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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sujeito, corpo e um espelho (cibernético): a memória em imagem e em discurso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The gesture of reading/interpreting that we have undertaken aimed at studying the subject and the body by means of alterity. As a theoretical and analytical device we have selected the concepts of memory and of subject by Pêcheux, which is linked to psychoanalysis; the mirror stage, as conceived by Lacan; the concept of heterogeneity by Authier-Revuz; the short stories "The mirror" ("O espelho) by Machado de Assis and "Mirrors" ("Espelhos") by Veríssimo; Foucault's interpretation of the painting "The girls" ("Las meninas") by Velasquez and canvas by Romão. This is to analyze the contemporary meanings of a cybernetic mirror. We have taken to thinking about the contemporary mirror, such occurrence materialized into images and discourse, and we have asked what is there of memories that are repeated and that insist and interrupt in other meanings?]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Sujeito, corpo e um espelho (cibern&eacute;tico): a mem&oacute;ria em imagem e em discurso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The subject, the body and a mirror (cybernetic): memory in images and in discourse</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Daniela Giorgenon</b><a name="Autor" href="#Autora"><sup>*</sup></a>; <b>Luc&iacute;lia Maria Abrah&atilde;o Sousa</b><a name="Autor1" href="#Autora1"><sup>**</sup></a>; <b>Soraya Maria Romano Pac&iacute;fico</b><a name="Autor2" href="#Autora2"><sup>***</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) - Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <HR size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O gesto de leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o que empreendemos objetiva estudar sujeito e corpo pela via da alteridade. Como dispositivo te&oacute;rico e anal&iacute;tico elencamos o conceito de mem&oacute;ria e de sujeito de P&ecirc;cheux &ndash; que faz la&ccedil;o com a psican&aacute;lise &ndash;, o est&aacute;dio do espelho tal como Lacan o concebe, o conceito de heterogeneidade de Authier-Revuz, os contos "O espelho" de Machado de Assis e "Espelhos" de Ver&iacute;ssimo, a leitura de Foucault ao quadro "Las meninas" de Velasquez e a tela de Rom&atilde;o. Isso para analisarmos sentidos contempor&acirc;neos sobre um espelho cibern&eacute;tico. Lan&ccedil;amo-nos a pensar sobre esse espelho contempor&acirc;neo, esse acontecimento materializado em imagem e em discurso, e perguntamos o que h&aacute; de mem&oacute;ria que repete, que insiste e que irrompe em outros sentidos?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> sujeito; corpo; mem&oacute;ria.</font></p> <HR size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The gesture of reading/interpreting that we have undertaken aimed at studying the subject and the body by means of alterity. As a theoretical and analytical device we have selected the concepts of memory and of subject by P&ecirc;cheux, which is linked to psychoanalysis; the mirror stage, as conceived by Lacan; the concept of heterogeneity by Authier-Revuz; the short stories "The mirror" ("O espelho) by Machado de Assis and "Mirrors" ("Espelhos") by Ver&iacute;ssimo; Foucault's interpretation of the painting "The girls" ("Las meninas") by Velasquez and canvas by Rom&atilde;o. This is to analyze the contemporary meanings of a cybernetic mirror. We have taken to thinking about the contemporary mirror, such occurrence materialized into images and discourse, and we have asked what is there of memories that are repeated and that insist and interrupt in other meanings?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> subject; body; memory.</font></p> <HR size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>o buraco do espelho est&aacute; fechado    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   agora eu tenho que ficar agora    <br>   fui pelo abandono abandonado    <br>   aqui dentro do lado de fora.</i>    <br>   (O buraco do espelho, Arnaldo Antunes)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Um gesto de leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O gesto de leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o que empreendemos neste trabalho objetiva estudar sujeito e corpo pela via da alteridade, conforme prop&otilde;e a An&aacute;lise de Discurso (doravante AD) fundada por P&ecirc;cheux na interface com a psican&aacute;lise de Freud e Lacan, abordando (a met&aacute;fora do) o espelho. Debru&ccedil;amo-nos sobre o conceito de mem&oacute;ria segundo P&ecirc;cheux (2010) para evocarmos alguns sentidos j&aacute;-ditos sobre o espelho e salientamos que este percurso ser&aacute; marcado por uma costura entre o liter&aacute;rio e o cient&iacute;fico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir dos contos "O espelho", de Machado de Assis (1996) e "Espelhos", de Ver&iacute;ssimo (1996) faremos uma costura com os seguintes textos e conceitos: O est&aacute;dio de espelho de Lacan (1998); o conceito de heterogeneidade de Authier-Revuz (2004); a leitura de Foucault (1999) especificamente referida ao quadro "Las meninas" de Velasquez; a "passagem do vis&iacute;vel ao nomeado" que P&ecirc;cheux (2010) demarca em "O papel da mem&oacute;ria"; a "tela" tal qual &eacute; apresentada por Rom&atilde;o (2004). Isso para levantarmos algumas quest&otilde;es que t&ecirc;m nos intrigado em torno de um "espelho" contempor&acirc;neo, que permite conex&atilde;o &agrave; rede eletr&ocirc;nica, que desliza em acontecimento (P&ecirc;cheux, 2008) imag&eacute;tico e discursivo e passa a ser interativo, para al&eacute;m dos contos. E mais precisamente para levantarmos quest&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito e de seu corpo com esse objeto, que abarca a virtualidade de uma tela-caleidosc&oacute;pio que rearranja significantes, imagens, a cada clique, a cada toque.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Abordaremos essa tela espelhada como tela que reflete uma imagem (do corpo de um sujeito), mas que tamb&eacute;m oferece "op&ccedil;&otilde;es", "fun&ccedil;&otilde;es" para que o sujeito interaja com imagens para al&eacute;m da imagem refletida por um espelho comum, ou seja, com imagens e significantes outros da rede eletr&ocirc;nica, que lhe ofertam a possibilidade de compor formatos outros na tela/espelho. Assim, essa tela abarca a mov&ecirc;ncia de uma alteridade caleidosc&oacute;pica que tomaremos como Rom&atilde;o (2006: 303-304) na associa&ccedil;&atilde;o que faz da tela das tecnologias com a tela do pintor, a partir de Saramago:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Sobre o cavalete, o pintor colocou uma tela branca. Olha-a como a um espelho. A tela &eacute; aquele &uacute;nico espelho que n&atilde;o pode reflectir a imagem do que est&aacute; diante de si, daquilo que com ele se confronta. A tela s&oacute; mostrar&aacute; a imagem do que apenas noutro lugar &eacute; encontr&aacute;vel", seguindo esse fragmento de Saramago (1998: 508), a tela, em seu sil&ecirc;ncio desejante de tinta, n&atilde;o reproduz a realidade nem a reflete exatamente como um espelho. Ela abrigar&aacute; imagens do que est&aacute; vivo em outro lugar e se desloca para a tela quando a m&atilde;o da mem&oacute;ria do artista se deitar no tecido virgem. Ent&atilde;o, a corrente migrat&oacute;ria de imagens, tra&ccedil;os, figuras, ganha corpo, inscrevendo formas e sentidos no vazio do branco, afetados pela "representa&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria", como diz o autor. &Eacute; a mem&oacute;ria que se desenha, ao desenhar, no movimento do artista, o mundo que ele suporia digno de pintar, pois "ao pintar, o pintor n&atilde;o v&ecirc; o mundo, v&ecirc; a representa&ccedil;&atilde;o dele na mem&oacute;ria que dele tem".</font></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a autora, a tela do pintor e a tela das tecnologias guardam o que "noutro lugar &eacute; encontr&aacute;vel" pelo ato daquele que a toca, evocando uma mem&oacute;ria. A partir destas concep&ccedil;&otilde;es e, pela mem&oacute;ria, tentaremos navegar pelos j&aacute;-ditos sobre o espelho, sobre os qui&ccedil;&aacute; novos ditos sobre este espelho cibern&eacute;tico e o jogo discursivo que convida o sujeito e seu corpo a interagirem com, a se conectarem &agrave; tela/espelho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Articula&ccedil;&otilde;es sobre sujeito e corpo: a mem&oacute;ria do/sobre o espelho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em "O papel da mem&oacute;ria", P&ecirc;cheux (2010: 51) articula a concep&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria para a AD e tece sentidos sobre a leitura de imagens colocando em pauta a quest&atilde;o de "uma passagem do vis&iacute;vel ao nomeado", o que nos faz pensar na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito e de seu corpo, tal qual nos ensina a psican&aacute;lise lacaniana. Constitui&ccedil;&atilde;o que perpassa uma leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o de uma imagem pelo <i>infans</i>, ou seja, uma leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o de sua imagem especular atravessada pela imagem do outro/Outro e pelos significantes que o antecedem e que o nomeiam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A concep&ccedil;&atilde;o do est&aacute;dio de espelho introduzida por Lacan (1998) abarca a forma&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o do eu na medida em que o "filhote do homem" assume uma imagem por interm&eacute;dio de seus impasses com o espelho. Inicialmente o <i>infans</i>, ao se deparar com a imagem no espelho, procura por algu&eacute;m atr&aacute;s deste objeto; posteriormente, passa a reconhecer algu&eacute;m no espelho e, finalmente, se reconhece no espelho, deslizando assim de um estado de corpo despeda&ccedil;ado at&eacute; a sua forma de totalidade, como corpo distinto do outro/Outro, mas por ele atravessado. Objeto espelho que &eacute; substitu&iacute;do por Lacan (1998), em sua teoria, pelo corpo do semelhante, tela na qual se reflete o <i>infans</i>. Assim, para ele, o espelho &eacute; o outro, o Outro que far&atilde;o advir o sujeito e o corpo, que por meio do espelhamento ganham contornos. Contornos de imagens e contornos de significantes, advindos da nomea&ccedil;&atilde;o que o <i>infans </i>recebe do outro/Outro passando assim a sujeito fal(t)ante por n&atilde;o ser unificado ao Outro, mas <i>um </i>perpassado pelo Outro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito que na AD &eacute; abarcada por Authier-Revuz (2004) no conceito de heterogeneidade. Segundo ela, o sujeito &eacute; atravessado por outras vozes, por outros discursos, pelo discurso do Outro em sua constitui&ccedil;&atilde;o e em sua enuncia&ccedil;&atilde;o. A autora aborda tanto a heterogeneidade marcada no discurso, aquela que aparece por marcas "expl&iacute;citas, da presen&ccedil;a do outro significante" (Authier-Revuz, 2004: 20) &ndash; como pela indica&ccedil;&atilde;o de aspas &ndash;, quanto &agrave; heterogeneidade constitutiva, pois "todo discurso se mostra constitutivamente atravessado pelos 'outros discursos' e pelo 'discurso do Outro'" (Authier-Revuz, 2004: 69). Conforme a autora, "O sujeito n&atilde;o &eacute; <i>uma entidade homog&ecirc;nea, exterior &agrave; linguagem</i>, que lhe serviria para 'traduzir' em palavras um sentido do qual ele seria a fonte consciente" (Authier-Revuz, 2004: 63), ele &eacute; marcado pelos significantes que o antecedem, como apontam Lacan (1998) e tamb&eacute;m P&ecirc;cheux (1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme P&ecirc;cheux (1997), o sujeito se constitui no entremeio do assujeitamento ideol&oacute;gico e inconsciente que lhe marcam um modo de dizer e n&atilde;o outro, ou seja, uma posi&ccedil;&atilde;o discursiva, afetada pelo Outro, em um dado contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico. Temos observado que na contemporaneidade as imagens t&ecirc;m desempenhado um forte impacto nas forma&ccedil;&otilde;es discursivas/ideol&oacute;gicas/imagin&aacute;rias<a name="Link1" href="#2"><sup>1</sup></a> que atravessam a voz dos sujeitos e, dadas tais formula&ccedil;&otilde;es, que veremos nas an&aacute;lises, objetivamos escutar os efeitos desse impacto na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, do corpo e dos discursos neste contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico, instigando, sempre com P&ecirc;cheux (2010: 51), "uma passagem do vis&iacute;vel ao nomeado".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para avan&ccedil;armos nesse estudo, que abarca fatos da contemporaneidade, tocamos no conceito de mem&oacute;ria, pois que &eacute; preciso retomar dizeres tecidos sobre o objeto espelho e, para tanto, &eacute; preciso inicialmente nomear o que &eacute; mem&oacute;ria para P&ecirc;cheux (2010: 50), uma mem&oacute;ria entendida "&#91;...&#93; n&atilde;o no sentido diretamente psicologista da 'mem&oacute;ria individual', mas nos sentidos entrecruzados da mem&oacute;ria m&iacute;tica, da mem&oacute;ria social inscrita em pr&aacute;ticas, e da mem&oacute;ria do historiador. &#91;...&#93;". Uma mem&oacute;ria que implica a retomada dos j&aacute;-ditos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fazendo uma associa&ccedil;&atilde;o com o conto machadiano e com a quest&atilde;o dos j&aacute;-ditos, j&aacute;-escritos sobre o espelho, a mem&oacute;ria Pecheuxtiana n&atilde;o abarca apenas o resgate de uma mem&oacute;ria registrada cronologicamente, como ressalta o personagem Jacobina, de "O espelho", ao rememorar seus 25 anos, mas sim uma mem&oacute;ria que perpassa os sentidos de Jacobina atribu&iacute;dos a sua experi&ecirc;ncia com o espelho e sua teoria de que o ser humano tem duas almas, uma interior e outra exterior; isso a partir de associa&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas, filosofia que o antecede temporalmente. Ocupando-se assim de explicar a natureza da alma, Jacobina anuncia que: "&#91;...&#93; Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro pra fora, outra que olha de fora para dentro &#91;...&#93;" (Assis, 1996: 36).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; assim que nomeia a constitui&ccedil;&atilde;o da alma, que tomaremos aqui como met&aacute;fora da constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, tal qual estudamos com Lacan (1998), Authier-Revuz (2004) e P&ecirc;cheux (1997). E prosseguimos assim com Jacobina, que enuncia que "&#91;...&#93; A alma exterior pode ser um esp&iacute;rito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma opera&ccedil;&atilde;o. &#91;...&#93;" (Assis, 1996: 36), ou seja, a alma exterior &eacute; deslizante, pode ser coisa qualquer que ocupe uma fun&ccedil;&atilde;o de objeto. Entretanto, destacamos que n&atilde;o &eacute; um objeto qualquer que Jacobina destaca nesse discurso de mem&oacute;ria, &eacute; sua rela&ccedil;&atilde;o com o(s) outro(s)/Outro e com o espelho. E podemos ler esse conto com os autores que trouxemos para esta discuss&atilde;o, assinalando que o encontro com a imagem de Jacobina, institu&iacute;da a partir do olhar e da voz do outro/Outro, retorna para ele, ora de maneira difusa, esfumada, ora de maneira transl&uacute;cida: "&#91;...&#93; Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria e o vidro exprimia tudo. N&atilde;o era mais um aut&ocirc;mato, era um ente animado. &#91;...&#93;". E &eacute; para esse jogo de olhares, de vozes e de imagens que intentamos lan&ccedil;ar nossa escuta e tamb&eacute;m nosso olhar ao jogo de imagens que se refletem no espelho cibern&eacute;tico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito apresentada pelo personagem Jacobina nos faz pensar na banda de M&ouml;ebius, um interior que &eacute; tamb&eacute;m exterior, figura topol&oacute;gica t&atilde;o estudada por Lacan e que tamb&eacute;m &eacute; representativa da teoria de Authier-Revuz (2004) e de P&ecirc;cheux (1997). Lacan, ao conceber o espelho como met&aacute;fora, como representante/significante do outro/Outro que reflete o pr&oacute;prio sujeito, significante marcado de voz e imago, tamb&eacute;m vai al&eacute;m em sua teoria, utilizando uma outra figura topol&oacute;gica, o n&oacute; borromeano. Se o est&aacute;dio do espelho &eacute; predominantemente efeito de imagin&aacute;rio, Lacan traz um enodamento para a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito e (de seu) corpo enla&ccedil;ando os registros do imagin&aacute;rio, do simb&oacute;lico e do real.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, segundo Cukiert e Priszkulnik (2002), para Lacan o corpo &eacute; marcado pelo significante, &eacute; corpo er&oacute;geno, singular, permeado de gozo e desejo, podendo ser estudado como imagem a partir do registro imagin&aacute;rio; como significante, a partir do registro simb&oacute;lico e como sin&ocirc;nimo de gozo do registro do real, como aquilo que escapa &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o. No plano imagin&aacute;rio, o eu &eacute; constru&iacute;do a partir do outro, da imagem que lhe &eacute; devolvida pelo semelhante/espelho. No plano simb&oacute;lico se estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre fala-linguagem-corpo. No plano do real, o corpo se distingue do organismo. Com esse enodamento intentamos ler/interpretar os efeitos da imagem no sujeito e em seu corpo na contemporaneidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sinalizamos que &eacute; isso que faz P&ecirc;cheux (2010: 51) ao demarcar "uma passagem do vis&iacute;vel ao nomeado", que temos reiteradamente retomado neste estudo. E para chegarmos ao espelho cibern&eacute;tico, do qual trataremos, prosseguimos com o que P&ecirc;cheux (2010) diz sobre a imagem como "um operador de mem&oacute;ria social, comportando no interior dela mesma um programa de leitura, um percurso escrito discursivamente em outro lugar", o que associamos ao recorte de Rom&atilde;o (2006: 303) da escrita de Saramago a respeito do que "noutro lugar &eacute; encontr&aacute;vel", retorno que perpassa os ditos e os j&aacute;-ditos sobre o espelho, sobre o outro/Outro e o sujeito e seu corpo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste percurso de mem&oacute;ria (e arquivo), prosseguimos resgatando o que P&ecirc;cheux (2010) aponta como a estrutura&ccedil;&atilde;o da materialidade discursiva nos meandros da repeti&ccedil;&atilde;o, da regulariza&ccedil;&atilde;o e do acontecimento, cadeia que repete o encontr&aacute;vel em outro lugar que, sendo outro lugar, pode sempre reclamar ainda um outro e um outro e um outro lugar, trazendo o acontecimento que desregulariza a s&eacute;rie do leg&iacute;vel, do repetit&oacute;rio, mas que ao final &eacute; absorvido em outra s&eacute;rie: "&#91;...&#93; um acontecimento hist&oacute;rico (um elemento hist&oacute;rico descont&iacute;nuo e exterior) &#91;...&#93; suscet&iacute;vel de vir a se inscrever na continuidade interna, no espa&ccedil;o potencial de coer&ecirc;ncia pr&oacute;prio a uma mem&oacute;ria" (P&ecirc;cheux, 1999: 49-50), o deslizamento significante (S1 &ndash; S2), fazendo jogar o interno e o externo, como na banda de M&ouml;ebius, como na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito pela alteridade, exterior que &eacute; tamb&eacute;m interior j&aacute; que o sujeito tamb&eacute;m constitui a alteridade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para articularmos esse jogo de repeti&ccedil;&atilde;o, regulariza&ccedil;&atilde;o e acontecimento, trazemos o conto "Espelhos", de Ver&iacute;ssimo (1996). Prosseguindo a passagem do vis&iacute;vel ao nomeado, e tamb&eacute;m adentrando a imagem como um operador de mem&oacute;ria social, destacamos que neste conto h&aacute; uma discursividade em torno da imagem de um homem no espelho em seus 40 anos, que reativa uma s&eacute;rie de j&aacute;-ditos sobre este marco cronol&oacute;gico. E no funcionamento desta mem&oacute;ria, repetit&oacute;ria, destacamos o mais importante para este estudo, que &eacute; um acontecimento emergente na escrita de Ver&iacute;ssimo (1996), da ordem de um outro espelho, no qual se poderia constituir imaginariamente um outro homem: um espelho/homem digital. Um espelho dentre os espelhos plurais com os quais o autor nomeia seu conto de encanto tecnol&oacute;gico:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o, n&atilde;o procure consolo no espelho tradicional, esse instrumento diab&oacute;lico que h&aacute; s&eacute;culos destr&oacute;i todas as nossas fantasias. Nossa esperan&ccedil;a &eacute; a tecnologia: cedo ou tarde inventar&atilde;o o espelho digital. Ele n&atilde;o refletir&aacute; a imagem, simplesmente. A captar&aacute; e a transformar&aacute; em impulsos eletr&ocirc;nicos, que podem ser manipulados pelo usu&aacute;rio. No painel do espelho digital haver&aacute; duas teclas: "A Verdade" e "Escolha Voc&ecirc; Mesmo". Acionando esta &uacute;ltima voc&ecirc; ter&aacute; &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o um menu de op&ccedil;&otilde;es reconfortadoras para que o espelho lhe mostrar&aacute;, desde "20 anos menos" at&eacute; "Richard Gere com outro nariz". Voc&ecirc; poder&aacute; usar um recurso chamado "Retouch" que lhe permitir&aacute;... (Ver&iacute;ssimo, 1996: 201)</font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E assinalamos que tal espelho digital sai das p&aacute;ginas dos contos para entrar na cadeia discursiva e de imagens contempor&acirc;neas e, como acontecimento, irrompe na cadeia repetit&oacute;ria regularizada da mem&oacute;ria, materializando-se em 2011, conforme not&iacute;cia do blogueiro do "Gadgets Info" da revista InfoAbril.</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#91;..&#93; O Cybertecture Mirror &eacute; um espelho que foi desenvolvido pelo designer James Law, da empresa Cybertecture. Ele funciona como uma janela digital &#91;...&#93;. Para funcionar, o espelho deve se conectar &agrave; internet. &#91;...&#93; O equipamento &eacute; cheio de fun&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o tantas que &eacute; poss&iacute;vel at&eacute; duvidar que voc&ecirc; vai passar tanto tempo no banheiro checando tudo. Um dos atrativos &eacute; um aplicativo que monitora a sa&uacute;de. Ele usa um equipamento auxiliar semelhante a uma balan&ccedil;a para obter dados de peso, porcentagem de gordura corporal e massa corporal. Al&eacute;m disso, &eacute; poss&iacute;vel fazer gin&aacute;stica em frente ao espelho, que indica exerc&iacute;cios f&iacute;sicos para perder peso e manter a forma. &#91;...&#93; Infelizmente, ele est&aacute; &agrave; venda somente para China, Hong Kong, &Iacute;ndia e Europa<a name="Link3" href="#4"><sup>2</sup></a>.</font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Das cita&ccedil;&otilde;es feitas, de Ver&iacute;ssimo (1996) e do blogueiro, destacamos que este(s) espelho(s) de que falam n&atilde;o reflete(m) apenas a imagem, ambos os equipamentos oferecem ao sujeito e ao seu corpo "op&ccedil;&otilde;es reconfortadoras" e "fun&ccedil;&otilde;es", "tantas". Dizeres que trabalharemos em nossas an&aacute;lises associando-os a algumas imagens e forma&ccedil;&otilde;es discursivas/imagin&aacute;rias/ideol&oacute;gicas presentes na p&aacute;gina oficial da empresa criadora do espelho cibern&eacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Um m&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A an&aacute;lise que empreendemos &eacute; alicer&ccedil;ada no m&eacute;todo da AD que visa a compreender como um objeto simb&oacute;lico produz sentidos e a escutar sentidos silenciados. Para tanto, mobiliza a mem&oacute;ria, a historicidade, a ideologia e o recalque inconsciente em uma leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o que &eacute; particular pela pr&oacute;pria incompletude do sujeito e da linguagem, somada a incompletude do sujeito analista (de discurso) (Orlandi, 1999; Orlandi, 2007). Assim, o <i>corpus</i> que tomamos para a an&aacute;lise &eacute; composto a partir de um dispositivo te&oacute;rico e um dispositivo anal&iacute;tico (Orlandi, 1999) que confluem e refletem o olhar daquele que le/interpreta algum fato discursivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por conflu&iacute;rem, entendemos que a escrita que empreendemos, pela pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o da AD, faz contornos ao imposs&iacute;vel de se separar teoria e an&aacute;lise, pois P&ecirc;cheux (2008) alicer&ccedil;a seu m&eacute;todo de pesquisa em um "batimento", um ir e vir por entre costuras te&oacute;rico-anal&iacute;ticas, insepar&aacute;veis, pois o pr&oacute;prio ato de recortar um conceito te&oacute;rico j&aacute; &eacute; constituinte do e constitu&iacute;do pelo movimento de analisar. Indursky (2008) delineia um movimento pendular, da teoria &agrave; an&aacute;lise, e vice-versa. Por n&atilde;o se basear na no&ccedil;&atilde;o de "dado", produto pronto e acabado, mas sim na no&ccedil;&atilde;o de "fato", esse movimento pendular n&atilde;o cessa de significar a cada leitura de cada analista diante do seu <i>corpus</i>, o que implica a an&aacute;lise do processo de produ&ccedil;&atilde;o de sentidos. Gesto que convida o leitor a tamb&eacute;m tecer suas an&aacute;lises.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para este trabalho, como dispositivo te&oacute;rico e anal&iacute;tico elencamos especialmente o conceito de mem&oacute;ria, alicer&ccedil;ado por P&ecirc;cheux (2010), o est&aacute;dio do espelho tal como Lacan (1998) o concebe, o conceito de heterogeneidade de Authier-Revuz (2004), o conceito de sujeito P&ecirc;cheuxtiano, que faz la&ccedil;o com o sujeito da psican&aacute;lise, fazendo costuras com o conto "O espelho" de Machado de Assis (1996), o conto "Espelhos", de Ver&iacute;ssimo (1996), a leitura de Foucault (1999) do quadro "Las meninas" de Velasquez e a tela de Rom&atilde;o (2004). Isso para desvelarmos sentidos contempor&acirc;neos sobre o espelho cibern&eacute;tico, nossa an&aacute;lise central, mas n&atilde;o &uacute;nica, pelo pr&oacute;prio efeito de mem&oacute;ria, que traz &agrave; tona a historicidade do espelho na constitui&ccedil;&atilde;o do ser falante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tendo situado de qual posi&ccedil;&atilde;o enunciamos, prosseguimos apontando que no &acirc;mbito da leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o, emprestamos de Leandro-Ferreira (2003: 203) a defini&ccedil;&atilde;o de que:</font></p>     <blockquote><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na AD "o que est&aacute; fora" (o exterior) faz parte integrante do que est&aacute; dentro (o interior). N&atilde;o h&aacute;, pois, dicotomia; h&aacute; tens&atilde;o, h&aacute; contradi&ccedil;&atilde;o. Como se estiv&eacute;ssemos frente a um quadro de um pintor: a moldura, a luz, o ambiente, a parede em que est&aacute; colocado s&atilde;o elementos que comp&otilde;em junto com a tela os efeitos de sentido que v&atilde;o produzir para o observador. Com outra moldura, sob diferente luz, em nova parede, a significa&ccedil;&atilde;o j&aacute; seria outra.</font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, os gestos de interpreta&ccedil;&atilde;o se apoiam na b&aacute;scula do interior e do exterior, movimento que &eacute; pr&oacute;prio da constitui&ccedil;&atilde;o de alteridade do sujeito, como vimos com Lacan (1998), com Authier-Revuz (2004), com P&ecirc;cheux (1997) e com Assis (1996). Movimento que tamb&eacute;m constitui a interpreta&ccedil;&atilde;o discursiva. E para efetuarmos nossa leitura pin&ccedil;amos de Leandro Ferreira (2003) os significantes "quadro" e "tela", que tamb&eacute;m s&atilde;o mobilizados na leitura de Foucault (1999) e de Rom&atilde;o (2006), leituras que nos auxiliar&atilde;o na escuta ao espelho cibern&eacute;tico. E assim, prosseguimos nossas an&aacute;lises.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O que h&aacute; no jogo de "op&ccedil;&otilde;es" e "fun&ccedil;&otilde;es"?</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault (1999), ao tecer uma leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o sobre o quadro "Las meninas", de Velazquez, mobiliza sentidos do exterior e do interior deste, tal como afirma Leandro Ferreira (2003) ao descrever a postura de um analista de discurso. Foucault (1999) mobiliza tamb&eacute;m o que est&aacute; vis&iacute;vel e supostamente invis&iacute;vel aos olhos do espectador e dos pr&oacute;prios personagens da tela. Interessa-nos particularmente aqui a escuta que ele faz do jogo de olhares do pintor (que se materializa na tela), do espectador, dos personagens e do espelho ao fundo da tela, abordando a alteridade, sendo esta composta por outros e pelo espelho. Destacamos de sua leitura que Foucault (1999) descreve o objeto espelho como sendo um outro e questionamos: qui&ccedil;&aacute; um espelho-sujeito que olha para al&eacute;m de ser olhado?: "&#91;...&#93; o rosto que o espelho reflete &eacute; igualmente aquele que o contempla &#91;...&#93; pura reciprocidade que manifesta o espelho que olha e &eacute; olhado &#91;...&#93;" (Foucault, 1999: 13). Interessa-nos este deslizamento de objeto a sujeito e de sujeito a objeto para nossas an&aacute;lises.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Deste autor, partimos para Rom&atilde;o (2006) para explanarmos sobre esse movimento de reciprocidade entre o espelho que olha e &eacute; olhado e os personagens/espectador/pintor que tamb&eacute;m olham e s&atilde;o olhados a fim de mobilizarmos alguns sentidos sobre o espelho cibern&eacute;tico de que tratamos. Como j&aacute; dissemos, Rom&atilde;o (2006: 303) tece sentidos sobre a tela das tecnologias associando-a &agrave; tela do pintor, como descreve Saramago, "desejante de tinta" e que convida "a m&atilde;o da mem&oacute;ria do artista a se deitar no tecido virgem". Abordamos o espelho cibern&eacute;tico a partir desta rela&ccedil;&atilde;o de alteridade em que h&aacute; algo que fisga, que captura a m&atilde;o do sujeito para o ato de se conectar &agrave; tecnologia, e em sua tela fascinar-se com as "op&ccedil;&otilde;es" e "fun&ccedil;&otilde;es" marcadas por Ver&iacute;ssimo (1996) e pelo blogueiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Imagens da tela e imagens exteriores &agrave; tela se mesclam e reiteramos que essa tela da qual falamos muda caleidoscopicamente a cada clique produzindo outras imagens, outros significantes, para al&eacute;m do reflexo da imagem do corpo do sujeito (significantes &ndash; interiores &ndash; da pr&oacute;pria tela, j&aacute; que nela aparecem &iacute;cones; e exteriores &agrave; tela, j&aacute; que o espelho reflete o ambiente em que est&aacute; o sujeito &ndash; dentro/fora da tela). Debru&ccedil;ando-nos sobre este algo que fisga o sujeito na conex&atilde;o com a tela, questionamos se h&aacute; algo que repete o deslumbramento que o <i>infans</i> viv&ecirc;ncia ao se deparar com a imagem no espelho, lan&ccedil;ando-se a tentar peg&aacute;-la. Deslumbramento acentuado no sujeito, na contemporaneidade, pela evanesc&ecirc;ncia das imagens produzidas, j&aacute; que cada clique dispara imagens, e imagens que talvez remetam a algo que "noutro lugar &eacute; encontr&aacute;vel", como aponta Saramago (citado por Rom&atilde;o, 2006: 303); algo de memor&aacute;vel (que retoma o j&uacute;bilo?).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fazendo algumas articula&ccedil;&otilde;es, apontamos que embora n&atilde;o contemplando as teclas "A verdade" e "Escolha Voc&ecirc; mesmo" tal qual Ver&iacute;ssimo (1996) prop&otilde;e, o espelho cibern&eacute;tico joga com composi&ccedil;&otilde;es-sujeito distintas a cada "op&ccedil;&atilde;o"/"fun&ccedil;&atilde;o" ofertada, o que, pela via do imagin&aacute;rio, cria o efeito de que a cada clique n&atilde;o s&oacute; a tela muda, mas tamb&eacute;m o sujeito, que imaginariamente a comanda. &Eacute; o que podemos ver e escutar no site da Cibertecture Mirror<a name="Link5" href="#6"><sup>3</sup></a>, conforme as figuras 1 e 2.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tpsi/v46n1/a06fig01.jpg"></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figura 1. P&aacute;gina eletr&ocirc;nica da Cybertecture Mirror</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tpsi/v46n1/a06fig02.jpg"></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figura 2. P&aacute;gina eletr&ocirc;nica da Cybertecture Mirror</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Destacamos que a sequ&ecirc;ncia das imagens tais como s&atilde;o apresentadas ao espectador do site criam esse efeito que descrevemos, de uma transforma&ccedil;&atilde;o do sujeito e de seu corpo (pela mudan&ccedil;a de roupa, de cabelo, de posi&ccedil;&atilde;o corporal) a cada clique, o que vai ao encontro da op&ccedil;&atilde;o "Escolha Voc&ecirc; mesmo" do conto Ver&iacute;ssimo em que supostamente seria poss&iacute;vel ao sujeito criar uma tal imagem em que caiba sempre um "Retouch". Entretanto, no espelho cibern&eacute;tico as "op&ccedil;&otilde;es"/"fun&ccedil;&otilde;es" s&atilde;o delimitadas como podemos ver: "mirror", "health", "vanity", "entertainment", "exercise". Ou seja, o sujeito n&atilde;o &eacute; (t&atilde;o) livre em sua escolha &ndash; como articula P&ecirc;cheux (1997) ao apontar o atravessamento ideol&oacute;gico e do recalque na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito &ndash; e questionamos se lhe resta <i>re-touch</i>, tocar de novo a tecnologia em busca de outras imagens?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta leitura que estamos empreendendo, destacamos ainda que os significantes "op&ccedil;&otilde;es" e "fun&ccedil;&otilde;es", os quais estamos mobilizando, nos permitem questionar quais as "fun&ccedil;&otilde;es" desse objeto na contemporaneidade e quais as "op&ccedil;&otilde;es" do sujeito diante deste. E por que n&atilde;o questionar quais as "fun&ccedil;&otilde;es" do sujeito-objetalizado e quais as "op&ccedil;&otilde;es" do espelho, que &eacute; o aparente detentor das escolhas. Assinalamos aqui uma diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; leitura que Foucault (1999) empreende acerca do espelho da tela "Las Meninas" de Velasquez, pois que, naquele caso, naquele contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico, o avivamento do "&#91;...&#93; espelho que olha e &eacute; olhado &#91;...&#93;" (Foucault, 1999: 13), o avivamento metaf&oacute;rico n&atilde;o implica na objetaliza&ccedil;&atilde;o do sujeito que olha, ao contr&aacute;rio do que temos interpretado acerca das novas tecnologias, nas quais o sujeito &eacute; convocado a tocar, a "touch", para avivar a m&aacute;quina (do consumo).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos articular o que dissemos acima a respeito do jogo de "fun&ccedil;&otilde;es" e "op&ccedil;&otilde;es" entre sujeito e objeto com as forma&ccedil;&otilde;es discursivas colocadas no verbo imperativo: "Say hello to yourself in your mirror", "Review your state of health", "Made yourself up for a night out", "Watch a TV Program", "See what your friends have been up on your social network", "Check your form and burn a few calories". Interpretamos que h&aacute; algo que convoca o sujeito ao lugar de objeto, a "just do it" e n&atilde;o questionar. Seria esta a "fun&ccedil;&atilde;o" do sujeito e de seu corpo na contemporaneidade? <i>Re-touch</i> incessantemente? Destacamos tamb&eacute;m a repeti&ccedil;&atilde;o de "your/yourself", "seu/para si", o que ao nosso ver convoca o sujeito a uma posi&ccedil;&atilde;o discursiva em que supostamente escolhe e tem, enquanto recebe ordens imperativas. Ordens que ofuscam o assujeitamento de seu corpo, distanciando o sujeito do desejo, clamando ao gozo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em se tratando do imperativo, do gozo contempor&acirc;neo marcado no "just do it", no jogo basculante da e com a alteridade, passamos agora a uma an&aacute;lise que leva em conta o estranho e o familiar, o estrangeiro e o brasileiro, e nesta b&aacute;scula exterior e interior apontamos o interessante jogo de imagens e da l&iacute;ngua no site da Cybertecture. L&iacute;ngua, pois o idioma legitimado &eacute; o ingl&ecirc;s, embora o espelho seja uma produ&ccedil;&atilde;o da Cybertecture de Hong Kong. E se a l&iacute;ngua inglesa toma posse da descri&ccedil;&atilde;o do espelho, por outro lado a imagem do espelho &eacute; composta por uma modelo oriental, calada nos v&iacute;deos do site e nas fotos, mas que permite que algo discurse com seu corpo. Assinalamos, assim, que h&aacute; um jogo de imagens e de forma&ccedil;&otilde;es discursivas/ideol&oacute;gicas/imagin&aacute;rias sustentando esse produto que comp&otilde;em um campo de alteridade que inscreve tais produtos com fun&ccedil;&otilde;es dadas s&oacute;cio-historicamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entrando no &acirc;mbito do ter ou n&atilde;o ter essa tecnologia, apontamos que nem Brasil nem Estados Unidos aparecem na voz do blogueiro como pa&iacute;ses importadores do produto. Sublinhamos a heterogeneidade no discurso sustentado na voz do blogueiro, que le/interpreta este espelho cibern&eacute;tico com j&uacute;bilo, mas tamb&eacute;m estranhamento, trazendo vozes que se contradizem. Se por um lado afirma que "Infelizmente ele &#91;espelho&#93; est&aacute; &agrave; venda somente para China, Hong Kong, &Iacute;ndia e Europa", por outro indaga a exist&ecirc;ncia do objeto pelo pr&oacute;prio t&iacute;tulo da reportagem: "J&aacute; pensou em usar a internet pelo espelho do banheiro?", causando um efeito de afastamento para pensar neste objeto interativo poss&iacute;vel at&eacute; ent&atilde;o somente nos contos (de fadas, liter&aacute;rios). E neste movimento de articular o imagin&aacute;rio ao simb&oacute;lico e ao real, da voz do blogueiro destacam-se as "fun&ccedil;&otilde;es do espelho" que "&#91;...&#93; S&atilde;o tantas que &eacute; poss&iacute;vel at&eacute; duvidar que Voc&ecirc; vai passar tanto tempo no banheiro checando tudo. &#91;...&#93;", esvaziando um efeito de captura ideol&oacute;gica. Possibilidade esta de o sujeito se circunscrever por um bordejamento simb&oacute;lico que permite a sustenta&ccedil;&atilde;o da d&uacute;vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta breve sequ&ecirc;ncia de an&aacute;lise, intentamos escutar algumas posi&ccedil;&otilde;es-sujeito sustentadas diante deste espelho cibern&eacute;tico nos posicionando como leitoras deste acontecimento contempor&acirc;neo, que rompe com a s&eacute;rie de Espelhos. E desta s&eacute;rie, nos aportando na mem&oacute;ria discursiva, lembremo-nos da captura ideol&oacute;gica sobre os &iacute;ndios, em terra tupi-guarani, com a forma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica estrangeira que sustentou o espelho. Efeitos de um imagin&aacute;rio inflado que os assujeitou, com poucos contornos do simb&oacute;lico e do real. Prosseguimos com a escuta e com as indaga&ccedil;&otilde;es sobre as "op&ccedil;&otilde;es"/"fun&ccedil;&otilde;es" desse acontecimento na s&eacute;rie da mem&oacute;ria, na s&eacute;rie de "Espelhos" anteriores a ele e sobre seus efeitos na constitui&ccedil;&atilde;o da alteridade, de sujeitos e de discursos na contemporaneidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Alguns apontamentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A leitura/interpreta&ccedil;&atilde;o que efetuamos &eacute; uma dentre as poss&iacute;veis e nosso gesto convoca uma passagem pelo imagin&aacute;rio, pelo simb&oacute;lico e pelo real, "uma passagem do vis&iacute;vel ao nomeado" e, complementamos P&ecirc;cheux (2010), uma passagem do vis&iacute;vel ao nomeado e ao inomin&aacute;vel para tocarmos o que h&aacute; de real nos efeitos da rela&ccedil;&atilde;o sujeito, corpo e espelho cibern&eacute;tico. Pelo percurso feito pela mem&oacute;ria, pela constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito via alteridade, levantamos algumas quest&otilde;es que n&atilde;o cessam de mobilizar outros questionamentos, que insistem desde Assis (1996) e muito antes dele com os mitos sobre a constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade e do corpo, que n&atilde;o &eacute; apenas organismo, &eacute; corpo/linguagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste efeito de fechamento de uma escrita e de abertura a novas quest&otilde;es, retomamos Assis (1996) e a "alma exterior" como um modo metaf&oacute;rico de dizer sobre a conex&atilde;o de sujeitos, na contemporaneidade, a telas, a imagens, a rede eletr&ocirc;nica, os quais tomam tais equipamentos como parte de si, como um outro de si. Lan&ccedil;amo-nos a pensar sobre o espelho cibern&eacute;tico e os outros espelhos e perguntamos o que h&aacute; de mem&oacute;ria que repete, que insiste e que irrompe em outros sentidos? Afinal, como afirma P&ecirc;cheux (2010: 56), "&#91;...&#93; nenhuma mem&oacute;ria &eacute; um frasco sem exterior".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assis, Machado de. (1996). <i>O espelho</i>. Rio de Janeiro: Ediouro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455483&pid=S0101-4838201400010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Authier-Revuz, J. (2004). Heterogeneidade mostrada e heterogeneidade constitutiva: elementos para uma abordagem do outro no discurso. In: Authier-Revuz, J. <i>Entre a transpar&ecirc;ncia e a opacidade: um estudo enunciativo do sentido</i> (pp. 11-80). Porto Alegre: EDIPUCRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455485&pid=S0101-4838201400010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cukiert, M. & Priszkulnik, L. (2002). Considera&ccedil;&otilde;es sobre o eu e o corpo em Lacan. <i>Estudos de Psicologia</i>, <i>7</i>(1), 143-149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455487&pid=S0101-4838201400010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault, M. (1999). Las meninas. In: Foucault, M. <i>As palavras e as coisas: uma arqueologia das ci&ecirc;ncias humanas</i> (pp. 3-22). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455489&pid=S0101-4838201400010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Indursky, F. (2008). Unicidade, desdobramento, fragmenta&ccedil;&atilde;o: a trajet&oacute;ria da no&ccedil;&atilde;o de sujeito em An&aacute;lise do Discurso. In: Mittmann, S.; Grigoletto, E. & Cazarin, E. A. (Orgs.). <i>Pr&aacute;ticas discursivas e identit&aacute;rias: sujeito e l&iacute;ngua </i>(pp. 9-33). Porto Alegre: UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455491&pid=S0101-4838201400010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan, J. (1966/1998). O est&aacute;dio do espelho como formador da fun&ccedil;&atilde;o do eu. In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455493&pid=S0101-4838201400010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Leandro Ferreira, M. C. (2003). Nas trilhas do discursivo: a prop&oacute;sito de leitura, sentido e interpreta&ccedil;&atilde;o. In: Orlandi, E. P. <i>A leitura e os leitores</i><b> </b>(pp. 201-208). Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455495&pid=S0101-4838201400010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Orlandi, E. P. (1999). <i>An&aacute;lise de Discurso:<b> </b>princ&iacute;pios e procedimentos</i>. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455497&pid=S0101-4838201400010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Orlandi, E. P. (2007). <i>Interpreta&ccedil;&atilde;o: autoria, leitura e efeitos do trabalho simb&oacute;lico</i>. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455499&pid=S0101-4838201400010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">P&ecirc;cheux, M. (1997). <i>Sem&acirc;ntica e discurso: uma cr&iacute;tica &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o do &oacute;bvio</i>. Campinas: UNICAMP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455501&pid=S0101-4838201400010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">P&ecirc;cheux, M. (2008). <i>Discurso: estrutura ou acontecimento</i>. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455503&pid=S0101-4838201400010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">P&ecirc;cheux, M. (2010). O papel da mem&oacute;ria. In: Achard, P. (et al.). <i>Papel da mem&oacute;ria</i><b> </b>(pp. 49-57). Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455505&pid=S0101-4838201400010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rom&atilde;o, L. M. S. (2006). O cavalete, a tela e o branco: introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; autoria na rede eletr&ocirc;nica<b>. </b><i>DELTA</i><b> </b>&#91;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455507&pid=S0101-4838201400010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->online&#93;, <i>22</i>(2), 303-328.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ver&iacute;ssimo, L. F. (1996). Espelhos. In: <i>Novas com&eacute;dias da vida privada</i><b> </b>(pp. 199-201). Porto Alegre: L&PM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4455509&pid=S0101-4838201400010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido em: 3 de mar&ccedil;o de 2013    <br>   Aprovado para publica&ccedil;&atilde;o em: 8 de junho de 2013</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="Autora" href="#Autor"><sup>*</sup></a> Doutoranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da FFCLRP/USP.    <br>       <a name="Autora1" href="#Autor1"><sup>**</sup></a> Profa Dra do Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da FFCLRP/USP.    <br>       <a name="Autora2" href="#Autor2"><sup>***</sup></a> Profa Dra do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o da FFCLRP/USP    <br> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="2"></a><a href="#Link1"><sup>1</sup></a> As forma&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas veiculam a ideologia, ou seja, os sentidos dominantes em dado contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico e seus sentidos s&atilde;o materializados no discurso, nas forma&ccedil;&otilde;es discursivas. Por meio das forma&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias o sujeito antecipa o que pode e o que n&atilde;o pode ser dito ao outro, pelo pr&oacute;prio efeito das forma&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas. Esse mecanismo de antecipa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; materializado nas forma&ccedil;&otilde;es discursivas.    <br>   <a name="4"></a><a href="#Link3"><sup>2</sup></a> Recuperado em 30 de outubro de 2011 de &lt;http://info.abril.com.br/noticias/blogs/gadgets/miscelanea/ja-pensou-em-usar-a-internet-pelo-espelho-do-banheiro/&gt;.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="6"></a><a href="#Link5"><sup>3</sup></a> Recuperado em 18 de outubro de 2012 de &lt;http://www.cybertecturemirror.com/main.php?id=features&gt;.</font></p>      ]]></body>
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