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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pessoa com deficiência intelectual e a compreensão de sua existência]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Often people with intellectual disabilities (ID) are not recognised as capable of attributing meanings to their existence because they have an intellectual limitation. However, they can understand various psychological issues in their lives. Based on the Sartrian existential psychology, the objective of this study is to investigate how the person with ID understands his/her existence, from the meanings they attribute to themselves and their relationships. The phenomenological method was chosen for data collection and analysis. Ten adults with ID participated, students of a Special School in Curitiba. The results showed feelings of loneliness and abandonment on the part of the participants, resulting from absence of affect and dialogue with others; the anguish before their freedom, in a context where they are not allowed to make authentic choices; the difficulty of understanding their feelings, and the desire to value their emotions; the school as the place where they find greatest opportunities for relationships, but where reflection on the everyday situations they experience is limited. It is argued that these existential aspects must be considered in the studies and services directed to people with ID, so that their freedom is recognized, enabling the construction of their existential project.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[A menudo las personas con discapacidad intelectual (DI) no son reconocidas como capaces de atribuir significados a su existencia por su limitación intelectual. Sin embargo, pueden comprender diversas cuestiones psicológicas en su vida. Basado en la Psicología existencial Sartriana, el objetivo de este estudio es investigar cómo la persona con DI comprende su existencia, a partir de los sentidos que se atribuye a sí mismo y sus relaciones, por medio del el método fenomenológico. Participaron diez adultos con DI, estudiantes de una escuela especial de Curitiba. Los resultados evidenciaron sentimientos de soledad y abandono por parte de los participantes, resultante de la ausencia afectiva y del diálogo con otras personas; la angustia ante su libertad, en un contexto donde no se les permite hacer elecciones auténticas; la dificultad de comprender sus sentimientos y el deseo de valorar sus emociones; la escuela como el lugar donde encuentran mayores oportunidades de relaciones, pero donde la reflexión sobre las situaciones cotidianas que experimentan se presentan de modo limitado. Se refleja que estos aspectos existenciales deben ser considerados en los estudios y en los servicios dirigidos a las mismas, para que su libertad sea reconocida, permitiendo la construcción de su proyecto existencial.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Deficiência intelectual]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ESTUDOS TE&Oacute;RICOS OU HIST&Oacute;RICOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual e a compreens&atilde;o de sua exist&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>The person with intellectual disability and the understanding of their existence</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>La persona con discapacidad intelectual y la comprensi&oacute;n de su existencia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Wallisten Passos Garcia<sup>I</sup>; Ana Paula Almeida de Pereira<sup>II</sup></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><sup>I</sup>Universidade Federal do Paran&aacute;. E-mail: <a href="mailto:wallistenpg@yahoo.com.br">wallistenpg@yahoo.com.br</a>    <br> <sup>II</sup>Universidade Federal do Paran&aacute;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Frequentemente as pessoas com defici&ecirc;ncia intelectual (DI) n&atilde;o s&atilde;o reconhecidas como capazes de atribu&iacute;rem significados a sua exist&ecirc;ncia, por apresentarem uma limita&ccedil;&atilde;o intelectual. Contudo, elas podem compreender diversas quest&otilde;es psicol&oacute;gicas em sua vida. Embasado na Psicologia Existencial Sartriana, o objetivo deste estudo &eacute; investigar como a pessoa com DI compreende sua exist&ecirc;ncia, a partir dos sentidos que atribui a si e as suas rela&ccedil;&otilde;es. O m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico foi escolhido para a coleta e a an&aacute;lise dos dados. Participaram dez adultos com DI, estudantes de uma Escola Especial de Curitiba. Os resultados evidenciaram sentimentos de solid&atilde;o e abandono por parte dos participantes, decorrente da aus&ecirc;ncia afetiva e do di&aacute;logo com outras pessoas; a ang&uacute;stia diante da sua liberdade, em um contexto onde n&atilde;o lhes s&atilde;o permitidos fazerem escolhas aut&ecirc;nticas; a dificuldade de compreens&atilde;o de seus sentimentos e o desejo de valoriza&ccedil;&atilde;o de suas emo&ccedil;&otilde;es; a escola como o local onde encontram maiores oportunidades de relacionamentos, mas onde a reflex&atilde;o sobre as situa&ccedil;&otilde;es cotidianas que vivenciam apresentam-se de modo limitado. Reflete-se que estes aspectos existenciais devem ser considerados nos estudos e nos servi&ccedil;os direcionados &agrave;s pessoas com DI, para que sua liberdade seja reconhecida, viabilizando a constru&ccedil;&atilde;o de seu projeto existencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Defici&ecirc;ncia intelectual; Psicologia existencial; Rela&ccedil;&otilde;es interpessoais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Often people with intellectual disabilities (ID) are not recognised as capable of attributing meanings to their existence because they have an intellectual limitation. However, they can understand various psychological issues in their lives. Based on the Sartrian existential psychology, the objective of this study is to investigate how the person with ID understands his/her existence, from the meanings they attribute to themselves and their relationships. The phenomenological method was chosen for data collection and analysis. Ten adults with ID participated, students of a Special School in Curitiba. The results showed feelings of loneliness and abandonment on the part of the participants, resulting from absence of affect and dialogue with others; the anguish before their freedom, in a context where they are not allowed to make authentic choices; the difficulty of understanding their feelings, and the desire to value their emotions; the school as the place where they find greatest opportunities for relationships, but where reflection on the everyday situations they experience is limited. It is argued that these existential aspects must be considered in the studies and services directed to people with ID, so that their freedom is recognized, enabling the construction of their existential project.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Keywords:</b> Intellectual disability; Existential psychology; Interpersonal relations.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMEN</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A menudo las personas con discapacidad intelectual (DI) no son reconocidas como capaces de atribuir significados a su existencia por su limitaci&oacute;n intelectual. Sin embargo, pueden comprender diversas cuestiones psicol&oacute;gicas en su vida. Basado en la Psicolog&iacute;a existencial Sartriana, el objetivo de este estudio es investigar c&oacute;mo la persona con DI comprende su existencia, a partir de los sentidos que se atribuye a s&iacute; mismo y sus relaciones, por medio del el m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico. Participaron diez adultos con DI, estudiantes de una escuela especial de Curitiba. Los resultados evidenciaron sentimientos de soledad y abandono por parte de los participantes, resultante de la ausencia afectiva y del di&aacute;logo con otras personas; la angustia ante su libertad, en un contexto donde no se les permite hacer elecciones aut&eacute;nticas; la dificultad de comprender sus sentimientos y el deseo de valorar sus emociones; la escuela como el lugar donde encuentran mayores oportunidades de relaciones, pero donde la reflexi&oacute;n sobre las situaciones cotidianas que experimentan se presentan de modo limitado. Se refleja que estos aspectos existenciales deben ser considerados en los estudios y en los servicios dirigidos a las mismas, para que su libertad sea reconocida, permitiendo la construcci&oacute;n de su proyecto existencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palabras-clave:</b> Discapacidad intelectual; Psicolog&iacute;a existencial; Relaciones interpersonales.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Durante um per&iacute;odo na hist&oacute;ria da humanidade, em diferentes culturas, a defici&ecirc;ncia intelectual (DI) foi compreendida como a perda da racionalidade. Por este motivo, as pessoas com defici&ecirc;ncia n&atilde;o eram reconhecidas como plenamente humanas, sendo marginalizadas e exclu&iacute;das dos diferentes contextos sociais (Pessotti, 1984). Com o predom&iacute;nio da ci&ecirc;ncia positivista sobre o conhecimento, a defici&ecirc;ncia passou a ser concebida como uma doen&ccedil;a, sendo definida principalmente a partir da dimens&atilde;o biol&oacute;gica e organicista da intelig&ecirc;ncia, com enfoque no d&eacute;ficit intelectual (Bianchetti, 2004). Apesar da manuten&ccedil;&atilde;o de preconceitos, estere&oacute;tipos e estigmas, outros sentidos foram sendo produzidos sobre a DI pelos estudiosos do tema e pelas pr&oacute;prias pessoas com defici&ecirc;ncia que passaram a questionar uma defini&ccedil;&atilde;o baseada unicamente na dimens&atilde;o biol&oacute;gica da defici&ecirc;ncia. Al&eacute;m desse crit&eacute;rio, as defini&ccedil;&otilde;es atuais consideram que os contextos nos quais a pessoa com DI vive, bem como a identifica&ccedil;&atilde;o e o provimento sistem&aacute;tico dos apoios de que necessita, s&atilde;o capazes de contribuir para o seu desenvolvimento, aprendizagem, qualidade de vida, bem-estar e participa&ccedil;&atilde;o social. Esta perspectiva possibilita a identifica&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o das barreiras f&iacute;sicas e atitudinais que impedem ou dificultam o desempenho de seus pap&eacute;is sociais e do exerc&iacute;cio de seus direitos, promovendo mudan&ccedil;as para que elas possam se incluir efetivamente em todas as &aacute;reas sociais. A partir desta concep&ccedil;&atilde;o, a DI passa a ser entendida como um estado particular de funcionamento que come&ccedil;a na inf&acirc;ncia, &eacute; multidimensional, e &eacute; transformada positivamente pelos apoios individualizados, n&atilde;o sendo, portanto, uma condi&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica e permanente. (AAIDD, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Acompanhando a historicidade do reconhecimento das possibilidades de desenvolvimento de pessoas com DI, identificase um aumento no n&uacute;mero de estudos cient&iacute;ficos sobre os aspectos m&eacute;dicos, educacionais, pol&iacute;ticos e culturais que perpassam a quest&atilde;o, mas os aspectos subjetivos - o que estas pessoas sentem, vivenciam, querem e desejam - s&atilde;o pouco considerados. Grande parte dos estudos s&atilde;o te&oacute;ricos ou realizados com os familiares e profissionais que atendem estas pessoas (Garcia, 2012). Estudos com as pr&oacute;prias pessoas com DI v&ecirc;m sendo desenvolvidos em v&aacute;rias partes do mundo, mas no Brasil ainda s&atilde;o escassos. Al&eacute;m disso, h&aacute; uma proemin&ecirc;ncia de temas de pesquisa relacionados &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ou &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o da pessoa com DI, evidenciando uma lacuna quanto a trabalhos que considerem as emo&ccedil;&otilde;es destas pessoas e sua participa&ccedil;&atilde;o na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados das pesquisas, pr&aacute;tica comum em outros pa&iacute;ses (Souza &amp; Barbato, 2017). Estudos sobre a qualidade de vida destas pessoas, que envolvem aspectos subjetivos, tamb&eacute;m s&atilde;o raros na realidade brasileira (Pereira, 2009). Desde as &uacute;ltimas d&eacute;cadas, vem ganhando espa&ccedil;o na produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o voltada para a auto percep&ccedil;&atilde;o das pessoas com defici&ecirc;ncia, significando um avan&ccedil;o na &aacute;rea, pois, at&eacute; ent&atilde;o, as percep&ccedil;&otilde;es destas pessoas raramente eram levadas em considera&ccedil;&atilde;o na elabora&ccedil;&atilde;o das teorias sobre a defici&ecirc;ncia e no planejamento e implementa&ccedil;&atilde;o de programas de atendimento (Glat &amp; Pletsch, 2009). Contudo, especificamente os estudos com pessoas com DI ainda s&atilde;o raros, pois devido ao estigma de DI estas pessoas n&atilde;o s&atilde;o reconhecidas como capazes de refletir, analisar, opinar e tomar decis&otilde;es a respeito de sua pr&oacute;pria vida (Glat, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com base no estigma de DI a sociedade, e alguns profissionais e familiares envolvidos com esse grupo, frequentemente n&atilde;o acredita que a pessoa com DI pode, como qualquer outro ser humano, ter ang&uacute;stias, dificuldades emocionais, ser capaz de expressar seus sentimentos e compreender seus desejos e necessidades. &Eacute; como se apresentassem uma exist&ecirc;ncia incompleta por terem uma limita&ccedil;&atilde;o em seu intelecto (Glat, 1999). Contudo, diferentes estudos evidenciam que estas pessoas s&atilde;o capazes de expressar seus sentimentos e podem n&atilde;o apenas falar, mas tamb&eacute;m compreender, com apoio familiar e educacional adequado, as diversas quest&otilde;es psicol&oacute;gicas presentes em sua vida (Garcia, 2012). Para tanto, &eacute; fundamental o reconhecimento da potencialidade destas pessoas para expressarem por si mesmas suas (in)satisfa&ccedil;&otilde;es com oportunidade de conduzirem seu pr&oacute;prio processo de desenvolvimento, fazendo escolhas e tomando decis&otilde;es que sejam importantes para elas (Pereira, 2009). Estudos t&ecirc;m demonstrado que as pessoas com DI s&atilde;o mais vulner&aacute;veis a situa&ccedil;&otilde;es de estresse que a popula&ccedil;&atilde;o em geral em decorr&ecirc;ncia de receberem menos apoio emocional e terem uma baixa convic&ccedil;&atilde;o nas suas pr&oacute;prias habilidades (Lunsky, 2008). No campo da sa&uacute;de mental, a literatura estima que cerca de 40% das pessoas com DI t&ecirc;m associados diagn&oacute;sticos de transtornos mentais e/ou comportamentais, mas esse avan&ccedil;o n&atilde;o &eacute; percept&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os na &aacute;rea da sa&uacute;de mental oferecidas a estas pessoas (Surjos &amp; Campos, 2013). O reconhecimento da vulnerabilidade desta popula&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de mental &eacute; essencial para assegurar um cuidado integral e adequado a ela (Tomaz, Rosa, Van &amp; Melo, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No campo cient&iacute;fico existem importantes desafios para a investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica com pessoas com DI, perpassando por quest&otilde;es pr&aacute;ticas e &eacute;ticas como: onde encontrar os indiv&iacute;duos participantes da pesquisa (em contextos muito espec&iacute;ficos, como escolas especiais); a quem solicitar a autoriza&ccedil;&atilde;o para a participa&ccedil;&atilde;o desses adultos nas pesquisas emp&iacute;ricas (aos cuidadores exclusivamente ou &agrave;queles que ser&atilde;o parceiros na constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento); que instrumentos utilizar para a intera&ccedil;&atilde;o com os adultos com DI, notadamente quando os processos comunicacionais forem qualitativamente diferenciados; como conduzir an&aacute;lises que confiram papel ativo a esses adultos em seu desenvolvimento (Wanderer &amp; Pedroza, 2013). Diante desta realidade, destaca-se a relev&acirc;ncia e a necessidade de estudos que se preocupem em compreender a viv&ecirc;ncia das pr&oacute;prias pessoas consideradas DI para que se efetivem medidas concretas que atendam &agrave;s suas necessidades no campo da sa&uacute;de, da educa&ccedil;&atilde;o, do trabalho, do lazer, da cultura, e outros &acirc;mbitos, reconhecendo a igualdade de direitos a todas as pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Desse modo, ancorado na Psicologia Existencial Sartriana, este estudo tem como objetivo investigar como a pessoa com DI compreende sua exist&ecirc;ncia, a partir dos sentidos que atribui a si e as suas rela&ccedil;&otilde;es. Para tanto, considera-se necess&aacute;rio apresentar alguns pressupostos te&oacute;ricos desta perspectiva, relacionando com a DI.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Defici&ecirc;ncia intelectual e Psicologia Existencial Sartriana</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As abordagens existenciais no campo da psicologia postulam que a exist&ecirc;ncia do sujeito se define a partir da compreens&atilde;o que ele tem de suas experi&ecirc;ncias que resultam na descoberta de si mesmo (Teixeira, 2006). Para Sartre o sujeito &eacute; livre e constr&oacute;i sua din&acirc;mica ps&iacute;quica a partir das condi&ccedil;&otilde;es materiais e sociais concretas, mas com capacidade de transcender esta realidade, n&atilde;o sendo determinado por ela. A liberdade, que se apresenta como a&ccedil;&atilde;o no mundo, exige posi&ccedil;&atilde;o constante do sujeito perante a realidade social. A partir da combina&ccedil;&atilde;o dos dados de sua realidade e de suas possibilidades o sujeito realiza escolhas que resultam no reconhecimento de si como aquele que realizou tais a&ccedil;&otilde;es, que teve tais emo&ccedil;&otilde;es, que &eacute; esta ou aquela pessoa, definindo-se a partir daquilo que projeta no futuro, identificado como "projeto de ser", podendo escolher viver de acordo com os seus valores mais profundos no seu comprometimento familiar, profissional e comunit&aacute;rio (Schneider, 2011). Desse modo &eacute; no processo de apropria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es materiais, sociais, familiares e existenciais concretas que o sujeito constitui sua subjetividade, que imediatamente se objetiva atrav&eacute;s de seus atos, pensamentos e emo&ccedil;&atilde;o (Perdig&atilde;o, 1995). O ser humano &eacute; resultado do processo de interioriza&ccedil;&atilde;o da exterioridade coletiva e da exterioriza&ccedil;&atilde;o de sua apropria&ccedil;&atilde;o particular, sendo, por isso, um agente da hist&oacute;ria individual e coletiva ao realizar uma apropria&ccedil;&atilde;o particular da realidade coletiva que o cerca, a qual ele mesmo contribui para construir. (Vieira, Ardans-Bonifacino &amp; Roso, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Segundo Sartre (1943/2011), o ser humano tem suas viv&ecirc;ncias no mundo sempre mediadas pelos outros, inclusive na constru&ccedil;&atilde;o de seu projeto existencial. Para o fil&oacute;sofo, o fen&ocirc;meno de ser visto pelo outro assume import&acirc;ncia capital na constitui&ccedil;&atilde;o de uma pessoa, pois sem o olhar do outro ela n&atilde;o se sentiria objetivada e situada em um determinado espa&ccedil;o, existindo concretamente como corpo f&iacute;sico e com possibilidade de refletir sobre quem se &eacute;. Com isso, uma pessoa s&oacute; &eacute; capacitada a formular um ju&iacute;zo objetivo sobre ela, reconhecer-se de determinado modo, com determinadas caracter&iacute;stica e qualidades, porque esse tipo de autoconhecimento passa pelo outro que &eacute; o intermedi&aacute;rio indispens&aacute;vel que remete a ela mesma. Nesta din&acirc;mica, uma pessoa pode reconhecer a outra como algu&eacute;m livre e aberta para fazer escolhas aut&ecirc;nticas, possibilitando seu crescimento existencial, participando da constru&ccedil;&atilde;o de seu projeto, ou pode reconhecer a outra pessoa como desprovida de um projeto existencial. Na &uacute;ltima situa&ccedil;&atilde;o, a objetividade &eacute; experimentada como "aliena&ccedil;&atilde;o" onde a pessoa procura fazer escolhas a partir do ponto de vista do outro. Sua liberdade &eacute; transformada em fixidez, pois o outro designa-a dessa ou daquela maneira, suprimindo suas potencialidades e seu crescimento existencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A partir destes fundamentos, pode-se compreender a defici&ecirc;ncia como produto direto da rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre as pessoas com defici&ecirc;ncia e outros membros majorit&aacute;rios do grupo social a que pertencem e que as reconhecem e as tratam como tal. De acordo com Goffman (1988), o padr&atilde;o de relacionamento entre as pessoas se baseia em estere&oacute;tipos, pois ao interagir com algu&eacute;m, acessam-se in&uacute;meras viv&ecirc;ncias a ele relacionado. Na sociedade existe uma rede de crit&eacute;rios interiorizados baseada nos valores e costumes adotados em uma determinada &eacute;poca. Ao olhar algo imediata e inevitavelmente o indiv&iacute;duo utiliza esses crit&eacute;rios para determinar se o foco de seu olhar &eacute; ou n&atilde;o desviante dos padr&otilde;es culturalmente aceitos. No caso das pessoas com defici&ecirc;ncia, o estigma de deficiente se interp&otilde;e em todas as rela&ccedil;&otilde;es como um construto social que &eacute; internalizado pela maioria das pessoas como coisa anormal. Com base nisso, as pessoas fazem v&aacute;rios tipos de discrimina&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s das quais efetivamente e, muitas vezes sem pensar, acabam excluindo as pessoas com defici&ecirc;ncia de diferentes contextos. Desse modo, segundo Erthal (1990), apesar da ess&ecirc;ncia da liberdade ser a escolha existem condi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, biol&oacute;gicas, sociais, as quais o homem acaba por ter que se submeter j&aacute; que n&atilde;o &eacute; um ser isolado, originando os conflitos que o indiv&iacute;duo encontra em seu meio social. Considerando o significado atribu&iacute;do &agrave; defici&ecirc;ncia, pode-se dizer que as maiores condi&ccedil;&otilde;es que limitam a liberdade da pessoa com DI n&atilde;o &eacute; sua limita&ccedil;&atilde;o cognitiva, mas as barreiras que a pr&oacute;pria sociedade imp&otilde;e a esses sujeitos, que se traduzem em atitudes preconceituosas e de exclus&atilde;o. De acordo com Glat (1999), no campo das rela&ccedil;&otilde;es sociais, uma ideia equivocada &eacute; que a de que uma pessoa com DI n&atilde;o tem interesse ou habilidade para se incluir na sociedade. Entretanto, se algumas destas pessoas demonstram um n&iacute;vel mais baixo de autonomia e inser&ccedil;&atilde;o social &eacute; por terem sido tratadas a vida toda como independentes e incapazes de participar do conv&iacute;vio social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para a Psicologia Existencial, h&aacute; por parte da pessoa a escolha da aceita&ccedil;&atilde;o da objetiva&ccedil;&atilde;o imposta pelo outro, ou a possibilidade de escolher ser diferente daquilo que os outros esperam dela, caso isto n&atilde;o esteja de acordo com seu projeto existencial. Por isso, a pessoa com DI mesmo vivendo em uma sociedade que frequentemente a coloca como incapaz, pode tornar-se consciente da responsabilidade que tem sobre suas escolhas e desenvolver uma compreens&atilde;o do que tem sido e de suas possibilidades e limita&ccedil;&otilde;es. Essa liberdade e responsabilidade &eacute; poss&iacute;vel por que, de acordo com Perdig&atilde;o (1995), ser realmente livre n&atilde;o &eacute; obter-se necessariamente do que se quer, mas determinar-se a querer por si mesmo, pois a liberdade humana est&aacute; na autonomia da escolha. O homem n&atilde;o escolhe a situa&ccedil;&atilde;o, mas pode eleger sua atitude em face do que faz dessa condi&ccedil;&atilde;o, pois o importante &eacute; o que o sujeito faz daquilo que foi feito a ele. O projeto de cada pessoa &eacute; &uacute;nico, pr&oacute;prio, singular e se realiza em uma a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica igualmente &uacute;nica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse sentido, as pessoas com DI precisam ser reconhecidas pela sociedade como sujeitos que t&ecirc;m vontades e desejos, sendo oferecidas a elas apoios necess&aacute;rios em cada fase de seu desenvolvimento, de acordo com sua realidade existencial, modificando o olhar de indiferen&ccedil;a e compreendendo a singularidade de cada a&ccedil;&atilde;o humana que revela a liberdade do outro que deve ser respeitada, independente de seus atributos. Schneider (2011) afirma que h&aacute; para Sartre uma estrutura poss&iacute;vel na rela&ccedil;&atilde;o com o outro que implica o "n&oacute;s". Neste caso, ser-com-o-outro significa compartilhar projetos, dividir situa&ccedil;&otilde;es, tomar decis&otilde;es conjuntas, buscando a reciprocidade e o reconhecimento do outro enquanto liberdade, que viabiliza a constru&ccedil;&atilde;o de seu projeto existencial. Com este objetivo, segundo Schneider (2011), Sartre compreende que as rela&ccedil;&otilde;es afetivas que o homem estabelece com os outros que lhe s&atilde;o significativos n&atilde;o s&atilde;o meras rela&ccedil;&otilde;es sociais, onde a pessoa participa de certos grupos, relaciona-se com diversas pessoas, cumpre pap&eacute;is e fun&ccedil;&otilde;es sociais, mas s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es que comprometem seu ser, definem seu espa&ccedil;o, constituem sua subjetividade. Esta dimens&atilde;o relacional envolve as atitudes e os sentimentos de uma pessoa em rela&ccedil;&atilde;o a outra, tais como amor/ &oacute;dio, aceita&ccedil;&atilde;o/rejei&ccedil;&atilde;o, partilha/isolamento, e inclui tamb&eacute;m os significados que os outros t&ecirc;m para a pr&oacute;pria pessoa, quer sejam os familiares, os amigos e demais pessoas de seu c&iacute;rculo social. A compreens&atilde;o de uma pessoa sobre sua exist&ecirc;ncia &eacute; constru&iacute;da neste contexto de rela&ccedil;&otilde;es afetivas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Metodologia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico foi escolhido para conduzir esta pesquisa por ser um recurso apropriado para pesquisar a viv&ecirc;ncia e os sentidos que os sujeitos atribuem &agrave;s suas experi&ecirc;ncias, ao ser dirigido para as percep&ccedil;&otilde;es que os sujeitos t&ecirc;m daquilo que est&aacute; sendo pesquisado, as quais s&atilde;o expressas por ele mesmo (Martins &amp; Bicudo, 1994), revelando-se adequado ao objetivo desse estudo de investigar como a pessoa com DI compreende sua exist&ecirc;ncia, a partir dos sentidos que atribui a si e &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>Participantes</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Dez pessoas adultas com diagn&oacute;stico de DI estudantes de uma escola na modalidade de educa&ccedil;&atilde;o especial da cidade de Curitiba - PR participaram do presente estudo. O grupo foi composto por seis mulheres e quatro homens. Com exce&ccedil;&atilde;o de uma participante com quarenta e tr&ecirc;s anos, os outros participantes situavam-se com idade m&eacute;dia de vinte e cinco anos. Todos os participantes moravam com seus familiares: pais, irm&atilde;os, cunhado ou tios. Por uma quest&atilde;o &eacute;tica foram utilizados pseud&ocirc;nimos para nomear os participantes da pesquisa, bem como as demais pessoas citadas nas falas dos participantes. Ressalta-se que um participante trabalhava como empacotador em um supermercado, os demais eram apenas estudantes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>Procedimentos e instrumentos</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A pesquisa foi realizada em uma Escola na Modalidade de Educa&ccedil;&atilde;o Especial de Curitiba, Paran&aacute;, onde um dos pesquisadores trabalhava como psic&oacute;logo. A escola atende pessoas com DI a partir dos quinze anos de idade. Foi apresentada a proposta do estudo para a equipe diretiva e ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o pela institui&ccedil;&atilde;o foi feita uma lista de todos os alunos que preenchiam dois crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: (a) facilidade de comunica&ccedil;&atilde;o e entendimento das quest&otilde;es, uma vez que a coleta de dados era feita por meio de entrevista gravada; (b) o interesse e a motiva&ccedil;&atilde;o em participar da pesquisa. Um termo de consentimento livre e esclarecido, com explica&ccedil;&otilde;es detalhadas da pesquisa, foi enviado aos respons&aacute;veis de todos alunos com base na lista criada, por meio da agenda escolar dos estudantes. O pesquisador se colocou &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para esclarecer todas as d&uacute;vidas dos respons&aacute;veis. De quarenta e oito termos enviados, apenas retornaram dez assinados. Ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o dos familiares e do consentimento pessoal dos participantes, que tamb&eacute;m assinaram o termo (os n&atilde;o alfabetizados colocaram suas digitais), as entrevistas foram agendadas e realizadas na pr&oacute;pria escola.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As entrevistas, com dura&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de trinta minutos, foram feitas de forma individual em uma sala apropriada para conservar a intimidade dos participantes e para que eles se sentissem &agrave; vontade em responder as perguntas. Estavam presente apenas o pesquisador e o (a) entrevistado (a). Inicialmente, o pesquisador explicava o objetivo da pesquisa aos participantes que foram informados que a conversa seria gravada, mas que seus depoimentos e identidades n&atilde;o seriam divulgados. Essas informa&ccedil;&otilde;es foram dadas em uma linguagem simples e objetiva, as eventuais perguntas dos participantes foram respondidas. Os limites dos participantes foram respeitados para n&atilde;o os constranger, cabendo a eles responderem apenas ao que tivessem vontade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em um primeiro momento foi pedido aos participantes que de forma livre falassem sobre eles. A quest&atilde;o inicial foi "fale sobre voc&ecirc;". Posteriormente, foi acrescentada a pergunta "como voc&ecirc; se relaciona com as pessoas? ". Com base na fala dos participantes, outras quest&otilde;es eram colocadas pelo pesquisador aos entrevistados de modo a clarificar e aprofundar suas compreens&otilde;es. De acordo com Amatuzzi (2011), a possibilidade do pesquisador atuar como facilitador do acesso ao vivido &eacute; de fundamental import&acirc;ncia na pesquisa fenomenol&oacute;gica, pois, muitas vezes, os participantes nunca tiveram oportunidade de efetivamente falar sobre sua experi&ecirc;ncia, sendo no ato da rela&ccedil;&atilde;o pessoal, quando surge a oportunidade de diz&ecirc;-lo, que tal conte&uacute;do &eacute; acessado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>An&aacute;lise dos dados</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As entrevistas, gravadas e transcritas integralmente, foram analisadas de acordo com as premissas do m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico realizado em quatro momentos 1) Leitura geral da entrevista, sem interpreta&ccedil;&otilde;es, buscando familiariza&ccedil;&atilde;o com o fen&ocirc;meno; 2) Identifica&ccedil;&atilde;o de unidades de significado, focalizando o fen&ocirc;meno estudado, no caso a compreens&atilde;o que a pessoa com DI tinha de sua exist&ecirc;ncia; 3) Releitura dos textos na procura de apreens&atilde;o mais abrangente do fen&ocirc;meno estudado; 4) Reagrupamento dos elementos relevantes, transformando as unidades de significado em uma descri&ccedil;&atilde;o consistente da estrutura do fen&ocirc;meno, com base nas converg&ecirc;ncias dos discursos, naquilo que permaneceu de algum modo em todos os relatos e que, portanto, aponta para ess&ecirc;ncia do fen&ocirc;meno estudado (Martins &amp; Bicudo, 1994).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os resultados foram agrupados em tr&ecirc;s unidades de significado: "o (n&atilde;o) falar sobre si e o sentimento de solid&atilde;o e abandono"; "a percep&ccedil;&atilde;o de si e a ang&uacute;stia existencial", "a escola como espa&ccedil;o de conviv&ecirc;ncia e rela&ccedil;&otilde;es significativas".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>O (n&atilde;o) falar sobre si e o sentimento de solid&atilde;o e abandono</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ao serem solicitados a falar sobre si, incialmente o sil&ecirc;ncio dos participantes se fazia presente. Como disseram: "Eu falo de mim s&oacute; quando algu&eacute;m pergunta, ou ent&atilde;o n&atilde;o falo. S&oacute; falo quando algu&eacute;m quer saber alguma coisa de mim, pois n&atilde;o tenho o que dizer" (&Aacute;lvaro). "Eu gosto de falar sobre mim, mas &eacute; dif&iacute;cil, s&oacute; falo quando algu&eacute;m pergunta. Se n&atilde;o perguntar, n&atilde;o falo" (Felipe). Dessa forma, compreendeu-se que estas pessoas falam de si apenas quando h&aacute; interesse por parte de outras pessoas, o que normalmente n&atilde;o acontece, pois, segundo os participantes: "Conversar eu n&atilde;o converso muito, eu fico quieto no meu canto, eu n&atilde;o tenho ningu&eacute;m para conversar, ningu&eacute;m quer conversar comigo" (Leonardo). "Eu n&atilde;o tenho coragem de falar de mim para as pessoas, eu acho que elas n&atilde;o querem me ouvir, porque fogem de mim, se eu falo algo elas n&atilde;o querem nem escutar" (Marcela).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse sentido, a conversa, que parte ent&atilde;o sempre do outro, torna-se restrita a quest&otilde;es em torno das atividades do dia-a-dia: "Eu falo do futebol que eles (pais) perguntam para mim (...). Eles perguntam como eu estou na escola. As outras pessoas perguntam como estou em casa, perguntam se minha fam&iacute;lia vai bem" (&Aacute;lvaro). "Converso com a minha av&oacute;, com minha tia, falo que eu gosto de ir &agrave; igreja, que eu gosto de ir &agrave; escola, essas coisas" (Julia). "Falo se estou estudando, converso com eles (familiares) sobre como est&atilde;o as coisas". (Dione). Assim, conversar para essas pessoas significa falar sobre "como est&atilde;o as coisas", no entanto, n&atilde;o contam, por exemplo, como elas se sentem em rela&ccedil;&atilde;o ao que vivenciam. N&atilde;o se aprofundam em seus di&aacute;logos e nas quest&otilde;es mais pessoais que experimentam, como seus conflitos e ang&uacute;stias:</font></p>     <blockquote>      <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Eu n&atilde;o gosto de falar para eles (fam&iacute;lia) que estou triste, eu vou falar pra Deus (...) a &uacute;nica pessoa com quem eu comento sobre o que sinto &eacute; com Jesus. Agora os outros assim n&atilde;o. Porque Jesus &eacute; meu melhor amigo. " (Julia).</font></p>      <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Aquele dia que o pai estava ruim eu pensei que ele estava morrendo n&eacute;? Me deu aquela sensa&ccedil;&atilde;o, aquele aperto, e da&iacute; come&ccedil;a a doer o peito n&eacute;? E eu pensei o pai vai embora n&eacute;? Parecia que as tr&ecirc;s noites que o pai estava no hospital, as tr&ecirc;s noites parecia que ele estava indo embora. E eu n&atilde;o comentei disso com ningu&eacute;m e ningu&eacute;m me perguntou". (L&iacute;lian)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para o existencialismo sartreano, &eacute; por meio de uma consci&ecirc;ncia reflexiva que um sujeito pode compreender suas a&ccedil;&otilde;es e sentimentos, pois &eacute; espontaneamente afetado pelas situa&ccedil;&otilde;es que vivencia. Sartre (1939/2014, p.55) afirma que "&eacute; sempre poss&iacute;vel tomar consci&ecirc;ncia da emo&ccedil;&atilde;o como estrutura afetiva da consci&ecirc;ncia, dizer: estou com raiva, tenho medo, etc", pois a emo&ccedil;&atilde;o &eacute; uma certa maneira de compreender o mundo. As coisas adquirem significado conforme a situa&ccedil;&atilde;o em que se est&aacute; inserido e implicam na experimenta&ccedil;&atilde;o que dela se tem. Portanto, o confronto com as emo&ccedil;&otilde;es e os pr&oacute;prios sentimentos s&atilde;o necess&aacute;rios para o desenvolvimento do "projeto existencial" do sujeito (Sartre, 1939/2014).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na fala dos participantes, observou-se que raramente &eacute; dada oportunidade e possibilidade para eles se expressarem. A pouca possibilidade de compartilhar sua vida emocional com outras pessoas favorece o sentimento de solid&atilde;o que se revelou nos relatos de vida das pessoas com DI:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>      <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Eacute; ruim ficar sozinha! Eu fico triste &agrave;s vezes, eu choro, n&atilde;o gosto de ficar sozinha. Como aqui no recreio da escola, fico do meio-dia at&eacute; a hora de entrar na sala sozinha porque ningu&eacute;m conversa comigo! Eu fico sozinha e eu n&atilde;o gosto de ficar sozinha. Com a fam&iacute;lia eu me sinto bastante sozinha, com os amigos a mesma coisa, eu me sinto sozinha na igreja tamb&eacute;m. Eu n&atilde;o quero ficar sozinha! &Eacute; ruim! Eu n&atilde;o gosto de ficar sozinha. (Julia)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O sentimento de solid&atilde;o, abandono e tristeza, marca a fala de J&uacute;lia e esteve presente na fala de outros participantes. Nesse sentido, a tristeza decorre da aus&ecirc;ncia, nem sempre f&iacute;sica, pois o sentimento de ser sozinha apareceu mesmo em meio a muitas pessoas, mas principalmente interna, consciente da aus&ecirc;ncia do outro. Os participantes da pesquisa demonstraram o quanto &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o ter algu&eacute;m que os escute e os entenda. Em muitos momentos, estas pessoas n&atilde;o se sentem vistas e importantes para algu&eacute;m. O sentimento de solid&atilde;o surge como resultado da dist&acirc;ncia afetiva das outras pessoas. Tem-se ent&atilde;o o desejo de algu&eacute;m que goste delas como pessoas &uacute;nicas e com quem podem conversar para n&atilde;o se sentirem t&atilde;o sozinhas: "Se algu&eacute;m se importasse comigo eu n&atilde;o estava desse jeito, triste, magoada com o cora&ccedil;&atilde;o apertado e doendo (...) eu queria que falassem mais comigo, mas ningu&eacute;m conversa comigo". (Camila). Amanda, outra participante, tamb&eacute;m relata:</font></p>     <blockquote>      <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Roberta era a mo&ccedil;a que cuidava do p&aacute;tio no intervalo (...) &agrave;s vezes eu estava sozinha e triste em um canto e a Roberta me chamava para conversar, a gente conversava bastante (...) ela queria saber o que eu estava sentindo sabe? (...) Eu me sentia alegre quando ela estava comigo, depois ela foi embora da escola e eu senti muita falta dela, ficou sem gra&ccedil;a, ningu&eacute;m mais conversa comigo. "</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para a Psicologia Existencial, conforme Camon (2002), a solid&atilde;o &eacute; condi&ccedil;&atilde;o imanente ao homem e faz parte de sua vida, por&eacute;m, em determinados momentos, as pessoas a percebem mais agudamente e n&atilde;o sabem, ou tem dificuldade, em lidar com este sentimento. A solid&atilde;o -ser s&oacute; -&eacute; diferente de isolamento -estar s&oacute;. O isolamento social se revela presente na vida das pessoas com DI e tem origem a partir do modo superficial com que as pessoas em geral se relacionam com elas, isso torna muito penosa a sensa&ccedil;&atilde;o de ser s&oacute; que se revela forte e dolorida. Ao se relacionar com algu&eacute;m &iacute;ntimo, a sensa&ccedil;&atilde;o que uma pessoa tem &eacute; de que a solid&atilde;o se afasta de sua exist&ecirc;ncia. Por isso, quando uma pessoa procura outra &eacute; para que, ainda que por breves momentos, ela possa ter significado para algu&eacute;m. Se o outro de alguma forma a percebe e ama, ameniza o peso da solid&atilde;o na conviv&ecirc;ncia e na intera&ccedil;&atilde;o com esse outro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>A percep&ccedil;&atilde;o de si e a ang&uacute;stia existencial</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na perspectiva existencial o autoconceito &eacute; a vis&atilde;o que uma pessoa tem de si pr&oacute;pria baseada em experi&ecirc;ncias passadas, estimula&ccedil;&otilde;es presentes e expectativas futuras. Apresenta dois aspectos: a maneira como o indiv&iacute;duo encara suas capacidades, status e pap&eacute;is sociais; e o que ele gostaria de ser, suas aspira&ccedil;&otilde;es, ou autoimagem idealizada. (Erthal, 1990). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma como se v&ecirc;em os participantes desta pesquisa definiram-se em termos gerais como "educados", "prestativos", "inteligentes", "esfor&ccedil;ados", "comportados", "calmos", "estudiosos". Percebeu-se que ao falarem de si enfatizavam principalmente seus aspectos positivos: "Ah eu gosto de mim, eu sou uma pessoa legal, simp&aacute;tica, educada, gosto de ajudar, conversar com os colegas e ajudar os professores" (Marcela). No entanto, em alguns momentos, estas pessoas demonstraram o quanto &eacute; dif&iacute;cil lidar com a forma como os outros as v&ecirc;em, que nem sempre corresponde a essa imagem que t&ecirc;m de si e que revela outros aspectos, n&atilde;o agrad&aacute;veis de sua exist&ecirc;ncia. Os pr&oacute;prios colegas apontam aquilo que em muitos momentos essas pessoas n&atilde;o aceitam em si mesmo: "Ontem eu fui trabalhar na horta e a Carla me chamou de feia, de bruxa, chata, nervosa, da&iacute; eu falei: - N&atilde;o sou bruxa sou uma pessoa legal e n&atilde;o gosto que me chamem de bruxa" (L&uacute;cia). "Eu me sinto feio, me acho feio, &eacute; dif&iacute;cil uma pessoa achar que eu sou bonito, ent&atilde;o eu me acho feio mesmo! " (Felipe).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os adjetivos que qualificam as caracter&iacute;sticas que constituem o autoconceito formam o sentimento de autoestima, extens&atilde;o na qual o indiv&iacute;duo admira ou valoriza o eu. O olhar do outro interfere na autoimagem que tem rela&ccedil;&atilde;o com o esquema corporal e envolve a autoestima e autoavalia&ccedil;&atilde;o. A autoestima &eacute;, em parte, determinada pelas experi&ecirc;ncias anteriores da pessoa tal como ela percebe, pois existem aquelas que apesar de suas qualidades tende a perceb&ecirc;-las como nulas ou deficientes. O que parece ser o caso dos participantes deste estudo que se definem de modo positivo, mas que pelo olhar do outro, nas situa&ccedil;&otilde;es reveladas pelas suas falas, sentem o oposto disso e revelam uma imagem de si negativa, e, consequentemente, baixa autoestima (Erthal, 1990).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Segundo Bianchetti (2004), na contemporaneidade, a diferen&ccedil;a, ou defici&ecirc;ncia, &eacute; apreendida como defeito. O que se busca, a todo custo, &eacute; a padroniza&ccedil;&atilde;o, obedecendo a crit&eacute;rios que s&oacute; s&atilde;o preenchidos por uma minoria No caso da pessoa com defici&ecirc;ncia, o outro pode coloc&aacute;la como incapaz, diferente, prendendo-se ao estere&oacute;tipo, estigmatizando-a. Para o outro ela ser&aacute; "in&uacute;til", "feia", "anormal". Por outro lado, a pessoa com defici&ecirc;ncia assume essa imagem para si e, presa a isso, pode deixar de conhecer determinados os aspectos de sua exist&ecirc;ncia. Para Sartre (1943/2011), a liberdade de escolha consiste na principal caracter&iacute;stica da condi&ccedil;&atilde;o humana e vem acompanhada da responsabilidade do sujeito assumir e se responsabilizar pelas suas escolhas. Por&eacute;m, a ang&uacute;stia resultante dessa responsabilidade pode tornar-se um fardo pesado demais, tendo em vista as possibilidades barradas no cotidiano ou mesmo a dificuldade em compartilhar essa ang&uacute;stia. Sartre chama de m&aacute;-f&eacute; o ato do sujeito assumir espontaneamente uma identidade r&iacute;gida, a ponto de negar que exista uma possibilidade de ser diferente. Trata-se de uma imagem fixa que o sujeito criou de si mesmo ou de algum papel social que desempenha, com o objetivo de aliviar seu sentimento de ang&uacute;stia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quando as outras pessoas n&atilde;o se relacionam do modo como a pessoa com DI espera ser tratada, ela sente como se as outras pessoas n&atilde;o gostassem dela: "Eu n&atilde;o gosto de ser maltratada (...) maltratada &eacute; quando as pessoas saem correndo da gente (...) qualquer brincadeira que as pessoas fazem comigo me deixam nervosa, brincadeiras tipo: a L&uacute;cia &eacute; uma feia, uma bruxa". (L&uacute;cia). "Ah, a pessoa precisa aprender a aceitar a gente assim n&eacute;? A n&atilde;o brigar com a gente e a ajudar quando a gente precisar tamb&eacute;m. Tem que gostar da gente". (J&uacute;lia). Estas afirma&ccedil;&otilde;es parecem revelar n&atilde;o apenas a necessidade de relacionamentos onde sentimentos amorosos de considera&ccedil;&atilde;o e respeito estejam presentes, mas tamb&eacute;m as dificuldades em elaborar os pr&oacute;prios sentimentos socialmente considerados negativos como raiva e vergonha. O pensar sobre si pr&oacute;prio e os sentimentos que derivam desta reflex&atilde;o est&atilde;o articulados com as oportunidades de vivenciar rela&ccedil;&otilde;es sociais que confirmam ou alteram aquilo j&aacute; anteriormente constru&iacute;do atrav&eacute;s de viv&ecirc;ncias pr&eacute;vias. A pessoa com DI, como qualquer pessoa, ao compreender a imagem que tem de si, precisa conscientizar-se de suas possibilidades e limita&ccedil;&otilde;es, reconhecendo tanto seus aspectos positivos como os negativos, criando consigo mesma e com os outros uma rela&ccedil;&atilde;o mais agrad&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>A escola como espa&ccedil;o de conviv&ecirc;ncia e rela&ccedil;&otilde;es significativas.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ao falarem sobre seus relacionamentos com as outras pessoas os participantes do estudo trouxeram suas viv&ecirc;ncias no contexto escolar. A escola se revelou para eles como o local em que encontram maiores oportunidades de conviv&ecirc;ncia social, aprendendo a fazer escolhas afetivas atrav&eacute;s de amizades constru&iacute;das. Fora dela poucos s&atilde;o os contatos com outras pessoas que n&atilde;o sejam de sua fam&iacute;lia. Em rela&ccedil;&atilde;o aos locais que frequentavam, estes se restringiam a &aacute;reas dentro da vizinhan&ccedil;a onde s&atilde;o conhecidos, na igreja, e, &agrave;s vezes, na casa dos colegas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Desse modo, o sentido que essas pessoas atribu&iacute;ram a escola foi de um local que gostavam pela possibilidade de conversarem com os colegas e fazerem amizades: "&Eacute; legal, eu gosto da escola, eu gosto de conversar com todo mundo aqui na escola. Converso com um, converso com outro, a gente d&aacute; risada, mas fora da escola com ningu&eacute;m" (Dione). "Eu gosto dessa escola, eu gosto de ficar aqui. Gosto das professoras, de todo mundo, porque todos gostam de mim e gostam que eu goste deles". (Camila). O espa&ccedil;o educacional apresentou-se, como um local prop&iacute;cio para o compartilhamento das emo&ccedil;&otilde;es, segredos e descobertas sobre si e os outros. As rela&ccedil;&otilde;es de amizade apareceram como um aspecto importante para as pessoas com DI. Com os amigos elas sentiam-se valorizadas, pois amizade estava ligada a companheirismo, compreens&atilde;o, apoio: "Amizade &eacute; companheirismo, ajudar o outro quando precisa e quando n&atilde;o precisa tamb&eacute;m, nas coisas boas e nas coisas ruins" (&Aacute;lvaro). "Amizade &eacute; carinho, amor, compreens&atilde;o. Elas (as amigas) me d&atilde;o apoio para eu n&atilde;o ficar nervosa, n&atilde;o ficar chorando, n&atilde;o brigar" (L&iacute;lian). "Amizade &eacute; ficar junto com os outros, tratar as pessoas bem, n&atilde;o falar mal, tudo que as pessoas querem". (Camila). Compreendeu-se que quando existe uma rela&ccedil;&atilde;o de amizade, algu&eacute;m com quem podem conversar, estas pessoas sentemse aceitas, compreendidas e estimadas. Por isso, &eacute; importante ter um amigo, seja para partilhar suas alegrias ou falar sobre seus problemas: "Eu converso um monte de coisa com as pessoas da escola. &Eacute; bom falar com eles, eu me sinto feliz, alegre, bem n&eacute;? " (Felipe). "Eu gosto dos amigos porque a gente pode se abra&ccedil;ar, conversar. &Eacute; carinho que a gente sente, que eu sinto. Eu gosto disso, gosto que conversem e que fa&ccedil;am amizade comigo, me deem carinho". (Marcela).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A compreens&atilde;o de amizade por parte dos participantes evidencia que estas pessoas valorizam na rela&ccedil;&atilde;o com o outro o respeito, a aceita&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a, a bondade, o aux&iacute;lio, a sinceridade. Ao mesmo tempo, esses valores parecem revelar o que eles desejam e esperam por parte das outras pessoas para serem mais felizes em seus relacionamentos. Estas compreens&otilde;es permitem identificar que as rela&ccedil;&otilde;es sociais da pessoa com DI, apesar de serem restritas a contextos institucionais bem estruturados como a escola e a igreja, podem propiciar a importante experi&ecirc;ncia de lidar com as pr&oacute;prias limita&ccedil;&otilde;es e qualidades e reconhecer estes aspectos nos outros. Uma vez que tais limita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o inclu&iacute;das na rela&ccedil;&atilde;o e as qualidades s&atilde;o ressaltadas, as rela&ccedil;&otilde;es de amizade facilitam a melhoria da autoestima, promovendo a percep&ccedil;&atilde;o de si enquanto uma pessoa pertencente a um determinado contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Diante destes resultados, &eacute; relevante discutir o papel que a escola vem desempenhando em rela&ccedil;&atilde;o as pessoas com DI jovens e adultas. Se esta institui&ccedil;&atilde;o &eacute; um espa&ccedil;o significativo de trocas afetivas com outras pessoas, &eacute; tamb&eacute;m um ambiente que limita a viv&ecirc;ncia dessas pessoas na sociedade. A terminalidade dos estudos, a inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho e a inclus&atilde;o em outros contextos extra escolares, n&atilde;o se evidenciou na fala dos participantes. A escola favorece o sentimento de prote&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a dos participantes, sendo um local para permanecerem para sempre. Mesmo o participante que trabalhava e tinha autonomia e independ&ecirc;ncia, optou por continuar na escola pelo sentimento de pertencimento a este local. Santos, Mendon&ccedil;a e Oliveira (2014) discutem que, apesar das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, ainda h&aacute; um n&uacute;mero significativo de alunos com DI matriculados em institui&ccedil;&otilde;es especializadas e classes especiais. As autoras ressaltam que a perman&ecirc;ncia do estudante com DI somente na institui&ccedil;&atilde;o especializada acaba por refor&ccedil;ar o estigma da diferen&ccedil;a e o sentimento de menos valia, fazendo com que eles n&atilde;o avancem em seu processo de desenvolvimento. Al&eacute;m disso, alguns estudos na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o especial apontam que parte dos trabalhos pedag&oacute;gicos, direcionados a alunos com DI, parecem estar centrados nas incapacidades do sujeito e na imutabilidade da defici&ecirc;ncia, evidenciando um desconhecimento do papel da institui&ccedil;&atilde;o especializada em tempos de inclus&atilde;o (Santos, Mendon&ccedil;a e Oliveira, 2014). Por ser o principal espa&ccedil;o de conviv&ecirc;ncia destas pessoas, a escola especial deveria criar propostas que possibilitassem a inclus&atilde;o delas em outros contextos, sendo a escolariza&ccedil;&atilde;o reconhecida como uma etapa de suas vidas, e n&atilde;o como algo para vida toda. O foco poderia ser em atividades que promovessem a autonomia e independ&ecirc;ncia da pessoa com DI, oferecendo, por exemplo, um trabalho de orienta&ccedil;&atilde;o profissional e sexual, oficinas de cidadania e participa&ccedil;&atilde;o social, criando espa&ccedil;os de trocas significativas que possibilitassem a compreens&atilde;o de seus sentimentos e a aprendizagem de habilidades para se inserirem em diferentes contextos, encorajando essas pessoas a pertencerem a outros grupos sociais al&eacute;m do ambiente escolar e familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">De acordo como Trentin e Raitz (2018), para as pessoas com defici&ecirc;ncia a educa&ccedil;&atilde;o exerce um papel fundamental em sua inser&ccedil;&atilde;o e perman&ecirc;ncia no mercado de trabalho. Por&eacute;m, nessa rela&ccedil;&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o/trabalho, torna-se necess&aacute;rio um planejamento de transi&ccedil;&atilde;o para a vida p&oacute;s-escolar, a qual envolva a escola, a fam&iacute;lia e o pr&oacute;prio jovem. Considera-se pertinente salientar que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve se restringir ao preparo das pessoas com defici&ecirc;ncia para se adaptarem &agrave; sociedade e ao mundo do trabalho, mas tamb&eacute;m para que possam compreender a realidade que as cerca em sua complexidade e historicidade, atuando em prol de formas mais humanizadas de exist&ecirc;ncia social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este estudo buscou a compreens&atilde;o que as pr&oacute;prias PDI t&ecirc;m a respeito das quest&otilde;es que perpassam sua exist&ecirc;ncia. Os resultados evidenciam que elas sentem a necessidade de serem valorizadas e apoiadas na compreens&atilde;o de seus sentimentos, podendo compartilhar com outras pessoas suas experi&ecirc;ncias, o que possibilita a constru&ccedil;&atilde;o de seu projeto existencial, o exerc&iacute;cio de sua liberdade, o confronto com sua ang&uacute;stia e solid&atilde;o, e a busca por alternativas existenciais menos tristes e desesperadoras, para que desenvolvam ao m&aacute;ximo suas atitudes e comportamentos de acordo com sua realidade existencial em cada fase da vida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As institui&ccedil;&otilde;es educativas t&ecirc;m especial fun&ccedil;&atilde;o nesse processo por ser o lugar onde as pessoas com DI encontram maiores oportunidades de viv&ecirc;ncias sociais e afetivas. Para tanto, as escolas especiais precisam se questionar at&eacute; que ponto n&atilde;o est&atilde;o reproduzindo a situa&ccedil;&atilde;o de segrega&ccedil;&atilde;o social, mantendo os adultos com DI em um status infantilizado que n&atilde;o permite o acesso &agrave; vida adulta e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais maduras. Em um ambiente vigiado e protegido, conv&eacute;m discutir quais s&atilde;o as oportunidades oferecidas para que estas pessoas alcancem autonomia e independ&ecirc;ncia necess&aacute;ria para o amadurecimento emocional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No campo da psicologia os profissionais precisam criar alternativas de atendimentos voltadas para &agrave;s quest&otilde;es existenciais das pessoas com DI, pois poucos s&atilde;o os servi&ccedil;os psicol&oacute;gicos voltados especificamente &agrave; esta popula&ccedil;&atilde;o. Como foi observado, e outros estudos na &aacute;rea t&ecirc;m indicado, grande parte destas pessoas podem falar sobre si e ser capaz de expressar seus sentimentos, compreendendo-os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este estudo se limitou a pessoas com DI em um contexto educacional bastante espec&iacute;fico, que &eacute; a escola na modalidade de educa&ccedil;&atilde;o especial. Atualmente estas pessoas est&atilde;o inseridas em outros contextos escolares, de trabalho, de sa&uacute;de. Muitas fam&iacute;lias reconhecem as capacidades de seus filhos com DI e buscam alternativas que promovam a sua inclus&atilde;o social. Portanto, recomenda-se que sejam realizados estudos com esta popula&ccedil;&atilde;o em contextos diferenciados, ampliando os resultados apresentados neste texto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Amatuzzi, M. M. (2011). Pesquisa Fenomenol&oacute;gica em Psicologia. In M. A. T. Bruns, &amp; A. F. Holanda, (Org.). <i>Psicologia e Fenomenologia: reflex&otilde;es e perspectivas</i> (pp. 17-25). Campinas, SP: Al&iacute;nea.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039356&pid=S1809-6867202100020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">American Association on Intellectual and Developmental Disabilities. (2010). <i>Intellectual disability: definition, classification, and systems of supports.</i> Washington, DC: AAIDD.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039358&pid=S1809-6867202100020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Bianchetti, L. (2004). Aspectos hist&oacute;ricos da com preens&atilde;o e da educa&ccedil;&atilde;o dos considerados de ficientes. In L. Bianchetti, &amp; I. M. Freire. (Org.). <i>Um olhar sobre a diferen&ccedil;a: intera&ccedil;&atilde;o, trabalho e cidadania</i> (pp. 21-51). S&atilde;o Paulo: Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039360&pid=S1809-6867202100020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Camon, V.A. (1999). <i>Solid&atilde;o: A aus&ecirc;ncia do Outro</i>. S&atilde;o Paulo: Pioneira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039362&pid=S1809-6867202100020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Erthal, T.S. (1990). <i>Terapia Vivencial.</i> Rio de Janeiro: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039364&pid=S1809-6867202100020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Garcia, W. P. (2012). Apontamentos e reflex&otilde;es sobre a sexualidade da pessoa com defici&ecirc;ncia intelectual. <i>Psicologia Argumento</i>, <i>30</i>(68),149-160.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039366&pid=S1809-6867202100020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Glat, R. (1999). Refletindo sobre o papel do psic&oacute;logo no atendimento ao deficiente mental. <i>PSI - Revista de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina,</i> 1(1). Recuperado de <a href="http://www.uel.br/ccb/psicologia/revista/refletind.htm" target="_blank">http://www.uel.br/ccb/psicologia/revista/refletind.htm</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039368&pid=S1809-6867202100020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Glat, R., &amp; Pletsch, M. D. (2009). O m&eacute;todo de hist&oacute;ria de vida em pesquisas sobre auto-percep&ccedil;&atilde;o de pessoas com necessidades educacionais especiais. <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o Especial</i>, <i>22</i>(34),139-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039369&pid=S1809-6867202100020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Goffman, E. (1988). <i>Estigma: Notas sobre a Manipula&ccedil;&atilde;o da Identidade Deteriorada.</i> (4ª ed.). Rio de Janeiro: LTC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039371&pid=S1809-6867202100020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Lunsky, Y. (2008). The impact of stress and social support on the mental health of individuals with intellectual disabilities. <i>Salud P&uacute;blica de M&eacute;xico, 50</i>(2),151-153.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039373&pid=S1809-6867202100020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Martins, J., &amp; Bicudo, M. A. V. (1994). <i>A pesquisa qualitativa em psicologia: fundamentos e recursos b&aacute;sicos.</i> S&atilde;o Paulo: Moraes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039375&pid=S1809-6867202100020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Perdig&atilde;o, P. (1995). <i>Exist&ecirc;ncia e Liberdade: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; filosofia de Sartre</i>. Porto Alegre: L&amp; PM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039377&pid=S1809-6867202100020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pereira, J. R. T. (2009). Aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio de qualidade de vida em pessoas com defici&ecirc;ncia intelectual. <i>Psicologia em Pesquisa</i>, <i>3</i>(1),59-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039379&pid=S1809-6867202100020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pessoti, I. (1984). <i>Defici&ecirc;ncia Mental: da Supersti&ccedil;&atilde;o &agrave; Ci&ecirc;ncia</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039381&pid=S1809-6867202100020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Santos, R., Mendon&ccedil;a, S., &amp; Oliveira, M. C. (2014). A institui&ccedil;&atilde;o especializada em tempos de inclus&atilde;o. <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o Especial, 27</i>(48),41-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039383&pid=S1809-6867202100020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Sartre, J. P. (2011). O ser e o nada: Ensaio de Ontologia Fenomenol&oacute;gica (P. Perdig&atilde;o, Trad). Petr&oacute;polis: Vozes. (Texto original publicado em 1943).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039385&pid=S1809-6867202100020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Sartre, J. P. (2014). Esbo&ccedil;o para uma teoria das emo&ccedil;&otilde;es (P. Neves, Trad.). Porto Alegre: L&amp; PM. (Texto original publicado em 1939).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039387&pid=S1809-6867202100020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Schneider, D. R. (2011). <i>Sartre e a Psicologia Cl&iacute;nica.</i> Florian&oacute;polis: Editora da UFSC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039389&pid=S1809-6867202100020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Souza, F. R., &amp; Barbato, S. B. (2017). Revis&atilde;o sistem&aacute;tica de estudos qualitativos brasileiros com pessoas diagnosticadas como deficientes intelectuais. <i>Intera&ccedil;&atilde;o em Psicologia, 21</i>(1),66-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039391&pid=S1809-6867202100020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Surjus, L. T. L. S., &amp; Campos, R. T. O. (2013). Defici&ecirc;ncia Intelectual e Sa&uacute;de Mental: Quando a Fronteira Vira Territ&oacute;rio<i>. Rev. Polis e Psique, 3</i>(2),82-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039393&pid=S1809-6867202100020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Teixeira, J.A. (2006). Introdu&ccedil;&atilde;o a Psicoterapia Existencial. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica,</i> 3(24),389-309.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039395&pid=S1809-6867202100020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tomaz, R V. V.; Rosa, T. L.; Van, D. B., &amp; Melo, D. G. Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de para deficientes intelectuais no Brasil: uma revis&atilde;o integrativa. <i>Ci&ecirc;ncia e sa&uacute;de coletiva</i>, <i>21</i>(1),155-172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039397&pid=S1809-6867202100020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Vieira, C. A., Ardans-Bonifacino, H. O., &amp; Roso, A. (2016). A constru&ccedil;&atilde;o do sujeito na perspectiva de Jean-Paul Sartre. <i>Revista Subjetividades, 16</i>(1),119-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039399&pid=S1809-6867202100020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Wanderer, A., &amp; Pedroza, R. L. S. (2013). Adultos com defici&ecirc;ncia na psicologia: desafios para uma investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica politicamente consciente. <i>Revista Psicologia Pol&iacute;tica</i>, <i>13</i>(26),147-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039401&pid=S1809-6867202100020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Trentin, V.B., &amp; Raitz, T.R. (2018). Educa&ccedil;&atilde;o e trabalho: forma&ccedil;&atilde;o profissional para jovens com defici&ecirc;ncia intelectual na escola especial. <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o Especial</i> 31(62),713-726.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3039403&pid=S1809-6867202100020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Recebido em 15.07.2019    <br> Aceito em 18.01.2021</font></p>      ]]></body>
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