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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This research aimed at investigating the friendships of Brazilians living abroad with other Brazilians or people from other countries. Sixty Brazilians living in Asia, Europe and North America for at least six months answered a questionnaire about the beginning and remarkable episodes of their friendships, difficulties and the meaning of friendship, and described friends. The remarkable episodes were often linked to shared experiences or social support. The difficulties encountered were mainly in communication, due to cultural and individual differences, geographic distance and lack of time. The meaning of friendship is associated with companionship or sharing activities and interests, and social support. The description of friends involves a series of relational characteristics, such as closeness and companionship and willingness to help. Based on Hinde's proposals, the paper discusses the possible relation among the aspects studied in a theoretical model for friendship in the context of migration.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add"></a><b>Amizades de brasileiros residindo no exterior: significado, dificuldades e origem </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Friendships of Brazilians living abroad: meaning, difficulties and origin</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agnaldo Garcia<a href="#not1"><sup>1</sup></a>; Cloves Bitencourt Neto; Dominique Costa G&oacute;es </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Vit&oacute;ria, Brasil </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pesquisa teve como objetivo investigar as rela&ccedil;&otilde;es de amizade de brasileiros residindo no exterior com brasileiros ou pessoas de outras nacionalidades. Sessenta brasileiros residindo na &Aacute;sia, Europa e Am&eacute;rica do Norte havia pelo menos seis meses responderam a um question&aacute;rio sobre o in&iacute;cio e epis&oacute;dios marcantes das amizades, dificuldades e o significado da amizade e a descri&ccedil;&atilde;o dos amigos. Os epis&oacute;dios marcantes geralmente estavam ligados a experi&ecirc;ncias compartilhadas ou apoio social. As dificuldades encontradas ocorreram principalmente na comunica&ccedil;&atilde;o e foram atribu&iacute;das a diferen&ccedil;as culturais, diferen&ccedil;as individuais, dist&acirc;ncia geogr&aacute;fica e falta de tempo. O significado da amizade estava associado ao companheirismo ou compartilhar atividades e interesses e apoio social. A descri&ccedil;&atilde;o dos amigos atribui a estes uma s&eacute;rie de caracter&iacute;sticas relacionais, como proximidade, companheirismo e disponibilidade para ajudar. Com base nas propostas de Hinde (1997), busca-se discutir a rela&ccedil;&atilde;o entre os aspectos estudados em um modelo te&oacute;rico para amizade no contexto de migra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-Chave:</b> Rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, Amizade, Migra&ccedil;&atilde;o humana. </font></p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This research aimed at investigating the friendships of Brazilians living abroad with other Brazilians or people from other countries. Sixty Brazilians living in Asia, Europe and North America for at least six months answered a questionnaire about the beginning and remarkable episodes of their friendships, difficulties and the meaning of friendship, and described friends. The remarkable episodes were often linked to shared experiences or social support. The difficulties encountered were mainly in communication, due to cultural and individual differences, geographic distance and lack of time. The meaning of friendship is associated with companionship or sharing activities and interests, and social support. The description of friends involves a series of relational characteristics, such as closeness and companionship and willingness to help. Based on Hinde's proposals, the paper discusses the possible relation among the aspects studied in a theoretical model for friendship in the context of migration. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Interpersonal relations, Friendship, Human migration. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores (2011), com base em consultas feitas no final de 2010 a Embaixadas e Consulados do Brasil, havia 3.122.813 brasileiros vivendo no exterior. Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (2011), com base no Censo 2010, chegou a uma cifra muito inferior, totalizando 491.645 emigrantes brasileiros, o que possivelmente &eacute; um n&uacute;mero subestimado, em fun&ccedil;&atilde;o da metodologia adotada para a estimativa. A falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre brasileiros no exterior n&atilde;o se restringe a dados populacionais, mas atinge tamb&eacute;m a vida social desses brasileiros no exterior, de modo geral, e suas amizades, em particular. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A literatura acerca da rede social de brasileiros no exterior e, particularmente, suas amizades, ainda &eacute; escassa. A figura do amigo tem estado presente em v&aacute;rios estudos sobre migra&ccedil;&atilde;o internacional de brasileiros, indicando sua participa&ccedil;&atilde;o no processo migrat&oacute;rio, tanto no local de origem quanto no local de destino dos migrantes. Fazito e Rios-Neto (2008), ao revisar a literatura sobre o tema, identificaram um sistema de migra&ccedil;&atilde;o internacional de brasileiros para os EUA envolvendo emigrantes, familiares e amigos no Brasil, familiares e amigos nos EUA, agentes independentes, ag&ecirc;ncias de turismo, falsificadores, retornados, igrejas na comunidade de imigrantes, pastores e coiotes (mexicanos). Dentro desse sistema, as redes pessoais, baseadas nos la&ccedil;os familiares e de amizade, ocupariam espa&ccedil;os importantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a de amigos tamb&eacute;m foi verificada entre os motivos da emigra&ccedil;&atilde;o por mulheres brasileiras que migraram para a Europa (Lisboa, 2007), al&eacute;m do acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o ou a oportunidades de maior qualifica&ccedil;&atilde;o profissional, experimentar diferentes sensa&ccedil;&otilde;es e ir atr&aacute;s da rede familiar que j&aacute; se encontra no pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diversos autores reconheceram a participa&ccedil;&atilde;o e a relev&acirc;ncia de amigos nas migra&ccedil;&otilde;es internacionais de brasileiros. Segundo Soares (2002), o indiv&iacute;duo, ao migrar, tende a seguir as rotas tra&ccedil;adas por parentes e amigos antes dele, indo com conhecidos ou &agrave; procura de conhecidos, servindo as rela&ccedil;&otilde;es pessoais de ponto de apoio &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o espacial, especialmente as redes em torno de rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, de amizade, de trabalho e de origem comum. Segundo Fusco (2009), a maior parte dos indiv&iacute;duos que ingressa em fluxos migrat&oacute;rios internacionais, especificamente para os Estados Unidos, pertence a determinados grupos sociais de familiares ou de amigos. Para Siqueira, Assis e Campos (2010), os emigrantes brasileiros se utilizam das redes sociais para minimizar os riscos presentes na migra&ccedil;&atilde;o de longa dist&acirc;ncia, indicando a exist&ecirc;ncia, no caso de Estados Unidos e Jap&atilde;o, de uma ampla rede migrat&oacute;ria, que envolve ag&ecirc;ncias de turismo, intermedi&aacute;rios, institui&ccedil;&otilde;es religiosas, redes de parentesco, amizade e solidariedade &eacute;tnica ligada &agrave; migra&ccedil;&atilde;o, com destaque para os la&ccedil;os informais com parentes, amigos e conterr&acirc;neos. Apesar da participa&ccedil;&atilde;o de amigos no processo de emigra&ccedil;&atilde;o de brasileiros, pouco se sabe sobre o significado dos amigos e da amizade para brasileiros no exterior. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo considerando outros grupos nacionais, s&atilde;o poucos os estudos relacionando diretamente amizades e o processo de migra&ccedil;&atilde;o internacional. Kugele (2006) analisou as amizades de jovens adultos n&ocirc;mades e os efeitos da mobilidade social em suas amizades, discutindo a relev&acirc;ncia dos amigos na reintegra&ccedil;&atilde;o social e o significado da comunica&ccedil;&atilde;o para manter e estabelecer amizades. Haug (2003) considerou amizades inter&eacute;tnicas como um indicador de integra&ccedil;&atilde;o social entre jovens imigrantes italianos e turcos na Alemanha, com base em amizades desses jovens com alem&atilde;es. Investigando jovens imigrantes de Taiwan vivendo nos Estados Unidos, Tsai (2006) aponta o papel do contexto sociocultural para o jovem imigrante reconstruir suas redes de amizade, vivendo com a sua comunidade &eacute;tnica, devido &agrave; limita&ccedil;&atilde;o no conhecimento de ingl&ecirc;s, o que aumentava as redes de novas amizades, o que foi considerado como um fator de prote&ccedil;&atilde;o para esses imigrantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outros autores t&ecirc;m investigado amizades entre diferentes ra&ccedil;as ou etnias, sem refer&ecirc;ncia direta ao processo de imigra&ccedil;&atilde;o propriamente dito, investigando grupos &eacute;tnicos diversos dentro de um mesmo pa&iacute;s. Nesse caso, alguns estudos t&ecirc;m indicado a identifica&ccedil;&atilde;o racial e &eacute;tnica como um fator nas escolhas de amigos (Fong & Isajiw, 2000; Kao & Vaquera, 2006). Em outros casos, t&ecirc;m sido destacadas as dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o entre pessoas de diferentes grupos &eacute;tnicos, dificultando a forma&ccedil;&atilde;o de amizade (Vorauer & Sakamoto, 2006). Contudo, quando amizades entre membros de diferentes grupos &eacute;tnicos se formam, essas servem para reduzir o preconceito entre os grupos envolvidos (Aberson, Shoemaker & Tomolillo, 2004), contribuindo positivamente para a compreens&atilde;o de atitudes multiculturais, de cuidado e simpatia por pessoas de outras etnias (Verkuyten & Martinovic, 2006). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas investiga&ccedil;&otilde;es recentes conduzidas no Brasil relacionaram amizade e migra&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o relevantes para a presente pesquisa. Garcia e Goes (2010) investigaram amizades de universit&aacute;rios de Guin&eacute;-Bissau e de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe residindo no Brasil. Doze entrevistas foram conduzidas sobre a rede de amigos e as amizades mais pr&oacute;ximas desses estudantes. A maioria dos amigos era da mesma nacionalidade ou brasileiros, residia na mesma cidade e foi conhecida no Brasil e foi percebida pelos pr&oacute;prios participantes como relevante para a adapta&ccedil;&atilde;o ao Brasil. Os autores conclu&iacute;ram que os amigos s&atilde;o fundamentais para a adapta&ccedil;&atilde;o social e cultural desses estudantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia e Rangel (2011) investigaram amizades de universit&aacute;rios cabo-verdianos residindo e estudando no Brasil, destacando a predomin&acirc;ncia de amigos da mesma nacionalidade residindo na mesma &aacute;rea metropolitana. Os participantes destacaram o valor da amizade e a ajuda recebida. As dificuldades percebidas nas amizades estavam relacionadas &agrave; dist&acirc;ncia dos amigos, caracter&iacute;sticas pessoais e dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o. Os epis&oacute;dios marcantes estavam ligados a lazer e ajuda do amigo. A maioria das amizades foi considerada como relevante para a adapta&ccedil;&atilde;o ao Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, Goes, Moura e Pepino (2010) investigaram os epis&oacute;dios marcantes nas amizades de universit&aacute;rios africanos no Brasil, considerados importantes por revelar aspectos internos &agrave; d&iacute;ade de amigos e pontos relacionados ao contexto social. Os autores destacaram apoio e companheirismo como as principais propriedades do relacionamento em suas dimens&otilde;es di&aacute;dicas e as festas e demais eventos sociais, como o contexto social mais amplo dessas amizades e a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as culturais no conte&uacute;do das amizades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pesquisa tem como referencial te&oacute;rico a obra de Hinde (1997) sobre relacionamento interpessoal e as propostas de Adams e Blieszner (1994) sobre amizade. Hinde (1997), referindo-se ao relacionamento interpessoal, destaca a import&acirc;ncia dada aos aspectos descritivos e a considera&ccedil;&atilde;o de diferentes n&iacute;veis de complexidade e suas rela&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas. Adams e Blieszner (1994), tratando de amizades, tamb&eacute;m prop&otilde;em investigar aspectos internos e externos (contexto), incluindo estrutura e processos. Segundo Hinde (1997), diferentes n&iacute;veis de complexidade, incluindo processos intraindividuais, intera&ccedil;&otilde;es, relacionamentos, grupos e sociedade, al&eacute;m de estruturas socioculturais e o ambiente f&iacute;sico, afetariam e seriam afetados uns pelos outros de forma dial&eacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como Hinde (1997), Adams e Blieszner (1994) tamb&eacute;m buscam um modelo integrador para o estudo da amizade entre adultos, integrando aspectos internos ao relacionamento (como as dimens&otilde;es tradicionalmente estudadas, como intimidade, compromisso, satisfa&ccedil;&atilde;o, entre outras) e aspectos externos (de contexto, como aspectos culturais, sociais, hist&oacute;ricos, religiosos, entre outros). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adams e Blieszner (1994) consideram estrutura e processos nas d&iacute;ades de amigos e nas redes de amizade. A estrutura da amizade envolve o grau de similaridade entre amigos, sua proximidade emocional, status e diferen&ccedil;as de poder e intimidade. Os processos interativos da amizade s&atilde;o din&acirc;micos e incluem processos cognitivos, afetivos e comportamentais. Finalmente, deve-se levar em conta o contexto estrutural e cultural das intera&ccedil;&otilde;es de amizade, incluindo suas mudan&ccedil;as no tempo. Esses elementos s&atilde;o similares aos propostos por Hinde (1997), cujo arcabou&ccedil;o conceitual para os relacionamentos em geral tamb&eacute;m integra aspectos internos e externos &agrave; d&iacute;ade (incluindo aqui o grupo e a sociedade como n&iacute;veis de complexidade mais abrangentes que o do relacionamento, al&eacute;m de fatores sociais, culturais e ambientais). O autor tamb&eacute;m inclui aspectos cognitivos, afetivos e comportamentais como elementos do relacionamento a ser investigados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo desta pesquisa foi investigar as rela&ccedil;&otilde;es de amizade de brasileiros residindo no exterior com brasileiros ou pessoas de outras nacionalidades. Os objetivos espec&iacute;ficos foram investigar a descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, os epis&oacute;dios marcantes e o significado da amizade, as dificuldades e a origem da amizade. Com base nos modelos propostos pelos autores acima, s&atilde;o propostos alguns elementos a ser considerados em modelos de amizades relacionadas ao processo de migra&ccedil;&atilde;o internacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho se justifica pela falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre amizades em contexto de imigra&ccedil;&atilde;o, especialmente em torno de brasileiros, contribuindo particularmente para a considera&ccedil;&atilde;o de fatores culturais nas amizades. Do ponto de vista social, conhecer em maior detalhe as amizades de brasileiros no exterior pode contribuir para a  busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para cidad&atilde;os brasileiros vivendo em outros pa&iacute;ses. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Participantes </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participaram da pesquisa sessenta brasileiros residindo no exterior havia pelo menos seis meses, com idades entre 17 e 56 anos, sendo 37 mulheres e 23 homens, 32 casados e 28 solteiros, sendo que 20 residiam na &Aacute;sia, 20 na Europa e 20 residiam na Am&eacute;rica do Norte, conforme <a href="/img/revistas/gerais/a02tab01.jpg">Tabela 1</a>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Procedimento de coleta e an&aacute;lise de dados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os participantes foram identificados a partir de indica&ccedil;&otilde;es de amigos ou parentes de brasileiros residindo no exterior e a partir de comunidades de brasileiros no exterior. Os poss&iacute;veis participantes foram contatados via internet (e-mail) e foram convidados a responder um question&aacute;rio com quest&otilde;es fechadas e abertas sobre suas rela&ccedil;&otilde;es de amizade no exterior (com estrangeiros e/ou brasileiros), assim como preencher um Termo de consentimento informado para participa&ccedil;&atilde;o na pesquisa. Um question&aacute;rio com quest&otilde;es abertas e fechadas foi especialmente desenvolvido para a realiza&ccedil;&atilde;o da presente pesquisa. A pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (UFES). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de pesquisa de natureza explorat&oacute;ria, descritiva e qualitativa.  Os dados foram tratados buscando-se descrever e discutir alguns aspectos dessas amizades. O material obtido foi organizado e analisado de acordo com os pontos abaixo. Os dados foram discutidos &agrave; luz da literatura sobre amizades internacionais. Os seguintes pontos foram analisados: descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, o significado e a origem das amizades, epis&oacute;dios marcantes e dificuldades com amigos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em estudos preliminares, alguns t&oacute;picos foram selecionados para serem investigados considerando-se sua contribui&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o de uma base descritiva sobre amizades na situa&ccedil;&atilde;o investigada, conforme proposto por Hinde (1997). Assim, a descri&ccedil;&atilde;o dos amigos e o significado da amizade visavam conhecer a concep&ccedil;&atilde;o dos participantes acerca dos amigos e da amizade de modo mais conceitual, como a origem das amizades, os epis&oacute;dios marcantes nas amizades e as dificuldades na amizade tamb&eacute;m s&atilde;o elementos descritivos, mas de natureza mais epis&oacute;dica. Dessa forma, buscou-se uma base descritiva mais ampla para as amizades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto ao procedimento de an&aacute;lise, os dados foram objeto de an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 1977; Franco, 2008; Flick, 2009), buscando-se identificar as categorias emergentes em cada um dos aspectos investigados, de modo indutivo, de acordo com sua similaridade. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o referencial empregado (Hinde, 1997), foram investigados tr&ecirc;s n&iacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s amizades de brasileiros no exterior: a pessoa do amigo, epis&oacute;dios marcantes (intera&ccedil;&otilde;es) e o significado da amizade (relacionamento). A origem ou in&iacute;cio das amizades se mostrou relacionado ao contexto social, que re&uacute;ne as caracter&iacute;sticas que Hinde (1997) denominou de grupo, com suas estruturas socioculturais e ambiente f&iacute;sico, dentro de uma sociedade mais ampla. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A descri&ccedil;&atilde;o dos amigos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando-se os tr&ecirc;s continentes, os amigos quase sempre foram descritos de modo positivo, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de adjetivos ou caracter&iacute;sticas. Procurou-se organizar o conte&uacute;do das descri&ccedil;&otilde;es em grupos ou categorias. Tr&ecirc;s grupos s&atilde;o propostos: caracter&iacute;sticas relacionais, caracter&iacute;sticas relacionadas &agrave; atra&ccedil;&atilde;o interpessoal e similaridades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No primeiro grupo, uma ampla gama de adjetivos e express&otilde;es foi empregada para descrever as caracter&iacute;sticas relacionais ou a forma como o amigo se relaciona com outras pessoas. Primeiramente, um grupo de qualifica&ccedil;&otilde;es reafirma a condi&ccedil;&atilde;o de amigo ou determina o tipo de amigo considerado, como o amigo de todos os momentos ou horas, bom amigo, melhor amigo, grande amigo, algu&eacute;m que valoriza a amizade, amigo verdadeiro, amigo para todas as horas, al&eacute;m de amigo, &oacute;timo amigo, amigo mesmo, amigo-surpresa, primeiro amigo, amigo mais marcante, algu&eacute;m que vale a pena conhecer e ter como amigo e amigo para tudo. Outras caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das ao amigo foram sua proximidade (muito pr&oacute;ximo, presente, como irm&atilde;o, m&atilde;e ou pai), a intimidade com ele (&iacute;ntimo) e sua lealdade (fiel ou leal). Tamb&eacute;m frisaram o amigo como algu&eacute;m que gosta, respeita e cuida do outro (querido, tem carinho e respeito, trata bem, preocupa-se comigo, anjo). O valor do amigo &eacute; destacado ao ser considerado fundamental, precioso e raro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O companheirismo &eacute; enfatizado em express&otilde;es como companheiro, companheiro de aventuras, super companheiro, parceiro, compartilhar "alegrias de estar em outro lugar e tristezas de estar longe da fam&iacute;lia e dos amigos", compartilhar o "choque cultural", experi&ecirc;ncias e atividades, al&eacute;m de fazer "descobertas juntos". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro tra&ccedil;o do amigo &eacute; sua disponibilidade para ajudar, sendo prestativo, ajudando muito ou dando apoio, sendo conselheiro, dispon&iacute;vel, pronto ou disposto a ouvir, sempre apoiando ou disposto a ajudar, que sabe ouvir e dar conselho, sendo algu&eacute;m com quem se pode contar, com quem se aprende muito, aquele que "ensinou as primeiras palavras em alem&atilde;o" ou que ajuda em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m das caracter&iacute;sticas j&aacute; mencionadas nos par&aacute;grafos anteriores, uma s&eacute;rie de adjetivos e express&otilde;es caracteriza a forma como o amigo se relaciona com outras pessoas, como o fato de ser confi&aacute;vel ou de confian&ccedil;a, sincero, carinhoso, compromissado, comunicativo, soci&aacute;vel, sens&iacute;vel, agrad&aacute;vel, amig&aacute;vel, atencioso, educado, generoso, "ter um cora&ccedil;&atilde;o imenso", ser acolhedor, humano, "de &oacute;tima conviv&ecirc;ncia", transparente, comprometido, um "amor de pessoa", doce, caloroso, gentil, extrovertido, compreensivo, amoroso, verdadeiro, paciente, "sem preconceitos", meigo, jovial e discreto. E ainda reservado, fechado, impaciente, carente, t&iacute;mido, teimoso e autorit&aacute;rio. H&aacute; aqui, a men&ccedil;&atilde;o de diversas facetas do relacionamento, como confian&ccedil;a, sinceridade, carinho, compromisso, comunica&ccedil;&atilde;o, entre outras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um segundo grupo de caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das aos amigos, de natureza positiva, poderiam ser consideradas como elementos de atra&ccedil;&atilde;o interpessoal, como o fato de ser uma pessoa simp&aacute;tica, carism&aacute;tica, &oacute;tima, admir&aacute;vel, interessante, inteligente, tranquila, calma, despreocupada, batalhadora, determinada, firme em suas decis&otilde;es, autoconfiante, constante, algu&eacute;m que "coloca seus interesses em primeiro lugar", livre, culta, s&eacute;ria, muito especial, com muita energia, que "gosta de coisas sofisticadas", criativa, en&eacute;rgica, forte, introspectiva, positiva, perfeccionista, organizada, simples, sistem&aacute;tica, centrada, concentrada, desapegada, respons&aacute;vel, "aberta a novas coisas ou novidades", "aberta a novas culturas", aventureira, espiritualista, madura, "gente boa", "personalidade boa", &aacute;gil, audaciosa, curiosa, esperta, sagaz, exc&ecirc;ntrica, louca e pirada (ousada), conservadora, pol&iacute;tica, rom&acirc;ntica e inocente. O humor &eacute; uma caracter&iacute;stica do amigo que se mostra alegre, bem-humorado, divertido, engra&ccedil;ado, de alto astral, animado, contente, feliz, de bem com a vida e brincalh&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns descreveram o amigo apontando similaridades com ele, como "a gente se identifica muito", ou possui "ritmo quase semelhante ao meu" ou &eacute; aquele que tem "o gosto musical mais parecido com o meu". Ou ainda apontaram interesses em comum, como "boas conversas", gostar de "contar hist&oacute;rias interessantes", "dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia", "estar com v&aacute;rias mulheres ao mesmo tempo", tamb&eacute;m possuir "ex-mulher e filho", al&eacute;m de "guardar dinheiro para voltar para seu pa&iacute;s". Tamb&eacute;m foi pontuada uma vez a diferen&ccedil;a entre os amigos, ao ser descrito como "um pouco diferente de mim". Em poucos casos, os interesses e atividades do amigo serviram para descrev&ecirc;-lo, como o fato de ser "o maior bebedor que conhe&ccedil;o" ou ser algu&eacute;m "interessado pela cultura brasileira" ou que gosta de "curtir a vida". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, raras vezes, a nacionalidade e a cultura serviram para descrever o amigo, como ser "um h&uacute;ngaro um pouco diferente dos outros" ou "a melhor representante da cultura americana que poderia ter conhecido" ou ainda "bem aculturada". Raramente os amigos foram descritos com base em caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, de idade ou prefer&ecirc;ncia sexual, como ser bonito, "um senhor de idade" ou gay, e poucas caracter&iacute;sticas do amigo eram aparentemente negativas, como o fato de ser pregui&ccedil;oso, irrespons&aacute;vel, orgulhoso, medroso, pessimista, teimoso, nervoso e ir&ocirc;nico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, a descri&ccedil;&atilde;o dos amigos &eacute; ampla e diversificada, destacando-se propriedades que foram denominadas "relacionais", pois qualificam o amigo como algu&eacute;m que apresenta certas propriedades ao se relacionar. Outras caracter&iacute;sticas parecem indicar algo que se admira no amigo, possivelmente servindo como um fator de atra&ccedil;&atilde;o interpessoal, sendo raras as poss&iacute;veis cr&iacute;ticas. Alguns aspectos s&atilde;o, por vezes, associados &agrave; condi&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do imigrante, como o companheirismo (incluindo o compartilhar interesses e atividades com o amigo) e a disponibilidade para ajudar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O significado da amizade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os participantes descreveram o significado da amizade de modo diversificado e positivo. Contudo, tr&ecirc;s aspectos principais podem ser identificados: reconhecimento da relev&acirc;ncia da amizade, companheirismo e apoio social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um primeiro aspecto a ser mencionado &eacute; a import&acirc;ncia ou relev&acirc;ncia da amizade e dos amigos em suas vidas. Segundo os participantes, as amizades significavam muito, era algo maravilhoso, importante, inesquec&iacute;vel, um patrim&ocirc;nio, de modo que amigos n&atilde;o podem faltar. Ainda s&atilde;o um sentido ou parte importante da vida, cuja opini&atilde;o faz diferen&ccedil;a na vida. O amigo completa o outro em v&aacute;rios aspectos, &eacute; algu&eacute;m de quem se que gosta e com quem quer passar a vida. Para alguns, a amizade significava tudo ou muito, algo importante, especial ou indispens&aacute;vel. Em poucos casos, amizades foram consideradas como pouco significativas, n&atilde;o significando muito ou o participante "n&atilde;o esperava muito das amizades estrangeiras". Ainda destacaram a amizade verdadeira, baseada em um sentimento verdadeiro, forte, genu&iacute;na. Amigos tamb&eacute;m foram comparados com uma figura familiar, irm&atilde;o, irm&atilde;, pai ou m&atilde;e, com o intuito de destacar sua import&acirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O companheirismo foi outro elemento central para o significado das amizades. Esteve presente em express&otilde;es como "algu&eacute;m sempre presente", com quem se pode contar ou confiar. O amigo &eacute; "algu&eacute;m com quem se mant&eacute;m boas conversas", uma "companhia que me entende", um "companheiro para horas dif&iacute;ceis", com quem "se d&aacute; bem". O fato de se estar em outro pa&iacute;s estava relacionado com "compartilhar dificuldade de morar em outro pa&iacute;s" e "compartilhar a dificuldade do idioma e treinar juntas a nova l&iacute;ngua". O significado da amizade envolvia divers&atilde;o e alegria e a amizade tamb&eacute;m foi associada a apoio, seguran&ccedil;a, bem-estar, carinho, aten&ccedil;&atilde;o, amor, sinceridade, prote&ccedil;&atilde;o, respeito m&uacute;tuo, conforto e uni&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O apoio foi outra dimens&atilde;o central da amizade. Amigos foram considerados "fonte de sabedoria, conselho e crescimento individual", ajudando o outro a crescer. O apoio espec&iacute;fico do amigo em um pa&iacute;s estrangeiro tamb&eacute;m foi indicado de diversas formas, como "ajudar a conhecer o pa&iacute;s e se relacionar com seus habitantes", "fundamental para adapta&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s", e ainda "ponto de refer&ecirc;ncia para a cultura local, permitindo o aprendizado e conhecimento de uma nova cultura". O amigo tamb&eacute;m foi visto como o primeiro contato em uma nova cultura, apoio nas quest&otilde;es burocr&aacute;ticas, tutor em um mundo desconhecido, quem apresentou os amigos estrangeiros, contribuindo para a vida social, a melhor companhia que encontrou no pa&iacute;s, "por um longo per&iacute;odo foi o &uacute;nico amigo". O amigo tamb&eacute;m representou "ajuda com o idioma ou para conhecer ou se aproximar de outras culturas". Amigos ainda permitiam o contato com a pr&oacute;pria cultura, com o Brasil, a fam&iacute;lia e as ra&iacute;zes brasileiras. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma geral, ao tratar do significado da amizade como algo mais amplo, n&atilde;o apenas apontaram a import&acirc;ncia da amizade em si, como destacaram algumas dimens&otilde;es espec&iacute;ficas das amizades, especialmente o companheirismo e o apoio, centrais para o significado das amizades, inclusive no contexto de migra&ccedil;&atilde;o internacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A origem das amizades</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A origem das amizades foi associada a um contexto institucional, a um grupo social, a um evento social, &agrave; internet ou a pessoas espec&iacute;ficas. Os participantes se referiram a um contexto institucional espec&iacute;fico, como o contexto escolar/universit&aacute;rio, incluindo cursos de idiomas, aulas de dan&ccedil;a e atividades relacionadas a interc&acirc;mbio cultural. O trabalho e a igreja tamb&eacute;m foram indicados como contextos onde amizades tiveram origem, assim como a vizinhan&ccedil;a e o condom&iacute;nio. Grupos sociais indicados foram associa&ccedil;&otilde;es de brasileiros ou latinos, a pr&oacute;pria fam&iacute;lia e um grupo musical (banda de jazz) como a origem das amizades. Outras formas pelos quais esses amigos se conheceram foi atrav&eacute;s de eventos sociais, como festas, feiras e viagens. A internet tamb&eacute;m foi indicada, incluindo o Orkut e um site de troca de conhecimentos lingu&iacute;sticos portugu&ecirc;s-ingl&ecirc;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O contato pessoal tamb&eacute;m foi apontado como a origem de amizades. Nesse caso, um amigo ou parente serviu de elo para formar uma nova amizade. Na &Aacute;sia, quatro amigos se conheceram atrav&eacute;s de outro amigo e um amigo foi apresentado por um familiar do participante. Na Europa, em seis amizades, um amigo apresentou o participante para outros amigos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Epis&oacute;dios marcantes nas amizades </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os epis&oacute;dios marcantes se referiam principalmente a experi&ecirc;ncias compartilhadas e a apoio social. As experi&ecirc;ncias compartilhadas foram classificadas em quatro grupos e duas formas de apoio foram indicadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um primeiro grupo de experi&ecirc;ncias compartilhadas diz respeito &agrave;s atividades cotidianas, como dividir a mesma moradia, dormir na casa do outro, compartilhar refei&ccedil;&otilde;es e trabalho volunt&aacute;rio, estudar ou trabalhar juntos, compartilhar caronas, conviver diariamente e partilhar atividades religiosas (ora&ccedil;&atilde;o e revela&ccedil;&atilde;o). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um segundo grupo diz respeito a compartilhar dificuldades ou experi&ecirc;ncias relacionadas a um momento especial de vida, como compartilhar d&uacute;vidas e inseguran&ccedil;as e apuros passados juntos, casamento e maternidade na mesma &eacute;poca, partilhar "a experi&ecirc;ncia de ser estrangeiras, mulheres e ter um companheiro nativo", de morar no exterior, compartilhar "a falta de seus parceiros rom&acirc;nticos que moravam em pa&iacute;ses diferentes". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um terceiro grupo se refere a experi&ecirc;ncias compartilhadas relacionadas a lazer e &agrave; divers&atilde;o, como festas, viagens ou visitas a pontos tur&iacute;sticos, passar f&eacute;rias juntos, comer ou beber juntos (churrascos, jantares), ir a bares ou boates, passeios, shows, festivais culturais, concertos, locais para dan&ccedil;ar, al&eacute;m de praticar esportes, ver filmes e jogar (jogos e videogame). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um quarto grupo de experi&ecirc;ncias compartilhadas estava relacionado a conversas sobre diversos assuntos pessoais (como acontecimentos marcantes da vida, trabalho, relacionamentos, perspectivas futuras, perdas e expectativas familiares, fam&iacute;lia, assuntos &iacute;ntimos, experi&ecirc;ncia de vida, desabafos, repartir sentimentos profundos, segredos compartilhados) ou culturais (hist&oacute;ria do pa&iacute;s, filmes, livros, diferen&ccedil;as culturais e dificuldades no pa&iacute;s). Ainda se referiram a gargalhadas e rir juntos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rios epis&oacute;dios se referiam a alguma forma de apoio social recebido ou fornecido, frente &agrave;s dificuldades e problemas. Esses epis&oacute;dios foram divididos em dois grupos: epis&oacute;dios em que os participantes reconheciam o apoio como relacionado &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o ao novo pa&iacute;s e epis&oacute;dios de apoio sem explicitar a condi&ccedil;&atilde;o de migrante. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos epis&oacute;dios relacionados &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o ao novo pa&iacute;s, o apoio foi considerado marcante para ajudar a lidar com outra cultura e sociedade. Nesse sentido, o apoio de amigos foi importante para encontrar emprego em outro pa&iacute;s para lidar com a saudade de casa, para se sentir acolhido nessas condi&ccedil;&otilde;es, para realizar estudos e viagens em outro pa&iacute;s, para enfrentar momentos de tens&atilde;o de guerra no pa&iacute;s, para enfrentar momentos dif&iacute;ceis no pa&iacute;s, inclusive em situa&ccedil;&atilde;o de ilegalidade ou renova&ccedil;&atilde;o do visto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, os amigos tamb&eacute;m forneceram apoio em diversas situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o foram relacionadas diretamente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de migrante. Nesses casos, o apoio se deu frente a dificuldades familiares (como casamento ou namoro, separa&ccedil;&atilde;o, nascimentos, perdas), dificuldades pessoais ou de sa&uacute;de (gravidez, problemas de sa&uacute;de, acidentes, vulnerabilidade e dor), problemas no trabalho ou estudos (mudan&ccedil;as de emprego e acidente de trabalho), problemas com propriedades ou animais de estima&ccedil;&atilde;o (resgate de moto ap&oacute;s acidente ou autom&oacute;vel, conserto de computador, pintura da casa, cuidar do c&atilde;o do amigo). De forma geral, reconheceram o apoio de amigos em alguma forma de crise, necessidade ou uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Duas dimens&otilde;es se destacam nos epis&oacute;dios marcantes das amizades de brasileiros no exterior: compartilhar de experi&ecirc;ncias e apoio social. Enquanto a situa&ccedil;&atilde;o de imigrante aparece em algumas experi&ecirc;ncias compartilhadas em um pa&iacute;s estranho, o fato de viver em outro pa&iacute;s est&aacute; presente em diversos epis&oacute;dios de apoio dado e recebido de amigos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base nos epis&oacute;dios relatados, os amigos fornecem apoio social aos amigos na condi&ccedil;&atilde;o de migra&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, os amigos tamb&eacute;m compartilham uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias em comum. Nesse sentido, pode-se supor que, mesmo em uma situa&ccedil;&atilde;o estranha, os amigos permitem compartilhar uma s&eacute;rie de atividades, desde conversar at&eacute; atividades mais complexas, permitindo assim a manuten&ccedil;&atilde;o do curso e qualidade de vida. Assim, os amigos parecem suprir um meio social est&aacute;vel e familiar, que serve de prote&ccedil;&atilde;o social, permitindo uma variedade que atividades e de companheirismo. Assim, os amigos parecem desempenhar duas fun&ccedil;&otilde;es complementares: ajudar ou apoiar o amigo e servir de parceiros em uma diversidade de atividades e interesses compartilhados. Os amigos forneceriam um ambiente social protetor e mantenedor da vida normal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dificuldades na amizade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poucas foram as dificuldades citadas nas amizades investigadas. Aquelas que foram mencionadas podem ser classificadas em cinco grupos. O primeiro grupo se refere a dificuldades na comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o a idioma. O segundo grupo se refere a diferen&ccedil;as culturais. Um exemplo diz respeito ao jeito caloroso das brasileiras, o que podia ser mal interpretado. Outras diferen&ccedil;as apontadas foram o senso de humor e tipos de piadas. Ainda foram consideradas diferen&ccedil;as culturais a falta de intimidade, postura fechada e ser independente e exigente, apresentar tradi&ccedil;&otilde;es e costumes diferentes, al&eacute;m da forma de se pensar, o que se considerava politicamente correto ou incorreto e mesmo o n&iacute;vel de higiene e a religi&atilde;o. Em terceiro lugar, algumas dificuldades foram associadas a diferen&ccedil;as pessoais ou individuais. Nesse caso, foram apontadas caracter&iacute;sticas pessoais como o amigo ser inflex&iacute;vel, fechado, inst&aacute;vel, pregui&ccedil;oso ou muito ativo. Um quarto tipo de dificuldades foi a falta de similaridade com o amigo, em que o participante reconhecia a "falta de pontos em comum", n&atilde;o compreendia "a vis&atilde;o de mundo do participante" (possivelmente por ser diferente da sua), al&eacute;m de diferen&ccedil;as de opini&atilde;o e interesses diferentes. Finalmente, uma quinta categoria inclui a dist&acirc;ncia geogr&aacute;fica e falta de tempo para se encontrarem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma geral, as dificuldades ocuparam um lugar secund&aacute;rio na descri&ccedil;&atilde;o das amizades e parecem estar ligadas a fatores individuais e culturais. Nesse caso, os participantes atribu&iacute;ram caracter&iacute;sticas individuais (como ser mais independente e exigente) &agrave; cultura. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Discuss&atilde;o </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base no modelo proposto por Hinde (1997), para relacionamentos interpessoais, procuramos analisar a amizade em tr&ecirc;s n&iacute;veis diferentes: a pessoa do amigo, a intera&ccedil;&atilde;o entre amigos (epis&oacute;dio marcante) e o relacionamento de amizade (significado da amizade). Primeiramente, com a descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, esperava-se ver as caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das &agrave; pessoa do amigo, como parte do fen&ocirc;meno da amizade. Houve uma grande diversidade na descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, predominando o car&aacute;ter positivo. Diversas caracter&iacute;sticas foram consideradas de natureza relacional, indicando que, ao descrever o amigo, os participantes j&aacute; atribuem a eles propriedades que revelam como eles se relacionam. Assim, h&aacute; a men&ccedil;&atilde;o de diversas caracter&iacute;sticas ligadas diretamente &agrave; amizade, partindo da descri&ccedil;&atilde;o do outro como amigo ou um determinado tipo de amigo. V&aacute;rias outras caracter&iacute;sticas apontam para tra&ccedil;os que se manifestam na amizade e que s&atilde;o atribu&iacute;das aos amigos. Assim, enquanto a divers&atilde;o e o lazer s&atilde;o indicados como parte da amizade, os amigos s&atilde;o vistos como divertidos e engra&ccedil;ados. Enquanto o apoio est&aacute; presente na amizade, ao amigo se atribui a caracter&iacute;stica de ser prestativo ou algu&eacute;m disposto a ajudar ou apoiar. O companheirismo &eacute; visto na pessoa do amigo ao ser tratado como companheiro. H&aacute; uma s&eacute;rie de caracter&iacute;sticas relacionais que j&aacute; atribui ao amigo o que ocorre plenamente na amizade. Outras caracter&iacute;sticas parecem indicar fatores que estariam associados &agrave; atra&ccedil;&atilde;o interpessoal, como ser inteligente ou determinado. Poucas vezes s&atilde;o citados interesses e atividades para descrever o amigo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, ao descrever um amigo, v&aacute;rias das caracter&iacute;sticas da amizade j&aacute; s&atilde;o vistas na sua pessoa, relacionadas a apoio, proximidade, companheirismo, humor, entre outros. Ao falar sobre o amigo, fala-se dessa pessoa em rela&ccedil;&atilde;o de amizade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os epis&oacute;dios marcantes tamb&eacute;m foram de natureza diversa, a maior parte relacionada a lembran&ccedil;as de alguma forma de apoio social (recebido ou fornecido) relativo &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o ao novo pa&iacute;s e experi&ecirc;ncias de companheirismo marcantes, incluindo momentos de lazer vividos com esses amigos, experi&ecirc;ncias compartilhadas e conversas com amigos. Os epis&oacute;dios revelam uma menor diversidade de caracter&iacute;sticas, especialmente ligadas a apoio e companheirismo ou compartilhar diversos aspectos da vida. Os epis&oacute;dios est&atilde;o diretamente relacionados &agrave;s caracter&iacute;sticas dos amigos (como ser prestativo e companheiro), indicando de forma mais sint&eacute;tica, e possivelmente mais pr&oacute;xima da experi&ecirc;ncia concreta, momentos ou intera&ccedil;&otilde;es importantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de o significado da amizade ser diversificado, geralmente foi positivo, assim como a figura do amigo e os epis&oacute;dios marcantes. Ao se referirem ao significado da amizade, os participantes enfatizaram-na como algo importante, apontando para a necessidade de sua autenticidade, a presen&ccedil;a do companheirismo, al&eacute;m do apoio, carinho, uni&atilde;o, aten&ccedil;&atilde;o, sinceridade, confian&ccedil;a, seguran&ccedil;a, bem-estar, amor, prote&ccedil;&atilde;o e conforto, al&eacute;m de lazer e alegria. Em rela&ccedil;&atilde;o aos significados espec&iacute;ficos do apoio do amigo em um pa&iacute;s estranho, referiram-se &agrave; ajuda com o idioma ou para conhecer ou se aproximar de outras culturas. De forma geral, os participantes apontaram a import&acirc;ncia da amizade em si e destacaram algumas dimens&otilde;es espec&iacute;ficas das amizades, especialmente o companheirismo e o apoio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados referentes &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, dos epis&oacute;dios (intera&ccedil;&otilde;es) e do significado da amizade (relacionamento) indicam como os amigos s&atilde;o percebidos por brasileiros no exterior. Do ponto de vista te&oacute;rico, esses tr&ecirc;s elementos mostram rela&ccedil;&otilde;es dial&eacute;ticas no sentido de a amizade j&aacute; ser vista na pessoa do amigo, nos epis&oacute;dios vividos e no significado da amizade, vista como um tipo de relacionamento. As rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas (descri&ccedil;&atilde;o do amigo), intera&ccedil;&otilde;es (epis&oacute;dios marcantes) e relacionamentos (o significado da amizade) s&atilde;o dial&eacute;ticas, no sentido de que cada n&iacute;vel afeta o est&aacute;gio seguinte e &eacute; por ele afetado (Hinde, 1997). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pessoa do amigo &eacute; descrita de forma ampla e diversa, sendo proposto que parte dessa descri&ccedil;&atilde;o se faz com base em caracter&iacute;sticas relacionais. Assim, a pessoa do amigo &eacute;, ao menos em parte, descrita como algu&eacute;m que apresenta determinadas caracter&iacute;sticas ao se relacionar, como ser atencioso ou generoso. Caracter&iacute;sticas similares aparecem na descri&ccedil;&atilde;o do amigo e dos epis&oacute;dios marcantes, como o fato do amigo ser prestativo e o epis&oacute;dio se referir a um evento de ajuda. Tamb&eacute;m h&aacute; caracter&iacute;sticas em comum entre as intera&ccedil;&otilde;es e o relacionamento como um todo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Levando-se em conta os tr&ecirc;s n&iacute;veis, dois pontos se destacam nos dados ao se referirem &agrave;s amizades no contexto de migra&ccedil;&atilde;o, o apoio e o companheirismo, no sentido de compartilhar experi&ecirc;ncias. Ambos s&atilde;o vistos como exercendo fun&ccedil;&otilde;es importantes no contexto da imigra&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, aparecem informa&ccedil;&otilde;es sobre o papel do amigo relacionado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do imigrante, como o companheirismo (incluindo o compartilhar interesses e atividades com o amigo) e a disponibilidade para ajudar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os epis&oacute;dios marcantes tamb&eacute;m, por vezes, explicitam o contexto da imigra&ccedil;&atilde;o, especialmente epis&oacute;dios relatando experi&ecirc;ncias compartilhadas e apoio social. Enquanto o apoio social parece mais evidente nessa situa&ccedil;&atilde;o, os epis&oacute;dios tamb&eacute;m se referem a uma diversidade de experi&ecirc;ncias compartilhadas com amigos, sugerindo que estes podem formar uma "microssociedade", que permite ao migrante viver uma vida social rica e diversificada. Assim, os amigos serviriam de apoio frente a situa&ccedil;&otilde;es adversas, inclusive aquelas decorrentes da condi&ccedil;&atilde;o de migrante, mas tamb&eacute;m forneceriam um meio social positivo para o exerc&iacute;cio de uma vida social ampla e diversificada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apoio social e experi&ecirc;ncias compartilhadas relacionadas ao contexto de migra&ccedil;&atilde;o est&atilde;o presentes nas descri&ccedil;&otilde;es de amigo, nos epis&oacute;dios marcantes e no significado da amizade em torno de companheirismo (compartilhar atividades e interesses). De forma geral, as dificuldades ocuparam um lugar secund&aacute;rio nas amizades e se referem &agrave; falta de compartilhamento de algo, seja tempo, espa&ccedil;o, idioma, caracter&iacute;sticas individuais ou caracter&iacute;sticas culturais. Problemas de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido reconhecidos como obst&aacute;culos &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de amizade entre grupos diferentes (Vorauer & Sakamoto, 2006). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto a discuss&atilde;o at&eacute; o momento destacou as caracter&iacute;sticas individuais, a intera&ccedil;&atilde;o e o relacionamento, o contexto social ficou evidente ao se tratar da origem das amizades. Esta foi associada a dois fatores principais, a um contexto social ou institucional, como o trabalho, escola/universidade ou igreja, e a pessoas em particular que servem de elo para apresentar novos amigos, como os pr&oacute;prios amigos ou parentes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se os amigos j&aacute; t&ecirc;m seu papel reconhecido antes da migra&ccedil;&atilde;o, seu papel para os brasileiros que j&aacute; se encontram no exterior parece amplo, representando n&atilde;o apenas uma fonte de apoio social em uma situa&ccedil;&atilde;o especial, o que aparece no significado das amizades, nas intera&ccedil;&otilde;es e na descri&ccedil;&atilde;o dos amigos, mas tamb&eacute;m permitindo compartilhar experi&ecirc;ncias em diversos sentidos, desde conversar at&eacute; atividades de lazer, em v&aacute;rias inst&acirc;ncias da vida cotidiana. Esse papel dos amigos complementaria o papel j&aacute; apontado por diversos autores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, os amigos no local de destino n&atilde;o apenas motivariam a migra&ccedil;&atilde;o (Fazito & Rios-Neto, 2008), mas exerceriam um papel importante e diversificado na vida di&aacute;ria do imigrante brasileiro no exterior, amigo esse que pode ser brasileiro, nativo do pa&iacute;s de destino ou outro imigrante. Como indicado por Lisboa (2007), os amigos fazem parte de experimentar diferentes sensa&ccedil;&otilde;es em um novo pa&iacute;s, proporcionando uma diversidade de atividades. Assim, como indicado por Soares (2002), o migrante tem nos amigos um ponto de apoio &agrave; sua movimenta&ccedil;&atilde;o espacial. Mais do que isso, os amigos formariam uma "microssociedade" que permitiria uma s&eacute;rie de atividades sociais. Esse fato tamb&eacute;m est&aacute; relacionado com as observa&ccedil;&otilde;es de Fusco (2009), quanto a maior parte dos migrantes pertencer a determinados grupos sociais de familiares ou de amigos. Tamb&eacute;m, como apontado por Siqueira, Assis e Campos (2010), os amigos, entre outros, minimizam os riscos presentes na migra&ccedil;&atilde;o de longa dist&acirc;ncia, n&atilde;o somente quanto a condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia b&aacute;sica, como emprego e sal&aacute;rio, mas tamb&eacute;m quanto &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de uma visa social diversificada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente trabalho contribui para a literatura sobre amizade e migra&ccedil;&atilde;o indicando como os amigos s&atilde;o percebidos pelos brasileiros vivendo no exterior, indicando um amplo e diversificado papel, que n&atilde;o apenas responde pela motiva&ccedil;&atilde;o para migrar, mas tamb&eacute;m a motiva&ccedil;&atilde;o para continuar no lugar. Assim como apontado por Kugele (2006), os amigos auxiliam na inser&ccedil;&atilde;o ou reinser&ccedil;&atilde;o social dos migrantes, sejam atrav&eacute;s de amizades com pessoas da mesma na&ccedil;&atilde;o ou de outras etnias (Haug, 2003). O amplo papel dos amigos como rede de prote&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi apontado por Tsai (2006) para esses imigrantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o a outros estudos relacionando amizade e migra&ccedil;&atilde;o, os dados sobre as amizades de brasileiros no exterior apresentam similaridades com amizades de estrangeiros no Brasil. Assim, Garcia e Goes (2010) indicaram que amizades de universit&aacute;rios de Guin&eacute;-Bissau e de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe residindo no Brasil eram percebidas como relevantes para a adapta&ccedil;&atilde;o ao Brasil. O mesmo foi observado por Garcia e Rangel (2011) quanto &agrave;s amizades de universit&aacute;rios cabo-verdianos residindo no Brasil, cujos participantes destacaram o valor da amizade e a ajuda recebida. De forma similar, os epis&oacute;dios marcantes tamb&eacute;m estavam ligados a experi&ecirc;ncias compartilhadas (lazer) e apoio (ajuda do amigo). Garcia, Goes, Moura e Pepino (2010), investigando os epis&oacute;dios marcantes nas amizades de universit&aacute;rios africanos no Brasil, tamb&eacute;m destacaram apoio e companheirismo como propriedades do relacionamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em Hinde (1997) pode-se propor a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es dial&eacute;ticas entre os tr&ecirc;s n&iacute;veis considerados (a pessoa do amigo, epis&oacute;dios e relacionamento de amizade) e a possibilidade de considerar os tr&ecirc;s conjuntamente como forma de enriquecer os estudos sobre amizade. Os dados referentes &agrave; origem das amizades tamb&eacute;m indicaram o papel relevante de outras pessoas e de institui&ccedil;&otilde;es, como grupos de pessoas realizando atividades espec&iacute;ficas em um dado ambiente, de modo que os dados sugerem que os fatores apontados por Hinde, como grupos, estruturas socioculturais e ambiente f&iacute;sico tamb&eacute;m surgiram de modo integrado e devem ser considerados nos estudos sobre rela&ccedil;&otilde;es de amizade, especialmente no contexto de migra&ccedil;&atilde;o internacional, em que os relacionamentos ocorrem em um ambiente culturalmente mais complexo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amigos s&atilde;o elementos importantes na rede social das pessoas em todas as fases da vida, inclusive em situa&ccedil;&atilde;o de migra&ccedil;&atilde;o internacional. Conforme indicado na literatura, os amigos j&aacute; t&ecirc;m seu papel reconhecido antes da migra&ccedil;&atilde;o, ao contribuir para motivar as migra&ccedil;&otilde;es de brasileiros. Os dados da presente investiga&ccedil;&atilde;o sugerem que os amigos continuam a ser importantes durante a vida dos brasileiros no exterior, fornecendo apoio social em uma situa&ccedil;&atilde;o especial e tamb&eacute;m contribuindo para a constru&ccedil;&atilde;o de uma rede ou grupo social que permite compartilhar uma ampla gama de experi&ecirc;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto os estudos sobre migra&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m identificado o papel dos amigos e familiares como fatores afetando a migra&ccedil;&atilde;o, o presente estudo indicou que os amigos desempenham um papel complexo na vida daqueles que deixaram seu pa&iacute;s de origem para viver em outro pa&iacute;s. Por outro lado, os estudos t&ecirc;m focado mais as rela&ccedil;&otilde;es entre diferentes etnias sem uma maior aten&ccedil;&atilde;o aos movimentos migrat&oacute;rios. Os resultados indicam um papel importante dos amigos em contexto de migra&ccedil;&atilde;o e ajudam a compreender as rela&ccedil;&otilde;es entre amizade e cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outras pesquisas sobre o tema s&atilde;o necess&aacute;rias, como investigar as diferen&ccedil;as entre a primeira e a segunda gera&ccedil;&atilde;o de imigrantes quanto a suas amizades em um novo pa&iacute;s, as diferen&ccedil;as nas amizades entre aqueles que est&atilde;o temporariamente no exterior e os que pretendem permanecer e as diferen&ccedil;as nas amizades de brasileiros de acordo com a cultura do pa&iacute;s para o qual migraram. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aberson, C. L., Shoemaker, C., & Tomolillo, C. (2004). Implicit bias and contact: the role of interethnic friendships. <i>Journal of Social Psychology</i>, 144, 335-347.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738728&pid=S1983-8220201300010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adams, R. G., & Blieszner, R. (1994). An integrative conceptual framework for friendship research. <i>Journal of Social and Personal Relationships</i>, 11, 163-184.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738730&pid=S1983-8220201300010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bardin, L. (1977). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do </i>(L. A. Reto, trad.). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738732&pid=S1983-8220201300010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazito, D., & Rios-Neto, E. L. G. (2008). Emigra&ccedil;&atilde;o internacional de brasileiros para os Estados Unidos: as redes sociais e o papel de intermedia&ccedil;&atilde;o nos deslocamentos exercido pelas ag&ecirc;ncias de turismo. <i>Revista Brasileira de Estudos Populacionais,</i> 25, 305-323.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738734&pid=S1983-8220201300010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flick, U. (2009). <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa qualitativa</i> (J. E. Costa, trad., 3a ed). Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738736&pid=S1983-8220201300010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Franco, M. L. P. B. (2008). <i>An&aacute;lise do conte&uacute;do (3a ed.)</i>. Bras&iacute;lia: Liber Livro Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738738&pid=S1983-8220201300010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fong, E., & Isajiw, W. W. (2000). Determinants of friendship choices in multiethnic society. <i>Sociological Forum</i>, 15, 249-271.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738740&pid=S1983-8220201300010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fusco, W. (2009). Migra&ccedil;&atilde;o e redes sociais: a distribui&ccedil;&atilde;o de brasileiros em outros pa&iacute;ses e suas estrat&eacute;gias de entrada e perman&ecirc;ncia. In: F. A. de Gusm&atilde;o (Org.). <i>I Confer&ecirc;ncia sobre as Comunidades Brasileiras no Exterior - Brasileiros no Mundo: Textos (pp. 259-278</i>). Bras&iacute;lia: Funda&ccedil;&atilde;o Alexandre de Gusm&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738742&pid=S1983-8220201300010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, A., & Goes, D. C. (2010). Amizades de estudantes africanos residindo no Brasil. <i>Psicologia: Teoria e Pr&aacute;tica</i>, 12, 138-153.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738744&pid=S1983-8220201300010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, A., & Rangel, P. M. V. (2011). Amizades de universit&aacute;rios cabo-verdianos no Brasil. <i>Psicologia Argumento</i>, 29, 201-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738746&pid=S1983-8220201300010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, A., Goes, D. C., Moura, L. T., & Pepino, C. B. (2010). Amizades de universit&aacute;rios africanos no Brasil: uma an&aacute;lise dos epis&oacute;dios marcantes. In: A. Garcia (Org.). <i>Relacionamento interpessoal: uma perspectiva interdisciplinar (pp. 209-222).</i> Vit&oacute;ria: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisa do Relacionamento Interpessoal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738748&pid=S1983-8220201300010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Haug, S. (2003). Interethnische freundschaftsbeziehungen und soziale integration: unterschiede in der ausstattung mit sozialem kapital bei jungen deutschen und immigranten. <i>K&ouml;lner Zeitschrift f&uuml;r Soziologie und Sozialpsychologie</i>, 55, 716-736.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738750&pid=S1983-8220201300010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hinde, R. A. (1997). Relationships: a dialectical perspective. <i>Hove: Psychology Press</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738752&pid=S1983-8220201300010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (2011). <i>Censo demogr&aacute;fico 2010</i>. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738754&pid=S1983-8220201300010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kao, G., & Vaquera, E. (2006). The salience of racial and ethnic identification in friendship choices among hispanic adolescents. <i>Hispanic Journal of Behavioral Sciences</i>, 28, 23-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738756&pid=S1983-8220201300010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kugele, K. (2006). Junge global nomads und ihre freundschaften. auswirkungen des aufwachsens in mehreren kulturen auf erleben und verhalten in freundschaftsbeziehungen. <i>Gruppendynamik und Organisationsberatung</i>, 37, 155-172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738758&pid=S1983-8220201300010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lisboa, T. K (2007). Fluxos migrat&oacute;rios de mulheres para o trabalho reprodutivo: a globaliza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia. <i>Estudos Feministas</i>, 15, 805-821.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738760&pid=S1983-8220201300010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores (2011). <i>Brasileiros no mundo: estimativas</i>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738762&pid=S1983-8220201300010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Siqueira, S., Assis, G.O., & Campos, E.C. (2010). As redes sociais e a configura&ccedil;&atilde;o do primeiro fluxo emigrat&oacute;rio brasileiro: an&aacute;lise comparativa entre Crici&uacute;ma e Governador Valadares. In: J. L. N. Abreu, & H. S. Espindola (Orgs.). <i>Territ&oacute;rio, sociedade e modernidade (pp. 197-239).</i> Governador Valadares: Ed. Univale.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738764&pid=S1983-8220201300010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soares, W. (2002, novembro). Para al&eacute;m da concep&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica de redes sociais: fundamentos te&oacute;ricos da circunscri&ccedil;&atilde;o topol&oacute;gica da migra&ccedil;&atilde;o internacional. In <i>XIII Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos Populacionais</i>, Ouro Preto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738766&pid=S1983-8220201300010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tsai, J. H. C. (2006). Xenophobia, ethnic community, and immigrant youths' friendship network formation. <i>Adolescence</i>, 41, 285-298.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738768&pid=S1983-8220201300010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Verkuyten, M., & Martinovic, B. (2006). Understanding multicultural attitudes: the role of group status, identification, friendships, and justifying ideologies. <i>International Journal of Intercultural Relations,</i> 30, 1-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738770&pid=S1983-8220201300010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vorauer, J. D., & Sakamoto, Y. (2006). I thought we could be friends, but.... systematic miscommunication and defensive distancing as obstacles to cross-group friendship formation. <i>Psychological Science</i>, 17, 326-331.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4738772&pid=S1983-8220201300010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 22/05/2012     <br>Aceito em: 12/09/2012 </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not1"></a><a href="#add">1</a> Contato: <a href="mailto:agnaldo.garcia@uol.com.br"> agnaldo.garcia@uol.com.br</a></font></p>      ]]></body>
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