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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Starting up from the reports of the perceptions about conception and fetus trough out history, the article concerns the Brazilian legislation on abortion, comparing it to the Latin-American, American and European legislations. The international treats signed by Brazil that are in disagreement with the current legislation are also approached.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Aborto.   legisla&ccedil;&atilde;o comparada</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Jos&eacute; Henrique Rodrigues Torres</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Juiz de Direito titular da 1&ordf; Vara do   J&uacute;ri da Comarca de Campinas, Professor de Direito Penal da Pontif&iacute;cia   Universidade Cat&oacute;lica de Campinas, especialista em Direito das Rela&ccedil;&otilde;es Sociais   e Presidente do Conselho Executivo da Associa&ccedil;&atilde;o Ju&iacute;zes para a Democracia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Partindo do relato das percep&ccedil;&otilde;es sobre a   concep&ccedil;&atilde;o e o feto ao longo da hist&oacute;ria, o artigo trata da legisla&ccedil;&atilde;o   brasileira sobre o aborto, comparando-a &agrave;s legisla&ccedil;&otilde;es latino-americanas,   americana e europeia. Os tratados internacionais assinados pelo Brasil que   est&atilde;o em desacordo com a atual legisla&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m abordados.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: aborto, legisla&ccedil;&atilde;o   comparada, Direitos Sexuais e Reprodutivos.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2"> Starting   up from the reports of the perceptions about conception and fetus trough out   history, the article concerns the Brazilian legislation on abortion, comparing   it to the Latin-American, American and European legislations. The international   treats signed by Brazil that are in disagreement with the current legislation   are also approached.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Keywords</b>:   abortion; compared legislation; Sexual and Reproductive Rights.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>1. Nas veredas da Hist&oacute;ria, o caminho   percorrido</b></font><font face="verdana" size="2"><a name=tx01 id="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a></font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><i>A gente quer ter voz   ativa    <br>   </i></font><font face="verdana" size="2"><i>No nosso destino   mandar    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </i></font><font face="verdana" size="2">Chico Buarque de   Holanda</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Como dizia o estoico Ulpiano: <i>mulieris   portio vel viscerum</i>. O que est&aacute; no interior do &uacute;tero &eacute; um ap&ecirc;ndice do corpo   da mulher, que &eacute; um campo a semear. Para &Eacute;squilo, a mulher era mero recept&aacute;culo   passivo do esperma, o que marcava a inferioridade f&iacute;sica do corpo feminino.   Hip&oacute;crates, sustentando a teoria do duplo s&ecirc;men, afirmava que a mulher tinha um   papel ativo no desenvolvimento do embri&atilde;o. E Tom&aacute;s de Aquino, depois, chegou a   afirmar que o s&ecirc;men tem <i>virtus</i>formativa.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na Antiguidade greco-romana, o aborto era   moralmente aceito e juridicamente l&iacute;cito, mas a sua pr&aacute;tica n&atilde;o podia   contrariar a expectativa do pai, do marido ou do patr&atilde;o, o que foi lembrado por   Chico Buarque de Holanda: "mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/   geram pr&rsquo;os seus maridos os novos filhos de Atenas/ Elas n&atilde;o t&ecirc;m gosto ou   vontade/ Nem defeito nem qualidade/ T&ecirc;m medo apenas/ N&atilde;o t&ecirc;m sonhos, s&oacute; t&ecirc;m   press&aacute;gios."</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Em Roma, de acordo com a Lei das XII t&aacute;buas,   no s&eacute;culo V, a m&atilde;e podia ser repudiada pelo marido por "subtra&ccedil;&atilde;o de prole". E   para Pl&iacute;nio, o Velho, o aborto era "um desvio tipicamente feminino".</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No Renascimento, foi reconhecida a   contribui&ccedil;&atilde;o do sangue menstrual para a concep&ccedil;&atilde;o, ainda que mantida a no&ccedil;&atilde;o de   for&ccedil;a ativa do esperma, o que alimentava a constru&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, funcional e   social do corpo da mulher, que era algo entre o homem e o animal.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">As descobertas cient&iacute;ficas do Iluminismo transformaram o feto privado em feto   p&uacute;blico. Na segunda metade do s&eacute;culo XVIII, o aborto era de exclusiva   compet&ecirc;ncia feminina, pois o meio social e as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se interessavam   pelo que ocorria no corpo feminino entre a concep&ccedil;&atilde;o e o nascimento.   Entretanto, o aborto n&atilde;o era livre e somente era admitido no espa&ccedil;o privado da   pobreza, como consequ&ecirc;ncia da prostitui&ccedil;&atilde;o e de rela&ccedil;&otilde;es il&iacute;citas ou criminosas   (adult&eacute;rio, concubinato e estupro). O aborto era reprovado para preservar os   interesses masculinos contra o comportamento "devasso" das mulheres.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Mais tarde, a Igreja relacionou o aborto com   magia e bruxaria. Se os romanos afirmavam que o feto tinha apenas expectativa   de vida, o cristianismo reconheceu a sua condi&ccedil;&atilde;o de "ser humano". Contudo, a   vida do feto deveria ser preservada apenas depois que a alma se unisse ao seu   corpo. E foi Agostinho quem afirmou que havia vida depois da concep&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Nos s&eacute;culos XVII e XVIII, o feto passou a ser   considerado uma entidade aut&ocirc;noma e afirma&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas tiveram eco na   legisla&ccedil;&atilde;o civil.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na &eacute;poca da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e do   surgimento dos Estados nacionais, as guerras, pestes e descobertas geogr&aacute;ficas   determinaram mudan&ccedil;as no enfrentamento do aborto. As taxas demogr&aacute;ficas na   Fran&ccedil;a diminu&iacute;ram sensivelmente e de modo perigoso para o Estado, que era   considerado forte pela quantidade dos seus s&uacute;ditos. Mais filhos para a   Rep&uacute;blica significava mais bra&ccedil;os empregados no trabalho e na defesa, mais   contribuintes e mais soldados para realizar fun&ccedil;&otilde;es &uacute;teis e necess&aacute;rias. Assim,   na Fran&ccedil;a, em 1870, o aborto foi considerado um crime contra a pessoa: tutelar   o feto era uma decis&atilde;o de Estado, pois a esperan&ccedil;a de um futuro cidad&atilde;o deveria   ser preservada e o aborto violava o direito da sociedade ao processo de   forma&ccedil;&atilde;o da vida. Ent&atilde;o por raz&otilde;es eminentemente pol&iacute;ticas, o aborto fora   proibido.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No s&eacute;culo XX, vimos Alfredo Rocco, na It&aacute;lia,   em 1928, afirmar que a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto n&atilde;o visa a evitar os efeitos   letais de sua pr&aacute;tica para as m&atilde;es, "que pagam com a vida a recusa de cumprir o   sagrado dever da maternidade, mas querem, sobretudo, esconjurar a ofensa &agrave;   pureza moral" e "ao exuberante desenvolvimento do nosso povo".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Depois da Primeira Guerra Mundial, as na&ccedil;&otilde;es,   levadas pela vaga nacionalista, que pregava a necessidade de fam&iacute;lias   numerosas, adotaram san&ccedil;&otilde;es normativas mais severas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o   e ao aborto.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Nos anos 1940, afirmava Ant&oacute;nio Visco que   o <i>coitus interruptus</i> "defrauda a natureza exaltando o ego&iacute;smo   sexual e defrauda o Estado, na medida em que subtrai milhares e milhares de   cidad&atilde;os &agrave; na&ccedil;&atilde;o". Obviamente, tal afirma&ccedil;&atilde;o tinha um duplo componente   ideol&oacute;gico: o crescimento demogr&aacute;fico como condi&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento   econ&ocirc;mico nacional e o comportamento imperialista para o qual esse aumento &eacute;   importante na &oacute;ptica da conquista colonial e do alargamento territorial.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">J&aacute; a legisla&ccedil;&atilde;o nazista, que tinha o objetivo   de preservar o aperfei&ccedil;oamento da ra&ccedil;a, afirmava que era preciso impedir que as   mulheres de ra&ccedil;a inferior tivessem filhos. Portanto, o aborto era permitido e   incentivado nos territ&oacute;rios ocupados, pois, como dizia o F&uuml;rer, "a reprodu&ccedil;&atilde;o   das popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o alem&atilde;s n&atilde;o se reveste de nenhum interesse para n&oacute;s".</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Mas os fascistas, na It&aacute;lia, meteram o aborto a rol entre os "crimes contra a   integridade e sa&uacute;de da estirpe", enquanto na Fran&ccedil;a, em 1942, o aborto passou a   ser uma amea&ccedil;a "&agrave; seguran&ccedil;a interna e externa do Estado".</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na R&uacute;ssia Bolchevique, em 1920, o aborto foi   liberado. Contudo, em face do elevado n&uacute;mero de infantic&iacute;dios, uxoric&iacute;dios e   abortos, estes, mais tarde, foram proibidos por Stalin. E, em 1936, durante a   Rep&uacute;blica Espanhola, a anarquista Federica Moseny, Ministra da Sa&uacute;de, legalizou   o aborto, mas essa legaliza&ccedil;&atilde;o teve vida ainda mais curta, pois, em 1940, com a   implanta&ccedil;&atilde;o do regime franquista, o aborto voltou a ser criminoso.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Depois da Segunda Guerra Mundial, as mulheres   conquistaram espa&ccedil;os na luta por mudan&ccedil;as sociais e no enfrentamento de   costumes determinados pela ideologia patriarcal de domina&ccedil;&atilde;o, discriminat&oacute;ria e   excludente.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Nos anos 1950 e 1960, com o fortalecimento da   no&ccedil;&atilde;o do Estado laico, preparou-se o caminho para que, na It&aacute;lia, nas d&eacute;cadas   seguintes, dois referendos, um sobre o div&oacute;rcio (1974) e outro sobre o aborto   (1981), afirmassem a preval&ecirc;ncia das escolhas individuais em mat&eacute;ria de foro   intimo e sexual. E nesse caminhar, Jo&atilde;o XXIII, visando &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de estudos   sobre os problemas da fam&iacute;lia e da natalidade, nomeou uma comiss&atilde;o pontif&iacute;cia   formada por quinze bispos, a qual, por nove votos, aprovou o uso da p&iacute;lula   anticoncepcional. Contudo, contrariando o princ&iacute;pio do colegiado e o esp&iacute;rito   do Conc&iacute;lio, a enc&iacute;clica <i>Humanae Vitae</i>, de 1968, reafirmou a posi&ccedil;&atilde;o   contr&aacute;ria da Igreja.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Enquanto isso, nos Estados Unidos da Am&eacute;rica,   no in&iacute;cio dos anos 1960, as mulheres emancipadas, em sua luta pela "pol&iacute;tica do   corpo", bradavam "somos donas da nossa barriga". O feminismo lutou contra a   legisla&ccedil;&atilde;o que criminalizava o aborto como s&iacute;mbolo da expropria&ccedil;&atilde;o do corpo   feminino e da identidade da mulher.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A vaga de conquistas feministas invadiu as   praias do patriarcalismo e novas leis contra a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto foram   aprovadas: na Inglaterra, o <i>Abortion Act</i>, de 1967, representou uma   virada legislativa, embora o aborto fosse tolerado desde 1938; nos EUA, em   1965, houve uma grande mobiliza&ccedil;&atilde;o a favor da legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto e dois   estados - Colorado e Calif&oacute;rnia - o legalizaram em alguns casos; e, em 1970,   Nova Iorque admitiu o aborto com menos de 24 semanas. Ali&aacute;s, a libera&ccedil;&atilde;o   normativa do aborto foi levada &agrave; Suprema Corte Americana, que, em 1973,   julgando o caso "Roe <i>versus</i> Wade", decidiu que o Estado pode   proibir o aborto apenas depois da 24&ordf; semana, quando o feto atinge a   viabilidade (<i>viability</i>), e reconheceu "o direito da mulher de escolher   interromper ou n&atilde;o a gravidez", como um direito integrador da <i>privacy</i> (liberdade   pessoal), garantido pela 14&ordf; Emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o Americana (direitos de   cidadania).<a name=tx02 id="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>2</sup></a> </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Mas, houve violentas rea&ccedil;&otilde;es contra essa   decis&atilde;o, especialmente do extremista movimento <i>Pro life</i>. &Eacute; por isso   que, at&eacute; hoje, as cl&iacute;nicas americanas que realizam abortos constitucionais s&atilde;o   protegidas por vidros blindados e seus m&eacute;dicos usam coletes &agrave; prova de balas, o   que tem acarretado uma grande diminui&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos dispostos a fazer o aborto,   em raz&atilde;o do medo da viol&ecirc;ncia. Para Dworkin, esse enfrentamento constitui uma   "guerra intermin&aacute;vel" (<i>The war that never ends</i>) e representa a vers&atilde;o   americana das guerras religiosas que fustigaram a Europa no s&eacute;culo XVII.   Prevaleceu, no entanto, a propens&atilde;o americana no sentido de que os direitos   devem ser examinados sob a &oacute;tica dos direitos fundamentais e o aborto foi   proclamado como uma pr&aacute;tica constitucional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Enquanto isso, na Europa, a luta das mulheres   prosseguia. Em 1971, no epis&oacute;dio das Salopes, 343 mulheres francesas, entre as   quais estavam Catherine Deneuve, Simone Du Beauvoir, Fran&ccedil;oise Sagan, Gisele   Halimi e Yvette Roudy, subscreveram um manifesto p&uacute;blico (<i>Le Nouvel Observateur</i>),   admitindo que haviam praticado o aborto, o que foi determinante para a   aprova&ccedil;&atilde;o, em 1975, da Lei <i>Veil</i>, que legalizou a pr&aacute;tica da   interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gesta&ccedil;&atilde;o. No mesmo ano, na Alemanha Ocidental, a   revista Stern publicou uma manifesta&ccedil;&atilde;o de 375 mulheres que tamb&eacute;m admitiram   ter praticado o aborto, estimulando mais de 3 mil mulheres a assumir que j&aacute;   haviam praticado o aborto, o que fortaleceu um grande movimento social que, em   1974, possibilitou a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto nos primeiros tr&ecirc;s meses de   gesta&ccedil;&atilde;o. Mas o Tribunal Constitucional Alem&atilde;o, em 1975, afirmou que somente   seria constitucional o aborto por indica&ccedil;&atilde;o, o que motivou o surgimento de uma   nova lei, que restringiu o aborto a determinados casos. Depois, em 1990, em   face da unifica&ccedil;&atilde;o, surgiu o problema do conflito entre as leis do aborto, que   eram conflitantes nos dois pa&iacute;ses unificados. E os ju&iacute;zes constitucionais   afirmaram novamente o direito do feto &agrave; vida, e nova legisla&ccedil;&atilde;o, mais   restritiva, foi aprovada em 1992. Todavia, mais recentemente, uma decis&atilde;o do   Tribunal Constitucional Alem&atilde;o, no caso denominado Aborto II, assegurou que os   direitos constitucionais das mulheres permitem e em certas hip&oacute;teses exigem a   possibilidade de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez indesejada, com base nos princ&iacute;pios da   razoabilidade e da proporcionalidade, observando-se que as mulheres n&atilde;o   poderiam ser submetidas a um &ocirc;nus considerado excessivo. Ali&aacute;s, com base na   principiologia do sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos, a Corte   Constitucional alem&atilde; decidiu que o legislativo poderia estabelecer limites para   a realiza&ccedil;&atilde;o do aborto, mas que n&atilde;o poderia criminaliz&aacute;-lo.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Na It&aacute;lia, nos anos 1970, o "bra&ccedil;o de ferro"   entre as for&ccedil;as contr&aacute;rias e favor&aacute;veis &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto   intensificou-se: a Constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica substituiu a fascista; o Movimento   feminista <i>Noi donne</i> (UDI - Movimento das Mulheres Italianas)   ficou fortalecido. Em 1976, ocorreu a explos&atilde;o de um reator da Icmesa (f&aacute;brica   qu&iacute;mica da multinacional su&iacute;&ccedil;a Hoffman - La Roche), em Seveso, Brianza, e uma   nuvem de dioxina cobriu a regi&atilde;o; jornais de esquerda acusaram o governo de n&atilde;o   informar as mulheres sobre o perigo de manter a gravidez, embora o aborto   terap&ecirc;utico fosse autorizado. Abortos foram praticados para salvar a vida e a   sa&uacute;de de dezenas de mulheres, que, no entanto, enfrentaram uma intensa   burocracia e foram submetidas a humilha&ccedil;&otilde;es e press&otilde;es psicol&oacute;gicas e morais.   Os debates se intensificaram; a lei favor&aacute;vel ao aborto foi derrotada pelo voto   dos deputados democratas crist&atilde;os, fascistas e alguns independentes; a Lei 194   foi aprovada em 18 de maio de 1978, garantindo a obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia e   exigindo o aconselhamento m&eacute;dico pr&eacute;vio para o aborto. Assim, a   autodetermina&ccedil;&atilde;o da mulher n&atilde;o foi garantida como valor em si, pois a mulher   somente pode escolher interromper o processo gestacional como solu&ccedil;&atilde;o para o   conflito entre salvaguardar a sua sa&uacute;de e defender a exist&ecirc;ncia do feto, sem   reconhecer, portanto, o direito ao aborto.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Como se v&ecirc;, nos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos, o   aborto foi encarado, ora como um assunto masculino (p&uacute;blico), ora como uma   quest&atilde;o feminina (privado), mas, como observam An&iacute;bal Fa&uacute;ndes e Jos&eacute;   Barcellato,<a name=tx03 id="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>3</sup></a> nos &uacute;ltimos cinquenta anos, apesar   de intensos movimentos reacion&aacute;rios, prevaleceu nos sistemas legais, bem como   na esfera da interven&ccedil;&atilde;o judicial, a tend&ecirc;ncia de descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto   ou, pelo menos, de amplia&ccedil;&atilde;o dos casos de autoriza&ccedil;&atilde;o para a sua pr&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">A hist&oacute;ria do aborto &eacute; uma hist&oacute;ria de   domina&ccedil;&atilde;o e conquistas das mulheres. &Eacute; uma hist&oacute;ria escrita com letra androc&ecirc;ntrica.   E, como dizia Simone de Beauvoir, "quando a mulher conseguir, gra&ccedil;as &agrave; difus&atilde;o   dos contraceptivos e &agrave; liberdade do aborto, ser dona do seu corpo, j&aacute; n&atilde;o   envenenado pelo terror e pelo remorso, estar&aacute; dispon&iacute;vel para outras lutas".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>2. O panorama normativo atual sobre o aborto   na Uni&atilde;o Europeia</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, depois de tantos   embates, progressos e recrudescimentos, ficou assim o panorama normativo do   enfrentamento do abortamento na Uni&atilde;o Europeia:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="verdana" size="2">a) <b>proibi&ccedil;&atilde;o do aborto,     sem exce&ccedil;&otilde;es:</b> Malta;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">b) <b>aborto permitido a     pedido da mulher, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o (de 90 dias a 24     semanas):</b> Reino     Unido, Holanda, Su&eacute;cia, Rom&ecirc;nia, Dinamarca, Let&ocirc;nia, Rep&uacute;blica Checa,     Eslov&aacute;quia, Gr&eacute;cia, Hungria, B&eacute;lgica, Bulg&aacute;ria, Fran&ccedil;a, Alemanha, Litu&acirc;nia,     Est&ocirc;nia, Portugal, Eslov&ecirc;nia, &Aacute;ustria, It&aacute;lia e Espanha;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     </font><font face="verdana" size="2">c) <b>aborto permitido em     raz&atilde;o de risco de vida para a gestante, sempre:</b> Reino Unido,     Dinamarca, Su&eacute;cia, Let&ocirc;nia, Pol&ocirc;nia, Eslov&ecirc;nia, &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa,     Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Gr&eacute;cia, Hungria, Portugal, Fran&ccedil;a, Alemanha,     Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia e Luxemburgo e Irlanda (inclui risco de suic&iacute;dio);    <br>     </font><font face="verdana" size="2">d) <b>aborto permitido em     raz&atilde;o de risco de vida para a gestante, com algum tempo determinado de     gesta&ccedil;&atilde;o:</b> Holanda,     Finl&acirc;ndia e Espanha;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">e) <b>aborto permitido em     raz&atilde;o de risco para a sa&uacute;de da gestante, sempre:</b>Dinamarca, Eslov&ecirc;nia,     &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Hungria, B&eacute;lgica,     It&aacute;lia, Fran&ccedil;a e Alemanha;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">f) <b>aborto permitido em     raz&atilde;o de risco para a sa&uacute;de da gestante, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o     (de 90 dias a 28 semanas):</b> Litu&acirc;nia, Let&ocirc;nia, Holanda, Reino Unido, Est&ocirc;nia,     Irlanda, Luxemburgo, Portugal, Pol&ocirc;nia e Espanha;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">g) <b>aborto permitido     quando a gravidez resulta de estupro ou outro crime sexual, sempre:</b> Rom&ecirc;nia,     Chipre, Gr&eacute;cia, Alemanha e Hungria;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">h) <b>aborto permitido     quando a gravidez resulta de estupro ou outro crime sexual, com algum tempo     determinado de gesta&ccedil;&atilde;o (de 90 dias a 28 semanas):</b> Dinamarca,     Finl&acirc;ndia, Fran&ccedil;a, Espanha, B&eacute;lgica, Pol&ocirc;nia, Luxemburgo, Portugal, Litu&acirc;nia,     Est&ocirc;nia, Holanda, Let&ocirc;nia e It&aacute;lia;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">i) <b>aborto permitido     quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o fetal, sem exig&ecirc;ncia de tempo de gesta&ccedil;&atilde;o:</b> Reino Unido,     &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Hungria, Fran&ccedil;a,     Alemanha e Bulg&aacute;ria;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">j) <b>aborto permitido     quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o fetal, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o:</b> Holanda,     Dinamarca, Su&eacute;cia, Finl&acirc;ndia, Let&ocirc;nia, Pol&ocirc;nia, Eslov&ecirc;nia, Gr&eacute;cia, Espanha,     B&eacute;lgica, It&aacute;lia, Portugal, Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia e Luxemburgo; e, finalmente,    <br>     </font><font face="verdana" size="2">k) <b>aborto permitido por     raz&otilde;es socioecon&ocirc;micas, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o:</b> Holanda,     Finl&acirc;ncia, It&aacute;lia, Fran&ccedil;a e Luxemburgo.</font></p> </blockquote>     <p><font face="verdana" size="2">Em Portugal, em 2009, o aborto foi autorizado   nas seguintes hip&oacute;teses: at&eacute; 10 semanas de gravidez, a pedido da mulher,   independentemente de qualquer motiva&ccedil;&atilde;o; at&eacute; 16 semanas, em caso de estupro ou   crime sexual; at&eacute; 24 semanas, em caso de malforma&ccedil;&atilde;o do feto; e, em qualquer   momento, em casos de risco para a vida ou para a sa&uacute;de f&iacute;sica ou psicol&oacute;gica da   mulher ou nos casos de fetos invi&aacute;veis (Lei n. 16, de 17 de abril de 2001). Ali&aacute;s,   a Corte Constitucional Portuguesa, no ac&oacute;rd&atilde;o de n. 85/85, de 29 de maio de   1985, j&aacute; havia decidido que a vida intrauterina reclama prote&ccedil;&atilde;o do Estado, mas   a Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa, exatamente como a brasileira, n&atilde;o obriga que essa   prote&ccedil;&atilde;o tenha natureza penal, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel concluir que "a aus&ecirc;ncia de   prote&ccedil;&atilde;o penal equivale pura e simplesmente a desamparo e desprote&ccedil;&atilde;o" (Di&aacute;rio   da Rep&uacute;blica, 2&ordf; s&eacute;rie, 25.06.1985, p. 254).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">A Espanha, por sua vez, recentemente, em   fevereiro de 2010, aprovou uma lei que autoriza o aborto, livremente, at&eacute; a 14&ordf;   semana de gesta&ccedil;&atilde;o, inclusive para as adolescentes que contam mais de 16 anos   de idade, mesmo sem a autoriza&ccedil;&atilde;o dos pais.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">E tamb&eacute;m &eacute; preciso lembrar que, em 2006, o   Supremo Tribunal brit&acirc;nico garantiu o direito das menores de abortar sem o   consentimento dos pais.<a name=tx04 id="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Assim, na UE, apesar de algumas resist&ecirc;ncias,   a tend&ecirc;ncia est&aacute; claramente ao lado da legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto<a name=tx05 id="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a> e o Parlamento Europeu chegou   expressamente a incentivar "os Estados-Membros e os pa&iacute;ses candidatos &agrave; ades&atilde;o   a pugnarem pela implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de sa&uacute;de e social que permita uma   diminui&ccedil;&atilde;o do recurso ao aborto e deseja que esta pr&aacute;tica seja legalizada,   segura e acess&iacute;vel a todos".<a name=tx06 id="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a> </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">E n&atilde;o se olvide que a jurisprud&ecirc;ncia da Corte   Europeia de Direitos Humanos j&aacute; consolidou o entendimento de que os Estados t&ecirc;m   discricionariedade para permitir o abortamento<a name=tx07 id="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>7</sup></a>e, tamb&eacute;m, de que o feto n&atilde;o   goza de direito absoluto &agrave; vida, pois o seu direito deve ser ponderado com o   direito da mulher,<a name="tx08"></a><sup><a href="#nt08">8</a></sup> rejeitando, assim,   expressamente, o argumento de que as leis nacionais que autorizam o aborto s&atilde;o   violadoras do artigo 2&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o Europeia, o qual protege o direito &agrave; vida,   indicando a necessidade de pondera&ccedil;&atilde;o entre os interesses da mulher e os   interesses do Estado de proteger o feto.<a name=tx09 id="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>9</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>3. O avan&ccedil;o da legisla&ccedil;&atilde;o sobre o aborto al&eacute;m   das fronteiras da Uni&atilde;o Europeia</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Al&eacute;m dos limites gizados pela EU, a   legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto no espa&ccedil;o normativo continua avan&ccedil;ando no mundo todo: na   Austr&aacute;lia, o aborto &eacute; admitido, embora dependa de autoriza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica; no Canad&aacute;   e na China,<a name=tx10 id="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>10</sup></a> &eacute; legal em todos os aspectos;   na Coreia do Norte, admite-se o aborto necess&aacute;rio; no Egito, quando a mulher   padece de certas doen&ccedil;as, como c&acirc;ncer ou diabetes; na &Iacute;ndia, a interrup&ccedil;&atilde;o da   gesta&ccedil;&atilde;o &eacute; autorizada quando h&aacute; risco de vida e para a sa&uacute;de f&iacute;sica e mental da   mulher, quando a gravidez n&atilde;o &eacute; desejada, por estupro ou outros crimes sexuais   e, ainda, em raz&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da gestante, mas n&atilde;o &eacute; permitido por   simples solicita&ccedil;&atilde;o; em Israel, permite-se o aborto diante de risco psicol&oacute;gico   ou f&iacute;sico para a mulher, nos casos de malforma&ccedil;&atilde;o fetal e, tamb&eacute;m, o   humanit&aacute;rio; no Jap&atilde;o, o aborto &eacute; legal at&eacute; 20 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o em casos de   malforma&ccedil;&atilde;o fetal, enfermidade mental ou retardamento mental da mulher ou de   seu c&ocirc;njuge, risco de vida para a mulher, estupro e incesto; no M&eacute;xico, s&atilde;o   admitidos os abortos necess&aacute;rios e sentimentais; e, na R&uacute;ssia, o aborto &eacute; legal   e gratuito at&eacute; 12 semanas de gravidez (Lei sobre a prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dos   cidad&atilde;os: at&eacute; 12 semanas, a pedido da mulher; at&eacute; 22 semanas, por raz&otilde;es   sociais - invalidez do marido, caso a m&atilde;e ou o pai esteja preso, em desemprego,   nos casos de div&oacute;rcio durante a gesta&ccedil;&atilde;o, falta de habita&ccedil;&atilde;o, mulher refugiada,   m&atilde;es solteiras com mais de tr&ecirc;s filhos ou com meios de subsist&ecirc;ncia inferior ao   m&iacute;nimo legal; malforma&ccedil;&atilde;o fetal e estupro - "viola&ccedil;&atilde;o").</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>4. O panorama normativo atual sobre o aborto   na Am&eacute;rica Latina</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">No sistema interamericano, a jurisprud&ecirc;ncia   afirma que o aborto n&atilde;o viola o direito &agrave; vida, ainda que protegido pela   Conven&ccedil;&atilde;o Americana, "em geral", desde a concep&ccedil;&atilde;o, nos termos de seu artigo   4o, endossando, assim, a necessidade de se estabelecer um ju&iacute;zo de pondera&ccedil;&atilde;o   entre os direitos fundamentais da mulher e os direitos de uma vida em   potencial.<a name=tx11 id="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>11</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Contudo, como observa Estrella Guti&eacute;rrez,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="verdana" size="2">a Am&eacute;rica Latina continua sendo um reduto     contra o direito das mulheres decidirem sobre sua gravidez e, apesar de a     maioria de seus governantes proclamar-se progressista, apenas em um pa&iacute;s o     aborto est&aacute; despenalizado, enquanto em cinco &eacute; crime mesmo se a gesta&ccedil;&atilde;o     representar risco de vida para a m&atilde;e.<a name=tx12 id="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>12</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="verdana" size="2">A Nicar&aacute;gua, em 2006, escolheu o caminho de   Malta e eliminou todas as exce&ccedil;&otilde;es &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">E no Uruguai, em 2008, a legaliza&ccedil;&atilde;o do   aborto foi aprovada pelos senadores e deputados, fortalecidos pela opini&atilde;o de   pelo menos 63% dos uruguaios, que se manifestaram em pesquisas pela   legaliza&ccedil;&atilde;o, pelo programa Iniciativas Sanit&aacute;rias, que implantou no pa&iacute;s um   programa p&uacute;blico de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica para o aborto, e pelo apoio das centrais   sindicais, um espa&ccedil;o tradicionalmente masculino. Mas esse projeto de lei foi   vetado pelo presidente Tabar&eacute; Vazquez.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Por outro lado, na Col&ocirc;mbia, o Tribunal   Constitucional reconheceu, em 2006, tr&ecirc;s possibilidades em que o aborto deve   ser permitido.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">E no Distrito Federal do M&eacute;xico, em 2007, foi legalizado o aborto at&eacute; 12   semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, embora 17 dos 32 Estados mexicanos, depois, reagindo   &agrave;quela legaliza&ccedil;&atilde;o, tenham proibido a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Atualmente, portanto, &eacute; esta a situa&ccedil;&atilde;o   normativa na Am&eacute;rica Latina:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="verdana" size="2">a) <b>Cuba</b>, desde 1965,     legalizou o aborto at&eacute; 12 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o e mant&eacute;m uma taxa de abortos     inferior a 21 para cada mil mulheres em idade reprodutiva, dez pontos abaixo da     m&eacute;dia regional;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     </font><font face="verdana" size="2">b) <b>Chile, El Salvador,     Nicar&aacute;gua e Rep&uacute;blica Dominicana</b> criminalizam o aborto e n&atilde;o admitem     nenhuma exce&ccedil;&atilde;o (no Chile e em El Salvador, como testemunham Fa&uacute;ndes e     Barcelatto, "os m&eacute;dicos realizam abortos para tratamento de gravidez ect&oacute;pica e     ou de c&acirc;ncer do trato genital em mulheres gr&aacute;vidas, sem nenhuma repercuss&atilde;o     legal", com base em dispositivos normativos gerais descriminalizadores; mas, no     Chile, a lei processual penal determina que os m&eacute;dicos denunciem aos     carabineiros o fato de uma mulher apresentar sintomas de ter praticado um     aborto, o que os coloca sempre em conflito com o direito das pacientes ao     sigilo<a name=tx13 id="tx13"></a><a href="#nt13"><sup>13</sup></a>);    <br>     </font><font face="verdana" size="2">c) <b>Honduras</b>, por for&ccedil;a de seu     C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica, permite o aborto para salvar a vida da gestante;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">d) <b>Argentina, Venezuela,     Costa Rica, Peru e Paraguai</b> admitem o aborto para salvar a vida da mulher, mas     na Argentina tamb&eacute;m &eacute; facultativo o aborto quando a mulher &eacute; "idiota ou     demente" e, na Venezuela, &eacute; permitido, tamb&eacute;m, para proteger "a honra" da     mulher ou do homem;    <br>     </font><font face="verdana" size="2">e) <b>Uruguai, Col&ocirc;mbia,     Equador, Bol&iacute;via, M&eacute;xico, Panam&aacute; e Guatemala</b>permitem o aborto nos casos de     viola&ccedil;&atilde;o ou incesto, mas o Uruguai tamb&eacute;m o admite no caso de "ang&uacute;stia     econ&ocirc;mica" e a Col&ocirc;mbia, o M&eacute;xico e o Panam&aacute;, tamb&eacute;m quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o     fetal; e    <br>     </font><font face="verdana" size="2">f) o <b>Brasil</b> mant&eacute;m     a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, na lei, em duas hip&oacute;teses (C&oacute;digo Penal, artigo     28: quando n&atilde;o h&aacute; outra forma para salvar a vida da gestante; e nos casos em     que a gravidez resulta de crimes contra a dignidade sexual), mas ju&iacute;zes t&ecirc;m     admitido o aborto, tamb&eacute;m, nos casos de malforma&ccedil;&atilde;o fetal incompat&iacute;vel com a     vida extrauterina.<a name=tx14 id="tx14"></a><a href="#nt14"><sup>14</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="verdana" size="2">Diante desse quadro, duas situa&ccedil;&otilde;es   paradigm&aacute;ticas e opostas da Am&eacute;rica Latina merecem destaque: (1) nos &uacute;ltimos   anos, aumentou de 28% para 48% o n&uacute;mero de argentinos que admitem o aborto em   certas circunst&acirc;ncias, o que desvela que "as novas posi&ccedil;&otilde;es inscrevem-se numa   sociedade com exig&ecirc;ncias mais fortes no que se refere aos direitos sociais e   reprodutivos, uma sociedade mais progressista e com uma vis&atilde;o mais ampla quanto   &agrave;s liberdades individuais e ao acesso &agrave; sa&uacute;de sexual";<a name=tx15 id="tx15"></a><a href="#nt15"><sup>15</sup></a> e (2) na Nicar&aacute;gua, em face   da total criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, muitas mulheres, especialmente campesinas,   que chegam aos hospitais com sintomas de aborto espont&acirc;neo, est&atilde;o morrendo,   porque, em face de uma legisla&ccedil;&atilde;o muito severa, muitos m&eacute;dico temem ser   criminalizados e n&atilde;o prestam a necess&aacute;ria assist&ecirc;ncia a elas.<a name=tx16 id="tx16"></a><a href="#nt16"><sup>16</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>5. Indica&ccedil;&otilde;es do caminho a seguir no   enfrentamento da quest&atilde;o do aborto no &acirc;mbito do sistema internacional de   Direitos Humanos</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o aos direitos sexuais e   reprodutivos das mulheres, o sistema internacional de Direitos Humanos j&aacute;   reconheceu, expressamente, em in&uacute;meros tratados, conven&ccedil;&otilde;es, pactos, planos de   a&ccedil;&atilde;o, recomenda&ccedil;&otilde;es e documentos,<a name=tx17 id="tx17"></a><a href="#nt17"><sup>17</sup></a>(1) que pais e m&atilde;es t&ecirc;m o direito   humano fundamental de determinar livremente o n&uacute;mero de seus filhos e os   intervalos entre seus nascimentos, (2) que os Estados devem garantir o   exerc&iacute;cio desse direito, (3) que a mulher tem o direito de decidir sobre o   pr&oacute;prio corpo e quanto &agrave; maternidade opcional, que est&aacute; metido a rol entre os   direitos &agrave; integridade f&iacute;sica da mulher, (4) que t&ecirc;m as mulheres o direito &agrave;   plena assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de sexual e reprodutiva, (5) que os pa&iacute;ses subscritores   t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de garantir &agrave;s mulheres os direitos &agrave; igualdade, &agrave; toler&acirc;ncia e   &agrave; dignidade e de criar condi&ccedil;&otilde;es que assegurem a todas as mulheres a   assist&ecirc;ncia m&eacute;dica plena e, especialmente, &agrave; sua sa&uacute;de sexual e reprodutiva,   (6) que os Estados t&ecirc;m o dever de proteger as mulheres dos efeitos negativos &agrave;   sa&uacute;de causados pelo abortamento, (7) que as mulheres t&ecirc;m o direito a uma vida   livre da morte materna evit&aacute;vel e, como &eacute; cedi&ccedil;o, n&atilde;o existe morte materna mais   evit&aacute;vel do que a morte materna causada pelo abortamento inseguro, (8) que deve   ser garantida a liberdade de autodetermina&ccedil;&atilde;o para um planejamento democr&aacute;tico,   (9) que a mulher tem direito ao controle sobre a sua sexualidade e &agrave; livre   decis&atilde;o, sem coer&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o ou viol&ecirc;ncia, como um direito fundamental,<a name=tx18 id="tx18"></a><a href="#nt18"><sup>18</sup></a> (10) que as mulheres t&ecirc;m o   direito individual e a responsabilidade social de decidir sobre o exerc&iacute;cio da   maternidade, bem como o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e acesso aos servi&ccedil;os para exercer   seus direitos e responsabilidades reprodutivas e (11) que os Estado t&ecirc;m a   obriga&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e jur&iacute;dica de eliminar a discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres e   adolescentes no que diz respeito ao acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, em todas as   fases de seu ciclo de vida, particularmente nas &aacute;reas de planejamento familiar,   gravidez, parto e p&oacute;s-parto.<a name=tx19 id="tx19"></a><a href="#nt19"><sup>19</sup></a></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">E, no que diz respeito diretamente ao aborto,   o sistema internacional dos Direitos Humanos consagra o princ&iacute;pio de que os   Estados devem assumir o aborto como uma quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica, promovendo a   exclus&atilde;o de todas e quaisquer medidas punitivas impostas &agrave;s mulheres que   realizam a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez<a name=tx20 id="tx20"></a><a href="#nt20"><sup>20</sup></a>e, assim, afastando o seu   enfrentamento do &acirc;mbito do sistema penal, que, em face de seu car&aacute;ter   repressivo, exclui, estigmatiza e impede que as mulheres tenham o necess&aacute;rio   acolhimento do Estado em rela&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio material de seu direito &agrave; plena   assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria.<a name=tx21 id="tx21"></a><a href="#nt21"><sup>21</sup></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">Ali&aacute;s, o Comit&ecirc; PIDESC, reconhecendo que a   criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto tem um impacto perverso na sa&uacute;de das mulheres, (1)   afirmou a necessidade de ado&ccedil;&atilde;o de programas de planejamento familiar como uma   forma de diminuir a ocorr&ecirc;ncia do aborto, (2) proclamou, expressamente, que a   descriminaliza&ccedil;&atilde;o do abortamento deve ser promovida para "proteger as mulheres   dos efeitos do aborto clandestino e inseguro e para garantir que as mulheres   n&atilde;o se vejam constrangidas a recorrer a tais procedimentos nocivos" e (3)   evidenciou a necessidade da manten&ccedil;a de um sistema jur&iacute;dico que garanta a   realiza&ccedil;&atilde;o do abortamento sem restri&ccedil;&otilde;es, com a garantia de acesso a servi&ccedil;os   de alta qualidade para todas as mulheres, independentemente de idade, origem,   estado civil ou n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>6. Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Finalmente, &eacute; preciso observar que, ao manter   a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, o Brasil viola princ&iacute;pios democr&aacute;ticos elementares   relativos &agrave; possibilidade de criminaliza&ccedil;&atilde;o (idoneidade, subsidiariedade e   racionalidade), bem como ignora as exig&ecirc;ncias jur&iacute;dico-penais de n&atilde;o se   criminalizar uma conduta de modo simb&oacute;lico ou para impor uma determinada   concep&ccedil;&atilde;o moral ou para punir condutas frequentemente aceitas ou praticadas por   parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o,<a name=tx22 id="tx22"></a><a href="#nt22"><sup>22</sup></a>pois a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto   constitui um instrumento ideol&oacute;gico de controle da sexualidade feminina,   representa um mero instrumental simb&oacute;lico da ideologia patriarcal, n&atilde;o tem sido   eficaz nem &uacute;til para a prote&ccedil;&atilde;o da vida intrauterina, est&aacute; sendo mantida com um   enorme custo social, impede a implanta&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o de medidas realmente   eficazes para o enfrentamento do problema e acarreta &agrave;s mulheres terr&iacute;veis   sequelas e morte.</font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Assim, o Brasil, que adotou o sistema   democr&aacute;tico e que aderiu a todos os princ&iacute;pios e Tratados Internacionais de   Direitos Humanos relativos aos Direitos Sexuais e Reprodutivos das Mulheres,<a name=tx23 id="tx23"></a><a href="#nt23"><sup>23</sup></a> incorporando-os ao seu   sistema jur&iacute;dico-constitucional,<a name=tx24 id="tx24"></a><a href="#nt24"><sup>24</sup></a><a name="tx25"></a><sup><a href="#nt25">25</a></sup><a name=tx26 id="tx26"></a><a href="#nt26"><sup>26</sup></a>tem a obriga&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e   &eacute;tica de descriminalizar o aborto.<a name=tx27 id="tx27"></a><a href="#nt27"><sup>27</sup></a><a name=tx28 id="tx28"></a><a href="#nt28"><sup>28</sup></a> </font></p>     <p><font face="verdana" size="2">Decididamente, como afirma o poeta Fernando   Pessoa,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="verdana" size="2">h&aacute; um tempo em que &eacute; preciso abandonar as     roupas usadas, que j&aacute; t&ecirc;m a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos     caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares; &eacute; o tempo da travessia: e,     se n&atilde;o ousamos faz&ecirc;-la, teremos ficado, para sempre, &agrave; margem de n&oacute;s mesmos.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">ALEXY, Robert. <i>Teoria de los derechos   fundamentales</i>. Trad. de Ernesto Vald&eacute;z. Madrid: Centro de Estudos   Constitucionais, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200807&pid=S2178-700X201100020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">BELO, Warley Rodrigues. <i>Aborto</i>.   Belo Horizonte: Del Rey, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200809&pid=S2178-700X201100020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">BRIOZZO, Leonel. <i>Aborto inseguro -   preven&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o de danos e riscos</i>. Campinas: Editora Komedi, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200811&pid=S2178-700X201100020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CAN&Ccedil;ADO TRINDADE, Ant&ocirc;nio Augusto; CANOTILLO,   Jos&eacute;. <i>Direitos humanos e o direito constitucional internacional</i>. S&atilde;o Paulo:   Ed. Max Limonad, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200813&pid=S2178-700X201100020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CARINO, Giselle;   V&Eacute;LEZ Ana Cristina Gonz&aacute;lez; DUR&Aacute;N, Juanita. <i>Aborto Legal:   regulaciones sanit&aacute;rias comparadas. </i><i>Una an&aacute;lisis en   Am&eacute;rica Latina y algunos pa&iacute;ses de Europa y &Aacute;fr&iacute;caI. PPF-RHO (Federaci&oacute;n   Internacional de Planificaci&oacute;n Familiar - Regi&oacute;n del Hemisf&eacute;rio Occidental)</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200815&pid=S2178-700X201100020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CARROLL, Lewis. <i>Aventuras de Alice no   Pa&iacute;s das Maravilhas &amp; Atrav&eacute;s do Espelho</i>. Edi&ccedil;&atilde;o Comentada por Martin   Gardner. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200817&pid=S2178-700X201100020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CHAN, Minnie. Obrigadas a abortar. <i>China   Morning Post</i>, Hong Kong. <i>Courrier Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a   15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200819&pid=S2178-700X201100020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CHMIELEXSKA, Katarzyna; SUKOWSKI, Tomasz.   Fiasco do movimento pela legaliza&ccedil;&atilde;o. <i>Courrier Internacional</i>,   Lisboa, n. 97, 9 a 15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200821&pid=S2178-700X201100020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">CORDEIRO, Pedro. Malta e Holanda: os   extremos. <i>Courrier Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a 15 de   fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200823&pid=S2178-700X201100020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">DIMOULIS, Dimitri. Problemas de   constitucionalidade da criminaliza&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico de entorpecentes na   perspectiva da tutela dos direitos fundamentais. <i>Revista Ultima Ratio</i>,   Rio de Janeiro: Lumen Juris, n. 4, ano 3, p. 1, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200825&pid=S2178-700X201100020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">DONNELAN, Ethiene.   The Irish Time. <i>Courrier   Internacional</i>,   Lisboa, n. 97, 9 a 15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200827&pid=S2178-700X201100020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">DWORDIN, Ronald. <i>Dom&iacute;nio da vida -   aborto, eutan&aacute;sia e liberdades individuais</i>. Trad. de Jefferson L. Camargo.   S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200829&pid=S2178-700X201100020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">ELUSTONDO, Georgina. A caminho da   toler&acirc;ncia. <i>Clarin.com</i> (excertos), Buenos Aires. <i>Courrier   Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a 15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200831&pid=S2178-700X201100020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">FA&Uacute;NDES, An&iacute;bal; BARZELATTO, Jos&eacute;. <i>O   Drama do Aborto - em busca de um consenso</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Komedi, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200833&pid=S2178-700X201100020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">GALEOTTI, Giulia. <i>Hist&oacute;ria do ab()rto</i>.   Coimbra: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200835&pid=S2178-700X201100020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">GUTI&Eacute;RREZ, Estrella. Aborto, moeda de pacto e   de poder. <i>Courrier Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a 15 de   fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200837&pid=S2178-700X201100020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">KARAN, Maria Lucia. Proibi&ccedil;&otilde;es, cren&ccedil;as e   liberdade: o debate sobre o aborto.<i>Revista Discursos Sediciosos - Crime,   Direito e Sociedade</i>, Rio de Janeiro: Renavan, ano 9, n. 14, p. 167-179, 1&ordm;   e 2&ordm; semestre, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200839&pid=S2178-700X201100020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">_____. Sistema penal e direitos das   mulheres. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Criminais</i>, n. 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200841&pid=S2178-700X201100020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">PENICHE, Andrea. Elas Somos N&oacute;s. <i>O   direito ao Aborto como Reinvidica&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e Cidad&atilde;</i>. Porto:   Afrontamento, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200843&pid=S2178-700X201100020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">PIMENTEL, Silvia; PANDIJIARJIAN, Valeria.   Aborto: descriminalizar para n&atilde;o discriminar. In: A<i>borto legal - implica&ccedil;&otilde;es   &eacute;ticas e religiosas</i>. S&atilde;o Paulo: Cadernos - Cat&oacute;licas pelo Direito de   Decidir, Publica&ccedil;&otilde;es CDD, 2002, p. 71-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200845&pid=S2178-700X201100020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">PIOVENSAN, Fl&aacute;via. Direitos sexuais e   reprodutivos: aborto inseguro como viola&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos. In: SARMENTO,   Daniel. <i>Nos limites da vida</i>. Rio de Janeiro: Ed. Lumen Juris, p.   207.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200847&pid=S2178-700X201100020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">_____. <i>Nos Limites da Vida</i>. Rio   de Janeiro: Lumen Juris, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200849&pid=S2178-700X201100020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">PIRRALHA, Andr&eacute;. Referendo popular, leis e   lutas. <i>Le monde diplomatique</i> - edi&ccedil;&atilde;o portuguesa - mensal, n.   3, II, s&eacute;rie janeiro/2007, Portugal - 11 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200851&pid=S2178-700X201100020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">RELEA, Francesc. Ca&ccedil;a &agrave;s bruxas. El pa&iacute;s,   Madrid. <i>Courrier Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a 15 de fevereiro   de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200853&pid=S2178-700X201100020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">ROJAS, Carolina. Denunciar ou calar? La   Nacion (excertos), Santiago do Chile.<i>Courrier Internacional</i>, Lisboa, n.   97, 9 a 15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200855&pid=S2178-700X201100020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">TESSARO, Anelise. O debate sobre a   descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto: aspectos penais constitucionais. <i>Revista   Brasileira de Ci&ecirc;ncias Criminais</i>, S&atilde;o Paulo: Revistas dos Tribunais, n. 74,   p. 35 a 85, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200857&pid=S2178-700X201100020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">TORNER, Robin. EUA - Controv&eacute;rsia   consensual. <i>The Nex York Times</i>, Nova Iorque. <i>Courrier   Internacional</i>, Lisboa, n. 97, 9 a 15 de fevereiro de 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5200859&pid=S2178-700X201100020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="verdana" size="2">Recebido em 28/09/2011    <br>   </font><font face="verdana" size="2">Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 10/10/2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="verdana" size="2"><a name=nt01 id="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> Galeotti, Giulia. <i>Hist&oacute;ria do ab()rto</i>,   Coimbra: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2003.    <br>   </font><font face="verdana" size="2"><a name=nt02 id="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> Toner, Robin. EUA = Controv&eacute;rsia consensual.<i> The   Nex York Times</i>, Nova Iorque, Courrier, p. 15.    <br>   </font><font face="verdana" size="2"><a name=nt03 id="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Fa&uacute;ndes, An&iacute;bal e Barzelatto, Jos&eacute;. <i>O Drama do   Aborto - em busca de um consenso</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Komedi, 2004.    <br>   </font><font face="verdana" size="2"><a name=nt04 id="nt04"></a><a href="#tx04">4</a>  Donnellan, Ethiene. The Irish Time, <i>Courrie</i>,   p. 13    <br>   <a name=nt05 id="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> <i>Le monde diplomatique</i> - edi&ccedil;&atilde;o portuguesa - mensal, n.   3, II, s&eacute;rie janeiro/2007, Portugal - 11 de fevereiro de 2007, Referendo   popular, LEIS E LUTAS, por Andr&eacute; Pirralha, p. 2.    <br>   <a name=nt06 id="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> Boletim/EU, n. 7/8-2002,<a href="http://revistaepos.org/europa.eu/bulletin/pt/200207/p102001.htm#anch0010" target="_blank">http:europa.eu/bulletin/pt/200207/p102001.htm#anch0010    <br>   </a><a name=nt07 id="nt07"></a><a href="#tx07">7</a> Ver caso R.H. x   Noruega, 1992. Fonte:<a href="http://www.echr.coe.int/Eng/Judgments.htm" target="_blank">http://www.echr.coe.int/Eng/Judgments.htm</a>;<a href="http://www.reproductiverights.org/pdf/pub_bp_RREuropeanCourt.pdf" target="_blank">www.reproductiverights.org/pdf/pub_bp_RREuropeanCourt.pdf    <br>   </a><a name=nt08 id="nt08"></a><a href="#tx08">8</a> A respeito, ver   caso Vo x Fran&ccedil;a, 2004.    <br>   <a name=nt09 id="nt09"></a><a href="#tx09">9</a> A respeito, ver   caso Boso x Italia, 2002.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name=nt10 id="nt10"></a><a href="#tx10">10</a> Chan, Minnie.   Obrigadas a abortar. <i>South China Morning Post</i>, Hong Kong,<i>Courrier</i>,   p. 15.    <br>   <a name=nt11 id="nt11"></a><a href="#tx11">11</a> Ver Comiss&atilde;o   Interamericana de Direitos Humanos, Caso 2141, dispon&iacute;vel em<a href="http://www.cidh.org/annualrep/80.81sp/EstadosUnidos2141.htm" target="_blank">http://www.cidh.org/annualrep/80.81sp/EstadosUnidos2141.htm    <br>   </a><a name=nt12 id="nt12"></a><a href="#tx12">12</a> Guti&eacute;rrez,   Estrella. Aborto, moeda de pacto e de poder. Caracas, 8/3/2010 (IPS).    <br>   <a name=nt13 id="nt13"></a><a href="#tx13">13</a> Rojas,   Carolina. Denunciar ou calar? <i>La Nacion</i> (excertos), Santiago   do Chile,<i>Courrie</i>, p. 14.    <br>   <a name=nt14 id="nt14"></a><a href="#tx14">14</a> Est&aacute; em   tr&acirc;mite, atualmente, no Supremo Tribunal Federal, uma a&ccedil;&atilde;o de Argui&ccedil;&atilde;o de   Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF, n. 54), que pretende que seja   reconhecido o direito constitucional de todas as mulheres &agrave; antecipa&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica   do parto (interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o), nos casos de diagn&oacute;stico de anencefalia,   com a alega&ccedil;&atilde;o de que, nesses casos, n&atilde;o h&aacute; vida a ser tutelada em face das   espec&iacute;ficas condi&ccedil;&otilde;es do feto anenc&eacute;falo.    <br>   <a name=nt15 id="nt15"></a><a href="#tx15">15</a> Elustondo,   Georgina, A caminho da toler&acirc;ncia. <i>Clarin.com</i> (excertos),   Buenos Aires, <i>Courrier</i>, p. 14.    <br>   <a name=nt16 id="nt16"></a><a href="#tx16">16</a> Relea, Francesc   (em Man&aacute;gua). Ca&ccedil;a &agrave;s bruxas. <i>El pa&iacute;s</i>, Madrid, <i>Courrier</i>,   p. 14.    <br>   <a name=nt17 id="nt17"></a><a href="#tx17">17</a> As Confer&ecirc;ncias   Mundiais sobre os Direitos Humanos de Teer&atilde; (1968), sobre Popula&ccedil;&atilde;o, de   Bucareste (1974), da Mulher (1975), sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (1994),   de Copenhague (C&uacute;pula Mundial de Desenvolvimento Social) e Beijing (IV   Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Mulher, Desenvolvimento e Paz/1995), a Declara&ccedil;&atilde;o e   Programa de Viena, o Pacto Internacional sobre Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e   Culturais, as Conven&ccedil;&otilde;es sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o   contra a Mulher (CEDAW) e de Bel&eacute;m do Par&aacute; (Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para   prevenir, punir e erradicar a viol&ecirc;ncia contra a mulher), as Confer&ecirc;ncias do   Cairo e de Beijing, a Declara&ccedil;&atilde;o de Pequim, o Comit&ecirc; da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a   Elimina&ccedil;&atilde;o de todas as formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (CEDAW), o Plano   de A&ccedil;&atilde;o de Beijing, no cap&iacute;tulo dedicado &agrave; Mulher e Sa&uacute;de, refor&ccedil;ando o Plano   de A&ccedil;&atilde;o do Cairo, o Comit&ecirc; CEDAW, a Recomenda&ccedil;&atilde;o Geral n. 19, do Comit&ecirc; CEDAW,   os Comit&ecirc;s da ONU sobre os Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais (PIDESC) e   sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (2003), o Comit&ecirc; de   Direitos Humanos da ONU (2005).    <br>   <a name=nt18 id="nt18"></a><a href="#tx18">18</a> Enuncia o princ&iacute;pio   4 da Confer&ecirc;ncia do Cairo, de 1994: "Promover a equidade e a igualdade dos   sexos e os direitos da mulher, eliminar todo tipo de viol&ecirc;ncia contra a mulher   e garantir que seja ela quem controle sua pr&oacute;pria fecundidade s&atilde;o a pedra   angular dos programas de popula&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento. Os direitos humanos da   mulher, das meninas e jovens fazem parte inalien&aacute;vel, integral e indivis&iacute;vel   dos direitos humanos universais. A plena participa&ccedil;&atilde;o da mulher, em igualdade   de condi&ccedil;&otilde;es na vida civil, cultural, econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e social em n&iacute;vel   nacional, regional e internacional e a erradica&ccedil;&atilde;o de todas as formas de   discrimina&ccedil;&atilde;o por raz&otilde;es do sexo s&atilde;o objetivos priorit&aacute;rios da comunidade   internacional."    <br>   <a name=nt19 id="nt19"></a><a href="#tx19">19</a> CEDAW,   20&ordf; Session (1999) General Recommendation n. 24.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name=nt20 id="nt20"></a><a href="#tx20">20</a> CEDAW,   20&ordf; Session (1999), General Recommendation n. 24.    <br>   <a name=nt21 id="nt21"></a><a href="#tx21">21</a> Confer&ecirc;ncia   Internacional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento.    <br>   <a name=nt22 id="nt22"></a><a href="#tx22">22</a> Karan, Maria   Lucia. Sistema penal e direitos das mulheres. <i>Revista Brasileira de   Ci&ecirc;ncias Criminais</i>, n. 9, p. 152 e 153.    <br>   <a name=nt23 id="nt23"></a><a href="#tx23">23</a> a.- Conven&ccedil;&atilde;o   Interamericana para prevenir, punir e erradicar a viol&ecirc;ncia contra a mulher -   "Conven&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m do Par&aacute;", de1994, em 27 de novembro de 1995; b.- Conven&ccedil;&atilde;o   Interamericana para prevenir e punir torturas, de 1985, em 20 de julho de 1989;   c.- Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos - "Pacto de San Jos&eacute; da Costa   Rica", de 1969, em 25 de setembro de 1992; d.- Conven&ccedil;&atilde;o contra a tortura e   outros tratamentos ou penas cru&eacute;is, desumanos ou degradantes, de 1984, em 28 de   setembro de 1989; e.- Conven&ccedil;&atilde;o sobre a elimina&ccedil;&atilde;o de todas as formas de   discrimina&ccedil;&atilde;o contra a mulher, de 1979, em 1&ordm; de fevereiro de 1984; e f.- Pacto   Internacional dos Direitos Civis e Pol&iacute;ticos, de 1966, em 24 de janeiro de   1992.    <br>   <a name=nt24 id="nt24"></a><a href="#tx24">24</a> Can&ccedil;ado   Trindade, Ant&ocirc;nio Augusto e Canotillo, Jos&eacute; Joaquim Gomes. <i>Direitos   humanos e o direito constitucional internacional</i>, p. 83; Pimentel, Silvia e   Pandijiarjian, Valeria. Aborto: descriminalizar para n&atilde;o discriminar. In: <i>Aborto   legal - implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e religiosas</i>, p. 71.    <br>   <a name=nt25 id="nt25"></a><a href="#tx25">25</a> Constitui&ccedil;&atilde;o   Federal Brasileira, artigo 5&ordm;, caput e &sect;&sect; 1&ordm;, 2&ordm; e 3&ordm; e artigo 60, par&aacute;grafo   4&ordm;, IV; Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para prevenir, punir e erradicar a viol&ecirc;ncia   contra a mulher - "Conven&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m do Par&aacute;", de 1994, ratificada em 27 de   novembro de 1995, Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para prevenir e punir torturas, de   1985, ratificada em 20 de julho de 1989, Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos   Humanos - "Pacto de San Jos&eacute; da Costa Rica", de 1969, ratificada em 25 de   setembro de 1992, Conven&ccedil;&atilde;o contra a tortura e outros tratamentos ou penas   cru&eacute;is, desumanos ou degradantes, de 1984, ratificada em 28 de setembro de   1989, Conven&ccedil;&atilde;o sobre a elimina&ccedil;&atilde;o de todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o contra a   mulher, de 1979, ratificada em 1&ordm; de fevereiro de 1984, Pacto Internacional dos   Direitos Civis e Pol&iacute;ticos, de1966, ratificado em 24 de janeiro de 1992,   Declara&ccedil;&atilde;o de Pequim, que reconheceu que "os Direitos das Mulheres s&atilde;o Direitos   Humanos" e que t&ecirc;m as mulheres o direito &agrave; plena assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de sexual e   reprodutiva, Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento,   realizada em 1994, Confer&ecirc;ncias internacionais de Copenhague (C&uacute;pula Mundial de   Desenvolvimento Social) e Beijing (IV Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Mulher,   Desenvolvimento e Paz), de 1995, Declara&ccedil;&atilde;o e Programa de Viena, Pacto   Internacional sobre Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais, Conven&ccedil;&atilde;o sobre a   Elimina&ccedil;&atilde;o de todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (CEDAW),   Confer&ecirc;ncia do Cairo, recomenda&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o   de todas as formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (CEDAW), especialmente   artigo 12 dessa Conven&ccedil;&atilde;o, a Confer&ecirc;ncia e Plano de A&ccedil;&atilde;o de Beijing, cap&iacute;tulo   dedicado &agrave; Mulher e Sa&uacute;de, Plano de A&ccedil;&atilde;o do Cairo, de 1994, disposi&ccedil;&otilde;es dos   Comit&ecirc;s da ONU sobre os Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais (PIDESC) e   sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (CEDAW), de 2003,   Recomenda&ccedil;&atilde;o Geral n. 19, do Comit&ecirc; CEDAW, declara&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; PIDESC sobre a   criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto e Recomenda&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; de Direitos Humanos da ONU,   de 2005, sobre o sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos das Mulheres,   Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.    <br>   <a name=nt26 id="nt26"></a><a href="#tx26">26</a> Piovesan,   Fl&aacute;via. Direitos humanos e o direito constitucional internacional, p. 83.    <br>   <a name=nt27 id="nt27"></a><a href="#tx27">27</a> Piovesan,   Fl&aacute;via. Direitos sexuais e reprodutivos: aborto inseguro como viola&ccedil;&atilde;o aos   direitos humanos. In: <i>Nos Limites da Vida</i>. Rio de Janeiro: Lumen   Juris, 2007.    <br>   <a name=nt28 id="nt28"></a><a href="#tx28">28</a> Como ensina   Fl&aacute;via Piovesan, "no plano jur&iacute;dico, a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto viola os   chamados direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, amparados pela   Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento do Cairo de 1994,   bem como pelas Confer&ecirc;ncias de Copenhagem de 1994 e de Pequim de 1995. A   criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto resulta, assim, como uma viola&ccedil;&atilde;o a direitos humanos   internacionalmente protegidos, em particular nas esferas da sexualidade e   reprodu&ccedil;&atilde;o (Direitos sexuais e reprodutivos: aborto inseguro como viola&ccedil;&atilde;o aos   direitos humanos; v. tamb&eacute;m Sarmento, Daniel e Piovesan, Fl&aacute;via, orgs. <i>Nos   Limites da Vida</i>, p. 207).</font></p>      ]]></body>
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