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<publisher-name><![CDATA[Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFJF]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.24879/201700110010094</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Freud, Klein, Lacan e a constituição do sujeito]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The ideas of Sigmund Freud, Melanie Klein and Jacques Lacan about the subjective constitution are presented, highlighting how they contributed to the child being considered a subject and not just an object of intervention. Through listening to his adult patients, Freud theorized the development of infantile sexuality from the libidinal organization in psycho-sexual phases. But psychoanalysis of children gained precise contours from Klein, who nursed small children and theorized aspects of the early stages of baby development, establishing the preoedipal field. Lacan rescued the term subject from philosophy, giving it a new conception: the subject is not the individual, on the contrary, it is a subject marked by the conscious / unconscious division.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Freud, Klein, Lacan, constituição do sujeito]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  			    <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p> 			    <p align="right"><font face="verdana" size="2">10.24879/201700110010094</font></font></p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><font face="verdana" size="4"><b>Freud, Klein, Lacan e a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito</b></font></p> 			    <p><font face="verdana" size="3"><b>Freud, Klein, Lacan and the constitution of the subject</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> 			    <p><font face="verdana" size="2"><b>Daniela Paula do Couto<sup>I</sup></b></font></p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">I Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o Del Rei. Mestre em Psicologia, na linha de pesquisa Conceitos Fundamentais e Cl&iacute;nica Psicanal&iacute;tica, pela Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o del-Rei. Psic&oacute;loga graduada pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Minas Gerais (2011).</font></p>     <p>&nbsp;</p> 			<a href="#end">    <p><font face="verdana" size="2">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</font></p></a>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			<hr size="1" noshade> 			    <p><font face="verdana" size="2">Resumo</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Apresentam-se as ideias de Sigmund Freud, Melanie Klein e Jacques Lacan a respeito da constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva, destacando-se como eles contribu&iacute;ram para que a crian&ccedil;a fosse considerada um sujeito e n&atilde;o apenas um objeto de interven&ccedil;&atilde;o. Por meio da escuta de seus pacientes adultos, Freud teorizou o desenvolvimento da sexualidade infantil a partir da organiza&ccedil;&atilde;o libidinal em fases psicossexuais. Mas, a psican&aacute;lise de crian&ccedil;as ganhou contornos precisos a partir de Klein, que atendeu crian&ccedil;as pequenas e teorizou aspectos dos est&aacute;gios iniciais do desenvolvimento do beb&ecirc;, estabelecendo o campo pr&eacute;-edipiano. Lacan resgatou da filosofia o termo sujeito, dando-lhe uma nova concep&ccedil;&atilde;o: o sujeito n&atilde;o &eacute; o indiv&iacute;duo, pelo contr&aacute;rio, &eacute; um sujeito marcado pela divis&atilde;o consciente/inconsciente.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave:</b> Freud; Klein, Lacan, constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito.</font></p> 			     <p>&nbsp;</p> 			<hr size="1" noshade> 			    <p><font face="verdana" size="2">Abstract</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">The ideas of Sigmund Freud, Melanie Klein and Jacques Lacan about the subjective constitution are presented, highlighting how they contributed to the child being considered a subject and not just an object of intervention. Through listening to his adult patients, Freud theorized the development of infantile sexuality from the libidinal organization in psycho-sexual phases. But psychoanalysis of children gained precise contours from Klein, who nursed small children and theorized aspects of the early stages of baby development, establishing the preoedipal field. Lacan rescued the term subject from philosophy, giving it a new conception: the subject is not the individual, on the contrary, it is a subject marked by the conscious / unconscious &#160;division.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2"><b>keywords:</b> Freud, Klein, Lacan, constitution of the subject.</font></p> 			    <p>&nbsp;</p> 		     <p><font face="verdana" size="3"><b>Sigmund Freud &ndash; a sexualidade infantil</b></font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A ideia de sujeito em Freud (1905/1996) se relaciona &agrave; exig&ecirc;ncia de satisfa&ccedil;&atilde;o da puls&atilde;o sexual, como &eacute; discutido, de forma abrangente, em <span class="CharOverride-1">Tr&ecirc;s ensaios sobre a teoria da sexualidade, texto em que o autor delineia o desenvolvimento psicossexual da crian&ccedil;a. Ao afirmar que as crian&ccedil;as obt&ecirc;m prazer com determinadas atividades cotidianas ligadas ao corpo, como a suc&ccedil;&atilde;o, a defeca&ccedil;&atilde;o e a masturba&ccedil;&atilde;o, Freud (1905/1996) toma como fundamento da sexualidade infantil a disposi&ccedil;&atilde;o perverso-polimorfa. Assim, as manifesta&ccedil;&otilde;es sexuais da crian&ccedil;a s&atilde;o perversas porque n&atilde;o t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com a reprodu&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o polimorfas porque n&atilde;o est&atilde;o centralizadas em um objeto sexual, mas assumem formas variadas de satisfa&ccedil;&atilde;o por meio de zonas er&oacute;genas, partes da pele ou da mucosa de onde se origina uma excita&ccedil;&atilde;o sexual e que s&atilde;o tomadas como a principal refer&ecirc;ncia para os outros prazeres do corpo. Portanto, o corpo da crian&ccedil;a &eacute; tomado por puls&otilde;es parciais autoer&oacute;ticas, que s&atilde;o puls&otilde;es sexuais fragmentadas e independentes entre si no que diz respeito &agrave; busca pela satisfa&ccedil;&atilde;o. A obten&ccedil;&atilde;o de prazer &eacute; encontrada no pr&oacute;prio corpo e n&atilde;o em um objeto externo.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A partir da caracteriza&ccedil;&atilde;o da vida sexual infantil, Freud (1905/1996) prop&otilde;e uma organiza&ccedil;&atilde;o sexual por meio de quatro fases de desenvolvimento &ndash; oral, s&aacute;dico-anal, f&aacute;lica e genital &ndash; que v&atilde;o culminar na vida sexual adulta, em que as puls&otilde;es, antes parciais, ficar&atilde;o sob o dom&iacute;nio da zona genital. Todas as fases organizam um conflito interno t&iacute;pico e um modo de defesa, como no caso da fase f&aacute;lica, em que o conflito do desejo libidinoso pela m&atilde;e precipita o complexo de &Eacute;dipo como sintoma de um desejo incestuoso. Conv&eacute;m desatacar ainda que as fases de desenvolvimento s&atilde;o resultados de um processo que inclui o acionamento de mecanismos de defesa como o recalque e a proje&ccedil;&atilde;o, que por sua vez implicam fixa&ccedil;&otilde;es e regress&otilde;es para caracterizar sua estrutura&ccedil;&atilde;o mais din&acirc;mica &ndash; j&aacute; que sinuosa &ndash; do que linear e determinista. Cada fase diz respeito a uma etapa do desenvolvimento da libido em que h&aacute; a preponder&acirc;ncia de uma zona er&oacute;gena e uma modalidade espec&iacute;fica de rela&ccedil;&atilde;o com o objeto.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A fase que d&aacute; in&iacute;cio &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o sexual infantil &eacute; a fase oral, que Freud (1905/1996) chega a denominar de &ldquo;canibalesca&rdquo;, uma vez que a boca &eacute; o destino certo de tudo que est&aacute; pr&oacute;ximo ao beb&ecirc;. A boca propicia a ele o conhecimento do mundo &agrave; sua volta e o seio da m&atilde;e &eacute; o primeiro objeto da puls&atilde;o sexual. Posteriormente, esse objeto ser&aacute; abandonado, pois a m&atilde;e n&atilde;o est&aacute; inteiramente &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, o que faz com que o beb&ecirc; substitua a atividade de suc&ccedil;&atilde;o do seio materno pela suc&ccedil;&atilde;o de uma parte do seu pr&oacute;prio corpo. Como a atividade sexual surge misturada &agrave; necessidade de nutri&ccedil;&atilde;o, podemos dizer que o leite &eacute; o objeto que satisfaz o corpo biol&oacute;gico e o seio da m&atilde;e &eacute; o objeto que satisfaz o corpo ps&iacute;quico, j&aacute; que enquanto o beb&ecirc; o suga, h&aacute; toda uma rela&ccedil;&atilde;o de afetividade que vai inserindo o pequeno corpo na ordem simb&oacute;lica. As caracter&iacute;sticas da fase oral s&atilde;o sintetizadas da seguinte maneira: como h&aacute; um prazer enorme ligado &agrave; mucosa dos l&aacute;bios e &agrave; cavidade bucal, a fonte de onde prov&ecirc;m as excita&ccedil;&otilde;es &eacute; a zona oral, o objeto &eacute; o seio materno e o objetivo &eacute; a introje&ccedil;&atilde;o do objeto.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Ainda no per&iacute;odo pr&eacute;-genital da sexualidade infantil, Freud (1905/1996) localiza a fase s&aacute;dico-anal. Assim como a mucosa dos l&aacute;bios e a cavidade bucal, a mucosa do intestino &eacute; fonte de excita&ccedil;&otilde;es intensas, facilmente observadas por meio dos frequentes dist&uacute;rbios intestinais da primeira inf&acirc;ncia. Portanto, o objeto que caracteriza a fase s&aacute;dico-anal s&atilde;o as fezes, utilizadas pela crian&ccedil;a como moeda de troca na rela&ccedil;&atilde;o com o seu cuidador. A puls&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o da musculatura do corpo se faz valer a partir do ato de prender/soltar as fezes, que s&atilde;o consideradas pela crian&ccedil;a como uma parte de seu pr&oacute;prio corpo, por isso ela tem tanta preocupa&ccedil;&atilde;o com o destino delas. O valor simb&oacute;lico que as fezes adquirem &eacute; tal que a crian&ccedil;a as &ldquo;entrega de presente&rdquo; para quem dela cuida. E assim estabelece com o outro uma rela&ccedil;&atilde;o d&oacute;cil &ndash; quando aceita produzir as fezes &ndash; ou obstinada &ndash; quando insiste em &ldquo;prender&rdquo; o intestino. Nessa rela&ccedil;&atilde;o de troca com o outro, h&aacute; perdas e ganhos: ao renunciar ao prazer proporcionado pela reten&ccedil;&atilde;o das fezes, a crian&ccedil;a ganha o respeito social. Portanto, o finalidade da rela&ccedil;&atilde;o com o objeto na fase anal se configura pela dualidade atividade/passividade, j&aacute; que h&aacute; uma &ldquo;[...]recusa obstinada do beb&ecirc; a esvaziar o intestino ao ser posto no troninho, ou seja, quando isso &eacute; desejado pela pessoa que cuida dele, ficando essa fun&ccedil;&atilde;o reservada para quando aprouver a ele pr&oacute;prio.&rdquo; (Freud, 1905/1996, p. 175). Ent&atilde;o, na fase anal, j&aacute; est&aacute; presente uma divis&atilde;o de opostos que perdurar&aacute; pela vida sexual, o par ativo/passivo, que ainda n&atilde;o pode ser denominado de masculino/feminino, porque a evid&ecirc;ncia de que meninos e meninas defecam do mesmo modo levaria &agrave; percep&ccedil;&atilde;o de uma aus&ecirc;ncia de diferen&ccedil;a sexual entre os dois.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Em seu artigo <span class="CharOverride-1">A organiza&ccedil;&atilde;o genital infantil: uma interpola&ccedil;&atilde;o na teoria da sexualidade, Freud (1923/1996) pontuou a exist&ecirc;ncia de uma fase que j&aacute; poderia ser denominada de genital. No entanto, pelo fato de haver, por parte da crian&ccedil;a, o reconhecimento apenas da genit&aacute;lia masculina, tal fase foi denominada de fase f&aacute;lica. Nela, h&aacute; uma suposi&ccedil;&atilde;o do menino de que todos, assim como ele, possuem p&ecirc;nis, considerado uma preciosa parte anat&ocirc;mica, um ap&ecirc;ndice vis&iacute;vel e muito valorizado. Trata-se, portanto, de uma primazia &#160;do falo.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A primazia do falo diz respeito a uma representa&ccedil;&atilde;o que se constitui com base na presen&ccedil;a/aus&ecirc;ncia do p&ecirc;nis. &Eacute; isso, justamente, o que diferencia, na teoria freudiana, a fase f&aacute;lica da organiza&ccedil;&atilde;o genital adulta: a primazia n&atilde;o &eacute; dos &oacute;rg&atilde;os genitais, mas do falo. E o falo, nesse caso, n&atilde;o se reduz ao p&ecirc;nis, ele &eacute; qualquer objeto investido por nossa libido, tal qual um representante do desejo que proporciona a sensa&ccedil;&atilde;o &ndash; sempre enganosa &ndash; de completude. Na teoria lacaniana, o falo representar&aacute; um significante que define como homens e mulheres se posicionam na rela&ccedil;&atilde;o entre os sexos.</font></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Para a crian&ccedil;a na fase f&aacute;lica, assim como acontece na fase s&aacute;dico-anal, ainda n&atilde;o h&aacute; a oposi&ccedil;&atilde;o masculino/feminino. O que h&aacute; &eacute; masculinidade e n&atilde;o feminilidade. Isso faz com que a ant&iacute;tese seja: ter um &oacute;rg&atilde;o genital masculino/ser castrado. &Eacute; somente quando a organiza&ccedil;&atilde;o sexual se completa, no per&iacute;odo da puberdade, que se reconhece uma polaridade sexual entre masculino/feminino. Se na fase f&aacute;lica, h&aacute; somente o reconhecimento do &oacute;rg&atilde;o genital masculino, como o desenvolvimento sexual se processa para meninos e meninas? Nesse artigo de 1923, Freud consegue descrever apenas o que afeta os meninos. O processo referente &agrave;s meninas ser&aacute; tratado no artigo de 1925, <span class="CharOverride-1">Algumas consequ&ecirc;ncias ps&iacute;quicas da distin&ccedil;&atilde;o anat&ocirc;mica entre o<span class="No-break CharOverride-1">s sexos.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">O menino tem uma percep&ccedil;&atilde;o acerca da diferen&ccedil;a entre homens e mulheres, mas ele n&atilde;o consegue relacion&aacute;-la &agrave; distin&ccedil;&atilde;o entre os &oacute;rg&atilde;os genitais. Freud (1923/1996) aponta que o menino, quando inicia suas pesquisas sexuais, tem a convic&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o s&oacute; os humanos possuem um &oacute;rg&atilde;o genital semelhante ao seu, mas tamb&eacute;m os animais e os objetos inanimados. O pequeno Hans nos d&aacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o clara disso: &ldquo;A locomotiva est&aacute; fazendo pipi. Mas onde est&aacute; o pipi dela? [...]. Um cachorro e um cavalo t&ecirc;m pipi; a mesa e a cadeira, n&atilde;o.&rdquo; (Freud, 1909/1996, p. 18). No decorrer de suas pesquisas, o menino descobre que nem todos os seres vivos possuem p&ecirc;nis. E o que possibilita tal achado, diz Freud (1923/1996), &eacute; a vis&atilde;o fortuita dos genitais de uma irm&atilde;zinha ou amiguinha. Quando isso acontece, o menino rejeita a aus&ecirc;ncia do p&ecirc;nis e insiste na exist&ecirc;ncia dele, mas com um argumento plaus&iacute;vel, como feito pelo pequeno Hans, quando da observa&ccedil;&atilde;o do banho de sua irm&atilde;, ent&atilde;o com sete dias: &ldquo;Mas o pipi dela ainda &eacute; bem pequenininho [...]. Quando ela crescer, ele vai ficar bem maior.&rdquo; (Freud, 1909/1996, p. 20). &Agrave; medida que continua as pesquisas, o menino acaba concluindo que a menina tinha um p&ecirc;nis, mas que o perdeu. Freud (1923/1996) pontua essa perda como consequ&ecirc;ncia da castra&ccedil;&atilde;o, com a qual o menino ter&aacute; que se haver tamb&eacute;m. Em suas conjecturas, o menino acredita que uma puni&ccedil;&atilde;o foi imposta &agrave;s representantes do sexo feminino consideradas desprez&iacute;veis e que tenham se entregado a atividades masturbat&oacute;rias. Isso n&atilde;o se estenderia &agrave; sua m&atilde;e, que permaneceria na ideia do menino como possuidora de um p&ecirc;nis por um longo tempo, at&eacute; que a investiga&ccedil;&atilde;o acerca do nascimento dos beb&ecirc;s possibilita a conclus&atilde;o de que s&oacute; as mulheres podem ter filhos. &Eacute; a&iacute; que tamb&eacute;m a m&atilde;e se iguala &agrave;s outras mulheres &#160;sem p&ecirc;nis.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">E a menina, como se coloca diante da fase f&aacute;lica? Ao reparar o p&ecirc;nis de um irm&atilde;o ou de um amigo, ela nota como o tamanho &eacute; maior do que o de seu &oacute;rg&atilde;o, que passa ent&atilde;o a ser, praticamente, impercept&iacute;vel. Assim se instala a inveja do p&ecirc;nis, de acordo com Freud (1925/1996). Diferente do menino que, inicialmente, quando v&ecirc; a genit&aacute;lia feminina, rejeita a aus&ecirc;ncia de um p&ecirc;nis, a menina admite que n&atilde;o tem aquilo que viu, mas que quer t&ecirc;-lo tamb&eacute;m. N&atilde;o &eacute; que a menina queira um p&ecirc;nis, mas a sensa&ccedil;&atilde;o de pot&ecirc;ncia que tal &oacute;rg&atilde;o promove. Nesse sentido, a inveja do p&ecirc;nis corresponde &agrave; inveja do falo. Portanto, na fase f&aacute;lica, o menino experimenta o sentimento de ang&uacute;stia pela possibilidade de perder o falo e a menina sofre por j&aacute; t&ecirc;-lo perdido. A fase f&aacute;lica &eacute; importante porque &ldquo;[...]assinala o ponto culminante e o decl&iacute;nio do complexo de &Eacute;dipo pela amea&ccedil;a da castra&ccedil;&atilde;o.&rdquo;(Garcia-Roza, 2004, p. 106). Durante a viv&ecirc;ncia edipiana, a crian&ccedil;a experimenta um movimento er&oacute;tico de seu corpo em dire&ccedil;&atilde;o ao corpo da m&atilde;e e do pai, o que se difere da busca sexual da puberdade que se dirige a objetos fora do seio familiar.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Assim, impulsos sexuais s&atilde;o dirigidos &agrave; m&atilde;e e um sentimento de &oacute;dio &eacute; dirigido ao pai (Freud, 1900/1996). E essa hist&oacute;ria, afirma Freud (1905/1996), tem in&iacute;cio quando o corpo da crian&ccedil;a passa a receber os cuidados dos quais tanto precisa. A ternura com que a m&atilde;e ou seu substituto envolve o beb&ecirc; promove uma erogeneiza&ccedil;&atilde;o do seu pequeno corpo, despertando-o para a puls&atilde;o sexual e, consequentemente, para a vida. Dessa forma, n&atilde;o importa em que meio familiar ou sociocultural a crian&ccedil;a se desenvolve, o complexo de &Eacute;dipo sempre estar&aacute; presente, interferindo no processo de constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito e, consequentemente, nas estruturas cl&iacute;nicas, principalmente nas neuroses e nos caminhos sem psicopatologias.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A fase f&aacute;lica, em que o complexo de &Eacute;dipo se desenvolve, n&atilde;o tem um prosseguimento at&eacute; atingir a organiza&ccedil;&atilde;o genital adulta, pois &eacute; interrompida pelo per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia, provocando uma pausa no desenvolvimento psicossexual da crian&ccedil;a. (Freud, 1924/1996).O per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia n&atilde;o se configura como uma fase psicossexual, visto que n&atilde;o h&aacute; uma nova organiza&ccedil;&atilde;o em torno de uma zona er&oacute;gena, nem uma nova modalidade de rela&ccedil;&atilde;o objetal. O per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia &eacute; um ponto intermedi&aacute;rio entre a sexualidade infantil e a adulta. Freud (1905/1996) aponta que durante a lat&ecirc;ncia, o investimento libidinal se desloca dos objetivos sexuais, sendo canalizado para outras finalidades, como o desenvolvimento intelectual e social.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Finalizando a organiza&ccedil;&atilde;o libidinal, tem-se a fase genital e a consolida&ccedil;&atilde;o da vida sexual adulta. Se antes, a puls&atilde;o sexual partia de diversas zonas er&oacute;genas, independentes entre si, ou seja, eram puls&otilde;es parciais, agora elas se re&uacute;nem sob o dom&iacute;nio da zona genital. Conjugadas, as puls&otilde;es parciais se dirigem a um objeto sexual externo. (Freud, 1905/1996). A polaridade sexual que se dividia entre ativo/passivo na fase s&aacute;dico-anal e entre possuir o falo/ser castrado na fase f&aacute;lica, nesse momento da fase genital, quando o desenvolvimento sexual atinge seu &aacute;pice, tem-se a polaridade sexual masculino/feminino (Freud, 1923/1996). A fase genital tem como fonte das excita&ccedil;&otilde;es sexuais a zona genital, sendo seus objetos o p&ecirc;nis e a vagina e a finalidade da rela&ccedil;&atilde;o com tais objetos seria a reprodu&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que como Freud (1905/1996, p. 196) afirma: &ldquo;a puls&atilde;o sexual coloca-se agora a servi&ccedil;o da fun&ccedil;&atilde;o reprodutora [...]&rdquo;. O prop&oacute;sito m&aacute;ximo da puberdade, como coloca Freud (1917[1916-17]/1996), &eacute; a desvincula&ccedil;&atilde;o dos pais, o que permite a inser&ccedil;&atilde;o na comunidade social. Para se desvincular dos pais, &eacute; preciso dessexualiz&aacute;-los, ou seja, deixar de tom&aacute;-los como objetos sexuais e dirigir os desejos libidinais para um objeto de amor real, no mundo externo.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Ao descrevermos as fases do desenvolvimento libidinal, pudemos observar como Freud vai articulando tais fases &agrave; puls&atilde;o sexual. A m&atilde;e, enquanto dispensa seus cuidados ao corpo biol&oacute;gico de seu filho desperta um corpo ps&iacute;quico, tal &eacute; a for&ccedil;a da libido, esse componente essencial da sexualidade humana. Nesse sentido, &eacute; o contato entre m&atilde;e e filho que oferece os contornos de uma estrutura ps&iacute;quica. A seguir, veremos como Melanie Klein, na esteira de Freud, pensou a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Melanie Klein &ndash; o beb&ecirc; s&aacute;dico</b></font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Melanie Klein se destacou no campo psicanal&iacute;tico n&atilde;o s&oacute; por ter confirmado a teoria freudiana do desenvolvimento libidinal, mas por ter feito suas pr&oacute;prias descobertas no que diz respeito aos est&aacute;gios iniciais do desenvolvimento da crian&ccedil;a. Enquanto Freud teve, na an&aacute;lise de adultos, o sustent&aacute;culo para construir suas teorias, Klein se baseou em sua vasta experi&ecirc;ncia com a cl&iacute;nica de crian&ccedil;as.</font></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Para Klein (1952/1991), o mundo interno do beb&ecirc; &eacute; povoado por fantasias, ansiedades, figuras boas e m&aacute;s, sendo que, desde o nascimento, o beb&ecirc; est&aacute; exposto &agrave; luta entre as puls&otilde;es de vida e de morte, representadas pelos impulsos libidinais e agressivos, respectivamente. De acordo com a teoria metapsicol&oacute;gica kleiniana, portanto, h&aacute; que se considerar que cada crian&ccedil;a nasce com um &ldquo;dote pulsional&rdquo;, um quantum de puls&atilde;o de vida e de morte, cujo equil&iacute;brio se mant&eacute;m quando o beb&ecirc; est&aacute; livre de tens&otilde;es internas e/ou externas. Dessa forma, as experi&ecirc;ncias gratificadoras &ndash; como o carinho da m&atilde;e &ndash; refor&ccedil;am a puls&atilde;o de vida e as experi&ecirc;ncias frustradoras &ndash; como a aus&ecirc;ncia da m&atilde;e &ndash; intensificam a puls&atilde;o de morte. No primeiro ano de vida, as viv&ecirc;ncias entre m&atilde;e e beb&ecirc; s&atilde;o marcadas por uma modifica&ccedil;&atilde;o importante no que diz respeito &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de objeto: a rela&ccedil;&atilde;o com o objeto parcial d&aacute; lugar &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o objeto total. Com base nisso, Klein (1935/1996) descreveu os primeiros meses de vida do beb&ecirc; a partir de duas posi&ccedil;&otilde;es: a posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paranoide e a posi&ccedil;&atilde;o depressiva.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Klein (1935/1996) localiza a posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paranoide entre o nascimento e o terceiro ou quarto m&ecirc;s de vida do beb&ecirc;, per&iacute;odo em que os processos de cis&atilde;o do seio em seio bom (gratificador) e seio mau (frustrador) est&atilde;o em seu ponto m&aacute;ximo, assim como os impulsos destrutivos. Assim, os impulsos amorosos projetados pelo beb&ecirc; d&atilde;o origem ao seio bom e os impulsos destrutivos d&atilde;o origem ao seio mau. H&aacute; o objeto amado e o objeto odiado, que o beb&ecirc; imagina serem separados. Como o ego se identifica com os objetos bons internalizados, a ansiedade persecut&oacute;ria est&aacute; intimamente ligada &agrave; sua preserva&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que h&aacute; o perigo de que os impulsos destrutivos do beb&ecirc; ataquem os objetos bons e, consequentemente, o ego, provocando sua desintegra&ccedil;&atilde;o. A cis&atilde;o do seio entre bom e mau se relaciona ao equil&iacute;brio entre impulsos libidinais e agressivos. Se h&aacute; frustra&ccedil;&otilde;es, seja de fontes internas ou externas, os impulsos agressivos se tornam predominantes e o equil&iacute;brio se rompe, dando origem &agrave; voracidade, essencialmente oral. O aumento da voracidade, por sua vez, refor&ccedil;a a frustra&ccedil;&atilde;o e os impulsos agressivos. (Klein, 1952/1991). A posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paranoide, portanto, &eacute; caracterizada pela ansiedade gerada pelo medo que o beb&ecirc; sente de ser destru&iacute;do.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">&Agrave; medida que o ego alcan&ccedil;a uma melhor organiza&ccedil;&atilde;o, uma mudan&ccedil;a essencial ocorre entre o quarto e o quinto m&ecirc;s de vida do beb&ecirc;: a posi&ccedil;&atilde;o depressiva se instala e o beb&ecirc; passa a introjetar o objeto como um todo, sendo que os objetos antes parciais &ndash; objeto amado e odiado &ndash; come&ccedil;am a se integrar e v&atilde;o gradativamente formar um objeto total. Klein (1935/1996) acredita que o beb&ecirc; consegue estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de objeto total quando a m&atilde;e &eacute; percebida como inteira, um objeto completo, real e amado. Nesse momento, diminuem as fantasias s&aacute;dicas e a ansiedade persecut&oacute;ria. Al&eacute;m de introjetar o objeto como um todo, o beb&ecirc; sintetiza as emo&ccedil;&otilde;es relacionadas a ele. Agora, amor e &oacute;dio s&atilde;o dirigidos a um mesmo objeto e o beb&ecirc; sente culpa pelos ataques agressivos que foram dirigidos aos objetos amados &ndash; internos e externos &ndash;, o que o leva a tentar reparar seus danos. Assim instalada a posi&ccedil;&atilde;o depressiva, a ansiedade, antes dirigida ao ego, volta-se para o objeto (Klein, 1948/1991) e o desenvolvimento gradual do ego proporciona um aumento na capacidade do beb&ecirc; em demonstrar seus sentimentos e comunicar-se com as pessoas. (Klein, 1952/1991).</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">As hip&oacute;teses acerca da posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paranoide e da posi&ccedil;&atilde;o depressiva permitiram a Klein alcan&ccedil;ar uma compreens&atilde;o maior do per&iacute;odo inicial do desenvolvimento do beb&ecirc;. Enquanto Freud (1905/1996) admitia que a vida sexual da crian&ccedil;a s&oacute; era pass&iacute;vel de ser observada em torno dos tr&ecirc;s ou quatro anos de idade, Klein teorizou o desenvolvimento libidinal em est&aacute;gios psicossexuais desde o primeiro ano de vida, sendo a rela&ccedil;&atilde;o arcaica com a m&atilde;e o principal elemento de constitui&ccedil;&atilde;o do psiquismo. A organiza&ccedil;&atilde;o da libido, do ponto de vista kleiniano, &eacute; dividida entre uma etapa pr&eacute;-genital, com os est&aacute;gios s&aacute;dico-oral, s&aacute;dico-uretral e s&aacute;dico-anal, em que o sadismo predomina, e em uma etapa genital, quando a libido se sobrep&otilde;e ao sadismo.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">No est&aacute;gio s&aacute;dico-oral descrito por Klein (1932/1997b), o beb&ecirc;, inicialmente, apresenta um grande prazer em sugar o seio da m&atilde;e, mas, quando surge a impossibilidade de satisfa&ccedil;&atilde;o, o resultado &eacute; uma frustra&ccedil;&atilde;o interna e externa, j&aacute; que o beb&ecirc; almeja uma satisfa&ccedil;&atilde;o ilimitada. Mordendo, ele realiza o desejo s&aacute;dico de destruir o objeto que gerou frustra&ccedil;&atilde;o. No beb&ecirc;, as necessidades f&iacute;sicas provocam um aumento do estado de tens&atilde;o que faz com que a libido n&atilde;o satisfeita se transforme em ansiedade. &Agrave; ansiedade se acrescenta a f&uacute;ria, expressa pela fantasia de sugar o seio da m&atilde;e at&eacute; esvazi&aacute;-lo. O seio frustrador &eacute; sempre o primeiro alvo dos ataques das fantasias s&aacute;dicas e depois elas se estendem ao interior do corpo da m&atilde;e que, na fantasia do beb&ecirc;, cont&eacute;m o p&ecirc;nis do pai, al&eacute;m de excrementos e os poss&iacute;veis irm&atilde;os. Klein (1930/1996) explica que o beb&ecirc; fantasia que, devido ao coito entre os pais, o p&ecirc;nis do pai foi incorporado pela m&atilde;e. As fantasias s&aacute;dicas apontam para a imagem de um beb&ecirc; destruidor, com o qual Klein (1932/1997c) teve contato a partir da an&aacute;lise de seus pequenos pacientes. </font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">As fantasias cru&eacute;is tamb&eacute;m s&atilde;o expressas por meio da urina, como acontece no est&aacute;gio s&aacute;dico-uretral. O sadismo uretral se manifesta por meio de fantasias de inunda&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o em que a urina da crian&ccedil;a, em grandes quantidades, atuaria como um veneno que encharcaria, afogaria e queimaria o seio da m&atilde;e.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">No est&aacute;gio s&aacute;dico-anal, h&aacute; um simbolismo por tr&aacute;s do ato de evacuar as fezes. Para o beb&ecirc;, funciona como se ele estivesse expulsando o objeto incorporado, ato seguido por sentimentos hostis e cru&eacute;is e desejos de destrui&ccedil;&atilde;o. (Klein, 1933/1996). No sadismo anal, &ldquo;[...]m&eacute;todos mais secretos de ataque predominam, tais como o uso de armas venenosas e explosivas&rdquo;. (Klein, 1932/1997c, p. 165). A urina e as fezes representam venenos, por isso, a crian&ccedil;a teme ser atacada pelos objetos introjetados e projeta esse medo em objetos externos, gerando uma ansiedade que se direciona a muitas fontes de perigo externas, fazendo com que seus perseguidores &#160;se multipliquem.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Nessa primeira etapa da organiza&ccedil;&atilde;o libidinal em que o sadismo predomina, surgem tamb&eacute;m fantasias genitais arcaicas que se configuram como os est&aacute;gios iniciais do conflito edipiano em meninos e meninas. Apesar de nos est&aacute;gios pr&eacute;-genitais predominarem os impulsos orais, uretrais e anais, os desejos genitais pelo genitor do sexo oposto e a hostilidade com rela&ccedil;&atilde;o ao genitor do mesmo sexo tamb&eacute;m est&atilde;o presentes. Nos est&aacute;gios da organiza&ccedil;&atilde;o da libido descritos por Klein (1932/1997c), nota-se que as rela&ccedil;&otilde;es de objeto estabelecidas pela crian&ccedil;a t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; com as fantasias s&aacute;dicas dirigidas ao interior do corpo da m&atilde;e, mas tamb&eacute;m com as fantasias reparadoras em que a libido permite a introje&ccedil;&atilde;o de objetos amorosos e gratificadores.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Quando os perigos pulsionais s&atilde;o deslocados para o mundo externo, a crian&ccedil;a passa a ter um controle maior sobre a ansiedade por eles gerada. Esse controle depende, em parte, dos objetos reais, como a m&atilde;e. A presen&ccedil;a da m&atilde;e &eacute; indispens&aacute;vel para que a crian&ccedil;a combata o medo de uma m&atilde;e m&aacute;, pronta a atac&aacute;-la. Em suas fantasias s&aacute;dicas, a crian&ccedil;a ataca a m&atilde;e e, consequentemente, teme que a tenha matado, o que amplia seu medo de ficar sozinha. &Eacute; nesse sentido que a presen&ccedil;a da m&atilde;e &eacute; necess&aacute;ria a fim de que a crian&ccedil;a se sinta confort&aacute;vel com rela&ccedil;&atilde;o aos perigos internos (Klein, 1932/1997a).</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">A realidade que a crian&ccedil;a experimenta, no in&iacute;cio de sua vida, &eacute; uma realidade fant&aacute;stica, que s&oacute; cede lugar &agrave; verdadeira realidade quando o ego se desenvolve, processo esse que depende da compet&ecirc;ncia da crian&ccedil;a em suportar a for&ccedil;a das primeiras viv&ecirc;ncias de ansiedade, elaborando-as. (Klein, 1930/1996). Em meio a essa realidade fantas&iacute;stica, afirma Klein (1952/1991), surgem os primeiros desejos genitais voltados para os pais e se estabelecem os est&aacute;gios iniciais do complexo de &Eacute;dipo, por volta do sexto m&ecirc;s de vida. Assim como Freud, Klein deu grande aten&ccedil;&atilde;o ao conflito gerado pelo complexo de &Eacute;dipo em sua articula&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento da crian&ccedil;a. No entanto, ao descobrir os est&aacute;gios iniciais do conflito edipiano e relacion&aacute;-los &agrave; posi&ccedil;&atilde;o depressiva, ela formulou uma nova forma de se pensar o &Eacute;dipo.</font></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Para Klein (1945/1996), o complexo de &Eacute;dipo surge no primeiro ano de vida, com o in&iacute;cio da posi&ccedil;&atilde;o depressiva. S&atilde;o os sentimentos depressivos, expressos pelo medo da crian&ccedil;a de perder os objetos amados, por causa de seu &oacute;dio e agressividade dirigidos a eles, que d&aacute; forma &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de objeto e ao complexo de &Eacute;dipo. Como isso acontece? As primeiras tend&ecirc;ncias ed&iacute;picas a se manifestarem o fazem no per&iacute;odo em que o sadismo est&aacute; no auge. S&atilde;o os impulsos de &oacute;dio e a ansiedade gerada por eles que inauguram o conflito edipiano e a forma&ccedil;&atilde;o do superego. Se para Freud (1924/1996), o superego come&ccedil;a a se formar na fase f&aacute;lica, para Klein (1932/1997c), o superego, assim como o conflito edipiano, se forma sob o dom&iacute;nio dos impulsos pr&eacute;-genitais. Mas, quando os impulsos agressivos recuam diante do avan&ccedil;o dos impulsos genitais, a crian&ccedil;a consegue estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o positiva com os objetos, o que diminui a influ&ecirc;ncia das imagos aterrorizantes, pois essas se originavam das tend&ecirc;ncias agressivas.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Klein (1933/1996) percebeu que em an&aacute;lise, a crian&ccedil;a, cujas puls&otilde;es agressivas est&atilde;o em seu ponto m&aacute;ximo, d&aacute; vaz&atilde;o ao seu sadismo rasgando, cortando, quebrando, molhando, queimando, enfim, atacando objetos que, em sua fantasia, representam pais e irm&atilde;os. Quando as brincadeiras destrutivas d&atilde;o lugar a brincadeiras construtivas como pintar ao inv&eacute;s de sujar toda a sala com as tintas, &eacute; sinal de que a ansiedade da crian&ccedil;a diminuiu. Isso traz consequ&ecirc;ncias positivas para a rela&ccedil;&atilde;o dela com os pais e irm&atilde;os, possibilitando uma rela&ccedil;&atilde;o de objeto mais madura e o desenvolvimento do sentimento social. Com o advento do per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia, o complexo de &Eacute;dipo declina e importantes mudan&ccedil;as podem ser observadas: &ldquo;[...]a rela&ccedil;&atilde;o com os pais &eacute; mais segura; os pais introjetados aproximam-se mais da imagem dos pais reais; seus padr&otilde;es, advert&ecirc;ncias e proibi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o aceitos e internalizados e, portanto, a repress&atilde;o dos desejos ed&iacute;picos &eacute; mais efetiva.&rdquo; (Klein, 1952/1991, p. 112).</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Ao teorizar as origens da organiza&ccedil;&atilde;o libidinal no primeiro ano de vida do beb&ecirc;, Klein contribuiu muito para o avan&ccedil;o da teoria psicanal&iacute;tica. A imagem de um beb&ecirc; s&aacute;dico cuja rela&ccedil;&atilde;o com os objetos parciais envolve ataques agressivos impressiona tanto quanto a teoria da sexualidade infantil freudiana. Klein descobriu, analisando seus pequenos pacientes, que o mundo interior deles &eacute; repleto de fantasias e habitado por figuras boas e aterrorizantes, que lhes causam ansiedades pass&iacute;veis de tratamento. Klein deu um grande passo no campo da psican&aacute;lise de crian&ccedil;as ao defender que o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico poderia ser aplicado a elas. Escutando as crian&ccedil;as em an&aacute;lise e permitindo que elas expressassem seu sofrimento &ndash; mesmo que isso implicasse uma sala de atendimento toda molhada, suja e bagun&ccedil;ada &ndash; Klein se op&ocirc;s a corrigir a crian&ccedil;a, aos moldes de um discurso pedag&oacute;gico. Podemos dizer que Klein teve a oportunidade de lidar, concretamente, com a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva, j&aacute; que atendeu in&uacute;meras crian&ccedil;as ao longo de, aproximadamente, quatro d&eacute;cadas de trabalho. A partir disso, ela enxergou j&aacute; no beb&ecirc; um sujeito que &eacute; capaz de estabelecer, &agrave; sua maneira, uma intera&ccedil;&atilde;o com o mundo. No t&oacute;pico a seguir, trataremos do modo como Lacan, abarcando os trabalhos de Freud e Klein, teorizou a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Jacques Lacan &ndash; o advento do sujeito</b></font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">O termo &ldquo;sujeito&rdquo; j&aacute; era muito utilizado na tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica francesa, mas Lacan (1954-55/2010)o transformou em um ponto central de seu ensino, introduzindo-o na psican&aacute;lise com uma acep&ccedil;&atilde;o particular: o sujeito n&atilde;o &eacute; o indiv&iacute;duo, no sentido de uma unidade, mas um sujeito dividido entre consciente e inconsciente. Dessa forma, haveria um sujeito do enunciado, identificado como sujeito do significado, aquele que est&aacute; consciente do que diz; e o sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o, identificado como sujeito do significante, aquele que est&aacute; para al&eacute;m do que se diz. (Lacan, 1964/2008). O discurso, portanto, n&atilde;o &eacute; mera comunica&ccedil;&atilde;o, pois nas brechas daquilo que foi enunciado est&aacute; a enuncia&ccedil;&atilde;o, a presen&ccedil;a do sujeito do inconsciente, aquele que se manifesta por um lapso, um esquecimento, um sonho, um chiste, um sintoma, enfim, uma forma&ccedil;&atilde;o do inconsciente. O sujeito do inconsciente n&atilde;o se relaciona ao tempo cronol&oacute;gico, mas a um tempo l&oacute;gico, um tempo pr&oacute;prio. Uma temporalidade outra, pois &eacute; poss&iacute;vel fazer decorrer uma no&ccedil;&atilde;o de tempo do modo de funcionamento do inconsciente, haja vista a no&ccedil;&atilde;o do <span class="CharOverride-1">a posteriori. No entanto, isso implica uma temporalidade n&atilde;o cronol&oacute;gica (referente &agrave; consci&ecirc;ncia), mas l&oacute;gica (referente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o do sujeito do inconsciente com o Outro). Dessa forma, Lacan n&atilde;o fala em desenvolvimento da crian&ccedil;a como Freud, nem mesmo do beb&ecirc;, como Klein, mas na emerg&ecirc;ncia do sujeito do inconsciente.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Antes do advento do sujeito do inconsciente, h&aacute; a emerg&ecirc;ncia de um eu corporal, que se constitui de forma imagin&aacute;ria, mas sobre uma matriz simb&oacute;lica, como exposto por Lacan (1949/1998) no artigo <span class="CharOverride-1">O est&aacute;dio do espelho como formador da fun&ccedil;&atilde;o do eu tal como nos &eacute; revelada na experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica. &Eacute; importante assinalar que esse &ldquo;eu&rdquo; presente no t&iacute;tulo se refere ao pronome franc&ecirc;s <span class="CharOverride-1">je e designa o sujeito do inconsciente. J&aacute; o &ldquo;eu&rdquo; corporal de que falamos acima se refere ao pronome franc&ecirc;s <span class="CharOverride-1">moi. Assim, enquanto o sujeito do inconsciente se constitui no simb&oacute;lico, pela media&ccedil;&atilde;o da linguagem, o eu (<span class="CharOverride-1">moi) se constitui no imagin&aacute;rio, pela media&ccedil;&atilde;o da imagem especular (i(a)). Essa imagem especular oferece uma s&iacute;ntese e se sobrep&otilde;e &agrave;quela imagem do corpo fragmentado pelas puls&otilde;es parciais.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Para explicar o que seria o est&aacute;dio do espelho, Lacan (1949/1998) nos leva a imaginar uma cena em que um beb&ecirc; se encontra diante de um espelho, sustentado pela m&atilde;e, j&aacute; que ele ainda n&atilde;o consegue andar nem se manter numa postura ereta. Ao olhar para a imagem refletida, o beb&ecirc; se reconhece nela e sua express&atilde;o se enche de j&uacute;bilo. Se pudesse falar, diria: &ldquo;Este sou eu!&rdquo;. O j&uacute;bilo corresponde &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica de ter representado um corpo n&atilde;o mais fragmentado, mas unificado. A imagem refletida no espelho, portanto, corresponderia &agrave; imagem da m&atilde;e &ndash; no sentido da pessoa que exerce a fun&ccedil;&atilde;o materna &ndash; o que implica dizer que n&atilde;o h&aacute; a necessidade de um espelho de fato para que o eu do beb&ecirc; possa se constituir. O que &eacute; necess&aacute;rio &eacute; que um outro possa fornecer a ele a possibilidade de adentrar o universo da linguagem. Essa entrada no simb&oacute;lico se efetiva por meio dos cuidados que s&atilde;o dispensados ao beb&ecirc; pela m&atilde;e &agrave; medida que ela interpreta as sensa&ccedil;&otilde;es e o choro dele, inscrevendo marcas em seu psiquismo. O sujeito assume uma imagem que ser&aacute; o esbo&ccedil;o do seu eu (<span class="CharOverride-1">moi). A identifica&ccedil;&atilde;o com a imagem implica em uma aliena&ccedil;&atilde;o na imagem do outro, &ldquo;[...]a primeira de uma s&eacute;rie de aliena&ccedil;&otilde;es: ao procurar a si mesmo, o que o indiv&iacute;duo encontra &eacute; a imagem do outro.&rdquo; (Garcia-Roza, 2004, p. 215).</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Sendo assim, o processo de constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, do ponto de vista lacaniano, &eacute; efeito de duas opera&ccedil;&otilde;es fundamentais: a aliena&ccedil;&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Na aliena&ccedil;&atilde;o, Lacan (1964/2008) distingue dois campos: o campo do Outro e o campo do ser vivente. O campo do Outro se refere ao campo do simb&oacute;lico, da linguagem, essa que j&aacute; marca o ser vivente antes mesmo de seu nascimento. Mas, mesmo surgindo imerso em um mundo de linguagem, o ser vivente ainda n&atilde;o adentrou o campo do simb&oacute;lico, o que s&oacute; acontece se ele consentir em se assujeitar ao Outro. Dito de outra forma, o campo do Outro &eacute; o campo do sentido e o campo do sujeito &eacute; o campo do ser. Para que o sujeito possa advir, faz-se necess&aacute;ria uma escolha entre o ser e o sentido. Se escolhe o ser, ou seja, se n&atilde;o se aliena no campo do Outro, o sujeito perde o sentido e n&atilde;o se constitui como sujeito dividido; se escolhe o sentido, ou seja, se se aliena no campo do Outro, perde o ser, mas se constitui como sujeito dividido, pois o sujeito s&oacute; adv&eacute;m no campo do Outro e n&atilde;o de si mesmo. Assujeitando-se ao desejo do Outro, a crian&ccedil;a se torna um sujeito da linguagem e pode, quando se instaurar a separa&ccedil;&atilde;o, constituir-se como sujeito desejante.</font></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Na separa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; mais o embate do sujeito alienado com o Outro da linguagem, mas com o Outro do desejo. (Fink, 1998). O sujeito &eacute; causado pelo desejo do Outro, se aliena nele e assume a posi&ccedil;&atilde;o de objeto do desejo do Outro. Assim, se para adentrar a linguagem o sujeito precisa se alienar ao campo do Outro, para adentrar o desejo ele precisa sair desse lugar de objeto. O Outro da separa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o coincide com o Outro da aliena&ccedil;&atilde;o, porque esse Outro que encarna o desejo n&atilde;o &eacute; completo, &eacute; faltoso. Como isso pode ser explicado? A m&atilde;e, por mais que tenha uma grande dedica&ccedil;&atilde;o ao seu beb&ecirc;, ela n&atilde;o est&aacute; completamente dispon&iacute;vel para satisfaz&ecirc;-lo. Qualquer atividade da m&atilde;e realizada longe do beb&ecirc; demarca que ela tem outros interesses, outros desejos e que o beb&ecirc; n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico objeto do seu desejo. A m&atilde;e, portanto, &eacute; faltosa.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Fink (1998) esclarece que o Outro da opera&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o &eacute; barrado (<span class="CharOverride-2">?), ou seja, dividido entre consciente e inconsciente, porque nem sempre sabe o que deseja, pois o desejo nunca cessa. Ao se deparar com essa falta no Outro, o sujeito, inicialmente, tenta tampon&aacute;-la, assumindo o lugar de objeto de desejo do Outro. Mas a m&atilde;e continua a dar provas de que ela n&atilde;o est&aacute; completa e que seu desejo n&atilde;o &eacute; uma continua&ccedil;&atilde;o do desejo da crian&ccedil;a. O fracasso do beb&ecirc; em ser o objeto do desejo dela incita-o a deixar esse lugar e fazer a escolha pelo desejo. Para que a separa&ccedil;&atilde;o se concretize e haja o advento do sujeito &eacute; preciso que &ldquo;[...]o Outro materno [demonstre] que &eacute; um sujeito desejante (e, dessa forma, tamb&eacute;m faltante e alienado), que tamb&eacute;m se sujeitou &agrave; a&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o da linguagem [...].&rdquo; (Fink, 1998, p. 76). Sujeito que n&atilde;o se encontra mais na posi&ccedil;&atilde;o de objeto do desejo do Outro, mas sujeito desejante, incompleto e que, por isso mesmo, se dirige ao Outro para tamponar &#160;sua falta.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Quando aludimos que a m&atilde;e deseja algo al&eacute;m do beb&ecirc;, identificamos a sua condi&ccedil;&atilde;o faltosa. &Eacute; por seguir desejando, por olhar para outras dire&ccedil;&otilde;es, que a m&atilde;e introduz um terceiro significante na sua rela&ccedil;&atilde;o com o beb&ecirc;. Apesar de Lacan ter nomeado esse significante de Nome-do-Pai, ele n&atilde;o se reduz ao pai de fato (o genitor), mas a qualquer elemento que se coloque entre o beb&ecirc; e sua m&atilde;e: o emprego, outro filho, uma atividade de lazer ou esportiva, afazeres dom&eacute;sticos, enfim. Sendo assim, a fun&ccedil;&atilde;o paterna, por vezes encarnada na figura de um pai, vai impedir a fus&atilde;o da crian&ccedil;a com a m&atilde;e, cujo desejo &eacute; avassalador. Por isso, Lacan (1958/1999) afirma que o Nome-do-Pai est&aacute; no cerne da quest&atilde;o edipiana. &Eacute; nisto que se constitui a met&aacute;fora paterna: o Nome-do-Pai enquanto um significante que substitui outro significante: o Desejo-da-M&atilde;e. Isso significa que a crian&ccedil;a n&atilde;o ser&aacute; mais o falo da m&atilde;e, o que indica que a m&atilde;e segue desejante e n&atilde;o plena, pois o desejo &eacute; sin&ocirc;nimo de falta, de castra&ccedil;&atilde;o. Nesse ponto, &eacute; como se a crian&ccedil;a se questionasse sobre seu lugar no desejo do Outro, o que o Outro quer dela. A resposta a essa quest&atilde;o aponta para a estrutura&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica do sujeito. Portanto, o Nome-do-Pai se apresenta como o significante que define as estruturas cl&iacute;nicas, neurose, psicose e pervers&atilde;o, cada uma delas sendo o modo pelo qual o sujeito lida com a castra&ccedil;&atilde;o, respondendo &agrave; quest&atilde;o sobre o desejo do Outro.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Freud (1931/1996), no artigo <span class="CharOverride-1">Sexualidade feminina, fez o primeiro esbo&ccedil;o do campo pr&eacute;-edipiano, ao denominar de pr&eacute;-edipiana a fase em que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o dual entre m&atilde;e e crian&ccedil;a. No entanto, foi Klein que desenvolveu o campo pr&eacute;-edipiano. O pr&oacute;prio Lacan (1958/1999) reconheceu a contribui&ccedil;&atilde;o que Klein trouxe &agrave; teoriza&ccedil;&atilde;o do complexo de &Eacute;dipo e destacou o trabalho dela referente &agrave; an&aacute;lise de crian&ccedil;as &ndash; algo inovador na &eacute;poca.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Ao analisar as ideias kleinianas a respeito do &Eacute;dipo, Lacan (1958/1999) destaca a import&acirc;ncia do papel desempenhado pelo interior do corpo da m&atilde;e nas rela&ccedil;&otilde;es objetais infantis: &ldquo;[...] a sra. Melanie Klein nos atesta que, entre os maus objetos presentes no corpo da m&atilde;e &ndash; dentre eles, todos os rivais, o corpo dos irm&atilde;os e irm&atilde;s, passados, presentes e futuros &ndash;, h&aacute;, muito precisamente, o pai [...]&rdquo;. (Lacan, 1958/1999, p. 170). &Eacute; nesse ponto que Lacan se det&eacute;m: o surgimento de um terceiro significante que realiza uma fun&ccedil;&atilde;o paterna. A partir do delineamento do campo pr&eacute;-edipiano realizado por Klein, Lacan prop&otilde;e os tr&ecirc;s tempos do &Eacute;dipo.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">No primeiro tempo do &Eacute;dipo, descreve Lacan (1958/1999), a crian&ccedil;a tenta preencher a falta da m&atilde;e, o vazio deixado pela castra&ccedil;&atilde;o dela. Assim, ao se colocar como o objeto do desejo materno, a crian&ccedil;a satisfaz a fantasia ed&iacute;pica da m&atilde;e, como apontou Freud (1924/1996): por meio de uma equa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, a menina passa do desejo de ter um falo ao desejo de ter um beb&ecirc;. A crian&ccedil;a ent&atilde;o se identifica com o objeto do desejo da m&atilde;e, o falo, aquilo que a complementa e que lhe devolve uma ilus&atilde;o de completude. &ldquo;Para agradar &agrave; m&atilde;e, [...]&eacute; necess&aacute;rio e suficiente ser o falo.&rdquo; (Lacan, 1958/1999, p. 198). Disso, tem-se o car&aacute;ter dual e especular da rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&ecirc;, rela&ccedil;&atilde;o essa que &eacute; imagin&aacute;ria, como vimos quando tratamos do est&aacute;dio do espelho, logo acima. Tal rela&ccedil;&atilde;o envolve a crian&ccedil;a e a m&atilde;e, em articula&ccedil;&atilde;o com o falo, enquanto um s&iacute;mbolo de completude, que preenche o vazio deixado pela castra&ccedil;&atilde;o. Mas essa sensa&ccedil;&atilde;o de completude n&atilde;o perdura. A m&atilde;e passa a se ausentar mais e a crian&ccedil;a, indignada, pensaria: &ldquo;H&aacute; nela o desejo de Outra coisa que n&atilde;o o satisfazer meu pr&oacute;prio desejo, que come&ccedil;a a palpitar para a vida.&rdquo; (Lacan, 1958/1999, p. 188). A m&atilde;e demonstra que seu desejo vai al&eacute;m do filho. &ldquo;Observemos esse desejo do Outro, que &eacute; o desejo da m&atilde;e e que comporta um para-al&eacute;m. S&oacute; que para atingir esse para-al&eacute;m &eacute; necess&aacute;ria uma media&ccedil;&atilde;o, e essa media&ccedil;&atilde;o &eacute; dada, precisamente, pela posi&ccedil;&atilde;o do pai na ordem simb&oacute;lica.&rdquo; (Lacan, 1958/1999, p. 190). Assim, adv&eacute;m o segundo tempo do &Eacute;dipo.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No segundo tempo do &Eacute;dipo, a rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&ecirc; &eacute; rompida, pois &ldquo;[...]o pai entra em jogo, isso &eacute; certo, como portador da lei, como proibidor do objeto que &eacute; a m&atilde;e.&rdquo; (Lacan, 1958/1999, p. 193). Se no primeiro tempo, a lei era materna e a crian&ccedil;a era o falo da m&atilde;e, agora a lei &eacute; paterna e o pai interdita a m&atilde;e. &Eacute; isso que funda o complexo de &Eacute;dipo: o pai pro&iacute;be a m&atilde;e. Agora, no imagin&aacute;rio da crian&ccedil;a, o pai passa a ser representado como o falo. Quando ele passar de um &ldquo;pai imagin&aacute;rio&rdquo; para um &ldquo;pai simb&oacute;lico&rdquo;, ou seja, daquele que &eacute; o falo para aquele que tem o falo, ser&aacute; instaurado o terceiro tempo. (Garcia-Roza, 2004).</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">No terceiro tempo do &Eacute;dipo, a fun&ccedil;&atilde;o paterna &eacute; simb&oacute;lica. Para Lacan (1958/1999), o car&aacute;ter decisivo do &Eacute;dipo tem rela&ccedil;&atilde;o com a palavra do pai e n&atilde;o com o pai de fato, mesmo que ele apare&ccedil;a sustentando a castra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a m&atilde;e que viabiliza a palavra do pai e o seu lugar na rela&ccedil;&atilde;o com o filho. Como ela faz isso? Admitindo que, enquanto mulher, seu desejo &eacute; ser objeto do desejo do pai, porque ele &eacute; o detentor do falo, aquilo que a complementa. &Eacute; nesse ponto que o pai se faz presente n&atilde;o mais no vaiv&eacute;m da m&atilde;e, mas em seu pr&oacute;prio discurso. E a crian&ccedil;a compreende que n&atilde;o basta <span class="CharOverride-1">ser o falo, &eacute; preciso <span class="CharOverride-1">ter o falo. Se o que a m&atilde;e quer &eacute; o falo e o pai &eacute; quem det&eacute;m o falo, a crian&ccedil;a agora vai em dire&ccedil;&atilde;o ao pai. &ldquo;O terceiro tempo &eacute; este: o pai pode dar &agrave; m&atilde;e o que ela deseja, e pode dar porque o possui.&rdquo; (Lacan, 1958/1999, p. 201). Aqui, h&aacute; a incid&ecirc;ncia do pai de fato, como aquele que &eacute; preferido pela m&atilde;e e com o qual a crian&ccedil;a poder&aacute; se identificar. Ao renunciar a ser o falo da m&atilde;e, a crian&ccedil;a se identifica com aquele que tem o falo, o pai. A identifica&ccedil;&atilde;o com esse objeto prefer&iacute;vel &agrave; m&atilde;e &eacute; o resultado da dissolu&ccedil;&atilde;o do complexo de &Eacute;dipo. Quando a crian&ccedil;a &eacute; separada da m&atilde;e pelo interdito paterno, ela passa a ser uma entidade distinta ao inv&eacute;s de simplesmente encarnar o objeto do desejo da m&atilde;e. &Eacute; assim que ela se insere na ordem da cultura como um sujeito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Se Freud d&aacute; o passo inicial para incluir a crian&ccedil;a como algu&eacute;m que &eacute; capaz de falar sobre seu sofrimento, Klein formaliza a cl&iacute;nica com crian&ccedil;as e as escuta desde tenra idade. Foi ela que descobriu que as crian&ccedil;as podem estabelecer rela&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia, tornando poss&iacute;vel a an&aacute;lise. Assim, abriu caminho para que os analistas pudessem aplicar a proposta desenvolvida por Lacan: pensar a crian&ccedil;a n&atilde;o como objeto de discurso do Outro, mas como sujeito capaz de produzir um discurso singular.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Por meio da escuta de seus pacientes adultos, Freud teorizou o desenvolvimento da sexualidade infantil e &ldquo;desenhou&rdquo; um sujeito essencialmente marcado pela puls&atilde;o sexual. Por meio da publica&ccedil;&atilde;o do caso do pequeno Hans, Freud deu o primeiro passo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; institui&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise de crian&ccedil;as, ao considerar que a crian&ccedil;a tem o que falar a respeito de seu sofrimento.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">No entanto, a psican&aacute;lise de crian&ccedil;as ganhou contornos precisos a partir de Klein. Ela atendeu crian&ccedil;as bem pequenas, o que lhe proporcionou teorizar aspectos dos est&aacute;gios iniciais do desenvolvimento do beb&ecirc;, bem como estabelecer o campo pr&eacute;-edipiano. Se Freud n&atilde;o acreditava ser poss&iacute;vel a transfer&ecirc;ncia entre a crian&ccedil;a e o analista (por isso, o analista do pequeno Hans foi seu pr&oacute;prio pai), Klein provou que ele n&atilde;o levou o resultado de sua produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica sobre as crian&ccedil;as &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias. Al&eacute;m disso, Klein criou um m&eacute;todo espec&iacute;fico para tratar os pequenos pacientes, o m&eacute;todo do brincar. Portanto, observamos como ela foi importante para que a crian&ccedil;a desocupasse, cada vez mais, o lugar de objeto de um discurso alheio.</font></p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Na esteira de Freud e Klein, Lacan trouxe uma nova forma de elaborar a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva. Foi ele quem resgatou da filosofia o termo sujeito, dando-lhe uma nova concep&ccedil;&atilde;o: o sujeito n&atilde;o &eacute; o indiv&iacute;duo, pelo contr&aacute;rio, &eacute; um sujeito marcado pela divis&atilde;o consciente/inconsciente. Lacan n&atilde;o se ateve &agrave; crian&ccedil;a ou ao beb&ecirc; no sentido de uma no&ccedil;&atilde;o cronol&oacute;gica, ao contr&aacute;rio, cunhou uma no&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica acerca do advento do sujeito, tomando por base duas opera&ccedil;&otilde;es fundamentais, a aliena&ccedil;&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">N&atilde;o temos a inten&ccedil;&atilde;o de propor que a teoria lacaniana suplantaria as teorias freudiana e kleiniana. Longe disso, afirmamos que cada um desses tr&ecirc;s pilares, &agrave; sua maneira, trouxe avan&ccedil;os significativos para que a crian&ccedil;a fosse respeitada em seu discurso. Ao apresentar o modo como Freud, Klein e Lacan teorizaram a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva, destacamos no pensamento deles a forma como a psican&aacute;lise pensa o sujeito-crian&ccedil;a, ou seja, n&atilde;o um sujeito moldado a partir de a&ccedil;&otilde;es normatizadoras, mas um sujeito que se constitui ao se defrontar com o desejo do Outro, ao qual responder&aacute; de maneira imprevis&iacute;vel e incontrol&aacute;vel.</font></p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><font face="verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Fink, B. (1998). <span class="CharOverride-1">O sujeito lacaniano: entre a linguagem e o gozo. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940871&pid=S1982-1247201700010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). O material e as fontes dos sonhos. In J. Strachey (Ed. e Trad.).<span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 4, pp. 195-302). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1900).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940873&pid=S1982-1247201700010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). Tr&ecirc;s ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trad.).<span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 7, pp. 117-231). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1905).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940875&pid=S1982-1247201700010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). An&aacute;lise de uma fobia em um menino de cinco anos. In J. Strachey (Ed. e Trad.). <span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 10, pp. 11-133). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1909).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940877&pid=S1982-1247201700010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). Confer&ecirc;ncia XXI: O desenvolvimento da libido e as organiza&ccedil;&otilde;es sexuais. In J. Strachey (Ed. e Trad.). <span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 16). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1917[1916-17]).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940879&pid=S1982-1247201700010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). A organiza&ccedil;&atilde;o genital infantil: uma interpola&ccedil;&atilde;o na teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trad.). <span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 19, pp. 325-342). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1923).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940881&pid=S1982-1247201700010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). A dissolu&ccedil;&atilde;o do complexo de &Eacute;dipo. In J. Strachey (Ed. e Trad.).<span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 19, pp. 189-199). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1924).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940883&pid=S1982-1247201700010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). Algumas consequ&ecirc;ncias ps&iacute;quicas da distin&ccedil;&atilde;o anat&ocirc;mica entre os sexos. In J. Strachey (Ed. e Trad.). <span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 19, pp. 271-286). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1925).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940885&pid=S1982-1247201700010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Freud, S. (1996). Sexualidade feminina. In J. Strachey (Ed. e Trad.). <span class="CharOverride-1">Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud(Vol. 21, pp. 229-251). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1931).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940887&pid=S1982-1247201700010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Garcia-Roza, L. A. (2004). <span class="CharOverride-1">Freud e o inconsciente (20a ed.). Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940889&pid=S1982-1247201700010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1991). Sobre a teoria da ansiedade e da culpa. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 3, pp. 44-63). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1948).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940891&pid=S1982-1247201700010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1991). Algumas conclus&otilde;es te&oacute;ricas relativas &agrave; via emocional do beb&ecirc;. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 3, pp. 85-117). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1952).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940893&pid=S1982-1247201700010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1996). A import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos no desenvolvimento do ego. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 1, pp. 249-264). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1930).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940895&pid=S1982-1247201700010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1996). O desenvolvimento inicial da consci&ecirc;ncia na crian&ccedil;a. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 1, pp. 283-295). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1933).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940897&pid=S1982-1247201700010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1996). Uma contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; psicog&ecirc;nese dos estados man&iacute;aco-depressivos. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 1, pp. 301-329). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1935).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940899&pid=S1982-1247201700010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1996). O Complexo de &Eacute;dipo &agrave; luz das ansiedades arcaicas. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 1, pp. 413-464). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1945).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940901&pid=S1982-1247201700010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1997a). A import&acirc;ncia das situa&ccedil;&otilde;es de ansiedade arcaicas no desenvolvimento do ego. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 2, pp. 196-212). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1932).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940903&pid=S1982-1247201700010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1997b). A t&eacute;cnica da an&aacute;lise de crian&ccedil;as pequenas. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 2, pp. 37-54). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1932).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940905&pid=S1982-1247201700010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Klein, M. (1997c). Est&aacute;gios iniciais do conflito edipiano e da forma&ccedil;&atilde;o do superego. In E. Barros (Ed.), L. Chaves (Trad.).<span class="CharOverride-1">Obras Completas de Melanie Klein (Vol. 2, pp. 145-168). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1932).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940907&pid=S1982-1247201700010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Lacan, J. (1998). O est&aacute;dio do espelho como formador da fun&ccedil;&atilde;o do <span class="CharOverride-1">eu tal como nos &eacute; revelada na experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica. In J. Lacan. <span class="CharOverride-1">Escritos. (pp. 96-103). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1949).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940909&pid=S1982-1247201700010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Lacan, J. (1999). <span class="CharOverride-1">O Semin&aacute;rio, livro 5: as forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original proferido em 1958).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940911&pid=S1982-1247201700010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Lacan, J. (2008). <span class="CharOverride-1">O Semin&aacute;rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original proferido em 1964).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940913&pid=S1982-1247201700010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">Lacan, J. (2010). <span class="CharOverride-1">O Semin&aacute;rio, livro 2: o eu na teoria de Freud e na t&eacute;cnica da psican&aacute;lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original proferido em 1954-55).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3940915&pid=S1982-1247201700010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><font face="verdana" size="2">Recebido em 14/02/2017</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Aceito em 20/03/2017</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><a name="end"></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b></font></p> 			    <p>Daniela Paula do Couto    <br> 			  Rua Shirley Faria de Oliveira, 301.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			  Bairro Quart&eacute;is.    <br> 			  CEP: 35570-000 &ndash; Formiga/MG    <br> 		    E-mail: dp.couto@yahoo.com.br</p>      ]]></body>
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