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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Entrevista com Colette Soler</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colette Soler interviewed by Dominique Fingermann</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Dominique Fingermann<sup><a name="1"></a><a href="#1a">*</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O desejo em quest&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por ocasi&atilde;o do XIV Encontro Nacional da EPFCL-Brasil &ndash; <i>A causa do desejo e suas err&acirc;ncias, a Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica</i> (coordenada por Angela Mucida) solicitou a Dominique Fingermann que realizasse uma entrevista com Colette Soler sobre o tema do Encontro Nacional. A entrevista foi publicada parcialmente no jornal <i>O Estado de Minas</i>, e aqui a apresentamos na &iacute;ntegra.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O desejo est&aacute; no &acirc;mago da descoberta do inconsciente e da Psican&aacute;lise... O desejo &eacute; a primeira palavra; seria ele a &uacute;ltima palavra do inconsciente e da Psican&aacute;lise?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: &Eacute; simples: no princ&iacute;pio da Psican&aacute;lise, o desejo foi a primeira e a &uacute;nica palavra da interpreta&ccedil;&atilde;o freudiana. No fim, com Lacan, ele permanece, mas n&atilde;o mais sozinho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>A Psican&aacute;lise, a Filosofia e a Publicidade tamb&eacute;m partem do princ&iacute;pio de que o desejo procede da falta. &Eacute; poss&iacute;vel, contudo, separar o desejo do gozo e da satisfa&ccedil;&atilde;o?</i></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: O gozo e a satisfa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito diferentes. O primeiro sup&otilde;e o corpo; o segunda &eacute; um fen&ocirc;meno do sujeito que tem esse corpo. O gozo, muito frequentemente, n&atilde;o satisfaz; ele tem mesmo, muitas vezes, um parentesco com a dor &ndash; desarm&ocirc;nica e insatisfat&oacute;ria &ndash;, e isso porque ele n&atilde;o faz la&ccedil;o com o Outro, ele separa mesmo. Quanto ao desejo, ele &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, insatisfeito, falta-degozar, j&aacute; que sua causa &eacute; aquilo que Freud chamava de objeto originariamente perdido, e Lacan, de objeto <i>a</i> &ndash; enquanto ele falta. &Eacute; poss&iacute;vel, por&eacute;m, o que &eacute; algo complexo, gozar da falta-de-gozar &ndash; esta &eacute; uma das f&oacute;rmulas do masoquismo dadas por Lacan.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O complexo de &Eacute;dipo, no princ&iacute;pio do desejo inconsciente &ndash; t&atilde;o contestado nos anos 1970 &ndash; permanece atual? Ele corresponde &agrave;s novas configura&ccedil;&otilde;es familiares contempor&acirc;neas?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: N&atilde;o. O complexo de &Eacute;dipo, tal como Freud o introduziu, n&atilde;o &eacute; mais atual, &eacute; apenas uma historinha, como diz Lacan. Digamos que ele seja o romance familiar da Psican&aacute;lise. Muito cedo, Lacan promoveu n&atilde;o um anti&Eacute;dipo, mas um "mais al&eacute;m do &Eacute;dipo", que n&atilde;o o contestava, mas que o repensava, sem sacrificar a quest&atilde;o crucial, que era saber o que, para os falantes, funciona como princ&iacute;pio de orienta&ccedil;&atilde;o da libido e, portanto, de seus poss&iacute;veis la&ccedil;os sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pois &eacute; preciso compreender bem que, por defini&ccedil;&atilde;o, o desejo que se funda a partir de uma falta estrutural &ndash; efeito de linguagem &ndash; &eacute; orientado para o gozo. Ele visa a um gozo que o fixe sem, todavia, estanc&aacute;-lo. &Eacute; preciso acabar com a oposi&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria "desejo&#47;gozo". Com certeza, &eacute; poss&iacute;vel gozar sem desejar, e at&eacute; mesmo desejar sem gozar (a n&atilde;o ser que se trate de simples gozo da falta); todo desejo, por&eacute;m, vai na dire&ccedil;&atilde;o de um complemento de sua falta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser&aacute; que estamos percebendo que quando postulamos "n&atilde;o h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o sexual", que repetimos com tanta frequ&ecirc;ncia, recusamos de fato o universal da fun&ccedil;&atilde;o paterna no que diz respeito &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o dos desejos sexuados?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa constata&ccedil;&atilde;o recusa particularmente a met&aacute;fora do pai, que o pr&oacute;prio Lacan produziu. Desenvolvi esse tema h&aacute; bastante tempo e retomei-o em meu livro <i>Lacan, o inconsciente reinventado</i> (Cia de Freud, 2012). Com essa met&aacute;fora, Lacan fazia explicitamente do Pai um significante que, no Outro, era o significante do Outro, da lei do Outro. Rapidamente, por&eacute;m, ele concluiu, &agrave;s avessas, que "n&atilde;o h&aacute; Outro do Outro" &ndash; o Outro &eacute; barrado e n&atilde;o responde sobre a quest&atilde;o do gozo. Donde a quest&atilde;o de saber o que &eacute; que preside, para cada um, as vias de seu pr&oacute;prio desejo. Pode ser o modelo paterno, mas trata-se, ent&atilde;o, apenas de uma solu&ccedil;&atilde;o entre outras poss&iacute;veis &ndash; donde a f&oacute;rmula que diz que a fun&ccedil;&atilde;o do Pai &eacute; uma vers&atilde;o de sintoma: <i>p&egrave;re version &#91;pai-vers&atilde;o&#47;pervers&atilde;o&#93;</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais geralmente, a fantasia &eacute; uma montagem pela qual o desejo se articula com o objeto <i>a</i>, sem passar necessariamente pelo modelo da fun&ccedil;&atilde;o paterna, e a meton&iacute;mia que vale para o desejo &eacute; tanto meton&iacute;mia do mais-gozar quanto meton&iacute;mia da falta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste ponto, Lacan, com seu mais al&eacute;m do &Eacute;dipo, antecipou, e de forma impressionante, as evolu&ccedil;&otilde;es do s&eacute;culo, dando aos analistas os primeiros instrumentos conceituais que permitem pensar o estado atual da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O que a Psican&aacute;lise poderia dizer sobre as novas configura&ccedil;&otilde;es familiares desde os casamentos, ado&ccedil;&otilde;es e educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as por parceiros de mesmo sexo?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: Sobre esse tipo de quest&atilde;o o psicanalista pode apenas "constatar", dizia Lacan. O que quer dizer que, se se argumenta a favor ou contra, segundo a opini&atilde;o de cada um, n&atilde;o se pode fazer isso em nome da Psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que &eacute; certo, contudo &ndash; na orienta&ccedil;&atilde;o lacaniana, com o mais al&eacute;m do &Eacute;dipo conceitualizado por Lacan &ndash;, &eacute; que a fun&ccedil;&atilde;o Pai &eacute; disjunta da estrutura da fam&iacute;lia tradicional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O que se pode dizer sobre a sexualidade infantil hoje? A crian&ccedil;a &eacute; um perverso polimorfo?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: A sexualidade infantil &eacute; hoje aquilo que ela foi no tempo de Freud. Ao descrev&ecirc;-la daquela forma, Freud produziu um passo subversivo, cujo alcance vai bem al&eacute;m da crian&ccedil;a. &Eacute; agora admitido que os gozos ditos sexuais da crian&ccedil;a n&atilde;o sejam nada mais do que aqueles das puls&otilde;es parciais, ligadas ao pr&oacute;prio corpo e &agrave;s suas zonas er&oacute;genas. Restava concluir, como Lacan a&iacute; insistiu, que n&atilde;o &eacute; a crian&ccedil;a que &eacute; perversa polimorfa, mas o gozo em si pr&oacute;prio &ndash; e n&atilde;o somente na crian&ccedil;a &ndash;, ligado como &eacute; &agrave; captura da linguagem sobre o corpo, e ao defeito correlativo da rela&ccedil;&atilde;o sexual. Sobre este aspecto, como diz Lacan, o adulto e a crian&ccedil;a est&atilde;o em p&eacute; de igualdade. N&atilde;o que uma crian&ccedil;a seja um adulto; a diferen&ccedil;a, por&eacute;m, est&aacute; em outro lugar &ndash; se &eacute; que existem adultos...</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>Lacan relaciona as patologias com as modalidades de desejo: desejo insatisfeito da hist&eacute;rica, desejo imposs&iacute;vel do obsessivo, desejo prevenido do f&oacute;bico e desejo masoquista do perverso. Os seres humanos s&atilde;o todos doentes de desejo? Como situar a psicose com rela&ccedil;&atilde;o ao desejo?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: O desejo, qualquer que seja a sua forma, n&atilde;o &eacute; uma patologia, mesmo se os sujeitos se queixam dele. O que pode fazer com que se suponha isso &eacute; que as formas sendo mais ou menos conformes &agrave;s normas do discurso social, o desejo em si mesmo &eacute; mais ou menos dissidente com rela&ccedil;&atilde;o ao que chamamos de <i>normalit&eacute; &#91;normalidade&#93; &ndash; "nor-m&acirc;le" &#91;normal&#47;nor-macho&#93;</i>, diz Lacan, constru&iacute;da pelo discurso, que visa fabricar, digamos, desejo ou gozos-padr&atilde;o. O psicanalista n&atilde;o pode entrar nessa "ca&ccedil;a &agrave;s diferen&ccedil;as", que est&aacute; a cada vez mais se expandindo, em nome de uma falsa universalidade, que produz apenas homogeneidade e mesmice.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quest&atilde;o do desejo na psicose &eacute; outra coisa. Ela propicia mostrar como uma doutrina mal ajustada pode levar a ignorar os fatos cl&iacute;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Partindo do postulado de que &eacute; necess&aacute;rio o pai para engendrar o desejo, com a ang&uacute;stia de castra&ccedil;&atilde;o, vimos analistas conclu&iacute;rem que a psicose exclu&iacute;a o desejo, e at&eacute; mesmo a ang&uacute;stia. Mas, se olharmos as figuras mais eminentes da psicose, como sustentar que lhes falta desejo? &Eacute; preciso, antes, rever o conceito de desejo, como estou convidando &ndash; voc&ecirc;s est&atilde;o percebendo, creio eu. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ang&uacute;stia, se ela viesse do Pai, ent&atilde;o as mais fortes, como as do melanc&oacute;lico, se tornariam impens&aacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>Voc&ecirc; nos convida, portanto, a rever o conceito de desejo, que n&atilde;o seria mais, ent&atilde;o, somente um efeito da castra&ccedil;&atilde;o, mas uma causa do falante, e at&eacute; mesmo da fala?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: Sim. &Eacute; a linguagem que engendra a causa do desejo, n&atilde;o o Pai, que tem outra fun&ccedil;&atilde;o, que &eacute; antes a de apresentar uma vers&atilde;o de desejo e de gozo. &Eacute; por isso que Lacan diz <i>p&egrave;re-version &#91;pai-vers&atilde;o&#47;pervers&atilde;o&#93;</i>, vers&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o do Pai.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O mundo contempor&acirc;neo sofre pelo desejo ou pelos desregramentos do gozo? "Tudo &eacute; poss&iacute;vel, tudo &eacute; permitido" no s&eacute;culo XXI. Seria este o fim do desejo?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: Voc&ecirc; parece supor que os mais-gozar oferecidos pelo capitalismo satisfazem &ndash; o que n&atilde;o &eacute; o caso. Vejamos o que acontece de fato: tudo &eacute; permitido, e transformamos os desejos em direitos&#33; tudo &eacute; poss&iacute;vel, n&oacute;s tentamos isso&#33;, e na <i>land of plenty</i> o clamor da insatisfa&ccedil;&atilde;o do desejo sobe na porpor&ccedil;&atilde;o dos b&ocirc;nus de gozo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dominique Fingermann: <i>O fim do ensino de Lacan permite ainda afirmar "o desejo &eacute; o desejo do Outro"? As consequ&ecirc;ncias do ensino de Lacan no fim e a localiza&ccedil;&atilde;o do inconsciente real mudam algo no desejo?</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Colette Soler: O desejo &eacute; desejo do Outro significava que o desejo, em sua diferen&ccedil;a para com a necessidade, &eacute; um efeito de opera&ccedil;&atilde;o da linguagem, a qual esvazia o real, faz furo ali. Neste sentido, o Outro como lugar da linguagem &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o do desejo, e &eacute; poss&iacute;vel dizer, como faz Lacan, "eu desejo enquanto Outro", porque a linguagem &eacute; incorporada. Mas, se falarmos daquilo que orienta o desejo de cada falante &ndash; a &uacute;nica coisa que interessa ao psicanalista &ndash;, ent&atilde;o o desejo n&atilde;o &eacute; desejo do Outro &ndash; como havia dito ao responder sua segunda pergunta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A concep&ccedil;&atilde;o do desejo e seu lugar na estrutura n&atilde;o pararam de mudar no ensino de Lacan que, a cada etapa, reconfigura todas as no&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas. Recusar a met&aacute;fora era j&aacute; mudar algo ali, como disse. Propor a concep&ccedil;&atilde;o do objeto era um outro passo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Referir-se ao inconsciente real, &agrave; <i>al&iacute;ngua</i> e ao enodamento borromeano pelo <i>sinthoma</i> &eacute; um outro passo, sim. Que deve ser elucidado. Foi o que comecei a fazer em meu livro <i>Lacan, o inconsciente reinventado</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/stylus/n28/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o   para correspond&ecirc;ncia</a></b>    <br>  <b>E-mail:</b> <a href="mailto:dfingermann@terra.com.br">dfingermann@terra.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tradu&ccedil;&atilde;o: C&iacute;cero Alberto de Andrade Oliveira    <br> Revis&atilde;o: Dominique Fingermann    <br> <sup><a name="1a"></a><a href="#1">*</a></sup> Psic&oacute;loga. Psicanalista. AME da Escola de Psican&aacute;lise dos F&oacute;runs do Campo Lacaniano Brasil - F&oacute;rum S&atilde;o Paulo. Coautora de <i>Por causa do pior</i> (Iluminuras).</font></p>       ]]></body>

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