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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From the review of studies and documents that discuss the latest social indicators on living conditions of Blacks in Brazil, we tried to show how racist constructions established, historically and socially, a symbolic agreement that they remain on the margins of society and find difficulties to exist as subjects of rights, especially with regard to the labor market. In this market, young blacks are not excluded or "out of the game," but they have participated in precarious and unequal ways in relation to Whites. Based on the idea of youth as a social construction, we turn to history to show that the social apartheid of Blacks created in the slave system was widely supported in the post-abolition by government policies and ideological devices; redeemed social indicators of living conditions of Black people, especially on the position of youth in the formal labor market and, finally, consider the possible negative psychosocial history of stroke and identified inequalities for young people belonging to this ethnic racial group.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Fora    do jogo? jovens negros no mercado de trabalho</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Out of the game?    the black youths in the labor market</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Elisabete Figueroa    dos Santos<sup>I</sup>; Rosemeire Aparecida Scopinho<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Mestranda    da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos. S&atilde;o Carlos. S&atilde;o    Paulo. Brasil. <u><a href="mailto:bete_figueroa@yahoo.com.br">bete_figueroa@yahoo.com.br</a>    <br>   </u><sup>II</sup>Docente. Universidade Federal de S&atilde;o Carlos. S&atilde;o    Carlos. S&atilde;o Paulo. Brasil. <u><a href="mailto:scopinho@ufscar.br">scopinho@ufscar.br</a></u></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da revis&atilde;o    de estudos e documentos que discutem os indicadores sociais recentes sobre as    condi&ccedil;&otilde;es de vida dos negros no Brasil, procuramos compreender    como as constru&ccedil;&otilde;es racistas estabeleceram, hist&oacute;rica e    socialmente, um acordo simb&oacute;lico em que eles permanecem &agrave;s margens    da sociedade e encontram dificuldades para existirem como sujeitos de direitos,    especialmente no que se refere ao mercado de trabalho. Neste mercado, os jovens    negros n&atilde;o est&atilde;o exclu&iacute;dos ou "fora do jogo", mas dele    t&ecirc;m participado em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e desiguais    em rela&ccedil;&atilde;o aos brancos. Com base na ideia de juventude como constru&ccedil;&atilde;o    social, recorremos &agrave; hist&oacute;ria para mostrar que a aparta&ccedil;&atilde;o    social dos negros foi criada no sistema escravocrata e, amplamente sustentada    no per&iacute;odo p&oacute;s-aboli&ccedil;&atilde;o por meio de pol&iacute;ticas    governamentais e outros dispositivos ideol&oacute;gicos; resgatamos indicadores    sociais das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o negra,    especialmente sobre a posi&ccedil;&atilde;o dos jovens no mercado formal de    trabalho; e, finalmente, consideramos os poss&iacute;veis impactos psicossociais    do hist&oacute;rico tra&ccedil;ado e das desigualdades identificadas para os    jovens pertencentes esse grupo etnicorracial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Jovens negros, Trabalho, Discrimina&ccedil;&atilde;o racial, Indicadores sociais,    Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">From the review    of studies and documents that discuss the latest social indicators on living    conditions of Blacks in Brazil, we tried to show how racist constructions established,    historically and socially, a symbolic agreement that they remain on the margins    of society and find difficulties to exist as subjects of rights, especially    with regard to the labor market. In this market, young blacks are not excluded    or "out of the game," but they have participated in precarious and unequal ways    in relation to Whites. Based on the idea of youth as a social construction,    we turn to history to show that the social apartheid of Blacks created in the    slave system was widely supported in the post-abolition by government policies    and ideological devices; redeemed social indicators of living conditions of    Black people, especially on the position of youth in the formal labor market    and, finally, consider the possible negative psychosocial history of stroke    and identified inequalities for young people belonging to this ethnic racial    group.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Young blacks, Labor, Racial discrimination, Social indicators, Public policy    of affirmative actions.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nosso intuito &eacute;    refletir sobre a situa&ccedil;&atilde;o social vivida pelos jovens negros, especialmente    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inser&ccedil;&atilde;o no mercado formal de    trabalho, a partir da revis&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas    e estudos publicados desde os anos noventa que discutem os indicadores de condi&ccedil;&otilde;es    de vida da popula&ccedil;&atilde;o negra. O enfoque n&atilde;o &eacute; estat&iacute;stico    ou quantitativo, j&aacute; que estes j&aacute; foram amplamente desenvolvidos    por v&aacute;rios autores (Soares, 2000; Henriques, 2001; Campante, Crespo &amp;    Leite, 2004; Paix&atilde;o &amp; Carvano, 2008; entre outros) que procuraram    demonstrar as desigualdades sociais existentes entre negros e brancos na nossa    sociedade. A quest&atilde;o &eacute; compreender como as constru&ccedil;&otilde;es    racistas, isto &eacute;, arranjos e articula&ccedil;&otilde;es sociais discriminat&oacute;rios    pautados no crit&eacute;rio racial, estabeleceram um acordo simb&oacute;lico<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>    em que a maioria negra permanece exclu&iacute;da da sociedade e, na pr&aacute;tica,    n&atilde;o existe como sujeitos de direitos. Utilizamos, principalmente, dois    estudos que analisam os indicadores sociais sobre as condi&ccedil;&otilde;es    de vida da popula&ccedil;&atilde;o negra, Henriques (2001) e Paix&atilde;o e    Carvano (2008), como recursos para ilustrar as tais constru&ccedil;&otilde;es.    Pontuamos a contribui&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o racial    na restri&ccedil;&atilde;o de acesso dos negros ao mercado de trabalho e enfatizamos,    especialmente, as resultantes psicossociais desta situa&ccedil;&atilde;o para    os jovens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trabalharemos com    a ideia de que, no mundo do trabalho, os jovens negros enfrentam dilemas importantes,    por serem jovens e negros. Al&eacute;m de terem que enfrentar os desafios atualmente    colocados para os trabalhadores jovens na busca por qualifica&ccedil;&atilde;o,    acesso e perman&ecirc;ncia no ensino superior e no mercado de trabalho, eles    s&atilde;o discriminados pela diferen&ccedil;a de cor e deparam-se com um conjunto    de particularidades cujas possibilidades de supera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    ainda mais escassas do que as dos jovens brancos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se do olhar    da Psicologia Social do Trabalho para uma tem&aacute;tica que tem sido amplamente    problematizada por outras &aacute;reas do conhecimento, mas cujo debate ainda    n&atilde;o mobilizou, adequadamente, os esfor&ccedil;os anal&iacute;ticos da    Psicologia. Do ponto de vista pr&aacute;tico, dimensionar as repercuss&otilde;es    psicossociais da exclus&atilde;o do negro do mundo do trabalho pode contribuir    para o atual e conflituoso debate que se realiza entre as diferentes for&ccedil;as    sociais sobre as pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas. &Eacute;    preciso pontuar que aos jovens est&aacute; colocada a possibilidade de reproduzir    e/ou transformar a realidade social. Do ponto de vista acad&ecirc;mico, a reflex&atilde;o    pode contribuir para reafirmar a ideia da import&acirc;ncia de compreender a    juventude sob a &oacute;tica de que os limites que se interp&otilde;em entre    as diferentes gera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas    e sociais, expressam rela&ccedil;&otilde;es de poder que delimitam campos, designam    lugares, produzem ordens e hierarquias sociais, de modo que os grupos que se    encontram numa determinada idade biol&oacute;gica s&atilde;o heterog&ecirc;neos,    do ponto de vista psicossocial, e configuram diferentes juventudes, como disse    Bourdieu (1983).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O artigo estrutura-se    sobre quatro eixos principais: a din&acirc;mica entre juventude e mercado de    trabalho, que procura pontuar as rela&ccedil;&otilde;es a&iacute; poss&iacute;veis    e os modos como as reestrutura&ccedil;&otilde;es do trabalho t&ecirc;m repercutido    para os jovens, em geral; uma breve abordagem do hist&oacute;rico de aparta&ccedil;&atilde;o    social dos negros criado a partir do sistema escravocrata e, amplamente cultivado    no per&iacute;odo p&oacute;s-aboli&ccedil;&atilde;o; o resgate de indicadores    sociais das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o negra,    com recorte especial sobre a posi&ccedil;&atilde;o dos jovens no mercado formal    de trabalho e as poss&iacute;veis repercuss&otilde;es para os jovens negros    das exclus&otilde;es vivenciadas no trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Juventude e    trabalho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos &uacute;ltimos    anos, v&aacute;rias foram as mudan&ccedil;as e transforma&ccedil;&otilde;es    ocorridas no mundo do trabalho. As novas conforma&ccedil;&otilde;es resultaram    num modo de trabalho mais flex&iacute;vel. No entanto, apesar do ataque &agrave;    burocracia e certa no&ccedil;&atilde;o de que o novo modelo permite maior liberdade    &agrave;s pessoas, tem-se claro que essa flexibiliza&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e    novas rela&ccedil;&otilde;es de poder e de controle, ao inv&eacute;s de simplesmente    abolir as regras do passado (Sennett, 1999). Essas mudan&ccedil;as atingem o    modo de viver e de se constituir dos sujeitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Wickert    (2006), se, em d&eacute;cadas passadas, o trabalhador conseguia vislumbrar o    trabalho como um elemento de refer&ecirc;ncia em sua vida ou como algo que possibilitasse    uma constru&ccedil;&atilde;o atrelada &agrave; mobilidade social, hoje o jovem,    pelas caracter&iacute;sticas de flexibiliza&ccedil;&atilde;o e precariedade    do trabalho assalariado, por vezes, se v&ecirc; sem referenciais claros, sem    rumos a priori. A instabilidade passou a ser algo bastante presente e a engendrar    modos de ser diferentes dos tempos anteriores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Raitz    e Petters (2008), na rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre jovens e    trabalho, muitos estudiosos, ao enfocarem a realidade mundial nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas, s&atilde;o un&acirc;nimes em constatar as mudan&ccedil;as ocorridas,    culminando no fen&ocirc;meno do desemprego que atinge milh&otilde;es de pessoas    com &iacute;ndices alarmantes jamais presenciados, especialmente aqueles demonstrados    pelo desemprego juvenil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante de um contexto    de instabilidade, quebras de paradigmas e aus&ecirc;ncia de referenciais precisos,    os lugares simb&oacute;licos que marcam a passagem da juventude &agrave; idade    adulta est&atilde;o em franco processo de desaparecimento. Sem que se possa    constituir uma rela&ccedil;&atilde;o de transmiss&atilde;o adulto-jovem, o jovem    parece ter que se autoconstituir simbolicamente (Spaziro &amp; Resende, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Carrano (2000),    a juventude deve ser compreendida como uma complexidade vari&aacute;vel: os    jovens s&atilde;o diferentes porque diferentes s&atilde;o seus modos de viver,    diferentes s&atilde;o seus espa&ccedil;os e tempos sociais, diferentes s&atilde;o    suas identidades. Vale pontuar que a sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, transporte,    infraestrutura e pol&iacute;ticas habitacionais interferem significativamente    na postura e nas rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas pelos jovens (Souza, 2006).    Optamos, assim, por privilegiar a discuss&atilde;o dentro da dimens&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o dos jovens com o mercado de trabalho formal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Dib e Castro    (2010), os sentidos e representa&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;dos ao trabalho    s&atilde;o tamb&eacute;m distintos, como demonstram estudos que t&ecirc;m se    detido na apreens&atilde;o dos modos como os jovens compreendem e significam    o trabalho. Contudo, alguns estudos apontam haver algumas categorias comuns.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guareschi et al.    (2003), em estudo realizado com jovens de uma comunidade perif&eacute;rica perceberam    haver uma distin&ccedil;&atilde;o entre servi&ccedil;o, emprego e trabalho.    Para esses jovens, servi&ccedil;o remete a algo que &eacute; considerado apenas    uma execu&ccedil;&atilde;o de tarefas, sem v&iacute;nculo empregat&iacute;cio;    o emprego &eacute; entendido como trabalho em &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico    ou empresa estatal e o trabalho propriamente dito, que implica uma estabilidade,    &eacute; algo realizado em empresa privada. Aqueles que t&ecirc;m um servi&ccedil;o    ou um emprego s&atilde;o considerados como "trabalhadores" e diferenciam-se    dos indigentes, vagais, bandidos e marginais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gon&ccedil;alves    et al. (2008), ao estudarem jovens de Duque de Caxias (RJ), verificaram que    os participantes representavam emprego como o exerc&iacute;cio qualificado da    profiss&atilde;o e trabalho - associado a express&otilde;es como bico ou biscate    - tal qual atividade transit&oacute;ria que n&atilde;o requer qualifica&ccedil;&atilde;o.    Logo, os jovens atribu&iacute;am significados diferentes &agrave;s atividades    formais e informais de inser&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o do trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos dois estudos,    o emprego &eacute; relacionado &agrave; inser&ccedil;&atilde;o formal e est&aacute;vel    no mercado de trabalho, configurado pelo v&iacute;nculo empregat&iacute;cio,    tendo como requisito maior grau de escolaridade. O trabalho por sua vez, ora    &eacute; tido como informal, ora como formal em institui&ccedil;&atilde;o privada,    o que atrela um sentido de instabilidade tamb&eacute;m, de acordo com a ordem    que regula a inser&ccedil;&atilde;o e perman&ecirc;ncia de trabalhadores nas    institui&ccedil;&otilde;es privadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A necessidade de    consumo &eacute; tema constante na motiva&ccedil;&atilde;o dos jovens para acessar    o mercado de trabalho (Guareschi et al., 2010; Gon&ccedil;alves et al., 2008;    Wickert, 2006; Borges &amp; Coutinho, 2010). Uma vez alcan&ccedil;ado o trabalho/emprego    remunerado e certa autonomia &ucirc;nanceira, os jovens fazem frequentes alus&otilde;es    ao consumo, rea&ucirc;rmando h&aacute;bitos culturalmente produzidos nas sociedades    capitalistas. Os sentidos do trabalho s&atilde;o associados a ter um sal&aacute;rio,    em preju&iacute;zo ao ser trabalhador (Borges &amp; Coutinho, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Spaziro    e Resende (2010, p. 45),</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Os jovens se encontram,    paradoxalmente, numa situa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica de abandono e se    tornam, assim, presas f&aacute;ceis de um aparelho poderoso regido pela l&oacute;gica    da sociedade de mercado, que n&atilde;o cessa de lhes oferecer "mais prazer"    atrav&eacute;s de mais objetos a consumir, sugerindo-lhes que consumir &eacute;    exercer o direito de escolher a cada momento um objeto, a cada momento um novo    prazer, ao qual se sucede uma nova busca por mais prazer."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos pontuar    a rela&ccedil;&atilde;o entre "capacidade de consumo" e certa sensa&ccedil;&atilde;o    de "independ&ecirc;ncia", que se mostram fundamentais para os jovens no que    tange &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o pela busca laboral. Vetor importante    na movimenta&ccedil;&atilde;o por um "emprego/trabalho" &eacute; um desejo de    "independiza&ccedil;&atilde;o", que, por vezes, vem atrelado &agrave; quest&atilde;o    do "consumo" (Wickert, 2006).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A demanda de consumo    est&aacute; pr&oacute;xima das exig&ecirc;ncias de individua&ccedil;&atilde;o    e o grupo exclu&iacute;do da economia e da sociedade &eacute; diretamente estimulado    a possuir o que n&atilde;o pode comprar (Gon&ccedil;alves et al., 2008), devendo    empreender estrat&eacute;gias para ter tamb&eacute;m capacidade de consumo.    Nessa medida, engendram-se modos de se portar que remetem a um saber para al&eacute;m    do saber-ser, um saber mais voltado para a constitui&ccedil;&atilde;o de uma    determinada imagem: um saber-parecer. O saber-parecer est&aacute; diretamente    ligado &agrave; no&ccedil;&atilde;o de perfil para um conjunto de compet&ecirc;ncias    que, mesmo que n&atilde;o se tenha, precisa ser declarado. A pr&oacute;pria    palavra perfil carrega a no&ccedil;&atilde;o do "saber-parecer" (Maia &amp;    Mancebo, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para os jovens,    o trabalho &eacute; tido como dever, obriga&ccedil;&atilde;o social; &eacute;    n&atilde;o ter tempo, &eacute; ser respons&aacute;vel, &eacute; ser digno. Por    outro lado, a viv&ecirc;ncia do desemprego, a exclus&atilde;o do mercado, promovem    a interioriza&ccedil;&atilde;o de uma imagem negativa, desmoralizante, carregada    de sentimentos de inferioridade e inadequa&ccedil;&atilde;o. Estar desempregado    &eacute; n&atilde;o ter utilidade, n&atilde;o ter lugar para ser, &eacute; ser    um peso para a fam&iacute;lia, um parasita, um n&atilde;o ser (Dias, Bulgacov    &amp; Camargo, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As atitudes e sentimentos    desencadeados pela experi&ecirc;ncia com o trabalho formal e informal propiciam    o contato com a heterogeneidade e instabilidade existentes no mercado de trabalho,    fazendo com que os jovens sintam-se fragilizados nas tentativas de inser&ccedil;&atilde;o.    A impot&ecirc;ncia diante da capacidade de inser&ccedil;&atilde;o e perman&ecirc;ncia    no trabalho &eacute; fonte de sentimentos negativos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, o trabalho    configura-se como uma vantagem na vida dos jovens. A falta dele representa uma    ang&uacute;stia, uma frustra&ccedil;&atilde;o e consiste em um dos maiores problemas    da vida juvenil. As experi&ecirc;ncias com o desemprego s&atilde;o uma grande    preocupa&ccedil;&atilde;o, de modo que os jovens vivenciam insatisfa&ccedil;&atilde;o    com a perspectiva de n&atilde;o conseguirem uma ocupa&ccedil;&atilde;o no mercado    de trabalho formal ou informal. Essa experi&ecirc;ncia &eacute; experimentada    de forma frustrante, com sentimentos de vergonha, incapacidade e exclus&atilde;o    social (Raitz &amp; Petters, 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Castel    (1998), os desempregados apresentam um sentido de invalidez e de n&atilde;o    pertencimento social denominado de "desfilia&ccedil;&atilde;o social". Wickert    (1999) comenta que o trabalho &eacute; estruturante da identidade e que o desemprego    traz sofrimento ps&iacute;quico e, por conseguinte, coloca em risco a sa&uacute;de    mental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pesquisa realizada    por Sarriera e Verdin (1996) demonstra que jovens desempregados apresentam menor    n&iacute;vel de bem-estar psicol&oacute;gico, devido a um sentimento de "vazio"    e impot&ecirc;ncia frente &agrave;s dificuldades de inser&ccedil;&atilde;o no    mercado de trabalho que os desmotiva para obterem atitudes mais assertivas e    perseverantes na busca do mesmo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante de tanta    fugacidade e incertezas, os projetos juvenis s&atilde;o guiados por uma certeza:    ningu&eacute;m pode ficar parado. &Eacute; o movimento, em sua ampla gama de    significados e em todos os sentidos e dire&ccedil;&otilde;es, que conduz &agrave;    estrat&eacute;gia para conseguirem realizar seus sonhos, vigorando a l&oacute;gica    do cada um por si (Maia &amp; Mancebo, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um movimento diferente    das for&ccedil;as de subjetiva&ccedil;&atilde;o emerge com o advento da flexibiliza&ccedil;&atilde;o,    do subemprego e do desemprego, substituindo, parcialmente, o processo de vida    linear que era sustentado pela premissa da garantia de inser&ccedil;&atilde;o    social. Diante desse quadro, a d&uacute;vida sobre como construir os caminhos    futuros e sobre os riscos que valem uma aposta promove ansiedade. A produ&ccedil;&atilde;o    de si encontra-se diante de um impasse: uma produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade    que n&atilde;o responde &agrave;s exig&ecirc;ncias contempor&acirc;neas e &agrave;    necessidade de inser&ccedil;&atilde;o social e de fazer parte do mundo. A quest&atilde;o    da adolesc&ecirc;ncia &eacute; um bom exemplo de tal complexidade e paradoxo,    pois, nos jovens, h&aacute; a exig&ecirc;ncia de inser&ccedil;&atilde;o e de    mudan&ccedil;a de estatuto social - assun&ccedil;&atilde;o da adultez - pelo    trabalho, num mercado que, ao fechar suas portas, lhes nega esse lugar (Wickert,    2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se, como disse    Bourdieu (1983), as maneiras de experimentar e vivenciar a juventude variam    de acordo com as diferen&ccedil;as de classe, etnia, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a,    entre outros atributos sociais, e se a juventude n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea    &eacute;, ent&atilde;o, mais apropriado falar em juventudes, assim tamb&eacute;m,    o desemprego, as dificuldades no acesso ao mercado de trabalho e, especialmente,    ao primeiro emprego, dever&atilde;o atingir todos os jovens de formas e intensidades    diferentes, acarretando variadas modalidades de exclus&atilde;o e vulnerabilidade,    conforme as diferen&ccedil;as que os sujeitos apresentem quanto a g&ecirc;nero,    ra&ccedil;a, n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o, localiza&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica e classe social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante da fragmenta&ccedil;&atilde;o    social que vivemos, deparamo-nos com um conjunto de desigualdades de oportunidades,    que fomentam distin&ccedil;&otilde;es classificadoras entre os jovens e modificam    sua experi&ecirc;ncia juvenil conforme sua posi&ccedil;&atilde;o social (Dias,    Bulgacov &amp; Camargo, 2007). A&iacute; se alternam vari&aacute;veis que determinam    suas chances de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho. Ironicamente,    enquanto se submete a essas condi&ccedil;&otilde;es em busca de inclus&atilde;o,    as disponibilidades variadas de vagas de acordo com os perfis desejados podem    predeterminar sua exclus&atilde;o, ou uma inclus&atilde;o de maneira excludente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dib e Castro (2010)    apontam que os jovens pertencentes aos estratos mais pobres s&atilde;o os mais    frontalmente atingidos pelo desemprego e pelas mudan&ccedil;as no mercado de    trabalho. Corrochano (2005, p. 99), oportunamente, tece as seguintes indaga&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Se observarmos    as taxas de desemprego, tamb&eacute;m a&iacute; temos quest&otilde;es espec&iacute;ficas    a serem observadas. Se considerarmos o desemprego enquanto uma constru&ccedil;&atilde;o    social, cabe questionarmos o porqu&ecirc; das taxas mais elevadas de desemprego    entre os jovens e o porqu&ecirc; do debate em torno do desemprego juvenil ganhar    tanto destaque no espa&ccedil;o p&uacute;blico. As taxas de desemprego entre    mulheres e negros tamb&eacute;m s&atilde;o muito elevadas. Por que n&atilde;o    ganham o espa&ccedil;o que o desemprego juvenil, sobretudo o dos jovens homens,    ganha? Uma outra quest&atilde;o importante a debater diz respeito &agrave;s    pr&oacute;prias pol&iacute;ticas p&uacute;blicas a serem constru&iacute;das    para esse grupo. Que pol&iacute;ticas? E se considerarmos a diversidade t&atilde;o    presente entre os jovens, que pol&iacute;ticas, para quais jovens?"</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Questionamos tamb&eacute;m    por que o desemprego entre jovens negros e suas inser&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias    n&atilde;o repercutem das mesmas formas que para a categoria "jovem", pois como    apontam alguns estudos j&aacute; citados, as distintas caracter&iacute;sticas    dos sujeitos contribuem para distintas inser&ccedil;&otilde;es/experi&ecirc;ncias/    exclus&otilde;es no mundo do trabalho. Para os jovens negros, v&ecirc;-se uma    situa&ccedil;&atilde;o de dificuldades acentuadas, as quais foram constru&iacute;das    hist&oacute;rica e socialmente, como buscaremos pontuar a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Legado: trabalho    escravo, aboli&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-aboli&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; fato que    os negros chegaram ao Brasil sob as condi&ccedil;&otilde;es de um sistema de    trabalho escravista que foi, gradativamente, substitu&iacute;do pelo trabalho    livre no decorrer dos anos de 1800. No entanto, o denominado "trabalho em condi&ccedil;&otilde;es    an&aacute;logas &agrave; escravid&atilde;o" - forma rebuscada e polida de encobrir    o problema - ainda &eacute; amplamente utilizado tanto no campo (agricultura    sazonal e extrativismo), quanto na cidade (prostitui&ccedil;&atilde;o, tr&aacute;fego    de drogas, coleta de lixo e de material recicl&aacute;vel). Entendido como forma    de trabalho destitu&iacute;da de direitos humanos e sociais, o trabalho escravo    &eacute; comum, vis&iacute;vel e envolve tanto adultos, quanto crian&ccedil;as,    adolescentes e jovens<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O essencial para    a discuss&atilde;o que pretendemos aqui &eacute; o entendimento de que a substitui&ccedil;&atilde;o    ocorreu de forma, particularmente, excludente. Mecanismos legais como a Lei    de Terras (Brasil, 2010a), a Lei &Aacute;urea (Brasil, 2010), institu&iacute;dos    no s&eacute;culo XIX, e, sobretudo, as medidas oficiais de est&iacute;mulo &agrave;    imigra&ccedil;&atilde;o criadas neste s&eacute;culo e no seguinte sujeitaram    os negros &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de trabalho excedente,    que sobreviveram dos pequenos servi&ccedil;os ou da agricultura de subsist&ecirc;ncia    (Theodoro, 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A participa&ccedil;&atilde;o    dos escravos na economia fora majorit&aacute;ria at&eacute; 1850, quando se    extinguiu o tr&aacute;fico negreiro. A partir da segunda metade do s&eacute;culo    XIX, tendo em vista o aumento do pre&ccedil;o dos escravos, eles foram substitu&iacute;dos    pela m&atilde;o de obra europeia. Os setores mais din&acirc;micos da economia,    ligados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; - sobretudo na regi&atilde;o    do Vale do Para&iacute;ba - al&eacute;m dos imigrantes, absorveram escravos    de outras regi&otilde;es do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ocupa&ccedil;&atilde;o    dos postos de trabalho por imigrantes europeus retirou dos negros ex-escravos    a possibilidade de inser&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o na sociedade,    pois o que lhes restavam eram as condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias de    ocupa&ccedil;&atilde;o, moradia, educa&ccedil;&atilde;o, enfim, de sobreviv&ecirc;ncia.    A exclus&atilde;o caracterizava atos concretos pautados em uma matriz ideol&oacute;gica    que refor&ccedil;ava e se retroalimentava da cren&ccedil;a na divis&atilde;o    hier&aacute;rquica das ra&ccedil;as<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>,    engendrando no imagin&aacute;rio social a cria&ccedil;&atilde;o de qualificativos    de superioridade para brancos e de inferioridade para negros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sistema escravocrata,    ao mesmo tempo em que se utilizava da explora&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria,    produzia uma massa marginalizada, caracterizando um sistema duplamente excludente    que criava a senzala e gerava um crescente n&uacute;mero de negros livres e    libertos que, segundo Kowarick (1994), transformavam-se nos desclassificados    da sociedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Efetivamente,    o racismo, que nasce no Brasil associado &agrave; escravid&atilde;o, consolida-se    ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o, com base nas teses de inferioridade biol&oacute;gica    dos negros, e difunde-se no pa&iacute;s como matriz para a interpreta&ccedil;&atilde;o    do desenvolvimento nacional. As interpreta&ccedil;&otilde;es racistas, largamente    adotadas pela sociedade nacional, vigoraram at&eacute; os anos 30 do s&eacute;culo    XX e estiveram presentes na base da formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas que contribu&iacute;ram efetivamente para o aprofundamento das    desigualdades no pa&iacute;s" (Theodoro, 2008, p. 24).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As representa&ccedil;&otilde;es    sobre o negro eram constru&iacute;das, difundidas e internalizadas a partir    da perspectiva racista que ganhava for&ccedil;a naquela ocasi&atilde;o, definindo    os lugares sociais que cabiam aos negros. Os deslocamentos rumo &agrave; periferia    e a ocupa&ccedil;&atilde;o de cargos subalternos eram indicativos do lugar marginal    que a eles cabia na sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O perfil da ocupa&ccedil;&atilde;o    da for&ccedil;a de trabalho assumir&aacute;, ent&atilde;o, nova conforma&ccedil;&atilde;o.    Enquanto a m&atilde;o de obra imigrante chega e ocupa-se cada vez mais da produ&ccedil;&atilde;o    de caf&eacute;, uma crescente popula&ccedil;&atilde;o de escravos, ent&atilde;o    liberados, vai se juntar ao contingente de homens livres e libertos, a maioria    dos quais se dedicava seja &agrave; economia de subsist&ecirc;ncia, seja a alguns    ramos ligados aos pequenos servi&ccedil;os urbanos. N&atilde;o houve a valoriza&ccedil;&atilde;o    dos antigos escravos ou mesmo dos livres e libertos com alguma qualifica&ccedil;&atilde;o.    O nascimento do mercado de trabalho ou, dito de outra forma, a ascens&atilde;o    do trabalho livre como base da economia foi acompanhada pela entrada crescente    de uma popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora no setor de subsist&ecirc;ncia e    em atividades mal remuneradas. Esse processo vai dar origem ao que algumas d&eacute;cadas    mais tarde, viria a ser denominado "setor informal", no Brasil" (Theodoro, 2008,    p. 25).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante os &uacute;ltimos    anos do per&iacute;odo da escravid&atilde;o, os discursos que privilegiavam    a m&atilde;o de obra de origem europeia em detrimento dos trabalhadores nacionais    ganhavam peso e eram, tacitamente, internalizados. Logo, a aboli&ccedil;&atilde;o    da escravatura fez do negro o escravo de um sistema perverso, que elaborava    variadas formas de exclus&atilde;o. O processo foi, historicamente, marcado    tanto pela aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em favor dos ex-escravos    e da popula&ccedil;&atilde;o negra livre, quanto pela implanta&ccedil;&atilde;o    de iniciativas que contribu&iacute;ram para que a integra&ccedil;&atilde;o dos    ex-escravos se restringisse &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es subalternas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre os fatores    que impediram a emerg&ecirc;ncia de um sistema econ&ocirc;mico capaz de absorver    a m&atilde;o de obra livre, certamente, est&aacute; a promulga&ccedil;&atilde;o    da Lei de Terras (Brasil, 2010a), que convergiu no tempo e em prop&oacute;sitos    com a proibi&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico de escravos, ponto de transi&ccedil;&atilde;o    para o uso da for&ccedil;a de trabalho livre. Esta articula&ccedil;&atilde;o,    de acordo com Theodoro (2008), restringiu, drasticamente, as possibilidades    dos trabalhadores pobres, ex-escravos e seus descendentes de terem acesso &agrave;    terra na transi&ccedil;&atilde;o do regime escravista para o trabalho livre.    Isto impediu a agricultura de subsist&ecirc;ncia de se transformar em pequena    propriedade familiar e acabou com a possibilidade futura de transformar a m&atilde;o    de obra escrava liberta em posseiros fundi&aacute;rios, de criar quilombos legais    ou estabelecimentos familiares legalizados (Delgado, 2005). Como resultado das    restri&ccedil;&otilde;es &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de terras e do incentivo    ao estabelecimento oficial do fluxo de imigrantes europeus, at&eacute; a d&eacute;cada    de 1920 "(...) fechou-se um espa&ccedil;o socioecon&ocirc;mico que de outra    maneira teria estado dispon&iacute;vel para os n&atilde;o-brancos e o resto    da for&ccedil;a de trabalho nacional concentrada fora e dentro do Sudeste" (Hasenbalg,    1979, p. 161).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Efetivamente, os    preconceitos vigentes difundiam a cren&ccedil;a da menor capacidade do trabalhador    negro em rela&ccedil;&atilde;o ao branco e ampliava a expectativa favor&aacute;vel    que cercava a entrada de trabalhadores europeus. Ao mesmo tempo, as dificuldades    de inser&ccedil;&atilde;o do ex-escravo no mercado de trabalho foram interpretadas    como prova de sua incapacidade e sin&ocirc;nimo de sua inferioridade racial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O per&iacute;odo    que se seguiu &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o foi caracterizado pelo crescimento    econ&ocirc;mico e pela abertura de novas oportunidades de mobilidade social.    Essas oportunidades, contudo, n&atilde;o estavam dispon&iacute;veis para os    ex-escravos. A crescente imigra&ccedil;&atilde;o europeia, realizada com o apoio    de fundos p&uacute;blicos, alterou significativamente o perfil dos trabalhadores    brasileiros, no campo e nas cidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, o per&iacute;odo    p&oacute;s-aboli&ccedil;&atilde;o foi marcado por oportunidades desiguais socialmente    criadas para brancos e negros, o que est&aacute; na base do quadro de aguda    desigualdade racial hoje existente. Apesar de n&atilde;o ter sido decretado,    oficialmente, o ex&iacute;lio do ex-escravo ou um regime de separa&ccedil;&atilde;o    racial, o negro ainda vive num lugar marginal na nossa sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Indicadores    sociais e os negros: revelando um estado de mal-estar social</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quest&atilde;o    racial no Brasil convive, de um lado, com o mito da democracia racial e, de    outro, com as estrat&eacute;gias empreendidas pelos grupos dominantes para n&atilde;o    lidar com as desigualdades raciais existentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas, recentemente,    no contexto da pol&ecirc;mica discuss&atilde;o sobre a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas, os indicadores sobre    as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o negra t&ecirc;m    sido analisados e utilizados para retratar a exist&ecirc;ncia do racismo que    dificulta o acesso dos negros &agrave;s diferentes inst&acirc;ncias sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se refere    ao mercado formal de trabalho, os n&uacute;meros revelam, claramente, a exist&ecirc;ncia    de um padr&atilde;o de trabalhador: homem e branco. Os que n&atilde;o se encaixam    neste perfil, mulheres e negros, em grande parte, est&atilde;o na informalidade,    em ocupa&ccedil;&otilde;es inst&aacute;veis e de baixa remunera&ccedil;&atilde;o.    Esses s&atilde;o os resqu&iacute;cios das pol&iacute;ticas adotadas no Brasil    durante o regime escravista, sobretudo, no per&iacute;odo p&oacute;s-aboli&ccedil;&atilde;o,    como procuramos mostrar anteriormente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para ilustrar este    quadro, lan&ccedil;amos m&atilde;o dos apontamentos realizados por estudos acerca    dos indicadores sociais, centrais para a discuss&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o negra na sociedade brasileira (Henriques, 2001; Paix&atilde;o    &amp; Carvano, 2008). Tomamos como foco as informa&ccedil;&otilde;es fornecidas    sobre a participa&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Henriques (2001)    analisou os indicadores das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o    negra ao longo da d&eacute;cada de noventa (de 1992 a 1999) e afirmou que os    principais determinantes da pobreza estavam associados, sobretudo, &agrave;    desigualdade na distribui&ccedil;&atilde;o de recursos e, n&atilde;o propriamente,    &agrave; escassez. Para este autor, o Brasil, n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s    pobre, mas injusto; quem nasce negro tem grande probabilidade de crescer pobre,    porque esta popula&ccedil;&atilde;o concentra-se no segmento de menor renda    per capita do pa&iacute;s. As condi&ccedil;&otilde;es de vida de cada ra&ccedil;a    est&atilde;o associadas, principalmente, &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de    acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao mercado de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo este autor,    em 1999, a taxa de participa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da popula&ccedil;&atilde;o    negra no mercado formal de trabalho era pouco superior &agrave; da popula&ccedil;&atilde;o    branca. No entanto, ao longo do per&iacute;odo analisado, houve uma redu&ccedil;&atilde;o    nas taxas de participa&ccedil;&atilde;o para ambos, com perda relativa maior    para os negros do que para os brancos. Em s&iacute;ntese, no per&iacute;odo    analisado por Henriques (2001), os negros trabalharam em condi&ccedil;&otilde;es    mais prec&aacute;rias que os brancos, em termos de sal&aacute;rios e formalidade    dos v&iacute;nculos trabalhistas. Ao longo do per&iacute;odo, para os negros,    diminuiu a informalidade, mas tamb&eacute;m os sal&aacute;rios; para os brancos,    aumentou o sal&aacute;rio e a informalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Concordando com    os dados apontados por Henriques (2001), Soares (2000) realizou um estudo acerca    do perfil discriminado no mercado de trabalho, em termos de varia&ccedil;&atilde;o    salarial, com base em dados da PNAD/IBGE de 1996. Os resultados indicaram que    quanto mais bem posicionado est&aacute; o negro na distribui&ccedil;&atilde;o    de renda, maior o diferencial salarial negativo em rela&ccedil;&atilde;o aos    brancos, devido &agrave; influ&ecirc;ncia da discrimina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estudo de Soares    (2000) endossa a informa&ccedil;&atilde;o de que os homens negros s&atilde;o    discriminados na hora de receber o contracheque, porque eles recebem algo em    torno de 5% a 20% menos que os homens brancos, sendo que o diferencial &eacute;    tanto maior quanto maior for a renda do negro. O autor interpretou a discrimina&ccedil;&atilde;o    como fruto de uma representa&ccedil;&atilde;o do que seja o lugar do negro na    sociedade: o de exercer um trabalho manual, sem muitos requisitos de qualifica&ccedil;&atilde;o    em setores industriais pouco din&acirc;micos. "Se o negro ficar no lugar a ele    alocado, sofrer&aacute; pouca discrimina&ccedil;&atilde;o. Mas se porventura    tentar ocupar um lugar ao sol, sentir&aacute; todo o peso da discrimina&ccedil;&atilde;o    sobre seus ombros." (Soares, 2000, p. 24).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Campante, Crespo    &amp; Leite (2004), em estudo semelhante ao de Soares, mensuraram o componente    de discrimina&ccedil;&atilde;o no diferencial de sal&aacute;rios entre brancos    e negros, incluindo controles para a persist&ecirc;ncia de desigualdades educacionais.    Os resultados confirmaram o perfil elitista da discrimina&ccedil;&atilde;o racial    identificado por Soares, e alertaram que parte do componente atribu&iacute;do    &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o no mercado formal de trabalho deve-se &agrave;    persist&ecirc;ncia de desigualdades educacionais entre ra&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os autores destacaram    que, embora geralmente seja dado um enfoque muito maior &agrave; quest&atilde;o    da discrimina&ccedil;&atilde;o que ocorre na participa&ccedil;&atilde;o no mercado    formal de trabalho, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que existe tamb&eacute;m discrimina&ccedil;&atilde;o    na inser&ccedil;&atilde;o do negro neste mercado. Um negro est&aacute;, relativamente,    melhor na posi&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rio p&uacute;blico e &eacute;    menos prejudicado se estiver sem registro em carteira. Para estar na primeira    posi&ccedil;&atilde;o, o crit&eacute;rio utilizado, normalmente, &eacute; o    de concurso e an&aacute;lise de m&eacute;rito e se ele estiver capacitado pelas    vias legais para atender essas exig&ecirc;ncias, a ra&ccedil;a n&atilde;o ser&aacute;    um impeditivo para a obten&ccedil;&atilde;o do emprego e, da mesma forma, o    sal&aacute;rio n&atilde;o ser&aacute; diferenciado. Portanto, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s outras posi&ccedil;&otilde;es, &eacute; muito mais vantajoso para    um negro estar no servi&ccedil;o p&uacute;blico onde a probabilidade dele ser    discriminado &eacute; menor. Contudo, a propor&ccedil;&atilde;o de negros funcion&aacute;rios    p&uacute;blicos &eacute;, significativamente, menor do que a de brancos, o que    esbarra na quest&atilde;o da desigualdade de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.    O fato de eles serem menos prejudicados sem o registro na carteira evidencia    os problemas na inser&ccedil;&atilde;o no mercado formal (Campante, Crespo &amp;    Leite, 2004).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A situa&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica de crian&ccedil;as, adolescentes e jovens foi analisada por    Henriques (2001) e por Paix&atilde;o e Carvano (2008). De acordo com Henriques    (2001), com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; faixa et&aacute;ria entre 10 e 14    anos, a an&aacute;lise desagregada em termos raciais feita pelo autor mostrou    que, no ano de 1999, 20% das crian&ccedil;as negras e 13% das crian&ccedil;as    brancas participavam do mercado de trabalho. A evolu&ccedil;&atilde;o do indicador    para cada ra&ccedil;a seguiu a tend&ecirc;ncia nacional, com redu&ccedil;&atilde;o    na taxa de participa&ccedil;&atilde;o de ambas as ra&ccedil;as no per&iacute;odo.    Entretanto, se for considerada a intensidade da evolu&ccedil;&atilde;o relativa    do indicador de participa&ccedil;&atilde;o, a velocidade de melhora foi maior    entre os brancos o que tamb&eacute;m resultou em amplia&ccedil;&atilde;o do    diferencial entre brancos e negros nesta faixa de idade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paix&atilde;o e    Carvano (2008), analisando a participa&ccedil;&atilde;o dos adolescentes de    10 a 14 anos no mercado de trabalho, demonstraram que, de 1995 a 2006, a taxa    de participa&ccedil;&atilde;o de jovens brancos baixou de 17,3% para 9,0%; entre    os jovens pretos e pardos, a queda foi de 23,5% para 12,2%. Contudo, em 2006,    a taxa de participa&ccedil;&atilde;o de jovens negros desta faixa et&aacute;ria    no mercado de trabalho, permaneceu 35% superior &agrave; de jovens brancos,    assim como aconteceu em 1995. Segundo estes autores, o peso relativo da participa&ccedil;&atilde;o    dos jovens negros deste intervalo de idade, em meio ao contingente de trabalhadores,    subiu de 58,1% para 60,6%. No mesmo per&iacute;odo, cerca de 655 mil jovens    brancos de 15 a 17 anos de idade, deixaram o mercado de trabalho. O indicador    foi mais expressivo do que o verificado para negros de mesma idade, cujo saldo    l&iacute;quido de sa&iacute;da do mercado de trabalho foi 477,3 mil pessoas.    Desta forma, o peso relativo dos jovens pretos e pardos desta faixa et&aacute;ria    no contingente total de pessoas com a mesma idade que participavam do mercado    de trabalho, passou de 52,4%, em 1995, para 55,3%, em 2006. Ainda neste per&iacute;odo,    as taxas de participa&ccedil;&atilde;o de jovens entre 15 a 17 anos de idade    no mercado de trabalho passaram por certa redu&ccedil;&atilde;o. Para brancos,    as taxas de participa&ccedil;&atilde;o declinaram de 48,7% para 37,4%. Entre    os negros, as taxas foram de 53,3% para 41,2%. De acordo com os autores, do    ponto de vista relativo, as redu&ccedil;&otilde;es para ambos os grupos raciais    ocorreram em mesma intensidade, de modo que as disparidades relativas verificadas    entre ambos permaneceram inalteradas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em s&iacute;ntese,    no que se refere ao trabalho infantojuvenil, Paix&atilde;o e Carvano (2008)    mostraram que, embora tenha diminu&iacute;do no per&iacute;odo analisado, as    crian&ccedil;as e adolescentes negros ainda trabalhavam mais que os brancos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se crian&ccedil;as    e adolescentes negros trabalham mais que os brancos, o desemprego &eacute; tamb&eacute;m    maior entre os jovens negros. Silva e Kassouf (2002), com base na an&aacute;lise    dos dados da PNAD/IBGE de 1998, constataram que a taxa de desemprego era, significativamente,    mais elevada para os jovens pretos: 40 e 30% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    taxa de desemprego dos brancos, para homens e mulheres, respectivamente. De    acordo com as autoras, isto poderia ser um indicativo de que os jovens negros    s&atilde;o alvo de discrimina&ccedil;&atilde;o racial no mercado de trabalho    no preenchimento das vagas existentes e/ou que estes jovens possu&iacute;am    menor qualifica&ccedil;&atilde;o que os demais, o que diminui o grau de empregabilidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bento e Beghin    (2005), com base em dados oficiais de 2003, salientaram que no mundo do trabalho    o processo de exclus&atilde;o vivido pelos jovens pretos e pardos era gritante:    dificuldade para encontrar uma ocupa&ccedil;&atilde;o, informalidade nas rela&ccedil;&otilde;es    trabalhistas e menores rendimentos. Ao conseguir uma ocupa&ccedil;&atilde;o,    em geral, ela era exercida de forma bem mais prec&aacute;ria que as dos brancos.    Diante desse quadro, as autoras explicitaram o medo que est&aacute; na base    das elabora&ccedil;&otilde;es sociais que predeterminam o lugar subalterno que    deve ser ocupado pelos jovens negros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corroborando com    a tese das autoras, os indicadores sociais analisados mostram que o pertencimento    racial tem centralidade na estrutura&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais    e econ&ocirc;micas no Brasil, que se tornam mais evidentes quando se trata do    mercado formal de trabalho, uma das vitrines da realidade socioecon&ocirc;mica.    Para Henriques (2001), a naturaliza&ccedil;&atilde;o da desigualdade &eacute;    manifesta&ccedil;&atilde;o das resist&ecirc;ncias te&oacute;ricas, ideol&oacute;gicas    e pol&iacute;ticas para identificar o combate &agrave; desigualdade como prioridade    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Desconstruir a naturaliza&ccedil;&atilde;o    e colocar a desigualdade racial como elemento central do debate &eacute; demanda    que deve estar, portanto, no eixo estrat&eacute;gico de redefini&ccedil;&atilde;o    de uma sociedade mais justa e democr&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Racismo e juventude    negra: para pensar o futuro</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de &aacute;ridas,    as informa&ccedil;&otilde;es apresentadas acima demonstram a exist&ecirc;ncia    de desigualdades raciais em detrimentos dos jovens negros no mercado de trabalho,    as quais s&atilde;o reflexo de um hist&oacute;rico de exclus&otilde;es e aus&ecirc;ncia    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para negros. Esses arranjos propiciam e    s&atilde;o possibilitados por um acordo simb&oacute;lico que condiciona pr&aacute;ticas    e predetermina o lugar social do negro. &Eacute; um entendimento t&aacute;cito    que engendra o nosso imagin&aacute;rio e naturaliza o preconceito que est&aacute;    embutido nas barreiras que se colocam para que os negros n&atilde;o alcancem    as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos brancos. Esta quest&atilde;o evidencia-se    quando o negro busca mobilidade social e reivindica seus direitos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    e ao trabalho, principalmente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guimar&atilde;es    (2005) aponta que o trabalho n&atilde;o s&oacute; se apresenta como tema importante    para os jovens como tamb&eacute;m destaca-se em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    outras categorias que se acreditava como sendo tipicamente juvenis. Se, por    um lado, o trabalho &eacute; um anseio dos jovens, por outro lado, a inser&ccedil;&atilde;o    precoce revela as dificuldades financeiras vivenciadas pelas fam&iacute;lias,    que necessitam do rendimento deles para complementar a renda, al&eacute;m de    revelar a face s&oacute;rdida da grande participa&ccedil;&atilde;o dos jovens    no mercado de trabalho: falta de condi&ccedil;&otilde;es para se dedicar e dar    sequ&ecirc;ncia aos estudos, o que diminui as chances de ter maior qualifica&ccedil;&atilde;o    e, consequentemente, de pleitear determinados cargos e posi&ccedil;&otilde;es    sociais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta informa&ccedil;&atilde;o,    embora n&atilde;o seja novidade, &eacute;, particularmente, importante para    considerar as proje&ccedil;&otilde;es e condi&ccedil;&otilde;es reais de inser&ccedil;&atilde;o    dos jovens negros no mercado de trabalho, pois como mostram os indicadores analisados,    as dificuldades encontradas por eles v&atilde;o al&eacute;m das verificadas    para os jovens brancos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estudo de Paix&atilde;o    e Carvano (2008) indicou que os jovens negros est&atilde;o inseridos em ocupa&ccedil;&otilde;es    que n&atilde;o exigem escolaridade e qualifica&ccedil;&atilde;o, o que pode    ser sin&ocirc;nimo de ocupa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria. Tais &iacute;ndices    podem estar relacionados, em parte, &agrave; baixa incid&ecirc;ncia de negros    no ensino superior, de forma que este dado refor&ccedil;a a necessidade de pol&iacute;ticas    que promovam o acesso de negros aos n&iacute;veis mais elevados do ensino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; certo    que o trabalho designa as formas pelas quais os sujeitos constroem e vivenciam    rela&ccedil;&otilde;es sociais para os que est&atilde;o formal e informalmente    nele inseridos. Mas, para os jovens, a precariedade das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho atua de maneira, particularmente, negativa porque inviabiliza a    realiza&ccedil;&atilde;o de um projeto de vida profissional. Trabalhar nestas    condi&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de seguran&ccedil;a    para planejar o futuro. Se as atuais modalidades de organiza&ccedil;&atilde;o    do trabalho abalaram os marcos referenciais de constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria    para os trabalhadores deixando no lugar o sentimento de estar "&agrave; deriva",    como diz Sennett (1999), no Brasil, os trabalhadores negros t&ecirc;m ainda    contra si a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o etnicorracial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O discurso, que    antes apontava a qualifica&ccedil;&atilde;o como requisito para o acesso ao    trabalho em boas condi&ccedil;&otilde;es, hoje enfatiza a necessidade de ter    compet&ecirc;ncias. Se compet&ecirc;ncia &eacute; uma capacidade transit&oacute;ria    e contingencial, adquirida pela experi&ecirc;ncia no mundo do trabalho (Ribeiro,    2009), o que faz dela uma exig&ecirc;ncia para pertencer a este mundo, pode    ser tamb&eacute;m mais um favorecedor de pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias    de acesso dos negros. E &eacute; o que se tem verificado, como demonstraram    os estudos analisados no item anterior, afinal "(..) ao mesmo tempo, os processos    de recrutamento para posi&ccedil;&otilde;es mais valorizadas no mercado de trabalho    e nos espa&ccedil;os sociais operam com caracter&iacute;sticas dos candidatos    que refor&ccedil;am e legitimam a divis&atilde;o hier&aacute;rquica do trabalho,    a imagem da empresa e do pr&oacute;prio posto de trabalho" (Disoc/Ipea, 2008,    p. 6).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A constata&ccedil;&atilde;o    da converg&ecirc;ncia ideol&oacute;gica subjacente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de discursos que reivindicam e apontam a necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o    do acesso ao ensino superior para a entrada das minorias sociais - como os negros    - e o deslocamento do discurso que valorizava a qualifica&ccedil;&atilde;o formal    como requisito para a inser&ccedil;&atilde;o nos postos de trabalho, rumo ao    discurso que valoriza as compet&ecirc;ncias, crit&eacute;rios altamente influenciados    por quest&otilde;es subjetivas, elucida as constru&ccedil;&otilde;es segregacionistas    que est&atilde;o na base da manuten&ccedil;&atilde;o dos lugares sociais de    privilegiados e marginalizados. Conforme aponta Jodelet (2001, 2002), as representa&ccedil;&otilde;es    e discursos s&atilde;o forjados visando, justamente, a prote&ccedil;&atilde;o    dos pr&oacute;prios privil&eacute;gios, situando o eu e o outro em lugares sociais    n&atilde;o s&oacute; distintos como tamb&eacute;m desiguais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Soares    (2000) a diferen&ccedil;a de valor salarial entre duas pessoas &eacute; resultado    de um processo divis&iacute;vel em tr&ecirc;s etapas: qualifica&ccedil;&atilde;o,    inser&ccedil;&atilde;o e rendimento. Na primeira etapa, as pessoas qualificariam-se    para o trabalho, principalmente por meio da escola; na segunda, tentariam inserir-se    em bons empregos; na &uacute;ltima, buscariam ganhar bons sal&aacute;rios, em    fun&ccedil;&atilde;o da qualifica&ccedil;&atilde;o obtida e da forma de inser&ccedil;&atilde;o    no mercado de trabalho. As an&aacute;lises dos indicadores sociais mostraram    que nas primeiras duas etapas pretos e pardos s&atilde;o, duramente, discriminados,    o que demonstra como o estreito v&iacute;nculo entre educa&ccedil;&atilde;o,    trabalho e discrimina&ccedil;&atilde;o os afeta. Contudo, a quest&atilde;o da    influ&ecirc;ncia da escolaridade nas diferen&ccedil;as de rendimentos entre    negros e brancos deve ser tomada com cautela, pois como apontam Bento e Beghin    (2005) e Heringer (2002), mesmo quando se encontram em iguais condi&ccedil;&otilde;es    de escolaridade, negros e brancos possuem rendimentos diferenciados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta realidade    coloca-se diante da juventude negra na forma de in&uacute;meras barreiras que    se traduzem em constantes amea&ccedil;as &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o    de uma identidade etnicorracial que os ajude a super&aacute;-las (Bento &amp;    Carone, 2000). Forma-se um c&iacute;rculo vicioso. Os caminhos da sa&iacute;da    podem ser: a mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para discutir e formular    estrat&eacute;gias de supera&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais que    afetam os negros ou a nega&ccedil;&atilde;o da identidade negra, por meio da    ades&atilde;o &agrave; ideologia do branqueamento e da manuten&ccedil;&atilde;o    da cren&ccedil;a na democracia racial, como forma de alcan&ccedil;ar um lugar    social positivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Principalmente    nos anos da primeira d&eacute;cada deste s&eacute;culo, as desigualdades raciais    foram recolocadas em pauta, quando o movimento negro abriu o debate sobre a    necessidade das pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas para proporcionar    a inser&ccedil;&atilde;o dos negros, principalmente, no ensino superior e no    mercado de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A nosso ver, a    discuss&atilde;o procede, pois se o lugar que o negro ocupa na sociedade brasileira    foi socialmente constru&iacute;do com base na ideologia do branqueamento, no    mito da democracia racial e na implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    e leis que dificultaram a realiza&ccedil;&atilde;o do ideal de igualdade de    direitos entre as ra&ccedil;as, como quisemos demonstrar nos t&oacute;picos    anteriores, atualmente, pensar uma condi&ccedil;&atilde;o social para o negro    equivalente &agrave; dos brancos requer fazer o caminho inverso, ou seja, criar    pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es afirmativas que contribuam para reverter    as desigualdades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, o discurso    anticotas apregoa que instituir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas desta natureza    significa conceder privil&eacute;gios aos negros e cometer injusti&ccedil;as    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;queles que n&atilde;o pertencem a este grupo    etnicorracial. Os defensores deste discurso alegam que os negros devem passar    pelo crivo dos processos seletivos normais para acessar, por exemplo, a universidade    p&uacute;blica e o mercado de trabalho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pol&ecirc;micas    &agrave; parte, &eacute; importante perceber que a viol&ecirc;ncia do racismo    n&atilde;o consiste apenas em barrar a entrada de negros nas institui&ccedil;&otilde;es    de ensino superior ou nas grandes empresas. O epicentro do racismo est&aacute;    localizado nos discursos e representa&ccedil;&otilde;es negativas acerca dos    negros, especialmente de suas capacidades, caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas,    culturais e religiosas, que desmoraliza os s&iacute;mbolos ligados &agrave;    negritude e impossibilita a constru&ccedil;&atilde;o e a viv&ecirc;ncia plena    da identidade etnicorracial negra. Esta &eacute; a principal a&ccedil;&atilde;o    negativa praticada contra os negros desde os tempos coloniais: foram as pr&aacute;ticas    cotidianas de desvaloriza&ccedil;&atilde;o que criaram o estado de mal-estar    social tra&ccedil;ado no item anterior, evidenciadas pelos indicadores sociais    atuais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Afirmar a negritude    n&atilde;o &eacute; apenas permitir que negros tenham mobilidade social, mas    &eacute;, sobretudo, viabilizar a constru&ccedil;&atilde;o de contra-representa&ccedil;&otilde;es    que permitam &agrave; sociedade criar alternativas para os negros. &Eacute;    possibilitar ao negro desfrutar das mesmas oportunidades que est&atilde;o postas    para brancos, afirmando-se como negro. Esta &eacute; uma frente de trabalho    que n&atilde;o deve estar desvinculada das pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es    afirmativas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O crit&eacute;rio    racial tem balizado as possibilidades dos jovens negros acessarem o mercado    de trabalho, apontando para maiores dificuldades. Desse modo, para os jovens    negros h&aacute; um sinalizador de desvantagem: sua pr&oacute;pria classifica&ccedil;&atilde;o    racial. Tais disposi&ccedil;&otilde;es atrelam-se &agrave; gama de var&aacute;veis    que interferem na rela&ccedil;&atilde;o dos jovens com o trabalho e intensifica    tens&otilde;es e sofrimentos. A ra&ccedil;a &eacute; algo que predetermina julgamento    e delimita a atribui&ccedil;&atilde;o de alguns perfis. Contudo, a ra&ccedil;a    &eacute; tamb&eacute;m algo de que o sujeito negro n&atilde;o tem escape, n&atilde;o    pode engendrar estrat&eacute;gias pr&aacute;ticas que revertam imediatamente    as desvantagens por ser negro, destituindo-se deste fator que gera vulnerabilidade.    De modo que o processo de aniquila&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade atribu&iacute;da    &agrave; ra&ccedil;a deve ser marcado por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e    pela promo&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logo entre os diferentes setores da    sociedade, com vistas &agrave; supera&ccedil;&atilde;o dos estere&oacute;tipos    que desqualificam os negros e os impedem de gozar de seus direitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como pontua Corrochano    (2005) o entendimento de jovem que deve prevalecer &eacute; o deste como sujeito    de direitos. Logo, quando se pensa nas quest&otilde;es do trabalho, tamb&eacute;m    &eacute; importante perceber o trabalho como um direito dos jovens e que, portanto,    deve suscitar pol&iacute;ticas que garantam a efetiva inser&ccedil;&atilde;o    e perman&ecirc;ncia de jovens no mercado de trabalho. Al&eacute;m disso, deve-se    estar atento para as vari&aacute;veis que interferem na capacidade do jovem    de acessar o mercado de trabalho e auferir boas coloca&ccedil;&otilde;es e sal&aacute;rios,    elaborando-se pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas para os segmentos mais afetados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, procuramos    analisar a realidade do negro no mercado formal de trabalho a partir do resgate    de como se construiu este mercado no Brasil e dos indicadores sociais que mostram    que os negros, especialmente os jovens, mesmo depois de mais de um s&eacute;culo    da aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura, ainda enfrentam dificuldades para    acess&aacute;-lo. Privilegiamos o mercado formal pela exist&ecirc;ncia de dados    e indicadores e tamb&eacute;m porque ele (ainda) retrata a exist&ecirc;ncia    de um sistema de prote&ccedil;&atilde;o social que inclui direitos trabalhistas    e sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se, a partir    da an&aacute;lise dos indicadores sociais, que o pertencimento racial tem centralidade    na estrutura&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais e econ&ocirc;micas no    Brasil. Essas desigualdades tornam-se evidentes quando s&atilde;o analisados    dados relativos ao mercado de trabalho, uma das vitrines da estrutura&ccedil;&atilde;o    socioecon&ocirc;mica da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste mercado,    os jovens negros n&atilde;o est&atilde;o exclu&iacute;dos ou "fora do jogo",    mas dele t&ecirc;m participado de modo excludente, em condi&ccedil;&otilde;es    prec&aacute;rias e desiguais em rela&ccedil;&atilde;o aos brancos. Sua condi&ccedil;&atilde;o    racial os torna vulner&aacute;veis &agrave;s instabilidades e precariedades    do mercado. O desemprego &eacute; mais frequente entre eles, assim como a informalidade,    menores sal&aacute;rios e fun&ccedil;&otilde;es subalternas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo o trabalho    esfera central em torno da qual s&atilde;o edificadas as identidades de jovens    - para os quais se colocam as expectativas de inser&ccedil;&atilde;o no mercado    de trabalho, em coloca&ccedil;&otilde;es que lhes permitam realizar projetos    e obter melhor condi&ccedil;&atilde;o de vida -, a experi&ecirc;ncia de desemprego    e precariedade suscita sentimentos de inferioridade, ang&uacute;stia, desmoraliza&ccedil;&atilde;o,    incapacidade, entre outros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse quadro afeta,    particularmente, os jovens negros cujo desafio &eacute; o de superar os estere&oacute;tipos    raciais e acessar o mercado de trabalho em condi&ccedil;&otilde;es dignas. No    entanto, sua perten&ccedil;a ao grupo etnicorracial negro &eacute; fator de    vulnerabilidade, o que pode intensificar as resultantes acima descritas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os estere&oacute;tipos    acerca das capacidades dos negros e do lugar social que deve por eles ser ocupado    est&atilde;o na base de um acordo simb&oacute;lico que acarreta desvantagens    sociais. A naturaliza&ccedil;&atilde;o da desigualdade engendra no seio da sociedade    civil resist&ecirc;ncias te&oacute;ricas, ideol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas    para identificar o combate &agrave; desigualdade como prioridade das pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas. Procurar desconstruir essa naturaliza&ccedil;&atilde;o &eacute;    uma demanda que deve estar, portanto, no eixo estrat&eacute;gico de redefini&ccedil;&atilde;o    dos par&acirc;metros de uma sociedade mais justa e democr&aacute;tica. Nesse    sentido, a quest&atilde;o da desigualdade racial necessita ser incorporada como    elemento central do debate, considerando-se, com cautela, a relev&acirc;ncia    das pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias na educa&ccedil;&atilde;o e no mercado    de trabalho como ve&iacute;culos promotores das desigualdades raciais no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, a    Psicologia deve estar atenta ao quadro que &eacute; forjado para os jovens no    mercado de trabalho e &agrave;s formas como a vari&aacute;vel ra&ccedil;a nele    interfere, buscando compreens&otilde;es e elaborando estrat&eacute;gias para    fomentar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e atua&ccedil;&otilde;es adequadas,    em &acirc;mbito, por exemplo, de orienta&ccedil;&atilde;o profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    cabe ainda perguntar: se a participa&ccedil;&atilde;o do jovem negro no mercado    formal de trabalho &eacute; desigual, como se d&aacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o    com o mundo do trabalho de uma forma geral? O trabalho, como mediador da rela&ccedil;&atilde;o    entre sujeitos e estruturas sociais, pode tornar-se um espa&ccedil;o para a    supera&ccedil;&atilde;o do racismo e de seus efeitos psicossociais nefastos    e para o fortalecimento da identidade etnicorracial negra? Seguimos investigando    essas quest&otilde;es porque entendemos que a Psicologia Social do Trabalho    tem ainda muito mais a dizer sobre o tema.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bento, M. A. S.    &amp; Carone, I. (2000). <i>Psicologia social do racismo: branqueamento e branquitude</i>.    Rio de Janeiro: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190167&pid=S1809-5267201100030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bento, M. A. S.    &amp; Beghin, N. (2005). Juventude negra e exclus&atilde;o radical. In Institituto    de Pesquisa de Economia Aplicada, (Org.). <i>Pol&iacute;ticas sociais: acompanhamento    e an&aacute;lise</i> (pp. 194-197), Bras&iacute;lia: IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190169&pid=S1809-5267201100030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Borges, R. C. P.,    &amp; Coutinho, M. C. (2010). Trajet&oacute;rias juvenis: Primeiro emprego e    projetos de vida. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Pro&ucirc;ssional</i>,    <i>11</i>(2), 189-200.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190171&pid=S1809-5267201100030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bourdieu, P. (1983).    <i>Quest&otilde;es de Sociologia</i>. Rio de Janeiro, Editora Marco Zero.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190173&pid=S1809-5267201100030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Campante, F. R.,    Crespo, A. R. V. &amp; Leite, P. G. P. G. (2004). Desigualdade salarial entre    ra&ccedil;as no mercado de trabalho urbano brasileiro: Aspectos regionais. <i>Revista    Brasileira de Economia</i>, Rio de Janeiro, 58(2), 185-210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190175&pid=S1809-5267201100030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Carrano, P. C.    R. (2000). Juventude: as identidades s&atilde;o m&uacute;ltiplas. <i>Juventude,    Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>, <i>1</i>, 52-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190177&pid=S1809-5267201100030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Castel, R. (1998).    <i>As metamorfoses da quest&atilde;o social: uma cr&ocirc;nica do sal&aacute;rio</i>.    Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190179&pid=S1809-5267201100030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corrochano, M.    C. (2005). Trabalho e juventude: entrevista com Maria Carla Corrochano. <i>Cadernos    de Psicologia Social do Trabalho</i>, <i>8</i>, 99-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190181&pid=S1809-5267201100030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Delgado, G. (2005).    Setor de subsist&ecirc;ncia na economia brasileira: g&ecirc;nese, hist&oacute;ria    e formas de reprodu&ccedil;&atilde;o. In L. Jaccoud (Org.), <i>Quest&atilde;o    social e pol&iacute;ticas sociais no Brasil contempor&acirc;neo</i> (pp. 19-50).    Bras&iacute;lia: IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190183&pid=S1809-5267201100030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dias, M. S. L.,    Bulgacov, Y. L. M. &amp; Camargo, D. (2007). A viv&ecirc;ncia do desemprego    por jovens aprendizes. <i>Psicologia Argumento</i>, <i>25</i>(51), 351-360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190185&pid=S1809-5267201100030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dib, S. K. &amp;    Castro, L. R. (2010). O trabalho &eacute; projeto de vida para os jovens? <i>Cadernos    de Psicologia Social do Trabalho</i>, <i>13</i>(1), 1-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190187&pid=S1809-5267201100030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diretoria de Estudos    e Pol&iacute;ticas Sociais/ Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada.    (2008). <i>Desigualdades raciais, racismo e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas:    120 anos ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o</i>. Bras&iacute;lia: DISOC/IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190189&pid=S1809-5267201100030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gon&ccedil;alves,    H. S., Borsoi, T. S., Santiago, M. A., Lino, M. V.; Lima, I. N. &amp; Federico,    R. G. (2008). Problemas da juventude e seus enfrentamentos: um estudo de representa&ccedil;&otilde;es    sociais. <i>Psicologia &amp; Sociedade</i>; <i>20</i>(2), 217-225.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190191&pid=S1809-5267201100030000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guareschi, N.M.F.,    Oliveira, F. P., Giannechini, L. G., Comunello, L. N. &amp; Pacheco, M. L. (2003).    Pobreza, viol&ecirc;ncia e trabalho: a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos de    meninos e meninas de uma favela. <i>Estudos de Psicologia</i>, <i>8</i>(1),    45-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190193&pid=S1809-5267201100030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guimaraes, N. A.    (2005). Trabalho: uma categoria chave no imagin&aacute;rio juvenil. In H. Abramo    &amp; P. P. Branco (Eds.), <i>Retratos da juventude brasileira: an&aacute;lises    de uma pesquisa nacional</i> (pp.149-174). S&atilde;o Paulo: Instituto da Cidadania/Funda&ccedil;&atilde;o    Perseu Abramo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190195&pid=S1809-5267201100030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hasenbalg, C. A.    (1979). <i>Discrimina&ccedil;&atilde;o e desigualdades raciais no Brasil</i>.    Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190197&pid=S1809-5267201100030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Henriques, R. (2001).    <i>Desigualdade Racial no Brasil: evolu&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    de vida na d&eacute;cada de 90</i>. Rio de Janeiro: IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190199&pid=S1809-5267201100030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heringer, R. (2002).    Desigualdades raciais no Brasil: s&iacute;ntese de indicadores e desafios no    campo das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. <i>Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>,    <i>18</i>(Suplemento), 57-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190201&pid=S1809-5267201100030000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jodelet, D. (2001).    Representa&ccedil;&otilde;es sociais: um dom&iacute;nio em expans&atilde;o.    In D. Jodelet, <i>As representa&ccedil;&otilde;es sociais</i> (pp. 17-43). Rio    de Janeiro: EDUERJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190203&pid=S1809-5267201100030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jodelet, D. (2002).    A alteridade como produto e processo psicossocial. In A. Arruda, (Org.), <i>Representando    a alteridade</i> (2ª ed.). Petr&oacute;polis: Editora Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190205&pid=S1809-5267201100030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kowarick, L. (1994).    <i>Trabalho e vadiagem: a origem do trabalho livre no Brasil.</i> Rio de Janeiro:    Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190207&pid=S1809-5267201100030000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lei no. 601, de    18 de setembro de 1850. (1850, 18 de setembro). <i>Lei de terras. Disp&otilde;e    sobre as terras devolutas do Imp&eacute;rio</i>. Recuperado em 10 de Junho de    2010 de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L0601-1850.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L0601-1850.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190209&pid=S1809-5267201100030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lei N&#186; 3.353,    de 13 de maio de 1888. (1850, 13 de maio). <i>Lei &aacute;urea. Declara extinta    a escravid&atilde;o no Brasil.</i> Recuperado em 08 de Junho de 2010 de <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1851-1990/L3353.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1851-1990/L3353.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190211&pid=S1809-5267201100030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maia, A. A. R.    M. &amp; Mancebo, D. (2010). Juventude, Trabalho e Projetos de Vida: Ningu&eacute;m    Pode Ficar Parado. <i>Psicologia, Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o</i>, <i>30</i>(2),    376-389.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190213&pid=S1809-5267201100030000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Raitz, T. R. &amp;    Petters, L. C. F. (2008). Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho,    educa&ccedil;&atilde;o e fam&iacute;lia. <i>Psicologia &amp; Sociedade</i>,    <i>20</i>(3), 408-416.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190215&pid=S1809-5267201100030000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ribeiro, M.A. (2009).    <i>Psicologia e gest&atilde;o de pessoas: reflex&otilde;es cr&iacute;ticas e    temas afins</i>. S&atilde;o Paulo: Vetor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190217&pid=S1809-5267201100030000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sarriera, J. C.,    &amp; Verdin, R. (1996). Os jovens a procura de trabalho: uma an&aacute;lise    qualitativa. <i>Psico</i>, <i>27</i>(1), 59-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190219&pid=S1809-5267201100030000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sennett, R. (1999).    <i>A corros&atilde;o do car&aacute;ter: as consequ&ecirc;ncias pessoais do trabalho    no novo capitalismo</i>. S&atilde;o Paulo: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190221&pid=S1809-5267201100030000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Silva, N. &amp;    Kassouf, A. L. (2002). A exclus&atilde;o social dos jovens no mercado de trabalho    brasileiro. <i>Revista Brasileira de Estudos de Popula&ccedil;&atilde;o</i>,    <i>19</i>(2), 99-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190223&pid=S1809-5267201100030000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Soares, S. S. D.    (2000). <i>O perfil da discrimina&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho: homens    negros, mulheres brancas e mulheres negras</i>. Bras&iacute;lia: IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190225&pid=S1809-5267201100030000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Souza, A. P. F.    (2006). Os Desafios de Inser&ccedil;&atilde;o Juvenil no Mercado de Trabalho    pelas Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas: uma An&aacute;lise do Programa Agente    Jovem em Belo Horizonte. <i>Pesquisas e Pr&aacute;ticas Psicossociais</i>, <i>1</i>(2),    1-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190227&pid=S1809-5267201100030000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Szapiro, A. M.    &amp; Resende, C. M. A. (2010) Juventude: etapa da vida ou estilo de vida? <i>Psicologia    &amp; Sociedade, 22</i>(1), 43-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190229&pid=S1809-5267201100030000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Theodoro, M. (2008).    A forma&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho e a quest&atilde;o racial no    Brasil. In M. Theodoro (Org.), <i>As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a desigualdade    racial no Brasil: 120 anos ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 15-43).    Bras&iacute;lia: IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190231&pid=S1809-5267201100030000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wickert, L. F.    (1999). O adoecer ps&iacute;quico do desempregado. <i>Psicologia, Ci&ecirc;ncia    e Profiss&atilde;o</i>, <i>19</i>(1), 66-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190233&pid=S1809-5267201100030000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wickert, L. F.    (2006) Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego. <i>Psicologia,    Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o</i>, <i>26</i>(2), 258-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=190235&pid=S1809-5267201100030000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Submetido: 13/12/2010    <br>   Revisto: 07/06/2011    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aceito: 18/08/2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    Resolu&ccedil;&otilde;es e pactos que tangem o n&atilde;o-dito, pautados numa    cultura de silenciamento de preconceitos, mas que s&atilde;o internalizados    e reproduzidos pelos sujeitos e grupos por meio de c&oacute;digos naturalizados,    processo este que se d&aacute; no n&iacute;vel dos significados e representa&ccedil;&otilde;es    constru&iacute;dos acerca de ra&ccedil;a e suas implica&ccedil;&otilde;es.    <br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Tramita (lentamente) a Proposta de    Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o PEC 438/2001, que prev&ecirc; a desapropria&ccedil;&atilde;o    de terras cujos propriet&aacute;rios utilizam-se desta forma de trabalho.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> O conceito de ra&ccedil;a &eacute;    utilizado como quesito que sugere rela&ccedil;&otilde;es de poder e de domina&ccedil;&atilde;o,    determinando os lugares sociais a serem ocupados pelos sujeitos e grupos raciais    distintos.</font></p>      ]]></body>
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