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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Preferência lúdica de uma amostra de crianças e adolescentes da cidade de Vitória]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this research was to investigate the playing preference of a hundred Brazilian children and adolescents aged between six and fourteen years old. The majority of boys and girls prefer rule-based games in open spaces. Girls chose as a favorite game “volley”, “basketball” or “queimada”. Boys chose “soccer” and “videogame”. The favorite game was mainly played at home with brothers/sisters and/or schoolmates, once or twice a week. Adults were rarely cited as partners. Finally, it was verified that the games and toys are still important in the life of children and adolescents, specially the rule-based games in open spaces and the electronic games.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>ARTIGO</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="4"><b>Prefer&ecirc;ncia    l&uacute;dica de uma amostra de crian&ccedil;as e adolescentes da cidade de    Vit&oacute;ria</b></font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><sup><a name="1"></a><a href="#end" title="1">1</a></sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>Playing preference    of a sample of children and adolescents in the city of Vit&oacute;ria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Claudia Broetto Rossetti<sup>I</sup>; Maria Thereza Costa Coelho de Souza<sup>II</sup></b></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><sup>I</sup> Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo    <br><sup>II</sup> Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2><b><a name="topo"></a>    <a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <HR size="1"noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Objetivou-se investigar a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica de 100 crian&ccedil;as    e adolescentes brasileiros entre seis e 14 anos. Os resultados indicaram que    meninas e meninos preferem jogos de regras, especialmente os praticados em espa&ccedil;os    abertos. As meninas escolheram como jogo preferido &#8220;v&ocirc;lei&#8221;,    &#8220;basquete&#8221; ou &#8220;queimada&#8221;, enquanto os meninos preferiram    &#8220;futebol&#8221; ou &#8220;videogame&#8221;. Constatou-se tamb&eacute;m    que os jogos preferidos s&atilde;o jogados principalmente em casa, com irm&atilde;os    e/ou amigos da escola, uma ou duas vezes por semana. Os adultos raramente foram    citados como companheiros de jogo. Assim, jogos, brinquedos e brincadeiras continuam    bastante presentes na vida das crian&ccedil;as e adolescentes, principalmente    jogos de regras em espa&ccedil;os abertos e jogos eletr&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Palavras-chave</b>:  Prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica, Jogos, Inf&acirc;ncia, Adolesc&ecirc;ncia.</font></p> <HR size="1"noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"> The aim of this research was to investigate the playing preference    of a hundred Brazilian children and adolescents aged between six and fourteen    years old. The majority of boys and girls prefer rule-based games in open spaces.    Girls chose as a favorite game &#8220;volley&#8221;, &#8220;basketball&#8221;    or &#8220;queimada&#8221;. Boys chose &#8220;soccer&#8221; and &#8220;videogame&#8221;.    The favorite game was mainly played at home with brothers/sisters and/or schoolmates,    once or twice a week. Adults were rarely cited as partners. Finally, it was    verified that the games and toys are still important in the life of children    and adolescents, specially the rule-based games in open spaces and the electronic    games.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Keywords</b>:    Playing preference, Games, Childhood, Adolescence.</font></p> <HR size="1"noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Os jogos, as brincadeiras e os brinquedos encontram-se associados &agrave;s    crian&ccedil;as desde os prim&oacute;rdios da civiliza&ccedil;&atilde;o humana,    e, mesmo antes, no caso da inf&acirc;ncia dos grandes primatas. De fato, h&aacute;    uma surpreendente unanimidade de opini&otilde;es entre psic&oacute;logos, pedagogos    e profissionais que cuidam da inf&acirc;ncia de uma maneira geral, que apontam    para a import&acirc;ncia das manifesta&ccedil;&otilde;es l&uacute;dicas como    o modo espont&acirc;neo de meninas e meninos, de todos os grupos sociais e etnias,    interagirem, se expressarem e se desenvolverem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Uma an&aacute;lise mais ampla do tema indica que a pesquisa mundial sobre jogos    tem aumentado em import&acirc;ncia nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. De fato,    parecem relevantes os dados quantitativos apresentados por Sutton-Smith (FROST,    1992), segundo os quais foram publicados aproximadamente setecentos artigos    sobre jogos entre 1880 e 1980, sendo que pouco mais de uma d&uacute;zia datam    de antes de 1930, enquanto mais de duzentos foram publicados somente na d&eacute;cada    de 1970.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Segundo Ruiz (1992), a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica &eacute; um fen&ocirc;meno    relativamente ef&ecirc;mero e dependente de numerosos fatores como as modas    infantis, as esta&ccedil;&otilde;es do ano, que permitem ou n&atilde;o a perman&ecirc;ncia    ao ar livre, a influ&ecirc;ncia de est&iacute;mulos culturais como a televis&atilde;o,    os costumes sociais coletivos, as festas locais, o n&uacute;mero de companheiros    e brinquedos de que se disp&otilde;e etc. Dessa maneira, a prefer&ecirc;ncia    por um jogo ou por outro n&atilde;o deve ser tomada como um indicador exato    de todos os processos psicol&oacute;gicos implicados no mesmo. Contudo, preferir    um determinado jogo e n&atilde;o outro pode indicar que o jogo preferido &eacute;    conhecido e dominado pela crian&ccedil;a, pelo menos em um n&iacute;vel que    lhe permite dizer que sabe como jogar esse jogo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Dessa maneira, diversos estudos sobre a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica de crian&ccedil;as    e adolescentes t&ecirc;m revelado semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre    os jogos, brinquedos e brincadeiras preferidos em diferentes partes do mundo,    com &ecirc;nfase em aspectos diversos como: (a) a influ&ecirc;ncia de diferentes    ambientes de socializa&ccedil;&atilde;o na escolha do jogo preferido; (b) a    percep&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as sobre as diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero    e os estere&oacute;tipos sexuais presentes nos jogos e brincadeiras; (c) as    concep&ccedil;&otilde;es infantis sobre o brincar; (d) a influ&ecirc;ncia do    estilo cognitivo na escolha dos jogos e brinquedos preferidos e (e) fen&ocirc;menos    recentes da prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica como a escolha de jogos eletr&ocirc;nicos    como preferidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Assim, Ruiz (1992) prop&ocirc;s, partindo da classifica&ccedil;&atilde;o piagetiana,    uma nova classifica&ccedil;&atilde;o contendo tr&ecirc;s macrocategorias de    jogos: jogos de a&ccedil;&atilde;o, jogos de s&iacute;mbolos e jogos de regras.    Na macrocategoria jogos de a&ccedil;&atilde;o, a autora inclui todas as atividades    simples de a&ccedil;&atilde;o sobre objetos ou sobre o pr&oacute;prio corpo    que visam o prazer da a&ccedil;&atilde;o em si ou sucessos concretos, baseados    na atividade f&iacute;sica. Atividades como manipular areia, &aacute;gua, bolas    etc., s&atilde;o classificadas como jogos de a&ccedil;&atilde;o. Assim, as origens    dos jogos de a&ccedil;&atilde;o encontram-se no est&aacute;gio sens&oacute;rio-motor,    n&atilde;o desaparecendo nunca do conjunto de atividades humanas. Ainda segundo    a autora, &eacute; sobre as a&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas desses jogos    que se d&aacute; a evolu&ccedil;&atilde;o at&eacute; as outras formas de a&ccedil;&atilde;o    l&uacute;dica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">A autora distingue tr&ecirc;s subcategorias (ou categorias concretas) de jogos    dentro da macrocategoria jogos de a&ccedil;&atilde;o. Na primeira subcategoria,    encontram-se os jogos motores-manipulativos, que derivam diretamente dos comportamentos    sens&oacute;rio-motores. Na segunda subcategoria, est&atilde;o os jogos de sucesso,    que, apesar de ainda manterem o prazer de manipular, realizam-se tamb&eacute;m    com a finalidade de construir algo ou de conseguir um sucesso espec&iacute;fico,    mais ou menos determinado pelo objeto que se manipula. Nesses jogos, a habilidade    e a perfei&ccedil;&atilde;o dos movimentos corporais s&atilde;o caracter&iacute;sticas    secund&aacute;rias, mas fundamentais. A terceira subcategoria de jogos de a&ccedil;&atilde;o    refere-se aos jogos eletr&ocirc;nicos, ou seja, &#8220;atividades l&uacute;dicas    que, com um forte componente de a&ccedil;&atilde;o, perseguem uma meta que vem    marcada pelo desenho do brinquedo eletr&ocirc;nico que se manipula&#8221;. (RUIZ,    1992, p. 96). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">A macrocategoria jogos de s&iacute;mbolos inclui, ainda segundo a autora, a    rela&ccedil;&atilde;o entre significante e significado destacando-se como a    caracter&iacute;stica principal ou o elemento que d&aacute; sentido ao jogo.    Nesta macrocategoria, a autora identifica duas subcategorias (ou categorias    concretas): jogos simples de s&iacute;mbolo e jogos simb&oacute;licos desenvolvidos    ou sociodram&aacute;ticos. Os jogos simples de s&iacute;mbolo s&atilde;o jogos    elementares que, segundo a autora, se caracterizam por conter a f&oacute;rmula    significante/significado sem que se possa especificar-se o conte&uacute;do da    trama ou fic&ccedil;&atilde;o representada, ou seja, &#8220;se caracterizam    por uma dispers&atilde;o dos elementos do significado e do significante que    inunda toda a atividade infantil. Qualquer objeto pode ser empregado como se    fosse outra coisa&#8221; (RUIZ, 1992). Por outro lado, nos jogos simb&oacute;licos    desenvolvidos ou sociodram&aacute;ticos, o simbolismo l&uacute;dico adquire    estruturas representativas muito mais complexas. Nesses jogos, &#8220;um complexo    sistema de s&iacute;mbolos se entrecruza com a a&ccedil;&atilde;o e se acompanha    de verbaliza&ccedil;&otilde;es em um contexto determinado, dando lugar a jogos    sociais de alta complexidade representativa tanto em sua estrutura quanto em    seu conte&uacute;do&#8221; (RUIZ, 1992).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">A terceira macrocategoria proposta &eacute; a dos jogos de regras. Nela est&atilde;o    todos os jogos baseados em uma s&eacute;rie de normas objetivas compartilhadas    pelos jogadores. De acordo com a autora, esses jogos s&atilde;o sempre sociais,    j&aacute; que devem ser compartilhados com os companheiros de jogo. A autora    identifica duas subcategorias (ou categorias concretas) de jogos de regras:    os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos, ou jogos de rua, e os jogos de    regras em espa&ccedil;os fechados, ou jogos de regra de mesa. Assim, segundo    Ruiz (1992), os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos s&atilde;o aqueles    que precisam de um espa&ccedil;o suficientemente amplo para realizar a&ccedil;&otilde;es    que exigem deslocamentos dos sujeitos. Por outro lado, os jogos de regra de    mesa, ainda que possam tamb&eacute;m ser jogados em espa&ccedil;os abertos,    geralmente realizam-se em espa&ccedil;os fechados. Segundo a autora, nesse tipo    de jogo, as regras &#8220;s&atilde;o impostas pela natureza do objeto ou brinquedo    que determina o tipo de a&ccedil;&otilde;es e verbaliza&ccedil;&otilde;es que    o menino ou a menina se v&ecirc;em obrigados a realizar&#8221;. (Ruiz, 1992,    p. 98).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Dando continuidade &agrave; sua pesquisa, Ruiz (1992) apresenta uma vasta e    completa revis&atilde;o da literatura da &aacute;rea e realiza uma investiga&ccedil;&atilde;o    sobre os jogos e brinquedos preferidos de 813 meninas e meninos da Espanha,    entre quatro e 14 anos. Em uma segunda etapa da pesquisa, a autora investigou    especificamente a import&acirc;ncia dos jogos sociodram&aacute;ticos na constru&ccedil;&atilde;o    social do conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Seguindo a mesma linha de trabalho, Denegri e Linaza (s/d) realizaram uma pesquisa    com 160 sujeitos de ambos os sexos, entre seis e 15 anos, residentes em regi&otilde;es    urbanas (80 sujeitos) e rurais (80 sujeitos) do Chile, com o objetivo investigar    a influ&ecirc;ncia de diferentes ambientes de socializa&ccedil;&atilde;o na    prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica dos sujeitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Um outro estudo amplo sobre o tema, do ponto de vista dos sujeitos, foi realizado    por Mergen (1991), que estudou a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica de adolescentes    de uma cidade dos EUA, comparando os dados encontrados &agrave;queles de uma    pesquisa anterior, bastante abrangente sobre a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica    naquele pa&iacute;s, realizada por Sutton-Smith e Roserberg em 1961. Houve uma    predomin&acirc;ncia da atividade &#8220;assistir TV&#8221; em resposta &agrave;    pergunta &#8220;O que voc&ecirc; gosta de fazer para se divertir?&#8221;, tanto    como uma atividade solit&aacute;ria quanto na companhia dos amigos. O autor    tamb&eacute;m percebeu que, de uma maneira geral, os sujeitos entrevistados    preferiam atividades &#8220;extramuros&#8221; (<i>outdoors</i>), mas atribu&iacute;am    a essa express&atilde;o um valor diferente. Assim, s&atilde;o consideradas atividades    extramuros todas aquelas que s&atilde;o desenvolvidas fora de casa, mesmo que    seja em um local fechado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Com o objetivo de investigar as percep&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as    sobre as diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero em jogos e brincadeiras, Carvalho,    Beraldo, Santos et al. (1993) realizaram um estudo comparativo com crian&ccedil;as    de cinco, oito e dez anos, de n&iacute;veis socioecon&ocirc;micos alto e baixo,    residentes em S&atilde;o Paulo e Recife. As autoras partiram da hip&oacute;tese    da presen&ccedil;a de press&otilde;es sociais diversas em ambientes sociais    diferentes e, assim, buscaram investigar aspectos culturais do comportamento    l&uacute;dico, abordando em particular as percep&ccedil;&otilde;es de adequa&ccedil;&atilde;o    sexual de brincadeiras por meninos e meninas de tr&ecirc;s faixas et&aacute;rias    e quatro contextos culturais diferentes. N&atilde;o houve diferen&ccedil;as    significativas nas respostas entre os sexos nas crian&ccedil;as de classe alta    de S&atilde;o Paulo. Entre os demais sujeitos, no entanto, os meninos tenderam    a se mostrar menos estereotipados que as meninas. As autoras ainda observaram    que as respostas das crian&ccedil;as de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico baixo    diferem menos das de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico alto em uma cidade menor,    possivelmente porque o ambiente cultural interclasses seja mais est&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Partindo do estudo descrito acima, Ortega, Cavarra, Rosa et al. (1999) realizaram    uma pesquisa visando avaliar a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis g&ecirc;nero    e idade no tipo de jogo preferido por crian&ccedil;as. Os autores entrevistaram    360 sujeitos com idades entre cinco e 10 anos, alunos de escolas de classe m&eacute;dia    em Vit&oacute;ria, ES. Foi solicitado a cada sujeito que dissesse qual era o    seu jogo preferido, como se joga esse jogo e se o jogo preferido era &#8220;mais    de menino&#8221;, &#8220;mais de menina&#8221; ou &#8220;dos dois igual&#8221;    e por qu&ecirc;. Os sujeitos de todas as idades preferem jogos de regras e a    prefer&ecirc;ncia por esse tipo de jogos aumenta com a idade. P&ocirc;de ser    verificado tamb&eacute;m que os jogos preferidos de crian&ccedil;as de ambos    os sexos s&atilde;o jogos de regras e que n&atilde;o h&aacute; estereotipia    sexual acentuada em rela&ccedil;&atilde;o aos jogos preferidos da amostra. Os    autores verificaram ainda que, quando h&aacute; estere&oacute;tipo sexual, este    &eacute; mais acentuado em meninos e que esta estereotipia n&atilde;o aumenta    com a idade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Ainda na mesma linha de pesquisa, Bonamigo e Koller (1993) buscaram verificar    a influ&ecirc;ncia dos estere&oacute;tipos sexuais nos brinquedos das crian&ccedil;as    de ambos os sexos, considerando a prefer&ecirc;ncia por determinados brinquedos    e a permiss&atilde;o que os sujeitos concediam ou n&atilde;o para outra crian&ccedil;a    brincar com um brinquedo estereotipado para o sexo oposto. O estudo aponta para    a necessidade de evitar a estereotipia sexual tradicional que, segundo as autoras,    em muitos aspectos &eacute; prejudicial &agrave;s crian&ccedil;as por limitar    as experi&ecirc;ncias l&uacute;dicas de meninos e meninas, experi&ecirc;ncias    essas que se mostram fundamentais para um bom desenvolvimento afetivo e intelectual    dos sujeitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">De outro modo, com o objetivo  de investigar, por meio de uma perspectiva metacognitiva <sup><a name="2"></a><a href="#end" title="2">2</a></sup>,  a concep&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias  crian&ccedil;as acerca do brincar,    Daudt, Sperb e Gomes (1992) realizaram uma pesquisa, com base na tese de que    as crian&ccedil;as percebem e descrevem a atividade de brincar priorizando os    meios ao inv&eacute;s dos fins. Do ponto de vista metodol&oacute;gico, este    estudo mostra que, &agrave; luz de descri&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas,    &eacute; poss&iacute;vel agrupar as caracter&iacute;sticas do brinquedo em crit&eacute;rios,    permitindo assim que se estabele&ccedil;a um sentido comum sobre o que &eacute;    este fen&ocirc;meno desde o ponto de vista das pr&oacute;prias crian&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Um fen&ocirc;meno t&iacute;pico dos anos 1990 foi a populariza&ccedil;&atilde;o    em massa dos jogos eletr&ocirc;nicos (videogames e jogos de computador) entre    crian&ccedil;as e adolescentes. Por ser um fen&ocirc;meno novo, diretamente    relacionado ao avan&ccedil;o das novas formas de tecnologia, este tema tem despertado    o interesse de muitos pesquisadores, como Campos, Yukumitsu, Fontealba et al.    (1994), que realizaram uma pesquisa em S&atilde;o Paulo com o objetivo de caracterizar    as prefer&ecirc;ncias de um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes em rela&ccedil;&atilde;o    ao videogame.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Um outro estudo na &aacute;rea foi realizado por Buchman e Funk (1996), a fim    de verificar a import&acirc;ncia dos jogos eletr&ocirc;nicos violentos durante    a d&eacute;cada de 90, o qual contou com a participa&ccedil;&atilde;o de 900    meninos e meninas de quarta a oitava s&eacute;ries. Foram avaliados: (a) o tempo    gasto jogando jogos eletr&ocirc;nicos em uma semana t&iacute;pica; (b) os jogos    preferidos e (c) as diferen&ccedil;as de s&eacute;rie e g&ecirc;nero na prefer&ecirc;ncia    l&uacute;dica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Por fim, parece interessante analisar o trabalho realizado por Saracho (1994),    que buscou relacionar a escolha e a pr&aacute;tica de jogos e brincadeiras com    os estilos cognitivos de crian&ccedil;as da educa&ccedil;&atilde;o infantil.    Assim, o estilo cognitivo (dependentes e independentes) de 300 crian&ccedil;as    entre tr&ecirc;s e cinco anos foi testado e a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica    de todos foi observada e registrada em v&iacute;deo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Tendo como refer&ecirc;ncia a literatura revisada, o presente trabalho objetiva    investigar a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica de uma amostra de crian&ccedil;as    e adolescentes da cidade de Vit&oacute;ria, a partir do relato dos participantes    sobre a pr&aacute;tica de seus jogos preferidos. Objetiva-se, ainda, investigar    a influ&ecirc;ncia de vari&aacute;veis como idade e g&ecirc;nero na prefer&ecirc;ncia    l&uacute;dica dos referidos participantes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Participaram da pesquisa 100 crian&ccedil;as e adolescentes, entre seis e 14    anos, sendo 50 meninas e 50 meninos, alunos de duas escolas particulares da    Grande Vit&oacute;ria &#8211; ES, distribu&iacute;dos de acordo com a tabela    1:</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Tabela 1. Distribui&ccedil;&atilde;o    et&aacute;ria dos sujeitos que participaram da primeira etapa da pesquisa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ptp/v7n2/2a04t1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Foram realizadas    entrevistas individuais, de acordo com o m&eacute;todo cl&iacute;nico-cr&iacute;tico    de Piaget (1926/s/d), a partir do roteiro de entrevista abaixo:</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Quadro 1. Roteiro    de entrevista utilizado na coleta de dados</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/2a04q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">As entrevistas foram    realizadas pela pesquisadora e aconteceram nas depend&ecirc;ncias das escolas    dos participantes durante o hor&aacute;rio de aula. Os participantes foram entrevistados    individualmente, em salas com bom isolamento ac&uacute;stico. Todas as entrevistas    foram gravadas em fitas K-7 e posteriormente transcritas para an&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>Resultados e    discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Durante a entrevista sobre a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica, quase a unanimidade    dos sujeitos respondeu que gosta de jogar. Quando perguntados sobre os jogos    que mais gostavam os sujeitos responderam preferir uma variedade muito grande    de jogos, como pode ser observado na Tabela 2:</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Tabela 2 . Rela&ccedil;&atilde;o    dos principais jogos preferidos pelos sujeitos da amostra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>        <p align="center"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/2a04t2.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Assim, os jogos    mais citados foram &#8220;futebol&#8221; (19&#37;), &#8220;v&ocirc;lei&#8221;    (8%) e &#8220;basquete&#8221; (7%), sendo que enquanto &#8220;futebol&#8221;    aparece como o jogo mais preferido pelos meninos, &#8220;v&ocirc;lei&#8221;    e &#8220;basquete&#8221; s&atilde;o mais preferidos pelas meninas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Tendo em vista a enorme quantidade de jogos citados pelos sujeitos, buscou-se    agrupar os jogos mencionados de acordo com a classifica&ccedil;&atilde;o proposta    por Ruiz (1992). Assim, em primeiro lugar, meninas e meninos preferem jogos    de regras em espa&ccedil;os abertos. Em segundo lugar, os meninos preferem jogos    de a&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nicos e as meninas preferem jogos de regras    em espa&ccedil;os fechados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Vale ressaltar que, para Ruiz (1992), os jogos eletr&ocirc;nicos s&atilde;o    classificados como jogos de a&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o como jogos de regras,    pois, para a autora, o que predomina nesse tipo de jogo &eacute; o aspecto motor    e a destreza, e as per&iacute;cias manual e visual. Como esta foi uma classifica&ccedil;&atilde;o    proposta j&aacute; h&aacute; mais de uma d&eacute;cada e observando-se que,    cada vez mais, os jogos eletr&ocirc;nicos t&ecirc;m se sofisticado em sua estrutura,    talvez fosse o caso de propor uma revis&atilde;o da teoria em quest&atilde;o    &#8211; o que n&atilde;o &eacute; o objetivo do presente trabalho &#8211; com    a finalidade de proporcionar o <i>status</i> devido ao fen&ocirc;meno da prolifera&ccedil;&atilde;o    dos jogos eletr&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Chama a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m a baixa incid&ecirc;ncia de escolha    de jogos simb&oacute;licos como preferidos, mesmo entre os sujeitos de seis    e oito anos. Segundo a teoria proposta por Piaget (1946/1978), os jogos simb&oacute;licos    seriam mais caracter&iacute;sticos do est&aacute;gio pr&eacute;-operat&oacute;rio    (por volta de dois a sete anos) e os jogos de regras, por sua vez, seriam mais    presentes a partir do per&iacute;odo operat&oacute;rio concreto (que se inicia    por volta de sete anos) em diante. No entanto, a escolha de determinado jogo    de regras como preferido n&atilde;o implica necessariamente que esse jogo seja    praticado como um jogo de regras. Assim, um determinado jogo de regras de mesa    pode ser preferido por um sujeito de seis anos, mas este pode jog&aacute;-lo    como se fosse um jogo simb&oacute;lico, ou seja, mudando as regras, construindo    novas regras etc.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Tamb&eacute;m foram investigados os tipos de jogos preferidos pelos sujeitos,    de acordo com as diferentes faixas et&aacute;rias estudadas, e constatou-se    que, enquanto os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos s&atilde;o cada vez    mais preferidos &agrave; medida que aumenta a idade/s&eacute;rie, os jogos de    a&ccedil;&atilde;o e simb&oacute;licos apenas aparecem nas s&eacute;ries iniciais    e desaparecem nas seguintes. Essa evolu&ccedil;&atilde;o da prefer&ecirc;ncia    pelos tipos de jogos parece estar de acordo com a teoria proposta por Piaget    (1946/1978).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Solicitou-se ainda aos participantes que dissessem por que preferiam o jogo    em quest&atilde;o. Alguns sujeitos mencionaram mais de uma raz&atilde;o, o que    justifica o total de respostas maior do que o de participantes, como pode ser    observado na tabela 3. A an&aacute;lise dos dados contidos nessa tabela permite    constatar que os sujeitos preferem seus jogos favoritos principalmente por estes    serem &#8220;divertidos/legais&#8221; ou por &#8220;caracter&iacute;sticas intr&iacute;nsecas    ao pr&oacute;prio jogo&#8221;, como a quantidade de pe&ccedil;as ou o fato de    poder fazer determinados movimentos no jogo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Observa-se que respostas do tipo &#8220;divertido/legal&#8221; aparecem como    as mais citadas, enquanto a &#8220;competi&ccedil;&atilde;o&#8221; s&oacute;    aparece em oitavo lugar em rela&ccedil;&atilde;o ao jogo preferido. Esse dado    pode indicar que os jogos que s&atilde;o preferidos, o s&atilde;o muito mais    por seu car&aacute;ter l&uacute;dico e de divertimento do que por qualquer caracter&iacute;stica    ligada &agrave; competi&ccedil;&atilde;o ou &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o    de vencer.</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Tabela 3. Respostas    &agrave; pergunta &#8220;por que voc&ecirc; gosta do seu jogo preferido?&#8221;    dos sujeitos da amostra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/2a04t3.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Foi solicitado tamb&eacute;m aos participantes que contassem como se joga o    jogo que eles escolheram como preferidos. Na verdade, essa pergunta foi feita    com o objetivo de, indiretamente, inferir o conhecimento dos sujeitos em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s regras dos seus jogos preferidos. As respostas encontradas foram basicamente    de tr&ecirc;s tipos: em 55% das respostas, podem-se encontrar descri&ccedil;&otilde;es    pormenorizadas da pr&aacute;tica do jogo preferido, incluindo regras e objetivos.    Um exemplo de resposta desse tipo segue-se abaixo: </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">    <blockquote>THI (12a 8m, 6&ordf;;  s&eacute;rie, masculino) &#8220;Futebol tem as regras...    Voc&ecirc; tem que ver quem vai ficar com a bola... Toca pra c&aacute;, toca    pra l&aacute;, voc&ecirc; tem que correr atr&aacute;s da bola... Qualquer tipo    de agress&atilde;o f&iacute;sica ou psicol&oacute;gica voc&ecirc; pode tomar    cart&atilde;o. Cart&atilde;o amarelo; se voc&ecirc; levar outro amarelo voc&ecirc;    &eacute; expulso... Se voc&ecirc; levar vermelho &eacute; expulso logo... O    objetivo &eacute; fazer gol...&#8221;</blockquote></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Por outro lado, 28&#37; dos participantes forneceram descri&ccedil;&otilde;es amplas    de alguns aspectos envolvidos na pr&aacute;tica do jogo; citaram algumas regras    gerais, sem, no entanto, serem citados os objetivos do mesmo, como por exemplo,</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">    <blockquote>BRU  (8&ordf;, 2&ordf; s&eacute;rie, feminino) &#8220;Voc&ecirc; pega a bola e vai quicando...  Voc&ecirc; tenta jogar v&aacute;rias vezes na cesta. Quica e tenta jogar... Eu  n&atilde;o sei como se ganha o jogo...&#8221;</blockquote></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Em um terceiro tipo de resposta, 6% dos sujeitos entrevistados apenas enunciaram    o objetivo do jogo, sem comentar, no entanto, as regras e estrat&eacute;gias    necess&aacute;rias para atingir esse objetivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">&Eacute; interessante observar  que 3&#37; dos sujeitos entrevistados disseram n&atilde;o    saber explicar/jogar o jogo preferido e 8% dos sujeitos deram respostas que    n&atilde;o puderam ser inclu&iacute;das em nenhuma das categorias acima.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Observou-se que as respostas se apresentam distribu&iacute;das, de uma maneira    geral, de forma equilibrada entre as diferentes idades/s&eacute;ries, com destaque    para a categoria &#8220;enuncia regras e objetivos&quot; que se mant&ecirc;m    quase sempre como a mais presente nas diferentes faixas et&aacute;rias, o que    demonstra que, em linhas gerais, os sujeitos parecem conhecer as regras de seus    jogos favoritos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Tamb&eacute;m foi feita uma pergunta sobre o que &eacute; necess&aacute;rio    para jogar o jogo preferido, com possibilidade de dar respostas m&uacute;ltiplas,    o que explica o n&uacute;mero maior de respostas do que o de participantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">A Tabela 4 mostra que &eacute; poss&iacute;vel distinguir claramente alguns    tipos de resposta &agrave; pergunta em quest&atilde;o, sobre o que &eacute;    necess&aacute;rio para jogar o jogo preferido. De fato, ocorreram 87 cita&ccedil;&otilde;es    de &#8220;objetos inerentes ao jogo&#8221;, do tipo pe&ccedil;as, tabuleiro,    jogadores, uniformes etc., ou seja, a parte material necess&aacute;ria &agrave;    pr&aacute;tica do mesmo. Em segundo lugar, s&atilde;o necess&aacute;rios &#8220;atributos    psicol&oacute;gicos&#8221; (50 cita&ccedil;&otilde;es) como aten&ccedil;&atilde;o,    calma, racioc&iacute;nio etc., ou &#8220;atributos f&iacute;sicos&#8221; (27    cita&ccedil;&otilde;es) como estatura f&iacute;sica, for&ccedil;a, destreza    etc. Aparecem tamb&eacute;m as categorias &#8220;parceiros/companheiros&#8221;    (14 cita&ccedil;&otilde;es) e &#8220;tempo/espa&ccedil;o&#8221; (seis cita&ccedil;&otilde;es).</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Tabela 4. O que    &eacute; preciso para jogar o jogo preferido, segundo os meninos e meninas da    amostra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/2a04t4.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Assim, constatou-se que enquanto a categoria &#8220;objetos inerentes ao jogo&#8221;    tende a se tornar muito menos freq&uuml;ente &agrave; medida que aumenta a idade/s&eacute;rie,    a categoria &#8220;atributos psicol&oacute;gicos&#8221; tende a se tornar cada    vez mais freq&uuml;ente. Esse fato parece indicar que, &agrave; medida que v&atilde;o    ficando mais velhos, os sujeitos tendem a priorizar em seus jogos preferidos    aspectos mais subjetivos e internos, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; predomin&acirc;ncia    de aspectos materiais e externos entre os sujeitos mais novos. Essa tend&ecirc;ncia    nos tipos de respostas parece estar bastante de acordo com o que prop&otilde;e    Piaget (1946/1978) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s etapas do desenvolvimento    cognitivo, como j&aacute; discutido acima.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Uma outra pergunta feita aos sujeitos foi sobre com quem eles costumam jogar    o jogo preferido. Observou-se que os parceiros de jogo mais citados foram os    &#8220;pais/irm&atilde;os/parentes&#8221; (28&#37;), os &#8220;colegas da escola&#8221;    (25%) e os &#8220;amigos de onde se mora&#8221; (19&#37;). Um detalhe interessante    &eacute; que os professores (nem mesmo os de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica)    nunca aparecem como parceiros de jogo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">No entanto, pode-se tamb&eacute;m observar que, &agrave; medida que a idade/s&eacute;rie    aumenta, a categoria &#8220;pais/irm&atilde;os/parentes&#8221; vai se tornando    menos freq&uuml;ente, at&eacute; desaparecer por completo na oitava s&eacute;rie.    Assim, os membros da fam&iacute;lia v&atilde;o sendo substitu&iacute;dos pelos    amigos nas atividades l&uacute;dicas, &agrave; medida que as crian&ccedil;as    v&atilde;o se tornando adolescentes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Tamb&eacute;m foi solicitado aos participantes que se relatasse qual o lugar    em que mais praticavam seus jogos preferidos. Observou-se que o espa&ccedil;o    protegido da casa, das quadras e campos dos condom&iacute;nios &eacute;, freq&uuml;entemente,    o lugar onde mais se joga (51&#37;). A quadra da escola tamb&eacute;m aparece (22&#37;),    mas quase que somente relacionada &agrave;s aulas de educa&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica. Os clubes, academias e escolinhas espec&iacute;ficas tamb&eacute;m    foram citados por 10% dos sujeitos. Parece importante assinalar que ainda h&aacute;    aqueles que moram em casas e que brincam na rua com os vizinhos, principalmente    &agrave; noite (8&#37;).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Analisando os mesmos dados  em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferentes faixas    et&aacute;rias dos sujeitos, &eacute; poss&iacute;vel perceber que enquanto    a categoria &#8220;em casa&#8221; vai se tornando cada vez menos freq&uuml;ente    como lugar da pr&aacute;tica do jogo preferido, as categorias &#8220;na escola&#8221;    e &#8220;na casa de amigos/parentes&#8221; v&atilde;o se tornando cada vez mais    freq&uuml;entes, &agrave; medida que a idade/s&eacute;rie aumenta. Essas respostas    tamb&eacute;m parecem estar de acordo com o anteriormente discutido a respeito    dos companheiros de jogo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Perguntou-se tamb&eacute;m aos participantes com que freq&uuml;&ecirc;ncia jogavam    o seu jogo favorito, a fim de verificar a hip&oacute;tese inicial de que a escolha    do jogo preferido estaria relacionada &agrave; pr&aacute;tica constante do mesmo.    Assim, pode-se constatar que os jogos preferidos em geral s&atilde;o praticados    uma (20&#37;) ou duas vezes (19&#37;) por semana, principalmente nos fins de semana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Observou-se ainda que as freq&uuml;&ecirc;ncias da pr&aacute;tica do jogo preferido    encontram-se distribu&iacute;das de uma maneira relativamente uniforme nas diferentes    faixas et&aacute;rias e que h&aacute; sempre o predom&iacute;nio da freq&uuml;&ecirc;ncia    de uma ou duas vezes por semana da pr&aacute;tica desses jogos. Assim, pode-se    inferir que, para a m&eacute;dia dos sujeitos, os jogos preferidos s&atilde;o    praticados uma ou duas vezes por semana, geralmente nos fins de semana, o que    determina uma pr&aacute;tica regular, ainda que n&atilde;o t&atilde;o intensa.    Esse panorama parece confirmar em parte a hip&oacute;tese de que a freq&uuml;&ecirc;ncia    da pr&aacute;tica do jogo preferido &eacute; uma vari&aacute;vel importante    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; determina&ccedil;&atilde;o da prefer&ecirc;ncia    l&uacute;dica dos sujeitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Uma outra pergunta feita aos sujeitos foi sobre os jogos que eles menos gostavam.    A tabula&ccedil;&atilde;o das respostas mostrou que os jogos menos preferidos    s&atilde;o &#8220;futebol&#8221;, &#8220;basquete&#8221; e &#8220;v&ocirc;lei&#8221;,    ou seja, exatamente os mesmos tr&ecirc;s jogos de regras em espa&ccedil;os abertos    que foram os mais escolhidos como preferidos pelos sujeitos da amostra. A diferen&ccedil;a    parece estar em quem escolhe qual jogo como preferido. De fato, o jogo mais    rejeitado pelas meninas foi o &#8220;futebol&#8221; e os mais rejeitados por    meninos foram &#8220;basquete&#8221; e &#8220;v&ocirc;lei&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Contudo, pode-se constatar que os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos    s&atilde;o o tipo de jogo menos preferido, seguido pelos jogos de regras em    espa&ccedil;os fechados (de mesa). Dessa maneira, conclui-se que a categoria    dos jogos de regras &eacute;, ao mesmo tempo, a mais preferida e a menos preferida    dos sujeitos entrevistados. Uma poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o para    esse fato talvez se encontre nas respostas dadas por alguns sujeitos que escolheram    jogos de a&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nicos como menos preferidos e justificaram    dizendo que j&aacute; haviam jogado tanto os referidos jogos que haviam &#8220;enjoado&#8221;    dos mesmos. Se for assim, muitos jogos menos preferidos de hoje podem ter sido    jogos preferidos de ontem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Uma outra hip&oacute;tese refere-se a uma oposi&ccedil;&atilde;o relacionada    a comportamentos estereotipados relacionados ao g&ecirc;nero, ou seja, meninas,    por exemplo, que escolheram o &#8220;v&ocirc;lei&#8221; como jogo preferido,    freq&uuml;entemente escolheram o &#8220;futebol&#8221; como jogo menos preferido,    justificando que este &eacute; &#8220;jogo de menino&#8221;, &#8220;muito violento&#8221;    etc.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Dessa maneira, pode-se observar que, enquanto os jogos de regras em espa&ccedil;os    abertos v&atilde;o sendo mais escolhidos como menos preferidos, os jogos de    regras em espa&ccedil;os fechados v&atilde;o sendo menos escolhidos como menos    preferidos &agrave; medida que a idade/s&eacute;rie aumenta. Ou seja, a rejei&ccedil;&atilde;o    aos jogos de mesa parece ficar menor &agrave; medida que aumenta a idade dos    sujeitos. N&atilde;o foi poss&iacute;vel, at&eacute; o momento, formular uma    hip&oacute;tese para tentar explicar tais condutas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Em seguida, foi solicitado aos participantes que dissessem por que haviam escolhido    tais jogos como menos preferidos. Tamb&eacute;m com a possibilidade de dar respostas    m&uacute;ltiplas, o que explica o n&uacute;mero maior de respostas do que o    de participantes. Assim, as categorias &#8220;&eacute; muito chato/enjoado/mon&oacute;tono/demorado&#8221;    (26 cita&ccedil;&otilde;es) e &#8220;n&atilde;o tem a habilidade/for&ccedil;a    necess&aacute;ria&#8221; (20 cita&ccedil;&otilde;es) foram as mais citadas,    ou seja, pode-se inferir que um n&uacute;mero consider&aacute;vel de sujeitos    n&atilde;o gosta dos jogos que escolheu como menos preferidos por julgar que    n&atilde;o tem a habilidade e/ou a for&ccedil;a para jogar bem determinado jogo.    Dessa maneira, j&aacute; que n&atilde;o d&aacute; para jogar bem, o jogo &eacute;    escolhido como menos preferido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Outras categorias que tamb&eacute;m apareceram foram &#8220;&eacute; muito violento/machuca&#8221;    (17 cita&ccedil;&otilde;es), &#8220;&eacute; muito dif&iacute;cil&#8221; (seis    cita&ccedil;&otilde;es). &Eacute; interessante ressaltar que muitos sujeitos    (13 cita&ccedil;&otilde;es) n&atilde;o sabiam ou n&atilde;o lembravam porque    n&atilde;o gostavam do jogo menos favorito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Por &uacute;ltimo,    foi proposto um cruzamento dos dados referentes aos jogos mais preferidos com    aqueles dos jogos menos preferidos pelos sujeitos da amostra, com o objetivo    de verificar a hip&oacute;tese de associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis,    por meio do teste estat&iacute;stico <i>tau</i> de Goodman e Kruskal (AGRESTI, 1990)  <sup><a name="3"></a><a href="#end" title="3">3</a></sup>. Esse cruzamento pareceu    relevante quando se observou o dado curioso dos mesmos tipos de jogos aparecerem    freq&uuml;entemente como mais e menos preferidos pelos sujeitos. De fato, em    um primeiro momento, imaginou-se que a maioria dos pares de jogos mais e menos    preferidos para cada sujeito seria formada por tipos de jogos diferentes ou    antag&ocirc;nicos. Nesse caso, seriam obtidas respostas do tipo &#8220;sujeito    &#8216;a&#8217; prefere determinado jogo de regras em espa&ccedil;os abertos    e menos prefere determinado jogo de a&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nico&#8221;,    o que nem sempre ocorreu. Os resultados dos cruzamentos em quest&atilde;o encontram-se    na tabela 5. Assim, nesta tabela , se analisarmos a vari&aacute;vel &#8220;jogo    preferido&#8221; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vari&aacute;vel &#8220;jogo    menos preferido&#8221;, temos uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre    as vari&aacute;veis (p &lt; 0,0001), com valor moderado (<i>tau</i> = 0,510). Por outro    lado, quando analisamos a vari&aacute;vel &#8220;jogo menos preferido&#8221;    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vari&aacute;vel &#8220;jogo preferido&#8221;,    tamb&eacute;m temos uma associa&ccedil;&atilde;o significativa e moderada entre    as vari&aacute;veis (p &lt; 0,0001 e <i>tau</i> = 0,488). Isso quer dizer que saber    qual o jogo preferido do total da amostra dos sujeitos ajuda em cerca de 50&#37;    para saber qual o jogo menos preferido dessa mesma amostra e vice-versa.</font></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b>Tabela 5. Associa&ccedil;&atilde;o    dos jogos preferidos com os jogos menos preferidos dos sujeitos da amostra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/2a04t5.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Dessa maneira, pode-se    observar que, para 41 sujeitos da amostra, os jogos de regras em espa&ccedil;os    abertos s&atilde;o os mais preferidos e os menos preferidos. Um exemplo de resposta    t&iacute;pica encontrada na amostra, sobretudo entre as meninas, &eacute; a    resposta de ROB (10 a, 4&ordf; s&eacute;rie) que escolheu como jogo preferido    o &#8220;v&ocirc;lei&#8221;, que &eacute; um jogo de regras em espa&ccedil;o    aberto, e como jogo que menos gosta o &#8220;futebol&#8221;, que &eacute; igualmente    um jogo de regras em espa&ccedil;o aberto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">J&aacute; para 17 sujeitos da amostra os jogos de regras em espa&ccedil;os fechados    foram escolhidos ao mesmo tempo como jogos mais preferidos e menos preferidos.    Um exemplo &eacute; a prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica de BAR (oito a e 9 m,    2&ordf; s&eacute;rie) que escolheu como preferido o jogo de regras em espa&ccedil;os    fechados &#8220;jogo da velha&#8221; e afirmou que o jogo que menos gosta &eacute;    o &#8220;baralho&#8221;, que tamb&eacute;m &eacute; um jogo de regras em espa&ccedil;os    fechados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Finalmente, para 16 sujeitos da amostra, os jogos de a&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nicos    s&atilde;o ao mesmo tempo os mais preferidos e os menos preferidos. Um exemplo    desse tipo de prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica aparece nas respostas dadas por    MAI (10 a e 10 m, 4&ordf; s&eacute;rie) que escolheu como preferido o jogo de a&ccedil;&atilde;o    eletr&ocirc;nico &#8220;<i>The Syms</i>&#8221; e como jogo que menos gosta um outro    jogo de a&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nico chamado &#8220;<i>Doom</i>&#8221;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Assim, esse cruzamento de dados demonstra que, surpreendentemente, muitos sujeitos    da amostra escolheram o mesmo tipo de jogo como preferido e menos preferido.    Tais resultados talvez apontem para o fato de que um determinado jogo pode ter-se    tornado menos preferido ap&oacute;s ter sido jogado at&eacute; a exaust&atilde;o,    o que indicaria uma outra implica&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica freq&uuml;ente    de um jogo. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel supor que os jogos mais preferidos    e menos preferidos apresentem diferen&ccedil;as significativas em termos de    caracter&iacute;sticas e regras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Dessa maneira, pode-se concluir que os jogos de regras dominaram o panorama    da contextualiza&ccedil;&atilde;o dos jogos mais e menos preferidos. Esse resultado    parece estar de acordo com a teoria proposta por Piaget (1946/1978) que afirma    que a prefer&ecirc;ncia por tipos diferentes de jogos est&aacute; relacionada    aos diferentes n&iacute;veis de desenvolvimento cognitivo. Assim, jogos de regras    seriam tipicamente preferidos por sujeitos cujo desenvolvimento cognitivo j&aacute;    tenha alcan&ccedil;ado o n&iacute;vel operat&oacute;rio (aproximadamente a partir    dos sete anos em diante), no qual provavelmente se encontra a grande maioria    dos sujeitos entrevistados na presente pesquisa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Os dados apresentados e discutidos acima mostraram que os jogos preferidos s&atilde;o    jogados principalmente em casa (no caso dos participantes que moram em apartamentos,    em &aacute;reas como quadras e <i>playground</i>), com irm&atilde;os e/ou amigos da    escola, uma ou duas vezes por semana. O fato dos adultos raramente serem citados    como companheiros de jogo e dos professores nunca serem mencionados nessa fun&ccedil;&atilde;o    merece uma reflex&atilde;o. De fato, parece que a l&oacute;gica da separa&ccedil;&atilde;o    entre o mundo adulto (relacionado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de bens, ao    trabalho) e o mundo infantil (relacionado ao prazer e ao divertimento) continua    muito presente nos dias atuais. Este fato parece ser agravado, por um lado,    pela dificuldade crescente dos pais de obter tempo para ficar com os filhos    e, por outro, pela dificuldade hist&oacute;rica que as atividades l&uacute;dicas    t&ecirc;m enfrentado para se inserirem no cotidiano da vida escolar como um    todo e n&atilde;o apenas nas aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Constatou-se tamb&eacute;m que  os jogos preferidos por meninas e meninos s&atilde;o,    sobretudo, os jogos de regras, e dentre esses, a maioria dos sujeitos prefere    os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos, ainda que a escolha de um jogo    preferido nem sempre esteja relacionada &agrave; pr&aacute;tica freq&uuml;ente    do mesmo ou ao dom&iacute;nio pleno de suas regras e estrat&eacute;gias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Os jogos e brincadeiras s&atilde;o preferidos muito mais pelo divertimento que    podem proporcionar, ou seja, pelas caracter&iacute;sticas de ludicidade pr&oacute;prias    dos mesmos, do que por caracter&iacute;sticas relacionadas &agrave; competi&ccedil;&atilde;o,    por exemplo. Esse dado chama a aten&ccedil;&atilde;o em uma &eacute;poca onde    h&aacute; tamanha &ecirc;nfase dos aspectos competitivos em todas as esferas    da vida. Parece que, no caso da prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica, a escolha continua    sendo mais pautada na possibilidade de divertimento e prazer que pode advir    da pr&aacute;tica de determinado jogo ou brincadeira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Por fim, os resultados apresentados e discutidos acima permitem concluir que,    de uma maneira geral, jogos, brinquedos e brincadeiras continuam bastante presentes    na rotina di&aacute;ria das crian&ccedil;as e adolescentes entrevistados, com    destaque para os jogos de regras em espa&ccedil;os abertos e para os jogos eletr&ocirc;nicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">AGRESTI, A. <b>Categorical data analysis</b>. New York: John Wiley &amp; Sons, 1990.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201844&pid=S1516-3687200500020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">BONAMIGO, L. de R.; KOLLER, S. H. Opini&atilde;o de crian&ccedil;as quanto &agrave;    influ&ecirc;ncia da estereotipia sexual nos brinquedos. <b>Estudos de Psicologia</b>,v. 10, n. 2, p. 21-40, 1993.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201845&pid=S1516-3687200500020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">BUCHMAN, D. D.; FUNK, J. B.. Video and computer games in the '90s: children's    time commitment and game preference. <b>Children Today</b>. v. 24, n. 1, p. 12-15,    1996.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201846&pid=S1516-3687200500020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">CAMPOS, L. F. DE L.; YUKUMITSU, M. T. C.; FONTEALBA, L. H.; BOMTEMPO, E. Videogame:    um estudo sobre as prefer&ecirc;ncias de um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes.    <b>Estudos de Psicologia</b>. v. 11, n. 3, p. 65-72, 1994.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201847&pid=S1516-3687200500020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">CARVALHO, A.; BERALDO, K.; SANTOS, F.; ORTEGA, R. Brincadeira de menino, brincadeira    de menina. <b>Psicologia, Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o</b>, v. 13, n. 1, 2,3 e    4, p. 30-33, 1993.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201848&pid=S1516-3687200500020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. (Org.). <b>Desenvolvimento psicol&oacute;gico    e educa&ccedil;&atilde;o - Psicologia evolutiva</b>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas,    1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201849&pid=S1516-3687200500020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">DAUDT, P. R.; SPERB, T. M.; GOMES, W. B.. As concep&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as    sobre o brincar. <b>Psicologia, Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica</b>, v. 5, n. 2, p.    91-98, 1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201850&pid=S1516-3687200500020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">DENEGRI, M.; LINAZA, J. L. <b>Los juegos de reglas: estudio descriptivo de sus    manifestaciones em ni&ntilde;os urbanos y rurales de la region de la Araucania    &#8211; Chile</b>. Manuscrito n&atilde;o-publicado. Univesidad de la Frontera, Chile,    s/d.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201851&pid=S1516-3687200500020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">FROST, J. L. <b>Play and playscapes</b>. New York: Delmar Publishers Inc., 1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201852&pid=S1516-3687200500020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">MERGEN, B. Ninety-five years of historical change in the game preference of    american children. <b>Play and Culture</b>, v. 4, p. 272-283, 1991.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201853&pid=S1516-3687200500020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">ORTEGA, A. C.; CAVARRA, C. C.; ROSA, L. I. da; SACCHI, R. A.; ABREU, S. N. de;    ZANOTTI, S. V. <b>Tipifica&ccedil;&atilde;o e estereotipia da prefer&ecirc;ncia    l&uacute;dica: aspectos psicogen&eacute;ticos e psicossexuais</b>. Manuscrito n&atilde;o-publicado,    Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, Vit&oacute;ria, 1999.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201854&pid=S1516-3687200500020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">PIAGET, J. <b>A representa&ccedil;&atilde;o do mundo na crian&ccedil;a</b>. Rio de    Janeiro: Record, s/d. (Originalmente publicado em 1926).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201855&pid=S1516-3687200500020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">PIAGET, J. <b>A forma&ccedil;&atilde;o do s&iacute;mbolo na crian&ccedil;a</b>. Rio    de Janeiro: Zahar, 1978. (Originalmente publicado em 1946).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201856&pid=S1516-3687200500020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">RUIZ, R. O. <b>El juego infantil y la construcci&oacute;n social del conocimiento</b>.    Sevilha: Alfar, 1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201857&pid=S1516-3687200500020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">SARACHO, O. N. The relationship of preschool children's cognitive style to their    play preferences. <b>Early Child Development and Care</b>. v. 97, p. 21-33, 1994.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2201858&pid=S1516-3687200500020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2><B><a name="end"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ptp/v7n2/seta.gif">Endereço    para correspondência </A></B></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2">Claudia Broetto Rossetti    <br>   UFES &#8211; Depto. de Psicologia &#8211; Cemuni VI    <br>   Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras    <br>   29075-910 &#8211; Vit&oacute;ria &#8211; ES    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Telefax: 27-3335-2504    <br>   <a href="mailto:cbroetto@npd.ufes.br">cbroetto@npd.ufes.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><b><i>Tramita&ccedil;&atilde;o:</i></b>    <br>   Recebido em: 01/03/2005    <br>   Aceito em: 29/06/2005</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><SUP><a name="1"></a><a href="#1">1</a></sup> Artigo    derivado da Tese de Doutorado intitulada &quot;Prefer&ecirc;ncia l&uacute;dica    e jogos de regras: um estudo com crian&ccedil;as e adolescentes entre seis e    quatorze anos&quot;, defendida pela primeira autora, sob orienta&ccedil;&atilde;o    da segunda autora, no Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o    Paulo em Novembro de 2001, com aux&iacute;lio da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo    &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo - FAPESP.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><SUP><a name="2"></a><a href="#2">2</a></sup> Segundo Coll, Pal&aacute;cios e Marchesi (1995) o termo metacogni&ccedil;&atilde;o    apresenta-se muitas vezes de uma maneira muito ampla e amb&iacute;gua. Por um    lado, pode referir-se ao conhecimento que o indiv&iacute;duo pode alcan&ccedil;ar    sobre seus pr&oacute;prios processos mentais e por outro, ao efeito que esse    conhecimento exercer&aacute; sobre suas condutas. Na pesquisa relatada, os autores    parecem utilizar o termo mais de acordo com o primeiro significado proposto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"size="2"><SUP><a name="3"></a><a href="#3">3</a></sup> O teste estat&iacute;stico <i>tau</i> busca inferior o valor de uma medida de associa&ccedil;&atilde;o  entre duas vari&aacute;veis, onde os valores de tau se situam entre 0 (zero) e  1 (um). Valores pequenos de <i>tau</i> (pr&oacute;ximos de zero) significam associa&ccedil;&atilde;o  fraca entre as variaveis, entretanto valores altos (pr&oacute;ximos de 1), significam  associa&ccedil;&atilde;o forte. No reste de signific&acirc;ncia da associa&ccedil;&atilde;o  foi adotado um n&iacute;vel de 5% de signific&acirc;ncia (p = 0,05).</font></p>     ]]></body>
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