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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Privações afetivas e relações de vínculo: psicoterapia de uma criança institucionalizada]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to discuss the impact of emotional deprivation to bond with parental figures, for the therapist-patient relationship and the playful activity of a child in an institutional care situation. Thus, the method used was a single case study of qualitative and longitudinal design. To make a better understanding of the case possible, a content analysis based on transcript sessions of psychotherapy was conducted. The results revealed that the emotional deprivation experienced by the patient and projected on the therapist represented the impact of such disruptions on early object relations, becoming a pattern to other interpersonal relationships involving the subject. The experiences of emotional deprivation were traumatic and initially exceeded the capacity of symbolization, and the patient was not able to put these experiences in words, generating different fantasies of punishment, death and deprivation. Through the psychotherapeutic process, we realized the need to offer, in the therapy setting, a place for care, continence and support, which was possible through the relationship with the therapist. Finally, through play in psychotherapy, there was the possibility of creating a space for the representation of the patient's dynamics and the interpretation of what was going on in his inner world, thus increasing his symbolic capacity. The need to study this issue for better understanding the case and the therapeutic process was demonstrated. Finally, it is considered that psychological interventions are essential for healthy development of institutionalized patients and, also, that more systematic research is needed to understand the impact of disruptions in the relations with parental objects to these subjects, their families and the substitute caregivers.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a><b>Priva&ccedil;&otilde;es afetivas e rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo: psicoterapia de uma crian&ccedil;a institucionalizada<a href="#1a"><sup>1</sup></a> </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Emotional deprivation and its effects on relationships: a psychotherapy of an institutionalized child</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Luan Paris Feij&oacute;<sup>I</sup>; D&eacute;bora Silva de Oliveira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Av. Unisinos, 950, Cristo Rei, 93022-750, S&atilde;o Leopoldo, RS, Brasil. <a href="mailto:lparisf@gmail.com">lparisf@gmail.com</a>    <br>   <sup>II</sup>Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul. Av. Ipiranga, 6681, Pr&eacute;dio 11, 90619-900, Porto Alegre, RS, Brasil. <a href="mailto:debora_deoli@yahoo.com.br">debora_deoli@yahoo.com.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente artigo investigou o impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas para o v&iacute;nculo com as figuras parentais, para a rela&ccedil;&atilde;o terapeuta-paciente e para a atividade l&uacute;dica de uma crian&ccedil;a em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento institucional. Desse modo, o m&eacute;todo utilizado foi de um estudo de caso &uacute;nico, de car&aacute;ter qualitativo e delineamento longitudinal. Para a compreens&atilde;o do caso, foi realizada a an&aacute;lise de conte&uacute;do com base nos registros das sess&otilde;es dialogadas. Os resultados revelaram que as priva&ccedil;&otilde;es afetivas projetadas pelo paciente representaram o impacto dos rompimentos de v&iacute;nculos, perpassando para as demais rela&ccedil;&otilde;es interpessoais. As viv&ecirc;ncias das priva&ccedil;&otilde;es afetivas foram traum&aacute;ticas e, inicialmente, excederam a capacidade de simboliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conseguindo o paciente colocar em palavras essas viv&ecirc;ncias, e, com isso, gerando diferentes fantasias de castigo, morte, priva&ccedil;&atilde;o e fantasia de supera&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s do processo psicoterap&ecirc;utico, percebeu-se a necessidade de promover o cuidado, a contin&ecirc;ncia e a sustenta&ccedil;&atilde;o, os quais foram possibilitados na rela&ccedil;&atilde;o com o terapeuta. Por fim, atrav&eacute;s da brincadeira na psicoterapia, houve a possibilidade de um espa&ccedil;o para a representa&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica de funcionamento do paciente e para a interpreta&ccedil;&atilde;o do que se passava em seu mundo interno, incrementando, assim, sua capacidade simb&oacute;lica. Dessa forma, demonstrou-se a necessidade de estudar o tema, para melhor compreens&atilde;o do caso cl&iacute;nico. Por fim, considera-se que s&atilde;o essenciais interven&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas para um desenvolvimento saud&aacute;vel, bem como um maior n&uacute;mero de pesquisas sistem&aacute;ticas nesse contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>crian&ccedil;a institucionalizada, psicoterapia, rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo, priva&ccedil;&otilde;es afetivas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This article aims to discuss the impact of emotional deprivation to bond with parental figures, for the therapist-patient relationship and the playful activity of a child in an institutional care situation. Thus, the method used was a single case study of qualitative and longitudinal design. To make a better understanding of the case possible, a content analysis based on transcript sessions of psychotherapy was conducted. The results revealed that the emotional deprivation experienced by the patient and projected on the therapist represented the impact of such disruptions on early object relations, becoming a pattern to other interpersonal relationships involving the subject. The experiences of emotional deprivation were traumatic and initially exceeded the capacity of symbolization, and the patient was not able to put these experiences in words, generating different fantasies of punishment, death and deprivation. Through the psychotherapeutic process, we realized the need to offer, in the therapy setting, a place for care, continence and support, which was possible through the relationship with the therapist. Finally, through play in psychotherapy, there was the possibility of creating a space for the representation of the patient's dynamics and the interpretation of what was going on in his inner world, thus increasing his symbolic capacity. The need to study this issue for better understanding the case and the therapeutic process was demonstrated. Finally, it is considered that psychological interventions are essential for healthy development of institutionalized patients and, also, that more systematic research is needed to understand the impact of disruptions in the relations with parental objects to these subjects, their families and the substitute caregivers.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>institutionalized child, psychotherapy, bond relationships and emotional deprivation.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Uma (re)vis&atilde;o hist&oacute;rica acerca da trajet&oacute;ria social da inf&acirc;ncia no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A institucionaliza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as em locais de acolhimento institucional &eacute; uma quest&atilde;o recorrente e discutida no &uacute;ltimo s&eacute;culo, uma vez que se podem encontrar registros dessa impactante realidade desde o decurso da coloniza&ccedil;&atilde;o brasileira. Nesse per&iacute;odo, as primeiras embarca&ccedil;&otilde;es portuguesas que chegaram a terras brasileiras, por volta de 1530, j&aacute; traziam crian&ccedil;as privadas de suas fam&iacute;lias, pois os genitores, ao entregarem seus filhos, passavam a receber uma pens&atilde;o e a isen&ccedil;&atilde;o de responsabilidade de mant&ecirc;-los. As crian&ccedil;as eram empregadas como servi&ccedil;ais em locais insalubres, escravizadas e, em consequ&ecirc;ncia dessas condi&ccedil;&otilde;es torturantes, muitas ficavam pelo caminho, no fundo dos oceanos (Albornoz, 2006; Priore, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assist&ecirc;ncia s&oacute;cio-hist&oacute;rica da crian&ccedil;a brasileira, percebe-se que, no final do s&eacute;culo XVII, com a intensifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o saindo dos campos em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s cidades, agravou-se a situa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as pobres, rejeitadas e abandonadas pelas fam&iacute;lias. Diante disso, a partir de cunho assistencialista, em 1726, na cidade de Salvador, foram criadas as primeiras institui&ccedil;&otilde;es de amparo a esse p&uacute;blico, as chamadas "Casas dos Expostos". Essas institui&ccedil;&otilde;es tinham o objetivo de proteger a moral das fam&iacute;lias que n&atilde;o queriam seus filhos, visto que somente nessa &eacute;poca as crian&ccedil;as eram dignas de pena, recebendo ent&atilde;o um fim caridoso (Assis e Farias, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somente no s&eacute;culo XIX &eacute; que a inf&acirc;ncia pobre brasileira passa a ser objeto de discuss&atilde;o e de interven&ccedil;&atilde;o do Estado, permitindo o promulgamento do Decreto 17.943-A, de 1927, chamado de C&oacute;digo de Menores de Mello Matos, que visava &agrave; prote&ccedil;&atilde;o formal do infante abandonado (Azevedo, 2007). A partir desses fatos s&oacute;cio-hist&oacute;ricos, percebe-se o quanto crian&ccedil;as e adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social foram - e ainda s&atilde;o -, em muitos casos, negligenciados no pa&iacute;s. Assim, faz-se importante pensar nos impactos que essas priva&ccedil;&otilde;es afetivas podem ter causado nas rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculos interpessoais nesses sujeitos privados das figuras parentais, de cuidados e em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento institucional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, a Lei nº 8.069/90, que disp&otilde;e sobre o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA), em seu artigo 2º, considera crian&ccedil;a a pessoa de at&eacute; doze anos de idade incompletos. Por&eacute;m, no vi&eacute;s da psicologia do desenvolvimento, deve-se considerar a crian&ccedil;a como um agente transformador, em intera&ccedil;&atilde;o com o meio em que se encontra, e em expans&atilde;o corporal, intelectual, psicol&oacute;gica e social (Silva e Oliveira, 2011). Portanto, a psicologia do desenvolvimento analisa perspectivas desenvolvimentais que v&atilde;o para al&eacute;m da idade cronol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o ECA (Brasil, 1990), o abrigo refere-se aos locais de acolhimento institucional, que oferecem prote&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria para crian&ccedil;as e adolescentes afastados do conv&iacute;vio familiar por meio de medida protetiva, sendo que os cuidados b&aacute;sicos est&atilde;o garantidos, sob a tutela do Governo. O acolhimento ocorre em fun&ccedil;&atilde;o de abandono ou por impossibilidade tempor&aacute;ria dos respons&aacute;veis em cumprir a fun&ccedil;&atilde;o de cuidado e prote&ccedil;&atilde;o pertinentes, at&eacute; que seja vi&aacute;vel o retorno &agrave; fam&iacute;lia de origem ou a uma fam&iacute;lia substituta (Brasil, 2009a).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em conson&acirc;ncia &agrave; Lei nº 12.010/09 (Brasil, 2009a), tamb&eacute;m chamada de Lei da Ado&ccedil;&atilde;o, a perman&ecirc;ncia de uma crian&ccedil;a e/ou adolescente em programas de acolhimento institucional n&atilde;o poder&aacute; prolongar-se por mais de dois anos, salvo em caso de necessidade comprovada pela autoridade judici&aacute;ria. Essa mesma lei determina que o acolhimento seja de car&aacute;ter tempor&aacute;rio e excepcional e que esse sujeito ter&aacute; sua situa&ccedil;&atilde;o institucional reavaliada, no m&aacute;ximo, a cada seis meses. No entanto, os estudos realizados t&ecirc;m demonstrado cada vez mais que a realidade brasileira &eacute; diferente da legisla&ccedil;&atilde;o em vigor (Assis e Farias, 2013; Gonz&aacute;les e Dell'Aglio, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma pesquisa realizada por Gonz&aacute;les e Dell'Aglio (2011) com adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento institucional, houve a constata&ccedil;&atilde;o de que o tempo de perman&ecirc;ncia nas institui&ccedil;&otilde;es de acolhimento varia de tr&ecirc;s semanas a 18 anos e, ainda, que o per&iacute;odo m&eacute;dio de institucionaliza&ccedil;&atilde;o encontrada nesse estudo era de seis anos e meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o estudo mais recente, publicado no Levantamento Nacional das Crian&ccedil;as e Adolescentes em Servi&ccedil;o de Acolhimento (Assis e Farias, 2013), apresenta dados ainda mais relevantes sobre o atual panorama brasileiro. Constatou que dos 1.157 munic&iacute;pios pesquisados (20,8% do total de munic&iacute;pios brasileiros) havia 2.624 Servi&ccedil;os de Acolhimento Institucional (SAI) e 36.929 crian&ccedil;as e adolescentes acolhidos. A regi&atilde;o sul concentrava 25,3% dos SAIs e 22,5% do total de crian&ccedil;as. Especificamente no Rio Grande do Sul, localizam-se 8,9% dos SAIs dispostos em 18,8% dos munic&iacute;pios e 8,4% do n&uacute;mero total. A regi&atilde;o sul foi a segunda localidade do Brasil com maior n&uacute;mero de servi&ccedil;os de acolhimento e de crian&ccedil;as acolhidas (Assis e Farias, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentindo, encontramos na literatura um retrato s&oacute;cio-hist&oacute;rico que demonstra o quanto crian&ccedil;as e adolescentes foram privados de cuidados. Cabe considerar, ainda, que a proposta de Acolhimento Institucional vem sendo constantemente reformulada para que possa promover, da melhor maneira poss&iacute;vel, um local de potencial desenvolvimento para esses indiv&iacute;duos. Ainda assim, muitos profissionais inseridos nesses ambientes n&atilde;o possuem treinamento adequado para a promo&ccedil;&atilde;o desse desenvolvimento e nem tampouco d&atilde;o conta da grande demanda, o que acaba por gerar falhas nos cuidados e nas rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculos estabelecidas, tornando-se fundamentais espa&ccedil;os psicoter&aacute;picos para proporcionar &agrave; crian&ccedil;a a possibilidade de construir novas rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priva&ccedil;&otilde;es afetivas e rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo no desenvolvimento infantil</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se, na legisla&ccedil;&atilde;o vigente, que o contexto de acolhimento institucional possui como proposta um ambiente que seja acolhedor, com o objetivo de garantir o bem-estar da crian&ccedil;a em situa&ccedil;&atilde;o de risco pessoal e social. Contudo, esse contexto n&atilde;o exime que esta vivencie priva&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo, a de n&atilde;o ter sido reconhecida como filho, ou a de ter sido retirada de sua fam&iacute;lia para ser institucionalizada. De acordo com Albornoz (2006), a viv&ecirc;ncia de uma institucionaliza&ccedil;&atilde;o provoca intenso sofrimento, que pode ser armazenado inicialmente sem compreens&atilde;o no psiquismo da crian&ccedil;a, fazendo parte de sua identidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos primeiros te&oacute;ricos sobre o desenvolvimento infantil, Spitz (2013), no seu estudo das rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo, percebeu que os beb&ecirc;s em acolhimento institucional que eram alimentados e vestidos, mas que raramente recebiam afeto dos cuidadores, apresentavam dificuldades no seu desenvolvimento f&iacute;sico e emocional e, com o tempo, perdiam o interesse em se relacionar com outras pessoas. Al&eacute;m disso, esses beb&ecirc;s apresentavam rea&ccedil;&otilde;es tanto de ordem som&aacute;tica (f&iacute;sicas) quanto psicol&oacute;gica, acabando muitas vezes por chegar a &oacute;bito, decorrente de uma poss&iacute;vel deteriora&ccedil;&atilde;o da sua sa&uacute;de ocasionada pela aus&ecirc;ncia dos pais e pela priva&ccedil;&atilde;o de afeto (Wathier e Dell'Aglio, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro autor importante que abordou o tema foi Winnicott (2012). Este explanou que a evacua&ccedil;&atilde;o, termo utilizado como refer&ecirc;ncia ao per&iacute;odo da Segunda Guerra Mundial, quando as crian&ccedil;as vivenciavam um per&iacute;odo de separa&ccedil;&atilde;o dos cuidados de seus genitores para serem enviados a outros cuidadores e/ou institui&ccedil;&otilde;es que promoveriam sua prote&ccedil;&atilde;o, no per&iacute;odo entre dois a cinco anos de idade, poderia envolver s&eacute;rios problemas psicol&oacute;gicos a elas. J&aacute; as crian&ccedil;as acima de cinco anos de idade poderiam suportar a separa&ccedil;&atilde;o de seus cuidadores, do lar e at&eacute; beneficiar-se disto, diferentemente de crian&ccedil;as menores, que n&atilde;o vivenciariam os mesmos benef&iacute;cios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto que merece destaque &eacute; o papel da fam&iacute;lia para uma crian&ccedil;a. A fam&iacute;lia tem como uma de suas fun&ccedil;&otilde;es fornecer suporte para o desenvolvimento individual de seus membros e de amadurecimento emocional de cada indiv&iacute;duo (Oliveira, 2010; Winnicott, 1974). Contudo, "as mudan&ccedil;as no contexto familiar, social, econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e cultural possuem impacto importante na organiza&ccedil;&atilde;o familiar" (Oliveira, 2010, p. 20), assim como para os membros dessa, pois tanto a fam&iacute;lia como os seus membros ter&atilde;o de se reorganizar para se adaptar a essas mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensando no rompimento de v&iacute;nculos familiares, as experi&ecirc;ncias da separa&ccedil;&atilde;o ou da perda de figuras referenciais de uma crian&ccedil;a em raz&atilde;o do abrigamento podem estar associadas aos preju&iacute;zos no que concerne ao desenvolvimento da linguagem e das capacidades sociais (Ayres<i> et al.</i>, 2010). Nesse sentido, Zeanah <i>et al. </i>(2003) afirmam tamb&eacute;m que o per&iacute;odo do nascimento at&eacute; os tr&ecirc;s anos &eacute; um momento importante para a aquisi&ccedil;&atilde;o de capacidades cognitivas e habilidades sociais. Diante disso, o afastamento das figuras parentais e a perman&ecirc;ncia em institui&ccedil;&otilde;es que ofere&ccedil;am pouco est&iacute;mulo f&iacute;sico e/ou social &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a podem prejudicar esses avan&ccedil;os de desenvolvimento pr&oacute;prios dessa fase da vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, a literatura psicanal&iacute;tica reconhece que a cria&ccedil;&atilde;o de um v&iacute;nculo forte e duradouro &eacute; de extrema relev&acirc;ncia para uma liga&ccedil;&atilde;o emocional e para a orienta&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da crian&ccedil;a (Bowlby, 1990). Esse v&iacute;nculo se faz importante, pois surge da necessidade da crian&ccedil;a de se sentir segura e protegida, al&eacute;m de que um desenvolvimento suficientemente bom nos primeiros anos de vida pode resultar em uma personalidade saud&aacute;vel (Albornoz, 2006; Winnicott, 1988).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, para uma crian&ccedil;a de qualquer idade que n&atilde;o tenha a possibilidade de ter um desenvolvimento suficientemente bom, sentir-se emocionalmente perturbada ao ter que deixar o lar pode significar muito mais do que uma experi&ecirc;ncia real de tristeza. O rompimento desses v&iacute;nculos pode p&ocirc;r &agrave; prova a capacidade da crian&ccedil;a em sentir e expressar tristeza, al&eacute;m de promover impacto na habilidade de estabelecer v&iacute;nculos interpessoais (Albornoz, 2006; Winnicott, 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A esse respeito, a impossibilidade de um desenvolvimento suficientemente bom devido ao rompimento dos v&iacute;nculos encontra aporte te&oacute;rico no pensamento psicanal&iacute;tico denominado de priva&ccedil;&otilde;es afetivas. Esse termo &eacute; empregado para nomear as experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas que envolvem um n&iacute;vel de ang&uacute;stia intoler&aacute;vel para a crian&ccedil;a, de modo que atravessa os processos de desenvolvimento psicol&oacute;gico (Albornoz, 2006). Portanto, as marcas das priva&ccedil;&otilde;es afetivas n&atilde;o elaboradas podem influenciar a decodifica&ccedil;&atilde;o das novas experi&ecirc;ncias e provocar sofrimento, podendo colocar em risco &agrave; capacidade de um indiv&iacute;duo em estabelecer v&iacute;nculos afetivos (Albornoz, 2006; Dantas, 1999).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, o impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas se faz necess&aacute;rio explorar, pois a constitui&ccedil;&atilde;o de um psiquismo fragilizado, consequ&ecirc;ncia dessas priva&ccedil;&otilde;es, poder&aacute; acarretar em sequelas no desenvolvimento da cogni&ccedil;&atilde;o, da linguagem (Barnett, 1997 <i>in </i>Albornoz, 2006), de quadros psicopatol&oacute;gicos graves como a depress&atilde;o (Johnson e Whifffen, 2012), a psicose, a personalidade antissocial (Winnicott, 1988), a estrutura&ccedil;&atilde;o da personalidade <i>borderline </i>(Ogata<i> et al.</i>, 1990 <i>in </i>Albornoz, 2006) e a delinqu&ecirc;ncia (Bowlby<i> et al.</i>, 1939 <i>in </i>Winnicott, 2012). Portanto, os traumas das priva&ccedil;&otilde;es afetivas n&atilde;o s&atilde;o vivenciados como situa&ccedil;&otilde;es de vida, mas como influenciadores dessa situa&ccedil;&atilde;o (Albornoz, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dessas consequ&ecirc;ncias, Franco e Mazzorra (2007) descrevem, ainda, que as viv&ecirc;ncias de perdas afetivas geram nos sujeitos fantasias, como de aniquilamento, culpa, castra&ccedil;&atilde;o, onipot&ecirc;ncia, rejei&ccedil;&atilde;o, retalia&ccedil;&atilde;o, idealiza&ccedil;&atilde;o e desidealiza&ccedil;&atilde;o do objeto perdido, al&eacute;m de agressividade e repara&ccedil;&atilde;o e repeti&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de perda. Nesse sentido, h&aacute; a necessidade de se proporcionar para a crian&ccedil;a um ambiente favor&aacute;vel ao seu desenvolvimento emocional e que promova prote&ccedil;&atilde;o e acolhimento (Calderaro e Carvalho, 2005; Rotondaro, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda, as pesquisas t&ecirc;m demostrando que os impactos das adversidades, como a pobreza extrema, o acolhimento institucional, a neglig&ecirc;ncia, o abuso sexual, durante o desenvolvimento das crian&ccedil;as podem repercutir tanto em desdobramentos cognitivos quanto afetivos. No que concerne ao desenvolvimento cognitivo, as experi&ecirc;ncias citadas anteriormente podem influenciar na arquitetura cerebral, provocando uma atividade cerebral diminu&iacute;da, como tamb&eacute;m em riscos para enfermidades, como, por exemplo, as card&iacute;acas. J&aacute; na &aacute;rea afetiva, quanto mais h&aacute; fatores de risco e traumas ps&iacute;quicos, maior ser&atilde;o os preju&iacute;zos ao longo da vida. Um estudo conduzido na Harvard University (2007) indica que o n&uacute;mero de fatores de riscos est&aacute; relacionado com os atrasos no desenvolvimento de crian&ccedil;as. Concluem, ainda que uma crian&ccedil;a que experimenta mais de sete tipos de fatores de riscos diferentes tende a ter um preju&iacute;zo substancial no desenvolvimento (Center on the Developing Child, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, tornam-se essenciais o cuidado, as interven&ccedil;&otilde;es precoces e a manuten&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias afetivas positivas e de rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis no contexto de acolhimento (Center on the Developing Child, 2007). As rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo s&atilde;o importantes para o desenvolvimento da crian&ccedil;a, pois, apesar do acolhimento institucional ser transit&oacute;rio, a institui&ccedil;&atilde;o e os v&iacute;nculos estabelecidos nesse contexto devem contribuir para reparar as situa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas das priva&ccedil;&otilde;es afetivas. Espera-se que os relacionamentos com os cuidadores nesse local possam estimular a integra&ccedil;&atilde;o desses indiv&iacute;duos com a comunidade, ainda que se entenda que esses relacionamentos n&atilde;o sejam substitutivos das rela&ccedil;&otilde;es com a fam&iacute;lia de origem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priva&ccedil;&otilde;es afetivas e rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo no contexto de psicoterapia psicanal&iacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psicoterapia psicanal&iacute;tica reconhece que as crian&ccedil;as possuem um passado que n&atilde;o pode ser facilmente esquecido. Os sujeitos carregam importantes experi&ecirc;ncias anteriores e, assim, os comportamentos atuais s&atilde;o influenciados por toda sua hist&oacute;ria pregressa (Bowlby, 1990). Assim como Bowlby, Freud discutiu, em "Al&eacute;m do Princ&iacute;pio do Prazer", um conceito que abrange o motivo pelo qual as crian&ccedil;as que vivenciaram a situa&ccedil;&atilde;o de rompimento de v&iacute;nculos, que foram privadas afetivamente nas rela&ccedil;&otilde;es iniciais, podem carregar a dificuldade em estabelecer rela&ccedil;&otilde;es sociais, no que ele denominou de compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o (Freud, 1920).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o, descrita por Freud (1920), refere-se ao que o indiv&iacute;duo, de uma forma inconsciente, tende a repetir suas a&ccedil;&otilde;es, nas escolhas e nas situa&ccedil;&otilde;es vivenciadas nas suas experi&ecirc;ncias iniciais, ao longo da vida. Essa repeti&ccedil;&atilde;o deve-se &agrave;s influ&ecirc;ncias das experi&ecirc;ncias dos primeiros afetos vividos na inf&acirc;ncia. Santos (1994, p. 22) discute tamb&eacute;m que "&eacute; esperado que o paciente v&aacute; buscar o caminho da gratifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o promovida no passado e tentar resolver suas demandas afetivas insatisfeitas, reatualizando-as perante a figura do analista<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse mesmo modo, Shengold (1999) escreve que &eacute; atrav&eacute;s do aux&iacute;lio da psicoterapia que o paciente descobre que pode ter novos caminhos a trilhar, e diante disso, o terapeuta tem a possibilidade de observar o crescimento psicol&oacute;gico do paciente. Assim, durante o processo de psicoterapia, h&aacute; uma nova viv&ecirc;ncia das formas de relacionamentos passados e das fantasias associadas em uma nova combina&ccedil;&atilde;o (Eizirik<i> et al.</i>, 2008a). Para Aberastury (1982), essas fantasias ser&atilde;o evidenciadas, principalmente com as crian&ccedil;as, atrav&eacute;s da proje&ccedil;&atilde;o na atividade l&uacute;dica em psicoterapia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud (1912a) tamb&eacute;m registra que &eacute; importante, durante o processo psicoterap&ecirc;utico, que o paciente possa relatar tudo aquilo que sua auto-observa&ccedil;&atilde;o possa detectar e, preferencialmente, impedir as contesta&ccedil;&otilde;es l&oacute;gicas e afetivas que o induzem a uma sele&ccedil;&atilde;o de fatos. Logo, o terapeuta deve colocar em posi&ccedil;&atilde;o de uso, atrav&eacute;s da interpreta&ccedil;&atilde;o, tudo aquilo que lhe &eacute; dito, para assim poder reconstruir as situa&ccedil;&otilde;es inconscientes que determinaram as associa&ccedil;&otilde;es livres. Portanto, a psicoterapia, no seu decurso, possibilita que as representa&ccedil;&otilde;es internas negativas ou m&aacute;s possam ser substitu&iacute;das por positivas, ou boas internaliza&ccedil;&otilde;es (Noonan, 1999 <i>in </i>Albornoz, 2006).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra maneira de express&atilde;o, especialmente no contexto de psicoterapia infantil, &eacute; atrav&eacute;s da atividade l&uacute;dica, a qual assume uma forma especial de trabalho terap&ecirc;utico e de v&iacute;nculo, pois a brincadeira pode possuir aspectos projetivos, ou seja, os conte&uacute;dos transferenciais e contratransferenciais da crian&ccedil;a e da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica s&atilde;o atribu&iacute;dos a outras pessoas, objetos e contextos, que servem de deposit&aacute;rios daquilo que o paciente ainda n&atilde;o concebe como seu (Aberastury, 1982). Nesse sentido, a atividade l&uacute;dica serve como sinal da sa&uacute;de mental da crian&ccedil;a, al&eacute;m de ser resultado de uma s&eacute;rie de amadurecimentos cognitivos (Bassols<i> et al.</i>, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bassols<i> et al. </i>(2013) e Guerra (2014) escrevem, ainda, que a simboliza&ccedil;&atilde;o serve como base para a constru&ccedil;&atilde;o da criatividade humana. Ela se estabelece antes do primeiro anivers&aacute;rio da crian&ccedil;a, mas ser&aacute; durante a idade pr&eacute;-escolar que essa expressar&aacute; suas fantasias com mais liberdade e fluidez. Portanto, a atividade l&uacute;dica &eacute; utilizada na psicoterapia psicanal&iacute;tica como forma de comunica&ccedil;&atilde;o, da mesma maneira que a linguagem &eacute; utilizada pelo adulto (Werlang, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante o trabalho terap&ecirc;utico, os desejos, as fantasias e os conflitos passados s&atilde;o revividos no decorrer da psicoterapia, transferidos e contratransferidos na rela&ccedil;&atilde;o terapeuta-paciente, pass&iacute;vel, ent&atilde;o, de serem elaborados (Sandler<i> et al.</i>, 1975 <i>in </i>Eizirik<i> et al.</i>, 2008a). Nessa l&oacute;gica, o paciente n&atilde;o s&oacute; relata os fatos de sua hist&oacute;ria como os revive, no "aqui e agora", na rela&ccedil;&atilde;o terapeuta-paciente (Albornoz, 2006; Duarte<i> et al.</i>, 1989).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o modelo freudiano (Freud, 1912b), a rela&ccedil;&atilde;o transferencial se estabelecia, inicialmente, como uma resist&ecirc;ncia ao trabalho anal&iacute;tico. Nesse v&eacute;rtice, o paciente atuaria para n&atilde;o recordar as experi&ecirc;ncias iniciais reprimidas e, assim, promoveria obst&aacute;culos de defesa do ego. O trabalho na psicoterapia procuraria ent&atilde;o superar essa resist&ecirc;ncia de transfer&ecirc;ncia e dar seguimento ao avan&ccedil;o do processo psicanal&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, Eizirik<i> et al. </i>(2008b, p. 75) definem a transfer&ecirc;ncia "como um deslocamento para um objeto da atualidade de todos os impulsos, defesas, atitudes, sentimentos e respostas experimentados nas rela&ccedil;&otilde;es com os primeiros objetos de sua vida". Para os mesmos autores, transfer&ecirc;ncia &eacute; uma repeti&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es em que as origens se encontram no passado do indiv&iacute;duo (Eizirik<i> et al.</i>, 2008b). J&aacute; a contratransfer&ecirc;ncia, entendida por alguns te&oacute;ricos psicanal&iacute;ticos como os sentimentos que surgem no inconsciente do terapeuta como influ&ecirc;ncia dos sentimentos inconscientes do paciente. Dessa forma, h&aacute;, tamb&eacute;m, na contratransfer&ecirc;ncia, uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o primitiva de sentimentos que o paciente n&atilde;o consegue reconhecer e nem verbalizar (Zimerman, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante do exposto, percebe-se, desde o percurso hist&oacute;rico social da crian&ccedil;a, que a perda, a falta e a separa&ccedil;&atilde;o de figuras significativas de cuidado podem ser influenciadores e impactantes na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito institucionalizado. Contudo, &eacute; importante tamb&eacute;m pensar na possibilidade de sua significa&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o para que esse indiv&iacute;duo possa desenvolver-se satisfatoriamente, seja na rela&ccedil;&atilde;o com as figuras parentais ou na rela&ccedil;&atilde;o com o terapeuta em contexto de psicoterapia (Albornoz, 2009) e na atividade l&uacute;dica (Aberastury, 1982). Logo, o presente artigo visa investigar o impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas para o v&iacute;nculo com as figuras parentais, para a rela&ccedil;&atilde;o terapeuta-paciente e para a atividade l&uacute;dica de uma crian&ccedil;a em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento institucional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Delineamento</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa, optou-se por um estudo de caso &uacute;nico, de car&aacute;ter qualitativo, explorat&oacute;rio e de delineamento longitudinal. Para Gil (2001), o estudo de caso &eacute; caracterizado por um estudo aprofundado e intensivo de um ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento, por isso, analisa casos espec&iacute;ficos, &uacute;nicos e singulares. O car&aacute;ter qualitativo empregado nesta pesquisa volta-se para a compreens&atilde;o da singularidade e da profundidade do sujeito, retratando as formas como cada pessoa constr&oacute;i seus significados (Breakwell<i> et al.</i>, 2010). Breakwell<i> et al. </i>(2010, p. 39) explicam que "um tratamento qualitativo descreve quais processos est&atilde;o ocorrendo e detalha diferen&ccedil;as no car&aacute;ter desses processos ao longo do tempo".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo explorat&oacute;rio desta pesquisa visa aumentar a compreens&atilde;o de um fen&ocirc;meno (Gerhardt e Silveira, 2009). Portanto, h&aacute; por prop&oacute;sito compreender as priva&ccedil;&otilde;es afetivas e como essas priva&ccedil;&otilde;es se manifestam nas rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo. J&aacute; no que se refere ao delineamento, Breakwell<i> et al. </i>(2010) definem como longitudinal aquele em que os dados s&atilde;o coletados com a mesma amostra de indiv&iacute;duos em mais de uma ocasi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, esse tipo de delineamento possui aplicabilidade nesta pesquisa, pois possibilita compreender o impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas nos v&iacute;nculos afetivos com as figuras parentais, na rela&ccedil;&atilde;o com o terapeuta e na atividade l&uacute;dica para com a crian&ccedil;a. Destarte, propicia uma an&aacute;lise &uacute;nica e profunda desse sujeito nas diferentes dimens&otilde;es que este estudo se prop&ocirc;s a avaliar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Participante</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo configurou-se como estudo de caso &uacute;nico, com um participante do sexo masculino que foi denominado de Murilo, com idade cronol&oacute;gica de seis anos, residente na regi&atilde;o de Porto Alegre (RS), em uma institui&ccedil;&atilde;o de acolhimento institucional desde 2011, sob tutela da Funda&ccedil;&atilde;o de Prote&ccedil;&atilde;o Especial (FPE), administrada pelo Governo Estadual do Rio Grande do Sul. Murilo n&atilde;o preenche crit&eacute;rios para nenhum transtorno psicopatol&oacute;gico ou de defici&ecirc;ncia intelectual infantil, conforme o Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais - DSM-5 (APA, 2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O motivo para a busca de psicoterapia para Murilo, em agosto de 2014, fora porque, na &eacute;poca, o menino, em diversas situa&ccedil;&otilde;es, descarregava sua ang&uacute;stia nos atos, tendo dificuldades em apresentar capacidade simb&oacute;lica para processar cognitivamente suas frustra&ccedil;&otilde;es. Ele encontrava dificuldades para brincar e para dormir. Era agitado, pisava e quebrava os brinquedos, brigava com os colegas de resid&ecirc;ncia institucional e de escola. Embora fosse muito afetuoso com os agentes de cuidado institucional, a equipe t&eacute;cnica da institui&ccedil;&atilde;o acreditava, em fun&ccedil;&atilde;o das dificuldades que vinha apresentando, que necessitava de acompanhamento psicoter&aacute;pico. &Agrave; luz da discuss&atilde;o de autores de referencial te&oacute;rico da psican&aacute;lise, acreditou-se que esse participante pudesse vir a ter um agravamento de dificuldades no seu desenvolvimento emocional, justificando, assim, um tratamento psicol&oacute;gico naquele momento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para efeito da realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa, os atendimentos psicoter&aacute;picos realizados com Murilo ocorreram no per&iacute;odo de agosto de 2014 a abril de 2015, duas vezes por semana, com dura&ccedil;&atilde;o de 50 minutos cada sess&atilde;o, em um instituto de ensino e pesquisa em psicoterapia de Porto Alegre (RS) que presta servi&ccedil;o psicol&oacute;gico &agrave; comunidade, seguindo um referencial te&oacute;rico de forma&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica. Contudo, cabe considerar que, mesmo ap&oacute;s o encerramento da presente pesquisa, Murilo ainda permanece em processo psicoterap&ecirc;utico, haja vista possuir indica&ccedil;&atilde;o para prosseguimento do tratamento pessoal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Instrumentos</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram utilizados os seguintes instrumentos: (i) Ficha de dados sociodemogr&aacute;ficos com base no prontu&aacute;rio eletr&ocirc;nico do paciente; (ii) Registros abertos e n&atilde;o estruturados, escritos pelo primeiro autor, denominados de registros de sess&otilde;es dialogadas e (iii) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Procedimentos de coleta e de an&aacute;lise de dados</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para coleta de dados, assim como para discutir com o referencial te&oacute;rico pertinente, foram escolhidas aleatoriamente nove sess&otilde;es dialogadas, tr&ecirc;s do in&iacute;cio do per&iacute;odo da pesquisa, tr&ecirc;s do per&iacute;odo intermedi&aacute;rio e tr&ecirc;s do per&iacute;odo final da mesma. Realizou-se tamb&eacute;m a observa&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos manifestos e latentes das verbaliza&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es entre o terapeuta e o paciente durante as sess&otilde;es psicoter&aacute;picas (Gomes, 2007). A observa&ccedil;&atilde;o permite identificar a forma de comunica&ccedil;&atilde;o verbal e n&atilde;o verbal, bem como a maneira de brincar e seus indicativos projetivos, manifestos e latentes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o cumprimento dos crit&eacute;rios &eacute;ticos em pesquisa com seres humanos, houve assinatura do TCLE, com a finalidade de informar sobre os procedimentos de coletas de dados, o objetivo da pesquisa e as garantias, direitos e deveres dos participantes. Conforme disposto no C&oacute;digo de &Eacute;tica Profissional (Conselho Federal de Psicologia, 2005), o TCLE foi apresentado em duas vias - uma via foi fornecida ao respons&aacute;vel pelo participante para assinatura do termo e devolvida ao pesquisador, e outra foi entregue para arquivamento ao respons&aacute;vel do participante, membro da equipe da institui&ccedil;&atilde;o de acolhimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda no que se refere &agrave; coleta dos dados de pesquisa, o prontu&aacute;rio eletr&ocirc;nico do paciente foi preenchido de acordo com as informa&ccedil;&otilde;es colhidas no momento da entrevista de triagem realizada pelo autor deste estudo. A entrevista individual de triagem foi realizada com o menino, bem como com a psic&oacute;loga respons&aacute;vel pelo N&uacute;cleo de Abrigos Residenciais (NAR), do qual Murilo faz parte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que tange aos procedimentos de an&aacute;lise de dados, foi realizada an&aacute;lise de conte&uacute;do (AC) qualitativa dos registros das sess&otilde;es dialogadas e, posteriormente, agrupada em um modelo misto de categorias (Bardin, 2002; Laville e Dionne, 1999). A AC &eacute; definida como um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de comunica&ccedil;&otilde;es que utiliza procedimentos sistematizados e objetivos para detalhamento e conclus&otilde;es do conte&uacute;do das informa&ccedil;&otilde;es (Bardin, 2002). Segundo Laville e Dionne (1999), o modelo de categorias mistas de an&aacute;lise &eacute; composto de categorias <i>a priori</i>, sendo &agrave;quelas criadas e fundamentadas em conceitos te&oacute;ricos pr&eacute;-existentes na literatura, e de categorias <i>a posteriori</i>, que s&atilde;o aquelas encontradas a partir da an&aacute;lise dos documentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As subcategorias <i>a priori</i> foram pensadas a partir de estudos de Oliveira (2010) e Oliveira e Lopes (2013), que utilizaram o Teste das F&aacute;bulas, de forma adaptada, para compreender indicadores de regress&atilde;o e de crescimento em primog&ecirc;nitos em processo de tornarem-se irm&atilde;os. Os indicadores propostos contribu&iacute;ram para a constru&ccedil;&atilde;o das categorias de an&aacute;lise, pois auxiliaram no entendimento dos aspectos emocionais de Murilo diante das priva&ccedil;&otilde;es afetivas vivenciadas devido ao rompimento e &agrave;s mudan&ccedil;as nos v&iacute;nculos familiares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, as sess&otilde;es dialogadas foram discutidas com o supervisor cl&iacute;nico do primeiro autor, sendo esse profissional especialista em psicoterapia de orienta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica. O presente artigo contou tamb&eacute;m com um juiz, que foi o coautor deste estudo. Cabe considerar que o autor do presente artigo tamb&eacute;m foi o pesquisador respons&aacute;vel em analisar os dados, bem como o terapeuta do participante deste estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presente pesquisa est&aacute; amparada pela Resolu&ccedil;&atilde;o 466/2012 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de (2012), &oacute;rg&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de que estipula as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas com seres humanos. O projeto de pesquisa foi aprovado atrav&eacute;s de parecer consubstanciado em 08 de dezembro de 2014 pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Porto Alegre (SMSPA), com registro CAAE 36863514.6.0000.5338. Ainda, quando Murilo ingressou nos atendimentos cl&iacute;nicos, em agosto de 2014, na institui&ccedil;&atilde;o de ensino e pesquisa na qual o primeiro autor atuou em per&iacute;odo de est&aacute;gio profissional, o TCLE institucional tamb&eacute;m foi assinado, cientificando ao respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a que o mesmo poderia vir a participar de pesquisas de forma an&ocirc;nima.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Realizou-se a AC qualitativa das sess&otilde;es dialogadas proposta por Bardin (2002), e os resultados evidenciados foram agrupados em categorias mistas de an&aacute;lise. As categorias <i>a priori </i>deste estudo foram: (i) Priva&ccedil;&otilde;es Afetivas na rela&ccedil;&atilde;o com as figuras parentais no contexto de psicoterapia infantil e (ii) Priva&ccedil;&otilde;es Afetivas e rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo com o terapeuta; e uma categoria <i>a posteriori</i>: (iii) Atividade l&uacute;dica como recurso da psicoterapia no contexto de priva&ccedil;&otilde;es afetivas. Desse modo, apresentam-se as categorias de an&aacute;lise e as subcategorias atrav&eacute;s da <a href="/img/revistas/cclin/v9n1/a07tab01.jpg">Tabela 1</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priva&ccedil;&otilde;es afetivas na rela&ccedil;&atilde;o com as figuras parentais no contexto de psicoterapia infantil</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta categoria apresentou indicativos do impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas no relacionamento com as figuras parentais atrav&eacute;s de conte&uacute;dos projetados durante o processo psicoterap&ecirc;utico individual. Foram observadas: fantasia de morte, fantasia de castigo, de priva&ccedil;&atilde;o e fantasia de supera&ccedil;&atilde;o. Essas subcategorias foram adaptadas a partir da pesquisa de Oliveira (2010), que explorou, atrav&eacute;s de um teste projetivo, aspectos do desenvolvimento infantil, apontando indicadores de regress&atilde;o e crescimento emocional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s dos registros das sess&otilde;es, observaram-se, ao longo do processo psicoter&aacute;pico, conte&uacute;dos de morte projetados na fam&iacute;lia terap&ecirc;utica, sugerindo a fantasia de morte das figuras parentais: <i>"Agora a gente tem que matar as pessoas, tem mais bonequinhos? </i>(terapeuta aponta para os bonecos que representam uma fam&iacute;lia). &#91;...&#93; <i>Pode ser eles mesmos, vamos dar tiro! </i>(Ele atira no pai, no beb&ecirc; e ordena que o terapeuta d&ecirc; um tiro na m&atilde;e).<i> &#91;morreram&#93;. S&oacute; o beb&ecirc; e a irm&atilde;". </i>A fantasia de morte pode ser indicativa de vulnerabilidade, hostilidade e agressividade para o pr&oacute;prio indiv&iacute;duo ou outrem (Oliveira, 2010). Essas fantasias agressivas possivelmente estavam associadas &agrave; perda das figuras parentais representativas, uma vez que os pais perderam o poder familiar, por n&atilde;o proverem os cuidados necess&aacute;rios a Murilo. Por esse motivo, o menino foi afastado do conv&iacute;vio familiar e inserido no servi&ccedil;o de acolhimento institucional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro trecho, denotou-se a fantasia de castigo. Murilo projetou na brincadeira e nos bonecos terap&ecirc;uticos a situa&ccedil;&atilde;o em que  o abandono foi entendido como resposta por algo que fez de "errado" ou que n&atilde;o fez e deveria ter feito: "<i>Meu pai est&aacute; bravo comigo. &#91;...&#93; Porque eu n&atilde;o consegui lavar a lou&ccedil;a na casa dele. &#91;...&#93; Eu tentei sozinho, mas n&atilde;o consegui, ent&atilde;o ele est&aacute; brabo comigo e n&atilde;o me visita mais". </i>A incapacidade de realizar uma tarefa que possivelmente deixaria o pai contente fez com que o sujeito se sentisse rejeitado, suscitando, por vezes, fantasia de abandono afetivo associada a uma priva&ccedil;&atilde;o real vivida por Murilo. Assim, a priva&ccedil;&atilde;o afetiva favoreceu o aparecimento da fantasia de castigo, por este n&atilde;o ter correspondido &agrave;s expectativas das figuras parentais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; a fantasia de castigo associada &agrave; agressividade projetada na m&atilde;e tamb&eacute;m foi representada por Murilo: <i>"Olha como o menino e a menina brigam &#91;...&#93; Ent&atilde;o veio &agrave; m&atilde;e. Olha como a m&atilde;e est&aacute; de cabelo em p&eacute;!  &#91;...&#93; Ela quer que parem com a briga. &#91;...&#93; O menino atirou uma bomba na m&atilde;e. &#91;machucou&#93; &#91;...&#93; N&atilde;o, agora a m&atilde;e n&atilde;o quer mais saber do menino". </i>Para Oliveira (2010), a manifesta&ccedil;&atilde;o dessa fantasia constitui-se como uma forma mais madura de se enfrentar os conflitos, pois a crian&ccedil;a em idade pr&eacute;-escolar possui entendimento cognitivo de seus comportamentos. O menino, ao mesmo tempo em que compreende o castigo, sente-se emocionalmente impactado por n&atilde;o ter como reparar seu "erro" junto &agrave; sua fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O reflexo da aus&ecirc;ncia de bons relacionamentos e de cuidadores suficientemente bons gerou em Murilo a fantasia de supera&ccedil;&atilde;o. Essa fantasia esteve relacionada &agrave; capacidade da crian&ccedil;a de lidar com as dificuldades advindas das transforma&ccedil;&otilde;es familiares traum&aacute;ticas, ou seja, da retirada da fam&iacute;lia para o acolhimento institucional: "<i>A m&atilde;e e o pai a gente leva pra pris&atilde;o &#91;...&#93; Deu, est&atilde;o presos. Agora j&aacute; podemos descansar. Vamos dormir &#91;...&#93;". </i>As circunst&acirc;ncias descritas evidenciam tamb&eacute;m que uma evolu&ccedil;&atilde;o adequada nessa etapa do ciclo vital baseia-se no equil&iacute;brio entre as necessidades que s&atilde;o imediatas para a crian&ccedil;a e a capacidade das figuras parentais de proteg&ecirc;-la e de ter controle sobre seus comportamentos (Bassols <i>et al.</i>, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando esse equil&iacute;brio est&aacute; comprometido, neste caso, devido &agrave; hist&oacute;ria pregressa e &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o, a crian&ccedil;a acaba por direcionar ataques, tanto internos quanto externos, ao ambiente (Albornoz, 2009). Os ataques externos s&atilde;o voltados aos indiv&iacute;duos - &agrave;s figuras parentais, pois essas viv&ecirc;ncias n&atilde;o elaboradas influenciam as novas experi&ecirc;ncias, atrav&eacute;s de repeti&ccedil;&atilde;o descontextualizada (Albornoz, 2006), o que Freud chama de compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o. Assim, pelo fato de as figuras parentais n&atilde;o terem conseguido promover o equil&iacute;brio das necessidades, o contexto de psicoterapia parece ser o recurso para que a crian&ccedil;a reconstrua essas viv&ecirc;ncias, atribuindo novos significados a elas e, assim, elabor&aacute;-las. Nesse sentido, a pris&atilde;o dos pais na brincadeira possa significar a prote&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a precise para enfim descansar, demonstrando, assim, como ela p&ocirc;de superar essa aus&ecirc;ncia parental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A repeti&ccedil;&atilde;o de sentimentos vividos pela primeira vez na inf&acirc;ncia atravessa as demais rela&ccedil;&otilde;es interpessoais vivenciadas e p&otilde;e &agrave; prova a constru&ccedil;&atilde;o de novos v&iacute;nculos, mesmo quando o novo v&iacute;nculo n&atilde;o &eacute; disfuncional. Dessa forma, entende-se que, embora Murilo esteja em contexto de acolhimento institucional com outras viv&ecirc;ncias vinculares, a rela&ccedil;&atilde;o inicial com as figuras representativas ainda est&aacute; muito presente no brincar em contexto psicoter&aacute;pico. Ser&aacute;, ent&atilde;o, a partir do processo psicoterap&ecirc;utico, e dentre outras tantas maneiras, que a crian&ccedil;a ter&aacute; a oportunidade de ressignificar e superar essas viv&ecirc;ncias e sentimentos n&atilde;o elaborados (Shengold, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, as priva&ccedil;&otilde;es afetivas decorrentes da rela&ccedil;&atilde;o com as figuras parentais suscitaram diferentes fantasias, como fantasia de morte, fantasia de castigo e de priva&ccedil;&atilde;o e fantasia de supera&ccedil;&atilde;o. Assim, essas fantasias representam o mundo interno ca&oacute;tico do paciente, que perpassaram as demais rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo, demostrando que essas viv&ecirc;ncias foram traum&aacute;ticas, que excedeu a capacidade de simboliza&ccedil;&atilde;o, mas que encontraram interpreta&ccedil;&atilde;o na psicoterapia. Contudo, tais aspectos ser&atilde;o mais bem trabalhados na categoria subsequente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priva&ccedil;&otilde;es afetivas e rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo com o terapeuta</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta categoria ser&atilde;o explorados trechos das falas de Murilo, oriundos do processo terap&ecirc;utico, que denunciaram a oportunidade de ressignificar as viv&ecirc;ncias e os sentimentos n&atilde;o elaborados da rela&ccedil;&atilde;o parental atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com a figura do terapeuta. A oportunidade de ressignificar as viv&ecirc;ncias de priva&ccedil;&otilde;es afetivas apareceram tanto na rela&ccedil;&atilde;o transferencial como na rela&ccedil;&atilde;o contratransferencial terapeuta-paciente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que se refere &agrave; rela&ccedil;&atilde;o transferencial, pode-se perceber, nas falas de Murilo, possessividade; j&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o contratransferencial com o terapeuta, a busca de uma figura de cuidado substituta apareceu evidente. <i>Um carrinho. E isso? </i>(est&aacute; com um &iacute;ndio de brinquedo na m&atilde;o)<i>. Um &iacute;ndio. E isso? </i>(est&aacute; com uma bola em suas m&atilde;os)<i>. Uma bola..."</i>. "<i>Eu quero que tu guardes tudo pra mim. &#91;...&#93; Porque eu quero que tu fa&ccedil;as! Pega a mesinha, as cadeiras e arruma a sala, se n&atilde;o eu vou quebrar isso aqui". </i>Esse funcionamento de Murilo para com o terapeuta foi entendido como possessividade na rela&ccedil;&atilde;o transferencial, pois o sujeito necessitou constantemente que o terapeuta estivesse dispon&iacute;vel, nomeasse os objetos e que o mesmo desse suporte &agrave;s necessidades decorrentes do processo psicoterap&ecirc;utico. Essas solicita&ccedil;&otilde;es foram entendidas como determina&ccedil;&otilde;es que se n&atilde;o fossem cumpridas poderia o terapeuta tamb&eacute;m ser penalizado. Tal dado corrobora pesquisas que apontam que a possessividade pode indicar como a crian&ccedil;a organiza seus v&iacute;nculos objetais, al&eacute;m de apresentar uma preocupa&ccedil;&atilde;o em como manipular e reter os objetos (Oliveira, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atender &agrave;s demandas afetivas de Murilo dessa maneira assemelha-se &agrave; tarefa da m&atilde;e no cuidado, sustenta&ccedil;&atilde;o e manejo do beb&ecirc; nos primeiros anos de vida desse, para que ent&atilde;o possa se desenvolver suficientemente a partir do <i>holding </i>(Winnicott, 1975), sendo que este pode ser expresso na din&acirc;mica estabelecida pela dupla. Segundo Winnicott (1975), o <i>holding </i>consiste na tarefa da m&atilde;e de cuidado, sustenta&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o do "ambiente" &agrave; crian&ccedil;a. Assim, a m&atilde;e serve como espelho ao <i>self </i>do beb&ecirc;. Se a crian&ccedil;a tem a oportunidade de vivenciar o <i>holding</i>, os sentimentos angustiantes das priva&ccedil;&otilde;es afetivas podem ser elaborados em experi&ecirc;ncias positivas (Janu&aacute;rio e Tafuri, 2011). Como Murilo ingressou antes de seu primeiro ano de vida no Acolhimento Institucional, possivelmente a rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-beb&ecirc; esteve comprometida, n&atilde;o possibilitando, assim, o <i>holding</i>. A partir do processo de psicoterapia, essa viv&ecirc;ncia p&ocirc;de ser reeditada para que dessa forma se pudesse promover esse cuidado e sustenta&ccedil;&atilde;o, favorecendo o seu desenvolvimento emocional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o outro indicador de priva&ccedil;&atilde;o afetiva na rela&ccedil;&atilde;o contratransferencial entre o terapeuta e o paciente foi a busca de uma figura de cuidado. Esse indicador apareceu pela curiosidade de o terapeuta j&aacute; ser ou n&atilde;o pai, e pelo desejo de ser filho do terapeuta: <i>"Tu tens filho? Eu acho que tu tens &#91;...&#93; um menino &#91;...&#93; ele deve gostar de ser teu filho &#91;...&#93; acho que tu tens uma menina tamb&eacute;m &#91;...&#93; tu deve brincar com eles que nem tu brincas comigo &#91;...&#93; Eu ia gostar de ter um pai assim &#91;...&#93;". </i>Ao longo do processo terap&ecirc;utico houve a possibilidade de que outra pessoa pudesse, de forma projetiva, desempenhar o papel de cuidado, ou seja, existiu a proje&ccedil;&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o de falta de algo importante, representado, no caso, pelos pais, associada tamb&eacute;m &agrave; perda do afeto e do amor destes que foi vivenciada logo nos primeiros anos de vida (Albornoz, 2009). Conforme pesquisas de Oliveira (2010) e Oliveira e Lopes (2013), esse substituto serve para auxiliar a crian&ccedil;a na busca e na supera&ccedil;&atilde;o das dificuldades diante da aus&ecirc;ncia da m&atilde;e e/ou do pai.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O indicador de busca de uma figura de cuidado se fez presente, possivelmente por ele se colocar diversas vezes em situa&ccedil;&otilde;es em que necessitava de aux&iacute;lio: "<i>&Eacute; verdade que se eu colocar a m&atilde;o aqui eu posso me machucar? &#91;talvez possa&#93; Melhor n&atilde;o n&eacute; &#91;...&#93; A poltrona n&atilde;o vai cair se eu subir? &#91;...&#93; &#91;cai a poltrona&#93; me machuquei &#91;cara de choro&#93; T&aacute; doendo &#91;...&#93; Olha aqui pra mim". </i>Nesse sentido, o menino necessitou de algu&eacute;m que o contivesse, que lhe desse "ritmo". Guerra (2014) escreve que a crian&ccedil;a necessita de "ritmo" para adquirir a subjetividade, bem como precisa passar da experi&ecirc;ncia das sensa&ccedil;&otilde;es corporais para a representa&ccedil;&atilde;o da palavra. Diante disso, Murilo precisou da psicoterapia e da figura do terapeuta para encontrar representa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da palavra e do brincar. &Eacute; atrav&eacute;s do brincar que os conte&uacute;dos armazenados no seu psiquismo sem representa&ccedil;&atilde;o inicial, como no caso das priva&ccedil;&otilde;es afetivas, podem ser trabalhados, dando possibilidade para internalizar boas representa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, percebeu-se que as priva&ccedil;&otilde;es afetivas na rela&ccedil;&atilde;o com o terapeuta evidenciaram situa&ccedil;&otilde;es que necessitaram que o <i>setting </i>funcionasse como um "&uacute;tero psicol&oacute;gico" (Zimerman, 2008) para Murilo. Esse mesmo autor explana que ser&aacute; nesse contexto de <i>setting </i>que a crian&ccedil;a poder&aacute; maturar um <i>self </i>prematuro, decorrente de um v&iacute;nculo que n&atilde;o foi realizado satisfatoriamente com as figuras parentais, para posteriormente transferi-lo para relacionamentos interpessoais mais genu&iacute;nos e, assim, v&iacute;nculos afetivos mais maduros. Portanto, a psicoterapia, nesse sentido, pode ter possibilitado transformar as primeiras experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas em experi&ecirc;ncias positivas e elaboradas, resultando, assim, em um crescimento emocional do menino (Zimerman, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Destarte, as subcategorias possessividade e busca de uma figura de cuidado substituta, evidenciadas nessa categoria, indicaram que Murilo gostaria de ter uma figura de cuidado, assim como figuras parentais que pudessem dar contin&ecirc;ncia e sustenta&ccedil;&atilde;o (<i>holding</i>). A aus&ecirc;ncia desses cuidadores foi evidenciada ao longo do processo terap&ecirc;utico. Quando a situa&ccedil;&atilde;o inconsciente (repeti&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias descontextualizadas) pode receber representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, &eacute; poss&iacute;vel de ser elaborada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de a psicoterapia ser transformadora para o sujeito, abrindo espa&ccedil;o para a elabora&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas (Albornoz, 2006; Shengold, 1999), como foi no caso de Murilo, esta propiciou tamb&eacute;m um espa&ccedil;o onde a atividade l&uacute;dica ganhou forma de comunica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das fantasias de cura e de doen&ccedil;a do menino (Aberastury, 1982). A atividade l&uacute;dica &eacute; a forma de express&atilde;o da crian&ccedil;a, assim como a comunica&ccedil;&atilde;o verbal o &eacute; para o adulto (Werlang, 2000).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Atividade l&uacute;dica como recurso da psicoterapia no contexto de priva&ccedil;&otilde;es afetivas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta categoria, foram discutidas as atividades l&uacute;dicas como recurso da psicoterapia psicanal&iacute;tica. Os indicadores presentes foram: flexibiliza&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is e capacidade simb&oacute;lica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os registros das sess&otilde;es permitiram elencar duas subcategorias: a primeira subcategoria era a flexibiliza&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is, ou seja, o participante encontrava dificuldades de transitar, mesmo na brincadeira, em pap&eacute;is hier&aacute;rquicos distintos: <i>"Eu sou o pai e tu &eacute;s o filho. &#91;Posso ser o pai&#93; N&atilde;o, s&oacute; eu serei o pai, tu n&atilde;o vai ser. &#91;...&#93; Porque n&atilde;o, sou s&oacute; eu, tu &eacute;s o filho". </i>A partir da brincadeira no processo psicoterap&ecirc;utico, Murilo p&ocirc;de encontrar espa&ccedil;o para reeditar os v&iacute;nculos dos relacionamentos interpessoais com as figuras parentais, transformando rela&ccedil;&otilde;es que antes eram r&iacute;gidas em flex&iacute;veis: "<i>Vou cair da cama, me cuida pai </i>(como se estivesse fazendo manha) <i>&#91;...&#93; Me cobre com o cobertor, pai? </i>(referindo-se ao terapeuta)<i> Quero travesseiro tamb&eacute;m... M&atilde;e! Quero o urso de pel&uacute;cia aqui comigo para dormir".</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s da atividade l&uacute;dica, o acesso aos conte&uacute;dos inconscientes &eacute; mais direto, pois no jogo-brincadeira ser&aacute; a forma com que o sujeito ter&aacute; capacidade do al&iacute;vio e prazer das suas fantasias, pois estas s&atilde;o descarregadas e obedece &agrave; compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o (Aberastury, 1982; Duarte, 2009). Torna-se evidente que o relacionamento de Murilo com as figuras parentais necessitava de um espa&ccedil;o para que os conte&uacute;dos de fantasia de castigo, de rigidez de pap&eacute;is e de priva&ccedil;&atilde;o pudessem ser repetidos e modificados na rela&ccedil;&atilde;o "aqui e agora" com o terapeuta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, Duarte (2009) explica que o jogo, no processo de psicoterapia, pode ter a capacidade de modificar a realidade do sujeito. Caso isso n&atilde;o ocorra, a crian&ccedil;a ent&atilde;o acaba por tolerar melhor a frustra&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o poder modificar a sua realidade. No caso cl&iacute;nico de Murilo, durante a brincadeira, foram deslocados para o mundo externo seus medos, ang&uacute;stias e problemas, pois o menino p&ocirc;de externarlizar suas fantasias durante a brincadeira l&uacute;dica em psicoterapia. No jogo, houve a presen&ccedil;a da compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o, tendo o sujeito a capacidade de poder repetir sua rela&ccedil;&atilde;o com o objeto origin&aacute;rio, e, ent&atilde;o, o terapeuta, a partir da interpreta&ccedil;&atilde;o, de dar significado a essa repeti&ccedil;&atilde;o, podendo assim o paciente internalizar novas imagens representacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A brincadeira tamb&eacute;m &eacute; um indicativo de sa&uacute;de mental da crian&ccedil;a (Bassols <i>et al.</i>, 2013). Diante disto, denotou-se que, ao longo do processo terap&ecirc;utico, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos manifestos, latentes e das intera&ccedil;&otilde;es entre o terapeuta e o paciente, Murilo pode assumir e transitar em diferentes pap&eacute;is representacionais e hier&aacute;rquicos. Portanto, evidencia-se um progresso de sa&uacute;de na capacidade simb&oacute;lica do sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fez-se importante o progresso da capacidade simb&oacute;lica, pois, como relatado na hist&oacute;ria pregressa, o menino possu&iacute;a dificuldades em brincar. Assim, Murilo utilizou-se da atividade l&uacute;dica por diversas vezes. Assim, a psicoterapia possibilitou espa&ccedil;o para que a atividade l&uacute;dica servisse como um caminho de comunica&ccedil;&atilde;o entre terapeuta e paciente para que este tivesse a possibilidade de um desenvolvimento emocional mais satisfat&oacute;rio e de amadurecimento cognitivo, pois a brincadeira resulta desse amadurecimento. Ainda, a brincadeira na psicoterapia possibilitou tamb&eacute;m que Murilo tolerasse melhor as frustra&ccedil;&otilde;es, a partir de recursos cognitivos mais maduros, decorrentes das situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade social nas quais est&aacute; inserido.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados desta pesquisa, respondendo ao problema de pesquisa proposto, evidenciaram que o impacto das priva&ccedil;&otilde;es afetivas para as rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo interpessoais de uma crian&ccedil;a institucionalizada em contexto de psicoterapia psicanal&iacute;tica gerou diversos indicadores emocionais, tais como: fantasia de morte, fantasia de castigo, fantasia de supera&ccedil;&atilde;o, priva&ccedil;&atilde;o, possessividade e busca de uma figura de cuidado substituta. Esses conte&uacute;dos no processo de psicoterapia receberam significados e foram armazenados no "mundo ps&iacute;quico" do sujeito, de modo que houvesse uma representa&ccedil;&atilde;o para o menino. Esse processo de internaliza&ccedil;&atilde;o foi poss&iacute;vel de ocorrer atrav&eacute;s da din&acirc;mica transferencial e contratransferencial da dupla e da atividade l&uacute;dica no <i>setting</i> terap&ecirc;utico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se nitidamente, desde a revis&atilde;o s&oacute;cio-hist&oacute;rica, que as crian&ccedil;as e os adolescentes foram - e ainda s&atilde;o -, em muitos casos, negligenciados, tanto por suas fam&iacute;lias quanto por institui&ccedil;&otilde;es do Governo que fornecem subs&iacute;dios que acabam por n&atilde;o preencher nem minimamente as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas para o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social dessas crian&ccedil;as e adolescentes. A n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o desses tr&ecirc;s aspectos acaba por privar esses indiv&iacute;duos dos v&iacute;nculos afetivos seguros e das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais necess&aacute;rias para a orienta&ccedil;&atilde;o ao crescimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, as an&aacute;lises de dados revelaram que, na primeira categoria, as fantasias representaram o mundo interno ca&oacute;tico do paciente e perpassaram as demais rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo, demostrando que essas viv&ecirc;ncias foram traum&aacute;ticas e que excederam a capacidade de simboliza&ccedil;&atilde;o. A segunda categoria indicou que Murilo gostaria de ter uma figura de cuidado que pudesse promover o <i>holding </i>ao menino. Ainda, foi atrav&eacute;s da contin&ecirc;ncia e sustenta&ccedil;&atilde;o que a repeti&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias descontextualizadas p&ocirc;de receber representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e poss&iacute;vel de ser elaborada. Por fim, a &uacute;ltima categoria evidenciou que a brincadeira na psicoterapia possibilitou espa&ccedil;o para a representa&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica do mundo interno do paciente, podendo a partir dela interpretar o que se passava no mundo interno do menino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, pode-se inferir que a psicoterapia resultou em efeitos positivos para Murilo, pois se p&ocirc;de observar, ao final do per&iacute;odo da pesquisa, a flexibiliza&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is, o incremento na capacidade simb&oacute;lica e a representa&ccedil;&atilde;o de algumas das fantasias com as figuras parentais e com o terapeuta, sendo esses resultados importantes, pois, segundo a literatura de orienta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica, indicam recursos positivos de sa&uacute;de mental na crian&ccedil;a. Cabe considerar que o processo psicoterap&ecirc;utico de Murilo n&atilde;o est&aacute; encerrado e que os dados analisados na pesquisa s&atilde;o apenas parte do trabalho psicoterap&ecirc;utico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a pesquisa no processo terap&ecirc;utico se faz importante, pois contribui para que os profissionais que se depararem com essa problem&aacute;tica de priva&ccedil;&otilde;es afetivas nos relacionamentos pessoais possam propor estrat&eacute;gias para minimizar impactos dessa ordem e repensar e promover a import&acirc;ncia dos v&iacute;nculos interpessoais para crian&ccedil;as em acolhimento institucional. Al&eacute;m disso, este estudo serve para auxiliar a refletir sobre a psicoterapia e a sua necessidade para os sujeitos nesse contexto, no qual as situa&ccedil;&otilde;es de priva&ccedil;&otilde;es afetivas podem provocar intenso sofrimento e repercutir para as rela&ccedil;&otilde;es de v&iacute;nculo. Assim, o processo terap&ecirc;utico abriu caminho para a elabora&ccedil;&atilde;o dessas viv&ecirc;ncias traum&aacute;ticas, como ficou evidenciado no caso cl&iacute;nico de Murilo. Pode-se inferir, desse modo, que, caso ele n&atilde;o recebesse esse tipo de atendimento, seus conflitos emocionais tenderiam a ser ainda mais intensos e a agravar seu desenvolvimento emocional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o terapeuta do caso cl&iacute;nico seja tamb&eacute;m o pesquisador deste estudo, o que acaba por se tornar uma limita&ccedil;&atilde;o desta pesquisa, fora observado o cuidado &eacute;tico-profissional necess&aacute;rio para haver a menor interfer&ecirc;ncia pessoal nas an&aacute;lises dos dados coletados. Ainda, por esta pesquisa possuir o desenho de estudo de caso, ela acaba por investigar de forma aprofundada apenas um caso, portanto, h&aacute; necessidade de se efetuar pesquisas sistem&aacute;ticas com um maior n&uacute;mero de crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias, a fim de serem mais bem compreendidos os impactos dos rompimentos de v&iacute;nculos afetivos nesses sujeitos, que est&atilde;o diante de situa&ccedil;&otilde;es que os colocam em vulnerabilidade social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra limita&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave;s refer&ecirc;ncias utilizadas neste estudo - sabe-se que a literatura psicanal&iacute;tica cl&aacute;ssica, como Freud, Bowlby e Winnicott, entre outros autores, s&atilde;o relativamente obsoletas em sua data de publica&ccedil;&atilde;o, mas muito atuais em seu conte&uacute;do, atravessando diferentes s&eacute;culos. Ainda, muitos psicanalistas acabam n&atilde;o publicando seus casos cl&iacute;nicos, muitas vezes por terem os conceitos de pesquisa e cl&iacute;nica dissociados - ou s&oacute; realizam pesquisas emp&iacute;ricas, ou s&oacute; exercem a pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Desse modo, os profissionais que conseguem unir as duas pr&aacute;ticas contribuem tanto para a ci&ecirc;ncia quanto para forma&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, sendo, ent&atilde;o, necess&aacute;ria a integra&ccedil;&atilde;o dessas duas &aacute;reas de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, este estudo pauta-se no objetivo de contribuir com a comunidade cient&iacute;fica no sentido de constituir-se como uma fonte confi&aacute;vel de conhecimento t&eacute;cnico. Para o sujeito participante, a pesquisa e o processo psicoterap&ecirc;utico individual de orienta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica unem-se como fatores que contribuem para minimizar o sofrimento ps&iacute;quico e proporcionam experi&ecirc;ncias de um contato mais genu&iacute;no com o seu mundo interno. Assim, &eacute; poss&iacute;vel dizer que esse processo terap&ecirc;utico auxiliou o participante a ressignificar o modo como esse interage nos relacionamentos interpessoais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALBORNOZ, A.C. 2006. <i>Psicoterapia com crian&ccedil;as e adolescentes institucionalizados</i>. S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo, 160 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528901&pid=S1983-3482201600010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ALBORNOZ, A.C. 2009. Psicoterapia com crian&ccedil;as institucionalizadas. <i>In: </i>M.G.K. CASTRO; A. STURMER (eds.), <i>Crian&ccedil;as e adolescentes em psicoterapia: A abordagem psicanal&iacute;tica</i>. Porto Alegre, Artmed, p. 274-285.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528903&pid=S1983-3482201600010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. 2014. <i>DSM-5: Manual Diagn&oacute;stico Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais. </i>5ª ed., Porto Alegre, Artes M&eacute;dicas, 992 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528905&pid=S1983-3482201600010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ASSIS, S.G.; FARIAS, L.O.P. (eds.). 2013. <i>Levantamento Nacional das Crian&ccedil;as e Adolescentes em Servi&ccedil;o de Acolhimento. </i>S&atilde;o Paulo, HUCITEC Editora, 368 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528907&pid=S1983-3482201600010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABERASTURY, A. 1982. <i>Psican&aacute;lise da Crian&ccedil;a: Teoria e T&eacute;cnica.</i> Porto Alegre, Artmed, 286 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528909&pid=S1983-3482201600010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AZEVEDO, M.M. 2007. <i>O C&oacute;digo Mello Mattos e seus reflexos na legisla&ccedil;&atilde;o posterior, destacando: Responsabilidade Penal; Poder Normativo do Juiz; Fam&iacute;lia Substitutiva; Preven&ccedil;&atilde;o e Infra&ccedil;&otilde;es Administrativas. </i>Monografia de Magistrados do Poder Judici&aacute;rio do Estado do Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.tjrj.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=b2498574-2cae-4be7-a8ac-9f3b00881837&amp;groupId=10136" target="_blank">http://www.tjrj.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=b2498574-2cae-4be7-a8ac-9f3b00881837&amp;groupId=10136</a>. Acesso em: 10/09/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528911&pid=S1983-3482201600010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AYRES, L.S.M.; COUTINHO, A.P.C.; S&Aacute;, D.A.; ALBERNAZ, T. 2010. Abrigo e abrigados: constru&ccedil;&otilde;es e desconstru&ccedil;&otilde;es de um estigma. <i>Estudos e Pesquisas em Psicologia, </i><b>10</b>(2):420-433. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.revispsi.uerj.br/v10n2/artigos/pdf/v10n2a09.pdf" target="_blank">http://www.revispsi.uerj.br/v10n2/artigos/pdf/v10n2a09.pdf</a>. Acesso em: 18/05/2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528913&pid=S1983-3482201600010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BASSOLS, A.M.S.; DIEDER, A.L.; CZEKSTER, M.V.; PEREIRA, M.P. 2013. A crian&ccedil;a pr&eacute;-escolar<i>. In:</i> C.L. EIZIRIK; A.M.S. BASSOLS (eds.), <i>O ciclo da vida humana: Uma perspectiva psicodin&acirc;mica</i>. Porto Alegre, Artmed, p. 127-141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528915&pid=S1983-3482201600010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BARDIN, L. 2002. <i>An&aacute;lise de Conte&uacute;do. </i>Portugal, LDA, 280 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528917&pid=S1983-3482201600010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BREAKWELL, G.M.; HAMMOND, S.; FIVESCHAW, C.; SMITH, J.A. 2010. <i>M&eacute;todos de pesquisa em psicologia. </i>3ª ed., Porto Alegre, Artmed, 504 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528919&pid=S1983-3482201600010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOWLBY, J. 1990. <i>Forma&ccedil;&atilde;o e rompimento dos la&ccedil;os afetivos. </i>5ª ed., S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 232 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528921&pid=S1983-3482201600010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 1990. <i>Lei n. 8.069,  de 13 de julho de 1990. </i>Disp&otilde;e sobre o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA). Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o. Bras&iacute;lia, DF, Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm</a>. Acesso em: 20/08/2014.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 2009a. <i>Lei n. 12.010,  de 03 de agosto de 2009. </i>Disp&otilde;e sobre Ado&ccedil;&atilde;o. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o. Bras&iacute;lia, DF, Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010.htm</a>. Acesso em: 10/09/2014.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 2009b. Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. <i>Orienta&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas: Servi&ccedil;os de Acolhimento para Crian&ccedil;as e Adolescentes.</i> 2ª ed., Bras&iacute;lia, DF, Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, 105 p.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 2012. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Conselho Nacional de Sa&uacute;de. <i>Diretrizes e normas regulamentadoras sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Resolu&ccedil;&atilde;o 466 de 12 de dezembro de 2012. </i>Bras&iacute;lia, DF, Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CALDERARO, R.S.S.; CARVALHO, C.V. 2005. Depress&atilde;o na Inf&acirc;ncia: Um estudo explorat&oacute;rio. <i>Psicologia em Estudo, </i><b>10</b>(2):181-189. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722005000200004" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722005000200004</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528927&pid=S1983-3482201600010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CENTER ON THE DEVELOPING CHILD. 2007. <i>The Impact of Early Adversity on Child Development </i>(InBrief). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.developingchild.harvard.edu" target="_blank">www.developingchild.harvard.edu</a>. Acesso em: 22/10/2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528928&pid=S1983-3482201600010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. 2005. <i>Resolu&ccedil;&atilde;o CFP Nº 010/05. </i>Disp&otilde;e sobre o C&oacute;digo de &Eacute;tica Profissional do Psic&oacute;logo. Bras&iacute;lia, DF. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo_etica.pdf" target="_blank">http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo_etica.pdf</a>. Acesso em: 21/05/2015.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DANTAS, A., Jr. 1999. Dor ps&iacute;quica e o negativo: Uma ilustra&ccedil;&atilde;o do trabalho negativo no campo da experi&ecirc;ncia da dor. <i>Revista Brasileira de Psican&aacute;lise, </i><b>33</b>(3):573-584.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528931&pid=S1983-3482201600010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DUARTE, I.; BORNHOLDT, I.; CASTRO, M.G.K. 1989. <i>A pr&aacute;tica da psicoterapia infantil</i>. Porto Alegre, Artes M&eacute;dicas, 192 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528933&pid=S1983-3482201600010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DUARTE, I.P. 2009. A comunica&ccedil;&atilde;o na psicoterapia de crian&ccedil;as: o simbolismo no brincar e no desenho<i>. In: </i>M.G.K. CASTRO; A. STURMER (eds.), <i>Crian&ccedil;as e adolescentes em psicoterapia: A abordagem psicanal&iacute;tica. </i>Porto Alegre, Artmed, p. 141-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528935&pid=S1983-3482201600010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EIZIRIK, C.L.; AGUIAR, R.W.; SCHESTATSKY, S.S. 2008a. <i>Psicoterapia de Orienta&ccedil;&atilde;o Anal&iacute;tica: Fundamentos Te&oacute;ricos e Cl&iacute;nicos. </i>Porto Alegre, Artmed, 856 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528937&pid=S1983-3482201600010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EIZIRIK C.L.; LIBERMANN, Z.; COSTA F. 2008b. A rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, transfer&ecirc;ncia, contratransfer&ecirc;ncia e alian&ccedil;a terap&ecirc;utica. <i>In: </i>A.V. CORDIOLI e colaboradores, <i>Psicoterapia: Abordagens atuais</i>. Porto Alegre, Artmed, p. 74-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528939&pid=S1983-3482201600010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FRANCO, M.H.P.; MAZORRA, L. 2007. Crian&ccedil;a e luto: viv&ecirc;ncias fantasm&aacute;ticas diante da morte do genitor. <i>Estudos Psicologia, </i><b>24</b>(4):503-511. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/s0103-166x2007000400009" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/s0103-166x2007000400009</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528941&pid=S1983-3482201600010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. 1912a. <i>Recomenda&ccedil;&otilde;es aos jovens m&eacute;dicos que exercem a psican&aacute;lise</i>. Rio de Janeiro, Imago Editora Ltda., 404 p. (Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528942&pid=S1983-3482201600010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. 1912b. <i>A din&acirc;mica da transfer&ecirc;ncia</i>. Rio de Janeiro, Imago Editora Ltda., 404 p. (Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528944&pid=S1983-3482201600010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. 1920. <i>Al&eacute;m do Princ&iacute;pio do Prazer</i>. Rio de Janeiro, Imago Editora Ltda., 311 p. (Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528946&pid=S1983-3482201600010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GERHARDT, T.E.; SILVEIRA, D.T. 2009. <i>M&eacute;todos de Pesquisa</i>. Porto Alegre, Editora da UFRGS, 120 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528948&pid=S1983-3482201600010000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GIL, A.C. 2001. <i>M&eacute;todos e T&eacute;cnicas em Pesquisa Social</i>. S&atilde;o Paulo, Atlas, 200 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528950&pid=S1983-3482201600010000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GOMES, A.G. 2007. <i>Malforma&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; e maternidade: impacto de uma psicoterapia breve pais-beb&ecirc; para as representa&ccedil;&otilde;es da m&atilde;e. </i>Porto Alegre, RS. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 258 p.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GONZALEZ, A.C.; DELL'AGLIO, D.D. 2011. Adolescentes em acolhimento institucional: conviv&ecirc;ncia familiar e comunit&aacute;ria. 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Indicadores de Intersubjetividad 0-12 meses. <i>Revista da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de Porto Alegre, </i><b>16</b>(1):209-235.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528955&pid=S1983-3482201600010000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JANU&Aacute;RIO, L.M.; TAFURI, M.I. 2011. A rela&ccedil;&atilde;o transferencial para al&eacute;m da interpreta&ccedil;&atilde;o: reflex&otilde;es a partir da teoria de Winnicott. <i>&Aacute;gora: Estudos em Teoria Psicanal&iacute;tica</i>, <b>14</b>(2):259-274. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1516-14982011000200007" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S1516-14982011000200007</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528957&pid=S1983-3482201600010000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JOHNSON, S.; WHIFFEN, V. 2012. <i>Os processos do apego na Terapia de Casal e Fam&iacute;lia. </i>S&atilde;o Paulo, Roca, 400 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528958&pid=S1983-3482201600010000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LAVILLE, C.; DIONNE, J. 1999. <i>A constru&ccedil;&atilde;o do saber: manual de metodologia da pesquisa em ci&ecirc;ncias humanas.</i> 1ª ed., Porto Alegre, Artmed, 344 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528960&pid=S1983-3482201600010000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OLIVEIRA. D.S. 2010.<i> Indicadores de regress&atilde;o e de crescimento do primog&ecirc;nito no processo de tornar-se irm&atilde;o. </i>Porto Alegre, RS. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 243 p.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OLIVEIRA, D.S.; LOPES, R.C.S. 2013. Regress&atilde;o e crescimento do primog&ecirc;nito no processo de tornar-se irm&atilde;o. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa</i>, <b>29</b>(1):107-166. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722013000100013" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722013000100013</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528963&pid=S1983-3482201600010000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PRIORE, M. (eds.). 1999. <i>Hist&oacute;ria das crian&ccedil;as no Brasil.</i> S&atilde;o Paulo, Contexto, 448 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528964&pid=S1983-3482201600010000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROTONDARO, D.P. 2002. Os desafios constantes de uma psic&oacute;loga no abrigo. <i>Psicologia: Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o</i>, <b>3:</b> 8-13. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932002000300003" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932002000300003</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528966&pid=S1983-3482201600010000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANTOS, M.A. 1994. A transfer&ecirc;ncia na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica: a abordagem freudiana. <i>Temas em Psicologia</i>, <b>2</b>(2):13-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528967&pid=S1983-3482201600010000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SHENGOLD, L. 1999. Maus tratos e priva&ccedil;&atilde;o na inf&acirc;ncia: assassinato da alma. <i>Revista do CEAPIA</i>, <b>12:</b>34-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528969&pid=S1983-3482201600010000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SILVA, R.F.; OLIVEIRA, F.S. 2011. O conceito de inf&acirc;ncia e a atualidade. A<i>nais das Faculdades Integradas de Ourinhos - FIO. </i>Dispon&iacute;vel em: <a href="http://fio.edu.br/cic/anais/2011_x_cic/PDF/Psicologia/O%20CONCEITO%20DE%20INFANCIA.pdf" target="_blank">http://fio.edu.br/cic/anais/2011_x_cic/PDF/Psicologia/O%20CONCEITO%20DE%20INFANCIA.pdf</a>. Acesso em: 26/04/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528971&pid=S1983-3482201600010000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SPITZ, R.A. 2013. <i>O Primeiro Ano de Vida. </i>4ª ed., S&atilde;o Paulo, Martins Fontes, 416 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528973&pid=S1983-3482201600010000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WATHIER, J.L.; DELL'AGLIO, D.D. 2007. Sintomas depressivos e eventos estressores em crian&ccedil;as e adolescentes no contexto de institucionaliza&ccedil;&atilde;o. <i>Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul</i>, <b>29</b>(3):305-314. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082007000300010" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082007000300010</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528975&pid=S1983-3482201600010000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WERLANG, B.G. 2000. Entrevista L&uacute;dica. <i>In</i>: J.A. CUNHA, <i>Psicodiagn&oacute;stico - V. </i>Porto Alegre, Artmed, p. 96-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528976&pid=S1983-3482201600010000700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WINNICOTT, D. W. 1974. <i>A crian&ccedil;a e seu mundo. </i>6ª ed., Rio de Janeiro, LTC, 270 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528978&pid=S1983-3482201600010000700046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WINNICOTT, D. W. 1975. <i>O brincar e a realidade. </i>Rio de Janeiro, Imago, 203 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528980&pid=S1983-3482201600010000700047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WINNICOTT, D.W. 1988. <i>O ambiente e os processos de matura&ccedil;&atilde;o</i>. Porto Alegre, Artes M&eacute;dicas, 268 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528982&pid=S1983-3482201600010000700048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WINNICOTT, D.W. 2012. <i>Priva&ccedil;&atilde;o e Delinqu&ecirc;ncia. </i>S&atilde;o Paulo, Editora WMF Martins Fontes, 322 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528984&pid=S1983-3482201600010000700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZEANAH, H.C.; NELSON, C.A.; FOX, N.A.; SMYKE, A.T.; MARSHALL, P.; PARKER, S.W.; KOGA, S. 2003. Designing research to study the effects of institutionalization on brain and behavioral development: The Bucharest Early Intervention Project. <i>Development and Psychopathology, </i><b>15:</b>885-907. <a href="http://dx.doi.org/10.1017/S0954579403000452" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1017/S0954579403000452</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528986&pid=S1983-3482201600010000700050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZIMERMAN, D.E. 2000. <i>Fundamentos b&aacute;sicos das grupoterapias.</i> Porto Alegre, Artmed, 248 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528987&pid=S1983-3482201600010000700051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZIMERMAN, D.E. 2008. <i>Manual de T&eacute;cnica Psicanal&iacute;tica: uma revis&atilde;o.</i> Porto Alegre, Artmed, 471 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4528989&pid=S1983-3482201600010000700052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Submetido: 26/08/2015     <br>   Aceito:  01/12/2015</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este &eacute; um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribui&ccedil;&atilde;o 4.0 International (CC BY 4.0), sendo permitidas reprodu&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.    <br>   <a name="1a"></a><a href="#1b">1</a> Artigo elaborado a partir do trabalho de conclus&atilde;o de curso do primeiro autor, para obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de bacharel em psicologia.    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a> O termo analista empregado neste estudo pode ser entendido como sin&ocirc;nimo para terapeuta.</font></p>      ]]></body>
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