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<journal-title><![CDATA[Revista da Abordagem Gestáltica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O desejo de ser mãe e a barreira da infertilidade: uma compreensão fenomenologica]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El deseo de ser madre y la barrera de la infertilidad: una comprensión fenomenológica]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Ceará Departamento de Economia Doméstica Programa de Pós-graduação em Educação Brasileira]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Shaking the parental project of many couples, infertility affects several dimensions of the subject life. This situation is more peculiar to women, for not coresponde the expectations of a world predominantly fertile. This study sought to understand how infertility affects the life and female self-image of women with infertility problem which went through a treatment of in vitro fertilization, seeking to identify the meanings they attach to maternity and femininity. The heideggeriana phenomenology was adopted as theoretical and methodological support for this study. Through semi-structured interview, was done a phenomenological listening of four women who were at different existential moments in relation to cycle of in vitro fertilization treatment. It's possible to realize that at the same time it creates great expectations, making possible the achievement of desired pregnancy, the treatment mobilizes strong emotional reactions.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Dificultando el proyecto parental de muchas parejas, la infertilidad genera efectos en distintas dimensiones de la vida del sujeto. Tal situación es más ínsita a la mujer, por no corresponder a las expectativas de un mundo predominantemente fecundo. El presente estudio ha buscado comprender de qué forma la infertilidad afecta la vida y la imagen que las mujeres tienen de sí propias, cuando sufren problemas de infertilidad y deciden someterse a un procedimiento de fecundación in vitro. Particularmente, tratamos de identificar los significados que ellas atribuyen a la maternidad y a la feminidad. La fenomenología heideggeriana fue adoptada como suporte teórico y metodológico. Por medio de narraciones, fue realizada una "escucha" fenomenológica de cuatro mujeres en diferentes momentos existenciales del procedimiento de fecundación in vitro. Puede ser percibido que, al mismo tiempo en que son generadas grandes esperanzas, posibilitando la conquista del muy deseado embarazo, el tratamiento moviliza fuertes reacciones emocionales]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS RELATOS DE PESQUISA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O desejo de ser m&atilde;e e a barreira da infertilidade: uma    compreens&atilde;o fenomenologica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The desire to be mother and the barrier of infertility: a phenomenological understanding</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>El deseo de ser madre y la barrera de la infertilidad: una comprensi&oacute;n fenomenol&oacute;gica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Renata Ramalho Queiroz Leite<sup>I</sup>; Ana Maria Monte Coelho Frota<sup>II</sup></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), e Analista Judici&aacute;rio, com Especialidade Psicologia do Tribunal Regional Eleitoral do Cear&aacute; (TRE-CE). E-mail: <a href="mailto:renatarq@hotmail.com">renatarq@hotmail.com</a>    <br>   <sup>II</sup>Graduada em Psicologia e Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), com Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Atualmente &eacute; Professora Associada do Departamento de Economia Dom&eacute;stica da Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC). Vinculada ao Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Universidade Federal do Cear&aacute;. Endere&ccedil;o Institucional: Universidade Federal do Cear&aacute;, Centro de Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias, Departamento de Economia Dom&eacute;stica. Avenida Mister Hull. 60356000. Fortaleza, Cear&aacute;. E-mail: <a href="mailto:anafrota@ufc.br">anafrota@ufc.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abalando o projeto parental de muitos casais, a infertilidade afeta distintas dimens&otilde;es da vida do sujeito. Tal situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais peculiar &agrave; mulher, por n&atilde;o corresponder &agrave;s expectativas de um mundo predominantemente f&eacute;rtil. O presente estudo buscou compreender de que forma a infertilidade afeta a vida e a autoimagem feminina de mulheres com problema de infertilidade que passaram por um tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, procurando identificar os significados que elas atribuem &agrave; maternidade e &agrave; feminilidade. A fenomenologia heideggeriana foi adotada como suporte te&oacute;rico e metodol&oacute;gico. Por meio de narrativas, foi realizada uma escuta fenomenol&oacute;gica de quatro mulheres em momentos existenciais distintos do tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>. Pode-se perceber que, ao mesmo tempo em que gera grandes esperan&ccedil;as, possibilitando a conquista da desejada gravidez, o tratamento mobiliza fortes rea&ccedil;&otilde;es emocionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Infertilidade; Maternidade; Fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>; M&eacute;todo fenomenol&oacute;gico.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Shaking the parental project of many couples, infertility affects several dimensions of the subject life. This situation is more peculiar to women, for not coresponde the expectations of a world predominantly fertile. This study sought to understand how infertility affects the life and female self-image of women with infertility problem which went through a treatment of <i>in vitro</i> fertilization, seeking to identify the meanings they attach to maternity and femininity. The heideggeriana phenomenology was adopted as theoretical and methodological support for this study. Through semi-structured interview, was done a phenomenological listening of four women who were at different existential moments in relation to cycle of <i>in vitro</i> fertilization treatment. It's possible to realize that at the same time it creates great expectations, making possible the achievement of desired pregnancy, the treatment mobilizes strong emotional reactions.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Infertility; Maternity; <i>In vitro</i> fertilization; Phenomenological method.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMEN</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dificultando el proyecto parental de muchas parejas, la infertilidad genera efectos en distintas dimensiones de la vida del sujeto. Tal situaci&oacute;n es m&aacute;s &iacute;nsita a la mujer, por no corresponder a las expectativas de un mundo predominantemente fecundo. El presente estudio ha buscado comprender de qu&eacute; forma la infertilidad afecta la vida y la imagen que las mujeres tienen de s&iacute; propias, cuando sufren problemas de infertilidad y deciden someterse a un procedimiento de fecundaci&oacute;n <i>in vitro</i>. Particularmente, tratamos de identificar los significados que ellas atribuyen a la maternidad y a la feminidad. La fenomenolog&iacute;a heideggeriana fue adoptada como suporte te&oacute;rico y metodol&oacute;gico. Por medio de narraciones, fue realizada una "escucha" fenomenol&oacute;gica de cuatro mujeres en diferentes momentos existenciales del procedimiento de fecundaci&oacute;n <i>in vitro</i>. Puede ser percibido que, al mismo tiempo en que son generadas grandes esperanzas, posibilitando la conquista del muy deseado embarazo, el tratamiento moviliza fuertes reacciones emocionales.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palabras clave:</b> Infertilidad; Maternidad; Fertilizaci&oacute;n <i>in vitro</i>; M&eacute;todo fenomenol&oacute;gico.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada vez mais recorrente em nossa sociedade, a infertilidade &eacute; um problema que afeta o bem-estar ps&iacute;quico e emocional do indiv&iacute;duo. Gerar um filho traz um significado pessoal muito importante para a mulher, uma vez que a gravidez pode representar a confirma&ccedil;&atilde;o de sua feminilidade. Assim sendo, a infertilidade pode ferir e desestruturar a representa&ccedil;&atilde;o da autoimagem feminina, uma vez que costuma afetar a maneira como as mulheres se sentem a respeito de si mesmas. Imersos em uma grande instabilidade emocional, os casais inf&eacute;rteis procuram as cl&iacute;nicas de reprodu&ccedil;&atilde;o humana na esperan&ccedil;a de terem um filho biol&oacute;gico. A fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro &eacute; uma das t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida e caracteriza-se por produzir embri&otilde;es em contexto laboratorial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo buscou compreender como a infertilidade afeta a vida e a autoimagem feminina de mulheres que est&atilde;o passando, ou que j&aacute; passaram, por um tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro, procurando perceber, os significados que essas mulheres atribuem &agrave; maternidade e ao "ser mulher".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. A barreira da infertilidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A limita&ccedil;&atilde;o imposta pela infertilidade aos casais que se deparam com o impedimento de dar continuidade &agrave; pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de um filho biol&oacute;gico, envolve elementos de ordem biol&oacute;gica e ps&iacute;quica. Por mais que a infertilidade deva ser considerada como um problema do casal, a mulher parece ser vista como a principal respons&aacute;vel pelos problemas reprodutivos, n&atilde;o s&oacute; culturalmente, como tamb&eacute;m dentro da comunidade m&eacute;dica. Borlot &amp; Trindade (2004) constataram que, por mais que este n&atilde;o seja o procedimento padr&atilde;o recomendado, os exames para investigar o motivo da infertilidade ainda s&atilde;o indicados primeiramente &agrave;s mulheres. Do mesmo modo, pensam Modelli &amp; Levy (2006):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Apesar de cada vez mais falarmos que o casal &eacute; a figura envolvida neste tratamento, &eacute; para a mulher que as aten&ccedil;&otilde;es s&atilde;o dispensadas, com uma grande demanda de avalia&ccedil;&otilde;es. Ao homem, cabe executar exames simples de espermograma para poder suspender a possibilidade de ozoospermia, ou baixa qualidade de esperma. Caso este exame resulte normal, fica o homem isento de qualquer 'responsabilidade' que justifique a dificuldade de engravidar. Cabe uma busca mais pormenorizada na mulher, mediante exames invasivos. (p. 52)</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, a concep&ccedil;&atilde;o de infertilidade, ainda hoje, coloca a mulher numa posi&ccedil;&atilde;o estigmatizante. Ao mesmo tempo em que gera grandes esperan&ccedil;as, por poder possibilitar a conquista da desejada gravidez, o tratamento de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida mobiliza fortes rea&ccedil;&otilde;es emocionais, podendo ser sentida como uma "experi&ecirc;ncia devastadora" (Borlot &amp; Trindade, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na medida em que est&atilde;o profundamente envolvidos com o desejo da maternidade e paternidade, os casais inf&eacute;rteis tamb&eacute;m entram em contato com quest&otilde;es relacionadas aos seus referenciais de masculinidade e feminilidade. Sentem-se feridos no seu orgulho de ser homem e de ser mulher quando amputados de sua fun&ccedil;&atilde;o reprodutiva. De um modo geral, uma vez que o desejo de maternidade e paternidade se relaciona intimamente com as viv&ecirc;ncias particulares de cada sujeito, a experi&ecirc;ncia emocional da infertilidade possui, da mesma forma, um car&aacute;ter eminentemente singular, uma vez que, segundo Trindade &amp; Enumo (2002), a ang&uacute;stia decorrente do diagn&oacute;stico de infertilidade pode variar de acordo com a valoriza&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da &agrave; maternidade e &agrave; paternidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto o diagn&oacute;stico de infertilidade quanto o tratamento de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida geram muitos sentimentos conflitantes no casal e, em especial, na mulher. Diante da perda do controle sobre si, seu corpo e seu projeto de vida, a mulher inf&eacute;rtil depara-se com uma sensa&ccedil;&atilde;o de tristeza, de incompletude, de solid&atilde;o e de inferioridade. Percebendo que a realiza&ccedil;&atilde;o do seu desejo n&atilde;o est&aacute; em seu poder, &eacute; comum se sentirem impotentes, fracassadas, deficientes, humilhadas, desamparadas e injusti&ccedil;adas, apresentando sinais de depress&atilde;o, inquietude e des&acirc;nimo (Oliveira, 2006). Assim, capaz de ocasionar uma queda na autoestima feminina, a infertilidade &eacute;, muitas vezes, sentida como um defeito, provocando um sentimento de desvaloriza&ccedil;&atilde;o e afetando outras esferas da vida. Devido a essa sensa&ccedil;&atilde;o de "anormalidade", as mulheres com problema de infertilidade costumam ficar com vergonha perante a sociedade, uma vez que, geralmente, s&atilde;o responsabilizadas pelo sucesso ou pelo fracasso da reprodu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida &eacute; vivenciado em meio a uma grande instabilidade emocional, marcada por sentimentos extremos de esperan&ccedil;a e desilus&atilde;o, sendo comum aparecer um estado de disforia, que se caracteriza por um misto de ansiedade e depress&atilde;o. Os sentimentos de tristeza e depress&atilde;o s&atilde;o os mais comuns em pacientes inf&eacute;rteis, estando eles relacionados com perdas, desilus&atilde;o, lamenta&ccedil;&otilde;es e desesperan&ccedil;a. A raiva e a frustra&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m acompanhadas de irritabilidade, agressividade, ressentimento e m&aacute;goa. Al&eacute;m disso, h&aacute; uma forte sensa&ccedil;&atilde;o de culpa, inclusive pelos erros do passado, havendo a impress&atilde;o de estar decepcionando as pessoas e de estar sendo castigada ou punida atrav&eacute;s da infertilidade. O choque e a nega&ccedil;&atilde;o costumam ocorrer especialmente na fase do diagn&oacute;stico, tendendo a desaparecer no decorrer do tratamento. J&aacute; a ansiedade, a preocupa&ccedil;&atilde;o e o desespero aparecem como fen&ocirc;menos c&iacute;clicos ao longo do tratamento, vindo acompanhados de choro f&aacute;cil, dist&uacute;rbios de sono, lapsos de mem&oacute;ria, dificuldade de relaxar e oscila&ccedil;&atilde;o de humor (Melamed, Ribeiro &amp; Seger-Jacob, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de provocar efeitos devastadores no &acirc;mbito pessoal e conjugal, a condi&ccedil;&atilde;o de inf&eacute;rtil pode tamb&eacute;m desestabilizar as rela&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo com seu entorno social, uma vez que o casal inf&eacute;rtil se percebe na impossibilidade de cumprir a fun&ccedil;&atilde;o parental esperada pela sociedade. Essa cobran&ccedil;a gera dificuldades e inc&ocirc;modo nos casais para lidar com seu grupo social, sendo necess&aacute;rio enfrentar a influ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia, dos amigos e da religi&atilde;o, que estimulam o desejo de ter filho (Weiss, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensar a respeito da reprodu&ccedil;&atilde;o assistida nos remete, ainda, ao estudo das v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es sociais de um filho biol&oacute;gico e de como essas diversas significa&ccedil;&otilde;es afetam o desejo dos casais em gerar um filho. Geralmente, o filho biol&oacute;gico &eacute; socialmente representado como uma extens&atilde;o de seus pais, garantindo a manuten&ccedil;&atilde;o da cadeia de gera&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia. Nesse sentido, &eacute; comum que o ser humano busque no filho biol&oacute;gico uma possibilidade de transcend&ecirc;ncia, uma vez que ele &eacute; percebido como uma maneira de perpetua&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. Ser m&atilde;e e ser mulher</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s da maternidade, a mulher passou a ocupar um lugar fundamental na estrutura familiar burguesa, sendo considerada como um elemento agregador necess&aacute;rio para a sobreviv&ecirc;ncia da fam&iacute;lia. A maternidade e o cuidado com a administra&ccedil;&atilde;o do lar se configuraram, assim, como fun&ccedil;&otilde;es femininas valorizadas socialmente, permitindo que a mulher fosse reconhecida e ocupasse uma posi&ccedil;&atilde;o de aparente prest&iacute;gio dentro da sociedade. De acordo com o pensamento moderno, a mulher era biologicamente pr&eacute;-determinada a gestar e a cuidar dos filhos. Deste modo, era por meio da maternidade que ela realizava seu destino fisiol&oacute;gico e sua voca&ccedil;&atilde;o "natural". Atrav&eacute;s da amamenta&ccedil;&atilde;o, da higiene, do cuidado e da presen&ccedil;a materna constante, a mulher-m&atilde;e provava o seu amor e ganhava visibilidade como identidade caracter&iacute;stica do feminino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Historicamente, a maternidade foi constru&iacute;da como o ideal m&aacute;ximo da mulher, representando um caminho para alcan&ccedil;ar a plenitude e a realiza&ccedil;&atilde;o da feminilidade, atrelado a um sentido de abnega&ccedil;&atilde;o e sacrif&iacute;cios prazerosos. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XVIII, e principalmente no s&eacute;culo XIX, as mulheres assumiram o papel da boa m&atilde;e, com dedica&ccedil;&atilde;o integral aos filhos e responsabilidade pelo espa&ccedil;o privado da fam&iacute;lia. Surge, assim, a representa&ccedil;&atilde;o social de devotamento e sacrif&iacute;cio inerente &agrave; maternidade, que passa a ser vista como um sofrimento volunt&aacute;rio e indispens&aacute;vel para a mulher (Badinter, 1985; Borsa &amp; Feil, 2008; Trindade &amp; Enumo, 2002). Contudo, o aparecimento dos m&eacute;todos contraceptivos, a possibilidade de aborto, a entrada da mulher no mercado de trabalho com a consequente inser&ccedil;&atilde;o social feminina, o div&oacute;rcio e a chance de estabelecer novas rela&ccedil;&otilde;es amorosas contribu&iacute;ram para o decl&iacute;nio do tradicional modelo familiar, com altera&ccedil;&otilde;es significativas na vida p&uacute;blica e privada. Nesse contexto, aconteceu uma esp&eacute;cie de reinven&ccedil;&atilde;o do feminino, permitindo que a mulher assumisse novos pap&eacute;is e novos desafios, uma vez que conquistou o espa&ccedil;o profissional, devendo conciliar, ent&atilde;o, esta nova fun&ccedil;&atilde;o com suas antigas atribui&ccedil;&otilde;es. Desta maneira, podemos perceber que a estrutura familiar sofreu mudan&ccedil;as significativas com o passar dos tempos. Nos dias de hoje, muitas mulheres trabalham fora de casa, procuram a realiza&ccedil;&atilde;o profissional e contribuem com a renda familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dos novos pap&eacute;is que vem ocupando na sociedade contempor&acirc;nea, a imagem associada &agrave; mulher-m&atilde;e ainda &eacute; muito valorizada e a maternidade continua sendo idealizada e compreendida como um salto qualitativo para a vida da mulher, afirmam Barbosa &amp; Rocha-Coutinho (2007). A gravidez n&atilde;o &eacute;, de fato, a &uacute;nica maneira de realiza&ccedil;&atilde;o da feminilidade. Contudo, como apenas a mulher pode engravidar, a maternidade representa um tra&ccedil;o absoluto que marca a diferen&ccedil;a de g&ecirc;nero. Talvez essa diferen&ccedil;a contribua para a ideia de que um filho significa a confirma&ccedil;&atilde;o da feminilidade, esperado pelas pr&oacute;prias mulheres, pelos parceiros e pelo entorno familiar e social. Como bem defendem Braga &amp; Amazonas (2005, p. 18): "O feminino n&atilde;o se traduz na maternidade, o desejo pelo filho n&atilde;o &eacute; inelut&aacute;vel ou imprescind&iacute;vel. A maternidade se configura nessa fronteira complexa entre natureza e cultura, entre for&ccedil;a impulsionadora e constru&ccedil;&atilde;o permanente". Por&eacute;m, percebemos que nem sempre &eacute; o que acontece, como veremos na fala de nossas colaboradoras neste estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde muito novas as mulheres s&atilde;o socialmente convencidas de que ser m&atilde;e &eacute; necess&aacute;rio para se sentirem completas e realizadas, cabendo a elas a responsabilidade pelo sucesso dessa fun&ccedil;&atilde;o. Nesse contexto, a maternidade ainda &eacute;, culturalmente, naturalizada, tanto como destino biol&oacute;gico, quanto como valor social inerente &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da identidade feminina. Pelo fato de assuntos relacionados &agrave;s crian&ccedil;as e concep&ccedil;&atilde;o fazerem parte do universo feminino, quando h&aacute; problema de infertilidade, geralmente, a responsabilidade recai sobre as mulheres. Al&eacute;m disso, raramente os estudos hist&oacute;ricos e antropol&oacute;gicos fazem refer&ecirc;ncia &agrave; infertilidade masculina. Assim, em meio &agrave; naturaliza&ccedil;&atilde;o do valor social da maternidade, muitas vezes essas mulheres se sentem culpadas e inferiores devido &agrave; impossibilidade de cumprir a fun&ccedil;&atilde;o parental t&atilde;o esperada e cobrada pela sociedade. Diante dessa imposi&ccedil;&atilde;o social da maternidade para a "mulher normal", a mulher com problema de infertilidade se sente menos feminina e, consequentemente, menos atraente. &Eacute; nesse sentido que Seger-Jacob (2006) considera que a infertilidade &eacute; percebida pela mulher como uma amea&ccedil;a &agrave; sua identidade feminina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A reprodu&ccedil;&atilde;o assistida fornece, ent&atilde;o, um campo privilegiado em possibilidades de articula&ccedil;&atilde;o entre o feminino e o desejo de gerar um filho, uma vez que as mulheres com dificuldade para engravidar est&atilde;o em constante contato com esse desejo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pretendendo compreender e refletir acerca do fen&ocirc;meno da infertilidade e de como ele afeta a vida e a autoimagem feminina de mulheres que est&atilde;o passando por um tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, utilizamos a metodologia qualitativa para realiza&ccedil;&atilde;o dessa pesquisa. Tal abordagem "pretende conhecer, esclarecer, entender e interpretar os processos que constituem os fen&ocirc;menos objetos de investiga&ccedil;&atilde;o" (Ozella, 2003; p. 122). Al&eacute;m disso, fizemos uso do enfoque fenomenol&oacute;gico, por acreditar que este seria o m&eacute;todo mais adequado para alcan&ccedil;ar os objetivos desta pesquisa. A fenomenologia enfatiza a particularidade do ser e a dimens&atilde;o existencial do viver, buscando compreender os sentidos e significados que o sujeito atribui &agrave; sua viv&ecirc;ncia no seu contato com o mundo (Frota, 2001; Dutra, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fenomenologia nasceu no final do s&eacute;culo XIX, negando a exist&ecirc;ncia de uma verdade absoluta e acreditando que os fen&ocirc;menos observados s&atilde;o uma representa&ccedil;&atilde;o do real. Deste modo, essa perspectiva metodol&oacute;gica surgiu rompendo com o modelo de ci&ecirc;ncia cartesiano e metaf&iacute;sico, que afirma a exist&ecirc;ncia de uma verdade universal e imut&aacute;vel, de um conhecimento cient&iacute;fico puro e absoluto, capaz de ser apreendido pelo uso da raz&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Fenomenologia Transcendental de Husserl e a Hermen&ecirc;utica Ontol&oacute;gica de Heidegger s&atilde;o consideradas os principais pilares do pensamento fenomenol&oacute;gico. Por n&atilde;o acreditar na possibilidade da redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica como sugerida por Husserl, acabamos por adotar Heidegger e sua hermen&ecirc;utica como instrumento metodol&oacute;gico desta pesquisa. Caracterizada por sua fidelidade radical &agrave; ontologia, a concep&ccedil;&atilde;o heideggeriana defende que a realidade se desvela na pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. Heidegger "quer entender a vida e seus fen&ocirc;menos desde si mesmo, quer participar e n&atilde;o suspender o pr&oacute;prio viver" (Frota, 2001; p. 12). Pretendemos, enfim, compreender a experi&ecirc;ncia de mulheres que vivem ou j&aacute; viveram o tratamento de insemina&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>. Vale ressaltar que o termo experi&ecirc;ncia &eacute; aqui compreendido de acordo com o sentido dado por Rogers &amp; Kinget (1975). De acordo com esta mesma compreens&atilde;o, para Dutra (2002), a experi&ecirc;ncia &eacute; uma dimens&atilde;o existencial do vivido, dado que ela nos remete a tudo o que foi aprendido, experimentado e vivido pelo sujeito. Deste modo, achamos que compreender a experi&ecirc;ncia das colaboradoras &eacute; acessar a dimens&atilde;o existencial do vivido, dado que ela nos remete ao que foi vivido, experimentado e aprendido por elas. As narrativas foram, ent&atilde;o, os instrumentos escolhidos para abordar, nos aproximar e compreender as experi&ecirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na medida em que &eacute; narrada, a experi&ecirc;ncia &eacute; re-significada e re-vivida pelo sujeito no presente. Portanto, a narrativa n&atilde;o se restringe ao relato de uma experi&ecirc;ncia vivida e que j&aacute; acabou. Ela se reconstr&oacute;i e se re-configura no momento em que &eacute; relatada. Aquele que narra sua experi&ecirc;ncia, conta com a presen&ccedil;a do ouvinte, o qual, por sua vez, ao contar aquilo que ouviu, torna-se tamb&eacute;m um narrador. A rela&ccedil;&atilde;o estabelecida na narrativa &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de intersubjetividade. Como bem discute Frota (2001): "Toda narrativa traz consigo a comunica&ccedil;&atilde;o de um sentido, mas na rela&ccedil;&atilde;o com o outro. O sentido de uma narrativa, portanto, se amalgama &agrave; pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de quem a escuta, se entrela&ccedil;a com a hist&oacute;ria de quem a escuta e, posteriormente, a narra" (p. 17). Para Melo (2012), o psic&oacute;logo cl&iacute;nico pesquisador deve intervir na realidade pela via do sentido, "construindo a retomada da autonomia subjetiva dos participantes e cumprindo seu papel de agente de transforma&ccedil;&atilde;o de realidades sociais" (p. 90). Tamb&eacute;m Holanda (2001) salienta que nas pesquisas de cunho fenomenol&oacute;gico, os pesquisadores n&atilde;o prescindem da sua participa&ccedil;&atilde;o no ato de pesquisa sendo, mesmo, um co-pesquisador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O contato com as nossas colaboradoras aconteceu por meio de uma cl&iacute;nica de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida localizada em Fortaleza (Cear&aacute;), que selecionou e indicou pacientes para participarem desta pesquisa. Na tentativa de identificar poss&iacute;veis varia&ccedil;&otilde;es e singularidades no relato de mulheres que se encontram em diferentes momentos do tratamento, as quatro colaboradoras foram selecionadas de acordo com os seguintes crit&eacute;rios: (1) uma mulher que est&aacute; come&ccedil;ando o tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o pela primeira vez - Carla; (2) uma mulher que j&aacute; fez fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, n&atilde;o engravidou e pretende tentar o tratamento novamente - Rebeca; (3) uma mulher que j&aacute; fez fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, n&atilde;o engravidou e desistiu de tentar o tratamento mais uma vez - Amanda; (4) uma mulher que fez fertiliza&ccedil;&atilde;o e est&aacute; gr&aacute;vida - Joana. Vale ressaltar que a identidade das colaboradoras, bem como de todos os sujeitos citados por elas, foi mantida em sigilo atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de nomes fict&iacute;cios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Selecionada a amostra, realizamos uma entrevista semiestruturada, visto que essa modalidade deixa o sujeito mais livre para narrar sua experi&ecirc;ncia vivida. Para tanto, utilizamos tr&ecirc;s perguntas disparadoras: Como voc&ecirc; est&aacute; vivenciando (vivenciou) o tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>? Para voc&ecirc;, o que significa ser mulher? Como voc&ecirc; compreende a maternidade? Al&eacute;m disso, durante a entrevista, nos momentos em que sentimos necessidade, levantamos outras quest&otilde;es que nos instigaram e que consideramos importantes para um melhor esclarecimento e compreens&atilde;o da experi&ecirc;ncia relatada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o fizemos uso de categorias <i>a priori </i>para interpreta&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos dados. Ao contr&aacute;rio, os dados foram interpretados e compreendidos a partir dos conte&uacute;dos das narrativas (Frota, 2001, Melo, 2012). Desta forma, n&atilde;o analisamos as narrativas guiadas somente por poss&iacute;veis categorias presentes nas perguntas geradoras. Nosso olhar transp&ocirc;s este tipo de an&aacute;lise classificat&oacute;ria, uma vez que todo o material foi analisado a partir do conte&uacute;do emergido nas narrativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As entrevistas foram gravadas, transcritas e textualizadas. Pinheiro (2007) descreve o procedimento da textualiza&ccedil;&atilde;o das narrativas, ressaltando que esta t&eacute;cnica tem como objetivo aproximar o leitor do mundo experiencial do narrador. Ap&oacute;s a textualiza&ccedil;&atilde;o das narrativas, as colaboradoras puderam ter acesso ao seu material, podendo complementar, corrigir, modificar, o que julgassem pertinentes. Ao ler as narrativas transcritas e corrigidas pelas colaboradoras, procuramos analis&aacute;-las percebendo os conte&uacute;dos relevantes a serem discutidos. A partir da&iacute;, fizemos as interlocu&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias entre o que os autores teorizam e o relato das experi&ecirc;ncias, procurando promover o encontro entre teoria e viv&ecirc;ncia. Optamos por analisar cada narrativa individualmente, como forma de preservar um espa&ccedil;o para considera&ccedil;&otilde;es singulares decorrentes do relato de cada sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buscamos compreender como a infertilidade afeta a autoimagem feminina a partir das narrativas, nos apro-ximando do fen&ocirc;meno investigado com todos nossos preconceitos, compreendendo-o a partir de nossas pr&oacute;prias reflex&otilde;es. A inten&ccedil;&atilde;o, aqui, foi a de permitir que as narrativas nos atravessassem e nos afetassem, al&eacute;m de garantir um espa&ccedil;o para nos colocarmos enquanto pesquisadoras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. Compreendendo hist&oacute;rias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>4.1 A hist&oacute;ria de Carla: uma ansiosa espera </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carla, 35 anos, h&aacute; mais de tr&ecirc;s vem procurando uma solu&ccedil;&atilde;o para o seu problema de infertilidade. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de uma investiga&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica descobriu que, tamb&eacute;m seu marido, tem um problema de infertilidade, ainda mais grave do que o dela. Contudo, para ela, isso tornou a situa&ccedil;&atilde;o mais dif&iacute;cil, devido ao forte pensamento machista da nossa sociedade, ao relacionar masculinidade e paternidade. Em rela&ccedil;&atilde;o a essa quest&atilde;o, Melamed, Ribeiro &amp; Seger-Jacob (2006) ressaltam que a infertilidade de causa masculina &eacute;, socialmente, vista como baixa virilidade e masculinidade, uma vez que o homem est&aacute; incapacitado de engravidar uma mulher.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Receber o diagn&oacute;stico de infertilidade foi, para Carla, uma experi&ecirc;ncia bastante dif&iacute;cil, especialmente porque a incapacidade de conceber naturalmente estava no seu esposo. Diante da dor e da fragilidade do marido, sofreu duplamente, chegando a desejar que a dificuldade estivesse somente nela. Tal comportamento assumido por Carla corrobora com os estudos referidos acima, nos quais se afirma que muitas mulheres se sentem respons&aacute;veis pelo sofrimento dos maridos, quando existe uma infertilidade no casal. Em sua pesquisa, Borlot &amp; Trindade (2004) haviam constatado que a infertilidade era vivenciada como "experi&ecirc;ncia devastadora", especialmente para as mulheres. Podemos observar isso, claramente, no caso de Carla: "<i>&#91;...&#93; despencou um muro por cima de voc&ecirc;. Porque eu me vi logo numa situa&ccedil;&atilde;o: "Eu n&atilde;o vou ser m&atilde;e!</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Legitimando a afirma&ccedil;&atilde;o de Carvalho, Santos, Cressoni-Gomes &amp; Mazzotti (2006) de que a infertilidade pode prejudicar setores da vida do sujeito, inclusive a rela&ccedil;&atilde;o conjugal, Carla ressalta que a infertilidade atrapalha at&eacute; mesmo o relacionamento, enfatizando que o casamento precisa ter uma base muito s&oacute;lida para que o processo seja enfrentado sem desestruturar a rela&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a viv&ecirc;ncia do problema da infertilidade possibilitou que Carla e seu marido ficassem mais unidos e mais c&uacute;mplices. Na verdade, Borlot &amp; Trindade (2004) j&aacute; haviam observado que muitos casais inf&eacute;rteis acabam se aproximando diante da experi&ecirc;ncia da infertilidade, confirmando a experi&ecirc;ncia de Carla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carla representa a gesta&ccedil;&atilde;o de um filho biol&oacute;gico como um milagre divino. A sacraliza&ccedil;&atilde;o da maternidade pode ser observada nos estudos de Rocha-Coutinho (1994). A autora destaca que &eacute; a maternidade que transforma Eva em Maria. Em outras palavras, &eacute; a maternidade que transforma a mulher em um ser generoso, sublime e divino. A respeito dessa quest&atilde;o, Badinter (1985) enfatiza, ainda, que, historicamente, a representa&ccedil;&atilde;o da maternidade foi sendo constru&iacute;da como a atividade mais invej&aacute;vel e mais doce que uma mulher pode vivenciar. Ressaltamos aqui, que para Rocha-Coutinho (1994), &eacute; a maternagem de um filho biol&oacute;gico que mais oferece &agrave; mulher o <i>status</i> de sacraliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante da infertilidade, Carla, muitas vezes, se sentiu incapaz, especialmente diante de alguma circunst&acirc;ncia que revelasse sua falta, sua incompletude. A infertilidade gera, portanto, um sentimento de inutilidade feminina, como se a mulher n&atilde;o fosse mulher suficiente para ser m&atilde;e. Podemos perceber isso, claramente, na seguinte fala: "<i>&#91;...&#93; a gente se sente como se fosse uma coisa at&eacute; in&uacute;til, sei l&aacute;, n&atilde;o t&atilde;o mulher. Porque a maternidade &eacute; voc&ecirc; se sentir mais mulher</i>". Nesse sentido, um filho significa a confirma&ccedil;&atilde;o de ser mulher e feminina, fato que &eacute; ressaltado nos estudos de Carvalho, Seibel, Makuch &amp; Maluf (2006a). Al&eacute;m disso, podemos compreender que a falta de um filho faz desabrochar a sensa&ccedil;&atilde;o de incompletude em Carla, quando ela afirma: "<i>A mulher s&oacute; se completa quando ela &eacute; m&atilde;e</i>". A sensa&ccedil;&atilde;o de Carla &eacute; afirmada pelo estudo de Trindade &amp; Enumo (2002), por exemplo, que constataram que mulheres com problemas de infertilidade costumam se sentir tristes e incompletas, considerando que a realiza&ccedil;&atilde;o feminina passaria pela gl&oacute;ria de ser m&atilde;e.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carla considera que se a mulher desiste de todas as possibilidades de ter um filho, desconsiderando, inclusive, a fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro </i>e a ado&ccedil;&atilde;o, ela nunca ir&aacute; se aceitar e poder&aacute; passar por uma grande depress&atilde;o. &Eacute; como se a maternidade fosse, para ela, uma condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non </i>para a felicidade feminina. Tal pensamento corrobora com a fala de Makuch (2006), de que, diante de uma sociedade predominantemente f&eacute;rtil, a mulher com problema de infertilidade sente-se inadequada, pois n&atilde;o vivencia os privil&eacute;gios que a maioria das outras mulheres da sua idade vivencia. Diante da impossibilidade de uma gravidez natural, Carla chegou a pensar em adotar. Entretanto, ela e seu marido decidiram n&atilde;o investir na ado&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o saberiam a origem daquela crian&ccedil;a, j&aacute; que ela n&atilde;o seria um "filho de sangue". Parece-nos que a ado&ccedil;&atilde;o se apresenta como uma possibilidade de viver a maternidade. Por&eacute;m, esta escolha &eacute;, ainda, uma possibilidade remota, para ser pensada somente quando se esgotarem as tentativas da fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>4.2 A hist&oacute;ria de Rebeca: quando o desejo foge do controle </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rebeca tem quarenta anos e j&aacute; passou por duas fertiliza&ccedil;&otilde;es <i>in vitro</i>, sem sucesso. J&aacute; &eacute; m&atilde;e de tr&ecirc;s filhos. Aos dezenove anos, ap&oacute;s o nascimento do seu terceiro filho, decidiu ligar as trompas. Diferente do que imaginava, acabou se separando e casando novamente. Deseja ter um filho com o novo marido, mas n&atilde;o pode engravidar naturalmente. Mesmo j&aacute; sendo m&atilde;e, Rebeca relatou que receber o resultado negativo das duas fertiliza&ccedil;&otilde;es <i>in vitro</i> sem sucesso, foi uma experi&ecirc;ncia horr&iacute;vel e muito dolorosa. Tal situa&ccedil;&atilde;o fez com que se deparasse com um forte sentimento de impot&ecirc;ncia, percebendo que n&atilde;o pode fazer nada para mudar sua condi&ccedil;&atilde;o: "<i>Por mais que eu tente, eu posso tentar uma vez, duas, tr&ecirc;s, quatro, dez, mas n&atilde;o &eacute; uma coisa que eu possa dizer: 'Ah... Agora vai dar certo!'. N&atilde;o. Ent&atilde;o, a gente se sente impotente e ao mesmo tempo super arrependida, porque a laqueadura fui eu que decidi</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em decorr&ecirc;ncia de sua escolha, Rebeca assume, em forma de culpa, a responsabilidade por n&atilde;o estar conseguindo engravidar. Cunha, Wanderley e Garrafa (2007) observaram que, quanto mais jovem a mulher se submete &agrave; ligadura tub&aacute;ria, maiores s&atilde;o as possibilidades de arrependimento, o que contribui para o aumento da demanda em servi&ccedil;os de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. Apesar de n&atilde;o ter obtido sucesso no resultado final, Rebeca respondeu muito bem ao tratamento nas duas vezes em que o fez. Tal fato intensificou a frustra&ccedil;&atilde;o e decep&ccedil;&atilde;o diante do resultado negativo: "<i>O processo n&atilde;o &eacute; ruim. &#91;...&#93; O processo foi maravilhoso. O ruim mesmo foi s&oacute; a not&iacute;cia</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dos dois resultados negativos terem sido vivenciados como uma experi&ecirc;ncia devastadora, a maneira como Rebeca recebeu o resultado da segunda fertiliza&ccedil;&atilde;o diferiu um pouco de como ela recebeu o da primeira. Melamed (2006) verificou que a viv&ecirc;ncia de pelo menos um procedimento de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida sem sucesso contribui para o receio do fracasso na pr&oacute;xima tentativa. Parece-nos que o primeiro resultado negativo contribuiu para que, da segunda vez, Rebeca fosse mais consciente da possibilidade de insucesso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de Rebeca, seu marido tamb&eacute;m n&atilde;o estava preparado para um resultado negativo. Interessante perceber que, assim como na hist&oacute;ria de Carla, apesar da grande dor que estava sentido, Rebeca precisou se fortalecer, deixando sua pr&oacute;pria dor em segundo plano, para dar for&ccedil;as a seu esposo. Diante do insucesso, Rebeca e o marido encontram conforto na possibilidade de continuar tentando o tratamento, acreditando que, assim, ainda v&atilde;o conseguir realizar o sonho da gravidez.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Chamou-nos aten&ccedil;&atilde;o o fato de que, assim como Carla, Rebeca tamb&eacute;m fez o tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o em sigilo como forma de se proteger da cobran&ccedil;a familiar e social. Isso parece nos revelar a grande dificuldade de se ver como inf&eacute;rtil. Vivenciar a impossibilidade de engravidar no momento em que deseja, fez com que Rebeca se sentisse diferente: "<i>(...) Porque &eacute; como se a minha feminilidade, naquele momento, fosse extremamente questionada. Porque o feminino, o ser mulher deveria ser uma coisa que estivesse bem relacionada com o ser m&atilde;e</i>". Tubert (1996) ressalta que a heran&ccedil;a cultural continua transmitindo o dogma de que a maternidade &eacute; indispens&aacute;vel para a realiza&ccedil;&atilde;o da feminilidade. Nesse sentindo, continua o autor, somos levados a acreditar que "<i>Uma mulher n&atilde;o &eacute; verdadeiramente uma mulher se n&atilde;o tiver filhos</i>" (p. 122). Interessante ressaltar que Rebeca j&aacute; &eacute; m&atilde;e de tr&ecirc;s filhos, mas mesmo assim questiona sua feminilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rebeca acredita ter nascido com o dom da maternidade, uma vez que sua qualidade maternal est&aacute; acima da qualidade enquanto profissional e esposa. Nas suas palavras: "<i>Eu acho que &eacute; um dom. &#91;...&#93; Eu sei que eu sou uma boa profissional, eu sou uma boa esposa, mas eu sou muito m&atilde;e. &#91;...&#93; eu tenho um instinto materno muito aflorado</i>". Tal fato parece corroborar com a fala de Makuch (2006), ao afirmar que, apesar do crescimento profissional, muitas mulheres continuam tendo na maternidade seu maior determinante de fun&ccedil;&atilde;o social. Barbosa &amp; Rocha-Coutinho (2007) destacam que apesar de, atualmente, a mulher ser estimulada a ocupar o espa&ccedil;o p&uacute;blico e valorizar a sua carreira profissional, o lugar da maternidade na nossa sociedade ainda &eacute; bastante valorizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rebeca considera que a maternidade n&atilde;o &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o inerente a toda mulher: "<i>O fato de ser mulher n&atilde;o quer dizer que seja m&atilde;e. &#91;...&#93; Elas s&atilde;o mulheres, mas n&atilde;o tem o menor instinto maternal</i>". Mais uma vez &eacute; interessante perceber que nossa narradora havia feito uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a maternidade e a feminilidade, contradizendo-se, a seguir. Na verdade, para Rebeca, parece haver uma certa confus&atilde;o entre esta rela&ccedil;&atilde;o. Badinter (1985) tamb&eacute;m considera que o amor maternal n&atilde;o &eacute; instintivo ou biol&oacute;gico, mas sim constru&iacute;do socialmente, na rela&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria da m&atilde;e com o filho. Possuindo a mesma linha de pensamento da autora, Rebeca considera que a maternidade est&aacute; al&eacute;m do parto e do la&ccedil;o sangu&iacute;neo, pois a mulher pode ser m&atilde;e mesmo sem ter gerado o filho: "<i>Ent&atilde;o, eu acho que n&atilde;o d&aacute; para a gente associar: 'Eu sou mulher e sou m&atilde;e', porque, &agrave;s vezes, voc&ecirc; &eacute; mulher e voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; m&atilde;e. &#91;...&#93; Independe de voc&ecirc; ter tido, de voc&ecirc; ter parido, de voc&ecirc; ter um la&ccedil;o sangu&iacute;neo. Voc&ecirc; pode ser m&atilde;e mesmo sem voc&ecirc; ter tido o filho.. Ent&atilde;o, eu acho que a feminilidade &eacute; relacionada &agrave; maternidade. Porque voc&ecirc; vai ter, vai gerar, tudo o que o homem n&atilde;o pode fazer. Mas, &agrave;s vezes, a mulher n&atilde;o tem aquele instinto maternal</i>". Desta forma, apesar de acreditar que a maternidade est&aacute; ligada &agrave; feminilidade, uma vez que a experi&ecirc;ncia de gerar e parir um filho pertence &uacute;nica e exclusivamente ao universo feminino, Rebeca n&atilde;o considera que o instinto materno seja natural e inerente a todas as mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>4.3 A hist&oacute;ria de Amanda: ressignificando a maternidade</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s ter feito duas insemina&ccedil;&otilde;es artificiais sem sucesso, Amanda, 42 anos, decidiu tentar o tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>. Teve muita dificuldade em decidir fazer o tratamento, pois al&eacute;m de n&atilde;o querer tomar horm&ocirc;nios, acreditava que a gravidez deveria ser uma ben&ccedil;&atilde;o divina. Entretanto, como o passar do tempo, foi percebendo que, no futuro, poderia se arrepender de n&atilde;o ter buscado ao m&aacute;ximo os recursos que a medicina oferecia. Decidiu parar com o tratamento, no entanto, ap&oacute;s ter tido uma complica&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de na sua segunda fertiliza&ccedil;&atilde;o. Atualmente, encontra-se num momento de indefini&ccedil;&atilde;o, conforme nos fala a seguir: "<i>Eu estou, no momento, sem tomar uma decis&atilde;o definitiva porque, depois disso, pensei em adotar. S&oacute; que ainda n&atilde;o me veio aquela coragem, aquela for&ccedil;a, aquele &eacute;lan de tomar essa decis&atilde;o</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois de ter vivenciado duas fertiliza&ccedil;&otilde;es sem sucesso, Amanda ficou sentindo a dor da frustra&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, apesar do sofrimento vivido, procura re-significar sua hist&oacute;ria para n&atilde;o ficar fixada na frustra&ccedil;&atilde;o e na dor da derrota: "<i>Eu estou tentando n&atilde;o congelar a&iacute; nessa etapa, tentando vislumbrar uma alternativa como uma ado&ccedil;&atilde;o, que &eacute; para n&atilde;o morrer a&iacute; essa hist&oacute;ria, numa frustra&ccedil;&atilde;o</i>". Tal comportamento &eacute; muito comum em mulheres que se frustram com tentativas infrut&iacute;feras de engravidar. Oliveira (2006) defende que, diante do fim das tentativas de engravidar pela reprodu&ccedil;&atilde;o assistida, o casal inf&eacute;rtil precisa se adaptar &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o e criar novos objetivos e propostas de vida. A ado&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das op&ccedil;&otilde;es mais buscadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acreditando que a mulher precisa estar tranquila, decidida e determinada para ter sucesso no tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o, Amanda, finalmente, decidiu por n&atilde;o tentar a terceira vez. Podemos observar que, assim como na hist&oacute;ria de Carla e de Rebeca, Amanda incomoda-se com o sentimento de pena que as pessoas costumam sentir por mulheres e casais que n&atilde;o conseguem gerar um filho. De acordo com Barbosa &amp; Rocha-Coutinho (2007, p. 184), "&#91;...&#93; a mulher que n&atilde;o tem filhos ainda &eacute; vista como uma "coitada", uma "pessoa inferior", algu&eacute;m que n&atilde;o conseguiu cumprir o seu principal papel". Esse sentimento &eacute; muito semelhante ao que nossa colaboradora descreve: "<i>O sentimento da infertilidade, em si, j&aacute; &eacute; muito ruim, porque voc&ecirc;, sem d&uacute;vida, acaba questionando  o porqu&ecirc; da infertilidade. Voc&ecirc; olha em volta e v&ecirc; todas as suas amigas, as pessoas do seu conv&iacute;vio, todas essas pessoas com filhos e voc&ecirc; sem filhos. Ent&atilde;o, s&oacute; da&iacute;, j&aacute; d&aacute; uma inquieta&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, por conta da infertilidade, j&aacute; h&aacute; um sentimento ruim, de ser diferente, de ser 'a' que n&atilde;o conseguiu ter filhos</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante o tratamento, Amanda entrou em contato com a quest&atilde;o da sua feminilidade, conforme ressalta: "<i>Quando a gente come&ccedil;ou a fazer os tratamentos veio &agrave; tona toda essa quest&atilde;o, tamb&eacute;m, da feminilidade, no sentido de que, para haver uma gravidez, a mulher precisa, realmente, estar com o seu feminino muito bem trabalhado. (...) N&atilde;o tem como voc&ecirc; querer ser m&atilde;e, sem estar muito bem consigo mesma no seu feminino</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amanda ressalta que um ganho do tratamento foi a aproxima&ccedil;&atilde;o do casal, que acabou ficando mais c&uacute;mplice e companheiro. J&aacute; o lado doloroso foi vivenciado como uma sensa&ccedil;&atilde;o de mal-estar, ang&uacute;stia e autocompaix&atilde;o. Contudo, apesar das d&uacute;vidas e do mal-estar, prevalecia a esperan&ccedil;a de que a fertiliza&ccedil;&atilde;o desse certo - sentimento que a motivava a continuar lutando. Oliveira (2006, p. 214) observou que "Ao longo do processo de fertiliza&ccedil;&atilde;o assistida ocorrem perdas recorrentes e frustra&ccedil;&otilde;es variadas, mas o otimismo e as esperan&ccedil;as sustentam o desejo pelo filho e os esfor&ccedil;os necess&aacute;rios". Desta maneira, parece que &eacute; justamente essa esperan&ccedil;a no resultado positivo que mant&ecirc;m os casais na desgastante e angustiante luta do processo de fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Amanda, ser mulher &eacute; algo que traz o embelezamento da vida. Relata: "<i>Ser mulher &eacute; uma d&aacute;diva, &eacute; uma ben&ccedil;&atilde;o, &eacute; algo do ponto do embelezamento da vida</i>". Entretanto, em alguns momentos durante o tratamento, o problema da infertilidade fez com que Amanda se questionasse a respeito de sua feminilidade. Por considerar que a gravidez acontece naturalmente no ciclo de vida feminino, ela significa a infertilidade como algo estranho e inesperado, que desconfirma a condi&ccedil;&atilde;o feminina da mulher, conforme podemos observar no seguinte trecho: "<i>Eu acho que teve momentos que esse sentimento de ser inf&eacute;rtil me fez questionar o quanto eu era feminina (...) Esse fato de n&atilde;o gerar filhos vai de encontro ao que &eacute; natural. Porque, naturalmente, a mulher que tem rela&ccedil;&otilde;es sexuais, engravida. &#91;...&#93; O que acontece? Eu n&atilde;o sou mulher? Ent&atilde;o, eu n&atilde;o sou mulher? Cad&ecirc; o meu feminino? O meu homem, o meu marido espera de mim um filho. E cad&ecirc;? Como &eacute; que fica isso (...) Nossa! Nasci como mulher e n&atilde;o consigo uma coisa que &eacute; mais inerente da mulher, que &eacute; gerar filhos, amamentar, parir, ser m&atilde;e e maternar!" &#91;...&#93; Eu n&atilde;o passei por isso, eu n&atilde;o tive &ecirc;xito em ser mulher!</i>".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amanda n&atilde;o quer que a ideia de ado&ccedil;&atilde;o seja apenas uma solu&ccedil;&atilde;o para preencher o vazio que ficou depois da sua frustra&ccedil;&atilde;o com a fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>. Tem raz&atilde;o no seu cuidado. Zibini &amp; Vasconcellos (2006), por exemplo, ressaltam que a ado&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser pautada na busca de resolu&ccedil;&atilde;o para uma hist&oacute;ria de insucessos, pois ela n&atilde;o apaga a marca da infertilidade. Ao contr&aacute;rio, muitas vezes, pode ser sua prova viva. Desta forma, os lutos n&atilde;o elaborados podem interferir negativamente na rela&ccedil;&atilde;o com o filho adotado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amanda acredita que o amor materno vem do cora&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o da barriga, sendo constru&iacute;do no conv&iacute;vio di&aacute;rio a partir do contato. Amplia sua representa&ccedil;&atilde;o da maternidade, defendendo que ela n&atilde;o come&ccedil;a, necessariamente, com uma gravidez, pois acredita que a mulher come&ccedil;a a ser m&atilde;e a partir do ponto em que opta por isso, em qualquer momento da sua vida. Em seus estudos a respeito do v&iacute;nculo afetivo entre m&atilde;e e filho, Badinter (1985) chegou &agrave; conclus&atilde;o que o amor materno &eacute; resultado de uma constru&ccedil;&atilde;o sociocultural, n&atilde;o tendo rela&ccedil;&atilde;o com instinto, fator sangu&iacute;neo ou determinismo da natureza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, apesar de Amanda ser simpatizante da ado&ccedil;&atilde;o, ela ainda n&atilde;o pode se decidir por adotar uma crian&ccedil;a, acreditando que: "<i>(...) esse amor que se tem aos filhos &eacute; muito constru&iacute;do no dia-a-dia, no conv&iacute;vio, no olhar, no sentir mesmo. Eu acho que n&atilde;o vem da barriga</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>4.4 A hist&oacute;ria de Joana: a concretiza&ccedil;&atilde;o do sonho</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s ter sofrido dois abortos, Joana tentou mais de um tipo de tratamento para conseguir engravidar naturalmente e sustentar o beb&ecirc;. Entretanto, depois de mais de um ano de tentativas sem sucesso, decidiu partir para a fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>. Narrou a experi&ecirc;ncia de tomar as inje&ccedil;&otilde;es de horm&ocirc;nio como algo muito desagrad&aacute;vel, doloroso e desconfort&aacute;vel. Outro momento de muita ansiedade e medo foi o procedimento de retirada dos &oacute;vulos. Durante v&aacute;rios momentos da entrevista, Joana ressaltou que o tratamento de fertiliza&ccedil;&atilde;o exige muita determina&ccedil;&atilde;o e perseveran&ccedil;a. Al&eacute;m do desejo de ser m&atilde;e, o que motivou Joana a persistir no tratamento foi a vontade de formar uma fam&iacute;lia, pois considera que ela e o marido formam apenas um casal. Farinati, Rigoni &amp; M&uuml;ller (2006) observaram que muitos casais se unem motivados pelo alto valor colocado na constitui&ccedil;&atilde;o de uma fam&iacute;lia. A respeito desse desejo de constituir uma fam&iacute;lia, Oliveira (2006) esclarece que:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o amorosa, que resulta na uni&atilde;o de um casal, traz consigo o desejo de crescer e aumentar os v&iacute;nculos e as responsabilidades compartilhadas - e uma das formas &eacute; atrav&eacute;s de uma crian&ccedil;a. Esse desejo &eacute; parte da constru&ccedil;&atilde;o de um casal, um projeto de fam&iacute;lia e de futuro, representa&ccedil;&atilde;o da continuidade do casal e da fam&iacute;lia maior, como heran&ccedil;a de sua hist&oacute;ria e de seus valores (p. 209). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio &agrave; sua dificuldade de ter um filho, quando Joana pensava em ado&ccedil;&atilde;o, rejeitava a ideia, pois ficava com medo do filho adotivo querer procurar a fam&iacute;lia biol&oacute;gica quando crescer e acabar gostando mais dos pais biol&oacute;gicos do que dela e do seu marido. Segundo Carvalho, Seibel, Makuch &amp; Maluf (2006b), "Um medo comum &eacute; a necessidade de um relacionamento de sangue, para que possa existir uma rela&ccedil;&atilde;o intensa. Outro medo comum, &eacute; que a crian&ccedil;a adotada, em algum momento, venha rejeitar os pais adotivos, dando prefer&ecirc;ncia aos pais biol&oacute;gicos" (p. 34). Ent&atilde;o, o medo de Joana parece ser comum em mulheres com viv&ecirc;ncia semelhante a dela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como as outras participantes, Joana colocou que se sentia diferente das outras mulheres, por vivenciar a dificuldade de engravidar e a impossibilidade de segurar uma gravidez. Podemos observar o quanto essa experi&ecirc;ncia foi sofrida, no seguinte relato: "<i>Quando voc&ecirc; n&atilde;o consegue se reproduzir, ou nos primeiros meses, quando eu perdi a primeira gravidez, para mim, foi a pior coisa do mundo. Era como se eu fosse diferente &#91;...&#93; mas eu me perguntei, dentro de mim: "O que foi que aconteceu?</i>"</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave; quest&atilde;o da feminilidade, parece-nos que Joana associa o fato de ser mulher &agrave; capacidade hormonal de poder gerar um filho naturalmente. Apesar de tamb&eacute;m falar que para uma mulher ser feminina, ela precisa se arrumar e cuidar da sua beleza, Joana destaca a qualidade hormonal como principal fator da feminilidade: "<i>Precisa ter os horm&ocirc;nios funcionando bem</i>", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mondelli &amp; Levy (2006) destacam que o discurso hegem&ocirc;nico da maternidade cria a ideia de que &eacute; natural uma mulher ser m&atilde;e. Segundo essas autoras, "a impossibilidade de tal situa&ccedil;&atilde;o p&otilde;e por terra a condi&ccedil;&atilde;o de mulher. Esta j&aacute; n&atilde;o mais se reconhece, pois &eacute; a partir da gravidez, o viver o que a natureza lhe reservou, que a possibilidade de completude se d&aacute;" (p. 53). Nesse sentido, podemos perceber o quanto a ideia de feminilidade est&aacute;, culturalmente, associada &agrave; capacidade da mulher gerar um filho. Joana, assim como afirmam os autores, considera que ser mulher &eacute; ser capaz de reproduzir, gerar um filho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Joana considera a maternidade uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um grande prazer. Enfatiza que deseja passar o m&aacute;ximo de tempo que puder com o seu filho, pois considera que o contato afetivo materno &eacute; insubstitu&iacute;vel: "<i>&#91;...&#93; eu queria, toda hora extra, estar sempre em contato, para que ele tenha refer&ecirc;ncia sempre em mim, pr&oacute;xima de mim, que sou m&atilde;e dele &#91;...&#93; o contato afetivo materno, a maternidade, pra mim, &eacute; insubstitu&iacute;vel. &#91;...&#93;Ent&atilde;o, eu vejo a maternidade assim, tem que fazer essa refer&ecirc;ncia desde o nascimento do nen&ecirc;</i>".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Interessante observar, no seguinte trecho, as representa&ccedil;&otilde;es que Joana possui do filho biol&oacute;gico: "<i>Eu vou receber uma nova pessoa da fam&iacute;lia, um novo descendente. Eu at&eacute; brinquei com ele hoje, eu disse: "Eu vou ter um rapaz. Se Deus quiser, na velhice, quando eu tiver idosazinha, vai me fazer muita companhia!</i>". Parecenos que, al&eacute;m da continua&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, que se estende e prospera com a vinda de um descendente, o filho biol&oacute;gico significa, para ela, o fim da solid&atilde;o parental, uma vez que ele faria companhia aos pais durante a velhice. Trindade &amp; Enumo (2002) j&aacute; haviam observado que algumas mulheres relatam a necessidade de terem um filho para n&atilde;o ficarem sozinhas. Al&eacute;m disso, Borlot e Trintade (2004) constataram que a quest&atilde;o da descend&ecirc;ncia &eacute; uma das fortes representa&ccedil;&otilde;es sociais em rela&ccedil;&atilde;o ao filho biol&oacute;gico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo do trabalho, foi poss&iacute;vel perceber como a incapacidade de gerar um filho naturalmente &eacute; sentida como uma experi&ecirc;ncia dilaceradora para essas mulheres. Tal fato faz com que elas se considerem incapazes, in&uacute;teis e "danificadas", pois sentem que falharam em uma fun&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica do feminino, isto &eacute;, conceber, gestar e parir um filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fala das colaboradoras dessa pesquisa deixa perceber que a vis&atilde;o idealizada da maternidade como algo sublime e como condi&ccedil;&atilde;o para que a mulher se sinta completa e realizada, continua presente no discurso da sociedade atual. Al&eacute;m disso, podemos perceber o quanto a maternidade ainda &eacute; associada &agrave; feminilidade, uma vez que a impossibilidade de gerar um filho &eacute; significada como uma desqualifica&ccedil;&atilde;o na caracter&iacute;stica de ser feminina. Nesse sentido, as experi&ecirc;ncias relatadas nesta pesquisa sustentam a representa&ccedil;&atilde;o social de que o fato de ser m&atilde;e afirma a feminilidade e assegura a condi&ccedil;&atilde;o de ser mulher.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo em vista a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de devir inerente ao ser humano, temos a clareza de que os resultados desta pesquisa representam apenas o in&iacute;cio de uma compreens&atilde;o que n&atilde;o se esgota. O complexo fen&ocirc;meno da infertilidade e suas decorrentes implica&ccedil;&otilde;es na vida e subjetividade daqueles que vivenciam essa quest&atilde;o ainda oferecem muito a ser feito, pensado e indagado sobre o tema.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Badinter, E. (1985) <i>Um amor conquistado: o mito do amor materno</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991959&pid=S1809-6867201400020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Barbosa, P. Z. &amp; Rocha-Coutinho, M. L. (2009). Maternidade: novas possibilidades, antigas vis&otilde;es. <i>Psicologia Cl&iacute;nica </i>(Rio de Janeiro)<i>, 19</i>(1),163-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991961&pid=S1809-6867201400020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Borlot, A. M. M. &amp; Trindade, Z. A. (2004). As tecnologias de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida e as representa&ccedil;&otilde;es sociais de filho biol&oacute;gico. <i>Estudos de Psicologia </i>(Natal)<i>, 9</i>(1),63-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991963&pid=S1809-6867201400020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Borsa, J. C. &amp; Feil, C. F. (2008). <i>O papel da mulher no contexto familiar: uma breve reflex&atilde;o</i>. &#91;online&#93;. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0419.pdf" target="_blank">http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0419.pdf</a>&gt;. Acesso em: 11 dez. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991965&pid=S1809-6867201400020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Braga, M. da G. R. &amp; Amazonas, M. C. L. de A. (2005). Fam&iacute;lia: maternidade e procria&ccedil;&atilde;o assistida. <i>Psicologia em Estudo </i>(Maring&aacute;)<i>, 10</i>(1),11-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991967&pid=S1809-6867201400020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carvalho, C. A. P.; Seibel, D.; Makuch, M. Y. &amp; Maluf, V. D. (2006, a). <i>Guia sobre sa&uacute;de mental em reprodu&ccedil;&atilde;o humana. Atualiza&ccedil;&atilde;o 2006 </i>&#91;online&#93;. Comit&ecirc; de Psicologia da SBRH. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sbrh.org.br/sbrh_novo/guidelines/guideline_pdf/guideline_de_psicologia.pdf" target="_blank">http://www.sbrh.org.br/sbrh_novo/guidelines/guideline_pdf/guideline_de_psicologia.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991969&pid=S1809-6867201400020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carvalho, C. A. P.; Seibel, D.; Makuch, M. Y. &amp; Maluf, V. D. (2006, b). Estresse na reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. <i>Arquivos H. Ellis: Sa&uacute;de Sexual e Reprodutiva, 2</i>(4). Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.arquivoshellis.com.br/revista/02_040606/02_040606_ahellis_01.pdf&gt;" target="_blank">http://www.arquivoshellis.com.br/revista/02_040606/02_040606_ahellis_01.pdf></a>. Acesso em: 15 nov. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991970&pid=S1809-6867201400020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cunha, A. C. R.; Wanderley, M. S. &amp; Garrafa, V. (2007). Fatores associados ao futuro reprodutivo de mulheres desejosas de gesta&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s ligadura tub&aacute;ria. <i>Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia </i>(Rio de Janeiro)<i>, 29</i>(5),230-234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991972&pid=S1809-6867201400020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dutra, E. (2002). A narrativa como uma t&eacute;cnica de pesquisa fenomenol&oacute;gica. <i>Estudos de Psicologia </i>(Natal)<i>, 7</i>(2),113-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991974&pid=S1809-6867201400020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Farinati, D. M.; Rigoni, M. dos S. &amp; M&uuml;ller, M. C. (2006). Infertilidade: um novo campo da Psicologia da sa&uacute;de. <i>Estudos de Psicologia, </i>(Campinas)<i>, 23</i>(4),433-439.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991976&pid=S1809-6867201400020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frota, A. M. M. C. (2001). <i>O desalojamento e a reinstala&ccedil;&atilde;o do si-mesmo: um percurso fenomenol&oacute;gico para uma compreens&atilde;o da adolesc&ecirc;ncia, a partir de narrativas</i>. Tese Doutorado. Instituto de Psicologia, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991978&pid=S1809-6867201400020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Holanda, A. (2001). Pesquisa Fenomenol&oacute;gica e Psicologia Eid&eacute;tica: elementos para um entendimento metodol&oacute;gico. Em A. F. Holanda &amp; M. A. T. Bruns (Orgs.), <i>Psicologia e Pesquisa fenomenol&oacute;gica: reflex&otilde;es e perspectivas</i>. S&atilde;o Paulo: &Ocirc;mega Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991980&pid=S1809-6867201400020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melo, S. M. (2012). <i>A Saga de Hefesto: hermen&ecirc;utica colaborativacomo possibilidade de a&ccedil;&atilde;o humanista-fenomenol&oacute;gica em clinica de trabalho</i>. Tese de Doutorado. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Clinica da Universidade Cat&oacute;lica de Pernambuco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991982&pid=S1809-6867201400020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Makuch, M. Y. (2006). G&ecirc;nero e reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: novas fases e velhas quest&otilde;es. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras </i>(p. 21-33). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991984&pid=S1809-6867201400020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melamed, R. M. M. (2006). Infertilidade: sentimentos que decorrem. In: R. M. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 71-90). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991986&pid=S1809-6867201400020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melamed, R. M. M.; Ribeiro, M. F. da R. &amp; Seger-Jacob, L. (2006). O casal inf&eacute;rtil e o profissional de sa&uacute;de mental - poss&iacute;veis abordagens. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 167-188). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991988&pid=S1809-6867201400020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Modelli, A. &amp; Levy, R. H. C. (2006). Esterilidade sem causa aparente: possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 49-69). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991990&pid=S1809-6867201400020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oliveira, C.C. (2006). O luto pela crian&ccedil;a que n&atilde;o nasceu. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras </i>(p. 207-220). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991992&pid=S1809-6867201400020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pinheiro, S. L. (2007). <i>Uma Compreens&atilde;o da Inf&acirc;ncia dos &Iacute;ndios Jenipapo-Kanind&eacute; a partir de Narrativas</i>. Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso, Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia, Universidade Federal do Cear&aacute;, Fortaleza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991994&pid=S1809-6867201400020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ribeiro, M. (2006). Articula&ccedil;&otilde;es entre narcisismo e reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 91-103). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991996&pid=S1809-6867201400020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rocha-Coutinho, M. L. (1994). <i>Tecendo por tr&aacute;s dos panos: a mulher brasileira nas rela&ccedil;&otilde;es familiares</i>. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2991998&pid=S1809-6867201400020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rogers, C. &amp; Kinget, M. G. (1969/1975) <i>Psicoterapia e Rela&ccedil;&otilde;es Humanas</i>. Belo Horizonte: Interlivros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992000&pid=S1809-6867201400020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seger-Jacob, L. (2006). Estresse na g&ecirc;nese e no tratamento da infertilidade. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 121-153). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992002&pid=S1809-6867201400020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trindade, Z. A. &amp; Enumo, S. R. F. (2002). Triste e Incompleta: Uma Vis&atilde;o Feminina da Mulher Inf&eacute;rtil. <i>Psicologia USP </i>(S&atilde;o Paulo)<i>, 13</i>(2),151-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992004&pid=S1809-6867201400020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tubert, S. (1996). <i>Mulheres sem sombra: maternidade e novas tecnologias reprodutivas</i>. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992006&pid=S1809-6867201400020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Weiss, T. K. (2006). O impacto da infertilidade e seu tratamento nos casais. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 105-119). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992008&pid=S1809-6867201400020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zibini, M. V. C. &amp; Vasconcellos, C. B. (2006). Infertilidade e ado&ccedil;&atilde;o: algumas reflex&otilde;es. In: R. M. Melamed &amp; J. Quayle (Orgs.). <i>Psicologia em reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: experi&ecirc;ncias brasileiras</i> (p. 243-259). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2992010&pid=S1809-6867201400020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 13.08.13     <br>   Primeira Decis&atilde;o Editorial em 08.01.14    <br>   Aceito em 24.04.14</font></p>      ]]></body>
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