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<journal-title><![CDATA[Gerais : Revista Interinstitucional de Psicologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Bem-estar subjetivo em famílias com histórico de abuso sexual intrafamiliar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study assessed the Subjective Well-Being (SWB) in victims of sexual abuse in the family and in their relatives after the conclusion of lawsuits. The study was exploratory, quantitative, and qualitative. The Satisfaction With Life Scale (SWLS) and the Positive and Negative Affective Scale (PANAS) were applied to the adults, victims, and victims' siblings. Despite quantitative, the data were discussed qualitatively. The results demonstrated that the mothers presented lower levels of SWB if compared to the fathers. The SWLS was higher in the guardians of reconstituted families and with lawsuits which resulted in convictions. In general, the victims presented higher levels of SWB than their siblings, suggesting that they need to be given more attention from the systems of protection/assistance.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Abuso Sexual]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="enda"></a><b>Bem-estar subjetivo em fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de abuso sexual intrafamiliar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Subjective Well-Being (SWB) in families with sexual abuse history in the family</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Maria Franchi Pincolini<a href="#end"><sup>1</sup></a>; Claudio Simon Hutz</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo avaliou o Bem-Estar Subjetivo (BES) de v&iacute;timas de abuso sexual intrafamiliar e de seus familiares ap&oacute;s a conclus&atilde;o de processos judiciais. O estudo foi explorat&oacute;rio e de naturezas quantitativa e qualitativa. Foram aplicadas as Escalas de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida (SV) e de Afetos Positivos e Negativos (PANAS) aos respons&aacute;veis adultos, v&iacute;timas e irm&atilde;os de v&iacute;timas. Embora quantitativos, os dados foram discutidos qualitativamente. Os resultados evidenciaram que as m&atilde;es apresentaram menores n&iacute;veis de BES em compara&ccedil;&atilde;o aos respons&aacute;veis masculinos. A SV foi maior nos respons&aacute;veis de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das e com desfecho judicial condenat&oacute;rio. Nas v&iacute;timas e irm&atilde;os, os maiores n&iacute;veis de BES ocorreram em fam&iacute;lias monoparentais com processos de desfecho absolut&oacute;rio. Em geral, as v&iacute;timas apresentaram n&iacute;veis de BES mais altos que seus irm&atilde;os, indicando que eles precisam receber mais aten&ccedil;&atilde;o das redes de prote&ccedil;&atilde;o/atendimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Abuso Sexual, Bem-estar Subjetivo, Fam&iacute;lia</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This study assessed the Subjective Well-Being (SWB) in victims of sexual abuse in the family and in their relatives after the conclusion of lawsuits. The study was exploratory, quantitative, and qualitative. The Satisfaction With Life Scale (SWLS) and the Positive and Negative Affective Scale (PANAS) were applied to the adults, victims, and victims' siblings. Despite quantitative, the data were discussed qualitatively. The results demonstrated that the mothers presented lower levels of SWB if compared to the fathers. The SWLS was higher in the guardians of reconstituted families and with lawsuits which resulted in convictions. In general, the victims presented higher levels of SWB than their siblings, suggesting that they need to be given more attention from the systems of protection/assistance.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Keywords:</b> Sexual Abuse; Subjective Well-being; Family</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante a maior parte de sua hist&oacute;ria, a Psicologia preocupou-se principalmente com aspectos disfuncionais do psiquismo e do comportamento humano. Algumas iniciativas no sentido de incluir o estudo de aspectos positivos surgiram na d&eacute;cada de 1930, com os trabalhos de Terman, Jung e Watson (Graziano, 2005), e reapareceram nos anos 1960 e 1970, com as contribui&ccedil;&otilde;es da Psicologia Humanista, em especial de Maslow (1954) e Rogers (1959). Entretanto, como movimento organizado de cr&iacute;tica &agrave; &ecirc;nfase da ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica na patologia e na disfun&ccedil;&atilde;o, a Psicologia Positiva surgiu em 1998, por iniciativa de Seligman, Csikszentmihalyi, Fowler, Peterson, Vaillant e Diener (Graziano, 2005; Passareli &amp; Silva, 2007) e afirmou-se em 2001, na edi&ccedil;&atilde;o especial da <i>American Psychologist</i> (Yunes, 2003).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Psicologia Positiva &eacute; definida como o estudo cient&iacute;fico das for&ccedil;as e virtudes do indiv&iacute;duo, seu potencial, capacidades e motiva&ccedil;&atilde;o (Seligman &amp; Csikszentmihalyi, 2000). O estudo da felicidade e das potencialidades humanas &eacute; uma importante quest&atilde;o de pesquisa para a Psicologia no s&eacute;culo XXI. Segundo Yunes (2003), propor uma ci&ecirc;ncia que focalize potencialidades e qualidades exige tanto esfor&ccedil;o e seriedade quanto o estudo de aspectos disfuncionais. A Psicologia Positiva pretende suplementar, e n&atilde;o desconsiderar, o conhecimento que a ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica adquiriu sobre sofrimento, transtornos e disfun&ccedil;&otilde;es, compreendendo as experi&ecirc;ncias humanas de forma equilibrada, sem privilegiar aspectos positivos ou negativos (Passareli &amp; Silva, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Bem-Estar Subjetivo (BES), tema frequentemente estudado pela Psicologia Positiva, &eacute; considerado por alguns autores como sin&ocirc;nimo de felicidade (Seligman &amp; Csikszentmihalyi, 2000) e uma avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva da qualidade de vida (Giacomoni, 2004). Pesquisadores t&ecirc;m buscado entender como eventos estressantes repercutem no BES e qual a influ&ecirc;ncia de fatores gen&eacute;ticos (temperamento) e caracter&iacute;sticas de personalidade (Giacomoni, 2004). Graziano (2005) estudou eventos de vida e situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas (descoberta de ser portador do v&iacute;rus HIV, sequestros, acidentes, assaltos), com interesse em pessoas cuja recupera&ccedil;&atilde;o superou as expectativas. Observou que tais pessoas possu&iacute;am certa percep&ccedil;&atilde;o de responsabilidade (controle) sobre seu bemestar e que quanto maior o <i>locus</i> de controle interno de um indiv&iacute;duo (percep&ccedil;&atilde;o de controle sobre rea&ccedil;&otilde;es e eventos de vida), maiores seus n&iacute;veis de felicidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A subjetividade, a avalia&ccedil;&atilde;o global e as medidas positivas s&atilde;o caracter&iacute;sticas fundamentais do BES (Diener, 1995). Ele &eacute; composto por uma dimens&atilde;o emocional, Afeto, subdividido em Afeto positivo (AF+) e Afeto Negativo (AF-); e por uma dimens&atilde;o cognitiva, Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida (SV). AF+ refere-se a um estado emocional de contentamento, alerta, atividade, prazer e entusiasmo. AF- corresponde a um estado de distra&ccedil;&atilde;o e baixo engajamento, acompanhado de aborrecimento, ansiedade, depress&atilde;o, pessimismo e outros estados desagrad&aacute;veis. Por sua vez, SV permite acessar a avalia&ccedil;&atilde;o geral que o indiv&iacute;duo faz de suas experi&ecirc;ncias, em uma perspectiva cognitiva (Diener, 1995), comparando o padr&atilde;o de vida desejado e as circunst&acirc;ncias de vida reais (Albuquerque &amp; Tr&oacute;ccoli, 2004). Altos n&iacute;veis de BES significam uma postura de autoaceita&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&otilde;es positivas, autonomia (autodetermina&ccedil;&atilde;o, independ&ecirc;ncia, autorregula&ccedil;&atilde;o do comportamento), sensa&ccedil;&atilde;o de controle sobre o ambiente, desejo de crescimento pessoal e sentimento de um prop&oacute;sito na vida (Riff, 1989).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rias formas de mensura&ccedil;&atilde;o foram propostas para o BES. As primeiras eram medidas de item &uacute;nico, em que os participantes respondiam a uma quest&atilde;o ampla a respeito de bem-estar, qualidade e satisfa&ccedil;&atilde;o de vida. Apesar da praticidade e brevidade, essas medidas eram demasiadamente simplistas. Atualmente, utilizam-se lembran&ccedil;as de eventos de vida e escalas que medem as dimens&otilde;es afetiva e cognitiva do BES (Giacomoni, 2004). O aspecto subjetivo da avalia&ccedil;&atilde;o do bem-estar &eacute; de suma import&acirc;ncia, pois as pessoas avaliam uma mesma experi&ecirc;ncia de modo diverso, havendo grandes varia&ccedil;&otilde;es individuais com rela&ccedil;&atilde;o ao impacto dos acontecimentos (Diener, 1995). O presente estudo, que avaliou o BES de crian&ccedil;as, adolescentes e familiares que viveram ou testemunharam um evento de vida potencialmente danoso como o abuso sexual, pretende contribuir com essa discuss&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abuso sexual intrafamiliar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O abuso sexual de crian&ccedil;as e adolescentes se caracteriza pelo envolvimento sexual entre um ou mais adultos e uma pessoa menor de 18 anos. Compreende todo ato ou jogo sexual, homo ou heterossexual, com ou sem penetra&ccedil;&atilde;o (Azevedo &amp; Guerra, 1989). Nas diversas defini&ccedil;&otilde;es de abuso sexual infantil est&aacute; inclu&iacute;da a n&atilde;o-compreens&atilde;o da v&iacute;tima (e consequente incapacidade para consentir) e o desenvolvimento psicossexual adiantado do abusador em rela&ccedil;&atilde;o a ela (Habigzang &amp; Caminha, 2004), determinando uma diferen&ccedil;a de poder (Amazarray &amp; Koller, 1998). Quando ocorre dentro da fam&iacute;lia, o abuso sexual &eacute; intrafamiliar (ASI) ou dom&eacute;stico e, nesse caso, o abusador tem para com a crian&ccedil;a la&ccedil;os de consanguinidade e/ou responsabilidade. Os abusadores podem ser respons&aacute;veis biol&oacute;gicos ou adotivos, curadores, tutores ou quem quer que detenha poder/responsabilidade sobre a crian&ccedil;a/adolescente, gerando quebra da confian&ccedil;a da v&iacute;tima para com as figuras parentais ou de cuidado (Azevedo &amp; Guerra, 1989). Acredita-se que as consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas costumam ser mais graves quando se trata de ASI do que quando o abuso &eacute; cometido por estranhos (Amazarray &amp; Koller, 1998; Habigzang &amp; Caminha, 2004, Pfeiffer &amp; Salvagni, 2005) em fun&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos afetivos entre v&iacute;tima e abusador. Participar da intera&ccedil;&atilde;o abusiva pode levar a v&iacute;tima a crer que &eacute; respons&aacute;vel pelo abuso e que ser&aacute; culpabilizada caso o abusador seja preso e a m&atilde;e fique magoada (Borba, 2002). Esses sentimentos de culpa e responsabilidade contribuem para a cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da chamada "s&iacute;ndrome do segredo" (Furniss, 1993), na qual, por meio de amea&ccedil;as, impl&iacute;citas ou n&atilde;o, o abusador faz a v&iacute;tima crer que suas queixas n&atilde;o ser&atilde;o escutadas, que ningu&eacute;m lhe dar&aacute; cr&eacute;dito ou que ela ser&aacute; castigada (Pfeiffer &amp; Salvagni, 2005). Al&eacute;m da v&iacute;tima, a m&atilde;e tamb&eacute;m precisa de ajuda (Cohen &amp; Mannarino, 2000). Ela tende a vivenciar o abuso sexual dos filhos nos pap&eacute;is de v&iacute;tima ou testemunha e pode sentir-se fracassada por n&atilde;o ter conseguido proteg&ecirc;-los (Santos, 2007). Costuma ser dependente emocional e economicamente do abusador e n&atilde;o &eacute; incomum que tenha sido v&iacute;tima de abuso sexual na pr&oacute;pria inf&acirc;ncia (Narvaz, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O abusador (geralmente o respons&aacute;vel masculino) costuma ter dificuldades para impor limites dentro da fam&iacute;lia e tende a usar viol&ecirc;ncia f&iacute;sica para resolver conflitos. &Eacute; poss&iacute;vel que adote comportamentos de omiss&atilde;o, minimiza&ccedil;&atilde;o da dor e das consequ&ecirc;ncias do abuso e desqualifica&ccedil;&atilde;o/desprezo &agrave; v&iacute;tima (Ravazzola, 1997). Ele pr&oacute;prio pode ter sido abusado ou abandonado na inf&acirc;ncia; da&iacute;, a dificuldade de atender &agrave;s necessidades afetivas e salvaguardar os direitos de uma crian&ccedil;a (Santos, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por ser um evento de vida potencialmente traum&aacute;tico, as consequ&ecirc;ncias do ASI costumam ser danosas a todos os envolvidos, em especial ao desenvolvimento de crian&ccedil;as e adolescentes. O ASI gera um alto grau de tens&atilde;o, interfere nos padr&otilde;es normais de resposta e pressup&otilde;e alta probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de algum tipo de desordem, que pode incidir sobre o comportamento, afeto ou cogni&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima (Silva &amp; Hutz, 2002). Outros familiares tamb&eacute;m s&atilde;o afetados, pois a viol&ecirc;ncia sexual pode ser experimentada nos pap&eacute;is de v&iacute;tima, perpetrador ou testemunha, e todos esses pap&eacute;is geram consequ&ecirc;ncias negativas ao desenvolvimento (De Antoni &amp; Koller, 2002). Pelo exposto, presume-se que o ASI repercute sobre o bem-estar da fam&iacute;lia como um todo. H&aacute; poucos dados a respeito do BES em fam&iacute;lias que vivenciaram um processo judicial de ASI. Pouco se sabe acerca da satisfa&ccedil;&atilde;o com suas vidas e se, de fato, est&atilde;o mais felizes ap&oacute;s o julgamento dos acusados. Esse estudo pretendeu contribuir no preenchimento dessa lacuna.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Participantes</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participaram do estudo 13 adultos respons&aacute;veis, nove v&iacute;timas e sete irm&atilde;os de v&iacute;timas de abuso sexual. Essas pessoas faziam parte de um total de dez fam&iacute;lias selecionadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Delineamento e procedimentos</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo foi explorat&oacute;rio e se constituiu em um estudo de caso coletivo (Stake, 2005), delineamento apropriado quando h&aacute; o interesse em estudar v&aacute;rios casos em conjunto para indagar sobre um fen&ocirc;meno. Os participantes foram selecionados ap&oacute;s um levantamento de dados junto &agrave;s 1ª e 2ª Varas da Inf&acirc;ncia e Juventude (VIJ) de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com autoriza&ccedil;&atilde;o judicial de acesso aos n&uacute;meros dos processos e aos arquivos. De posse do n&uacute;mero do processo, foi poss&iacute;vel localizar, mediante pesquisa no <i>site</i> do Tribunal de Justi&ccedil;a, processos j&aacute; julgados e encerrados. Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o na amostra foram: processos criminais, j&aacute; encerrados, referentes a abuso sexual, cujo acusado fosse um familiar da v&iacute;tima e em que a fam&iacute;lia da v&iacute;tima residisse na regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre. Os entrevistados deveriam ser alfabetizados, maiores de sete anos, sem diagn&oacute;stico de retardo mental/transtorno psiqui&aacute;trico que comprometesse o entendimento dos instrumentos. Ap&oacute;s a pr&eacute;-sele&ccedil;&atilde;o de processos que respeitassem os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o na pesquisa, pela consulta ao <i>site</i> e, quando necess&aacute;rio, aos arquivos, duas profissionais das 1ª e 2ª VIJ (psic&oacute;loga e assistente social) fizeram contato com os respons&aacute;veis das fam&iacute;lias vitimadas, convidando-os a participar. Esse contato pr&eacute;vio foi necess&aacute;rio em fun&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios &eacute;ticos adotados e em fun&ccedil;&atilde;o de que o Judici&aacute;rio n&atilde;o poderia fornecer o contato das fam&iacute;lias sem a concord&acirc;ncia delas. No total, 52 processos preenchiam os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o, mas seis foram exclu&iacute;dos em fun&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o se conseguiu contato com os respons&aacute;veis familiares. Somente em dez das 46 fam&iacute;lias contatadas, os respons&aacute;veis aceitaram participar da pesquisa. Ap&oacute;s a concord&acirc;ncia em participar do estudo, a aplica&ccedil;&atilde;o dos instrumentos foi agendada por telefone e ocorreu no domic&iacute;lio dos participantes. Os participantes foram informados acerca do estudo e foi esclarecido o car&aacute;ter volunt&aacute;rio de participa&ccedil;&atilde;o, assim como os procedimentos &eacute;ticos adotados. Ap&oacute;s assinatura do Termo de Concord&acirc;ncia Livre e Esclarecido, os    instrumentos foram aplicados pela    pesquisadora, com o aux&iacute;lio de uma aluna bolsista do grupo de pesquisa, em  conformidade com os procedimentos   descritos nos estudos de valida&ccedil;&atilde;o (Giacomoni, 2002; Giacomoni &amp; Hutz, 1997, 2006, 2008). Na aplica&ccedil;&atilde;o, tomou-se o cuidado de escolher um local apropriado da resid&ecirc;ncia, que n&atilde;o comprometesse o sigilo das informa&ccedil;&otilde;es e evitasse interrup&ccedil;&otilde;es. Caso houvesse algum contratempo ou os entrevistados se sentissem mal ou prejudicados de algum modo em fun&ccedil;&atilde;o da aplica&ccedil;&atilde;o, a pesquisadora informou que poderiam interromper a entrevista em qualquer tempo ou decidir n&atilde;o participar sem preju&iacute;zo algum. No entanto, todos aceitaram participar e n&atilde;o consideraram que a entrevista tenha trazido preju&iacute;zos; ao contr&aacute;rio, salientaram que sua participa&ccedil;&atilde;o poderia auxiliar outras fam&iacute;lias que enfrentam situa&ccedil;&otilde;es semelhantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Instrumentos</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com os respons&aacute;veis adultos foram utilizados os seguintes instrumentos:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - <i>Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida (SV).</i> Vers&atilde;o adaptada da escala de Diener, Emmons, Larsen e Griffin (1985), traduzida por Giacomoni e Hutz (1997). Trata-se de uma escala tipo Likert de sete pontos, em que o participante avalia cinco afirmativas referentes &agrave; SV. A amplitude da escala varia de cinco a 35 pontos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - <i>Escala de Afeto Positivo e Negativo. </i>Vers&atilde;o em portugu&ecirc;s da escala de Watson, Clark e Tellegen (1988). Organizada como uma lista de 40 sentimentos (afetos) negativos e positivos (duas subescalas de 20 itens), variando de um a cinco pontos, com amplitude de 20 a 100 pontos. Esse instrumento e o anterior podem ser obtidos em Giacomoni e Hutz (1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em crian&ccedil;as e adolescentes (v&iacute;timas e seus irm&atilde;os), foram aplicados: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">- <i>Escala multidimensional de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida para crian&ccedil;as.</i> Escala composta por 50 afirma&ccedil;&otilde;es em que a crian&ccedil;a pontua de "1" ("nem um pouco") a "5" (muit&iacute;ssimo). Os itens s&atilde;o agrupados de modo a avaliar a SV infantil em seis dimens&otilde;es ou fatores: <i>Self, Self</i> comparado, N&atilde;o -viol&ecirc;ncia, Fam&iacute;lia, Amizade e Escola. Embora originalmente essa escala tenha sido desenvolvida para crian&ccedil;as e pr&eacute;-adolescentes com idades entre sete e 12 anos, optou-se neste estudo por aplic&aacute;-la em todas as v&iacute;timas e irm&atilde;os, a fim de realizar compara&ccedil;&otilde;es dentro da fam&iacute;lia e obter informa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s seis dimens&otilde;es. Al&eacute;m disso, a maioria das v&iacute;timas e irm&atilde;os com mais de 12 anos possu&iacute;a baixa escolaridade, dificultando a compreens&atilde;o da escala de adultos. Essa escala pode ser obtida em Giacomoni (2002), e orienta&ccedil;&otilde;es sobre constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o, assim como alguns par&acirc;metros para corre&ccedil;&atilde;o, em Giacomoni e Hutz (2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - <i>Escala de Afeto Positivo e Afeto Negativo para crian&ccedil;as.</i> Escala composta de uma lista de 34 sentimentos (afetos) positivos e negativos, que constituem duas subescalas independentes, cada uma com 17 itens, variando de um a cinco pontos. A amplitude da escala varia de 17 a 85 pontos. As vers&otilde;es preliminar e final desse instrumento podem ser obtidas em Giacomoni (2002) e Giacomoni e Hutz (2006), sendo que, nesse &uacute;ltimo, h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre a valida&ccedil;&atilde;o concorrente da escala e alguns par&acirc;metros para corre&ccedil;&atilde;o. Embora esses instrumentos tenham sido utilizados prioritariamente em pesquisas, acredita-se que podem ser de muito valor, a fim de subsidiar avalia&ccedil;&otilde;es do BES infantil tamb&eacute;m nos contextos cl&iacute;nico e institucional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>An&aacute;lise dos dados</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o dos instrumentos e coleta dos dados, eles foram tabulados e foram calculadas medidas de tend&ecirc;ncia central (M&eacute;dia, M) e dispers&atilde;o (Desvio Padr&atilde;o, DP) para SV, AF+ e AF- . As estat&iacute;sticas utilizadas para an&aacute;lise (M e DP) s&atilde;o descritivas e tiveram por objetivo possibilitar uma compara&ccedil;&atilde;o entre as m&eacute;dias obtidas pelos sujeitos deste estudo e aquelas obtidas nos estudos de valida&ccedil;&atilde;o dos instrumentos utilizados (Giacomoni, 2002; Giacomoni &amp; Hutz, 1997, 2006, 2008) com amostras n&atilde;o-cl&iacute;nicas. A magnitude do efeito foi calculada por meio do <i>d</i> de Cohen, &uacute;til em estudos com pequena quantidade de sujeitos, calculado em unidades de desvios padr&atilde;o. Procurou-se calcular a magnitude da forma mais conservadora poss&iacute;vel, utilizando o maior dos desvios padr&atilde;o. Acredita-se que a pequena quantidade de sujeitos participantes se deve tanto &agrave; dificuldade em encontrar tais sujeitos quanto &agrave; resist&ecirc;ncia em participar de um estudo como o presente, que pode mobilizar muitas ansiedades nos entrevistados, por mais que seja assegurado encaminhamento a servi&ccedil;os de atendimento, se identificada a necessidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o BES &eacute; um construto multifatorial, na an&aacute;lise foi necess&aacute;rio examinar separadamente o componente cognitivo (SV) e o afetivo (AF+ e AF-). Espera-se que indiv&iacute;duos com alto n&iacute;vel de BES apresentem n&iacute;veis altos de SV e predomin&acirc;ncia de afetos positivos. Salientase que, em fun&ccedil;&atilde;o da pequena quantidade de participantes, os dados obtidos n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de generaliza&ccedil;&atilde;o e limitam-se &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de BES encontrados nesta pesquisa e &agrave; compara&ccedil;&atilde;o desses n&iacute;veis com os encontrados em estudos anteriores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa foi submetida &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o judicial e &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Psicologia da UFRGS, de forma a preencher as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa envolvendo Seres Humanos (Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de). Foi aprovada sob o Protocolo de n&uacute;mero 2009/14 e registro n&uacute;mero 25000.089325/2006-58.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inicialmente, s&atilde;o apresentados os resultados para os respons&aacute;veis adultos, iniciando pela SV e posteriormente pelos n&iacute;veis de AF+ e AF- . Pela combina&ccedil;&atilde;o dos componentes afetivo e cognitivo, foi estimado o n&iacute;vel de BES. Foram feitas compara&ccedil;&otilde;es levando-se em conta a fun&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia (m&atilde;e X pai X padrasto), o tipo de fam&iacute;lia (reconstitu&iacute;da X monoparental X original) e o desfecho do processo  (condenat&oacute;rio X absolut&oacute;rio). Posteriormente, s&atilde;o apresentados os resultados para as crian&ccedil;as e adolescentes e a respectiva discuss&atilde;o, sendo que, por ter sido aplicada uma escala multidimensional de SV, a discuss&atilde;o desse componente foi mais abrangente para crian&ccedil;as/adolescentes do que no caso dos adultos. As mesmas compara&ccedil;&otilde;es foram feitas para crian&ccedil;as e adolescentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fun&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia (v&iacute;timas X irm&atilde;os de v&iacute;timas), tipo de fam&iacute;lia e desfecho do processo. Ao final da sess&atilde;o de resultados, discutem-se, com base na literatura, as diferen&ccedil;as encontradas entre respons&aacute;veis adultos e crian&ccedil;as/adolescentes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Bem-estar subjetivo (BES): Respons&aacute;veis adultos</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BES respons&aacute;veis adultos X BES dados de estudos anteriores (sujeitos n&atilde;o-cl&iacute;nicos):</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dos 13 respons&aacute;veis participantes, nove eram m&atilde;es de v&iacute;timas, dois eram padrastos e dois eram pais biol&oacute;gicos. Em nenhum caso, havia abusadores morando com a fam&iacute;lia, de modo que abusadores n&atilde;o foram avaliados. A <a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab01.jpg">Tabela 1</a> sintetiza os resultados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como se pode observar, as m&atilde;es de v&iacute;timas apresentaram SV menor do que o conjunto dos respons&aacute;veis masculinos (com magnitude de efeito moderada (<i>d</i> =0,69). Uma hip&oacute;tese para esse resultado &eacute; que as m&atilde;es avaliadas tenham sido mais impactadas pela experi&ecirc;ncia vivida do que os respons&aacute;veis masculinos.</font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comparando somente estes, a SV dos pais biol&oacute;gicos foi menor que a dos padrastos. Embora a magnitude de efeito tenha sido menor (<i>d</i>=0,28), essa diferen&ccedil;a poderia apontar impactos do abuso sexual na fam&iacute;lia sobre a SV, j&aacute; que os padrastos, que entraram na fam&iacute;lia ap&oacute;s a conclus&atilde;o do processo e vivenciaram apenas suas consequ&ecirc;ncias tardias, apresentaram n&iacute;veis de SV maiores que os pais biol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o ao aspecto afetivo, a m&eacute;dia de afetos positivos das m&atilde;es novamente foi inferior &agrave; dos respons&aacute;veis masculinos (embora com menor magnitude de efeito, <i>d</i>=0,33). Os pais biol&oacute;gicos apresentaram menores n&iacute;veis de AF+ que os padrastos (com <i>d</i>=0,55), mas &eacute; importante ressaltar que foram avaliados apenas dois pais biol&oacute;gicos e dois padrastos. No caso dos pais biol&oacute;gicos, a dispers&atilde;o foi muito grande, j&aacute; que um deles apresentou um escore de AF+ bem mais baixo que o outro (4,5 e 1,45). O pai que teve o escore menor &eacute; filho do abusador e necessitou atendimento psiqui&aacute;trico ap&oacute;s a den&uacute;ncia, enquanto o outro pai era genro do abusador e, naquele caso, quem necessitou atendimento psiqui&aacute;trico foi sua ex-mulher, m&atilde;e da v&iacute;tima e filha do abusador. Esses dados podem estar apontando o conflito de lealdade que o genitor tende a viver, em especial quando &eacute; filho do acusado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o ao AF- , as m&atilde;es avaliadas apresentaram valor ligeiramente superior ao apresentado pelo conjunto dos respons&aacute;veis, assim como o valor do AF-  nos pais biol&oacute;gicos foi ligeiramente superior ao dos padrastos. Talvez esses resultados reflitam alguma tend&ecirc;ncia, mas, como a quantidade de participantes foi pequena, a interpreta&ccedil;&atilde;o nesse sentido deve ser feita com cautela. De modo geral, esses resultados apontaram mais altos n&iacute;veis de BES (maiores valores de SV e AF+ e menores valores de AF-) entre os padrastos. Pelo exame dos dados, pode-se concluir que, nesse pequeno grupo de pessoas avaliadas, as m&atilde;es apresentaram os menores n&iacute;veis de BES, seguidas pelos pais biol&oacute;gicos. Isso refor&ccedil;a a hip&oacute;tese de que pertencer a uma fam&iacute;lia na qual ocorreram abusos sexuais repercute sobre o BES. Cabe ressaltar que cinco das nove m&atilde;es entrevistadas viviam maritalmente com o acusado na &eacute;poca do fato, de modo que conviveram com sentimentos ambivalentes em rela&ccedil;&atilde;o a ele, como raiva, amor e carinho, al&eacute;m de sentimentos de culpa ou inadequa&ccedil;&atilde;o como figuras maternas (Santos, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>BES respons&aacute;veis adultos X tipo de fam&iacute;lia</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das dez fam&iacute;lias pesquisadas, sete atualmente s&atilde;o monoparentais (em seis a guardi&atilde; &eacute; a m&atilde;e e em uma, o pai) e tr&ecirc;s fam&iacute;lias t&ecirc;m um casal como respons&aacute;vel, sendo duas reconstitu&iacute;das e uma original. Os respons&aacute;veis de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das apresentaram valores de SV mais altos do que aqueles de fam&iacute;lias monoparentais (<i>M</i>=5,1; <i>DP</i>=0,8 e <i>M</i>=4,6; <i>DP</i>=1,6, respectivamente) embora a magnitude do efeito tenha sido baixa (<i>d</i>=0,31). O casal da fam&iacute;lia original apresentou a menor SV (<i>M</i>=1,9; <i>DP</i>=1,27), consideravelmente inferior se comparado aos respons&aacute;veis de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das (<i>d</i>=2,52) e monoparentais (<i>d</i>=1,69). Com rela&ccedil;&atilde;o ao AF+, os resultados foram semelhantes aos obtidos para a SV: as fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das apresentaram m&eacute;dias maiores que as monoparentais (<i>M</i>=3,5; <i>DP</i>=0,89 e <i>M</i>=3,4; <i>DP</i>=0,68, respectivamente), mas com pequena magnitude (<i>d</i>=0,11). Novamente, a maior diferen&ccedil;a ocorreu entre o casal original e os demais, pois esse casal apresentou o menor n&iacute;vel de AF+ (<i>M</i>=1,6; <i>DP</i>=0,32) quando comparado &agrave;s fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das (<i>d</i>=2,13) e monoparentais (<i>d</i>=1,7), o que motivou, inclusive, o encaminhamento para atendimento psicoter&aacute;pico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma hip&oacute;tese para os valores mais altos de SV e AF+ entre respons&aacute;veis de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s monoparentais neste estudo poderia se relacionar a condi&ccedil;&otilde;es objetivas, como a divis&atilde;o das responsabilidades, n&atilde;o sobrecarregando um dos c&ocirc;njuges. Explica&ccedil;&otilde;es subjetivas poderiam indicar que as m&atilde;es sintam que se recuperaram da experi&ecirc;ncia, tanto que encontraram um novo companheiro no qual conseguem confiar novamente. No entanto, no caso do AF- , os n&iacute;veis mais altos apareceram entre os respons&aacute;veis de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das (<i>M</i>=2,4; <i>DP</i>=0,39). Em fam&iacute;lias monoparentais, os respons&aacute;veis apresentaram m&eacute;dia de AF-  igual a 2,3 (<i>DP</i>=0,88). Os maiores valores de AF-  entre respons&aacute;veis por fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das podem indicar a presen&ccedil;a de conflitos, que se presume mais acentuada quando as decis&otilde;es s&atilde;o tomadas por um casal do que quando h&aacute; apenas um respons&aacute;vel. Outra explica&ccedil;&atilde;o para os menores valores de AFencontrados entre os respons&aacute;veis das fam&iacute;lias monoparentais pode residir no fato de que as m&atilde;es que optaram por viver sozinhas estejam mais seguras de que n&atilde;o ocorrer&atilde;o novos abusos, ao menos no &acirc;mbito dom&eacute;stico. Durante a aplica&ccedil;&atilde;o, uma m&atilde;e referiu que <i>"n&atilde;o ter mais homem dentro de casa"</i> foi uma forma encontrada para sentir tranquilidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O maior n&iacute;vel de AF-  foi obtido no casal original (<i>M</i>=3,7; <i>DP</i>=0,88), cuja compara&ccedil;&atilde;o com os demais evidenciou, novamente, uma magnitude alta, em torno de 1,5 DP (<i>d</i>=1,48). Pode-se concluir que, na &uacute;nica fam&iacute;lia original deste estudo, os respons&aacute;veis apresentaram o menor valor de BES. A situa&ccedil;&atilde;o atual dessa fam&iacute;lia contribui para explicar esse dado: em fun&ccedil;&atilde;o do processo, abandonaram a moradia (que era no terreno do abusador, av&ocirc; paterno da v&iacute;tima) e atualmente vivem em uma casa cedida, extremamente prec&aacute;ria (dois c&ocirc;modos, sem banheiro, sem &aacute;gua ou esgoto). O casal est&aacute; desempregado e depende da fam&iacute;lia extensa materna. Al&eacute;m desses fatores objetivos, alguns fatores subjetivos tamb&eacute;m podem estar afetando o BES: o acusado foi absolvido e os conflitos continuam: o casal foi "exclu&iacute;do" da fam&iacute;lia paterna e ambos adoeceram consideravelmente ap&oacute;s a descoberta dos abusos. Todas essas quest&otilde;es provavelmente repercutiram no BES desse casal, j&aacute; que ainda vivem consequ&ecirc;ncias diretas do abuso e carregam a sensa&ccedil;&atilde;o de terem sido injusti&ccedil;ados. A situa&ccedil;&atilde;o dessa fam&iacute;lia evidencia que as consequ&ecirc;ncias do abuso ultrapassam os n&iacute;veis individual e familiar, tomando propor&ccedil;&otilde;es sociais de curto e longo prazos e afetando quest&otilde;es como trabalho, renda, sa&uacute;de e habita&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>BES respons&aacute;veis adultos X desfecho do processo</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o ao desfecho do processo, os mais altos n&iacute;veis de BES foram encontrados entre respons&aacute;veis de fam&iacute;lias em que a senten&ccedil;a foi condenat&oacute;ria, sendo que a diferen&ccedil;a tanto nos componentes afetivos quanto cognitivos teve magnitude moderada (<i>d</i>=0,54 para a SV e, para AF+ e AF, <i>d</i>=0,57 e 0,56, respectivamente). Esse resultado &eacute; esperado: provavelmente, quando houve condena&ccedil;&atilde;o, os respons&aacute;veis sentiram-se mais seguros e com a ideia de que o agressor foi responsabilizado. Ao comparar somente os valores obtidos pelas m&atilde;es, tamb&eacute;m se observaram maiores n&iacute;veis de BES nas fam&iacute;lias em que houve condena&ccedil;&atilde;o embora a magnitude seja menor (<a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab02.jpg">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida (SV): V&iacute;timas e irm&atilde;os de v&iacute;timas</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <i>BES crian&ccedil;as/adolescentes em fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI X BES em crian&ccedil;as/adolescentes n&atilde;o-cl&iacute;nicos</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as 16 crian&ccedil;as e adolescentes participantes do estudo, nove eram v&iacute;timas e sete eram irm&atilde;os de v&iacute;timas. A m&eacute;dia de idade foi de 11,12 anos (<i>DP</i>=2,65), sendo a idade m&eacute;dia das v&iacute;timas 10,5 anos (<i>DP</i>=2,4) e dos irm&atilde;os 11,8 anos (<i>DP</i>=2,97). Como j&aacute; explicitado, a SV infantil foi avaliada por meio de uma escala multidimensional. Huebner (1994) prop&ocirc;s quatro dom&iacute;nios na SV infantil (Fam&iacute;lia, Escola, <i>Self</i> e Amizade). Em seu estudo, al&eacute;m dos fatores propostos por esse autor, Giacomoni (2002) testou outros dom&iacute;nios, resultando uma escala final de seis dimens&otilde;es. <i>"Self "</i> &eacute; um fator composto por caracter&iacute;sticas que descrevem um eu positivo (autoestima, bom humor, capacidade de relacionar-se e demonstrar afeto). <i>"Self comparado"</i> agrupa itens em que s&atilde;o feitas compara&ccedil;&otilde;es com os pares com rela&ccedil;&atilde;o a lazer, amizade e satisfa&ccedil;&atilde;o de desejos. "N&atilde;o-viol&ecirc;ncia" inclui itens associados a comportamentos agressivos. "Fam&iacute;lia" agrupa descritores de um ambiente familiar saud&aacute;vel, afetivo, divertido e satisfat&oacute;rio. "Amizade" caracteriza o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o nos relacionamentos com pares. E, por fim, "Escola" descreve o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o no ambiente escolar. A <a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab03.jpg">Tabela 3</a> apresenta as m&eacute;dias de SV obtidas neste estudo, bem como as obtidas pela autora referenciada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao comparar as m&eacute;dias de SV obtidas por Giacomoni (2002) para crian&ccedil;as e adolescentes n&atilde;o-cl&iacute;nicos com aquelas encontradas para v&iacute;timas de abuso sexual e seus irm&atilde;os, percebe-se que os participantes deste estudo apresentaram SV menor em todos os dom&iacute;nios, sendo que as diferen&ccedil;as de maior magnitude aparecem nos fatores "Fam&iacute;lia" e <i>"Self"</i>. Isso pode indicar que o abuso sexual sofrido ou testemunhado repercuta na SV das v&iacute;timas e na de seus irm&atilde;os, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o a aspectos vinculados &agrave; din&acirc;mica familiar e autoimagem, o que tem conson&acirc;ncia na literatura. Al&eacute;m disso, a magnitude da diferen&ccedil;a do fator "N&atilde;o-viol&ecirc;ncia" pode indicar as marcas da viol&ecirc;ncia sofrida ou testemunhada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao observar os resultados referentes somente &agrave;s v&iacute;timas, embora as menores m&eacute;dias de SV sejam nos dom&iacute;nios relacionados &agrave; autoimagem (<i>Self</i> e <i>Self</i> comparado), Fam&iacute;lia &eacute; o fator com a m&eacute;dia mais alta de SV, indicando que &eacute; o fator com o qual est&atilde;o mais satisfeitas. Como no conjunto das crian&ccedil;as/adolescentes esse fator obteve alta magnitude de diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos valores de refer&ecirc;ncia, o que pode estar contribuindo para isso &eacute; a m&eacute;dia dos irm&atilde;os no fator Fam&iacute;lia, inferior &agrave; m&eacute;dia das v&iacute;timas. Isso indica que as v&iacute;timas est&atilde;o mais satisfeitas do que seus irm&atilde;os em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia e aponta para uma aten&ccedil;&atilde;o diferenciada recebida pela v&iacute;tima ap&oacute;s o abuso sexual. No mesmo sentido, levando em conta que a menor m&eacute;dia de SV obtida pelos irm&atilde;os ocorreu no fator <i>Self</i> comparado, isso pode indicar que os irm&atilde;os percebem que recebem menos aten&ccedil;&atilde;o por parte da fam&iacute;lia em compara&ccedil;&atilde;o &agrave; v&iacute;tima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, quando se comparam as m&eacute;dias de SV de v&iacute;timas e de seus irm&atilde;os, o resultado &eacute; surpreendente, pois as v&iacute;timas apresentaram m&eacute;dias mais altas em todos os dom&iacute;nios da SV infantil. Esses dados podem estar indicando tamb&eacute;m o suporte diferenciado habitualmente propiciado para v&iacute;timas e seus irm&atilde;os. Ap&oacute;s a descoberta do abuso, as v&iacute;timas foram alvo de uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es da rede de prote&ccedil;&atilde;o/atendimento: todas tiveram acesso &agrave; psicoterapia e desfrutaram de um espa&ccedil;o para tentar elaborar a situa&ccedil;&atilde;o abusiva. No entanto, a mesma aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi dada aos irm&atilde;os. Como as consequ&ecirc;ncias do ASI atingem todos os membros da fam&iacute;lia, os procedimentos avaliativos e terap&ecirc;uticos deveriam ser ampliados aos demais familiares, e n&atilde;o ficar restritos &agrave;s v&iacute;timas (Padilha &amp; Gomide, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de negligenciados nas a&ccedil;&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o, os irm&atilde;os de v&iacute;timas tamb&eacute;m parecem ser esquecidos nas pesquisas sobre ASI. V&aacute;rios estudos dedicaram-se &agrave;s m&atilde;es de v&iacute;timas (Amendola, 2004; Narvaz, 2001; 2003; Santos, 2007), ou mesmo aos pr&oacute;prios abusadores, e salientaram a import&acirc;ncia de um trabalho com a fam&iacute;lia como um todo, para al&eacute;m da puni&ccedil;&atilde;o (Borba, 2002), mas os irm&atilde;os das v&iacute;timas s&atilde;o pouco estudados. No estudo de Habigzang, Koller, Azevedo e Machado (2005), em 61,7% dos casos de ASI algu&eacute;m j&aacute; sabia do fato e n&atilde;o denunciou e 54,3% dessas pessoas eram irm&atilde;os de v&iacute;timas. Isso aponta para o fato de os irm&atilde;os de v&iacute;timas serem testemunhas frequentes de ASI. Se todas as formas de vivenciar a situa&ccedil;&atilde;o abusiva, inclusive testemunhar, trazem consequ&ecirc;ncias negativas, como sugerem alguns autores (por exemplo, Amazarray &amp; Koller, 1998), os irm&atilde;os de v&iacute;timas, que participam de algum modo da intera&ccedil;&atilde;o abusiva e sofrem suas consequ&ecirc;ncias, est&atilde;o sendo negligenciados na oferta de atendimentos. Essas diferen&ccedil;as devem ser investigadas em estudos futuros, com amostras maiores e, al&eacute;m de apontar a efetividade dos tratamentos disponibilizados &agrave;s v&iacute;timas, apontam a necessidade de que seus irm&atilde;os sejam inclu&iacute;dos nas estrat&eacute;gias de acompanhamento e interven&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a alta magnitude da diferen&ccedil;a entre SV de v&iacute;timas e seus irm&atilde;os no fator N&atilde;oviol&ecirc;ncia &eacute; preocupante, pois pode estar indicando revitimiza&ccedil;&otilde;es. Os irm&atilde;os, menos visados do que a v&iacute;tima, podem ser os novos alvos potenciais da viol&ecirc;ncia.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>SV crian&ccedil;as/adolescentes em fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI X tipo de fam&iacute;lia</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao comparar a SV das crian&ccedil;as e adolescentes (v&iacute;timas e irm&atilde;os) em fun&ccedil;&atilde;o do tipo de fam&iacute;lia, foram encontrados resultados opostos aos observados para adultos. Crian&ccedil;as/adolescentes de fam&iacute;lias monoparentais mostraram-se mais satisfeitas em todos os dom&iacute;nios da SV, com magnitudes de diferen&ccedil;a bastante altas nos fatores <i>Self</i> comparado e N&atilde;o-viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses resultados podem apontar que, nas fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das, v&iacute;timas e seus irm&atilde;os tenham dificuldades em estabelecer v&iacute;nculos com outra figura masculina de cuidado. Talvez v&iacute;timas e irm&atilde;os vejam com receio a presen&ccedil;a do padrasto, diferentemente das m&atilde;es, com m&eacute;dias de SV superiores nas fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das. S&atilde;o necess&aacute;rios estudos com amostras maiores, a fim de observar se esse padr&atilde;o se mant&eacute;m (<a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab04.jpg">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Caso outros estudos apontarem nessa dire&ccedil;&atilde;o, pode-se supor que m&atilde;es de fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI e reconstitu&iacute;das seriam de certo modo in&aacute;beis para perceber quando n&atilde;o vai bem a rela&ccedil;&atilde;o entre os filhos e o padrasto. Assim como tiveram dificuldades de perceber o abuso que ocorria em sua casa em seu relacionamento anterior, poderiam estar apresentando a mesma dificuldade de visualizar a rela&ccedil;&atilde;o entre os filhos e o novo companheiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Santos (2007) lembra que, em casos de ASI, as m&atilde;es est&atilde;o envolvidas de algum modo, seja por passar juntamente com as v&iacute;timas pela situa&ccedil;&atilde;o de abuso ou por exporem seus filhos a companheiros molestadores. V&aacute;rios autores (Flores &amp; Caminha, 1994; Narvaz, 2003; Santos, 2007, entre outros) t&ecirc;m apontado que muitas m&atilde;es foram v&iacute;timas de abuso na inf&acirc;ncia e que, enquanto algumas conseguem ser protetivas, para outras a experi&ecirc;ncia de abuso infantil parece ter interferido na capacidade de evitar situa&ccedil;&otilde;es potencialmente perigosas a si mesmas e aos filhos (Kreklewets &amp; Piotrowski, 1998). Por essa perspectiva, m&atilde;es com hist&oacute;rico de abuso infantil apresentariam maior risco de envolvimento com companheiros abusivos (Flores &amp; Caminha, 1994). O presente estudo n&atilde;o investigou experi&ecirc;ncias de abuso infantil entre as m&atilde;es avaliadas. No entanto, conforme salienta Furniss (1993), todos os membros devem ser trabalhados, a fim de alterar a din&acirc;mica familiar abusiva. Sem um trabalho amplo com a fam&iacute;lia, sem que cada um reconhe&ccedil;a seu papel na situa&ccedil;&atilde;o de abuso, este tende a perpetuar-se, mesmo com outros personagens. Assim, n&atilde;o se pode inclusive afastar a possibilidade de novas vitimiza&ccedil;&otilde;es nas fam&iacute;lias pesquisadas, em especial direcionadas aos irm&atilde;os, menos visados que a v&iacute;tima, como discutido anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses achados tamb&eacute;m contribuem para desmitificar a ideia de que a monoparentalidade &eacute; um fator de risco <i>a priori</i>. Yunes, Garcia e Albuquerque (2003) investigaram fatores de prote&ccedil;&atilde;o e resili&ecirc;ncia em fam&iacute;lias monoparentais e afirmam que, mesmo a monoparentalidade representando uma sobrecarga &agrave; figura feminina, em especial em fam&iacute;lias de baixa renda, em situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia do companheiro, a monoparentalidade pode se constituir em um importante fator de prote&ccedil;&atilde;o e revelar aspectos positivos da fam&iacute;lia, como a coragem em romper com velhos padr&otilde;es estabelecidos. Cabe ressaltar, nesses casos, a import&acirc;ncia da exist&ecirc;ncia de uma rede de apoio social efetiva, pela mobiliza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia extensa ou de outras pessoas e institui&ccedil;&otilde;es, que possam prestar aux&iacute;lio a essas m&atilde;es (Yunes et al., 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>SV crian&ccedil;as/adolescentes de fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI X desfecho do processo</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab05.jpg">Tabela 5</a> sumariza os resultados obtidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como se pode observar na <a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab05.jpg">Tabela 5</a>, as crian&ccedil;as/adolescentes das fam&iacute;lias em que a   senten&ccedil;a foi absolut&oacute;ria apresentaram maiores m&eacute;dias de SV em todos os dom&iacute;nios, sendo que a diferen&ccedil;a de maior magnitude foi justamente no fator N&atilde;o viol&ecirc;ncia. Esse resultado foi oposto ao obtido para os respons&aacute;veis adultos e, &agrave; primeira vista, parece surpreendente, uma vez que seria de esperar que, quando houve condena&ccedil;&atilde;o, a crian&ccedil;a/adolescente estivesse mais satisfeita. Duas explica&ccedil;&otilde;es plaus&iacute;veis s&atilde;o as seguintes: em tese, nos casos em que a senten&ccedil;a foi absolut&oacute;ria, presume-se que n&atilde;o houve abuso. Essas fam&iacute;lias enfrentaram um processo criminal e todas as suas vicissitudes, mas seria esperado que crian&ccedil;as/adolescentes estivessem mais satisfeitos em fam&iacute;lias em que a senten&ccedil;a foi absolut&oacute;ria por n&atilde;o terem sido abusados. Por outro lado, levando em considera&ccedil;&atilde;o a verdade subjetiva das fam&iacute;lias e n&atilde;o a verdade jur&iacute;dica do veredicto e admitindo que a justi&ccedil;a nem sempre consiga apurar os fatos e que muitos acusados resultem absolvidos por insufici&ecirc;ncia probat&oacute;ria, esse resultado poderia refletir a quest&atilde;o da culpa e da ambival&ecirc;ncia que, provavelmente, essas crian&ccedil;as sintam (Borba, 2002). Pietro e Yunes (2008) salientam que a culpa possui dois aspectos: o legal e o psicol&oacute;gico. O primeiro refere-se &agrave; responsabilidade do acusado e ao fato de sua conduta n&atilde;o corresponder ao papel parental. O segundo refere-se ao fato de que a v&iacute;tima, por participar da situa&ccedil;&atilde;o abusiva, equivocadamente sinta que tem responsabilidade pelo que aconteceu (Furniss, 1993), o que remete &agrave; culpa psicol&oacute;gica. Al&eacute;m de sentimentos de culpa, pode-se pensar que operam conflitos internos, mais ou menos velados, pois v&iacute;timas e irm&atilde;os nutrem diferentes sentimentos para com o abusador. Diferentemente dos adultos, que muitas vezes carregam o desejo de puni&ccedil;&atilde;o, as v&iacute;timas nem sempre desejam a condena&ccedil;&atilde;o e a pris&atilde;o do agressor. Algumas vezes, desejam apenas que os abusos cessem e que a fam&iacute;lia reconhe&ccedil;a seu sofrimento (Arabolaza &amp; Piedra, 2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro achado interessante que pode ser observado da <a href="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab05.jpg">Tabela 5</a> &eacute; que nas fam&iacute;lias em que houve condena&ccedil;&atilde;o, as v&iacute;timas apresentaram menor satisfa&ccedil;&atilde;o do que seus irm&atilde;os nos fatores <i>Self</i> e <i>Self</i> comparado e maior satisfa&ccedil;&atilde;o em N&atilde;o-viol&ecirc;ncia e Fam&iacute;lia. Novamente, esses achados sugerem que o abuso tem mais implica&ccedil;&otilde;es sobre a SV das v&iacute;timas nos dom&iacute;nios relacionados &agrave; autoimagem. Crian&ccedil;as v&iacute;timas muitas vezes apresentam um senso de desvalor (Pietro &amp; Yunes, 2008) e podem tornar-se pessoas com baixa autoestima e comportamentos de vitimiza&ccedil;&atilde;o na idade adulta (Furniss, 1993). Al&eacute;m disso, as maiores m&eacute;dias apresentadas pelas v&iacute;timas nas dimens&otilde;es N&atilde;o-viol&ecirc;ncia e Fam&iacute;lia podem se relacionar ao cuidado que passaram a receber ap&oacute;s a descoberta do abuso, j&aacute; que o suporte familiar &eacute; um importante fator de prote&ccedil;&atilde;o (Habigzang et al., 2005). V&aacute;rios estudos (Cohen &amp; Mannarino, 2000; Forward &amp; Buck, 1989) apontam a import&acirc;ncia do apoio familiar para a redu&ccedil;&atilde;o de sintomas das v&iacute;timas. Por outro lado, a menor satisfa&ccedil;&atilde;o dos irm&atilde;os nos fatores Fam&iacute;lia e N&atilde;o-viol&ecirc;ncia coaduna-se com o fato de que, al&eacute;m de exclu&iacute;dos das medidas terap&ecirc;uticas, os irm&atilde;os provavelmente s&atilde;o menos amparados pela fam&iacute;lia, que, quando protetiva, tende a cuidar mais da v&iacute;tima. Isso n&atilde;o deixa de ser uma neglig&ecirc;ncia e omiss&atilde;o da fam&iacute;lia para com eles; da&iacute;, esse fator ser justamente aquele em que os irm&atilde;os est&atilde;o menos satisfeitos (e cuja magnitude da diferen&ccedil;a &eacute; a maior de todos os fatores quando se comparam v&iacute;timas e irm&atilde;os de fam&iacute;lias com senten&ccedil;as condenat&oacute;rias).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AF+ e AF-  em crian&ccedil;as/adolescentes de fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o ao componente afetivo do BES infantil, Giacomoni (2002) e Giacomoni e Hutz (2006) avaliaram um grupo de crian&ccedil;as de zero a 12 anos e encontraram escores de AF+ em torno de 66,3 (<i>DP</i>=9,69) e AF- em torno de 31 (<i>DP</i>=10,9). No presente estudo, o escore de AF+ praticamente n&atilde;o diferiu do encontrado pelos autores (<i>M</i>=63,6; <i>DP</i>=11,53). Assim, pode-se supor que a experi&ecirc;ncia de abuso na fam&iacute;lia n&atilde;o tenha repercutido sobre os sentimentos positivos dos participantes desta pesquisa. J&aacute; no caso do AF- , os valores encontrados pelos autores citados diferiram consideravelmente dos encontrados neste estudo. O escore de AF- apresentado pelas v&iacute;timas e seus irm&atilde;os foi de 41,5 (<i>DP</i>=10,66; d Cohen=0,96), quase um desvio padr&atilde;o acima do valor encontrado na amostra n&atilde;o-cl&iacute;nica. Esse dado indicou que as crian&ccedil;as e adolescentes pesquisados, provenientes de fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI, apresentaram mais sentimentos negativos. Isso pode apontar que esse evento de vida (abuso sexual na fam&iacute;lia) repercutiu no BES de tais crian&ccedil;as e adolescentes, exacerbando aspectos negativos. Tamb&eacute;m pode relacionar-se a sentimentos velados e negados dentro da fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na compara&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de AF+ e AF- de v&iacute;timas e irm&atilde;os, observou-se que as v&iacute;timas apresentaram AF+ superior (<i>M</i>=3,9; <i>DP</i>=0,67 e <i>M</i>=3,4; <i>DP</i>=0,57, respectivamente). A estimativa de tamanho de efeito em porcentagem de desvio padr&atilde;o aponta uma diferen&ccedil;a consider&aacute;vel, de quase um desvio padr&atilde;o (d Cohen=0,98) entre v&iacute;timas e irm&atilde;os. Isso indica que, paradoxalmente, as v&iacute;timas apresentaram n&iacute;veis mais altos de sentimentos positivos do que seus irm&atilde;os nesta pesquisa. Al&eacute;m disso, as v&iacute;timas apresentaram m&eacute;dias inferiores de AF- com rela&ccedil;&atilde;o aos irm&atilde;os (<i>M</i>=2,3, <i>DP</i>=0,69 e <i>M</i>=2,5, <i>DP</i>=0,54) embora a estimativa do tamanho do efeito seja bem menor. Chama a aten&ccedil;&atilde;o o fato de as irm&atilde;s n&atilde;o-v&iacute;timas terem sido as crian&ccedil;as que apresentaram menos sentimentos positivos e mais sentimentos negativos neste estudo. Esse dado &eacute; preocupante e pode apontar, inclusive, uma segunda vitimiza&ccedil;&atilde;o. Esses resultados refor&ccedil;am o j&aacute; explicitado anteriormente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; neglig&ecirc;ncia da rede de prote&ccedil;&atilde;o/atendimento para com os irm&atilde;os das v&iacute;timas e &agrave;s dificuldades em estabelecer v&iacute;nculos de confian&ccedil;a com outros cuidadores, como o novo companheiro da m&atilde;e. Tamb&eacute;m podem apontar sentimentos agressivos n&atilde;o elaborados, dirigidos &agrave; v&iacute;tima ou a outros familiares, em fun&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o do agressor ou de seu afastamento de casa e da pouca aten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, que, possivelmente, passou a dar mais suporte afetivo &agrave; v&iacute;tima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao comparar o tipo de fam&iacute;lia, os resultados seguem o padr&atilde;o da SV: mais afetos positivos e menos afetos negativos nas crian&ccedil;as/adolescentes das fam&iacute;lias monoparentais, com magnitude de efeito consider&aacute;vel (AF+: <i>d</i>=2,35 e AF- : <i>d</i>=1,6), indicando maiores n&iacute;veis de BES infanto-juvenil nessas fam&iacute;lias. Cabe salientar que nas fam&iacute;lias monoparentais todas as crian&ccedil;as avaliadas eram v&iacute;timas e, mesmo assim, os n&iacute;veis de BES foram mais altos do que os obtidos nas reconstitu&iacute;das (Tabela 6).</font></p>     <p><a name="tab06"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/gerais/v5n1/a02tab06.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao analisar os afetos das crian&ccedil;as e adolescentes em fun&ccedil;&atilde;o do desfecho do processo, a m&eacute;dia de AF+ apresentada quando a senten&ccedil;a foi absolut&oacute;ria (<i>M</i>= 4,2; <i>DP</i>=0,77) &eacute; maior do que quando foi condenat&oacute;ria (<i>M</i>=3,3; <i>DP</i>=0,51), com <i>d</i>=1,17. A m&eacute;dia de AF- tamb&eacute;m foi menor quando a senten&ccedil;a foi absolut&oacute;ria (<i>M</i>=1,9, <i>DP</i>=0,69; senten&ccedil;a condenat&oacute;ria: <i>M</i>=2,7, <i>DP</i>=0,5, <i>d</i>=1,16). Essas diferen&ccedil;as s&atilde;o consider&aacute;veis e possivelmente refletem as mesmas quest&otilde;es j&aacute; discutidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; SV. Se a decis&atilde;o da Justi&ccedil;a for tomada como par&acirc;metro e se considerar a verdade jur&iacute;dica, quando o acusado foi absolvido o abuso efetivamente n&atilde;o ocorreu e &eacute; esperado que os maiores n&iacute;veis de BES (n&iacute;veis altos de SV e AF+ e n&iacute;veis baixos de AF-) sejam encontrados em crian&ccedil;as/adolescentes de fam&iacute;lias em que o acusado foi absolvido. No entanto, considerando o relato das fam&iacute;lias, em nove dos dez casos o abuso ocorreu. Como nesta pequena amostra todos os acusados foram afastados e n&atilde;o tinham mais contato com a v&iacute;tima, independentemente de terem sido absolvidos ou condenados, uma hip&oacute;tese para esses resultados &eacute; que, quando houve absolvi&ccedil;&atilde;o, as v&iacute;timas n&atilde;o eram mais submetidas ao abuso (a situa&ccedil;&atilde;o abusiva cessou) sem que de indicar que abusadores n&atilde;o devam ser responsabilizados. O que podem indicar &eacute; que v&iacute;timas e seus irm&atilde;os tiveram dificuldades de elaborar esse processo, em especial quando houve condena&ccedil;&atilde;o, necessitando de maior aten&ccedil;&atilde;o das redes de atendimento e talvez de um espa&ccedil;o para discutir essas quest&otilde;es em fam&iacute;lia. Al&eacute;m disso, os dados apontam que &eacute; necess&aacute;rio repensar o modelo de responsabiliza&ccedil;&atilde;o vigente, focado apenas na culpabiliza&ccedil;&atilde;o de agressores e em seu encarceramento tempor&aacute;rio. S&atilde;o necess&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es dirigidas a todos os membros da fam&iacute;lia, inclusive ao abusador (Furniss, 1993).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo avaliou o BES em v&iacute;timas, irm&atilde;os e respons&aacute;veis adultos em fam&iacute;lias com hist&oacute;rico de ASI cujo processo judicial foi encerrado na Justi&ccedil;a de Primeiro Grau. Entre os adultos, as m&atilde;es apresentaram os mais baixos n&iacute;veis de BES. Isso pode relacionar-se a sentimentos de ambival&ecirc;ncia com rela&ccedil;&atilde;o ao agressor e &agrave; v&iacute;tima e &agrave; hist&oacute;ria de vida dessas m&atilde;es. Nesse sentido, uma das limita&ccedil;&otilde;es do estudo foi n&atilde;o ter investigado experi&ecirc;ncias de abuso sexual na inf&acirc;ncia delas, pois os conhecimentos de que se disp&otilde;e sobre o tema apontam para a transgeracionalidade do abuso sexual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As diferen&ccedil;as no BES dos adultos e das crian&ccedil;as/adolescentes apontaram para a percep&ccedil;&atilde;o diferenciada que m&atilde;es/pais/padrastos e v&iacute;timas/irm&atilde;os apresentam e tamb&eacute;m para as repercuss&otilde;es diferenciadas de aspectos, como a entrada de um novo membro na fam&iacute;lia (padrasto) e desfecho do processo judicial sobre o BES. Os baixos n&iacute;veis de SV encontrados entre irm&atilde;os de v&iacute;timas indicaram que os programas de prote&ccedil;&atilde;o e acompanhamento estiveram demasiadamente focados na v&iacute;tima, por mais que haja consenso na literatura no sentido de que o ASI &eacute; um fen&ocirc;meno que atinge toda a fam&iacute;lia. Tamb&eacute;m indicam que as fam&iacute;lias precisam estar mais atentas &agrave;s demais crian&ccedil;as/adolescentes, e n&atilde;o apenas &agrave;s v&iacute;timas. Longe de considerar que os achados deste estudo apontam para a necessidade de n&atilde;o punir os agressores, parece ser importante que haja maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias como um todo, mesmo posteriormente ao t&eacute;rmino do processo judicial. &Eacute; importante criar servi&ccedil;os e estrat&eacute;gias que permitam trabalhar na v&iacute;tima e em seus irm&atilde;os os sentimentos latentes que a condena&ccedil;&atilde;o do acusado desperta. Furniss (1993) sugere interven&ccedil;&otilde;es que incluam o abusador e que permitam &agrave; fam&iacute;lia como um todo nomear e compreender a fun&ccedil;&atilde;o do abuso sexual em sua estrutura. A fam&iacute;lia abusiva, que tem como caracter&iacute;stica a disfuncionalidade, somente poder&aacute; se alterar mudando seus padr&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o. Para tal, &eacute; necess&aacute;rio repensar o trabalho das redes de prote&ccedil;&atilde;o/atendimento, com vistas a possibilitar um tratamento mais integral &agrave; fam&iacute;lia com hist&oacute;rico de ASI, que inclua o agressor, os irm&atilde;os da v&iacute;tima e os novos membros, quando for o caso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Albuquerque, A. S., &amp; Tr&oacute;ccoli, B. T. (2004). Desenvolvimento de uma escala de bem-estar subjetivo. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20</i>,153-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745493&pid=S1983-8220201200010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amazarray, M. R., &amp; Koller, S. H. (1998). Alguns aspectos observados no desenvolvimento de crian&ccedil;as v&iacute;timas de abuso sexual. <i>Psicologia Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 11</i>(3),546-555.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745495&pid=S1983-8220201200010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amendola, M. F. (2004). M&atilde;es que choram: Avalia&ccedil;&atilde;o psicodiagn&oacute;stica de m&atilde;es de crian&ccedil;as v&iacute;timas de abuso sexual. In M. C. C. A. Prado (Ed.), <i>O mosaico da viol&ecirc;ncia: A pervers&atilde;o na vida cotidiana</i> (pp. 103-169). S&atilde;o Paulo: Vetor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745497&pid=S1983-8220201200010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Arabolaza, O. G., &amp; Piedra, C. V. (2001). Abusos sexuales: Una situaci&oacute;n de desprotecci&oacute;n. <i>Medifam, 11</i>(1),24-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745499&pid=S1983-8220201200010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Azevedo, M., &amp; Guerra, V. N. A. (1989). <i>Crian&ccedil;as vitimizadas: A s&iacute;ndrome do pequeno poder.</i> S&atilde;o Paulo: Iglu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745501&pid=S1983-8220201200010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Borba, M. R. M. (2002). O duplo processo de vitimiza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a abusada sexualmente: Pelo abusador e pelo agente estatal, na apura&ccedil;&atilde;o do evento delituoso. <i>Jus Navigandi, 59.</i> Recuperado em 11 de Agosto de 2008, de <a href="http://jus.com.br/revista/texto/3246/o-duplo-processo-de-vitimizacao-da-crianca-abusada-sexualmente" target="_blank">http://jus.com.br/revista/texto/3246/o-duplo-processo-de-vitimizacao-da-crianca-abusada-sexualmente</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745503&pid=S1983-8220201200010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cohen, J. A., &amp; Mannarino, A. P. (2000). Predictors of treatment outcomes in sexually abused children. <i>Child Abuse &amp; Neglect, 24(7),</i>983-994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745504&pid=S1983-8220201200010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De Antoni, C., &amp; Koller, S. H. (2002). Viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e comunit&aacute;ria. In M. L. J. Contini, S. H. Koller, &amp; M. N. S. Barros (Eds.), <i>Adolesc&ecirc;ncia &amp; psicologia: Concep&ccedil;&otilde;es, pr&aacute;ticas e reflex&otilde;es cr&iacute;ticas</i> (pp. 85-91). Rio de Janeiro: Conselho Federal de Psicologia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745506&pid=S1983-8220201200010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diener, E. (1995). A value based index for measuring national quality of life. <i>Social Indicators Research, 36</i>,107-127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745508&pid=S1983-8220201200010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diener, E., Emmons, R. A., Larsen, R. J., &amp; Griffin, S. (1985). The satisfaction with life scale. <i>Journal of Personality Assessment, 49</i>,71-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745510&pid=S1983-8220201200010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diener, E., Suh, E., &amp; Oishi, S. (1997). Recent findings on subjective well-being. <i>Indian Journal of Clinical Psychology, 24</i>(1),25-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745512&pid=S1983-8220201200010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flores, R., &amp; Caminha, R. (1994). Viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as e adolescentes: Algumas sugest&otilde;es para facilitar o diagn&oacute;stico correto. <i>Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 16</i>(2),158-167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745514&pid=S1983-8220201200010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Forward, S., &amp; Buck, C. (1989). A trai&ccedil;&atilde;o da inoc&ecirc;ncia: O incesto e sua devasta&ccedil;&atilde;o (S. Flaksman, Trad.). Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745516&pid=S1983-8220201200010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Furniss, T. (1993). <i>Abuso sexual da crian&ccedil;a: Uma abordagem multidisciplinar-Manejo, terapia e interven&ccedil;&atilde;o legal integrados</i> (M.A.V. Veronese, Trad.). Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. (Obra original publicada em 1991).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745518&pid=S1983-8220201200010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giacomoni, C. (2002). <i>Bem-estar subjetivo infantil: Conceito de felicidade e constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos para avalia&ccedil;&atilde;o</i>. Tese de doutorado n&atilde;o-publicada, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia do Desenvolvimento, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745520&pid=S1983-8220201200010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giacomoni, C. H. (2004). Bem-estar subjetivo: Em busca da qualidade de vida. <i>Temas em Psicologia, 12(</i>1),43-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745522&pid=S1983-8220201200010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giacomoni, C. H., &amp; Hutz, C. S. (1997). A mensura&ccedil;&atilde;o do bem-estar subjetivo: Escala de afeto positivo e negativo e escala de satisfa&ccedil;&atilde;o de vida &#91;Resumos&#93;. In Sociedade Interamericana de Psicologia (Ed.), <i>Anais XXVI Congresso Interamericano de Psicologia</i> (p. 313). S&atilde;o Paulo: SIP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745524&pid=S1983-8220201200010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giacomoni, C. H., &amp; Hutz, C. S. (2006). Escala de afeto positivo e negativo para Crian&ccedil;as: Estudos de constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o. <i>Psicologia Escolar e Educacional, 10</i>(2),235-246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745526&pid=S1983-8220201200010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giacomoni, C. H., &amp; Hutz, C. S. (2008). Escala Multidimensional de Satisfa&ccedil;&atilde;o de Vida para Crian&ccedil;as: Estudos de constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o. <i>Estudos de Psicologia, 25</i>(1),23-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745528&pid=S1983-8220201200010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Graziano, L. (2005). <i>A felicidade revisitada: um estudo sobre o bem-estar subjetivo na vis&atilde;o da Psicologia Positiva.</i> Tese de doutorado n&atilde;o-publicada, Departamento de Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento Humano, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745530&pid=S1983-8220201200010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Habigzang, L. F., Azevedo, G. A., Koller, S. H., &amp; Machado, P. X. (2005). Fatores de risco e de prote&ccedil;&atilde;o na rede de atendimento a crian&ccedil;as e adolescentes v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual. <i>Psicologia Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica, 19(3)</i>,379-386.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745532&pid=S1983-8220201200010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Habigzang, L. F., &amp; Caminha, R. M.  <i>Abuso sexual contra crian&ccedil;as e adolescentes: Conceitua&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica.</i> S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745534&pid=S1983-8220201200010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Habigzang, L. F., Koller, S. H., Azevedo, G. A., &amp; Machado, P. X. (2005). Abuso sexual infantil e din&acirc;mica familiar: Aspectos observados em processos jur&iacute;dicos. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 21(3),</i>341-348.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745536&pid=S1983-8220201200010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Huebner, E. S. (1994). Preliminary development and validation of a multidimensional life satisfaction scale for children. <i>Psychological Assessment, 6,</i>149-158.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745538&pid=S1983-8220201200010000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kreklewets, C. M., &amp; Piotrowski, C. C. (1998). Incest survivor mothers: Protecting the next generation. <i>Child Abuse &amp; Neglect, 22</i>(12),1305-1312.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745540&pid=S1983-8220201200010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maslow, A. (1954). <i>Motivation and personality.</i> New York: Harper.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745542&pid=S1983-8220201200010000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Narvaz, M. (2001). A transmiss&atilde;o transgeracional da viol&ecirc;ncia. <i>Insight, 118</i>(11),17-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745544&pid=S1983-8220201200010000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Narvaz, M. G. (2003). Quem s&atilde;o as m&atilde;es das v&iacute;timas de incesto? <i>Nova Perspectiva Sist&ecirc;mica, 21</i>,40-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745546&pid=S1983-8220201200010000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Padilha, M. G. S., &amp; Gomide, P. I. C. (2004). Descri&ccedil;&atilde;o de um processo terap&ecirc;utico em grupo para adolescentes v&iacute;timas de abuso sexual. <i>Estudos em Psicologia, 9</i>(1),53-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745548&pid=S1983-8220201200010000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passareli, P. M., &amp; Silva, J. A. (2007). Psicologia positiva e o estudo do bem-estar subjetivo. <i>Estudos de Psicologia, 24</i>(4),513-517.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745550&pid=S1983-8220201200010000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pfeiffer, L., &amp; Salvagni, E. P. (2005). Vis&atilde;o atual do abuso sexual na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. <i>Jornal de Pediatria, 81</i>(5), supl,197-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745552&pid=S1983-8220201200010000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pietro, A. T. &amp; Yunes. M. A. M. (2008). Considera&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas e psicossociais sobre o abuso sexual contra crian&ccedil;as e adolescentes. <i>Revista &Acirc;mbito Jur&iacute;dico.</i> Recuperado em 22 de Janeiro de 2009, de <a href="http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=4021" target="_blank">http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=4021</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745554&pid=S1983-8220201200010000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ravazzola, M. C. (1997). Violencia familiar: El abuso relacional como un ataque a los derechos humanos. <i>Sistemas Familiares,</i> 23,29-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745555&pid=S1983-8220201200010000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Riff, C. D. (1989). Happiness is everything, or is it? Explorations on the meaning of psychological well-being. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 57,</i>1069-1081.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745557&pid=S1983-8220201200010000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">  Rogers, C. (1959). A theory of therapy, personality and interpersonal relationships as developed in the client-centered framework. In S. Koch (Ed.), <i>Psychology: A study of a science. Vol. 3: Formulations of the person and the social context (pp. 184-256).</i> New York: McGraw Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745559&pid=S1983-8220201200010000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Santos, S. S. (2007). <i>M&atilde;es de meninas que sofreram abuso sexual intrafamiliar: Rea&ccedil;&otilde;es maternas e multigeracionalidade.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;opublicada, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745561&pid=S1983-8220201200010000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Santos, V. A. (2002). <i>Fam&iacute;lia e viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as: O papel da justi&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o de significados.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;opublicada, Universidade Nacional de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia, DF, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745563&pid=S1983-8220201200010000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seligman, M., &amp; Csikszentmihalyi, M. (2000) Positive Psychology: An introduction. <i>American Psychologist, 55</i>(1),5-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4745565&pid=S1983-8220201200010000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Silva, D. F. M., &amp; Hutz, C. S. (2002). Abuso infantil e comportamento delinquente na adolesc&ecirc;ncia: preven&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o. In C. S. Hutz (Ed.), <i>Situa&ccedil;&otilde;es de risco e vulnerabilidade na inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia: Aspectos te&oacute;ricos e estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 151-186). 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