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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Masoquismo feminino e violência doméstica: reflexões para a clínica e para o ensino de Psicologia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper intends to question present discourses about female masochism in relation to domestic violence against women. We have found discourses which lay the blame on the victims, who have been seen as masochists. In that sense, we would like to highlight the role of Freudian Psychoanalysis as a normative discourse about the feminine that, based on some mistakes, seem to have had a hand in rendering the masochistic scene as being specifically feminine. It is important to historicize these discourses, identify their ethical and political effects on gender relations and question their naturalizations; it is what we would like to approach in this paper.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ENSAIOS    E ESTUDOS TE&Oacute;RICOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Masoquismo    feminino e viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica: reflex&otilde;es para a cl&iacute;nica    e para o ensino de Psicologia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Feminine masochism    and domestic violence: reflexions for clinic and the educational psychology</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Martha G. Narvaz</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade federal    do Rio Grande do Sul. Doutoranda em psicologia - UFRGS. <a href="mailto:phoenx@terra.com.br">phoenx@terra.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo deste    trabalho &eacute; problematizar os discursos sobre o masoquismo feminino em    sua rela&ccedil;&atilde;o com a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra as mulheres.    Temos encontrado discursos que atribuem &agrave;s v&iacute;timas a culpa pelas    viola&ccedil;&otilde;es sofridas, uma vez que s&atilde;o percebidas como masoquistas.    Nesse contexto, destacamos o papel da psican&aacute;lise freudiana como discurso    normativo do feminino que, baseada em alguns equ&iacute;vocos, parece ter contribu&iacute;do    para a reifica&ccedil;&atilde;o da cena masoquista como especificamente feminina.    H&aacute;, portanto, que dar historicidade a tais discursos, identificar seus    efeitos &eacute;tico-pol&iacute;ticos na constitui&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero e problematizar suas naturaliza&ccedil;&otilde;es, para o que    nos propomos contribuir atrav&eacute;s do presente trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    masoquismo. mulheres. feminino. viol&ecirc;ncia. psican&aacute;lise.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This paper intends    to question present discourses about female masochism in relation to domestic    violence against women. We have found discourses which lay the blame on the    victims, who have been seen as masochists. In that sense, we would like to highlight    the role of Freudian Psychoanalysis as a normative discourse about the feminine    that, based on some mistakes, seem to have had a hand in rendering the masochistic    scene as being specifically feminine. It is important to historicize these discourses,    identify their ethical and political effects on gender relations and question    their naturalizations; it is what we would like to approach in this paper.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    masochism; women; feminine; violence; Psychoanalysis.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse pelo    desnudamento da produ&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica dos discursos de culpabiliza&ccedil;&atilde;o    das mulheres nas teorias e nas pr&aacute;ticas psicol&oacute;gicas vem-se construindo    a partir do nosso cotidiano de trabalho com mulheres e com meninas vitimadas    por v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia, sobretudo dom&eacute;stica e sexual.    Nesse percurso, encontramos muitas mulheres e meninas que, ao revelarem os abusos    sofridos, s&atilde;o mal acolhidas pelos &oacute;rg&atilde;os de den&uacute;ncia    legal e pelo sistema de sa&uacute;de aos quais recorrem. Sentindo-se desacreditadas,    culpabilizadas e estigmatizadas ao realizarem seus relatos, quando o fazem,    n&atilde;o contam com a escuta e com a prote&ccedil;&atilde;o familiar, comunit&aacute;ria,    jur&iacute;dica e institucional da qual necessitam. Desamparadas, elas silenciam.    Por n&atilde;o acreditarem na real possibilidade de romper a condi&ccedil;&atilde;o    de submiss&atilde;o impetrada pela viol&ecirc;ncia, essas mulheres suportam,    &agrave;s vezes por muitos anos, situa&ccedil;&otilde;es abusivas, produtoras    de intenso sofrimento ps&iacute;quico. As atividades de pesquisa e de ensino    acad&ecirc;mico, de capacita&ccedil;&atilde;o da rede de atendimento a v&iacute;timas    de viol&ecirc;ncia em v&aacute;rias cidades do Pa&iacute;s t&ecirc;m-nos revelado    o despreparo da rede para a compreens&atilde;o das especificidades de g&ecirc;nero    inscritas nessas viol&ecirc;ncias. A intensa mobiliza&ccedil;&atilde;o de diferentes    e contradit&oacute;rios afetos nas equipes diante das mulheres v&iacute;timas    de viol&ecirc;ncia que, mesmo denunciando os parceiros abusivos, voltam a conviver    com eles, bem como o desejo de prote&ccedil;&atilde;o e de amor das meninas    e das m&atilde;es das v&iacute;timas de incesto diante do pai abusivo &eacute;    recorrente (NARVAZ, 2003). As dificuldades na adequada escuta dessas mulheres    e dessas meninas, atravessadas por confus&otilde;es e ang&uacute;stias t&iacute;picas    das situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia vivivas como intrus&atilde;o    no real do corpo, parecem encontrar al&iacute;vio ao recorrerem a mitos explicativos    do senso comum, circulantes na cultura, dentre eles, o de que <i>mulher gosta    de apanhar</i> e de que <i>as filhas seduzem os pais abusivos</i>. Esses discursos,    segundo os quais as mulheres e as meninas s&atilde;o percebidas como coniventes    com os seus agressores, s&atilde;o sedutoras e provocadoras das viol&ecirc;ncias    que sofrem e inscrevem-se em diversas pr&aacute;ticas, desde as dramaturgias    rodrigueanas &agrave;s praticas <i>psi</i> (NARVAZ; KOLLER, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao resgatar a historicidade    da constitui&ccedil;&atilde;o dos discursos que orientam nossas pr&aacute;ticas    (NARVAZ, 2009), identificamos que psic&oacute;logos(as) que trabalham em programas    de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia    t&ecirc;m sua forma&ccedil;&atilde;o baseada predominantemente no referencial    te&oacute;rico da psican&aacute;lise (CFP/CREPOP, 2008), que, embora n&atilde;o    possa ser considerada um discurso un&iacute;voco, por diversas vers&otilde;es,    d&iacute;spares e incongruentes (BIRMAN, 1991), teve ampla dissemina&ccedil;&atilde;o    acad&ecirc;mica e cultural, sendo o referencial predominante nas disciplinas    de Psicologia cl&iacute;nica dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em nosso    meio (NARVAZ, 2009; TEIXEIRA; NUNES, 2001). Concebida como verdade universal    e atemporal em alguns c&iacute;rculos mais conservadores, a psican&aacute;lise    freudiana, sem considera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cr&iacute;tica, &eacute;    problem&aacute;tica, e seus conceitos e pressupostos t&ecirc;m sido contestados    e revisados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es mis&oacute;ginas    e sexistas, sobretudo no que tange &agrave;s quest&otilde;es da diferen&ccedil;a    sexual, do feminino e da feminilidade (KEHL, 1998, 2004; POLI, 2007; ROUDINESCO,    2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Leituras simplistas    e descontextualizadas de alguns postulados freudianos, dentre eles, o de um    masoquismo "autenticamente feminino" (FREUD, 1924b/1967, p. 933) e o da sedu&ccedil;&atilde;o    infantil, segundo a qual a crian&ccedil;a deseja e fantasia o abuso (FREUD,    1905/1967), t&ecirc;m efeitos nefastos na compreens&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es    de sofrimento ps&iacute;quico produzido por abusos e viola&ccedil;&otilde;es,    pois, "para uma mulher, n&atilde;o existe horror maior do que ver e sentir seu    corpo, seu espa&ccedil;o ps&iacute;quico e corporal, ser penetrado e invadido    por uma sexualidade estranha e estrangeira, sem que ela deseje essa invas&atilde;o"    (CROMBERG, 2004, p. 24). Tais aspectos engendram pr&aacute;ticas equivocadas    que interpretam os relatos de abuso sexual como fantasias hist&eacute;ricas,    bem como imputam &agrave;s meninas e &agrave;s mulheres o estatuto de c&uacute;mplices    que desejam as viol&ecirc;ncias sofridas, uma vez que, masoquistas, <i>gozam</i>    com elas (FORRESTER, 1990; NUNES, 1998). Em vez de constitu&iacute;rem uma rede    de prote&ccedil;&atilde;o, de garantia de direitos e de promo&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de, impl&iacute;cita e, por vezes, explicitamente, essas pr&aacute;ticas    operam como dispositivos de naturaliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e    de legitima&ccedil;&atilde;o da submiss&atilde;o feminina, uma vez que relativizam    a escuta e a compreens&atilde;o do sofrimento diante dessas viola&ccedil;&otilde;es,    fundamentadas nas teorias freudianas. Sabendo-se que o apoio social &eacute;    suporte necess&aacute;rio para a supera&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es    de vulnerabilidade e de desamparo impetradas pela viol&ecirc;ncia, &eacute;    fundamental que exista uma rede de apoio competente para a escuta das v&iacute;timas    de quaisquer viola&ccedil;&otilde;es, ressaltando-se a&iacute; as mulheres agredidas    por seus parceiros (NARVAZ, 2005).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As Diretrizes Curriculares    Nacionais para os Cursos de Forma&ccedil;&atilde;o em Psicologia (ABEP, 2009)    postulam a inclus&atilde;o da reflex&atilde;o hist&oacute;rica, epistemol&oacute;gica    e &eacute;tico-pol&iacute;tica sobre a constru&ccedil;&atilde;o do saber psicol&oacute;gico    na forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, a fim de viabilizar a an&aacute;lise    cr&iacute;tica das linhas de pensamento em Psicologia que fundamentam suas pr&aacute;ticas.    Buscamos, alinhadas a essas propostas, dar historicidade e revisar os discursos    sobre o masoquismo, o feminino e as mulheres veiculados na psican&aacute;lise    freudiana, avaliando as implica&ccedil;&otilde;es &eacute;tico-pol&iacute;ticas    desse saber na constitui&ccedil;&atilde;o de determinadas pr&aacute;ticas, contribui&ccedil;&atilde;o    que ora procuramos dar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>FREUD, AS MULHERES,    O FEMININO E O MASOQUISMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme Poli (2007),    desde a publica&ccedil;&atilde;o de <i>Uma teoria sexual</i> (FREUD, 1905) o    Ocidente tem tentado resolver a quest&atilde;o da diferen&ccedil;a e da significa&ccedil;&atilde;o    sexual com o recurso &agrave; anatomia, que tem no p&ecirc;nis o referente material    da constitui&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a sexual. Oscilando em textos    de diferentes &eacute;pocas, a refer&ecirc;ncia &agrave; anatomia aparece, inicialmente,    na famosa frase "anatomia &eacute; destino", proferida por Freud (1912/1967)    em <i>Sobre uma degrada&ccedil;&atilde;o geral da vida er&oacute;tica.</i> No    texto <i>A dissolu&ccedil;&atilde;o do complexo de &Eacute;dipo</i>, Freud (1924a/1967)    utiliza a mesma frase para marcar os diferentes destinos de homens e de mulheres.    A diferen&ccedil;a situa-se na forma como cada sexo anat&ocirc;mico experimenta    o complexo de castra&ccedil;&atilde;o: j&aacute; que as meninas n&atilde;o t&ecirc;m    p&ecirc;nis, devem renunciar ao desejo de possu&iacute;-lo, substituindo-o pelo    desejo de ter um filho. Em <i>Algumas considera&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas    da diferen&ccedil;a anat&ocirc;mica entre os sexos,</i> Freud (1925/1967) afirma    que o fundamento anat&ocirc;mico seria o dado natural sobre o qual se apoia    a sexualidade infantil na defini&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es    de homens e de mulheres. Ter ou n&atilde;o ter um p&ecirc;nis &eacute; o que    define essas posi&ccedil;&otilde;es, advindo da&iacute; o sentimento de inferiroridade    da menina diante da constata&ccedil;&atilde;o de sua priva&ccedil;&atilde;o.    J&aacute; em <i>Psicog&ecirc;nese de um caso de homossexualidade feminina</i>,    Freud (1920b/1967) contradiz o fundamento anat&ocirc;mico como pressuposto para    a constitui&ccedil;&atilde;o da identidade sexual, distinguindo tr&ecirc;s elementos    nessa trama, independentes entre si, quais sejam: 1) a identidade ps&iacute;quica,    que oscila entre atividade/passividade, 2) a escolha de objeto e, 3) os caracteres    sexuais anat&ocirc;micos (POLI, 2007). A partir de 1920, a constitui&ccedil;&atilde;o    da masculinidade ou da feminilidade passa a ser um enigma que n&atilde;o &eacute;    apreendido na anatomia. Se recorrermos &agrave; anatomia, desconsideramos o    trabalho ps&iacute;quico necess&aacute;rio &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o    da identifica&ccedil;&atilde;o sexual, uma vez que masculinidade e feminilidade    s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas. O corpo &eacute; importante    nesse processo, mas n&atilde;o &eacute; suficiente (NUNES, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A diferen&ccedil;a    anat&ocirc;mica genital, invocada especialmente nas formula&ccedil;&otilde;es    iniciais do pensamento freudiano sobre a sexualidade feminina, seguiram sendo    reafirmadas em diversos textos, fortemente carregadas de conte&uacute;do mis&oacute;gino    (POLI, 2007). Para Freud, "criador da mulher hist&eacute;rica e da libido &uacute;nica"    (ROUDINESCO, 2003, p. 134), as mulheres s&atilde;o sedutoras, vorazes e mort&iacute;feras    (MANNONI, 1999). Mesmo n&atilde;o tendo participado do <i>assassinato do pai</i>,    foram elas que seduziram os homens e provocaram as rivalidades masculinas, incitando-os    ao crime (ASSOUN, 1993). Passivas, castradas e naturalmente masoquistas, as    mulheres s&atilde;o feitas para o amor e para a maternidade, n&atilde;o devendo    ser encorajadas a exercer uma profiss&atilde;o, dado que "s&atilde;o mais d&eacute;beis    e sua capacidade de sublima&ccedil;&atilde;o &eacute; menor que a dos homens    (...); incapazes de militarem pela igualdade, uma vez que seu escasso interesse    social e sentido de justi&ccedil;a dependem do predom&iacute;nio da inveja em    sua vida ps&iacute;quica" (FREUD, 1933/1967, p. 942), e devem submeter-se ao    seu destino biol&oacute;gico de serem esposas e m&atilde;es. A inveja do p&ecirc;nis    e a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o de sua passividade e de sua castra&ccedil;&atilde;o    as tornam neur&oacute;ticas, perversas e hist&eacute;ricas (FREUD, 1914/1967),    e sua dissimula&ccedil;&atilde;o busca esconder essa falta atrav&eacute;s da    sedu&ccedil;&atilde;o e de encantos (FREUD, 1933/1967). Nesse ensaio, intitulado    <i>A feminilidade</i>, de 1933, ele creditou &agrave;s mulheres, que pouco teriam    contribu&iacute;do para as descobertas e inven&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria    da civiliza&ccedil;&atilde;o, uma inven&ccedil;&atilde;o singular: a atividade    de tecer panos para esconder sua castra&ccedil;&atilde;o. A motiva&ccedil;&atilde;o    inconsciente teria sido a necessidade de cobrir sua nudez, sua falta. Tendo    que esconder seu nada, as mulheres se recusariam a expor sua nudez, onde n&atilde;o    h&aacute; mais nada a esconder, extraindo da&iacute;, secundariamente, um ganho,    ao transformarem a falta assim ocultada em um tesouro de <i>encantos,</i> dissimula&ccedil;&atilde;o    mascarada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O feminino, inicialmente    associado &agrave;s mulheres, &agrave; castra&ccedil;&atilde;o e &agrave; falta    do p&ecirc;nis (FREUD, 1912/1967), foi sendo desvinculado do crit&eacute;rio    anat&ocirc;mico no discurso freudiano, sabidamente biologicista em sua fase    inicial, permanecendo, entretanto, associado &agrave; passividade (FREUD, 1920b/1967)    e ao sentimento de inferioridade, cicatriz resultante da ferida narc&iacute;sica    diante da inveja feminina do p&ecirc;nis (FREUD, 1925/1967). Nos escritos dos    anos 1920 e 1930 sobre a sexualidade feminina, Freud enunciou categoricamente    que a mulher estava fadada &agrave; maternidade. Recuando, posteriormente, dessas    teoriza&ccedil;&otilde;es nos ensaios <i>Sobre a sexualidade feminina</i> (FREUD,    1931/1967), ele entende que as mulheres poderiam ter tr&ecirc;s diferentes destinos    poss&iacute;veis ao descobrirem sua condi&ccedil;&atilde;o de castra&ccedil;&atilde;o    e de falta do p&ecirc;nis/falo: a neurose e a inibi&ccedil;&atilde;o sexual,    a virilidade feminina e a maternidade. Portanto, ser verdadeiramente mulher    implicaria tanto o reconhecimento de sua condi&ccedil;&atilde;o castrada, pela    aus&ecirc;ncia do p&ecirc;nis/falo, quanto o desejo da maternidade. Caso contr&aacute;rio,    a mulher estaria fadada ao destino tr&aacute;gico da inibi&ccedil;&atilde;o    sexual, da neurose e da pervers&atilde;o, j&aacute; que, maculada pela anomalia    e pela patologia de seus humores er&oacute;ticos, alimentaria a pretens&atilde;o    secreta de ter o p&ecirc;nis/falo e de ser como um homem. Freud manteve, assim,    intacto o estatuto das mulheres estabelecido no s&eacute;culo XVIII, segundo    o qual elas seriam m&atilde;es por natureza, sendo a maternidade, a fragilidade    e a depend&ecirc;ncia de uma figura masculina os tra&ccedil;os de sua ess&ecirc;ncia.    Embora ele tenha tra&ccedil;ado tr&ecirc;s vias poss&iacute;veis para o confronto    das mulheres com sua castra&ccedil;&atilde;o - a frigidez, a virilidade e a    maternidade -, a &uacute;nica possibilidade efetiva para tornar-se mulher seria    a maternidade. N&atilde;o obstante, acrescentou ainda que as mulheres deveriam    ser m&atilde;es por voca&ccedil;&atilde;o libidinal e, em consequ&ecirc;ncia,    deveriam funcionar no espa&ccedil;o familiar, e n&atilde;o no espa&ccedil;o    p&uacute;blico (BIRMAN, 1999, 2001).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em <i>O problema    econ&ocirc;mico do masoquismo,</i> Freud (1924b/1967) sistematiza tr&ecirc;s    formas de masoquismo, quais sejam: 1) um masoquismo er&oacute;geno, ou prim&aacute;rio,    esp&eacute;cie de mescla pulsional entre Eros e a puls&atilde;o de morte, o    que o aproxima do erotismo, 2) um masoquismo moral, atrelado &agrave;s exig&ecirc;ncias    culturais e efeito do sentimento de culpa inconsciente diante de desejos incestuosos,    e 3) um masoquismo feminino, que corresponderia ao modelo da pervers&atilde;o    masoquista. Enquanto o masoquismo moral &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o do    sujeito com o social, o masoquismo feminino se materializa no relacionamento    com o outro, ao qual o sujeito se oferece como objeto para ser aviltado e humilhado.    O que est&aacute; em quest&atilde;o &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o de humilha&ccedil;&atilde;o    frente ao objeto amoroso, pois aqui se faz necess&aacute;ria a encena&ccedil;&atilde;o    masoquista com o outro, diferentemente do masoquismo moral, no qual a figura    do outro aparece sob a forma das injun&ccedil;&otilde;es da cultura (FORTES,    2007).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O masoquismo "autenticamente    feminino" (FREUD, 1924b/1967, p. 933) &eacute; expresso atrav&eacute;s das fantasias    de ser castrado, copulado, amorda&ccedil;ado, amarrado, espancado, aviltado    e humilhado, e foi considerado por Freud (1919/1967) desde <i>Bate-se em uma    crian&ccedil;a</i>, cujas conclus&otilde;es s&atilde;o complexas, contradit&oacute;rias    e, por vezes, bizarras. Aparece a&iacute; a equival&ecirc;ncia entre passivo,    infantil e feminino, posi&ccedil;&atilde;o segundo a qual o(a) masoquista deseja    ser tratado(a) como uma crian&ccedil;a pequena, desamparada e, particularmente,    como uma crian&ccedil;a desobediente e travessa que merece ser punida. O desejo    da crian&ccedil;a, menino ou menina, de ser espancado pelo pai seria uma forma    substitutiva das puls&otilde;es sexuais incestuosas. Erotizada a viol&ecirc;ncia,    a crian&ccedil;a interpreta que, "se o pai me bate, &eacute; a mim que ama,    eu sou a(o) preferida(o)", fantasia de flagela&ccedil;&atilde;o advinda do elo    incestuoso com o pai. &Eacute; nesse sentido que deve ser interpretado o masoquismo    feminino: n&atilde;o como espec&iacute;fico das mulheres ou das meninas, mas    da atitude feminina de ambos os sexos na rela&ccedil;&atilde;o com o pai, atitude    que corresponde, na menina, ao complexo de &Eacute;dipo, cujas fantasias se    referem a ser castrado, ser copulado e parir, fantasias que seriam t&iacute;picas    da feminilidade, mesmo nos meninos. Conv&eacute;m sinalizar que o pr&oacute;prio    Freud (1900/1967), em <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos,</i> entendia    que a realidade ps&iacute;quica e fantasm&aacute;tica dos desejos inconscientes    n&atilde;o podia ser confundida com a realidade material. Essa confus&atilde;o    entre fantasma e recorda&ccedil;&atilde;o se mant&eacute;m presente na compreens&atilde;o    de toda uma linha de pensamento psicanal&iacute;tico p&oacute;s-freudiana, e    parece residir no ponto manifesto das atitudes femininas, referidas &agrave;    sua incompletude constitucional, desprezando o conte&uacute;do da fantasia fundamental.    A confus&atilde;o entre fantasma e recorda&ccedil;&atilde;o &eacute; o que esteve    em jogo no abandono da teoria da sedu&ccedil;&atilde;o por Freud, que priorizou    a via fantasm&aacute;tica da realidade ps&iacute;quica em detrimento da realidade    material dos atos incestuosos efetivamente cometidos(CROMBERG, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A oposi&ccedil;&atilde;o    entre passividade e atividade e suas rela&ccedil;&otilde;es com o masculino    e o feminino, bem como a teoria do masoquismo, foram repensadas por Freud (1930/1967)    a partir de reflex&otilde;es sobre a guerra, sobre a morte e sobre o mal-estar    na civiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute;poca na qual elabora o conceito de puls&atilde;o    de morte. Em <i>Mais al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer</i> (FREUD, 1920a/1967),    o conceito de puls&atilde;o de morte indicava a dimens&atilde;o de um <i>excesso</i>    da for&ccedil;a pulsional, amea&ccedil;ador do psiquismo. Frente ao impacto    pulsional, o sujeito pode se proteger do real da ang&uacute;stia e do seu desamparo    pela colagem submissa e dependente a um outro, emprestando seu corpo de maneira    humilhante para o gozo deste. Essa posi&ccedil;&atilde;o masoquista propiciaria    certa prote&ccedil;&atilde;o ao sujeito, que poderia se esquivar da ang&uacute;stia    produzida pelo desamparo. O sujeito se inscreveria no registro da servid&atilde;o,    pela media&ccedil;&atilde;o do masoquismo, para se subtrair da ang&uacute;stia    do real e de seus efeitos traum&aacute;ticos. Seria essa condi&ccedil;&atilde;o    de excesso que o colocaria frente a um desamparo insuper&aacute;vel diante da    incapacidade de dom&iacute;nio absoluto da puls&atilde;o (BIRMAN, 1996).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na Confer&ecirc;ncia    XXXIII sobre <i>A feminilidade,</i> Freud (1933/1967) aborda as rela&ccedil;&otilde;es    entre desamparo, masoquismo e feminilidade. A feminilidade passa a ser concebida    como condi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria dos sujeitos, independentemente    de seu sexo anat&ocirc;mico, n&atilde;o mais uma posi&ccedil;&atilde;o autenticamente    feminina, e representa a perda dos emblemas f&aacute;licos para ambos os sexos/g&ecirc;neros.    Nesse sentido &eacute; que a posi&ccedil;&atilde;o da feminilidade seria aquela    que produziria horror tanto em homens quanto em mulheres diante do confronto    com a perda da arrog&acirc;ncia f&aacute;lica, seja por n&atilde;o mais se sentirem    superiores pela posse do p&ecirc;nis/falo, seja pela inveja do p&ecirc;nis.    Seria para essa <i>desfaliciza&ccedil;&atilde;o</i> e para o desvanecimento    narc&iacute;sico que nos remete a feminilidade, para al&eacute;m da diferen&ccedil;a    sexual anat&ocirc;mica. A aceita&ccedil;&atilde;o da feminilidade equivale &agrave;    aceita&ccedil;&atilde;o da castra&ccedil;&atilde;o e do sentimento de incompletude    e de desamparo, cujo rep&uacute;dio denuncia que o sujeito se defende dessa    experi&ecirc;ncia atrav&eacute;s de investimentos f&aacute;lico-narc&iacute;sicos.    Diante dessas reformula&ccedil;&otilde;es, as concep&ccedil;&otilde;es sobre    o masoquismo foram revisadas, n&atilde;o havendo mais um primado do masoquismo    nas mulheres, mas em ambos os sexos. A rela&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o    a um outro forte e protetor seria uma possibilidade imagin&aacute;ria para quaisquer    sujeitos como sa&iacute;da da condi&ccedil;&atilde;o de ang&uacute;stia do desamparo.    O masoquismo feminino seria uma defesa contra a experi&ecirc;ncia de desamparo,    prot&oacute;tipo da depend&ecirc;ncia infantil de um Outro pretensamente poderoso    e protetor (BIRMAN, 1999, 2001).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AS CONDI&Ccedil;&Otilde;ES    DE PRODU&Ccedil;&Atilde;O DO DISCURSO FREUDIANO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma vez que as    teorias n&atilde;o podem se proteger contra as determina&ccedil;&otilde;es sociohist&oacute;ricas    de seu tempo (HENRY,1997), &eacute; fundamental resgatar a historicidade da    produ&ccedil;&atilde;o do discurso freudiano sobre as mulheres. A posi&ccedil;&atilde;o    discursiva freudiana desvela-se nos problemas contratransferenciais enfrentados    por Freud no tratamento de Dora (BERNHEIMER; KAHANE, 1985), na recusa de sua    feminilidade (ANDR&Eacute;, 1996, 1998), nos seus preconceitos e nas suas dificuldades    com as mulheres, com o feminino e com a pr&oacute;pria m&atilde;e (MANNONI,    1999). Segundo diversos psicanalistas e historiadores, dentre eles P. Assoun    (1993), C. Bertin (1990), L.A. Celles (2005) e J. Forrester (1990), o discurso    psicanal&iacute;tico freudiano &eacute; enunciado de uma posi&ccedil;&atilde;o    burguesa, patriarcal e conservadora, marcado pelo <i>falicismo</i> de seu tempo.    Embora atento &agrave;s contesta&ccedil;&otilde;es femininas e aos trabalhos    das analistas mulheres que influenciaram seu trabalho de 1925 a 1940, "a rela&ccedil;&atilde;o    de Freud com a mulher &eacute; marcada pelo temor &agrave; sedu&ccedil;&atilde;o,    da qual ele se defende, e &agrave; morte, figura do destino que assume os tra&ccedil;os    da m&atilde;e" (MANNONI, 1999, p. 88). Para Freud, "as mulheres tinham como    fun&ccedil;&atilde;o ser anjos a servi&ccedil;o das necessidades e do conforto    dos homens" (MANNONI, 1999, p. 29). Para ele, era impens&aacute;vel querer lan&ccedil;ar    as mulheres na luta pela vida, &agrave; maneira dos homens, e evocava a tese    da fraqueza comparativa das mulheres na <i>sele&ccedil;&atilde;o natural</i>    social. A educa&ccedil;&atilde;o e o trabalho, para as mulheres, sufocaria,    segundo Freud, o que havia de mais precioso nelas, a do&ccedil;ura e o ideal    de feminilidade caracterizado pela maternidade - ideal da cultura conservadora,    burguesa e patriarcal da Viena vitoriana de ent&atilde;o (ANDR&Eacute;, 1996;    AR&Aacute;N, 2006; ASSOUN, 1993; BERTIN, 1990).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A concep&ccedil;&atilde;o    de uma ess&ecirc;ncia feminina submissa, servil, passiva e masoquista, voltada    para o sacrif&iacute;cio, para a ren&uacute;ncia pulsional em nome do desejo    do Outro e para a maternidade, vinha sendo elaborada no discurso cient&iacute;fico    desde as &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XVIII. A ideia de que    o masoquismo seria inerente &agrave; sexualidade feminina esbo&ccedil;ou-se,    inicialmente, por Richard Von Krafft-Ebing, em 1880, para quem a sexualidade    era predeterminada pelos instintos e restringia-se &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o    da esp&eacute;cie. Tudo aquilo que n&atilde;o se inscrevesse nesse modelo era    considerado anomalia do sexo e, portanto, pervers&atilde;o. As pervers&otilde;es    sexuais inseriam-se na <i>teoria da degenera&ccedil;&atilde;o</i>, constitu&iacute;da    por Morel, em 1860, e que adquiriu prest&iacute;gio na segunda metade do s&eacute;culo    XIX. Por meio dessa categoria, articulavam-se os discursos moral e cient&iacute;fico,    cujo efeito foi, dentre outros, a estrat&eacute;gia pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o    das minorias transgressoras dos ditames da normaliza&ccedil;&atilde;o sexual    e de g&ecirc;nero. O que era politicamente problem&aacute;tico no campo da pervers&atilde;o    era que o(a) perverso(a) subvertia a ordem <i>natural</i> da reprodu&ccedil;&atilde;o    em nome do prazer, afronta &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da ordem familiar    e aos valores morais ent&atilde;o dominantes (BIRMAN, 1993). Krafft-Ebing propunha    haver uma ess&ecirc;ncia especificamente feminina, vinculada &agrave;s caracter&iacute;sticas    de seu sexo, na qual o masoquismo seria uma exacerba&ccedil;&atilde;o de potencialidades    inscritas na natureza das mulheres. O desejo da submiss&atilde;o (sexual) &agrave;    figura masculina seria a ess&ecirc;ncia da feminilidade, bem como a tend&ecirc;ncia    &agrave; passividade, &agrave; servid&atilde;o e ao sofrimento, da&iacute; serem    as mulheres <i>naturalmente</i> propensas ao masoquismo. O masoquismo era n&atilde;o    somente aceit&aacute;vel como desej&aacute;vel nas mulheres, mas deveria ficar    circunscrito ao casamento e &agrave; maternidade, pois os instintos sexuais    das mulheres eram mais facilmente degener&aacute;veis que os dos homens e, assim,    mais facilmente levados &agrave; pervers&atilde;o e ao descontrole das paix&otilde;es    (NUNES, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sexualidade feminina    foi sendo cada vez mais circunscrita ao casamento e &agrave; maternidade, e    almejava-se uma esp&eacute;cie de <i>dessexualiza&ccedil;&atilde;o</i> das mulheres.    No lugar do instinto sexual, aparece o instinto materno, advogando-se que a    rela&ccedil;&atilde;o com o marido deveria ser marcada pela subservi&ecirc;ncia,    dado o desejo inato de submiss&atilde;o nas mulheres e sua capacidade natural    de suportar dores e sofrimentos atestada pela gesta&ccedil;&atilde;o e pelo    parto. A ideia de que as mulheres seriam dotadas de maior capacidade de sofrimento    e de devotamento ganha cada vez mais adeptos, ideia que prescreve o casamento    como um sacrif&iacute;cio ao qual as mulheres deveriam se submeter, alegre e    passivamente, na constitui&ccedil;&atilde;o de seu destino, fonte da felicidade    das mulheres. Toda a socializa&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero estava voltada    para essas concep&ccedil;&otilde;es, reprimidas quaisquer necessidades de independ&ecirc;ncia    das mulheres e de interesses externos &agrave; esfera dom&eacute;stica, fossem    nas artes, nas ci&ecirc;ncias ou na pol&iacute;tica. Comportamentos e aspira&ccedil;&otilde;es    femininas que escapassem ao bin&ocirc;mio casamento-maternidade eram <i>excessos</i>    da sexualidade feminina. Patologizados e medicalizados os desejos das mulheres    que n&atilde;o correspondiam a essas prescri&ccedil;&otilde;es, aparece a figura    da hist&eacute;rica, prot&oacute;tipo da feminilidade rebelde, excessiva, desregulada    e perigosa, que renega a posi&ccedil;&atilde;o passiva na tentativa de preservar    sua pot&ecirc;ncia, protesto <i>viril</i> contra o jugo da submiss&atilde;o.    &Agrave;s hist&eacute;ricas eram reservadas as duchas frias, as camisas-de-for&ccedil;a    e as mutila&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas, tentativas de suprimir sua    sexualidade transbordante &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o da ordem patriarcal    (KEHL,1998; NUNES, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As atividades criativas    eram atributos da masculinidade. Mulheres que revelavam tais interesses ou intelig&ecirc;ncia    exacerbada eram consideradas anormais, viris ou assexuadas. Os homens criavam    obras de arte, nas quais representavam as possibilidades er&oacute;ticas para    as mulheres como objetos de seus desejos, rela&ccedil;&atilde;o er&oacute;tica    retratada como submiss&atilde;o feminina ao desejo e &agrave; pot&ecirc;ncia    masculina. As representa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; sexualidade feminina    eram sempre passivas, realizadas por homens, nas quais os artistas (masculinos)    as representavam a partir de suas fantasias e de seus desejos de domina&ccedil;&atilde;o.    Exclu&iacute;das das possibilidades de representar seus pr&oacute;prios desejos    e fantasias, as mulheres recriavam-se a si pr&oacute;prias nos seus filhos e    filhas, restando a maternidade como possibilidade sublimat&oacute;ria legitimada    pela cultura patriarcal. As mulheres subjetivavam-se atrav&eacute;s de discursos    que associavam ao feminino &agrave; dor, &agrave; passividade e ao masoquismo.    Tornando-se objeto de desejo e de gozo masculino e inscrevendo a&iacute; o seu    desejo, a mulher se defenderia do desamparo ao qual estava exposta em uma ordem    cultural que lhe oferecia poucas possibilidades de sobreviv&ecirc;ncia aut&ocirc;noma,    real e ps&iacute;quica, ao mesmo tempo em que se obstaculizava sua experi&ecirc;ncia    er&oacute;tica. Essa opera&ccedil;&atilde;o reassegurava ao parceiro sua pot&ecirc;ncia,    encobrindo a condi&ccedil;&atilde;o de desamparo que tamb&eacute;m o amea&ccedil;ava,    fazendo-o acreditar ser imprescind&iacute;vel a ela no jogo er&oacute;tico de    sua masculinidade. O modelo de mulher abnegada e servil que se sacrifica e abre    m&atilde;o de sua condi&ccedil;&atilde;o de sujeito em nome do homem, tornando-se    vital para ele, apresentava-se como a possibilidade normativa de subjetiva&ccedil;&atilde;o    para a mulher, sintonizada com o desejo masculino. Condenada a entrar no desejo    atrav&eacute;s da uni&atilde;o com o homem, seu ingresso no casamento condenava-a    a ligar ao homem o seu gozo (ASSOUN, 1993).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">S&atilde;o essas    as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o do discurso freudiano sobre    a posi&ccedil;&atilde;o masoquista feminina, possibilidade simb&oacute;lica    de constitu&ccedil;&atilde;o do sujeito mulher em uma ordem social adversa a    qualquer aspira&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o correspondesse ao ideal burgu&ecirc;s    de esposa e m&atilde;e. O masoquismo feminino poderia ser uma alternativa poss&iacute;vel    para a mulher ter acesso a uma experi&ecirc;ncia er&oacute;tica e uma defesa    contra o desamparo, inscrevendo-se no registro da servid&atilde;o, ou seja,    de submeter-se ao desejo do Outro para se proteger da ang&uacute;stia do real    e de seus efeitos traum&aacute;ticos (ANDR&Eacute;, 1996; ASSOUN, 1993). Ainda    que o masoquismo n&atilde;o fosse mais exclusivo das mulheres, pois tal posi&ccedil;&atilde;o    pode ser assumida por quaisquer sujeitos, se o desejo masoquista &eacute; o    de se colocar em uma posi&ccedil;&atilde;o infantil, passiva, submissa e/ou    desamparada, o jogo que o(a) masoquista encena &eacute; o lugar reservado, no    imagin&aacute;rio social, &agrave;s mulheres, em contraste com a posi&ccedil;&atilde;o    masculina, ativa e dominante. H&aacute; que se destacar que a subjetividade    masoquista &eacute; uma forma poss&iacute;vel de inscri&ccedil;&atilde;o dos    sujeitos na ordem da cultura, possibilidade que n&atilde;o &eacute; exclusiva    e nem natural das mulheres. A possibilidade real de inscri&ccedil;&atilde;o    das mulheres na posi&ccedil;&atilde;o passiva e masoquista deve ser compreendida,    portanto, como sa&iacute;da para o desamparo gerado por uma organiza&ccedil;&atilde;o    social que circunscrevia &agrave;s mulheres posi&ccedil;&otilde;es dependentes    de uma figura masculina provedora e protetora, o que era especialmente acentuado    na Viena vitoriana de Freud, filho do patriarcado judeu vienense do fim do s&eacute;culo    XIX. O que tornou essa possibilidade mais concreta para elas foi o fato de encontrarem    menores possibilidades de reasseguramento social e de sublima&ccedil;&atilde;o    para seu desamparo prim&aacute;rio, o que rebate o discurso ideol&oacute;gico    de uma suposta natureza feminina submissa, passiva, dependente, maternal, sacrificial    e masoquista (BERTIN, 1990; NUNES, 1998). As mulheres n&atilde;o s&atilde;o    naturalmente masoquistas, mas o masoquismo arremeda, na posi&ccedil;&atilde;o    de objeto de gozo do Outro, a suposi&ccedil;&atilde;o de um gozo feminino (BATISTA;    PINHEIRO, 2000).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo a psicanalista    S&iacute;lvia Nunes (1998), diante da condi&ccedil;&atilde;o de desamparo na    qual se encontravam as mulheres do final do s&eacute;culo XIX, o que ocorre    ainda na atualidade, o masoquismo aparecia como uma possibilidade real de inscri&ccedil;&atilde;o    do sujeito feminino na cultura, sendo a hist&eacute;rica a figura que emergiu    como protesto ao torniquete imposto pelo ideal de feminilidade servil, assexuado    e maternal vigente. A masoquista seria aquela que, deparando-se com um universo    restrito de ins&iacute;gnias f&aacute;licas, aceitava o jogo mort&iacute;fero    da servid&atilde;o na tentativa de escapar ao desamparo, &agrave; dor e ao sofrimento,    obtendo a&iacute; alguma possibilidade de prazer. Para ilustrar essa hip&oacute;tese,    a autora discute duas obras que marcaram a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica    da &eacute;poca, dentre elas, <i>Madame Bovary,</i> de G. Flaubert, e <i>Casa    de Bonecas</i>, de Henrik Ibsen. Emma Bovary aparece como uma mulher que renega    os deveres do casamento e da maternidade em nome da paix&atilde;o, com for&ccedil;a    subversiva capaz de minar a estrutura da fam&iacute;lia burguesa. Emma parece    um retrato bem acabado da mulher oitocentista, insatisfeita com seu destino    de mulher e frustrada sexualmente. Incapaz de se adaptar ao ideal de esposa    e m&atilde;e, sem ter como buscar satisfa&ccedil;&atilde;o para seus desejos    sexuais e intelectuais, excessivos para uma mulher de sua &eacute;poca, &eacute;    diagnosticada sua doen&ccedil;a nervosa. Envolve-se, como tentativa de sobreviv&ecirc;ncia    ps&iacute;quica, em uma paix&atilde;o na qual a servid&atilde;o ser&aacute;    a marca fundamental. Atrav&eacute;s dessa personagem, Flaubert pinta a problem&aacute;tica    feminina que, principalmente nas camadas burguesas, explode na segunda metade    do s&eacute;culo XIX, momento no qual as mulheres come&ccedil;am a almejar outra    inser&ccedil;&atilde;o social que n&atilde;o apenas a de esposa e m&atilde;e,    isto &eacute;, as hist&eacute;ricas come&ccedil;am a se sentir asfixiadas em    seus espartilhos. J&aacute; Nora Helmer, a personagem de <i>Casa de Bonecas</i>,    baseado em um caso real, faz o caminho inverso. Inicialmente, ela aceita seu    lugar de esposa e de m&atilde;e. Renunciando a qualquer vontade pr&oacute;pria,    torna-se brinquedo do marido, dando-lhe a ilus&atilde;o de poder de que ele    necessita. Desiludindo-se, a certa altura, com o marido, ela sai de casa e decide    estudar para compreender o mundo patriarcal e suas leis arbitr&aacute;rias.    Com essas duas personagens, S&iacute;lvia Nunes demonstra as alternativas que    se apresentam a um sujeito, homem ou mulher, diante do encontro com a feminilidade    em uma realidade adversa que, no caso das mulheres, as infantilizava e lhes    apontava a posi&ccedil;&atilde;o masoquista de servid&atilde;o como possibilidade    normativa de subjetiva&ccedil;&atilde;o. Parece que "o masoquismo feminino,    condizente com a natureza das mulheres, era a condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade    para o sucesso do casamento e da ordem familiar burguesa. Sem uma boa dose de    masoquismo por parte das mulheres, esse modelo n&atilde;o se sustentaria" (NUNES,    1998, p. 229).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES    FINAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Parece que todos    os artif&iacute;cios e dispositivos de uma &eacute;poca estiveram voltados para    a produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades femininas concebidas como guardi&atilde;s    da afetividade, capazes de assegurar o modo adequado de educar as crian&ccedil;as    de forma a que estas se tornassem seres govern&aacute;veis. O governo, tanto    das mulheres quanto das crian&ccedil;as, entendido no horizonte da sociedade    disciplinar (FOUCAULT, 1975/2002), &eacute; dotado de dispositivos que se articulam    para fabricar subjetividades conforme as normas de g&ecirc;nero prescritas pela    ordem social, normas estas ideologicamente chanceladas por discursos que, no    caso das mulheres, "as pretendem passivas para melhor instrumentar sua sujei&ccedil;&atilde;o"    (ASSOUN, 1993, p. XIII). O masoquismo, a passividade e o desejo de servid&atilde;o    sexual inscrevem-se, portanto, n&atilde;o em uma pretensa natureza feminina,    mas na hist&oacute;ria da produ&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica das subjetividades    em g&ecirc;neros (NARVAZ, 2009) segundo determinado imagin&aacute;rio social    encontrado ainda hoje em algumas teorias psicanal&iacute;ticas (BATISTA; PINHEIRO,    2000). Concep&ccedil;&otilde;es preconceituosas, equivocadas e simplistas, sem    considera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cr&iacute;tica, de toda forma odiosas,    segundo "as quais as mulheres participam do ato sexual violento" (CROMBERG,    2004, p. 64), podem operar na contram&atilde;o da luta contra as diversas formas    de viol&ecirc;ncia sexual e dom&eacute;stica impetrada contra as mulheres, uma    vez que individualizam e naturalizam a passividade e o masoquismo femininos,    alegando sua cumplicidade com a sujei&ccedil;&atilde;o aos abusos e &agrave;    viola&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As teorias n&atilde;o    podem se proteger contra as determina&ccedil;&otilde;es sociohist&oacute;ricas    de seu tempo (HENRY,1997). O pol&iacute;tico &eacute; constitutivo dos sentidos    constru&iacute;dos, engendrando imagens te&oacute;ricas que s&atilde;o sempre    provis&oacute;rias, atrav&eacute;s das quais os sujeitos elaboram imagens de    si, dos outros, do desejo, do prazer, do sofrimento ou da alegria com base no    material cultural dispon&iacute;vel. Tornamo-nos o que a cultura permite que    venhamos a nos tornar (COSTA, 2000). O efeito de verdade produzido pelos discursos    cient&iacute;ficos sobre os sujeitos atesta o poder das teorias <i>psi,</i>    mais do que de outros discursos, de estabelecerem verdades (LEIT&Atilde;O; BAZILIO;    MONTEIRO; ZIDAN; RESENDE; FERREIRA, 2006). Tomadas como cient&iacute;ficas,    essas verdades se voltam sobre os sujeitos, produzindo efeitos que regulam a    produ&ccedil;&atilde;o das subjetividades, as possibilidades de exist&ecirc;ncia,    os saberes e os fazeres profissionais. Constituindo-se conforme determinadas    filia&ccedil;&otilde;es, toda teoria tem uma hist&oacute;ria, que &eacute; pol&iacute;tica    e ideol&oacute;gica e que representa os interesses de determinados grupos cient&iacute;ficos    e sociais. Algumas leituras de escolas freudianas mais conservadoras, preocupadas    com uma suposta fidelidade na transmiss&atilde;o da psican&aacute;lise, parecem    imunes aos efeitos do tempo, do espa&ccedil;o, da hist&oacute;ria e das marca&ccedil;&otilde;es    da diferen&ccedil;a (e) do g&ecirc;nero. Esses discursos materializados em diferentes    teorias e pr&aacute;ticas, em nome da ci&ecirc;ncia, legitimam desigualdades    e viol&ecirc;ncias que, historicamente, buscam normatizar as subjetividades,    destacando-se aqui a subjetividade feminina. O ser femininamente mulher j&aacute;    n&atilde;o passa mais pela obrigatoriedade e pela impossibilidade de ser mulher    sem que sofra as penas, as dores e as del&iacute;cias da maternidade (BIRMAN,    2001). Com o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico da era moderna e com as conquistas    pelas mulheres de espa&ccedil;os antes reservados aos homens, conquistas essas    tribut&aacute;rias das lutas das feministas, os discursos ideol&oacute;gicos    de inferioridade, de passividade e de desejo de servid&atilde;o das mulheres    n&atilde;o encontram mais justifica&ccedil;&atilde;o (AR&Aacute;N, 2006; BIRMAN,    1999), devendo ser situados historicamente e revisados em seus postulados diante    das transforma&ccedil;&otilde;es nas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis    na cultura em cada tempo e espa&ccedil;o social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entendendo que    "as an&aacute;lises acad&ecirc;micas tamb&eacute;m funcionam como uma interven&ccedil;&atilde;o    na vida pol&iacute;tica e social" (BERNARDES; GUARESCHI, 2004, p. 221), h&aacute;    que se superar a divis&atilde;o Psicologia <i>versus</i> pol&iacute;tica, pois    as teorias psicol&oacute;gicas fazem(se) pol&iacute;ticas, queiramos ou n&atilde;o.    Conscientes ou n&atilde;o de seus efeitos e de suas implica&ccedil;&otilde;es,    os discursos das teorias psicol&oacute;gicas &agrave;s quais nos filiamos, que    ensinamos e que fundamentam nossas investiga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o importantes    instrumentos pol&iacute;ticos de produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades, enfatizando-se    aqui a produ&ccedil;&atilde;o disciplinar dos sujeitos em g&ecirc;neros (NARVAZ,    2009). Nesse sentido, deseja-se estimular a reflex&atilde;o sobre os discursos    <i>psi</i>, incluindo-se a&iacute; o discurso freudiano, em sua heterogeneidade,    para avaliar os interesses implicados na compreens&atilde;o das mulheres ora    como mort&iacute;feras, ora como passivas, masoquistas e c&uacute;mplices das    viol&ecirc;ncias sofridas. H&aacute; que se estimular, a partir do ensino de    Psicologia, a reflex&atilde;o &eacute;tico-pol&iacute;tica acerca dos efeitos    de verdade produzidos pelas teorias e pelas pr&aacute;ticas psicol&oacute;gicas,    interrogar esses nossos saberes <i>psi</i> de dentro, de perto, a fim de dar    visibilidade aos seus interesses, &agrave;s for&ccedil;as que os produzem e    aos efeitos que eles t&ecirc;m. Alinhamo-nos, assim, aos psic&oacute;logos e    &agrave;s psic&oacute;logas do Brasil que v&ecirc;m lutando pelo fim da viol&ecirc;ncia    e da intoler&acirc;ncia &agrave; diversidade cultural, sexual e racial (CFP/CREPOP,    2008), posi&ccedil;&atilde;o com envolvimento &eacute;tico-pol&iacute;tico que    busca superar a velha e hist&oacute;rica dicotomia Psicologia <i>versus</i>    pol&iacute;tica, presente ainda hoje entre n&oacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O    BRASILEIRA DE ENSINO DE PSICOLOGIA. Diretrizes curriculares Nacionais. Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.abepsi.org.br/web/dh.aspx" target="_blank">http://www.abepsi.org.br/web/dh.aspx</a>.    Acesso em 30.01.2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301072&pid=S2177-2061201000020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ANDR&Eacute;, S.    <i>A impostura perversa</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301074&pid=S2177-2061201000020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. <i>O que    quer uma mulher?</i> Rio de Janeiro: Zahar, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301076&pid=S2177-2061201000020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AR&Aacute;N, M.    <i>O avesso do avesso</i>: feminilidade e novas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o.    Rio de Janeiro: Garamond, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301078&pid=S2177-2061201000020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ASSOUN, P. <i>Freud    e a mulher</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301080&pid=S2177-2061201000020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BATISTA, A.; PINHEIRO,    N. Masoquismo feminino e um para al&eacute;m da l&oacute;gica f&aacute;lica.    <i>Letra Freudiana</i>, v. 10, n. 11, p. 182-188, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301082&pid=S2177-2061201000020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BERNARDES, A. G.;    GUARESCHI, N. A cultura como constituinte do sujeito do conhecimento. In: STREY,    M. N.; CABEDA, S.; PREHN, D. (Orgs.). <i>G&ecirc;nero e cultura</i>: quest&otilde;es    contempor&acirc;neas. Porto Alegre: Edipucrs, 2004. p. 199-222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301084&pid=S2177-2061201000020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BERNHEIMER, C.;    KAHANE, C. <i>Dora's case</i>: Freud - hysteria - feminism. London/New York:    Virago/Columbia University, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301086&pid=S2177-2061201000020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BERTIN, C. <i>A    mulher em Viena nos tempos de Freud</i>. Campinas: Papirus, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301088&pid=S2177-2061201000020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BIRMAN, J. <i>Gram&aacute;ticas    do erotismo</i>: a feminilidade e as suas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o    em psica- n&aacute;lise. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira,    2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301090&pid=S2177-2061201000020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. <i>Cartografias    do feminino</i>. S&atilde;o Paulo: Editora 34, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301092&pid=S2177-2061201000020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. <i>Por    uma estil&iacute;stica da exist&ecirc;ncia</i>: sobre a psican&aacute;lise,    a modernidade e a arte. S&atilde;o Paulo: Editora 34, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301094&pid=S2177-2061201000020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. <i>Ensaios    de teoria psicanal&iacute;tica</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301096&pid=S2177-2061201000020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Freud e    os destinos da psican&aacute;lise. In: BIRMAN, J.; DAMI&Atilde;O, M. (Orgs.).    <i>Psican&aacute;lise:</i> of&iacute;cio imposs&iacute;vel? Rio de Janeiro:    Campus, 1991. p. 205-230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301098&pid=S2177-2061201000020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CELES, L. A. <i>Sedu&ccedil;&atilde;o    e feminilidade em transfer&ecirc;ncia</i>, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 77-94,    2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301100&pid=S2177-2061201000020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CONSELHO FEDERAL    DE PSICOLOGIA. Centro de Refer&ecirc;ncia T&eacute;cnica em Psicologia e Pol&iacute;ticas    P&uacute;blicas. <i>Resultados da Pesquisa sobre Atua&ccedil;&atilde;o Profissional    de Psic&oacute;logos/as em Programas de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Mulher    em Situa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia</i>. Bras&iacute;lia: CFP/CREPOP,    2008. Dispon&iacute;vel em &lt;<a href="http://crepop.pol.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1204&amp;sid=52" target="_blank">http://crepop.pol.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1204&amp;sid=52</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301102&pid=S2177-2061201000020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">COSTA, J. F. Playdoier    pelos irm&atilde;os. In KEHL, M. R. (Org.). <i>Fun&ccedil;&atilde;o fraterna</i>.    Rio de Janeiro: Dumar&aacute;, 2000. p. 07-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301104&pid=S2177-2061201000020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CROMBERG, R. U.    Cena incestuosa. <i>Cole&ccedil;&atilde;o Cl&iacute;nica Psicanal&iacute;tica</i>.    2. ed. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301106&pid=S2177-2061201000020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FORRESTER, J. <i>Sedu&ccedil;&otilde;es    da psican&aacute;lise</i>: Freud, Lacan e Derrida. Campinas: Papirus, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301108&pid=S2177-2061201000020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FORTES, I. Erotismo    <i>versus</i> masoquismo na teoria freudiana. <i>Psicologia Cl&iacute;nica</i>,    Rio de Janeiro, vol.19, n.2, p.35- 44, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301110&pid=S2177-2061201000020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOUCAULT, M. <i>Microf&iacute;sica    do poder</i>. 17. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1979-2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301112&pid=S2177-2061201000020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FREUD, S. La interpretaci&oacute;n    de los sue&ntilde;os. In: ______. Obras completas. Madrid: Nueva, 1900-1967.    p. 231-584.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301114&pid=S2177-2061201000020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Una teoria    sexual. In: ______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1905-1967. p. 771-824.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301116&pid=S2177-2061201000020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Sobre una    degradaci&oacute;n general de la vida er&oacute;tica. In: ______. <i>Obras completas</i>.    Madrid: Nueva, 1912-1967. p. 967-972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301118&pid=S2177-2061201000020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Introducci&oacute;n    al narcisismo. In: ______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1914-1967.    p. 1083-1097.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301120&pid=S2177-2061201000020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Pegan a    un ni&ntilde;o: aportaci&oacute;n al conocimiento de la g&eacute;nesis de las    perversiones sexuales. In: ______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1919-1967.    1181-1193.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301122&pid=S2177-2061201000020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Mas all&aacute;    del principio del placer. In: ______. <i>Obras completas.</i> Madrid: Nueva,    1920a-1967. p. 1097-1112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301124&pid=S2177-2061201000020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Sobre la    psicog&eacute;nesis de un caso de homosexualidad femenina. In: ______ . <i>Obras    completas</i>. Madrid: Nueva, 1920b-1967. p. 1004-1017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301126&pid=S2177-2061201000020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. El final    del complejo de Edipo. In:______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1924a-1967.    p. 501-503.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301128&pid=S2177-2061201000020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. El problema    econ&oacute;mico del masoquismo. In: ______. <i>Obras completas.</i> Madrid:    Nueva, 1923b-1967. p. 1023-1030.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301130&pid=S2177-2061201000020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Algunas    consecuencias ps&iacute;quicas de la diferencia sexual anat&oacute;mica. In:    ______. <i>Obras completa</i>s. Madrid: Nueva, 1925-1967. p. 482-491.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301132&pid=S2177-2061201000020000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. El malestar    en la cultura. In: ______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1930-1967.    p. 1-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301134&pid=S2177-2061201000020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Sobre la    sexualidad femenina. In: ______. <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1931-1967.    p. 1004-1017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301136&pid=S2177-2061201000020000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. La feminidad.    In:______ . <i>Obras completas</i>. Madrid: Nueva, 1933-1967. p. 931-942.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301138&pid=S2177-2061201000020000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HENRY, P. Os fundamentos    te&oacute;ricos da an&aacute;lise autom&aacute;tica do discurso de Michel P&ecirc;cheux.    In: GADET, F.; HAK, T. (Orgs.). <i>Por uma an&aacute;lise autom&aacute;tica    do discurso</i>: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; obra de Michel P&ecirc;cheux.    3. ed. Campinas: Unicamp, 1997. p. 13-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301140&pid=S2177-2061201000020000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KEHL, M. R. <i>Deslocamentos    do feminino</i>. Rio de Janeiro: Imago, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301142&pid=S2177-2061201000020000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LEIT&Atilde;O,    A.; BAZILIO, E.; MONTEIRO, M.; ZIDAN, P.; RESENDE, D.; FERREIRA, A. <i>A psicologia    e a fabrica&ccedil;&atilde;o de subjetividades contempor&acirc;neas</i>. Trabalho    apresentado no Congresso Psicologia, Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, S&atilde;o    Paulo, 2006. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.psicologia.ufrj.br/boletimip/index2.php" target="_blank">http://www.psicologia.ufrj.br/boletimip/index2.php</a>.    Acesso em: 10.12.2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301144&pid=S2177-2061201000020000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MANNONI, M. <i>Elas    n&atilde;o sabem o que dizem</i>: Virg&iacute;nia Woolf, as mulheres e a psican&aacute;lise.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301146&pid=S2177-2061201000020000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NARVAZ, M . <i>A    (in)visibilidade do g&ecirc;nero na psicologia acad&ecirc;mica</i>: onde os    discursos fazem(se) pol&iacute;tica. Tese (doutorado em Psicologia). Instituto    de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301148&pid=S2177-2061201000020000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. <i>Submiss&atilde;o    e resist&ecirc;ncia</i>: explodindo o discurso patriarcal da domina&ccedil;&atilde;o    feminina. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em Psicologia). Instituto de Psicologia,    Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301150&pid=S2177-2061201000020000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. Quem s&atilde;o    as m&atilde;es das v&iacute;timas de incesto? <i>Nova Perspectiva Sist&ecirc;mica</i>,    Rio de Janeiro, n. 21, p. 40-44, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301152&pid=S2177-2061201000020000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NARVAZ, M.; KOLLER,    S. O feminino, o incesto e a sedu&ccedil;&atilde;o: problematizando os discursos    de culpabiliza&ccedil;&atilde;o das mulheres e das meninas diante da viola&ccedil;&atilde;o    sexual. <i>&Aacute;rtemis</i>, Para&iacute;ba, v.6, p. 77-84, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301154&pid=S2177-2061201000020000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NUNES, O. A. Diferen&ccedil;a    sex-uau! <i>Revista da Associa&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Porto    Alegre</i>, Porto Alegre, n. 27, p. 29-37, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301156&pid=S2177-2061201000020000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______, S. A. A    mulher, o masoquismo e a feminilidade. In: BRUSCHINI, C.; HOLLANDA, H. B. (Orgs.).    <i>Horizontes plurais</i>: novos estudos de g&ecirc;nero no Brasil. S&atilde;o    Paulo: Funda&ccedil;&atilde;o Carlos Chagas, 1998. p. 225-248.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301158&pid=S2177-2061201000020000500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POLI, M. C. Feminino/masculino:    a diferen&ccedil;a sexual em psican&aacute;lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,    2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301160&pid=S2177-2061201000020000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ROUDINESCO, E.    <i>A fam&iacute;lia em desordem</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301162&pid=S2177-2061201000020000500046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TEIXEIRA, R. P.;    NUNES, M. L. T. As concep&ccedil;&otilde;es de homem na psicologia cl&iacute;nica:    um estudo com base em programas de ensino. <i>Episteme</i>, Porto Alegre, n.    12, p. 61-76, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4301164&pid=S2177-2061201000020000500047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em: 30    de janeiro de 2009.    <br>   Aceito em: 12 de maio de 2010</font></p>      ]]></body>
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<collab>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO DE PSICOLOGIA</collab>
<source><![CDATA[Diretrizes curriculares Nacionais]]></source>
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