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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fundamentalismos: uma esquizofrenia histórico-social a partir de uma leitura de "Psicologia das massas e a análise do ego" (1921)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to approach the phenomenon of contemporary fundamentalisms according to Freud's book "Group Psychology and the Analysis of the Ego" (FREUD, 1921). Based on the mass identification process pointed out by Freud, we think that certain types of identificatory behaviors seem to create a path in which a group, when fighting for an ideal or belief, denies the external reality. But it is the external reality where this same ideal or belief was forged. Or yet, it seems that the unconscious identifications gain strength in the group in such a way that that group of people regresses and fixates in the oral phase, through the child omnipotence and voracity, a kind of dream delirium and consequent denial of castration. Your majesty, the us]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>MESAS       E TRABALHOS &ndash; XXVI CONGRESSO DO C&Iacute;RCULO BRASILEIRO DE PSICAN&Aacute;LISE - PARA AL&Eacute;M DA PANDEMIA: ECOS NA PSICAN&Aacute;LISE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Fundamentalismos – uma esquizofrenia hist&oacute;rico-social a     partir de uma leitura de &quot;Psicologia das massas e a an&aacute;lise     do ego&quot; (1921)<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Fundamentalisms – a historical-social schizophrenia from       a reading of &quot;Mass Psychology and Ego Analysis&quot; (1921)</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Michell Alves       Ferreira de Mello<sup>I, II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup> C&iacute;rculo Brasileiro de Psican&aacute;lise – Se&ccedil;&atilde;o Rio de  Janeiro    <br> <sup>II</sup> Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio &agrave; Escola T&eacute;cnica</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho visa abordar o fen&ocirc;meno dos fundamentalismos contempor&acirc;neos   dentro de uma leitura da <i>Psicologia das massas e an&aacute;lise do eu</i> (FREUD, 1921). A partir do processo de identifica&ccedil;&atilde;o das massas   apontado por Freud no texto, pensamos que certos tipos de comportamentos identificat&oacute;rios   parecem criar um caminho para que um grupo, ao lutar por um ideal ou cren&ccedil;a,   negam a realidade externa na qual esse mesmo ideal ou cren&ccedil;a &eacute; forjado.   Ou ainda, parece que as identifica&ccedil;&otilde;es inconscientes ganham for&ccedil;a   no grupo de modo que tal conjunto de pessoas regride e fixa-se &agrave; fase   oral, atrav&eacute;s da onipot&ecirc;ncia infantil e da voracidade, uma esp&eacute;cie   de del&iacute;rio on&iacute;rico e consequente nega&ccedil;&atilde;o da castra&ccedil;&atilde;o.   Sua majestade, o n&oacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Fundamentalismos, Identifica&ccedil;&atilde;o, Ideal   do eu, Psicologia de grupo.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper aims to approach the phenomenon of contemporary fundamentalisms     according to Freud's book &quot;Group Psychology and the Analysis of the Ego&quot; (FREUD, 1921). Based on the mass identification process pointed out by Freud,     we think that certain types of identificatory behaviors seem to create a     path in which a group, when fighting for an ideal or belief, denies the external     reality. But it is the external reality where this same ideal or belief was     forged. Or yet, it seems that the unconscious identifications gain strength     in the group in such a way that that group of people regresses and fixates     in the oral phase, through the child omnipotence and voracity, a kind of     dream delirium and consequent denial of castration. Your majesty, the us.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Fundamentalisms, Identification, Ideal of the     ego, Group psychology.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. Proleg&ocirc;menos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fui informado por um colega de of&iacute;cio da indica&ccedil;&atilde;o de   uma paciente para an&aacute;lise. Helga tem uns 80 anos, mora distante da cidade   de origem, tem s&eacute;rios problemas de sa&uacute;de. Seu marido encontra-se   na mesma situa&ccedil;&atilde;o. Todavia, essa n&atilde;o era a queixa verbalizada   pela senhora, mas sim sua rela&ccedil;&atilde;o com o filho. Esse senhor com   quase 60 anos deixou de falar com ela porque ela tomou vacina contra a covid.   Da mesma forma, deixou de falar com todos os parentes. Helga me pergunta: voc&ecirc; acha   que pode ser esquizofrenia? Ele corre risco de cometer suic&iacute;dio? Eu   sou respons&aacute;vel por algum trauma?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eis um exemplo de fundamentalismo atravessando nossa cl&iacute;nica, e isso   causa um sofrimento ps&iacute;quico que talvez nos exija um olhar mais atento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. Fundamentalismo e psicologia das massas</b></font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O l&iacute;der da massa continua sendo o temido pai primevo, a massa continua   querendo ser dominada por um poder irrestrito; em grau extremo, ela &eacute; &aacute;vida   por autoridade; tem, segundo a express&atilde;o de Le Bon, sede de submiss&atilde;o.   O pai primevo &eacute; o ideal da massa, que, no lugar de Ideal do eu, domina   o Eu (FREUD, &#91;1921&#93; 1996, p. 208).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fundamentalismo, como o entendemos, seria a total servid&atilde;o volunt&aacute;ria   (BIRMAN, 2017) a uma &uacute;nica proposi&ccedil;&atilde;o categ&oacute;rica. &Eacute; a   busca pelo pai primevo (<i>Urvater</i>) que det&eacute;m todo saber e, por   isso, todo poder sobre as pessoas da horda primitiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse pai primevo &eacute; an&aacute;logo &agrave;s suas ideias, queremos dizer:   ele encarna e personifica determinados ideais. Esses ideais podem advir de   diversas fontes, das mais variadas poss&iacute;veis: a lei natural, o mercado,   o Estado, a moral, o livro sagrado, a obra de Freud ou de Lacan, etc. Pensamos   aqui, num primeiro momento, numa certa an&aacute;lise lingu&iacute;stica sobre   performatividade de determinados atos de fala. O l&iacute;der representa a   fala, e sua fala, que &eacute; un&iacute;voca, ressoa em toda a massa numa   esp&eacute;cie de onda pirocl&aacute;stica. O fundamentalismo n&atilde;o surge   da pena ou da tinta, mas da interpreta&ccedil;&atilde;o da fala. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada   como uma verdade absoluta e, por exclus&atilde;o, tudo que &eacute; diferente &eacute; considerado   como falso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensamos em fundamentalismos, no plural, dado que o identificamos com determinados   fen&ocirc;menos de massa, mas n&atilde;o todos. Poder&iacute;amos dizer que   todo fundamentalismo &eacute; um fen&ocirc;meno de massa, mas nem todo fen&ocirc;meno   de massa &eacute; um fundamentalismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os fundamentalismos seriam, em nossa perspectiva atrav&eacute;s de uma leitura   da <i>Psicologia das massas e an&aacute;lise do Eu</i> (FREUD, &#91;1921&#93; 1996),   uma massa n&atilde;o t&atilde;o organizada enquanto estrutura e sua temporalidade   n&atilde;o &eacute; est&aacute;vel. Essa delimita&ccedil;&atilde;o se faz importante   para diferenciar os fundamentalismos de outros fen&ocirc;menos de massa, que   podem at&eacute; ser tomados como institui&ccedil;&otilde;es sociais, tal como   a Igreja e o Ex&eacute;rcito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diz Freud (&#91;1921&#93; 1996, p. 207):</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada indiv&iacute;duo &eacute; uma parte constitutiva de muitas massas, &eacute; ligado   de maneira multilateral por identifica&ccedil;&otilde;es e construiu seu Ideal   do Eu segundo <i>diversos</i> modelos (it&aacute;lico nosso).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, ter diversos modelos (pensemos na dupla parental e no ambiente sociocultural   no qual o beb&ecirc; se v&ecirc; imerso <i>a priori</i>) , no Ideal do Eu   favorece ao vindouro supereu uma amplitude maior de di&aacute;logo com o Eu   na administra&ccedil;&atilde;o do dinamismo pulsional, evitando assim, possivelmente,   um maior n&uacute;mero de neuroses. Claro que n&atilde;o podemos provar isso   aqui, afinal a metapsicologia &eacute; nossa bruxa (disse uma vez Freud). Pensemos   no exemplo de pessoas criadas em comunidade isoladas e fechadas (os Amish,   por exemplo) e suas diferen&ccedil;as sociocomportamentais, se forem comparadas   com pessoas em grandes centros urbanos (Nova York, por exemplo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra caracter&iacute;stica     do autoritarismo est&aacute; na passagem direta   ao ato quando se p&otilde;e a dualidade autoridade <i>versus</i> autoritarismo:   a primeira &eacute; conferida pelo grupo; o segundo &eacute; outorgado pelo   l&iacute;der. Nos fundamentalismos, autoridade e autoritarismo s&atilde;o id&ecirc;nticos   para os membros do grupo, mas o mesmo n&atilde;o acontece para os que est&atilde;o   fora de um grupo fundamentalista. Os fundamentalismos conferem ao l&iacute;der   uma &quot;autoridade autoautorit&aacute;ria&quot; ou, como se chamava na antiga   R&uacute;s   sia, czarista: o czar &eacute; um autocrata. Ou Lu&iacute;s XIV quando disse &quot;O   estado sou eu&quot;. Em outros termos, o l&iacute;der autorit&aacute;rio se   identifica tanto com as ideias que defende e personifica quanto com o pr&oacute;prio   grupo: o l&iacute;der e o grupo e suas ideias s&atilde;o a mesma coisa – uma   massa homog&ecirc;nea. Um ataque ou cr&iacute;tica ao l&iacute;der &eacute; ao   mesmo tempo uma agress&atilde;o a todos os membros do grupo e coloca na berlinda   todo o conjunto imagin&aacute;rio que sustenta o pr&oacute;prio grupo. A resposta   a uma cr&iacute;tica ou desacordo vem na forma de uma viol&ecirc;ncia. Ali&aacute;s,   poder&iacute;amos dizer aqui que onde falta a palavra emerge a destrui&ccedil;&atilde;o   de <i>Thanat&oacute;s</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os fundamentalismos     se instauram na vida pol&iacute;tica como um regime sem   exce&ccedil;&atilde;o. Entendemos por vida pol&iacute;tica a esfera da vida   p&uacute;blica, na qual mostramos aquilo de que n&atilde;o temos vergonha e   que n&atilde;o &eacute; a esfera da intimidade nem a vida privada (ARENDT,   2010). Nessa mesma linha de pensamento, ainda segundo a autora, chamamos de   societ&aacute;rio a mistura entre o p&uacute;blico e o privado, que, ainda   conforme Arendt, teria surgido no seio da modernidade. Assim, podemos dizer   que os fundamentalismos tendem &agrave; autocracia e &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o   entre o p&uacute;blico e o privado, pois se dirigem a uma mistura entre a esfera   p&uacute;blica e a esfera privada da vida humana: um grupo de fundamentalistas   assume uma axiologia privada e deseja com ela seja imposta a todos os outros   membros da sociedade, sem exce&ccedil;&atilde;o. A elimina&ccedil;&atilde;o   causada pela mistura entre p&uacute;blico e privado impede que a individualidade   do sujeito tenha sua exist&ecirc;ncia, dado que o sujeito ps&iacute;quico &eacute; visto   apenas quando &eacute; parte constituinte de um grupo maior – um panpsiquismo   artificial. Pensemos, por exemplo, no que tem acontecido nas rela&ccedil;&otilde;es   privadas, em cada fam&iacute;lia, como no fragmento citado anteriormente – o   p&uacute;blico invadiu o privado e, como rea&ccedil;&atilde;o, a individualidade   de Helga foi negada dado que ela n&atilde;o integra o grupo do qual seu filho   faz parte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos fundamentalismos parece n&atilde;o haver espa&ccedil;o para um n&atilde;o   eu, pois se apresenta como algo contradit&oacute;rio com o que propomos ser   a vida p&uacute;blica – se a vida p&uacute;blica &eacute; a esfera da n&atilde;o   vergonha, ela h&aacute; de supor a exist&ecirc;ncia de um outro, um n&atilde;o   eu. &Eacute; desse outro, desse n&atilde;o eu, que eu tenho &quot;vergonha&quot;. Ao   contr&aacute;rio, a esfera da intimidade ou da vida privada &eacute; a esfera   da &quot;desvergonha&quot;, quando estou entre iguais ou sozinho n&atilde;o me &eacute; poss&iacute;vel   sentir vergonha (nesse caso, chamamos esse sentimento de culpa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltemos ao texto freudiano que diz que</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; a massa n&atilde;o tem d&uacute;vidas sobre o que &eacute; verdadeiro   ou falso, e ao mesmo tempo tem consci&ecirc;ncia de sua grande for&ccedil;a,   ela &eacute; tanto intolerante quanto crente na autoridade (FREUD, &#91; 1921&#93;   1996, p. 148).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez hodiernamente (re)apare&ccedil;a uma forma diversa de vida p&uacute;blica   distante daquela na qual nascemos: para n&oacute;s, a esfera p&uacute;blica   seria o campo dif&iacute;cil do acordo entre diferentes, sem qualquer intimidade.   Hoje se apresenta para outros a vida p&uacute;blica como a esfera do acordo   entre semelhantes, com pinceladas de intimidade. Talvez por isso se criou na   vida pol&iacute;tica uma avers&atilde;o ao politicamente correto, ou seja,   uma avers&atilde;o &agrave; vida p&uacute;blica sem intimidade – uma a&ccedil;&atilde;o   p&uacute;blica que n&atilde;o passa pelo crivo da vergonha, ou seja, pelo olhar   do outro, do diverso. Desse modo, fal&aacute;cias <i>ad hominem</i>se tornam   demonstra&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas ainda assim: o que une as massas em geral e os fundamentalismos de modo   espec&iacute;fico? Freud aborda a tem&aacute;tica no cap&iacute;tulo VII:</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; conhecida na psican&aacute;lise como   a mais antiga manifesta&ccedil;&atilde;o de uma liga&ccedil;&atilde;o afetiva   com uma outra pessoa. Ela desempenha um papel na pr&eacute;-Hist&oacute;ria   do complexo de &Eacute;dipo (FREUD, &#91;1921&#93; 1996, p. 115).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira identifica&ccedil;&atilde;o     m&atilde;e-beb&ecirc; &eacute; colocada   por Freud (&#91;1921&#93; 1996, p. 115) como &quot; investimento de objeto   claramente sexual; j&aacute; a com o pai, uma identifica&ccedil;&atilde;o como   modelo&quot;. Acreditamos   que aqui se trata mesmo de algo anterior &agrave; escolha objetal, mas diz   respeito &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da identidade do g&ecirc;nero. Aqui   o importante &eacute; pensar que ambas as identifica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o   ambivalentes desde o in&iacute;cio, ponto assinalado pelo pr&oacute;prio Freud:   pode ser objeto tanto de ternura como de elimina&ccedil;&atilde;o. </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud   (&#91;1921&#93; 1996,     p. 115) continua e diz que a identifica&ccedil;&atilde;o</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&quot;se conduz como um derivado       da primeira fase oral da organiza&ccedil;&atilde;o libidinal, na qual o objeto       cobi&ccedil;ado e apreciado foi incorporado atrav&eacute;s do ato de comer e assim foi aniquilado       como tal&quot;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bem, esse processo &eacute; comum a todos os humanos, guardadas as particularidades   de cada sujeito. &Eacute; nessa fase do narcisismo infantil e forma&ccedil;&atilde;o   da inst&acirc;ncia do Eu que as rela&ccedil;&otilde;es de identifica&ccedil;&otilde;es   com os modelos parentais formam o ideal do Eu. Freud (&#91;1921&#93; 1996, p. 116)   resume, ainda no cap&iacute;tulo VII, a identifica&ccedil;&atilde;o com a figura   paterna em tr&ecirc;s partes: (a) ter o pai – incorpora&ccedil;&atilde;o; (b)   ser o pai – introje&ccedil;&atilde;o; (c) estar no lugar do pai – regress&atilde;o   narc&iacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Chamamos a &uacute;ltima de regress&atilde;o narc&iacute;sica porque, segundo   Freud, ela se dar&aacute; num momento posterior: busca pelo objeto perdido,   quase que de maneira melanc&oacute;lica e encontrar esse objeto, que &eacute; identificado   com o pr&oacute;prio ideal do Eu. &quot;N&atilde;o se &eacute; igual ao l&iacute;der,   mas se torna igual a ele&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltemos ao texto freudiano. O Eu torna-se cada vez menos exigente, mais modesto,   e o objeto, cada vez mais grandioso, valioso; esse finalmente alcan&ccedil;a   a posse de todo o amor pr&oacute;prio do Eu, de modo que o autossacrif&iacute;cio   do Eu torna-se uma consequ&ecirc;ncia natural. O objeto (o l&iacute;der) consumiu   o eu. &#91;...&#93; A situa&ccedil;&atilde;o inteira se deixa resumir, sem res&iacute;duos,   em uma f&oacute;rmula: o objeto colocou-se no lugar do Ideal do Eu (FREUD   (&#91;1921&#93; 1996).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas massas que n&atilde;o possuem a caracter&iacute;stica de fundamentalismos,   o processo de identifica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por introje&ccedil;&atilde;o,   atrav&eacute;s da qual a unidade do seio bom/seio mau se encontra no que se   chama de posi&ccedil;&atilde;o depressiva. Nos casos da massa fundamentalista,   parece que o processo predominante &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o do   seio bom e ao mesmo tempo o ataque ao seio mau atrav&eacute;s da voracidade – uma   posi&ccedil;&atilde;o esquizoparanoide. Se nossa hip&oacute;tese for verdadeira,   poder&iacute;amos dizer que uma diferen&ccedil;a entre os movimentos de massa   e os movimentos fundamentalistas &eacute; que os primeiros s&atilde;o ainda   capazes de fazer uma certa integra&ccedil;&atilde;o entre eu/n&atilde;o, seio   bom e seio mau; j&aacute; os segundos, mant&ecirc;m-se numa cis&atilde;o entre   eu e o n&atilde;o eu, entre o amor ao seio bom e o &oacute;dio ao seio mau,   devorando-o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas como alguns indiv&iacute;duos tendem aos fundamentalismos e outros n&atilde;o?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pode ser que a separa&ccedil;&atilde;o entre o Eu e o ideal do Eu, em alguns   indiv&iacute;duos, n&atilde;o se deu de modo satisfat&oacute;rio. Tanto o Eu   quanto o n&atilde;o eu ainda coincidem facilmente; in&uacute;meras vezes o   Eu preservou a autocomplac&ecirc;ncia narc&iacute;sica anterior. A escolha   do l&iacute;der &eacute; facilitada por essa rela&ccedil;&atilde;o. Muitas   vezes ele s&oacute; precisa possuir as caracter&iacute;sticas t&iacute;picas   desses indiv&iacute;duos, destacadas de maneira particularmente n&iacute;tidas   e desnudas. Isso confere uma for&ccedil;a e uma liberdade libidinal maiores,   quase que absolutas, ao l&iacute;der de um grupo fundamentalista (FREUD, &#91;1921&#93; 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa liberdade libidinal favorecida pela identifica&ccedil;&atilde;o (dual-porosa,   psic&oacute;tica?) da massa fundamentalista com o seu l&iacute;der causa uma   esp&eacute;cie de &quot;Sua majestade, o povo!&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o narc&iacute;sica do processo identificat&oacute;rio com o   ideal do Eu aqui &eacute; importante, pois tamb&eacute;m pode ser usada para   diferenciar grupos em sentidos geral das massas que denominamos nesta apresenta&ccedil;&atilde;o   como fundamentalismos: nos grupos em geral, o la&ccedil;o libidinal com o l&iacute;der   causa uma perda da realidade moment&acirc;nea (ou criaria uma realidade fantasm&aacute;tica,   hist&eacute;rica), como bem acontece no cont&aacute;gio afetivo assinalado   por Scheler (1916): assistir um jogo no Maracan&atilde; ou participar de uma   manifesta&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica e ao fim das quais, quando   as pessoas voltam para casa, elas se sentem como que realizadas libidinalmente.   Elas gozaram em si mesmas. Descarregaram. Introjetam uma causa, um l&iacute;der,   um projeto, um time de futebol e esse corresponde ao ideal do eu somente enquanto   a massa est&aacute; reunida. Parece mais com uma neurose, pois o eu volta a   se relacionar com seus objetos e suas fixa&ccedil;&otilde;es f&aacute;licas,   funcionando, assim, com o mecanismo da <i>Verdr&auml;ngung</i>. Aqui se mant&eacute;m   a tr&iacute;ade: Eu - Ideal do Eu – princ&iacute;pio de realidade/limite.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso dos fundamentalismos, o narcisismo se encontra mais fixado atrav&eacute;s   da incorpora&ccedil;&atilde;o do objeto e, assim, um ideal do Eu vai no caminho   de um processo identificat&oacute;rio com o l&iacute;der. O processo de incorpora&ccedil;&atilde;o   bem como seu equivalente identificat&oacute;rio &eacute; voraz, quer destruir   o pr&oacute;prio seio, devorando-o. O la&ccedil;o libidinal com o l&iacute;der &eacute; absoluto,   uma identifica&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a: o indiv&iacute;duo e o l&iacute;der   s&atilde;o um e o mesmo, e tudo que se op&otilde;e a isso &eacute; um inimigo   a ser destru&iacute;do. Assistir a um jogo no Maracan&atilde; ou participar   de uma manifesta&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica, e, no fim, as pessoas <b>n&atilde;o</b> voltam   para casa, pois as pessoas s&atilde;o a nega&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o   libidinal-identificat&oacute;rio: brigas de torcida, depreda&ccedil;&atilde;o   de vias p&uacute;blicas, ataques ferozes aos opositores. Elas gozaram em si   mesmas, mas &eacute; um gozo f&aacute;lico. Descarregam atacando tudo que amea&ccedil;a   o substituto do pai. Incorporam uma causa e se tornam a causa, incorporam um   l&iacute;der e s&atilde;o um corpo com ele. Essas incorpora&ccedil;&otilde;es   correspondem ao ideal do eu aqu&eacute;m e al&eacute;m da massa reunida. Tal   modelo nos parece mais com uma psicose, pois o Eu volta a se relacionar consigo   mesmo e com suas ideias atrav&eacute;s da figura do l&iacute;der. Assim, continua   com a pr&oacute;pria libido, ou melhor, com o investimento libidinal feito   em si mesmo atrav&eacute;s da incorpora&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o   entre ideal do Eu e do Eu. O que n&atilde;o se encontra nessa d&iacute;ade   Eu e Ideal do Eu, est&aacute; fora. O que est&aacute; fora? O princ&iacute;pio   da realidade. O mecanismo econ&ocirc;mico se assemelha mais com a <i>Verwerfung</i>,   e a fixa&ccedil;&atilde;o parece estar na fase oral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. Reflex&otilde;es para al&eacute;m do texto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Propomos voltar um pouco &agrave; Bergasse 19, numa fantasia em que imaginamos   o que Freud falaria na vida privada entre amigos sobre acontecimentos como   os atuais – na realidade, ele viveu momentos ainda mais radicais com o <i>Anschluss</i> da &Aacute;ustria   pelos nazistas em mar&ccedil;o de 1938. Podemos ler algo que ele pensou no   per&iacute;odo, sobretudo nos seus escritos finais, segundo o bi&oacute;grafo   Peter Gay (2012, p. 622):</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia de suic&iacute;dio chegou a invadir o lar dos Freud naquela primavera.   Mas Schur, m&eacute;dico de confian&ccedil;a de Freud, que estava pr&oacute;ximo &agrave; fam&iacute;lia   naqueles meses desesperados, conta que, quando parecia imposs&iacute;vel fugir   da &Aacute;ustria nazista, Anna Freud perguntou ao pai: &quot;N&atilde;o seria melhor   se todos n&oacute;s nos mat&aacute;ssemos?&quot;. A resposta de Freud foi t&iacute;pica: &quot;Por   qu&ecirc;? Porque gostariam que fiz&eacute;ssemos isso?&quot;. Ele podia resmungar   que as coisas n&atilde;o valiam a pena e ansiar para que ca&iacute;sse a cortina,   mas n&atilde;o estava disposto a abrir m&atilde;o delas ou a deixar o palco,   segundo a conveni&ecirc;ncia do inimigo. O esp&iacute;rito de desafio que dominou   t&atilde;o grande parte da vida de Freud ainda se agitava nele.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse esp&iacute;rito de desafio do qual fala Peter Gay, pode ser visto como   uma certa recusa em aceitar fazer parte dos fundamentalismos de sua &eacute;poca,   inclusive do movimento sionista. Esperar para agir por si, at&eacute; certo   ponto. Muitos podem se questionar por qual motivo &#91;o motivo pelo qual&#93; a fam&iacute;lia   Freud n&atilde;o deixou a &Aacute;ustria quando surgiram os primeiros ind&iacute;cios   do que viria a lhes acontecer – mas parece ter preferido n&atilde;o ser mais   um elemento na massa – mas eles desconfiavam sempre, inclusive das pr&oacute;prias   impress&otilde;es (por mais que seu esp&iacute;rito fosse obstinado). Na leitura   do bi&oacute;grafo, poder&iacute;amos dizer que &quot;desconfiar&quot; &eacute; uma defesa   contra os movimentos identificat&oacute;rios psic&oacute;ticos dos fundamentalismos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao ler a obra freudiana, nos deparamos com a terceira ferida narc&iacute;sica   em nossa cultura: a raz&atilde;o n&atilde;o &eacute; senhora nem em sua pr&oacute;pria   ca sa (FREUD, &#91;1916&#93; 1996, p. 292). Aqui, dir&iacute;amos, ningu&eacute;m   est&aacute; completamente blindado aos fundamentalismos, no sentido aqui abordado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, uma interpreta&ccedil;&atilde;o dos fundamentalismos, se pens&aacute;ssemos   numa &quot;psican&aacute;lise da Hist&oacute;ria&quot;, dependeria de tr&ecirc;s n&iacute;veis.   Um primeiro seria o presente e o passado narrados; depois, quais grupos de   pessoas escreveram esse presente e esse passado e, por &uacute;ltimo, e mais   importante, porque assim o fizeram, isto &eacute;, quais eram suas identifica&ccedil;&otilde;es   ps&iacute;quicas. Para algo ser &quot;cientificamente&quot; comprovado seria necess&aacute;rio   analisar cada membro do grupo que narra um acontecimento hist&oacute;rico.   Ora, isso nos parece imposs&iacute;vel. Por isso, talvez a intui&ccedil;&atilde;o   da escrita e produ&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica freudiana lan&ccedil;a   m&atilde;o de uma mitologia para tentar balizar determinados conceitos, tais   como inconsciente, falta, Lei, etc. (FREUD, 1913; 1987; 1921).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A categoria da possibilidade (o que n&atilde;o cabe no fundamentalismo) implica   uma pot&ecirc;ncia hermen&ecirc;utica de todo e qualquer discurso e a probabilidade   de assun&ccedil;&atilde;o a uma verdade poss&iacute;vel que em um determinado   momento funciona.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas e na cl&iacute;nica, como escutar os fundamentalismos? Bem, a &eacute;tica   do analista e o imperativo da escuta afinada atrav&eacute;s da aten&ccedil;&atilde;o   flutuante imp&otilde;em um lugar: o lugar da diferen&ccedil;a. Um analista   que, na cl&iacute;nica, entra em quaisquer formas de fundamentalismos, fere   a &eacute;tica na psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui nos dirigimos &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>differance </i>, no   sentido de Derrida (1993). Pensar a &eacute;tica do analista como um lugar   da <i>differance</i> &eacute; estar entre a verdade ps&iacute;quica trazida   pela analisante e a metapsicologia do analista – n&atilde;o &eacute; um lugar   fixo, mas um processo que acontece no decorrer dos encontros anal&iacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se pensa aqui no texto expresso de Freud quanto &agrave; sua vis&atilde;o   da massa e sua psicologia, como pode ser encontrada em alguns textos, mas cogitamos   pensar em que medida a metapsicologia e a cl&iacute;nica freudiana poderiam   estar nesse espa&ccedil;o lacunar dentro das pr&oacute;prias linhas tra&ccedil;adas   pelo autor. Assim, &eacute; necess&aacute;rio aqui um <i>epoch&eacute;</i> fenomenol&oacute;gico   para ir al&eacute;m do texto expresso e admitir a possibilidade de se estar   buscando construir um dispositivo conceitual, jamais uma verdade num sentido   ontol&oacute;gico. Assim, escutar os fundamentalismos na cl&iacute;nica e entend&ecirc;-los   como sintomas de um sujeito que expressam suas ang&uacute;stias &eacute; estar   entre a verdade do sujeito e os mecanismos pulsionais que validam essa mesma   verdade. Pensar nos fundamentalismos requer uma disposi&ccedil;&atilde;o do   analista a estar &quot;entre&quot; a fala e os afetos. Se o analista sair desse &quot;entre&quot;,   ele assume uma das partes, que pode validar determinado fundamentalismo (ou   outro qualquer). Caso contr&aacute;rio, a pr&oacute;pria cl&iacute;nica poderia   estar fundamentada no fundamentalismo do analista, n&atilde;o na &eacute;tica.   Isso seria um desastre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal pressuposto nos leva a crer que a Hist&oacute;ria, pelo menos sob o olhar   da psican&aacute;lise, &eacute; tr&aacute;gica – n&atilde;o h&aacute; previsibilidade.   Podemos supor, intuir, mas n&atilde;o ter uma certeza un&iacute;voca, sobretudo   sobre o processo hist&oacute;rico. O mesmo vale para uma hist&oacute;ria cl&iacute;nica,   aquela que estamos inseridos junto a nossos analisantes. A certeza do futuro   melhor para todos, quase que num modelo positivista de Comte, n&atilde;o cabe   numa an&aacute;lise da Hist&oacute;ria que, se &eacute; compreendida como tr&aacute;gica   nem numa cl&iacute;nica que se prop&otilde;e que o sujeito trace seu pr&oacute;prio   caminho. Um psicanalista que coloca uma certeza sobre o futuro para o paciente   pode se tornar um l&iacute;der fundamentalista no seu pr&oacute;prio mundo/consult&oacute;rio   particular.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, parece ser quase que um imperativo categ&oacute;rico o superego   do psicanalista se opor a toda e qualquer forma de fundamentalismo, inclusive   dentro das pr&oacute;prias sociedades psicanal&iacute;ticas – ainda que n&atilde;o   estejamos imunes &agrave;s identifica&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas que   temos com colegas de of&iacute;cio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como refletimos acima, denominamos o fundamentalismo na vida p&uacute;blica   em quaisquer de suas formas como um regime sem exce&ccedil;&atilde;o – n&atilde;o   sup&otilde;e ambiguidades. Ora, em psican&aacute;lise pensamos em determinismo   ps&iacute;quico e o ps&iacute;quico &eacute; o individual e forjado tamb&eacute;m <i>a   posteriori</i> pela hist&oacute;ria do constituir-se sujeito. Por isso mesmo,   ent&atilde;o, n&atilde;o seria poss&iacute;vel uma compreens&atilde;o un&iacute;voca   dos processos hist&oacute;ricos atrav&eacute;s de um poder externo que os determinasse:   quer seja esse poder uma verdade do grupo, quer seja a verdade do analista   na sua cl&iacute;nica. Esse poder externo poderia ser o Estado, os deuses,   o mercado, uma teoria psicanal&iacute;tica, etc. Se a Hist&oacute;ria &eacute; sempre   a hist&oacute;ria dos homens, ela sempre ser&aacute; amb&iacute;gua – tirar   a ambiguidade da vida humana, como requerem os fundamentalismos, seria tirar,   talvez, a &uacute;nica coisa que nos restou: o conflito ps&iacute;quico: Eros   e Thanatos. Nossa hip&oacute;tese partilhada aqui &eacute; que n&oacute;s,   psicanalistas, devemos defender a &quot;exogamia&quot; e jamais querer substituir o pai   primevo assassinado ou apoiar qualquer indiv&iacute;duo que almeja ser um novo   pai primevo: aceitemos a morte do pai que n&oacute;s o matamos na passagem   das nossas constru&ccedil;&otilde;es subjetivas em an&aacute;lise e na forma&ccedil;&atilde;o   do pr&oacute;prio psiquismo - a passagem do Ideal do Eu at&eacute; a forma&ccedil;&atilde;o   do supereu no desfecho do complexo de &Eacute;dipo. Nenhum de n&oacute;s deseja   ser o pai da horda, nossa verdade &eacute; a realidade ps&iacute;quica, que &eacute; exog&acirc;mica   e transmitida de modo artesanal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O acordo entre os irm&atilde;os de que ningu&eacute;m pode ser o pai da horda &eacute; um   paradigma para a cl&iacute;nica, para a metapsicologia e para a responsabilidade   de nossas falas. Assumir uma postura contr&aacute;ria &agrave; exposta acima,   parece negar os processos de deslocamento e condensa&ccedil;&atilde;o, de met&aacute;fora   e meton&iacute;mia. Assim, poder&iacute;amos ousar afirmar que o tempo dos   homens n&atilde;o &eacute; teleol&oacute;gico, sequer cronol&oacute;gico. Para   a psican&aacute;lise, o tempo assume uma matriz ps&iacute;quica e tr&aacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse acordo entre os indiv&iacute;duos n&atilde;o nos pode garantir uma satisfa&ccedil;&atilde;o   pulsional equivalente &agrave; perda que obtivemos ao ter sido feito o contrato   entre os &quot;irm&atilde;os&quot;: ningu&eacute;m mais poderia ter o poder absoluto   sobre todas as mulheres da horda. Num devaneio podemos at&eacute; pensar que   o nascimento da Hist&oacute;ria, num olhar a partir psican&aacute;lise, acontece   junto ao assassinato do pai e o acordo entre os irm&atilde;os – a Hist&oacute;ria   nasce do recalque. Dessa forma, aparece na vida p&uacute;blica um certo fen&ocirc;meno   de massa como elemento compensat&oacute;rio da ren&uacute;ncia pulsional, pois &eacute; justamente   essa massifica&ccedil;&atilde;o do sujeito que lhe garante certa plausibilidade   satisfat&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Caso seja questionado se aquilo que se pode falar sobre o psiquismo do indiv&iacute;duo   est&aacute; proporcionalmente equivalente &agrave; psicologia de grupo, Freud   diz que</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O grupo nos aparece como uma revivesc&ecirc;ncia da horda primitiva. &#91;...&#93;   . Temos que concluir que a psicologia dos grupos &eacute; a mais antiga psicologia   humana; o que isolamos como psicologia individual, desprezando todos os tra&ccedil;os   do grupo, atrav&eacute;s de um processo gradual, que talvez possa, ainda, ser   descrito como incompleto. &#91;...&#93;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma reflex&atilde;o mais demorada ir&aacute; demonstrar-nos sob que aspecto   essa afirmativa exige uma corre&ccedil;&atilde;o. A psicologia individual,   pelo contr&aacute;rio, deve ser t&atilde;o antiga quanto a psicologia de grupo,   porque, desde o princ&iacute;pio, houve dois tipos de psicologia, a dos membros   individuais do grupo e a do pai, chefe ou l&iacute;der (FREUD, &#91;1921&#93; 1996, p. 134).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a Hist&oacute;ria humana nada mais seria que a busca, que sempre se   frustra, por esse pai ideal que nos defenderia do sentimento de finitude: tanto   da finitude individual, ou seja, nossa pr&oacute;pria morte como da finitude   coletiva: vive-se pequenas mortes durante as muitas ren&uacute;ncias pulsionais   que a vida em sociedade imp&otilde;e aos homens.</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O l&iacute;der do grupo ainda &eacute; o temido pai primevo; o grupo ainda   deseja ser governado pela for&ccedil;a irrestrita e possui uma paix&atilde;o   extrema pela autoridade; na express&atilde;o de Le Bon, tem sede de obedi&ecirc;ncia.   O pai primevo &eacute; o ideal do grupo, que dirige o ego no lugar do ideal   do ego. &#91;...&#93; uma convic&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o est&aacute; baseada   na percep&ccedil;&atilde;o e no racioc&iacute;nio, mas em v&iacute;nculo er&oacute;tico   (FREUD, 1921, p. 138).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso, quando durante um determinado momento hist&oacute;rico a civiliza&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o foi capaz de lidar com essa dupla finitude que gera em n&oacute;s   o sentimento de desamparo, um que adv&eacute;m da natureza e outro da vida   em comum, n&atilde;o caberia dizer que os deuses ou entidades sobrenaturais   seriam os respons&aacute;veis, mas que ter&iacute;amos o desejo que um pai,   expresso pela figura do l&iacute;der, fosse o respons&aacute;vel cuidador de   nossas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es enquanto grupo e enquanto indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O moralismo pr&oacute;prio dos fundamentalismos, quero dizer, aquilo que desloca   os costumes a um passado jamais vivido, prop&otilde;e a muitos um &uacute;nico   modelo diante do fracasso do acordo entre irm&atilde;os. Como se um dos irm&atilde;os   durante o jantar tot&ecirc;mico dissesse para outros irm&atilde;os: era muito   melhor quando o &quot;pai cuidava&quot; de todos, aquele era o modelo perfeito. Se aquele   foi o modelo perfeito, todos os outros s&atilde;o imperfeitos. Essa univocidade   de pensamento &eacute; uma das express&otilde;es que se observa nas diversas   formas de fundamentalismos – lembrando que esses tamb&eacute;m n&atilde;o denegam   quaisquer ambiguidades. Podemos at&eacute; mesmo pensar o moralismo como uma   identifica&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica com a figura do l&iacute;der,   uma vez que esse &eacute; substituto do pai e precisamos aplacar nossa culpa   pelo seu assassinato – a lei do totemismo (FREUD, &#91;1913&#93; 2006). Talvez seja   um negar o que j&aacute; foi negado: <i>eine Verneigung</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O moralismo &eacute; a for&ccedil;a ou poder do fundamentalismo, pois exerce   coer&ccedil;&atilde;o sobre os sujeitos e se apresenta ora como uma meton&iacute;mia   dos deuses primitivos, ora como met&aacute;fora do retorno do recalcado atrav&eacute;s   dos mesmos deuses em suas vers&otilde;es contempor&acirc;neas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o &quot;cabedal&quot; de ideias presentes nos muitos moralismos existentes pudesse   nos proteger um pouco e de modo prec&aacute;rio do desamparo, ainda assim,   parece que nem sempre (provavelmente nunca) um substituto do pai primevo nos   pode garantir o amparo que ansiamos. Esse tr&aacute;gico da exist&ecirc;ncia   humana nos leva a pensar que o desamparo jamais foi eliminado, mesmo as melhores   conquistas da humanidade falharam.</font></p>       <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O pai substituto pode n&atilde;o dar conta de tantos filhos, &eacute;-lhe   imposs&iacute;vel cuidar de todos como todos desejam – sobretudo quando esses   brigam numa tentativa de conv&iacute;vio. No conflito pulsional, imanente a   cada sujeito, encontra-se nosso mais &iacute;ntimo desamparo. Na cl&iacute;nica,   pensamos que aprender a viver com esse desamparo pode ser um dos maiores ganhos   de uma an&aacute;lise, pois jamais abandonamos o Ideal do Eu. Mas fazer dele   o pr&oacute;prio objeto faz-nos um tanto psic&oacute;ticos por foracluir da   vida as realidades que amea&ccedil;am a suposta integridade ou completude do   sujeito. Mas essas realidades fazem parte da nossa condi&ccedil;&atilde;o humana,   demasiadamente humana. Sempre se segue uma sensa&ccedil;&atilde;o de triunfo   quando algo no Eu coincide com o Ideal do Eu.</font></p>   </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARENDT, H. <i>A condi&ccedil;&atilde;o humana.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o:   Roberto Raposo. 11. ed. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universit&aacute;ria, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873934&pid=S0100-3437202100020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARENDT, H. <i>As origens do totalitarismo</i>: totalitarismo, o paradoxismo   do poder. Rio de Janeiro, RJ: Document&aacute;rio, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873936&pid=S0100-3437202100020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARENDT, H. <i>Entre o passado e o futuro</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva,   1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873938&pid=S0100-3437202100020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AUSTIN, J. L. <i>Quando dizer &eacute; fazer</i>: palavras e a&ccedil;&atilde;o.   Tradu&ccedil;&atilde;o: Danilo Marcondes de Souza Filho. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873940&pid=S0100-3437202100020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIRMAN, J. <i>Arquivos do mal-estar e da resist&ecirc;ncia</i>.     2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873942&pid=S0100-3437202100020001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COMTE, A. <i>Cours de philosophie positive</i>: premi&egrave;re le&ccedil;on   (1825). Paris: Gallimard, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873944&pid=S0100-3437202100020001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DERRIDA, J. <i>La voix et le ph&eacute;nom&egrave;ne</i>: introduction au   probleme du signe dans la phenomenologie du Husserl. Paris: Presses Universitaires de France, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873946&pid=S0100-3437202100020001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Confer&ecirc;ncia XVII: O sentido dos sintomas. <i>In:</i> ______. <i>Confer&ecirc;ncias     introdut&oacute;rias sobre psican&aacute;lise</i> (Parte III. Teoria geral     das neuroses. 1917 &#91;1916-1917&#93;). Dire&ccedil;&atilde;o geral da tradu&ccedil;&atilde;o:     Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996. p. 265-279. (Edi&ccedil;&atilde;o     standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 16).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873948&pid=S0100-3437202100020001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. <i>Neuroses de transfer&ecirc;ncia</i>: uma s&iacute;ntese. Tradu&ccedil;&atilde;o:     Abram Eksterman. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873950&pid=S0100-3437202100020001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. O inconsciente (1915). <i>In:</i>______. <i>A hist&oacute;ria     do movimento psicanal&iacute;tico, Artigos sobre a metapsicologia e outros     trabalhos</i> (1914-1016). Dire&ccedil;&atilde;o-geral da tradu&ccedil;&atilde;o     de Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2006. p. 163-222. (Edi&ccedil;&atilde;o     standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873952&pid=S0100-3437202100020001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o     (1930). <i>In:</i> ______. <i>O futuro de uma ilus&atilde;o, o mal-estar     na civiliza&ccedil;&atilde;o e outros trabalhos</i> (1927-1931). Dire&ccedil;&atilde;o     geral da tradu&ccedil;&atilde;o: Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ:     Imago, 1996. p. 73-148. (Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das     obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 21).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873954&pid=S0100-3437202100020001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego (1921). <i>In:</i> ______. <i>Al&eacute;m     do princ&iacute;pio de prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos</i> (1920-1922). Dire&ccedil;&atilde;o     geral da tradu&ccedil;&atilde;o: Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ:     Imago, 1996. p. 81-154.(Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras     psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 18).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873956&pid=S0100-3437202100020001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Totem     e tabu (1913). <i>In:</i> ______. <i>Totem e tabu e outros     trabalhos </i>(1913-1914). Dire&ccedil;&atilde;o geral da tradu&ccedil;&atilde;o:     Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2006. p. 21-162. (Edi&ccedil;&atilde;o     standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud,     13).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873958&pid=S0100-3437202100020001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GAY, P. <i>Freud</i>:     uma vida para nosso tempo. Tradu&ccedil;&atilde;o:   Denise Bottmann. 2. ed. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873960&pid=S0100-3437202100020001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HEGEL, G. W. F. <i>Philosophie der Geschichte</i> (1807). Stuttgart: Reclam,   1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873962&pid=S0100-3437202100020001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KUHN, T. <i>Die Struktur wissenschaftlicher Revolutionen</i> (1962). Frankfurt   am Main: Suhrkamp, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=873964&pid=S0100-3437202100020001500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 10/12/2021    <br> Aprovado em: 22/12/2021</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SOBRE O AUTOR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Michell Alves Ferreira de Mello</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Psicanalista.    <br> Membro efetivo do C&iacute;rculo Brasileiro de Psican&aacute;lise – Se&ccedil;&atilde;o   Rio de Janeiro (CBP-RJ).    <br> Mestre em filosofia pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).    <br> Doutor em filosofia pela Basel Universit&auml;t.    <br> Professor efetivo da Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio &agrave; Escola T&eacute;cnica (FAETEC-RJ).    <br> Professor do Centro de Estudos Ant&ocirc;nio Franco Ribeiro da Silva (CEAFRS) do CBP-RJ.    <br> Membro do Grupo de Trabalho Sobre Neo e Transexualidades (GTNTrans) do CBP-RJ.    <br> Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas S&aacute;ndor Ferenczi (GBPSF).    <br> Coautor de <i>Transexualidades: reflex&otilde;es psicanal&iacute;ticas entre     g&ecirc;nero e &Eacute;dipo</i> (2018) e <i>Duas &eacute;ticas em quest&atilde;o:     cuidado de si e pr&aacute;ticas de liberdade em Ferenczi e Foucault</i> (2020).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>E-mail:</b> <a href="mailto:mafmello@gmail.com">mafmello@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup> Trabalho apresentado no XXIV Congresso   de Psican&aacute;lise do C&iacute;rculo Brasileiro de Psican&aacute;lise - <i>Para   al&eacute;m da pandemia: ecos na psican&aacute;lise</i>, realizado pelo C&iacute;rculo   Brasileiro de Psican&aacute;lise - Se&ccedil;&atilde;o Rio de Janeiro, de 4   a 6 nov. 2021, por meio da plataforma Zoom.</font></p>      ]]></body>
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