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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Juventude e família: expectativas, ideais e suas repercussões sociais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes partial data acquired during research in the suburbs of Rio de Janeiro; it deals with interviews with 39 youngs concerning questions that affect them and pursues the meanings given to family, both with respect to a cohabitation group and the family as an ideal. In the analysis, we take advantage of studies on youth in contemporary society, in particular the Brazilian youth, and utilize the notion of ideal as treated in psychoanalytical theory. We conclude that the idealization of family (a) should be better understood as a matter of both individual and social spheres; and (b) demands interventions capable of providing them with extra-familiar references as a way of helping the young in the consecution of their future projects as well as delimitating the institutional functions of the family.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Juventude e fam&iacute;lia: expectativas, ideais e suas  repercuss&otilde;es sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Youth and family: expectations, ideals  and social repercussions</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Hebe Signorini Gon&ccedil;alves <sup>I, <a name="t*"></a><a href="#n*">*</a></sup>; Luciana Gageiro Coutinho <sup>II, <a name="t**"></a><a href="#n**">**</a></sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <sup>I</sup> Pesquisadora do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Pesquisa e Interc&acirc;mbio para a  Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia Contempor&acirc;neas (NIPIAC), Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ - Rio de Janeiro, Brasil     <br>   <sup>II</sup> Pesquisadora-Associada (FAPERJ) do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Pesquisa  e Interc&acirc;mbio para a Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia Contempor&acirc;neas (NIPIAC), Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ - Rio de Janeiro, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Psicanalista, membro do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico do Rio de Janeiro</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="mailtopo"></a><a href="#mailfim">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O artigo analisa dados parciais de pesquisa realizada  na periferia do Rio de Janeiro; enfoca as falas de 39 jovens acerca das  quest&otilde;es que os afetam e persegue os sentidos atribu&iacute;dos &agrave; fam&iacute;lia, tanto no  que diz respeito &agrave; fam&iacute;lia de conviv&ecirc;ncia quanto no que se refere &agrave; fam&iacute;lia  como ideal. Na an&aacute;lise, o texto vale-se de estudos acerca da juventude na  sociedade contempor&acirc;nea, em particular da juventude brasileira, e toma por  refer&ecirc;ncia a no&ccedil;&atilde;o de ideal tal como tratada na teoria psicanal&iacute;tica.  Conclui-se que a idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia pelo jovem (a) deve ser entendida tanto  a partir de quest&otilde;es individuais quanto sociais; e (b) aponta para a  necessidade de interven&ccedil;&otilde;es que ofere&ccedil;am refer&ecirc;ncias extra-familiares capazes  de auxiliar os jovens na consecu&ccedil;&atilde;o de seus projetos futuros, delimitando o  lugar institucional ocupado pela fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <b>Palavras-chave: </b>Juventude, Fam&iacute;lia, Idealiza&ccedil;&atilde;o</font>.</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   This article  analyzes partial data acquired during research in the suburbs of Rio de Janeiro; it deals  with interviews with 39 youngs concerning questions that affect them and  pursues the meanings given to family, both with respect to a cohabitation group  and the family as an ideal. In the analysis, we take advantage of studies on  youth in contemporary society, in particular the Brazilian youth, and utilize  the notion of ideal as treated in psychoanalytical theory. We conclude that the  idealization of family (a) should be better understood as a matter of both  individual and social spheres; and (b) demands interventions capable of  providing them with extra-familiar references as a way of helping the young in  the consecution of their future projects as well as delimitating the  institutional functions of the family.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Youth, Family, Idealization</font>.</p> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Juventude e fam&iacute;lia: Expectativas, ideais e suas repercuss&otilde;es sociais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente texto faz uma an&aacute;lise pautada em dados coletados  na Comunidade de Bom Retiro, em Duque de Caxias, no curso do Projeto Jovem  Total. No bojo do projeto, que envolveu 1.900 jovens da Regi&atilde;o Metropolitana do  Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, realizaram-se entrevistas e grupos de  reflex&atilde;o sobre suas vidas, suas comunidades e perspectivas de futuro (CASTRO,  CORREA, GON&Ccedil;ALVES, COUTINHO, AZEVEDO, MATTOS, LISB&Ocirc;A, VIDAL, JUNCKEN, VILLELA,  ROCHA e MONTEIRO, 2005). A an&aacute;lise das falas dos jovens tornou evidente a  idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, que, contudo, se fez acompanhar de uma cr&iacute;tica.  Anunciando ao mesmo tempo que a fam&iacute;lia &eacute; uma refer&ecirc;ncia e um problema, os  jovens entrevistados apontavam para algo que &eacute; da ordem do n&atilde;o-dito, e que  revela quest&otilde;es que demandam aten&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise mais acurada. As falas dos  entrevistados s&atilde;o contrapostas &agrave;s de outros jovens, que viveram ou vivem em  &eacute;pocas e culturas diversas, na inten&ccedil;&atilde;o de desvendar-lhes o sentido e o  alcance. O texto n&atilde;o pretende responder a essas quest&otilde;es & at&eacute; mesmo porque respostas  dessa ordem nunca s&atilde;o definitivas & mas quer lan&ccedil;ar hip&oacute;teses que merecem ser  levadas em conta, inclusive em eventuais trabalhos futuros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   As falas reproduzidas ao longo do texto dizem respeito  aos depoimentos de 39 jovens moradores da Comunidade de Bom Retiro, com idades  que variam entre 13 e 22 anos, 28 do sexo feminino e 11 do sexo masculino.  Quase todos os entrevistados vivem com sua fam&iacute;lia de origem, ainda que o  formato dessas fam&iacute;lias seja diversificado (fam&iacute;lias monoparentais ou recasadas,  com a presen&ccedil;a de madrasta ou padrasto). H&aacute; cinco exce&ccedil;&otilde;es: tr&ecirc;s jovens que  vivem com parentes, na aus&ecirc;ncia dos pais biol&oacute;gicos; e dois jovens com suas pr&oacute;prias  fam&iacute;lias constitu&iacute;das. Os nomes s&atilde;o, evidentemente, fict&iacute;cios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A fam&iacute;lia: seu lugar na perspectiva  dos jovens</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudos recentes (ABRAMO; BRANCO, 2005; CASTRO e col.,  2005) t&ecirc;m apontado que a fam&iacute;lia ocupa lugar proeminente na vida dos jovens. Os <i>Retratos da Juventude Brasileira </i>mostram uma realidade complexa, e por  vezes d&iacute;spar, atravessada pela refer&ecirc;ncia comum &agrave; fam&iacute;lia como p&oacute;lo de  organiza&ccedil;&atilde;o da vida do jovem brasileiro.<sup><a name="1t"></a><a href="#1n">1</a></sup> A despeito das mudan&ccedil;as na estrutura  familiar, constatadas ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os jovens brasileiros vivem  em fam&iacute;lia: 48&#37; moram com o casal parental, 17&#37; residem em lares uniparentais, 19&#37;  j&aacute; t&ecirc;m filhos e convivem com eles e outros 13&#37; dividem o espa&ccedil;o dom&eacute;stico com  adultos mais velhos (ABRAMO; BRANCO, 2005, p.377). Est&atilde;o representados a&iacute; 97&#37; dos  jovens para os quais a conviv&ecirc;ncia intergeracional est&aacute; presente na vida  di&aacute;ria. Trata-se de um dado num&eacute;rico que confere densidade &agrave; designa&ccedil;&atilde;o da  fam&iacute;lia <i>&ldquo;como inst&acirc;ncia fundamental para  a vida&rdquo;</i> nos planos afetivo, &eacute;tico e comportamental (ABRAMO, 2005, p. 60).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Trata-se, assim, de um retrato moldado pela mudan&ccedil;a,  com tintas de perman&ecirc;ncia. A import&acirc;ncia da fam&iacute;lia &eacute; acompanhada pelas  transforma&ccedil;&otilde;es na sua composi&ccedil;&atilde;o, que abarcam o crescimento da fam&iacute;lia  monoparental em gera&ccedil;&otilde;es sucessivas e os rearranjos familiares promovidos pelo  div&oacute;rcio e pelo recasamento. Mas o alto &iacute;ndice de jovens que coabitam com seus pais,  ou que, logo ap&oacute;s os 20 anos j&aacute; constitu&iacute;ram seus pr&oacute;prios n&uacute;cleos familiares  aut&ocirc;nomos, sugere que a fam&iacute;lia det&eacute;m, ainda hoje, algum grau de influ&ecirc;ncia na  forma&ccedil;&atilde;o das futuras gera&ccedil;&otilde;es e um papel relevante no nucleamento dos la&ccedil;os  sociais. Assim, os n&uacute;meros n&atilde;o questionam a presen&ccedil;a efetiva da fam&iacute;lia no  cotidiano dos jovens brasileiros & eles a reafirmam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A for&ccedil;a do v&iacute;nculo entre o jovem e sua fam&iacute;lia de  origem n&atilde;o se limita &agrave; realidade brasileira. A Europa, ber&ccedil;o dos in&uacute;meros  estudos que anunciam uma nova juventude, <i>individualista</i> e <i>desenraizada</i>,  convive com jovens para os quais a fam&iacute;lia mant&eacute;m-se como refer&ecirc;ncia. Pais,  Cairns e Papp&aacute;mikail (2005) entrevistaram quase 2000 jovens europeus e  verificaram que grande n&uacute;mero deles ainda vivia com a fam&iacute;lia de origem. Entre  os italianos, sobretudo, esse percentual se aproximava dos 88&#37;. Os fortes  v&iacute;nculos de depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica da fam&iacute;lia, conforme apontado pelos pr&oacute;prios  jovens, s&atilde;o tidos como <i>normais.</i> Ao contr&aacute;rio de ansiar pelo afastamento  do casal parental, de modo a concretizar a pr&oacute;pria autonomia financeira e  afetiva, &ldquo;esses jovens esperam poder  prolongar a sua perman&ecirc;ncia na casa dos pais&rdquo;(PAIS; CAIRNS;  PAPP&Aacute;MIKAIL, 2005, p. 124). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Essa conviv&ecirc;ncia de gera&ccedil;&otilde;es, constatada no Brasil e  na Europa, &eacute;, al&eacute;m do mais, atravessada pelos mesmos conflitos identificados h&aacute;  d&eacute;cadas. Entre n&oacute;s, Velho (1999) referiu-se &agrave;s diverg&ecirc;ncias que eclodem na  esfera dom&eacute;stica, em vista das perspectivas diversas de uma ou outra gera&ccedil;&atilde;o  quanto aos projetos de vida que a fam&iacute;lia tra&ccedil;a para as pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es. A  dist&acirc;ncia temporal e geogr&aacute;fica n&atilde;o impediu que Pais Cairns e Papp&aacute;mikail (2005,  p. 125) identificassem no conv&iacute;vio pr&oacute;ximo certas fontes de tens&atilde;o &ldquo;que parecem resultar de descontinuidades  culturais de natureza geracional&rdquo;. Seria poss&iacute;vel, diante dessas  an&aacute;lises, supor algum n&iacute;vel de identidade, decorrente da globaliza&ccedil;&atilde;o e de  car&aacute;ter transcultural, que subjaz &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es neste fen&ocirc;meno que &eacute;  "ser jovem"? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Evocando os cl&aacute;ssicos estudos de Marialice Foracchi,  publicados nos anos 60, Augusto (2005) reafirma a atualidade daquela an&aacute;lise. A  obra dessa autora toma o estudante como categoria social analisada em tr&ecirc;s  n&iacute;veis: &ldquo;as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e  as manifesta&ccedil;&otilde;es vinculadas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de classe, al&eacute;m da refer&ecirc;ncia aos  processos de transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade inclusiva&rdquo; (p. 13). Ao analisar  o estudante como produto de seu tempo e de seu meio social, Foracchi expandiu o  olhar sobre os fen&ocirc;menos da juventude e ofereceu as chaves para o presente: as  transforma&ccedil;&otilde;es sociais e os fatores de classe como conting&ecirc;ncias a serem  levadas em conta e como eixo em torno do qual seus trabalhos permanecem  relevantes na sociedade contempor&acirc;nea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Do ponto de vista do presente trabalho, importa  destacar aquilo que Foracchi (<i>apud </i>AUGUSTO,  2005) referiu como <i>rela&ccedil;&otilde;es interpessoais</i>. Destacam-se a&iacute; as rela&ccedil;&otilde;es  familiares, por meio da qual se organizam as rela&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o e de  gera&ccedil;&atilde;o. Na fam&iacute;lia, a reciprocidade, os ajustamentos e a toler&acirc;ncia m&uacute;tua  estruturam-se em torno e a partir da fun&ccedil;&atilde;o de provedores dos pais. O  provimento, ainda que seja visto como "natural" pelo jovem, abre a  possibilidade de que os pais exer&ccedil;am algum grau de controle das expectativas,  das perspectivas, e das <i>&ldquo;manifesta&ccedil;&otilde;es individuais de vontade&rdquo; </i>(AUGUSTO,  2005, p. 14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Esta seria uma das fontes da tens&atilde;o, caracter&iacute;stica  das rela&ccedil;&otilde;es familiares:</font></p>       <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fica claro que  a obrigatoriedade de sustento por parte da fam&iacute;lia sem encargos correlatos &eacute;  uma cren&ccedil;a sem fundamento, j&aacute; que &eacute; exigida uma contrapartida por parte do  jovem estudante. Tamb&eacute;m &eacute; evidente que &ldquo;os elementos permanentes de tens&atilde;o ou  de oposi&ccedil;&atilde;o que caracterizam as rela&ccedil;&otilde;es entre jovens e adultos&rdquo; (FORACCHI,  1965, p. 21) ficam encobertos pelas id&eacute;ias de despojamento e gratuidade, <i>ainda  que isso n&atilde;o seja obrigatoriamente notado pelos envolvidos</i> (AUGUSTO, 2005,  p. 14; grifo nosso).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contempor&acirc;neo, a fam&iacute;lia de fato ainda &eacute; uma  importante fonte de provimento para o jovem. Assim como os europeus, os jovens  brasileiros vivenciam, cada vez mais, <i>&ldquo;certos elementos de &lsquo;transi&ccedil;&atilde;o para a vida  adulta&rsquo; sem realizar a independ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia de origem&rdquo;</i> (ABRAMO,  2005, p. 47). Tal conclus&atilde;o destaca a fam&iacute;lia como a institui&ccedil;&atilde;o em que os  jovens mais confiam, o suporte vital para seu amadurecimento; ela &eacute; a  respons&aacute;vel pelo apoio e pela orienta&ccedil;&atilde;o de que necessitam para enfrentar os  problemas que a vida lhes apresenta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Vejamos, no entanto, a natureza desses problemas.  Cerca de 55&#37; dos jovens citam <i>seguran&ccedil;a e viol&ecirc;ncia</i> como os problemas  que mais os preocupam. Esse dado &eacute; generalizado: n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a segundo idade  nem sexo, mas aumenta com o grau de escolariza&ccedil;&atilde;o do jovem. S&atilde;o n&uacute;meros que se  relacionam &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de que a conviv&ecirc;ncia com os riscos est&aacute; entre as piores  coisas de ser jovem (ABRAMO, 2005) e &agrave; import&acirc;ncia que os jovens atribuem ao  fim da viol&ecirc;ncia (SINGER, 2005). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Esse quadro coincide com os dados coletados pelo  Projeto Jovem Total nas entrevistas com jovens habitantes de v&aacute;rias comunidades  do Rio de Janeiro. Ao ser solicitado a enumerar os quatro principais problemas  da cidade, um jovem responde: &ldquo;Roubos;  assassinatos; muita viol&ecirc;ncia; e homic&iacute;dios&rdquo; (MANOEL, 13 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   &Agrave; mesma pergunta, outro jovem cita a viol&ecirc;ncia como o  principal problema, e acrescenta: &ldquo;N&atilde;o  sabe outros problemas, pois a viol&ecirc;ncia est&aacute; relacionada com tudo e &eacute; o  principal problema&rdquo; (PEDRO, 18 anos).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; apontamos certos fatores que permitem a aproxima&ccedil;&atilde;o  entre as juventudes de Brasil e da Europa. Mas a viol&ecirc;ncia, apontada no Brasil  como fator central, constitui-se um elemento de distin&ccedil;&atilde;o. Ela parece ser um  dos fatores contingentes que introduzem diferencia&ccedil;&atilde;o, produzem matizes, forjam  uma subjetividade que, se &eacute; de certo modo similar, comporta a diferen&ccedil;a. Entre  os brasileiros, a viol&ecirc;ncia aparece, al&eacute;m disso, estreitamente vinculada &agrave;s  dificuldades pr&oacute;prias da inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho: &ldquo;Para falta de emprego &agrave;s vezes a pessoa  corre atr&aacute;s ou procura o caminho mais f&aacute;cil que &agrave;s vezes &eacute; a droga, ou o  trabalho ilegal&rdquo; (FABIANA, 21 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O trabalho &eacute; o ve&iacute;culo por interm&eacute;dio do qual o jovem  conquista autonomia financeira e, por extens&atilde;o, independ&ecirc;ncia pessoal, marcos  do ingresso na vida adulta. O ingresso no mercado de trabalho expressa, por  isso, uma preocupa&ccedil;&atilde;o que se estende para al&eacute;m do presente, que permite  projetar expectativas de futuro. Os dados coletados na Europa desenham um jovem  otimista com rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, com boas perspectivas habitacionais e  profissionais. Levando em conta sua qualifica&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica diversificada, eles  consideram que n&atilde;o enfrentar&atilde;o dificuldade de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho  ap&oacute;s a conclus&atilde;o dos estudos (PAIS; CAIRNS; PAPP&Aacute;MIKAIL, 2005). Como salientam  os autores, essa vis&atilde;o otimista de futuro parece forjada num meio em que a  preocupa&ccedil;&atilde;o com a inser&ccedil;&atilde;o dos grupos jovens no mercado de trabalho faz com que  o poder p&uacute;blico invista em programas que t&ecirc;m permitido manter taxas de  desemprego baixas entre os segmentos mais jovens da popula&ccedil;&atilde;o<sup><a name="2t"></a><a href="#2n">2</a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   N&atilde;o &eacute; o que ocorre no Brasil, onde o desemprego &eacute;  apontado pelos jovens como o principal problema do pa&iacute;s e uma de suas  principais preocupa&ccedil;&otilde;es. De fato, os dados mostram que, embora 36&#37; dos jovens  brasileiros estejam trabalhando, 60&#37; destes est&atilde;o no mercado informal (ABRAMO; BRANCO,  2005). S&atilde;o dados que se assemelham &agrave;s respostas oferecidas pelos jovens  entrevistados no Bairro de Bom Retiro, em Caxias, pelo Projeto Jovem Total.  Para eles, os jovens &ldquo;n&atilde;o t&ecirc;m a  qualifica&ccedil;&atilde;o pedida nos empregos (cursos, experi&ecirc;ncia, n&iacute;vel de escolaridade)&rdquo;  e, mesmo quando conseguem um trabalho, este exige &ldquo;carga hor&aacute;ria pesada e paga muito pouco&rdquo; (ANA, 20 anos). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Perguntados sobre a ajuda que recebem para enfrentar  seus problemas, os jovens denunciam ainda que &ldquo;n&atilde;o costumam receber ajuda de institui&ccedil;&otilde;es&rdquo; (ANTONIO, 16 anos).  Eles contam com a fam&iacute;lia, com os amigos e consigo pr&oacute;prios. O apoio dos amigos  parece constituir-se um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico da juventude. A busca do igual, a  identidade nas quest&otilde;es, a proximidade dos conflitos intergeracionais, fazem  com que, ao longo do tempo e nas diversas culturas, o jovem busque fora de casa  o espa&ccedil;o para firmar a diferencia&ccedil;&atilde;o que instrumente a autonomia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;  gera&ccedil;&atilde;o anterior. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A conviv&ecirc;ncia dos grupos de jovens j&aacute; havia sido  apontada por Foracchi no Brasil dos anos 50 (<i>apud </i>AUGUSTO, 2005), e &eacute; citada por Pais e col. (2005) entre os  europeus, em anos mais recentes. Segundo este &uacute;ltimo estudo, os valores  tradicionais representados na fam&iacute;lia coexistem com os apelos hedonistas dos  amigos. No Brasil, ao contr&aacute;rio, a procura dos amigos se traduz na busca  daqueles que compartilham os mesmos valores associados &agrave; fam&iacute;lia. Os jovens de  Bom Retiro definem os amigos como &ldquo;os  irm&atilde;os na hora da afli&ccedil;&atilde;o&rdquo;(KATIA, 21 anos),&ldquo;quase irm&atilde;os&rdquo;(RITA, 15  anos),&ldquo;tipo uma fam&iacute;lia&rdquo;(FABIANA,  16 anos).Outros apontam seus melhores amigos como a pr&oacute;pria m&atilde;e (ANA,  20 anos; SERGIO, 14 anos; SANDRA, 17 anos). Configura-se, assim, uma  continuidade na matriz de valores, e a refer&ecirc;ncia &agrave; fam&iacute;lia como p&oacute;lo de  organiza&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es exteriores a ela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Os jovens brasileiros, entrevistados em Bom Retiro,  conectam essa escolha & orientada pelos valores familiares & &agrave; quest&atilde;o da  viol&ecirc;ncia. Dados os riscos impostos pela droga, ampliados pela dificuldade no  mercado de trabalho e pela relativa facilidade do ingresso no mundo da droga,  que pode prover o <i>ganho f&aacute;cil </i>quando o trabalho n&atilde;o aparece, &eacute; preciso  saber escolher os amigos, eleger dentre todos aqueles que compartilham valores,  j&aacute; que um <i>falso amigo</i> pode induzir aos caminhos <i>errados</i>. Assim, a  viol&ecirc;ncia, a falta de amparo institucional e as dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o no  mercado de trabalho terminam por produzir um refor&ccedil;o dos valores familiares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <i>A fam&iacute;lia &eacute; tudo. </i>A frase, repetida por v&aacute;rios dos entrevistados, parece  sintetizar uma centralidade que &eacute; t&iacute;pica do brasileiro. As linhas de  contraposi&ccedil;&atilde;o de valores, identificadas na sociedade europ&eacute;ia, se esvaem entre  os brasileiros. Tudo conduz a um refluxo sobre a fam&iacute;lia, tornando-a refer&ecirc;ncia  n&atilde;o s&oacute; primeira, mas fonte quase isolada de amparo. &Eacute; aqui que a conting&ecirc;ncia  faz com que refluam sobre a fam&iacute;lia as expectativas, refor&ccedil;ando os elos e a  depend&ecirc;ncia. Como essas quest&otilde;es ecoam sobre a subjetividade?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A fam&iacute;lia no lugar de ideal</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentemente do que se constata na realidade europ&eacute;ia, os jovens  brasileiros revelam que, para al&eacute;m da situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia material, a  fam&iacute;lia tem para eles um lugar central enquanto refer&ecirc;ncia no que diz respeito  ao apoio, no caso de algum problema, a seus projetos futuros, aos valores, etc.  Nesse sentido, ao entrar no debate relativo &agrave; desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o da  juventude no contempor&acirc;neo, no caso do Brasil, n&atilde;o podemos deixar de notar algo  de singular, quando nos deparamos com as aspira&ccedil;&otilde;es dos jovens pobres, tanto  pelos la&ccedil;os familiares quanto pela escolaridade. Trata-se de uma quest&atilde;o  complexa, como tantas outras pr&oacute;prias &agrave; sociedade brasileira, onde o moderno e  o tradicional coexistem. Como observa Sposito (2005), no Brasil, mesmo ao falar  de juventude contempor&acirc;nea, somos obrigados a falar no que h&aacute; de mais  tradicional da modernidade & fam&iacute;lia, trabalho, escola, como de fato indicam  v&aacute;rios dos estudiosos sobre o tema (ABRAMO; BRANCO, 2005; CASTRO e col., 2005,  GON&Ccedil;ALVES, 2005). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Recorrendo ao conceito de ideal na psican&aacute;lise, podemos supor que a  fam&iacute;lia ocupa o lugar de um ideal privilegiado para os nossos jovens, o que, de  certa forma, restringe a constru&ccedil;&atilde;o de ideais pr&oacute;prios da nova gera&ccedil;&atilde;o para  al&eacute;m das refer&ecirc;ncias familiares. Isto pode ser explicado em termos de uma restri&ccedil;&atilde;o  de expectativas entre os jovens, como notou Mateus (2003) em seu estudo sobre  os ideais de um grupo de jovens pobres em S&atilde;o Paulo. Segundo ele, estes jovens  fazem um esfor&ccedil;o pragm&aacute;tico no sentido de construir seus ideais a partir das  refer&ecirc;ncias que disp&otilde;em no &acirc;mbito social e o que prevalece, muitas vezes, &eacute; o  ceticismo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s possibilidades de mudan&ccedil;a do universo que os cerca.  Assim, talvez possamos supor que aqui o conflito entre as gera&ccedil;&otilde;es &eacute; diverso  daquele que caracteriza as fam&iacute;lias europ&eacute;ias, j&aacute; que os jovens brasileiros se voltam  para a fam&iacute;lia como importante fonte de trocas afetivas e simb&oacute;licas, buscando  uma estabilidade diante de um quadro de aus&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e exerc&iacute;cio de  direitos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A quest&atilde;o dos  ideais &eacute; fundamental para o jovem. S&atilde;o eles que ir&atilde;o fornecer os meios  necess&aacute;rios para elaborar a passagem da fam&iacute;lia ao mundo social mais amplo. O  ideal do eu &eacute; justamente esse conceito de fronteira entre o individual e o  social, que faz com que cada sujeito possa se constituir e se reconhecer numa  dada sociedade e numa dada cultura. Como j&aacute; dizia Freud (1974&#91;1914a&#93;, p. 119), &ldquo;al&eacute;m  do seu aspecto individual, esse ideal tem seu aspecto social; constitui tamb&eacute;m  o ideal comum de uma fam&iacute;lia, uma classe ou uma na&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Entendemos que,  ao tratar do tema do &ldquo;reencontro do objeto&rdquo; (FREUD, &#91;1905&#93; 1972) e do &ldquo;afastamento  do primeiro ideal&rdquo; (FREUD, &#91;1914 b&#93; 1974) na puberdade Freud aponta o fato de  que o ideal do eu &eacute; posto &agrave; prova neste per&iacute;odo, diante do decl&iacute;nio das  idealiza&ccedil;&otilde;es parentais, devendo assumir novas formas, em fun&ccedil;&atilde;o das novas  identifica&ccedil;&otilde;es que ent&atilde;o se d&atilde;o a partir do encontro de novos objetos, id&eacute;ias  ou projetos que ocupem para os jovens o lugar de ideais. Este trabalho  possibilitar&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de novas vias de escoamento para a puls&atilde;o,  diferentes das que foram at&eacute; ent&atilde;o trilhadas durante a inf&acirc;ncia. Entretanto,  como j&aacute; mostramos anteriormente (COUTINHO, 2003), tal passagem da idealiza&ccedil;&atilde;o<sup><a name="3t"></a><a href="#3n">3</a></sup> &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de  ideais mais impessoais e abstra&iacute;dos da rela&ccedil;&atilde;o direta a um outro n&atilde;o se d&aacute;  repentinamente. Sabemos que o recurso &agrave;s idealiza&ccedil;&otilde;es, mesmo fora do universo  familiar, &eacute; freq&uuml;ente entre os jovens, recurso este que pode ser notado em  alguns estados de apaixonamento, na elei&ccedil;&atilde;o de &iacute;dolos ou grupos de amigos  exclusivos, etc. (MARCELLI, 1991). Sabemos tamb&eacute;m o quanto as idealiza&ccedil;&otilde;es  carregam em si a marca da decep&ccedil;&atilde;o causada pelo confronto com o objeto real,  sempre t&atilde;o aqu&eacute;m do ideal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O que  surpreende entre os jovens de Bom Retiro &eacute; a persist&ecirc;ncia destas idealiza&ccedil;&otilde;es  na esfera da fam&iacute;lia.&nbsp; Isto pode ser  notado em suas falas, tanto no que diz respeito &agrave; fam&iacute;lia como uma institui&ccedil;&atilde;o  que lhes garante apoio e tranq&uuml;ilidade, quanto na elei&ccedil;&atilde;o de alguns de seus  membros, sobretudo a m&atilde;e, como figuras de admira&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; trabalhamos anteriormente  (COUTINHO <i>et al.,</i> 2005). A refer&ecirc;ncia  familiar se destaca de forma quase absoluta quando perguntamos aos jovens sobre  a quem recorrem quando precisam de ajuda para resolver algum problema. A  fam&iacute;lia aparece como a fonte principal de apoio e, na maioria das vezes, as  institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas s&oacute; s&atilde;o citadas quando a fam&iacute;lia n&atilde;o pode ajudar, ou ent&atilde;o  s&atilde;o desqualificadas em rela&ccedil;&atilde;o a ela: &ldquo;A  melhor ajuda &eacute; a da fam&iacute;lia. Depois as institui&ccedil;&otilde;es&rdquo; (RENATA, 14 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   De modo semelhante, quando, durante as entrevistas, pedimos que os  jovens associassem id&eacute;ias em torno da palavra fam&iacute;lia, surgem palavras fortes e  totalizantes, tais como: <i>tudo</i> (resposta mais recorrente), <i>a base de  tudo, paz</i>, <i>harmonia, uni&atilde;o,    essencial</i>. Entre os  entrevistados de Bom Retiro, s&oacute; uma jovem parece fazer alguma ressalva quando  associa livremente a partir da palavra fam&iacute;lia, dizendo: &ldquo;<i>Fam&iacute;lia &eacute; tudo,  mas &agrave;s vezes n&atilde;o &eacute;&rdquo;</i> (LUCIMARA, 20 anos). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Quando perguntados sobre os projetos futuros, a maioria diz: <i>quero  estar casado(a) e com filhos</i>. Mas h&aacute; tamb&eacute;m alguns que afirmam justamente  n&atilde;o querer casar, para n&atilde;o ter problemas, como tiveram com suas fam&iacute;lias de  origem. Assim, como mostram sutilmente algumas falas, a idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia  por nossos jovens &eacute; acompanhada de experi&ecirc;ncias frustrantes advindas do  universo familiar. A fam&iacute;lia, al&eacute;m de ser fonte de apoio, &eacute; tamb&eacute;m identificada  como fonte privilegiada de problemas na vida deles: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&ldquo;(Conto com) a fam&iacute;lia, que &agrave;s vezes n&atilde;o ap&oacute;ia&rdquo; (LIGIA, 18 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&ldquo;Parente n&atilde;o ajuda muito, ou ajuda e joga na  cara. Vizinho ajuda mais&rdquo;. (LUCIMARA, 20  anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fam&iacute;lia aparece tamb&eacute;m de forma recorrente quando perguntamos  diretamente a eles alguns problemas que os jovens t&ecirc;m que enfrentar:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&ldquo;Problemas dom&eacute;sticos, pais que n&atilde;o conversam  ou que brigam muito&rdquo; (SANDRA, 17  anos).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&ldquo;Querer ser independente e n&atilde;o ser; problemas  com os pais que bebem e maltratam, obriga&ccedil;&atilde;o de trabalho para ajudar em casa ou  obriga&ccedil;&atilde;o de estudar e n&atilde;o fazer mais nada&rdquo; (ADRIANA, 17 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu estudo sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre juventude e escola no Brasil,  Sposito (2005) tamb&eacute;m identifica que, ao lado da escola, a fam&iacute;lia &eacute; uma  importante refer&ecirc;ncia para os jovens brasileiros, mas recusa a hip&oacute;tese  relativa a uma idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, j&aacute; que eles descrevem conflitos em  rela&ccedil;&atilde;o a ela e n&atilde;o omitem seus aspectos negativos em seu discurso. Por&eacute;m, a  autora n&atilde;o explora esse t&oacute;pico e adverte que a quest&atilde;o da fam&iacute;lia mereceria ser  abordada de forma mais exaustiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   De modo diferente, pensamos que estamos sim diante de uma idealiza&ccedil;&atilde;o da  fam&iacute;lia no caso dos jovens de Bom Retiro. Entretanto, estas n&atilde;o podem ter um  destino diferente de outras idealiza&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas deste momento da vida,  montadas sobre figuras externas ao universo familiar, cujo confronto com o real  &eacute; decepcionante. Assim, apesar de a fam&iacute;lia permanecer como forte refer&ecirc;ncia,  ela n&atilde;o se sustenta para os jovens neste lugar idealizado em que a colocam; pelo  contr&aacute;rio, aparece tamb&eacute;m como fonte de problemas e preocupa&ccedil;&otilde;es no discurso  deles. O que fica evidenciado nesta oscila&ccedil;&atilde;o idealiza&ccedil;&atilde;o x decep&ccedil;&atilde;o &eacute; a  situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia da fam&iacute;lia como refer&ecirc;ncia exclusiva na vida destes  jovens. Seria este um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico da juventude pobre brasileira,  diante da aus&ecirc;ncia de perspectivas e de sustenta&ccedil;&atilde;o para seus projetos no  espa&ccedil;o p&uacute;blico?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Da fam&iacute;lia ideal &agrave; fam&iacute;lia real: um impasse</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo a trilha freudiana, o decl&iacute;nio dos ideais ligados ao universo  familiar pode ter um efeito transformador na vida do jovem, a partir de um novo  encontro com o social e com a cultura (FREUD, &#91;1914 b&#93; 1974). Trata-se de um  distanciamento dos v&iacute;nculos familiares, para que o jovem fa&ccedil;a seu caminho a  partir daquilo que deles foi herdado, que agora se atualiza na constru&ccedil;&atilde;o de  novos ideais. Entretanto, hoje se discutem os entraves nesta &ldquo;passagem&rdquo;, tendo  em vista a pulveriza&ccedil;&atilde;o e o enfraquecimento dos ideais da cultura, que d&atilde;o  consist&ecirc;ncia &agrave; heran&ccedil;a simb&oacute;lica a ser transmitida, tornando-a falha para todos:  pais, m&atilde;es e filhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Na leitura de L&eacute;brun (2004), estamos diante de um <i>&ldquo;</i>simb&oacute;lico virtual&rdquo;, que se faz notar  desde o interior da fam&iacute;lia, onde o lugar de autoridade dos pais &eacute; abalado, mas  que tamb&eacute;m se faz presente em in&uacute;meras outras esferas da sociedade, tais como  as institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o, o Estado, e at&eacute; mesmo o judici&aacute;rio, que se torna  inflado exatamente numa tentativa de suprir as fal&ecirc;ncias das outras inst&acirc;ncias.  Assim, segundo L&eacute;brun, o discurso social n&atilde;o prescreve para o jovem que ele  deve crescer, renunciar &agrave;s satisfa&ccedil;&otilde;es da inf&acirc;ncia em nome de outros ganhos, ou  ainda, dir&iacute;amos n&oacute;s, n&atilde;o lhes aponta outro caminho sen&atilde;o o de permanecer na  posi&ccedil;&atilde;o infantil. Posi&ccedil;&atilde;o de submetimento e de cren&ccedil;a na onipot&ecirc;ncia daquele ao  qual se submete, que &eacute; tamb&eacute;m a posi&ccedil;&atilde;o daquele que acredita na encarna&ccedil;&atilde;o do  ideal, ficando &agrave; merc&ecirc; dos objetos que venham a ocupar este lugar atrav&eacute;s da  idealiza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Desta forma, &eacute; como se o sujeito abdicasse de sua  necessidade de assumir a insatisfa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria a sua condi&ccedil;&atilde;o, que o faz erguer  para si um ideal desvinculado de um investimento necess&aacute;rio e atual em um  objeto. Ideal este que aponte para a possibilidade de gozo em outro tempo e/ou  lugar. De modo contr&aacute;rio, h&aacute; um convite &agrave; n&atilde;o-realiza&ccedil;&atilde;o do simb&oacute;lico, que  remete a uma perman&ecirc;ncia no registro do amor materno incondicional e amea&ccedil;a a  possibilidade dos la&ccedil;os sociais:</font></p>       <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos pensar que o amor materno &eacute;, em sua estrutura, sem  condi&ccedil;&atilde;o, a saber, que &eacute; da natureza desse amor amar a crian&ccedil;a como ela &eacute;, sem  esperar dela outra coisa que ser, mas que, em troca, o amor paterno s&oacute; pode ser  dispensado com a condi&ccedil;&atilde;o de que a crian&ccedil;a consinta em sair do campo materno  para ir tomar seu lugar de homem ou de mulher no social &#91;...&#93; (L&Eacute;BRUN, 2004, p.  45).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, desenha-se a hip&oacute;tese segundo a qual o submetimento e os  entraves na passagem das idealiza&ccedil;&otilde;es &agrave; constru&ccedil;&atilde;o dos ideais na juventude n&atilde;o  se restringem ao caso brasileiro, tampouco aos jovens de Bom Retiro. O que  chama a aten&ccedil;&atilde;o nos jovens cujo discurso &eacute; aqui analisado &eacute; a preval&ecirc;ncia das  idealiza&ccedil;&otilde;es atreladas especifica e diretamente &agrave; esfera familiar. Desses  discursos, emerge uma tens&atilde;o entre a pulveriza&ccedil;&atilde;o e as restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s quais eles  se submetem, em vista das prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es e oportunidades sociais que lhes  s&atilde;o oferecidas. Isso possivelmente acentua sua posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia, bem como a idealiza&ccedil;&atilde;o da mesma como uma refer&ecirc;ncia absoluta  centrada no modelo materno, conting&ecirc;ncias que limitam a consecu&ccedil;&atilde;o de seus  projetos, dada a aus&ecirc;ncia quase absoluta de outras op&ccedil;&otilde;es disponibilizadas pelo  social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Talvez a situa&ccedil;&atilde;o dos jovens de Bom Retiro possa ser melhor compreendida  a partir da hist&oacute;ria e da cultura brasileiras, que forjam formas peculiares de  encaminhar as quest&otilde;es pr&oacute;prias da vida coletiva. Conforme observa Figueiredo  (2000), h&aacute; no Brasil um projeto coletivo baseado fundamentalmente na cren&ccedil;a  numa generosidade desmedida aliada &agrave; necessidade de prote&ccedil;&atilde;o absoluta que  remetem &agrave;s figuras infantis da m&atilde;e e do pai, com destaque para a figura  materna. Como ele nota, tais marcas se fazem presentes na pr&oacute;pria forma de  exaltar o Brasil pela &ldquo;generosidade&rdquo; ilimitada da natureza da &ldquo;terra-m&atilde;e  gentil&rdquo;, na qual presume-se que &ldquo;em se plantando tudo d&aacute;&rdquo;, tal como sustenta a  cren&ccedil;a na onipot&ecirc;ncia materna. Contudo, em sua an&aacute;lise, Figueiredo chama a  aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que</font></p>       <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na aus&ecirc;ncia da conten&ccedil;&atilde;o, o amor generoso da m&atilde;e pode se  converter em um dos principais desagregadores da vida social e da vida mental  dos indiv&iacute;duos. A presen&ccedil;a do pai na cultura, como destinat&aacute;rio do apelo dos  filhos, &eacute; o que se traduz como for&ccedil;a dos ideais, valores, normas e leis,  indispens&aacute;veis para a constitui&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel do psiquismo, e esta forma de  presen&ccedil;a & uma presen&ccedil;a reservada & &#91;...&#93; est&aacute; sujeita a uma s&eacute;rie de  vicissitudes (FIGUEIREDO, 2000, p. 150).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Figueiredo (2000) atribui tais marcas ps&iacute;quicas a raz&otilde;es hist&oacute;ricas e  culturais que favorecem, entre os brasileiros, um movimento regressivo em  dire&ccedil;&atilde;o a figuras infantis onipotentes, o que, a seu ver, complica enormemente  o exerc&iacute;cio da democracia em nosso pa&iacute;s. Assim, no Brasil, a maneira pela qual  os l&iacute;deres e os projetos pol&iacute;ticos s&atilde;o eleitos pela popula&ccedil;&atilde;o pode ser  articulada a uma condi&ccedil;&atilde;o cultural de perman&ecirc;ncia no discurso materno e na  posi&ccedil;&atilde;o infantil de depend&ecirc;ncia. Desse modo, o sentido de coletividade, de  ren&uacute;ncia individual e do conv&iacute;vio com as diferen&ccedil;as fica prejudicado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Como pensar as repercuss&otilde;es destas marcas culturais nos jovens com os  quais estamos trabalhando? Em primeiro lugar, isto nos conduz a evitar a  redu&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise ao plano intra-familiar. Inversamente, somos levados a supor  o quanto as quest&otilde;es e impasses que se apresentam aos jovens em sua rela&ccedil;&atilde;o  familiar est&atilde;o fortemente marcados pelo coletivo e pelo social. Fala-se hoje, e  isso n&atilde;o se restringe ao caso brasileiro, em um deslizamento da fun&ccedil;&atilde;o do pai  na dire&ccedil;&atilde;o do ideal da m&atilde;e (L&Eacute;BRUN, 2004), cuja imagem encontra no social maior  respaldo e legitimidade. O ideal materno presente no imagin&aacute;rio social de  nossos tempos torna-se paradigm&aacute;tico das rela&ccedil;&otilde;es familiares e sociais,  afetando a todos - pais, m&atilde;es e filhos -, em diferentes classes sociais. Tal  ideal ganha, por&eacute;m, contornos e dimens&otilde;es particulares no caso brasileiro,  diante da fragilidade das refer&ecirc;ncias p&uacute;blicas que favore&ccedil;am o exerc&iacute;cio da  fun&ccedil;&atilde;o paterna e a sa&iacute;da de uma posi&ccedil;&atilde;o infantil de submetimento a figuras  onipotentes (FIGUEIREDO, 2000). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A emerg&ecirc;ncia do ideal da m&atilde;e n&atilde;o deve ser atribu&iacute;da &agrave; presen&ccedil;a ou n&atilde;o do  pai real na fam&iacute;lia, embora, como ressalta L&eacute;brun (2004), n&atilde;o possamos deixar  de admitir que as condi&ccedil;&otilde;es sociais possam dificultar a ocupa&ccedil;&atilde;o deste lugar.  Desta forma, a id&eacute;ia do ideal da m&atilde;e nos interessa n&atilde;o somente pelo fato de ir  ao encontro do que observamos nas novas composi&ccedil;&otilde;es familiares, constitu&iacute;das  muitas vezes s&oacute; pela m&atilde;e e filhos, mas por nos remeter a algo que aparece no  discurso dos jovens, referenciados a uma fam&iacute;lia idealizada, sustentada  principalmente pela figura materna. Parece-nos que esta fam&iacute;lia, que eles  qualificam como &ldquo;tudo&rdquo; na vida, de modo semelhante ao que fazem ao falar da  m&atilde;e, remete de fato a um modelo materno de cuidado e amor incondicional, modelo  este que favorece uma posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, ancorada em um modelo dual e  especular de rela&ccedil;&atilde;o, atrelado &agrave; idealiza&ccedil;&atilde;o, dificultando o distanciamento  necess&aacute;rio ao crescimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Aproximando-se do modelo materno descrito por L&eacute;brun (2004) e Figueiredo  (2000), a fam&iacute;lia idealizada presente no discurso dos jovens, que &eacute; &ldquo;tudo&rdquo; para  eles, parece-nos muito distante da estrutura triangular e dissim&eacute;trica, da qual  a psican&aacute;lise fez paradigma, onde frustra&ccedil;&otilde;es e ren&uacute;ncias se imp&otilde;em em nome de  uma promessa de satisfa&ccedil;&atilde;o futura em outro espa&ccedil;o. Parece-nos que, quando o  social n&atilde;o aponta para a possibilidade de encontrar tais caminhos para o desejo  fora do universo infantil e materno, a situa&ccedil;&atilde;o do jovem e de toda a fam&iacute;lia se  complica. N&atilde;o h&aacute; lugar para os conflitos, as diferen&ccedil;as de posi&ccedil;&atilde;o, nem para a  emerg&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncias alterit&aacute;rias, o que se faz notar tanto no interior da  esfera familiar quanto na cena social externa a ela. Uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias  disso, especificamente no plano familiar, &eacute; que os confrontos e as diferen&ccedil;as  de posi&ccedil;&atilde;o tendem a ser cada vez mais abolidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A preval&ecirc;ncia deste discurso totalizante no social est&aacute; em conson&acirc;ncia  tamb&eacute;m com as contradi&ccedil;&otilde;es que identificamos na fala dos jovens sobre a  fam&iacute;lia, ao mesmo tempo idealizada e apontada como fonte de problemas, quando  n&atilde;o corresponde ao que esperam dela. Nesse sentido, os jovens entrevistados  vivem intensamente o conflito entre o ideal e o real: a fam&iacute;lia real,  atravessada pelos limites e pela &ldquo;falta de di&aacute;logo&rdquo;, e pelas tens&otilde;es a que se  refere Abramo (2005), contrap&otilde;e-se &agrave; ideal, que &eacute; &ldquo;tudo&rdquo;, sin&ocirc;nimo de &rdquo;uni&atilde;o&rdquo; e  &ldquo;paz&rdquo; para eles. Para os entrevistados, os obst&aacute;culos a seus projetos - o  convite ao consumo de drogas que abre portas &agrave; viol&ecirc;ncia; o exerc&iacute;cio da  sexualidade, que carrega o risco da gravidez precoce; e as limita&ccedil;&otilde;es de  institui&ccedil;&otilde;es sociais, como a escola e o mercado de trabalho, empecilhos &agrave;  realiza&ccedil;&atilde;o profissional & s&oacute; podem ser superados com o suporte familiar. Mas se  a fam&iacute;lia almejada &eacute; t&atilde;o idealizada, como lidar com as agruras e inconsist&ecirc;ncias  da fam&iacute;lia real? Assim, a fam&iacute;lia passa de ideal a problema, ou melhor, talvez  a pr&oacute;pria idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia esteja na origem do conflito com a fam&iacute;lia  real. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Nos jovens de Bom Retiro, entendemos que este conflito se agrava pela  situa&ccedil;&atilde;o de car&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e assistencial em que se encontram, na medida em  que a fam&iacute;lia, sobrecarregada em suas fun&ccedil;&otilde;es de transmiss&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o, nem  por isso est&aacute; habilitada a suportar os conflitos e tens&otilde;es que lhe s&atilde;o  endere&ccedil;ados. Trata-se de conflitos originados do social, que fogem &agrave; sua esfera  de influ&ecirc;ncia e a submetem igualmente. Assim, mais uma vez podemos constatar  que a situa&ccedil;&atilde;o do jovem brasileiro agrava o desamparo necess&aacute;rio e inevit&aacute;vel  com o qual a juventude se depara hoje no momento de seu afastamento das  refer&ecirc;ncias familiares, na medida em que ele se v&ecirc; n&atilde;o somente desorientado,  mas sobretudo desprovido do suporte m&iacute;nimo & material e simb&oacute;lico - necess&aacute;rio  &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novas refer&ecirc;ncias (ROSA, 2002). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Diante dessas restri&ccedil;&otilde;es, sem meios para relativizar a onipresen&ccedil;a da  fam&iacute;lia, o afastamento do n&uacute;cleo familiar tende a ser brusco, atropelando  projetos como forma de demarcar a passagem para a vida adulta. Portanto,  parece-nos que, na aus&ecirc;ncia de redes de media&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica fora da fam&iacute;lia, as  elabora&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o de ideais e &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de uma nova  posi&ccedil;&atilde;o subjetiva e social pelo jovem ficam comprometidas. Por outro lado, a  fam&iacute;lia, que fica no lugar de refer&ecirc;ncia exclusiva e total para eles, tampouco  est&aacute; menos desamparada e sem perspectivas. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a maioria das  fam&iacute;lias brasileiras acaba apontando para o jovem o ideal de &ldquo;ter uma fam&iacute;lia&rdquo;  como uma das poucas refer&ecirc;ncias e indicadores para a defini&ccedil;&atilde;o do lugar do  adulto. Mesmo em casos extremos, como diante de uma gravidez precoce, &eacute;  bastante comum que a pr&oacute;pria fam&iacute;lia de origem da jovem espere que ela possa  &ldquo;tomar jeito&rdquo; ap&oacute;s ter o filho (KEHL, 2004). Assim, a preval&ecirc;ncia do ideal de  fam&iacute;lia, aliado ao ideal da m&atilde;e, talvez explique em parte porque a grande  maioria das adolescentes pobres, diante da constata&ccedil;&atilde;o de uma gravidez, n&atilde;o  hesite em dizer que quer ter o filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Verificamos, ent&atilde;o, que a idealiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, presente no discurso  dos jovens entrevistados, ecoa algo que tanto &eacute; do social quanto da pr&oacute;pria  institui&ccedil;&atilde;o familiar. Isto nos leva a reafirmar a necessidade e a import&acirc;ncia  de algum tipo de trabalho com a fam&iacute;lia, paralelo aos atendimentos dirigidos  aos jovens. Desamparada diante da tarefa de educar e sustentar os filhos, mas  idealizada como p&oacute;lo exclusivo de investimento, a pr&oacute;pria fam&iacute;lia talvez tenda  a refor&ccedil;ar a idealiza&ccedil;&atilde;o que o jovem faz dela, restringindo as rela&ccedil;&otilde;es de  alteridade e o reconhecimento das diferen&ccedil;as, bases para a solidariedade e para  rela&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias e (neste sentido) mais democr&aacute;ticas. Assim, como num  c&iacute;rculo vicioso, a fam&iacute;lia idealizada idealiza a si mesma, mascarando os seus  conflitos internos e o seu pr&oacute;prio desamparo, o que a leva, muitas vezes, a  depositar no jovem os problemas que insiste em eludir. Este &eacute; o caso comum de muitos  jovens toxic&ocirc;manos, em rela&ccedil;&atilde;o aos quais a fam&iacute;lia (e a sociedade)  freq&uuml;entemente se exime da pr&oacute;pria responsabilidade. Entretanto, enfrentar o  problema da gravidez precoce, das drogas, da viol&ecirc;ncia ou dos grandes dilemas  juvenis em torno da fam&iacute;lia, n&atilde;o se resume a tratar esses adolescentes e seu  grupo familiar, mas sim em promover possibilidades de mudan&ccedil;as sociais, que  facilitem para eles a tarefa de crescer e se engajar socialmente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Enfim, supomos que os jovens de Bom Retiro espelham em seus discursos a  enorme dificuldade que se coloca na constru&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o  p&uacute;blico e de um projeto de vida coletiva no Brasil. A constru&ccedil;&atilde;o da vida  coletiva demanda a pondera&ccedil;&atilde;o do interesse individual, no intuito de abrir  caminho para refer&ecirc;ncias extra-familiares, socialmente compartilhadas e  legitimamente constitu&iacute;das. Contrariamente, se a fam&iacute;lia permanecer como o  &uacute;nico ideal na constru&ccedil;&atilde;o dos projetos de vida dos jovens brasileiros, e tender  por isso a ser super-estimada e idealizada, o jovem e a sociedade ver-se-&atilde;o  privados das suas possibilidades de crescimento e renova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABRAMO, H. W.; BRANCO, P. P. M. Apresenta&ccedil;&atilde;o. In: ABRAMO, H. W.; BRANCO,  P. P. M. (Orgs.). <b>Retratos da juventude brasileira</b>.  S&atilde;o Paulo: Instituto Cidadania, Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2005. p. 9-22.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948631&pid=S1808-4281200800030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   ABRAMO, H. W. Condi&ccedil;&atilde;o juvenil no Brasil contempor&acirc;neo. In: ABRAMO, H.  W.; BRANCO, P. P. M. (Orgs.), <b>Retratos da juventude brasileira</b>.  S&atilde;o Paulo: Instituto Cidadania, Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2005. p. 37-72.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948632&pid=S1808-4281200800030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   AUGUSTO, M. H. O. Retomada de um legado intelectual: Marialice Foracchi  e a Sociologia da Juventude. <b>Tempo Social</b>, S&atilde;o Paulo, v. 17, n.  1, p. 11-33, 2005.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948633&pid=S1808-4281200800030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   CASTRO L. R.; CORR&Ecirc;A, J.; GON&Ccedil;ALVES, H. S.; COUTINHO, L. G.; AZEVEDO, A.  M. de; MATTOS, A.; LISB&Ocirc;A, B. N.; VIDAL, F.; JUNCKEN, E.; VILLELA, H. A. M.;  ROCHA, I. C. A. O; MONTEIRO, R. A. de P. <b>Mostrando a real: </b>um retrato da juventude pobre no Rio de  Janeiro. Rio de Janeiro: Nau/FAPERJ, 2005.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948634&pid=S1808-4281200800030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   COUTINHO, L. G. Das idealiza&ccedil;&otilde;es &agrave;s identifica&ccedil;&otilde;es: notas sobre o  trabalho ps&iacute;quico da adolesc&ecirc;ncia. In: VI  JORNADA DE PSICAN&Aacute;LISE DA SPCRJ, 2003, Rio de Janeiro. Anais da <b>VI Jornada de Psican&aacute;lise da SPCRJ</b>.  Rio de Janeiro, novembro de 2003, p.45-49.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948635&pid=S1808-4281200800030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   COUTINHO,  L. G&nbsp;; INSFR&Aacute;N, F. F. N.&nbsp;; PEIXOTO, M. V. G.&nbsp;; GOMES, R. de M.; BACKES, J. C.; CARVALHO, H. P. de;  OLIVEIRA, F. S. de. Ideais e identifica&ccedil;&otilde;es em adolescentes de Bom Retiro. <b>Psicologia  e Sociedade</b>, Florian&oacute;polis, v.17, n. 3, p. 50-56, dez 2005. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948636&pid=S1808-4281200800030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   FIGUEIREDO, L. C. Sobre pais e irm&atilde;os & Mazelas da democracia no Brasil.  In: Kehl, M. R. (Org.).<b>Fun&ccedil;&atilde;o Fraterna</b>. Rio de Janeiro:  Relume-Dumar&aacute;, 2000. p. 132-156.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948637&pid=S1808-4281200800030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   FREUD, S. (1905). Tr&ecirc;s ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: _____. Ed. Standard Brasileira  das Obras Completas de S. <b>Freud</b> &#91;<b>ESB</b>&#93;, volume VII, Imago,  1972. p 123-253.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948638&pid=S1808-4281200800030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   _____. (1914a). Sobre o narcisismo. Uma introdu&ccedil;&atilde;o. In: _____. Ed. Standard Brasileira  das Obras Completas de S. <b>Freud</b> &#91;<b>ESB</b>&#93;, volume XIV, Rio de  Janeiro, Imago, 1974. p. 85-122.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948639&pid=S1808-4281200800030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   _____. (1914b). Algumas reflex&otilde;es sobre a  psicologia do escolar. In: _____.Ed.  Standard Brasileira das Obras Completas de S. <b>Freud</b> &#91;<b>ESB</b>&#93;, volume  XIII, Rio de Janeiro, Imago, 1974. p. 281-288.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948640&pid=S1808-4281200800030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   _____. (1921). Psicologia de grupo e an&aacute;lise do ego. In: _____. Ed. Standard Brasileira  das Obras Completas de S. <b>Freud</b> &#91;<b>ESB</b>&#93;, volume XIII, Rio de  Janeiro, Imago, 1976. p. 89-182.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948641&pid=S1808-4281200800030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   GON&Ccedil;ALVES, H. S. Juventude brasileira, entre tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade. <b>Tempo  Social,</b>&nbsp;v.17, n.2,  p.207-219, nov 2005.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948642&pid=S1808-4281200800030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   KEHL, M. R. A  Juventude como sintoma da cultura. In: Novaes, R; Vannuchi, P. (Orgs). <b>Juventude e Sociedade: </b>Trabalho,  Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura e Participa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o  Perseu Abramo; Instituto Cidadania, 2004. p. 89-114.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948643&pid=S1808-4281200800030000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   L&Eacute;BRUN,  J. <b>Um mundo sem limite: </b>ensaio  para uma cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica do social. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2004. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948644&pid=S1808-4281200800030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   MARCELLI,  D. Ideal du moi et reunion de groupe en institution: Sur le travail de  l&rsquo;id&eacute;alisation &agrave; l&rsquo;adolescence.&nbsp; <b>Revue de Psychoth&eacute;rapie Psychanalytique de Groupe</b>, Paris,v. 16, p.7-23,  1991.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   ROSA, M. D. Adolesc&ecirc;ncia: Da cena familiar &agrave; cena social.<b>Psicologia  USP</b> &#91;online&#93;, S&atilde;o Paulo, v.13, n. 2, p.227-241, 2002.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948646&pid=S1808-4281200800030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   SINGER, P. A juventude como coorte: uma gera&ccedil;&atilde;o em tempos de crise  social. In: Abramo, H. W.; Branco, P. P. M. (Orgs.). <b>Retratos da juventude brasileira.</b> S&atilde;o Paulo: Instituto Cidadania,  Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2005, p. 27-35.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948647&pid=S1808-4281200800030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   SPOSITO, M. Algumas reflex&otilde;es e muitas indaga&ccedil;&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es  entre juventude e escola no Brasil. In: Abramo, H. W.; Branco, P. P. M. (Orgs.).<b>Retratos da juventude brasileira.</b> S&atilde;o Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo; Instituto Cidadania; 2005, p. 175-214.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948648&pid=S1808-4281200800030000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   VELHO, G. <b>Individualismo e cultura: </b>notas para uma Antropologia da sociedade contempor&acirc;nea. 5 ed. Rio de  Janeiro: Zahar, 1999. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=948649&pid=S1808-4281200800030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/epp/v8n3/seta.gif"><a name="mailfim"></a><a href="#mailtopo">Endereço para correspondência</a>    <br> Hebe Signorini Gon&ccedil;alves     <br>  E-mail:  <a href="mailto:hebe@globo.com">hebe@globo.com</a>    <br>  Luciana Gageiro Coutinho     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> E-mail:  <a href="mailto:lugageiro@uol.com.br">lugageiro@uol.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 02/08/2007     <br>   Aceito  para publica&ccedil;&atilde;o em: 14/01/2008    <br> Acompanhamento do processo editorial: Eleonôra T. Prestrelo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="n*"></a><a href="#t*">*</a></sup> Psic&oacute;loga, doutora em Psicologia pelo Programa de  P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica da PUC-Rio.    <br>   <sup><a name="n**"></a><a href="#t**">**</a></sup> Psic&oacute;loga, doutora em Psicologia pelo  Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica da Puc-Rio.    <br>   <sup><a name="1n"></a><a href="#1t">1</a></sup> A pesquisa <i>Retratos  da Juventude Brasileira</i> entrevistou 3.501 jovens de ambos os sexos em todo  o territ&oacute;rio nacional; o desenho amostral representava o universo de 34,1  milh&otilde;es de jovens residentes no Brasil. O question&aacute;rio totalizava 160 quest&otilde;es  abarcando ampla gama de temas: ser jovem, escola, trabalho, valores e  refer&ecirc;ncias, sexualidade, drogas, cultura e lazer, m&iacute;dia, viol&ecirc;ncia, pol&iacute;tica e  participa&ccedil;&atilde;o, direitos.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup><a name="2n"></a><a href="#2t">2</a></sup> Os  dados foram coletados antes dos acontecimentos recentes na Fran&ccedil;a, em que &  conforme ampla cobertura na imprensa & os jovens se rebelaram contra a proposta  de flexibiliza&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista. A despeito das enormes  diverg&ecirc;ncias, que eclodem em conflitos, a an&aacute;lise n&atilde;o est&aacute; invalidada.     <br> <sup><a name="3n"></a><a href="#3t">3</a></sup> Termo  utilizado por Freud. Segundo Freud, podemos definir a idealiza&ccedil;&atilde;o como um  mecanismo atrav&eacute;s do qual o objeto, hiper-investido libidinalmente, &eacute; colocado  no lugar do ideal do eu. Assim, na idealiza&ccedil;&atilde;o, o sujeito empresta ao objeto  determinados m&eacute;ritos que gostaria de alcan&ccedil;ar em seu pr&oacute;prio eu. H&aacute; uma tend&ecirc;ncia &agrave; supervaloriza&ccedil;&atilde;o do objeto amado e &agrave;  diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade de julgamento cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo, de modo que  todas as suas caracter&iacute;sticas s&atilde;o igualmente admiradas e aproximadas da  perfei&ccedil;&atilde;o (Freud (1974&#91;1914a&#93;, 1976&#91;1921&#93;).</font></p>      ]]></body>
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