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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção das práticas de consultoria em psicologia organizacional e do trabalho]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study aimed at describing the path of pioneering enterprises in the offering of organizational and work psychology services in Rio Grande do Sul, investigating the relationship between the consulting practices and the political, historical and social-economical configurations of the working environment in the last decades. The research was developed in the qualitative approach based on a case study. Two pioneering companies in organizational and work psychology were chosen for the study. The findings collected by means of semi-structured interviews and documents of enterprises exam. It was verified that the recruitment and selection practices prevailed among the services available in the decade of 1970, thoroughly favored by the political and social economical context of the "Brazilian miracle" period. Lately, the last transformations in the productive context promoted the development of the consulting practices, that assume, for the participants of the study, quite diversified conceptions. The adaptation to the market, through the diversification of activities and the reproduction of the compressing processes and out source services, is an important strategy for the survival of the organizations]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A constru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de consultoria em psicologia organizacional e do trabalho </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Consulting practices building in organizational and work psychology</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vanise Grassi<sup>I</sup>; Maria da Gra&ccedil;a Corr&ecirc;a Jacques<sup>II</sup>; Ticiana Schossler<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Mestre em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS. (<a href="mailto:vanisegrassi@yahoo.com.br">vanisegrassi@yahoo.com.br</a>)     <br> <sup>II</sup>Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o pela PUCRS. (<a href="mailto:fjacques@terra.com.br">fjacques@terra.com.br</a>) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo teve como objetivo descrever a trajet&oacute;ria de empresas pioneiras na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho no Rio Grande do Sul, investigando as rela&ccedil;&otilde;es entre as pr&aacute;ticas de consultoria e as configura&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, hist&oacute;ricas e socioecon&ocirc;micas do contexto de trabalho das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. A pesquisa foi desenvolvida dentro da abordagem qualitativa, fundamentada pelas orienta&ccedil;&otilde;es do estudo de caso. Foram escolhidas para estudo duas empresas pioneiras na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas e exame de documentos das empresas. Constatou-se que as pr&aacute;ticas de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o predominavam entre os servi&ccedil;os disponibilizados na d&eacute;cada de 1970, amplamente favorecidas pelo contexto pol&iacute;tico e socioecon&ocirc;mico do per&iacute;odo do "milagre brasileiro". Nos &uacute;ltimos anos, as transforma&ccedil;&otilde;es no contexto produtivo promoveram o fortalecimento das pr&aacute;ticas de consultoria, que assumem, para os participantes do estudo, concep&ccedil;&otilde;es bastante diversificadas. A adapta&ccedil;&atilde;o ao mercado, atrav&eacute;s da diversifica&ccedil;&atilde;o de atividades e da reprodu&ccedil;&atilde;o dos processos de enxugamento e terceiriza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, figura como estrat&eacute;gia importante para a sobreviv&ecirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> consultoria; psicologia organizacional e do trabalho; estudo de caso. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This study aimed at describing the path of pioneering enterprises in the offering of organizational and work psychology services in Rio Grande do Sul, investigating the relationship between the consulting practices and the political, historical and social-economical configurations of the working environment in the last decades. The research was developed in the qualitative approach based on a case study. Two pioneering companies in organizational and work psychology were chosen for the study. The findings collected by means of semi-structured interviews and documents of enterprises exam. It was verified that the recruitment and selection practices prevailed among the services available in the decade of 1970, thoroughly favored by the political and social economical context of the "Brazilian miracle" period.  Lately, the last transformations in the productive context promoted the development of the consulting practices, that assume, for the participants of the study, quite diversified conceptions. The adaptation to the market, through the diversification of activities and the reproduction of the compressing processes and out source services, is an important strategy for the survival of the organizations. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> consultancy; organizational and work psychology; case study. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As rela&ccedil;&otilde;es de trabalho contempor&acirc;neas est&atilde;o inseridas em um intenso processo de transforma&ccedil;&atilde;o dos modelos de gest&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica produtiva. O foco no mercado internacional, a descentraliza&ccedil;&atilde;o do processo produtivo e a implementa&ccedil;&atilde;o de tecnologia de ponta tornaram-se estrat&eacute;gias comumente associadas &agrave; sobreviv&ecirc;ncia das empresas em um cen&aacute;rio de competitividade crescente. Tais estrat&eacute;gias, que permitem um fluxo &aacute;gil de materiais e informa&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m transformam, numa velocidade surpreendente, as rela&ccedil;&otilde;es e v&iacute;nculos de trabalho. Um estilo de gest&atilde;o de resposta imediata ao mercado somente pode ser implementado com altera&ccedil;&otilde;es profundas no processo de trabalho. Atualmente, tais altera&ccedil;&otilde;es costumam ocorrer, principalmente, atrav&eacute;s da busca pela flexibilidade interna ou externa (CASTEL, 1998). Na primeira situa&ccedil;&atilde;o, as empresas recorrem ao treinamento de funcion&aacute;rios para que eles se tornem mais flex&iacute;veis e polivalentes. No segundo caso, as empresas descentralizam as atividades, atribuindo &agrave;s empresas-sat&eacute;lites as etapasacess&oacute;rias do processo de produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nesse contexto de flexibilidade externa que as consultorias em diversos campos de conhecimento, incluindo a psicologia, v&ecirc;m se tornando uma op&ccedil;&atilde;o de trabalho cada vez mais freq&uuml;ente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As atividades de consultoria em psicologia organizacional e do trabalho se constituem como um dos campos de atua&ccedil;&atilde;o mais promissores. Ademanda pelas    chamadas <i>consultorias de recursos humanos </i>vem aumentando consideravelmente (OLIVEIRA, 1999), num contexto caracterizado pela crescente terceiriza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Tal crescimento, entretanto, contrasta com a escassez de pesquisas relacionadas &agrave; tem&aacute;tica. Embora exista bibliografia nacional (JACQUES, 1989, 1999; SPINK, 1996; CODO, 2001, entre outros) que resgata a trajet&oacute;ria hist&oacute;rica da psicologia organizacional e do trabalho atrav&eacute;s de reflex&otilde;es te&oacute;ricas e conceituais, os estudos emp&iacute;ricos que investigam o contexto de a&ccedil;&atilde;o de consultorias em psicologia organizacional e do trabalho, particularmente no Rio Grande do Sul, s&atilde;o pouco comuns (MANCIA, 1997; MARTINS, 2002). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escassez de estudos e reflex&otilde;es sobre o tema, frente &agrave; crescente demanda por atividades de consultoria, constituiu a principal justificativa para o desenvolvimento desta pesquisa. O estudo buscou a articula&ccedil;&atilde;o entre elementos emp&iacute;ricos e pressupostos te&oacute;ricos, de modo a problematizar as pr&aacute;ticas de consultoria em psicologia organizacional e do trabalho como um fen&ocirc;meno atravessado por determina&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, pol&iacute;ticas e socioecon&ocirc;micas. Conhecer a trajet&oacute;ria de consultorias ga&uacute;chas pioneiras e compreender suas pr&aacute;ticas inseridas nas complexas configura&ccedil;&otilde;es do cen&aacute;rio de trabalho contempor&acirc;neo constituem os principais objetivos do estudo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, per&iacute;odo em que surgem as primeiras empresas em psicologia organizacional e do trabalho no Rio Grande do Sul, o pa&iacute;s vivia um per&iacute;odo de expans&atilde;o, no qual os cr&eacute;ditos governamentais impulsionavam o setor industrial e de servi&ccedil;os (LOPEZ, 1991). Com o modelo econ&ocirc;mico adotado, o Produto Interno Bruto (PIB) chegou a crescer anualmente numa m&eacute;dia de 8%, entre 1969 e 1973. Como referem Costa e Mello (1996): "Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a propaganda proclamavam a exist&ecirc;ncia de um 'milagre brasileiro' e o empresariado estrangeiro e nacional demonstrava euforia" (p. 298). As oportunidades de emprego aumentavam intensamente com o crescimento da atividade das multinacionais no pa&iacute;s, e a expans&atilde;o do cr&eacute;dito ao consumidor possibilitou uma eleva&ccedil;&atilde;o no padr&atilde;o de consumo da classe m&eacute;dia em n&iacute;veis de sofistica&ccedil;&atilde;o at&eacute; ent&atilde;o desconhecidos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s 1975, a denominada crise do petr&oacute;leo mostrou como persistiam intocados os problemas estruturais da economia brasileira. Embora o processo de abertura da economia brasileira ao capital externo j&aacute; tivesse seu in&iacute;cio em anos anteriores, &eacute; na d&eacute;cada de 1990 que ele se intensifica. Nesse per&iacute;odo, a importa&ccedil;&atilde;o foi amplamente liberalizada, e o controle estatal sobre produtos b&aacute;sicos do consumo foi praticamente eliminado (SINGER, 1999). A abertura da economia e a desregulamenta&ccedil;&atilde;o do mercado impulsionaram a importa&ccedil;&atilde;o das propostas de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva no pa&iacute;s: modelo japon&ecirc;s, especializa&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, qualidade total, enxugamento do quadro funcional e terceiriza&ccedil;&atilde;o foram termos gradativamente incorporados ao cotidiano das empresas brasileiras, com impacto tamb&eacute;m nas pr&aacute;ticas em psicologia organizacional e do trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre psicologia e o contexto laboral se torna mais intensa a partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Nesse per&iacute;odo de consolida&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o cient&iacute;fica, principalmente nos Estados Unidos, a premissa de que, para cada problema, haveria uma solu&ccedil;&atilde;o racional se tornou ponto de partida para a psicologia aplicada. O cen&aacute;rio, no setor produtivo, era especialmente favor&aacute;vel &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o com a psicologia. Os princ&iacute;pios do taylorismo enfatizavam a sele&ccedil;&atilde;o de homens com aptid&otilde;es necess&aacute;rias a cada atividade, a instru&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores eleitos, a fim de evitar o gesto in&uacute;til e a perda de tempo, e a estimula&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima dos trabalhadores &agrave; produ&ccedil;&atilde;o (PATTO, 1984). Sele&ccedil;&atilde;o, treinamento e motiva&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as tr&ecirc;s no&ccedil;&otilde;es essenciais para uma atua&ccedil;&atilde;o sob a perspectiva taylorista, e &eacute; pautada pela l&oacute;gica da Escola da Administra&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica que a psicologia se insere no espa&ccedil;o laboral. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A suposta neutralidade da ci&ecirc;ncia e da t&eacute;cnica, aliada &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias individuais, funcionaram como um eficiente instrumento de incremento da produtividade e dissocia&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os de solidariedade entre os trabalhadores. Entretanto, o crescente agravamento dos conflitos nas rela&ccedil;&otilde;es laborais, o decr&eacute;scimo da produ&ccedil;&atilde;o e os altos &iacute;ndices de absente&iacute;smo e afastamento por doen&ccedil;as indicavam que ainda faltavam pressupostos que garantissem &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es uma apar&ecirc;ncia mais din&acirc;mica, saud&aacute;vel e produtiva. Surge, ent&atilde;o, uma corrente de pensamento, idealizada pelo psic&oacute;logo australiano Elton Mayo, que apontava para a necessidade de se ampliar a compreens&atilde;o sobre os fatores psicol&oacute;gicos relacionados ao desempenho. Baseada no princ&iacute;pio da coopera&ccedil;&atilde;o entre diversos n&iacute;veis hier&aacute;rquicos, a ent&atilde;o chamada Escola das Rela&ccedil;&otilde;es Humanas consolida a participa&ccedil;&atilde;o da psicologia nas organiza&ccedil;&otilde;es, com o objetivo de identificar, canalizar e dissolver os conflitos relacionados ao trabalho. Segundo Spink (1996), o potencial conflitivo entre a influ&ecirc;ncia taylorista na psicologia e os pressupostos da Escola das Rela&ccedil;&otilde;es Humanas n&atilde;o aconteceu na pr&aacute;tica, e as duas tend&ecirc;ncias acabaram por coexistir, criando t&atilde;o somente uma falsa dicotomia entre os chamados psic&oacute;logos tecnicistas e os humanistas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; a partir do Movimento das Rela&ccedil;&otilde;es Humanas que a aproxima&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica da psicologia social norte-americana se consolida (JACQUES, 1999). Estudos sobre atitude, motiva&ccedil;&atilde;o, lideran&ccedil;a e comportamento grupal desenvolvidos por essa vertente da psicologia social foram essenciais &agrave;s pr&aacute;ticas da ent&atilde;o chamada psicologia industrial. Os princ&iacute;pios de equil&iacute;brio, adapta&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o norteiam as atividades propostas e se fundamentam em pressupostos associados &agrave; perspectiva funcionalista da psicologia social e ao modelo biol&oacute;gico. Esse modelo inspira o uso da express&atilde;o <i>organiza&ccedil;&atilde;o, </i>que se difunde e se consolida nas teorias da administra&ccedil;&atilde;o, expressando a concep&ccedil;&atilde;o de que qualquer sistema em mudan&ccedil;a constante sobrevive somente atrav&eacute;s da adapta&ccedil;&atilde;o ao ambiente. O enfoque sist&ecirc;mico alcan&ccedil;a o psic&oacute;logo, que deixa de ser <i>industrial </i>para ser <i>organizacional</i>. A psicologia organizacional amplia seu espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o e, pela primeira vez, assume o formato de consultoria empresarial (JACQUES, 1989), que vai adquirir diferentes configura&ccedil;&otilde;es conforme as demandas do contexto produtivo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Block (2001) afirma que o consultor &eacute; "... uma pessoa que est&aacute; em posi&ccedil;&atilde;o de exercer alguma influ&ecirc;ncia sobre um indiv&iacute;duo, grupo ou organiza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o tem poder direto para produzir mudan&ccedil;as ou programas de implementa&ccedil;&atilde;o." (p. 2). N&atilde;o possuir o controle direto da situa&ccedil;&atilde;o &eacute;, para Oliveira (1999), a premissa principal da atua&ccedil;&atilde;o do consultor, pois &eacute; essa caracter&iacute;stica que o diferencia de um diretor ou executivo da empresa-cliente. O autor define a consultoria empresarial como: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>... um processo interativo de um agente de mudan&ccedil;as externo &agrave; empresa, o qual assume a responsabilidade de auxiliar os executivos e profissionais da referida empresa nas tomadas de decis&atilde;o, n&atilde;o tendo, entretanto, o controle direto da situa&ccedil;&atilde;o. (OLIVEIRA, 1999, p.21) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Orlickas (1998) salienta a necessidade de capacita&ccedil;&atilde;o profissional do consultor, pois, para a autora, "consultoria (...) &eacute; o fornecimento de determinada presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, em geral por um profissional muito qualificado e conhecedor do tema" (p. 22). Outros autores em administra&ccedil;&atilde;o (CASE, CASE e FRANCIATTO, 1997) ressaltam que tal qualifica&ccedil;&atilde;o freq&uuml;entemente se restringe a uma &aacute;rea de conhecimento determinada: "Ele (o consultor) &eacute; um <i>expert </i>na solu&ccedil;&atilde;o de algum tipo particular de problema." (p. 2). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfatizando a id&eacute;ia de que o consultor &eacute; um profissional que auxilia os clientes a encontrarem solu&ccedil;&otilde;es para problemas da organiza&ccedil;&atilde;o, Schein (1972) define a consultoria como "um conjunto de atividades desenvolvidas pelo consultor, que ajudam o cliente a perceber, entender e agir sobre fatos interrelacionados que ocorram em seu ambiente" (p. 8). A perspectiva do autor se aproxima do enfoque cl&iacute;nico em psicologia, quando ressalta que a tarefa do consultor &eacute;: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       <blockquote>... ajudar a organiza&ccedil;&atilde;o a resolver seus pr&oacute;prios problemas, tornando-a <i>consciente dos procedimentos organizacionais, </i>atrav&eacute;s dos quais eles podem ser modificados, O consultor de procedimentos ajuda a organiza&ccedil;&atilde;o a aprender atrav&eacute;s da autodiagnose e da auto-interven&ccedil;&atilde;o. (SCHEIN, 1972, p. 145). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A consultoria empresarial (em suas mais diversas defini&ccedil;&otilde;es e caracteriza&ccedil;&otilde;es) &eacute; apontada como um dos segmentos de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que mais tem crescido no mundo (OLIVEIRA, 1999). No Brasil, esse fen&ocirc;meno come&ccedil;ou a ser percebido na d&eacute;cada de 1960, com o crescimento do parque industrial, mas &eacute; na d&eacute;cada de 1990 que essa tend&ecirc;ncia se fortalece. De acordo com o autor, o aumento recente na demanda pelo servi&ccedil;o de consultoria &eacute; resultado do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, que exige das empresas a busca de desenvolvimento, inova&ccedil;&otilde;es e melhorias cont&iacute;nuas que consolidem suas vantagens competitivas no mercado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A consultoria para desenvolvimento organizacional (DO) &eacute; um estilo de trabalho que surge em meados da d&eacute;cada de 1960, num contexto em que grandes transforma&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, socioecon&ocirc;micas e culturais come&ccedil;avam a se delinear. Tem suas ra&iacute;zes no pensamento sist&ecirc;mico, que emergiu simultaneamente em diversas &aacute;reas do conhecimento, na primeira metade do s&eacute;culo XX. "Os pioneiros do pensamento sist&ecirc;mico foram os bi&oacute;logos, que enfatizavam a concep&ccedil;&atilde;o dos organismos vivos como totalidades integradas." (CAPRA, 1996, p. 33). A no&ccedil;&atilde;o de evolu&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento cont&iacute;nuo dos organismos vivos foi um conceito adaptado do entendimento biol&oacute;gico para o funcionamento das empresas, que passaram a receber a nomenclatura de organiza&ccedil;&otilde;es. Embasado na perspectiva sist&ecirc;mica, o desenvolvimento organizacional (DO) parte do pressuposto de que uma empresa ou organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; um sistema aberto que sofre press&otilde;es e demandas ambientais, necessitando de renova&ccedil;&atilde;o constante para manter sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o (SOUZA, 1975). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suas defini&ccedil;&otilde;es iniciais, o processo de desenvolvimento organizacional envolveria a empresa como um todo em um trabalho de mudan&ccedil;a em longo prazo, exigindo a assist&ecirc;ncia do consultor por um tempo prolongado. Entretanto, a velocidade das mudan&ccedil;as contempor&acirc;neas vem alterando o papel do consultor: "Os dias de longos estudos e respostas guiadas pela experi&ecirc;ncia est&atilde;o ficando para tr&aacute;s." (BLOCK, 2001, p. XXI). Cada vez mais, o consultor &eacute; convocado a solucionar problemas comportamentais com interven&ccedil;&otilde;es em curto prazo, que assegurem a competitividade da empresa no mercado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; apontada como outro fator que contribui decisivamente para o incremento da atividade de consultoria: "Muitas grandes organiza&ccedil;&otilde;es descobriram que era mais lucrativo contrair e fundir e terceirizar tarefas; essa mentalidade dominou os anos 80 e 90 e n&atilde;o mostra nenhum sinal de abatimento. (...) e a ind&uacute;stria de consultoria tem se beneficiado desse movimento." (BLOCK, 2001, p. 230). A terceiriza&ccedil;&atilde;o ocorre quando atividades que n&atilde;o constituem a ess&ecirc;ncia dos produtos ou servi&ccedil;os de uma empresa s&atilde;o transferidas a terceiros (pessoas f&iacute;sicas ou jur&iacute;dicas), o que possibilitaria &agrave;s empresas delimitar o n&uacute;cleo do seu neg&oacute;cio (OLIVEIRA, 1999). Entretanto, a grande vantagem competitiva do processo de terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o dos custos fixos da organiza&ccedil;&atilde;o-cliente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o profissional respons&aacute;vel pela consultoria, uma das principais vantagens desse tipo de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os seria a possibilidade de a&ccedil;&atilde;o. De acordo com diversos autores em administra&ccedil;&atilde;o (OLIVEIRA, 1999; CASE, CASE e FRANCIATTO, 1997), o consultor disporia de maior liberdade para correr riscos, devido &agrave; sua maior aceita&ccedil;&atilde;o entre os dirigentes e funcion&aacute;rios da empresa. Amaior liberdade de atua&ccedil;&atilde;o do consultor em rela&ccedil;&atilde;o ao empregado da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute;, no entanto, questionada por Bock (2001), quando afirma que o consultor enfrenta permanentemente o conflito entre expor suas id&eacute;ias e se conformar &agrave;s expectativas dos clientes. Destaca que o consultor geralmente &eacute; contratado quando os gestores t&ecirc;m a sensa&ccedil;&atilde;o de que perderam o controle sobre determinada situa&ccedil;&atilde;o e esperam que o consultor os auxilie a retom&aacute;-lo: "... a consultoria, na maioria dos casos, causa impacto sobre pessoas que desejam ter mais controle. (...) O fato de que a maioria dos clientes procura nos consultores um modo de aumentar o pr&oacute;prio senso de controle torna o trabalho de consultoria mais dif&iacute;cil." (p. XXV). Para o autor, a verdadeira fun&ccedil;&atilde;o do consultor &eacute; ajudar os clientes a aprenderem a funcionar melhor, em um mundo permanentemente fora de controle. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. M&eacute;todo </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa seguiu as orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas do estudo de caso, investigando o conjunto de processos socioecon&ocirc;micos, hist&oacute;ricos e pol&iacute;ticos que atravessam a constru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de consultoria em empresas pioneiras no campo da psicologia organizacional e do trabalho no Rio Grande do Sul. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro procedimento da pesquisa consistiu na realiza&ccedil;&atilde;o de um levantamento sobre todas as empresas que possu&iacute;am registro de pessoa jur&iacute;dica no Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul - Regi&atilde;o 07 (CRPRS). Esse levantamento, autorizado pelo &oacute;rg&atilde;o referido, forneceu um panorama geral, caracterizando as empresas cadastradas no per&iacute;odo de janeiro de 1979 a dezembro de 2004. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De 1979 a 2004, foram registradas 347 empresas no CRPRS. Dessas, 269 (77,5%) continuam em atividade. As empresas com registros inativos somam 76 (21,9%), e o restante dos arquivos (duas empresas, correspondentes a 0,6% do total) n&atilde;o foi localizado (ver <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig01.gif">figura 1</a>). Tendo em vista os objetivos da pesquisa, foram consultados somente os registros de empresas que continuam em atividade. Desses, p&ocirc;de-se ter acesso a 224 arquivos (64,5% do total de registros), pois o restante (45 arquivos, correspondentes a 13% do total de empresas) n&atilde;o estava dispon&iacute;vel para consulta. Todos os dados discutidos a seguir referem-se a esses 224 registros de empresas ativas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os arquivos do CRPRS disponibilizam, entre outros, dois dados fundamentais sobre as empresas cadastradas: a data de in&iacute;cio da atividade da empresa e a data de registro de pessoa jur&iacute;dica no Conselho Regional de Psicologia. Em parte dos arquivos, essas datas n&atilde;o coincidem, o que ocorre devido a duas circunst&acirc;ncias diferentes: a empresa ter sido cadastrada em ano posterior ao de in&iacute;cio da atividade; ou a empresa ter iniciado sua atividade comercial antes da cria&ccedil;&atilde;o do CRPRS, em 1974 (ver <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig02.gif">figura 2</a>). Assim sendo, nem todas as empresas que come&ccedil;aram a prestar servi&ccedil;os em 1995, por exemplo, registraram-se no mesmo ano. Aconverg&ecirc;ncia das duas datas (in&iacute;cio de atividade e registro no CRPRS) &eacute; uma tend&ecirc;ncia recente, possivelmente impulsionada pela consolida&ccedil;&atilde;o do Conselho Regional de Psicologia como &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pela regulamenta&ccedil;&atilde;o da atividade profissional em psicologia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os registros do CRPRS tamb&eacute;m permitem identificar a(s) &aacute;rea(s) de atua&ccedil;&atilde;o das empresas cadastradas, atrav&eacute;s dos objetivos definidos no contrato social. &Eacute; importante salientar que a maior parte dos propriet&aacute;rios indica mais de uma &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o dentre os objetivos da empresa, englobando uma ampla gama de servi&ccedil;os disponibilizados, o que dificulta a sistematiza&ccedil;&atilde;o dos dados. No presente estudo, os crit&eacute;rios utilizados para a classifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o em psicologia foram os mesmos que servem de par&acirc;metro para delimitar as especialidades institu&iacute;das para pessoas f&iacute;sicas. O percentual total supera os cem por cento, devido &agrave; j&aacute; referida conex&atilde;o entre diversas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o presentes nos objetivos de uma mesma empresa (ver <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig03.gif">figura 3</a>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base no levantamento realizado no CRPRS, foram escolhidas duas empresas para realiza&ccedil;&atilde;o de estudo de caso. Os crit&eacute;rios de escolha foram: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p><img src="/img/revistas/rpot/v7n1/quad.gif"> <i>Principal &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o da empresa. </i>A presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho foi a atividade selecionada, em coer&ecirc;ncia com o tema de pesquisa. A defini&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os espec&iacute;ficos da &aacute;rea de psicologia organizacional e do trabalho foi realizada de acordo com a resolu&ccedil;&atilde;o 02/2001 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), em conjunto com o Cat&aacute;logo Brasileiro de Ocupa&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio do Trabalho.</p>       <p><img src="/img/revistas/rpot/v7n1/quad.gif"> <i>Per&iacute;odo de in&iacute;cio da atividade e tempo de atua&ccedil;&atilde;o no mercado. </i>Foram selecionadas as empresas que iniciaram suas atividades na d&eacute;cada de 1970 e que permanecem em atividade na &aacute;rea de psicologia organizacional e do trabalho. As empresas escolhidas efetuaram registro de pessoa jur&iacute;dica entre 1970 e 1979 e s&atilde;o as &uacute;nicas (nesse per&iacute;odo) em cujos contratos sociais constam atividades relacionadas &agrave; &aacute;rea de psicologia organizacional e do trabalho. O tempo de atua&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho foi um crit&eacute;rio decisivo na escolha das empresas, pois permite maior riqueza de dados referentes aos processos hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos e socioecon&ocirc;micos que marcaram a trajet&oacute;ria dessas organiza&ccedil;&otilde;es.</p> </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os participantes do estudo foram os propriet&aacute;rios das duas empresas escolhidas para a pesquisa e os profissionais que nelas exercem atividades relacionadas &agrave; psicologia. A realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas semi-estruturadas foi a principal fonte de dados emp&iacute;ricos da pesquisa. As entrevistas foram transcritas e posteriormente disponibilizadas a todos os participantes do estudo, para que eles as reformulassem ou confirmassem o conte&uacute;do expresso nas transcri&ccedil;&otilde;es dos depoimentos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra fonte de informa&ccedil;&otilde;es para pesquisa foi a an&aacute;lise de documentos das empresas. Esses documentos inclu&iacute;ram, al&eacute;m dos arquivos do CRPRS, todo o material publicit&aacute;rio impresso (em per&iacute;odos anteriores e atualmente), assim como as informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis nos <i>sites </i>das empresas na internet. Al&eacute;m dos documentos referidos, tamb&eacute;m foram analisados manuais de treinamento utilizados pelas empresas e publica&ccedil;&otilde;es referentes a servi&ccedil;os prestados, todos disponibilizados pelos propriet&aacute;rios ou funcion&aacute;rios vinculados &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise dos dados foi baseada nos pressupostos gerais para estudo de caso, referidos por Yin (2001). O autor salienta que existem poucas estrat&eacute;gias definidas para an&aacute;lise no estudo de caso e que a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento est&aacute; intimamente vinculada ao estilo de pensar do pesquisador, &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o cuidadosa dos dados e &agrave; an&aacute;lise acurada de poss&iacute;veis interpreta&ccedil;&otilde;es alternativas para os dados. Como estrat&eacute;gias gerais para auxiliar a an&aacute;lise dos dados emp&iacute;ricos, o autor prop&otilde;e duas alternativas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira, e mais importante, &eacute; seguir as proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que fundamentam o estudo de caso, estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es e novas interpreta&ccedil;&otilde;es a partir dos pressupostos te&oacute;ricos norteadores. A orienta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica serviria, portanto, como guia de an&aacute;lise para o estudo de caso, auxiliando o pesquisador a definir os seus focos de aten&ccedil;&atilde;o e os dados que ser&atilde;o deixados em segundo plano. A segunda estrat&eacute;gia consiste em desenvolver uma descri&ccedil;&atilde;o do(s) caso(s) que organize o estudo, servindo de base para estabelecer nexos futuros com as proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. Descri&ccedil;&atilde;o das empresas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EMPRESAALFA<sup>* </sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em mar&ccedil;o de 1972, surgia a empresa Alfa. Pioneira na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia industrial (hoje denominada psicologia organizacional e do trabalho), a empresa surge da sociedade entre um psic&oacute;logo e um administrador de empresas. Embora inclua, no contrato social, a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia cl&iacute;nica, a Alfa tem sua trajet&oacute;ria marcada pelo campo organizacional. No princ&iacute;pio, os servi&ccedil;os prestados pela empresa podiam ser sintetizados em quatro atividades principais: recrutamento, sele&ccedil;&atilde;o de pessoal, treinamento e pol&iacute;tica de sal&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atividade de recrutamento consistia no conjunto de a&ccedil;&otilde;es destinadas &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o de vagas de trabalho e contato com candidatos dispostos a se submeter ao processo seletivo. Asele&ccedil;&atilde;o de pessoal era a etapa subseq&uuml;ente, que consistia na realiza&ccedil;&atilde;o de uma bateria de testes psicol&oacute;gicos e entrevistas para a escolha dos candidatos indicados &agrave;s vagas. O treinamento englobava uma ampla gama de atividades (palestras, trabalhos com grupos, entre outras), cujo objetivo principal era promover a capacita&ccedil;&atilde;o para o trabalho. J&aacute; a pol&iacute;tica de sal&aacute;rios consistia em uma pesquisa realizada pela Alfa com empresas de grande, m&eacute;dio e pequeno porte da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre. Os gerentes de recursos humanos recebiam formul&aacute;rios nos quais informavam o nome dos cargos da empresa e os sal&aacute;rios pagos aos funcion&aacute;rios que ocupavam tais fun&ccedil;&otilde;es. Os dados eram compilados e serviam de par&acirc;metro para os empregadores definirem a remunera&ccedil;&atilde;o dada aos seus empregados, de acordo com o mercado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A empresa Alfa contava, inicialmente, com o trabalho dos propriet&aacute;rios, de uma auxiliar administrativa (esposa do psic&oacute;logo propriet&aacute;rio) e mais duas psic&oacute;logas, que elaboravam os laudos para a sele&ccedil;&atilde;o de pessoal. Tamb&eacute;m integravam o grupo de funcion&aacute;rios da empresa uma datil&oacute;grafa, um office-boy e uma faxineira. A auxiliar administrativa refere que a demanda pelo servi&ccedil;o de sele&ccedil;&atilde;o de pessoal, naquele per&iacute;odo, era t&atilde;o intensa, que os psic&oacute;logos chegavam a elaborar mais de 300 laudos para cargos diversos em apenas um m&ecirc;s. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final da d&eacute;cada de 1970, in&iacute;cio dos anos de 1980, a empresa come&ccedil;ou a sentir o impacto de uma "crise de mercado". A gradativa redu&ccedil;&atilde;o da demanda pelo processo de sele&ccedil;&atilde;o de pessoal foi um dos principais sinalizadores dessa crise. Com a queda da demanda por um de seus principais servi&ccedil;os, a Alfa foi reduzindo o seu quadro funcional, at&eacute; ficar apenas com os s&oacute;cios propriet&aacute;rios e a auxiliar administrativa. Algum tempo depois, o s&oacute;cio administrador recebeu outra proposta de trabalho e decidiu se afastar da sociedade. Entretanto, o registro de pessoa jur&iacute;dica s&oacute; foi efetivamente alterado no final dos anos de 1990, quando a filha do casal que mantinha a empresa substituiu o administrador na sociedade limitada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O propriet&aacute;rio fundador afirma que hoje n&atilde;o contam com nenhum outro profissional no quadro fixo da empresa, que est&aacute; em sua segunda sede. A contrata&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria de funcion&aacute;rios &eacute; a op&ccedil;&atilde;o da Alfa quando assume compromissos que exijam maior n&uacute;mero de profissionais. Atual s&oacute;cio majorit&aacute;rio da empresa, ele continua no comando da Alfa, auxiliado por sua esposa. Os servi&ccedil;os de recrutamento, avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica para sele&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o de pessoal, e treinamento ainda fazem parte das atividades da empresa. A pr&aacute;tica de pol&iacute;tica de sal&aacute;rios, no entanto, foi, em grande parte, abandonada pela Alfa, pois, segundo o propriet&aacute;rio, esse tipo de servi&ccedil;o n&atilde;o tem mais o impacto que tinha no per&iacute;odo de grande infla&ccedil;&atilde;o. Tal atividade surge apenas como uma das op&ccedil;&otilde;es do extenso pacote de servi&ccedil;os disponibilizados pela Alfa atrav&eacute;s da pr&aacute;tica de consultoria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora j&aacute; fizesse parte das op&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os da Alfa h&aacute; muitos anos, a consultoria assumiu um papel importante no cotidiano da empresa apenas recentemente. O propriet&aacute;rio caracteriza a consultoria como sendo um trabalho </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       <blockquote>   <i>... lindo, &eacute; lindo. Ent&atilde;o, voc&ecirc; faz o qu&ecirc;? Voc&ecirc; toma conta de toda a administra&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, a parte t&eacute;cnica. </i>   </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na "parte t&eacute;cnica", ele inclui a defini&ccedil;&atilde;o da estrutura organizacional, com a descri&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es e hierarquia de cargos (organograma); o treinamento semanal de grupos executivos ou de lideran&ccedil;as, o que inclui palestras e discuss&otilde;es sobre a rotina de trabalho; e o atendimento cl&iacute;nico de funcion&aacute;rios das empresas contratantes: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Voc&ecirc; faz psicologia organizacional a mais pura poss&iacute;vel, voc&ecirc; acompanha estrat&eacute;gias da empresa e acompanha o pessoal, d&aacute; assist&ecirc;ncia ao pessoal, enfim, o objetivo &eacute; dar todo um amparo &agrave; equipe de funcion&aacute;rios. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paix&atilde;o e o entusiasmo do s&oacute;cio fundador pela profiss&atilde;o transparecem ao longo das entrevistas, assim como o orgulho que sente por ter criado e mantido uma empresa pioneira em psicologia organizacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EMPRESABETA<sup>* </sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi no ano de 1972 que tr&ecirc;s psic&oacute;logos tiveram a id&eacute;ia de montar uma empresa de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho. O come&ccedil;o da empresa foi dif&iacute;cil, mas compensado pelo intenso ritmo de atividades que caracterizaram a segunda metade da d&eacute;cada de 1970. Os servi&ccedil;os de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o, pilares das atividades da Beta naquele per&iacute;odo, foram fortemente favorecidos pelo contexto socioecon&ocirc;mico brasileiro. Um dos s&oacute;cios fundadores descreve esse momento: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ent&atilde;o, com o 'boom' dos anos 70, a segunda virada da d&eacute;cada de 70, come&ccedil;ou o milagre brasileiro; ent&atilde;o tinha muito ingresso de m&atilde;o-de-obra nas empresas, principalmente nas ind&uacute;strias, ent&atilde;o n&oacute;s acompanhamos esse movimento. </i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A demanda pelos servi&ccedil;os de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o possibilitou o crescimento da Beta. Aempresa, que contava inicialmente apenas com a sede em Porto Alegre, abriu mais tr&ecirc;s filiais, duas na capital ga&uacute;cha e uma na regi&atilde;o serrana do estado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, ingressaram dois novos s&oacute;cios na Beta: um psic&oacute;logo e um administrador. Aos poucos, alguns s&oacute;cios foram deixando a empresa, at&eacute; que, em 1984, um dos fundadores comprou a parte dos s&oacute;cios que restavam e seguiu como &uacute;nico propriet&aacute;rio da Beta. A partir de 1988, a empresa concentrou suas atividades em apenas um local, onde permanece at&eacute; hoje. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s a dissolu&ccedil;&atilde;o da sociedade, a gama de servi&ccedil;os disponibilizados pela empresa aumentou consideravelmente: al&eacute;m da avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, do recrutamento e da sele&ccedil;&atilde;o de pessoal, a empresa passou a oferecer treinamentos (abertos e <i>in company</i>) e consultoria organizacional. A vis&atilde;o empreendedora do s&oacute;cio remanescente j&aacute; se manifestava antes da dissolu&ccedil;&atilde;o da sociedade, quando ele come&ccedil;ou a se dedicar, de forma independente, &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de eventos em recursos humanos, atividade que n&atilde;o interessava aos demais propriet&aacute;rios. Os eventos cresceram nos anos seguintes e foram incorporados &agrave;s atividades da empresa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada de 1990, a empresa deixa de realizar recrutamento de pessoal, op&ccedil;&atilde;o motivada por fatores que o propriet&aacute;rio fundador esclarece: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Paramos com o recrutamento porque, primeiro, porque come&ccedil;ou a haver mais desemprego do que emprego e, segundo, que estava assim muito aviltado no mercado, o pessoal j&aacute; n&atilde;o queria fazer com exclusividade; ent&atilde;o, se tornou, em vez de trabalho t&eacute;cnico, se tornou uma correria pra ver quem chegava primeiro com o candidato. Ent&atilde;o ficou muito pobre em quest&atilde;o de &eacute;tica e possibilidade de fazer um bom trabalho. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, a coordena&ccedil;&atilde;o de congressos em recursos humanos e a atividade de consultoria s&atilde;o os principais servi&ccedil;os disponibilizados pela Beta. O atual propriet&aacute;rio e s&oacute;cio fundador caracteriza a consultoria como o trabalho de agentes externos de mudan&ccedil;a organizacional: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&Agrave;s vezes trabalhando a diretoria, &agrave;s vezes trabalhando com a &aacute;rea de RH, &agrave;s vezes trabalhando com as duas ao mesmo tempo, ent&atilde;o, o foco quase sempre em mudan&ccedil;a, mudan&ccedil;a de comportamento, mudan&ccedil;a cultural, pra isso tem que fazer diagn&oacute;stico, tem que fazer as interven&ccedil;&otilde;es. Algumas vezes tem que fazer interven&ccedil;&otilde;es de grupo, a gente trabalha muito com din&acirc;mica de grupo. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diversifica&ccedil;&atilde;o de atividades &eacute; uma das estrat&eacute;gias &agrave; qual o fundador atribui o fato de a empresa vir se mantendo no mercado h&aacute; tantos anos. Refere que, se a Beta continuasse exclusivamente na atividade de recrutamento, teria deixado de existir h&aacute; muitos anos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Beta foi gradativamente sendo transformada em uma empresa com funcionamento familiar. Os atuais propriet&aacute;rios s&atilde;o, al&eacute;m do s&oacute;cio fundador, sua esposa e dois de seus filhos. A empresa conta em seu quadro fixo com oito pessoas: o propriet&aacute;rio fundador; sua filha, que tamb&eacute;m &eacute; psic&oacute;loga e atua na empresa na &aacute;rea organizacional; seu filho, respons&aacute;vel pelo campo de inform&aacute;tica na empresa; sua esposa, psic&oacute;loga que atua na coordena&ccedil;&atilde;o dos eventos; uma psic&oacute;loga que &eacute; respons&aacute;vel pela avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e tamb&eacute;m trabalha na organiza&ccedil;&atilde;o dos eventos; e mais tr&ecirc;s funcion&aacute;rios que auxiliam nas atividades administrativas da empresa (secretariado, entre outras). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. Resultados </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo da trajet&oacute;ria das empresas pioneiras no campo de psicologia organizacional e do trabalho permitiu identificar algumas regularidades nas propostas iniciais de trabalho da psicologia na d&eacute;cada de 1970. As pr&aacute;ticas de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o predominavam entre os servi&ccedil;os disponibilizados, amplamente favorecidas pelo contexto pol&iacute;tico e socioecon&ocirc;mico do per&iacute;odo. O "milagre brasileiro" ofuscava a popula&ccedil;&atilde;o, com o crescimento vigoroso da economia, o est&iacute;mulo ao consumo e o aumento expressivo no n&uacute;mero de vagas de trabalho, enquanto ocultava o endividamento crescente do pa&iacute;s e a crueldade da repress&atilde;o pol&iacute;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A abund&acirc;ncia de oportunidades de trabalho e emprego, na d&eacute;cada de 1970, s&atilde;o as principais lembran&ccedil;as dos propriet&aacute;rios fundadores da Alfa e da Beta. O propriet&aacute;rio da Alfa destaca o grande n&uacute;mero de vagas dispon&iacute;veis na &eacute;poca, assim como a aus&ecirc;ncia de qualquer preocupa&ccedil;&atilde;o dos empres&aacute;rios com o custo das contrata&ccedil;&otilde;es. Os psic&oacute;logos que atuavam no campo industrial ou organizacional tamb&eacute;m foram fortemente beneficiados com oportunidades diversas de trabalho, geradas, segundo os participantes, pelo suposto "milagre brasileiro". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase nas atividades de recrutamento, sele&ccedil;&atilde;o (realizadas preferencialmente com base na avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica), na &eacute;poca de surgimento das empresas, tamb&eacute;m &eacute; recorrente entre os participantes. Aliado &agrave;s pr&aacute;ticas de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o, o treinamento tamb&eacute;m foi referido como um dos servi&ccedil;os principais na d&eacute;cada de 1970: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O que mais se fazia: primeiro, sele&ccedil;&atilde;o de pessoal. Segundo, recrutamento. Terceiro, tinha muito treinamento, se investia bastante no treinamento. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os pressupostos que norteavam as pr&aacute;ticas de treinamento, no per&iacute;odo, encontravam subs&iacute;dios entre alguns manuais de treinamento utilizados na &eacute;poca. Entre esses manuais, est&aacute; o TWI - <i>Training Within Industry </i>(Treinamento dentro da ind&uacute;stria). O TWI chegou ao Brasil em 1949, e seu uso foi difundido atrav&eacute;s do Servi&ccedil;o Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Servi&ccedil;o Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Sua utiliza&ccedil;&atilde;o atingiu o auge nas ind&uacute;strias entre 1955 e 1960, continuou sendo freq&uuml;ente na d&eacute;cada de 1970 e ainda hoje figura entre as op&ccedil;&otilde;es de cursos do SENAI e SENAC, com modifica&ccedil;&otilde;es e amplia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de fases de treinamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os livros que cont&ecirc;m a descri&ccedil;&atilde;o das fases do TWI est&atilde;o repletos de diretrizes minuciosas sobre o trabalho em ind&uacute;stria. Enfatizando o distanciamento entre quem supervisiona o trabalho e quem deve ser supervisionado, o manual prescreve que: </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       <blockquote>Uma boa instru&ccedil;&atilde;o ou supervis&atilde;o consiste, principalmente, em conseguir que o aprendiz ou oper&aacute;rio fa&ccedil;a o que o instrutor deseja dele, na ocasi&atilde;o em que deve ser feito e de acordo com os padr&otilde;es de qualidade exigidos. (...) O bom supervisor procura obter do seu oper&aacute;rio o melhor trabalho no menor tempo. E esses resultados n&atilde;o poder&atilde;o ser alcan&ccedil;ados se os aprendizes ou oper&aacute;rios n&atilde;o forem completa e cuidadosamente instru&iacute;dos. (SERVI&Ccedil;O NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL, 1958, p. 60) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inserido nessa proposta, o treinamento seria uma estrat&eacute;gia que possibilitaria maior agilidade na adapta&ccedil;&atilde;o total do trabalhador &agrave; fun&ccedil;&atilde;o. </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       <blockquote>... o treinamento no trabalho consiste em alguma coisa mais do que apenas ensinar uma habilidade mec&acirc;nica. Inclui o aux&iacute;lio ao oper&aacute;rio para que ele se ajuste ao meio, dando-lhe id&eacute;ia da organiza&ccedil;&atilde;o de que faz parte e do lugar que tem a preencher nessa organiza&ccedil;&atilde;o. (SERVI&Ccedil;O NACIONALDE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL, 1959, p. 105) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As diretrizes que orientavam as pr&aacute;ticas dos profissionais da psicologia na d&eacute;cada de 1970 encontraram respaldo nos pressupostos te&oacute;ricos que norteavam as pr&aacute;ticas <i>psi </i>do per&iacute;odo, nas formas hegem&ocirc;nicas de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e na produ&ccedil;&atilde;o conceitual do campo da administra&ccedil;&atilde;o. Como assinala Coimbra (1999), a marca da tradi&ccedil;&atilde;o positivista alcan&ccedil;a a psicologia em todos os campos de atua&ccedil;&atilde;o, o que pode ser exemplificado pela hegemonia do behaviorismo e dos pressupostos da psicologia social de inspira&ccedil;&atilde;o norte-americana. No campo organizacional, essa tend&ecirc;ncia se fortaleceu, aliada a teorias da administra&ccedil;&atilde;o, como o taylorismo-fordismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, as transforma&ccedil;&otilde;es que abalaram a sociedade ocidental nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas produziram diversos desdobramentos, que atingiram os profissionais em todas as &aacute;reas de conhecimento, inclusive na psicologia. As transforma&ccedil;&otilde;es na organiza&ccedil;&atilde;o produtiva e na gest&atilde;o das empresas de capital privado tiveram impactos importantes na trajet&oacute;ria das empresas Alfa e Beta e nas pr&aacute;ticas de seus propriet&aacute;rios e profissionais vinculados. A intensifica&ccedil;&atilde;o na retra&ccedil;&atilde;o do mercado e o processo violento de enxugamento das empresas s&atilde;o destacados por um dos participantes: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Com toda a abertura que o Fernando Henrique criou, o empres&aacute;rio come&ccedil;ou a se voltar pra dentro da empresa, come&ccedil;ou a se preocupar com o custo do pessoal. E come&ccedil;ou a enxugar a empresa, p&ocirc;r na rua, p&ocirc;r na rua... Ent&atilde;o, enxugou os quadros e foi um enxugamento muito violento. Ele foi t&atilde;o violento, que a sele&ccedil;&atilde;o acabou, porque voc&ecirc; n&atilde;o admitia ningu&eacute;m. Primeiro tu enxugou pondo pra rua. Depois tu enxugou pondo um tamp&atilde;o. Voc&ecirc; n&atilde;o admitia. O fulano sa&iacute;a, morria ou ia embora e ele n&atilde;o repunha, ia deixando o quadro se ajeitar. Ent&atilde;o os quadros come&ccedil;aram a trabalhar bem estrangulados. Falta de dinheiro, ent&atilde;o, uma retra&ccedil;&atilde;o, essa coisa toda, n&atilde;o treina. Treinar &eacute; um investimento, mas custa dinheiro, ent&atilde;o vamos tocando. Ent&atilde;o a nossa &aacute;rea sofreu. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os processos de enxugamento atingiram as empresas pesquisadas, que tamb&eacute;m passaram a reduzir gradativamente o quadro funcional e a terceirizar servi&ccedil;os, como estrat&eacute;gias para manter a sobreviv&ecirc;ncia no mercado. Outra raz&atilde;o apontada pelos participantes como essencial para que as empresas permanecessem no mercado foi a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas com profissionais da &aacute;rea e clientes. Para Oliveira (1999), a propaganda "boca-a-boca" &eacute; a principal forma de divulga&ccedil;&atilde;o do trabalho na &aacute;rea organizacional. De acordo com o autor, os antigos clientes s&atilde;o os melhores contatos comerciais para os servi&ccedil;os de um profissional ou empresa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A seriedade, a dedica&ccedil;&atilde;o, o profissionalismo e o amor ao trabalho tamb&eacute;m s&atilde;o fatores destacados pelos participantes como motivos para as empresas permanecerem em atividade. Mas &eacute; a adapta&ccedil;&atilde;o ao mercado, atrav&eacute;s da diversifica&ccedil;&atilde;o de atividades e servi&ccedil;os, que surge como uma das justificativas principais para a continuidade das empresas ao longo de mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. A inova&ccedil;&atilde;o e a descoberta de novos "nichos" de trabalho, como o servi&ccedil;o de consultoria, s&atilde;o estrat&eacute;gias importantes destacadas por v&aacute;rios participantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A multiplicidade de significados atribu&iacute;dos pelos participantes do estudo ao termo consultoria &eacute; um dos resultados marcantes da pesquisa. Quando questionado sobre o assunto, um dos participantes apresenta justificativas para essa diversidade: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>(A consultoria) &eacute; um campo muito amplo e muito pouco regrado: n&atilde;o existe um conselho, n&atilde;o existe uma sociedade assim, que fundamente formas de atua&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, cada um faz o seu caminho. Ent&atilde;o, na realidade, eu acho que essa &eacute; a grande quest&atilde;o. Acho que isso &eacute; que d&aacute; esse contorno t&atilde;o difuso. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o de consultoria como promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento organizacional pode ser percebida nos depoimentos de diversos participantes: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Pegamos principalmente o desenvolvimento organizacional como foco de consultoria. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fortalecimento da atividade de consultoria como conseq&uuml;&ecirc;ncia do desemprego crescente e da terceiriza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &eacute; outro aspecto importante, que surge no depoimento dos profissionais entrevistados: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Outro exemplo igualzinho ao nosso: a &aacute;rea de inform&aacute;tica, como &eacute; que era a &aacute;rea de inform&aacute;tica? T&iacute;nhamos dois ou tr&ecirc;s analistas, cinco programadores, v&aacute;rios digitadores. Cita uma, uma empresa que tenha isso hoje. Por qu&ecirc;? Tu t&aacute; em rede. Tu quer um programa, pega o telefone, telefona pra uma empresa de sistema. Faz o programa, acabou. N&atilde;o precisa ter o empregado, o que me custa 100% do valor do sal&aacute;rio. Ent&atilde;o todos os caras que era gerentes de RH passaram a ser o qu&ecirc;? Consultores. Todos os caras que eram gerentes de sistemas passaram a ser o qu&ecirc;? Consultores. Todos os caras que eram chefes de marketing, passaram a ser consultores. E n&oacute;s, psic&oacute;logos, passamos a ser consultores. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O depoimento desse participante retrata claramente o impacto das mudan&ccedil;as organizacionais no trabalho do psic&oacute;logo e corrobora a perspectiva de Oliveira (1999). O autor ressalta que as principais &aacute;reas atingidas pelo processo de terceiriza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os servi&ccedil;os de inform&aacute;tica e recursos humanos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso do termo consultoria, entre os participantes, aplica-se como sin&ocirc;nimo de empresa <i>("dezenas ou centenas de consultorias abriram e fecharam"</i>); como um servi&ccedil;o que se fortalece a partir dos processos de enxugamento e terceiriza&ccedil;&atilde;o, anteriormente referidos; e, principalmente, como a interven&ccedil;&atilde;o de um agente externo, sem v&iacute;nculos com a organiza&ccedil;&atilde;o. A terceira defini&ccedil;&atilde;o de consultoria &eacute;, para Oliveira (1999), um dos aspectos essenciais, pois, segundo o autor, somente um profissional externo &agrave; empresa-cliente consegue exercer em plenitude a consultoria empresarial, devido ao seu menor envolvimento com o cotidiano da organiza&ccedil;&atilde;o. A caracteriza&ccedil;&atilde;o da consultoria como a a&ccedil;&atilde;o de um agente externo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o foi recorrente entre os participantes do estudo, e a maior imparcialidade desse profissional foi destacada como a principal vantagem da interven&ccedil;&atilde;o do consultor. Para os entrevistados, um consultor externo tende a identificar com maior precis&atilde;o as dificuldades enfrentadas pelos clientes, justamente por n&atilde;o estar implicado com os valores e pr&aacute;ticas vigentes na organiza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maior credibilidade do profissional de consultoria frente &agrave; diretoria da empresa tamb&eacute;m foi destacada pelos participantes, o que vai ao encontro do pensamento de diversos autores em administra&ccedil;&atilde;o (OLIVEIRA, 1999; CASE, CASE e FRANCIATTO, 1997). O profissional respons&aacute;vel pela consultoria externa teria maior liberdade para correr riscos na interven&ccedil;&atilde;o, devido &agrave; sua maior aceita&ccedil;&atilde;o entre os dirigentes e funcion&aacute;rios da empresa. As propostas do consultor externo seriam, portanto, melhor aceitas pela diretoria das empresas do que as propostas de um psic&oacute;logo contratado, por exemplo: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ele (o funcion&aacute;rio de recursos humanos contratado) n&atilde;o tem a credibilidade duma consultoria. Os gestores nunca v&atilde;o confiar 100% na palavra de um funcion&aacute;rio como eles confiam numa consultoria, n&atilde;o sei se por modismo, ou por achar que ele n&atilde;o tem capacidade. O funcion&aacute;rio de RH pode ter dito exatamente a mesma coisa que um consultor, mas eles sempre v&atilde;o dar mais credibilidade pro consultor. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maior proximidade do consultor com os gestores da empresa &eacute; outra caracter&iacute;stica tomada como um pressuposto do servi&ccedil;o de consultoria e que emerge nos depoimentos dos participantes. Como afirma Bastos (1999): "ser consultor de organiza&ccedil;&otilde;es significa trabalhar para uma organiza&ccedil;&atilde;o no c&oacute;digo de sua gest&atilde;o." (p. 78). Oliveira (1999) corrobora essa perspectiva destacando que o trabalho do consultor deve "... estar direcionado a proporcionar metodologias, t&eacute;cnicas e processos que determinem a sustenta&ccedil;&atilde;o para os executivos das empresas tomarem suas decis&otilde;es com qualidade." (p. 22). No momento em que um psic&oacute;logo se define como consultor, ele parece estar tamb&eacute;m delimitando o grupo de pessoas com as quais pretende trabalhar diretamente. De acordo com um dos psic&oacute;logos entrevistados, o profissional que hoje atua nas organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; um consultor da diretoria, um profissional que auxilia a diretoria na gest&atilde;o dos recursos humanos. Outro participante ressalta, entretanto, que: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O psic&oacute;logo, via de regra, ele n&atilde;o trabalha com o primeiro escal&atilde;o, com o diretor, com o presidente. Via de regra ele trabalha mais junto ao gestor de recursos humanos. Ent&atilde;o isso tamb&eacute;m reduz um pouco a sua amplitude e at&eacute; a sua possibilidade de influenciar enquanto agente de mudan&ccedil;as. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal redu&ccedil;&atilde;o de poder de interven&ccedil;&atilde;o &eacute; atribu&iacute;da pelo entrevistado ao fato de que o subsistema de recursos humanos, ao qual o consultor em psicologia est&aacute; vinculado, ainda &eacute; considerado pelas organiza&ccedil;&otilde;es como um centro de custos e n&atilde;o de resultados. Orlickas (1998) faz refer&ecirc;ncia a esse assunto quando argumenta que: "Em muitas empresas, a gest&atilde;o de recursos humanos &eacute; encarada exclusivamente como centro de custos: ter pessoas &eacute; necessariamente ter despesas fixas que afetam o or&ccedil;amento da empresa." (p. 15). Block (2001) ressalta que, embora exista toda uma ret&oacute;rica direcionada &agrave;s pessoas e aos relacionamentos, esses "... continuam sendo tratados como uma inconveni&ecirc;ncia necess&aacute;ria - como se tivessem de ser tolerados." (p. XX). Essa perspectiva &eacute; corroborada nos depoimentos dos participantes, que afirmam que, embora a &aacute;rea de recursos humanos seja valorizada no discurso dos gestores como principal ativo das organiza&ccedil;&otilde;es, ela &eacute;, na maioria das empresas, deixada em segundo plano. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os motivos que levam uma empresa a contratar o consultor, os participantes destacam as crises nas organiza&ccedil;&otilde;es, especialmente as crises dentro da diretoria, e ressaltam o car&aacute;ter emergencial da solicita&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&atilde;o do consultor: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Muitas vezes ele (o consultor) vai l&aacute; mais pra apagar inc&ecirc;ndio do que pra promover mudan&ccedil;a. Age mais como um facilitador em epis&oacute;dios em que a empresa n&atilde;o consegue resolver situa&ccedil;&otilde;es sozinha, conflitos. </i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O entendimento dos propriet&aacute;rios das empresas vai ao encontro do pensamento de Block (2001), quando destaca que o servi&ccedil;o de consultoria geralmente &eacute; contratado quando os gestores t&ecirc;m a sensa&ccedil;&atilde;o de que perderam o controle sobre determinada situa&ccedil;&atilde;o e esperam que o consultor os auxilie a retom&aacute;-lo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A grande diversidade de significados atrelados ao termo consultoria nos d&aacute; a dimens&atilde;o da complexidade de problematizar essas pr&aacute;ticas, inseridas nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho contempor&acirc;neas. Como a pr&oacute;pria palavra indica, o contempor&acirc;neo sinaliza para a conviv&ecirc;ncia simult&acirc;nea de diversas concep&ccedil;&otilde;es e de formas de trabalhar. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5. Conclus&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa junto ao cadastro de pessoa jur&iacute;dica do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul permitiu identificar apenas duas empresas pioneiras no campo de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho no Rio Grande do Sul e que permanecem em atividade atualmente. Aponta tamb&eacute;m para o predom&iacute;nio da psicologia cl&iacute;nica entre as propostas de interven&ccedil;&atilde;o das empresas cadastradas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tem&aacute;ticas que envolvem o funcionamento familiar da Alfa e da Beta surgiram com freq&uuml;&ecirc;ncia no depoimento dos participantes. O fato de ter pessoas da fam&iacute;lia como propriet&aacute;rias da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; o aspecto que permite aos entrevistados classificar as empresas como familiares. Entretanto, embora os n&uacute;cleos propriet&aacute;rios de ambas as empresas sejam constitu&iacute;dos por membros da fam&iacute;lia, tanto a Alfa, quanto a Beta parecem ser mais bem classificadas como empresas pessoais, por ainda estarem fortemente associadas aos fundadores, psic&oacute;logos do sexo masculino. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pr&aacute;ticas de recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o predominavam entre os servi&ccedil;os disponibilizados na d&eacute;cada de 1970, amplamente favorecidas pelo contexto pol&iacute;tico e socioecon&ocirc;mico do per&iacute;odo do "milagre brasileiro". Nos &uacute;ltimos anos, as transforma&ccedil;&otilde;es no contexto produtivo promoveram o fortalecimento das pr&aacute;ticas de consultoria, que assumem, para os participantes do estudo, concep&ccedil;&otilde;es bastante diversificadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fortalecimento do servi&ccedil;o de consultoria surge como uma resposta das empresas &agrave;s novas configura&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho. O decr&eacute;scimo da demanda pelo recrutamento e sele&ccedil;&atilde;o de pessoal impulsionou a busca pela diversifica&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os disponibilizados, agrupados sob a defini&ccedil;&atilde;o de consultoria. O termo consultoria foi associado a uma grande diversidade de conceitos e procedimentos. Foi classificado, principalmente, como a interven&ccedil;&atilde;o de um agente externo &agrave; empresa, respons&aacute;vel pela promo&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a e desenvolvimento organizacional (norteado pelos pressupostos da teoria sist&ecirc;mica); tamb&eacute;m foi definido como um novo tipo de v&iacute;nculo de trabalho, resultado dos processos de enxugamento e terceiriza&ccedil;&atilde;o; e, finalmente, foi utilizado como um sin&ocirc;nimo de empresa de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho de consultoria tamb&eacute;m abre diversas possibilidades de a&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo, porque vem atrelado a procedimentos de diagn&oacute;stico organizacional, treinamento, desenvolvimento de equipes, an&aacute;lise da estrutura organizacional da empresa, pol&iacute;ticas de remunera&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m aos servi&ccedil;os de sele&ccedil;&atilde;o. A consultoria parece abrigar, em sua indefini&ccedil;&atilde;o, v&aacute;rios procedimentos que anteriormente eram disponibilizados como servi&ccedil;os isolados. Ser consultor descortina um grande leque de fun&ccedil;&otilde;es em uma organiza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os mesmos processos de transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, que fortalecem a pr&aacute;tica de consultoria, tamb&eacute;m atravessam a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho dentro das empresas em psicologia. As consultorias em psicologia organizacional e do trabalho incorporam, em seu cotidiano, os mesmos processos de enxugamento e terceiriza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos empregat&iacute;cios, com escassas refer&ecirc;ncias ao impacto desses processos para os demitidos e terceirizados. Acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es do contexto de trabalho emerge como estrat&eacute;gia fundamental para a sobreviv&ecirc;ncia dessas empresas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A grande quest&atilde;o que emerge da an&aacute;lise da trajet&oacute;ria das empresas pesquisadas &eacute; a encruzilhada em que se encontram os psic&oacute;logos organizacionais e do trabalho e os profissionais que atuam na forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. O campo de consultoria, na sua indefini&ccedil;&atilde;o, acaba possibilitando tamb&eacute;m maior autonomia na interven&ccedil;&atilde;o do que a s&eacute;rie de procedimentos isolados que cabiam ao psic&oacute;logo na d&eacute;cada de 1970. Apergunta que emerge &eacute; como esses profissionais v&atilde;o se posicionar nessas rela&ccedil;&otilde;es de poder. Como referem Guattari e Rolnik (1988, p. 29): </font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">       <blockquote>... devemos interpelar todos aqueles que ocupam uma posi&ccedil;&atilde;o de ensino nas ci&ecirc;ncias sociais e psicol&oacute;gicas, ou no campo do trabalho - todos aqueles, enfim, cuja posi&ccedil;&atilde;o consiste em se interessar pelo discurso do outro. Eles se encontram numa encruzilhada pol&iacute;tica e micropol&iacute;tica fundamental. Ou v&atilde;o fazer o jogo dessa reprodu&ccedil;&atilde;o de modelos que n&atilde;o nos permitem criar sa&iacute;das para os processos de singulariza&ccedil;&atilde;o, ou, ao contr&aacute;rio, v&atilde;o estar trabalhando para o funcionamento desses processos na medida de suas possibilidades e dos agenciamentos que consigam p&ocirc;r para funcionar. Isto quer dizer que n&atilde;o h&aacute; objetividade cient&iacute;fica alguma nesse campo, nem uma suposta neutralidade na rela&ccedil;&atilde;o. </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo, ao resgatar a trajet&oacute;ria de empresas ga&uacute;chas pioneiras na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia organizacional e do trabalho, buscou contribuir para a reflex&atilde;o sobre as pr&aacute;ticas de consultoria e suas perspectivas de trabalho para o psic&oacute;logo. Algumas tend&ecirc;ncias identificadas neste estudo e n&atilde;o exploradas, como o funcionamento familiar dessas organiza&ccedil;&otilde;es e a centraliza&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es em figuras masculinas, suscitam questionamentos e abrem espa&ccedil;o para o desenvolvimento e aprofundamento de novas pesquisas nesse campo complexo e repleto de possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BASTOS, M. I. P. L. <i>O direito e o avesso da consultoria</i>.  S&atilde;o Paulo: Makron Books, 1999. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093336&pid=S1984-6657200700010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BLOCK, P. <i>Consultoria: o desafio da liberdade</i>.  2. ed. S&atilde;o Paulo: Makron Books, 2001. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093337&pid=S1984-6657200700010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAPRA, F. <i>A teia da vida: uma nova compreens&atilde;o cient&iacute;fica dos sistemas vivos.</i> S&atilde;o Paulo: Cultrix, 1996. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093338&pid=S1984-6657200700010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASE, T. A.; CASE, S.; FRANCIATTO, C. <i>Empregabilidade: de executivo a consultor bem-sucedido. </i>S&atilde;o Paulo: Makron Books, 1997. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093339&pid=S1984-6657200700010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CASTEL, R. <i>As metamorfoses da quest&atilde;o social: uma cr&ocirc;nica do sal&aacute;rio. </i>Petr&oacute;polis: Vozes, 1998. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093340&pid=S1984-6657200700010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CODO, W. O papel do psic&oacute;logo na organiza&ccedil;&atilde;o industrial (notas sobre o "lobo mau" em psicologia). In: LANE, S.; CODO, W. <i>Psicologia social: o homem em movimento. </i>13. ed. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 2001, p. 195-202. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093341&pid=S1984-6657200700010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COIMBRA, C. M. B. Pr&aacute;ticas "Psi" no Brasil do "Milagre": algumas de suas produ&ccedil;&otilde;es. In: JAC&Oacute;-VILELA, A. M.; JABUR, F.; RODRIGUES, H. B. C. (Orgs.) <i>Clio-Psych&eacute;: hist&oacute;rias da Psicologia no Brasil. </i>Rio de Janeiro: UERJ,NAPE, 1999, p. 75-91. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093342&pid=S1984-6657200700010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COSTA, L. C. A.; MELLO, L. I. A. <i>Hist&oacute;ria do Brasil. </i>9. ed. S&atilde;o Paulo: Scipione, 1996. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093343&pid=S1984-6657200700010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GUATTARI, F.; ROLNIK, S. <i>Micropol&iacute;tica: cartografias do desejo.</i> Rio de Janeiro: Vozes, 1988. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093344&pid=S1984-6657200700010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JACQUES, M. G. C. O contexto hist&oacute;rico como produtor e produto do conhecimento: trajet&oacute;ria da psicologia do trabalho. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica</i>,  v. 4. n. 1/2,  p. 64-70, 1989. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093345&pid=S1984-6657200700010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______ Contribui&ccedil;&otilde;es da psicologia social para o trabalho e as organiza&ccedil;&otilde;es. In: SILVEIRA, A. F. (Org.). <i>Cidadania e participa&ccedil;&atilde;o social. </i>Porto Alegre: ABRAPSOSUL, 1999, p. 89-95. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093346&pid=S1984-6657200700010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOPEZ, L. R. <i>Hist&oacute;ria do Brasil contempor&acirc;neo. </i>6. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1991. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093347&pid=S1984-6657200700010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MANCIA, L. T. S. <i>Os desafios do modelo de consultoria interna: uma experi&ecirc;ncia ga&uacute;cha. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administra&ccedil;&atilde;o, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Administra&ccedil;&atilde;o. Porto Alegre, 1997. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093348&pid=S1984-6657200700010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARTINS, H. H. H. A forma&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo organizacional que atua em consultoria. <i>Anais do XIV Sal&atilde;o de Inicia&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica</i>. Porto Alegre: UFRGS, 2002. p. 794. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093349&pid=S1984-6657200700010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OLIVEIRA, D. P. R. <i>Manual de consultoria empresarial: conceitos, metodologia, pr&aacute;ticas. </i>2. ed. 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S. <i>Psicologia e ideologia: uma introdu&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica &agrave; psicologia escolar.</i> S&atilde;o Paulo: Queiroz, 1984. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093352&pid=S1984-6657200700010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RESOLU&Ccedil;&Atilde;O CFP 02/01. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pol.org.br" target="_blank">http://www.pol.org.br</a>. Acesso: 03 jan. 2005. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093353&pid=S1984-6657200700010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHEIN, E. H. <i>Consultoria de procedimentos: seu papel no desenvolvimento organizacional. </i>S&atilde;o Paulo: Edgar Bl&uuml;cher, 1972. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093354&pid=S1984-6657200700010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SERVI&Ccedil;O NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. <i>Ensino correto de um trabalho: esbo&ccedil;o das reuni&otilde;es e material de refer&ecirc;ncia,</i>1958. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093355&pid=S1984-6657200700010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______ <i>Rela&ccedil;&otilde;es no trabalho: esbo&ccedil;o das reuni&otilde;es e material de refer&ecirc;ncia para uso dos instrutores, </i>1959. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093356&pid=S1984-6657200700010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SINGER, P. I. <i>Uma utopia militante: repensando o socialismo. </i>2. ed. Petr&oacute;polis: Vozes, 1999. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093357&pid=S1984-6657200700010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOUZA, E. L. P. <i>Desenvolvimento organizacional: casos e instrumentos brasileiros.</i> S&atilde;o Paulo: Edgard Bl&uuml;cher; Porto Alegre: Funda&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, 1975. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093358&pid=S1984-6657200700010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SPINK, P. A organiza&ccedil;&atilde;o como fen&ocirc;meno psicossocial: notas para uma redefini&ccedil;&atilde;o da psicologia do trabalho. <i>Psicologia & Sociedade</i>,  v. 8. n. 1, p. 174-202, 1996. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093359&pid=S1984-6657200700010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">YIN, R. K. <i>Estudo de caso: planejamento e m&eacute;todos</i>. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4093360&pid=S1984-6657200700010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig03.gif">1</a> <b>&Aacute;rea n&atilde;o especificada: </b>o objetivo descrito no contrato social n&atilde;o especifica a &aacute;rea da psicologia &agrave; qual a    empresa se dedica. Por exemplo: "Presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em psicologia".    <br>    <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig03.gif">2</a> <b>&Aacute;rea da sa&uacute;de e social: </b>servi&ccedil;os em medicina; fisioterapia; fonoaudiologia; nutri&ccedil;&atilde;o; terapia ocupacional;    assist&ecirc;ncia social.     <br>   <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig03.gif">3</a> <b>Outros: </b>servi&ccedil;os em engenharia el&eacute;trica; forma&ccedil;&atilde;o de condutores; processos qu&iacute;micos industriais; fotografia;    atividades art&iacute;sticas.     <br>   <a href="/img/revistas/rpot/v7n1/a04fig03.gif">4</a> <b>&Aacute;rea administrativa e financeira: </b>assessoria econ&ocirc;mica e financeira; pesquisas de mercado; com&eacute;rcio  exterior. </font></p>      ]]></body>
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