<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1809-6867</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista da Abordagem Gestáltica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. abordagem gestalt.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1809-6867</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-Terapia de Goiânia (ITGT-GO)]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1809-68672022000100003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.18065/2022v28n1.2</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os sentidos da justiça: aspectos existenciais constitutivos de uma magistratura dissidente]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The meanings of justice: existential aspects constituting a dissident bench]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Los significados de la justicia: aspectos existenciales que constituyen una magistratura dissidente]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guerra]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guareschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedrinho Arcides]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Grupo de Pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2022</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2022</year>
</pub-date>
<volume>28</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>14</fpage>
<lpage>27</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1809-68672022000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1809-68672022000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1809-68672022000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O artigo problematiza o fenômeno jurídico a partir da interface das contribuições advindas da psicologia social e da psicologia fenomenológico-existencial, apresentando parte dos resultados de uma pesquisa realizada junto a quinze magistrados/as (juízes/as e desembargadores/as) "dissidentes", em que se buscou compreender as condições existenciais e psicossociais que, por um lado, possibilitam a presença de tais agentes minoritários na magistratura e, por outro lado, ajudam a compreender por que tais posições permanecem sendo minoritárias. Através da análise argumentativa e do referencial da hermenêutica de profundidade foram encontrados vários eixos de sentidos, dentre os quais aqui são expostos os achados referentes ao papel que a própria dimensão do sentido, bem como a vivência de trajetórias de vida adversas desempenham na materialização e configuração das práticas jurídicas - uma prática essencialmente hermenêutica. Compreender as condições de possibilidade existenciais da hermenêutica jurídica contemporânea torna-se um tema fundamental, especialmente para a sociedade brasileira, já que suas especificidades sociohistóricas demarcam a coexistência de ontologias, epistemologias e cosmovisões radicalmente distintas que participam de conflitos ético-políticos em torno dos sentidos da justiça no interior do Poder Judiciário e da magistratura.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article discusses the contributions of the socio-psychological and the phenomenological-existencial approaches to the legal phenomenon, presenting part of the results of a survey carried out with fifteen "dissident" Judges, in which it is sought understand the existential and psychosocial conditions that, on the one hand, enable the presence of such minority agents in the Judiciary and, on the other hand, help understanding why such positions remain minority. Through argumentative analysis and depth hermeneutics framework several axes of meanng were found, among which are exposed here the findings regarding the role that the dimension of meaning itself, as well as the experience of adverse life trajectories play in the materialization and configuration of legal practices - an essentially hermeneutic practice. Understanding the conditions of existential possibility of contemporary legal hermeneutics becomes a fundamental theme, especially for Brazilian society, since its socio-historical specificities demarcate the coexistence of radically distinct ontologies, epistemologies and worldviews that participate in ethical-political conflicts related to the meanings of justice within the Judiciary and the Bench.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Magistratura]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Poder Judiciário]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sentidos de Justiça]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Afeto]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ética]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Dissidência]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Magistratura]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Poder Judicial]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Sentidos de la Justicia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Afecto]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Disidencia]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>RELATOS DE PESQUISA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a><b>Os sentidos da justi&ccedil;a: aspectos existenciais constitutivos de uma magistratura dissidente<a href="#1a"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>The meanings of justice: existential aspects constituting a dissident bench</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Los significados de la justicia: aspectos existenciales que constituyen una magistratura dissidente</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>Andr&eacute; Guerra<sup>I</sup>; Pedrinho Arcides Guareschi<sup>II</sup></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Psic&oacute;logo, mestre e doutor em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS. Email: <a href="mailto:guerra.andreguerra@gmail.com">guerra.andreguerra@gmail.com</a>    <br>   <sup>II</sup>P&oacute;s-doutor em Ci&ecirc;ncias Sociais na Universidade de Cambridge (2002), P&oacute;s-doutor em Ci&ecirc;ncias Sociais na Universidade de Wisconsin (1991). Coordenador do Grupo de Pesquisa Ideologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Representa&ccedil;&otilde;es Sociais. Email: <a href="mailto:pgguareschi@gmail.com">pgguareschi@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">O artigo problematiza o fen&ocirc;meno jur&iacute;dico a partir da interface das contribui&ccedil;&otilde;es advindas da psicologia social e da psicologia fenomenol&oacute;gico-existencial, apresentando parte dos resultados de uma pesquisa realizada  junto a quinze magistrados/as (ju&iacute;zes/as e desembargadores/as) "dissidentes", em que se buscou compreender as condi&ccedil;&otilde;es existenciais e psicossociais que, por um lado, possibilitam a presen&ccedil;a de tais agentes minorit&aacute;rios na magistratura e, por outro lado, ajudam a compreender por que tais posi&ccedil;&otilde;es permanecem sendo minorit&aacute;rias. Atrav&eacute;s da an&aacute;lise argumentativa e do referencial da hermen&ecirc;utica de profundidade foram encontrados v&aacute;rios eixos de sentidos, dentre os quais aqui s&atilde;o expostos os achados referentes ao papel que a pr&oacute;pria dimens&atilde;o do sentido, bem como a viv&ecirc;ncia de trajet&oacute;rias de vida adversas desempenham na materializa&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas - uma pr&aacute;tica essencialmente hermen&ecirc;utica.  Compreender as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade existenciais da hermen&ecirc;utica jur&iacute;dica contempor&acirc;nea torna-se um tema fundamental, especialmente para a sociedade brasileira, j&aacute; que suas especificidades sociohist&oacute;ricas demarcam a coexist&ecirc;ncia de ontologias, epistemologias e cosmovis&otilde;es radicalmente distintas que participam de conflitos &eacute;tico-pol&iacute;ticos em torno dos sentidos da justi&ccedil;a no interior do Poder Judici&aacute;rio e da magistratura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Magistratura; Poder Judici&aacute;rio; Sentidos de Justi&ccedil;a; Afeto; &Eacute;tica; Dissid&ecirc;ncia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">The article discusses the contributions of the socio-psychological and the phenomenological-existencial approaches to the legal phenomenon, presenting part of the results of a survey carried out with fifteen "dissident" Judges, in which it is sought understand the existential and psychosocial conditions that, on the one hand, enable the presence of such minority agents in the Judiciary and, on the other hand, help understanding why such positions remain minority. Through argumentative analysis and depth hermeneutics framework several axes of meanng were found, among which are exposed here the findings regarding the role that the dimension of meaning itself, as well as the experience of adverse life trajectories play in the materialization and configuration of legal practices - an essentially hermeneutic practice. Understanding the conditions of existential possibility of contemporary legal hermeneutics becomes a fundamental theme, especially for Brazilian society, since its socio-historical specificities demarcate the coexistence of radically distinct ontologies, epistemologies and worldviews that participate in ethical-political conflicts related to the meanings of justice within the Judiciary and the Bench.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Magistrature; Judiciary; Meanings of Justice; Affection; Ethics; Dissent.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMEN</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Lo art&iacute;culo analiza el fen&oacute;meno legal desde la interfaz de las contribuciones de la psicolog&iacute;a social y la psicolog&iacute;a fenomenol&oacute;gica-existencial, presentando parte de los resultados de una encuesta realizada con quince jueces "disidentes" (jueces y jueces de apelaci&oacute;n), en el que buscamos comprender las condiciones existenciales y psicosociales que, por un lado, permiten la presencia de tales agentes minoritarios en el Poder Judicial y, por otro lado, entender por qu&eacute; tales posiciones siguen siendo minoritarias. A trav&eacute;s del an&aacute;lisis argumentativo y la hermen&eacute;utica profunda se encontraron varios ejes de discusi&oacute;n, entre los cuales se exponen aqu&iacute; los hallazgos sobre el papel que desempe&ntilde;a la dimensi&oacute;n del significado, as&iacute; como la experiencia de trayectorias de vida adversas en la materializaci&oacute;n y configuraci&oacute;n de pr&aacute;cticas legales, una pr&aacute;ctica esencialmente hermen&eacute;utica. Comprender las condiciones de posibilidad existencial de la hermen&eacute;utica legal contempor&aacute;nea se convierte en un tema fundamental, especialmente para la sociedad brasile&ntilde;a, ya que sus especificidades sociohist&oacute;ricas marcan la coexistencia de ontolog&iacute;as, epistemolog&iacute;as y cosmovisiones radicalmente distintas que participan en conflictos &eacute;tico-pol&iacute;ticos en torno de los sentidos de la justicia dentro del Poder Judicial y la magistratura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palabras clave:</b> Magistratura; Poder Judicial; Sentidos de la Justicia; Afecto; Disidencia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Dentre as in&uacute;meras maneiras de se abordar o fen&ocirc;meno jur&iacute;dico, aquela mais imediata &eacute; a que o toma como um fen&ocirc;meno estritamente t&eacute;cnico, produzido e praticado por agentes dotados de compet&ecirc;ncias igualmente t&eacute;cnicas conferidas por uma racionalidade jur&iacute;dica aut&ocirc;noma em rela&ccedil;&atilde;o a outras racionalidades como a econ&ocirc;mica ou a pol&iacute;tica. Essas condi&ccedil;&otilde;es supostamente garantiriam a efetiva&ccedil;&atilde;o do <i>Rule of Law</i> (Estado de Direito ou o imp&eacute;rio das leis). Tal pretens&atilde;o n&atilde;o &eacute; completamente invi&aacute;vel, tanto que pode ser demonstrada sua efetividade em in&uacute;meras situa&ccedil;&otilde;es corriqueiras do cotidiano jurisdicional; no entanto, ao menos em algumas delas - naqueles <i>hard cases</i> (casos dif&iacute;ceis) -, um aspecto eventualmente negligenciado pela ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica termina se desvelando: o fato de as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas n&atilde;o poderem ser dissociadas dos atravessamentos existenciais que as constituem. Ao abordarmos esses atravessamentos - que tamb&eacute;m poder&iacute;amos denominar, com muitas aspas, de "subjetivos" -, somos capazes de perspectivar o fen&ocirc;meno jur&iacute;dico com a devida complexidade que ele requer, colocando perguntas para o Poder Judici&aacute;rio e para o pr&oacute;prio Direito capazes de exigirem respostas renovadas por parte da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica e da pol&iacute;tica jurisdicional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada entre os anos de 2016 e 2020 que contou com quinze entrevistas de magistrados/as (ju&iacute;zes/as e desembargadores/as) dissidentes. A pesquisa almejou compreender, a partir do vi&eacute;s desses participantes, as condi&ccedil;&otilde;es existenciais e psicossociais que, por um lado, possibilitam a presen&ccedil;a de tais agentes minorit&aacute;rios na magistratura e, por outro lado, compreender por que tais posi&ccedil;&otilde;es permanecem sendo minorit&aacute;rias. Utilizamos o termo "dissidente" para designar pessoas que, ao longo de suas carreiras, vivenciaram direta ou indiretamente epis&oacute;dios em que sua atua&ccedil;&atilde;o profissional se desviou dos consensos em torno dos quais a magistratura tende, majoritariamente, a se conduzir, resultando desses "desvios" persegui&ccedil;&otilde;es ou hostiliza&ccedil;&otilde;es perpetradas desde dentro ou de fora da magistratura e do Poder Judici&aacute;rio. A partir da realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas e da an&aacute;lise argumentativa identificamos cinco temas fundamentais para a compreens&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas: experi&ecirc;ncias pessoais; fatores organizacionais da produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional; estrutura&ccedil;&atilde;o psicossocial hegem&ocirc;nica do Judici&aacute;rio; visibilidade midi&aacute;tica do Judici&aacute;rio; e (im)possibilidades de um outro Judici&aacute;rio. Neste artigo, apresentaremos os resultados em torno do primeiro tema, em que apontamos para o fato de que uma adequada compreens&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas requer a considera&ccedil;&atilde;o de seus atravessamentos existenciais. Verificou-se que os/as magistrados/as entrevistados buscam na dimens&atilde;o do sentido e em suas trajet&oacute;rias existenciais o fundamento a partir do qual a racionalidade jur&iacute;dica &eacute; operacionalizada. A partir dos argumentos utilizados, explicitou-se que as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, especialmente da magistratura dissidente, n&atilde;o podem ser compreendidas a partir da dimens&atilde;o estritamente t&eacute;cnica, racional e objetivista, tal como se d&aacute; a entender a partir de discursos formais em torno do funcionamento do Poder Judici&aacute;rio. Os aspectos existenciais - como o sentido e as respectivas trajet&oacute;rias pessoais - desempenham um papel cuja relev&acirc;ncia muitas vezes pode ser decisiva. Entretanto, a centralidade desses aspectos tendem a ser ignorados pela ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica, o que demonstra a relev&acirc;ncia das contribui&ccedil;&otilde;es fenomenol&oacute;gico-existenciais para esse campo de estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Para a realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa foram efetuadas quinze entrevistas, sendo dez com ju&iacute;zes/as e cinco com desembargadores/as, representando cinco institui&ccedil;&otilde;es do Poder Judici&aacute;rio brasileiro em que se almejou compreender por que, ao inv&eacute;s do conformismo, tais magistrados/as se colocavam criticamente diante do Judici&aacute;rio e da pr&oacute;pria magistratura. Inicialmente obtivemos a aceita&ccedil;&atilde;o em participar da pesquisa de tr&ecirc;s magistrados, cuja sele&ccedil;&atilde;o se deu em virtude de terem vivenciado direta ou indiretamente epis&oacute;dios jur&iacute;dico-pol&iacute;ticos que geraram grandes repercuss&otilde;es midi&aacute;ticas. A partir desses primeiros participantes, atrav&eacute;s da t&eacute;cnica "bola de neve" (Biernacki &amp; Waldorf, 1981), fomos remetidos a outros potenciais participantes. A decis&atilde;o pela quantidade de entrevistas (15) se deu em raz&atilde;o do ponto de satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica (Bauer &amp; Aarts, 2008). Para chegarmos at&eacute; os primeiros participantes, de 2016 a 2019 analisamos diversos materiais midi&aacute;ticos (not&iacute;cias, entrevistas, reportagens etc.) que demarcavam conflitos em torno de sentidos distintos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas jurisdicionais e que receberam notoriedade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o - com especial destaque &agrave;queles considerados de "esquerda" ou alternativos. Embora a discuss&atilde;o em torno dos crit&eacute;rios que distinguem esses ve&iacute;culos ultrapasse o escopo deste texto, eles foram privilegiados porque davam espa&ccedil;o a integrantes da magistratura que faziam contrapontos &agrave;s pr&aacute;ticas de magistrados em torno dos quais naquele per&iacute;odo se estabeleceram expl&iacute;cita ou implicitamente consensos sociais. Tamb&eacute;m n&atilde;o abordaremos neste artigo os crit&eacute;rios e aspectos que nos levaram &agrave; sele&ccedil;&atilde;o dos epis&oacute;dios midi&aacute;ticos, mas escolhemos alguns daqueles que melhor sintetizaram os diversos conflitos em torno de vis&otilde;es distintas em rela&ccedil;&atilde;o ao Poder Judici&aacute;rio. Os epis&oacute;dios foram reduzidos a oito para serem levados &agrave;s entrevistas e servirem de est&iacute;mulo &agrave;s falas. As entrevistas duraram entre 1:30h e 2h, totalizando aproximadamente 24h de grava&ccedil;&atilde;o, as quais foram devidamente transcritas pelo pr&oacute;prio pesquisador. A t&eacute;cnica de entrevista utilizada foi a semi-dirigida epis&oacute;dica (Flick, 2008). As cinco institui&ccedil;&otilde;es representadas nas entrevistas foram: Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Amazonas; Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Rio de Janeiro; Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Rio Grande do Sul; Tribunal Regional Federal da 4ª Regi&atilde;o; Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Regi&atilde;o. Treze magistrados/as eram do Rio Grande do Sul. Ao todo foram entrevistadas duas mulheres, dois magistrados/as aposentados e um magistrado/a negro/a. O ano de ingresso na magistratura variou desde 1976 at&eacute; p&oacute;s-2001 (optamos por n&atilde;o precisar o ano de ingresso mais recente para resguardar o anonimato do/a participante). A d&eacute;cada de noventa concentrou o ingresso da maior parte dos participantes: nove (9).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Para categorizarmos nossos dados, ap&oacute;s a transcri&ccedil;&atilde;o efetuamos uma "convers&atilde;o argumentativa" das entrevistas. Esse processo se baseou na t&eacute;cnica de an&aacute;lise argumentativa adaptada para a pesquisa em psicologia social por Liakopoulos (2008). Ap&oacute;s leituras sucessivas de todas as entrevistas, extra&iacute;mos de cada uma delas todos os argumentos pertinentes ao nosso problema de pesquisa. Esses argumentos foram organizados a partir dos seguintes elementos adaptados do modelo de an&aacute;lise argumentativa: 1. Dado (premissas, pressupostos, de onde se parte); 2. Proposi&ccedil;&atilde;o (afirma&ccedil;&atilde;o, coloca&ccedil;&atilde;o, ponto chave, onde se chega); 3. Garantia (o que refor&ccedil;a a proposi&ccedil;&atilde;o); e 4. Apoio (aquilo que assegura tanto a liga&ccedil;&atilde;o da proposi&ccedil;&atilde;o com a garantia, como serve de refor&ccedil;o &agrave; pr&oacute;pria garantia). Cada um desses argumentos foi reunido naquilo que denominamos "<i>clusters</i> argumentativos", isto &eacute;, um conjunto de argumentos parciais apresentados para sustentar os argumentos gerais e centrais utilizados em cada uma das entrevistas. A partir da reuni&atilde;o e categoriza&ccedil;&atilde;o de todos os <i>clusters</i> (154), chegamos aos cinco temas principais j&aacute; referidos anteriormente (experi&ecirc;ncias pessoais; fatores organizacionais da produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional; estrutura&ccedil;&atilde;o psicossocial hegem&ocirc;nica do Judici&aacute;rio; visibilidade midi&aacute;tica do Judici&aacute;rio; e (im)possibilidades de um outro Judici&aacute;rio). Neste artigo abordaremos apenas o primeiro tema. Para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados coletados nos servimos do referencial da hermen&ecirc;utica de profundidade (HP) desenvolvido por Thompson (2011). Esse referencial metodol&oacute;gico oferece um roteiro de investiga&ccedil;&atilde;o abrangente e &uacute;til para pesquisas qualitativas hermen&ecirc;uticas, isto &eacute;, cujo interesse &eacute; compreender tanto a "<i>doxa</i>", como os sentidos de determinado campo e sujeitos, ou seja, os referenciais e fundamentos que orientam a vida pr&aacute;tica cotidiana de determinados agentes ou institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa foi realizada com base no que prev&ecirc; a Resolu&ccedil;&atilde;o 510/2016 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de (CNS), sendo aprovada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEP-PSICO). A participa&ccedil;&atilde;o na pesquisa foi volunt&aacute;ria e todos os participantes receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), bem como foram informados da possibilidade de retirarem seu consentimento em qualquer momento da pesquisa e de que o &uacute;nico risco acarretado por sua participa&ccedil;&atilde;o era o de uma eventual identifica&ccedil;&atilde;o por terceiros no momento da publica&ccedil;&atilde;o dos resultados. Ap&oacute;s a conclus&atilde;o do trabalho, todos os participantes receberam a vers&atilde;o preliminar da produ&ccedil;&atilde;o, sendo incentivados a apontarem quaisquer desconfortos ou discrep&acirc;ncias identificadas, o que configura aquilo que Gaskell e Bauer (2008) denominam de "valida&ccedil;&atilde;o comunicativa" em pesquisas qualitativas. Apenas um dos participantes solicitou que fossem efetuadas altera&ccedil;&otilde;es em suas falas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>1. As contribui&ccedil;&otilde;es fenomenol&oacute;gico-existenciais para uma invers&atilde;o epistemol&oacute;gica</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Em raz&atilde;o dos aspectos existenciais em geral n&atilde;o serem considerados pertinentes &agrave; ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica, especialmente em sua vers&atilde;o positivista - juspositivista nesta discuss&atilde;o - que &eacute; a corrente prevalente no campo jur&iacute;dico (Mascaro, 2018), a abordagem do fen&ocirc;meno jur&iacute;dico tende a ficar restrita &agrave;s especificidades t&eacute;cnicas de sua pr&oacute;pria racionalidade. Em certo sentido, tal abordagem expressa a natureza cartesiana das ci&ecirc;ncias humanas e sociais que emergiram na modernidade a partir do s&eacute;culo XIX - dentre estas, o Direito moderno. Entretanto, o resgate de fil&oacute;sofos como Nietzsche e Espinosa, por exemplo, marca a hist&oacute;ria da filosofia contempor&acirc;nea justamente por inverterem os pressupostos dessa epistemologia, ao colocarem a raz&atilde;o como objeto dos afetos e das paix&otilde;es - e n&atilde;o o inverso. Essa invers&atilde;o fez com que a racionalidade deixasse de ser visada a partir de uma pretensa universalidade, recolocando o contexto material e particular de sua emerg&ecirc;ncia como uma condi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria de sua exist&ecirc;ncia. Em outras palavras, a raz&atilde;o deixou de ser concebida de um modo desespacializado e destemporalizado, como se pairasse em alguma dimens&atilde;o al&eacute;m ou aqu&eacute;m deste mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">A partir da&iacute; se come&ccedil;a a empreender uma compreens&atilde;o "mundana" da racionalidade e do conhecimento, estes agora tomados como produtos de batalhas e guerras correntes na dimens&atilde;o pr&eacute;-reflexiva que lhe servem de fundo e fundamento. &Eacute; o que Foucault (1973/2013), valendo-se das contribui&ccedil;&otilde;es de Nietzsche, pretende dizer com a afirma&ccedil;&atilde;o de que o "conhecimento" - o que aqui denominamos racionalidade - foi "inventado". E &eacute; nesse exato sentido que usamos aqui o termo "existencial", ou seja, os aspectos materiais e simb&oacute;licos que servem de condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade para a emerg&ecirc;ncia do modo de ser daquilo que somos enquanto sujeitos encarnados social e historicamente. Neste artigo n&atilde;o vamos adentrar no problema da subjetividade, tampouco nas diverg&ecirc;ncias que existem entre as vertentes fenomenol&oacute;gicas e humanista-existenciais acerca desse termo, oportunidade em que remetemos a outros autores (Feijoo &amp; Mattar, 2016; Feijoo, 2011; Moreira, 2007). Nossa inten&ccedil;&atilde;o com o termo subjetividade &eacute; t&atilde;o somente enfatizar a dimens&atilde;o vivencial e experiencial desse ente que n&oacute;s somos, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; pretensa objetividade imaculada que constituiria a racionalidade que emergiu na modernidade. Assim, tomamos o sujeito como a condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade de nossa experi&ecirc;ncia do mundo, na concep&ccedil;&atilde;o de Merleau-Ponty (1945/2015). Os leitores mais especializados certamente perceber&atilde;o que ao longo desta discuss&atilde;o ser&atilde;o utilizados autores oriundos de tradi&ccedil;&otilde;es distintas no que se refere ao tema da subjetividade, mas nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; problematizar o fen&ocirc;meno jur&iacute;dico a partir da interface das contribui&ccedil;&otilde;es advindas da psicologia social e da psicologia fenomenol&oacute;gico-existencial, exatamente no ponto onde estas confluem e se interpenetram: na cr&iacute;tica &agrave; no&ccedil;&atilde;o moderna de racionalidade e no reconhecimento das condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade de produ&ccedil;&atilde;o do sentido como um aspecto central dos desdobramentos de fen&ocirc;menos humanos e sociais. Ainda sobre esse ponto, entendemos a no&ccedil;&atilde;o de sentido como o produto vivencial e experiencial do encontro e enfrentamento das condi&ccedil;&otilde;es materiais e simb&oacute;licas que constituem o ente que n&oacute;s somos, o nosso "quem" (Arendt, 1958/2011). O reconhecimento desse car&aacute;ter ontologicamente relacional da exist&ecirc;ncia aponta para a nossa condi&ccedil;&atilde;o de ser-no-mundo, o ser-a&iacute; heideggeriano, em que o <i>Dasein</i>, "na medida em que &eacute;, j&aacute; se remeteu cada vez a um 'mundo' que vem-de-encontro" (Heidegger, 1929/2012, p. 259).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Retornando ao ponto inicialmente discutido, uma outra especificidade das reflex&otilde;es que partem dessa invers&atilde;o dos pressupostos da tradi&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica moderna &eacute; o contraste que estas estabelecem com a ambi&ccedil;&atilde;o da modernidade por certeza e exatid&atilde;o. O <i>cogito </i>de Descartes e sua dicotomia entre <i>res extensa </i>e<i> res cogitans</i> promoveu a renova&ccedil;&atilde;o dos fundamentos epistemol&oacute;gicos plat&ocirc;nicos que opunham corpo e raz&atilde;o (Foucault, 2011). Essa perspectiva cartesiana foi conveniente a um contexto pol&iacute;tico onde uma classe ascendente de mercadores buscava se desvencilhar dos fundamentos que lhe mantinha submetida ao arb&iacute;trio de uma aristocracia decadente. &Eacute; por isso que essa ruptura epistemol&oacute;gica favoreceu a associa&ccedil;&atilde;o do corpo &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es impostas pela tradi&ccedil;&atilde;o, ao passo que a racionalidade de uma diminuta elite iluminada e esclarecida foi associada ao farol da liberdade que iluminaria um novo regime. &Eacute; assim que, para assegurar a superioridade da racionalidade sobre a supersti&ccedil;&atilde;o, as propriedades "subjetivas" do corpo (paladar, olfato, tato, audi&ccedil;&atilde;o etc.) foram acusadas de serem meramente aproximativas, confusas e amb&iacute;guas; ao passo que as propriedades "objetivas" da racionalidade f&iacute;sico-matem&aacute;tica (n&uacute;mero, movimento, figura, posi&ccedil;&atilde;o etc.) foram louvadas como certeiras, indubit&aacute;veis, precisas e exatas (Japiassu, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Essa cis&atilde;o foi a pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o para que um novo tipo de sujeito pudesse, finalmente, realizar a ambi&ccedil;&atilde;o cartesiana de se tornar mestre e possuidor da natureza. O marco decisivo dessa revolu&ccedil;&atilde;o copernicana &eacute; situado por Hannah Arendt (1958/2011) no momento em que a a luneta fora inventada e usada nos experimentos de Galileu, j&aacute; que, a partir dali, passou a ser estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;dita com a verdade - esta entendida n&atilde;o mais como desvelamento, <i>aletheia</i>, mas como certeza e exatid&atilde;o. Esse cataclismo, al&eacute;m de polarizar objetividade e subjetividade, terminou tamb&eacute;m excluindo um dos polos da equa&ccedil;&atilde;o, reduzindo o ser humano apenas aos aspectos cognitivo-comportamentais que ele compartilha - ainda que em quantidades distintas - com todos os demais animais sencientes. Entretanto, como mesmo Kant percebeu, o ente que n&oacute;s somos disp&otilde;e de faculdades gnosiol&oacute;gicas distintas e irredut&iacute;veis uma &agrave; outra, em que a primeira, <i>Vernunft </i>(raz&atilde;o/pensamento), almeja compreender o sentido, enquanto a segunda, <i>Verstand</i> (intelecto/conhecimento), almeja apreender cognitivamente os est&iacute;mulos que s&atilde;o dados aos cinco sentidos (Arendt, 2018). Sendo assim, o moderno m&eacute;todo cient&iacute;fico n&atilde;o inaugurou apenas um modo de conhecer in&eacute;dito, mas tamb&eacute;m a delimita&ccedil;&atilde;o do que poderia - e deveria - ser "conhec&iacute;vel" cientificamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">As ci&ecirc;ncias modernas, derivadas dessa sociedade emergente regida pelos princ&iacute;pios da t&eacute;cnica, contribu&iacute;ram para a constru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es da sociedade e do ser humano cada vez mais distantes das coisas mesmas, &eacute; da&iacute; que emerge a figura do sujeito de direito, da subjetividade jur&iacute;dica (Mascaro, 2013). Ora sobre um polo da dicotomia indiv&iacute;duo-sociedade, ora sobre outro, as ci&ecirc;ncias humanas e sociais fizeram dessas duas abstra&ccedil;&otilde;es (indiv&iacute;duo e sociedade) objetos reduzidos a seus aspectos &ocirc;nticos, perdendo de vista as caracter&iacute;sticas singulares e irrepet&iacute;veis - ontol&oacute;gicas - que os constituem em seu percurso hist&oacute;rico. Foi Edmund Husserl um daqueles que n&atilde;o apenas reconheceu essa limita&ccedil;&atilde;o da epistemologia moderna, como tamb&eacute;m, por conta desse reconhecimento, terminou assumindo a psicologia como a "ci&ecirc;ncia primeira", j&aacute; que qualquer conhecimento necessariamente &eacute; o conhecimento de uma <i>psique</i>, de um sujeito - ou de qualquer outro nome que se queira dar a essa entidade sem a qual nenhum conhecimento &eacute; poss&iacute;vel de ser materializado (Goto, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; diante de tais impasses relegados pela modernidade que a tradi&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gico-existencial auxiliou a delimitar alguns dos pressupostos da epistemologia moderna - sobre os quais tamb&eacute;m est&aacute; assentado o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica. Especificamente em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&ocirc;meno jur&iacute;dico, abordar sua complexidade exige compreender a raiz de algumas de suas importantes limita&ccedil;&otilde;es, sobretudo no que tange a sua desconsidera&ccedil;&atilde;o dos aspectos existenciais constitutivos de suas pr&aacute;ticas. Uma pr&aacute;tica deve ser compreendida como a materializa&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o em termos de seus efeitos concretamente produzidos no mundo, tal como aborda Guareschi (2003).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Ao desconsiderar as rela&ccedil;&otilde;es mundo-racionalidade, corpo-raz&atilde;o, a ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica perde de vista as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade da produ&ccedil;&atilde;o do sentido e, portanto, termina ignorando o papel desempenhado pelos atravessamentos existenciais na constitui&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas e das produ&ccedil;&otilde;es jurisdicionais - a&ccedil;&otilde;es de natureza essencialmente hermen&ecirc;utica. Apesar dessa desconsidera&ccedil;&atilde;o por parte da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica, como veremos na apresenta&ccedil;&atilde;o de nossos resultados, os/as magistrados/as buscam justamente na dimens&atilde;o do sentido e nas condi&ccedil;&otilde;es de sua produ&ccedil;&atilde;o o fundamento a partir do qual a racionalidade jur&iacute;dica &eacute; operacionalizada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>2. O corpo da raz&atilde;o</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">A invers&atilde;o dos pressupostos da epistemologia moderna produziu um duplo impacto no desenvolvimento das ci&ecirc;ncias humanas e sociais: ela foi vital tanto para a emerg&ecirc;ncia de novas chaves interpretativas da exist&ecirc;ncia, a exemplo da tradi&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica, como tamb&eacute;m impactou campos como a psicologia social (Farr, 2004). Esses impactos repercutiram, por exemplo, no desenvolvimento da vertente francesa da psicologia social, terreno onde os saberes singulares e particulares derivados de contextos espec&iacute;ficos - aquilo que Plat&atilde;o abominava sob a alcunha <i>doxa</i> - terminou ganhando a centralidade das discuss&otilde;es e investiga&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Uma poderosa antinomia &agrave; descontextualiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento humano foi a tradi&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica, a cujo legado a teoria das representa&ccedil;&otilde;es sociais deve muito. (...) Os fenomen&oacute;logos mostraram que antes mesmo de podermos pensar em conhecer n&oacute;s pertencemos: n&oacute;s partimos da perten&ccedil;a, n&atilde;o do conhecimento. (...) Com Merleau-Ponty esta perten&ccedil;a a um contexto foi levada a novos n&iacute;veis de radicalidade, pois ele mais do que qualquer outro apontou para a corporifica&ccedil;&atilde;o do saber: o sujeito do conhecimento n&atilde;o apenas pertence a um contexto multidimensional, mas &eacute; tamb&eacute;m o sujeito de um corpo cuja realidade n&atilde;o pode ser descartada. A corporifica&ccedil;&atilde;o das estruturas psicol&oacute;gicas e sociais configura a percep&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, o saber. (Jovchelovitch, 2011, p. 91)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Muitos outros autores que foram fundamentais para o desenvolvimento da psicologia compartilharam dessa intui&ccedil;&atilde;o de que a produ&ccedil;&atilde;o de racionalidades &eacute; indissoci&aacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es existenciais de onde elas se originam. Piaget, Vygotsky, Freud, Durkheim, Mauss e L&eacute;vy-Bruhl "todos eles concordam que o desenvolvimento dos saberes &eacute; social e que &eacute; a sociedade que confere l&oacute;gica aos sistemas de conhecimento" (Jovchelovitch, 2011, p. 121). O consenso entre esses autores, entretanto, n&atilde;o chega a avan&ccedil;ar para a consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica dessa premissa: se a racionalidade varia, ent&atilde;o os princ&iacute;pios que classificam aquilo que &eacute; ou n&atilde;o racional podem divergir entre si. Quando reconhecemos essa indissociabilidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais na forma&ccedil;&atilde;o das racionalidades, isto &eacute;, que existem "in&uacute;meras forma&ccedil;&otilde;es sociais que produzem diferentes formas de conhecimento social", ent&atilde;o somos lan&ccedil;ados ao desafio de reconhecer que at&eacute; mesmo "as estruturas ps&iacute;quicas e cognitivas mudam &agrave; medida que mudam as condi&ccedil;&otilde;es sociais" (Jovchelovitch, 2011, p. 121). Tal reconhecimento fere de morte o paradigma cartesiano que est&aacute; no n&uacute;cleo da epistemologia moderna, uma vez que, no lugar da transpar&ecirc;ncia, reconhece a inevitabilidade de rastros deixados na racionalidade pela cultura, costumes, tradi&ccedil;&otilde;es e paix&otilde;es. &Eacute; por isso que, se concordarmos com o que demonstramos at&eacute; aqui acerca da estrutura&ccedil;&atilde;o da racionalidade, verificaremos que os pressupostos da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica moderna, e, portanto, da materializa&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, acabam se tornando incompat&iacute;veis com isso que vai se desenhando ser a condi&ccedil;&atilde;o humana: seu irremedi&aacute;vel pertencimento ao mundo. Essa incompatibilidade deriva do fato de a racionalidade jur&iacute;dica ocidental moderna ter como pressuposto n&atilde;o criticado uma epistemologia em que toda racionalidade deve ser, necessariamente, universal, un&iacute;voca, progressiva e sistem&aacute;tica (Kronman, 2009). Em outras palavras, os pressupostos advindos da ci&ecirc;ncia astron&ocirc;mica de Galileu, da ci&ecirc;ncia f&iacute;sica de Newton e da ci&ecirc;ncia biol&oacute;gica de Darwin, ao pavimentarem a emerg&ecirc;ncia das ci&ecirc;ncias humanas e sociais do s&eacute;culo XIX, determinaram tamb&eacute;m os princ&iacute;pios, m&eacute;todos e finalidades da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Progressivas abstra&ccedil;&otilde;es foram necess&aacute;rias para que o desenvolvimento dessas ci&ecirc;ncias pudesse contornar o problema nevr&aacute;lgico inaugurado pela dif&iacute;cil posi&ccedil;&atilde;o que o ente humano passou a ocupar: simultaneamente sujeito e objeto do conhecimento (Foucault, 2000). Isso quer dizer que, embora a ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica desconhe&ccedil;a ou minimize o papel que os atravessamentos existenciais desempenham na materializa&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, isso n&atilde;o diminui ou atenua os dilemas que provoca. A quest&atilde;o, portanto, n&atilde;o &eacute; apenas debater a natureza do problema ignorado, mas tamb&eacute;m apontar para as consequ&ecirc;ncias efetivas que ele produz. No caso do Poder Judici&aacute;rio, assumir a imagem de uma racionalidade meramente t&eacute;cnica e instrumental, desconsiderando as efetivas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o de sentido que a materializam e a configuram, ao inv&eacute;s de promover imparcialidade, independ&ecirc;ncia ou autonomia na produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional, termina, contraditoriamente, generalizando um sentido de justi&ccedil;a parcial, dependente de condi&ccedil;&otilde;es materiais e simb&oacute;licas particulares e submetido a condi&ccedil;&otilde;es sociohist&oacute;ricas espec&iacute;ficas; tudo isso, contudo, por extravasar a seara exclusivamente jur&iacute;dica, tende a ser ignorado pela ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica, refor&ccedil;ando ainda mais a mistifica&ccedil;&atilde;o de que existiria uma identidade absoluta entre o discurso jur&iacute;dico e as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Tais constata&ccedil;&otilde;es, por si s&oacute;s, j&aacute; demonstrariam a relev&acirc;ncia de compreendermos como se d&atilde;o os atravessamentos de aspectos existenciais na configura&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno jur&iacute;dico. Por&eacute;m, ao reconhecermos que a pr&aacute;tica jur&iacute;dica &eacute; essencialmente hermen&ecirc;utica - sobretudo em se tratando da magistratura -, a compreens&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade existenciais da hermen&ecirc;utica jur&iacute;dica torna-se um tema ainda mais fundamental, especialmente para a sociedade brasileira, j&aacute; que suas especificidades sociohist&oacute;ricas demarcam a coexist&ecirc;ncia de ontologias radicalmente distintas que convivem espa&ccedil;o-temporalmente - situa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica, ali&aacute;s, das sociedades latinoamericanas (Santos, 2018).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Especificamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade brasileira, em raz&atilde;o de sua desigualdade estrutural - cuja origem remonta um passado colonial e escravocrata -, a composi&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do seu Poder Judici&aacute;rio &eacute; peculiar, j&aacute; que a parcela majorit&aacute;ria de seus agentes tende a ser oriunda de uma diminuta fra&ccedil;&atilde;o da sociedade. Embora o debate dessas peculiaridades ultrapasse o escopo deste artigo, ele pode ser consultado em Souza (2018; 2017), e uma breve s&iacute;ntese de suas repercuss&otilde;es passa por constatarmos que h&aacute; uma fratura distinguindo o horizonte pr&eacute;-compreensivo dos membros do Poder Judici&aacute;rio daquele do restante da popula&ccedil;&atilde;o. Dito de outra forma, ao passo que a parcela majorit&aacute;ria da sociedade brasileira &eacute; constitu&iacute;da e estruturada por sentidos existenciais e psicossociais oriundos de adversidades derivadas de uma desigual distribui&ccedil;&atilde;o de recursos materiais e simb&oacute;licos; o Poder Judici&aacute;rio, por sua vez, &eacute; composto, majoritariamente, pela &iacute;nfima parcela de sujeitos que est&atilde;o resguardados de tais adversidades. Ao reconhecermos a &iacute;ntima afinidade entre subjetividade e racionalidade, tal constata&ccedil;&atilde;o nos permite desvelar um problema a ser colocado para o campo jur&iacute;dico que n&atilde;o pode ser abordado mediante interven&ccedil;&otilde;es exclusivamente circunscritas &agrave; racionalidade jur&iacute;dica, j&aacute; que apresenta desdobramentos &eacute;tico-pol&iacute;ticos oriundos de aspectos existenciais - nisso inclu&iacute;do os sentidos derivados das trajet&oacute;rias existenciais de seus agentes. A repercuss&atilde;o das trajet&oacute;rias existenciais na modula&ccedil;&atilde;o da racionalidade jur&iacute;dica &eacute; t&atilde;o importante que um aspecto comum &agrave; magistratura dissidente &eacute; ter vivenciado pessoalmente experi&ecirc;ncias adversas. Abordaremos mais detalhadamente a especificidade dessas trajet&oacute;rias de vida que serviram de base &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dos sentidos com os quais a magistratura dissidente significa suas pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas; antes disso, por&eacute;m, vamos apresentar algumas passagens que circunscrevem e explicitam o lugar privilegiado que a dimens&atilde;o do sentido ocupa na produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>2.1. Sentido</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Um consenso identificado nas entrevistas &eacute; que as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas n&atilde;o podem ser compreendidas fidedignamente a partir da dimens&atilde;o estritamente t&eacute;cnica, racional, cognitiva ou l&oacute;gico-matem&aacute;tica. Essa constata&ccedil;&atilde;o se torna especialmente verdadeira para as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas dissidentes porque, n&atilde;o raras vezes, a inconformidade dessa magistratura implica in&uacute;meras consequ&ecirc;ncias subjetivas que, perspectivadas desde um ponto de vista utilitarista, n&atilde;o aparecem como vantajosas. Ou seja, as motiva&ccedil;&otilde;es mais profundas das pr&aacute;ticas da magistratura dissidente n&atilde;o podem ser encontradas no plano estritamente pragm&aacute;tico de sua profiss&atilde;o. Isso &eacute; expressado na fala seguinte:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eu vou te dizer que eu fa&ccedil;o an&aacute;lise h&aacute; muito tempo, e essa &eacute; uma quest&atilde;o </i>&#91;o que explicaria a atua&ccedil;&atilde;o da magistratura dissidente&#93;<i> que eu levei pra an&aacute;lise. Por que eu continuo insistindo em agir assim, se isso sempre tem um retorno t&atilde;o desgastante algumas vezes, e em alguns per&iacute;odos da minha vida profissional muito pesado. Esse neg&oacute;cio </i>...&#91;epis&oacute;dio&#93;<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a><i>, nem foi o pior, t&ecirc;m coisas internas, e &agrave;s vezes muito sutis, que voc&ecirc; n&atilde;o tem nem como explicitar, de pessoas que podem incidir sobre o seu trabalho, como o Tribunal, Corregedoria, e de uma forma muito sutil elas v&atilde;o minando. N&atilde;o &eacute; um ato que voc&ecirc; possa dizer 'oh, estou sendo injusti&ccedil;ado'. E eu comentei isso com ele </i>&#91;analista&#93;<i> e ele disse 'n&atilde;o &eacute; uma escolha, quem nasce com senso de justi&ccedil;a social e com a capacidade de empatia, com uma capacidade de alteridade, de reconhecer a dor do outro, n&atilde;o tem escolha'. E eu pensei, 'que bom, resolvi um problem&atilde;o da minha vida, se eu n&atilde;o tenho escolha, est&aacute; resolvido'</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rios elementos dessa fala apontam para a preval&ecirc;ncia de aspectos existenciais na configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, mas daremos &ecirc;nfase a dois: em primeiro lugar, o fato de a no&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a ter sido relacionada a um "senso"; e, em segundo lugar - um aspecto n&atilde;o menos sugestivo - que &eacute; o dessa discuss&atilde;o em torno das motiva&ccedil;&otilde;es das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas e das consequ&ecirc;ncias que elas acarretam estar sendo tecida em uma sess&atilde;o de an&aacute;lise. Esse &uacute;ltimo aspecto denota uma t&aacute;cita afinidade entre as motiva&ccedil;&otilde;es das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas dissidentes e caracter&iacute;sticas pessoais de ordem existencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro aspecto, dado que a faculdade da raz&atilde;o quase sempre &eacute; caracterizada como aquela respons&aacute;vel pela capacidade de oportunizar ao agente as escolhas mais vantajosas, essa refer&ecirc;ncia a uma motiva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o plenamente racionaliz&aacute;vel aponta para uma dimens&atilde;o pr&eacute;-reflexiva intimamente vinculada ao sentido, ao "senso", que em outras entrevistas tamb&eacute;m apareceu tangenciando termos como "cren&ccedil;a" e "f&eacute;":</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma boa pergunta.&Eacute; uma boa pergunta... Quer que eu te responda? Pessoalmente eu acho que &eacute; o senso de justi&ccedil;a. Mas n&atilde;o &eacute; o senso de justi&ccedil;a de voc&ecirc; ter comprado um quilo e eu te dou tanto, &eacute; mais al&eacute;m. Eu acho que esses sensos de justi&ccedil;a que s&atilde;o culturais e movem tamb&eacute;m muito. N&oacute;s temos grandes f&eacute;s, o capitalismo, como diz o Harari </i>&#91;Yuval Harari&#93;<i>, ele &eacute; uma grande f&eacute;. A moeda &eacute; uma grande f&eacute;. Voc&ecirc; acredita em coisas. E eu acho que o senso de justi&ccedil;a, os direitos humanos tamb&eacute;m &eacute; uma f&eacute;. </i>(...) <i>Eu acredito que as pessoas t&ecirc;m f&eacute;, se mobilizam </i>(...)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Um dado relevante &eacute; que a "justi&ccedil;a" n&atilde;o apareceu como sendo um ideal, nem sequer um valor, princ&iacute;pio ou finalidade, mas precisamente como um "sentimento", melhor retratado por essa no&ccedil;&atilde;o de "senso", adjetivo que n&atilde;o remete &agrave; dimens&atilde;o cognitiva, mas a uma dimens&atilde;o corp&oacute;rea e afetiva. Sobre isso &eacute; importante destacar que, se por um lado, a dimens&atilde;o cognitiva permite uma defasagem entre aquilo que &eacute; representado e a pessoa que representa, por outro lado, quando abordamos a quest&atilde;o dos afetos, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel estabelecer uma dist&acirc;ncia entre quem sente e aquilo que &eacute; sentido. &Eacute; por essa raz&atilde;o que, quando diante de situa&ccedil;&otilde;es que exigem apenas o processamento cognitivo de informa&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel ao agente estabelecer uma defasagem maior entre si pr&oacute;prio e suas pr&aacute;ticas a partir de um c&aacute;lculo custo-benef&iacute;cio que leve em considera&ccedil;&atilde;o apenas as vantagens da situa&ccedil;&atilde;o imediatamente colocada; todavia, quando implicado afetivamente, n&atilde;o h&aacute; uma defasagem poss&iacute;vel entre a exist&ecirc;ncia presente, passada e futura do agente e suas pr&aacute;ticas. Tanto &eacute; assim que em uma das entrevistas foi associado ao adoecimento uma eventual omiss&atilde;o perante as pr&aacute;ticas majorit&aacute;rias da magistratura ou a impossibilidade de afirmar sua pr&oacute;pria singularidade combativa:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Por que eu n&atilde;o vou pra praia? </i>&#91;risos&#93;<i> Olha, ou a gente consegue continuar, ou a depress&atilde;o toma conta. E d&aacute; menos trabalho lutar do que ficar parado</i>. (...)<i> Porque &eacute; perfil, personalidade, forma&ccedil;&atilde;o. Eu acho que cada um reage de uma maneira. Eu n&atilde;o consigo deixar de me meter nas coisas. &Eacute; uma coisa muito forte. Eu tento, &agrave;s vezes isso &eacute; perturbador</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Em v&aacute;rias outras oportunidades evidenciou-se como a dimens&atilde;o do sentido comp&otilde;e e atravessa as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, sendo, em grande parte, respons&aacute;vel pela materializa&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o dessas pr&aacute;ticas. Diante dessa evid&ecirc;ncia, questionamos os participantes acerca do que eles consideravam ser a fonte ou origem desse sentido, momento em que a hist&oacute;ria de vcc</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma eterna insatisfa&ccedil;&atilde;o &#91;P: De onde ela vem?&#93;</i><a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a> <i> A minha hist&oacute;ria. Al&eacute;m dos componentes gen&eacute;ticos, a minha hist&oacute;ria &#91;P: Qual &eacute; a tua hist&oacute;ria?&#93; De onde eu nasci, os livros que eu li, essa for&ccedil;a de pensar que surgiu n&atilde;o sei da onde, que alguns t&ecirc;m, outros n&atilde;o t&ecirc;m, que s&atilde;o dados que voc&ecirc; vai juntando e vai dando essa coisa toda a&iacute;, que poderia dar ou n&atilde;o dar &#91;P: Tem um componente de classe nisso?&#93; Acho que soma, soma. Como tamb&eacute;m, em outras pessoas, o componente de classe faz com que eu fique com raiva da classe. E t&aacute; cheio de caras que s&atilde;o assim, que &eacute; a maioria de novo... Eu n&atilde;o estou querendo ser niilista, longe disso. Mas o que eu acho que &eacute; a diferen&ccedil;a &eacute; essa insatisfa&ccedil;&atilde;o, que pode ser para o bem ou para o mal</i> (...)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Na maioria dos relatos, essa hist&oacute;ria de vida entendida como condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade para a emerg&ecirc;ncia de determinados sentidos tendeu a ser caracterizada especialmente em virtude das adversidades que a constitu&iacute;ram. Entretanto, por outro lado, em algumas entrevistas tamb&eacute;m foi destacado o papel desempenhado pela transmiss&atilde;o de valores familiares:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>E as li&ccedil;&otilde;es que meu pai trazia. O meu pai era </i>...&#91;epis&oacute;dio&#93; <i>isso foi uma coisa que surpreendeu todo mundo </i>(...)<i> Ent&atilde;o ele </i>&#91;pai&#93;<i> ensinou tudo isso pra mim 'Olha, voc&ecirc; tem que ter tua consci&ecirc;ncia, se voc&ecirc; acha que o certo &eacute; esse, faz o que &eacute; certo'. E foi muito f&aacute;cil. Esse contato humano no cotidiano, que era a minha vida como advogado, como cidad&atilde;o do interior. Tentei n&atilde;o perder a simplicidade. Tentei 'Bom, vou sair do interior, mas n&atilde;o vou deixar o interior sair de mim'. Acho que foi isso a&iacute;, n&atilde;o sei exatamente. N&atilde;o fiz terapia, n&atilde;o fiz nada para alcan&ccedil;ar o que eu alcancei.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Em outras entrevistas, essa transmiss&atilde;o de valores familiares tamb&eacute;m apareceu vinculada a valores religiosos:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Talvez venha de uma forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. Minha fam&iacute;lia sempre foi humanista, muito cat&oacute;lica, meu pai muito conservador, mas humanista. Eu n&atilde;o tenho religi&atilde;o, mas tem uma base de humanismo no cristianismo, inegavelmente a gente tem que reconhecer isso. Ent&atilde;o, ao modo deles, apesar do conservadorismo todo, te trazem alguns valores, de voc&ecirc; conseguir ver injusti&ccedil;a - o que voc&ecirc; pode ver perfeitamente sem ser religioso, sem ter uma forma&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica -, mas essa parte, hoje eu reconhe&ccedil;o na minha vida que esses valores deles me traduziram, porque eu consegui perceber isso e aplicar e fazer de uma outra forma, acho que me ajudou na minha forma&ccedil;&atilde;o mais de esquerda.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Como dissemos anteriormente, quase todas as respostas das entrevistas se voltaram para aspectos de cunho existencial diante de questionamentos que remeteram ao porqu&ecirc; de, ao inv&eacute;s do conformismo, a magistratura dissidente insistir em confrontar as exig&ecirc;ncias que lhe s&atilde;o cobradas impl&iacute;cita ou explicitamente pela magistratura hegem&ocirc;nica. Em nenhuma das entrevistas a resposta a tal questionamento remeteu a atributos meramente racionais como, por exemplo, o estrito cumprimento de um dever legal ou constitucional. Ao contr&aacute;rio, foram destacados elementos que apontavam para as condi&ccedil;&otilde;es de subjetiva&ccedil;&atilde;o. Essa constata&ccedil;&atilde;o pode ser contrastada frontalmente se buscarmos falas p&uacute;blicas de magistrados em torno dos quais se formam consensos e hegemonias acerca da produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional. Eles d&atilde;o a entender que a participa&ccedil;&atilde;o de sua subjetividade em suas pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas se reduz t&atilde;o somente &agrave; atividade meramente cognitiva de expressar aquilo que a legisla&ccedil;&atilde;o j&aacute; diz, nem mais, nem menos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Agora abordaremos o segundo elemento identificado nas entrevistas que, apesar de intimamente relacionado com a dimens&atilde;o do sentido, aponta para uma peculiaridade comum &agrave;s trajet&oacute;rias de vida da magistratura dissidente: de algum modo, todas as trajet&oacute;rias estabeleceram encontros e contatos com adversidades vivenciadas direta ou indiretamente. Por essa raz&atilde;o &eacute; importante compreendermos de que modo a dimens&atilde;o &eacute;tico-pol&iacute;tica pode ser impactada por adversidades existenciais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>3. Os sentidos da adversidade</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">O progresso cartesiano das ci&ecirc;ncias forjou uma descaracteriza&ccedil;&atilde;o do sujeito e da subjetividade, relegando-os ao desaparecimento. &Eacute; essa a constata&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo social cubano, Fernando Gonz&aacute;lez Rey (2012), quem insistiu at&eacute; o fim de sua vida para que a pergunta fundamental pelas condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade do sentido n&atilde;o se perdesse nas investiga&ccedil;&otilde;es de psic&oacute;logos e outros pensadores. A discuss&atilde;o que ele propunha ia na dire&ccedil;&atilde;o de reconhecer e resgatar o papel inexor&aacute;vel das condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o dos sentidos, j&aacute; que s&atilde;o elas que imprimem na exist&ecirc;ncia humana essa misteriosa abertura que torna o ente que n&oacute;s somos uma permanente quest&atilde;o para si pr&oacute;prio. S&atilde;o elas, portanto, as respons&aacute;veis pela singulariza&ccedil;&atilde;o das trajet&oacute;rias de vida em que os sujeitos ir&atilde;o se constituir de um modo irrepet&iacute;vel a partir de sua confronta&ccedil;&atilde;o com a facticidade imediata em que s&atilde;o lan&ccedil;ados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Dessa maneira, a produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional de uma na&ccedil;&atilde;o, por exemplo, n&atilde;o pode estar dissociada de quest&otilde;es &eacute;tico-pol&iacute;ticas, j&aacute; que, como pontua Lynn Hunt (2009), mesmo a no&ccedil;&atilde;o de direitos humanos n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o efeito da inven&ccedil;&atilde;o de novos contextos de pertencimento que modulam afetos e racionalidades comuns. Sendo assim, ao se reduzir a compreens&atilde;o jur&iacute;dica aos par&acirc;metros t&eacute;cnicos de sua racionalidade, encobre-se a pergunta pelo sentido da justi&ccedil;a, deixando &agrave; merc&ecirc; dos instrumentos que conformam a produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional a decis&atilde;o de deliberar sobre quest&otilde;es essencialmente &eacute;tico-pol&iacute;ticas, tais como: justi&ccedil;a de quem e para quem? Essas perguntas fazem reverberar a radical alteridade presente na no&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a. Tal como prop&otilde;e Derrida (1991/2010), a "defini&ccedil;&atilde;o" de justi&ccedil;a deriva de um sentido que est&aacute; sempre em movimento, daquilo &eacute;, na verdade, um "desejo de justi&ccedil;a".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Se no lugar de "artes&atilde;os do justo", a modernidade passou a demandar dos juristas uma expertise restrita ao gerenciamento t&eacute;cnico de conflitos, &eacute; porque se estabeleceu uma ruptura brutal em que, como aponta Arendt (2011), a quest&atilde;o pelo "quem" do ser humano n&atilde;o s&oacute; deixou de ser a pergunta fundamental da exist&ecirc;ncia humana, como a obsess&atilde;o pelo "o qu&ecirc;" do ser humano terminou sendo elevada ao posto supremo das investiga&ccedil;&otilde;es. A pergunta que deriva dessa constata&ccedil;&atilde;o &eacute; se &eacute; poss&iacute;vel conceber um sentido universal de justi&ccedil;a na magistratura que esteja dissociado e apartado dos aspectos existenciais que conformam cada uma das trajet&oacute;rias singulares dos agentes imbu&iacute;dos da legitimidade jur&iacute;dica? Para quem &eacute; descrente dessa possibilidade, torna-se premente compreender os aspectos existenciais e como eles se materializam efetivamente nas pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, pois s&atilde;o tais aspectos que desvelam as possibilidades cr&iacute;ticas de se abordar o fen&ocirc;meno jur&iacute;dico (Herrera Flores, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o reconhecer ou n&atilde;o assumir um problema em nada modifica o seu estatuto, todavia, ao coloc&aacute;-lo adequadamente pode-se vislumbrar seus contornos. A invers&atilde;o epistemol&oacute;gica sobre a qual insistimos anteriormente contribuiu para reconhecermos o papel ocupado pelo sentido bem como pelas trajet&oacute;rias de vida como fontes origin&aacute;rias de conhecimento e racionalidade, j&aacute; que s&atilde;o esses caminhos que v&atilde;o compor o modo da rela&ccedil;&atilde;o do sujeito consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Al&eacute;m disso, se esses rastros existenciais do passado possuem tal relev&acirc;ncia para a constitui&ccedil;&atilde;o existencial do sujeito, n&atilde;o podemos menosprezar tamb&eacute;m o papel do futuro e do presente que esses percursos singulares fazem florescer. Como enfatiza Hannah Arendt (2018), tanto as determina&ccedil;&otilde;es do passado - do qual herdamos a facticidade de quem somos -, bem como as do futuro - que restringem as possibilidades de quem podemos ser -, ambas s&atilde;o perspectivadas pelo instante decisivo aberto pelo pensamento que coloca em xeque as determina&ccedil;&otilde;es passadas e futuras a partir de uma irrepreens&iacute;vel potencialidade de dizer "n&atilde;o". Em outros termos, uma adequada compreens&atilde;o do papel do sentido nas trajet&oacute;rias existenciais exige que as tomemos como o campo - o <i>ethos</i> - onde os sujeitos se constituem enquanto tais. Nesse <i>ethos,</i> alegria e tristeza, amor e &oacute;dio, esperan&ccedil;a e medo - tal como concebe Espinosa em sua antropologia materialista (Moreau, 2018) - v&atilde;o participar de um din&acirc;mica afetiva que ser&aacute; o motor constitutivo e modulador da "pot&ecirc;ncia de agir" dos sujeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Uma compreens&atilde;o como essa - em que a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos derivada da din&acirc;mica de tais afetos est&aacute; implicada na materializa&ccedil;&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e da pr&oacute;pria racionalidade - permite reconhecermos uma inusitada rela&ccedil;&atilde;o entre sentido e trajet&oacute;rias existenciais: as adversidades e sofrimentos como promotores de singulariza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas. Encontramos a evid&ecirc;ncia dessa rela&ccedil;&atilde;o nos relatos da magistratura dissidente, a partir dos quais podemos dizer que uma abordagem &eacute;tico-pol&iacute;tica da racionalidade exp&otilde;e o papel que as viv&ecirc;ncias desempenham nas produ&ccedil;&otilde;es hermen&ecirc;uticas. Na apresenta&ccedil;&atilde;o da segunda parte de nossos resultados, o sofrimento provocado pelas adversidades foi apontado como um elemento ativo capaz de produzir sensibilidades e sentidos em torno da alteridade, efeito que ultrapassa a capacidade que podem produzir aprendizados meramente intelectuais ou cognitivos oferecidos pela forma&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica formal. Esse ultrapassamento aponta para o modo de pertencimento ao mundo como sendo a fonte origin&aacute;ria da qual derivam sentidos de justi&ccedil;a ou injusti&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Ao propor o conceito de "sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico" como categoria de an&aacute;lise psicossocial da desigualdade social, Bader Sawaia (2001) encontrou em Espinosa uma chave de leitura para uma compreens&atilde;o existencial da realidade humana: "Em s&iacute;ntese, Espinosa apresenta um sistema de ideias onde o psicol&oacute;gico, social e pol&iacute;tico se entrela&ccedil;am e se revertem uns nos outros, sendo todos eles fen&ocirc;menos &eacute;ticos e da ordem do valor" (Sawaia, 2001, p. 101). A partir de Espinosa - e tamb&eacute;m de &Aacute;gnes Heller e Vygotsky - Sawaia (2001) demonstra que as condi&ccedil;&otilde;es excludentes produzem uma qualidade de sofrimento distinto, um sofrimento que, por n&atilde;o decorrer de uma dor biof&iacute;sica, &eacute; psicossocial - mas nem por isso menos devastador.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Em s&iacute;ntese, o sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico abrange as m&uacute;ltiplas afec&ccedil;&otilde;es do corpo e da alma que mutilam a vida de diferentes formas. Qualifica-se pela maneira como sou tratada e trato o outro na intersubjetividade, face a face ou an&ocirc;nima, cuja din&acirc;mica, conte&uacute;do e qualidade s&atilde;o determinados pela organiza&ccedil;&atilde;o social. Portanto, o sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico retrata a viv&ecirc;ncia cotidiana das quest&otilde;es sociais dominantes em cada &eacute;poca hist&oacute;rica, especialmente a dor que surge da situa&ccedil;&atilde;o social de ser tratado como inferior, subalterno, sem valor, ap&ecirc;ndice in&uacute;til da sociedade. Ele revela a tonalidade &eacute;tica da viv&ecirc;ncia cotidiana da desigualdade social, da nega&ccedil;&atilde;o imposta socialmente &agrave;s possibilidades da maioria apropriar-se da produ&ccedil;&atilde;o material, cultural e social de sua &eacute;poca, de se movimentar no espa&ccedil;o p&uacute;blico e de expressar desejo e afeto. (Sawaia, 2001, p. 104)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Por certo n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel generalizar que pessoas acometidas por um sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico v&atilde;o desenvolver uma capacidade de alteridade para com o outro, j&aacute; que, como pontua Rey (2012), duas pessoas at&eacute; podem ter sido v&iacute;timas de uma mesma injusti&ccedil;a, mas ter&atilde;o afetos diferentes em rela&ccedil;&atilde;o a ela, portanto sendo indeterminada a sua a&ccedil;&atilde;o da&iacute; decorrente. Ali&aacute;s, &eacute; poss&iacute;vel que uma delas, em raz&atilde;o desse sofrimento, at&eacute; mesmo introjete o ideal do opressor como uma ambi&ccedil;&atilde;o a ser perseguida, tal como discute Paulo Freire (1974/2019). Entretanto, podemos considerar que, ao menos em alguns casos - e nas entrevistas com a magistratura dissidente esse aspecto se destacou -, a viv&ecirc;ncia de adversidades e de um eventual sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico decorrente delas fez emergir uma pot&ecirc;ncia. &Eacute; como se a contrapartida da injusti&ccedil;a sofrida tenha promovido uma sensibiliza&ccedil;&atilde;o potencializadora em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; nega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; da injusti&ccedil;a particular sofrida pessoalmente, mas da nega&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria injusti&ccedil;a enquanto tal. Ou seja, contraditoriamente, do sentido derivado da injusti&ccedil;a, produziu-se uma afec&ccedil;&atilde;o, uma sensibilidade, um desejo por justi&ccedil;a. &Eacute; o que podemos depreender quando Sawaia (2001) aponta que "No livro IV da <i>&Eacute;tica</i>, Espinosa fala que a capacidade do homem de ser afetado e o modo como o &eacute;, &eacute; determinante &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o dos valores &eacute;ticos, pois o que faz a coisa boa ou m&aacute; &eacute; o afeto de que deriva" (p.  113).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante destacarmos que a &ecirc;nfase dessa discuss&atilde;o extra&iacute;da de Sawaia (2001) n&atilde;o deve ser dada ao sofrimento, mas justamente aos fundamentos &eacute;ticos e pol&iacute;ticos da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos que dele derivam. Assim podemos destacar as limita&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave;s perspectiva&ccedil;&otilde;es do fen&ocirc;meno jur&iacute;dico que tendem a excluir desse debate o problema da subjetividade. O fato &eacute; que, em grande medida, a subjetividade n&atilde;o apenas faz parte do problema em torno da justi&ccedil;a, mas muito mais do que isso, ela pr&oacute;pria, enquanto tal, deve ser considerada como um problema fundamental a ser discutido, j&aacute; que, em raz&atilde;o das limita&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica - tribut&aacute;ria dos pressupostos da epistemologia moderna -, a pergunta pelo sentido da justi&ccedil;a &eacute; posta de lado em favor de uma pretensa universalidade e instrumentalidade de uma racionalidade jur&iacute;dica pretensamente desencarnada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Como apresentado at&eacute; aqui, nas respostas de nossas entrevistas acerca de quest&otilde;es que almejavam compreender por qu&ecirc;, ao inv&eacute;s do conformismo, tais magistrados/as se colocavam criticamente diante do Judici&aacute;rio e da pr&oacute;pria magistratura, identificamos argumentos que explicitaram dois aspectos prevalentes e interdependentes: a prioriza&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o do sentido em detrimento da dimens&atilde;o cognitiva ou l&oacute;gico-matem&aacute;tica e a import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave;s trajet&oacute;rias de vida pessoais como condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade para a produ&ccedil;&atilde;o desses sentidos. Em rela&ccedil;&atilde;o a esse &uacute;ltimo aspecto, chamou nossa aten&ccedil;&atilde;o o fato de em grande parte das entrevistas ter sido salientada uma caracter&iacute;stica semelhante dessas trajet&oacute;rias pessoais: as adversidades vivenciadas ao longo de suas vidas. Para a compreens&atilde;o da relev&acirc;ncia desses achados &eacute; preciso perspectiv&aacute;-los a partir de um dado de realidade da composi&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio brasileiro - tema que n&atilde;o ser&aacute; abordado neste artigo, mas que &eacute; vital: a magistratura - bem como a composi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria do Poder Judici&aacute;rio como um todo - tende a ser ocupada por pessoas com trajet&oacute;rias de vida muito semelhantes e homog&ecirc;neas (fam&iacute;lias de classe m&eacute;dia detentoras de privil&eacute;gios objetivos e subjetivos); disso decorre que - assumindo as conclus&otilde;es de nossos resultados (a preval&ecirc;ncia de aspectos existenciais na configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas) - os mecanismos que restringem e filtram a origem social e de classe de novos/as magistrados/as e de outros agentes do Poder Judici&aacute;rio terminam desempenhando - mesmo que indiretamente - um papel decisivo nos resultados da produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional brasileira. Em outro trabalho discutimos especificamente essa rela&ccedil;&atilde;o entre os mecanismos e dispositivos organizacionais do Poder Judici&aacute;rio - dentre eles o processo seletivo da magistratura - e os resultados da produ&ccedil;&atilde;o jurisdicional. Agora vamos expor como a adversidade aparece nos argumentos da magistratura dissidente participando dos fundamentos de suas pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>3.1. Trajet&oacute;rias adversas</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Uma constata&ccedil;&atilde;o bastante marcante &eacute; o fato de a magistratura dissidente n&atilde;o identificar na forma&ccedil;&atilde;o formal (acad&ecirc;mica ou judicial) o fundamento de sua atua&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, por um lado fica evidenciado que, na opini&atilde;o dos magistrados, a configura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas n&atilde;o depende, em um primeiro momento, de fatores de ordem racional, mas, ao inv&eacute;s disso, de sentidos atribu&iacute;dos &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas que lhes s&atilde;o apresentadas; por outro lado, tamb&eacute;m &eacute; evidenciado que tais sentidos - justamente por serem de &acirc;mbito pr&eacute;-reflexivo - n&atilde;o derivam de um repert&oacute;rio meramente cognitivo, mas da pr&oacute;pria trajet&oacute;ria existencial que atravessa e constitui esses sujeitos desde muito antes deles sequer terem o campo jur&iacute;dico ou a magistratura como horizontes para suas vidas profissionais. Apesar da diversidade dos relatos, grande parte dessas trajet&oacute;rias tiveram em comum as adversidades vivenciadas, ainda que de natureza e graus distintos.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>A coragem vem, primeiro, pela minha forma&ccedil;&atilde;o, por sempre ter acreditado que o Direito &#91;P: Forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica jur&iacute;dica, do livro do Direito?&#93; N&atilde;o, a forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; jur&iacute;dica, porque a faculdade n&atilde;o &eacute; grande coisa. Uma forma&ccedil;&atilde;o que tem um outro elemento que eu n&atilde;o quis falar l&aacute; no come&ccedil;o, que tem a ver com a elite, que &eacute; o seguinte: a maioria desses ju&iacute;zes, eles n&atilde;o trabalharam, n&atilde;o pegaram &ocirc;nibus, ent&atilde;o eles n&atilde;o sabem essas dificuldades. Ent&atilde;o normalmente acho que s&atilde;o pessoas</i> &#91;dissidentes&#93;<i> que experimentaram mais adversidades na vida, n&atilde;o &eacute; que eu deseje que todo mundo tenha dificuldade, n&atilde;o, que bom que n&atilde;o tenham.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">As adversidades relatadas foram de ordens variadas, mas grande parte delas referiram-se a quest&otilde;es sociais e de classe. &Eacute; interessante tamb&eacute;m pontuar que muitos desses magistrados constataram terem vivenciado adversidades semelhantes &agrave;s daqueles colegas com os quais estabeleciam rela&ccedil;&otilde;es mais estreitas:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Algumas quest&otilde;es nos chamam a aten&ccedil;&atilde;o: num certo momento voc&ecirc; v&ecirc; pessoas das classes sociais mais baixas entrando na magistratura e, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o poucos casos assim, &eacute; bem significativo. &Eacute; interessante que as pessoas n&atilde;o falam muito, mas quando voc&ecirc; come&ccedil;a a falar e contar a sua hist&oacute;ria, as pessoas se sentem autorizadas a contar a hist&oacute;ria delas. E voc&ecirc; v&ecirc; que h&aacute; muitos pontos de contato nessas hist&oacute;rias. Eu diria que &eacute; um grupo de uns 20% ou 30% da magistratura </i>...&#91;unidade federativa&#93;<i>, em um determinado momento que tiveram uma hist&oacute;ria parecida. A minha hist&oacute;ria, por exemplo, eu sou uma pessoa que estudou sempre em col&eacute;gio p&uacute;blico estadual, claro, tive a felicidade de ingressar </i>...&#91;universidade federal&#93;<i>, mas uma renda familiar muito baixa. A renda da minha fam&iacute;lia sempre foi abaixo dos dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos, a renda familiar! Renda bruta. Ent&atilde;o voc&ecirc; imagina. Em geral a gente n&atilde;o conta essas hist&oacute;rias, porque elas, enfim... conta para quem s&atilde;o os teus amigos. Mas com o tempo eu comecei a conversar, tendo at&eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o de mais lideran&ccedil;a, e eu vi que muita gente tinha hist&oacute;rias comuns, era filho de agricultores, de pessoas que trabalhavam com mais ou com menos dificuldade, isso tudo estava bem presente.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m deste relato, em outros tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel perceber que h&aacute; uma consci&ecirc;ncia por parte dessa magistratura que essas adversidades constitutivas dessas trajet&oacute;rias de algum modo constituem um elemento de identidade desse grupo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ent&atilde;o eu n&atilde;o sei se &eacute; um dado que foi sempre assim, mas a impress&atilde;o que eu tenho &eacute; que est&aacute; cada vez mais elitizado </i>&#91;magistratura&#93;<i>. Tirando um exemplo da minha hist&oacute;ria, eu tenho </i>...&#91;anos&#93; <i>de magistratura, quando eu entrei tinha um pessoal de periferia, eu e um amigo meu, colega de inf&acirc;ncia, entramos no mesmo grupo de ju&iacute;zes, a gente morava na mesma vila, estudamos no mesmo col&eacute;gio p&uacute;blico e &eacute;ramos gurizada de periferia, da vila mesmo. </i>(...) <i>Eu morei na vila</i> ...&#91;localiza&ccedil;&atilde;o&#93; <i>e ali dois colegas meus s&atilde;o ju&iacute;zes hoje, um desse concurso que eu passei e um outro colega passou no concurso seguinte. E tinha outros que vinham dessa condi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o sei se voc&ecirc; vai entrevistar </i>...&#91;nome&#93;<i>, mas ele tamb&eacute;m veio dessa periferia. E n&oacute;s temos um colega,</i> ...&#91;nome&#93;, <i>que &eacute; filho de assentado, sem terra, agricultor.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Essa consci&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o entre o pertencimento a uma classe e os sentidos que ir&atilde;o permear as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas tamb&eacute;m pode ser reconhecida na fala seguinte:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Mas o que acontece, eu sou integrante de uma classe, talvez hoje eu n&atilde;o conseguisse entrar mais em concurso, porque tamb&eacute;m isso mudou muito. </i>(...)<i> Eu... antes de entrar </i>&#91;na resposta &agrave; pergunta de o que torna poss&iacute;vel a exist&ecirc;ncia de magistrados dissidentes&#93;<i> primeiro: eu n&atilde;o me encaixo nesse perfil de fam&iacute;lia em que o pai podia bancar. Eu sou de uma fam&iacute;lia numerosa do interior, meu pai era alfaiate. Muito conservadora a fam&iacute;lia, eu sa&iacute; meio como ovelha negra. Ent&atilde;o eu j&aacute; era. Eu j&aacute; tinha uma posi&ccedil;&atilde;o de esquerda. Eu n&atilde;o virei de esquerda na faculdade, na carreira. Eu j&aacute; vinha com meus valores</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dos relatos que reconheceram nas adversidades das trajet&oacute;rias uma fonte da singularidade dos sentidos constitutivos das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas dissidentes, tamb&eacute;m em v&aacute;rias passagens foi explicitada uma rela&ccedil;&atilde;o entre a viv&ecirc;ncia dessas adversidades e a capacidade de alteridade - algumas vezes referida como "empatia":</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>E para minha forma&ccedil;&atilde;o isso foi o que mais importou </i>&#91;ter trabalhado em outras profiss&otilde;es&#93;<i>. Eu tinha trabalhado com carteira assinada, atendendo em loja, em escrit&oacute;rio, dei aula cinco anos. Ent&atilde;o eram profiss&otilde;es que faziam obedecer ordens, o que &eacute; o empregado, o que &eacute; o empregador, ter que engolir sapo. Agora voc&ecirc; imagina um juiz que nem isso fez, ficou toda a faculdade s&oacute; estudando, se formou, estuda, estuda, estuda, faz concurso, passa; da&iacute; no outro dia tem que ir l&aacute; com aquela pilha de processos para resolver, vai julgar pessoas de verdade, ele n&atilde;o t&aacute; brincando. E vai julgar com aquilo que ele tem de conhecimento da vida, que &agrave;s vezes &eacute; uma pessoa de 25, 26 anos, que n&atilde;o tem conhecimento nenhum, porque nunca trabalhou, que n&atilde;o tem filho, que n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia de vida. </i>(...) <i>eu brinco que concurso para juiz tinha que exigir tr&ecirc;s anos de carteira assinada, porque sem essa experi&ecirc;ncia, as pessoas t&ecirc;m dificuldade, porque a sociedade j&aacute; &eacute; feita pra gente n&atilde;o ter empatia.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Nas duas pr&oacute;ximas falas &eacute; destacada uma nuance que vai se avolumar adiante: o efeito das adversidades na produ&ccedil;&atilde;o de sentidos n&atilde;o se restringe apenas &agrave;quelas vivenciadas diretamente pelo sujeito, j&aacute; que vivenciar os sofrimentos que acometem terceiros tamb&eacute;m foi reconhecido como capaz de impactar a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">(...) <i>mas eu era de uma &eacute;poca em que a gente se incomodava profundamente de ver pessoas sofrendo. Umas quantas vezes eu chorava vendo uma pessoa na rua, eu sou um pouco assim at&eacute; hoje. Acho que isso tem a ver com a minha forma&ccedil;&atilde;o, os pais que eu tive, os locais que eu frequentei... Eu sou de classe m&eacute;dia baixa, bem baixa, meu pai nasceu na favela... Acho que tudo isso acaba repercutindo um pouco. As hist&oacute;rias que eu via </i>(...)<i> A pessoa se interessa porque tem a ver com a tua vida, tem a ver com as experi&ecirc;ncias que voc&ecirc; teve, que voc&ecirc; sofreu, que voc&ecirc; n&atilde;o sofreu, as escolas que voc&ecirc; estudou, tudo isso vai formando a tua personalidade. &Eacute; dif&iacute;cil, n&atilde;o tem uma f&oacute;rmula. Mas acho que isso de se importar com o outro, que est&aacute; cada vez...</i></font></p>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Puxa, que dif&iacute;cil isso... </i>&#91;pergunta "por que voc&ecirc; &eacute; quem &eacute;?"&#93;<i> Eu acho que da vida... A minha trajet&oacute;ria anterior ao Judici&aacute;rio passou por dois momentos bem importantes. Com 16 anos, eu comecei a dar aulas, porque eu fiz magist&eacute;rio. Eu divido em dois momentos porque eu tive contato com crian&ccedil;as, e acho que nessa rela&ccedil;&atilde;o a gente desenvolve muito a nossa sensibilidade, o olhar para o outro, ver um ser em desenvolvimento, ver a sua evolu&ccedil;&atilde;o, ver como ele vai se transformando ao longo de um ano, dois anos. </i>(...)<i> E o outro momento, dando aulas ainda, eu saio de uma escola particular e vou trabalhar na periferia. E a&iacute; eu encontro uma realidade social muito dura, com muitas priva&ccedil;&otilde;es. E eu tendo que, de algum modo, realizar o meu papel ali, com todas as priva&ccedil;&otilde;es que viviam aquelas crian&ccedil;as, que iam para o col&eacute;gio s&oacute; para se alimentar. </i>(...)<i> E acima de tudo, acho que a minha pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, enquanto indiv&iacute;duo, uma mulher negra, vivendo num estado branco e fazendo uma trajet&oacute;ria de exce&ccedil;&atilde;o. Eu saio l&aacute; daquele lugar, parto de um lugar, ainda que n&atilde;o com priva&ccedil;&otilde;es materiais, mas de um lugar social esperado para uma mulher negra, e venho entrar no Judici&aacute;rio, contrariando tudo o que a sociedade, como um todo, previa para mim.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Com essas falas anteriores vai se materializando o fato de que as adversidades parecem ser aspectos caracterizadores dessas trajet&oacute;rias, claro que experimentadas em intensidades distintas, al&eacute;m de vivenciadas em alguns casos diretamente e em outros indiretamente. As duas &uacute;ltimas falas que se seguem explicitam como essa viv&ecirc;ncia indireta de adversidades pode repercutir na produ&ccedil;&atilde;o de sentidos pessoais:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Olha, eu tenho uma hist&oacute;ria de vida. Meu pai e minha m&atilde;e foram presos na ditadura. Meu nome &eacute; </i>...&#91;pr&oacute;prio nome&#93; <i>em homenagem </i>...&#91;lideran&ccedil;a comunista&#93;<i>. Eu j&aacute; nasci marcado em ferro pela opress&atilde;o do Estado. Isso est&aacute; na minha hist&oacute;ria.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Para encerrar, na fala seguinte ficar&aacute; claro que, apesar das adversidades serem aspectos comuns &agrave; magistratura dissidente, em alguns casos elas apareceram vivenciadas indiretamente. Dito em outros termos, embora algumas dessas trajet&oacute;rias existenciais tenham sido protegidas de adversidades diretas, encontros com o sofrimento de terceiros parecem ter suscitado a emerg&ecirc;ncia de sentidos tamb&eacute;m marcados pela adversidade:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acho que vem da hist&oacute;ria de cada um e &agrave;s vezes de eventos que tocam, necessariamente. Voc&ecirc; est&aacute; supertranquilo em termos de classe m&eacute;dia, voc&ecirc; vai indo, daqui a pouco voc&ecirc; sofre uma injusti&ccedil;a e da&iacute; voc&ecirc; v&ecirc; que aquela injusti&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma injusti&ccedil;a que &eacute; tua, uma injusti&ccedil;a daquele caso, &eacute; uma injusti&ccedil;a </i>(...) <i>No meu caso, a minha m&atilde;e pegava os caras de rua, de manh&atilde; cedo eu me acordava e estava l&aacute; os caras sentados na mesa comendo, a minha m&atilde;e adoidada, e estava l&aacute; os caras, ela n&atilde;o tinha medo de pobre. Acabei n&atilde;o tendo medo de pobre tamb&eacute;m. E lutando por pobre.</i></font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo buscou compreender os atravessamentos existenciais e psicossociais que constituem as pr&aacute;ticas da magistratura, especificamente de seu segmento dissidente. Embora reconhecida essa delimita&ccedil;&atilde;o, os achados apresentados aqui podem contribuir para compreens&atilde;o de uma gama bastante ampla de pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, pois apontam para a centralidade que esses atravessamentos podem desempenhar nas pr&aacute;ticas das carreiras jur&iacute;dicas em sentido <i>lato</i>, inclu&iacute;das a&iacute; as carreiras p&uacute;blicas de relevante interesse social (Magistratura, Promotoria e Defensoria P&uacute;blica).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia que os atravessamentos existenciais e psicossociais assumem nas pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas deriva deles serem a fonte de onde emerge o sentido a partir do qual os agentes se situam hermeneuticamente em rela&ccedil;&atilde;o ao campo jur&iacute;dico e de onde conduzem suas pr&aacute;ticas. Neste estudo abordamos o papel que a dimens&atilde;o do sentido e das trajet&oacute;rias de vida adversas desempenham na constitui&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, revelando que, por se tratar de uma atividade eminentemente hermen&ecirc;utica, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel compreender adequadamente a atua&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio sem essa considera&ccedil;&atilde;o que resgata a natureza humana e social da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Embora essas conclus&otilde;es eventualmente possam parecer &oacute;bvias - ao menos desde o ponto de vista da psicologia -, &eacute; digno de nota que at&eacute; o momento o campo jur&iacute;dico n&atilde;o foi capaz de avan&ccedil;ar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s consequ&ecirc;ncias l&oacute;gicas desdobradas dessas constata&ccedil;&otilde;es. Em outras palavras, ainda que do ponto de vista fenomenol&oacute;gico-existencial seja evidente que a t&eacute;cnica jur&iacute;dica &eacute; incapaz de dar conta de seus dilemas &eacute;tico-pol&iacute;ticos, ainda assim a dimens&atilde;o existencial permanece sendo um elemento sistematicamente omitido das discuss&otilde;es em torno da estrutura&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas judici&aacute;rias. Sem essa autorreflex&atilde;o, o Poder Judici&aacute;rio ter&aacute; dificuldades em materializar sentidos de justi&ccedil;a que respondam &agrave;s demandas reiteradamente negadas das camadas mais vulner&aacute;veis da sociedade. Al&eacute;m disso, ignorar a insufici&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica para lidar satisfatoriamente com os desafios advindos do reconhecimento de que as pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas s&atilde;o necessariamente permeadas por atravessamentos existenciais n&atilde;o faz com que tais impasses desapare&ccedil;am. O que ocorre &eacute; exatamente o inverso: eles se tornam onipresentes - embora cada vez mais ocultos atr&aacute;s de sofisticados formalismos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">As pretens&otilde;es de objetividade, imparcialidade, equidist&acirc;ncia e autonomia que fundamentam a ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica moderna tornam-se natimortas, diante da ren&uacute;ncia em enfrentar seu desafio mais nevr&aacute;lgico - que &eacute; o de fundamentar rigorosamente a legitimidade e factibilidade dessas pretens&otilde;es. As justifica&ccedil;&otilde;es do Poder Judici&aacute;rio que omitem como essa institui&ccedil;&atilde;o lida com os atravessamentos existenciais, faz com que a objetividade e universalidade jur&iacute;dicas s&oacute; possam ser consideradas leg&iacute;timas desde um ponto de vista subjetivo muito espec&iacute;fico. Mas por tal ponto de vista ser hegem&ocirc;nico e investido de poder, ele faz com que todos pontos de vista contrastantes consigo apare&ccedil;am pejorativamente como sendo subjetivos, parciais, ideol&oacute;gicos ou pol&iacute;ticos - essa &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o da magistratura dissidente, que n&atilde;o raras vezes &eacute; perseguida por suas posi&ccedil;&otilde;es contra-hegem&ocirc;nicas. A quest&atilde;o central, evidentemente, n&atilde;o &eacute; o risco de haver pontos de vista objetivos - ou t&eacute;cnicos - dentro do Poder Judici&aacute;rio e da magistratura, em oposi&ccedil;&atilde;o a pontos de vista subjetivos - ou pol&iacute;ticos. A quest&atilde;o &eacute; que alguns pontos de vista subjetivos - por serem hegem&ocirc;nicos e, portanto, constitu&iacute;dos e permeados pelos atravessamentos existenciais e psicossociais dominantes no Poder Judici&aacute;rio e em toda a sociedade - s&atilde;o assumidos como se fossem desencarnados, objetivos e universais. Entretanto, nos resultados apresentados verificamos que a subjetividade e as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o dessa subjetividade aparecem como elementos intr&iacute;nsecos e necess&aacute;rios &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas. Sobre isso constatamos que o tipo de trajet&oacute;ria existencial - trajet&oacute;rias permeadas por adversidades, no caso da magistratura dissidente - produz sensibilidades &eacute;tico-pol&iacute;ticas que s&atilde;o assumidas como decisivas para a condu&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas que t&ecirc;m como preocupa&ccedil;&atilde;o prec&iacute;pua a condi&ccedil;&atilde;o de vida de camadas espec&iacute;ficas da sociedade - no caso da magistratura dissidente as camadas vulnerabilizadas. Essa simetria identificada entre trajet&oacute;rias de vida e pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas sugere importantes discuss&otilde;es em torno do problema de como garantir uma justa justi&ccedil;a para todos em um sistema judici&aacute;rio que toma como universal a racionalidade de alguns poucos; uma racionalidade forjada em trajet&oacute;rias de vida muitas vezes completamente dissociadas do mundo da vida da maior parte da popula&ccedil;&atilde;o jurisdicionada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Ao abandonar a ingenuidade que reluta em reconhecer o car&aacute;ter eminentemente pol&iacute;tico - e portanto existencial - das pr&aacute;ticas jur&iacute;dicas, somos confrontados com o desafio concreto de como lidar, enquanto sociedade, com os sentidos de justi&ccedil;a contrastantes, derivados de trajet&oacute;rias existenciais tamb&eacute;m contrastantes. Tradicionalmente, a estrutura organizacional e pol&iacute;tica do Poder Judici&aacute;rio exclui de suas preocupa&ccedil;&otilde;es a quest&atilde;o de como garantir a participa&ccedil;&atilde;o equitativa de agentes com trajet&oacute;rias existenciais diversas - especialmente de trajet&oacute;rias marcadas pelas adversidades que estruturam a vida da maior parte da na&ccedil;&atilde;o brasileira e latinoamericana. Nesse processo, sentidos de justi&ccedil;a divergentes terminam sendo exclu&iacute;dos ou reprimidos por serem minorit&aacute;rios. Contudo, somente porque os fatores de filtragem subjetiva e existencial asseguram a exclus&atilde;o da quase totalidade da popula&ccedil;&atilde;o dessa institui&ccedil;&atilde;o &eacute; que se pode garantir que os sentidos de justi&ccedil;a elitistas persistam ali sendo majorit&aacute;rios e hegem&ocirc;nicos. Esse problema, todavia, n&atilde;o pode ser enfrentado se as discuss&otilde;es permanecerem reduzidas aos aspectos estritamente t&eacute;cnicos da racionalidade jur&iacute;dica ou do processo judicial em si. Est&aacute; anunciado aqui um desafio que transcende as formalidades do direito, apontando para a urg&ecirc;ncia de voltarmos nossas aten&ccedil;&otilde;es para as viv&ecirc;ncias e experi&ecirc;ncias constitutivas do conte&uacute;do material dos sentidos da justi&ccedil;a praticados em nossa sociedade e institui&ccedil;&otilde;es, sob pena de consolidarmos a racionalidade jur&iacute;dica como mero instrumento pol&iacute;tico de legitima&ccedil;&atilde;o da injusti&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Arendt, H. (2011). <i>A condi&ccedil;&atilde;o humana.</i> 11ª ed. Trad. de Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense. (Originalmente publicado em 1958)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040969&pid=S1809-6867202200010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Arendt, H. (2018). <i>A vida do esp&iacute;rito: o pensar, o querer, o julgar</i>. 7ª ed. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o brasileira. (Originalmente publicado em 1977)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040970&pid=S1809-6867202200010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Bauer, M., &amp; Aarts, B. (2008). A constru&ccedil;&atilde;o do <i>corpus</i>: um princ&iacute;pio para a coleta de dados qualitativos. In: Bauer, M. &amp; Gaskell. <i>Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual pr&aacute;tico</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040971&pid=S1809-6867202200010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Biernacki, P. &amp; Waldorf, D. (1981). Snowball sampling: Problems and techniques of chain referral sampling. <i>Sociological methods &amp; research</i>, 10(2),141-163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040973&pid=S1809-6867202200010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Derrida, J. (2010). <i>For&ccedil;a de lei: o fundamento m&iacute;stico da autoridade</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. (Originalmente publicado em 1991)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040975&pid=S1809-6867202200010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Farr, R. M. (2002). <i>As ra&iacute;zes da psicologia social moderna (1872-1954)</i>. 6ª ed. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040976&pid=S1809-6867202200010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Feijoo, A. M. L. C. de, &amp; Mattar, C. M. (2016). Encontros e desencontros nas perspectivas existenciais em psicologia. <i>Psicologia em Revista, 22</i>(2),258-274. <a href="https://dx.doi.org/DOI-10.5752/P.1678-9523.2016V22N2P258" target="_blank">https://dx.doi.org/DOI-10.5752/P.1678-9523.2016V22N2P258</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040978&pid=S1809-6867202200010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Feijoo, A. M. L. C. de. (2011). <i>A exist&ecirc;ncia para al&eacute;m do sujeito: a crise da subjetividade moderna e suas repercuss&otilde;es para a possibilidade de uma cl&iacute;nica psicol&oacute;gica com fundamentos fenomenol&oacute;gico-existenciais</i>. Rio de Janeiro: Viaverit&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040979&pid=S1809-6867202200010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Flick, U. (2008). Entrevista epis&oacute;dica. In: Bauer, M. &amp; Gaskell, G. <i>Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual pr&aacute;tico</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040981&pid=S1809-6867202200010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Foucault, M. (2000). <i>As palavras e as coisas: uma arqueologia das ci&ecirc;ncias humanas.</i> 8ª ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040983&pid=S1809-6867202200010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Foucault, M. (2011). <i>A hermen&ecirc;utica do sujeito: curso no Coll&egrave;ge de France (1981-1982)</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040985&pid=S1809-6867202200010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Foucault, M. (2013). <i>A verdade e as formas jur&iacute;dicas</i>. 4ª ed. Rio de Janeiro: NAU editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040987&pid=S1809-6867202200010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Freire. P. (2019). <i>Pedagogia do oprimido</i>. 69ª ed. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra. (Originalmente publicado em 1974)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040989&pid=S1809-6867202200010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Gaskell, G. &amp; Bauer, M. (2008). Para uma presta&ccedil;&atilde;o de contas p&uacute;blica: al&eacute;m da amostra, da fidedignidade e da validade. In: Bauer, M. &amp; Gaskell, G. <i>Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual pr&aacute;tico</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040990&pid=S1809-6867202200010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Goto, T. A. (2008). <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; psicologia fenomenol&oacute;gica: a nova psicologia de Edmund Husserl</i>. S&atilde;o Paulo: Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040992&pid=S1809-6867202200010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Guareschi, P. (2003). <i>Sociologia da pr&aacute;tica social</i>. 3ª ed. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040994&pid=S1809-6867202200010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Heidegger, M. (2012). <i>Ser e tempo</i>. Petr&oacute;polis: Vozes. (Originalmente publicado em 1927)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040996&pid=S1809-6867202200010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Herrera Flores, J. (2009). <i>A reinven&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos</i>. Florian&oacute;polis: Funda&ccedil;&atilde;o Boiteux.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040997&pid=S1809-6867202200010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Hunt, L. (2009). <i>A inven&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos: uma hist&oacute;ria</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3040999&pid=S1809-6867202200010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Japiassu H. (2011). <i>Ci&ecirc;ncias: quest&otilde;es impertinentes</i>. Aparecida: Ideias &amp; Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041001&pid=S1809-6867202200010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Jovchelovitch, S. (2011). <i>Os Contextos do saber: representa&ccedil;&otilde;es, comunidade e cultura</i>. 2ª ed. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041003&pid=S1809-6867202200010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Kronman, A. T. (2009). <i>Max Weber</i>. Rio de Janeiro: Elsevier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041005&pid=S1809-6867202200010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Liakopoulos, M. (2008). An&aacute;lise argumentativa. In: Bauer, M. &amp; Gaskell, G. <i>Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual pr&aacute;tico</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041007&pid=S1809-6867202200010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Mascaro, A. L. (2013). <i>Estado e forma pol&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041009&pid=S1809-6867202200010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Mascaro, A. L. (2018). <i>Filosofia do Direito</i>. 6ª ed. S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041011&pid=S1809-6867202200010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Merleau-Ponty, M. (2015). <i>Fenomenologia da percep&ccedil;&atilde;o.</i> Martins Fontes: S&atilde;o Paulo. (Originalmente publicado em 1945)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041013&pid=S1809-6867202200010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Moreau, P. F. (2018). Spinoza: uma teoria do homem. Uma antropologia materialista. <i>O que nos faz pensar</i>, 26(41).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041014&pid=S1809-6867202200010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Moreira, V. (2007). <i>De Carl Rogers a Merleau-Ponty: a pessoa mundana em psicoterapia</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041016&pid=S1809-6867202200010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Rey, F. G. (2012).<i> O social na psicologia e a psicologia social</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041018&pid=S1809-6867202200010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Santos, G. A. dos. (2018). Terapia existencial da liberta&ccedil;&atilde;o: ensaios introdut&oacute;rios. Porto Alegre: Editora Fi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041020&pid=S1809-6867202200010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Sawaia, B. (2001). O sofrimento &eacute;tico-pol&iacute;tico como categoria de an&aacute;lise da dial&eacute;tica exclus&atilde;o/inclus&atilde;o. In: Sawaia, B. (Org.). <i>Artimanhas da exclus&atilde;o: an&aacute;lise psicossocial e &eacute;tica da desigualdade social</i>. 2ª ed. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041022&pid=S1809-6867202200010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Souza, J. (2017). <i>A elite do atraso: da escravid&atilde;o &agrave; Lava Jato</i>. Rio de Janeiro: Leya.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041024&pid=S1809-6867202200010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Souza, J. (2018). <i>A classe m&eacute;dia no espelho</i>. Rio de Janeiro: Esta&ccedil;&atilde;o Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041026&pid=S1809-6867202200010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Thompson, J. B. (2011). <i>Ideologia e cultura moderna: teoria social cr&iacute;tica na era dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa</i>. 9ª ed. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3041028&pid=S1809-6867202200010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 21.07.2020    <br>   Primeira Decis&atilde;o Editorial em 16.04.2021    <br>   Aceito em 30.07.2021</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a> A pesquisa contou com o fomento da CAPES.    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a> Para assegurar o anonimato dos participantes, foram feitas supress&otilde;es de alguns trechos das falas. Nessas ocasi&otilde;es &eacute; indicado entre colchetes o significado geral do conte&uacute;do suprimido. Esses colchetes s&atilde;o precedidos por tr&ecirc;s pontos, o que os diferencia daqueles que sinalizam acr&eacute;scimos dos autores &agrave;s falas dos participantes para contextualizar as falas.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a> Os colchetes iniciados por "P" fazem parte da transcri&ccedil;&atilde;o das entrevistas, indicando o momento em que foram feitas interpela&ccedil;&otilde;es dos pesquisadores aos participantes.</font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arendt]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Raposo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roberto]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A condição humana]]></source>
<year>2011</year>
<edition>11</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Forense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arendt]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar]]></source>
<year>2018</year>
<edition>7</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Civilização brasileira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aarts]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção do corpus: um princípio para a coleta de dados qualitativos]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gaskell]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual prático]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Biernacki]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Waldorf]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Snowball sampling: Problems and techniques of chain referral sampling]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociological methods & research]]></source>
<year>1981</year>
<volume>10</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>141-163</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Derrida]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Força de lei: o fundamento místico da autoridade]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Farr]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As raízes da psicologia social moderna]]></source>
<year>2002</year>
<month>19</month>
<day>54</day>
<edition>6</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Feijoo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. L. C. de]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mattar]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Encontros e desencontros nas perspectivas existenciais em psicologia]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia em Revista]]></source>
<year>2016</year>
<volume>22</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>258-274</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Feijoo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. L. C. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A existência para além do sujeito: a crise da subjetividade moderna e suas repercussões para a possibilidade de uma clínica psicológica com fundamentos fenomenológico-existenciais]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Viaveritá]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Flick]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista episódica.]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gaskell]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual prático]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foucault]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas]]></source>
<year>2000</year>
<edition>8</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foucault]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A hermenêutica do sujeito: curso no Collège de France (1981-1982)]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foucault]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A verdade e as formas jurídicas]]></source>
<year>2013</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[NAU editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freire]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pedagogia do oprimido]]></source>
<year>2019</year>
<edition>69</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Paz e Terra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gaskell]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para uma prestação de contas pública: além da amostra, da fidedignidade e da validade]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gaskell]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual prático]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goto]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Paulus]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guareschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociologia da prática social]]></source>
<year>2003</year>
<edition>3</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ser e tempo. Petrópolis]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Herrera Flores]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A reinvenção dos direitos humanos]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Florianópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Boiteux]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hunt]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A invenção dos direitos humanos: uma história]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Japiassu]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ciências: questões impertinentes]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Aparecida ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ideias & Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jovchelovitch]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Contextos do saber: representações, comunidade e cultura]]></source>
<year>2011</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kronman]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Max Weber]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Elsevier]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Liakopoulos]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise argumentativa]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bauer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gaskell]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som - um manual prático]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mascaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estado e forma política]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Boitempo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mascaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Filosofia do Direito]]></source>
<year>2018</year>
<edition>6</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Atlas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Merleau-Ponty]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fenomenologia da percepção]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Martins Fontes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moreau]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Spinoza: uma teoria do homem. Uma antropologia materialista]]></article-title>
<source><![CDATA[O que nos faz pensar]]></source>
<year>2018</year>
<volume>26</volume>
<numero>41</numero>
<issue>41</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[De Carl Rogers a Merleau-Ponty: a pessoa mundana em psicoterapia]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Annablume]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rey]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O social na psicologia e a psicologia social]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. A. dos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Terapia existencial da libertação: ensaios introdutórios]]></source>
<year>2018</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Fi]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sawaia]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O sofrimento ético-político como categoria de análise da dialética exclusão/inclusão]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Sawaia]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social]]></source>
<year>2001</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Souza]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leya]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Souza]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A classe média no espelho]]></source>
<year>2018</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Estação Brasil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Thompson]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa]]></source>
<year>2011</year>
<edition>9</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
