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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Starting from the maxim that "by our position of subject, we are always responsible", as Lacan (1965 - 66 /1998, p.873) says, this article aims to delimit elements for the understanding of the notion of responsibility of the subject from the work of this psychoanalyst. In order to do so, two m oments are proposed: I) a articulation about the thesis of psychic causality in Lacanian thought, in order to collect in this axis conditions of possibility to the responsibility of the subject; II) implied to the conditions of possibility, as are the form s of assumption of responsibility of the subject, depending on the logical time and the position of the subject for its effectiveness.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elementos para uma compreens&atilde;o da responsabilidade do sujeito em Lacan</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Suzana Soares Lopes; Ivan Ramos Estev&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Partindo de uma distinta leitura da m&aacute;xima de que "por nossa posi&ccedil;&atilde;o de sujeito, somos sempre respons&aacute;veis", conforme diz Lacan, este artigo objetiva delimitar elementos para a compreens&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade do sujeito a partir da obra deste psicanalista. Para tanto, dois momentos s&atilde;o propostos: I) uma articula&ccedil;&atilde;o quanto a tese de causalidade ps&iacute;quica no pensamento lacaniano, de modo a recolher neste eixo condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade &agrave; responsabilidade do sujeito; II) implicadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade, como se d&atilde;o as formas de assun&ccedil;&atilde;o da responsabilidade do sujeito, na depend&ecirc;ncia do tempo l&oacute;gico e da posi&ccedil;&atilde;o do sujeito para sua efetiva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> responsabilidade, indetermina&ccedil;&atilde;o, causalidade, reconhecimento, ato.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Starting from the maxim that "by our position of subject, we are always responsible", as Lacan (1965 - 66 /1998, p.873) says, this article aims to delimit elements for the understanding of the notion of responsibility of the subject from the work of this psychoanalyst. In order to do so, two m oments are proposed: I) a articulation about the thesis of psychic causality in Lacanian thought, in order to collect in this axis conditions of possibility to the responsibility of the subject; II) implied to the conditions of possibility, as are the form s of assumption of responsibility of the subject, depending on the logical time and the position of the subject for its effectiveness.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> responsibility, indeterminacy, causality, recognition, act.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jacques Lacan, em uma recorrente cita&ccedil;&atilde;o retirada do texto <i>A ci&ecirc;ncia e a verdade</i>, diz: "Por nossa posi&ccedil;&atilde;o de sujeito, somos sempre respons&aacute;veis" (Lacan, 1965-66/1998, p.873). Embora o trecho fa&ccedil;a men&ccedil;&atilde;o &agrave; <i>posi&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise diante da ci&ecirc;ncia</i>, sendo da responsabilidade dessa extrair o que do discurso cient&iacute;fico &eacute; foraclu&iacute;do - o sujeito -, trata-se de uma refer&ecirc;ncia que se tornou cara &agrave; cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica sob outra leitura e significa&ccedil;&atilde;o, ou seja, que seria poss&iacute;vel um movimento de responsabiliza&ccedil;&atilde;o do sujeito diante de seu posicionamento, assim como das forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente, de falas e de atos que lhe escapam e aos quais ele n&atilde;o se reportar&aacute; como um agente; dados os quais lhe aparecer&atilde;o de forma estranha, <i>&ecirc;xtima.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, embora a men&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabilidade do sujeito &eacute; constante e referida desde a d&eacute;cada de 50 por Lacan - inicialmente com maior incid&ecirc;ncia em seu estudo sobre &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es da psican&aacute;lise na criminologia (Lacan, 1950) -, n&atilde;o se trata de uma no&ccedil;&atilde;o plenamente desenvolvida ou pontualmente conceituada na obra do psicanalista, de modo que se multiplicam os entraves para trabalhar com essa, trazendo como consequ&ecirc;ncia problemas conceituais, t&eacute;cnicos e &eacute;ticos &agrave; cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Notemos que as formas de uso e significa&ccedil;&otilde;es corriqueiras ou normativas que podem ser facilmente vinculadas &agrave;s m&uacute;ltiplas compreens&otilde;es da no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade, t&ecirc;m como contrapartida a refer&ecirc;ncia de responsabilidades imagin&aacute;rias, egoicas, e at&eacute; mesmo superegoicas, compondo um campo nebuloso que pode advir inclusive como convoca&ccedil;&atilde;o direta do analista &agrave; chamada da responsabilidade do analisante - dire&ccedil;&atilde;o que conduz ao pior da normatividade do gozo e do desejo, por marcar uma responsabilidade como modalidade de assentimento ao bem interposto em um regime de demanda e satisfa&ccedil;&atilde;o dos semelhantes ou do Outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, neste trabalho objetivamos apresentar elementos que subsidiem uma discuss&atilde;o quanto a responsabilidade do sujeito por sua causalidade - mote que retoma o <i>solle n</i> freudiano proposto em <i>Dissec&ccedil;&atilde;o da personalidade ps&iacute;quica</i> (Freud, 1933/1996), <i>" Wo Es war, soll Ich werden</i>" (p. 86) - imperativo que suscita o paradoxo de uma assun&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do sujeito de sua pr&oacute;pria causalidade, conforme o retorno lacaniano a Freud (Lacan, 1965-66/1998). Buscaremos aqui mantermo-nos em dia com o conceito e prop&oacute;sito fundamental da experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica, ou seja, uma no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade compreensiva &agrave; pr&aacute;xis balizada no regime lingu&iacute;stico do inconsciente e que permite considerar um dire&ccedil;&atilde;o de cura implicada ao tratamento do real pelo simb&oacute;lico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, neste artigo propomos uma leitura a respeito da responsabilidade do sujeito realizada a partir de alguns elementos que podem ser conjugados em dois tempos: I) quanto as <i>condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade</i> para situar esta responsabilidade, trajet&oacute;ria que passa pela no&ccedil;&atilde;o de causalidade ps&iacute;quica trabalhada por Lacan; II) quanto aos <i>modos de assun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica</i> da responsabilidade do sujeito - em reconhecimento retroativo e em ato -, quest&atilde;o que inevitavelmente implica-se ao ponto I, e suscita a depend&ecirc;ncia do tempo l&oacute;gico e da posi&ccedil;&atilde;o do sujeito como condi&ccedil;&otilde;es de efetividade a um tratamento psicanal&iacute;tico da responsabilidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A responsabilidade do sujeito: condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A teoriza&ccedil;&atilde;o proposta por Lacan possui seu &oacute;bvio tom de complexidade, quest&atilde;o sempre aludida pela dificuldade de leitura e de entendimento dos cortes e momentos te&oacute;ricos distintos do psicanalista; no eixo que suscita o desenvolvimento deste estudo, congrega o movimento duplo de uma linguagem formal e estrutural que determina o sujeito, frente &agrave; incid&ecirc;ncia de uma &eacute;tica da singularidade e do desejo. Notemos numa cita&ccedil;&atilde;o ainda de 1955 uma refer&ecirc;ncia a esta duplicidade: "O programa que se tra&ccedil;a para n&oacute;s, portanto, &eacute; saber como uma linguagem formal determina o sujeito. Mas o interesse de tal programa n&atilde;o &eacute; simples, <i>j&aacute; que sup&otilde;e que o sujeito s&oacute; o cumprir&aacute; colocando algo de si</i>" &#91;it&aacute;lico nosso&#93; (Lacan, 1955/1998, p. 47). Deste modo, de in&iacute;cio buscamos delinear coordenadas de indetermina&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o assimiladas na proposi&ccedil;&atilde;o de uma negatividade a partir da qual &eacute; poss&iacute;vel pensar em algum n&iacute;vel de posi&ccedil;&atilde;o do sujeito. Compreendemos assim que, se a psican&aacute;lise fosse um sistema de coordenadas fechadas - org&acirc;nicas, estruturais ou mesmo ps&iacute;quicas -, um escrito sobre o tema da responsabilidade n&atilde;o seria poss&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentemente de uma causalidade transcendental, f&iacute;sica ou natural, ao formalizar sua tese de causalidade Lacan prop&otilde;e uma no&ccedil;&atilde;o de ininteligibilidade entre causa e efeito, o que remete a contribui&ccedil;&atilde;o kantiana em sua <i>Anal&iacute;tica transcendental</i> (Kant, 1781/1994), de modo que a causa &eacute; sempre referida a uma <i>hi&acirc;ncia</i>, no ponto que algo manca ou claudica, no que ent&atilde;o "s&oacute; h&aacute; causa para o que manca" (Lacan, 1964/2008, p. 27), ou, s&oacute; h&aacute; causa para o que falta, observando a homofonia do termo mancar-faltar em franc&ecirc;s. O psicanalista trabalha, respectivamente, com a refer&ecirc;ncia da teoria de Arist&oacute;teles das quatro causas, aludindo sobretudo &agrave; causa material como aquilo que d&aacute; mat&eacute;ria &agrave; coisa e que, no pensamento lacaniano, refere-se ao significante em sua rela&ccedil;&atilde;o com a verdade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta rela&ccedil;&atilde;o suscita que, distinto de uma perspectiva ideal e completa de <i>Weltanschauung</i>, Lacan atribui &agrave; psican&aacute;lise uma operatividade a partir de um sistema incompleto, pensado em conson&acirc;ncia ao vazio da letra, letra como causa material correspondente ao buraco do vazo do oleiro que deflagra a impossibilidade de uma resposta completa ao gozo e ao real pela via do saber e da significa&ccedil;&atilde;o - o que fomenta uma rela&ccedil;&atilde;o paradoxal, posto que &eacute; justamente este elemento indeterminado e irredut&iacute;vel ao sentido que permite o concatenamento da cadeia significante e de seus efeitos de significa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, a dupla causal lacaniana &eacute;, de um lado, a causa material, o significante, substrato m&iacute;nimo que produz contingencialmente um resto que suscitar&aacute;, doutro lado, a causa real, o objeto<i> a</i>. Estes eixos possuem como referentes dois modos de repeti&ccedil;&atilde;o: <i>automatom</i> - a repeti&ccedil;&atilde;o decorrente do Um na determina&ccedil;&atilde;o significante - e <i>tiqu&ecirc;</i> - a repeti&ccedil;&atilde;o na via do real, como encontro faltoso com o objeto que fratura o simb&oacute;lico e lhe recorta limite. Fa&ccedil;amos uma revis&atilde;o suscinta dos dois pontos, aproximando-os, respectivamente, ao tema da responsabilidade do sujeito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A causa material: o significante</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme marcamos anteriormente, a causa material lacaniana &eacute; o significante. Assim, "pela psican&aacute;lise, o significante se define como agindo, antes de mais nada, como separado de sua significa&ccedil;&atilde;o" (Lacan, 1965-66/1998, p. 890). Na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, esta causa remete ao significante mestre (S1) que, ao ser pescado numa via de identifica&ccedil;&atilde;o, &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o de entrada do sujeito na linguagem, o que traz em cena a opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de aliena&ccedil;&atilde;o proposta no <i>Semin&aacute;rio XI: Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i> (Lacan, 1964/2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao concatenar-se S1 e S2 (conjunto do campo do sentido), articula-se a cadeia significante na qual sobrev&eacute;m o efeito do lugar Outro onde o sujeito foi enredado e narrado antes mesmo de seu nascimento org&acirc;nico, marcado por significantes que coordenam o quadro de conflitos e de filia&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica no qual esse - o sujeito - &eacute; esperado. A determina&ccedil;&atilde;o significante &eacute;, portanto, mote de enraizamento do sujeito &agrave; linguagem, implicando a escolha for&ccedil;ada ao campo do sentido; nesta entrada, d&aacute;-se uma perda do ser pulsional pela representa&ccedil;&atilde;o engendrada pelo significante mestre, desdobrando a famosa subvers&atilde;o cartesiana do "sou onde n&atilde;o penso; penso onde n&atilde;o sou".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos, ent&atilde;o, que a aliena&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica &eacute; tamb&eacute;m lugar de habita&ccedil;&atilde;o do humano entre seus semelhantes, como campo da palavra; n&atilde;o aceder ao simb&oacute;lico &eacute; n&atilde;o existir nos termos do atravessamento dos mal-entendidos de uma linguagem, linguagem que tamb&eacute;m marca e delineia o corpo do falante e que o <i>corposifica,</i> neologismo lacaniano que remete &agrave; mortifica&ccedil;&atilde;o do corpo pr&eacute;-discursivo, para insurg&ecirc;ncia deste recortado em um registro simb&oacute;lico. Tratam-se de elementos fundamentais, persistentes e que permitem suscitar certo n&iacute;vel de decifra&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o de saber em an&aacute;lise, referente aos significantes mestre aos quais o sujeito se alienou e que marcaram seu "destino", entendido como a insist&ecirc;ncia da repeti&ccedil;&atilde;o significante de <i>automatom</i>. Portanto, cabe questionar como este campo, se, por uma via, permite a inscri&ccedil;&atilde;o de sujeito como -1, por outra via, n&atilde;o o erradicaria completamente na petrifica&ccedil;&atilde;o ou na af&acirc;nise significante, o que, por consequ&ecirc;ncia, suscita coordenadas para que pensemos na responsabilidade do sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste sentido, este cen&aacute;rio de determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica ganha um contraponto na compreens&atilde;o que, ao tomar o significante como causa material, Lacan enunciar&aacute; a qualifica&ccedil;&atilde;o de substrato m&iacute;nimo deste - indeterminado em seu car&aacute;ter de n&atilde;o ader&ecirc;ncia completa e resist&ecirc;ncia &agrave; significa&ccedil;&atilde;o, pura imagem ac&uacute;stica. A natureza da determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, consoante &agrave; opera&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o, faz-se marcada, assim, de uma inconsist&ecirc;ncia fundamental. No termo da pr&oacute;pria caracteriza&ccedil;&atilde;o da primazia do significante, o significado aparecer&aacute; como efeito na concatena&ccedil;&atilde;o da cadeia, de S1 a S2, sem maior garantia de atribui&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o a da fixa&ccedil;&atilde;o do gozo do sentido; por outra via, n&atilde;o h&aacute; nada exterior ao pr&oacute;prio significante que valide sua consist&ecirc;ncia. Tal inconsist&ecirc;ncia surge no n&iacute;vel do sujeito, na impossibilidade de garantir uma identidade a este. Desta forma, longe de atribuir uma unidade de ser ao sujeito, o significante, em seu deslocamento, forja o caminho da falta-a-ser, de modo a se caracterizar como funcionando como barreira de resist&ecirc;ncia, como separado, &agrave; significa&ccedil;&atilde;o (Lustoza, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se esta indetermina&ccedil;&atilde;o j&aacute; se apresenta no n&iacute;vel do pr&oacute;prio significante, polarizando-se junto &agrave; falta-a-ser, uma abordagem complementar que fixa este cen&aacute;rio consiste em nos atermos &agrave; maneira como Lacan teorizou o estatuto do Outro. Retomemos que uma coordenada central do pensamento lacaniano consiste em localizar a falta no n&iacute;vel do Outro, assim como a impossibilidade de uma metalinguagem, de forma que Lacan (1965-66/1998) conjuga a possibilidade de manter uma no&ccedil;&atilde;o de estrutura que d&ecirc; margem ao pr&oacute;prio sujeito, ultrapassando a marca&ccedil;&atilde;o de um estruturalismo "estrito" ou de uma determina&ccedil;&atilde;o absoluta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, se no campo do Outro s&oacute; h&aacute; significantes e vazios, um significante do Outro - ou seja, que de algum modo totalizasse sua consist&ecirc;ncia - necessitaria estar fora dele, representando-o desde ent&atilde;o; uma das marcas que fazem notar a incongru&ecirc;ncia de tal ponto decorre da pr&oacute;pria considera&ccedil;&atilde;o &agrave; perspectiva meton&iacute;mica do desejo e do discurso, de modo que a cadeia significante desliza incessantemente justamente pela impossibilidade de tapar o buraco que aparece, por assim dizer, como (-1) no conjunto dos significantes (Sales, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale propor algumas tradu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para este eixo, como a nota&ccedil;&atilde;o &agrave; impossibilidade de remendar alguma garantia ao discurso e, mais fundamental, &agrave; impossibilidade de adequa&ccedil;&atilde;o quanto a um conhecimento que atenuaria a verdade do sexual, no cen&aacute;rio em que a puls&atilde;o e o objeto s&atilde;o sempre incoerentes ao sentido. Por outra via, uma poss&iacute;vel metalinguagem implicaria no recobrimento da falta do Outro e na retirada do car&aacute;ter de equivocidade e ambiguidade da linguagem; podemos aqui recorrer &agrave; exemplifica&ccedil;&atilde;o das constru&ccedil;&otilde;es delirantes, ou aos sistemas fechados - como em algumas religi&otilde;es ou discursos cient&iacute;ficos - que asseguram previamente um campo de coordenadas est&aacute;veis ao sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; de se considerar a radicalidade destas proposi&ccedil;&otilde;es, posto que suscitam a condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade da responsabilidade no n&iacute;vel do significante &agrave; medida que lan&ccedil;am o sujeito no desamparo de aus&ecirc;ncia de referentes em sua enuncia&ccedil;&atilde;o. Fundamenta-se aqui, para al&eacute;m de um referencial epistemol&oacute;gico, um pressuposto &eacute;tico, uma vez que implicado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; verdade primeira e anterior que estabilize um enunciado, de modo que h&aacute; um retorno inevit&aacute;vel de responsabilidade do sujeito pela sua posi&ccedil;&atilde;o, em ato ou enuncia&ccedil;&atilde;o, referindo como causa poss&iacute;vel de um tratamento da responsabilidade psicanal&iacute;tica a possibilidade de escrita do matema da falta do Outro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A causa real do sujeito: o objeto a</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para trabalhar com o conceito de objeto <i>a</i>, causa real do sujeito, auxilia-nos tratar inicialmente da opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de separa&ccedil;&atilde;o, conforme mencionada no <i>Semin&aacute;rio 11</i> (Lacan, 1964/2008) e no texto <i>Posi&ccedil;&atilde;o do inconsciente</i> (Lacan, 1960-64/1998). Se na aliena&ccedil;&atilde;o o sujeito se faz representado na rede significante caindo no n&atilde;o senso de S1, &eacute; no tempo l&oacute;gico de separa&ccedil;&atilde;o que d&aacute;-se o momento no qual esse tentar&aacute; se posicionar frente ao desejo do Outro e que teremos not&iacute;cia do objeto <i>a.</i> Trata-se, neste momento, de um Outro distinto, por assim dizer, daquele em jogo na opera&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o, que ent&atilde;o se configurava completo em seu lugar de tesouro de significantes, para um Outro faltante, posto que marcado por intervalos, onde a suposi&ccedil;&atilde;o de uma falta que faz desejo no Outro possibilita o enigma do pr&oacute;prio desejo ao sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta maneira, Lacan localiza "uma parte" que configura o terceiro elemento que se situa entre o sujeito e Outro. Tal parte - o objeto <i>a</i> - indica o resto onde o "o sentido n&atilde;o &eacute; capaz de dar seu ser e o sujeito fica diante do n&atilde;o-senso", conforme Torres (2010, p. 158); &eacute; do ponto do seu pr&oacute;prio desaparecimento, seu <i>fading</i>, que o sujeito pode se localizar como objeto a ser perdido pelo Outro, jogando com sua pr&oacute;pria aus&ecirc;ncia. Instaura-se, assim, uma dobradi&ccedil;a entre falta-a-ser e falta do Outro, numa esp&eacute;cie sobreposi&ccedil;&atilde;o faltante.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; sob a incid&ecirc;ncia em que o sujeito experimenta, nesse intervalo &#91;o intervalo da cadeia significante&#93;, uma Outra coisa a motiv&aacute;-lo que n&atilde;o os efeitos de sentido com que um discurso o solicita, que ele depara, efetivamente, com o desejo do Outro (...) O que ele coloca a&iacute; &eacute; sua pr&oacute;pria falta, sob a forma da falta que produziria no Outro por seu pr&oacute;prio desaparecimento. Desaparecimento que, se assim podemos dizer, ele tem nas m&atilde;os, da parte de si mesmo que lhe cabe por sua aliena&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. &#91;colchete nosso&#93; (Lacan, 1960-64/1998, p. 858)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este tempo l&oacute;gico projeta a topologia do instante da fantasia, de modo que o enigma das faltas (do sujeito e do Outro) colide numa resposta defensiva que sutura a falta do Outro, assim como indica um arranjo no qual o sujeito se posicionar&aacute; frente ao desejo. A fantasia &eacute;, deste modo, o enquadre e suporte do desejo, de forma que neste cen&aacute;rio o objeto <i>a</i> assume uma coordenada de fixidez, cabendo ao tratamento psicanal&iacute;tico subverter esta posi&ccedil;&atilde;o e efetivar a extra&ccedil;&atilde;o do objeto <i>a</i> do recobrimento da aliena&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, tratando-se do objeto causa de desejo, o objeto <i>a</i> &eacute; este elemento imanente que conjuga um em-si, como limite ativo e imposs&iacute;vel de representa&ccedil;&atilde;o pela via significante. Notemos que a dificuldade de caracteriza&ccedil;&atilde;o e atribui&ccedil;&atilde;o deste conceito &eacute; correlata, por assim dizer, a sua fun&ccedil;&atilde;o, posto que o objeto <i>a</i> n&atilde;o adere a alguma ordem de unidade representacional - se n&atilde;o que a totaliza inconsistente em sua pr&oacute;pria queda e operar&aacute; como causa a partir de um efeito retroativo, como sobra do corte significante. Como &iacute;ndice de indetermina&ccedil;&atilde;o, a causa real lacaniana projeta um al&eacute;m da lei (Gianesi, 2011), ou seja, o objeto <i>a</i> &eacute; elemento que permite suscitar um al&eacute;m do simb&oacute;lico, e, &agrave; medida que desestabiliza qualquer coordenada de determina&ccedil;&atilde;o, implica uma condi&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabilidade interposta &agrave; causalidade indeterminada do sujeito e ao seu desejo como radicalidade em aus&ecirc;ncia de referentes, conquanto, &eacute; claro, ultrapassada a barreira da resposta fantasm&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A responsabilidade do sujeito e sua assun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme abordamos, h&aacute; &iacute;ndices de indetermina&ccedil;&atilde;o que permitem suscitar a responsabilidade do sujeito, mesmo quando nos valemos de um panorama estrutural ou da tese de uma sobredetermina&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, localizando que o pensamento lacaniano n&atilde;o se vale de uma determina&ccedil;&atilde;o estrita e percorre uma trajet&oacute;ria de ultrapassagem do estruturalismo - tem&aacute;tica que assume sua radicalidade com o <i>Semin&aacute;rio 7: A &eacute;tica da psican&aacute;lise</i> (Lacan, 1959-60/1998), com a formaliza&ccedil;&atilde;o do registro real. De todo modo, neste artigo propomos um acr&eacute;scimo em negatividade, um (-1) que opera como incid&ecirc;ncia do sujeito em falta na cadeia significante, posto que hipotetizamos que a responsabilidade do sujeito &eacute; termo que pressup&otilde;e, para al&eacute;m de condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade, tamb&eacute;m a incid&ecirc;ncia de uma assun&ccedil;&atilde;o de responsabilidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo assun&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de assumir um ato, ou assumir um efeito, suscitando um salto ausente de garantias para a entrada de uma temporalidade distinta. Referido por Lacan desde os textos iniciais do seu ensino, a no&ccedil;&atilde;o de assun&ccedil;&atilde;o aparece em <i>O est&aacute;dio do espelho como formador da fun&ccedil;&atilde;o do eu tal como nos &eacute; relevada na experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica</i> (Lacan, 1949/1998), quando o psicanalista menciona a assun&ccedil;&atilde;o triunfante da imagem, no movimento que o sujeito se precipita de sua propriocep&ccedil;&atilde;o despeda&ccedil;ada &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o a uma imagem do Eu. Entre outros momentos, esta no&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m mencionada na assun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de responsabilidade do criminoso, no texto <i>Introdu&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es da psican&aacute;lise em criminologia</i> (Lacan, 1950/1998), e aparecer&aacute; no momento l&oacute;gico de concluir como asser&ccedil;&atilde;o de uma certeza antecipada, no sofisma dos tr&ecirc;s prisioneiros (Lacan, 1945/1998). Trazer esta considera&ccedil;&atilde;o ao tratamento da responsabilidade do sujeito, portanto, suscita dar lugar ao "algo de si" que o sujeito coloca em joga na estrutura no modo de uma assun&ccedil;&atilde;o &eacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deste modo, um referencial psicanal&iacute;tico da quest&atilde;o da responsabilidade, em sua n&atilde;o estrita determina&ccedil;&atilde;o, ainda que prenhe de um campo de causalidade, desvela um dos limites no qual se interp&otilde;em a decis&atilde;o e a singularidade do ser, e, respectivamente, uma das margens do <i>imposs&iacute;vel</i> de tratamento em uma rela&ccedil;&atilde;o entre agente e Outro num discurso - tema que retorna ao "algo de si" que o sujeito coloca em jogo na estrutura, assim como a sua insond&aacute;vel decis&atilde;o de ser, conforme prop&ocirc;s Lacan desde a d&eacute;cada de 40, em <i>Formula&ccedil;&otilde;e s sobre a causalidade ps&iacute;quica</i> (Lacan, 1946/1998) e no <i>Semin&aacute;rio sobre "a carta roubada"</i>, de 1955.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Que haja condi&ccedil;&otilde;es para s&ecirc;-lo, s&oacute; ao sujeito cabe a sua responsabilidade, o que tamb&eacute;m aloca o exerc&iacute;cio do psicanalista como imposs&iacute;vel no que diz respeito a esta predica&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que suscita que o tratamento psicanal&iacute;tico n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica de convers&atilde;o ou um experimento de precis&atilde;o. Doutro modo, se nos refer&iacute;ssemos a um termo determin&aacute;vel, tratar&iacute;amos de um sujeito todo coloniz&aacute;vel e n&atilde;o haveria qualquer sentido em falar de responsabilidade, j&aacute; que ela n&atilde;o se daria - o que toca nos mesmos efeitos de dizer que ela estaria previamente dada, como uma esp&eacute;cie de atributo transcendental, no que, ent&atilde;o, mantenhamo-nos na considera&ccedil;&atilde;o lacaniana de um sujeito sem qualidades, efeito do significante</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, na sequ&ecirc;ncia trataremos de dois modos de assun&ccedil;&atilde;o de responsabilidade, que, por sua vez, s&atilde;o complementares: de in&iacute;cio, como modo de reconhecimento retroativo, uma assun&ccedil;&atilde;o de responsabilidade que se interp&otilde;em em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e conota o tempo de retroa&ccedil;&atilde;o significante (<i>nachtr&auml;glich</i>); posteriormente, uma assun&ccedil;&atilde;o de responsabilidade al&eacute;m da lei que liga-se &agrave; causalidade real do sujeito, modulada atrav&eacute;s do ato e referida a um tempo de suspens&atilde;o de sujeito e Outro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A responsabilidade como reconhecimento retroativo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retornemos &agrave; refer&ecirc;ncia de que o sujeito, como efeito do significante, tem a depend&ecirc;ncia de sua causa&ccedil;&atilde;o atrelada &agrave; escolha for&ccedil;ada da aliena&ccedil;&atilde;o, que o conjuga enquanto petrificado e identificado ao significante metre, pescado do campo do Outro. O intervalo entre significantes surgir&aacute; como quest&atilde;o, recortando o objeto <i>a</i> sob o efeito duplo da falta do Outro e falta do sujeito, colidindo com o enigma das faltas na resposta fantasm&aacute;tica. Esta aliena&ccedil;&atilde;o primeira &eacute; recoberta na considera&ccedil;&atilde;o da fantasia e no enredo das identifica&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias, de modo que o Eu n&atilde;o se reconhece como <i>Je,</i> e muito menos como $ de Outra cena. Este corresponde ao efeito que Lacan denomina como <i>irresponsabilidade</i> - ou seja, a invers&atilde;o que denota que o sujeito n&atilde;o se percebe como efeito de palavra ou como objeto atrelado ao desejo do Outro, mas se refer&ecirc;ncia como um Eu agente de "sua" enuncia&ccedil;&atilde;o e de "seu" desejo, modo de aliena&ccedil;&atilde;o sobreposto, formatando a fantasia, portanto, como terreno fundamental desta irresponsabilidade. Notemos com o psicanalista, no texto <i>Posi&ccedil;&atilde;o do inconsciente</i> (Lacan, 1960-64/1998):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(...) projetando a topologia do sujeito no instante da fantasia (...) &#91;a fantasia&#93; o sela, recusando ao sujeito do desejo que ele se saiba efeito de fala, ou seja, que saiba o que ele &eacute; por n&atilde;o ser outra coisa sen&atilde;o o desejo do Outro. <i>&Eacute; nisso que todo discurso tem o direito de se considerar, por esse efeito, irrespons&aacute;vel.</i> Todo discurso, exceto o daquele que ensina, quando se dirige a psicanalistas. Quanto a n&oacute;s, sempre nos acreditamos pass&iacute;veis de ser responsabilizados por tal efeito, e, embora n&atilde;o estando &agrave; altura da tarefa de lhe fazer frente, foi essa a proeza secreta de cada um de nossos "semin&aacute;rios". &#91;colchete nosso; it&aacute;lico nosso&#93; (p. 850).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas se a irresponsabilidade ainda &eacute; terreno de sujeito, ainda que em af&acirc;nise, como podemos ent&atilde;o <i>saber</i> desta primeira aliena&ccedil;&atilde;o, se esta j&aacute; se acoberta e duplica-se na considera&ccedil;&atilde;o do Eu imagin&aacute;rio?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dias (2005) prop&otilde;e a no&ccedil;&atilde;o de "encontro marcado com o pior" (p. 107), o que implica dizer de uma conting&ecirc;ncia marcada para com o imposs&iacute;vel, nas diversas vias donde o significante n&atilde;o opera, do improv&aacute;vel, do traum&aacute;tico e do <i>nonsense,</i> no que alocam todas as estruturas cl&iacute;nicas; o real, por assim dizer, n&atilde;o assimila a diferencia&ccedil;&atilde;o, posto que &eacute; a diferen&ccedil;a. Para que a responsabilidade fa&ccedil;a quest&atilde;o, &eacute; preciso que primeiramente o sujeito esteja em quest&atilde;o - o que sugere que a causa incida desde o campo do Outro, que <i>aut&ocirc;maton</i> ou <i>tyche</i> compare&ccedil;am. Na incid&ecirc;ncia da causa que "manca" e demarca a divis&atilde;o subjetiva, tem-se a not&iacute;cia da extrapola&ccedil;&atilde;o que quebra o regime do sentido, escancarando que &eacute; atrav&eacute;s de uma invers&atilde;o, geralmente impregnada de fixidez, na qual se sustentam as modalidades de discurso ou a topologia da fantasia, conforme j&aacute; hav&iacute;amos elaborado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; na contrapartida desta irresponsabilidade discursiva que desdobra-se uma no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade que se d&ecirc; enquanto <i>reconhecimento retroativo do sujeito de sua determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica,</i> ou deste efeito de elis&atilde;o do sujeito pela sua causa material significante no n&iacute;vel de <i>automaton</i>; reconhecimento n&atilde;o id&ecirc;ntico, uma vez que interposto na consequ&ecirc;ncia da divis&atilde;o entre Eu, sujeito e Isso, quando o sujeito se responsabiliza em solidariedade &agrave; causa que o pariu, ali onde n&atilde;o se reconhece (<i>Wo Es war...</i>), justamente retornando sob si e condescendendo &agrave; considera&ccedil;&atilde;o deste campo de aliena&ccedil;&atilde;o do qual sabemos sempre<i> a posteriori</i> (...<i>soll Ich werden</i>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando a dire&ccedil;&atilde;o na qual interp&otilde;em-se o tratamento pela associa&ccedil;&atilde;o livre em transfer&ecirc;ncia, abre-se a possibilidade de decifra&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o do saber n&atilde;o-sabido inconsciente, dando lugar pela via da rememora&ccedil;&atilde;o e historiza&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o que articula a rede simb&oacute;lica do discurso do Outro e dos significantes mestres ao quais o sujeito se alienou, permitindo perpetrar a constru&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise; Lacan, quanto ao tema da rememora&ccedil;&atilde;o, observa que esta opera&ccedil;&atilde;o "consiste em fazer as cadeias entrarem em alguma coisa que j&aacute; est&aacute; l&aacute; e que se nomeia como <i>saber</i>" &#91;it&aacute;lico nosso&#93; (Lacan, 1975-76/2007). A responsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; causa aparece ent&atilde;o neste s&oacute;-depois, implicada &agrave; causa material como <i>automaton</i> que se articula na cadeia significante que sela, por assim dizer, o destino do sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta perspectiva abre margem para uma decis&atilde;o distinta colocada em campo pela transfer&ecirc;ncia, n&atilde;o exatamente entre o ser e o sentido - posto ser esta escolha a for&ccedil;ada que permite conjugar a quest&atilde;o da escolha no campo do significante - mas entre o n&atilde;o penso e o n&atilde;o sou, ou entre o <i>falso self</i> (o eu alienado imaginariamente como casca da fantasia) e o $ (campo da aliena&ccedil;&atilde;o, simb&oacute;lico), quando a retifica&ccedil;&atilde;o e a implica&ccedil;&atilde;o subjetiva entram em quest&atilde;o. Opera&ccedil;&atilde;o que remete &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o do grupo de Klein, quando o sujeito insurge como (-1): uma falta introduzida pela cadeia significante diante da aliena&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica (Lacan, 1967-68/In&eacute;dito). Notada estas considera&ccedil;&otilde;es, vale pensar nas sa&iacute;das de an&aacute;lise que ocorrem prematuramente, nos primeiros sinais da vacila&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria; outra quest&atilde;o que aqui incide, mais complexa, &eacute; referir aos casos onde o saber n&atilde;o traz nenhuma revelia ou implica&ccedil;&atilde;o &agrave; posi&ccedil;&atilde;o do sujeito, ou seja, uma esp&eacute;cie de repetir e recordar sem elaborar, um nada fazer disso em um prolongamento do tempo de compreender, ou mesmo na denega&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, introduzir a responsabilidade a partir da dimens&atilde;o do reconhecimento &eacute; referi-la a uma assun&ccedil;&atilde;o na qual o sujeito se responsabiliza &agrave; medida que se flagra na tor&ccedil;&atilde;o do seu ponto de aliena&ccedil;&atilde;o e a isto condescende, reconhecimento retroativo e n&atilde;o id&ecirc;ntico, posto que introduzido pela alteridade da divis&atilde;o subjetiva. Trata-se de uma responsabilidade que se coaduna, no tratamento psicanal&iacute;tico das neuroses, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da fantasia, encontrando nesta constata&ccedil;&atilde;o a sua import&acirc;ncia, mas tamb&eacute;m seu limite e fixidez: uma fixidez que suscita o paradoxo do n&atilde;o inerte, posto que relacionado &agrave; infinitiza&ccedil;&atilde;o do inconsciente. Na psicose, em suas modalidades de <i>acting out</i> e passagem ao ato, trata-se de uma posi&ccedil;&atilde;o que pode advir <i>a posteriori</i> do que em incid&ecirc;ncia de limita&ccedil;&atilde;o a irrup&ccedil;&atilde;o de gozo. E na pervers&atilde;o? Talvez aqui possamos aludir ao segundo limite - ou seja, que &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel saber, e nem por isso a&iacute; se depura qualquer modalidade de atualiza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel de uma posi&ccedil;&atilde;o de sujeito. Faz-se necess&aacute;rio, portanto, reconhecer que "aquilo de que se trata &eacute; admitir que nos &eacute; preciso renunciar, na psican&aacute;lise, a que cada verdade corresponde seu saber" (Lacan, 1966/1998, p. 883) e considerar a &eacute;tica que se apura, n&atilde;o mais na margem de um saber na aliena&ccedil;&atilde;o, mas na separa&ccedil;&atilde;o e propriamente em ato.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Responsabilidade al&eacute;m da lei: o ato</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para trabalhar com a perspectiva da responsabilidade em ato, &eacute; necess&aacute;rio retomar a supera&ccedil;&atilde;o de um problema que envolveu o in&iacute;cio do percurso de Lacan, quanto &agrave; fixidez imagin&aacute;ria em contrapartida do conceito de sujeito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; experi&ecirc;ncia negativa do desejo como falta-a-ser. Configurou-se assim um problema, uma vez que a dire&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica alojada no rompimento com o primado narc&iacute;sico acabava por emboscar o sujeito no giro de sua pura falta-a-ser, de modo que, "a fim de livrar o sujeito da fascina&ccedil;&atilde;o por objetos que no fundo s&atilde;o produ&ccedil;&otilde;es narc&iacute;sicas, restava &agrave; psican&aacute;lise 'purificar o desejo' de todo e qualquer conte&uacute;do emp&iacute;rico. Subjetivar o desejo em seu ponto brutal de esvaziamento", conforme Safatle (2005, p. 131).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por consequ&ecirc;ncia, esta configura&ccedil;&atilde;o de dilui&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria aproximava a dire&ccedil;&atilde;o de tratamento de uma esp&eacute;cie de niilismo ap&aacute;tico, ou mesmo a um modo aut&iacute;stico de tentativa de suspens&atilde;o dos objetos emp&iacute;ricos. Sem perder a refer&ecirc;ncia do sujeito, o proposto por Lacan consistiu em articular uma dimens&atilde;o distinta quanto &agrave; iman&ecirc;ncia do objeto, em sua opacidade real - perspectiva da qual temos not&iacute;cia desde o <i>Semin&aacute;rio 7</i> (Lacan, 1959-60/1998) no qual o registro real &eacute; mais intensamente abordado desde <i>Das Ding</i> -, opacidade que ser&aacute; interposta como um reconhecimento n&atilde;o id&ecirc;ntico entre sujeito e objeto, no qual uma alteridade radical e n&atilde;o desvencilh&aacute;vel se interp&otilde;em. Desloca-se, portanto, a montagem te&oacute;rica e o direcionamento cl&iacute;nico da queda dos objetos (narc&iacute;sicos) para a destitui&ccedil;&atilde;o de sujeito em refer&ecirc;ncia ao objeto <i>a</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o nos diz respeito, por consequ&ecirc;ncia, quando marca a limita&ccedil;&atilde;o de situar uma responsabilidade psicanal&iacute;tica como intersubjetiva, no que predicaria um bem proporcional e comum, ou como tese universalista, que tenha como converg&ecirc;ncia a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com a lei ou com o primado f&aacute;lico. No que Lacan nos mostra em <i>Kant com Sade</i> (Lacan, 1963/1998), esta proposi&ccedil;&atilde;o incorreria numa esp&eacute;cie de "responsabilidade perversa" - que pode ser escrita sem aspas, se encarnado o sujeito determinado pela obedi&ecirc;ncia &agrave; natureza de Marqu&ecirc;s de Sade - onde o sujeito predicaria seu dever no reconhecimento simb&oacute;lico de uma forma pura &agrave; lei, erradicado de todo patol&oacute;gico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em congru&ecirc;ncia com tais problemas, trata-se de apreender uma responsabilidade que n&atilde;o se aloje com refer&ecirc;ncia &agrave; universalidade, mas como responsabilidade do sujeito em ato pela sua causalidade real e em face &agrave; indetermina&ccedil;&atilde;o. Pressup&otilde;e-se aqui uma vivifica&ccedil;&atilde;o da perspectiva de que n&atilde;o h&aacute; metalinguagem que ancore o sujeito, o que &eacute; apurado n&atilde;o em acr&eacute;scimos de saber, mas a cada vez que esse (o sujeito, aqui pego em sua dimens&atilde;o objetal) se coloque em perda para desalojar a sua causa real (objeto <i>a</i>) do recobrimento do campo do Outro. Deste modo, a pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o &eacute; um ju&iacute;zo a ser interposto para al&eacute;m das coordenadas do simb&oacute;lico e de indetermina&ccedil;&atilde;o; quando o sujeito se coloca como pr&oacute;prio termo e consequ&ecirc;ncia, ent&atilde;o, para engendrar um ju&iacute;zo in&eacute;dito, no que instaura uma perda de sua indetermina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais pontualmente, responsabilizar-se em ato diante do aspecto real da causa&ccedil;&atilde;o, que ao atrelar-se no posterior junto &agrave; fun&ccedil;&atilde;o significante, lan&ccedil;a um ju&iacute;zo n&atilde;o sabido, n&atilde;o prescritivo, geralmente falho, mas respons&aacute;vel. Retornamos &agrave; nota&ccedil;&atilde;o do "paradoxo de um imperativo que me pressiona a assumir minha pr&oacute;pria causalidade" (Lacan, 1965-66/1998, p.873), que convoca o sujeito a assumir sua causa de ex-sist&ecirc;ncia em sua dimens&atilde;o objetal, posi&ccedil;&atilde;o de inscri&ccedil;&atilde;o do sujeito no real que faz radicalmente valer o S(Abarrado). Neste ponto n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desalojar responsabilidade de <i>castra&ccedil;&atilde;o,</i> posto que essa predica uma rela&ccedil;&atilde;o de limite &agrave; indetermina&ccedil;&atilde;o, no que o sujeito paga com a perda de sua posi&ccedil;&atilde;o, ou do Ideal do que teria sido. O movimento contr&aacute;rio d&aacute;-se na covardia e na inibi&ccedil;&atilde;o, nas sa&iacute;das de an&aacute;lise pela infinitiza&ccedil;&atilde;o por identifica&ccedil;&atilde;o ao sintoma (sem <i>th</i>) ou identifica&ccedil;&atilde;o com o Outro, e no caso do analista, do que se esquiva do horrorizado, naquilo que suscita que "o psicanalista t&ecirc;m horror ao seu ato" (Lacan, 1980, p.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Notada a limita&ccedil;&atilde;o quanto ao <i>sollen</i> como modo de condescender &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um saber na ordem da aliena&ccedil;&atilde;o, o imperativo cl&iacute;nico transmuta-se ent&atilde;o para: <i>onde o sujeito adiviria no Isso, que advenha a causa da divis&atilde;o</i>. Nota-se, portanto, uma queda, uma destitui&ccedil;&atilde;o de sujeito, na decorr&ecirc;ncia da marca&ccedil;&atilde;o do objeto. Lacan prop&otilde;e esta no&ccedil;&atilde;o ao longo do <i>Semin&aacute;rio 15</i> (1967-68/In&eacute;dito: 17/1/1968). Notemos:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Wo S tat", e permitam-me escrever esse "$" com a letra aqui barrada, l&aacute; onde o significante agia, no duplo sentido de que ele acaba de cessar e de que ele ia justo agir, de modo algum "soll ich werden", mas "<i>muss ich",</i> eu que ajo, <i>eu que lan&ccedil;o no mundo e ssa coisa &agrave; qual &eacute; poss&iacute;vel dirigir - se como a uma raz&atilde;o ,</i> "muss Ich (a) werden", eu, daquilo que introduzo como nova ordem no mundo, devo tornar-me o dejeto. Tal &eacute; a nova forma de questionar em que consiste, em nossa &eacute;poca, o estatuto do ato. &#91;it&aacute;lico nosso&#93; (s/p)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por conseguinte, a condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade para que esta modalidade de responsabilidade se interponha implica a extra&ccedil;&atilde;o do objeto <i>a</i> do enquadre fantasm&aacute;tico. Assim, a fantasia faz barreira &agrave; responsabilidade do sujeito; inicialmente pelo seu efeito discursivo de irresponsabilidade, que como casca imagin&aacute;ria situa o falso <i>self</i>, mas, sobretudo, &agrave; medida que formata a dimens&atilde;o do Outro sem furo e que sustenta uma metalinguagem. A quest&atilde;o implica na redu&ccedil;&atilde;o da conting&ecirc;ncia ao enredo fantasm&aacute;tico, como resposta catalogada; a convoca&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabilidade neste enquadre reverbera como mais assujeitamento ou como sa&iacute;das pelo <i>acting out,</i> modo deatualiza&ccedil;&atilde;o da fantasia. Da&iacute; que &eacute; poss&iacute;vel ser perfeitamente respons&aacute;vel na ocasi&atilde;o dos seus semelhantes, ou no cen&aacute;rio fantasm&aacute;tico responder inevitavelmente sem muitos desvios ao Outro, e, ainda assim, passar ao largo do que isto nos diria quanto a responder ao imperativo da pr&oacute;pria causalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para que possamos aludir &agrave; quest&atilde;o do ato, e consequentemente, &agrave; responsabilidade do sujeito que se interp&otilde;e neste, &eacute; preciso tocar na desmontagem do enquadre fantasm&aacute;tico, relativo ao que esta opera&ccedil;&atilde;o abre para um horizonte de indetermina&ccedil;&atilde;o. Este eixo &eacute; abordado por Lacan (1967-68/In&eacute;dito) nas opera&ccedil;&otilde;es de <i>falta, perda e causa</i>, ou seja: o sujeito necessita insurgir como o que falta &agrave; cadeia significante (-1), para ent&atilde;o se valer de se fazer como a perda do que &eacute; como objeto de desejo que foi ao Outro, para ter desvinculado o acesso &agrave; causa de desejo em sua efetividade, sem mais estar vinculado a um referente de resposta (fantasia) &agrave; suposta demanda do Outro que tamponava o objeto<i> a</i> ligando-o a <i>- phi</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que este percurso reduz &eacute; conjugar que a refer&ecirc;ncia &agrave; estrutura do ato incide na considera&ccedil;&atilde;o de que &eacute; justamente <i>em nossa posi&ccedil;&atilde;o de objeto, que nos fazemos respons&aacute;veis -</i> propondo uma tor&ccedil;&atilde;o ao recorrente dito de Lacan, que por antecipa&ccedil;&atilde;o ir&aacute; posteriormente reafirm&aacute;-lo, de que "por nossa posi&ccedil;&atilde;o de sujeito, somos sempre respons&aacute;veis". O sujeito a&iacute; desvanece, portanto? Soler (2000) prop&otilde;e uma no&ccedil;&atilde;o complementar ao afirmar que do ato resta "(...) o sujeito destitu&iacute;do <i>que se sabe objeto</i>, &#91;e que&#93; nem por isso deixa de ser sujeito, no entanto (...) um <i>sujeito determinado em sua destitui&ccedil;&atilde;o</i>" &#91;it&aacute;lico nosso; colchete nosso&#93; (p. 34). A opera&ccedil;&atilde;o conjuga ent&atilde;o um novo saber: saber que se &eacute; objeto, do qual resta sujeito decidido em sua destitui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Valemo-nos aqui de um percurso que conjuga a impossibilidade de tomar a responsabilidade do sujeito como necessidade <i>a priori</i>, posto que, ao operamos com o sujeito da ci&ecirc;ncia, &eacute; improv&aacute;vel que a este vinculemos atributos, de modo que sua posi&ccedil;&atilde;o se d&aacute; atrelada &agrave; cadeia significante, como n&atilde;o estanque e nem antecip&aacute;vel. Considerando o tratamento psicanal&iacute;tico, a responsabilidade do sujeito faz-se ent&atilde;o nesta conjuga&ccedil;&atilde;o onde causas poss&iacute;veis deem lugar &agrave; transmuta&ccedil;&atilde;o da determina&ccedil;&atilde;o em conting&ecirc;ncia, de modo que a quest&atilde;o do desejo possa a vir a ser continuamente recolocada, neste campo onde o sujeito pode vir a decidir - em reconhecimento retroativo ou em ato - por ser respons&aacute;vel, ou n&atilde;o, frente a sua causalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dias, M. M. (2005). Atravessar o pior. In: <i>Por causa do pior.</i> Fingermann, D., Dias, M. M. S&atilde;o Paulo: Iluminuras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057828&pid=S1984-9044201900010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1996) Confer&ecirc;ncia XXXI: A dissec&ccedil;&atilde;o da personalidade ps&iacute;quica. Novas confer&ecirc;ncias introdut&oacute;rias sobre psican&aacute;lise. In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud.</i> v. XXII. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1933).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057830&pid=S1984-9044201900010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kant, I. (1994) <i>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura</i>. Trad. Manuela P. dos Santos e Alexandre F. Moruj&atilde;o. Lisboa: Calouste Gulbenkian. (Trabalho original publicado em 1781).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057832&pid=S1984-9044201900010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) O tempo l&oacute;gico e a asser&ccedil;&atilde;o da certeza antecipada. In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1945).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057834&pid=S1984-9044201900010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) Formula&ccedil;&otilde;es sobre a causalidade ps&iacute;quica. In: <i>Escritos.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1946).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057836&pid=S1984-9044201900010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) O est&aacute;dio do espelho como formador da fun&ccedil;&atilde;o do eu tal como nos revela a experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica. In: <i>Escritos.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. 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(Trabalho original publicado em 1950).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057840&pid=S1984-9044201900010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) O semin&aacute;rio sobre a carta roubada. In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1955).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057842&pid=S1984-9044201900010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (2008) <i>O semin&aacute;rio livro 7: A &eacute;tica da Psican&aacute;lise.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1959-60).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057844&pid=S1984-9044201900010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) Posi&ccedil;&atilde;o do inconsciente. In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1960-64).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057846&pid=S1984-9044201900010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) Kant com Sade. In: <i>Escritos.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1963).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057848&pid=S1984-9044201900010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1998) A ci&ecirc;ncia e a verdade. In: <i>Escritos.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1966).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057850&pid=S1984-9044201900010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (2003) <i>O semin&aacute;rio livro 23: O sinthoma.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1976).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057852&pid=S1984-9044201900010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (2008) <i>O semin&aacute;rio livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise.</i> Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1964).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057854&pid=S1984-9044201900010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (In&eacute;dito) <i>O semin&aacute;rio livro 15: O ato psicanal&iacute;tico.</i> (Trabalho original publicado em 1968).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057856&pid=S1984-9044201900010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lustoza, R. Z. (2006) <i>O problema da causalidade ps&iacute;quica.</i> Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/IP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057858&pid=S1984-9044201900010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gianesi, A. P. (2011) <i>Causalidade e desencadeamento na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057860&pid=S1984-9044201900010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sales, L. S. (2007) <i>Determina&ccedil;&atilde;o versus subjetividade: apropria&ccedil;&atilde;o e ultrapassagem do estruturalismo pela psican&aacute;lise lacaniana</i>. Tese de Doutorado. S&atilde;o Carlos. UFSCar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057862&pid=S1984-9044201900010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Safatle, V. P. (2005) Uma cl&iacute;nica do sens&iacute;vel: a respeito da rela&ccedil;&atilde;o entre destitui&ccedil;&atilde;o subjetiva e o primado do objeto. Em: <i>Intera&ccedil;&otilde;es</i>. Vol X, n.o 19, jan-jun, pp. 123-150.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057864&pid=S1984-9044201900010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soler, C. (2000) Variantes da destitui&ccedil;&atilde;o subjetiva: suas manifesta&ccedil;&otilde;es, suas causas. In: <i>STYLUS: revista de psican&aacute;lise.</i> n. 5, abril-novembro, pp. 11-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057866&pid=S1984-9044201900010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Torres, R. (2001) <i>Dimens&otilde;es do ato em psican&aacute;lise</i>. S&atilde;o Paulo: AnnaBlume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5057868&pid=S1984-9044201900010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 18/04 /2019    <br> Aprovado em: 06/12/2019</font></p>      ]]></body>
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