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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recursos artístico-expressivos na terapia familiar: um estudo teórico-clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to discuss the use of artistic and expressive resources in family therapy. It is organized as a theoretical-clinical study, based on qualitative methodology. Thus begins with a presentation of the theoretical aspects underlying this type of intervention with the public involved. Then, it presents a clinical illustration of a family accompanied in a psychological university service, whose treatment was mediated by artistic and expressive resources. Terminates, pointing to the potential of art therapy in family interventions, it being understood that it promotes not only the communication of the participants but also the elaboration of issues concerning the family group.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Recursos art&iacute;stico-expressivos na terapia familiar: um estudo te&oacute;rico-cl&iacute;nico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Artistic and expressive features in family therapy: a theoretical and clinical study</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ricardo da Silva Franco; Marisa C&aacute;ssia Subtil de Almeida; Ma&iacute;ra Bonaf&eacute; Sei</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Estadual de londrina</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Objetiva-se com este artigo discutir o emprego de recursos art&iacute;stico-expressivos na terapia familiar. Organiza-se como um estudo te&oacute;rico-cl&iacute;nico, pautado na metodologia qualitativa. Dessa forma, inicia-se com uma apresenta&ccedil;&atilde;o dos aspectos te&oacute;ricos que fundamentam esse tipo de interven&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico em quest&atilde;o. Posteriormente, apresenta-se uma ilustra&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica de uma fam&iacute;lia acompanhada em um servi&ccedil;o-escola de Psicologia, cujo atendimento foi mediado pelos recursos art&iacute;stico-expressivos. Finaliza-se apontando para o potencial da arteterapia em interven&ccedil;&otilde;es familiares, compreendendo-se que esta favorece n&atilde;o apenas a comunica&ccedil;&atilde;o dos participantes como tamb&eacute;m a elabora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es concernentes ao grupo familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Terapia familiar; Arteterapia; Servi&ccedil;o-escola de Psicologia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> This article aims to discuss the use of artistic and expressive resources in family therapy. It is organized as a theoretical-clinical study, based on qualitative methodology. Thus begins with a presentation of the theoretical aspects underlying this type of intervention with the public involved. Then, it presents a clinical illustration of a family accompanied in a psychological university service, whose treatment was mediated by artistic and expressive resources. Terminates, pointing to the potential of art therapy in family interventions, it being understood that it promotes not only the communication of the participants but also the elaboration of issues concerning the family group.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key-words:</b> Family therapy; art therapy; psychological university clinic.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Terapia familiar: aspectos gerais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conceito de fam&iacute;lia configura-se como um tema controverso no contexto atual, marcado por mudan&ccedil;as. Dentre as transforma&ccedil;&otilde;es vivenciadas, pode-se mencionar a ampla possibilidade de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, por meio da qual mulheres cada vez mais velhas passam a se tornar m&atilde;es, o n&uacute;mero crescente de fam&iacute;lias reconstitu&iacute;das e a legaliza&ccedil;&atilde;o do casamento homoafetivo, com a constitui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia por parte desses casais (RODRIGUEZ; GOMES, 2012). A despeito dessas mudan&ccedil;as, entende-se ser poss&iacute;vel afirmar a presen&ccedil;a, na fam&iacute;lia, de la&ccedil;os de alian&ccedil;a, filia&ccedil;&atilde;o e fraternidade, cujas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o influenciadas pelo fen&ocirc;meno da transmiss&atilde;o ps&iacute;quica geracional (CORREA, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fen&ocirc;meno da transmiss&atilde;o ps&iacute;quica geracional &eacute; entendido como o processo de transmitir conte&uacute;dos ps&iacute;quicos de uma gera&ccedil;&atilde;o &agrave; outra, por vezes de forma consciente e pass&iacute;vel de elabora&ccedil;&atilde;o, quando &eacute; intitulada como transmiss&atilde;o intergeracional. Outras vezes ocorre por uma via inconsciente, usualmente quando se trata de conte&uacute;dos traum&aacute;ticos, transmitidos de forma bruta, sem elabora&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o pela qual &eacute; denominada como transmiss&atilde;o transgeracional (SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que se relaciona &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do casal, percebe-se que esta se pauta, frequentemente, por expectativas fantasiosas de que um possa suprir as necessidades do outro. Os parceiros apresentam seus melhores aspectos, escondendo os defeitos, com generaliza&ccedil;&otilde;es e proje&ccedil;&otilde;es acerca do futuro. As diferen&ccedil;as tendem a ser ignoradas e "o enamoramento &eacute; vivido como um encontro m&aacute;gico &#91;...&#93; e, no entanto, cada uni&atilde;o est&aacute; baseada em necessidades m&uacute;tuas que t&ecirc;m exig&ecirc;ncias a serem satisfeitas" (RAMOS, 2006, p.10). Busca-se uma diminui&ccedil;&atilde;o do sentimento de desamparo, com o desejo de que o outro possa ofertar condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento pessoal, incluindo a atividade afetiva e social. Contudo, as diferen&ccedil;as de expectativas, quando n&atilde;o pensadas e elaboradas, podem causar conflitos no relacionamento, frequentemente intensificados com a vinda de filhos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Dias (2006), o que influencia a escolha do parceiro, assim como o que mant&eacute;m um casamento, est&aacute; relacionado a motiva&ccedil;&otilde;es inconscientes. Assim, o casamento tanto pode assumir car&aacute;ter criativo de "uma tentativa &#91;...&#93; de lidar com o passado e continuar a desenvolver-se no sentido do crescimento", quanto de destrutividade, "porque o casamento implica na repeti&ccedil;&atilde;o de conflitos vivenciados com os pr&oacute;prios pais (ou outras pessoas significativas), que s&atilde;o revividos na nova composi&ccedil;&atilde;o do casal" (p. 34-35).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A chegada dos filhos acrescenta quest&otilde;es ao relacionamento familiar, e tal panorama demonstra a complexidade presente no contexto da terapia familiar. O lugar ocupado pelo filho pode ser bem diferente (RAMOS, 2006) e, por vezes, ele encontra dificuldades para uma viv&ecirc;ncia mais livre, sendo-lhe designada a fun&ccedil;&atilde;o de porta voz das dificuldades vividas por todos os familiares. Em casos como esses, a indica&ccedil;&atilde;o da terapia familiar faz-se pertinente, de maneira a se trabalhar a fam&iacute;lia como um todo. Em outras situa&ccedil;&otilde;es, mais do que um trabalho individual, nota-se ser interessante uma interven&ccedil;&atilde;o com o casal (GOMES; LEVY, 2010). Compreende-se que o terapeuta deve estar sens&iacute;vel a esses aspectos e ser capaz de contemplar a din&acirc;mica familiar, para a amplia&ccedil;&atilde;o de seu olhar sobre os encaminhamentos poss&iacute;veis em cada situa&ccedil;&atilde;o, visto que raramente o casal ou fam&iacute;lia v&ecirc;m &agrave; cl&iacute;nica com uma demanda para a terapia familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observa-se que a terapia familiar se apresenta como um tipo de interven&ccedil;&atilde;o complexo, haja vista a presen&ccedil;a de indiv&iacute;duos de variadas idades na sess&atilde;o (MANICOM; BORONSKA, 2003), se configurando como um grupo cuja forma&ccedil;&atilde;o transcende o <i>setting</i> terap&ecirc;utico (KWIATKOWSKA, 2001), com uma din&acirc;mica pr&oacute;pria de comunica&ccedil;&atilde;o (LEVISKY, 2003). Diante desse panorama, acredita-se que h&aacute; benef&iacute;cios na utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos art&iacute;stico-expressivos no contexto terap&ecirc;utico (SEI, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensa-se que os recursos art&iacute;stico-expressivos podem colaborar para melhor investigar a composi&ccedil;&atilde;o familiar, as hist&oacute;rias e segredos partilhados, os pap&eacute;is assumidos por cada membro, assim como o material inconsciente que subjaz &agrave; din&acirc;mica da fam&iacute;lia, promovendo a reestrutura&ccedil;&atilde;o ou o equil&iacute;brio dos v&iacute;nculos. Tais recursos ainda podem ser empregados no contexto da avalia&ccedil;&atilde;o da demanda familiar, nas entrevistas preliminares (MACHADO; F&Eacute;RES-CARNEIRO; MAGALH&Atilde;ES, 2011), ou durante o processo terap&ecirc;utico, com o objetivo de favorecer a comunica&ccedil;&atilde;o no <i>setting </i>terap&ecirc;utico (SEI, 2009) e promover a elabora&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos concernentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas e &agrave;s quest&otilde;es trazidas pelos familiares (ZANETTI, 2013).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A arteterapia como estrat&eacute;gia no atendimento a fam&iacute;lias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A arteterapia se apresenta como uma estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o que prima pelo uso de recursos art&iacute;stico-expressivos no atendimento, podendo se pautar em variados referenciais te&oacute;ricos, como psicologia anal&iacute;tica (OLIVEIRA, 2014), gestalt-terapia (SILVA; CARVALHO; LIMA, 2013) e psican&aacute;lise (SEI, 2011). O foco dado &agrave;s sess&otilde;es tamb&eacute;m pode centrar-se mais no desenvolvimento da criatividade, do potencial expressivo, proposta intitulada como "Arte como terapia" e, por outro lado, pode-se buscar empreender um processo psicoterap&ecirc;utico mediado pelos recursos art&iacute;stico-expressivos, pr&aacute;tica nomeada como "Artepsicoterapia" (ANDRADE, 2000). Com isso, a arteterapia pode se configurar como um instrumento para a atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo (REIS, 2014), tal como a interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica focalizada neste artigo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; arteterapia com fam&iacute;lias, compreende-se que ela facilita as sess&otilde;es familiares e o entendimento da problem&aacute;tica de cada fam&iacute;lia atendida. Pensa-se que os recursos art&iacute;stico-expressivos contribuem para que conte&uacute;dos n&atilde;o ditos e de dif&iacute;cil aceita&ccedil;&atilde;o possam ser trazidos &agrave; consci&ecirc;ncia, burlando a censura usualmente presente no discurso verbal (NAUMBURG, 1991). Tem-se, com a arteterapia, uma ponte entre o mundo consciente e o inconsciente do indiv&iacute;duo, que favorece um olhar para dentro de si pr&oacute;prio (WINNICOTT, 1949/1994).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de uma via de express&atilde;o que valoriza desde os rabiscos da crian&ccedil;a pequena at&eacute; produ&ccedil;&otilde;es mais elaboradas. Al&eacute;m disso, os desenhos, pinturas e demais express&otilde;es configuram-se como algo concreto que pode ser posteriormente analisado e revisto tanto pelo terapeuta quanto pelos pr&oacute;prios participantes da sess&atilde;o, algo que  diferencia a arteterapia das terapias pautadas estritamente na linguagem verbal (LIEBMANN, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concorda-se com Pa&iuml;n (2009, p.12), que descreve que:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; na arteterapia, a arte &eacute; concebida como uma met&aacute;fora, ou melhor, algo que se assemelha &agrave; arte, indicada por sua dupla condi&ccedil;&atilde;o: por um lado, aquele que frequenta o ateli&ecirc; n&atilde;o se compromete com um aprendizado sistem&aacute;tico das regras do of&iacute;cio, nem com a cria&ccedil;&atilde;o de ideias pl&aacute;sticas cuja coer&ecirc;ncia est&eacute;tica seja completa e socialmente reconhecida; por outro lado, a arteterapia demanda da arte um servi&ccedil;o &uacute;til. Este servi&ccedil;o terap&ecirc;utico constitui a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o de arte, projetando simultaneamente sobre o paciente a tens&atilde;o contradit&oacute;ria inerente &agrave; possibilidade de cura.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; aplicabilidade dessa t&eacute;cnica no contexto familiar, Riley (1998) aponta que o produto da arte "&eacute; a janela para o mundo do cliente e a fonte que informa o terapeuta sobre o significado da hist&oacute;ria do casal" (p.134) e igualmente da fam&iacute;lia. Possibilita, ademais, que a fam&iacute;lia se torne consciente de sua din&acirc;mica de funcionamento, que pode estar sendo contraproducente, no sentido de resultar em tentativas mal sucedidas de resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos familiares. A arteterapia poderia ser, com isso, uma maneira diferente que resolver os problemas enfrentados pela fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Riley (1998), as atividades expressivas presentes na terapia familiar colaboram para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, pois est&atilde;o baseadas "no processo criativo, tanto na execu&ccedil;&atilde;o das express&otilde;es art&iacute;sticas como no convite para ser inovador ao solucionar problemas" (p.134). Encoraja-se a sa&iacute;da de um enquadramento r&iacute;gido para outro mais flex&iacute;vel - e com perspectivas de solu&ccedil;&atilde;o -, com a cria&ccedil;&atilde;o de novas possibilidades. Mesmo quando n&atilde;o h&aacute; uma extensa elabora&ccedil;&atilde;o verbal dos receios, fantasias, problemas vivenciados, tem-se uma visualiza&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es e, &agrave;s vezes, de solu&ccedil;&otilde;es expostas nas produ&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota-se, portanto, que a arteterapia pode ter a fun&ccedil;&atilde;o de retrabalhar emo&ccedil;&otilde;es e eventos do passado dos membros de uma fam&iacute;lia, frequentemente inconscientes, que podem estar na g&ecirc;nese das dificuldades vivenciadas por eles, al&eacute;m das problem&aacute;ticas conscientes e pass&iacute;veis de apresenta&ccedil;&atilde;o pela via verbal (SEI; ZANETTI, 2016). Esses conte&uacute;dos podem ser trazidos para o concreto por meio de recortes ou colagens que os representem e/ou desenhos que os simbolizem, ilustrando as crises e os sucessos e, por vezes, colaborando para a melhora na comunica&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o do outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao explorar esse potencial da arteterapia no campo da terapia familiar, almeja-se ilustrar e discutir a inclus&atilde;o, por meio de uma ilustra&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, dos recursos art&iacute;stico-expressivos em atendimentos psicol&oacute;gicos a fam&iacute;lias, focalizando o papel de comunica&ccedil;&atilde;o advindo das produ&ccedil;&otilde;es. A terapia familiar foi realizada em um servi&ccedil;o-escola de Psicologia de uma universidade p&uacute;blica por meio de um projeto de extens&atilde;o. Prop&otilde;e-se, agora, uma articula&ccedil;&atilde;o entre teoria e cl&iacute;nica, de maneira a possibilitar uma amplia&ccedil;&atilde;o acerca do conhecimento desse campo, favorecendo o desenvolvimento de novas t&eacute;cnicas de interven&ccedil;&atilde;o e a sua apropria&ccedil;&atilde;o por parte de pesquisadores e profissionais da &aacute;rea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de um estudo te&oacute;rico-cl&iacute;nico no campo da terapia familiar (ZUANAZZI, SEI, 2014), em que o m&eacute;todo qualitativo se mostra apropriado, haja vista que, al&eacute;m de se perceberem as regularidades presentes no estudo de pequenas amostras, tem-se um maior interesse e preocupa&ccedil;&atilde;o com as singularidades nas an&aacute;lises de cada grupo familiar em especial (WENDT; CREPALDI, 2007). N&atilde;o se privilegia o estudar das sequ&ecirc;ncias espec&iacute;ficas dos comportamentos interpessoais, de modo classificat&oacute;rio (TURATO, 2005), entendendo-se que</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; as a&ccedil;&otilde;es de cada pessoa s&atilde;o visualizadas em uma sequ&ecirc;ncia interativa que depende das a&ccedil;&otilde;es dos demais parceiros de intera&ccedil;&atilde;o, ou seja, inclui aspectos complexos de interdepend&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es familiares, sejam eles emocionais, relacionais, e comunicacionais. (WENDT; CREPALDI, 2007, p.303)</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Procedimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a concretiza&ccedil;&atilde;o deste estudo, foram acessados e analisados, &agrave; luz do referencial psicanal&iacute;tico, os relatos de sess&otilde;es e as produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;stico-expressivas advindas dos atendimentos familiares realizados em um servi&ccedil;o-escola de Psicologia. As propostas expressivas estavam embasadas no referencial da arteterapia psicanal&iacute;tica (NAUMBURG, 1991; SEI, 2011), com a compreens&atilde;o da din&acirc;mica familiar pautada em autores da psican&aacute;lise de casal e fam&iacute;lia (GOMES; LEVY, 2009; RAMOS, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A solicita&ccedil;&atilde;o pelo atendimento familiar podia acontecer por encaminhamento ou por demanda espont&acirc;nea. As fam&iacute;lias interessadas passavam por uma entrevista de triagem, na qual se solicitava j&aacute; a presen&ccedil;a de todos os familiares. Em seguida, a terapia familiar podia ser iniciada, passando a ter frequ&ecirc;ncia semanal e dura&ccedil;&atilde;o aproximada de uma hora e meia. Os terapeutas familiares eram estudantes de Psicologia treinados para essa pr&aacute;tica por meio de estudos te&oacute;ricos e viv&ecirc;ncias arteterap&ecirc;uticas, com a supervis&atilde;o dos atendimentos realizados por parte de docentes da &aacute;rea (SEI; ZANETTI, 2014).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados  e discuss&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O caso cl&iacute;nico aqui discutido refere-se a uma fam&iacute;lia que procurou o atendimento por demanda espont&acirc;nea. Era composta por pai, m&atilde;e, uma menina e um menino, de 8 e 3 anos de idade, respectivamente. A queixa centrava-se no desejo dos pais por informa&ccedil;&otilde;es a respeito de medicar ou n&atilde;o a filha, pois a escola e uma neurologista tinham-na diagnosticado com hiperatividade. O diagn&oacute;stico m&eacute;dico foi contestado pela m&atilde;e, que disse &agrave; m&eacute;dica que n&atilde;o iria medicar sua filha com cloridrato de metilfenidato e buscaria maiores informa&ccedil;&otilde;es. Quando questionados pela terapeuta acerca do que pensavam sobre a forma como a menina se comportava, a m&atilde;e rapidamente respondeu que achava normal, pois, nas palavras dela, a filha "sempre foi agitada".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os recursos art&iacute;stico-expressivos foram inseridos desde o momento da triagem,  momento em que os materiais foram dispostos na sala, mas sem propostas indicadas pela terapeuta para uso deles. Nas sess&otilde;es seguintes, foram estipulados alguns temas e atividades para uso dos recursos, com o intuito de conhecer melhor a fam&iacute;lia e sua din&acirc;mica. Assim, foi solicitado o delineamento do genograma da fam&iacute;lia (FRANCO; SEI, 2015), desenho da fam&iacute;lia (SEI, 2009) e atividades similares. Al&eacute;m disso, era tamb&eacute;m poss&iacute;vel que os participantes utilizassem livremente o material.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">P&ocirc;de-se observar, na entrevista de triagem, que as crian&ccedil;as fizeram um intenso uso dos recursos, produzindo trabalhos de colagens, desenhos e pinturas, nos quais representaram a fam&iacute;lia e seus componentes. Nessa ocasi&atilde;o, nenhum tema foi proposto pela terapeuta; assim, o tema "fam&iacute;lia" foi elaborado de forma espont&acirc;nea. Compreende-se que tal escolha pode remeter a um desejo ou necessidade, da fam&iacute;lia como um todo, de um espa&ccedil;o em que pudesse ser ouvida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas sess&otilde;es que se seguiram, a fam&iacute;lia expressou-se, al&eacute;m do relato verbal, tamb&eacute;m por meio de produ&ccedil;&otilde;es. Foram representadas, graficamente, a constitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, a casa onde moram, e outros desenhos que expressaram suas expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terapia. Quando os familiares finalizavam suas produ&ccedil;&otilde;es, era solicitado que discorressem sobre o que haviam feito, estimulando associa&ccedil;&otilde;es por meio da produ&ccedil;&atilde;o (NAUMBURG, 1991). Tais associa&ccedil;&otilde;es eram discutidas, indicando-se compreens&otilde;es constru&iacute;das pela observa&ccedil;&atilde;o das imagens, relacionando-as ao conte&uacute;do verbal trazido pelos familiares. Entende-se que a produ&ccedil;&atilde;o expressiva e a verbaliza&ccedil;&atilde;o decorrente permitem o acesso a conte&uacute;dos outrora pr&eacute;-conscientes ou inconscientes e, com isso, uma possibilidade de elabora&ccedil;&atilde;o dessas quest&otilde;es (ZANETTI, 2013), processo que acelera o desenvolvimento da terapia (NAUMBURG, 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fam&iacute;lia em quest&atilde;o fez algumas produ&ccedil;&otilde;es que colaboraram para a percep&ccedil;&atilde;o de sua din&acirc;mica. Nesse sentido, aponta-se a <a href="#fig1">Figura 1</a>, que se apresenta como uma produ&ccedil;&atilde;o em conjunto de toda a fam&iacute;lia. Foi realizada no primeiro atendimento ap&oacute;s a triagem, ap&oacute;s a consigna da terapeuta, para que constru&iacute;ssem juntos a sua fam&iacute;lia. A terapeuta somente apontou-lhes uma proposta de atividade e o tema, e o modo de cria&ccedil;&atilde;o foi livre, ou seja, poderiam se utilizar de qualquer material dispon&iacute;vel na sess&atilde;o, tais como: tinta, l&aacute;pis de cor e grafite, revistas, cola, tesoura, giz de cera, r&eacute;gua, entre outros materiais. A solicita&ccedil;&atilde;o para o trabalho em conjunto almejava, al&eacute;m de refletir sobre o material produzido, tamb&eacute;m perceber o modo de relacionamento da fam&iacute;lia, como realizavam a produ&ccedil;&atilde;o, os pap&eacute;is ocupados por cada membro na fam&iacute;lia, ou seja, uma apreens&atilde;o da din&acirc;mica familiar.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/revpsico/v15n1/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que se refere &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, pode-se notar o desejo por representar uma fam&iacute;lia perfeita e feliz. Todos rindo, boas roupas, uma boa intera&ccedil;&atilde;o familiar, uma casa colorida enfeitada com flores e um bom carro. Liebmann (2000) argumenta que o uso da arte possibilita outra via de comunica&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o al&eacute;m das palavras. Nesse sentido, enquanto pai, m&atilde;e e filha se preocuparam em retratar uma fam&iacute;lia com uma moldura perfeita, o garoto de 3 anos manchou toda a produ&ccedil;&atilde;o com tinta preta. Pode-se pensar que tal ato foi decorrente de uma tentativa de mostrar que, por tr&aacute;s de todos esses sorrisos felizes, havia alguma coisa n&atilde;o t&atilde;o clara, n&atilde;o t&atilde;o bem definida e elaborada assim, como se ele quisesse dizer que os familiares n&atilde;o s&atilde;o perfeitos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma produ&ccedil;&atilde;o individual desse menino, a <a href="#fig2">Figura 2</a>, acaba sendo evidenciada a carga emocional que sua irm&atilde; tinha que carregar. Ramos (2006) aponta para o papel de paciente identificado como porta voz das dificuldades vividas por todos os familiares que os filhos podem carregar. A crian&ccedil;a poderia estar fazendo esse papel de porta voz das dificuldades, tentando desmascarar ali no <i>setting</i> esse retrato de fam&iacute;lia perfeita. Quanto &agrave; menina, ela chega como o paciente identificado, tendo sido por meio de seu comportamento e diagn&oacute;stico que a fam&iacute;lia chega &agrave; terapia. Na <a href="#fig2">Figura 2</a>, nota-se como ela &eacute; a menor e a mais longe do sol, como se tivesse de guardar os segredos da fam&iacute;lia e isso fosse pesado ou a colocasse num papel menor. O garoto &eacute; o mais pr&oacute;ximo do sol e o maior de todos, o menos enquadrado nessa moldura de pap&eacute;is perfeitos, como se tivesse de trazer &agrave; consci&ecirc;ncia os conte&uacute;dos inconscientes que permeiam todos eles.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/revpsico/v15n1/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As produ&ccedil;&otilde;es do filho mais novo s&atilde;o mais livres e espont&acirc;neas e as da sua irm&atilde; parecem mais vinculadas a essa est&eacute;tica de fam&iacute;lia perfeita. Ela tem de ser a boneca da fam&iacute;lia e questiona-se o quanto isso pode remeter a um processo de n&atilde;o encarar um outro lado, como se tivessem de esconder e n&atilde;o lidar com sentimentos tristes. Por isso, talvez encontre na sua "hiperatividade" uma via de expressar os conflitos dentro dela, de ter de ser algu&eacute;m que n&atilde;o &eacute;. Durante as sess&otilde;es, foram observados os pais, sempre a repreendendo por causa da bagun&ccedil;a. Essa ambival&ecirc;ncia entre ser a menina comportada e a crian&ccedil;a verdadeira e espont&acirc;nea pode ter sido expressa por meio da <a href="#fig3">Figura 3</a>, com a imagem de uma menina idealizada, que segue os moldes de perfei&ccedil;&atilde;o, possivelmente a expectativa em rela&ccedil;&atilde;o a ela.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/revpsico/v15n1/a04fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra produ&ccedil;&atilde;o feita pela garota est&aacute; expressa na <a href="#fig4">Figura 4</a>, na qual podem ser observados alguns elementos interessantes, com ela igualmente desempenhando um papel de porta voz. O sol est&aacute; sendo encoberto por todas as nuvens e, entre os raios, tamb&eacute;m existem pequenas nuvens. Para Naumburg (1991), os recursos art&iacute;sticos podem contribuir "com a libera&ccedil;&atilde;o do inconsciente por meio de imagens espontaneamente projetadas na express&atilde;o pl&aacute;stica e gr&aacute;fica" (p.388). Nesse sentido, acredita-se que o sol escondido pode simbolizar esse material inconsciente ainda encoberto pela censura dos familiares.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/revpsico/v15n1/a04fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, abaixo do sol aparecem outras composi&ccedil;&otilde;es, como a imagem do palha&ccedil;o, a face da mulher sorrindo e, mais uma vez, o retrato de uma fam&iacute;lia perfeita e feliz. Chama-se aten&ccedil;&atilde;o para o palha&ccedil;o colado pela menina, podendo simbolizar o quanto tudo isso pode ser c&ocirc;mico, essa busca e ilus&atilde;o de uma fam&iacute;lia sempre feliz, sem dar espa&ccedil;o para um outro lado da vida, carregado de elementos mais pesados. A mulher sorrindo foi um recorte sugerido pela menina para representar a m&atilde;e na <a href="#fig1">Figura 1</a>, mas a m&atilde;e recusou a foto por, talvez, o sorriso n&atilde;o ser t&atilde;o convincente quanto o escolhido por ela. Trata-se de um sorriso mais for&ccedil;ado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, a <a href="#fig5">Figura 5</a> pode vir a sustentar as poss&iacute;veis hip&oacute;teses levantadas acerca do uso dos recursos expressivos. Trata-se de uma produ&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e, feita no terceiro atendimento ap&oacute;s a triagem, depois da consigna da terapeuta de que eles expressassem, da maneira que desejassem, as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o ao atendimento. A m&atilde;e repetiu o retrato de fam&iacute;lia perfeita e feliz, tendo desenhado em torno das imagens recortadas uma esp&eacute;cie de moldura. Cabe ressaltar que n&atilde;o necessariamente a terapia familiar poder&aacute; proporcionar a viv&ecirc;ncia de fam&iacute;lia feliz, haja vista que os familiares poder&atilde;o se tornar conscientes de segredos, conte&uacute;dos transmitidos transgeracionalmente, de dif&iacute;cil elabora&ccedil;&atilde;o, algo que pode explicitar o sofrimento ps&iacute;quico antes mascarado por meio de sintomas como a hiperatividade da filha. Com isso, podem-se observar resist&ecirc;ncias para a continuidade da terapia, ocasionando desist&ecirc;ncias do atendimento (SEI, 2009)</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/revpsico/v15n1/a04fig05.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao explicar sobre seu desenho, a m&atilde;e apontou para uma das gravuras e relatou que gostaria que todos falassem a mesma l&iacute;ngua, por isso todos estariam apontando para a mesma dire&ccedil;&atilde;o; seu desejo era que houvesse uni&atilde;o e que todos ficassem felizes. Tal fala da m&atilde;e, de que todos falassem a mesma l&iacute;ngua, pode-se pensar na dificuldade em lidar com a alteridade, haja vista que, se por um lado a comunica&ccedil;&atilde;o entre os familiares &eacute; importante, por outro deve-se ter em mente que cada indiv&iacute;duo &eacute; diferente do outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa produ&ccedil;&atilde;o que demonstra o quanto ela ansiava por essa fam&iacute;lia perfeita, enquadrando-os, para que n&atilde;o pudessem sair da&iacute;, para que n&atilde;o pudessem ser diferentes. O mesmo vale para o externo, no sentido de que ningu&eacute;m pode adentrar nesse grupo. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para o de fora, pois a m&atilde;e relata na triagem que n&atilde;o gosta de outras pessoas chamando a aten&ccedil;&atilde;o de seus filhos. A pr&oacute;pria queixa trazida por ela pode representar isso tamb&eacute;m, se pensarmos no fato de ela n&atilde;o ter escutado a escola ou a m&eacute;dica sobre a filha. Entende-se com isso uma comunica&ccedil;&atilde;o sobre a dificuldade da pr&oacute;pria fam&iacute;lia se envolver no processo terap&ecirc;utico, visto que ele demanda a entrada de um terceiro no grupo, o terapeuta, com sua vis&atilde;o e seus assinalamentos, e a pr&oacute;pria mudan&ccedil;a implicada neste tipo de interven&ccedil;&atilde;o, algo pertinente de ser considerado diante da interrup&ccedil;&atilde;o da terapia por parte da fam&iacute;lia, ap&oacute;s o quarto encontro (terceira sess&atilde;o ap&oacute;s a triagem).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A via imag&eacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o, que transcende apenas o uso das palavras, pode ser visto como um modo de express&atilde;o dos pensamentos e sentimentos mais prim&aacute;rios do ser humano (NAUMBURG, 1991). Isso ocorre porque o processo criativo, o ato de criar, de fazer, de modo livre e espont&acirc;neo, facilita a regress&atilde;o, em que o mundo interno do sujeito se torna a grande inspira&ccedil;&atilde;o do processo expressivo (SEI, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir das figuras apresentadas, advindas de um dos atendimentos familiares realizados em um servi&ccedil;o-escola de Psicologia, e da compreens&atilde;o acerca dos poss&iacute;veis significados nelas impl&iacute;citos, pode-se observar a arteterapia como uma importante ferramenta no atendimento familiar. Mostra-se como um instrumento interessante para se entender a din&acirc;mica da fam&iacute;lia, fomentando a intensa participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, que apresentaram contribui&ccedil;&otilde;es t&atilde;o significativas quanto os relatos verbais dos pais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Notou-se o desejo da m&atilde;e por uma fam&iacute;lia perfeita e feliz, sem condi&ccedil;&otilde;es para se ver em um outro lado da vida, que demanda um contato com a tristeza e a dor. Parecia que a filha devia ser a princesa da fam&iacute;lia, sem lugar para a espontaneidade e o l&uacute;dico. Compreende-se, assim, que  a desist&ecirc;ncia da fam&iacute;lia pode ter ocorrido pela resist&ecirc;ncia decorrente da percep&ccedil;&atilde;o de que a terapia abriria espa&ccedil;o para conte&uacute;dos dif&iacute;ceis, especialmente um espa&ccedil;o no qual os filhos teriam voz por meio dos recursos art&iacute;stico-expressivos, como a mancha preta do garoto se contrapondo &agrave; fam&iacute;lia sorridente. Perceber esses aspectos n&atilde;o era o objetivo apontado pela fam&iacute;lia para o atendimento, que indicava a inten&ccedil;&atilde;o de obter maiores informa&ccedil;&otilde;es a respeito do diagn&oacute;stico da filha, com o desejo de que n&atilde;o houvesse um problema que demandasse uma a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, seja medicamentosa, seja psicoterap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soma-se a esses aspectos o fato de que a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, no <i>setting</i> anal&iacute;tico, funciona como um objeto mediador e mobilizador dos processos ps&iacute;quicos. Dessa maneira, al&eacute;m do car&aacute;ter de comunica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos inconscientes, tem-se tamb&eacute;m um aspecto de elabora&ccedil;&atilde;o trazido pelo uso da media&ccedil;&atilde;o no <i>setting</i> terap&ecirc;utico (ZANETTI, 2013). Acredita-se que, mesmo que a fam&iacute;lia n&atilde;o tenha podido participar da terapia por um n&uacute;mero maior de sess&otilde;es, ainda assim conte&uacute;dos foram expressos e alguma elabora&ccedil;&atilde;o p&ocirc;de ser realizada, justificando a inser&ccedil;&atilde;o da linguagem art&iacute;stico-expressiva na terapia familiar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ANDRADE, L. Q. <i>Terapias expressivas</i>. S&atilde;o Paulo: Vetor, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049520&pid=S1984-9044201600010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CORREA, O. B. R <i>O legado familiar: </i>a tecelagem grupal da transmiss&atilde;o ps&iacute;quica. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049522&pid=S1984-9044201600010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DIAS, M. L. <i>O que &eacute; psicoterapia de fam&iacute;lia.</i> S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049524&pid=S1984-9044201600010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FRANCO, R. S.; SEI, M. B. O uso do genograma na psicoterapia psicanal&iacute;tica familiar. <i>Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, </i>v.<i>8</i>, n.2, p.399-414, 2015. Recuperado em 1 abril 2017, de <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1983-82202015000300009&amp;lng=pt&amp;tlng=pt" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1983-82202015000300009&amp;lng=pt&amp;tlng=pt</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049526&pid=S1984-9044201600010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GOMES, I. C.; LEVY, L. Psican&aacute;lise de fam&iacute;lia e casal: principais referenciais te&oacute;ricos e perspectivas brasileiras. <i>Aletheia, </i>n.29, p.151-160, 2009. Recuperado em 1 abril 2017: <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S141303942009000100013&amp;lng=pt&amp;tlng=pt" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S141303942009000100013&amp;lng=pt&amp;tlng=pt</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049528&pid=S1984-9044201600010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GOMES, I. C.; LEVY, L. Indica&ccedil;&otilde;es para uma terapia de casal. <i>V&iacute;nculo, </i>v.7, n.1, p.13-21, 2010. Recuperado em 1 abril 2017, de: <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-24902010000100003&amp;lng=pt&amp;tlng=pt" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-24902010000100003&amp;lng=pt&amp;tlng=pt</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049530&pid=S1984-9044201600010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KWIATKOWSKA, H. Y.  Family art therapy: Experiments with a new technique. <i>American Journal of Art Therapy, </i>v.40, n.1, p.27, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049532&pid=S1984-9044201600010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEVISKY, R. B. Fam&iacute;lia: uma Psicoterapia de Grupo? In: W. J. FERNANDES; B. SVARTMAN; B. S. FERNANDES (Org.). <i>Grupos e Configura&ccedil;&otilde;es Vinculares</i> (p.215-225). 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O projeto de extens&atilde;o enquanto estrat&eacute;gia na forma&ccedil;&atilde;o em psicologia: uma experi&ecirc;ncia no atendimento a fam&iacute;lia. <i>Espa&ccedil;o para a Sa&uacute;de</i> (Online), n.15,supl.1,p.118-124, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049560&pid=S1984-9044201600010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SEI, M. B.; ZANETTI, S. A. S. Arteterapia e emo&ccedil;&otilde;es. In: BARTHOLOMEU, D. MONTIEL, J. M.; MIGUEL,F. K.; CARVALHO, L. F.; BUENO, J. M. H. (Orgs.). <i>Atualiza&ccedil;&atilde;o em avalia&ccedil;&atilde;o e tratamento das emo&ccedil;&otilde;es</i>: as emo&ccedil;&otilde;es e seu processamento normal e patol&oacute;gico. 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZANETTI, S. A. S. O uso terap&ecirc;utico da media&ccedil;&atilde;o: um entendimento psicanal&iacute;tico a respeito da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. <i>Revista de Arteterapia da AATESP, </i>v.4, n.2, p.48-55, 2013. Recuperado em: 26 mai. 2015, de: <a href="http://aatesp.com.br/resources/files/downloads/Revista_Arteterapia_AATESP_v4_n2_2013.pdf" target="_blank">http://aatesp.com.br/resources/files/downloads/Revista_Arteterapia_AATESP_v4_n2_2013.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049569&pid=S1984-9044201600010000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ZUANAZZI, A. C.; SEI, M. B. Psicoterapia familiar psicanal&iacute;tica: reflex&otilde;es sobre os fen&ocirc;menos transferenciais e contratransferenciais em um servi&ccedil;o-escola de psicologia. <i>V&iacute;nculo,</i> v.11, n.1, p.16-24, 2014. Recuperado em: 1 abril 2017, de <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-24902014000100004&amp;lng=pt&amp;tlng=pt" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-24902014000100004&amp;lng=pt&amp;tlng=pt</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5049571&pid=S1984-9044201600010000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido: 02 de maio de 2015.    <br>   Aprovado: 20 de maio de 2015.</font></p>      ]]></body>
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