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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The essay begins with a discussion of the possible sense of "words life", to treat then the conditions of their death. To do so, it makes an inventory of the situations that lead to the divestment of symbolization in ontological development related to various psychopathological categories and their impact on language. Add to that the pathologies resulting from traumatic situations beyond the period of infancy. Concludes dealing with specific psychoanalytic clinical where, in addition to the interpretation, the expressive function has to be resuscitated.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>EM PAUTA - MORTE DA PALAVRA?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Vida e morte da palavra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Life and deth of the world</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Fl&aacute;vio Carvalho Ferraz<sup><a name="1"></a><a href="#1a">*</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O artigo parte de uma discuss&atilde;o sobre o significado poss&iacute;vel da ideia de vida da palavra para, em seguida, tratar das condi&ccedil;&otilde;es de sua morte. Para tanto, faz um levantamento das situa&ccedil;&otilde;es que levam ao desinvestimento da simboliza&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento ontol&oacute;gico, relacionadas &agrave;s diversas categorias psicopatol&oacute;gicas e sua incid&ecirc;ncia sobre a linguagem. Acrescenta a isso as patologias decorrentes das situa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas para al&eacute;m do per&iacute;odo da inf&acirc;ncia. Conclui tratando da especificidade da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica nos casos em que, para al&eacute;m da interpreta&ccedil;&atilde;o, a fun&ccedil;&atilde;o expressiva tem de ser reanimada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>: Palavra, Desafeta&ccedil;&atilde;o, Trauma.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The essay begins with a discussion of the possible sense of "words life", to treat then the conditions of their death. To do so, it makes an inventory of the situations that lead to the divestment of symbolization in ontological development related to various psychopathological categories and their impact on language. Add to that the pathologies resulting from traumatic situations beyond the period of infancy. Concludes dealing with specific psychoanalytic clinical where, in addition to the interpretation, the expressive function has to be resuscitated.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>: Word, Disafffection, Trauma.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>S&oacute; uma palavra me devora:    <br>  Aquela que meu cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o diz.</i>    <br> (Sueli Costa &amp; Abel Silva, <i>Jura secreta</i>)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para falar sobre "vida e morte" da palavra, conv&eacute;m come&ccedil;ar por situar as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade tanto de uma como de outra vicissitude. Como &eacute; poss&iacute;vel dizer que uma palavra est&aacute; "viva"? Por que meios se a anima? Como se pode diagnosticar sua morte? Ou ainda, indo mais longe, como postular o seu "assassinato"? De que ela morre?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas s&atilde;o quest&otilde;es que, para serem minimamente esclarecidas &ndash; ao menos no nosso &acirc;mbito &ndash;, nos colocar&atilde;o em um campo de intersec&ccedil;&atilde;o entre a psican&aacute;lise e a filosofia da linguagem. Considero que a psican&aacute;lise pode dialogar com a filosofia da linguagem dentro das diversas tradi&ccedil;&otilde;es desta &uacute;ltima. O problema da significa&ccedil;&atilde;o e seus desdobramentos, tratados na psican&aacute;lise a partir do exame dos atos falhos ou da interpreta&ccedil;&atilde;o referida &agrave; polissemia das palavras, aporta quest&otilde;es para a vertente da filosofia da linguagem mais preocupada com os problemas da sem&acirc;ntica e da lingu&iacute;stica estruturalista, como se v&ecirc; na obra de Lacan. J&aacute; a problem&aacute;tica dos usos da linguagem e de seus efeitos sobre o outro, no sentido, por exemplo, em que Bion (1967&#47;1988) o relaciona &agrave; <i>identifica&ccedil;&atilde;o projetiva</i>, estabelece uma ponte com a vertente pragm&aacute;tica da filosofia da linguagem (Wittgenstein, 1953&#47;1975; Austin, 1962&#47;1990).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o se trata aqui da palavra esgotada em si mesma, como elemento de uma l&iacute;ngua, mas da palavra <i>proferida por um sujeito singular</i>. &Eacute; por este vi&eacute;s que a psican&aacute;lise pode dar alguma contribui&ccedil;&atilde;o para a filosofia da linguagem, uma vez que faz um recorte espec&iacute;fico do problema, pelo prisma da fala em uma situa&ccedil;&atilde;o muito particular, o <i>setting</i> anal&iacute;tico. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, a palavra &eacute; proferida <i>sob transfer&ecirc;ncia</i> e emoldurada pelo contrato da associa&ccedil;&atilde;o livre, o que potencializa uma de suas dimens&otilde;es, qual seja, a de comportar, quando pronunciada, mais do que aquilo que o sujeito falante <i>sabe</i>, de si e do que fala. Isso &eacute; o que ocorre, de maneira exemplar, no ato falho e no chiste, quando o desejo se insinua de maneira a surpreender.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fil&oacute;sofo Ernst Cassirer (1923&#47;2001) se refere ao que aqui chamo de anima&ccedil;&atilde;o pelo "sopro" com outro termo metaf&oacute;rico: "milagre". Com essa palavra ele designa o processo pelo qual uma "simples mat&eacute;ria sens&iacute;vel", que no nosso caso pode ser a palavra como elemento sonoro, "adquire uma vida espiritual nova e multiforme" (p. 43).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ideia de <i>palavra viva</i> &ndash; algo em si mesmo j&aacute; nomeado por meio de uma met&aacute;fora &ndash; remete &agrave; postula&ccedil;&atilde;o de Freud (1894&#47;1980) de uma representa&ccedil;&atilde;o imantada por um <i>quantum</i> de afeto, tal como, comparava ele, um campo el&eacute;trico se cria em torno de um corpo. No caso da palavra, seu revestimento pelo afeto corresponde a uma esp&eacute;cie de "sopro" de vida que responde por sua anima&ccedil;&atilde;o, de modo similar ao que se passa com os tra&ccedil;os mn&ecirc;micos que, ungidos por uma carga afetiva, tornam-se pontos ligados na cadeia que Freud (1895 e 1911) assumiu como sendo o <i>pensamento</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim como n&atilde;o se pode separar a linguagem do pensamento, n&atilde;o se pode tomar o problema da "vida da palavra" sem considerar a defini&ccedil;&atilde;o particular de <i>pensamento</i> no interior das teorias psicanal&iacute;ticas. N&atilde;o se trata, ali, de pensamento no sentido da atividade l&oacute;gico-dedutiva, empregada na cogni&ccedil;&atilde;o, mas de uma atividade mental movida pelo inconsciente, tal como Freud (1913) propunha com a no&ccedil;&atilde;o de <i>associa&ccedil;&atilde;o livre</i>. A palavra, como elemento da l&iacute;ngua, &eacute; tomada por um sujeito singular dentro de um fluxo associativo cujo motor &eacute; o <i>afeto</i>. Uma vez que adquire vida por meio do "sopro" do afeto, uma palavra se liga a outra e, sucessivamente, a outra. E assim por diante. Como diria Lacan (1957-58&#47;1999), um significante tem a caracter&iacute;stica de remeter a outro significante. Dessa maneira, uma das condi&ccedil;&otilde;es da vida de uma palavra &eacute; que ela n&atilde;o seja estanque, mas articulada associativamente a outra por meio de analogias embasadas n&atilde;o apenas na experi&ecirc;ncia da cultura, mas na <i>singularidade idiop&aacute;tica</i> de cada sujeito. Ou seja, a exig&ecirc;ncia &eacute; de que ela se preste &agrave; met&aacute;fora, seja a met&aacute;fora produzida conscientemente, como um recurso da fun&ccedil;&atilde;o expressiva, seja a met&aacute;fora inconsciente, desvelada apenas ap&oacute;s sua fala. &Eacute; por esta via que um sujeito pode dizer mais do que aquilo que sabe, raz&atilde;o pela qual Lacan (1957-58&#47;1999) afirma que uma interpreta&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica deve esgotar todo o campo sem&acirc;ntico recoberto pela palavra proferida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vemos, assim, que a palavra viva cumpre uma <i>fun&ccedil;&atilde;o expressiva</i>, em que o mundo afetivo se externa em dire&ccedil;&atilde;o a outro, que &eacute; seu destinat&aacute;rio. Trata-se da mesma fun&ccedil;&atilde;o da palavra po&eacute;tica, embora isso n&atilde;o signifique que o discurso de um paciente em an&aacute;lise seja uma obra de arte. O que importa demarcar &eacute; que a palavra viva &eacute; um ve&iacute;culo de express&atilde;o do afeto; coloca-se como um elemento da cadeia significante; e fala do sujeito mais do que ele tencionou dizer de modo consciente. Destaco essas caracter&iacute;sticas para vermos mais &agrave; frente o que com elas ocorre nas circunst&acirc;ncias em que a palavra se desbota at&eacute; a morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A postula&ccedil;&atilde;o de uma vida da palavra ou do discurso, ainda que n&atilde;o recorrendo a esse exato modo de denomina&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno, perpassa muitas das teorias psicanal&iacute;ticas. Para o que quero recortar aqui, entretanto, mencionarei tr&ecirc;s abordagens que fundamentam meu argumento, que s&atilde;o as de Andr&eacute; Green, Joyce McDougall e Pierre Marty, este em parceria com Michel de M'Uzan. Com esses autores adentraremos uma poss&iacute;vel teoria da vida da palavra para depois, contando ainda com W. R. Bion, Jacques Lacan, Christopher Bollas e Christophe Dejours, pensarmos sobre alguns mecanismos de sua anima&ccedil;&atilde;o e de seu assassinato, seja na ontog&ecirc;nese, seja na psicopatologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A anima&ccedil;&atilde;o da palavra</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como se anima a palavra? A aquisi&ccedil;&atilde;o da palavra &eacute;, em seu n&iacute;vel b&aacute;sico, uma opera&ccedil;&atilde;o cognitiva em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o, quando uma coisa encontra seu representante em um elemento sonoro designado pela l&iacute;ngua para tal. Mas a opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se encerra nessa dimens&atilde;o. Do ponto de vista ps&iacute;quico, a <i>palavra</i> vem a substituir a <i>coisa</i> no plano do pensamento e da linguagem, de modo a permitir, com essa simboliza&ccedil;&atilde;o, um processo de emancipa&ccedil;&atilde;o do sujeito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coisa mesma. O sujeito falante desloca para a palavra o afeto, enquanto se libera da necessidade imperiosa da <i>coisa</i> (no regime da percep&ccedil;&atilde;o) como objeto da satisfa&ccedil;&atilde;o. No campo das palavras abstratas, que designam sentimentos, o pr&oacute;prio fato da nomea&ccedil;&atilde;o, em si mesmo, alivia a crian&ccedil;a dos terrores inomin&aacute;veis. Portanto, a anima&ccedil;&atilde;o da palavra comp&otilde;e-se por elementos tais como: a substitui&ccedil;&atilde;o da coisa pelo pensar e pelo falar; a realiza&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria por meio do s&iacute;mbolo, quando a economia da percep&ccedil;&atilde;o pode ceder espa&ccedil;o &agrave; economia da representa&ccedil;&atilde;o; e o acesso &agrave; fun&ccedil;&atilde;o expressiva, que permite ao sujeito comunicar-se com o outro como um ganho para al&eacute;m da experi&ecirc;ncia sensorial do contato corporal, esta &eacute; a modalidade de comunica&ccedil;&atilde;o primitiva que se faz imperiosa na pervers&atilde;o. Jorge L. Ahumada (1999) destaca o papel extremado da sensorialidade cut&acirc;nea na tranquiliza&ccedil;&atilde;o buscada por meio das rela&ccedil;&otilde;es perversas: "Os muitas vezes intensos fen&ocirc;menos prazerosos dos atos perversos se d&atilde;o nesta &aacute;rea simbi&oacute;tica, onde os fen&ocirc;menos fusionais de sensorialidade cut&acirc;nea desempenham um papel proeminente" (p. 60).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan (1957-58&#47;1999), entre muitos outros autores em que poder&iacute;amos nos apoiar, enfatiza a dimens&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o substitutiva que a palavra assume ante a coisa: "&#91...&#93; o ser humano tanto se satisfaz com palavras quanto com satisfa&ccedil;&otilde;es mais substanciais, ou, pelo menos, numa propor&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, muito ponder&aacute;vel, em rela&ccedil;&atilde;o a estas &uacute;ltimas" (p. 351). Mas cumpre acrescentar que a palavra n&atilde;o apenas satisfaz, ela protege o sujeito das excita&ccedil;&otilde;es pulsionais, ao circunscrev&ecirc;-las no campo da significa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bion (1962&#47;1991), sem diz&ecirc;-lo dessa forma, mostra como a anima&ccedil;&atilde;o da palavra, entretanto, implica um processo de luto: falar implica dor. Ou seja, o abandono da <i>coisa</i> pressup&otilde;e a assun&ccedil;&atilde;o da perda da modalidade original de obten&ccedil;&atilde;o de prazer para que ocorra a passagem a uma modalidade de satisfa&ccedil;&atilde;o pelo s&iacute;mbolo. Na impossibilidade de fazer essa travessia, o sujeito ficar&aacute; preso &agrave; concretude da sensorialidade, o que lhe custar&aacute; a pr&oacute;pria sanidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Andr&eacute; Green (1982) aprofunda o esquema freudiano inicial, segundo o qual uma representa&ccedil;&atilde;o &eacute; investida por um <i>quantum</i> de afeto. Nesse modelo, mais convencional na teoria psicanal&iacute;tica tanto freudiana como p&oacute;s-freudiana, representa&ccedil;&atilde;o e afeto s&atilde;o considerados elementos de natureza diversa. Mas Green prop&otilde;e a indissociabilidade entre ambos, postulando o estatuto de representa&ccedil;&atilde;o para o pr&oacute;prio afeto, o que vem a desembocar no questionamento da concep&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica de heterogeneidade entre qualidade e quantidade. Esse modo de pensar permite ao autor a constru&ccedil;&atilde;o de seu conceito de <i>discurso vivo</i>, que veio a ser uma das grandes contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas ao estudo da vida da palavra. Green n&atilde;o o menciona, mas as investiga&ccedil;&otilde;es da psicologia da <i>Gestalt</i> (Kofka, 1935&347;1975) j&aacute; indicavam algo como a possibilidade de apreens&atilde;o perceptual do afeto, por parte do beb&ecirc;, antes mesmo de que lhe fosse vi&aacute;vel a percep&ccedil;&atilde;o organizada dos objetos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Joyce McDougall (1991) foi uma autora que trouxe contribui&ccedil;&atilde;o fundamental para o nosso tema. Real&ccedil;o aqui o seu conceito de <i>afeta&ccedil;&atilde;o</i>, deduzido clinicamente a partir da verifica&ccedil;&atilde;o de seu negativo, a <i>desafeta&ccedil;&atilde;o</i> da palavra em pacientes somatizadores ou normopatas. Para McDougall, <i>grosso modo</i>, a palavra, fornecida pela m&atilde;e (que aqui designa, &eacute; claro, o objeto prim&aacute;rio), adquire vida, isto &eacute;, <i>afeta-se</i>, como suced&acirc;neo da fun&ccedil;&atilde;o de paraexcita&ccedil;&atilde;o, realizada nos prim&oacute;rdios da vida do beb&ecirc; por meio do pr&oacute;prio corpo materno. A separa&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;e vai se dando &agrave; medida que ele, para conter as sensa&ccedil;&otilde;es inomin&aacute;veis de terror, n&atilde;o mais necessita, de maneira absoluta, de sua presen&ccedil;a corporal. O que vem a substituir a m&atilde;e como fun&ccedil;&atilde;o de paraexcita&ccedil;&atilde;o &eacute; a palavra, que a partir de ent&atilde;o a crian&ccedil;a portar&aacute; em si mesma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o seria demasiado ver em ambos os autores a m&atilde;o de Pierre Marty, uma vez que a postula&ccedil;&atilde;o do <i>pensamento operat&oacute;rio</i> (Marty &amp; M'Uzan, 1962&#47;1994) trouxe um recurso te&oacute;rico extremamente prof&iacute;cuo para a psican&aacute;lise francesa, que depois se estendeu para a psican&aacute;lise em geral. O pensamento operat&oacute;rio &eacute; exatamente a forma desafetada de pensamento que resulta em um discurso tamb&eacute;m operat&oacute;rio, em que a significa&ccedil;&atilde;o das palavras se reduz ao elementar. Os significados n&atilde;o se deslocam em uma cadeia associativa, em raz&atilde;o da car&ecirc;ncia do afeto que seria o motor de tal movimento. O discurso, quando muito, pode recorrer &agrave; meton&iacute;mia, mas n&atilde;o &agrave; met&aacute;fora. Nem &eacute; necess&aacute;rio dizer que, na situa&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, o paciente operat&oacute;rio n&atilde;o &eacute; capaz de produzir o discurso associativo solicitado pelo analista, levando muitas vezes ao impasse da an&aacute;lise. J&aacute; o discurso vivo conduz um significante rapidamente a outro. O exemplo de Marty (1998) &eacute; cristalino: "&#91...&#93; uma <i>boneca</i>, que de in&iacute;cio &eacute; sentida como algo vis&iacute;vel e palp&aacute;vel pelo beb&ecirc;, adquire progressivamente o valor afetivo de uma <i>crian&ccedil;a</i>, e, mais tarde, no adolescente e no adulto, o sentido metaf&oacute;rico de uma <i>mulher sexuada</i>" (p. 17). J&aacute; no sujeito operat&oacute;rio, "a palavra boneca pode ent&atilde;o n&atilde;o evocar &#91;...&#93; nada mais que <i>brinquedo de crian&ccedil;a</i>" (p. 17), estancando a significa&ccedil;&atilde;o no estrato mais elementar e literal da palavra.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vejamos outro trecho de Marty que exemplifica o fluxo associativo que se faz presente no pensamento afetado:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Assim, tenho, por exemplo, meu len&ccedil;o nas m&atilde;os. Lembro-me de que ele me foi dado por um primo que j&aacute; morreu. Penso ent&atilde;o na morte deste primo que alguns colegas trataram. Sou grato por essa ajuda quando ele estava doente. Penso ent&atilde;o em minha fam&iacute;lia que acabo de ver na prov&iacute;ncia e experimento certa culpa por n&atilde;o ter ido, especialmente, fazer uma visita &agrave; vi&uacute;va desse primo. N&atilde;o tive tempo. Farei isso no pr&oacute;ximo ver&atilde;o</i>. (1998, p. 12)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao pensamento vivo corresponde, naturalmente, o discurso vivo. No caso do discurso operat&oacute;rio definido por Marty, a palavra, restringindo-se ao literal, permanece funcional quanto &agrave; sua dimens&atilde;o <i>locucion&aacute;ria</i>, &agrave; diferen&ccedil;a do que pode ocorrer na psicose, como veremos &agrave; frente. Ela pode, inclusive e <i>a fortiori</i>, funcionar nos registros <i>ilocucion&aacute;rio</i> e <i>perlocucion&aacute;rio</i><sup><a name="3"></a><a href="#3a">2</a></sup>, produzindo efeitos sobre seu destinat&aacute;rio, uma vez que se presta tanto &agrave; <i>identifica&ccedil;&atilde;o projetiva</i> (Klein, 1946&#47;1973) quanto &agrave; <i>introje&ccedil;&atilde;o extrativa</i> (Bollas, 1992). A palavra poder&aacute; se preservar no campo de seu uso, enquanto perder&aacute; seu colorido no campo sem&acirc;ntico. Emprego o termo <i>uso</i> na acep&ccedil;&atilde;o de Wittgenstein (1953&#47;1975), quando prioriza a sua abordagem por meio da ideia de jogos de linguagem em detrimento do vi&eacute;s da significa&ccedil;&atilde;o. Mas refiro-me tamb&eacute;m ao seu emprego no <i>acting out</i> (Bion, 1967&#47;1988).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A morte ou o assassinato da palavra</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma vez exposto como pode uma palavra se dotar de vida, ou seja, animar-se, consideremos agora os processos de sua n&atilde;o anima&ccedil;&atilde;o, no plano da ontog&ecirc;nese, e de seu assassinato, no plano da patog&ecirc;nese. Em ambos os casos, o que se acha em a&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mecanismos <i>para al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer</i>, por assim dizer, explic&aacute;veis pela economia do trauma. Existe farto material para a compreens&atilde;o desse processo nos relatos cl&iacute;nicos da psican&aacute;lise contempor&acirc;nea, particularmente interessada pelas chamadas formas da <i>psicopatologia n&atilde;o neur&oacute;tica</i>. Mas tamb&eacute;m a literatura e o cinema s&atilde;o fontes generosas de exemplos que lan&ccedil;am luz sobre essa problem&aacute;tica. O filme <i>A vida secreta das palavras</i>, de Isabel Coixet (Espanha, 2005), do qual trataremos mais &agrave; frente, mostra cristalinamente o processo de morte e de ressurrei&ccedil;&atilde;o da palavra, o que pode significar, tamb&eacute;m, assassinato e reanima&ccedil;&atilde;o do sujeito ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para deixar claros os n&iacute;veis em que o assassinato da palavra pode se dar, dividirei esta exposi&ccedil;&atilde;o em duas partes. Na primeira, examinaremos a morte da palavra na ontog&ecirc;nese, mostrando como ela se d&aacute; nas rela&ccedil;&otilde;es familiares precoces, em que a crian&ccedil;a, indefesa, fica totalmente sujeita &agrave;s manipula&ccedil;&otilde;es conscientes e inconscientes dos pais ou cuidadores. Na segunda, veremos como, no sujeito psiquicamente constitu&iacute;do, as situa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas de grande magnitude podem levar &agrave; impossibilidade da express&atilde;o verbal que implique o seu testemunho. Nossa divis&atilde;o corresponde, assim, ao que Freud (1912) diferenciava como fatores <i>disposicionais</i> e <i>acidentais</i> do desencadeamento das neuroses. Nos acontecimentos datados da inf&acirc;ncia, quando o sujeito ainda est&aacute; em fase de constitui&ccedil;&atilde;o, localizam-se os <i>fatores disposicionais</i>, enquanto nos acontecimentos traum&aacute;ticos, que se d&atilde;o na vida do sujeito adulto ou j&aacute; psiquicamente constitu&iacute;do, encontram-se os <i>fatores acidentais</i>. Junta-se a esses dois fatores um terceiro, que &eacute; o <i>constitucional</i>. Comecemos ent&atilde;o pelas vicissitudes do desenvolvimento da crian&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Joyce McDougall (1991) examina em min&uacute;cias o caso de certo tipo de paciente que tende a dispersar, por meio da <i>a&ccedil;&atilde;o</i>, qualquer impacto das experi&ecirc;ncias emocionais. Quando busca rastrear a origem desse mecanismo defensivo, ela se depara, no plano das rememora&ccedil;&otilde;es do sujeito, com "refer&ecirc;ncias a um discurso familiar que preconizava um ideal de inafetividade e condenava qualquer experi&ecirc;ncia imaginativa" (p. 116). Trata-se, nesses casos, de uma identifica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com os pais por meio daquele mecanismo que Denise Braunschweig &amp; Michel Fain (1975) chamaram de <i>comunidade da recusa</i>, que se d&aacute; quando ela renuncia a manipular, no pensamento e no discurso, certas interroga&ccedil;&otilde;es que os pr&oacute;prios pais n&atilde;o puderam simbolizar. Assim procedendo, ela os preserva da descompensa&ccedil;&atilde;o, enquanto se torna, gra&ccedil;as ao n&atilde;o dito, herdeira da recusa e da clivagem dos pais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todavia, n&atilde;o ser&aacute; apenas no <i>discurso</i> familiar que vamos encontrar os elementos etiol&oacute;gicos da morte da palavra. Claro que eles desempenham um papel fundamental, mas h&aacute; outras interven&ccedil;&otilde;es parentais mais contundentes sobre a crian&ccedil;a que conduzem ao desinvestimento afetivo da palavra. Vejamos duas importantes contribui&ccedil;&otilde;es para a determina&ccedil;&atilde;o desta etiologia no plano das rela&ccedil;&otilde;es familiares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bollas aponta duas maneiras de prejudicar o que ele chama de <i>mutualidade produtiva</i> nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, tendo como pressuposto que "os elementos da vida ps&iacute;quica e suas diferentes fun&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mantidos em comum" (1992, p. 195), pelo compartilhamento da experi&ecirc;ncia emocional. Dito de modo esquem&aacute;tico, a primeira delas estar&aacute; na g&ecirc;nese da psicose, enquanto a outra conduzir&aacute; a patologias da recusa que t&ecirc;m na normopatia sua matriz de fundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comecemos pela opera&ccedil;&atilde;o a que Melanie Klein (1946&#47;1973) chamou de <i>identifica&ccedil;&atilde;o projetiva</i>, que se  d&aacute; quando algu&eacute;m se livra de um elemento indesej&aacute;vel de sua vida ps&iacute;quica depositando-a sobre o outro. Segundo Bollas (1992), um pai pode romper o contato ps&iacute;quico com sua pr&oacute;pria impulsividade por meio de uma cr&iacute;tica &agrave; impulsividade natural do filho, por exemplo. Esta invas&atilde;o do pensamento do filho n&atilde;o raro se associa &agrave; psicog&ecirc;nese da psicose, uma vez que visa a borrar as bordas do eu. Segundo a releitura desta opera&ccedil;&atilde;o feita por Christophe Dejours (1991), o que os pais do psic&oacute;tico visam n&atilde;o &eacute; tanto ao impedimento do pensar, mas sobretudo &agrave; sua <i>manipula&ccedil;&atilde;o</i> e ao seu <i>desvio</i>. Trata-se da tentativa de um <i>redirecionamento</i> do pensamento da crian&ccedil;a. Afirma o autor:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Na psicose &#91;...&#93;, o que o paciente teme &eacute; que o pensamento de que ele &eacute; sede n&atilde;o seja o seu, mas o de um outro que se imponha a ele: uma s&iacute;ndrome de influ&ecirc;ncia. Os pais do psic&oacute;tico n&atilde;o procuram tanto <i>destruir</i> o pensamento do filho, mas controlar o sentido desse pensamento, para excluir dele qualquer equ&iacute;voco, qualquer duplo sentido, ou seja, condenar a simboliza&ccedil;&atilde;o</i>. (1991, p. 77)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No psic&oacute;tico que foi v&iacute;tima da identifica&ccedil;&atilde;o projetiva, o comprometimento da palavra poder&aacute; chegar ao plano de sua significa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, quando ela se separa da coisa que representa e passa, ela mesma, &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de coisa. Torna-se um sinal sem sentido, ao qual Bion (1967&#47;1988) se refere como <i>objeto sonoro</i>, desvinculado da significa&ccedil;&atilde;o, solto no ar e degradado em sua condi&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolo, podendo retornar ao sujeito como alucina&ccedil;&atilde;o. Eis a&iacute; outra condi&ccedil;&atilde;o de morte da palavra, esta incidindo radicalmente sobre seu pr&oacute;prio registro <i>locucion&aacute;rio</i>, al&eacute;m, &eacute; claro, de sua fun&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica. O discurso delirante, como se verifica no caso do paranoico, &eacute; ent&atilde;o atingido, inicialmente, em sua dimens&atilde;o l&oacute;gica, tornando-se <i>paral&oacute;gico</i>, como afirma Dejours (2001). Mas a degrada&ccedil;&atilde;o pode prosseguir e atingir, regressivamente, at&eacute; mesmo a sua dimens&atilde;o sint&aacute;tica do discurso, quando este se quebra e as palavras se justap&otilde;em j&aacute; sem observar as regras da l&iacute;ngua. A isso se faz acompanhar o fen&ocirc;meno da alucina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; curioso observar como a estranheza que esse discurso causa no seu receptor pode ser alcan&ccedil;ada pelos efeitos da obra de arte que tem a palavra como mat&eacute;ria, ou seja, a poesia. Mas a&iacute; j&aacute; se trata de express&atilde;o, o que situa o fen&ocirc;meno em outro campo que n&atilde;o o da loucura... Vejamos na poesia de Manoel de Barros (2010) este efeito de estranheza similar &agrave;quele engendrado pelo discurso esquizofr&ecirc;nico, quando se embaralha a temporalidade:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>"Ontem choveu no futuro"</i> (p. 305).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ou, indo mais longe, quando se embaralha a identidade subjetiva:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>"Eu j&aacute; disse quem sou Ele"</i> (p. 353).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan (1955-56&#47;1985), tal como Bion, aborda o fen&ocirc;meno radical que &eacute; a separa&ccedil;&atilde;o entre a palavra e sua significa&ccedil;&atilde;o, quando trata da alucina&ccedil;&atilde;o verbal nas psicoses. Vale a pena a cita&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O que acontece se voc&ecirc;s se apegam unicamente &agrave; articula&ccedil;&atilde;o do que ouvem, ao sotaque, e mesmo &agrave;s express&otilde;es dialetais, ao que quer que seja literal no registro do discurso de seu interlocutor? &Eacute; preciso acrescentar a isso um pouco de imagina&ccedil;&atilde;o, pois talvez isso nunca possa ser estendido ao extremo, mas &eacute; muito claro quando se trata de uma l&iacute;ngua estrangeira &ndash; o que voc&ecirc;s compreendem num discurso &eacute; outra coisa que o que est&aacute; registrado acusticamente. &Eacute; ainda mais simples se pensarmos no surdo-mudo, que &eacute; suscet&iacute;vel de receber um discurso por sinais visuais transmitidos por meio dos dedos, segundo o alfabeto surdo-mudo. Se o surdo-mudo ficar fascinado pelas lindas m&atilde;os de seu interlocutor, ele n&atilde;o registrar&aacute; o discurso veiculado por essas m&atilde;os</i>. (Lacan, 1955-56&#47;1985, p. 158)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outro momento, Lacan levar&aacute; o mesmo racioc&iacute;nio para a palavra escrita: se ficamos no n&iacute;vel da aprecia&ccedil;&atilde;o da letra, ent&atilde;o n&atilde;o acederemos &agrave; significa&ccedil;&atilde;o da palavra. Ou seja, para que se d&ecirc; a significa&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso, de algum modo, esquecer a forma concreta do sinal que a veicula. A palavra como elemento puramente sonoro ou visual, pode-se dizer, est&aacute; morta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, mesmo perecendo no plano da significa&ccedil;&atilde;o, a palavra pode preservar-se em suas dimens&otilde;es ilocucion&aacute;ria e perlocucion&aacute;ria, uma vez que, como bem observa Bion, ela &eacute; empregada pelo esquizofr&ecirc;nico como uma "forma de a&ccedil;&atilde;o" (1967&#47;1988, p. 28). A linguagem verbal se coloca, ent&atilde;o, a servi&ccedil;o da identifica&ccedil;&atilde;o projetiva, em uma opera&ccedil;&atilde;o que visa &agrave; divis&atilde;o do objeto. Trata-se de um emprego da linguagem que, eu diria, corresponde a um modo particular de perlocu&ccedil;&atilde;o, uma vez que aquele que emite a palavra se encontra alienado de sua intencionalidade consciente. Nesse caso, ainda seguindo Bion (1967&#47;1988), a linguagem visa a uma comunica&ccedil;&atilde;o, mas em uma modalidade primitiva tal que isto n&atilde;o se d&aacute; por meio da significa&ccedil;&atilde;o da palavra, mas pelo seu uso como coisa e pelo consequente efeito causado sobre o receptor, o que implica uma descarga ou evacua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A segunda modalidade de preju&iacute;zo na <i>mutualidade produtiva</i> se d&aacute; em raz&atilde;o do mecanismo que Bollas (1992) denominou <i>introje&ccedil;&atilde;o extrativa</i>, t&atilde;o destrutivo quanto pode ser a identifica&ccedil;&atilde;o projetiva, da qual ele seria um procedimento inverso. Aqui, o que ocorre &eacute; que uma pessoa retira aspectos da vida mental do outro, apropriando-se dos mesmos. Trata-se do mecanismo que, por excel&ecirc;ncia, se encontra na g&ecirc;nese da <i>normopatia</i> (McDougall, 1983) ou <i>doen&ccedil;a norm&oacute;tica</i> (Bollas, 1992). O roubo da vida ps&iacute;quica da crian&ccedil;a, perpetrado pelos pais, impede que o filho tenha a oportunidade de experimentar os sentimentos de culpa e os impulsos &agrave; repara&ccedil;&atilde;o. Uma m&atilde;e ou um pai podem, assim, despoj&aacute;-lo de suas condi&ccedil;&otilde;es de elabora&ccedil;&atilde;o do conflito mental por meio da extra&ccedil;&atilde;o do seu conte&uacute;do mental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dejours (1991), por seu turno, mostra como, nos somatizadores, psicopatas, toxic&ocirc;manos e perversos, est&aacute; presente um mecanismo semelhante ao descrito por Bollas. Para ele, nos sujeitos que se satisfazem primordialmente pela percep&ccedil;&atilde;o, em detrimento do emprego da simboliza&ccedil;&atilde;o, quase sempre &eacute; poss&iacute;vel detectar, em sua hist&oacute;ria familiar, uma viol&ecirc;ncia <i>atuada</i>. Ao contr&aacute;rio do que vimos no caso da identifica&ccedil;&atilde;o projetiva, o objetivo dos pais n&atilde;o seria tanto o de <i>manipular</i> o pensamento da crian&ccedil;a, mas o de <i>destru&iacute;-lo</i>, o que se pode dar por meio da repress&atilde;o ao pensamento e &agrave; express&atilde;o verbal. Esse ataque pode acontecer por meio do desencorajamento da atividade imaginativa, como postula Joyce McDougall (1991), mas pode chegar &agrave;s raias da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica contra o filho. Afirma Dejours:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Em in&uacute;meros casos, constato a viol&ecirc;ncia dos pais contra o filho justamente quando este se entrega, por pouco que seja, &agrave;</i> distra&ccedil;&atilde;o, <i>ao</i> devaneio <i>ou &agrave;</i> fantasia. <i>Os pais ou um dos pais n&atilde;o suportam isso e, ent&atilde;o,</i> batem <i>no filho</i> (1991, p. 77)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No limite da viol&ecirc;ncia, com um potencial patog&ecirc;nico estarrecedor, est&atilde;o as formas de abuso da crian&ccedil;a, particularmente a sexual. Neste caso, para al&eacute;m da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, encontra-se a viol&ecirc;ncia da <i>desmentida</i>, em que a realidade deve ser negada por meio de um conluio for&ccedil;ado com o agressor. Trata-se muitas vezes de situa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas que se estendem por anos da inf&acirc;ncia, em especial quando o abuso se d&aacute; dentro da fam&iacute;lia. O pacto em torno do n&atilde;o dito, garantido pela amea&ccedil;a e pela viol&ecirc;ncia, leva a uma das mais severas formas de matar a palavra. Pode implicar a sua verdadeira erradica&ccedil;&atilde;o, como se v&ecirc; no impactante filme dirigido por Alexandre Avranas, <i>Miss Violence</i> (Gr&eacute;cia, 2012), em que as filhas abusadas pelo pai s&atilde;o de tal modo submetidas &agrave; viol&ecirc;ncia e ao sil&ecirc;ncio que acabam se esmerando, elas pr&oacute;prias, por acobert&aacute;-lo diante da sociedade e da autoridade legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A viol&ecirc;ncia atuada na fam&iacute;lia retira da crian&ccedil;a a possibilidade de se organizar simbolicamente, restando-lhe como alternativa as tentativas de organiza&ccedil;&atilde;o por meio da economia da percep&ccedil;&atilde;o, quando ent&atilde;o o objeto, na sua qualidade de coisa, n&atilde;o pode ser dispensado. Da&iacute; resultam os comportamentos compulsivos de toda ordem, inclusive a compuls&atilde;o sexual nas pervers&otilde;es, quando se enfraquecem os processos de simboliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; curioso, inclusive, observar como alguns autores deixaram-se levar pela apar&ecirc;ncia enganosa de um fantasiar prof&iacute;cuo e intenso no perverso. Examinando sua vida sexual mais detidamente, o que se p&ocirc;de verificar foi, ao contr&aacute;rio, a estereotipia de sua fantasia, &agrave; moda do normopata, e a necessidade imperiosa de descarga, via <i>acting out</i>, tal como se d&aacute; nas adic&ccedil;&otilde;es em geral, toxicomanias, bulimias, jogo patol&oacute;gico etc. (Ferraz, 2000). Na economia da percep&ccedil;&atilde;o, o pensamento e o discurso se limitam ao plano da objetividade, tal como na <i>vida operat&oacute;ria</i> (Marty &amp; M'Uzan, 1962&#47;1994). Eis, ent&atilde;o, a condi&ccedil;&atilde;o de morte da palavra.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vamos chegando &agrave; conclus&atilde;o de que a palavra viva prevalece na linguagem do neur&oacute;tico, com a afeta&ccedil;&atilde;o do discurso, que permite a express&atilde;o do mundo interno, e a possibilidade de uma fala sintom&aacute;tica, por meio do ato falho ou do chiste. Vale ressaltar, ent&atilde;o, a &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica entre essas duas condi&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o a sua mera simultaneidade. O recalcamento, como sabemos &agrave; exaust&atilde;o, leva &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de um sintoma que, sendo eminentemente simb&oacute;lico, expressar-se-&aacute; por meio da fala, entre outras forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente. O discurso operat&oacute;rio do normopata ou do somatizador, ao contr&aacute;rio, n&atilde;o se constitui como ve&iacute;culo do afeto, e assim, como acuradamente demonstra Marty (1993), est&aacute; isento de atos falhos. O corpo se torna o palco do sintoma. No caso da psicopatia, a palavra est&aacute; morta, visto que n&atilde;o traz nenhuma resson&acirc;ncia afetiva. &Eacute; impressionante como o psicopata apreende o funcionamento afetivo do outro (v&iacute;tima), mas apenas para ludibri&aacute;-lo com o uso deste saber. A palavra est&aacute; morta porque n&atilde;o veicula a verdade, mas unicamente a mentira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir de Freud, &eacute; poss&iacute;vel pensar na presen&ccedil;a de elementos traum&aacute;ticos nas assim chamadas tr&ecirc;s estruturas cl&iacute;nicas. Mas, como demonstra Myriam Uchitel (2001), trata-se de traumatismos de natureza distinta. Na neurose, o traum&aacute;tico se vincula &agrave; situa&ccedil;&atilde;o ed&iacute;pica, concernindo ao conflito entre o ego e o id. Na psicose, prov&eacute;m da realidade externa, resultando no conflito entre o ego e a pr&oacute;pria realidade. Neste caso, ocorre uma dissocia&ccedil;&atilde;o, mecanismo mais radical do que o recalcamento peculiar &agrave; neurose. J&aacute; na pervers&atilde;o, representada pela problem&aacute;tica fetichista, o traumatismo se refere &agrave; tem&aacute;tica do horror &agrave; castra&ccedil;&atilde;o, que conduz a uma forma de defesa &ndash; a recusa &ndash; que tamb&eacute;m implica a dissocia&ccedil;&atilde;o do ego. Ora, se o traum&aacute;tico, na neurose, circunscreve-se a um conflito entre inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas, na psicose e na pervers&atilde;o ele leva a uma falha no recalcamento, o que corresponde a um fracasso da pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o defensiva. &Eacute; nestes dois casos, como se concebe hoje, que se considera a a&ccedil;&atilde;o do verdadeiro traumatismo, uma vez que, ao contr&aacute;rio do que se d&aacute; na neurose, comprometem-se a s&iacute;ntese do ego e a fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso particular da pervers&atilde;o, a palavra tamb&eacute;m funciona no n&iacute;vel perlocucion&aacute;rio, mas se esvazia no campo da significa&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; usada de modo falseado, criando um clima de intimidade, mas visa apenas &agrave; sedu&ccedil;&atilde;o e &agrave; rendi&ccedil;&atilde;o do parceiro. Masud Khan (1987) chamou esse emprego da linguagem de <i>t&eacute;cnica da intimidade</i>, uma especialidade do perverso em sua abordagem do objeto. Essa "t&eacute;cnica" &eacute; respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o de um clima emocional por meio do qual o perverso faz saber a si mesmo e, simultaneamente, anuncia e faz desencadear, dentro do outro, algo que pertence &agrave; sua natureza mais rec&ocirc;ndita. A comunica&ccedil;&atilde;o que da&iacute; resulta &eacute; eminentemente corporal, ou seja, pr&eacute;-verbal e arcaica. Permite o estabelecimento de uma situa&ccedil;&atilde;o fingida de profunda liga&ccedil;&atilde;o &ndash; e mesmo de fus&atilde;o &ndash; que, no entanto, &eacute; e deve ser fugaz, forjando uma situa&ccedil;&atilde;o idealizada e tempor&aacute;ria de extrema intensidade org&aacute;stica e de ren&uacute;ncia &agrave;s identidades e aos limites de cada um, mas que n&atilde;o passa de uma esp&eacute;cie de "autoerotismo a dois".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">At&eacute; aqui, vimos as circunst&acirc;ncias patog&ecirc;nicas datadas da inf&acirc;ncia, ligadas, de certo modo, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos fatores <i>disposicionais</i> do surgimento da patologia. Mas, como afirmei acima, &eacute; poss&iacute;vel detectar fatores <i>acidentais</i> originados na adolesc&ecirc;ncia ou na vida adulta. Para assim se constitu&iacute;rem, eles estar&atilde;o condicionados &agrave; magnitude do acontecimento traum&aacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O traumatismo que implica um preju&iacute;zo &agrave; fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica em um sujeito j&aacute; constitu&iacute;do psiquicamente obedece, em Freud (1920), ao paradigma do trauma de guerra, que pode provocar a assim denominada neurose traum&aacute;tica, decorrente de situa&ccedil;&otilde;es de intenso sofrimento que superam a possibilidade de elabora&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica da v&iacute;tima. A neurose traum&aacute;tica acontece tamb&eacute;m em raz&atilde;o de cat&aacute;strofes naturais e acidentes de toda esp&eacute;cie, mas se intensifica quando o sofrimento &eacute; causado deliberadamente por outrem, como na viol&ecirc;ncia sexual, no sequestro e na tortura. Nestes casos, o funcionamento ps&iacute;quico, impedida a perlabora&ccedil;&atilde;o, paralisa-se no circuito da compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o. A pr&oacute;pria rememora&ccedil;&atilde;o pode ficar comprometida. A morte da palavra se d&aacute;, ent&atilde;o, de modo absoluto, pela impossibilidade mesma de pronunci&aacute;-la, pois a dor da&iacute; resultante seria insuport&aacute;vel. O filme <i>A vida secreta das palavras</i>, j&aacute; mencionado, &eacute; um dos mais bem-acabados retratos dessa situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Concluindo, a palavra pode ser dada por morta tanto em casos de psicose como de normopatia e problem&aacute;ticas cong&ecirc;neres, gestados na ontog&ecirc;nese, bem como nas perturba&ccedil;&otilde;es decorrentes do trauma, em qualquer fase da vida de um sujeito. O que h&aacute; de comum na psicog&ecirc;nese de todas essas situa&ccedil;&otilde;es &eacute; que a morte da palavra se d&aacute; mais por assassinato do que por circunst&acirc;ncias naturais. No caso da crian&ccedil;a, o seu despreparo a torna vulner&aacute;vel &agrave;s invas&otilde;es ambientais, provindas em geral do inconsciente parental. Como insiste Laplanche (1992), pela defasagem entre a crian&ccedil;a e o adulto, n&atilde;o se pode falar de intera&ccedil;&atilde;o entre ambos, mas da a&ccedil;&atilde;o do segundo sobre o primeiro, por meio da emiss&atilde;o de <i>significantes enigm&aacute;ticos</i>. No caso do trauma em adultos, &eacute; a retirada das condi&ccedil;&otilde;es de defesa ou de ab-rea&ccedil;&atilde;o (situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o deixa de se assemelhar ao desamparo infantil) que impede a ocorr&ecirc;ncia da perlabora&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ando o sujeito no funcionamento <i>para al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A cl&iacute;nica: reanima&ccedil;&atilde;o da palavra</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para finalizar, cabem algumas poucas considera&ccedil;&otilde;es sobre a cl&iacute;nica da reanima&ccedil;&atilde;o da palavra. Na cl&iacute;nica das neuroses, a possibilidade da palavra j&aacute; est&aacute; dada. Sua mat&eacute;ria &eacute; o discurso do sujeito, e a interven&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica segue o paradigma freudiano da <i>interpreta&ccedil;&atilde;o</i>. Mas quando a linguagem n&atilde;o se vincula ao afeto, no discurso operat&oacute;rio, ou quando a palavra n&atilde;o pode vir &agrave; luz, na neurose traum&aacute;tica, cabe ao analista estabelecer uma forma de interven&ccedil;&atilde;o voltada &agrave; sua reanima&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chegamos aqui ao mais profundo sentido daquilo que, na psican&aacute;lise, frequentemente se chama de <i>escuta</i>. Na g&ecirc;nese do sofrimento ps&iacute;quico se encontra exatamente a viol&ecirc;ncia de n&atilde;o ser escutado, ou n&atilde;o ser escutado de modo significativo. Encontra-se o desest&iacute;mulo &agrave; fala, o sequestro da palavra ou o seu assassinato pelos mecanismos de intrus&atilde;o representados pela identifica&ccedil;&atilde;o projetiva e pela introje&ccedil;&atilde;o extrativa, quando n&atilde;o pela viol&ecirc;ncia e pelo desamparo absolutos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, &eacute; apenas por meio da escuta interessada, emoldurada por fun&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas j&aacute; propostas por grandes autores, tais como a <i>contin&ecirc;ncia</i> (Klein, 1946-63&#47;1973), o <i>holding</i> (Winnicott, 1968&#47;1991) e a <i>r&ecirc;verie</i> (Bion, 1962&#47;1991), que a palavra, na medida do poss&iacute;vel, ser&aacute; reanimada. O analista abre ao sujeito a possibilidade de rememorar e de falar, na contram&atilde;o da desmentida traum&aacute;tica. E, o que &eacute; fundamental, <i>acredita</i> em sua verdade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda estamos falando da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica ordin&aacute;ria, mesmo que j&aacute; estejamos considerando os m&uacute;ltiplos quadros de refer&ecirc;ncia te&oacute;rica da psican&aacute;lise contempor&acirc;nea, que trabalhou pelo alargamento do espectro na analisabilidade rumo &agrave;s formas de psicopatologia n&atilde;o neur&oacute;ticas. Para tanto, essa nova psican&aacute;lise buscou estabelecer dispositivos para al&eacute;m da interpreta&ccedil;&atilde;o tradicional da an&aacute;lise-padr&atilde;o. Mas outros experimentos terap&ecirc;uticos t&ecirc;m sido feitos na tentativa de estabelecer um <i>setting</i> diferenciado quando se trata de traumatismos graves. Na escola francesa de psicossom&aacute;tica, por exemplo, estabeleceu-se um verdadeiro protocolo de atendimento a v&iacute;timas de cat&aacute;strofes, particularmente de terremotos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Luc&iacute;a Barbero Fuks (2008) demonstra como, nas situa&ccedil;&otilde;es agudas de trauma, a <i>aten&ccedil;&atilde;o imediata</i> &agrave; v&iacute;tima possui uma efici&ecirc;ncia terap&ecirc;utica maior do que a <i>aten&ccedil;&atilde;o tardia</i>, uma vez que age profilaticamente, impedindo a destrui&ccedil;&atilde;o da malha simb&oacute;lica e a cristaliza&ccedil;&atilde;o da patologia, com o consequente desinvestimento da express&atilde;o verbal:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O mais importante nessa pr&aacute;tica &eacute; estabelecer com a v&iacute;tima um v&iacute;nculo de fala, propondo-lhe que ponha em palavras a experi&ecirc;ncia que acaba de viver. Falar com algu&eacute;m nesse momento j&aacute; implica tomar um pouco de dist&acirc;ncia das imagens de horror que produziram marcas no aparelho ps&iacute;quico. Falar com algu&eacute;m &eacute; tamb&eacute;m se segurar no mundo dos humanos &ndash; a</i> comunidade dos vivos &ndash; <i>e escapar, dentro do poss&iacute;vel, ao poder de atra&ccedil;&atilde;o do horror e da morte</i>. (Fuks, 2008, p. 131)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o vou me estender mais sobre a cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica do trauma e a ressurrei&ccedil;&atilde;o da palavra, uma vez que o exemplo do filme <i>A vida secreta das palavras</i> fala, por si mesmo, mais do que o conseguir&iacute;amos por meios te&oacute;ricos. Ali assistimos a uma verdadeira reanima&ccedil;&atilde;o da palavra por meio da escuta interessada. N&atilde;o se trata de um processo anal&iacute;tico convencional, mas de uma cura pelo amor, que n&atilde;o deixa de ter efeitos anal&iacute;ticos. Uma enfermeira severamente traumatizada pela barb&aacute;rie da guerra dos B&aacute;lc&atilde;s &ndash; em uma situa&ccedil;&atilde;o de terror absoluto e prolongado &ndash; &eacute; delicadamente instada, por um paciente gravemente queimado, de quem ela cuidava em uma plataforma mar&iacute;tima de petr&oacute;leo, a falar daquilo que j&aacute; n&atilde;o era mais verbaliz&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; gratuito, assim, que o t&iacute;tulo do filme se refira &agrave; <i>vida</i> das palavras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o seria exagero dizer que esse filme est&aacute; para a cl&iacute;nica do trauma assim como o romance <i>Gradiva</i>, de Wilhelm Jensen &ndash; imortalizado pelo artigo de Freud (1907) &ndash;, esteve para a cl&iacute;nica das neuroses. Em ambos assistimos a uma cura genuinamente anal&iacute;tica, mas efetuada por dispositivos da vida ordin&aacute;ria, consubstanciados no interesse pelo outro. Que, <i>mutatis mutandis</i>, n&atilde;o deixa de ser o cerne da &eacute;tica da psican&aacute;lise.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Referências</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ahumada, J. L. (1999). <i>Descobertas e refuta&ccedil;&otilde;es: a l&oacute;gica do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico</i>. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169888&pid=S0101-3106201500010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Arantes, M. A. A. C. (2013). <i>Tortura: testemunhos de um crime demasiadamente humano</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169890&pid=S0101-3106201500010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Austin, J. L. (1990). <i>Quando dizer &eacute; fazer: palavras e a&ccedil;&atilde;o</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. (Trabalho original publicado em 1962).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169892&pid=S0101-3106201500010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Barros, M. (2010). <i>Poesia completa</i>. S&atilde;o Paulo: Leya.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169894&pid=S0101-3106201500010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bion, W. R. (1991). <i>O aprender com a experi&ecirc;ncia</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1962).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169896&pid=S0101-3106201500010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1988). <i>Estudos psicanal&iacute;ticos revisados</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1967).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169898&pid=S0101-3106201500010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bollas, C. (1992). <i>A sombra do objeto</i>. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169900&pid=S0101-3106201500010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Braunschweig, D. &amp; FAIN, M. (1975). <i>La nuit, le jour: essai sur le fonctionnement mental</i>. Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169902&pid=S0101-3106201500010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cassirer, E. (2001). <i>A filosofia das formas simb&oacute;licas. Primeira parte: A linguagem</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1923).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169904&pid=S0101-3106201500010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dayan, M. (1994). Normalidad, normatividad, idiopat&iacute;a. In Fundaci&oacute;n Europea para el Psicoan&aacute;lisis (Org.). La normalidad como s&iacute;ntoma. Buenos Aires: Klin&eacute;, pp. 83-107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169906&pid=S0101-3106201500010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dejours, C. (1991). <i>Repress&atilde;o e subvers&atilde;o em psicossom&aacute;tica: pesquisas psicanal&iacute;ticas sobre o corpo</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169908&pid=S0101-3106201500010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (2001). <i>Le corps, d'abord: corps biologique, corps &eacute;rotique et sens moral</i>. Paris: Payot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169910&pid=S0101-3106201500010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ferraz, F. C. (2000). <i>Pervers&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169912&pid=S0101-3106201500010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (2002). <i>Normopatia: sobreadapta&ccedil;&atilde;o e pseudonormalidade</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169914&pid=S0101-3106201500010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1980). As neuropsicoses de defesa. <i>Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas</i>. Rio de Janeiro: Imago, v. III, pp. 53-82. (Trabalho original publicado em 1894).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169916&pid=S0101-3106201500010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1895). Projeto para uma psicologia cient&iacute;fica. <i>Op. cit.</i>, v. I; pp. 379-517.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169918&pid=S0101-3106201500010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1907). Del&iacute;rios e sonhos na Gradiva de Jensen. <i>Op. cit.</i>, v. IX; pp. 11-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169920&pid=S0101-3106201500010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1911). Formula&ccedil;&otilde;es sobre os dois princ&iacute;pios do funcionamento mental. <i>Op. cit.</i>, v. XII; pp. 271-286.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169922&pid=S0101-3106201500010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1912). Tipos de desencadeamento da neurose. <i>Op. cit.</i>, v. XII; pp. 287-299.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169924&pid=S0101-3106201500010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1913). Sobre o in&iacute;cio do tratamento (Novas recomenda&ccedil;&otilde;es sobre a t&eacute;cnica da psican&aacute;lise I). <i>Op. cit.</i>, v. XII; pp. 161-187.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169926&pid=S0101-3106201500010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1920). Al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer. <i>Op. cit.</i>, v. XVIII; pp. 11-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169928&pid=S0101-3106201500010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fuks, L. B. (2008). Trauma e contemporaneidade. In: <i>Narcisismo e v&iacute;nculos</i> (pp. 123-135). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169930&pid=S0101-3106201500010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Green, A. (1982). <i>O discurso vivo</i>. Rio de Janeiro: Francisco Alves.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169932&pid=S0101-3106201500010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Khan, M. M. R. (1987). <i>Alienaci&oacute;n en las perversiones</i>. Buenos Aires: Nueva Visi&oacute;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169934&pid=S0101-3106201500010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Klein, M. (1982). Notas sobre alguns mecanismos esquizoides. In: KLEIN, M. et al. <i>Os progressos da psican&aacute;lise</i> (pp. 313-343). Rio de Janeiro: Guanabara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169936&pid=S0101-3106201500010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1973). <i>Inveja e gratid&atilde;o e outros trabalhos</i>. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1946-63).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169938&pid=S0101-3106201500010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kofka, K. (1975). <i>Princ&iacute;pios de psicologia da Gestalt</i>. S&atilde;o Paulo: Cultrix &#47; Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo. (Trabalho original publicado em 1935).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169940&pid=S0101-3106201500010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan, J. (1985). <i>O semin&aacute;rio. Livro 3: As psicoses</i>. Rio de Janeiro: Zahar. (Trabalho original publicado em 1955-56).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169942&pid=S0101-3106201500010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1999). <i>O semin&aacute;rio. Livro 5: As forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente</i>. Rio de Janeiro: Zahar. (Trabalho original publicado em 1957-58).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169944&pid=S0101-3106201500010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Laplanche, J. (1992). <i>Novos fundamentos para a psican&aacute;lise</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169946&pid=S0101-3106201500010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marty, P. (1993). <i>A psicossom&aacute;tica do adulto</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169948&pid=S0101-3106201500010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1998). <i>Mentaliza&ccedil;&atilde;o e psicossom&aacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169950&pid=S0101-3106201500010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marty, P. &amp; M'uzan, M. (1994) O pensamento operat&oacute;rio. <i>Revista Brasileira Psican&aacute;lise</i>, v. 28, n. 1, pp. 165-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169952&pid=S0101-3106201500010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">McDougall, J. (1983). <i>Em defesa de uma certa anormalidade: teoria e cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169954&pid=S0101-3106201500010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. (1991). <i>Teatros do corpo: o psicossoma em psican&aacute;lise</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169956&pid=S0101-3106201500010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uchitel, M. (2001). <i>Neurose traum&aacute;tica: uma revis&atilde;o cr&iacute;tica do conceito de trauma</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169958&pid=S0101-3106201500010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Winnicott, D. W. (1991). <i>Holding e interpreta&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1968).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169960&pid=S0101-3106201500010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wittgenstein, L. (1975). <i>Investiga&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1169962&pid=S0101-3106201500010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/ide/v37n59/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o   para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>   <b>FL&Aacute;VIO DE CARVALHO FERRAZ</b>    <br>   Rua Jo&atilde;o Moura, 647 &ndash; cj. 121    <br>   05412-911 &ndash; S&atilde;o Paulo &ndash; SP    <br>   tel.: 11 3088 9606    <br>   E-mail: <a href="mailto:ferrazfc@uol.com.br">ferrazfc@uol.com.br</a></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 10.11.2014    <br> Aceito: 14.11.2014</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">*</a></sup> Membro do Departamento de Psican&aacute;lise do Instituto Sedes Sapientiae e livre-docente pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo.    <br>   I Conceito de Maurice Dayan (1994) que designa a experi&ecirc;ncia psicanal&iacute;tica de um sujeito como algo que n&atilde;o se parece com nenhuma outra experi&ecirc;ncia: "numa rela&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, toda forma&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica, para a qual se abriu acesso &agrave; palavra, revela-se profundamente idiop&aacute;tica e exige ser tratada como tal" (p. 101)    <br>   <sup><a name="3a"></a><a href="#3">2</a></sup> J. L. Austin (1962&#47;1990) postula estas tr&ecirc;s dimens&otilde;es da linguagem. A dimens&atilde;o <i>locucion&aacute;ria</i> &eacute; apenas constatativa ou descritiva. A dimens&atilde;o <i>ilocucion&aacute;ria</i> &eacute; a que indica como um enunciado deve ser interpretado pelos falantes de uma l&iacute;ngua, ou seja, diz respeito &agrave; inten&ccedil;&atilde;o veiculada. E a dimens&atilde;o <i>perlocucion&aacute;ria</i> corresponde aos efeitos produzidos pelo enunciado sobre o interlocutor.</font></p>      ]]></body>
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