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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalhadoras brasileiras e a relação com o trabalho: trajetórias e travessias]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to redeem historically the inclusion of women in the world of work, especially in Brazil, analyzing what the main points that determine this process. The study was developed from a literature review on the subject and is structured in three stages. Initially was turned problematic the participation of women in the labor market correlating it with the division sexual techniques. In a second stage it emerged how was the inclusion of women at work in the Brazilian context, and finally, the article was ended with a reflection about the implications of motherhood on the female work. In this study we can examine that the conditions lived by women in the labor market should consider various factors, economic order, social, cultural and even the institutional that allow a reflection about the difference and female identity (social and biological) , the sexual division of the techniques, the work productive and reproductive, and the relationship between capitalism and patriarchalism, expressed in the forms of control of the production, according to the condition of gender.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mercado de trabalho]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Trabalhadoras brasileiras e a rela&ccedil;&atilde;o com o trabalho: trajet&oacute;rias e travessias</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Glaucia de Lima D&rsquo;Alonso</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Estadual Paulista, Brasil </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="1"></a><a href="#a">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo tem por objetivo resgatar historicamente a inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mundo do trabalho, no contexto brasileiro, analisando quais os principais aspectos que determinam este processo. O estudo foi desenvolvido a partir de uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre o tema e estruturou-se em tr&ecirc;s etapas. Inicialmente foi problematizado a participa&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho correlacionando-a com a divis&atilde;o sexual das t&eacute;cnicas. Num segundo momento verificou-se como se deu a inser&ccedil;&atilde;o da mulher no trabalho no contexto brasileiro e por fim, finalizou-se o artigo com uma reflex&atilde;o sobre as implica&ccedil;&otilde;es da maternidade sobre o trabalho feminino. Neste estudo pode-se verificar que as condi&ccedil;&otilde;es vivenciadas pelas mulheres no mercado de trabalho devem contemplar diferentes fatores, sejam eles, de ordem econ&ocirc;mica, sociais e culturais,&nbsp;&nbsp; que permitem uma reflex&atilde;o sobre a diferen&ccedil;a e a identidade feminina (biol&oacute;gica e social), a divis&atilde;o sexual das t&eacute;cnicas, o trabalho produtivo e reprodutivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavra-chave:</b> Mercado de trabalho, G&ecirc;nero, Maternidade e trabalho feminino.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article aims to redeem historically the inclusion of women in the world of work, especially in Brazil, analyzing what the main points that determine this process. The study was developed from a literature review on the subject and is structured in three stages. Initially was turned problematic the participation of women in the labor market correlating it with the division sexual techniques. In a second stage it emerged how was the inclusion of women at work in the Brazilian context, and finally, the article was ended with a reflection about the implications of motherhood on the female work. In this study we can examine that the conditions lived by women in the labor market should consider various factors, economic order, social, cultural and even the institutional that allow a reflection about the difference and female identity (social and biological) , the sexual division of the techniques, the work productive and reproductive, and the relationship between capitalism and patriarchalism, expressed in the forms of control of the production, according to the condition of gender.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><b>Keywords</b> :</b> Labor market, Gender, Motherhood and working women.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b><b>I - A mulher no mercado de trabalho</b></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho tem sido acompanhada de segrega&ccedil;&otilde;es e discrimina&ccedil;&otilde;es que as colocam em condi&ccedil;&otilde;es menos favor&aacute;veis no campo socioprofissional. Tal realidade tem sido evidenciada a partir do estudo das rela&ccedil;&otilde;es trabalhalistas e, especialmente, das formas como homens e mulheres se inserem neste mercado (Prosbt, 2003;Kartchewsky 1986). As explica&ccedil;&otilde;es para tal quadro devem considerar um conjunto de fatores, cuja origem pode ser remetida tanto ao campo econ&ocirc;mico, quanto a fatores socioculturais e institucionais: a diferen&ccedil;a e a identidade feminina (biol&oacute;gica e social), a divis&atilde;o sexual das t&eacute;cnicas, o trabalho produtivo e reprodutivo, assim como a rela&ccedil;&atilde;o entre o capitalismo e o patriarcalismo, expressa nas formas de controle da produ&ccedil;&atilde;o, segundo a condi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero (Pena, 1981).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta perspectiva, Marilena Chau&iacute; (1980), afirma que:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;a divis&atilde;o social do trabalho n&atilde;o &eacute; uma simples divis&atilde;o de tarefas, mas a manifesta&ccedil;&atilde;o de algo fundamental na exist&ecirc;ncia hist&oacute;rica, a exist&ecirc;ncia de diferentes formas de propriedade, isto &eacute;, a divis&atilde;o entre as condi&ccedil;&otilde;es e instrumentos ou meios de trabalho e do pr&oacute;prio trabalho, incidindo por sua vez na desigual distribui&ccedil;&atilde;o do produto de trabalho. Numa palavra: a divis&atilde;o social do trabalho engendra e &eacute; engendrada pela desigualdade social ou pela forma de propriedade&rdquo; (Chaui,1980,p.61)</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Andr&eacute;e Kartchewsky (1986) cita a necessidade de se encarar a divis&atilde;o social do trabalho como rela&ccedil;&atilde;o de classes e entre sexos e de se ter a compreens&atilde;o do trabalho como atividade profissional e atividade da esfera dom&eacute;stica. Quanto a participa&ccedil;&atilde;o desigual no trabalho de homens e mulheres, diz que a utiliza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho destina as mulheres &agrave;s categorias menos remuneradas, acrescentando que esse problema se refere mais ao estatuto social das mulheres do que &agrave; sua vincula&ccedil;&atilde;o a determinada categoria profissional. Tal afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; comprovada desde a incorpora&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra feminina ao mundo industrial at&eacute; os dias atuais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste contexto, Machado (1998) afirma que ao se analisar a quest&atilde;o do g&ecirc;nero &eacute; necess&aacute;rio estabelecer uma ruptura entre a no&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica de sexo e a no&ccedil;&atilde;o social de g&ecirc;nero e se considerar a transversalidade do pr&oacute;prio conceito, ou seja, que a &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o social de g&ecirc;nero perpassa as mais diferentes &aacute;reas do social&rdquo; (Machado, 1998,p.109).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E ainda, Sim&atilde;o(2000) afirma que:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;...nesse sentido &eacute; preciso encontrar conceitos que permitissem diferenciar aquilo que as mulheres tinham de natural, permanentemente, e igual em todas as &eacute;pocas e culturas (o sexo) daquilo que dava base para a discrimina&ccedil;&atilde;o e, por ser socialmente constru&iacute;do, variava de sociedade para sociedade e podia mudar com o tempo (o g&ecirc;nero)&rdquo; (Sim&atilde;o, 2000, p.4-5)</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, ao final do s&eacute;culo XIX, o trabalho passou a ser dividido em duas esferas distintas, de um lado a unidade dom&eacute;stica, e do outro a unidade de produ&ccedil;&atilde;o. A essa fragmenta&ccedil;&atilde;o correspondeu uma divis&atilde;o sexual do trabalho, cabendo ao homem o trabalho produtivo extra-lar, pelo qual passou a receber um sal&aacute;rio, enquanto &agrave; mulher coube principalmente a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas relativas &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, sem remunera&ccedil;&atilde;o (Bruschini, 1982).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, a fam&iacute;lia organizou os recursos procriativos da mulher, o trabalho dom&eacute;stico e sua fertilidade em mecanismos de opera&ccedil;&atilde;o de reprodu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho e das rela&ccedil;&otilde;es sociais e, portanto, do processo de acumula&ccedil;&atilde;o capitalista. A sujei&ccedil;&atilde;o da mulher ao homem n&atilde;o se originou no capitalismo, por&eacute;m, nesse sistema, tornou-se mais exacerbada e devastadora na separa&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o p&uacute;blico e espa&ccedil;o privado. As mulheres recebiam sal&aacute;rios mais baixos que os homens, j&aacute; que na l&oacute;gica patriarcalista os custos de reprodu&ccedil;&atilde;o seriam subsidiados pelos homens. Com a expans&atilde;o capitalista, novas formas de extra&ccedil;&atilde;o de valor desenvolveram-se, utilizando-se a divis&atilde;o sexual do trabalho como ponto de partida (Pena, 1981).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Relacionando a ideologia e o trabalho dom&eacute;stico na sociedade, Bruschini (1982) faz a seguinte constata&ccedil;&atilde;o: a ideologia transformou.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;a r&iacute;gida divis&atilde;o sexual do trabalho em uma divis&atilde;o natural, pr&oacute;pria &agrave; biologia de cada sexo. A mistifica&ccedil;&atilde;o do papel de esposa e m&atilde;e concretizou-se mais facilmente na medida em que casa e fam&iacute;lia passaram a significar a mesma coisa, apesar de na verdade n&atilde;o o serem; enquanto a casa &eacute; uma unidade material de produ&ccedil;&atilde;o e consumo, a fam&iacute;lia &eacute; um grupo de pessoas ligadas por la&ccedil;os afetivos e psicol&oacute;gicos. Como afirma Marilena Chau&iacute;, a contradi&ccedil;&atilde;o entre a vida dom&eacute;stica e a vida em fam&iacute;lia pode, no caso das mulheres, legitimar a naturalidade do trabalho dom&eacute;stico como se ele fosse um trabalho para a fam&iacute;lia e n&atilde;o um trabalho da casa e, portanto, um trabalho que j&aacute; &eacute; social (Bruschini, 1982, p.10)</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, a realiza&ccedil;&atilde;o feminina n&atilde;o se d&aacute; apenas no mundo da reprodu&ccedil;&atilde;o, mas atrav&eacute;s da sua atua&ccedil;&atilde;o na sociedade e do seu desenvolvimento pleno como pessoa, uma luta comum aos dois sexos. De acordo com Codo (1995), &eacute; atrav&eacute;s do trabalho que o homem se constr&oacute;i, suas heran&ccedil;as e seus projetos se materializam por e pelo trabalho, sendo o ponto de intersec&ccedil;&atilde;o entre o passado e o futuro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, a mulher deixou o espa&ccedil;o privado (casa, marido, filhos) e passou a ocupar o espa&ccedil;o p&uacute;blico, assumindo uma profiss&atilde;o. Para Oliveira e Pereira (1997), nesta ocasi&atilde;o a mulher deixou de ser esposa e m&atilde;e somente, para ser, tamb&eacute;m, oper&aacute;ria, enfermeira, professora, e com o passar do tempo, arquiteta, ju&iacute;za, motorista de &ocirc;nibus e outras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desde o s&eacute;culo XIX, quando o movimento feminista come&ccedil;ou a adquirir caracter&iacute;sticas de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, as mulheres lutam por conquistar maior espa&ccedil;o e igualdade do cen&aacute;rio p&uacute;blico. Isso come&ccedil;ou de fato com as I e II Guerras Mundiais (1914 &– 1918 e 1939 &– 1945, respectivamente), quando os homens iam para as frentes de batalha e as mulheres passavam a assumir os neg&oacute;cios da fam&iacute;lia e a posi&ccedil;&atilde;o dos homens no mercado de trabalho (Probst, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao final da guerra, muitos homens morreram e os que sobreviveram ao conflito  foram mutilados e impossibilitados de voltar ao trabalho. Foi nesse momento que  as mulheres deixaram a casa e os filhos para levar adiante os projetos e o  trabalho que eram realizados pelos seus maridos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No s&eacute;culo XIX, com a consolida&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista in&uacute;meras mudan&ccedil;as ocorreram na produ&ccedil;&atilde;o e na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho feminino. Com o desenvolvimento tecnol&oacute;gico e o intenso crescimento da maquinaria, boa parte da m&atilde;o-de-obra feminina foi transferida para as f&aacute;bricas (Probst, 2003). Desde ent&atilde;o, algumas leis passaram a beneficiar as mulheres. Ficou estabelecido na Constitui&ccedil;&atilde;o de 32 que:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;sem distin&ccedil;&atilde;o de sexo, a todo trabalho de igual valor correspondente sal&aacute;rio igual; veda-se o trabalho feminino das 22 horas &agrave;s 5 da manh&atilde;; &eacute; proibido o trabalho da mulher gr&aacute;vida durante o per&iacute;odo de quatro semanas antes do parto e quatro semanas depois; &eacute; proibido despedir mulher gr&aacute;vida pelo simples fato da gravidez&rdquo; (Prosbt, 2003, p.15).</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mesmo com essa conquista, algumas formas de explora&ccedil;&atilde;o perduraram durante muito tempo. Jornadas entre 14 e 18 horas e diferen&ccedil;as salariais acentuadas eram comuns. A justificativa desse ato estava centrada no fato de o homem trabalhar e sustentar a mulher. Desse modo, n&atilde;o havia necessidade de a mulher ganhar um sal&aacute;rio equivalente ou superior ao do homem (Probst, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, o mercado de trabalho da mulher estruturou-se, desde suas origens, como  uma extens&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico. Foram ent&atilde;o privilegiadas &aacute;reas como sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia social. Essa &uacute;ltima caracterizada por atividade filantr&oacute;pica e n&atilde;o-remunerada durante muito tempo. De acordo com Abramovay (1989):</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;As atividades produtivas relacionadas com servi&ccedil;os e com assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e educacional s&atilde;o redutos femininos e est&atilde;o associados ao papel reprodutivo que a mulher desempenha na fam&iacute;lia e na sociedade. Ser professora ou enfermeira &eacute; uma forma de praticar tudo o que foi ensinado &agrave;s mulheres: cuidar, dar amor, ter paci&ecirc;ncia e carinho&rdquo; (Abramovay, 1989, p.63</i>).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste contexto, Hirata (2002) afirma que o estudo da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho deve compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre empresa e sociedade, entendidas n&atilde;o s&oacute; como o v&iacute;nculo indissol&uacute;vel entre sistema reprodutivo e estruturas familiares, mas tamb&eacute;m como a articula&ccedil;&atilde;o entre o trabalho assalariado e o trabalho dom&eacute;stico, j&aacute; que h&aacute; uma fluidez de demarca&ccedil;&atilde;o entre o tempo de trabalho e o tempo fora do trabalho, ou seja, entre o p&uacute;blico e o privado, fluidez que interv&eacute;m no lugar designado &agrave;s mulheres em uma sociedade capitalista desenvolvida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, faz-se essencial no estudo da sa&uacute;de das mulheres no mercado de trabalho analisar como se d&aacute; o processo de maternagem no contexto profissional, pois: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;...estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o feminina na for&ccedil;a de trabalho mostram repetidas vezes, em v&aacute;rios contextos sociais, uma participa&ccedil;&atilde;o diferenciada, segundo o estado civil da mulher, o n&uacute;mero e a idade dos filhos, bem como uma regularidade significativa associada a essas vari&aacute;veis familiares.&nbsp; A regularidade deve-se em geral ao fato de que a participa&ccedil;&atilde;o feminina na for&ccedil;a de trabalho, tal como geralmente se define est&aacute; associada ao papel principal da mulher como dona de casa encarregada das tarefas dom&eacute;sticas ligadas &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o cotidiana e geradora de for&ccedil;a de trabalho. Nesse sentido, seu estado civil, o n&uacute;mero de filhos s&atilde;o indicadores das responsabilidades dom&eacute;sticas da mulher&rdquo; (Jelim (1980) apud Abramovay, 1989, p.72</i>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>II - Algumas considera&ccedil;&otilde;es acerca da trabalhadora brasileira</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A industrializa&ccedil;&atilde;o brasileira teve in&iacute;cio no Nordeste do pa&iacute;s entre as d&eacute;cadas de quarenta e sessenta do s&eacute;culo XIX &– especialmente, com a ind&uacute;stria de tecidos de algod&atilde;o na Bahia, que se deslocou progressivamente para a regi&atilde;o Sudeste. Na passagem deste s&eacute;culo, o Rio de Janeiro reunia a maior concentra&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria do pa&iacute;s, tendo sido superado por S&atilde;o Paulo apenas nos anos de 1920 (Rago, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De modo geral, um grande n&uacute;mero de mulheres trabalhava nas ind&uacute;strias de fia&ccedil;&atilde;o e tecelagem, que possu&iacute;a escassa mecaniza&ccedil;&atilde;o.Em 1894, dos 5.019 oper&aacute;rios empregados nos estabelecimentos industriais localizados na cidade de S&atilde;o Paulo, 840 eram do sexo feminino e 710 eram menores, correspondendo a 16,74&#37; e 14,15&#37; respectivamente, do total do proletariado paulistano (Ribeiro (1982) apud Rago,1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na ind&uacute;stria t&ecirc;xtil, encontravam-se 569 mulheres, que equivalia a 67,62&#37; da m&atilde;o-de-obra feminina empregada nesses estabelecimentos fabris. Nas confec&ccedil;&otilde;es, havia aproximadamente 137 mulheres. J&aacute; em 1901, as mulheres representavam cerca de 49,95&#37; do oper&aacute;rio t&ecirc;xtil, enquanto as crian&ccedil;as respondiam por 22,79&#37;. E ainda, muitas dessas mulheres eram costureiras e completavam o or&ccedil;amento dom&eacute;stico trabalhando em casa, j&aacute; que para os industrias esta era uma m&atilde;o-de-obra barata e ainda reduziam o valor dos seus impostos obtendo o m&aacute;ximo de lucro. (Rago, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, a m&atilde;o-de-obra feminina foi sendo substitu&iacute;da progressivamente pela masculina nas f&aacute;bricas no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. De acordo com Rago (1997), &agrave;s mulheres cabiam apenas as fun&ccedil;&otilde;es menos especializadas e mal-remuneradas, sua carga hor&aacute;ria de trabalho variava de 10 a 14 horas di&aacute;rias e estava sempre sob supervis&atilde;o que era exercida por homens. Sem uma legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista que pudesse proteger o trabalho feminino, a &uacute;nica forma de express&atilde;o desse sofrimento se dava atrav&eacute;s da imprensa liter&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste contexto, Rago (1997) ainda&nbsp; destaca a freq&uuml;ente associa&ccedil;&atilde;o entre a mulher no trabalho e a quest&atilde;o da moralidade social. Acreditava-se que:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;o trabalho da mulher fora de casa destruiria a fam&iacute;lia, tornaria os la&ccedil;os familiares mais frouxos e a educa&ccedil;&atilde;o infantil seria prejudicada, j&aacute; que as crian&ccedil;as cresceriam sem a constante vigil&acirc;ncia das m&atilde;es. As mulheres deixariam de ser m&atilde;es dedicadas e esposas carinhosas, se trabalhassem fora do lar, assim como poderiam deixar de se interessar pelo casamento e pela maternidade.&rdquo; (Rago, 2000, p. 585)</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, influenciado pelo fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Rousseau, pelo pensamento m&eacute;dico vitoriano e por concep&ccedil;&otilde;es religiosas, as elites intelectuais e pol&iacute;ticas procuraram redefinir o lugar das mulheres na sociedade, justamente no momento em que a crescente urbaniza&ccedil;&atilde;o das cidades e a industrializa&ccedil;&atilde;o abriam para elas novas perspectivas de trabalho e atua&ccedil;&atilde;o. Formava-se a moderna esfera p&uacute;blica, na qual a vida fechada e isolada do mundo rural e dos pequenos n&uacute;cleos urbanos eram substitu&iacute;dos pela vida social (Rago, 1997<i>)</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, no momento em que a industrializa&ccedil;&atilde;o absorveu v&aacute;rias das atividades que eram exercidas na unidade dom&eacute;stica &– a fabrica&ccedil;&atilde;o de tecidos, p&atilde;o, manteiga, doces, velas &– desvalorizou os servi&ccedil;os relacionados ao lar. Ao mesmo tempo, a ideologia da maternidade foi revigorada pelo discurso masculino: ser m&atilde;e, tornou-se a principal miss&atilde;o da mulher num mundo em que se procurava estabelecer r&iacute;gidas fronteiras entre a esfera p&uacute;blica, definida essencialmente masculina, e a privada, vista como lugar natural da esposa-m&atilde;e-dona de casa e de seus filhos (Rago, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Saporeti (1985), citado por Abromavay (1985), o movimento  feminista brasileiro teve in&iacute;cio em meados do s&eacute;culo XIX, quando um pequeno grupo de mulheres brasileiras declarou insatisfa&ccedil;&atilde;o com os pap&eacute;is tradicionais atribu&iacute;dos pelos homens &agrave;s mulheres, e tamb&eacute;m tentou provocar mudan&ccedil;as no status econ&ocirc;mico social e legal das mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste cen&aacute;rio, as oper&aacute;rias anarquistas procuravam combater esta ideologia, questionando o patriarcalismo da sociedade brasileira e a discrimina&ccedil;&atilde;o sexual no meio oper&aacute;rio e no ambiente de milit&acirc;ncia pol&iacute;tica. Propunham, pois, um feminismo, mais libert&aacute;rio, levando-se em conta o direito &agrave; maternidade consciente, isto &eacute;, a possibilidade de optar pela atividade materna ou pelo direito ao prazer sexual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho provocou altera&ccedil;&otilde;es significativas em seu cotidiano. Sarti (1997) refor&ccedil;a este pensamento ao afirmar que esse processo social adquiriu dimens&atilde;o estrutural no mundo contempor&acirc;neo sendo, junto com o desenvolvimento de m&eacute;todos anticoncepcionais mais seguros, um dos fatores que mais radicalmente contribuiu para a redefini&ccedil;&atilde;o do lugar social da mulher, com conseq&uuml;&ecirc;ncias decisivas nas rela&ccedil;&otilde;es familiares que, gradativamente, foram modificadas em sua organiza&ccedil;&atilde;o, na divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas e na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo Schirmer (1997), assim como vem ocorrendo em todos os pa&iacute;ses ocidentais, a participa&ccedil;&atilde;o feminina no mercado de trabalho brasileiro aumentou consideravelmente a partir da d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo XX. E ainda, ressalta-se que o emprego feminino j&aacute; &eacute; maior, em nosso pa&iacute;s, do que em muitos outros de igual ou maior n&iacute;vel de desenvolvimento. O Relat&oacute;rio sobre Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento), de 1998, revelou que no Brasil as mulheres representavam 44&#37; da for&ccedil;a de trabalho, propor&ccedil;&atilde;o essa superior &agrave; de pa&iacute;ses como o Chile (36,6&#37;), Argentina (34,3&#37;), Venezuela (42,1&#37;) e M&eacute;xico (38,4&#37;), e at&eacute; mesmo &agrave; de alguns pa&iacute;ses europeus, como Espanha (24,3&#37;) e Gr&eacute;cia (26,5&#37;) (Beltr&atilde;o et. al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dados das PNADs (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios) mostram que as taxas de atividade feminina nas zonas urbanas passaram de 32,5&#37;, em 1981, para 48,9&#37;, em 1999,. Verifica-se tamb&eacute;m que, nas &aacute;reas rurais, essa participa&ccedil;&atilde;o tem crescido proporcionalmente e acredita-se que a participa&ccedil;&atilde;o feminina, na condi&ccedil;&atilde;o de trabalhador familiar n&atilde;o-remunerado, j&aacute; fosse elevada anteriormente. No entanto, o aumento do assalariamento no campo e a melhoria da qualidade de capta&ccedil;&atilde;o do trabalho rural nas pesquisas domiciliares t&ecirc;m ajudado a quantificar melhor a atividade feminina rural (Beltr&atilde;o et. al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se dizer que os setores de atividade onde mais cresceram as ocupa&ccedil;&otilde;es femininas, entre 1981 e 1990, foram o com&eacute;rcio de mercadorias e os servi&ccedil;os sociais, cujas participa&ccedil;&otilde;es cresceram de 9,8&#37; para 13,2&#37; e de 16,6&#37; para 18,3&#37;, respectivamente. O setor agr&iacute;cola foi o &uacute;nico onde houve queda relativa de participa&ccedil;&atilde;o na estrutura ocupacional feminina nesse per&iacute;odo (de 19,8&#37; para 13,3&#37;), uma vez que todos os demais setores mantiveram est&aacute;vel a participa&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho (Beltr&atilde;o et. al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estudos anteriores sobre o trabalho feminino e as caracter&iacute;sticas da inser&ccedil;&atilde;o das mulheres no mercado de trabalho brasileiro apontaram uma realidade caracterizada por continuidades e mudan&ccedil;as (Bruschini, 1998). De um lado, as continuidades dizem respeito ao ainda grande contingente de mulheres (cerca de 40&#37; da for&ccedil;a de trabalho feminina) que se insere no mercado de trabalho em um p&oacute;lo no qual se incluem as posi&ccedil;&otilde;es menos favor&aacute;veis e prec&aacute;rias, quanto ao v&iacute;nculo de trabalho, &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o, &agrave; prote&ccedil;&atilde;o social ou &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho propriamente ditas. S&atilde;o ocupa&ccedil;&otilde;es nas quais a presen&ccedil;a das mulheres tem se dado tradicionalmente, como o trabalho dom&eacute;stico, as atividades sem remunera&ccedil;&atilde;o e as atividades de produ&ccedil;&atilde;o para consumo pr&oacute;prio e do grupo familiar. Inclui-se tamb&eacute;m, entre as continuidades, o elevado contingente de mulheres em alguns tradicionais nichos femininos, como a Enfermagem e o Magist&eacute;rio (Bruschini & Lombardi, 2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De outro lado, as mudan&ccedil;as apontam na dire&ccedil;&atilde;o de um p&oacute;lo oposto, no qual ocorre a expans&atilde;o da ocupa&ccedil;&atilde;o feminina em profiss&otilde;es de n&iacute;vel superior de prest&iacute;gio, como a Medicina, a Arquitetura, o Direito e mesmo a Engenharia, &aacute;reas at&eacute; h&aacute; bem pouco tempo reservadas a profissionais do sexo masculino. O movimento de ingresso das mulheres nessas &aacute;reas cient&iacute;ficas e art&iacute;sticas tem-se dado na esteira dos movimentos pol&iacute;ticos e sociais deflagrados nas d&eacute;cadas de 60 e 70 do s&eacute;culo XX. Aqui inclu&iacute;do o movimento feminista e da mudan&ccedil;a de valores culturais deles decorrentes, que se refletiram, entre outras coisas, na expans&atilde;o da escolaridade das mulheres e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, em seu ingresso maci&ccedil;o no ensino de 3&ordm; grau em uma gama mais ampla de carreiras universit&aacute;rias. Bruschini & Lombardi, 2000).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>III - Maternidade e trabalho feminino.</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar dos avan&ccedil;os conquistados pelas mulheres no espa&ccedil;o profissional desde a d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo XX, faz-se necess&aacute;rio analisar quais foram os aspectos determinantes neste processo, pois os estudos sobre a condi&ccedil;&atilde;o social da mulher passaram a considerar, como elemento fundamental de an&aacute;lise, a articula&ccedil;&atilde;o entre o mercado de trabalho e a fam&iacute;lia. Isso porque, para muitas mulheres, a inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho n&atilde;o levou a uma libera&ccedil;&atilde;o das atribui&ccedil;&otilde;es familiares, mas &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o dessas duas esferas (Schirmer, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Somente em 1919, na primeira Confer&ecirc;ncia Internacional do Trabalho, promovida pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), foi formulada a primeira conven&ccedil;&atilde;o internacional, que tratava de quest&otilde;es relacionadas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade, dando in&iacute;cio &agrave; discuss&atilde;o e &agrave; formula&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de instrumentos internacionais, dedicados &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos direitos da mulher no campo previdenci&aacute;rio. Desde ent&atilde;o, a legisla&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios pa&iacute;ses vem reconhecendo, o direito de prote&ccedil;&atilde;o da mulher trabalhadora, no que tange &agrave; sa&uacute;de, durante e imediatamente ap&oacute;s a gravidez, tendo-se em vista assegurar a sua coloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho e seus proventos (Beltr&atilde;o et.al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As diferen&ccedil;as biol&oacute;gicas entre os sexos, para efeitos de previd&ecirc;ncia social, ligam-se primordialmente &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o. Cabendo &agrave; mulher, na procria&ccedil;&atilde;o, fun&ccedil;&otilde;es como a gesta&ccedil;&atilde;o e a amamenta&ccedil;&atilde;o dos filhos, as quais demandam tempo e cuidados m&eacute;dicos durante a gravidez e no per&iacute;odo p&oacute;s-natal(Beltr&atilde;o et.al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses mecanismos protecionistas garantem a estabilidade no emprego durante a gravidez e no per&iacute;odo p&oacute;s-natal; o afastamento do trabalho no per&iacute;odo perinatal; vencimentos parciais ou integrais garantidos durante o per&iacute;odo de afastamento; ajudas de custo para as despesas de parto; servi&ccedil;os de sa&uacute;de antes, durante e depois do parto. Tais recursos podem ser expressos em instrumentos legais de diversos n&iacute;veis: constitucional, infraconstitucional, normativas de &oacute;rg&atilde;os governamentais e de esferas centrais ou locais (Beltr&atilde;o et.al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E ainda de acordo com esses mesmos autores, a quest&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o da mulher nas quest&otilde;es referentes &agrave; seguridade social no Brasil est&aacute; intimamente ligada aos avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados por elas mediante a intensifica&ccedil;&atilde;o da sua presen&ccedil;a no mercado de trabalho. At&eacute; a d&eacute;cada de 60 n&atilde;o foram feitas diferencia&ccedil;&otilde;es significativas quanto ao crit&eacute;rio de concess&atilde;o dos benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios entre os sexos. Foi apenas com a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei Org&acirc;nica da Previd&ecirc;ncia Social (Lops) na d&eacute;cada de 60 e a posterior cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional da Previd&ecirc;ncia Social (INPS), atuando no sentido de unifica&ccedil;&atilde;o do sistema, que come&ccedil;aram a ser adotadas medidas de diferencia&ccedil;&atilde;o entre os g&ecirc;neros. Essas medidas evolu&iacute;ram ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. (Beltr&atilde;o et.al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A faixa et&aacute;ria onde &eacute; maior a contribui&ccedil;&atilde;o previdenci&aacute;ria feminina &eacute; a de 25 a 29 anos (58,6&#37;). Provavelmente, a sa&iacute;da da mulher do mercado de trabalho &eacute; maior a partir dessa idade, em fun&ccedil;&atilde;o das tarefas dom&eacute;sticas ligadas ao cuidado com os filhos. Alguns elementos t&ecirc;m sido determinantes no aumento das taxas de contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; previd&ecirc;ncia social das mulheres: a gera&ccedil;&atilde;o de empregos de maior escolaridade, o aumento de mulheres chefes de fam&iacute;lia em rela&ccedil;&atilde;o a c&ocirc;njuges e o pr&oacute;prio avan&ccedil;o dos movimentos sociais est&atilde;o associados ao aumento da prote&ccedil;&atilde;o previdenci&aacute;ria do emprego feminino. (Beltr&atilde;o et.al, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, Haag(2006) afirma que para uma determinada camada da sociedade filhos e carreira tornam-se uma op&ccedil;&atilde;o excludente, e afim de desenvolver-se profissionalmente, homens e mulheres tendem a retardar a maternidade/paternidade, e consequentemente, os quadros sociais de reprodu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o desestabilizados. E ainda, de acordo com Pazello citada por Haag (2006), mulheres que possuem filhos tendem a ter uma jornada de trabalho menor e procuram empregos com perfil mais flex&iacute;vel, sendo estes com sal&aacute;rios menores. No entanto, para mulheres com mais de 40 anos, essa diferen&ccedil;a salarial &eacute; quase inexistente, j&aacute; que, algum tempo ap&oacute;s o nascimento do filho, os diferenciais de produtividade tendem a diminuir at&eacute; n&atilde;o mais influenciarem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, Bruschini & Lombard (1998) afirma que pol&iacute;ticas sociais que visem beneficiar as trabalhadoras devem buscar n&atilde;o s&oacute; a igualdade no mercado e a prote&ccedil;&atilde;o das trabalhadoras que s&atilde;o m&atilde;es, mas tamb&eacute;m criar mecanismos que viabilizem uma nova divis&atilde;o de pap&eacute;is na fam&iacute;lia, cujo integrantes partilhem as responsabilidades profissionais e dom&eacute;sticas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E ainda de acordo com Rago (1998):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&ldquo;&eacute; importante que possamos perceber a constru&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as sexuais hist&oacute;rica e culturalmente determinada, desnaturalizando portanto as representa&ccedil;&otilde;es cristalizadas no imagin&aacute;rio social. E isto n&atilde;o s&oacute; na leitura do passado, mas na pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o de formas mais libert&aacute;rias de conviv&ecirc;ncia no presente. A amizade s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel entre iguais, explica Maquiavel, e as negocia&ccedil;&otilde;es entre grupos sociais, &eacute;tnicos ou sexuais s&oacute; podem ser feitas desde que o espa&ccedil;o se des-hierarquize e se abra, de modo mais libert&aacute;rio, &agrave; entrada das multiplicidades e de novas subjetividades&rdquo; (Rago, 1998, p.98</i>).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, torna-se fundamental na an&aacute;lise sobre a inser&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho um estudo sobre a divis&atilde;o sexual do trabalho, pois &eacute; neste cen&aacute;rio em que mais se evidencia&nbsp; as diferen&ccedil;as socialmente constru&iacute;das entre homens e mulheres e que remetem &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Abromavay, M.(1989) &ldquo;Por tr&aacute;s dos bastidores: uma an&aacute;lise de mensagens produzidas por organiza&ccedil;&otilde;es governamentais e n&atilde;o-governamentais que trabalham com mulher&rdquo;. <i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado apresentada como exig&ecirc;ncia parcial para a obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo do grau de mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o: supervis&atilde;o e curr&iacute;culo</i>. S&atilde;o Paulo: Pont&iacute;fica Universidade Cat&oacute;lica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Beltr&atilde;o, K. I.; Medici, A. C.; Oliveira, F. E. B. de. (<i>1994) </i>&ldquo;Mulher e previd&ecirc;ncia Social&rdquo;. <i>Trabalho apresentado no Semin&aacute;rio Mulher e Cidadania: rumos e descaminhos das pol&iacute;ticas sociais</i>. S&atilde;o Paulo: Abep.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bruschini, M. C.; Rosemberg, F. (1982) &ldquo;A Mulher e o Trabalho&rdquo;. <i>Trabalhadoras do Brasil, S&atilde;o </i>Paulo: Brasiliense, 9-22.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bruschini, M. C.; Lombard, M. R. (1998) &ldquo;A bipolaridade do trabalho feminino&rdquo;. <i>Cadernos de Pesquisa, </i>110, 67-104.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chau&iacute;, M. (1980) <i>O que &eacute; Ideologia</i>, S&atilde;o Paulo: Brasiliense.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1951256&pid=S1870-350X200800040000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Codo, W.<i>O que &eacute; aliena&ccedil;&atilde;o?</i> S&atilde;o Paulo. Brasiliense, 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1951257&pid=S1870-350X200800040000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Haag, C.(2006). &ldquo;Licen&ccedil;a para criar<i>&rdquo; Revista Pesquisa Fapesp.</i> 122, 15-23. Dispon&iacute;vel em:<a  href="http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=2944&bd=1&rb=">http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=2944&bd=1&rb=</a> Acessado 15 set. 2007</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hirata, H. (2002) <i>Nova divis&atilde;o sexual do trabalho, </i>S&atilde;o Paulo: Boitempo Editorial.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1951259&pid=S1870-350X200800040000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kartchevsky-bulport, A. (1986) &ldquo;Trabalho Feminino, Trabalho das Mulheres: For&ccedil;as em Jogo nas Abordagens dos Especialistas&rdquo;. <i>O Sexo do Trabalho, </i>Rio de Janeiro: Paz e Terra, 13-22-43.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pena, M. V. J. (1981) <i>Mulheres e Trabalhadoras: presen&ccedil;a Feminina na constitui&ccedil;&atilde;o do Sistema Fabril, </i>Rio de Janeiro: Paz e Terra.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1951261&pid=S1870-350X200800040000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Oliveira, B.G.R.B.; Pereira, A.L. &ldquo;Mulher = Enfermeira X Enfermeira = Mulher. Eis a quest&atilde;o<i>&rdquo;. Rev. Alt. Enf.</i>, v. 1, n. 4, 4-13.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Machado, L. M. (1998). &ldquo;G&ecirc;nero, um novo paradigma?&rdquo;. <i>Cadernos Pagu.</i>11, 107-125.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Prosbt, E. R.&nbsp; (2003) &ldquo;A evolu&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho&rdquo;. <b>&nbsp;</b><i>Revista Leonardo P&oacute;s &Oacute;rg&atilde;o de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Cultural do IPCG</i>, 1,n.2. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;  //www.ipc.com.br/artigos/rev02-05.pdf Acessado em: 15 set. 2007</font></p>     
<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rago, M. (1997) &ldquo;Trabalho feminino e sexualidade&rdquo;. In: PRIORE, Mary Del. <i>Hist&oacute;ria das mulheres no Brasil</i><b>. </b>2. ed.S&atilde;o Paulo : Contexto, 1997. P.578-606.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rago, M. (1998). &ldquo;Descobrindo historicamente o g&ecirc;nero&rdquo;. <i>Cadernos pagu</i>, 11, 89-98.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sarti, C.A. (1997) &ldquo;Os filhos dos trabalhadores: quem cuida das crian&ccedil;as?&rdquo; In: Bretas, A.C.P. <i>Trabalho, sa&uacute;de e g&ecirc;nero: na era da globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Goi&acirc;nia: AB, 51-60.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Schirmer, J. (1997) &ldquo;Trabalho e maternidade: qual o custo para as mulheres?&rdquo; In: Bretas, A.C.P. <i>Trabalho, sa&uacute;de e g&ecirc;nero: na era da globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Goi&acirc;nia, AB, 101-13.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sim&atilde;o, D. 2000 <i>G&ecirc;nero no mundo do trabalho</i>.&nbsp; S&atilde;o Paulo; MIMEO, 9p.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1951269&pid=S1870-350X200800040000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="a"></a><a href="#1"><img src="/img/revistas/psilat/n15/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font>    <br> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Glaucia de Lima D&rsquo;Alonso</b>    <br> E-mail:  <a href="mailto:glauciadalonso@gmail.com">glauciadalonso@gmail.com</a></font></p>      ]]></body>
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