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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contato com a realidade, crenças, ilusões e superstições: Possibilidades do analista do comportamento]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article discusses the contributions of behavior analysis to understand the concepts of reality, contact with reality and distortions of reality. The discussion about contact and reality is concept referring to the construction of behavioral relations, especially relations identified with the construction of the concept of causality of people. Sensitivity to subsequent events is important as a prerequisite for building operant behavior; such sensitivity may be responsible for superstitious behaviors. With verbal behavior, people can also describe certain relations based in contiguity between events and environmental changes as they are relations based in contingency, which has been called superstitious rules. In conclusion, the article shows the importance of differentiating between superstitious behavior, superstitious rules and superstition, showing, however, situations in which verbal behavior can interact with superstitious behavior.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Contato com a realidade, cren&ccedil;as, ilus&otilde;es e supersti&ccedil;&otilde;es: Possibilidades do analista do comportamento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Contact with reality, beliefs, illusions and superstitions: Possibilities for the behavior analyst</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Marcelo Frota Lobato Benvenuti</b></font></p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), Brasil</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#and">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><sup><a name="top"></a></sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O artigo discute as contribui&ccedil;&otilde;es dos analistas do comportamento para a compreens&atilde;o   das no&ccedil;&otilde;es de realidade, contato com a realidade e distor&ccedil;&otilde;es da realidade. Para tanto,   discute que na an&aacute;lise do comportamento contato e realidade s&atilde;o no&ccedil;&otilde;es que remetem &agrave;   constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es comportamentais, em especial rela&ccedil;&otilde;es identificadas com a constru&ccedil;&atilde;o   da no&ccedil;&atilde;o de causalidade das pessoas. Sensibilidade a eventos subsequentes &eacute; importante como   pr&eacute;-requisito para a constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es operantes; tal sensibilidade pode ser respons&aacute;vel   pelo surgimento de comportamentos supersticiosos. Com o comportamento verbal, pessoas   podem descrever certas rela&ccedil;&otilde;es de contiguidade entre eventos e mudan&ccedil;as ambientais como   se fossem rela&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncia, o que tem sido chamado de regras supersticiosas. Como   conclus&atilde;o, o artigo mostra a import&acirc;ncia da diferencia&ccedil;&atilde;o entre comportamento supersticioso,   supersti&ccedil;&otilde;es e regras supersticiosas, apresentando situa&ccedil;&otilde;es em que o comportamento   verbal pode interagir com o comportamento supersticioso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Palavras-chave</b>:    comportamento supersticioso, cren&ccedil;as, realidade, an&aacute;lise do comportamento</font></p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> The article discusses the contributions of behavior analysis to understand the concepts   of reality, contact with reality and distortions of reality. The discussion about contact   and reality is concept referring to the construction of behavioral relations, especially relations   identified with the construction of the concept of causality of people. Sensitivity to subsequent   events is important as a prerequisite for building operant behavior; such sensitivity   may be responsible for superstitious behaviors. With verbal behavior, people can also describe   certain relations based in contiguity between events and environmental changes as they are   relations based in contingency, which has been called superstitious rules. In conclusion, the   article shows the importance of differentiating between superstitious behavior, superstitious   rules and superstition, showing, however, situations in which verbal behavior can interact   with superstitious behavior.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Keywords:</b>    superstitious behavior, beliefs, reality, behavior analysis</font></p> <hr nonshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A id&eacute;ia de <i>contato com a realidade</i> &eacute; cara aos profissionais   da sa&uacute;de, sendo a distor&ccedil;&atilde;o neste contato   frequentemente associada a quadros patol&oacute;gicos,   descritos por psiquiatras, psic&oacute;logos e por pessoas   interessadas na interface dos conceitos da psicologia   ou da psiquiatria com as ci&ecirc;ncias da sociedade.   O contato com a realidade pode ser acurado:   a pessoa percebe as coisas como elas s&atilde;o, &eacute; capaz   de diferenciar demandas pessoais de demandas dos   outros, sabe diferenciar quem &eacute; ela e quem s&atilde;o os   outros. Quando o contato com a realidade &eacute; distorcido,   aquilo que dizemos sobre o mundo e sobre   n&oacute;s mesmos, o que sentimos e o que pensamos   pode diferir da <i>realidade</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os exemplos em que essa no&ccedil;&atilde;o est&aacute; presente   s&atilde;o t&atilde;o frequentes que quase passam despercebidos;   s&atilde;o tratados como algo t&atilde;o &oacute;bvio que n&atilde;o merece   questionamento ou investiga&ccedil;&atilde;o. Observando   o comportamento no dia-a-dia, dizemos que uma   pessoa est&aacute; "a&eacute;rea", "desligada", "sonhando acordada",   "desconectada", precisando "colocar os p&eacute;s   no ch&atilde;o" ou "voltar para a Terra". Nas patologias,   quando a perda de contato com a realidade &eacute; exacerbada,   del&iacute;rios e alucina&ccedil;&otilde;es atestam a import&acirc;ncia   do contato com a realidade como definidor do   estado saud&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   As contribui&ccedil;&otilde;es da an&aacute;lise do comportamento   come&ccedil;am com a discuss&atilde;o das no&ccedil;&otilde;es de <i>contato</i> e   de <i>realidade</i>. Conceitos desenvolvidos por analistas   do comportamento nos campos metodol&oacute;gico, te&oacute;rico   e aplicado exigem que os dois termos sejam   problematizados e, em decorr&ecirc;ncia, que se discuta   sobre a no&ccedil;&atilde;o de contato com a realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Analistas do comportamento t&ecirc;m proposto que   os fen&ocirc;menos da psicologia sejam analisados como   <i>rela&ccedil;&otilde;es comportamentais</i>, rela&ccedil;&otilde;es entre aquilo   que uma pessoa faz - suas a&ccedil;&otilde;es - e o ambiente.   Rela&ccedil;&otilde;es comportamentais, por sua vez, s&atilde;o estabelecidas   a partir de uma fun&ccedil;&atilde;o ambiental b&aacute;sica,   a sele&ccedil;&atilde;o, que atua sobre a varia&ccedil;&atilde;o comportamental   (Donahoe &amp; Palmer, 1994; Skinner, 1981). A   sele&ccedil;&atilde;o atua sobre respostas do repert&oacute;rio de um   organismo, bem como sobre rela&ccedil;&otilde;es contexto-respostas,   fazendo com que antecedentes ambientais   possam tamb&eacute;m assumir controle sobre respostas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Diante de uma rela&ccedil;&atilde;o comportamental, uma   an&aacute;lise funcional &eacute; realizada quando perguntas   como estas s&atilde;o feitas: como tal rela&ccedil;&atilde;o comportamental   foi constru&iacute;da? Como um determinado   antecedente passou a desempenhar tal papel? Este   evento subsequente &eacute; uma consequ&ecirc;ncia do responder?   Este consequente &eacute; um refor&ccedil;ador? (ver, por   exemplo, Matos, 1999). Essas perguntas sup&otilde;em o   comportamento ocorrendo em um ambiente que &eacute;   constru&iacute;do, n&atilde;o est&aacute;tico. De acordo com a an&aacute;lise   de Tourinho (1997), a concep&ccedil;&atilde;o de ambiente dos   analistas do comportamento gradualmente foi se   afastando de uma concep&ccedil;&atilde;o naturalista, na qual o   ambiente &eacute; entendido como algo que pode ser definido   independente do organismo que se comporta.   Por esse motivo, mostrando implica&ccedil;&otilde;es especialmente   para a no&ccedil;&atilde;o de ambiente interno, Tourinho   enfatiza que aquilo que nos circunda n&atilde;o deve ser   necessariamente entendido como ambiente. Os   eventos &agrave; nossa volta constituem um <i>universo</i>, parte   do qual passa a afetar as a&ccedil;&otilde;es de um organismo.   &Eacute; a parte do universo que passa a afetar as a&ccedil;&otilde;es do   organismo que pode ser denominada <i>ambiente</i>. De   acordo com a an&aacute;lise de Skinner (1953/1965), "ambiente   significa qualquer evento capaz de afetar o   organismo" (p. 257). Os chamados princ&iacute;pios b&aacute;sicos   da an&aacute;lise do comportamento descrevem como   est&iacute;mulos adquirem certas fun&ccedil;&otilde;es comportamentais:   como determinada modifica&ccedil;&atilde;o do ambiente   (e.g., certa quantidade de &aacute;gua, certa quantidade   de dinheiro, o cumprimento de algu&eacute;m) pode tornar-   se um refor&ccedil;ador; ou como outra modifica&ccedil;&atilde;o   (e.g., uma luz acesa, uma express&atilde;o do rosto) pode   tornar-se est&iacute;mulo discriminativo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Assumindo que as fun&ccedil;&otilde;es ambientais s&atilde;o   constru&iacute;das, analistas do comportamento n&atilde;o perguntam   como acontece o contato de algu&eacute;m com a   realidade, mas sim como se constr&oacute;i a realidade na   qual uma pessoa se comporta. A pergunta sobre o   contato que uma pessoa mant&eacute;m com a realidade   n&atilde;o &eacute; interditada ao analista do comportamento.   Ao contr&aacute;rio, os princ&iacute;pios b&aacute;sicos do analista do   comportamento s&atilde;o ferramentas &uacute;teis para descrever   como se constr&oacute;i a realidade de uma pessoa e   interpretar fen&ocirc;menos psicol&oacute;gicos que parecem   indicar distor&ccedil;&otilde;es no contato com essa realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O assunto &eacute; importante porque mostra o alcance   dos conceitos da an&aacute;lise do comportamento e, ao   fazer isso, promove debate com outras abordagens   da psicologia. Taylor e Brown (1988), dois psic&oacute;logos   com orienta&ccedil;&atilde;o da psicologia social, discutiram </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">extensamente a rela&ccedil;&atilde;o entre contato com a realidade   e a no&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental. Para definir contato   com a realidade, os autores destacaram certas   habilidades das pessoas e alguns de seus resultados:   habilidades de importar-se com o outro, ser feliz   e engajar-se em atividades produtivas e criativas.   Estudos da psicologia social experimental, argumentam   os autores, mostram que distor&ccedil;&otilde;es da   realidade aparecem na forma de: vis&atilde;o n&atilde;o realista   do eu (<i>self</i>), ilus&otilde;es de controle e otimismo n&atilde;o   realista. Em linhas gerais, distor&ccedil;&otilde;es da realidade   envolvem uma vis&atilde;o que as pessoas mant&ecirc;m de si   mesmas que n&atilde;o corresponde &agrave;s suas reais capacidades:   uma pessoa pode estimar com otimismo   exagerado suas pr&oacute;prias capacidades ou pode supor   que as chances de que algo bom aconte&ccedil;a a ela   sejam maiores do que realmente s&atilde;o. A no&ccedil;&atilde;o de   ilus&atilde;o de controle, em especial, indica que algumas   vezes superestimamos nossa capacidade de transformar   o ambiente, superestimamos nossa capacidade   de agir e produzir consequ&ecirc;ncias importantes   para n&oacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Para Taylor e Brown (1988), apreens&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o   da realidade dependem de filtros cognitivos,   que podem distorcer a realidade em uma dire&ccedil;&atilde;o   positiva (no sentido de que a realidade passa a   ser vista com otimismo exagerado, como mais interessante,   mais bela, mais colorida do que realmente   &eacute;). Parte da explica&ccedil;&atilde;o dos autores, contudo, tem   extraordin&aacute;ria aproxima&ccedil;&atilde;o com as propostas de   analistas do comportamento. Para Taylor e Brown,   a distor&ccedil;&atilde;o na realidade pode ter um papel adaptativo   na medida em que evita contato com problemas   e opini&otilde;es negativas. Ao contr&aacute;rio do que &eacute; geralmente   divulgado, a distor&ccedil;&atilde;o na realidade n&atilde;o &eacute; algo   necessariamente ruim, mas algo que contribui para   que uma pessoa possa manter-se bem mesmo em   condi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis. Distor&ccedil;&otilde;es na realidade   mant&ecirc;m afastadas cr&iacute;ticas e opini&otilde;es desfavor&aacute;veis   quando uma pessoa mant&eacute;m-se acreditando em si   mesma. Em situa&ccedil;&otilde;es em que o ambiente poderia   contribuir para um sujeito passivo, a ilus&atilde;o de controle   previne contra a desist&ecirc;ncia e mant&eacute;m a pessoa   acreditando no papel de seu pr&oacute;prio comportamento   (ver, por exemplo, Alloy &amp; Clements, 1992).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A contribui&ccedil;&atilde;o dos analistas do comportamento   para essa discuss&atilde;o passa por um exame dos   conceitos que permitem identificar como se d&aacute; a   constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de causalidade. Como as   pessoas aprendem que um evento A causa B? Como   aprendem que determinada a&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por   determinada mudan&ccedil;a ambiental? Essas perguntas   permanecem importantes mesmo que fa&ccedil;amos   uma troca, como sugere Skinner (1953/1965), das   no&ccedil;&otilde;es de causa e efeito pela no&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o funcional.   Como aprendemos que uma vari&aacute;vel do   ambiente est&aacute; funcionalmente relacionada a uma   vari&aacute;vel do comportamento (ou do responder de   um organismo)? Uma das maiores contribui&ccedil;&otilde;es   da an&aacute;lise do comportamento tem sido a identifica&ccedil;&atilde;o   de que comportamento n&atilde;o-verbal e verbal   est&atilde;o envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o da causalidade. Da   mesma forma, tanto vari&aacute;veis n&atilde;o-verbais quanto   verbais contribuem para constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es   causais que n&atilde;o correspondem &agrave;s de outras pessoas   que est&atilde;o &agrave; volta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A no&ccedil;&atilde;o de comportamento operante &eacute; chave   para a compreens&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o de causalidade:   no comportamento operante, respostas s&atilde;o emitidas   e seguidas de certas consequ&ecirc;ncias. A depender   das consequ&ecirc;ncias, estas podem retroagir sobre   quem as emitiu, fazendo com que respostas da mesma   classe sejam mais prov&aacute;veis no futuro. A no&ccedil;&atilde;o   de comportamento operante mostra que as pessoas   &ndash; bem como outros organismos n&atilde;o-humanos   - agem e transformam o ambiente, o que define a   maneira pela qual o comportamento ir&aacute; ocorrer no   futuro. Se a probabilidade da consequ&ecirc;ncia &eacute; baixa   ou zero, &eacute; prov&aacute;vel a extin&ccedil;&atilde;o; se a probabilidade &eacute;   alta, o efeito costuma ser de refor&ccedil;amento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   No processo de refor&ccedil;amento, comumente,   dizemos que a pessoa "sabe", "aprende", "associa",   "entende", mas o processo depende das conting&ecirc;ncias,   respons&aacute;veis por mudan&ccedil;as que as pessoas,   frequentemente, s&atilde;o incapazes de descrever. Uma   determinada conting&ecirc;ncia entre resposta e consequ&ecirc;ncia   define uma rela&ccedil;&atilde;o operante: se respostas   s&atilde;o emitidas, consequ&ecirc;ncias s&atilde;o produzidas;   na aus&ecirc;ncia de tais respostas, o ambiente n&atilde;o se   modifica, consequ&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o produzidas. Se   uma crian&ccedil;a chora, ent&atilde;o a m&atilde;e aparece, coloca a   crian&ccedil;a no colo, apresenta alimento; se o bra&ccedil;o &eacute;   estendido, ent&atilde;o s&atilde;o produzidas mudan&ccedil;as visuais   e proprioceptivas; se emprestamos for&ccedil;a a um objeto,   ent&atilde;o o objeto se desloca. Um efeito poss&iacute;vel   dessas rela&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncia &eacute; que as respostas sejam refor&ccedil;adas e o comportamento, fortalecido: a   crian&ccedil;a volta a chorar, o bra&ccedil;o volta a ser estendido,   voltamos a empurrar um objeto. De certa forma,   podemos dizer que quando uma pessoa age e produz   consequ&ecirc;ncias no ambiente, rela&ccedil;&otilde;es causais   s&atilde;o aprendidas. Diante dessas rela&ccedil;&otilde;es, seria poss&iacute;vel   afirmar que as pessoas aprendem <i>sobre</i> as rela&ccedil;&otilde;es   de conting&ecirc;ncia, mas a afirma&ccedil;&atilde;o pode dizer   mais do que se quer e implicar mecanismos que, na   verdade, n&atilde;o existem. As conting&ecirc;ncias modificam   os organismos e deixam seus efeitos bem vis&iacute;veis.   O que &eacute; aprendido &eacute; justamente o que foi modificado   pelas conting&ecirc;ncias: respostas que produzem   certas consequ&ecirc;ncias voltam a ocorrer no futuro. O   comportamento operante se constr&oacute;i e se mant&eacute;m   por conta das consequ&ecirc;ncias que se seguiram no   passado e se seguem, no presente, contingentes a   determinadas respostas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Uma rela&ccedil;&atilde;o operante &eacute; poss&iacute;vel por conta de   determinadas caracter&iacute;sticas dos organismos que se   comportam. Ao analisar o surgimento do comportamento   ao longo da evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies, Skinner   (1984) chamou a aten&ccedil;&atilde;o para certos pr&eacute;-requisitos   que tornam poss&iacute;veis as rela&ccedil;&otilde;es operantes e que   dependem da hist&oacute;ria filogen&eacute;tica que define certos   organismos como membros de uma esp&eacute;cie.   Entre esses pr&eacute;-requisitos, est&atilde;o a sensibilidade a   certos eventos ambientais como refor&ccedil;adores e a   exist&ecirc;ncia de repert&oacute;rio indiferenciado, pass&iacute;vel de   ser modificado pelas conting&ecirc;ncias de refor&ccedil;o. A   sensibilidade a refor&ccedil;adores n&atilde;o &eacute; necessariamente   a sensibilidade a consequ&ecirc;ncias, eventos que   s&atilde;o produzidos pela resposta. Organismos para os   quais rela&ccedil;&otilde;es operantes s&atilde;o poss&iacute;veis s&atilde;o aqueles   sens&iacute;veis a eventos subsequentes ao responder, sem   que necessariamente esses eventos sejam consequ&ecirc;ncias   de quaisquer a&ccedil;&otilde;es. Por esse motivo, um   evento ambiental deve ser cont&iacute;guo, isto &eacute;, pr&oacute;ximo   no tempo a uma resposta para que possa funcionar   como refor&ccedil;ador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Nossa sensibilidade a eventos subsequentes, essencial   para o comportamento operante, nos torna   suscet&iacute;veis a armadilhas das coincid&ecirc;ncias. A contiguidade   entre respostas e mudan&ccedil;as ambientais   pode ser suficiente para o efeito do fortalecimento   do comportamento. Conting&ecirc;ncia entre respostas   e refor&ccedil;adores define uma rela&ccedil;&atilde;o operante: o organismo   age e transforma o ambiente que passa a   atuar como determinante do comportamento no   futuro. Contiguidade entre respostas e ambiente,   mesmo sem haver depend&ecirc;ncia entre um e outro,   pode fazer com que algu&eacute;m se comporte como se   estivesse produzindo mudan&ccedil;as que, na verdade,   n&atilde;o dependem do comportamento. Tal &eacute; o caso do   comportamento supersticioso, adquirido e mantido   por rela&ccedil;&atilde;o acidental com refor&ccedil;o (Skinner,   1948). Um exame das condi&ccedil;&otilde;es sob as quais comportamento   supersticioso pode ser observado, bem   como suas caracter&iacute;sticas em tais situa&ccedil;&otilde;es, ajuda   a compreender como analistas do comportamento   podem contribuir para a compreens&atilde;o das no&ccedil;&otilde;es   de realidade e distor&ccedil;&atilde;o da realidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <b>Comportamento Supersticioso</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   No seu trabalho cl&aacute;ssico, "Supersti&ccedil;&atilde;o no Pombo",   Skinner (1948) trabalhou com oito pombos privados   de alimento. Os pombos eram colocados, individualmente,   em caixas de condicionamento, onde   recebiam alimento em intervalos de 15 segundos.   Observadores registravam as atividades dos pombos   e pouco antes da apresenta&ccedil;&atilde;o do alimento   eram retiradas fotos do pombo se comportando   na caixa. Skinner notou que certas respostas dos   pombos aumentaram de frequ&ecirc;ncia e passaram a   ocorrer previsivelmente pouco antes do alimento   ser apresentado. A resposta que aumentou de frequ&ecirc;ncia   variou entre os pombos: esticar o pesco&ccedil;o   em dire&ccedil;&atilde;o a certo ponto da caixa, bater asas,   balan&ccedil;ar-se da direita para a esquerda, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Analisando o padr&atilde;o sistem&aacute;tico e idiossincr&aacute;tico   produzido no experimento, Skinner (1948)   concluiu que: "O pombo se comporta como se houvesse   uma rela&ccedil;&atilde;o causal entre seu comportamento   e a apresenta&ccedil;&atilde;o de alimento, embora tal rela&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o exista" (p. 171). Acontecia de o pombo estar casualmente   emitindo alguma resposta no momento   em que o alimento foi apresentado. Como resultado,   a resposta era acidentalmente refor&ccedil;ada e voltava   a ocorrer (i.e., aumentava de frequ&ecirc;ncia). Como   uma nova apresenta&ccedil;&atilde;o do alimento acontecia em   tempo curto (15 segundos), era prov&aacute;vel que a nova   apresenta&ccedil;&atilde;o fosse mais uma vez pr&oacute;xima temporalmente   de uma resposta semelhante. Assim, um   intervalo curto entre as apresenta&ccedil;&otilde;es do alimento   era necess&aacute;rio para a aquisi&ccedil;&atilde;o do comportamento   supersticioso; para a manuten&ccedil;&atilde;o, um intervalo mais longo poderia ser utilizado. Para um dos   pombos, para o qual a resposta de balan&ccedil;ar-se da   direita para a esquerda foi refor&ccedil;ada, o intervalo de   15 segundos foi aumentado para 60 segundos. O   resultado foi que o pombo continuou se comportando   supersticiosamente at&eacute; que alterna&ccedil;&otilde;es entre   situa&ccedil;&otilde;es de suspens&atilde;o da apresenta&ccedil;&atilde;o de alimento   com a apresenta&ccedil;&atilde;o independente do responder   resultaram na elimina&ccedil;&atilde;o do comportamento supersticioso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Skinner (1948) notou que as respostas que os   pombos emitiam como resultado da sele&ccedil;&atilde;o acidental   sofriam consider&aacute;vel <i>deslocamento topogr&aacute;fico</i>.   Este resultado &eacute; pouco explorado experimentalmente   e conceitualmente, mas importante para a   discuss&atilde;o sobre as diferen&ccedil;as entre comportamento   mantido meramente por contiguidade ou mantido   por conting&ecirc;ncia com refor&ccedil;adores. O deslocamento   topogr&aacute;fico acontece por conta da variabilidade   no responder e porque a sele&ccedil;&atilde;o do responder pelo   refor&ccedil;o estava em curso sempre que o alimento era   apresentado. Quando h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia   entre resposta e refor&ccedil;o, certo n&iacute;vel de variabilidade   impede que o refor&ccedil;o seja produzido.   O resultado &eacute; o enfraquecimento dessas formas de   responder (responder variado) e o fortalecimento   das respostas que atendem &agrave; conting&ecirc;ncia e produzem   o refor&ccedil;o. No caso do comportamento supersticioso,   a variabilidade n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com a probabilidade   de aparecimento do refor&ccedil;o; portanto,   novas formas de responder podem ser selecionadas   e o resultado &eacute; a mudan&ccedil;a gradual, &agrave;s vezes abrupta,   no responder.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   As investiga&ccedil;&otilde;es sobre comportamento supersticioso   continuaram e exploraram alguns dos aspectos   identificados no estudo inicial de Skinner (1948).   Para alguns autores, comportamento supersticioso,   mantido por rela&ccedil;&atilde;o acidental com refor&ccedil;o, &eacute; raro   e sua generalidade, question&aacute;vel (e.g., Staddon   &amp; Simmelhag, 1971; Timberlake &amp; Lucas, 1981).   Apesar disso, o comportamento supersticioso tem   sido consistentemente relatado em outros estudos.   Comportamento supersticioso pode ser observado   tanto em arranjo simples, como a apresenta&ccedil;&atilde;o de   eventos ambientas como alimento ou pontos independentemente   do comportamento dos sujeitos ou   participantes (e.g., Ono, 1987), quanto em arranjos   mais complexos, como esquemas m&uacute;ltiplos e concorrentes,   em que componentes da situa&ccedil;&atilde;o experimental   combinam refor&ccedil;o dependente com apresenta&ccedil;&atilde;o   independente ou extin&ccedil;&atilde;o (e.g., Catania &amp;   Cutts; 1963; Higgins, Morris &amp; Johnson, 1989).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   De especial interesse para a presente discuss&atilde;o,   o estudo de Catania e Cutts (1963) mostrou que o   comportamento supersticioso pode ser observado   em situa&ccedil;&otilde;es em que o refor&ccedil;o depende do comportamento   dos participantes. Esses autores pediram   que estudantes universit&aacute;rios trabalhassem em   uma situa&ccedil;&atilde;o em que dois bot&otilde;es de resposta estavam   dispon&iacute;veis como manipulandos e pontos em   um contador poderiam ser ganhos. Um dos bot&otilde;es   produzia os pontos de acordo com um esquema de   intervalo vari&aacute;vel &ndash; em m&eacute;dia, a cada 30 segundos,   uma resposta, se emitida, produzia pontos como   consequ&ecirc;ncia. Outro bot&atilde;o, concorrentemente dispon&iacute;vel   aos participantes, n&atilde;o produzia qualquer   consequ&ecirc;ncia planejada. No experimento, alguns   dos participantes responderam sistematicamente   aos dois bot&otilde;es: respostas emitidas no bot&atilde;o que n&atilde;o   produzia consequ&ecirc;ncias planejadas eram refor&ccedil;adas   acidentalmente quando o participante mudava para   o outro bot&atilde;o e produzia os pontos. A novidade do   experimento &eacute; que o comportamento supersticioso   foi observado em uma situa&ccedil;&atilde;o em que o refor&ccedil;o   dependeu do responder. Catania e Cutts demonstraram   o efeito do refor&ccedil;o acidental de certas respostas   quando outra resposta que satisfaz um conjunto de   conting&ecirc;ncias &eacute; refor&ccedil;ada. Esse tipo de supersti&ccedil;&atilde;o   foi chamado pelos autores de <i>supersti&ccedil;&atilde;o concorrente</i>.   Em um artigo de revis&atilde;o, Ono (1994) usou   a express&atilde;o <i>supersti&ccedil;&atilde;o topogr&aacute;fica</i> para se referir a   esse efeito, de forma a salientar que em algumas situa&ccedil;&otilde;es   o refor&ccedil;o produzido por uma resposta pode   selecionar topografias extras, que n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias   para a produ&ccedil;&atilde;o do refor&ccedil;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Em resposta &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es de que comportamentos   supersticiosos seriam raros, Neuringer   (1970) realizou um experimento em que pombos   tiveram tr&ecirc;s respostas de bicar um disco refor&ccedil;adas   com alimento em esquema de refor&ccedil;o cont&iacute;nuo e,   em seguida, alimento passou a ser apresentado independentemente   de qualquer resposta. Neuringer   mostrou que as respostas de bicar o disco mantiveram-   se frequentes mesmo depois de cerca de 60   sess&otilde;es nas quais o alimento foi apresentado pelo   procedimento de tempo fixo ou vari&aacute;vel. Tendo  sido fortalecidas no in&iacute;cio do experimento por rela&ccedil;&atilde;o   de conting&ecirc;ncia, mesmo que poucas vezes, as   respostas dos pombos mantiveram-se por contiguidade   com o alimento. Para Neuringer, esse resultado   mostrava que comportamentos supersticiosos   seriam frequentes e muito prov&aacute;veis, n&atilde;o uma possibilidade   rara ou casual. Neuringer salientou ainda   que, nos ambientes naturais, h&aacute; grande possibilidade   de refor&ccedil;adores potenciais que n&atilde;o dependem   do comportamento. Respostas pass&iacute;veis de serem   afetadas por esses refor&ccedil;adores tamb&eacute;m s&atilde;o frequentes   no repert&oacute;rio de qualquer organismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Retomando a discuss&atilde;o anterior, &eacute; poss&iacute;vel usar   as no&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncia e contiguidade para analisar   como se constroem no&ccedil;&otilde;es de causalidade envolvendo   o pr&oacute;prio comportamento e o ambiente.   A no&ccedil;&atilde;o de comportamento operante fornece um   ponto de partida, pois mostra como o comportamento   passa a ser afetado por consequ&ecirc;ncias uma   vez que respostas tenham produzido essas consequ&ecirc;ncias.   No entanto, o comportamento operante   &eacute; poss&iacute;vel por conta da sensibilidade a eventos subsequentes   ao responder. Nosso comportamento &eacute;   sens&iacute;vel ao mecanismo b&aacute;sico que torna poss&iacute;vel a   constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es comportamentais cada vez   mais complexas: a sele&ccedil;&atilde;o. A pr&oacute;pria possibilidade   de constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es operantes depende da   sensibilidade &agrave; sele&ccedil;&atilde;o. Por isso, o comportamento   pode ser selecionado por refor&ccedil;adores que aparecem   meramente cont&iacute;guos ao responder e o resultado   &eacute; que, presos &agrave;s armadilhas das coincid&ecirc;ncias,   passamos a nos comportar <i>como se</i> estiv&eacute;ssemos   produzindo modifica&ccedil;&otilde;es ambientais que na verdade   n&atilde;o depenem do nosso comportamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Refor&ccedil;amento modifica o organismo sem a   necessidade de consci&ecirc;ncia ou de se "saber o que   est&aacute; acontecendo". O processo todo &eacute; n&atilde;o-verbal   e, portanto, n&atilde;o consciente, assim como quando o   responder &eacute; afetado pela mera contiguidade com   refor&ccedil;adores. O comportamento verbal, contudo,   pode ter o seu papel. Quando aprendemos a falar   sobre nosso comportamento, sobre o mundo que   nos cerca, sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre eles, etc., novas   complexidades s&atilde;o introduzidas. Para uma compreens&atilde;o   maior das no&ccedil;&otilde;es de realidade e distor&ccedil;&atilde;o   da realidade, devem ser examinados estudos   que t&ecirc;m sido realizados para a investiga&ccedil;&atilde;o do que   &eacute; chamado em an&aacute;lise do comportamento de <i>regras   supersticiosas</i>, bem como devem tamb&eacute;m ser examinados   outros estudos que investigam a rela&ccedil;&atilde;o   do comportamento supersticioso com o comportamento   verbal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <b>Comportamento Verbal e   Comportamento Supersticioso</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ao discutir comportamento supersticioso, Skinner   (1953/1965) se preocupou em diferenciar comportamento   supersticioso de supersti&ccedil;&otilde;es. Em uma passagem   bastante elucidativa, afirmou que   </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"apenas uma pequena parte do comportamento     fortalecido por conting&ecirc;ncias acidentais evolui     para as pr&aacute;ticas ritual&iacute;sticas as quais denominamos     "supersti&ccedil;&otilde;es", mas o mesmo princ&iacute;pio est&aacute;     presente. . . . rituais supersticiosos na sociedade     humana em geral envolvem f&oacute;rmulas verbais e     s&atilde;o transmitidos como parte da cultura. Nessa     medida, diferem quanto ao simples efeito de um     refor&ccedil;o operante acidental. Mas devem ter tido     sua origem no mesmo processo e s&atilde;o provavelmente     mantidos por conting&ecirc;ncias ocasionais     que obedecem ao mesmo padr&atilde;o". (pp. 86-87)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ono (1994) insistiu na diferen&ccedil;a entre comportamento   supersticioso e supersti&ccedil;&otilde;es, apostando   tamb&eacute;m no papel do comportamento verbal para   diferenci&aacute;-los. Para Ono, supersti&ccedil;&otilde;es devem ser   entendidas a partir da no&ccedil;&atilde;o de comportamento   governado por regras (ou comportamento verbalmente   controlado, conforme Catania, 2003).   Supersti&ccedil;&otilde;es podem ser compreendidas como   comportamento controlado por descri&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncias,   como antecedentes verbais que n&atilde;o descrevem   acuradamente as conting&ecirc;ncias ambientais   &agrave;s quais uma pessoa est&aacute; exposta. Na defini&ccedil;&atilde;o de   Ono (1994), supersti&ccedil;&otilde;es podem n&atilde;o ter qualquer   rela&ccedil;&atilde;o com comportamento supersticioso. A defini&ccedil;&atilde;o   de supersti&ccedil;&atilde;o destaca o papel do antecedente   do comportamento e, assim, chama a aten&ccedil;&atilde;o para   vari&aacute;veis relevantes no comportamento governado   verbalmente: quem fornece a descri&ccedil;&atilde;o da conting&ecirc;ncia,   o tipo de descri&ccedil;&atilde;o (e.g., completa, fragmentada,   etc.), quais as consequ&ecirc;ncias sociais por emitir   ou n&atilde;o respostas quando a descri&ccedil;&atilde;o &eacute; oferecida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Tomadas em conjunto, as considera&ccedil;&otilde;es de   Skinner (1953/1965) e Ono (1994) obrigam a diferenciar comportamentos supersticiosos de supersti&ccedil;&otilde;es.   Comportamento supersticioso &eacute; o efeito da   contiguidade sobre o comportamento individual;   indica a sele&ccedil;&atilde;o do responder de um indiv&iacute;duo pela   coincid&ecirc;ncia de respostas com mudan&ccedil;as ambientais.   Supersti&ccedil;&otilde;es, por outro lado, s&atilde;o pr&aacute;ticas de   grupos de pessoas ou, pelo menos, constituem-se de   comportamentos individuais afetados por vari&aacute;veis   sociais, como as instru&ccedil;&otilde;es e descri&ccedil;&otilde;es verbais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Higgins, Morris e Johnson (1989) realizaram um   experimento em que tentaram avaliar a rela&ccedil;&atilde;o entre   mecanismos sociais respons&aacute;veis pela aquisi&ccedil;&atilde;o   de repert&oacute;rios novos e o comportamento supersticioso.   O experimento foi realizado com crian&ccedil;as e os   autores avaliaram se instru&ccedil;&otilde;es e aprendizagem por   observa&ccedil;&atilde;o poderiam facilitar o comportamento   supersticioso quando as crian&ccedil;as trabalhassem em   uma situa&ccedil;&atilde;o na qual bolinhas de gude fossem apresentadas   independentemente do comportamento.   Em uma das condi&ccedil;&otilde;es do estudo, os pesquisadores   diziam que as crian&ccedil;as poderiam ganhar bolinhas de   gude caso pressionassem o nariz de um boneco na   forma de palha&ccedil;o, pelo qual as bolinhas eram apresentadas.   Essas crian&ccedil;as passaram por v&aacute;rias sess&otilde;es   nas quais per&iacute;odos sinalizados de refor&ccedil;o independente   eram intercalados a per&iacute;odos sinalizados de   aus&ecirc;ncia de refor&ccedil;o (<i>mult</i> VT EXT). A racional desse   delineamento era tentar isolar o efeito da instru&ccedil;&atilde;o   do efeito da intera&ccedil;&atilde;o entre instru&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o   acidental. Se as crian&ccedil;as estivessem sob controle exclusivo   da instru&ccedil;&atilde;o, o responder ocorreria tanto em   extin&ccedil;&atilde;o quanto no componente com a apresenta&ccedil;&atilde;o   das bolinhas de gude; se as crian&ccedil;as respondessem   apenas em VT, deixando de responder no componente   extin&ccedil;&atilde;o, ficava demonstrada a intera&ccedil;&atilde;o entre   instru&ccedil;&otilde;es e comportamento supersticioso. As   crian&ccedil;as do estudo come&ccedil;aram as sess&otilde;es respondendo   nos dois per&iacute;odos do esquema m&uacute;ltiplo, mas   logo passaram a responder apenas no per&iacute;odo de   apresenta&ccedil;&atilde;o das bolinhas e continuaram a faz&ecirc;-lo   ao longo de mais de quinze sess&otilde;es. Em uma segunda   etapa do experimento, outras crian&ccedil;as assistiam   a um filme que mostrava as crian&ccedil;as que haviam se   comportado "supersticiosamente". As crian&ccedil;as que   assistiam ao filme eram, em seguida, colocadas nas   mesmas condi&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as da primeira etapa   do estudo. As crian&ccedil;as que assistiram ao filme   tamb&eacute;m passaram a pressionar o nariz do palha&ccedil;o   como se houvesse uma rela&ccedil;&atilde;o entre a resposta e a   apresenta&ccedil;&atilde;o das bolinhas de gude. Os resultados do   trabalho n&atilde;o podem ser atribu&iacute;dos apenas ao efeito   da regra ou da modela&ccedil;&atilde;o: o responder "supersticioso"   deve ser entendido necessariamente como um   produto da instru&ccedil;&atilde;o ou modela&ccedil;&atilde;o combinado a   refor&ccedil;amento acidental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Descri&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncias que n&atilde;o correspondem   com precis&atilde;o &agrave;s conting&ecirc;ncias n&atilde;o-verbais   ou que descrevem conting&ecirc;ncias incorretamente   tamb&eacute;m podem surgir quando pessoas t&ecirc;m de resolver   tarefas experimentais. Nesse caso, &eacute; poss&iacute;vel   dizer que os participantes formulam autorregras   ao longo da intera&ccedil;&atilde;o com a tarefa experimental.   Essas autorregras podem ou n&atilde;o ter rela&ccedil;&atilde;o com   as conting&ecirc;ncias n&atilde;o-verbais dispostas na condi&ccedil;&atilde;o   experimental. Quando consequ&ecirc;ncias de acerto ou   erro s&atilde;o previamente programadas, pessoas podem   descrever que certos padr&otilde;es de respostas s&atilde;o   mais eficientes do que outros quando, na verdade,   n&atilde;o s&atilde;o (ver, por exemplo, Heltzer &amp; Vyse, 1994;   Rudski, Lischner &amp; Albert, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Heltzer e Vyse (1994) publicaram um exemplo   experimental com o sugestivo t&iacute;tulo "Consequ&ecirc;ncias   Intermitentes e Resolu&ccedil;&atilde;o de Problemas: Controle   Experimental de Cren&ccedil;as Supersticiosas". No estudo,   os participantes deveriam distribuir oito respostas   em duas chaves. O crit&eacute;rio para refor&ccedil;o era   que os participantes emitissem quatro respostas em   cada chave. Al&eacute;m disso, nem toda sequ&ecirc;ncia era refor&ccedil;ada:   sequ&ecirc;ncias que obedeciam ao primeiro crit&eacute;rio   eram refor&ccedil;adas toda vez que aconteciam, ou   de acordo com um esquema intermitente de raz&atilde;o   fixa que exigia duas sequ&ecirc;ncias (FR2), ou ainda de   forma rand&ocirc;mica, tamb&eacute;m com a exig&ecirc;ncia de duas   sequ&ecirc;ncias (RR2), mas cuja possibilidade de refor&ccedil;o   n&atilde;o era meramente intermitente. Ao final, os participantes   eram questionados sobre como deveriam   se comportar na tarefa para ganhar pontos. Heltzer   e Vyse encontraram o que chamaram de "relatos supersticiosos"   durante a realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa experimental.   Participantes descreviam certas sequ&ecirc;ncias   como mais efetivas do que outras, especialmente   os participantes que foram submetidos &agrave; condi&ccedil;&atilde;o   em que as sequ&ecirc;ncias corretas eram refor&ccedil;adas de   acordo com o esquema RR2.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A rela&ccedil;&atilde;o entre comportamento supersticioso   e supersti&ccedil;&otilde;es &eacute; respons&aacute;vel por certa confus&atilde;o na literatura anal&iacute;tico-comportamental. Examinando   alguns dos artigos que discutem os fen&ocirc;menos   conceitual e experimentalmente, &eacute; poss&iacute;vel encontrar   express&otilde;es como <i>transmiss&atilde;o cultural das   supersti&ccedil;&otilde;es</i> (Higgins, Morris &amp; Johnson, 1989), <i>regras   supersticiosas</i> (Ninness &amp; Ninness, 1999), <i>autorregras   supersticiosas</i> (Ninness &amp; Ninness, 1998)   ou <i>cren&ccedil;as supersticiosas</i> (Heltzer &amp; Vyse, 1994).   Essa &eacute; uma confus&atilde;o perigosa de termos, pois as   conting&ecirc;ncias e os resultados comportamentais   s&atilde;o bastante diferentes nos artigos discutidos. Em   resumo, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que: a) determinadas   descri&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncias podem facilitar o surgimento   de comportamento supersticioso; e b)   autodescri&ccedil;&otilde;es "supersticiosas" (no sentido de que   as descri&ccedil;&otilde;es n&atilde;o correspondem &agrave;s conting&ecirc;ncias   dispostas pelo ambiente) podem surgir quando   as pessoas t&ecirc;m de resolver determinadas tarefas   experimentais. No primeiro caso, instru&ccedil;&otilde;es facilitam   o comportamento n&atilde;o-verbal mantido por   rela&ccedil;&atilde;o acidental com refor&ccedil;o; no segundo, autorrelato   "incorreto" decorre de situa&ccedil;&otilde;es nas quais   est&aacute; ocorrendo comportamento n&atilde;o-verbal mantido   por refor&ccedil;o dependente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Com o comportamento verbal, pessoas podem   aprender sobre as causas do comportamento   sem necessidade de contato direto com o ambiente.   Podem aprender que certas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o efetivas   na produ&ccedil;&atilde;o de consequ&ecirc;ncias sem contato direto   com essas consequ&ecirc;ncias. A an&aacute;lise de Skinner   (1957/1992) foi um marco importante para a   compreens&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es em que "o homem age   apenas indiretamente sobre o ambiente" (p. 1).   Caracter&iacute;sticas das rela&ccedil;&otilde;es verbais s&atilde;o respons&aacute;veis   por boa parte da complexidade que caracteriza   o comportamento humano e podem estar presentes   em epis&oacute;dios caracterizados como do campo   das "ilus&otilde;es" das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prias   e ao mundo em que vivem (Panetta, da Hora &amp;   Benvenuti, 2007). Esse &eacute;, provavelmente, o modo   pelo qual aprendemos a confiar na "sorte", a temer   o "azar", a nos envolver em epis&oacute;dios comportamentais   caracterizados como <i>ilus&atilde;o de controle</i> ou   <i>supersti&ccedil;&otilde;es</i> e tamb&eacute;m o modo pelo qual desenvolvemos   <i>cren&ccedil;as irracionais</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Ainda n&atilde;o est&aacute; claro o papel que descri&ccedil;&otilde;es supersticiosas   t&ecirc;m sobre o comportamento. O estudo   de Heltzer e Vyse (1994) sugere que essas descri&ccedil;&otilde;es   s&atilde;o resultado das conting&ecirc;ncias, isto &eacute;, respostas   verbais dos participantes &agrave; situa&ccedil;&atilde;o experimental.   Descri&ccedil;&otilde;es supersticiosas tamb&eacute;m podem surgir   em situa&ccedil;&otilde;es em que mais de uma pessoa trabalha   em determinada situa&ccedil;&atilde;o experimental, como &eacute; o   caso dos estudos planejados para a investiga&ccedil;&atilde;o experimental   de fen&ocirc;menos sociais (Sampaio et al.,   2009). Seja no caso individual ou no caso de conting&ecirc;ncias   entrela&ccedil;adas, ainda n&atilde;o &eacute; claro o papel   que tais descri&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sobre o comportamento.   Seriam antecedentes do comportamento? Seriam   apenas descri&ccedil;&otilde;es sob controle de algum aspecto da   tarefa ou de algum aspecto do comportamento dos   participantes? Essa &eacute; ainda uma quest&atilde;o em aberto   na an&aacute;lise do comportamento. Com um procedimento   semelhante ao de Higgins, Morris e Johnson   (1989), Benvenuti, Panetta, da Hora e Ferrari (2008)   compararam o desempenho supersticioso de participantes   universit&aacute;rios em esquema <i>mult</i> VT EXT   com o relato que os participantes faziam da situa&ccedil;&atilde;o.   Ao final de cada sess&atilde;o, os participantes descreviam   aquilo que faziam: quando apresentaram   responder supersticioso no componente VT, diziam   que precisavam responder para ganhar os pontos;   quando n&atilde;o havia responder supersticioso, os participantes   diziam que n&atilde;o precisavam responder para   ganhar os pontos. Esses resultados sugeriramm que   autorrelatos supersticiosos podem ser descri&ccedil;&otilde;es do   pr&oacute;prio comportamento supersticioso, mais do que   parte das conting&ecirc;ncias que controlam o responder.   Assim, autorrelatos seriam mais efeitos do que   causas na determina&ccedil;&atilde;o do responder supersticioso   observado no estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O fato de os autorrelatos poderem ser analisados   como descri&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio comportamento   supersticioso sugere um uso mais cuidadoso de express&otilde;es   como regras falsas, regras supersticiosas,   cren&ccedil;as supersticiosas ou mesmo regras inacuradas.   Os participantes podem estar apenas emitindo   comportamento verbal sob controle de seus pr&oacute;prios   comportamentos. Nesse caso, seriam descri&ccedil;&otilde;es   verdadeiras e acuradas. Ao descreverem seus   pr&oacute;prios comportamentos, a autodescri&ccedil;&atilde;o pode   parecer uma regra falsa ou supersticiosa, ou mesmo   incorreta ou inacurada, mas apenas porque o ouvinte   n&atilde;o conhece o comportamento supersticioso   que serviu como antecedente para o autorrelato. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Finalizando</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   O presente artigo apresentou algumas evid&ecirc;ncias   de comportamento supersticioso em diferentes   conting&ecirc;ncias, simples e complexas. Regras supersticiosas   podem tamb&eacute;m surgir em diversas tarefas e   n&atilde;o devem ser confundidas com o comportamento   supersticioso (comportamento mantido por rela&ccedil;&atilde;o   acidental com refor&ccedil;o), embora instru&ccedil;&otilde;es e aprendizagem   por observa&ccedil;&atilde;o possam facilitar o surgimento   do comportamento supersticioso. Assim,   comportamento verbal interage com responder   supersticioso na forma de instru&ccedil;&otilde;es que facilitam   o comportamento supersticioso. Comportamento   verbal tamb&eacute;m pode aparecer na forma de descri&ccedil;&otilde;es   supersticiosas, eventualmente produto de conting&ecirc;ncias   que geraram o responder supersticioso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   A presente discuss&atilde;o mostra o potencial da   an&aacute;lise do comportamento para avaliar conceitos   como ilus&otilde;es, cren&ccedil;as e supersti&ccedil;&otilde;es que, supostamente,   controlam o comportamento. A &ecirc;nfase   do analista do comportamento est&aacute; na an&aacute;lise de   conting&ecirc;ncias que, conforme o modelo de sele&ccedil;&atilde;o   pelas consequ&ecirc;ncias de Skinner (1981), busca a explica&ccedil;&atilde;o   do comportamento a partir da conflu&ecirc;ncia   das hist&oacute;rias filogen&eacute;tica, ontogen&eacute;tica e cultural.   Realidade e distor&ccedil;&otilde;es da realidade s&atilde;o entendidas   a partir das no&ccedil;&otilde;es que descrevem comportamento.   A hist&oacute;ria filogen&eacute;tica parece ser respons&aacute;vel por   uma sensibilidade especial a eventos subsequentes   ao responder, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a sele&ccedil;&atilde;o   do comportamento pela hist&oacute;ria ontogen&eacute;tica. Por   conta da sensibilidade aos eventos subsequentes ao   responder, diferentes organismos, inclusive o homem,   s&atilde;o suscet&iacute;veis &agrave;s armadilhas das coincid&ecirc;ncias.   Como resultado, desenvolvem comportamentos   supersticiosos, que podem ser facilitados por   vari&aacute;veis sociais como instru&ccedil;&atilde;o e aprendizagem   por observa&ccedil;&atilde;o. O papel do comportamento verbal   e das pr&aacute;ticas culturais ainda n&atilde;o &eacute; claro, mas pode   ser beneficiado por an&aacute;lises como a do antrop&oacute;logo   Marvin Harris (e.g., 1978), que mostra as vantagens   materiais de pr&aacute;ticas culturais que, aparentemente,   s&atilde;o irracionais e supersticiosas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   Aquele que muitas vezes &eacute; tido como "distante   da realidade", "supersticioso" ou "dado a ilus&otilde;es" &eacute;,   na verdade, t&atilde;o sens&iacute;vel ao ambiente, t&atilde;o pr&oacute;ximo   da realidade, quanto qualquer outro. Como membro   da esp&eacute;cie humana, &eacute; sens&iacute;vel &agrave; conting&ecirc;ncia   e &agrave; contiguidade entre a&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as ambientais   (essenciais para sua sobreviv&ecirc;ncia). Como tal,   &eacute; suscet&iacute;vel &agrave;s "pe&ccedil;as" que rela&ccedil;&otilde;es de contiguidade   podem nos pregar. Para descrever o comportamento   de quem estabelece ou perde o contato com a   realidade, analistas do comportamento descrevem   rela&ccedil;&otilde;es comportamentais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Alloy, L. B., &amp; Clements, C. M. (1992). Illusion of   control: Invulnerability to negative affect and   depressive symptoms after laboratory and natural   stressors. <i>Journal of Abnormal Psychology   101</i>, 234&ndash;245.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Benvenuti, M. F. L., Panetta, P. B., da Hora, C. L., &amp;   Ferrari, S. (2008). Comportamento "supersticioso"   em esquemas m&uacute;ltiplos: Efeitos de instru&ccedil;&otilde;es   e auto-descri&ccedil;&otilde;es. <i>Intera&ccedil;&atilde;o em Psicologia,   12</i>, 35-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824540&pid=S2177-3548201000010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Catania, A. C. (2003). Verbal governance, verbal   shaping, and attention to verbal stimuli. Em K.   A. Lattal &amp; P. N. Chase (Orgs.), <i>Behavior theory   and philosophy</i> (pp. 301-321). 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Catania, A. C., &amp; Cutts, D. (1963). Experimental   control of superstitious responding in humans.   <i>Journal of the Experimental Analysis of Behavior,   6</i>, 203-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824544&pid=S2177-3548201000010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Donahoe, J. W., &amp; Palmer, D. C. (1994). <i>Learning   and complex behavior</i>. Boston, MA: Allyn &amp;   Bacon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824546&pid=S2177-3548201000010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Harris, M. (1978). <i>Cows, pigs, wars and witches: The   riddles of cultures</i>. New York, NY: Vintage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824548&pid=S2177-3548201000010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Heltzer, R. A., &amp; Vyse, S. A. (1994). Intermittent   consequences and problem solving: The experimental   control of "superstitious" beliefs. <i>The     Psychological Record, 44</i>, 155-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824550&pid=S2177-3548201000010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Higgins, S. T., Morris, E. K., &amp; Johnson, L. M.   (1989). Social transmission of superstitious behavior   in preschool children. <i>The Psychological   Record, 39</i>, 307-323.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824552&pid=S2177-3548201000010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Matos, M. A. (1999). An&aacute;lise funcional do comportamento.   <i>Estudos em Psicologia, 16</i>, 8-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824554&pid=S2177-3548201000010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Neuringer, A. J. (1970). Superstitious key pecking   after three peck-produced reinforcements.   <i>Journal of the Experimental Analysis of Behavior,   13</i>, 127-134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824556&pid=S2177-3548201000010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ninness, H. A., &amp; Ninness, S. K. (1998). Superstitious   math performance: Interactions between rules   and scheduled contingencies. <i>The Psychological   Record, 48</i>, 45-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824558&pid=S2177-3548201000010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Ninness, H. A., &amp; Ninness, S. K. (1999).   Contingencies of superstition: Self generated   rules and responding during second-order response-   independent schedules. <i>The Psychological   Record, 49</i>, 221-243.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824560&pid=S2177-3548201000010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Ono, K. (1987). Superstitious behavior in humans.   <i>Journal of the Experimental Analysis of Behavior,   47</i>, 261-271.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824562&pid=S2177-3548201000010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Ono, K. (1994). Verbal control of superstitious behavior:   Superstitions as false rules. Em S. C.   Hayes, L. J. Hayes, M. Sato &amp; K. Ono (Orgs.),   <i>Behavior analysis of language and cognition</i> (pp.   181-196). Reno, NV: Context Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824564&pid=S2177-3548201000010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Panetta, P. B., da Hora, C. L., &amp; Benvenuti, M. F.   L. (2007). Avaliando o papel do comportamento   verbal para aquisi&ccedil;&atilde;o de comportamento   "supersticioso". <i>Revista Brasileira de Terapia   Comportamental e Cognitiva, 9</i>, 121-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824566&pid=S2177-3548201000010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Rudski, J. M., Lischner, M. I., &amp; Albert, L. M.   (1999). Superstitious rule generation is affected   by probability and type of outcome. <i>The   Psychological Record, 49</i>, 245-260.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824568&pid=S2177-3548201000010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Sampaio, A. S., Borba, A., Leite, F. L. L., Tourinho,   E. Z., Andery, M. A., Caldas, R. A., . . . Caldas,   L. S. (2009, Agosto). <i>Discutindo m&eacute;todos para o   estudo experimental em laborat&oacute;rio de fen&ocirc;menos   sociais</i>. Mesa redonda apresentada no XVIII   Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina   Comportamental, Campinas, SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824570&pid=S2177-3548201000010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Skinner, B. F. (1948). Superstition in the pigeon.   <i>Journal of Experimental Psychology, 38</i>, 168-   172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824572&pid=S2177-3548201000010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Skinner, B. F. (1953/1965). <i>Science and human behavior</i>.   New York, NY: Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824574&pid=S2177-3548201000010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Skinner, B. F. (1957/1992).<i> Verbal behavior</i>.   Cambridge, MA: B. F. Skinner Foundation.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824576&pid=S2177-3548201000010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Skinner, B. F. (1981). Selection by consequences.   <i>Science, 213</i>, 301-304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824578&pid=S2177-3548201000010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Skinner, B. F. (1984). The evolution of behavior.   <i>Journal of the Experimental Analysis of Behavior,   41</i>, 217-221.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824580&pid=S2177-3548201000010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Staddon, J. E. R., &amp; Simmelhag, V. (1971). The "superstition"   experiment: A reexamination of its   implications for the principles of adaptive behavior.   <i>Psychological Review, 78</i>, 3-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824582&pid=S2177-3548201000010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Taylor, S. E., &amp; Brown, J. D. (1988). Illusion and   well-being: A social psychological perspective   on mental health. <i>Psychological Bulletin, 103</i>,   193-210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824584&pid=S2177-3548201000010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Timberlake, W., &amp; Lucas, G. A. (1985). The basis   of superstitious behavior: Chance contingency,   stimulus substitution, or appetitive behavior?   <i>Journal of the Experimental Analysis of Behavior,   44</i>, 279-288.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824586&pid=S2177-3548201000010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Tourinho, E. Z. (1997). Privacidade, comportamento   e o conceito de ambiente interno Em R. A.   Banaco (Org.), <i>Sobre comportamento e cogni&ccedil;&atilde;o:   Vol. 1. Aspectos te&oacute;ricos, metodol&oacute;gicos   e de forma&ccedil;&atilde;o em An&aacute;lise do Comportamento   e Terapia Cognitivista</i> (pp. 217-229). Santo   Andr&eacute;, SP: ARBytes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4824588&pid=S2177-3548201000010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="and"></a><a href="#" target="_top"><img src="img/revistas/pac/v1n1/seta.gif" border="0"></a><b>    Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marcelo Frota Lobato Benvenuti</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail: <a href="mailto:mbenvenuti@yahoo.com">mbenvenuti@yahoo.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SQS    106, Bloco E, Apto. 106.    <br>    CEP: 70345-050.        <br>   Bras&iacute;lia, DF.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Submetido em 31/08/2009    <br>   Primeira decis&atilde;o editorial em 20/01/2010    <br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 21/01/2010</font></p>      ]]></body>
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<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Alloy]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. B.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Clements]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. M.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Illusion of control: Invulnerability to negative affect and depressive symptoms after laboratory and natural stressors]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Abnormal Psychology]]></source>
<year>1992</year>
<volume>101</volume>
<page-range>234-245</page-range></nlm-citation>
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<surname><![CDATA[Benvenuti]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. F. L.]]></given-names>
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