelhante &agrave; de Carlos, quando ele reflete acerca do aprendizado gradual que o Grupo proporcionou quanto ao conv&iacute;vio com as pessoas e o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es que possibilitaram trocas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais movimentos afetivos com o GCSM relatados pelos participantes podem ser compreendidos a partir da ideia de desenvolvimento da intimidade elaborada por Boraks (2002) a partir de Winnicott. A autora discorre sobre o processo de enraizamento do &iacute;ntimo, ou seja, a constitui&ccedil;&atilde;o da intimidade, que expressa uma capacidade de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es com o outro, sem perder o contato com o mais &iacute;ntimo de si (o <i>self).</i> Nesse processo, o <i>self</i> inicia vaga interioridade que aos poucos ganha contornos mais definidos. Disso decorre o estabelecimento de uma unicidade, que se mostra a base para a possibilidade de desenvolvimento da intimidade. Essa, por sua vez, pressup&otilde;e a capacidade de se relacionar com um outro, assim como a possibilidade de dualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa transi&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de rela&ccedil;&otilde;es com um outro depende do ritmo pessoal de cada sujeito, tendo em vista que o estabelecimento do &iacute;ntimo est&aacute; vinculado a um percurso entre o subjetivo e o objetivo, "uma esp&eacute;cie de progress&atilde;o da capacidade de ter experi&ecirc;ncias pessoais" (Boraks, 2002, p. 887). A autora discute que a interioridade deriva das habilidades de contatar, sustentar e elaborar experi&ecirc;ncias afetivas; dessa forma, tal sentimento de interioridade e intimidade podem sustentar o sentimento de integridade nas experi&ecirc;ncias pessoais. Portanto, disso adv&eacute;m a possibilidade de experimentar afeto e realizar trocas nos relacionamentos (Boraks, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contexto dos participantes regulares de longo prazo do GCSM, pode-se pensar em como as intera&ccedil;&otilde;es propiciadas pelos encontros favoreceram esse processo de enraizamento do &iacute;ntimo ao longo da frequ&ecirc;ncia no Grupo, assim como da possibilidade de fortalecimento da capacidade de manter rela&ccedil;&otilde;es com o outro e de ter experi&ecirc;ncias pessoais. O engajamento desses participantes no trabalho grupal durante anos de participa&ccedil;&atilde;o regular pode contribuir para o percurso que Boraks (2002) denomina como transforma&ccedil;&atilde;o do &iacute;ntimo em intimidade compartilhada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, as trocas e o compartilhamento das experi&ecirc;ncias propiciam as rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias percebidas nos relatos dos participantes, ilustrada pelo trecho a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Me dava vontade no GCSM de mostrar pras pessoas como que &eacute; bom falar dos seus sentimentos, das suas dificuldades (...) quando eu era paciente, eu tamb&eacute;m me sentia respons&aacute;vel (...) eu gosto de ouvir as hist&oacute;ria das pessoas (...) E como a gente fica numa comunidade a gente pode ouvi-las, e &agrave;s vezes pode at&eacute; ajud&aacute;-las (...) isso pra mim &eacute;, me enriquece</i> (Carlos).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carlos diz se sentir respons&aacute;vel pelos demais participantes do GCSM, por ajud&aacute;-los a realizar o percurso que ele mesmo vivenciou: perceber que &eacute; de ajuda para a promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental <i>"falar dos seus sentimentos, das suas dificuldades"</i> no contexto grupal, que se trata de um ambiente acolhedor segundo os entrevistados. Pode-se refletir que a possibilidade de <i>"ouvir as hist&oacute;rias das pessoas"</i> de modo genu&iacute;no e com desejo de <i>"ajud&aacute;-las",</i> apresentam algumas caracter&iacute;sticas das rela&ccedil;&otilde;es tipicamente comunit&aacute;rias, compreendidas fenomenologicamente a partir da empatia com o outro, o sentimento de solidariedade e a possibilidade de partilha (Silva &amp; Cardoso, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreender tais rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias no contexto da sa&uacute;de mental se faz relevante por ampliar o entendimento da complexidade do ser humano e de suas dimens&otilde;es. Nesse sentido, a partir das reflex&otilde;es de Stein, Fuentes (2016) aponta que para se compreender em profundidade uma pessoa &eacute; preciso entend&ecirc;-la como um "n&oacute;s", pois a exist&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo se d&aacute; no mundo, ou seja, imersa em uma comunidade, de modo que isso constitui a pr&oacute;pria estrutura do ser humano. Assim, as rela&ccedil;&otilde;es dos participantes com um grupo que se prop&otilde;e comunit&aacute;rio favorecem e auxiliam a compreens&atilde;o das viv&ecirc;ncias comunit&aacute;rias: viv&ecirc;ncias que v&atilde;o al&eacute;m da dimens&atilde;o individual, visto que o ser humano &eacute;, essencialmente, ser em rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em perspectiva semelhante, Basso, Souza, Ara&uacute;jo e C&acirc;ndido (2019) discutem o papel dos v&iacute;nculos estabelecidos para o processo de transforma&ccedil;&atilde;o dos participantes no contexto grupal. Os autores relatam um caso cl&iacute;nico no qual h&aacute; desejo de um participante de pertencer ao grupo terap&ecirc;utico, podendo existir e ser notado nesse contexto, embora no in&iacute;cio isso ocorra com bastante dificuldade. Os autores descrevem, ainda, a possibilidade desse participante existir como si mesmo, decorrente de um processo de evolu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo com os demais participantes do grupo, no qual houve percep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o como constitutiva de si mesmo, daquilo que &eacute; pr&oacute;prio a cada pessoa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, os trechos a seguir ilustram as rela&ccedil;&otilde;es de pertencimento dos participantes regulares de longo prazo com o GCSM:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>No come&ccedil;o eu queria ser, eu queria fazer parte do Grupo (...) agora eu estou sendo, eu t&ocirc; fazendo parte de pessoas que eu n&atilde;o me sentia bem (...) Eu fui aprendendo a encontrar o sentido do Grupo Comunit&aacute;rio, ver como que &eacute; importante eu fazer parte e ser do Grupo</i> (Carlos).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acho que eu contribuo (com o GCSM) quando eu t&ocirc; ali, quando eu respeito, sabe, as pessoas (...) quando eu fa&ccedil;o as minhas experi&ecirc;ncias fora do Grupo, eu t&ocirc; ali, sabe, eu perten&ccedil;o ao Grupo quando eu sou uma pessoa que ressignifica todos os momentos (...) Voc&ecirc; pode falar "nossa, gente, isso a&iacute; no Grupo n&atilde;o sei quem fez a mesma coisa que eu t&ocirc; fazendo hoje". Inconscientemente voc&ecirc; sabe que isso faz parte da sua vida, j&aacute;, sabe?</i> (Clara)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carlos retoma seu processo de engajamento na participa&ccedil;&atilde;o regular ao refletir sobre como n&atilde;o se sentia confort&aacute;vel junto aos demais participantes do Grupo ao come&ccedil;ar a frequent&aacute;-lo, mas j&aacute; ansiava por estabelecer um v&iacute;nculo. Ap&oacute;s algum tempo, houve o processo de apropria&ccedil;&atilde;o da proposta do GCSM, compreens&atilde;o de suas caracter&iacute;sticas e atribui&ccedil;&atilde;o de sentidos ao mesmo, os quais ele descreve como <i>"aprender a encontrar o sentido do Grupo".</i> Isso repercute, assim, em <i>"fazer parte e ser do Grupo",</i> ou seja, viver uma rela&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a e estar consciente dela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Ara&uacute;jo (2013), h&aacute; uma compreens&atilde;o do viver a perten&ccedil;a conscientemente quando o sujeito est&aacute; inserido em uma comunidade, recebe dela uma forma&ccedil;&atilde;o e desempenha determinadas fun&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, a autora destaca que a consci&ecirc;ncia do pertencer se inicia na responsabilidade para com a comunidade, &agrave; medida que o sujeito &eacute; convocado a participar de sua constru&ccedil;&atilde;o. No trecho da entrevista citado anteriormente, Carlos se mostra consciente de tal forma&ccedil;&atilde;o experienciada no GCSM, assim como da responsabilidade que assumiu para com o Grupo e seus integrantes. Portanto, <i>"ser do Grupo"</i> pode ser compreendido como um acontecimento que demandou tanto tempo quanto esfor&ccedil;o e posicionamento ativo do entrevistado, mediante o engajamento na participa&ccedil;&atilde;o regular. Assim, a experi&ecirc;ncia com o pr&oacute;prio GCSM &eacute; necess&aacute;ria para a compreens&atilde;o do mesmo e para o desenvolvimento da rela&ccedil;&atilde;o de pertencimento. Isso sugere que a participa&ccedil;&atilde;o regular de longo prazo e as rela&ccedil;&otilde;es de perten&ccedil;a se retroalimentam, pois uma favorece a outra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De modo semelhante, o depoimento de Clara apresenta sua compreens&atilde;o acerca de seus modos de contribuir com o GCSM atrav&eacute;s do engajamento na proposta, do respeito aos demais participantes e da possibilidade de <i>"fazer experi&ecirc;ncias fora do Grupo",</i> ou seja, levar a proposta de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s experi&ecirc;ncias cotidianas para al&eacute;m do contexto grupal, para seu pr&oacute;prio cotidiano. A partir disso, Clara se reconhece como pertencente ao GCSM, percebendo que o mesmo <i>"faz parte da sua vida".</i> Pode-se entender, a partir da fala da participante, que a possibilidade de ressignificar experi&ecirc;ncias vividas remete &agrave;s repercuss&otilde;es do trabalho grupal em seu cotidiano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais tipos de rela&ccedil;&otilde;es com o GCSM apresentados pelos participantes regulares de longo prazo permitem compreender que foi estabelecida forte ades&atilde;o &agrave; proposta do trabalho grupal, no sentido de apropria&ccedil;&atilde;o do mesmo. Nessa perspectiva, pode-se ampliar as reflex&otilde;es quanto ao conceito de ades&atilde;o no contexto da sa&uacute;de mental. Jord&atilde;o e Pergentino (2018) caracterizam o conceito de ades&atilde;o, dentro da perspectiva psicossocial humanizada, como a rela&ccedil;&atilde;o que um usu&aacute;rio de servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental tem com o percurso de tratamento que visa reestabelecer uma condi&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. Nesse sentido, apontam que aderir a um tratamento envolve mais do que capacidade de entender as prescri&ccedil;&otilde;es do mesmo e segui-las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos aspectos que favorecem a ades&atilde;o &agrave;s propostas de cuidado discutido pelos autores &eacute; a humaniza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e da assist&ecirc;ncia prestada, uma vez que isso envolve auxiliar os usu&aacute;rios a compreender seus direitos e desenvolver condi&ccedil;&otilde;es de cumprir seus deveres, de modo n&atilde;o impositivo. Assim, o conceito de ades&atilde;o nesse paradigma implica um sujeito que "exerce sua autonomia em concord&acirc;ncia com o profissional de sa&uacute;de" (Jord&atilde;o &amp; Pergentino, 2018, p. 76), o que favorece o exerc&iacute;cio do protagonismo do usu&aacute;rio no contexto da sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No GCSM, pode-se refletir sobre o estabelecimento de v&iacute;nculos e rela&ccedil;&atilde;o de pertencimento de ex-usu&aacute;rios do servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental com o dispositivo de cuidado grupal. Nesse sentido, entende-se que o GCSM prop&otilde;e um cuidado humanizado, que respeita a autonomia de seus integrantes, na mesma linha das reflex&otilde;es apontadas por Jord&atilde;o e Pergentino (2018). Contudo, &eacute; v&aacute;lido ressaltar que as rela&ccedil;&otilde;es de perten&ccedil;a dos entrevistados ao Grupo dependem de v&aacute;rios fatores, dentre os quais ressalta-se o tempo de participa&ccedil;&atilde;o; engajamento pessoal; compreens&atilde;o da proposta; e atribui&ccedil;&atilde;o de sentido &agrave; mesma; al&eacute;m de considerar que a proposta do Grupo e as interven&ccedil;&otilde;es nele realizadas tamb&eacute;m auxiliam no estabelecimento dos v&iacute;nculos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, pensar a ades&atilde;o dos participantes regulares de longo prazo ao GCSM atrav&eacute;s do desenvolvimento de v&iacute;nculos e rela&ccedil;&otilde;es afetivas, comunit&aacute;rias e de pertencimento se mostra tarefa complexa e singular, mas que pode ser de ajuda a demais interven&ccedil;&otilde;es grupais no contexto da sa&uacute;de mental.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo buscou compreender as rela&ccedil;&otilde;es desenvolvidas por participantes regulares de longo prazo com o dispositivo de cuidado denominado Grupo Comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental. Foi poss&iacute;vel observar o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es afetivas, comunit&aacute;rias e de pertencimento dos participantes com o Grupo, sendo que as mesmas se mostram interdependentes, favorecendo uma a outra. Para o desenvolvimento de tais rela&ccedil;&otilde;es, destaca-se tanto o engajamento dos pr&oacute;prios participantes na proposta grupal, como as caracter&iacute;sticas e interven&ccedil;&otilde;es do GCSM, que tem por objetivo auxiliar na constru&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos entre os participantes. A possibilidade de ex-usu&aacute;rios de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental apresentarem forte vincula&ccedil;&atilde;o com um grupo de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental aberto a todas as pessoas, heterog&ecirc;neo e que apresenta como foco a aten&ccedil;&atilde;o e compartilhamento de experi&ecirc;ncias de vida, mostra-se algo potente para o cuidado integral na assist&ecirc;ncia psicossocial humanizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre as limita&ccedil;&otilde;es do estudo, destaca-se que o mesmo foi realizado em um contexto espec&iacute;fico de cuidado em sa&uacute;de mental, abarcando depoimentos de ex-usu&aacute;rios de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental que apresentam participa&ccedil;&atilde;o singular na interven&ccedil;&atilde;o grupal estudada, de modo que n&atilde;o prop&otilde;e resultados generalizados. No entanto, considera-se que este estudo traz avan&ccedil;os para a discuss&atilde;o acerca do conceito de ades&atilde;o &agrave; proposta de dispositivos grupais; do protagonismo de pessoas em sofrimento mental; e das caracter&iacute;sticas e possibilidades de estabelecimento de v&iacute;nculos, rela&ccedil;&otilde;es afetivas, comunit&aacute;rias e de pertencimento no contexto da sa&uacute;de mental. A partir disso, novos estudos que englobem demais participantes do GCSM, como, por exemplo, usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, seus familiares, equipe profissional e membros da comunidade geral, podem contribuir com a amplia&ccedil;&atilde;o e enriquecimento de tais reflex&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nota de agradecimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior - Brasil (CAPES) - C&oacute;digo de Financiamento 001</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Amarante, P.; Nunes, M. O.</b> (2018). A reforma psiqui&aacute;trica no SUS e a luta por uma sociedade sem manic&ocirc;mios. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva,</i> Rio de Janeiro, <i>23</i>(6),2067-2074.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809906&pid=S1806-2490202100010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ara&uacute;jo, R. A.</b> (2013). Uma tradi&ccedil;&atilde;o viva, ra&iacute;zes para a alma: an&aacute;lise fenomenol&oacute;gica de experi&ecirc;ncias de pertencer em uma comunidade rural de Minas Gerais. In: M. Mahfoud; &amp; M. Massimi (Org.) (cap. 14 p. 359-380). <i>Edith Stein e a psicologia: teoria e pesquisa.</i> Belo Horizonte: Artes&atilde; Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809908&pid=S1806-2490202100010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Basso, L.; Souza, R. M.; Ara&uacute;jo, S.; C&acirc;ndido, C. L.</b> (2019). Possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o do sujeito a partir dos v&iacute;nculos no grupo psicoterap&ecirc;utico infantil. <i>V&iacute;nculo - Revista do NESME,</i> S&atilde;o Paulo, <i>1</i>(16),52-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809910&pid=S1806-2490202100010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Brasil.</b> (1992). <i>Portaria nº 224/92.</i> Estabelece diretrizes e normas para o atendimento em sa&uacute;de mental. Bras&iacute;lia: Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809912&pid=S1806-2490202100010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Brasil.</b> (2001). Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>Lei n.º 10.216, de 06 de abril de 2001.</i> Disp&otilde;e sobre a prote&ccedil;&atilde;o e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em sa&uacute;de mental. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809914&pid=S1806-2490202100010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Boraks, R.</b> (2002). Do &iacute;ntimo &agrave; intimidade: resson&acirc;ncias de um percurso. <i>Revista Brasileira de Psican&aacute;lise, </i>S&atilde;o Paulo, <i>36</i>(4),885-898.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809916&pid=S1806-2490202100010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Braun, V., &amp; Clarke, V.</b> (2006). Using thematic analysis in pshycology. <i>Qualitative Research in Pshycology, </i>Bristol, <i>3</i>(2),77-101. Trad. Luiz Fernando Mackedanz. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://eprints.uwe.ac.uk/11735." target="_blank">http://eprints.uwe.ac.uk/11735.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809918&pid=S1806-2490202100010001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></a></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Coelho J&uacute;nior, A. G.; Mahfoud, M.</b> (2006). A rela&ccedil;&atilde;o pessoa-comunidade na obra de Edith Stein. <i>Memorandum,</i> Belo Horizonte, <i>11</i>,08-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809920&pid=S1806-2490202100010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fuentes, P. M.</b> (2016). La empatia como punto de partida para estructurar la &eacute;tica em Edith Stein. <i>Memorandum,</i> Belo Horizonte, <i>31,</i>206-217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809922&pid=S1806-2490202100010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ishara, S.; Cardoso, C. L.</b> (2013). Delineamento do Grupo comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental. In S. Ishara; C. L. Cardoso, &amp; S. Loureiro (Org.). <i>Grupo Comunit&aacute;rio de Sa&uacute;de Mental: conceitos, delineamento metodol&oacute;gico e estudos.</i> (pp. 19-40). Ribeir&atilde;o Preto: Nova Enfim Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809924&pid=S1806-2490202100010001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jord&atilde;o, T.; Pergentino, E. V.</b> (2018). Mudan&ccedil;as na cultura do cuidado em sa&uacute;de mental e as repercurss&otilde;es para ades&atilde;o ao tratamento. <i>Cadernos Brasileiros de Sa&uacute;de Mental,</i> Florian&oacute;polis, <i>10</i>(27),71-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809926&pid=S1806-2490202100010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Minayo, M. C. S.</b> (2014). <i>O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em sa&uacute;de.</i> (14. ed.). S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809928&pid=S1806-2490202100010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mizrahi, B. G.</b> (2017). Winnicott, Kohut e a teoria da intersubjetividade: uma psican&aacute;lise do pertencimento frente &agrave; precariedade contempor&acirc;nea dos v&iacute;nculos. <i>Cadernos de Psican&aacute;lise (CPRJ),</i> Rio de Janeiro, <i>39</i>(36),11-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809930&pid=S1806-2490202100010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nogueira A. L. G.; Munari, D. B.; Fortuna, C. M.; Santos, L. F.</b> (2016). Pistas para potencializar grupos na Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de. <i>Revista Brasileira de Enfermagem,</i> Bras&iacute;lia, <i>69(5),</i>907-914.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809932&pid=S1806-2490202100010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Safra, G.</b> (2004). <i>A po-&eacute;tica na cl&iacute;nica contempor&acirc;nea.</i> (160 p.). Aparecida, S&atilde;o Paulo: Ideias e Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809934&pid=S1806-2490202100010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Safra, G.</b> (2005). <i>A face est&eacute;tica do self: teoria e cl&iacute;nica.</i> (3. ed.). Aparecida, S&atilde;o Paulo: Ideias e Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809936&pid=S1806-2490202100010001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Safra, G.</b> (2006). <i>Hermen&ecirc;utica na situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica: o desvelar da singularidade pelo idioma pessoal.</i> S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Sobornost.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809938&pid=S1806-2490202100010001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Santos, P. R. M.; Ara&uacute;jo, L. F. S.; Bellato, R.</b> (2016). O campo de observa&ccedil;&atilde;o em pesquisa sobre a experi&ecirc;ncia familiar de cuidado. <i>Escola Anna Nery Revista de Enfermagem,</i> Rio de Janeiro, <i>20</i>(3),1-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809940&pid=S1806-2490202100010001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Silva, N. H. L. P.; Cardoso, C. L.</b> (2016). Cuidado em sa&uacute;de mental na Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia: a constru&ccedil;&atilde;o da comunidade. <i>Memorandum,</i> Belo Horizonte, <i>31</i>,218-236.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809942&pid=S1806-2490202100010001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Zimerman, D.</b> (2007). A import&acirc;ncia dos grupos na sa&uacute;de, cultura e diversidade. <i>V&iacute;nculo - Revista do NESME, </i>S&atilde;o Paulo, <i>4</i>(4),1-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3809944&pid=S1806-2490202100010001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nath&aacute;lia Fernandes Minar&eacute;:</b> Psic&oacute;loga. Mestranda pelo Programa de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP).    <br>   <b>E-mail:</b> <a href="mailto:nathaliaminare@usp.br">nathaliaminare@usp.br</a>    <br>   <b>Carmen L&uacute;cia Cardoso:</b>Psic&oacute;loga. Doutora em Psicologia. Professora Associada do Departamento de Psicologia e docente do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP).    <br>   <b>E-mail:</b> <a href="mailto:carmen@ffclrp.usp.br">carmen@ffclrp.usp.br</a></font></p>      ]]></body>
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<source><![CDATA[Ministério da Saúde. Lei n.º 10.216, de 06 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental]]></source>
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