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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Narrativa: Comentário crítico do filme "Órfãos do Eldorado" (DVD)]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTES</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Narrativa<a href="#nt"><sup>*</sup></a>: Coment&aacute;rio cr&iacute;tico do filme "&Oacute;rf&atilde;os do Eldorado" (DVD)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&aacute;ssio Starling Carlos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fil&oacute;sofo, Cr&iacute;tico, Pesquisador e Professor de Hist&oacute;ria do audiovisual</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/trivium/v8n2/a13fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos filmes cabem numa sinopse. Poucos transbordam o resumo e s&oacute; acontecem quando suas imagens encarnam na tela.  "&Oacute;rf&atilde;os do Eldorado" parte do segundo time. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A adapta&ccedil;&atilde;o do romance de Milton Hatoum revela-se um desafio para Guilherme Coelho em sua primeira fic&ccedil;&atilde;o, depois de bem-sucedidas experi&ecirc;ncias no document&aacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escolha poderia resultar em puro mimetismo, com a transposi&ccedil;&atilde;o literal da obra de um autor de prest&iacute;gio, originando um filme em que o valor do texto se sobrep&otilde;e ao que se tenta traduzir em imagens. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As duas primeiras cenas apresentam as escolhas narrativas que garantem ao longa sua for&ccedil;a pr&oacute;pria.  Na inicial, a c&acirc;mara percorre uma praia amaz&ocirc;nica, conduz o olhar da natureza exuberante &agrave;s ru&iacute;nas de navios e se det&eacute;m numa mulher que se desnuda e mergulha, uma pura imagem que n&atilde;o se explica. Na seguinte, estamos em um barco e apenas escutamos um relato que mistura sexualidade e vingan&ccedil;a, animalidade e desejo, temperada com "sali&ecirc;ncia", como diz seu narrador. A palavra &eacute; o fio condutor, mas o que se v&ecirc; &eacute; outra coisa, sem sentido de ilustra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo essa ambival&ecirc;ncia, o filme oscila da terra &agrave; &aacute;gua, do texto &agrave; imagem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na primeira parte, o retorno do filho pr&oacute;digo traz de volta rancores, um passado povoado de assombra&ccedil;&otilde;es. As lembran&ccedil;as id&iacute;licas da inf&acirc;ncia de Arminto misturam-se ao reencontro inc&ocirc;modo com o pai e &agrave; casa ocupada por Florita (Dira Paes), figura de signos miscigenados, &iacute;ndia, m&atilde;e, amante, criada. Nesse ambiente pouco iluminado, os di&aacute;logos servem como fio condutor, permitem entrever as raz&otilde;es do desafeto, trazem &agrave; tona o que ficou reprimido e p&otilde;em em cena o conflito de modo mais verbal. Aos poucos, a primeira cena retorna e rouba o espa&ccedil;o da palavra. Sua aura de mist&eacute;rio e experi&ecirc;ncias on&iacute;ricas de Arminto transportam a narrativa para o regime mais indefinido das imagens. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda parte nos leva a outra viagem, na qual as palavras dispersas j&aacute; n&atilde;o coincidem com os fatos e pessoas que Arminto busca. A textura sensorial se sobrep&otilde;e ao tecido narrativo e o filme se torna &uacute;mido, caudaloso, vegetal. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/trivium/v8n2/a11fig02.jpg"><img src="/img/revistas/trivium/v8n2/a13fig02thumb.jpg">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A passagem de um registro ao outro n&atilde;o &eacute; abrupta. A transi&ccedil;&atilde;o d&aacute; muito certo gra&ccedil;as &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o introspectiva de Daniel de Oliveira. Na primeira parte, ele duela com a for&ccedil;a felina de Dira Paes. Depois, com sua "cara de on&ccedil;a triste", confirma ser um de nossos melhores animais cinematogr&aacute;ficos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a><a href="#nta">*</a> Publicado originalmente na Folha de S&atilde;o Paulo em 12 de Novembro de 2015 sob o t&iacute;tulo <i>Narrativa da for&ccedil;a pr&oacute;pria a filme inspirado em "&Oacute;rf&atilde;os do Eldorado"</i>. </font></p>      ]]></body>

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