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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper intends to study, through a literature review, the influence of phenomenology in clinical practice of Gestalt therapy. For this was conducted an investigation of the proposed phenomenological, as conceived by Husserl, focusing on the context of its emergence (the crisis of Cartesian thought), the use of epoché as a method, and the particularity of consciousness as intentionality. Finally we made a study of clinical practice of the Gestalt-therapy as art of contact, identifying the self as a central concept for understanding the phenomenological method in the clinic, with the intention of making a break with the prevailing paradigm reductionist approaches in other psychotherapies, and as signaling the peculiarities of such a stance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Gestalt-terapia: fenomenologia na pr&aacute;tica cl&iacute;nica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Gestalttherapy:phenomenologyon the clinical practice</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ulisses Heckemaier de Paula Cataldo<sup><a name="t*"></a><a href="#n*">*</a></sup></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">UERJ - Universidade     do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ, Brasil </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailtopo"></a><a href="#mailfim">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente trabalho pretende estudar, atrav&eacute;s de uma revis&atilde;o   bibliogr&aacute;fica, a influ&ecirc;ncia da fenomenologia na pr&aacute;tica   cl&iacute;nica da Gestalt-terapia. Para tal, por motivo de op&ccedil;&atilde;o   de trabalho, &eacute; realizada uma investiga&ccedil;&atilde;o da proposta   fenomenol&oacute;gica, idealizada por Husserl, focando o contexto do seu surgimento   (a crise do pensamento cartesiano), o uso da <i>epoch&eacute;</em> como m&eacute;todo,   e a particularidade da consci&ecirc;ncia como Intencionalidade. Por fim &eacute; feita   uma leitura da pr&aacute;tica cl&iacute;nica da Gestalt-terapia como arte do   contato, identificando o <i>self</em> como conceito central para o entendimento da   metodologia fenomenol&oacute;gica na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, com a inten&ccedil;&atilde;o   de marcar a ruptura com o paradigma reducionista vigente nas demais abordagens   psicoterapias, bem como de sinalizar as peculiaridades de tal postura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-Chave:</b> Gestalt-terapia, fenomenologia, intencionalidade, consci&ecirc;ncia,   cl&iacute;nica.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This paper intends to study, through a literature review, the influence of   phenomenology in clinical practice of Gestalt therapy. For this was conducted   an investigation of the proposed phenomenological, as conceived by Husserl,   focusing on the context of its emergence (the crisis of Cartesian thought),   the use of <i>epoch&eacute;</em> as a method, and the particularity of consciousness   as intentionality. Finally we made a study of clinical practice of the Gestalt-therapy   as art of contact, identifying the <i>self</em> as a central concept for understanding   the phenomenological method in the clinic, with the intention of making a break   with the prevailing paradigm reductionist approaches in other psychotherapies,   and as signaling the peculiarities of such a stance.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Gestalt therapy, phenomenology, intentionality, consciousnessclinic.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>1 - INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Modelos de constru&ccedil;&atilde;o da realidade, impreterivelmente, partem   de bases epistemol&oacute;gicas. Isto &eacute;, toda teoria, movimento e escola   de pensamento tem na sua base uma posi&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; forma   de se apreender a realidade. Identificar essas bases promove rigor &agrave;s   pr&aacute;ticas que adv&eacute;m detais movimentos e/ou teorias. Dessa forma,   o estudo da epistemologia &eacute; relevante uma vez que sustenta todo o sistema   conceitual que d&aacute; suporte &agrave;s pr&aacute;ticasproferidas por um   determinado campo de saber.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pr&aacute;tica e a pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o dos conceitos   de uma teoria, devem corresponder &agrave; epistemologia que sustenta a teoria.   Em outras palavras, a falta de coer&ecirc;ncia entre a forma basal de se interpretar   o conhecimento, bem como a explica&ccedil;&atilde;o do que &eacute;, ou n&atilde;o,   real, com os conceitos e pr&aacute;ticas de uma teoria a tornam pobre, fraca,   desvalorizando suas hip&oacute;teses e t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, nem sempre essa base fundamental &eacute; devidamente estudada   e compreendida. No que se refere &agrave; abordagem Gest&aacute;ltica, ao contr&aacute;rio   de outras abordagens, tal esfor&ccedil;o &eacute; presente desde os primeiros   autores que seguiramas ideias de Perls e seus colaboradores, como escrevem   os te&oacute;ricos da segunda gera&ccedil;&atilde;o Yontef (1993) e Ginger   (1995). Preocupa&ccedil;&atilde;o, esta, tamb&eacute;m presente em recentes   trabalhos, como Ribeiro (2007), Rodrigues (1999), e M&uuml;ller-Granzotto (2004,   2007a). Em virtude das particularidades e discord&acirc;ncias entre os trabalhos   acima mencionados,priorizaremos o estudo da fenomenologia a fim de responder   a seguinte indaga&ccedil;&atilde;o: a Gestalt-terapia, no que se refere &agrave; pr&aacute;tica   cl&iacute;nica, tem a fenomenologia como m&eacute;todo e base epistemol&oacute;gica?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A resposta a essa indaga&ccedil;&atilde;o nos fez voltar &agrave;s bases do   pensamento cartesiano para identificar a particularidade e singularidade de   fenomenologia. Como uma proposta de filosofia de rigor, Husserl almejou chegar &agrave;s   coisas mesmas: a uma epistemologia que servisse de base para todas as ci&ecirc;ncias.   A fenomenologia vem criticar o universalismo e o psicologismo, pensamentos   estes que confinam o fen&ocirc;meno humano a uma consci&ecirc;ncia encapsulada,   a uma interioridade entendida como ess&ecirc;ncia. A psican&aacute;lise e o   Behaviorismo, segundo Feij&oacute; (2000), s&atilde;o exemplos de abordagens   que situam o fen&ocirc;meno humano a partir de teorias que tem por base as   ci&ecirc;ncias da natureza. Desse modo, o homem &eacute; encerrado a leis naturais   ocultas ao aparente, ocultas ao sens&iacute;vel enganador. O <i>self</em>, sob a perspectiva   do psicologismo, &eacute; entendido como centralidade numa l&oacute;gica linear   de causa-efeito, como uma inst&acirc;ncia essencial e formadora da personalidade,   somente mut&aacute;vel de acordo com o funcionamento natural da mente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fenomenologia,     por sua vez, abordao problema do conhecimento de forma totalmente diferente.     Compreende o real como co-origin&aacute;rio da consci&ecirc;ncia   transcendental, num movimento de apreender as coisas, os fen&ocirc;menos, como   apar&ecirc;ncia para uma consci&ecirc;ncia, reintroduzindo o sens&iacute;vel   a partir da redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica.Husserl, que pretende,   com a fenomenologia, uma nova atitude frente ao ser e a consci&ecirc;ncia,   bem como um novo m&eacute;todo que sirva de fundamento a todas as ci&ecirc;ncias,   prop&otilde;e uma visada ao ser em sua &#8220;doa&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria&#8221;,   tal como este se mostra &agrave; consci&ecirc;ncia. Para Husserl o sentido   do ser e do fen&ocirc;meno n&atilde;o pode ser dissociado, sendo a id&eacute;ia de   consci&ecirc;ncia transcendental fundamental para a compreens&atilde;o do exerc&iacute;cio   da <i>epoch&eacute;</em>. A consci&ecirc;ncia para a fenomenologia, ao contr&aacute;rio   do racionalismo que a encapsula, e lhe confere faculdades, &eacute; entendida   como atos em fluxo, ou seja, como atos intencionais. &Eacute; transcendental   por que n&atilde;o se reduz nem ao mundo emp&iacute;riconem aos pr&oacute;prios   pensamentos, sendo os fen&ocirc;menos apreendidos como se revelam (n&atilde;o   existindo por si, nem, muito menos, pela a&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia).   A consci&ecirc;ncia, para Husserl, &eacute; transcendente ao mundo emp&iacute;rico,   e ao dom&iacute;nio do pensamento (ao psicol&oacute;gico), sendo a visada do   fen&ocirc;meno entendida como um exerc&iacute;cio do co-originalidade consci&ecirc;ncia-mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O contraste entre     a fenomenologia e as formas reducionistas (emp&iacute;ricas   e idealistas) de abordar o fen&ocirc;meno humano &eacute; evidente, no entanto,   somente uma investiga&ccedil;&atilde;o detalhada da referida postura epistemol&oacute;gica   em compara&ccedil;&atilde;o com a pr&aacute;tica da cl&iacute;nica Gest&aacute;lticapodem   responder nossa principal indaga&ccedil;&atilde;o. Prop&otilde;e-se, pois,   no primeiro cap&iacute;tulo, o estudo da fenomenologia de Husserl identificando   seu contexto de surgimento, e sua principal caracter&iacute;stica: o uso da   <i>epoch&eacute;</em> como m&eacute;todo, como atitude, que, segundo Husserl, embasaria   todas as ci&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No segundo cap&iacute;tulo discutimos a cl&iacute;nica Gest&aacute;ltica compreendida   como uma cl&iacute;nica do contato. Abordaremos, para maior rigor e compreens&atilde;o   dos processos cl&iacute;nicos, os principais conceitos da Gestalt-terapia,   e identificaremos a metodologia cl&iacute;nica da Gestalt-terapia focando no   conceito do <i>self</em> como sistema de contatos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para concluir, o terceiro cap&iacute;tulo visa identificar a pr&aacute;tica   cl&iacute;nica da Gestalt-terapia, constru&iacute;da no cap&iacute;tulo anterior,   como n&atilde;o apenas condizente com o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico   de se interrogar a realidade, mas como um puro exerc&iacute;cio da <i>epoch&eacute;</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desta forma, espero contribuir para uma reflex&atilde;o acerca da busca de   rigor para as pr&aacute;ticas psicoterap&ecirc;uticas em Gestalt-terapia, e   de investiga&ccedil;&atilde;o de suas bases epistemol&oacute;gicas, no intuito   de posicion&aacute;-la ou interpret&aacute;-la &agrave; luz da fenomenologia,   bemcomo refletir acerca de uma cl&iacute;nica sem naturaliza&ccedil;&otilde;es   dos fen&ocirc;menos humanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2- OBJETIVOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.1- GERAL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Investigar a pertin&ecirc;ncia da fenomenologia como m&eacute;todo cl&iacute;nico   e correlativa base epistemol&oacute;gica da Gestalt-terapia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.2- ESPEC&Iacute;FICOS</b></font></p> &#8226;Identificar no que consiste a fenomenologia tal como entendida por Husserl.    <br> &#8226;Focar a diferen&ccedil;a entre a vis&atilde;o racionalista predominante e a   no&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica de consci&ecirc;ncia e atrav&eacute;s   da leitura do m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico.    <br> &#8226; Distinguir a proposta de cl&iacute;nica na abordagem gest&aacute;itica a fim de compar&aacute;-la com o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico.</p> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>3 - METODOLOGIA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A metodologia empregada consiste na revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica de   livros e artigos publicados, englobando tanto autores da Gestalt-terapia, quanto   autores da filosofia. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliogr&aacute;fica &eacute; desenvolvida   mediante material j&aacute; elaborado, abrangendo todo o material tornado p&uacute;blico   sobre determinado assunto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A busca bibliogr&aacute;fica privilegiou leituras de publica&ccedil;&otilde;es   de professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e cl&aacute;ssicos   da literatura em Gestalt-terapia, e filosofia. Tamb&eacute;m foi utilizado   artigos de revistas eletr&ocirc;nicas. As palavras Chave utilizadas foram: &#8220;<i>self&#8221;</em>, &#8220;fenomenologia&#8221;, &#8220;intencionalidade&#8221;, &#8220;cl&iacute;nica&#8221; e &#8220;Gestalt-terapia&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>4 - O QUE &Eacute; FENOMENOLOGIA?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O termo Fenomenologia n&atilde;o &eacute; propriedade de apenas um fil&oacute;sofo.   Derivado do grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra -   e logos - explica&ccedil;&atilde;o, estudo, a fenomenologia pode ser entendida   como a ci&ecirc;ncia que trata do aparecimento do fen&ocirc;meno; sendo este   tudo aquilo que aparece. No entanto, sua ess&ecirc;ncia, e seu uso foramcunhados   de diferentes formas, por diferentes pensadores, designando, assim, diferentes   contribui&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, uma   defini&ccedil;&atilde;o mais complexa e rigorosa do termo &eacute; necess&aacute;ria,   uma vez que trataremos de vis&atilde;o espec&iacute;fica de Husserl sobre a   quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que &eacute; a fenomenologia de Husserl? Segundo Dartigues (1992), Husserl   deu um novo conte&uacute;do para a palavra fenomenologia, bem diferente e inovador,   comparado &agrave; filosofia at&eacute; seus escritos. Como cr&iacute;tica   aopensamento positivista, Husserlprop&otilde;e um m&eacute;todo seguro e rigoroso   para fundamentar todas as ci&ecirc;ncias, transformando a filosofia numa ci&ecirc;ncia   de rigor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fenomenologia, conforme o pensamento de Husserl, portanto, &eacute; uma   atitude filos&oacute;fica e um m&eacute;todo que visa o rigor mais radical   para o conhecimento. O car&aacute;ter inovador da fenomenologia &eacute; a   volta ao fen&ocirc;meno puro, &agrave;s ess&ecirc;ncias assim como aparecem, &agrave; retomada   do sens&iacute;vel (abandonado pelo pensamento Cartesiano). O pensamento de   Husserl marca a ruptura com as formas de visada do fen&ocirc;meno at&eacute; ent&atilde;o,   atingindo, dessa forma, o mais original: o fen&ocirc;meno tal como aparece   para a consci&ecirc;ncia - entendida como fluxo, n&atilde;o como interioridade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Dartigues (1992), A fenomenologia nasceu na &uacute;ltima d&eacute;cada   do s&eacute;culo XIX, per&iacute;odo dos primeiros trabalhos de Husserl. Per&iacute;odo   este tamb&eacute;m marcado por uma grande derrocada dos grandes sistemas filos&oacute;ficos   tradicionais. Hegel, que iluminou todo o pensamento alem&atilde;o nas d&eacute;cadas   anteriores, n&atilde;o &eacute; mais t&atilde;o influente, assim como o pensamento   de Schopenhauer entra em decl&iacute;nio. Autores como Marx, Freud e Nietzsche   t&atilde;o pouco tinham suas ideias difundidas. Quem preenche o espa&ccedil;o   vazio deixado pelo decl&iacute;nio do pensamento &eacute; a ci&ecirc;ncia positivista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O positivismo tem como marca principal o conhecimento objetivo, observ&aacute;vel,   emp&iacute;rico, que exclui toda a subjetividade. A pretens&atilde;o das ci&ecirc;ncias   ao utilizar tal m&eacute;todo era desvelar o mist&eacute;rio do real, ou seja,   as leis subjacentes que explicariam a natureza; leis estas mec&acirc;nicas,   obedecendo &agrave; doutrina mecanicista e determinista, que acompanham a ci&ecirc;ncia.   O objeto das ci&ecirc;ncias naturais, como a f&iacute;sica, por exemplo, era   compreendido como o ser em-si, como a observa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica   da realidade. A realidade, o ser em-si, no caso, os objetos dessas ci&ecirc;ncias,   guardariam todas as explica&ccedil;&otilde;es dos fen&ocirc;menos da natureza,   compreendidos na rela&ccedil;&atilde;o de causa-efeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No dom&iacute;nio das ci&ecirc;ncias, do conhecimento emp&iacute;rico e objetivo,   o naturalismo e a psicologia s&atilde;o as doutrinas mais criticadas por Husserl.   O Naturalismo, regido por m&eacute;todos indutivos e dedutivos (se distanciando   do conhecimento intuitivo), procura construir sistemas que abracem todo o conhecimento,   unificando sob um mesmo preceito - a medida, a mensura&ccedil;&atilde;o, o   c&aacute;lculo - todo o campo do saber. A psicologia, por sua vez, busca constituir-se   como ci&ecirc;ncia abra&ccedil;ando o modelo das ci&ecirc;ncias naturais naturalizando   a consci&ecirc;ncia e encapsulando-a no sujeito. Os fen&ocirc;menos humanos,   na psicologia, s&atilde;o abordados atrav&eacute;s de uma dicotomia que entende   a natureza a partir de mecanismos provenientes de faculdades mentais (faculdades   da raz&atilde;o, faculdades do Eu). Esse movimento abandona totalmente o sens&iacute;vel   e o corpo; um como enganador, e outro como natureza de ordem ultrajante ao   esp&iacute;rito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, como conclui Merleau-Ponty:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A fenomenologia       se apresentou desde o seu in&iacute;cio como uma tentativa     para resolver um problema que n&atilde;o &eacute; o de uma seita: ele se     colocava desde 1900 a todo o mundo, e ele se coloca ainda hoje. O esfor&ccedil;o     filos&oacute;fico de Husserl &eacute;, com efeito, destinado em seu esp&iacute;rito     a resolver simultaneamente uma crise da filosofia, uma crise das ci&ecirc;ncias     do homem e uma crise das ci&ecirc;ncias pura e simplesmente, da qual ainda     n&atilde;o sa&iacute;mos</em> (citado por Dartigues, 1992, pag. 8).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para melhor compreens&atilde;o a cr&iacute;tica de Husserl &eacute; necess&aacute;rio   voltar ao inicio do pensamento cient&iacute;fico, e discutir suas propostas.   Desde o s&eacute;culo XV, segundo Morente (1964), fatores hist&oacute;ricos   como a destrui&ccedil;&atilde;o da unidade religiosa, as guerras de religi&atilde;o   e o advento do protestantismo abalaram a cren&ccedil;a aristot&eacute;lica.   A descoberta de que a Terra &eacute; redonda racha a f&iacute;sica de Arist&oacute;teles,   mudando radicalmente a imagem que se tinha da realidade terrestre. Al&eacute;m   disso, o homem do s&eacute;culo XVII tamb&eacute;m descobre o c&eacute;u nos   trabalhos de Kepler e Cop&eacute;rnico, e, com isso, a terra deixa de ser o   centro do universo para ser mais um dos planetas em &oacute;rbita.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Adventos como estes n&atilde;o puderam ser ignorados, e a necessidade de novas   perguntas se fizeram presente. A d&uacute;vida &eacute; a palavra de ordem,   e dessa crise nasce um novo campo na filosofia, a epistemologia, ou seja, o   m&eacute;todo para se chegar ao conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ren&eacute; Descartes, fil&oacute;sofo franc&ecirc;s, &eacute; o principal   nome deste momento. Dele que toda a filosofia da subjetividade se desenvolver&aacute;,   passando pelos empiristas ingleses, Leibnitz, Kant, e posteriormente Hegel,   dentre outros. Descartes quer achar um princ&iacute;pio do qual n&atilde;o   se possa ter d&uacute;vida. Uma certeza, uma verdade que resista a toda e qualquer   d&uacute;vida, e que fundamente todo o conhecimento e as ci&ecirc;ncias. Para   tal, utilizar&aacute; o m&eacute;todo da d&uacute;vida met&oacute;dica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Descartes parte do princ&iacute;pio de eliminar do seu ju&iacute;zo todos   os elementos que lhe atribu&iacute;ssem qualquer tipo de d&uacute;vida, tudo   aquilo que n&atilde;o fosse uma certeza absoluta, ou uma &#8220;evid&ecirc;ncia   apod&iacute;dica&#8221;. Para ele, todo o conhecimento at&eacute; ent&atilde;o   era enganador, assim como o senso comum, devendo ser abandonados como princ&iacute;pio   para se chegar &agrave; verdade. Da mesma forma, os dados do sens&iacute;vel   tamb&eacute;m eram enganadores, devendo, igualmente, serem postos de lado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na busca pela primeira verdade indubit&aacute;vel, que levaria, numa cadeia   de raz&otilde;es, a outras verdades, a d&uacute;vida converte-se em m&eacute;todo,   e se torna hiperb&oacute;lica. Descartes chega ao extremo com a d&uacute;vida,   ao total cepticismo. A d&uacute;vida extrema, ent&atilde;o, faz Descartes inverter   a rela&ccedil;&atilde;o sujeito-objeto conhecida at&eacute; ent&atilde;o. Em   atitude oposta do realismo, ele vai voltar-se para o pr&oacute;prio interior,   para o pr&oacute;prio pensamento: a primeira certeza de Descartes, a verdade   acima de qualquer suspeita &eacute; que ele n&atilde;o pode duvidar que duvida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nas palavras de Descartes:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>(...) enquanto       eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que       eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso,   logo eu existo, era t&atilde;o firme e t&atilde;o certa que todas mais extravagantes   suposi&ccedil;&otilde;es dos c&eacute;ticos n&atilde;o seriam capazes de abalar,   julguei que podia aceit&aacute;-la, sem escr&uacute;pulo, como o primeiro princ&iacute;pio   da filosofia que procurava </em>(1637/1973, pag. 54).</font></p>  </blockquote>  </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, a filosofia muda por completo. A atitude natural do realismo,   que prega a inteligibilidade da natureza (o conhecimento refletindo na mente   a mesm&iacute;ssima realidade) &eacute; invertida. E, a partir de Descartes,   todo o conhecimento passa a derivar do pensamento, do Eu pensante, da raz&atilde;o;   postura conhecida, na filosofia, como o Racionalismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira certeza de Descartes &eacute; o pr&oacute;prio pensamento, que   assegura a exist&ecirc;ncia do mundo, das coisas. Enquanto se pensa, o objeto   pensando existe. Descartes considera o pensamento n&atilde;o como um ato, mas   como conhecimento, como uma subst&acirc;ncia dotada de exist&ecirc;ncia: a   subst&acirc;ncia pensante. Esta &eacute; a primeira dicotomia de Descartes:   a separa&ccedil;&atilde;o entre o sujeito que conhece, e o objeto que &eacute; apreendido   pela raz&atilde;o, pela consci&ecirc;ncia, pela alma do sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Partindo do principio da certeza no pensamento, Descartes distingue os pensamentos   confusos, nebulosos, n&atilde;o distintos nitidamente dos pensamentos claros   e distintos, estes bem n&iacute;tidos, e que podem ser divididos nas partes   que o comp&otilde;e sem confus&atilde;o alguma. Sendo Deus, ent&atilde;o, uma   ideia clara e distinta, portanto perfeita, ela deveria ser poss&iacute;vel &agrave; alma   devido a um ser mais perfeito que o pr&oacute;prio homem que pensa. Esse ser,   Deus, portanto, como perfeito que &eacute;, &eacute; causa da pr&oacute;pria   exist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Provada, pois, a exist&ecirc;ncia de Deus, e como esse &eacute; perfeito,   justo e bom (n&atilde;o enganador), Descartes prova, por conseguinte, a exist&ecirc;ncia   do mundo material. A d&uacute;vida metaf&iacute;sica &eacute; superada a partir   da ideia de Deus, donde se podem derivar os crit&eacute;rios de verdade, justi&ccedil;a,   beleza, clareza, al&eacute;m de provar uma causa soberana bela e justa. As   ideias claras e distintas, pois, s&atilde;o o crit&eacute;rio e a fonte de   toda a verdade, de toda a certeza uma vez que s&atilde;o inatas, ou seja, s&atilde;o   colocadas em n&oacute;s por um Deus bom e justo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo cartesiano obedece &agrave;s ideias claras e distintas das matem&aacute;ticas,   das geometrias; um mundo de puras realidades geom&eacute;tricas. Um mundo mec&acirc;nico,   regido por leis deterministas. Leis, essas, descobertas atrav&eacute;s da raz&atilde;o,   onde o sens&iacute;vel &eacute; totalmente abandonado como meio para o conhecimento. &Eacute; o   mundo das ci&ecirc;ncias modernas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ci&ecirc;ncia, como uma inven&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVII, nutre-se   do esp&iacute;rito cartesiano ao modular, principalmente segundo a f&iacute;sica   de Newton e Galileu, o universo como mec&acirc;nico. A ideia de Descartes de   eliminar o confuso e o obscuro aparece nas ci&ecirc;ncias, segundo Morente   (1964), no sentido de eliminar (reduzir) do universo a qualidade, e n&atilde;o   deixar mais do que a quantidade; esta submetida &agrave; medida, a lei.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O universo, antes imut&aacute;vel, como forma perfeita, agora, para o cientista, &eacute; uma   m&aacute;quina composta de polias e engrenagens, como um aut&ocirc;mato, ou   um rel&oacute;gio (s&iacute;mbolo do pensamento mecanicista). O universo passa   a ser regulado e determinado por leis, as leis da f&iacute;sica (as leis de   Newton), comportando o principio da in&eacute;rcia e da causalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A natureza, como p&aacute;lida express&atilde;o de leis ocultas do seu real   funcionamento, &eacute; o que procura o cientista atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o   emp&iacute;rica traduzida em equa&ccedil;&otilde;es matem&aacute;ticas (atrav&eacute;s   de exerc&iacute;cios da raz&atilde;o). &#8220;Neste modelo, portanto, o mundo   possui a topologia do cont&iacute;nuo, a atitude do cientista &eacute; neutra,   e a compreens&atilde;o dos fatos d&aacute;-se pela explica&ccedil;&atilde;o   dos mecanismos e pela fragmenta&ccedil;&atilde;o do todo em suas partes&#8221; (Feijo&oacute;,   2000, p.18).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O espa&ccedil;o e o tempo s&atilde;o absolutos, dentro de um passar cont&iacute;nuo   de tempo, e imut&aacute;vel; existindo independente da presen&ccedil;a do observador.   As leis respondem a uma causalidade mecanicista (linear e unidirecional), sendo   todos os fen&ocirc;menos do espa&ccedil;o determin&aacute;veis no sentido passado,   presente e futuro, formando cadeias de causa e efeito interdependentes. Mat&eacute;ria   e energia s&atilde;o os fundamentos b&aacute;sicos, sendo a primeira, a subst&acirc;ncia,   de todas as coisas, e a segunda a for&ccedil;a propulsora dos objetos (constante   e determin&iacute;stica).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tem-se o primado da mat&eacute;ria, atribuindo-se ao emp&iacute;rico todo   o m&eacute;todo poss&iacute;vel de apropria&ccedil;&atilde;o do real. O homem   moderno, pois, vai &agrave; realidade atrav&eacute;s da raz&atilde;o, tendendo   a &#8220;consider&aacute;-la como realidade aut&ocirc;noma e mais &#8216;objetiva&#8217; que   a realidade sens&iacute;vel, j&aacute; que era somente por seu interm&eacute;dio   que se podiam descobrir leis rigorosas, a prop&oacute;sito dessa ultima&#8221;(Dartigues,   1992, p. 76).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Citando novamente Manuel Garcia Morente:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Descartes       extrai do Eu um mundo de pontos e figuras geom&eacute;tricas. Mas     consultemos um livro de f&iacute;sica contempor&acirc;nea e veremos que realidade     nos apresenta; apresenta-nos uma realidade composta de equa&ccedil;&otilde;es     diferenciais, integrais, de pr&oacute;tons, de el&eacute;trons, de &#8216;quantas&#8217; de     energia; uma realidade entre a qual e nossa realidade vital sens&iacute;vel     e tang&iacute;vel existe um abismo, n&atilde;o menor, antes muito maior ainda     que aquele que abriu Descartes entre esses dois mundos. &Eacute; que, com     efeito, o pensamento de Descartes guia, anima, de um lado, todo o pensamento     cient&iacute;fico, e, de outro, todo o pensamento filos&oacute;fico em nossa     cultura moderna. </em>(1964, pag. 174).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Descartes, no seu racionalismo, aprisiona a consci&ecirc;ncia (a alma, o pensamento,   ou a raz&atilde;o) como algo localizado no tempo e no espa&ccedil;o, separando   a subst&acirc;ncia que pensa da substancia corp&oacute;rea (determinada pelo   pensamento).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nas palavras de Descartes:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&#8220;(...) compreendi por a&iacute; que era uma substancia cuja ess&ecirc;ncia   era pensar, e que, para ser, n&atilde;o necessita de nenhum outro lugar, nem   depende de qualquer material. De sorte que esse eu, isto &eacute;, a alma,   pela qual o que sou, &eacute; inteiramente distinta do corpo e, mesmo, que &eacute; mais   f&aacute;cil de conhecer do que ele, e, ainda que este nada fosse, ela n&atilde;o   deixaria de ser tudo o que &eacute;&#8221;</em> (1637/1973, p. 54).</font></p>   </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal no&ccedil;&atilde;o, foco da segunda medita&ccedil;&atilde;o cartesiana,   encerra o sens&iacute;vel como enganador, e o corpo como mat&eacute;ria extensa   (regida por leis deterministas). A consci&ecirc;ncia encapsulada, dessa forma,   responde &agrave;s mesmas leis, na forma de leis do psiquismo. O homem passa   a ser mecanismo em tudo aquilo que n&atilde;o &eacute; pensamento puro, como   qualquer animal, como qualquer aparelho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Descartes, pois, buscou a certeza e agiu em meio a um m&eacute;todo que lhe   garantisse rigor. Esse projeto tem continuidade com Husserl, que vai buscar   na filosofia o seu rigor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl, como dito anteriormente, quer elevar a filosofia &agrave; ci&ecirc;ncia   de rigor, que, por sua vez, embasaria todas as ci&ecirc;ncias. Ele reconhece   no projeto moderno a fracassada inten&ccedil;&atilde;o de criar uma filosofia,   centrada na quest&atilde;o do m&eacute;todo, como ci&ecirc;ncia rigorosa. A   filosofia moderna teve como fruto, segundo Husserl, a fundamenta&ccedil;&atilde;o   e a autonomia das ci&ecirc;ncias naturais, o que marca uma car&ecirc;ncia quanto   a uma forma rigorosa de ci&ecirc;ncia. Para Husserl, a filosofia n&atilde;o   pode apreender-se, n&atilde;o possui intelec&ccedil;&otilde;es objetivamente   compreendidas e fundamentadas, como no caso das matem&aacute;ticas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A filosofia &eacute;, segundo Husserl (1965), a representante da aspira&ccedil;&atilde;o   do conhecimento puro e absoluto n&atilde;o sabe como constituir-se como verdadeira   ci&ecirc;ncia. Carece de problemas e m&eacute;todos plenamente esclarecidos   no seu significado. Nas palavras de Husserl:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&#8220;N&atilde;o digo que a filosofia seja uma ci&ecirc;ncia imperfeita. Digo simplesmente     que ainda n&atilde;o &eacute; ci&ecirc;ncia, que n&atilde;o chegou a s&ecirc;-lo,     a julgar pelo crit&eacute;rio de um conte&uacute;do &#8211; ainda que reduzido &#8211; te&oacute;rico,     objetivamente fundamentado, que possa ser doutrinado&#8221;</em>(1965, pag. 20).</font></p> 	</blockquote>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fenomenologia, como nova doutrina filos&oacute;fica, tem a proposta, portanto,   de ser uma ci&ecirc;ncia que fundamente com bases s&oacute;lidas e seguras   todo o conhecimento. Para tal prop&otilde;e uma reforma rigorosa da filosofia.   A cr&iacute;tica de Husserl tem como alvo a falta de crit&eacute;rios rigorosos   para os objetos de estudo das ci&ecirc;ncias positivistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conhecimento cient&iacute;fico, objetivo, &eacute; o alvo das ci&ecirc;ncias   naturais, toma o real como emp&iacute;rico, como existente em si mesmo, como   dado evidente, o mesmo ocorrendo para a ci&ecirc;ncia da consci&ecirc;ncia,   a psicologia. Ainda mais, quanto a uma investiga&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o   entre a consci&ecirc;ncia e o ser, o naturalismo identifica o ser como realidade   da pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia, como correlativo, em conformidade com   a ess&ecirc;ncia da consci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A postura de que a realidade fala por si, na forma de leis, obscurece o discurso   racionalista que habita suas profundezas. O cientista fala do ser como se este   fosse constitu&iacute;do pelas pr&oacute;prias f&oacute;rmulas e esquemas que   o cientista fala, comportando propriedades e leis que podem ser estudadas por   si pr&oacute;prias. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como as leis da ci&ecirc;ncia transmitem sua exatid&atilde;o aos fen&ocirc;menos   da realidade, elas tendem a reduzir a natureza como realidade aut&ocirc;noma,   em si mesma; considerada, essa realidade cient&iacute;fica, mais objetiva que   os dados do sens&iacute;vel, enganadores e n&atilde;o suficientes para o desvelamento   dessas leis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O naturalismo, como escreve Husserl em (1965), &#8220;resulta do descobrimento   da natureza como unidade do ser no tempo e no espa&ccedil;o&#8221; (p.12);   ou seja, como dito anteriormente, essa doutrina, propaga-se na realiza&ccedil;&atilde;o   da ideia da natureza como ci&ecirc;ncia natural (que visa, atrav&eacute;s do   m&eacute;todo cient&iacute;fico, encontrar as leis, as verdades, por detr&aacute;s   dos fen&ocirc;menos). A forma extrema de naturalismo, seguindo o argumento   de Husserl, &eacute; o psicologismo, a naturaliza&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia.   A redu&ccedil;&atilde;o dos dados intencionais e imanentes da consci&ecirc;ncia   a leis, e modos de funcionamento psicof&iacute;sico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O psicologismo &eacute; justamente essa tend&ecirc;ncia a encerrar &agrave;s   leis naturais os fen&ocirc;menos ps&iacute;quicos. &Eacute;, sen&atilde;o,   o modelo do m&eacute;todo das ci&ecirc;ncias da natureza aplicado &agrave; consci&ecirc;ncia.   Assim, os estudos acerca da consci&ecirc;ncia e do conhecimento ficariam reduzidos   a uma subst&acirc;ncia pensante, a raz&atilde;o interiorizada, com suas faculdades,   classifica&ccedil;&otilde;es e caracter&iacute;sticas. &#8220;O ps&iacute;quico &eacute; dado   como um Eu, como experi&ecirc;ncia vivida de um Eu, que empiricamente aprendemos   manifestar-se relacionados com certas coisas f&iacute;sicas, chamadas de corpos&#8221; (Husserl,   1965, pag.15).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia, dessa forma, seria a disciplina que fundamentaria a l&oacute;gica,   teoria do conhecimento, &eacute;tica, est&eacute;tica, e pedagogia numa metodologia   cient&iacute;fica experimental que serviriade base para todas as ci&ecirc;ncias   do esp&iacute;rito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O naturalismo, pois, &eacute; racionalista e objetivista. Em outras palavras,   tira seus fundamentos nas premissas das suas pr&oacute;prias teoriza&ccedil;&otilde;es   e julga montar teorias que negam as suas verdadeiras premissas. Ou seja, para   sua valora&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica para fins metaf&iacute;sicos   usa uma filosofia de base precedente. &#8220;Seu contra-senso oculta-se a ele   pr&oacute;prio, residindo na naturaliza&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o&#8221; (Husserl,   1965. Pag. 10).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nas palavras de Husserl:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Evidencia-se       que &#8211; igual a toda posi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica   da Natureza &#8211; a sua posi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-cient&iacute;fica   numa Teoria do Conhecimento que conserve o seu sentido un&iacute;ssono, deve   em princ&iacute;pio ficar exclu&iacute;da, e com ela todas as afirma&ccedil;&otilde;es   que implicam posi&ccedil;&otilde;es existenciais, t&eacute;ticas, de objetos   concretos, como o espa&ccedil;o, o tempo, a causalidade, etc. Isto parece que   se estende ainda a todas as posi&ccedil;&otilde;es existenciais que se referem &agrave; exist&ecirc;ncia   do homem investigador, das suas capacidades ps&iacute;quica, e coisas semelhantes   </em>(Husserl, 1965, pag.17).</font></p>   </blockquote>   </blockquote> </blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que se deriva desse problema &eacute; a confus&atilde;o por parte das ci&ecirc;ncias   positivistas naturalistas quanto ao seu objeto de estudo. As ci&ecirc;ncias   naturais (sendo a psicologia aqui tamb&eacute;m inclusa), devido a essa ingenuidade   e arrog&acirc;ncia, n&atilde;o t&ecirc;m claro seu objeto, &#8220;confundido   a descoberta das causas exteriores de um fen&ocirc;meno com a natureza pr&oacute;pria   desse fen&ocirc;meno&#8221; (Dartigues, 1992. p.12); perdendo de vista a que   se referem seus resultados obtidos atrav&eacute;s dos seus m&eacute;todos e   pesquisas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nomes como Dilthey e Brentano j&aacute; propunham uma reformula&ccedil;&atilde;o   do objeto de estudos da psicologia. O primeiro era, conforme escreve Dartigues   (1992),cr&iacute;tico do psicologismo, pregando o retorno de um &#8220;sentimento   da vida&#8221; para a psicologia. Entendia que os dados ps&iacute;quicos, diferente   dos fen&ocirc;menos naturais, com dados imediatos, supostos de descri&ccedil;&atilde;o   e compreens&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Brentano, professor de Husserl, por sua vez, compartilha da critica de Dilthey.   Estuda a explora&ccedil;&atilde;o do campo da consci&ecirc;ncia com os modos   de rela&ccedil;&atilde;o ao objeto. Vai distinguir fundamentalmente os fen&ocirc;menos   ps&iacute;quicos dos f&iacute;sicos; sendo os primeiros dotados de uma intencionalidade,oquequer   dizer que o modo de visada que temos dos fen&ocirc;menos na sua percep&ccedil;&atilde;o   original, constituem o seu conhecimento fundamental (Dartigues, 1992).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, se     ainda &eacute; evidente um subjetivismo no pensamento de Brentano,   este ainda faz um psicologismo, buscando a opera&ccedil;&atilde;o mental que   fundamenta a matem&aacute;tica. Husserl, por sua vez, busca a supera&ccedil;&atilde;o   do psicologismo, ainda encontrado em Brentano, como coloca Dartigues: &#8220;Um   ultrapassamento da psicologia descritiva de Brentano era necess&aacute;rio,   e &eacute; este ultrapassamento que Husserl realizar&aacute; sob o nome de   fenomenologia&#8221; (1992, p.10).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A proposta Husseliana &eacute; de uma consci&ecirc;ncia inovadora, visto que   a teoria do conhecimento jamais trabalhara a quest&atilde;o com rigor necess&aacute;rio.   A investiga&ccedil;&atilde;o deste autor consiste no que a consci&ecirc;ncia &eacute;,   na sua ess&ecirc;ncia, e, simultaneamente, para aquilo que ela significa em   todas as suas formas distintas. Em como ela, em virtude da ess&ecirc;ncia dessas   formas, prova o valor e a realidade das mesmas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl est&aacute; interessado no pensamento mais original, no fen&ocirc;meno   puro, na consci&ecirc;ncia pura (a vivencia pura, essa, que n&atilde;o pode   ser estudada a partir de nenhuma teoriza&ccedil;&atilde;o). Os fen&ocirc;menos   puros, na sua originalidade, devem ser apresentados como dados (no sentido   de dar-se, de modos de mostra&ccedil;&atilde;o), em conformidade com o sentido   de cada intelec&ccedil;&atilde;o (e n&atilde;o dados como verdades ocultas   ao aparente). V&ecirc; a consci&ecirc;ncia como viv&ecirc;ncia, como simples   presen&ccedil;a do fen&ocirc;meno imanente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia das ci&ecirc;ncias naturais, ao apreender o fen&ocirc;meno sob   a &oacute;tica do psicof&iacute;sico perde a sua originalidade. Uma an&aacute;lise   da consci&ecirc;ncia pura, uma analise verdadeiramente rigorosa e basal de   todo o conhecimento, entende o fen&ocirc;meno como dado imediato: consci&ecirc;ncia   como consci&ecirc;ncia de. Nas palavras de Husserl:</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <blockquote>       <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>&#8220;O significado da afirma&ccedil;&atilde;o de a objetividade concreta existir   e provar-se intelig&iacute;vel como existente e no modo da sua exist&ecirc;ncia, &eacute; que   deve evidenciar-se meramente como a pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia, compreendendo-se,   por conseguinte, perfeitamente. Para isso, &eacute; preciso o estudo da consci&ecirc;ncia   total, visto ela por todas as suas formas assumir fun&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis   de intelec&ccedil;&atilde;o. Sendo, por&eacute;m, toda consci&ecirc;ncia, uma &#8216;consci&ecirc;ncia   de...&#8217;, o estudo da sua ess&ecirc;ncia inclui tamb&eacute;m o do significado   e do seu objeto como tais&#8221; </em>(1965.pag.19).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave;fenomenologia interessa a consci&ecirc;ncia pura, n&atilde;o a consci&ecirc;ncia   emp&iacute;rica (existente em continuidade com a natureza). Portanto, Husserl   foge &agrave;s hipostasias realistas e racionalistas, e fala de uma terceira   via; esta rigorosa o suficiente para fundamentar todo o conhecimento, a fenomenologia.   O fenomen&oacute;logo v&ecirc; o mundo a partir do campo de mostra&ccedil;&atilde;o   que se d&aacute; a consci&ecirc;ncia, sem sentidos e determina&ccedil;&otilde;es   dadas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica pretende chegar ao universal,   na estrutura. Para tal, aproxima o universal do singular, o objeto do sujeito,   propondo uma consci&ecirc;ncia intencional - uma atividade de co-originalidade   com o mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl n&atilde;o se contenta com nada que n&atilde;o seja um dado absolutamente   evidente, com nada que n&atilde;o possa ser suscet&iacute;vel de um conhecimento   origin&aacute;rio. Isso &eacute;, remete-se a algo que seja fiel ao prop&oacute;sito   de garantia do rigor. Para tal, procura s&oacute;lidas que sejam evidencias   absolutas, evid&ecirc;ncias &#8220;apod&iacute;dicas&#8221;. O referido autor,   dessa forma, se remete ao prop&oacute;sito cartesiano de eliminar toda a d&uacute;vida   a fim de se chegar ao conhecimento como evid&ecirc;ncia &uacute;ltima. Nas   palavras do mesmo:</font></p>       <blockquote>       <blockquote>       <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&#8220;Foi de um modo muito direto, diga-se expressivamente, que o estudo   das medita&ccedil;&otilde;es cartesianas interveio na nova configura&ccedil;&atilde;o   da fenomenologia nascente e lhe deu a forma e o sentido que agora tem e que   quase lhe permite chamar-se de um novo cartesianismo, um cartesianismo do s&eacute;culo   XX&#8221;</em> (Husserl, 1929, pag. 90).</font></p>   </blockquote>   </blockquote>   </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, a proposta da fenomenologia vem de encontro n&atilde;o s&oacute; com   as proposi&ccedil;&otilde;es cartesianas, como com o conhecimento emp&iacute;rico   das ci&ecirc;ncias, como visto anteriormente. Husserl retorna ao pensamento   cartesiano o liberando da sua &uacute;ltima ingenuidade: prop&otilde;e ao inv&eacute;s   de o cogito ergo <i>sun</em>, o <i>cogito cogitatum</em>(Penso pensamentos, lembro lembran&ccedil;as),   o que marca a fenomenologia como um novo m&eacute;todo, uma nova epistemologia,   bem como uma nova atitude. Atitude esta que consiste em distinguir, a partir   do que se busca elucidar, o sentido &uacute;ltimo das coisas, a coisa em sua &#8220;doa&ccedil;&atilde;o   origin&aacute;ria&#8221;. Husserl, como escreve Dartigues (1992) buscava a   intui&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria, o &#8220;princ&iacute;pio dos princ&iacute;pios&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por atitude natural pode-se dizer o que Husserl chamou de &#8220;tese do mundo&#8221;.A   cren&ccedil;a de que o &#8220;mundo&#8221; revela-se a n&oacute;s pela experi&ecirc;ncia   sens&iacute;vel, este situado espa&ccedil;o-temporalmente. Trata-se das coisas   consideradas como entes mundanos, dados em si, com suas respectivas propriedades.   Postura esta caracterizada como &#8220;realismo ing&ecirc;nuo&#8221;, onde   se aceita a exist&ecirc;ncias das coisas pura e simplesmente como s&atilde;o,   sem um exame cr&iacute;tico. As ci&ecirc;ncias da natureza se comportam sem   qualquer d&uacute;vida ontol&oacute;gica a respeito dos objetos que estudam,   ou seja, tem uma postura de equival&ecirc;ncia do ser real e como ser percebido.   Descartes critica esse realismo metafisico uma vez que deriva o mundo da consci&ecirc;ncia.   Para ele a exist&ecirc;ncia da realidade era garantida pelo pensamento, tinha   a evid&ecirc;ncia do ser, do mundo, atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio do pensamento   (o racionalismo cartesiano).Num primeiro momento Husserl, como escreve Tourinho   (2011), ao criticar a hipostasia realista, chega a algo pr&oacute;ximo ao <i>c&oacute;gito</em>  cartesiano   com a id&eacute;ia de &#8220;evid&ecirc;ncia <i>cogitatio</em>&#8221;; a evid&ecirc;ncia   de que os dados dos sentidos n&atilde;o s&atilde;o suficientes para sustentar   a evid&ecirc;ncia da realidade por si s&oacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, Husserl vai al&eacute;m de Descartes ao generalizar a epoch&eacute; tamb&eacute;m   para o &acirc;mbito da consci&ecirc;ncia, da viv&ecirc;ncia psicol&oacute;gica.   Segundo Husserl, o sujeito emp&iacute;rico tamb&eacute;m &eacute; um ente,   assim como os entes mundanos, dado por si. A consci&ecirc;ncia &eacute; vista   como uma entidade interiorizada, psicologizada; localizada espa&ccedil;o e   temporalmente. Seus objetos lhe diferem por subst&acirc;ncia, estes apreendidos,   em si mesmos, por meio de suas faculdades,num plano espa&ccedil;o-temporal   com sentidos e determina&ccedil;&otilde;es dadas por si mesmas. &#8220;O transcendente   passa a ser, portanto, entendido como fonte de d&uacute;vidas e de incertezas,   por&eacute;m, abrangendo agora o eu emp&iacute;rico em sua rela&ccedil;&atilde;o   com o mundo natural&#8221; (Tourinho, 2011, pag.30).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, Husserl vai consolidar o deslocamento dos fatos emp&iacute;ricos,   para os fen&ocirc;menos. Da subjetividade transcendental para a consci&ecirc;ncia   transcendental, capaz de ver os fen&ocirc;menos tais como se apresentam, consistindo   o &#8220;puro ver&#8221; das coisas, a visada original. A fenomenologia prescindir&aacute; da   exist&ecirc;ncia das coisas mundanas, para o puro ver, para os fen&ocirc;menos   como se revelam, como se mostram para a consci&ecirc;ncia em sua pureza irrefut&aacute;vel,   na auto-reflex&atilde;o da consci&ecirc;ncia transcendental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras, para Husserl, conforme escreve Tourinho (2011), o transcendental &eacute; o   pr&oacute;prio dom&iacute;nio do conhecimento, dom&iacute;nio da autenticidade.   A consci&ecirc;ncia transcendental marca o retorno do sens&iacute;vel como   fonte de conhecimento, tirando este do dom&iacute;nio da raz&atilde;o. &Eacute; o &#8220;retorno &agrave;s   coisas mesmas&#8221;, ao puro fen&ocirc;meno, a pura e original viv&ecirc;ncia.   Tem-se sens&iacute;vel n&atilde;o encerrado &agrave; percep&ccedil;&atilde;o,   ao &oacute;rg&atilde;o dos sentidos, pois, como diz Dartigues (1992), tal posi&ccedil;&atilde;o   encerraria ao cepticismo. Para Husserl, os fen&ocirc;menos se d&atilde;o por   interm&eacute;dio dos sentidos, mas aparecem intuitivamente como dotados de   sentido, de uma ess&ecirc;ncia (imanente ao fen&ocirc;meno): &#8220;Eis por   que, para al&eacute;m dos dados dos sentidos, a intui&ccedil;&atilde;o ser&aacute; uma   intui&ccedil;&atilde;o da ess&ecirc;ncia do sentido&#8221; (Tourinho,2011,   pag.14). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas, por n&atilde;o se tratar de uma consci&ecirc;ncia interiorizada, emp&iacute;rica,   mas sim da consci&ecirc;ncia transcendental, um fen&ocirc;meno &eacute; um   fen&ocirc;meno na e para a consci&ecirc;ncia pura (ou transcendental). Ou seja,   atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio da redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica   (a epoch&eacute;), a consci&ecirc;ncia &eacute; compreendida como fluxo, como   intencionalidade, em co-originalidade com o mundo. As coisas n&atilde;o s&atilde;o   dadas em si mesmas para uma consci&ecirc;ncia interiorizada (doadora de sentidos   e determina&ccedil;&otilde;es), mas, do contr&aacute;rio, s&atilde;o visadas   intencionalmente. A consci&ecirc;ncia, como escreve C. Tourinho:</font></p>       <blockquote>       <blockquote>       <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&#8220;(...)deve ser concebida a partir de sua rela&ccedil;&atilde;o intencional   com o seu objeto que, em sua vers&atilde;o reduzida, enquanto um dado imanente,   um conte&uacute;do intencional da consci&ecirc;ncia. Trata-se, com tal redu&ccedil;&atilde;o,   de fazer o mundo reaparecer na consci&ecirc;ncia como um horizonte de idealidades   meramente significativas, que se revelam como um dado absoluto e imediato para   uma tal consci&ecirc;ncia pura que o apreende e o constitui intuitivamente&#8221;</em> (2011,   p. 33).</font></p>   </blockquote>   </blockquote>   </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A mesma consci&ecirc;ncia que apreende o objeto intuitivamente &eacute; respons&aacute;vel   pela constitui&ccedil;&atilde;o desse objeto no pensamento, como uma unidade   de sentido, um fen&ocirc;meno puro. Puro significa n&atilde;o mundano, n&atilde;o   factual, aquilo que n&atilde;o pode ser pensado em termos de dados emp&iacute;ricos.   Os objetos, as coisas, enquanto <i>cogitatum</em> exigem uma doa&ccedil;&atilde;o de   sentido que s&oacute; pode vir atrav&eacute;s dos atos intencionais, das unidades   de sentido que pressup&otilde;e uma consci&ecirc;ncia doadora de sentido. O   fen&ocirc;meno, pois, em sua co-originalidade, &eacute; logosao mesmo tempo   que fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As coisas, portanto s&atilde;o para uma consci&ecirc;ncia a partir de um horizonte   de sentidos, se d&atilde;o em co-originalidade. N&atilde;o &eacute; a consci&ecirc;ncia   que posiciona o mundo, nem este impresso na consci&ecirc;ncia ing&ecirc;nua.   A consci&ecirc;ncia como intencionalidade, como ato, como fluxo, acontece na   co-originalidade do dado imanente, e da consci&ecirc;ncia doadora de sentidos.   Se por um lado, na atitude natural, o mundo se revela a consci&ecirc;ncia como   fatual, na atitude fenomenol&oacute;gica, de outra forma, o mundo se revela   como pura significa&ccedil;&atilde;o; se revela em sua totalidade, como fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A causalidade, com o acontecimento temporal linear desaparece como funcionamento   da consci&ecirc;ncia. Como a consci&ecirc;ncia &eacute; correlacional, todo   objeto &eacute; intencional (conte&uacute;dos intencionais da consci&ecirc;ncia)   e toda intencionalidade &eacute; para o ato intencional &#8211; implicados   mutuamente em co-originalidade. O tempo, como escreve Dartigues (1992), &eacute; entendido   como uma rede de m&uacute;ltiplos agoras, cada um de uma vez,n&atilde;o como   acontecimentos lineares que derivam de uma base pr&eacute;via de aprendizagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl, pois, acaba com a dicotomia sujeito e objeto (entendida como interioridade/exterioridade),   nos remetendo sempre ao que &eacute; exterior, ao que &eacute; transcendental &agrave; consci&ecirc;ncia   emp&iacute;rica (psicol&oacute;gica). A redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica   permite-nos lan&ccedil;ar para o modo transcendental de considera&ccedil;&atilde;o   do mundo, recuperando a aut&ecirc;ntica objetividade na pr&oacute;pria subjetividade   transcendental; &#8220;uma exterioridade objetiva na pura interioridade&#8221; (Husserl,   1929, p. 34), unindo, dessa maneira, o objetivo e o subjetivo</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl posiciona     a dimens&atilde;o intencional independente e anterior a   toda descri&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, a toda introspec&ccedil;&atilde;o,   recuperando, assim, de um modo original, a id&eacute;ia de &#8220;objetividade   imanente&#8221;. Dessa forma, o particular se torna tamb&eacute;m universal,   cabendo ao fenomen&oacute;logo a investiga&ccedil;&atilde;o da intencionalidade   - o exame dos elementos que, no ato de consci&ecirc;ncia pura, s&atilde;o respons&aacute;veis   pela constitui&ccedil;&atilde;o das diferentes modalidades do &#8220;aparecer&#8221; enquanto   tal (diferentes formas do dar-se dos objetos na consci&ecirc;ncia pura).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Analisar o sentido &iacute;ntimo das coisas, segundo a fenomenologia, significa,   portanto, analisar o sentido dos objetos intencionais, explicitando as significa&ccedil;&otilde;es   que se encontram a&iacute; implicadas, bem como as diferentes modalidades de   aparecimento desse mesmo conte&uacute;do intencional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, ao deslocar o eixo da epistemologia de uma apreens&atilde;o emp&iacute;rica   do mundo para uma visada intencional, Husserl se abst&eacute;m de considerar   sobre a exist&ecirc;ncia do mundo, sem, no entanto, neg&aacute;-lo. Para a   fenomenologia, filosofia como ci&ecirc;ncia rigorosa, o que interessa &eacute; o   sentido dos objetos intencionais, o &#8220;sentido do mundo&#8221;, e n&atilde;o   os fatos. A consci&ecirc;ncia como fluxo, operando na intencionalidade, no   <i>cogitatum</em>, garante a objetividade e pureza da fenomenologia como ci&ecirc;ncia   do mais origin&aacute;rio. Da &#8220;coisa mesma&#8221;, recuperada pela consci&ecirc;ncia   transcendental. &#8220;Para Husserl, somente assim a filosofia poderia, definitivamente,   se livrar das diverg&ecirc;ncias de seu tempo, e da amea&ccedil;a do ceticismo   iminente, reerguendo-se de forma inabal&aacute;vel&#8221; (Tourinho, 2011,   pag.39).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>5 - GESTALT-TERAPIA E O <i>SELF</em> COMO CONCEITO OPERACIONAL FENOMENOL&Oacute;GICO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Concordando com Ribeiro (2007), a Gestalt-terapia &eacute; uma abordagem que   tem por objetivo a arte do contato. &Eacute; atrav&eacute;s do contato, na   promo&ccedil;&atilde;o de um encontro mais rico e criativo, que o mal-estar   vivido pelo cliente pode ser ampliado e transformado em novas formas de exist&ecirc;ncia.   A terapia, dessa forma, &eacute; um espa&ccedil;o para o exerc&iacute;cio do   contato, um exerc&iacute;cio de troca na viv&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o   entre terapeuta e cliente a fim de se expandir a <i>awareness</em> e desenrijecer processos   bloqueados do sistemaself. Nas palavras do autor citado acima: &#8220;A Gestalt   pode ser definida como uma terapia do contato em a&ccedil;&atilde;o (...)&#8221; (pag.   25).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os principais autores da Gestalt-terapia, Perls, Hefferline e Goodman (1951),   partem do principio de que qualquer investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica,   e de todo o campo do saber das ci&ecirc;ncias, deve-se considerar o organismo   e seu ambiente. A Gestalt-terapia tem por objeto de estudo, e por finalidade   cl&iacute;nica, o limite, a intera&ccedil;&atilde;o entre organismo e ambiente,   entendendo tal fronteira enquanto campo de presen&ccedil;a, e identificando   os comportamentos humanos como fun&ccedil;&atilde;o dessa intera&ccedil;&atilde;o.   Nas palavras dos autores:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Denominemos       esse interagir entre organismo e ambiente em qualquer fun&ccedil;&atilde;o   o &#8216;campo organismo/ambiente&#8217;, e lembremo-nos de que qualquer que   seja a maneira pela qual teorizamos sobre impulsos, instintos etc, estamos   nos referindo sempre a esse campo interacional e n&atilde;o a um animal isolado</em>  (1951, p. 42-43).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para autores citados, organismo e ambiente n&atilde;o s&atilde;o substancias   distintas,antag&ocirc;nicas em sua natureza, como no pensamento Cartesiano,   pelo contrario, fazem parte do todo organismo/ambiente. O termo fronteira passa   a ideia de um limite &#8220;entre&#8221;, por&eacute;m, do contr&aacute;rio,   Perls, Hefferline e Goodman (1951) preferem pensar em num limite &#8220;de&#8221;.   A fronteira-de-contato, onde a experi&ecirc;ncia ocorre, n&atilde;o separa   o organismo de seu ambiente, mas sim o limita, o cont&eacute;m, o protege e   o diferencia. O Contato &eacute; fun&ccedil;&atilde;o dessa fronteira. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A experi&ecirc;ncia,     como escrevem Perls, Hefferline e Goodman (1951), &eacute; fun&ccedil;&atilde;o,   e se d&aacute; na fronteira entre organismo e ambiente, sendo, a realidadeum   todo organizado, uma Gestalt (com a obten&ccedil;&atilde;o de algum significado   e a conclus&atilde;o de alguma a&ccedil;&atilde;o). Pode-se dizer, portanto,   que o contato &#8220;&eacute; a realidade mais simples e primeira, sendo a   percep&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel derivada da experi&ecirc;ncia da fronteira,   constituindo, esta, uma estrutura unificada&#8221; (PHG, 1951, p 20).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O contato, em outras palavras, como escreve Perls (1973), pode ser definido   como <i>awareness</em> do campo ou resposta motora no campo; entendido como tipo de   intera&ccedil;&atilde;o que se tem na fronteira num movimento de consci&ecirc;ncia   (de) e a&ccedil;&atilde;o (para). Esta intera&ccedil;&atilde;o inclui a <i>awareness</em>  da novidade assimil&aacute;vel e o comportamento com rela&ccedil;&atilde;o   a esta; que pode ser da ordem da assimila&ccedil;&atilde;o, ou rejei&ccedil;&atilde;o: &#8220;&Eacute; na   fronteira que os perigos s&atilde;o rejeitados, os obst&aacute;culos superados   e o assimil&aacute;vel &eacute; selecionado e apropriado&#8221; (PHG, 1951,   pag.44).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contato pressup&otilde;e sempre o encontro com o diferente, sendo que um organismo   vive em seu ambiente por manuten&ccedil;&atilde;o da sua diferen&ccedil;a e   por meio da assimila&ccedil;&atilde;o do ambiente a sua diferen&ccedil;a (Polster,   1979). Fronteira de contato &eacute; o limite onde o organismo se diferencia   do meio, se atualiza enquanto diferente, enquanto singularidade. Diferenciar-se &eacute; obter   uma rela&ccedil;&atilde;o onde a satisfa&ccedil;&atilde;o seja m&uacute;tua,   do organismo e do mundo: &#8220;O meio n&atilde;o cria o organismo, nem este   cria o meio, cada um &eacute; o que &eacute;, com suas caracter&iacute;sticas,   devido ao relacionamento com o outro e com o todo&#8221; (Perls, 1973, pag.   31).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que &eacute; difuso, sempre o mesmo, ou indiferente n&atilde;o &eacute; um   objeto do contato (como exemplo pode-se citar os &oacute;rg&atilde;os internos   em funcionamento saud&aacute;vel). O mundo ganha sentido quando os encontros   viram contato, ou seja, na ocasi&atilde;o de mudan&ccedil;a, do novo; quando   um altera a natureza do outro. O organismo saud&aacute;vel goza de uma fronteira   perme&aacute;vel, o que permite um bom contato na medida em que a fronteira   se expande para o novo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todo contato &eacute; criativo e din&acirc;mico. Como o organismo n&atilde;o &eacute; passivo   do contato &#8211;este &eacute; espont&acirc;neo &#8211;o organismoassimila   o ambiente. O que &eacute; selecionado e assimilado &eacute; sempre novo, sendo   que o organismo persiste pela assimila&ccedil;&atilde;o do novo, pela mudan&ccedil;a   e crescimento. No processo de assimila&ccedil;&atilde;o o organismo &eacute; sucessivamente   modificado, assim como o ambiente. Este processo faz com que o individuo se   encontre sempre em ajustamento. &Eacute; pelo ajustamento criativo que a mudan&ccedil;a   e o crescimento se d&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No exerc&iacute;cio cl&iacute;nico, como arte do encontro, do contato, toda   vez que uma novidade &eacute; percebida no campo, toda vez que se tem um aumento   da <i>awareness</em> na fronteira de contato, uma nova possibilidade &eacute; descoberta.   Uma nova figura esta a disposi&ccedil;&atilde;o para o cliente exercer a sua   liberdade, e a sua responsabilidade, na a&ccedil;&atilde;o frente a este novo   horizonte que emerge.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um bom contato, portanto, &eacute; aquele consonante com a forma&ccedil;&atilde;o   de uma figura n&iacute;tida, de uma gestalt clara, onde se tem <i>awareness</em> acompanhado   do comportamento motor que se completa, que fecha o ciclo da assimila&ccedil;&atilde;o   levando ao consequente crescimento. Isto implica numa cl&iacute;nica que n&atilde;o   carece de teorias do comportamento normal, &#8220;a pr&oacute;pria figura fornece   um crit&eacute;rio aut&ocirc;nomo da profundidade e realidade da experi&ecirc;ncia&#8221; (PHG,1951,   pag. 46).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O terapeuta tem por miss&atilde;o estimular o contato do cliente tendo a pr&oacute;pria   rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica como guia no aqui-e-agora. &Eacute; por   meio do contato que se promove <i>awareness</em> do campo e uma resposta condizente   com o que o cliente quer, e com o que o aparece como horizonte de suas possibilidades   existenciais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Perls,     Hefferline e Goodman(1951), todo ato de <i>awareness</em> exige contato,   no entanto, n&atilde;o significa que todo contato impliquei em <i>awareness</em>.   Dessa forma, como escreve Yontef (1993), a <i>awareness</em> pode ser entendida   como fixa&ccedil;&atilde;o   da uma <i>gestalten</em>, como um contato pleno; como uma integra&ccedil;&atilde;o   total do campo organismo/ambiente. Contato completo, integrado, no sentido   de haver uma total percep&ccedil;&atilde;o, da parte de quem percebe, de todos   os elementos do campo organismo/ambiente.&Eacute; a experi&ecirc;ncia de minha   pessoalidade como fundo de tudo que acontece na fronteira, no campo de presen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Awareness</em>, como escreve o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a), &eacute; processo   de orienta&ccedil;&atilde;o que se renova a cada instante. &Eacute; uma unidade,   uma fixa&ccedil;&atilde;o. D&aacute;-se a partir de um sentir (entendido como   espontaneidade), como abertura para a nossa &#8220;hist&oacute;ria impessoal&#8221;. &Eacute; forma&ccedil;&atilde;o   de <i>gestalten</em>, e acontece no aqui-e-agora, no movimento de forma&ccedil;&atilde;o   e dissolu&ccedil;&atilde;o de figuras, consonante com a necessidade genuinamente   emergente. S&oacute; existe <i>awareness </em>no contato, na percep&ccedil;&atilde;o   do campo organismo/ambiente (sempre no presente).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A emerg&ecirc;ncia de uma figura na fronteira de contato, e a decis&atilde;o   do organismo perante as escolhas que lhe s&atilde;o poss&iacute;veis diante   dessa figura correspondem ao ciclo de abertura e fechamento de <i>Gestalt</em>. Ciclo   este que pode ser definido como as polariza&ccedil;&otilde;es do <i>self</em> no encontro   com o mundo.Uma necessidade emergente, algo que seja do foco do interesse do   organismo, ao ser contatada, &eacute; uma gestalt aberta, que necessita de   movimento para ser fechada. Contato como percep&ccedil;&atilde;o (de) e movimento   (para), tr&aacute;s consigo a ideia de abertura e fechamento de gestalt, de   configura&ccedil;&otilde;es inteiras, atrav&eacute;s dos processos envolvidos   o ciclo contato, ou, em outras palavras, na din&acirc;mica do funcionamento   do <i>self</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>self</em> pode     ser considerado como o principal conceito da Gestalt-terapia. &Eacute; em   servi&ccedil;o do <i>self</em>, de suas din&acirc;micas e fun&ccedil;&otilde;es   que o contato, o ajustamento criativo e a <i>awareness </em>s&atilde;o poss&iacute;veis;   sendo os fen&ocirc;menos de empobrecimento do contato formas de inibi&ccedil;&otilde;es   do sistema <i>self</em> (PHG, 1951). Dessa forma, toda a teoria da Gestalt-terapia,   sua pr&aacute;tica cl&iacute;nica, e seu pr&oacute;prio objetivo s&atilde;o   orientados a respeito do sistema <i>self</em>, considerando suas fun&ccedil;&otilde;es   e din&acirc;micas.   Um bom terapeuta deve, dessa forma, ajudar o cliente, muitas vezes perdido   em angustia, a organizar e tomar responsabilidade das suas escolhas, em outras   palavras, ajudar o cliente a completar o ciclo de contato proporcionando satisfa&ccedil;&atilde;o   e crescimento ao <i>self</em>. Mas, para nosso melhor entendimento, o que &eacute; propriamente   o <i>self</em>?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A defini&ccedil;&atilde;o para o <i>self</em> encontrada na obra de Perls, Hefferline   e Goodman (1951) &eacute; a de que o <i>self</em> &eacute; &#8220;o sistema complexo   de contatos necess&aacute;rio ao ajustamento criativo&#8221; (p. 179). Ao definir   o <i>self</em> como um sistema de contatos que tem a fun&ccedil;&atilde;o de contatar   o presente, Perls Hefferline e Goodman (1951) n&atilde;o o entendem como uma   entidade psicof&iacute;sica, mas sim como um processo, como algo que se d&aacute; atrav&eacute;s   de uma rela&ccedil;&atilde;o, como um acontecimento na fronteira de contato.   O <i>self</em>, para estes autores, &eacute; uma din&acirc;mica de trocas energ&eacute;ticas   entre o organismo e o meio, de modo a permitir, por um lado, a conserva&ccedil;&atilde;o   de algumas formas de organiza&ccedil;&atilde;o anteriores (junto &agrave;s   quais me experimento como aquilo que permanece) e, por outro, a destrui&ccedil;&atilde;o   de formas antigas e assimila&ccedil;&atilde;o de formas novas (o que permite   que me experimente como algo integrado ao ambiente).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>self</em> pode ser compreendido, ent&atilde;o, como o estado na fronteira de   contato; fronteira esta que pertence tanto ao organismo quanto ao ambiente.   Dessa forma, n&atilde;o se deve pensar o <i>self</em> como uma institui&ccedil;&atilde;o   fixada; ele existe onde quer que haja de fato uma intera&ccedil;&atilde;o na   fronteira, e sempre que esta existir: &#8220;quando se aperta o polegar, o   <i>self</em> existe no polegar&#8221; (PHG, 1951, p.179).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enquanto sistema de contatos o <i>self</em> n&atilde;o &eacute; uma regularidade de   a&ccedil;&otilde;es, mas um <i>continuum</em> que se modifica a cada instante. Ele   a cada momento mobiliza, na forma de excitamento, um fundo (meu passado) que   responde ao meu investimento em forma de figura, como potencialidade, como   um horizonte de futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na leitura de Perls, Hefferline e Goodman (1951) &eacute; claro a identifica&ccedil;&atilde;o   do <i>self</em> como um processo de forma&ccedil;&atilde;o de figura (presente) e fundo   (passado). Para estes autores, o passado n&atilde;o &eacute; visto como uma   inst&acirc;ncia imut&aacute;vel, mas est&aacute;, tamb&eacute;m, em jogo, em   constante mudan&ccedil;a, em constante renova&ccedil;&atilde;o. Por conseguinte,   numa situa&ccedil;&atilde;o de <i>awareness</em> essa &#8220;preteriedade da situa&ccedil;&atilde;o   se d&aacute; como sendo o estado do organismo e do ambiente, mas no instante   mesmo da concentra&ccedil;&atilde;o, o conhecido (o passado) est&aacute; se   dissolvendo em muitas possibilidades&#8221; (Ibidem p. 181).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A din&acirc;mica de forma&ccedil;&atilde;o de gestalt &eacute; fun&ccedil;&atilde;o   do <i>self</em>, uma vez que a forma&ccedil;&atilde;o de figura d&aacute;-se no processo   de contato. Nas palavras de Perls, Hefferline e Goodman: &#8220;o self &eacute; a   for&ccedil;a que forma a gesltalt no campo; ou melhor, o<i> self</em> &eacute; o processo   de figura/fundo em situa&ccedil;&atilde;o de contato&#8221; (1951, p.180).   Em decorr&ecirc;ncia disso, os referidos autores v&atilde;o dizer que o <i>self</em> &eacute; &#8220;a   realiza&ccedil;&atilde;o de um potencial&#8221; (p180), donde segue a ideia   do <i>self </em>como uma potencialidade engajada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na medida em que a concentra&ccedil;&atilde;o prossegue- excita&ccedil;&atilde;o   pela qual o contato se d&aacute;- o <i>self</em> se identifica com algumas possibilidades,   alienando-se de outras. Essas possibilidades, ent&atilde;o, s&atilde;o transformadas   em figura que emergem, por sua vez, do fundo de potencialidade. O futuro, o   porvir, &eacute; a marca efetiva desse processo, sendo que a identifica&ccedil;&atilde;o   e aliena&ccedil;&atilde;o dessas possibilidades, o surgimento de uma nova figura, &eacute; o   ajustamento criativo (onde o novo &eacute; assimilado).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nem ativo, nem passivo, mas - espont&acirc;neo e engajado numa situa&ccedil;&atilde;o   - s&atilde;o, segundoPerls, Hefferline e Goodman (1951), as principais caracter&iacute;sticas   do <i>self</em>. A espontaneidade, segundo os mesmos autores, &#8220;&eacute; o sentimento   de estar atuando no organismo/ambiente que esta acontecendo, sendo n&atilde;o   somente seu artes&atilde;o ou seu artefato, mas crescendo dentro dele&#8221; (Ibidem   p.182). Em outras palavras, essa caracter&iacute;stica do <i>self</em> o identifica   a postura de descobrir-se e inventar-se ao mesmo tempo, agredindo e aceitando   o que &eacute; contatado. N&atilde;o se trata, pois, da a&ccedil;&atilde;o   do sujeito sobre si, mas da g&ecirc;nese desse sujeito na a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sujeito este que, tendo sua g&ecirc;nese renovada a cada contato, se modifica,se   surpreende ao perceber o ambiente tamb&eacute;m renovado a cada encontro. Logo,   para a Gestalt-terapia, um sujeito n&atilde;o &eacute; uma interioridade imut&aacute;vel   presa a um passado que o define e que, muitas vezes, o condena. O sujeito gest&aacute;ltico &eacute; algu&eacute;m   em fluxo, em mudan&ccedil;a, que organiza suas a&ccedil;&otilde;es (na sorte   de ajustamentos)a partir da intencionalidade da sua consci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para al&eacute;m, no que consiste ao m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico e   o <i>self</em>, o casal M&uuml;ller-Granzotto (2004, 2007a) identificam as fun&ccedil;&otilde;es   e din&acirc;micas do <i>self</em> como uma sorte de espontaneidade a luz da no&ccedil;&atilde;o   de temporalidade da fenomenologia de Husserl. Para os referidos autores, o   self cria estruturas espec&iacute;ficas para prop&oacute;sitos espec&iacute;ficos,   o que quer dizer que o self de acordo com o foco da experi&ecirc;ncia, cria   fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, em detrimento de outras. Essas formas   elementares da viv&ecirc;ncia do <i>self</em>, ou seja, da pura viv&ecirc;ncia espont&acirc;nea,   constituem o que Perls, Hefferline e Goodman (1951) v&atilde;o descrever como   opera&ccedil;&otilde;es, ou fun&ccedil;&otilde;es do <i>self</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a) a descri&ccedil;&atilde;o dos   processos que constituem a reedi&ccedil;&atilde;o criativa de n&oacute;s mesmos   no campo organismo/ambiente (reedi&ccedil;&atilde;o, esta, na forma de um fundo,   que se realiza como horizonte de possibilidades para a figura emergente), ou   a descri&ccedil;&atilde;o do <i>self</em> (que &eacute; a mesma coisa) &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o   do que h&aacute; de essencial na experi&ecirc;ncia. Por essa raz&atilde;o &#8220;Perls   e seus colaboradores prop&otilde;e n&atilde;o uma teoria da personalidade ou   uma metapsicologia, mas uma <i>psicologia formal</em>, que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o   uma descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica desse processo de apercep&ccedil;&atilde;o   da pr&oacute;pria unidade no mundo &#8211; processo esse a que denominaram   <i>self</em>&#8221; (MG, 2007a, p. 212, grifos meus).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Logo, a descri&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es do <i>self</em> nada mais &eacute; do   que a descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das estruturas por meio do qual   podemos nos representar como uma unidade nos processos contato e ajustamento   criativo. Estas estruturas, ou &#8220;sistemas parciais do <i>self</em>&#8221;, como   nomeiam Perls, Hefferline e Goodman (1951), que, a partir da an&aacute;lise   de como o contato (que pode ser f&iacute;sica, qu&iacute;mica, emocional, pol&iacute;tica)   se polariza como o fluxo de <i>awareness</em>,s&atilde;o as fun&ccedil;&otilde;es Id,   Ego e Personalidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As fun&ccedil;&otilde;es do<i> self</em> n&atilde;o s&atilde;o etapas de uma sucess&atilde;o   cronol&oacute;gica (compreens&atilde;o err&ocirc;nea que nos levaria ao entendimento   da natureza do <i>self</em> como interioridade). As tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es   s&atilde;o apenas tr&ecirc;s pontos de vista diferentes que se pode ter da   mesma experi&ecirc;ncia. O que significa que no fluxo de <i>awareness</em> (em cada   experi&ecirc;ncia vivida) &eacute; poss&iacute;vel que se apresente, at&eacute; concomitantemente,   as tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es. O que vai por, pois, em evid&ecirc;ncia   uma fun&ccedil;&atilde;o do self em prol de outra &eacute; a escolha de quem   est&aacute; a descrever a experi&ecirc;ncia. Nas palavras de Marcos e Rosane   M&uuml;ller-Granzotto:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A frase &#8216;Sou eu que estou respirando neste momento&#8217; designa,     simultaneamente, uma personalidade, uma r&eacute;plica verbal de uma identidade     objetiva (marcada pelo pronome eu), uma fun&ccedil;&atilde;o de ego, que &eacute; a     a&ccedil;&atilde;o mesma de emitir a frase em quest&atilde;o, quanto uma     fun&ccedil;&atilde;o id, que &eacute; a necessidade ou excitamento que ultrapassa     ou sobeja os valores sem&acirc;nticos fixados pela frase supra</em> (2007a, p.214).</font></p> 	</blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A t&iacute;tulo de maior para o entendimento da din&acirc;mica do selfcabe   apresentar a releitura que o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a) prop&otilde;e   a respeito das mesmas. Estes autores v&atilde;o reportar-se a fenomenologia   de Husserl para explicar &#8220;as condi&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas   que permitem &agrave; consci&ecirc;ncia transcendental representar, na forma   de um objeto transcendente, a unidade de suas pr&oacute;prias viv&ecirc;ncias&#8221; (2007a,   p. 224). Tais condi&ccedil;&otilde;es, como os mesmos dizem, reconhecem a vig&ecirc;ncias   de um tipo especial de intencionalidade, a &#8220;intencionalidade operativa&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A intencionalidade operativa, que &eacute; para Husserl uma &#8220;espontaneidade&#8221; (1893,   p. 124 apud M&uuml;ller-Granzotto, 2007a, p. 224) na qual vinculamos nossas   viv&ecirc;ncias com as demais sem que uma subst&acirc;ncia seja criada, sem   que haja um ato de unifica&ccedil;&atilde;o. Esse v&iacute;nculo entre as viv&ecirc;ncias   e pode ser experimentado de duas formas: como reten&ccedil;&atilde;o do vivido   enquanto modifica&ccedil;&otilde;es sucessivas e como um horizonte de tempo   (passado e futuro).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma viv&ecirc;ncia, seguindo o fluxo da consci&ecirc;ncia, d&aacute; lugar   a uma nova viv&ecirc;ncia, no entanto, como explica o casal M&uuml;ller-Granzotto   (2004, 2007a) a partir de Husserl, uma esp&eacute;cie de perman&ecirc;ncia   ocorre como horizonte para novas viv&ecirc;ncias. Essa perman&ecirc;ncia, como,   por exemplo, a sucess&atilde;o da melodia que forma um todo coerente, implica   numa variedade de modifica&ccedil;&otilde;es. A viv&ecirc;ncia permanece retida   enquanto materialidade modificada, e a cada nova viv&ecirc;ncia se tem a modifica&ccedil;&atilde;o   dessa modifica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que todas essas modifica&ccedil;&otilde;es   estabele&ccedil;am, para novas viv&ecirc;ncias, um tipo de horizonte. &#8220;Essa   intencionalidade diz respeito, ent&atilde;o, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o   espont&acirc;nea desses vividos retidos enquanto horizonte de retrospec&ccedil;&atilde;o   e de prospec&ccedil;&atilde;o para novos vividos materiais&#8221; (M&uuml;ller-Granzotto,   2007a, p. 224).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa s&iacute;ntese, todavia, &eacute; provis&oacute;ria, e est&aacute; em   transito constante. Meus co-dados retidos, meu horizonte temporal, esta em   constante forma&ccedil;&atilde;o e reformula&ccedil;&atilde;o, na medida em   que meu campo de presen&ccedil;a em torno do dado material atual se desmancha   em virtude do surgimento de um novo dado, com a consequente forma&ccedil;&atilde;o   de um novo campo de presen&ccedil;a. Esse fluxo de presen&ccedil;a &eacute; denominado   pelo casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a) de &#8220;consci&ecirc;ncia da viv&ecirc;ncia   interna do tempo&#8221;, ou &#8220;consci&ecirc;ncia imanente do tempo&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl, segundo os mesmos autores citados acima, n&atilde;o concebe o tempo   vivido como uma sucess&atilde;o linear de agora(s), mas como uma rede que se   arma em torno do novo agora que &eacute; vivido. Esse agora(s), em rede, &eacute; independente,   e totalmente diferente dos demais; se n&atilde;o o que ter&iacute;amos seria   uma sucess&atilde;o linear do tempo. No entanto, esse agora(s) n&atilde;o guarda   uma rela&ccedil;&atilde;o material (um dado) com o(s) novo(s) agora(s), o que   n&atilde;o significa que n&atilde;o haja rela&ccedil;&atilde;o alguma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o que guardam apenas pode ser estabelecida do ponto   de vista do vivido, ou seja, o que se pode saber do que j&aacute; foi vivido &eacute; uma   modifica&ccedil;&atilde;o deste perante a posi&ccedil;&atilde;o que me encontro   agora. O que &eacute; exatamente o duplo sentido da intencionalidade operativa:   a viv&ecirc;ncia retida em nossa consci&ecirc;ncia transcendental deixa de   ser viv&ecirc;ncia para se tornar horizonte (ou fundo).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cada novo agora nossas viv&ecirc;ncias retidas se modificam. Mas, mesmo   se modificando constantemente, o horizonte &eacute; aquilo que eu sempre posso   reivindicar como orienta&ccedil;&atilde;o para minha viv&ecirc;ncia atual (como   fundo). O agora &eacute; um campo de presen&ccedil;a, ou temporal, onde um   horizonte de passado e um horizonte de futuro s&atilde;o poss&iacute;veis.   Entretanto, cabe ressaltar, que este campo de presen&ccedil;a (futuro que se   faz presente a partir do passado) trata-se de um <i>contiuum</em>, sendo meu campo   de presen&ccedil;atranscend&ecirc;ncia para o dado vindouro. O que estabelece   a abertura necess&aacute;ria para que um novo dado possa surgir, e que um novo   campo possa se formar, com seus horizontes contingenciais &#8211; sempre em   fluxo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para estes autores, portanto, o processo da experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o   de figura a partir de fundo hist&oacute;rico, ou seja, o <i>self</em>, como a realiza&ccedil;&atilde;o   de um potencial pode ser interpretado como funcionando em dois n&iacute;veis,   um de opera&ccedil;&atilde;o (de modifica&ccedil;&otilde;es sucessivas) e outro   constru&iacute;do (o fundo, ou o horizonte hist&oacute;rico), da mesma forma   que acontece na experi&ecirc;ncia consci&ecirc;ncia imanente do tempo de Husserl.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>self</em>, como uma rede temporal, tem a cada fronteira de contato (ou presente   transiente) um campo de presen&ccedil;a, ou seja, em cada viv&ecirc;ncia, que   se d&aacute; sempre no aqui e agora, temos em co-presen&ccedil;a todas as nossas   viv&ecirc;ncias passadas, quer estas se apresentem como lembran&ccedil;as ou   como expectativas. Viv&ecirc;ncia esta que se d&aacute; de forma espont&acirc;nea,   pois ao mesmo tempo em que nos ocupamos de fixar um dado a partir de um fundo   de preteriedade no campo organismo/ambiente, vemos essa preteriedade renovar-se   em possibilidade futura, em busca de um novo dado, de uma nova figura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, ao mesmo tempo em que o <i>self</em> &eacute; rela&ccedil;&atilde;o,   ele &eacute; minha pessoalidade. Essa &uacute;ltima, minha pessoalidade, &eacute; assegurada   pelo fundo, uma base regular, como escreve M&uuml;ller-Granzotto (2004), desde   onde os dados na fronteira de contato aparecem como possibilidades. E, sendo   arrebatado por essas possibilidades &#8211; com as quais o se identifica ou   nas quais se al&iacute;nea &#8211; o <i>self</em>, em proveito de um acontecimento   espont&acirc;neo que ele n&atilde;o controla, vislumbra o surgimento de uma   nova figura; &#8220;o que faz dele a unidade de um fluxo temporal que se renova   a cada situa&ccedil;&atilde;o concreta em proveito da situa&ccedil;&atilde;o   seguinte, junto a qual a situa&ccedil;&atilde;o antiga &eacute; assimilada&#8221; (M&uuml;ller-Granzotto,   2007a, p.229).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este processo &eacute; o     pr&oacute;prio ajustamento criativo no campo, e,   conforme o entendimento do casal M&uuml;ller-Granzotto (2004), &eacute; somente   tendo por base a fenomenologia que o campo de presen&ccedil;a pode ser compreendido   como din&acirc;mica figura/fundo, e o <i>self</em> como a realiza&ccedil;&atilde;o   de um potencial. O que significa que o fluxo do contato envolve duas orienta&ccedil;&otilde;es   temporais: uma prospectiva (forma&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o   de uma gestalt, de uma figura, na passagem do surgimento de um dado para outro)   e uma orienta&ccedil;&atilde;o retrospectiva (assimila&ccedil;&atilde;o do   dado como um fundo para a forma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;xima Gestalt,   para o surgimento da pr&oacute;xima figura). Na primeira orienta&ccedil;&atilde;o   temos o crescimento, enquanto que na segunda temos a conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa apresenta&ccedil;&atilde;o temporal da forma&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o   de figura, do contato, da din&acirc;mica do <i>self</em>, pode-se concluir que o <i>self</em>  como sistema de contatos, &eacute; uma experi&ecirc;ncia de contato por vez   (passagem ininterrupta de uma viv&ecirc;ncia de contato apara outra). Sendo   que cada viv&ecirc;ncia cont&eacute;m as outras como horizonte de passado e   futuro. &#8220;O self &eacute; a cada nova viv&ecirc;ncia de contato a co-presen&ccedil;a   de todas as outras&#8221; (M&uuml;ller-Granzotto, 2007a, p. 235).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>5.1 &#8211;A din&acirc;mica do self e a cl&iacute;nica gest&aacute;ltica</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto a din&acirc;mica do <i>self</em>, suas polaridades e caracter&iacute;sticas, &eacute; poss&iacute;vel   dizer quetoda vez que um Gestalt-terapeuta usa o &#8220;o que&#8221;, o &#8220;quando&#8221; e   o &#8220;como&#8221; como perguntas, ao inv&eacute;s do &#8220;por que&#8221;,   est&aacute;, na realidade, se voltando para as polaridades das din&acirc;micas   do <i>self</em> em suas frequentes interrup&ccedil;&otilde;es. Para cada fun&ccedil;&atilde;o,   em correspondente din&acirc;mica, segundo Perls, Hefferline e Goodman (1951),   existem formas espec&iacute;ficas de trava, mecanismos de quebra da espontaneidade   do ciclo de forma&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o de figura.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em algumas das suas &uacute;ltimas publica&ccedil;&otilde;es, o casal M&uuml;ller-Granzotto   (2007b, 2008, 2009), imbu&iacute;dos na miss&atilde;o de aprofundar as pistas   que os principais autores da Gestalt-terapia criaram, desenvolvem novas contribui&ccedil;&otilde;es   te&oacute;ricas e cl&iacute;nicas &agrave;s originais formas de ajustamentos   comprometidos em espontaneidade e criatividade sugeridos por Perls, Hefferline   e Goodman(1951): os ajustamentos neur&oacute;ticos, psic&oacute;ticos, e de   afli&ccedil;&atilde;o. No entanto, antes de se abordar estas contribui&ccedil;&otilde;es, &eacute; necess&aacute;rio,   para um maior entendimento, uma apresenta&ccedil;&atilde;o mais aprofundada   das fun&ccedil;&otilde;es e correlatas din&acirc;micas do <i>self</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme pensam os fundadores da Gestalt-terapia - Perls, Hefferline e Goodman   (1951) -, o<i> self</em> cria estruturas espec&iacute;ficas para prop&oacute;sitos   espec&iacute;ficos, o que quer dizer que o <i>self</em> de acordo com o foco da experi&ecirc;ncia,   cria fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, em detrimento de outras.Segundo   o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a) a descri&ccedil;&atilde;o dos processos   que constituem a reedi&ccedil;&atilde;o criativa de n&oacute;s mesmos no campo   organismo/ambiente (reedi&ccedil;&atilde;o, esta, na forma de um fundo, que   se realiza como horizonte de possibilidades para a figura emergente), ou a   descri&ccedil;&atilde;o do self (que &eacute; a mesma coisa) &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o   do que h&aacute; de essencial na experi&ecirc;ncia. Por essa raz&atilde;o &#8220;Perls   e seus colaboradores prop&otilde;e n&atilde;o uma teoria da personalidade ou   uma metapsicologia, mas uma <i>psicologia formal</em>, que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o   uma descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica desse processo de apercep&ccedil;&atilde;o   da pr&oacute;pria unidade no mundo &#8211; processo esse a que denominaram   <i>self</em>&#8221; (MG, 2007a, p. 212, grifos meus).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As tr&ecirc;s     fun&ccedil;&otilde;es (Id, Ego e Personalidade), e as respectivas   din&acirc;micas (pr&eacute;-contato, contato, contato final e p&oacute;s-contato)   a elas associadas, s&atilde;o apenas tr&ecirc;s pontos de vista diferentes   que se pode ter da mesma experi&ecirc;ncia, que &eacute; o sistema <i>self</em> em   funcionamento. O que significa que no fluxo de <i>awareness</em> (em cada   experi&ecirc;ncia vivida)   pode ser apresentar concomitantemente as tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es,   sendo que o que vai conferir maior evid&ecirc;ncia a uma fun&ccedil;&atilde;o   do self em prol de outra &eacute; a escolha de quem est&aacute; a descrever   a experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cada uma das fun&ccedil;&otilde;es do <i>self</em> corresponde a um modo espec&iacute;fico   de organiza&ccedil;&atilde;o gest&aacute;ltica (a forma&ccedil;&atilde;o de   uma figura em rela&ccedil;&atilde;o a um fundo). Quer dizer que em cada polariza&ccedil;&atilde;o   do self, em cada estrutura, o <i>self</em> tem uma experi&ecirc;ncia diferente no sentido   de forma&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o de Gestalt. Na din&acirc;mica   do <i>self</em>, o processo do contatar, &eacute;, em geral, uma sequencia cont&iacute;nua   de fundos e figuras, cada uma esvaziando-se e emprestando sua energia a figura   em forma&ccedil;&atilde;o, que, por sua vez, servir&aacute; de fundo para uma   nova figura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fun&ccedil;&atilde;o Id &eacute; aquela em que o <i>self</em> encontra-se diminu&iacute;do,   disperso. Ela aparece nos h&aacute;bitos, e tamb&eacute;m tem como caracter&iacute;stica   o agigantamento do corpo. A fun&ccedil;&atilde;o id &eacute; a reten&ccedil;&atilde;o,   como escrevem Perls, Hefferline e Goodman (1951), de algo que n&atilde;o se   inscreveu como conte&uacute;do: a forma impessoal e gen&eacute;rica da presen&ccedil;a   do mundo em mim.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enquanto h&aacute;bito, o Id sou eu mesmo, uma express&atilde;o do <i>self</em>, ou   do processo de reedi&ccedil;&atilde;o criativa, mas um eu gen&eacute;rico,   impessoal, que se manifesta como uma sabedoria pr&aacute;tica, sem uma inscri&ccedil;&atilde;o,   sem uma significa&ccedil;&atilde;o consciente. Nesta fun&ccedil;&atilde;o,   o contato se d&aacute; quase que a revelia do eu, como o sono, o respirar (Ginger,   1995, pag.127).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O Id n&atilde;o existe fora do contato, no entanto, minhas experi&ecirc;ncias   no exerc&iacute;cio do contato s&atilde;o, ao mesmo tempo, minhas e insepar&aacute;veis   do meio. De modo que minha viv&ecirc;ncia esta dilu&iacute;da, ou integrada   ao meio circulante. &#8220;Enquanto Id sou um corpo, um corpo pr&oacute;prio,   que antes de ser conhecido (representando para mim mesmo), &eacute; vivido   como volume, como espessura, como transito entre eu e o mundo&#8221; (M&uuml;ller-Granzoto,   2004,p.3).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o <i>self</em> esta polarizado na fun&ccedil;&atilde;o Id a figura n&atilde;o   esta propriamente definida. Nesta fun&ccedil;&atilde;o, quando muito, a figura &eacute; a   viv&ecirc;ncia do h&aacute;bito, uma viv&ecirc;ncia do corpo. Viv&ecirc;ncia   esta no sentido de que nessa fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se tem propriamente   uma din&acirc;mica, mas sim uma in&eacute;rcia. Sobre a fun&ccedil;&atilde;o   Id pode-se dizer, segundo Perls, Hefferline, e Goodman (1951,) que esta serve   como um estado de in&eacute;rcia, de passividade, onde o Ego pode acolher um   dado como figura. Trata-se de um dom&iacute;nio pr&oacute;prio em que um dado   indeterminado surge, onde um excitamento se d&aacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fun&ccedil;&atilde;o Ego, por sua vez, &eacute; aquela em que o<i> self</em> se   encontra ativo, agindo sobre o ambiente. &Eacute; nesta fun&ccedil;&atilde;o   que uma figura clara pode ser identificada, ou alienada (a partir de um fundo   hist&oacute;rico, a fun&ccedil;&atilde;o Id), e se tem a emerg&ecirc;ncia de   um significante individual, que &eacute;, sen&atilde;o, nossa a&ccedil;&atilde;o.   Conforme escrevem Perls, Hefferline e Goodman, &#8220;[o] Ego &eacute; a identifica&ccedil;&atilde;o   progressiva com possibilidades e a aliena&ccedil;&atilde;o destas, a limita&ccedil;&atilde;o   e a intensifica&ccedil;&atilde;o do contato em andamento, incluindo o comportamento   motor, a agress&atilde;o, a orienta&ccedil;&atilde;o e a manipula&ccedil;&atilde;o&#8221; (1951,   p. 154).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe ao Ego a inscri&ccedil;&atilde;o de uma figura num campo gen&eacute;rico   de indiferencia&ccedil;&atilde;o. O <i>self</em> na fun&ccedil;&atilde;o ego esta identificado   com o interesse ativo selecionado, e a realidade, aqui, &#8220;n&atilde;o &eacute; enfrentada   de acordo com sua vividez espont&acirc;nea, mas &eacute; selecionada ou exclu&iacute;da,   de acordo com os interesses com o qual o nos identificamos&#8221; (PHG, 1951,   p. 185).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na fun&ccedil;&atilde;o Ego Perls, Hefferline e Goodman (1951) identificam   tr&ecirc;s din&acirc;micas: o pr&eacute;-contato, o contato e o contato final.   O pr&eacute;-contato caracteriza-se pela apreens&atilde;o de um dado a partir   do fundo de excitamento fornecido pela fun&ccedil;&atilde;o Id em decorr&ecirc;ncia   do acontecimento de algo novo (seja este um estimulo que de desenvolve como   uma emo&ccedil;&atilde;o, ou uma dor). Nessa din&acirc;mica, como escrevem   os autores acima, &#8220;o corpo &eacute; fundo, e o apetite ou algum est&iacute;mulo   ambiental s&atilde;o a figura. Isto &eacute; o que esta consciente como sendo &#8216;aquilo   que &eacute; dado&#8217; ou o Id da situa&ccedil;&atilde;o, dissolvendo-se   em suas possibilidades; (...) essas excita&ccedil;&otilde;es ou pr&eacute;-contato   iniciam o excitamento do processo figura/fundo&#8221; (p.208).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contato se tem a delibera&ccedil;&atilde;o, por meio da qual o <i>self</em> se   polariza na fun&ccedil;&atilde;o Ego. O excitamento, dessa forma, torna-se   fundo enquanto o conjunto de possibilidades figura. A delibera&ccedil;&atilde;o   pode ser entendida um ato de identifica&ccedil;&atilde;o, com uma possibilidade   do meio que vem a satisfazer a necessidade do organismo, ou a aliena&ccedil;&atilde;o,   a fuga, de um acontecimento perigoso. Opera no sentido de escolha dessas possibilidades,   resultando na forma&ccedil;&atilde;o de uma figura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste processo &eacute; onde ocorrem as emo&ccedil;&otilde;es: a &#8220;<i>awareness</em>   integrativa de uma rela&ccedil;&atilde;o entre o organismo e o ambiente&#8221; (PHG,   1951, p. 212). A emo&ccedil;&atilde;o e sentida concomitantemente como uma   manipula&ccedil;&atilde;o potencial do ambiente, &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o   corporal que o organismo se encontra. As emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o importantes,   segundo os autores citados, pois na sequencia de fundos e figuras elas assumem   o comando da for&ccedil;a motivadora dos apetites e anseios, das identifica&ccedil;&otilde;es   ou fugas (que &eacute; realizada na polariza&ccedil;&atilde;o do <i>self</em> no processo   do contato final); dai a import&acirc;ncia de checa-las, por parte do cl&iacute;nico,   no processo terap&ecirc;utico</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fun&ccedil;&atilde;o Personalidade trata-se, para Perls, Hefferline e Goodman   (1951), de certa generalidade (n&atilde;o perceptiva) na qual o <i>self</em> se sedimenta,   tornando-se uma identidade hist&oacute;rica. &Eacute; a representa&ccedil;&atilde;o   que o sujeito faz de si mesmo, sua autoimagem, que lhe permite reconhecer-se   como respons&aacute;vel pelo que sente, e pelo que faz (Ginger, 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; por meio da fun&ccedil;&atilde;o Personalidade, que experimentamos   nossa capacidade de reconhecer nossas representa&ccedil;&otilde;es, nossa identidade,   e, caso nos perguntem, serve de fundamento pelo qual seria poss&iacute;vel   explicar nossos comportamentos. Nesse sentido, Perls, Hefferline e Goodman   dizem que a fun&ccedil;&atilde;o Personalidade &eacute; &#8220;a figura na   qual o <i>self</em> se transforma e assimila ao organismo, unido-a com os resultados   de um crescimento anterior&#8221; (1951, p. 184).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A autoconsci&ecirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o Personalidade &eacute; aut&ocirc;noma,   respons&aacute;vel no desempenho de um papel numa situa&ccedil;&atilde;o concreta&Eacute; importante,   todavia, ressaltam os &uacute;ltimos autores citados, n&atilde;o confundir   autonomia com espontaneidade. O que os autores citados querem dizer com autonomia &eacute; a   capacidade de escolher livremente. Liberdade esta proporcionada pelo fato da   base da atividade j&aacute; fora obtida de antem&atilde;o, ou seja, &#8220;nos   comportamos de acordo com o que somos, isto &eacute;, com o que nos tornamos&#8221; (Ibidem   p. 188). Nesse sentido, a personalidade pode responsabilizar-se na medida em   que o <i>self</em> criativo n&atilde;o consegue. Por que, como escrevem os mesmos autores,   a responsabilidade &eacute; o preenchimento de um contrato. Portanto, a &#8220;personalidade &eacute; a   estrutura respons&aacute;vel do <i>self</em>&#8221; (Ibidem p. 189).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todavia, a consist&ecirc;ncia dessa identidade esta em jogo, &eacute; perfurada   pelo vazio do h&aacute;bito (a fun&ccedil;&atilde;o Id) e ultrapassada pelas   cria&ccedil;&otilde;es da fun&ccedil;&atilde;o Ego (pelo material sempre novo   advindo do contato). A din&acirc;mica da experi&ecirc;ncia enquanto um processo   que responde a diferentes formas de discri&ccedil;&atilde;o esta intimamente   ligada com as estruturas das fun&ccedil;&otilde;es do <i>self</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o <i>self</em> se polariza numa a&ccedil;&atilde;o, momento em que ele faz   algo, tem-se o contato final. No contato final, como escreve Perls, Hefferline   e Goodman (1951), &#8220;o <i>self</em> esta absorvido de maneira imediata e plena   na figura que descobriu-e-inventou; no momento n&atilde;o h&aacute; praticamente   fundo. A figura incorpora todo o interesse do <i>self</em>, e o <i>self</em> n&atilde;o &eacute; mais   nada que interesse presente. De modo que a figura &eacute; o <i>self</em>&#8221; (p.220).   Aqui a figura descoberta &eacute; n&iacute;tida e presente, sendo o ambiente   e o corpo, desprovidos de interesse. A <i>awarensess</em>, segundo os mesmos autores,   esta no seu ponto mais radiante, concentrada no objeto eleito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depois que o excitamento foi atenuado pela a&ccedil;&atilde;o ego, o <i>self</em>   pode relaxar, isto &eacute;, polarizar-se numa representa&ccedil;&atilde;o;   regida, esta, pela cultura daquilo que ele pr&oacute;prio fez. Esta &eacute; a   din&acirc;mica do p&oacute;s-contato, onde o <i>self</em> encontra-se diminu&iacute;do,   e assume a fun&ccedil;&atilde;o personalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007b), a procura pelas fun&ccedil;&otilde;es   comprometidas do sistema <i>self</em> deve ser o foco da a&ccedil;&atilde;o do terapeuta,   do contr&aacute;rio de investiga&ccedil;&otilde;es por dados, por conte&uacute;dos,   muitas vezes intrusivos e n&atilde;o condizentes com uma postura processual,   fenomenol&oacute;gica de ser compreender a cl&iacute;nica. Para os referidos   autores, que preferem o uso de novas nomenclaturas para as interrup&ccedil;&otilde;es   do sistema <i>self</em> (respectivamente ajustamento evita&ccedil;&atilde;o, de busca   e &eacute;tico-pol&iacute;tico), cl&iacute;nico em Gestalt-terapia deve, uma   vez diante do cliente, perceber o lugar que &eacute; convidado a ocupar, tornando   o apelo (ou a sua falta) do cliente uma voz clareza aos processos de inibi&ccedil;&atilde;o   que muitas vezes est&atilde;o por tr&aacute;s de suas queixas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na cl&iacute;nica gest&aacute;ltica cabe ao clinico, portanto, segundo os   autores citados acima,&#8220;pontuar&#8221; os momentos em que inibi&ccedil;&otilde;es   do ajustamento criador s&atilde;o percebidas na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica,   n&atilde;o diferenciando o trabalho de interven&ccedil;&atilde;o do trabalho   de investiga&ccedil;&atilde;o (&#8220;diagnose&#8221;) das fun&ccedil;&otilde;es   comprometidas do sistema <i>self</em>. Tal pontua&ccedil;&atilde;o nada mais &eacute; do   que a devolu&ccedil;&atilde;o, e a implica&ccedil;&atilde;o do cliente em seu   pr&oacute;prio processo, sendo o tempo cl&iacute;nico da Gestalt-terapia o   aqui-e-agora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O foco no momento presente, na rela&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na entre   terapeuta e cliente, como esfera temporal da Gestalt-terapia, revela seu car&aacute;ter   diferenciado e inovador. Diferentemente de outras abordagens, nem o passado,   nem o futuro, muito menos um cronograma linear de passos necess&aacute;rios,   s&atilde;o postos em pr&aacute;tica na cl&iacute;nica Gest&aacute;ltica. Pelo   contr&aacute;rio, o tempo na Gestalt-terapia &eacute; o tempo necess&aacute;rio   para o contato fluido e espont&acirc;neo aparecer como possibilidade para o   cliente, sendo o objeto da experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica, como escreve o   casal M&uuml;ller-Granzotto (2007b) a &#8220;pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia   atual da inibi&ccedil;&atilde;o, ou realiza&ccedil;&atilde;o [...] do fluxo   de contato temporal na atualidade da sess&atilde;o&#8221; (p. 171).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em cada ajustamento onde uma inibi&ccedil;&atilde;o, a sua maneira, limita   a experi&ecirc;ncia de espontaneidade e completude do sistema <i>self</em> a partir   de din&acirc;micas espec&iacute;ficas, efeitos s&atilde;o observados, sendonecess&aacute;rias   interven&ccedil;&otilde;es pontuais, de forma a que as repetitivas e dolorosas   formas de interrup&ccedil;&atilde;o do livre fluir do sistema <i>self</em> sejam reescritas   e que novas possibilidades possam ser postas em pr&aacute;tica. Dessa forma,   o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007b, 2008, 2009) prop&otilde;e formas espec&iacute;ficas   de interven&ccedil;&atilde;o para cada forma de inibi&ccedil;&atilde;o do sistema <i>self</em>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, como deixa claro o referido casal, para a Gestalt-terapia, do contr&aacute;rio   das ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas, por exemplo, os diferentes ajustamentos,   mesmo entendidos comocomprometimentos de diferentes fun&ccedil;&otilde;es e   demandarem interven&ccedil;&otilde;es diferentes, n&atilde;o correspondem a   uma exclus&atilde;o, ou classifica&ccedil;&atilde;o da pessoa como pertencente   a um determinado tipo, ou forma de ser. Os comprometimentos, segundo o casal   M&uuml;ller-Granzotto (2007b) constituem um sistema &uacute;nico, sendo poss&iacute;vel   um mesmo cliente, em diferentes momentos, em fun&ccedil;&atilde;o do campo   de possibilidades, que sempre se atualiza no contato, experimentar e por em   a&ccedil;&atilde;o as tr&ecirc;s formas de ajustamento disfuncionais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe deixar claro, mais uma vez, tendo em vista o objetivo do presente trabalho,   que Perls, Hefferline e Goodman (1951) afirmam que esta tipologia apresentada   n&atilde;o &eacute; uma classifica&ccedil;&atilde;o de pessoas anormais, mas   um m&eacute;todo de decifrar a estrutura de um comportamento &uacute;nico.   Para a Gestalt-terapia, como escreve o casal M&uuml;ller-Granzotto (2004) n&atilde;o   interessa os motivos dessas interrup&ccedil;&otilde;es. Explica&ccedil;&otilde;es   universais n&atilde;o &eacute; o objetivo da descri&ccedil;&atilde;o dos ajustamentos   disfuncionais, mas sim, &#8220;sinalizar como algo, que n&atilde;o &eacute; da   ordem de nossa materialidade, que n&atilde;o retorna enquanto horizonte&#8221;(p.13).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao inv&eacute;s de se construir uma g&ecirc;nese te&oacute;rica das neuroses,   psicoses e afli&ccedil;&otilde;es, Perls, Hefferline e Goodman v&atilde;o preferir   descrever a forma ou a orienta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da rela&ccedil;&atilde;o,   da din&acirc;mica da fronteira; descrever a rela&ccedil;&atilde;o entre meus   horizontes temporais (fundo) e os dados no campo de presen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A Gestalt-terapia como psicologia formal, interessa-se, pois, na descri&ccedil;&atilde;o   dos comportamentos no sentido de como s&atilde;o vividos. A cl&iacute;nica   na Gestalt-terapia trabalha &agrave; luz dos processos do self, tendo como   m&eacute;todo a descri&ccedil;&atilde;o, por parte do cliente das suas viv&ecirc;ncias.   A terapia visa ajudar o cliente a restabelecer a <i>awareness</em> de seu pr&oacute;prio   funcionamento, a fim de que o cliente possa transcender a forma de ajustamento   em que est&aacute; aprisionado. A tarefa do terapeuta, segundo Perls, Hefferline   e Goodman (1951) &#8220;&eacute; apenas propor um problema que o paciente n&atilde;o   esteja resolvendo de maneira adequada, e se estiver insatisfeito com seu fracasso;   nesse caso, com ajuda, a necessidade do paciente destruir&aacute; e assimilar&aacute; os   obst&aacute;culos, e criar&aacute; h&aacute;bitos mais vi&aacute;veis&#8221; (...)   (p.248).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os ajustamentos neur&oacute;ticos, primeiramente, segundo Perls, Hefferline   e Goodman (1951), podem ser entendidos como &#8220;a perda das fun&ccedil;&otilde;es   de Ego para a fisiologia secund&aacute;ria sob a forma de h&aacute;bitos inacess&iacute;veis&#8221; (1951,   p. 235). O comportamento neur&oacute;tico, segundo os mesmos autores, tamb&eacute;m &eacute; um   h&aacute;bito (resultado de um ajustamento criativo), no entanto, &eacute; um   h&aacute;bito que n&atilde;o entra no campo de contato, pois n&atilde;o apresenta   nada de novo. Como se trata de uma interrup&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica   do <i>self</em>, essa experi&ecirc;ncia, esse ajustamento, n&atilde;o flui, n&atilde;o   se atualiza. Esse h&aacute;bito passa, ent&atilde;o, a fazer parte do corpo,   n&atilde;o do <i>self</em> (PHG, 1951).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como perda das fun&ccedil;&otilde;es do Ego, a neurose implica na confus&atilde;o   do agir no campo de presen&ccedil;a organismo/ambiente. Nesse caso, a fun&ccedil;&atilde;o   Ego n&atilde;o consegue criar, para o dado, nada de novo (por vezes ela nem   consegue admitir a exist&ecirc;ncia do dado), e segundo Perls, Hefferline e   Goodman (1951), o Ego nada pode fazer sen&atilde;o deliberar em fun&ccedil;&atilde;o   da inibi&ccedil;&atilde;o de sua a&ccedil;&atilde;o. Nas palavras de Perls,   Hefferline e Goodman (1951):</font></p>       <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A neurose &eacute; a evita&ccedil;&atilde;o do excitamento espont&acirc;neo   e a limita&ccedil;&atilde;o das excita&ccedil;&otilde;es. &Eacute; a persist&ecirc;ncia   das atitudes sensoriais e motoras, quando a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o   as justificaou de fato quando n&atilde;o existe em absoluto nenhuma situa&ccedil;&atilde;o-contato,   por exemplo, uma postura incorreta que &eacute; mantida durante o sono. Esses   h&aacute;bitos interv&ecirc;m na auto-regula&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica   e causam dor, exaust&atilde;o, suscetibilidade e doen&ccedil;a. Nenhuma descarga   total, nenhuma satisfa&ccedil;&atilde;o final: perturbado por necessidades   insatisfeitas e mantendo de forma inconsistente um dom&iacute;nio inflex&iacute;vel   de si pr&oacute;prio, o neur&oacute;tico n&atilde;o pode se tornar absorto   em seus interesses expansivos, nem lev&aacute;-los a cabo com &ecirc;xito,   mas sua pr&oacute;pria personalidade se agiganta na awareness: desconcertado,   alternadamante ressentido e culpado, f&uacute;til e inferior, impudente e acanhado,   etc.</em> (p.235-6)</font></p>   </blockquote>   </blockquote>   </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como din&acirc;mica na fronteira de contato, a neurose, segundo o casal M&uuml;ller-Granzotto   (2004), pode ser entendida sob a &oacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es figura   e fundo, por conseguinte, como um evento temporal. Segundo Perls, Hefferline   e Goodman (1951), na neurose o <i>self</em> esta inibido, isto &eacute;, incapaz de   conceber a situa&ccedil;&atilde;o vivida como processo, e preso num passado   que interv&eacute;m impedindo as diversas din&acirc;micas temporais de contato   (pr&eacute;-contato,contato,contato final e p&oacute;s-contato). A inibi&ccedil;&atilde;o   do <i>self</em> tem como efeito mecanismos que s&atilde;o correlatos &agrave;s diversas   polaridades das din&acirc;micas expostas, como explicam o casal M&uuml;ller-Granzotto   (2007a, 2007b). A saber, segundo estes autores, a cada din&acirc;mica do sistema   <i>self</em> se tem, respectivamente, como ajustamentos disfuncionais caracter&iacute;sticos   a conflu&ecirc;ncia, a introje&ccedil;&atilde;o, a proje&ccedil;&atilde;o,   a retroflex&atilde;o,e, por fim, o egotismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que consiste aos ajustamentos neur&oacute;ticos, o casal M&uuml;ller-Granzotto   (2007b) prop&otilde;e duas formas de abordagem, de interven&ccedil;&atilde;o,   que o Gestalt-terapeuta deve executar: a frustra&ccedil;&atilde;o habilidosa,   o uso de experimentos. Na primeira, utilizada com maestria por Perls, o terapeuta   deve-se colocar na posi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o aquecer aos pedidos,   aos apelos do cliente, visando estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de campo   que tem como meta instaurar uma situa&ccedil;&atilde;o de contato que possa   trabalhar &#8220;por um lado, a inibi&ccedil;&atilde;o reprimida (que esta   a atuar nos ajustamentos neur&oacute;ticos)e, por outro, a ang&uacute;stia   caracter&iacute;stica da presen&ccedil;a de algo que se repete na fun&ccedil;&atilde;o   Id&#8221; (M&uuml;ller-Granzotto, 2007b, p. 176). &Eacute; esta, pois, &#8220;habilidosa&#8221; por   ser necess&aacute;rio, em primeiro lugar, que esteja estabelecida em um contexto   no qual o cliente esteja protegido, e, em segundo lugar, que esteja, tamb&eacute;m,   eticamente comprometida com a autonomia da fun&ccedil;&atilde;o Ego no cliente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O uso de experimentos, individuais e espont&acirc;neos, que, necessariamente,   n&atilde;o s&atilde;o prioridade da cl&iacute;nica dos ajustamentos neur&oacute;ticos,   s&atilde;o sempre pautados no aqui-e-agora, e no trato da rela&ccedil;&atilde;o   terap&ecirc;utica. Os experimentos s&atilde;o ferramentas &uacute;teisno sentido   de ajudam o cliente, muitas vezes depois de graves comprometimentos da fun&ccedil;&atilde;o   de Ego, a articular por conta pr&oacute;pria uma situa&ccedil;&atilde;o de   contato. &Eacute;, enquanto reabilita&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o   ego, aquilo que introduz uma novidade que, muitas vezes, nem o cl&iacute;nico,   nem o cliente podem esperar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto aos ajustamentos psic&oacute;ticos e aos ajustamentos de ang&uacute;stia,   o casal M&uuml;ller-Granzotto (2008, 2009) apresenta not&oacute;ria contribui&ccedil;&atilde;o   expandindo as no&ccedil;&otilde;es de tais processos, bem como das interven&ccedil;&otilde;es   poss&iacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se consiste aos ajustamentos psic&oacute;ticos, que os referidos autores   preferem chamar de &#8220;ajustamentos de busca&#8221;, o que se evidencia &eacute; um   tipo de ajustamento criador em que a fun&ccedil;&atilde;o Ego opera em fun&ccedil;&atilde;o   da aus&ecirc;ncia do fundo temporal de viv&ecirc;ncias que a fun&ccedil;&atilde;o   Id espontaneamente n&atilde;o reteve, ou n&atilde;o pode articular. Sem a base   da fun&ccedil;&atilde;o Id, que, fenomenologicamente, fica indispon&iacute;vel   em suas opera&ccedil;&otilde;es fundamentais, como escreve mais uma vez os   referidos autores (2008), a saber, a reten&ccedil;&atilde;o (formas de orienta&ccedil;&otilde;es   habituais) e a repeti&ccedil;&atilde;o (fundo dispon&iacute;vel para um novo   dado), a pessoa, apresenta uma desprovida de &#8220;motivos&#8221; para lidar   com um dado na fronteira de contato, apresentando uma &#8220;rigidez&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como tamb&eacute;m &eacute; um ajustamento criador, por conseguinte, no ajustamento   de busca, a pessoa vive, frente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de campo   poss&iacute;veis, uma rela&ccedil;&atilde;o at&iacute;pica da fun&ccedil;&atilde;o   Id. Esse processo, como escreve o casal M&uuml;ller-Granzotto (2008), leva   a fun&ccedil;&atilde;o ego &agrave; procura no dado (no percebido) o excitamento   que a fun&ccedil;&atilde;o Id n&atilde;o forneceu. Nessas circunst&acirc;ncias   o sistema <i>self</em> inventa hist&oacute;rias que ele n&atilde;o pode reter, ou espontaneamente   arranjar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A respeito da rigidez dos ajustamentos psic&oacute;ticos, o casal M&uuml;ller-Granzotto   afirma: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&#8220; [...] nos ajustamentos psic&oacute;ticos percebemos uma esp&eacute;cie   de rigidez, tal n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com aquelas respostas   comportamentais aparentemente desorganizadas, com as quais, na maioria das   vezes, costumamos caracterizar a psicose como uma sorte de &#8220;doen&ccedil;a&#8221;.   A rigidez tem antes rela&ccedil;&atilde;o com a &#8220;repeti&ccedil;&atilde;o&#8221; das   tentativas de preenchimento e articula&ccedil;&atilde;o daquilo que, espontaneamente,   n&atilde;o se organiza em alguns momentos de nossa vida, a saber, nossos pr&oacute;prios   desejo, nossos pr&oacute;prios excitamentos&#8221;</em> (2008, p. 11).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Inspirados pelas palavras acima, cabe marcar a diferen&ccedil;a epistemol&oacute;gica   de uma abordagem psiqui&aacute;trica e do olhar gest&aacute;ltico para os ajustamentos   psic&oacute;ticos, ou de busca. Enquanto a psiquiatria prop&otilde;e um modelo   negativo, evidenciando no psic&oacute;tico uma doen&ccedil;a, um comprometimento   de faculdades mentais, o Gestalt-terapia, baseada numa postura fenomenol&oacute;gica,   v&ecirc; esse fen&ocirc;meno pelo seu lado positivo, como um ajustamento tamb&eacute;m   criador (priorizando o que este ajustamento produz), n&atilde;o identificando   numa pessoa que realiza tais ajustamentos um &#8220;psic&oacute;tico&#8221;,   um &#8220;doente&#8221;, ou um &#8220;anormal&#8221;. Ademais, como dito anteriormente,   ajustamentos de busca n&atilde;o s&atilde;o privil&eacute;gio, ou exclusividade,   de apenas um grupo da popula&ccedil;&atilde;o, mas sim ajustamento que todos   t&ecirc;m potencial de realizar a todo tempo. O que leva uma pessoa a um ajustamento   psic&oacute;tico mais r&iacute;gido, do contr&aacute;rio de ser uma natureza, &eacute; uma   forma de lidar com o mundo frente as possibilidade que lhe s&atilde;o oferecidas,   sempre tendo em mente os fen&ocirc;menos humanos como uma rela&ccedil;&atilde;o   de fronteira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe ao terapeuta nesses casos apoiar o cliente para que este possa fazer   valer seu modo de vida, seus ajustamentos de busca nos contextos em que ele   se insere, o que revela o car&aacute;ter politico cl&iacute;nica Gest&aacute;ltica,   uma vez que esta n&atilde;o normatiza e exclu&iacute; o cliente em ajustamento   de busca como um anormal e incapaz.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os ajustamentos de afli&ccedil;&atilde;o, nomeados pelo casal M&uuml;ller-Granzotto   (2009) de ajustamentos &eacute;tico-pol&iacute;tico, s&atilde;o voltados n&atilde;o   produ&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o Personalidade. Os ajustamentos &eacute;tico-pol&iacute;ticos   s&atilde;o ajustamentos criativos que tem rela&ccedil;&atilde;o com a solidariedade,   com um pedido de inclus&atilde;o. Nesses casos, a fun&ccedil;&atilde;o Ego,   em rela&ccedil;&atilde;o com os m&uacute;ltiplos casos de exclus&atilde;o social,   faz da aus&ecirc;ncia de dados de pertencimento um &#8220;pedido de socorro&#8221; que,   ao mesmo tempo, aliena seu poder de delibera&ccedil;&atilde;o e confere ao   meio o status de alteridade, de total diferen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Funda-se, dessa maneira, como escrevem os referidos autores, por aus&ecirc;ncia   de identifica&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o Personalidade, um tipo   especial de identifica&ccedil;&atilde;o, a solidariedade. Os nossos semelhantes,   nesse contexto, n&atilde;o s&atilde;o responsabilizados pelo sofrimento gerado,   mas sim convocados a nos favorecer essa inclus&atilde;o. Em vez de uma manipula&ccedil;&atilde;o   ou destrui&ccedil;&atilde;o do outro, o que acontece &eacute; uma autoriza&ccedil;&atilde;o   do outro, o que configura o ajustamento &eacute;tico-pol&iacute;tico como um   pedido de reconhecimento. Nas palavras dos referidos autores: &#8220;Trata-se   de um ajustamento cuja meta &eacute; encontrar suporte para que se possa voltar   a criar, para que os ajustamentos criadores voltem a acontecer&#8221; (2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao cl&iacute;nico, nesse contexto, cabe acompanhar o processo de reconstru&ccedil;&atilde;o   da autonomia e deautoconhecimento da fun&ccedil;&atilde;o Ego por parte do   cliente. Nas palavras doa autores citados acima: &#8220;Nos contextos de sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico,   o cl&iacute;nico &eacute; aquele que cuida da autonomia dos sujeitos (fun&ccedil;&otilde;es   Ego) envolvidos no processo criativo de ajuda&#8221; (2009).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>6 - CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia cient&iacute;fica,     no campo da psicoterapia, como escreve Feijo&oacute; (2000),   esfor&ccedil;ou-se para cumprir o rigor positivista de ci&ecirc;ncia, adaptando   seu objeto de estudo, e suas pr&aacute;ticas aos princ&iacute;pios da mec&acirc;nica   cl&aacute;ssica. Como representantes de tal proposta, como escreve a autora,   se pode citar, como exemplo, a psican&aacute;lise e o behaviorismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para estas abordagens, o comportamento humanopode ser explicado, e encaixado   em modelos (classifica&ccedil;&otilde;es de tipos, como psicose, esquizofrenia,   etc.). S&atilde;o teorias onde o particular n&atilde;o passa de uma forma de   express&atilde;o do universal, do essencial (a lei). Tais abordagens pregam   o Eu como n&uacute;cleo, como identidade central e imut&aacute;vel. Dessa forma,   o terapeuta, na posi&ccedil;&atilde;o de especialista, interpreta o psiquismo   (um universal) a fim de identificar seu mecanismo de funcionamento e de prescrever   uma a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; de acordo com as leis de um psiquismo mec&acirc;nico   que os fen&ocirc;menos humanos, para essas abordagens, s&atilde;o compreendidos   como efeitos de um passado miser&aacute;vel. Ou seja, para tais abordagens   as mazelas do presente s&atilde;o fruto de acontecimentos passados determinantes,   compreendendo-se o tempo como linear. A cl&iacute;nica, pois, marca o sujeito   n&atilde;o como singularidade, mas sim como a express&atilde;o do conjunto   de leis, de a priores a serem descobertos, e o terapeuta uma figura neutra   (como um cientista).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na abordagem fenomenol&oacute;gica o terapeuta n&atilde;o procura as causas   latentes de acordo com as leis ps&iacute;quicas que regem a consci&ecirc;ncia.   Os fen&ocirc;menos humanos, do contr&aacute;rio, distinguem-se por ess&ecirc;ncia   de um fen&ocirc;meno natural puramente objetivo. A linguagem da fenomenologia &eacute; uma   linguagem puramente humana, entendendo o homem, na cl&iacute;nica psicol&oacute;gica,   como uma ordem superior a redu&ccedil;&otilde;es e fragmenta&ccedil;&otilde;es.   As interpreta&ccedil;&otilde;es a cerca do humano se perdem de vista, como   fica not&oacute;rio no trabalho cl&iacute;nico da Gestalt-terapia, que privilegia   a descri&ccedil;&atilde;o dos processos de ajustamento do sistema <i>self</em> a fazer   qualquer tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o das causas ou das qualidades da   mente do cliente.Pela fenomenologia, abre-se a possibilidade de uma conversa   sobre a ess&ecirc;ncia humana, onde se fala com o outro, do ponto de vista   da sua viv&ecirc;ncia, e n&atilde;o sobre o outro para ele mesmo (um di&aacute;logo   e n&atilde;o dois mon&oacute;logos).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir do m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico o cliente &eacute; encarado   como consci&ecirc;ncia intencional, ou seja, apreendido e compreendido por   si pr&oacute;prio, a partir do fluxo das suas pr&oacute;prias viv&ecirc;ncias.   O terapeuta trabalha pelo desvelamento de sentidos do cliente por si s&oacute;.   A posi&ccedil;&atilde;o de especialista em psiquismo (em causas deterministas   e mecanicistas) cai, dando lugar a uma postura fenomenol&oacute;gica, no sentido   de se ater a como o cliente se mostra, e como ele, o terapeuta, experi&ecirc;ncia   a rela&ccedil;&atilde;o (quebrando, tamb&eacute;m, a ideia de neutralidade   por parte do terapeuta).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com efeito, a     Gestalt-terapia ao trabalhar &agrave; luz dos processos do <i>self</em>,   como visto, assume a postura da <i>epoch&eacute;</em> como m&eacute;todo, valorizando   a descri&ccedil;&atilde;o, por parte do cliente, das suas viv&ecirc;ncias.   A terapia visa ajudar o cliente a restabelecer a <i>awareness</em> de seu pr&oacute;prio   funcionamento a fim de que o cliente possa transformar a forma de ajustamento   em que est&aacute; aprisionado. A tarefa do terapeuta fica a cabo de suas pontua&ccedil;&otilde;es   a respeito das inibi&ccedil;&otilde;es que percebe, no exerc&iacute;cio de   campo, e devolve para cliente. Nas palavras dePerls, Hefferline e Goodman (1951) &#8220;&eacute; apenas   propor um problema que o paciente n&atilde;o esteja resolvendo de maneira adequada,   e se estiver insatisfeito com seu fracasso; nesse caso, com ajuda, a necessidade   do paciente destruir&aacute; e assimilar&aacute; os obst&aacute;culos, e criar&aacute; h&aacute;bitos   mais vi&aacute;veis&#8221; (...) (p.248).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ideia de um tempo linear e espa&ccedil;o encapsulado cedem ao fluxo de consci&ecirc;ncia   intencional (que opera no aqui-e-agora), sendo o tempo necess&aacute;rio para   a mudan&ccedil;a o tempo do clientefrente as suas possibilidades de ajustamento.   As queixas do cliente, seus sintomas, n&atilde;o pertencem mais a uma classifica&ccedil;&atilde;o   de manifesta&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas bioqu&iacute;micas, mas a modos   de se posicionar e encarar a sua exist&ecirc;ncia. Causas atribu&iacute;das   a um passado miser&aacute;vel e determinador n&atilde;o fazem mais sentido   frente a uma consci&ecirc;ncia como fluxo, operando em co-originalidade com   o mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As din&acirc;micas do <i>self</em>, bem como a &#8220;diagnose&#8221; e interven&ccedil;&atilde;o   frente aos ajustamentos comprometidos em sua espontaneidade e criatividade,   servem de guia para as interven&ccedil;&otilde;es do terapeuta, que, ao identificar   qual fun&ccedil;&atilde;o do sistema <i>self</em> esta interrompida, pode pontuar,   do contr&aacute;rio de aquecer o pedido &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o da   parte do cliente, ou criaruma viv&ecirc;ncia, que facilitar&aacute; a autonomia   do cliente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A tentativa de compreender o <i>self</em> como um sistema temporal, embasado pela   fenomenologia de Husserl, como conceito base, e operativo metodol&oacute;gico, &eacute; outro   ponto que nos remete &agrave;s reflex&otilde;es abordadas ao logo deste trabalho   no sentido de diferencia&ccedil;&atilde;o entre o entendimento dos fen&ocirc;menos   humanos para as ci&ecirc;ncias da natureza, e para a fenomenologia. Segundo   a leitura do <i>self</em> a partir da Intencionalidade operativa, em outras palavras,   admitindo-se o <i>self</em> como um fen&ocirc;meno temporal (M&uuml;ller-Granzotto,   2007a) se tem uma postura em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo diferente da ci&ecirc;ncia   positivista. Enquanto que, para a &uacute;ltima, o tempo se apresente como   uma cadeia linear entre passado, presente e futuro, estando o sujeito determinado   pelo que j&aacute; viveu, a Gestalt-terapia entende o sujeito em fluxo, no   aqui- e - agora. Estando sua inscri&ccedil;&atilde;o no tempo condizente a   Intencionalidade de uma consci&ecirc;ncia enquanto fluxo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Gestalt-terapia elege n&atilde;o o indiv&iacute;duo, mas os acontecimentos   na fronteira de contato, as rela&ccedil;&otilde;es como foco. Entende o homem   como a intera&ccedil;&atilde;o, como processo organismo/ambiente, n&atilde;o   como um animal isolado (Perls, Hefferline e Goodman, 1951). A cl&iacute;nica   na Gestalt-terapia, levando em considera&ccedil;&atilde;o seus m&eacute;todos   e objetivos, como escreve o casal M&uuml;ller-Granzotto (2007a) cumpre a fun&ccedil;&atilde;o,   em seu exerc&iacute;cio, de ser uma transposi&ccedil;&atilde;o da fenomenologia   do campo epistemol&oacute;gico, para o campo &eacute;tico, uma vez que visa   autonomia do cliente em realizar seus contatos e fugas de maneira espont&acirc;nea,   sem levar em considera&ccedil;&atilde;o nenhum comprometimento moral ou regulador   do que seja normal ou anormal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para concluir, portanto, em virtude da revis&atilde;o proposta, fica claro   que a Gestalt-terapia n&atilde;o tem como proposta pr&aacute;tica e epistemol&oacute;gica   as bases racionalistas e idealistas das ci&ecirc;ncias.Em oposi&ccedil;&atilde;o,acl&iacute;nica   Gest&aacute;ltica, baseada no exerc&iacute;cio do contato, sendo o <i>self</em> entendido   como um sistema temporal, como fluxo, como um acontecimento de fronteira, funciona   no princ&iacute;pio do imperativo fenomenol&oacute;gico da descri&ccedil;&atilde;o   da experi&ecirc;ncia pura, o que marca uma n&iacute;tida diferen&ccedil;a em   compara&ccedil;&atilde;o&agrave;s propostas modernas positivistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ademais, acrescentado a este ponto, pode-se dizer que a fenomenologia n&atilde;o &eacute; apenas   uma orienta&ccedil;&atilde;o para o entendimento do <i>self</em>, nem apenas uma influ&ecirc;ncia   para a metodologia cl&iacute;nica da Gestalt-terapia, mas a base epistemol&oacute;gica   sem a qual a compreens&atilde;o do processo cl&iacute;nico e da pr&oacute;pria   Gestalt-terapia, na forma de um campo singular de saber, torna-se invi&aacute;vel. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>7 - Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DESCARTES, R. 1637. <i><b>Discurso do m&eacute;todo.</b></em> S&atilde;o Paulo: Abril Cultura,   1973. Col. Os Pensadores, vol. XV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232103&pid=S1807-2526201300010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DARTIGUES, A. <i><b>O que &eacute; a Fenomenologia.</b></em> 3ed. S&atilde;o Paulo: Moraes   ,1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232105&pid=S1807-2526201300010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FEIJO&Oacute;, A. M. L. C. 2000.<i><b>A escuta e a fala em psicoterapia: uma proposta   fenomenol&oacute;gico-existencial.</b></em> 2ed. Rio de Janeiro: IFEN, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232107&pid=S1807-2526201300010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GIL, A. C. <i><b>M&eacute;todos e t&eacute;cnicas da pesquisa social.</b></em> 5&ordm; Ed.   S&atilde;o Paulo: Atlas, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232109&pid=S1807-2526201300010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GINGER, S. &amp; GINGER, <i><b>A. Gestalt: uma terapia do contato.</b></em> Tradu&ccedil;&atilde;o   de Sonia de Souza Rangel. S&atilde;o Paulo, Summuns, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232111&pid=S1807-2526201300010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HUSSERL, E. <i><b>A filosofia como ci&ecirc;ncia de rigor.</b></em> Tradu&ccedil;&atilde;o   de AlbinBeau. Coimbra: Atl&acirc;ntida, 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232113&pid=S1807-2526201300010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_________. 1929. <i><b>Confer&ecirc;ncias de Paris.</b></em> Tradu&ccedil;&atilde;o de Antonio   Fidalgo e Artur Mor&atilde;o. Lisboa: Ed. 70, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232115&pid=S1807-2526201300010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MORENTE, M. G. <i><b>Fundamentos de filosofia: li&ccedil;&otilde;es preliminares.</b></em>   Tradu&ccedil;&atilde;o de Guillermo de la Cruz Coronado. S&atilde;o Paulo:   Metre Jou, 1964.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232117&pid=S1807-2526201300010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">M&Uuml;LLER-GRANZOTTO, M. J. &amp; M&Uuml;LLER-GRANZOTTO R. L. <i><b>Self e temporalidade.</b></em>   Revista IGT na Rede. Vol1 .n1, p.1-18. Jan 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232119&pid=S1807-2526201300010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. <i><b>Fenomenologia e Gestalt-terapia.</b></em> S&atilde;o Paulo, Summus, 2007a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232121&pid=S1807-2526201300010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________.<i><b>Estilo Gest&aacute;ltico de interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica   nos ajustamentos neur&oacute;ticos.</b></em> Revista IGT na rede. Vol.4. n.7, p.167-189.2007b.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232123&pid=S1807-2526201300010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. <i><b>Cl&iacute;nica dos ajustamentos psic&oacute;ticos: uma proposta   a partir da Gestalt-terapia.</b></em> Revista IGT na Rede. Vol. 5, n.8, p. 3-25. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232125&pid=S1807-2526201300010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. 2009. <i><b>&#8220;A cl&iacute;nica gest&aacute;ltica da afli&ccedil;&atilde;o   e os ajustamentos &eacute;tico-pol&iacute;ticos&#8221;.</b></em> Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o   da Gestalt-terapia Brasileira. URL: http://www.igt.psc.br/ojs2/index.php/cengtb/article/view/194/506</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232127&pid=S1807-2526201300010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PERLS, F.1973. <i><b>A abordagem gest&aacute;ltica e Testemunha ocular da terapia.</b></em>   Tradu&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Sanz. 2ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232128&pid=S1807-2526201300010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_______. <i><b>Geslatl-terpaia explicada.</b></em> Tradu&ccedil;&atilde;o de George Schlesinger.   S&atilde;o Paulo: Summus, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232130&pid=S1807-2526201300010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PERLS, F; HEFFERLINE, R; GOODMAN, P. 1951 <i><b>Gesltalt-terapia.</b></em>Tradu&ccedil;&atilde;o   de Fernando Rosa Ribeiro. 2ed. S&atilde;o Paulo: Summuns, 1997</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232132&pid=S1807-2526201300010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POLSTER, E. &amp; POLSTER, M.1979.<b><i> Gestalt-terapia Integrada.</em></b> S&atilde;o Paulo:   Summus, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232133&pid=S1807-2526201300010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RIBEIRO, J. P. <b><i>O ciclo do contato: temas b&aacute;sicos na abordagem gest&aacute;ltica.</em></b>4ed.   S&atilde;o Paulo: Summus, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232135&pid=S1807-2526201300010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RODRIGUES, H.E.1999. <b><i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Gestalt-tearpia: conversando   sobre os fundamentos da abordagem gest&aacute;ltica.</em></b> 3ed. Petr&oacute;polis,   RJ: Vozes, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232137&pid=S1807-2526201300010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SCHULTZ, D.&amp; SCHULTZ, S.<b><i>Hist&oacute;ria da Psicologia Moderna.</em></b> 8ed.S&atilde;o   Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232139&pid=S1807-2526201300010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TORINHO, C. D. A Fenomenologia transcendental de Husserl: notas sobre a hist&oacute;ria   do pensamento fenomenol&oacute;gico. Em TOURINHO, C.D; BICUDO, M. (Orgs.),<b><i>Fenomenologia: influxos e dissid&ecirc;ncias</em></b> (PP 24-40). Rio de Janeiro: Brooklin,   2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232141&pid=S1807-2526201300010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">YONTEF, G.M.1993. <b><i>Processo, Di&aacute;logo e Awareness.</em></b> Tradu&ccedil;&atilde;o   de Eli Stern. S&atilde;o Paulo: Summuns, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232143&pid=S1807-2526201300010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ZINKER, J. 1977. <b><i>Processo criativo em Gestalt-terapia.</em></b> Tradu&ccedil;&atilde;o   de Maria Silvia Mour&atilde;o Netto. S&atilde;o Paulo: Summus, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1232145&pid=S1807-2526201300010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailfim"></a><a href="#mailtopo">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>     <b>Ulisses Heckemaier de Paula Cataldo</b></font>    <br>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico: <a href="mailto:ulissescataldo@gmail.com">ulissescataldo@gmail.com</a></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em: 26/04/2013    <br> Aprovado em: 19/07/2013</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="n*"></a><a href="#t*">*</a></sup> Psic&oacute;logo formado pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e p&oacute;s-graduando em terapia de fam&iacute;lia pelo instituto de psiquiatria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) - Rio de Janeiro - RJ - Brasil.</font></p>     ]]></body>
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