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<publisher-name><![CDATA[Circulo Brasileiro de Psicanálise - CBP]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tristes Gerais: barragens do medo e do desamparo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Tristes Gerais: dams of fear and abandonment]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Faced with a scenario of destruction and death, in a clash of reality and reality, this article aims to think in a macro way about the impact suffered by the survivors on their subjectivity, reflecting on their fear and their abandonment. Fear affection is inherent in the psyche and abandonment may favor openness to social relations. However, to what extent does the disarticulation of fear of abandonment make possible an emancipatory political action. One that recognizes individuals as subjects of law and belonging to a community? Here we take the concept of abandonment based on Freud ([1895] 1994) in the &#8216;Project for a scientific psychology&#8217;, presented as the first experience of frustration. In the first encounter with the Other, the subject is thrown to his own devices, marking, since then, the psychic record of all moral experiences; with this exit, the experience of subjectivity and the human condition is inaugurated.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Medo e desamparo]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Ética da psicanálise]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>PSICAN&Aacute;LISE    E CONTEMPORANEIDADE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Tristes Gerais: barragens do medo e do desamparo<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tristes Gerais: dams of fear and abandonment</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Otac&iacute;lio Jos&eacute; Ribeiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> C&iacute;rculo    Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#cor">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante de um cen&aacute;rio    de destrui&ccedil;&atilde;o e morte, num choque de real e realidade, este artigo    tem como objetivo pensar de forma macro sobre o impacto sofrido pelos sobreviventes    em sua subjetividade, refletindo sobre o seu medo e o seu desamparo. O afeto    medo &eacute; inerente ao psiquismo, e o desamparo pode favorecer a abertura    para as rela&ccedil;&otilde;es sociais. Mas, em que medida a desarticula&ccedil;&atilde;o    do afeto medo do de desamparo torna poss&iacute;vel uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    emancipat&oacute;ria, reconhecendo os indiv&iacute;duos como sujeitos de direito    e de pertencimento a uma comunidade? Toma-se aqui o conceito de desamparo baseado    em Freud [1895(1994)] no <i>Projeto para uma psicologia cient&iacute;fica</i>,    apresentado como a primeira experi&ecirc;ncia de frustra&ccedil;&atilde;o. No    primeiro encontro com o Outro, o sujeito &eacute; jogado &agrave; pr&oacute;pria    sorte, marcando, desde ent&atilde;o, o registro ps&iacute;quico de todas as    experi&ecirc;ncias morais; com esta sa&iacute;da, inaugura-se a viv&ecirc;ncia    da subjetividade e da condi&ccedil;&atilde;o humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Medo e desamparo, Sujeito pol&iacute;tico, &Eacute;tica da    psican&aacute;lise.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Faced with a scenario of destruction and death, in a clash of reality and reality,    this article aims to think in a macro way about the impact suffered by the survivors    on their subjectivity, reflecting on their fear and their abandonment. Fear    affection is inherent in the psyche and abandonment may favor openness to social    relations. However, to what extent does the disarticulation of fear of abandonment    make possible an emancipatory political action. One that recognizes individuals    as subjects of law and belonging to a community? Here we take the concept of    abandonment based on Freud ([1895] 1994) in the &#8216;Project for a scientific    psychology&#8217;, presented as the first experience of frustration. In the    first encounter with the Other, the subject is thrown to his own devices, marking,    since then, the psychic record of all moral experiences; with this exit, the    experience of subjectivity and the human condition is inaugurated.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Fear and abandonment, Political subject, Ethics of psychoanalysis.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tristes Gerais representa um local cujo nome aglutina tantos outros cuja popula&ccedil;&atilde;o    sofre com a ina&ccedil;&atilde;o diante do cen&aacute;rio de destrui&ccedil;&atilde;o    e morte decorrente dos desastres socioambientais e culturais &#8211; aqui privilegiado    &#8211; ou mesmo vandalismo, motins, guerrilhas e guerras, entre outras trag&eacute;dias    afins. Cada lugar tem sua voca&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e cultural,    e seus mun&iacute;cipes tendem a estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel    com o espa&ccedil;o e com as riquezas naturais e art&iacute;sticas ali produzidas.    Agora, imagine que, diante de um cen&aacute;rio t&atilde;o familiar, de repente,    irrompe o s&uacute;bito, o inesperado, o estranho. Tristes Gerais &eacute; invadida    por outras cidades invis&iacute;veis, que cobram seu espa&ccedil;o natural,    escancarando a calamidade, a dor e a morte. Entre o familiar e o estranho, a    arca de Deus anuncia o dil&uacute;vio e instauram-se a trag&eacute;dia, o medo    e o desamparo. O medo se materializa na revolu&ccedil;&atilde;o abrupta invadindo    a natureza, destruindo as moradias e o habitat, fazendo perder a for&ccedil;a    de trabalho, impactando a cultura. Num &aacute;timo de segundo a realidade se    apresenta estranha e indefinida.<sup><a name="3"></a><a href="#4">2</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante do choque    de real referenciado, este texto, tem como objetivo pensar de forma macro sobre    o impacto sofrido pela popula&ccedil;&atilde;o em sua subjetividade, refletindo    sobre o medo de seus integrantes. Medo e desamparo s&atilde;o inerentes ao sinistro.    Contudo, vale lembrar que o medo paralisa e o desamparo pode impulsionar para    abertura das rela&ccedil;&otilde;es sociais. Mas em que medida a desarticula&ccedil;&atilde;o    do afeto medo do desamparo torna poss&iacute;vel uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    emancipat&oacute;ria, reconhecendo os indiv&iacute;duos como sujeitos de direito    e de pertencimento a uma comunidade? Toma-se aqui o conceito de desamparo baseado    em Freud [1895 (1994)] no <i>Projeto para uma psicologia cient&iacute;fica</i>,    apresentado como a primeira experi&ecirc;ncia de frustra&ccedil;&atilde;o, fonte    primordial de todos os motivos morais. No primeiro encontro com o Outro, para    Lacan ([1959-1960] 1997), o sujeito &eacute; jogado &agrave; pr&oacute;pria    sorte, marcando, desde ent&atilde;o, o registro ps&iacute;quico de todas as    experi&ecirc;ncias morais; com esta sa&iacute;da, inaugura-se a viv&ecirc;ncia    da subjetividade e da condi&ccedil;&atilde;o humana.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Entre o estranho    e o indefinido</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas reminisc&ecirc;ncias e nos escombros de um sinistro, um quadro na parede    encoberta de lama revela um cen&aacute;rio apocal&iacute;ptico, com o universo    e a vida destru&iacute;dos. Naquelas paragens, Tristes Gerais parece que nunca    havia sido uma cidade. &#8220;A gente vai ter que ter uma hist&oacute;ria. Sem    hist&oacute;ria, o que voc&ecirc; vai contar para o seu filho&#8221;? Pode-se    ouvir aqui e acol&aacute;, de uma ou outra forma o lamento de dor. A vis&atilde;o    &eacute; triste e avassaladora. O olhar dos sobreviventes revela ang&uacute;stia    e afli&ccedil;&atilde;o. No meio da como&ccedil;&atilde;o e da depress&atilde;o,    os moradores se veem &agrave;s voltas com o padecimento da familiaridade e da    mem&oacute;ria afetiva. Perderam o registro hist&oacute;rico, fotografias e    imagens findas, soterradas em lama. Ficaram o desespero e o abandono, sem uma    hist&oacute;ria para contar. Quem n&atilde;o tem mem&oacute;ria vive no fr&aacute;gil    tempo presente, sem refer&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O universo destru&iacute;do impacta o v&iacute;nculo com as pessoas. Passam    a viver outro mundo, um verdadeiro inferno. S&oacute; o medo diante da trag&eacute;dia    ou do crime ambiental. &#8220;Onde est&atilde;o nossos empregos, nossas vidas?&#8221;    O brado &eacute; retumbante. O pior est&aacute; naquilo que n&atilde;o se v&ecirc;.    O controle est&aacute; em cheque, obnubilado por um quadro de afli&ccedil;&atilde;o    e ansiedade, por n&atilde;o se poder chegar aos locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No meio aos escombros materiais e morais, levantam-se as vozes de descri&ccedil;&atilde;o    e acusa&ccedil;&atilde;o. A explora&ccedil;&atilde;o ambiental, o cuidado com    a vida, as responsabilidades... Onde est&atilde;o os criminosos? Naqueles locais,    tudo era t&atilde;o familiar, que olhares de estranhamento, estrangeiros e inaugurais    n&atilde;o eram levados em considera&ccedil;&atilde;o. Fazia-se uma aposta no    acaso. Risco e perigo n&atilde;o eram considerados. Embora traga em si a possibilidade    e a virtualidade n&atilde;o se levou em considera&ccedil;&atilde;o a palavra    &#8220;risco&#8221;. E, diante da desordem natural, ficaram as desordens pessoais,    sociais e ps&iacute;quicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De Tuam (2005, p. 327), pode-se inferir que diante da vulnerabilidade humana,    o controle &eacute; uma defesa. O risco representa vari&aacute;veis que podem    ser avaliadas e controladas. Da&iacute;, a necessidade de estabelecimento de    c&iacute;rculos fechados e seguros ao redor de tudo aquilo que est&aacute; sob    risco, em particular, acima de tudo, as vidas. H&aacute; que ter controle de    tudo aquilo que &eacute; estranho e indefinido e que est&aacute; al&eacute;m    da compreens&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O horror &eacute; o descobrimento repentino de trai&ccedil;&atilde;o e morte    no mais sagrado rec&ocirc;ndito de nossa alma, continua Tuam (2005, p. 329,    330). O medo da trai&ccedil;&atilde;o e da armadilha do mal vai al&eacute;m    dessas experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas. Na ambiguidade, o desejo de autodestrui&ccedil;&atilde;o    est&aacute; no mais intimo de nosso ser. Na &acirc;nsia de viver e crescer,    paradoxalmente, n&oacute;s nos deparamos com a puls&atilde;o de vida e a puls&atilde;o de morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rompimento das barreiras, a inunda&ccedil;&atilde;o e o soterramento tolhe    a popula&ccedil;&atilde;o, fomentando sonhos de ang&uacute;stia. &#8220;O que    foi feito da minha casa, do meu trabalho, dos meus familiares... O que foi feito    da minha vida&#8221;? A conviv&ecirc;ncia com os fantasmas mant&eacute;m os    sobreviventes na in&eacute;rcia, estupefatos diante do pared&atilde;o da necessidade    e do medo. A fantasia da exist&ecirc;ncia e da morte prop&otilde;e del&iacute;rios    que influenciam as possibilidades das a&ccedil;&otilde;es. &#8220;Voltar para    a cidade vai ser bom, mas vai ser triste, porque est&aacute; faltando algu&eacute;m&#8221;    &#8211; fala um mun&iacute;cipe. Presenciam-se confus&atilde;o de l&iacute;nguas    e constrangimentos dentro da cidade, em discursos de &oacute;dio e at&eacute;    de discrimina&ccedil;&atilde;o e de preconceito entre os pr&oacute;prios moradores,    n&atilde;o obstante os gestos de acolhimento e solidariedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante do choque    de real, a puls&atilde;o de vida pode nos levar a sublimar, na tentativa de    buscar possibilidades de narrativa de uma nova hist&oacute;ria. Para al&eacute;m    da leni&ecirc;ncia criminosa ou do ser ou n&atilde;o ser um desastre ambiental,    h&aacute; que investir em uma cultura de seguran&ccedil;a, aprendendo com as    li&ccedil;&otilde;es das cat&aacute;strofes. Como no inconsciente, na natureza,    o que foi recalcado retorna e emerge advindo da pr&oacute;pria for&ccedil;a    repressora. &Eacute; preciso ajudar a comunidade a superar o trauma e (re)definir    a vida. Esse desafio &eacute;tico passa pela constru&ccedil;&atilde;o e pelo    fortalecimento de v&iacute;nculos sociais para dar conta do medo, investindo    no desamparo como um afeto fundamental da constru&ccedil;&atilde;o de novos    la&ccedil;os, dentro de uma perspectiva formadora, como pot&ecirc;ncia de emerg&ecirc;ncia    na constru&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a, mudando o car&aacute;ter e    a frequ&ecirc;ncia do temor, conforme nos mostra Tuam (2005, p. 91). O conceito    de &#8220;pot&ecirc;ncia de emerg&ecirc;ncia&#8221; &eacute; mostrado em Safatle    (2016), tamb&eacute;m em Freud [(1927), 1996], <i>O homem Mois&eacute;s e a    religi&atilde;o monote&iacute;sta</i>, bem como na <i>Psicologia das massas</i>    (1921), pode-se encontrar sustenta&ccedil;&atilde;o para o conceito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fazendo picadas,    abrindo caminhos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio ao desalinho dos fatos e diante da eloqu&ecirc;ncia e da expressividade    pautadas, tr&ecirc;s falas nos chamam a aten&ccedil;&atilde;o em Tristes Gerais:    (1) &#8220;Livrai-nos do mal, am&eacute;m&#8221;; (2) &#8220;Todo dia &eacute;    um dia especial, &eacute; dia de comemorar&#8221;; e (3) &#8220;O aprendizado    do poder p&uacute;blico &#8211; que li&ccedil;&otilde;es podem ser tiradas de    [...]&#8221;. A primeira nos remete ao divino, ao transcendente como forma de    reconhecimento da fragilidade e incompletude humana, na cren&ccedil;a de um    ser superior a quem se pode recorrer em busca de prote&ccedil;&atilde;o e de    amparo no caso de alguma vicissitude. A segunda frase comunica o j&uacute;bilo    e a celebra&ccedil;&atilde;o da vida e, por &uacute;ltimo, numa dimens&atilde;o    pol&iacute;tica, est&aacute; o (des)acreditar no poder p&uacute;blico constitu&iacute;do    como forma de que, no trato da coisa p&uacute;blica, possam ser garantidos os    direitos dos diferentes atores sociais. Diante dessas dimens&otilde;es, n&atilde;o    se pode desconsiderar, a ordem subjetiva da quest&atilde;o, em particular o    desamparo, levando-nos a perguntar: &#8220;O que a psican&aacute;lise tem a    ver com Isso?&#8221; S&atilde;o quest&otilde;es disjuntas e imbricadas, que    merecem nossa aten&ccedil;&atilde;o, que orientam as dimens&otilde;es culturais,    ps&iacute;quicas, pol&iacute;ticas e biol&oacute;gicas, que permitem ao indiv&iacute;duo    tra&ccedil;ar redes de intera&ccedil;&atilde;o baseadas no lugar, favorecendo    a sua identifica&ccedil;&atilde;o com o mesmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os seres humanos s&atilde;o fr&aacute;geis e sua perman&ecirc;ncia na terra    est&aacute; sujeita ao acaso e ao descuido. A conting&ecirc;ncia prop&otilde;e    que a qualquer momento nosso modo de viver pode ser alterado devido a algo inesperado    e horr&iacute;vel, numa coincid&ecirc;ncia fortuita de acontecimentos. Aprender    a viver na incerteza das estat&iacute;sticas pode nos colocar diante do desespero    ao enfrentar o estranho e natural medo da morte. Talvez, a&iacute;, o porqu&ecirc;    da religi&atilde;o, nossas cren&ccedil;as e/ou ceticismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em Freud [1927 (1996)], Ceccarelli e Franco (2014, p. 81) ensinam que    a ilus&atilde;o sempre ser&aacute; necess&aacute;ria para acolher nosso desamparo    constitutivo:</font></p>       <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cren&ccedil;a, a ilus&atilde;o, a realiza&ccedil;&atilde;o de desejos est&atilde;o    implicados na maioria das vezes em nossas escolhas e nossas op&ccedil;&otilde;es    de vida.</font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ilus&atilde;o ou n&atilde;o, a busca de um pai protetor &eacute; recurso de    f&eacute; na dimens&atilde;o do desamparo. Assim, dentro da vulnerabilidade,    quando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o mostram uma mulher prenha nos espa&ccedil;os    de Tristes Gerais, nosso imagin&aacute;rio pode evocar Mois&eacute;s, aquele    que foi tirado das &aacute;guas, apostando na gravidez como continuidade da    vida saindo da lama. &Eacute; o j&uacute;bilo, a celebra&ccedil;&atilde;o da    vida. No quadro de inseguran&ccedil;a, pinta-se a reconstru&ccedil;&atilde;o    da vida comunit&aacute;ria, aconchegando vizinhos &agrave; igreja e &agrave;s    festas, favorecendo os tra&ccedil;os de uma nova cultura, de novas rela&ccedil;&otilde;es.    Reconstruir o modo de vida &eacute; o desafio de cada um daqueles que passaram    pela trag&eacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa reconstru&ccedil;&atilde;o passa por ideais coletivos. Evidentemente, h&aacute;    que pensar e requalificar a tecnologia, com protocolos de seguran&ccedil;a e    resolu&ccedil;&atilde;o de crise. O corpo t&eacute;cnico e de intelig&ecirc;ncia    das corpora&ccedil;&otilde;es precisa estar atento &agrave;s poss&iacute;veis    falhas sist&ecirc;micas, no tempo certo. A natureza externa precisa conviver    com a natureza humana, investindo no resguardo e seguridade, evitando-se a atualiza&ccedil;&atilde;o    em uma nova cat&aacute;strofe ambiental. Assim, h&aacute; que perguntar o que    a sinistra experi&ecirc;ncia pode nos ensinar. A puls&atilde;o de vida pode    nos levar a sublimar, buscando-se possibilidades de narrativa de uma nova hist&oacute;ria,    ressignificando os medos e desafios, investindo em educa&ccedil;&atilde;o, ajudando    a comunidade a superar o trauma e definir a vida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O investimento    em novos v&iacute;nculos e la&ccedil;os alude para o fato da complexidade da    articula&ccedil;&atilde;o do &#8220;sujeito pol&iacute;tico&#8221;, conceito    que tomamos de Safatle (2016). Na medida em que nada escapa ao real, a experi&ecirc;ncia    psicanal&iacute;tica se v&ecirc; &agrave;s voltas com a &eacute;tica, com a    &eacute;tica da psican&aacute;lise. Consciente ou inconscientemente, o sujeito    &#8216;entre-tece&#8217; desejo e linguagem fazendo cultura. Brousse (2003),    recortando do <i>Semin&aacute;rio 14: a l&oacute;gica da fantasia</i> (LACAN,    1966-1967) vai dizer que &#8220;o inconsciente &eacute; a pol&iacute;tica&#8221;,    pois ele est&aacute; na p&oacute;lis, ele &eacute; a pol&iacute;tica. O golpe    na identidade e na subjetividade nas v&iacute;timas da explora&ccedil;&atilde;o    capitalista das mineradoras prop&otilde;e como exerc&iacute;cio de pensamento    articular uma resposta &agrave; sociedade com uma severa disciplina para n&atilde;o    deixar adulterar o sentido inconsciente da &eacute;tica da psican&aacute;lise    sustentada na singularidade, no desejo e na falta. Esse &eacute; o desafio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AB&#8217;SABER,    A. <i>Os dom&iacute;nios de natureza no Brasil</i>: potencialidades paisag&iacute;sticas.    S&atilde;o Paulo: Ateli&ecirc;, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855622&pid=S0100-3437201900010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BASTOS, C.; FERREIRA,    B. Os relatos de medo, dor e surpresa em Brumadinho. <i>O Globo</i>. 25 jan.    2019. Dispon&iacute;vel em: &lt;https://oglobo.globo.com/brasil/os-relatos-de-medo-dor-surpresa-em-brumadinho-23404274&gt;.    Acesso em: 28 jan. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855624&pid=S0100-3437201900010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BROUSSE, M.-H.    <i>O inconsciente &eacute; a pol&iacute;tica</i>. Semin&aacute;rio Internacional.    Organiza&ccedil;&atilde;o: Carmen S&iacute;lvia Cervelatti. S&atilde;o Paulo:    Escola Brasileira de Psican&aacute;lise, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855626&pid=S0100-3437201900010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CECCARELLI, P.    R.; FRANCO, S. Religi&atilde;o ou ilus&atilde;o? O embate Freud x Pfister. <i>Reverso</i>,    Belo Horizonte, v. 36, n. 67, p. 75-83, jun. 2014. Dispon&iacute;vel em: &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-73952014000100009&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;.    Acesso em: 20 mar. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855628&pid=S0100-3437201900010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. O futuro    de uma ilus&atilde;o (1927). In: ______. <i>O futuro de uma ilus&atilde;o, o    mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o e outros trabalhos</i> (1927-1931). Dire&ccedil;&atilde;o    geral da tradu&ccedil;&atilde;o de Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro: Imago,    1996. p. 15-63. (Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas    completas de Sigmund Freud, 21).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855630&pid=S0100-3437201900010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Projeto    para uma psicologia cient&iacute;fica (1950 [1895]). In: ______. <i>Publica&ccedil;&otilde;es    pr&eacute;-psicanal&iacute;ticas e esbo&ccedil;os in&eacute;ditos</i> (1886-1889).    Dire&ccedil;&atilde;o geral da tradu&ccedil;&atilde;o de Jayme Salom&atilde;o.    Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 355-450. (Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 1).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855632&pid=S0100-3437201900010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    semin&aacute;rio, livro 7: a &eacute;tica da psican&aacute;lise</i> (1959-1960).    Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu&ccedil;&atilde;o de Antonio    Quinet. Rio de Janeiro: Zahar, 1997. (Campo Freudiano no Brasil).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855634&pid=S0100-3437201900010001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&Eacute;VI-STRAUSS,    C. <i>Tristes tr&oacute;picos</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1996</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855636&pid=S0100-3437201900010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MADARASZ, N. Crise    e desamparo do sujeito pol&iacute;tico. <i>Revista Porto Alegre</i>. Dispon&iacute;vel    em: &lt;http://revistaportoalegre.com/crise-e-desamparo-do-sujeito-politico/&gt;.    Acesso em: 28 jan. 2019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855637&pid=S0100-3437201900010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SAFATLE, W. <i>O    circuito dos afetos</i>. Corpos pol&iacute;ticos, desamparo e o fim do indiv&iacute;duo.    Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855639&pid=S0100-3437201900010001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TUAN, Y. <i>Paisagens    do medo</i>. S&atilde;o Paulo: UNESP, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855641&pid=S0100-3437201900010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TV ASSEMBLEIA.    <i>Mem&oacute;rias rompidas</i>: Trag&eacute;dia de Mariana (Document&aacute;rio).    Belo Horizonte: Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Diretoria de Comunica&ccedil;&atilde;o    Institucional), jul./out. 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=855643&pid=S0100-3437201900010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/ep/n51/seta.gif" border="0"><a href="#end">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>  E-mail: <a href="mailto:jota@larnet.com.br">jota@larnet.com.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 03/05/2019    <br>   Aprovado em: 12/06/2018</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SOBRE O AUTOR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Otac&iacute;lio Jos&eacute; Ribeiro</b>    <br>   Psicanalista.    <br>   Membro do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais (CPMG).    <br>   Mestre em engenharia de produ&ccedil;&atilde;o - m&iacute;dia e conhecimento    pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).    <br>   Especialista em gest&atilde;o escolar pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Especialista em educa&ccedil;&atilde;o pelo Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o    de Minas Gerais (IEMG).    <br>   Especialista em psicopedagogia pela Faculdade de Filosofia Ci&ecirc;ncias e    Letras de Belo Horizonte.    <br>   Licenciado em Matem&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup>    Agradecimento a Felipe Vieira, pela interlocu&ccedil;&atilde;o inicial mote    do presente trabalho.    <br>   <sup><a name="4"></a><a href="#3">2</a></sup> Freud [1919 (1994)], na terceira    parte de seu texto <i>O estranho</i>, vai discorrer sobre a possibilidade de    ser verdade que o estranho [<i>unheimliche</i>&#93; seja algo secretamente familiar    &#91;<i>heimlich-heimlich</i>&#93;. Tuan (2005, p. 338) fala de uma inquieta&ccedil;&atilde;o    face &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um mundo artificial (as cidades),    &agrave; custa do ambiente natural. <i>Un</i>(<i>heimliche</i>) gera sentimentos    de inquieta&ccedil;&atilde;o. &Agrave; guisa do &#8220;estranho&#8221; e do    &#8220;familiar&#8221;, ressalta-se que o desconhecido &eacute; diferente de    risco; este &uacute;ltimo pode ser mensur&aacute;vel, previs&iacute;vel, possui    ares familiares. Quer parecer que os agentes mineradores negligenciaram com    a teoria dos riscos, em seu aspecto objetivo, ou seja, com a probabilidade de    perigo gerando amea&ccedil;a f&iacute;sica para o homem e/ou para o meio ambiente.</font></p>      ]]></body>
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