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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndrome loconeurótica revisitada: o cotidiano de docentes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents an extract from the "Organization of Work and Suffering" research conducted by the Education and Health at Work Group, at UFF. Its goal is to discuss characteristics identified in the description of Loconeurotic Syndrome (SLN) presented in 1999, comparing them to different manifestations in professionals from three elementary schools in Rio de Janeiro, in 2010. The methodology used to conduct the study has a qualitative and cartographic basis, and is supported by records of aesthetic observations and results of analysis of the teachers' discourses, from recordings of discussion groups and life histories. The results indicate the presence of the typical SLN indicators of exposure to psychosocial threats, especially in light of failures in the social support, camaraderie, and domain of one's own doing.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&iacute;ndrome loconeur&oacute;tica revisitada: o cotidiano de docentes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loconeurotic syndrome revisited: the everyday life of teachers</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Hilda Alevato</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Federal Fluminense. Rua Passo da P&aacute;tria, 156, sala 329-A, bl E S&atilde;o Domingos - Niter&oacute;i - RJ. Telefone: 8653-6759. E-mail: <a href="mailto:nest@latec.uff.br">nest@latec.uff.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1"noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo apresenta um recorte da pesquisa <i>Organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e sofrimento</i>, do N&uacute;cleo de Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de no Trabalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O objetivo &eacute; discutir caracter&iacute;sticas identificadas na descri&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ndrome Loconeur&oacute;tica (SLN) apresentada em 1999, confrontando-as com as manifesta&ccedil;&otilde;es de profissionais de tr&ecirc;s diferentes escolas de ensino fundamental do Rio de Janeiro, em 2010. A metodologia empregada para realizar o estudo teve base qualitativa e cartogr&aacute;fica, com o apoio de registros de observa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas e resultados da an&aacute;lise dos discursos de professores, por meio de grava&ccedil;&otilde;es de grupos de discuss&atilde;o e de hist&oacute;rias de vida. Os resultados apontam para a presen&ccedil;a das marcas da SLN t&iacute;picas da exposi&ccedil;&atilde;o a amea&ccedil;as psicossociais, especialmente diante de falhas no suporte social, no companheirismo e no dom&iacute;nio sobre o pr&oacute;prio fazer. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Sindrome Loconeur&oacute;tica, Amea&ccedil;as Psicossociais, Trabalho Docente, Suporte Social.</font></p> <hr size="1"noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This article presents an extract from the "Organization of Work and Suffering" research conducted by the Education and Health at Work Group, at UFF. Its goal is to discuss characteristics identified in the description of Loconeurotic Syndrome (SLN) presented in 1999, comparing them to different manifestations in professionals from three elementary schools in Rio de Janeiro, in 2010. The methodology used to conduct the study has a qualitative and cartographic basis, and is supported by records of aesthetic observations and results of analysis of the teachers' discourses, from recordings of discussion groups and life histories. The results indicate the presence of the typical SLN indicators of exposure to psychosocial threats, especially in light of failures in the social support, camaraderie, and domain of one's own doing.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Loconeurotic Ssyndrome, Psychosocial Threats, Teaching Work, Social Support.</font></p> <hr size="1"noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em palestra proferida em 1957 e publicada em 1987, em uma obra organizada por Marialice Foracchi e Luiz Pereira, An&iacute;sio Teixeira fazia refer&ecirc;ncia &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da "educa&ccedil;&atilde;o escolar no Brasil" daquela &eacute;poca (Teixeira, 1987). Eram tempos anteriores &agrave; primeira Lei de Diretrizes e Bases, de 1961<a name="nota01b"></a><a href="#nota01a"><sup>1</sup></a>, e o grande educador criticava o ensino prim&aacute;rio<a name="nota02b"></a><a href="#nota02a"><sup>2</sup></a> da d&eacute;cada de 1950, que para ele era "um processo puramente seletivo" voltado n&atilde;o a seu prop&oacute;sito democr&aacute;tico, mas sim a "selecionar os melhores para lhes oferecer uma educa&ccedil;&atilde;o de elite", e, mesmo assim, n&atilde;o cumpria nem essa miss&atilde;o (Teixeira, 1987, pp. 389- 391).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o autor, a escola prim&aacute;ria deveria</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> organizar-se para dar ao aluno &#91;...&#93; uma educa&ccedil;&atilde;o ambiciosamente integrada e integradora. Para tanto precisa, primeiro, de tempo: tempo para se fazer uma escola de forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos (e n&atilde;o de adestramento para passar em exames) e de h&aacute;bitos de vida, de comportamento, de trabalho e de julgamento moral e intelectual. (p.392) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na atualidade, momento em que o fasc&iacute;nio por m&uacute;ltiplos apelos e aparatos tecnol&oacute;gicos aponta para uma sensa&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncia permanente (Alevato, 2009), trazer as reflex&otilde;es de An&iacute;sio Teixeira - e sua afirma&ccedil;&atilde;o sobre o tempo necess&aacute;rio para educar - pode parecer in&eacute;pcia. Claro, o que teria a nos dizer o velho mestre do s&eacute;culo passado, se a bugiganga eletr&ocirc;nica surgida h&aacute; dois dias j&aacute; parece obsoleta, carente de "funcionalidades" que grande parte dos consumidores sequer chegar&aacute; a compreender antes de troc&aacute;-la pelo pr&oacute;ximo lan&ccedil;amento? De quanto tempo para a educa&ccedil;&atilde;o e a escola se fazerem o mundo contempor&acirc;neo disp&otilde;e?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No texto do educador, obviamente datado, al&eacute;m da constata&ccedil;&atilde;o de que apenas 70% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira encontravam vagas na educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria nos idos de 1950 e, desses, menos de 10% chegavam ao final do ensino prim&aacute;rio, chama aten&ccedil;&atilde;o a refer&ecirc;ncia a uma escola que n&atilde;o materializa a <i>"</i>escola p&uacute;blica de qualidade<i>"</i> ou a <i>"</i>escola boa da minha &eacute;poca<i>"</i>, presente na mem&oacute;ria social que muitos brasileiros que a frequentaram ajudaram a construir (Alevato, 1994). Para ele, o ensino prim&aacute;rio era "algo informe e desordenado, compreendendo escolas estaduais congestionadas e funcionando em dois, tr&ecirc;s e at&eacute; quatro turnos de matr&iacute;culas, escolas municipais com instala&ccedil;&otilde;es geralmente inadequadas e com professores despreparados e escolas particulares livres &#91;...&#93;" (Teixeira, 1987, p. 394).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas d&eacute;cadas depois da palestra de An&iacute;sio Teixeira, o acesso da popula&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolas de ensino fundamental no Brasil est&aacute; relativamente equacionado<a name="nota03b"></a><a href="#nota03a"><sup>3</sup></a>, mas a situa&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es e de seus profissionais parece cada vez mais desafiadora. N&atilde;o obstante o fato de que as escolas t&ecirc;m sido alvo de cr&iacute;ticas desde seus prim&oacute;rdios, at&eacute; onde a literatura hist&oacute;rica consultada<a name="nota04b"></a><a href="#nota04a"><sup>4</sup></a> aponta, a situa&ccedil;&atilde;o atual, especialmente dos professores, n&atilde;o parece ter precedentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frequentemente prejudicados pela compara&ccedil;&atilde;o com seus antecessores - dos quais grande parte da sociedade guarda uma imagem sagrada (Ferreira, 1998) -, os docentes se veem encurralados: al&eacute;m da desconfian&ccedil;a popular em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas compet&ecirc;ncias profissionais e de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho prec&aacute;rias, vivem, ainda, a realidade de situa&ccedil;&otilde;es sociais de dif&iacute;cil trato, viol&ecirc;ncia, cargas de trabalho exaustivas e o enfrentamento de transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que afetam profundamente a institui&ccedil;&atilde;o e seus pilares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A situa&ccedil;&atilde;o dos professores foi alvo de pesquisa desenvolvida no final da d&eacute;cada de 1990 e que culminou com a descri&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ndrome Loconeur&oacute;tica (SLN), apresentada em 1999 (Alevato, 1999a). Naquela oportunidade, realizava-se um primeiro esfor&ccedil;o de descri&ccedil;&atilde;o de marcas coletivas, pistas de uma poss&iacute;vel exposi&ccedil;&atilde;o a perigos ou amea&ccedil;as psicossociais<a name="nota05b"></a><a href="#nota05a"><sup>5</sup></a> nos ambientes escolares de trabalho. Desde ent&atilde;o, outros pesquisadores v&ecirc;m dialogando com a publica&ccedil;&atilde;o inicial e oferecendo contribui&ccedil;&otilde;es ao aprimoramento do estudo, at&eacute; mesmo na &aacute;rea jur&iacute;dica (Fonseca, 2003; Calvo, 2010). No entanto, a clareza em rela&ccedil;&atilde;o ao fato de que ainda falta muito para que se possa estabelecer uma defini&ccedil;&atilde;o ou um estatuto te&oacute;rico &agrave; express&atilde;o "s&iacute;ndrome loconeur&oacute;tica", aliada &agrave; convic&ccedil;&atilde;o de que seu desenvolvimento tem muito a oferecer &agrave;queles que militam no campo da sa&uacute;de e seguran&ccedil;a no trabalho, levou &agrave; retomada de suas caracter&iacute;sticas descritas originalmente, com a finalidade de reavali&aacute;-las diante de realidades distintas, tarefa &agrave; qual a pesquisa "Organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e sofrimento" - em desenvolvimento no N&uacute;cleo de Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de no Trabalho (NEST)<a name="nota06b"></a><a href="#nota06a"><sup>6</sup></a>, da Universidade Federal Fluminense -, vem se dedicando desde 2005.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, o objetivo deste artigo &eacute; discutir as marcas ou as caracter&iacute;sticas identificadas na descri&ccedil;&atilde;o original da SLN, confrontando-as a manifesta&ccedil;&otilde;es de profissionais da educa&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s diferentes escolas, em 2010, com base nos registros de observa&ccedil;&otilde;es de pesquisa e resultados da an&aacute;lise dos discursos de professores e professoras do ensino fundamental de duas escolas p&uacute;blicas e uma escola privada<a name="nota07b"></a><a href="#nota07a"><sup>7</sup></a> do Estado do Rio de Janeiro. O material aqui utilizado &eacute;, portanto, um recorte da pesquisa "Organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e sofrimento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde sua apresenta&ccedil;&atilde;o, tem sido ressaltado que a SLN n&atilde;o &eacute; uma "doen&ccedil;a"<a name="nota08b"></a><a href="#nota08a"><sup>8</sup></a>, nem objetiva servir como diagn&oacute;stico de condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de dos sujeitos. &Eacute; apenas um modelo emp&iacute;rico comprometido com a preven&ccedil;&atilde;o aos riscos &agrave; sa&uacute;de e &agrave; seguran&ccedil;a no trabalho. Sua contribui&ccedil;&atilde;o diferencia-se daquelas abordagens com as quais dialoga (psicodin&acirc;mica do trabalho, teoria do estresse, cl&iacute;nica da atividade e outras) ao oferecer-se como ferramenta filiada ao campo da Organiza&ccedil;&atilde;o do Trabalho. Nesse sentido, &eacute; importante refor&ccedil;ar que a pesquisa aqui referida tem foco, em especial, na evid&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia de amea&ccedil;as e n&atilde;o no processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a em si, ainda que ambos sejam radicalmente interligados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a retomada dos descritores da SLN, aproximadamente uma d&eacute;cada depois de seu primeiro registro - esfor&ccedil;o para o qual a etapa aqui abordada contribui -, pretende colaborar para aprimorar a identifica&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de amea&ccedil;as psicossociais e favorecer a interlocu&ccedil;&atilde;o com outros grupos interessados em tem&aacute;ticas afins, em especial no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS TE&Oacute;RICAS E METODOL&Oacute;GICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Resguardadas as diferen&ccedil;as entre disciplinas, autores e suas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas, a pesquisa "Organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e sofrimento", na qual o presente artigo se baseia, vem fundamentando sua trajet&oacute;ria em refer&ecirc;ncias diversas, na busca por uma compreens&atilde;o <i>cartogr&aacute;fica</i> e <i>generativa</i> (Alevato, 2004) das complexas rela&ccedil;&otilde;es entre o homem e seu trabalho. Nessa esp&eacute;cie de "tecelagem etnogr&aacute;fica" (Coulon, 1995), n&atilde;o se busca uma s&iacute;ntese, tampouco alguma esp&eacute;cie de sincretismo, mas a expressividade proporcionada pelo encontro de contribui&ccedil;&otilde;es consagradas e distintas, como, por exemplo, as de Dejours (1987, 1994), Clot (2001, 2006) e Schwartz (2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais que isso, busca-se uma esp&eacute;cie de "fertiliza&ccedil;&atilde;o cruzada", com a qual se abram leques compreensivos sobre aspectos que aparentemente se manifestam de maneira isolada, mas que guardam profunda inter-rela&ccedil;&atilde;o na realidade dos ambientes de trabalho. Para tanto, mais que contribui&ccedil;&otilde;es de autores, a pesquisa beneficia-se do entrecruzamento disciplinar - aqui, em especial, a lingu&iacute;stica, a sociologia, a antropologia e a psicologia - com as quais o di&aacute;logo das <i>artes</i> cartogr&aacute;ficas tem muito a ensinar/aprender.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal articula&ccedil;&atilde;o-confronta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; mediada pela &eacute;tica e pela est&eacute;tica do trabalho em sua pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o, entendendo que n&atilde;o h&aacute; um fazer aqui e um pesquisar ali, mas um permanente movimento de afeta&ccedil;&otilde;es, reinven&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o apenas no objeto pesquisado, naqueles e naquilo que se visa compreender, mas tamb&eacute;m no pr&oacute;prio pesquisador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Rolnik e Guattari (1989), a cartografia refere-se ao "desenho que acompanha e se faz ao mesmo tempo em que os movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o da paisagem" (p.15). Nesse sentido, a perspectiva cartogr&aacute;fica tem se mostrado prof&iacute;cua e afinada &agrave; pr&aacute;tica generativa (no sentido <i>gerador</i>). Ao nomear a pr&aacute;tica como generativa, a abordagem se volta ao instituinte, ao caminho, ao processo vivido pelo caminhante, ou seja, a base &eacute; a expectativa da realiza&ccedil;&atilde;o, a confian&ccedil;a no processo, na pot&ecirc;ncia inventiva do humano (Dias, 2011). A pr&aacute;tica generativa (em Educa&ccedil;&atilde;o, em POT, em pesquisa) move-se pela convic&ccedil;&atilde;o de que a despeito de cen&aacute;rios t&atilde;o sombrios,</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> n&atilde;o podemos silenciar diante da multiplicidade de a&ccedil;&otilde;es, de experi&ecirc;ncias instituintes que, a cada dia, v&atilde;o sacudindo marasmos e conformismos, reinventando caminhos formativos, onde professores e educadores se reinventam com seus alunos e os que constituem a escola (Linhares, 2011, p. 43). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se trata, portanto, de buscar um di&aacute;logo harmonizador de antagonismos epistemol&oacute;gicos ou de mergulhar em uma ing&ecirc;nua supress&atilde;o de fronteiras disciplinares, mas de reconhecer a fragilidade de saberes insulares diante do universo pesquisado, com suas m&uacute;ltiplas determina&ccedil;&otilde;es e infind&aacute;veis reinven&ccedil;&otilde;es. Essa &eacute; uma atitude ressaltada por Schwartz (2010), para quem o valor da multidisciplinaridade &eacute; instigante, numa articula&ccedil;&atilde;o-confronta&ccedil;&atilde;o com a pluralidade de olhares e saberes dos pr&oacute;prios sujeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas buscas pelas manifesta&ccedil;&otilde;es da exposi&ccedil;&atilde;o a perigos psicossociais nas escolas investigadas, a <i>arte</i> cartogr&aacute;fica mostrou-se importante ferramenta de articula&ccedil;&atilde;o entre observa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas (Bense, 1971) dos ambientes escolares, grupos de discuss&atilde;o e registros de hist&oacute;rias de vida, narradas por aqueles professores que se disponibilizaram a contribuir para atualizar, ou reler, as marcas da SLN identificadas em 1999 (Alevato, 1999a). Ao todo, foram ouvidas as narrativas de tr&ecirc;s professores da escola privada, um da escola estadual e dois da escola municipal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O produto discursivo, gravado com o consentimento dos participantes dos grupos de discuss&atilde;o e das hist&oacute;rias de vida, foi submetido &agrave; an&aacute;lise de discursos, segundo a escola francesa (Orlandi, 2007; P&ecirc;cheux, 1997). Como cuidados especiais, conforme orienta&ccedil;&atilde;o de Alain Coulon (1995, p. 109), a pesquisa procura: a) manter a disponibilidade dos dados para consultas frequentes; b) trabalhar exaustivamente com cada registro; c) ler e confrontar leituras de diferentes pesquisadores sobre os mesmos materiais; d) analisar o material com o apoio de diferentes disciplinas cient&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, ao todo, um conjunto de aproximadamente 150 sujeitos foi envolvido nessa etapa da pesquisa: profissionais de tr&ecirc;s escolas, sendo duas da rede p&uacute;blica - uma estadual e uma municipal - e uma da rede privada. As escolas, todas de ensino fundamental, foram inseridas nesse processo com base em diferentes situa&ccedil;&otilde;es e apelos. Uma delas, p&uacute;blica municipal, passou a integrar o grupo a partir da solicita&ccedil;&atilde;o de seus profissionais (incluindo dire&ccedil;&atilde;o e equipe administrativo-pedag&oacute;gica), que buscavam apoio para o enfrentamento do cotidiano em uma comunidade com muitos problemas econ&ocirc;micos e sociais. A escola estadual foi contatada pela autora que solicitou espa&ccedil;o para desenvolver observa&ccedil;&otilde;es e conduzir grupos de discuss&atilde;o sobre o trabalho docente. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escola privada, os contatos foram solicitados por tr&ecirc;s professores, por ocasi&atilde;o de uma palestra<a name="nota09b"></a><a href="#nota09a"><sup>9</sup></a> da autora no Sindicato. Nesse &uacute;ltimo caso, o estabelecimento de ensino n&atilde;o aceitou ser envolvido, mas um grupo de oito professores se disponibilizou a participar de encontros com a equipe de pesquisa na Universidade Federal Fluminense para falar de seu trabalho e de seu sofrimento. Para eles, a escuta qualificada, o espa&ccedil;o para refletir e aprofundar quest&otilde;es que pareciam "infiltradas", como "organismos estranhos" em sua "profiss&atilde;o" (express&otilde;es usadas por uma das professoras que buscou o apoio do NEST) eram indispens&aacute;veis para que "compreendessem" melhor o que estava "acontecendo com eles".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As observa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, o trabalho com os grupos e a grava&ccedil;&atilde;o das hist&oacute;rias de vida desenvolveram-se no per&iacute;odo entre agosto e dezembro de 2010. Nos encontros com os grupos, a rotina estabelecia-se caso a caso, e as decis&otilde;es de encaminhamento obedeciam aos movimentos grupais a partir de provoca&ccedil;&otilde;es estimuladoras baseadas em fatos ocorridos no cotidiano de cada escola. As sess&otilde;es eram iniciadas, portanto, com o relato de uma situa&ccedil;&atilde;o observada pela equipe de pesquisa, seguido por um debate livre. Houve momentos cat&aacute;rticos, momentos de aprofundamentos conceituais, sil&ecirc;ncios e momentos de diverg&ecirc;ncias e de participa&ccedil;&otilde;es aguerridas, todos permeando a busca por aquilo que cada grupo estabelecia como sua tarefa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os grupos foram compostos por ades&atilde;o espont&acirc;nea, por meio de apresenta&ccedil;&atilde;o, pelos pesquisadores, e debate acerca do trabalho a ser desenvolvido. A frequ&ecirc;ncia m&eacute;dia foi de seis integrantes em cada momento, com algumas varia&ccedil;&otilde;es: pessoas que iam apenas a um encontro, pessoas que iam a todos, pessoas que faltavam eventualmente, pessoas que "participavam" silenciosamente e pessoas que socializavam as discuss&otilde;es e encaminhamentos, realimentando o processo com contribui&ccedil;&otilde;es de colegas que n&atilde;o podiam estar presentes. Os encontros grupais tiveram a dura&ccedil;&atilde;o de aproximadamente sessenta minutos cada, em hor&aacute;rios e periodicidade ajustados &agrave;s agendas dos profissionais. As narrativas das hist&oacute;rias de vida - ao todo seis - foram coletadas em mais de uma sess&atilde;o, com dura&ccedil;&atilde;o variada de acordo com as disponibilidades dos sujeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho com os profissionais da escola municipal aconteceu em suas pr&oacute;prias instala&ccedil;&otilde;es, em um total de nove encontros, j&aacute; que a institui&ccedil;&atilde;o contava com a mobiliza&ccedil;&atilde;o de um coletivo bastante articulado. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escola estadual, os tr&ecirc;s primeiros encontros realizaram-se na pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o, mas as autolimita&ccedil;&otilde;es &agrave; express&atilde;o - uso abundante de acordos de fala, contribui&ccedil;&otilde;es monossil&aacute;bicas, dentre outras - sugeriam que houvesse preocupa&ccedil;&atilde;o com o que estava sendo dito e por quem poderia estar sendo escutado. Assim, a sugest&atilde;o da pesquisadora de transferir os encontros para a Universidade Federal Fluminense foi bem recebida e foram realizadas mais tr&ecirc;s sess&otilde;es. Apesar da acolhida &agrave; ideia, as participa&ccedil;&otilde;es eram irregulares, com atrasos e situa&ccedil;&otilde;es inusitadas, como professores silenciosos e/ou corrigindo trabalhos de alunos durante as reuni&otilde;es do grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por seu lado, o grupo da escola particular contou com o espa&ccedil;o da Universidade desde o primeiro de seus dez encontros, por solicita&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios professores diante da negativa dos propriet&aacute;rios da escola ao acolhimento do encaminhamento proposto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A metodologia adotada tem, portanto, natureza qualitativa e n&atilde;o se presta a qualquer esp&eacute;cie de generaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SLN, DEZ ANOS DEPOIS...</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No estudo publicado em 1999 (Alevato, 1999a; Alevato, 1999b, p. 126ss) foram identificadas dezesseis marcas caracterizadoras da SLN. No estudo de 2010, aqui resumido, cada uma dessas marcas foi cotejada ao material recolhido nas observa&ccedil;&otilde;es, nos grupos de discuss&atilde;o e nas hist&oacute;rias de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; interessante registrar que o estudo de 1999<a name="nota10b"></a><a href="#nota10a"><sup>10</sup></a> se desenvolveu com todos os sujeitos expostos a situa&ccedil;&otilde;es muito semelhantes de grave desmanche institucional, diferente do atual, no qual os ambientes de trabalho guardavam uma importante diversidade que favoreceu a avalia&ccedil;&atilde;o e a confronta&ccedil;&atilde;o das marcas de exposi&ccedil;&atilde;o a amea&ccedil;as psicossociais em diferentes situa&ccedil;&otilde;es, conforme ser&aacute; ressaltado adiante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O texto a seguir resume cada uma das marcas<a name="nota11b"></a><a href="#nota11a"><sup>11</sup></a> da SLN e aponta aspectos da situa&ccedil;&atilde;o atual que podem ser cotejados &agrave; SLN, conforme descrita em 1999, nas tr&ecirc;s escolas estudadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 1: sentimento de ang&uacute;stia de origem inespec&iacute;fica</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira das marcas registradas em 1999 foi um sentimento de ang&uacute;stia de origem inespec&iacute;fica. Os sujeitos at&eacute; apontavam um problema ou outro como gerador de seu sofrimento, mas a rede angustiante que os envolvia confundia os focos e provocava um sentimento difuso, comum aos membros do grupo de modo tamb&eacute;m difuso, confirmando e aumentando o sofrimento patog&ecirc;nico de todos. Nas falas, &agrave; &eacute;poca, essa indefini&ccedil;&atilde;o se evidenciava por express&otilde;es vagas como "sei l&aacute;", "n&atilde;o sei o que acontece comigo", "s&oacute; de pensar de vir para c&aacute; eu j&aacute; come&ccedil;o a sentir uma coisa estranha" etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas falas recolhidas na etapa atual da pesquisa, a situa&ccedil;&atilde;o de 1999 parecia reproduzir-se nas falas do grupo da escola privada, com o agravante de precisarem "exibir um sorriso e uma disposi&ccedil;&atilde;o mascarada", conforme uma das professoras afirmou, pelo medo de perder o emprego.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escola estadual, foi identificada uma esp&eacute;cie de banaliza&ccedil;&atilde;o do sofrimento que sugere que o aumento das tens&otilde;es e da ang&uacute;stia naquela escola pode estar por tr&aacute;s de uma esp&eacute;cie "coura&ccedil;a refrat&aacute;ria" (Reich, 1995), &agrave; qual se fazia refer&ecirc;ncia em 1999. Enquanto alguns pareciam extremamente angustiados, a maioria parecia expressar indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao que se passava, banalizando a situa&ccedil;&atilde;o, debochando da institui&ccedil;&atilde;o e de seu trabalho e, muitas vezes, atribuindo &agrave;s pr&oacute;prias escolhas profissionais o sofrimento que enfrentavam. Assim, a representa&ccedil;&atilde;o social da profiss&atilde;o aparecia associada &agrave; expectativa de fracasso social, sobrecarga de trabalho e baixo <i>status</i>. Uma esp&eacute;cie de naturaliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o vivida - como se tais circunst&acirc;ncias fossem inerentes ao "ser professor" - parecia fomentar uma atitude de impot&ecirc;ncia frente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es oferecidas, desmobilizando as lutas coletivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escola municipal, curiosamente, ao lado das explica&ccedil;&otilde;es naturalizadas e da aparente impot&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s circunst&acirc;ncias vividas na comunidade, o coletivo parecia se fortalecer, negando-se a se submeter &agrave;quilo que parecia n&atilde;o ter solu&ccedil;&atilde;o. A busca pela supera&ccedil;&atilde;o de problemas encarados como "de todos" unia o grupo, ao mesmo tempo em que o assemelhamento das explica&ccedil;&otilde;es transformava o sofrimento em mobiliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 2: delimita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica das manifesta&ccedil;&otilde;es</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na descri&ccedil;&atilde;o de 1999, a delimita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica das manifesta&ccedil;&otilde;es era uma constante. A complementa&ccedil;&atilde;o das ora&ccedil;&otilde;es com adv&eacute;rbios de lugar como "aqui" e "nesta escola" for&ccedil;ava o ouvinte a imaginar que em outro lugar, sob outras condi&ccedil;&otilde;es, as coisas pareciam ser diferentes para eles.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos dos sujeitos do estudo atual tamb&eacute;m relatavam o mal-estar quando pensavam em ir trabalhar. Outros, tamb&eacute;m ratificando o estudo de 1999, quando trabalhavam em mais de um local, apontavam as diferen&ccedil;as entre eles e diziam n&atilde;o saber por que se sentiam menos mal em um dos locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, nesta revis&atilde;o, uma d&eacute;cada depois, encontra-se a associa&ccedil;&atilde;o "geogr&aacute;fica" - que justifica, inclusive, o "loco" da denomina&ccedil;&atilde;o da SLN (loconeur&oacute;tica) - refor&ccedil;ada por uma ideia ampliada de espa&ccedil;o. Possivelmente, essa ideia ampliada refere-se ao "espa&ccedil;o profissional", que inverte a no&ccedil;&atilde;o inicial e deixa de considerar o "micro espa&ccedil;o problem&aacute;tico" como exce&ccedil;&atilde;o e passa a identificar o prazer de ser professor e a boa escola para trabalhar &agrave;s exce&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dizendo de outra maneira, em todos os grupos pesquisados e em todas as narrativas coletadas, a ideia do espa&ccedil;o social do profissional da educa&ccedil;&atilde;o como um espa&ccedil;o problem&aacute;tico repetiu-se in&uacute;meras vezes, favorecendo a suspeita de que aqueles momentos em que o profissional se sentia menos agredido representavam a exce&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso, n&atilde;o se trata de marcar uma dicotomia entre trabalho prazeroso e trabalho nocivo, mas sim de oportunidades raras de encontrar prazer em um trabalho que a maior parte dos profissionais identifica como voca&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o pessoal (Paschoalino, 2007), marca bastante presente nos seis relatos de vida coletados. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 3: renit&ecirc;ncia</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceira caracter&iacute;stica identificada em 1999 era a renit&ecirc;ncia. Perdas sociais sucessivas abalavam as expectativas e destru&iacute;am a esperan&ccedil;a. Na presente reavalia&ccedil;&atilde;o das marcas da SLN, &eacute; poss&iacute;vel dizer que essa caracter&iacute;stica encontra-se agravada e que a refer&ecirc;ncia &agrave;s perdas sociais - priva&ccedil;&atilde;o, castra&ccedil;&atilde;o e frustra&ccedil;&atilde;o (Alevato, 1999a, p. 78) - aumentou muito, em especial na escola privada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso dessa escola, o que chama aten&ccedil;&atilde;o, particularmente, &eacute; o conjunto de lamentos endere&ccedil;ados &agrave; crescente perda de controle sobre o pr&oacute;prio trabalho, provocado por decis&otilde;es (profissionais, administrativas e pedag&oacute;gicas) dos propriet&aacute;rios da escola, que amputavam o poder de agir (Clot, 2006) dos mestres e eram identificadas mais &agrave;s oportunidades do mercado do que aos objetivos educacionais. A fala dos profissionais da escola privada aponta para a diminui&ccedil;&atilde;o da autonomia, a presen&ccedil;a de profissionais acompanhando as aulas dentro de sala e at&eacute; a interven&ccedil;&atilde;o de imposi&ccedil;&otilde;es dos pais (pagantes ou clientes, como se ressalta) nas decis&otilde;es pedag&oacute;gicas e na din&acirc;mica escolar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolas p&uacute;blicas, o registro variava. No caso da municipal, o ponto-chave era a perda de prest&iacute;gio dos professores e da institui&ccedil;&atilde;o, v&iacute;timas do descaso do poder p&uacute;blico, da viol&ecirc;ncia urbana e da desestrutura&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias. Na escola estadual, as considera&ccedil;&otilde;es convergiam em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s perdas salariais, &agrave; precariedade das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho<a name="nota12b"></a><a href="#nota12a"><sup>12</sup></a> e &agrave; pr&aacute;tica gerencialista adotada pela secretaria de educa&ccedil;&atilde;o, ponto tamb&eacute;m lembrado nas sess&otilde;es com profissionais da rede municipal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 4: assemelhamento sintom&aacute;tico</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como quarto ponto identificado em 1999, a SLN caracterizava-se pelo assemelhamento sintom&aacute;tico entre os diferentes sujeitos do conjunto. Eram atitudes comuns que revelavam, ao visitante desavisado, um "ambiente pesado", com express&otilde;es faciais sem energia, repetitivas e denunciadoras de um des&acirc;nimo generalizado em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer nova proposta ou sugest&atilde;o. Os membros daqueles coletivos pareciam padecer de problemas semelhantes, entend&ecirc;-los de forma semelhante, reagir de forma semelhante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho realizado em 2010, essa marca apresenta-se bastante diferenciada nas tr&ecirc;s escolas integrantes do estudo. Na escola estadual, as observa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas e as atitudes durante as sess&otilde;es mostraram um grupo pr&oacute;ximo ao de 1999, repetindo suas queixas e a autoimagem de v&iacute;timas de uma situa&ccedil;&atilde;o de desamparo generalizado. Express&otilde;es t&iacute;picas de ressentimento, desleixo com a pr&oacute;pria apar&ecirc;ncia e fadiga cr&ocirc;nica (Corona, 2000) podem ser usadas para descrever o grupo, com poucas exce&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escola municipal, por outro lado, a despeito do assemelhamento discursivo e da presen&ccedil;a de alguns profissionais aparentemente vivendo sintomas pr&oacute;ximos aos identificados em 1999, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer que essas caracter&iacute;sticas definam o grupo. Ao contr&aacute;rio, eles s&atilde;o as exce&ccedil;&otilde;es. J&aacute; o grupo da escola privada descrevia a unidade de seu sofrimento e sua falta de vontade e de disposi&ccedil;&atilde;o para trabalhar naquela escola, mas n&atilde;o mostrava des&acirc;nimo nem falta de energia nos encontros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 5: redu&ccedil;&atilde;o da realidade a um &uacute;nico foco de julgamento</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quinta caracter&iacute;stica descrita em 1999 foi a redu&ccedil;&atilde;o da realidade a um &uacute;nico foco de julgamento. Naquela oportunidade, os olhares se restringiam a repetir argumentos semelhantes, aceitos pela maioria, para diferentes aspectos do que viviam, desconsiderando as m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es e entrela&ccedil;amentos do real. Havia um quadro l&oacute;gico explicativo, e as culpas sempre pareciam f&aacute;ceis de ser delimitadas, assim como os supostos "culpados" e os "bodes expiat&oacute;rios". Tudo parecia se repetir, n&atilde;o permitindo que vis&otilde;es criativas e/ou alternativas aflorassem. Aquele que ousasse propor iniciativas diferentes era desencorajado, e quem acreditasse no sucesso de tais propostas era tido como ing&ecirc;nuo, ris&iacute;vel, visto com descr&eacute;dito ou exclu&iacute;do da aten&ccedil;&atilde;o do grupo, como uma verdadeira amea&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos registros das 25 sess&otilde;es, na etapa atual da pesquisa, tal caracter&iacute;stica apresentou-se fortemente identific&aacute;vel em todas as seis desenvolvidas com os grupos da escola estadual e nas observa&ccedil;&otilde;es l&aacute; realizadas. Dentre os dez encontros com os professores da escola privada, em cinco deles, a express&atilde;o divergente da fala dominante ou daquilo que estava sendo discutido era silenciada ou ignorada por parte do grupo. Com a continuidade das interven&ccedil;&otilde;es e as rea&ccedil;&otilde;es daqueles que se viam exclu&iacute;dos, o pr&oacute;prio grupo reorganizou sua intera&ccedil;&atilde;o. Na escola municipal, a din&acirc;mica intergrupal nos tr&ecirc;s primeiros encontros era favor&aacute;vel &agrave;s ideias e &agrave;s sugest&otilde;es, desde que n&atilde;o se colocasse em quest&atilde;o a raiz do problema com a comunidade. Depois, a sequ&ecirc;ncia de debates proporcionou oportunidades de perlabora&ccedil;&atilde;o de tal recusa, abrindo o coletivo &agrave; fecundidade de seu pr&oacute;prio movimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dois, dentre os seis relatos de vida, a aparente intoler&acirc;ncia &agrave;s diverg&ecirc;ncias, em especial no que tange &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com colegas que insistiam em solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis e/ou n&atilde;o experimentadas, sugeria a rejei&ccedil;&atilde;o a posicionamentos menos afinados ao drama coletivo. Nos demais, a situa&ccedil;&atilde;o parecia ser inversa, ou seja, o inc&ocirc;modo expressado por meio das narrativas sugeria referir-se &agrave;s tentativas frustradas em mobilizar o grupo. Em um deles, o professor se autonomeou como "o bobo da corte", afirmando que os colegas chegavam a evitar sua presen&ccedil;a, desviando-se dele nas &aacute;reas comuns da escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 6: d&uacute;vida e desconfian&ccedil;a</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o da d&uacute;vida e da desconfian&ccedil;a, outra marca, apareceu com destaque no estudo de 1999, quando os sujeitos diziam coisas como "Eu n&atilde;o duvido de mais nada", ao mesmo tempo em que duvidavam de tudo. &Eacute; interessante ressaltar o quanto a palavra oficial - not&iacute;cias, informa&ccedil;&otilde;es e propostas apresentadas por alguma "autoridade" - era fonte de desconfian&ccedil;a. Ao imaginar que "tudo" fosse poss&iacute;vel, o que quer que lhes fosse dito parecia esconder armadilhas que tornariam pior sua j&aacute; complicada situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho com os sujeitos, em 2010, &eacute; poss&iacute;vel perceber que a marca aparecia alimentada por um cen&aacute;rio tecnol&oacute;gico que revoluciona antigos paradigmas e coloca em xeque tamb&eacute;m os saberes docentes e as antigas certezas cient&iacute;ficas nas quais os mestres encontravam sua seguran&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A d&uacute;vida generalizada ultrapassava as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre aquele que informa e aquele a quem a informa&ccedil;&atilde;o se destina (no caso da escola municipal, a d&uacute;vida n&atilde;o se dirigia &agrave; dire&ccedil;&atilde;o da escola, mas apenas ao poder p&uacute;blico) e atingia o pr&oacute;prio cerne da atividade docente, colocando sob suspei&ccedil;&atilde;o o que estava sendo ensinado, aquilo que o aluno trazia como trabalho produzido por ele mesmo, aquilo que devia pertencer ou n&atilde;o ao universo da escolariza&ccedil;&atilde;o fundamental e muito mais, revelando descren&ccedil;a at&eacute; na pr&oacute;pria compet&ecirc;ncia para responder aos desafios de seu espa&ccedil;o profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 7: isolamento</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro do contexto de desconfian&ccedil;a e de d&uacute;vida generalizada, na pesquisa de 1999 aparecia o isolamento, rompendo a ideia de coletivo. &Agrave; exce&ccedil;&atilde;o do contato com as raras amizades particulares, os momentos coletivos pareciam sempre enfadonhos e desnecess&aacute;rios. Por esse caminho, alimentava-se um sistema de informa&ccedil;&otilde;es paralelas obtidas pela fofoca e/ou por meios obscuros. Os profissionais apresentavam uma esp&eacute;cie de prote&ccedil;&atilde;o sobre si mesmos e aquilo que julgavam como "seu", individualizando as atividades, fechando-se em suas "ilhas" - salas de aula - e esvaziando as possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o partilhada e de fortalecimento do suporte social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na avalia&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas da SLN, promovida pela oportunidade de 2010, foi interessante perceber que &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da maioria dos profissionais da escola municipal, cuja articula&ccedil;&atilde;o parecia quebrar as marcas de 1999, os demais exibiam sinais de desconfian&ccedil;a e de isolamento j&aacute; na ades&atilde;o e no encaminhamento dos encontros: na escola estadual, as participa&ccedil;&otilde;es silenciosas, a transfer&ecirc;ncia de local e outras atitudes referidas anteriormente; na escola privada, a discord&acirc;ncia de seus diretores em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho que se propunha e a iniciativa de um grupo de fundar um espa&ccedil;o reservado s&oacute; para si, favorecendo seu insulamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 8: representa&ccedil;&atilde;o da vida coletiva pelo negativo</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A representa&ccedil;&atilde;o da vida coletiva pelo negativo era outra marca muito presente em 1999. O abuso dos adv&eacute;rbios de nega&ccedil;&atilde;o nas falas ("N&atilde;o adianta"; "n&atilde;o tem jeito"; "ningu&eacute;m vai conseguir" etc.) parecia desencorajar os rec&eacute;m-chegados e desmobilizar os que ainda insistiam na possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o do processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a vivenciado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos encontros realizados em 2010, a presen&ccedil;a das negativas ainda era bastante frequente, especialmente nas falas dos grupos das escolas privada e estadual. Nesses, era constante a descren&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o a um futuro profissional menos afetado por aspectos t&atilde;o inc&ocirc;modos &agrave;queles sujeitos que participavam dos debates.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da escola municipal, os adv&eacute;rbios negativos eram muito presentes na imagem de (in)compet&ecirc;ncia da escola para lidar com os desafios de situa&ccedil;&otilde;es sociais fora dos padr&otilde;es predominantes na forma&ccedil;&atilde;o dos professores. Havia refer&ecirc;ncias frequentes &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es sociais como um processo de deteriora&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a gera&ccedil;&otilde;es anteriores, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s configura&ccedil;&otilde;es familiares e ao papel das m&atilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aparente saudosismo nas argumenta&ccedil;&otilde;es trazia para o palco uma relativa desconex&atilde;o entre uma vis&iacute;vel mobiliza&ccedil;&atilde;o e uma impot&ecirc;ncia hist&oacute;rica (Marcondes Filho, 1991). Nesse sentido, temas como gravidez na adolesc&ecirc;ncia, homossexualismo, prefer&ecirc;ncias musicais por estilos e letras com conte&uacute;do pornogr&aacute;fico e/ou violento, dentre outros pontos n&atilde;o eram tratados com os alunos, mas associados exclusivamente &agrave; aus&ecirc;ncia e/ou desaten&ccedil;&atilde;o dos pais e ao desinteresse dos poderosos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marcas 9 e 10: regress&atilde;o e indiferen&ccedil;a</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A regress&atilde;o, d&eacute;cima caracter&iacute;stica, manifestava-se por um conjunto de rea&ccedil;&otilde;es e de atitudes incompat&iacute;veis com o desenvolvimento moral de adultos (Piaget, 1994). Em alguns casos, as observa&ccedil;&otilde;es desenvolvidas na pesquisa de 1999 davam destaque &agrave; infantiliza&ccedil;&atilde;o das rea&ccedil;&otilde;es e das atitudes; em outros, &agrave; indiferen&ccedil;a e &agrave; conviv&ecirc;ncia silenciosa com condi&ccedil;&otilde;es de trabalho amea&ccedil;adoras n&atilde;o apenas &agrave; sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m &agrave; seguran&ccedil;a de profissionais e de alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o era apenas alheamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sujeira, &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o e ao vandalismo, era tamb&eacute;m uma esp&eacute;cie de apoio c&uacute;mplice e, at&eacute; certo ponto, covarde, na medida em que outro praticava atos que talvez muitos quisessem praticar, servindo para aliviar culpas pessoais, mas refor&ccedil;ando o discurso negador e focado no desamparo geral. Nesse sentido, a regress&atilde;o tamb&eacute;m se manifestava pela demanda por uma autoridade salvadora que se impusesse seguindo o modelo parental, em um plano quase m&iacute;tico, religioso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na etapa da pesquisa desenvolvida em 2010, a regress&atilde;o - com caracter&iacute;sticas semelhantes &agrave;s descritas em 1999 - pode ser identificada apenas na escola estadual. Na municipal, os nove encontros com o grupo n&atilde;o permitiram afirmar sua presen&ccedil;a. No grupo de professores da escola privada, a regress&atilde;o pareceu exibir outras faces, como a reivindica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es do tipo expiat&oacute;rias para disciplinar os alunos, especialmente nas refer&ecirc;ncias a argumentos aparentemente comuns entre os colegas que n&atilde;o participavam dos encontros. Apesar desse registro, o conte&uacute;do coletado nas sess&otilde;es com apenas um grupo n&atilde;o foi suficiente para afirmar que efetivamente isso acontecesse.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 11: caricaturiza&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;gico </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A caricaturiza&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;gico (Kosik, s/d), por meio da efetiva&ccedil;&atilde;o do grotesco que marcava algumas atitudes, apontava para a banaliza&ccedil;&atilde;o, o <i>ab-sens</i> e/ou a perda do referencial institucional no estudo publicado em 1999. Em um contexto assim, os momentos coletivos, os ritos e as cerim&ocirc;nias s&atilde;o vividos com deboche, deixando de cumprir sua fun&ccedil;&atilde;o de renova&ccedil;&atilde;o do sentido do coletivo. A fragilidade das refer&ecirc;ncias simb&oacute;licas era a d&eacute;cima primeira marca do desmanche dos grupos pesquisados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como o corpo do doente desvela sua condi&ccedil;&atilde;o, o corpo da institui&ccedil;&atilde;o - ambiente, estrutura f&iacute;sica - mostra sua situa&ccedil;&atilde;o de morte anunciada por interm&eacute;dio da naturaliza&ccedil;&atilde;o do ins&oacute;lito. No estudo de 1999, n&atilde;o era apenas o destru&iacute;do e o deteriorado que expunham a presen&ccedil;a da SLN, mas tamb&eacute;m o inesperado - sujeira acumulada, garrafas abandonadas num canto, livros rasgados empilhados numa prateleira -, que n&atilde;o surpreendia, como se sempre tivesse estado ali ou fizesse parte do conjunto arquitet&ocirc;nico. Nesse sentido, Ciro Marcondes Filho (1991) lembra que:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> quando a morte perde sua efic&aacute;cia simb&oacute;lica, seu efeito de choque, sua radicalidade sobre a vivencia cotidiana, toda a cultura perde, ao mesmo tempo, o componente tr&aacute;gico (a seriedade). A banaliza&ccedil;&atilde;o da morte evoca o comportamento ir&ocirc;nico-humorista, c&iacute;nico, que se v&ecirc; em todos os espa&ccedil;os outrora tidos como s&eacute;rios (p. 59). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No estudo de 2010, o trato com o espa&ccedil;o escolar, os rituais e os s&iacute;mbolos institucionais na escola estadual se assemelhavam muito &agrave;s caracter&iacute;sticas da pesquisa de 1999. Na escola municipal, ao contr&aacute;rio, um dos aspectos mais frequentes dentre os n&uacute;cleos discursivos registrados nos grupos de discuss&atilde;o se relacionava com o que os profissionais identificavam como falta de respeito de alguns alunos durante as celebra&ccedil;&otilde;es e as cerim&ocirc;nias escolares. Havia uma preocupa&ccedil;&atilde;o contumaz em registrar o inc&ocirc;modo com o desleixo ou com as brincadeiras de alguns alunos diante dos s&iacute;mbolos da institui&ccedil;&atilde;o, inc&ocirc;modo que era associado, pelo grupo, aos problemas da comunidade que a escola n&atilde;o podia atender.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escola privada, os eventos e as marcas simb&oacute;licas da institui&ccedil;&atilde;o foram tratados durante os encontros como cria&ccedil;&otilde;es mercadol&oacute;gicas, descaracterizando sua fun&ccedil;&atilde;o social e simb&oacute;lica. N&atilde;o foi poss&iacute;vel identificar deboche, mas tamb&eacute;m n&atilde;o foi poss&iacute;vel associar as atitudes descritas como respeitosas ou como evid&ecirc;ncias de valores partilhados, mas apenas como obriga&ccedil;&otilde;es contratuais, em alguns casos, com abordagens pr&oacute;ximas da normopatia (Ferraz, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 12: ruptura do sentido do "n&oacute;s" </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da destrui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e do esvaziamento simb&oacute;lico, a pesquisa de 1999 tamb&eacute;m identificou a fragilidade da teia institucional pela lacuna de objetivos e de desejos partilhados. Sem o companheirismo - algu&eacute;m com quem se partilha o p&atilde;o -, os la&ccedil;os passam a ser apenas os particulares ou os corporativistas. Nos grupos pesquisados &agrave; &eacute;poca, os sujeitos ligavam-se apenas em duplas, no m&aacute;ximo trios, isolados entre si, distantes de uma rela&ccedil;&atilde;o em rede, que &eacute; necess&aacute;ria para apoiar, dar suporte aos desgastes que todo grupo precisa enfrentar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, como explicou Maffesoli (2006), "a socialidade do 'mundo da vida' (<i>Lebenswelt</i>) n&atilde;o pode ser deduzida do social por um simples racioc&iacute;nio l&oacute;gico" (p. 250). Para ele, "a emocionalidade escapa da injun&ccedil;&atilde;o moral" e "a teatralidade corporal no cotidiano" evidencia "um forte sentimento de perten&ccedil;a" (Maffesoli, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho de 1999, esse sentimento parecia n&atilde;o existir ou ser evitado, como se pertencer ou ser identificado &agrave;quele coletivo fosse bastante penoso. Com isso, a solidariedade, a generosidade com os colegas de trabalho e o apoio m&uacute;tuo se perdiam, contribuindo para a fragilidade do suporte social (Alevato, 2004) e o agravamento da nocividade dos estressores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na etapa desenvolvida em 2010, essa foi uma caracter&iacute;stica bastante relevante na diferencia&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es de trabalho vividas pelos professores participantes da pesquisa. Na escola estadual, as pistas identificadas em 1999 pareciam repetir-se, at&eacute; mesmo por meio do uso de uma marca discursiva reveladora: a presen&ccedil;a do "eles", em detrimento do "n&oacute;s". As refer&ecirc;ncias aos colegas eram frequentemente estabelecidas com base em supostas diverg&ecirc;ncias e n&iacute;tidas diferencia&ccedil;&otilde;es: "eles pensam isso, eu penso aquilo".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; na escola municipal, acontecia o oposto. Um grupo unido, lutando para superar suas quest&otilde;es juntos, partilhando iniciativas (at&eacute; mesmo a de buscar apoio do n&uacute;cleo da UFF) e criando estrat&eacute;gias para lidar com o que lhes afetava. Alguns professores frequentavam os encontros, e os demais assumiam atividades com as turmas dos companheiros ausentes para n&atilde;o haver preju&iacute;zo para os alunos. As discuss&otilde;es dos grupos eram repassadas em reuni&otilde;es pedag&oacute;gicas, e as leituras eram partilhadas por todos, que assinalavam quest&otilde;es para retornarem &agrave; discuss&atilde;o. A dire&ccedil;&atilde;o e a equipe participavam das sess&otilde;es, e a fun&ccedil;&atilde;o ocupada n&atilde;o diferenciava as participa&ccedil;&otilde;es. O uso do "n&oacute;s" era uma marca discursiva permanente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As caracter&iacute;sticas de forma&ccedil;&atilde;o do grupo da escola privada geraram uma situa&ccedil;&atilde;o interessante em rela&ccedil;&atilde;o ao companheirismo. Como grupo, havia a luta coletiva, o uso do "n&oacute;s" e o apoio m&uacute;tuo. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; institui&ccedil;&atilde;o e aos colegas docentes que n&atilde;o apoiavam a iniciativa de buscar ajuda, o tratamento era "eles", ou seja, a participa&ccedil;&atilde;o do grupo mostrava a divis&atilde;o interna da equipe de profissionais, e as marcas de pertencimento pareciam ocultas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 13: falta de renova&ccedil;&atilde;o das energias</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A d&eacute;cima terceira caracter&iacute;stica mapeada em 1999 foi a falta de renova&ccedil;&atilde;o das energias, o envelhecimento do grupo. Naquele estudo, os sujeitos pareciam querer desencorajar os mais novos a seguir a profiss&atilde;o. Frases como "Minha filha n&atilde;o vai ser professora de jeito nenhum" ou "N&atilde;o sei o que voc&ecirc; est&aacute; fazendo aqui. Faz concurso para um banco" eram "conselhos" que os mais antigos ofereciam aos novatos. &Agrave; &eacute;poca, o fim do sofrimento parecia estar ligado &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o do fluxo geracional e energ&eacute;tico, apesar dos muitos sentidos que isso poderia sugerir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho realizado em 2010, a presen&ccedil;a de recomenda&ccedil;&otilde;es semelhantes foi identificada em todos os grupos. &Eacute; poss&iacute;vel dizer que houve um deslocamento da ideia de local de sofrimento (em 1999 era a escola, como espa&ccedil;o f&iacute;sico), para uma esp&eacute;cie de generaliza&ccedil;&atilde;o, como se a op&ccedil;&atilde;o pelo magist&eacute;rio embutisse o enfrentamento de circunst&acirc;ncias geradoras de profundo sofrimento e infelicidade, em qualquer lugar, confirmando o que j&aacute; foi dito, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; segunda caracter&iacute;stica da SLN. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 14: resist&ecirc;ncia e reacionarismo</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma caracter&iacute;stica relevante identificada em 1999 era a presen&ccedil;a de uma atitude resistente e reacion&aacute;ria, camuflada em um discurso cr&iacute;tico, politizado e bem-articulado. A an&aacute;lise realizada &agrave; &eacute;poca mostrava que argumentos bastante claros e potencialmente transformadores eram esvaziados por um desgastante debate, tautol&oacute;gico e circular, em que os sujeitos pareciam esgotar suas energias na den&uacute;ncia, sem passar &agrave; a&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de contribuir para o esvaziamento dos momentos coletivos (evitados pelos sujeitos especialmente pela presen&ccedil;a de repeti&ccedil;&otilde;es discursivas e alto desgaste emocional), esse cen&aacute;rio tamb&eacute;m contribu&iacute;a para preservar uma aparente "sobra" do passado, diante de tantas perdas mal resolvidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No estudo atual, o cen&aacute;rio mostra-se diferente. No grupo da escola privada, a busca pelo apoio da equipe da UFF, por exemplo, ainda que tivesse um car&aacute;ter mais pessoal que pol&iacute;tico, mostrava disposi&ccedil;&atilde;o para agir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escola municipal, o discurso era marcado pela luta de todos, mais articulada e atuante, apesar de restrita ao grupo escolar e &agrave;s suas inten&ccedil;&otilde;es, excluindo tem&aacute;ticas e mobiliza&ccedil;&otilde;es mais amplas. A institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parecia valorizar a atua&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o e na organiza&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; da comunidade, rejeitando suas pr&aacute;ticas, mas oferecendo pouco em troca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; na escola estadual, em 2010, a presen&ccedil;a da raz&atilde;o c&iacute;nica (Costa, 1994), do alheamento e do deboche sugeria uma situa&ccedil;&atilde;o mais grave do que a vivida pelos sujeitos em 1999. No caso atual, o discurso e a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica apresentavam-se desqualificados, e os perigos psicossociais pareciam mais amea&ccedil;adores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 15: publiciza&ccedil;&atilde;o dos bastidores</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra caracter&iacute;stica da SLN, a d&eacute;cima quinta identificada em 1999, foi a publiciza&ccedil;&atilde;o dos bastidores, ou seja, a exposi&ccedil;&atilde;o das mazelas e das suspeitas internas aos olhares estranhos. O rompimento da fronteira imagin&aacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o dos bastidores institucionais (DaMatta, 1991) tende a alimentar a emerg&ecirc;ncia de v&aacute;rios bastidores particulares, nos quais os indiv&iacute;duos ou os subgrupos parecem esconder as informa&ccedil;&otilde;es destinadas &agrave; "batalha" interna, refor&ccedil;ando o insulamento e o desmanche grupal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho de 2010, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da escola municipal, que mantinha a for&ccedil;a de seus ideais coletivos e jogava para fora dali (para as autoridades, pol&iacute;ticos, poderosos, comunidade, fam&iacute;lias) as desconfian&ccedil;as e as cr&iacute;ticas, os outros dois grupos pareciam exibir suas mazelas internas como um pedido de socorro. Na institui&ccedil;&atilde;o privada, a perda da autonomia, j&aacute; citada, e a constante amea&ccedil;a de desemprego - relatada nos encontros - eram elementos que possivelmente contribu&iacute;am para que os professores n&atilde;o se expusessem no ambiente escolar, mas relatassem suas viv&ecirc;ncias publicamente em semin&aacute;rios, como o que oportunizou o encontro entre o grupo e a autora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escola estadual, as desconfian&ccedil;as e as cr&iacute;ticas dirigidas ora &agrave; dire&ccedil;&atilde;o e ao governo, ora aos pr&oacute;prios colegas, eram expostas sem pudores. Como exemplo, &eacute; poss&iacute;vel reproduzir um di&aacute;logo presenciado durante um dos momentos de observa&ccedil;&atilde;o em 2010. Um pai procurou a institui&ccedil;&atilde;o para falar de higiene, e a professora de seu filho informou a ele e &agrave;s pessoas pr&oacute;ximas que se conformassem, porque "naquela escola n&atilde;o tinha jeito" porque ela "j&aacute; tinha falado v&aacute;rias vezes e ningu&eacute;m fazia nada". A atitude fala por si mesma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marca 16: simetria</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A simetria ou o aumento da demanda por uma esp&eacute;cie de equil&iacute;brio est&aacute;tico, &uacute;ltima caracter&iacute;stica destacada em 1999, era a respons&aacute;vel pela presen&ccedil;a de crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o, de decis&atilde;o e de justi&ccedil;a formados por polaridades e exclud&ecirc;ncias: bom trabalhador/mau governo, bom e mau aluno etc. A simetria refletia-se tamb&eacute;m na exig&ecirc;ncia por compensa&ccedil;&otilde;es externas e/ou estranhas ao sentido da atividade: se o sujeito contribu&iacute;sse para algum trabalho escolar, considerava-se merecedor de mais um dia de folga; se um se atrasasse, o outro tamb&eacute;m se atrasaria etc. &Agrave; simetria, unia-se a face retributiva da justi&ccedil;a, caracter&iacute;stica do modelo "olho por olho, dente por dente", pr&oacute;prio dos sistemas sociais menos complexos e desenvolvidos (Kohlberg, 1981).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trabalho de 2010, foram identificadas pistas bastante pr&oacute;ximas da simetria, especialmente em sua face retributiva e nas exig&ecirc;ncias de compensa&ccedil;&otilde;es nos grupos das escolas estadual e privada. Os discursos gravados e analisados mostraram a associa&ccedil;&atilde;o clara entre essa caracter&iacute;stica e a regress&atilde;o, tratada anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da escola municipal, a presen&ccedil;a das polaridades - bom/mau, v&iacute;timas/algozes, pecadores/virtuosos - podia ser facilmente identificada nas falas, mas a regress&atilde;o, n&atilde;o, conforme j&aacute; foi explicado. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s compensa&ccedil;&otilde;es, nessa institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apareciam reivindica&ccedil;&otilde;es. Ao contr&aacute;rio, muitas vezes, os professores compareceram aos encontros com o grupo de pesquisa fora de seus hor&aacute;rios, e a parceria entre os profissionais facilitava o desenvolvimento de atividades complementares, tais como leituras e reuni&otilde;es pedag&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como &eacute; poss&iacute;vel perceber, n&atilde;o h&aacute; fronteira clara entre as muitas caracter&iacute;sticas da SLN descritas em 1999 e revisitadas neste trabalho. A realidade as interliga, e a presen&ccedil;a de uma alimenta o desenvolvimento de outras, al&eacute;m de agravar as pr&oacute;prias amea&ccedil;as psicossociais, em um processo realimentador, diferente do que acontece com outras amea&ccedil;as e riscos &agrave; sa&uacute;de no trabalho, como as de natureza ergon&ocirc;mica, f&iacute;sica, qu&iacute;mica e biol&oacute;gica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante introduzir essas considera&ccedil;&otilde;es finais com duas observa&ccedil;&otilde;es sobre esta pesquisa. A primeira lembra que reduzir o problema do sofrimento ps&iacute;quico dos professores &agrave;s viv&ecirc;ncias intragrupais &eacute; tornar absolutamente vazias quaisquer lutas e qualquer perspectiva hist&oacute;rica, social e/ou pol&iacute;tica, o que transformaria esse esfor&ccedil;o de investiga&ccedil;&atilde;o na nega&ccedil;&atilde;o de si mesmo. O microespa&ccedil;o do cotidiano &eacute; parte de um macroespa&ccedil;o fractal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda observa&ccedil;&atilde;o tira do plano do indiv&iacute;duo o foco das quest&otilde;es aqui desenvolvidas. N&atilde;o &eacute; ao sujeito em processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a que nos dirigimos, mas sim &agrave;quelas condi&ccedil;&otilde;es e amea&ccedil;as psicossociais que se manifestam por meio dele. &Eacute; o sujeito que denuncia sua presen&ccedil;a, mas n&atilde;o &eacute; apropriado confundir o sintoma com a viv&ecirc;ncia. Vale lembrar que n&atilde;o se defende a ideia de que sejam abandonados os sujeitos adoecidos &agrave; pr&oacute;pria sorte. Trata-se apenas da compreens&atilde;o de que al&eacute;m de atend&ecirc;-los &eacute; necess&aacute;rio conhecer as amea&ccedil;as que os adoecem e construir caminhos para sua poss&iacute;vel supera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a etapa do trabalho desenvolvida em 2010 favoreceu a continuidade do estudo publicado em 1999, com contribui&ccedil;&otilde;es significativas, gra&ccedil;as, especialmente, &agrave; diversidade das escolas e dos grupos participantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escola municipal, com seu coletivo unido e mobilizado, enfrentava problemas, mas encontrava energias para buscar sa&iacute;das por meio do objetivo comum, do apoio m&uacute;tuo e do companheirismo. Na institui&ccedil;&atilde;o privada, apenas um pequeno grupo participou do estudo, refor&ccedil;ando seu isolamento, ao mesmo tempo em que a luta para n&atilde;o se submeter &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es de uma organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, que parecia tentar lhe "amputar o poder de agir", desenvolvia-se. Na escola estadual, a pesquisa identificou a falta de suporte social, com um grupo em desmanche e a est&eacute;tica da morte institucional instalada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A quest&atilde;o da est&eacute;tica merece um destaque especial, j&aacute; que frequentemente s&atilde;o confundidos aspectos da riqueza de recursos no ambiente escolar com a qualidade de vida do profissional. Conforme este texto procurou evidenciar, o fato de a escola privada contar com mobili&aacute;rio e pr&eacute;dio luxuosos n&atilde;o constituiu garantia de um bom ambiente para trabalhar. Um bom ambiente para trabalhar precisa ser entendido em sua dimens&atilde;o simb&oacute;lica, que abrange o sentido da atividade, a rela&ccedil;&atilde;o dos sujeitos com seu pr&oacute;prio fazer, o "direito de ser dono de si mesmo", como a grande brasileira Edith Seligmann-Silva coloca no subt&iacute;tulo de sua obra publicada em 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme apontamos em outro trabalho (Alevato, 2001), a situa&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o escolar &eacute; bastante complexa. Desde o repensar de seu papel em uma sociedade informatizada e conectada em &acirc;mbito global, at&eacute; reinventar did&aacute;ticas e pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, passando por quest&otilde;es &eacute;ticas, morais e pol&iacute;ticas, como a inclus&atilde;o social, a gest&atilde;o democr&aacute;tica, a viol&ecirc;ncia urbana, a luta pela cidadania, a mis&eacute;ria, al&eacute;m de problemas mais espec&iacute;ficos como falta de professores, sal&aacute;rios indignos etc. Trata-se de uma verdadeira torrente de estressores, potencialmente agressivos para qualquer pessoa. Olhados assim, em conjunto, oferecem o <i>des-espero</i> (nada a esperar/falta de esperan&ccedil;a) que alimenta a conforma&ccedil;&atilde;o, a desist&ecirc;ncia e at&eacute; o deboche diante de um desafio grande demais para ser enfrentado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois desta etapa do estudo, resta confirmar a convic&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; os pr&oacute;prios sujeitos, coletivamente, fazem sua hist&oacute;ria, pela pr&aacute;xis e pela esperan&ccedil;a. Quem tem sua esperan&ccedil;a minada, desacredita do pr&oacute;prio fazer e entra em sofrimento patol&oacute;gico tende a ver potencializadas apenas as demandas por sa&iacute;das individuais e/ou particulares. Os melhores esfor&ccedil;os acabam dirigindo-se &agrave; pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia, o que geralmente recomenda o n&atilde;o envolvimento com problemas que possam causar mais sofrimento. E educar exige envolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na atual sociedade, n&atilde;o temos o tempo que An&iacute;sio Teixeira destacava. Vivemos o desafio urgente de (re)inventar a escola. &Eacute; dos profissionais da educa&ccedil;&atilde;o que muito desse desafio depende.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar, &eacute; bom esclarecer que ao situar o sofrimento ps&iacute;quico dos profissionais da educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o estamos buscando reeditar a medicaliza&ccedil;&atilde;o do fracasso escolar, agora identificando um novo culpado ou uma nova v&iacute;tima: o docente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Questionados em seu fazer, mesmo quando parecem bem-sucedidos, apontados como desmotivados, mesmo quando conseguem suportar cargas de trabalho dom&eacute;stico e de obriga&ccedil;&otilde;es profissionais superiores &agrave; maioria dos adultos; expostos a demandas sociais e afetivas de crian&ccedil;as e de jovens, a despeito de terem suas pr&oacute;prias demandas pouco atendidas; chamados a ensinar, explicar e construir conhecimentos, vendo seus pr&oacute;prios conhecimentos serem desconstru&iacute;dos, mal-explicados, negados. Esses s&atilde;o os professores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pesquisa continua e procura aliados. Aprender mais sobre a SLN e os perigos psicossociais da pr&aacute;tica docente tem nos mostrado, a cada passo, toda sua complexidade e o respeito que os trabalhadores merecem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (1994). <i>Qualidade total e escola: a &oacute;tica do imagin&aacute;rio social</i>. Em Aberto, Bras&iacute;lia, ano 14, n. 61</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112619&pid=S1984-6657201200020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (1999a). <i>Humanos, ainda que professores</i>. Tese de doutorado. Universidade Federal Fluminense, Niter&oacute;i, Rio de Janeiro, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112620&pid=S1984-6657201200020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (1999b). <i>Trabalho e neurose: enfrentando a tortura de um ambiente em crise</i>. Rio de Janeiro: Quartet.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112622&pid=S1984-6657201200020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (2001). Psicodin&acirc;mica do trabalho docente: novos riscos, outras lutas. <i>Movimento: Revista da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal Fluminense</i>. Niteroi, <i>4</i>,139-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112624&pid=S1984-6657201200020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (2004). A psicopedagogia e suas abordagens: um convite &agrave; reflex&atilde;o. <i>Revista Constru&ccedil;&atilde;o Psicopedag&oacute;gica, XII,</i>9,28-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112626&pid=S1984-6657201200020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alevato, H. (2009). Tecnoestresse: entre o fasc&iacute;nio e o sofrimento. <i>Boletim T&eacute;cnico Senac, 35</i>(3),60-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112628&pid=S1984-6657201200020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bense, M. (1971). <i>Pequena est&eacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112630&pid=S1984-6657201200020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica - IBGE. (2010). Diretoria de Pesquisas. Coordena&ccedil;&atilde;o de Popula&ccedil;&atilde;o e Indicadores Sociais. <i>Estudos e Pesquisas</i>: <i>informa&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e socioecon&ocirc;mica</i>, <i>n&uacute;mero 27</i>. S&iacute;ntese de indicadores sociais uma an&aacute;lise das condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112632&pid=S1984-6657201200020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Calvo, A. (2010). Estudo do ass&eacute;dio moral sob a &oacute;tica dos direitos fundamentais. Recuperado em 19 de agosto de ,2010, de <a href="http://www.calvo.pro.br/media/file/arquivos/adriana_calvo_assedio_moral.pdf" target="_blank">http://www.calvo.pro.br/media/file/arquivos/adriana_calvo_assedio_moral.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112634&pid=S1984-6657201200020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clot, Y. (2001). Cl&iacute;nica do trabalho, cl&iacute;nica do real. In K&aacute;tia Santorum &amp; Suyanna Linhales Barker (Trad.).Cl&aacute;udia Os&oacute;rio (Rev.). <i>Le Journal des Psyychologues</i>, 185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112635&pid=S1984-6657201200020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Clot, Y. (2001). (2006). <i>A fun&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica do trabalho</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112637&pid=S1984-6657201200020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Corona, J. (2000). <i>Fadiga cr&ocirc;nica</i>. Rio de Janeiro: DP&amp;A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112639&pid=S1984-6657201200020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Costa, J. F. (1994). <i>A &eacute;tica e o espelho da cultura</i>. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112641&pid=S1984-6657201200020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Coulon, A. (1995). <i>Etnometodologia e educa&ccedil;&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112643&pid=S1984-6657201200020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DaMatta, R. (1991). <i>A casa e a rua</i>. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112645&pid=S1984-6657201200020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dejours, C. (1987). <i>A loucura do trabalho</i>. S&atilde;o Paulo: Obor&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112647&pid=S1984-6657201200020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dejours, C., Abdoucheli, E., &amp; Jayet, C. (1994). <i>Psicodin&acirc;mica do trabalho</i>: <i>contribui&ccedil;&otilde;es da escola dejouriana &agrave; an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o prazer, sofrimento e trabalho</i>. S&atilde;o: Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112649&pid=S1984-6657201200020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dias, R. (2011). <i>Deslocamentos na forma&ccedil;&atilde;o de professores</i>. Rio de Janeiro: Lamparina</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112651&pid=S1984-6657201200020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferraz, F. (2002). <i>Normopatia</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112652&pid=S1984-6657201200020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferreira, R. (1998). <i>Entre o sagrado e o profano</i>. Rio de Janeiro: Quartet.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112654&pid=S1984-6657201200020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fonseca, R. T. M. (2003). Sa&uacute;de mental para e pelo trabalho. <i>Cadernos da Escola de Direito e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Faculdades do Brasil</i>. Recuperado em 22 de mar&ccedil;o, 2005, de: <a href="http://apps.unibrasil.com.br/revista/index.php/direito/article/viewFile/606/524" target="_blank">http://apps.unibrasil.com.br/revista/index.php/direito/article/viewFile/606/524</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112656&pid=S1984-6657201200020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kohlberg, L. (1981). <i>The philosophy of moral development</i>. San Francisco: Harper &amp; Row.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112657&pid=S1984-6657201200020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kosik, K. (s/d). <i>O s&eacute;culo de Grete Samsa</i>: <i>sobre a possibilidade ou a impossibilidade do tr&aacute;gico no nosso tempo</i>. (Leandro Konder, Trad.). Recuperada em 24 de outubro, 2011, de: <a href="http://www.pgletras.uerj.br/matraga/nrsantigos/matraga8kosik.pdf" target="_blank">http://www.pgletras.uerj.br/matraga/nrsantigos/matraga8kosik.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112659&pid=S1984-6657201200020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Linhares, C. (2011). Outros sentidos para a forma&ccedil;&atilde;o docente contempor&acirc;nea: movimentos instituintes. In Alevato, H. &amp; Reis, A. (Orgs.). <i>Nexus &amp; sexus</i>: <i>perspectivas instituintes</i>. Petr&oacute;polis: DePetrus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112661&pid=S1984-6657201200020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maffesoli, M. (2006). Religa&ccedil;&atilde;o imaginal. Alteridade simb&oacute;lica e constru&ccedil;&atilde;o imaginal da realidade. Em: Araujo, D. C. (Org.). <i>Imagem (ir)realidade: comunica&ccedil;&atilde;o e ciberm&iacute;dia</i>. Porto Alegre: Sulina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112663&pid=S1984-6657201200020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manacorda, M. A. (1985). <i>Hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o</i>: <i>da antiguidade aos nossos dias</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112665&pid=S1984-6657201200020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marcondes, C. Filho (1991). <i>A sociedade frankenstein</i>. &#91;Mimeo&#93;, S&atilde;o Paulo. &#91;s.n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112667&pid=S1984-6657201200020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Orlandi, E. (2007). <i>An&aacute;lise de discurso: princ&iacute;pios e procedimentos</i>. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112669&pid=S1984-6657201200020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paschoalino, J. (2007). <i>Matizes do mal-estar dos professores: um estudo de caso de uma escola p&uacute;blica do ensino m&eacute;dio</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112671&pid=S1984-6657201200020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">P&ecirc;cheux, M. (1997). <i>O discurso: estrutura ou acontecimento?</i> Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112673&pid=S1984-6657201200020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Piaget, J. (1994). <i>O ju&iacute;zo moral na crian&ccedil;a</i>. (Elzon Lenardon, Trad.). S&atilde;o Paulo: Summus. (Obra original publicada em 1932).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112675&pid=S1984-6657201200020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reich, W. (1995). <i>An&aacute;lise do car&aacute;ter</i>. (2ª ed). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112677&pid=S1984-6657201200020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rolnik, S., &amp; Guattari, F. (1989). <i>Micropol&iacute;tica: cartografias do desejo</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112679&pid=S1984-6657201200020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schwartz, Y., &amp; Durrive, L. (Org) (2010). <i>Trabalho e ergologia</i>. Niter&oacute;i: Eduff.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112681&pid=S1984-6657201200020000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seligmann-Silva, E. (2011). <i>Trabalho e desgaste mental</i>: <i>o direito de ser dono de si mesmo</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112683&pid=S1984-6657201200020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Teixeira, A. (1987). A educa&ccedil;&atilde;o escolar no Brasil. In Pereira, L., &amp; Foracchi, M. (1987). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e sociedade</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia editora Nacional. 388-413</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4112685&pid=S1984-6657201200020000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 20.12.2011    <br>   Aprovado em: 01.03.2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota01a"></a><a href="#nota01b">1</a> LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961, que fixou, pela primeira vez, as Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional.    <br>   <a name="nota02a"></a><a href="#nota02b">2</a> At&eacute; 1971, o ensino prim&aacute;rio constitu&iacute;a o primeiro est&aacute;gio da educa&ccedil;&atilde;o escolar e era composto normalmente por quatro s&eacute;ries, cada uma correspondendo a um ano. Em 1971, o ensino prim&aacute;rio foi fundido com o ensino ginasial, dando origem ao ensino de 1º grau, com a dura&ccedil;&atilde;o de oito anos, at&eacute; 1996, quando a nova LDB (Lei nº 9.394/96) instituiu a atual estrutura&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="nota03a"></a><a href="#nota03b">3</a> Segundo o relat&oacute;rio da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) do IBGE, em 2009, 97.6% da popula&ccedil;&atilde;o entre os 6 e 14 anos frequentavam a escola (IBGE, 2010).    <br>   <a name="nota04a"></a><a href="#nota04b">4</a> Al&eacute;m de Manacorda, 1985, referimo-nos a diversos trabalhos publicados nos "Cadernos de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o" (<a href="http://www.seer.ufu.br/index.php/che/about" target="_blank">http://www.seer.ufu.br/index.php/che/about</a>), revista cient&iacute;fica eletr&ocirc;nica, da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="nota05a"></a><a href="#nota05b">5</a> Amea&ccedil;as ou riscos psicossociais s&atilde;o aqueles originados no desequil&iacute;brio entre as exig&ecirc;ncias do trabalho e as condi&ccedil;&otilde;es de enfrentamento destas exig&ecirc;ncias, por parte dos trabalhadores. As amea&ccedil;as psicossociais podem ser relacionadas aos fatores psicossociais, que "consisten en interacciones entre el trabajo, su medio ambiente, la satisfacci&oacute;n en el trabajo y las condiciones de su organizaci&oacute;n, por una parte, y por la otra, las capacidades del trabajador, sus necesidades, su cultura y su situaci&oacute;n personal fuera del trabajo, todo lo cual, a trav&eacute;s de percepciones y experiencias, pueden influir en la salud y en el rendimiento y la satisfacci&oacute;n en el trabajo." Esta defini&ccedil;&atilde;o &eacute; adotada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, no documento: "Trabajo. Factores psicosociales en el trabajo. Naturaleza, incidencia y prevenci&oacute;n." (Genebra, 1984). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://biblioteca.uces.edu.ar/MEDIA/EDOCS/FACTORES_Texto.pdf" target="_blank">http://biblioteca.uces.edu.ar/MEDIA/EDOCS/FACTORES_Texto.pdf</a>.    <br>   <a name="nota06a"></a><a href="#nota06b">6</a> O N&uacute;cleo de Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de no Trabalho (NEST) &eacute; um grupo de pesquisa certificado pelo CNPq e funciona ligado ao LATEC, da Escola de Engenharia da UFF. A pesquisa aqui referida est&aacute; em desenvolvimento desde 2005, no &acirc;mbito do Mestrado em Sistemas de Gest&atilde;o, contando com a colabora&ccedil;&atilde;o de mestrandos e seus trabalhos de campo.    <br>   <a name="nota07a"></a><a href="#nota07b">7</a> As escolas e os seus profissionais n&atilde;o ser&atilde;o identificados por motivos &eacute;ticos.    <br>   <a name="nota08a"></a><a href="#nota08b">8</a> &Eacute; importante destacar que o esfor&ccedil;o por identificar manifesta&ccedil;&otilde;es, pistas ou sintomas que indiquem a exposi&ccedil;&atilde;o dos sujeitos a amea&ccedil;as psicossociais insere a SLN no campo de estudos da Organiza&ccedil;&atilde;o do Trabalho (Seligmann-Silva, 2011, p.94), prestando-se exclusivamente como ferramenta voltada &agrave; sa&uacute;de e &agrave; seguran&ccedil;a no trabalho. Nesse sentido, sua descri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se confunde com <i>burnout</i> e/ou correlatos, entendendo-se que suas caracter&iacute;sticas s&atilde;o localizadas e partilhadas pelos sujeitos em determinada situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata, portanto, de uma doen&ccedil;a, mas da evid&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&otilde;es na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, disfun&ccedil;&otilde;es essas que se manifestam por meio dos sujeitos, podendo adoec&ecirc;-los e/ou provocar acidentes, ou n&atilde;o.    <br>   <a name="nota09a"></a><a href="#nota09b">9</a> Referimo-nos &agrave; palestra <i>As tr&ecirc;s revolu&ccedil;&otilde;es da escola no mundo atual</i>: desafios &agrave; pr&aacute;tica docente, realizada em semin&aacute;rio promovido pelo SINPRO-RIO, em mar&ccedil;o de 2008.    <br>   <a name="nota10a"></a><a href="#nota10b">10</a> Nesta se&ccedil;&atilde;o do texto, o "estudo de 1999" ser&aacute; sempre referido &agrave; tese de doutoramento <i>Humanos, ainda que professores</i>... (Alevato, 1999a).    <br>   <a name="nota11a"></a><a href="#nota11b">11</a> As marcas n&atilde;o est&atilde;o listadas em ordem de import&acirc;ncia.    <br>   <a name="nota12a"></a><a href="#nota12b">12</a> As observa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas desenvolvidas na pesquisa mostraram uma escola suja, com mobili&aacute;rio mal-conservado, condi&ccedil;&otilde;es prediais prec&aacute;rias e lixo - papeis velhos, livros destru&iacute;dos, carteiras quebradas - acumulado.</font></p>      ]]></body>
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