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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Orientação de carreira para jovens vivendo com sofrimento mental: possibilidades e limites]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[There is a lack of studies and proposed actions for counseling, preparation, market entry, and monitoring of the work activities and trajectories of youths living with mental suffering, a group potentially characterized as psychosocially vulnerable due to their situation. Given this situation, this article aimed to put forth some theoretical principles and practical proposals for career counseling for this specific group of people, based on a systematic intervention study. As main conclusions, it can be stated that the stigma and the impossibility of building a career are still prevalent, but the current situation of global transition seems to be creating new opportunities for populations traditionally vulnerable, due to the weakening of the traditional social structures and the emergence of new structures more receptive to the those that are different. Currently, youths living with mental suffering can build differentiated places for themselves through the deconstruction of the concept of "mad", using work activity as a support. At the same time they encounter extreme difficulties in accomplishing this task, which makes proposals for career counseling relevant in assisting this process. Limitations and potentialities are discussed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="enda"></a><b>Orienta&ccedil;&atilde;o de carreira para jovens vivendo com sofrimento mental: possibilidades e limites</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif"><b>Career counseling for youths living with mental suffering: potentialities and limits</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marcelo Afonso Ribeiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutor em Psicologia Social; Especialista em Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional e de Carreira; Docente do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo; faz pesquisas na interface trabalho, identidade e carreira</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante da constata&ccedil;&atilde;o da falta de estudos e propostas de interven&ccedil;&atilde;o de orienta&ccedil;&atilde;o, prepara&ccedil;&atilde;o, inser&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das atividades e trajet&oacute;rias de trabalho de jovens vivendo com sofrimento mental, grupo potencialmente caracterizado como vulner&aacute;vel psicossocialmente em fun&ccedil;&atilde;o de sua situa&ccedil;&atilde;o, o presente artigo visou, por meio de uma pesquisa de interven&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica, postular alguns princ&iacute;pios te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos para propostas de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira a este grupo espec&iacute;fico de pessoas. Como principais conclus&otilde;es, pode-se dizer que o estigma e a impossibilidade de constru&ccedil;&atilde;o de uma carreira ainda s&atilde;o predominantes, mas a atual conjuntura de transi&ccedil;&atilde;o mundial parece estar criando novas possibilidades &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es tradicionalmente vulnerabilizadas em fun&ccedil;&atilde;o da fragiliza&ccedil;&atilde;o das estruturas sociais anteriormente vigentes e da emerg&ecirc;ncia de novas estruturas mais receptivas ao diferente. Atualmente, jovens vivendo com sofrimento mental podem criar lugares diferenciados para si por meio da desconstru&ccedil;&atilde;o do conceito de "louco" utilizando o trabalho como suporte, ao mesmo tempo em que encontram extrema dificuldade em realizar essa tarefa, sendo as propostas de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira importantes para auxiliar este processo. Suas limita&ccedil;&otilde;es e dificuldades foram analisadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> contemporaneidade, trajet&oacute;rias de trabalho, projeto de vida, sofrimento mental, orienta&ccedil;&atilde;o profissional.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">There is a lack of studies and proposed actions for counseling, preparation, market entry, and monitoring of the work activities and trajectories of youths living with mental suffering, a group potentially characterized as psychosocially vulnerable due to their situation. Given this situation, this article aimed to put forth some theoretical principles and practical proposals for career counseling for this specific group of people, based on a systematic intervention study. As main conclusions, it can be stated that the stigma and the impossibility of building a career are still prevalent, but the current situation of global transition seems to be creating new opportunities for populations traditionally vulnerable, due to the weakening of the traditional social structures and the emergence of new structures more receptive to the those that are different. Currently, youths living with mental suffering can build differentiated places for themselves through the deconstruction of the concept of "mad", using work activity as a support. At the same time they encounter extreme difficulties in accomplishing this task, which makes proposals for career counseling relevant in assisting this process. Limitations and potentialities are discussed.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> contemporaneity, work trajectories, life project, mental suffering, career counseling.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tem&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es entre trabalho e "loucura"<a name="1a"></a><a href="#1b"><sup>1</sup></a> pode ser compreendida por meio de dois caminhos poss&iacute;veis: a) o caminho da "loucura" do trabalho, saindo do trabalho e resultando na "loucura", em fun&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es do trabalho potencialmente geradoras de "loucura" e de psicopatologias do trabalho; e b) o caminho do trabalho &agrave; "loucura", saindo da "loucura" e resultando no trabalho como uma atividade humana potencialmente geradora de emancipa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira situa&ccedil;&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno classicamente investigado no campo global da Psicologia do Trabalho e das Organiza&ccedil;&otilde;es, com presen&ccedil;a importante na Am&eacute;rica Latina nas chamadas rela&ccedil;&otilde;es entre sa&uacute;de mental e trabalho (B&aacute;rbaro, Robazzi, Pedr&atilde;o, Cyrillo, &amp; Suazo, 2009; Borsoi, 2007; G&oacute;mez, 2007), contudo, no tocante &agrave; segunda situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; quase registros de investiga&ccedil;&otilde;es no campo de estudos do trabalho, sendo um fen&ocirc;meno mais estudado pelas &aacute;reas da sa&uacute;de (Nic&aacute;cio, Mangia, &amp; Ghirardi, 2005; Salles &amp; Barros, 2009).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o da orienta&ccedil;&atilde;o, da prepara&ccedil;&atilde;o, da inser&ccedil;&atilde;o, do acompanhamento das atividades e das trajet&oacute;rias de trabalho de pessoas vivendo com sofrimento mental s&atilde;o demandas importantes, pois, como apontam algumas pesquisas, o desejo de trabalhar e ter uma trajet&oacute;ria laboral com continuidade &eacute; um desejo manifestado por parte deste grupo espec&iacute;fico de pessoas. Isso se configura como uma real possibilidade de trabalho a despeito de todas as dificuldades encontradas, buscando evitar a cronicidade da falta de atividades sociais reconhecidas, como a atividade de trabalho, que, em geral, resulta numa situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade psicossocial (Eklund, 2008; Gove, 2004; Ribeiro, 2004; Zambroni-de-Souza, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da clara import&acirc;ncia da reinser&ccedil;&atilde;o laboral e da reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial, ela tem se configurado como uma quest&atilde;o muito presente no campo da sa&uacute;de, principalmente da sa&uacute;de mental, mas n&atilde;o tem se mostrado de forma significativa no campo da Psicologia do Trabalho e das Organiza&ccedil;&otilde;es, nem no campo espec&iacute;fico da Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional e de Carreira, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o a propostas de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pouco se tem discutido, na literatura especializada, sobre as escolhas iniciais e a constru&ccedil;&atilde;o das trajet&oacute;rias de trabalho de jovens que, em fun&ccedil;&atilde;o de algum tipo de sofrimento mental, s&atilde;o considerados indiv&iacute;duos em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade psicossocial pelas dificuldades de constru&ccedil;&atilde;o de projetos e carreiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melo-Silva, Leal e Fracalozzi (2010) realizaram um levantamento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em congressos brasileiros de orienta&ccedil;&atilde;o vocacional e profissional entre 1999 e 2009, em que foi constatado que apenas 2,2% dos trabalhos apresentados eram relativos a popula&ccedil;&otilde;es diversas, entre elas pessoas vivendo com sofrimento mental. Esses dados indicam a necessidade de mais estudos e interven&ccedil;&otilde;es com este grupo espec&iacute;fico, assim como j&aacute; haviam apontado Ribeiro (2004), Valore (2010) e Varjal, Medeiros e Oliveira (2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por meio de uma an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional do per&iacute;odo de 1997 a 2006, Teixeira, Silva e Bardagi (2007) apontam que a orienta&ccedil;&atilde;o profissional brasileira "parece estar fazendo um esfor&ccedil;o para ampliar seus focos de interven&ccedil;&atilde;o e contribuir para o entendimento das rela&ccedil;&otilde;es homem-trabalho em diferentes etapas e contextos de vida" (p. 34), bem como de p&uacute;blicos diversos, como pessoas com necessidades especiais e adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade, ainda que este se configure em um movimento incipiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, essa discuss&atilde;o se torna extremamente importante, pois uma orienta&ccedil;&atilde;o de carreira potencialmente auxiliar&aacute; nos processos de reinser&ccedil;&atilde;o social em uma dimens&atilde;o da vida, que &eacute; o trabalho, central para a constru&ccedil;&atilde;o subjetiva e identit&aacute;ria, para ter um lugar socialmente reconhecido e para a quest&atilde;o da sobreviv&ecirc;ncia material, sendo uma atividade que atua no sentido de prepara&ccedil;&atilde;o para a inser&ccedil;&atilde;o concreta no mundo do trabalho - a&ccedil;&atilde;o de dif&iacute;cil realiza&ccedil;&atilde;o por pessoas vivendo com sofrimento mental.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OBJETIVO E JUSTIFICATIVA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante da constata&ccedil;&atilde;o da falta de estudos e propostas de interven&ccedil;&atilde;o sistematicamente realizadas e avaliadas nas quest&otilde;es relativas ao trabalho de jovens vivendo com sofrimento mental, o presente artigo, por meio de uma pesquisa de interven&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica realizada de forma longitudinal ao longo de 15 anos, visou estabelecer alguns princ&iacute;pios te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos para propostas de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira que tentem responder &agrave;s demandas contempor&acirc;neas espec&iacute;ficas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s potencialidades e limites de constru&ccedil;&atilde;o de projetos, de identidades e de trajet&oacute;rias de trabalho voltadas a situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade psicossocial, especificamente de jovens vivendo com algum tipo de sofrimento mental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Optou-se pela utiliza&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de <i>vivendo com<a name="2a"></a><a href="#2b"><sup>2</sup></a></i> para desconstruir a cl&aacute;ssica concep&ccedil;&atilde;o de "loucura" como ess&ecirc;ncia e introduzir a no&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea da "loucura" como uma situa&ccedil;&atilde;o psicossocial transit&oacute;ria, e n&atilde;o uma condi&ccedil;&atilde;o permanente ou constitucional, sem desconsiderar, entretanto, as quest&otilde;es ps&iacute;quicas e org&acirc;nicas em jogo nesta situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, o presente artigo buscou trazer mais elementos para an&aacute;lise das possibilidades de constru&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho destes jovens, auxiliando a todos os que trabalham diretamente com eles a evitar estere&oacute;tipos e concep&ccedil;&otilde;es generalizadoras e a refletir sobre estrat&eacute;gias de aux&iacute;lio na constru&ccedil;&atilde;o de projetos, identidades e trajet&oacute;rias de vida, principalmente por meio de propostas de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira, como recomendaram Melo-Silva et al. (2010), Ribeiro (2004) e Valore (2010).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REVIS&Atilde;O DE LITERATURA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marco te&oacute;rico</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma sint&eacute;tica, pode-se dizer que o mundo do trabalho vem se diversificando, heterogeneizando e complexificando gradativamente, e isso o tem transformado em um espa&ccedil;o menos est&aacute;vel e cont&iacute;nuo para uma realidade mais flex&iacute;vel, e de mudan&ccedil;a com padr&otilde;es menos absolutos. Isso caracteriza um momento de transi&ccedil;&atilde;o, em que novas formas de exclus&atilde;o aparecem e atingem novos grupos de pessoas e as tradicionais formas de exclus&atilde;o sofrem uma fragmenta&ccedil;&atilde;o, pois ainda operam, por&eacute;m n&atilde;o de forma absoluta, embora sejam geradas situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade e obst&aacute;culos psicossociais para a constru&ccedil;&atilde;o de projetos, identidades e trajet&oacute;rias de vida (Castel, 2009, Touraine, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Paiva, Ayres e Buchalla (2012), a vulnerabilidade deve ser concebida em sua tridimensionalidade, ou seja, toda situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade carrega em si elementos de vulnerabilidades sociais (por exemplo, fam&iacute;lias desestruturadas ou contextos violentos de moradia), vulnerabilidades pessoais (por exemplo, baixa qualifica&ccedil;&atilde;o, poucos recursos financeiros ou dificuldades em lidar com imprevistos) e vulnerabilidades program&aacute;ticas (por exemplo, acesso prec&aacute;rio &agrave; sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o de baixa qualidade e aus&ecirc;ncia de servi&ccedil;os p&uacute;blicos de intermedia&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a vulnerabilidade n&atilde;o seria nem social, nem individual, mas psicossocial como no&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica central. Assim, a vulnerabilidade psicossocial pode ser definida como</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Uma diminui&ccedil;&atilde;o da possibilidade de estabelecer v&iacute;nculos e redes sociais, n&atilde;o uma fragilidade pessoal, nem institucional,  e sim relacional, ou seja, a vulnerabilidade psicossocial seria a resultante de contextos de intersubjetividade, isto &eacute;,  espa&ccedil;os delimitados (sociais, culturais, laborais, econ&ocirc;micos, simb&oacute;licos) de rela&ccedil;&atilde;o, geradores de vulnerabilidade, nos  quais as pessoas se encontram em dificuldade de estabelecer v&iacute;nculos em alguma dimens&atilde;o significativa da vida, como  o trabalho </i>(Ribeiro, 2014, p. 65).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Shotter (1993) postula que o psicossocial n&atilde;o seria nem subjetivo, nem social, mas uma "terceira coisa", constru&iacute;da como processo discursivo relacional. Frosh (2012), corroborando esta ideia, aponta que considerar o psicossocial como mais do que a rela&ccedil;&atilde;o entre subjetivo e social, tomados de maneira separada, "significa testar-se pela nega&ccedil;&atilde;o, questionando suas pr&oacute;prias premissas, e buscando engajar-se com um espa&ccedil;o que n&atilde;o &eacute; nem 'psico', nem 'social', mas transcende a separa&ccedil;&atilde;o de elementos para criar algo novo" (p. 148).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, o psicossocial &eacute; aqui definido como constru&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e compartilhada, compreendida como um &uacute;nico processo visto como elo de continuidade do subjetivo ao social e vice-versa, "que seriam polos extremos de uma mesma realidade discursiva processual global, produzida atrav&eacute;s de processos de constru&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o no seio das pr&aacute;ticas e discursos sociais: do subjetivo ao social e vice-versa, num movimento cont&iacute;nuo" (Ribeiro, 2014, p. 27).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa no&ccedil;&atilde;o cumpre o objetivo de retirar das pessoas a responsabilidade &uacute;nica e central por n&atilde;o conseguirem, por exemplo, construir uma trajet&oacute;ria de trabalho, incluindo outras dimens&otilde;es dificultadoras, o que tamb&eacute;m impacta as propostas de interven&ccedil;&atilde;o, as quais n&atilde;o devem ser concebidas, a partir desta no&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, como estrat&eacute;gias que considerem apenas a pessoa como agente de sua pr&oacute;pria vida e trajet&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A flexibiliza&ccedil;&atilde;o e a precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, a redu&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel dos empregos e os obst&aacute;culos para se conseguir um trabalho decente e uma trajet&oacute;ria socio-ocupacional cont&iacute;nua t&ecirc;m afastado muitas pessoas da possibilidade de trabalhar em condi&ccedil;&otilde;es satisfat&oacute;rias e de ter no trabalho um valor b&aacute;sico, sendo a juventude - toda pessoa entre 15 e 29 anos - uma faixa et&aacute;ria extremamente impactada por essas mudan&ccedil;as (Andrade, 2008; Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho &#91;OIT&#93;, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tradicionalmente, definia-se a fase da juventude como adolesc&ecirc;ncia, a qual era associada a uma faixa et&aacute;ria gen&eacute;rica do ciclo vital e caracterizada pela universalidade das transforma&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas e psicol&oacute;gicas deste per&iacute;odo. Como vem apontando a literatura atual sobre juventude, classific&aacute;-la como fase universal da vida &eacute; n&atilde;o levar em conta a situa&ccedil;&atilde;o psicossocial de cada jovem em contextos espec&iacute;ficos marcados por diferen&ccedil;as socioculturais (diversidade das formas de reprodu&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o sociocultural). Por isso, a concep&ccedil;&atilde;o de jovens ou juventudes deve ser pensada como varia&ccedil;&otilde;es produzidas de formas e condi&ccedil;&otilde;es diferenciadas de ser e de se sentir jovem (Coimbra, Bocco, &amp; Nascimento, 2005; OIT, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em fun&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o oferecida &agrave; maioria dos jovens ser insuficiente para atender suas necessidades e demandas de forma&ccedil;&atilde;o, da dificuldade de iniciar a trajet&oacute;ria de trabalho e ter empregos decentes e da viv&ecirc;ncia da falta de respaldo social para a constru&ccedil;&atilde;o de seus projetos e trajet&oacute;rias de vida, os jovens tornaram-se, na contemporaneidade, um grupo diversificado em suas condi&ccedil;&otilde;es e caracter&iacute;sticas, mas unificados em uma situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade psicossocial pela impossibilidade de v&iacute;nculo social atrav&eacute;s do trabalho ou pela precariza&ccedil;&atilde;o deste v&iacute;nculo (OIT, 2009; Wickert, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante lembrar que, segundo Castel (2009), um dos princ&iacute;pios para a vida humana &eacute; sentir-se seguro nas suas v&aacute;rias dimens&otilde;es e que, na sociedade ocidental moderna, a prote&ccedil;&atilde;o social adv&eacute;m da possibilidade de trabalhar, pois, pela atividade de trabalho, a pessoa potencialmente conquista direitos e prote&ccedil;&otilde;es sociais b&aacute;sicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda dentro deste grupo social, determinado por uma faixa et&aacute;ria e por uma condi&ccedil;&atilde;o psicossocial espec&iacute;fica, h&aacute; subgrupos que carregam caracter&iacute;sticas como classe social, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, etnia e orienta&ccedil;&atilde;o sexual, que podem auxiliar ou dificultar a constru&ccedil;&atilde;o de projetos, identidades e trajet&oacute;rias de vida. Dentre eles, os jovens que vivem com algum tipo de defici&ecirc;ncia ou sofrimento mental e lidam com as dificuldades decorrentes destas, somadas &agrave;s dificuldades gen&eacute;ricas geradas pela juventude (Ribeiro, 2004; Valore, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomando especificamente o sofrimento mental como quest&atilde;o para investiga&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise, pode-se dizer que, tradicionalmente, a doen&ccedil;a mental foi definida como ess&ecirc;ncia, ou seja, uma pessoa &eacute; "louca", n&atilde;o est&aacute; com problemas mentais, sendo tratada como desvio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; norma. Para Frayze-Pereira (1982) "o anormal &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o: ele s&oacute; existe na e pela rela&ccedil;&atilde;o com o normal" (p. 22).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, se a base ontol&oacute;gica deste artigo &eacute; psicossocial, faz-se necess&aacute;rio apresentar as propostas de an&aacute;lise psicossocial atrav&eacute;s de uma ruptura da ideia de doente mental e a introdu&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de pessoas vivendo com sofrimento mental, sendo que, psicossocialmente, a doen&ccedil;a mental pode ser entendida como:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Produto e produtora de um tipo especial de rela&ccedil;&atilde;o subjetivo (sujeito) e o social (meio social) e coloca sujeitos em espa&ccedil;os  de impossibilidade de dialetiza&ccedil;&atilde;o dessa rela&ccedil;&atilde;o, ou seja, presos em um lugar sem chance de colocarem o processo  dial&eacute;tico em movimento: reduzindo-se a produtos e produtores de uma mesma rela&ccedil;&atilde;o ad infinitum </i>(Ribeiro, 2004, p. 42).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso dos jovens vivendo com sofrimento mental, h&aacute; um paradoxo contempor&acirc;neo instalado, pois eles vivenciam situa&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias de exclus&atilde;o e vulnerabiliza&ccedil;&atilde;o simultaneamente a situa&ccedil;&otilde;es de oportunidades potenciais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante lembrar que o mundo do trabalho tradicional, que perdurou no Brasil at&eacute; os anos de 1980, era marcado pela homogeneidade e normatiza&ccedil;&atilde;o com consequente exclus&atilde;o de tudo o que era considerado diferente e anormal, como o caso das pessoas vivendo com sofrimento mental. N&atilde;o havia lugar para a diferen&ccedil;a e o indiv&iacute;duo considerado diferente era marginalizado, estigmatizado e tutelado pelas pr&aacute;ticas da sa&uacute;de e da assist&ecirc;ncia social (Frayze-Pereira, 1982; Silva, 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mundo do trabalho, principalmente o do s&eacute;culo XXI, vivencia um paradoxo, pois, ao mesmo tempo em que segue marginalizando e excluindo, cria lugares para a diferen&ccedil;a e muitas vezes a inclui por meio de a&ccedil;&otilde;es afirmativas e lei de cotas. Isso configura um estado de transi&ccedil;&atilde;o com dupla consequ&ecirc;ncia, segundo Ribeiro (2004) e Silva (2005), com a produ&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de padr&otilde;es de exclus&atilde;o (Castel, 2009) e de oportunidades de emancipa&ccedil;&atilde;o e de constitui&ccedil;&atilde;o de formas diferenciadas de rela&ccedil;&atilde;o social, em uma nova oportunidade de retorno de grupos tradicionalmente apartados da possibilidade de inclus&atilde;o pelo trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo dos pressupostos de que:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>a)	A atividade de trabalho &eacute; fundamental para a conquista da seguran&ccedil;a e da prote&ccedil;&atilde;o social.</p>       <p>b)	As juventudes t&ecirc;m vivido situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade psicossocial, principalmente em fun&ccedil;&atilde;o da precariza&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o do trabalho gerada pela impossibilidade de trabalhar.</p>       <p>c)	Jovens vivendo com sofrimento mental experimentam simultaneamente situa&ccedil;&otilde;es de exclus&atilde;o e de potencial inclus&atilde;o contempor&acirc;nea no trabalho.</p>       <p>d)	N&atilde;o h&aacute; leis federais espec&iacute;ficas que auxiliem na prepara&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o destes jovens no mundo do trabalho, tampouco iniciativas organizacionais nesta dire&ccedil;&atilde;o, e as propostas existentes s&atilde;o oriundas do campo da sa&uacute;de, prioritariamente, como parte da rede de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental na forma de cooperativas, associa&ccedil;&otilde;es e oficinas de gera&ccedil;&atilde;o de renda (Salis, 2011).</p>       <p>e) 	A psicologia, em suas &aacute;reas espec&iacute;ficas da Psicologia do Trabalho e das Organiza&ccedil;&otilde;es e da Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional e de Carreira, tem como principais focos de interven&ccedil;&atilde;o a atividade de trabalho, a constru&ccedil;&atilde;o de projetos e trajet&oacute;rias de trabalho e o aux&iacute;lio na inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pergunta que aqui se coloca &eacute;: em termos de aux&iacute;lio profissional, o que essas &aacute;reas espec&iacute;ficas da psicologia teriam a oferecer na contemporaneidade para jovens vivendo com sofrimento mental? Dentre muitas alternativas de interven&ccedil;&atilde;o, a orienta&ccedil;&atilde;o profissional e de carreira foi escolhida no presente artigo para ser analisada como estrat&eacute;gia poss&iacute;vel de aux&iacute;lio a esses jovens.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O campo da orienta&ccedil;&atilde;o profissional e de carreira</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O campo brasileiro da Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional e de Carreira teve in&iacute;cio nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX e se consolidou como &aacute;rea respons&aacute;vel por auxiliar jovens de classes m&eacute;dia e alta na escolha de cursos superiores. Esta &eacute; uma pr&aacute;tica vinculada &agrave;s escolas e consult&oacute;rios psicol&oacute;gicos que vem sofrendo mudan&ccedil;as gradativas e interpela&ccedil;&otilde;es internas (questionamentos oriundos do pr&oacute;prio campo da orienta&ccedil;&atilde;o) e externas (novas demandas sociais, novas quest&otilde;es e novos desafios), tanto no Brasil (Melo-Silva, Bonfim, Esbrogeo, &amp; Soares, 2003; Ribeiro, 2014), como em outros pa&iacute;ses (Duarte, 2011; Guichard, 2012; Metz &amp; Guichard, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especificamente no Brasil, essas interpela&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m gerado a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas e o desenvolvimento de estrat&eacute;gias que buscam compreender e intervir de forma ampliada objetivando atender &agrave;s demandas sociais cl&aacute;ssicas, como jovens de classes m&eacute;dia e alta, e contempor&acirc;neas, como adultos, pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, jovens de camadas populares, universit&aacute;rios, aposentados, crian&ccedil;as, jovens institucionalizados, pacientes portadores de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas e pessoas vivendo com defici&ecirc;ncia e com sofrimento mental, conforme apontaram os estudos de revis&atilde;o de literatura de Melo-Silva et al., (2010), Noronha e Ambiel (2006) e Teixeira et al., (2007), bem como estudos espec&iacute;ficos de Bock (2010), Farina e Neves (2007), Ivatiuk e Yoshida (2010) e Valore (2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Guichard (2012), contextos emergentes produzem novas quest&otilde;es e necessidade de atualiza&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es em orienta&ccedil;&atilde;o profissional com enfoques que possam acessar m&uacute;ltiplos aspectos da vida das pessoas em seus contextos, colocando a &aacute;rea em xeque e fazendo com que se busque menos processos de adapta&ccedil;&atilde;o ao mundo e mais processos de constru&ccedil;&atilde;o, como opera&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o entre pessoa e contexto em um mundo inst&aacute;vel e em constante mudan&ccedil;a, sendo a palavra-chave atual para descrever essa opera&ccedil;&atilde;o que d&aacute; origem &agrave; carreira - no&ccedil;&atilde;o central para o campo da orienta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Participantes</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa foi realizada, em sua maior parte, com adultos entre 30 e 55 anos, mas aproximadamente 25% das interven&ccedil;&otilde;es foi realizada com jovens, sendo esta parte a ser aqui analisada, o que perfaz um total de 80 jovens que participaram integral ou parcialmente dos 30 grupos ou atendimentos individuais realizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procedimentos</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrat&eacute;gia utilizada para a constru&ccedil;&atilde;o da proposta aqui apresentada de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira<a name="3a"></a><a href="#3b"><sup>3</sup></a> para jovens vivendo com sofrimento mental foi a pesquisa de interven&ccedil;&atilde;o, que visou elaborar uma nova forma de atua&ccedil;&atilde;o em orienta&ccedil;&atilde;o de carreira, utilizando-se de maneira sistem&aacute;tica dos conhecimentos existentes, atrav&eacute;s de um caminho de fazer e refazer o pr&oacute;prio processo da pesquisa. O modelo de interven&ccedil;&atilde;o elaborado foi resultado de aproxima&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e testes emp&iacute;ricos, por falta de modelos pr&eacute;vios de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira para este p&uacute;blico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As interven&ccedil;&otilde;es foram realizadas basicamente em equipamentos de sa&uacute;de mental e servi&ccedil;os universit&aacute;rios de orienta&ccedil;&atilde;o profissional e de Psicologia do Trabalho e das Organiza&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo de 1994 a 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Modelo de an&aacute;lise do processo</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi realizada uma avalia&ccedil;&atilde;o do processo de cada atendimento (individual e grupal) e, colocado em a&ccedil;&atilde;o o modelo proposto de atua&ccedil;&atilde;o em orienta&ccedil;&atilde;o de carreira, foram apontadas as consequ&ecirc;ncias, os efeitos, as possibilidades e as impossibilidades para esse p&uacute;blico espec&iacute;fico, atrav&eacute;s de an&aacute;lise e coment&aacute;rios do material coletado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O DOS PRINCIPAIS RESULTADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como forma de embasar a estrat&eacute;gia proposta, ser&atilde;o apresentadas: (a) concep&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira que embasa o modelo, (b) modelo de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira proposto para pessoas vivendo com sofrimento mental, (c) fun&ccedil;&atilde;o do(a) orientador(a), (d) descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de um grupo realizado; e (e) avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados e limita&ccedil;&otilde;es da proposta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concep&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica do processo de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O modelo de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira adotado teve como base o aux&iacute;lio no processo de (re)constru&ccedil;&atilde;o da carreira, transcendendo a concep&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica da carreira organizacional, como a literatura j&aacute; vem indicando h&aacute; algumas d&eacute;cadas (Hall, 1996; Savickas et al., 2009), e a concebendo a partir de duas dimens&otilde;es constitutivas: a dimens&atilde;o do projeto e do plano de a&ccedil;&atilde;o de trabalho e a dimens&atilde;o da trajet&oacute;ria de trabalho (Ribeiro, 2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto de trabalho &eacute; definido como inten&ccedil;&atilde;o para a vida de trabalho (projeto de vida) por meio da compreens&atilde;o das resultantes estruturantes dos acontecimentos passados da vida das pessoas (constru&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias) e do planejamento de a&ccedil;&otilde;es futuras (plano de a&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A trajet&oacute;ria de trabalho seria o processo de articula&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es cotidianas e acontecimentos da vida em unidades epis&oacute;dicas (trajet&oacute;ria de vida), atrav&eacute;s do entendimento dos modos mais frequentes de constru&ccedil;&atilde;o de linhas de a&ccedil;&atilde;o no mundo (enredos de vida) e dos eixos comuns de constru&ccedil;&atilde;o de sentidos neste processo (temas de vida).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base no modelo proposto por Ribeiro (2011), a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira deve buscar a (re)constru&ccedil;&atilde;o de carreira possibilitando que, a cada per&iacute;odo de crise, a pessoa possa estar instrumentada subjetiva e objetivamente para atender as demandas enfrentadas para o desenvolvimento de sua carreira por meio de um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do projeto e da trajet&oacute;ria de trabalho. A orienta&ccedil;&atilde;o de carreira oferecer&aacute;, ent&atilde;o, um espa&ccedil;o de media&ccedil;&atilde;o que garanta uma contin&ecirc;ncia inicial, o resgate do v&iacute;nculo com o social pela reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria e do projeto de vida, e a possibilidade da autonomia pela consolida&ccedil;&atilde;o psicossocial de um plano de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A instrumenta&ccedil;&atilde;o cumpre o papel de auxiliar a pessoa a dar continuidade ao seu desenvolvimento de carreira sempre que uma nova crise surgir. Este termo significa o desenvolvimento de discursos e estrat&eacute;gias para a rela&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o de projetos e trajet&oacute;rias no mundo sociolaboral, que tem duas dimens&otilde;es: (a) instrumenta&ccedil;&atilde;o subjetiva que ocorre por meio da reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria e do projeto de vida, via constru&ccedil;&atilde;o de significados e pr&aacute;ticas, e (b) instrumenta&ccedil;&atilde;o objetiva, definida pelo desenvolvimento de estrat&eacute;gias operacionais para constru&ccedil;&atilde;o de projetos no mundo, bem como para inser&ccedil;&atilde;o sociolaboral por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o de seu repert&oacute;rio de compet&ecirc;ncias, pr&aacute;ticas e significados, que s&atilde;o transformados em instrumentos para planejar a a&ccedil;&atilde;o e agir sobre o mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Modelo de proposta de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira para pessoas vivendo com sofrimento mental</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primeiramente, deve-se delimitar o marco estrat&eacute;gico desse trabalho tentando responder a seis perguntas b&aacute;sicas que todo projeto de interven&ccedil;&atilde;o deve responder.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1) Para quem &eacute; destinada a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A orienta&ccedil;&atilde;o de carreira foi idealizada para auxiliar pessoas que tenham vivido uma experi&ecirc;ncia de crise psic&oacute;tica, tenham sido atendidos em equipamentos de sa&uacute;de mental, n&atilde;o estejam mais em crise e busquem retornar &agrave; vida social no sentido de retomarem a possibilidade de dialetizar nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, retirada com a crise psic&oacute;tica e com a rotula&ccedil;&atilde;o de "psic&oacute;tico" ou "louco" que lhes foi atribu&iacute;da social e cientificamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2) Quando deve ocorrer a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A orienta&ccedil;&atilde;o de carreira deve ocorrer ap&oacute;s o tratamento da pessoa em crise, ap&oacute;s ela j&aacute; ter conseguido elaborar sua experi&ecirc;ncia (resgate do ser), e antes dos programas de reabilita&ccedil;&atilde;o social (resgate do ser ao fazer em rela&ccedil;&atilde;o), nos quais a pessoa &eacute; auxiliada a voltar &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Esse momento &eacute; importante, pois uma volta prematura &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais pode desencadear novas crises que, quando ocorrem seguidamente, v&atilde;o diminuindo cada vez mais a possibilidade dessa volta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3) Onde a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira deve acontecer?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A orienta&ccedil;&atilde;o de carreira n&atilde;o deve estar vinculada diretamente a um espa&ccedil;o de sa&uacute;de mental, como hospitais, ambulat&oacute;rios e CAPS (Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial), pois esses espa&ccedil;os s&atilde;o caracterizados como destinados a pessoas com problemas de sa&uacute;de. Portanto, a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira deve ocorrer em espa&ccedil;os comunit&aacute;rios destinados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral que busca aux&iacute;lio para demandas relativas &agrave; carreira, como forma de marcar que o fato de ter tido uma crise psic&oacute;tica n&atilde;o o diferencia do restante da popula&ccedil;&atilde;o. Diante disso, a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira pode ter espa&ccedil;o em centros de orienta&ccedil;&atilde;o profissional de universidades, sindicatos, escolas e cl&iacute;nicas ou em espa&ccedil;os institucionalizados para tal atividade, como o CECCO (Centro de Conviv&ecirc;ncia e Cooperativas).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4) Para que a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira existe?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O principal objetivo da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira &eacute; resgatar e desenvolver o potencial de contratualidade social (Saraceno, 2001), entendida como a possibilidade de obrar e estabelecer trocas nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos de rela&ccedil;&atilde;o social, como o espa&ccedil;o do trabalho, ou seja, resgatar o potencial de dialetizar nas rela&ccedil;&otilde;es sociais atrav&eacute;s do resgate do processo de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, do projeto de vida e do plano de a&ccedil;&atilde;o no trabalho. Visa propiciar um espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio de desconstru&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o estigmatizante de "louco" que o sujeito tinha de si; avalia&ccedil;&atilde;o e percep&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o em que o projeto de vida se encontra; reconquista de um espa&ccedil;o para desenvolver seu potencial de contratualidade social; e resgate da identidade de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5) Como funciona a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O enquadre da proposta pressup&otilde;e: periodicidade semanal, 20 encontros individuais ou grupais de 60 a 90 minutos, sendo a modalidade grupal composta por grupos homog&ecirc;neos (destinados somente a pessoas vivendo com sofrimento mental) e fechados de cinco a dez pessoas (para facilitar o v&iacute;nculo grupal e a realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa), realizados em sistema de cocoordena&ccedil;&atilde;o para distribui&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos e acompanhamento mais pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; um sistema de triagem, no qual os interessados s&atilde;o convidados a participar de uma reuni&atilde;o inicial aberta em que lhes &eacute; apresentada a proposta e eles escolhem participar ou n&atilde;o da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira, que &eacute; baseada em uma regra geral e dois princ&iacute;pios. A regra geral &eacute; que precisam estar no momento do tratamento em que estejam mais estabilizados e demandem principalmente uma reinser&ccedil;&atilde;o social para refletir sobre o retorno ou ingresso no mundo do trabalho. Os dois princ&iacute;pios s&atilde;o a recomenda&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de mental que os atendem e o desejo pessoal de participar ou n&atilde;o de uma orienta&ccedil;&atilde;o de carreira. A prioridade &eacute; o atendimento grupal, mas, caso n&atilde;o haja pessoas suficientes para forma&ccedil;&atilde;o de um grupo, s&atilde;o realizados encontros individuais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrat&eacute;gia pressup&otilde;e encontros individuais ou oficinas grupais permanentes divididas em cinco fases, sendo que, a cada fase, dever&aacute; ser desenvolvido um projeto, inicialmente em parceria e, ao final, individual. O objetivo dos projetos &eacute; instrumentar objetiva e subjetivamente as pessoas para lidarem com as constantes crises a que estar&atilde;o submetidas em suas carreiras, se decidirem retom&aacute;-las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fases s&atilde;o as seguintes:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>a)	Forma&ccedil;&atilde;o da membrana grupal; aceita&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o de pessoas tendo como fator determinante a sua "doen&ccedil;a"; e fortalecimento do self pela reapropria&ccedil;&atilde;o gradativa sobre si por meio do relato da sua hist&oacute;ria de vida e pela oportunidade da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova possibilidade de ser (processo de reapropria&ccedil;&atilde;o da trajet&oacute;ria de vida e de reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria).</p>       <p>b)	Passagem do estado passivo para o ativo pela sustenta&ccedil;&atilde;o em um projeto com a inclus&atilde;o dos aspectos vitais e n&atilde;o doentes de cada um (processo de reconstru&ccedil;&atilde;o do projeto de vida).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>c)	Tentativa individualizada de constru&ccedil;&atilde;o de projetos, buscando a constru&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias operat&oacute;rias (processo de constru&ccedil;&atilde;o de um plano de a&ccedil;&atilde;o).</p>       <p>d)	Pesquisa de possibilidades concretas de a&ccedil;&atilde;o pela integra&ccedil;&atilde;o de todos os aspectos da pessoa inserida em um contexto sociocultural (processo de constru&ccedil;&atilde;o de um plano de a&ccedil;&atilde;o).</p>       <p>e)	Elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de vida inserido em um projeto social por meio da intermedia&ccedil;&atilde;o do trabalho, partindo da participa&ccedil;&atilde;o ativa pessoal e social (integra&ccedil;&atilde;o entre projeto de vida e plano de a&ccedil;&atilde;o).</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6)	Quais s&atilde;o os pressupostos t&eacute;cnicos da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda atividade &eacute; seguida de um momento de reflex&atilde;o sobre o que &eacute; realizado, ou seja, o modelo pressup&otilde;e a a&ccedil;&atilde;o (projetos) e uma reflex&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o. O foco &eacute; o desenvolvimento de estrat&eacute;gias (objetivas e subjetivas) para a reconstru&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do projeto de vida e do plano de a&ccedil;&atilde;o de trabalho, sendo que os projetos realizados durante o processo de orienta&ccedil;&atilde;o nunca deveriam se encerrar no grupo, mas antes alcan&ccedil;ar a realidade externa, para retornar com elementos que ajudem na efetiva&ccedil;&atilde;o da tarefa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fun&ccedil;&atilde;o do orientador de carreira</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O orientador n&atilde;o teria mais o lugar de seguran&ccedil;a daquele que sabe sobre as pessoas e o mundo do trabalho, principalmente em fun&ccedil;&atilde;o da heterogeneiza&ccedil;&atilde;o e complexifica&ccedil;&atilde;o das possibilidades de trabalhar no mundo contempor&acirc;neo. Portanto, deve sair da posi&ccedil;&atilde;o de orientador e assumir uma posi&ccedil;&atilde;o de intermedi&aacute;rio, implicando ser uma ponte para a constru&ccedil;&atilde;o da carreira do outro e n&atilde;o aquele que sabe sobre as possibilidades para a carreira do outro e indica caminhos e alternativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, deve assumir que o outro tamb&eacute;m sabe, por meio do movimento da hermen&ecirc;utica diat&oacute;pica proposto por Santos (2003), no qual o pressuposto &eacute; que o orientador tem o conhecimento t&eacute;cnico e o orientando tem o conhecimento do cotidiano. Assim, a constru&ccedil;&atilde;o da carreira &eacute; o resultado desse processo de rela&ccedil;&atilde;o e intermedia&ccedil;&atilde;o entre orientador e orientando, a fim de que possa auxili&aacute;-lo a construir uma narrativa de sua trajet&oacute;ria de vida com sentido para o outro (processo de coconstru&ccedil;&atilde;o como possibilidade atual para uma orienta&ccedil;&atilde;o de carreira). Com base no marco te&oacute;rico-t&eacute;cnico proposto, ser&aacute; apresentada e discutida a realiza&ccedil;&atilde;o de um grupo de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira como forma de ilustrar a proposta aqui explicitada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descri&ccedil;&atilde;o e An&aacute;lise De Um Grupo Realizado: A Orienta&ccedil;&atilde;o De Carreira Em A&ccedil;&atilde;o</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reuni&atilde;o inicial aberta</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro passo foi convidar os interessados a participar da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira por meio da apresenta&ccedil;&atilde;o de sua estrutura e de sua escolha em ingressar no trabalho proposto. Em geral, as pessoas buscavam a orienta&ccedil;&atilde;o motivadas pela expectativa de que fossem conseguir um emprego, mas se assustavam com a proposta de refletir acerca de seus projetos de vida no trabalho e da necessidade de uma participa&ccedil;&atilde;o ativa no processo, o que ocasionava, invariavelmente, uma rea&ccedil;&atilde;o inicial de entusiasmo (esperan&ccedil;a) seguida do medo de n&atilde;o conseguir (desesperan&ccedil;a): "Estou muito feliz, mas muito assustado. Ser&aacute; que vai dar certo?" (participante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A "cura para sua doen&ccedil;a" aparecia como condi&ccedil;&atilde;o para qualquer possibilidade de retomar sua vida de trabalho, pois o discurso da "loucura" como impossibilitador de qualquer a&ccedil;&atilde;o sobre o mundo era uma verdade, como aponta o relato de dois participantes: "&Eacute; poss&iacute;vel trabalhar com essa doen&ccedil;a que n&oacute;s temos?" ou "Sou esquizofr&ecirc;nico, e esquizofr&ecirc;nicos n&atilde;o podem trabalhar".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns desistiam, outros ficavam perplexos e alguns aceitavam correr o risco de experimentar algo diferente, pois tinham a percep&ccedil;&atilde;o de que o mundo estava mais aberto para eles: "Eu j&aacute; sei conviver com a minha doen&ccedil;a, conhe&ccedil;o essa hist&oacute;ria de cor, agora quero fazer algo diferente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fase 1</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tinha como objetivos o conhecimento rec&iacute;proco, a reafirma&ccedil;&atilde;o da proposta da orienta&ccedil;&atilde;o apresentada na reuni&atilde;o inicial e, principalmente, a forma&ccedil;&atilde;o da membrana grupal, caracterizando o espa&ccedil;o do grupo como um espa&ccedil;o artificial de contin&ecirc;ncia, de reapropria&ccedil;&atilde;o gradativa sobre si e de cria&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da proposta de transforma&ccedil;&atilde;o de uma realidade estruturada (como por exemplo, reestruturar uma propaganda j&aacute; realizada de um produto a partir de suas pr&oacute;prias ideias, experi&ecirc;ncias e compet&ecirc;ncias), que se constituiria no primeiro projeto a ser desenvolvido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Achei muito bom fazermos todos juntos. &Eacute; dif&iacute;cil ir sozinho.</i>"(participante)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Foi muito bom poder me lembrar de epis&oacute;dios de minha vida (...), pois isso serve para pensar no futuro (...). Isso &eacute;  algo que eu n&atilde;o consigo e n&atilde;o tenho vontade de fazer sozinho</i>." (participante)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada projeto contaria com li&ccedil;&otilde;es de casa (atividades a serem desenvolvidas no intervalo entre os grupos), atividades externas (como forma de estabelecer o v&iacute;nculo concreto com a realidade) e situa&ccedil;&otilde;es imprevistas (para possibilitar o desenvolvimento gradativo de estrat&eacute;gias para lidar com crises). Quanto mais situa&ccedil;&otilde;es de desafio fossem experimentadas, mais as estrat&eacute;gias objetivas e subjetivas para as crises eram refor&ccedil;adas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia inicial era que o grupo se constitu&iacute;sse em um espa&ccedil;o de potencializa&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias e experi&ecirc;ncias e de minimiza&ccedil;&atilde;o das defici&ecirc;ncias e dificuldades, pois isso impediria qualquer possibilidade de arriscar e tentar voltar a obrar no mundo. O espa&ccedil;o grupal sustentaria artificialmente o grupo e possibilitaria ser um espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio no qual todos pudessem experimentar e resgatar a capacidade criativa, pois pode exercer essa fun&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o transicional de que a pessoa que vive com sofrimento mental tanto necessita para (re)construir sua estrutura&ccedil;&atilde;o existencial por meio da ressignifica&ccedil;&atilde;o de sua hist&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fase 2</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cumprida a fase 1, na qual a consecu&ccedil;&atilde;o do projeto viabilizou o resgate da hist&oacute;ria de vida e das compet&ecirc;ncias dos(as) participantes(as), o que, em tese, refor&ccedil;ou seu <i>self</i>, a fase 2 tinha como objetivos a percep&ccedil;&atilde;o da "loucura" como uma parte da vida, e n&atilde;o como a vida toda; a consolida&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o grupal como espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio de experimenta&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de viver o desejo e o projeto pessoal sustentados pelo desejo do outro (no caso, do grupo), caracterizando uma tentativa de iniciar o processo de constru&ccedil;&atilde;o desse projeto pessoal no seio do projeto social. Para tais objetivos, o grupo iria escolher um projeto a ser realizado (geralmente a abertura de um pequeno neg&oacute;cio em todas as suas dimens&otilde;es) diante de v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es trazidas pelos orientadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escolha deveria levar em conta crit&eacute;rios realistas tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s possibilidades de cada participante, quanto ao mundo do trabalho, pois era necess&aacute;rio que fosse um projeto vi&aacute;vel. Como apontou um dos participantes: "Se &eacute; para inventar, melhor n&atilde;o colocar, sen&atilde;o o trabalho fica uma brincadeira." (participante)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A retomada da hist&oacute;ria de trabalho deveria aparecer agora, n&atilde;o como um exemplo a mais das impossibilidades de cada um, mas como um elemento concreto para produzir algo, o que poderia gerar uma ressignifica&ccedil;&atilde;o dessa hist&oacute;ria e um impulso para arriscar na carreira novamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa atividade gerou envolvimento, afastamento e desist&ecirc;ncia, pois, se alguns estavam come&ccedil;ando a desconstruir o discurso de "louco" que tinham sobre si pr&oacute;prios, nem todos conseguiam apostar em um caminho diferente para sua vida sem a marca determinante da "doen&ccedil;a". Nesse momento, inclusive, alguns participantes costumam come&ccedil;ar a arriscar no mundo externo pela busca de empregos ou pela volta aos estudos, comumente associados ao desenvolvimento da carreira. Esse movimento antecipava a fase 3.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fase 3</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este era um momento-chave, pois cada um deveria idealizar um projeto individualmente sem a ajuda direta dos outros participantes, o que invariavelmente levava a duas rea&ccedil;&otilde;es distintas: (a) uma rea&ccedil;&atilde;o de crescimento e desenvolvimento, consolidando a possibilidade de realizar projetos no mundo; ou (b) uma rea&ccedil;&atilde;o de regress&atilde;o ao estado no qual corroborava o discurso impossibilitante de vida ativa acerca do "louco", o que impedia a realiza&ccedil;&atilde;o de projetos e podia redundar em paralisia ou at&eacute; em crises.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse projeto refor&ccedil;ava a desconstru&ccedil;&atilde;o do conceito de "louco" que tinham sobre si e resgatava a esperan&ccedil;a de obrar no mundo. Tamb&eacute;m refor&ccedil;ava que esta tarefa passava por sucessos e insucessos, o que seria uma vicissitude da vida, n&atilde;o um fator limitante desta. Como indicou um dos participantes: "Quem nunca foi demitido? Faz parte do trabalho. Quem trabalha est&aacute; sujeito a ser demitido. S&oacute; quem nunca trabalhou, nunca foi ou ser&aacute; demitido".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra constata&ccedil;&atilde;o foi que, em um mundo em transforma&ccedil;&atilde;o constante, voc&ecirc; deve desenvolver estrat&eacute;gias para lidar com as crises que ter&aacute; na vida, e que isso tamb&eacute;m seria uma vicissitude da vida: "Tivemos de improvisar, n&atilde;o &eacute;? A vida &eacute; assim" (participante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Per&iacute;odo de f&eacute;rias</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como forma de criar um ambiente artificial de trabalho, foi proposto um per&iacute;odo de f&eacute;rias que tinha como objetivos: disponibilizar uma parada no processo e um tempo para pesquisar recursos para seu projeto de trabalho e demonstrar que as experi&ecirc;ncias e as constru&ccedil;&otilde;es permanecem, n&atilde;o morrem e podem sobreviver na aus&ecirc;ncia do grupo, se tornando parte constituinte da hist&oacute;ria de vida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fase 4</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo desta fase era investigar possibilidades concretas de viabilizar um projeto de trabalho atrav&eacute;s do entrecruzamento entre o que eu gosto (resgate dos interesses), o que eu quero (resgate do desejo) e o que existe para mim (pesquisa de possibilidades concretas de a&ccedil;&atilde;o em classificados de jornais, conversar com amigos, busca de cursos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Basicamente, este projeto possibilitou uma vis&atilde;o integrada e cont&iacute;nua da vida laboral, o que permitiria identificar potencialidades, mas tamb&eacute;m antecipar dificuldades e obst&aacute;culos, resgatando o processo dial&eacute;tico de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o da identidade e do projeto de vida, como relatou um dos participantes: "Estou pesquisando bastante e acho que vou voltar a estudar. H&aacute; uma escola t&eacute;cnica ao lado da minha casa que eu n&atilde;o conhecia. Fui l&aacute; ver quais cursos tinha e acho que vou estudar l&aacute;, &eacute; muito bom l&aacute;".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fases 4 e 5 cumpririam o papel de crescente diferencia&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o ps&iacute;quico e espa&ccedil;o grupal pelos participantes, permitindo que cada um assuma novamente e de forma gradativa a sua vida como pessoa, e n&atilde;o mais como membro do grupo somente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fase 5</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fase 5 buscou a finaliza&ccedil;&atilde;o da elabora&ccedil;&atilde;o do projeto de vida e do plano de a&ccedil;&atilde;o de trabalho de cada um, bem como a avalia&ccedil;&atilde;o do processo. Em geral, obteve-se como resultados que todos os participantes que conclu&iacute;am o processo conquistaram algo em suas vidas, seja no sentido de retomar seu projeto de trabalho (objetivo central da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira); ou de perceber a si mesmo e sua situa&ccedil;&atilde;o de vida em termos de possibilidades e impossibilidades; ou ainda de que, apesar das crises, as pessoas o viam como algu&eacute;m que poderia algo al&eacute;m de ser um "doente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que unia essas pessoas foi a desconstru&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de "louco" que tinham de si, que poderia resgatar a possibilidade de voltar a trabalhar na constru&ccedil;&atilde;o de si e do mundo, perdida com a crise psic&oacute;tica, atrav&eacute;s do resgate da sua identidade. &Eacute; importante lembrar que, sem suporte social, nada disso seria poss&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados e limita&ccedil;&otilde;es da proposta</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazendo uma breve s&iacute;ntese dos resultados alcan&ccedil;ados, pode-se dizer que 35% dos participantes cumpriram os objetivos propostos pela orienta&ccedil;&atilde;o de carreira ou aproveitaram o trabalho desenvolvido de alguma maneira.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>a)	Aproximadamente, 10% dos participantes conseguiu experimentar e fazer projetos de carreira concretizados em atividades de gera&ccedil;&atilde;o de renda e/ou conseguiu retornar &agrave; educa&ccedil;&atilde;o ou &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o;</p>       <p>b)	Houve uma apropria&ccedil;&atilde;o singular do processo por parte de 25% dos participantes que conseguiram experimentar e se desenvolveram, principalmente fazendo tentativas de sair do papel de "louco e incapaz" atrav&eacute;s do envolvimento em atividades cotidianas familiares, como ir ao banco, ajudar na limpeza da casa e fazer compras, ou ent&atilde;o n&atilde;o conseguiram experimentar e tiveram clareza dos motivos, ou seja, compreenderam os motivos que os impediam no momento de construir um projeto de carreira, mas apostavam que poderiam faz&ecirc;-lo em um futuro pr&oacute;ximo.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do outro lado, o restante dos participantes (65%) teve dificuldades nesse processo, o que fez com que alguns n&atilde;o conseguissem experimentar e:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>a)	Optassem em permanecer acomodados na posi&ccedil;&atilde;o de assistidos sociais em fun&ccedil;&atilde;o de sua "loucura" (25%);</p>       <p>b)	N&atilde;o conseguissem experimentar e n&atilde;o tivessem clareza dos motivos, pois tentavam fazer projetos, mas n&atilde;o compreendiam porque n&atilde;o conseguiam concretiz&aacute;-los (16%);</p>       <p>c)	Desistissem, pois estavam em crise e n&atilde;o conseguiam pensar em projetos futuros, ou entraram em crise em fun&ccedil;&atilde;o das demandas da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira (10%); faziam parte de uma din&acirc;mica familiar que os impedia de se desenvolver (4%); ou estavam acomodados na aposentadoria por invalidez (10%).</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em geral, as desist&ecirc;ncias ocorrem por diversas causas e t&ecirc;m base nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es da vulnerabilidade psicossocial anteriormente indicadas, a saber: quest&otilde;es org&acirc;nicas e ps&iacute;quicas geradas pelo sofrimento mental (vulnerabilidade pessoal), quest&otilde;es sociais geradas principalmente pela estigmatiza&ccedil;&atilde;o e pouca abertura de espa&ccedil;os no mundo do trabalho para pessoas vivendo com sofrimento mental (vulnerabilidade social) e aus&ecirc;ncia de pol&iacute;tica p&uacute;blicas espec&iacute;ficas (vulnerabilidade program&aacute;tica).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da potencialidade da proposta de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira descrita, ela apresenta uma s&eacute;rie de limita&ccedil;&otilde;es e dificuldades, das quais se pode citar:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>a)	A proposta &eacute; destinada somente a um grupo limitado de pessoas vivendo com sofrimento mental, n&atilde;o todas que est&atilde;o nessa condi&ccedil;&atilde;o (vulnerabilidade pessoal).</p>       <p>b)	A efic&aacute;cia da proposta depende diretamente de recursos externos, como apoio familiar, contin&ecirc;ncia comunit&aacute;ria e abertura do mundo do trabalho para acolher pessoas vivendo com sofrimento mental (vulnerabilidade social).</p>       <p>c)	Uma parte consider&aacute;vel das pessoas desiste, pois elas ainda n&atilde;o est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de retomar suas carreiras em fun&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade psicossocial a que est&atilde;o submetidas.</p>       <p>d)	A orienta&ccedil;&atilde;o de carreira s&oacute; poder&aacute; ter algum sucesso se vinculada &agrave;s comunidades e institui&ccedil;&otilde;es.</p>       <p>e)	O estigma com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a mental ainda &eacute; forte e n&atilde;o h&aacute; quase iniciativas de prote&ccedil;&atilde;o por parte do poder p&uacute;blico, como propostas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa (Salis, 2011), o que aponta para as dimens&otilde;es sociais e program&aacute;ticas da vulnerabilidade.</p>       <p>f)	Movimentos de estagna&ccedil;&atilde;o e de paralisia s&atilde;o recorrentes durante todo processo de orienta&ccedil;&atilde;o (vulnerabilidade pessoal).</p> </blockquote> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A proposta de uma orienta&ccedil;&atilde;o de carreira para pessoas vivendo com sofrimento mental de base psicossocial amplia a possibilidade de aux&iacute;lio a esse grupo de pessoas, principalmente os jovens, pois, sem negar a exist&ecirc;ncia de fatores ps&iacute;quicos, org&acirc;nicos e sociais limitantes, prop&otilde;e consider&aacute;-los, sem torn&aacute;-los impossibilitadores das atividades sociais reconhecidas, como &eacute; o caso do trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reconhece-se que viver com sofrimento mental &eacute; estar exposto a v&iacute;nculos geradores de vulnerabilidades nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es apontadas (pessoal, social e program&aacute;tica), mas que tamb&eacute;m h&aacute; dois tipos principais de posi&ccedil;&otilde;es com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de projetos de carreira:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>a)	A posi&ccedil;&atilde;o que a menor parte ocupa de conseguir, mesmo que parcialmente, construir projetos de carreira, os quais podem ser potencializados pela orienta&ccedil;&atilde;o de carreira ao promover a possibilidade de falar de si e de seus projetos, ao retomar sua hist&oacute;ria profissional de uma forma mais consciente e cr&iacute;tica e percebendo que n&atilde;o era o &uacute;nico respons&aacute;vel pelo fracasso ou sucesso de sua vida, ao ter maior consci&ecirc;ncia das perdas geradas por sua situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento mental, ao visualizar obst&aacute;culos e possibilidades para o seu futuro projeto, e ao acreditar que h&aacute; vida apesar do sofrimento mental, contribuiu significativamente para a desconstru&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de "louco" que tinham de si mesmos.</p>       <p>b)	A clara dificuldade da maioria diante da necessidade de agir sobre o mundo de forma est&aacute;vel, impedindo, total ou parcialmente, a constru&ccedil;&atilde;o de projetos de carreira, muitas vezes clarificada ao longo da orienta&ccedil;&atilde;o de carreira.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar das limita&ccedil;&otilde;es e dificuldades da proposta de orienta&ccedil;&atilde;o de carreira apresentada, ela pode abrir uma nova possibilidade de interven&ccedil;&atilde;o no campo da Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional e de Carreira, que amplia seu espectro e suas estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o por conta das novas demandas de um mundo em transi&ccedil;&atilde;o, como complementar &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es realizadas no campo da Sa&uacute;de Mental, resgatando a esperan&ccedil;a de cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os diferenciados para a pessoa vivendo com sofrimento mental, tendo o projeto de vida no trabalho como foco. Mas &eacute; importante ressaltar que sem a abertura de espa&ccedil;os de experimenta&ccedil;&atilde;o no seio do projeto social, a orienta&ccedil;&atilde;o de carreira seria apenas mais um esfor&ccedil;o subjetivo (psicol&oacute;gico) de alcance reduzido e limitado, ou seja, o projeto e o plano de a&ccedil;&atilde;o de trabalho s&atilde;o sempre psicossociais e a vulnerabilidade n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o somente pessoal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfatizamos como mais importante a abertura de espa&ccedil;os comunit&aacute;rios, que, na condi&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os intermedi&aacute;rios, permitem a troca dial&eacute;tica entre o social (objetivo) e o individual (subjetivo).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Andrade, C. C. (2008). Juventude e trabalho: alguns aspectos do cen&aacute;rio brasileiro contempor&acirc;neo. <i>IPEA: Mercado de Trabalho, 37</i>,25-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129470&pid=S1984-6657201400040000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">B&aacute;rbaro, A. M., Robazzi, M. L. C. C., Pedr&atilde;o, L. J., Cyrillo, R. M. Z., &amp; Suazo, S. V. V. (2009). Transtornos mentais relacionados ao trabalho: revis&atilde;o de literatura. <i>Revista Eletr&ocirc;nica de Sa&uacute;de Mental, &Aacute;lcool e Drogas, 5</i>(2),1-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129472&pid=S1984-6657201400040000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bock, S. D. (2010). <i>Orienta&ccedil;&atilde;o profissional para classes pobres</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129474&pid=S1984-6657201400040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Borsoi, I. C. B. (2007). Da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e sa&uacute;de &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e sa&uacute;de mental. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 19</i>(spe),103-111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129476&pid=S1984-6657201400040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Castel, R. (2009). <i>La mont&eacute;e des incertitudes</i>. Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129478&pid=S1984-6657201400040000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Coimbra, C. C., Bocco, F., &amp; Nascimento, M. L. (2005). Subvertendo o conceito de adolesc&ecirc;ncia. <i>Arquivos Brasileiros de  Psicologia, 57</i>(1),2-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129480&pid=S1984-6657201400040000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Duarte, M. E. (2011). Desaprender para ensinar os princ&iacute;pios (ou um outro modo de enfrentar a orienta&ccedil;&atilde;o). <i>Revista Brasileira de  Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 12</i>(2),143-151.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129482&pid=S1984-6657201400040000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eklund, M. (2008). Work status, daily activities and quality of life among people with severe mental illness. <i>Quality of Life  Research, 18</i>,163-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129484&pid=S1984-6657201400040000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Farina, A. S., &amp; Neves, T. F. S. (2007). Formas de lidar com o desemprego: possibilidades e limites de um projeto de atua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Social do Trabalho. <i>Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 10</i>(1),21-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129486&pid=S1984-6657201400040000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frayze-Pereira, J. A. (1982). <i>O que &eacute; loucura</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129488&pid=S1984-6657201400040000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frosh, S. (2012). Psychosocial theory. In T. Teo (Ed.), <i>Encyclopedia of critical psychology </i>(pp. 144-149). New York: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129490&pid=S1984-6657201400040000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">G&oacute;mez, I. C. (2007). Salud laboral: una revisi&oacute;n a la luz de las nuevas condiciones del trabajo. <i>Universitas Psychologica, 6</i>(1),105-113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129492&pid=S1984-6657201400040000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gove, W. R. (2004). The career of the mentally ill. <i>Journal of Health and Social Behaviour, 45</i>,357-375.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129494&pid=S1984-6657201400040000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guichard, J. (2012). Quais os desafios para o aconselhamento em orienta&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio do s&eacute;culo 21? <i>Revista Brasileira de  Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 13</i>(2),139-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129496&pid=S1984-6657201400040000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hall, D. T. (1996). <i>The career is dead - Long live the career</i>. San Francisco: Jossey-Bass.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129498&pid=S1984-6657201400040000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ivatiuk, A. L., &amp; Yoshida, E. M. P. (2010). Orienta&ccedil;&atilde;o profissional de pessoas com defici&ecirc;ncias: revis&atilde;o de literatura (2000-2009).<i> Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 11</i>(1),95-106.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129500&pid=S1984-6657201400040000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melo-Silva, L. L.; Bonfim, T. A., Esbrogeo, M. C., &amp; Soares, D. H. P. (2003). Um estudo preliminar sobre pr&aacute;ticas em orienta&ccedil;&atilde;o profissional.<i> Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 4</i>(1-2),21-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129502&pid=S1984-6657201400040000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melo-Silva, L. L., Leal, M. S., &amp; Fracalozzi, N. M. N. (2010). Produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em congressos brasileiros de orienta&ccedil;&atilde;o vocacional e profissional: per&iacute;odo 1999-2009.<i> Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 11</i>(1),107-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129504&pid=S1984-6657201400040000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Metz, A. J., &amp; Guichard, J. (2009). Vocational Psychology and new challenges<i>. The Career Development Quarterly, 57</i>,310-318.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129506&pid=S1984-6657201400040000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nic&aacute;cio, F., Mangia, E. F., &amp; Ghirardi, M. I. G. (2005).  Projetos de inclus&atilde;o no trabalho e emancipa&ccedil;&atilde;o de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de desvantagem. <i>Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de S&atilde;o Paulo, 162</i>,62-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129508&pid=S1984-6657201400040000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Noronha, A. P. P., &amp; Ambiel, R. (2006). Orienta&ccedil;&atilde;o profissional e vocacional: an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. <i>Psico-USF,11(1),</i>75-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129510&pid=S1984-6657201400040000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (2009). <i>Trabalho decente e juventude no Brasil</i>. Bras&iacute;lia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/files/topic/youth_employment/pub/trabalho_decente_juventude_brasil_252.pdf" target="_blank">http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/files/topic/youth_employment/pub/trabalho_decente_juventude_brasil_252.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129512&pid=S1984-6657201400040000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paiva, V., Ayres, J. R., &amp; Buchalla, C. M. (2012). <i>Vulnerabilidade e direitos humanos I</i>. Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129514&pid=S1984-6657201400040000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ribeiro, M. A. (2004). <i>Orienta&ccedil;&atilde;o profissional para "pessoas psic&oacute;ticas"</i>. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129516&pid=S1984-6657201400040000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ribeiro, M. A. (2011). O enfoque socioconstrucionista em Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional - uma proposta. In M. A. Ribeiro, &amp; L. L. Melo-Silva (Orgs.). <i>Comp&ecirc;ndio de orienta&ccedil;&atilde;o profissional e de carreira </i>(Vol. 2, pp. 53-79). S&atilde;o Paulo: Vetor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129518&pid=S1984-6657201400040000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ribeiro, M. A. (2014). <i>Carreiras: novo olhar socioconstrucionista para um mundo flexibilizado</i>. Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129520&pid=S1984-6657201400040000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Salis, A. C. A. (2011). Ger&ecirc;ncia de trabalho. <i>Sa&uacute;de em Debate, 35</i>(89),207-216.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129522&pid=S1984-6657201400040000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Salles, M. M., &amp; Barros, S. (2009). Vida cotidiana ap&oacute;s adoecimento mental. <i>Acta Paulista de Enfermagem, 22</i>(1),11-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129524&pid=S1984-6657201400040000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Santos, B. S. (2003). (Org.). <i>Reconhecer para libertar</i>.Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129526&pid=S1984-6657201400040000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Saraceno, B. (2001). Reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial. In A. M. F. Pitta (Org.), <i>Reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial no Brasil</i> (2a ed., pp. 13-18). S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129528&pid=S1984-6657201400040000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Savickas, M. L., Nota, L., Rossier, J., Dauwalder, J. P., Duarte, M. E., Guichard, J. et al. (2009). Life designing: A paradigm for career construction in the 21st century. <i>Journal of Vocational Behavior,  75</i>,239-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129530&pid=S1984-6657201400040000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Shotter, J. (1993). <i>Conversational realities</i>. London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129532&pid=S1984-6657201400040000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Silva, L. B. C. (2005). Tr&ecirc;s quest&otilde;es sobre as psicoses. <i>Mental, 2</i>(4),113-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129534&pid=S1984-6657201400040000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Teixeira, M. A. P., Silva, B. M. B., &amp; Bardagi, M. P. (2007). Produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em orienta&ccedil;&atilde;o profissional.<i> Revista Brasileira de  Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 8</i>(2),25-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129536&pid=S1984-6657201400040000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Touraine, A. (2006). <i>Novo paradigma para compreender o mundo</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129538&pid=S1984-6657201400040000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Valore, L. A. (2010). Orienta&ccedil;&atilde;o profissional no contexto psiqui&aacute;trico.<i> Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 11</i>(1),121-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129540&pid=S1984-6657201400040000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Varjal, A. C., Medeiros, A., &amp; Oliveira, G. (2000). Oficina para o trabalho: orienta&ccedil;&atilde;o vocacional com psic&oacute;ticos numa vis&atilde;o existencial fenomenol&oacute;gica. In I. D. Oliveira (Org.). <i>Construindo caminhos: experi&ecirc;ncias e t&eacute;cnicas em orienta&ccedil;&atilde;o  profissional </i>(pp. 190-204). Recife: UFPE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129542&pid=S1984-6657201400040000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Wickert, L. F. (2006). Desemprego e juventude. <i>Psicologia Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, 26</i>(2),258-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129544&pid=S1984-6657201400040000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zambroni-de-Souza, P. C. (2006). Trabalho, organiza&ccedil;&atilde;o e pessoas com transtornos mentais. <i>Cadernos de Psicologia Social do  Trabalho</i>, 9(1),91-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4129546&pid=S1984-6657201400040000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#enda"><img src="/img/revistas/rpot/v14n4/seta.jpg" border="0"></a> <b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Marcelo Afonso Ribeiro    <br>   Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (Brasil)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Av. Prof. Mello Moraes, 1721    <br>   S&atilde;o Paulo-SP - CEP 05508-030    <br>   Telefones: 55-11-30914184 / 55-11-30914188 / 55-11-30914174 / 55-11-30911968    <br>   E-mail: <a href="mailto:marcelopsi@usp.br">marcelopsi@usp.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 30.09.2013    <br>   Primeira decis&atilde;o editorial em: 19.11.2014    <br>   Vers&atilde;o final em: 30.11.2014    <br>   Aceito em: 02.12.2014</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a><a href="#1a">1</a> O fen&ocirc;meno da "loucura" foi colocado entre par&ecirc;nteses para destacar que &eacute; uma categoria de significa&ccedil;&atilde;o e nomea&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em mudan&ccedil;a, e muda porque o mundo, como um todo, tem vivido momentos de transi&ccedil;&atilde;o, no qual modelos consolidados seguem atuando, mas n&atilde;o mais hegemonicamente, e novos modelos surgem para conviver com os j&aacute; estabelecidos.    <br>   <a name="2b"></a><a href="#2a">2</a> A ideia de utilizar a express&atilde;o <i>vivendo com</i> &eacute; inspirada na proposta de Paiva, Ayres e Buchalla (2012) como estrat&eacute;gia &eacute;tico-pol&iacute;tica de enfrentamento da redu&ccedil;&atilde;o da pessoa a uma situa&ccedil;&atilde;o vivencial presente e sua consequente rotula&ccedil;&atilde;o a partir dessa situa&ccedil;&atilde;o, potencialmente geradora de estigmas sociais acarretando a gera&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade psicossocial em fun&ccedil;&atilde;o desse processo. Por exemplo, quando se reduz uma pessoa vivendo com sofrimento mental &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de "louca", ela fica submetida ao estigma social associado a esta condi&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="3b"></a><a href="#3a">3</a> Optou-se por utilizar o termo orienta&ccedil;&atilde;o de carreira ao inv&eacute;s de orienta&ccedil;&atilde;o profissional, que representa melhor a tradi&ccedil;&atilde;o brasileira. Esta escolha se justifica porque, no campo da orienta&ccedil;&atilde;o mundial, o termo mais utilizado &eacute; <i>career counseling</i>, e o di&aacute;logo internacional se faz importante. Entretanto, considera-se que, de acordo com a hist&oacute;ria do aconselhamento e da orienta&ccedil;&atilde;o no Brasil, a melhor tradu&ccedil;&atilde;o para <i>counseling</i> seja orienta&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o aconselhamento, por isso a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo orienta&ccedil;&atilde;o de carreira.</font></p>      ]]></body>
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