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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nomadismo contempor&acirc;neo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Contemporary nomadism</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cynthia De Paoli</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Psicanalista, Mestre em Teoria Psicanal&iacute;tica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Membro Psicanalista da Sociedade de Psican&aacute;lise Iracy Doyle (SPID)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHA DE:</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aug&eacute;, M. (2009). <i>Pour une anthopologie de la mobilit&eacute;</i>. Paris: Editions Payot &amp; Rivages. 96 p&aacute;ginas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje e sempre, os psicanalistas se deparam com desafios em seu fazer, novas formas subjetivas que provocam uma postura interrogativa frente a um impasse cl&iacute;nico. Observamos os sintomas que se apresentam em nossa pr&aacute;tica: s&atilde;o eles novos ou antigos? A transfer&ecirc;ncia acontece da mesma forma ou cont&eacute;m altera&ccedil;&otilde;es? Como, atrav&eacute;s da interpreta&ccedil;&atilde;o, produzir um desejo de saber, fazendo com que o analisando abra m&atilde;o do imperativo de gozo? Os fundamentos da psican&aacute;lise s&atilde;o constantemente revisitados e repensados quanto &agrave; sua atualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O olhar agu&ccedil;ado de Marc Aug&eacute;, antrop&oacute;logo, traz grandes contribui&ccedil;&otilde;es ao estudo e compreens&atilde;o da subjetividade do homem contempor&acirc;neo. Este livro, publicado em 2009, &eacute;, na verdade, um desdobramento de um tema desenvolvido anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Non-lieux - introduction</i> &agrave; <i>une anthropologie de la surmodernit&eacute;</i> (Aug&eacute;, 1992), ele investigara as rela&ccedil;&otilde;es do homem com sua cidade considerando arquitetura e engenharia como manifesta&ccedil;&otilde;es de uma cultura, ind&iacute;cios da vida subjetiva de um grupo social. Em 1992, Aug&eacute; ressalta algo de novo na paisagem: a presen&ccedil;a cada vez mais frequente de espa&ccedil;os f&iacute;sicos de uso p&uacute;blico - aeroportos, hot&eacute;is, est&aacute;dios, etc - que s&atilde;o destitu&iacute;dos de qualquer atributo ou caracter&iacute;stica especifica que permita associ&aacute;-los a algum lugar geogr&aacute;fico. Estes espa&ccedil;os s&atilde;o padronizados quanto &agrave; apar&ecirc;ncia e funcionamento em todo o mundo, quer estejam situados no extremo Oriente ou nos Estados Unidos. Melhor dizendo, n&atilde;o portam qualquer identidade com os lugares em que se encontram, n&atilde;o pertencendo a lugar algum e a todos os lugares ao mesmo tempo. S&atilde;o espa&ccedil;os a-simb&oacute;licos, "n&atilde;o-lugares".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aug&eacute; observa que os mesmos arquitetos, assim como Calatrava ou Frank Geary, s&atilde;o contratados e t&ecirc;m sua concep&ccedil;&atilde;o arquitet&ocirc;nica difundida em diferentes pa&iacute;ses de culturas distintas, buscando exprimir um conceito &uacute;nico sobre arte, indicando o que &eacute; bom gosto, vanguarda, dire&ccedil;&atilde;o a seguir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m as empresas de servi&ccedil;os, bancos, produtos e <i>grifes</i> seriam os mesmos em diferentes lugares e, onipresentes, sinalizariam ao transeunte, de forma inequ&iacute;voca, quais deveriam ser os objetos de desejo, o que consumir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os espa&ccedil;os a-simb&oacute;licos tamb&eacute;m existiriam no ambiente dom&eacute;stico e teriam sido gerados pelo desenvolvimento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O uso da internet em navega&ccedil;&atilde;o <i>nonstop</i>, assim como da televis&atilde;o, introduz uma codifica&ccedil;&atilde;o de valores exterior e alheia &agrave;quelas do seio familiar, produzindo efeitos sobre o sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Pour une anthropologie de la mobilit&eacute;</i>, Aug&eacute; (2009) investiga os la&ccedil;os dos cidad&atilde;os com sua cidade, a constitui&ccedil;&atilde;o das identidades culturais. Ele conclui que o sentimento de pertencimento ao espa&ccedil;o geogr&aacute;fico de origem, ou seja, a cidadania, se diluiu enquanto valor, parecendo n&atilde;o ter mais tanta import&acirc;ncia para o homem ocidental. Ele aponta para o fato de que existe um deslocamento acentuado de pessoas pelo mundo, de forma geral, e uma frequ&ecirc;ncia nos movimentos migrat&oacute;rios maior que antigamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estes deslocamentos podem ser determinados tanto por um novo emprego quanto simplesmente pela busca de um estilo de vida diferente. Entretanto, o que parece estar subjacente &eacute; a busca do movimento em si, quer seja no encal&ccedil;o de oportunidades, quer seja motivado por lazer, aventura, emo&ccedil;&atilde;o, etc. Ele afirma que a circula&ccedil;&atilde;o crescente de pessoas pelo mundo parece mostrar que este se apequenou. Outro fator que teria contribu&iacute;do para tal comportamento teria sido o desenvolvimento da rede rodovi&aacute;ria ultramoderna que, interligando cidades e pa&iacute;ses, reduzindo dist&acirc;ncias, proporciona uma experi&ecirc;ncia que altera a percep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os grandes centros urbanos tamb&eacute;m se desenvolveram e ampliaram, se expandindo a ponto de configurar uma megacidade. A extens&atilde;o dos dom&iacute;nios urbanos para as margens dos rios, estradas e vias de circula&ccedil;&atilde;o foi chamada de <i>urbaniza&ccedil;&atilde;o do mundo</i> por Aug&eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A megacidade aqui descrita parece apontar para uma dilui&ccedil;&atilde;o do sentido tradicional de "fronteira", fazendo pressupor a exist&ecirc;ncia de menor diversidade cultural e, consequentemente, mais harmonia entre os habitantes destas cidades. Paradoxalmente ao que se esperaria obter, isso n&atilde;o se deu. Ao imaginarmos que a amplia&ccedil;&atilde;o das cidades levaria a uma maior integra&ccedil;&atilde;o dos moradores da periferia, nos enganamos: o que aconteceu foi uma nova forma de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e o surgimento de bols&otilde;es de pobreza dispersos pela cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estes seriam o resultado do deslocamento das empresas em busca de mercado: ao serem fundadas, estas companhias trariam novos moradores e desenvolvimento; contudo, ao partirem, deixariam espa&ccedil;os vazios pela cidade que viriam a se degradar com o tempo, tornando-se espa&ccedil;os de ningu&eacute;m. Concluindo, a pr&oacute;pria din&acirc;mica da sociedade determinaria uma instabilidade das comunidades no seio da cidade. N&atilde;o houve ent&atilde;o elimina&ccedil;&atilde;o ou transposi&ccedil;&atilde;o das barreiras culturais, pois a presen&ccedil;a das &aacute;reas de exclus&atilde;o s&atilde;o marcas da intoler&acirc;ncia e do conflito social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a vitalidade de uma cidade &eacute; avaliada pelo fluxo de moradores que por ela circula, se estabelecendo ali ou a deixando, o estabelecimento dos la&ccedil;os dos moradores com sua cidade parece ser um valor secund&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta dilui&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da identidade cultural &eacute; acompanhada de um deslocamento migrat&oacute;rio que Aug&eacute; chamar&aacute; de "novo nomadismo". Ele sustenta que os antigos n&ocirc;mades tinham a no&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio, exibindo um movimento de ir e vir, enquanto os n&ocirc;mades contempor&acirc;neos mostrariam uma aus&ecirc;ncia de ra&iacute;zes frente &agrave; sua cidade de origem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aug&eacute; cria um novo termo - mundializa&ccedil;&atilde;o - como nomea&ccedil;&atilde;o da forma atual de o homem se defrontar com a rela&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-tempo. Este conceito ultrapassa a compreens&atilde;o do mundo globalizado, incluindo uma perspectiva planet&aacute;ria referida &agrave; ecologia e &agrave; sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a globaliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; referida &agrave;s quest&otilde;es advindas do mercado liberal, preocupando-se com as desigualdades sociais e com o desemprego, a mundializa&ccedil;&atilde;o amplia este espa&ccedil;o, vindo a ocupar-se da potencialidade do homem em destruir as condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia no planeta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pergunto-me se &eacute; poss&iacute;vel falar em <i>polis</i>, no sentido grego, ainda hoje. As megacidades de que nos fala Aug&eacute; se distanciam do sentido original concebido pelos gregos que valorizava o sentimento de pertencimento a um grupo e a uma regi&atilde;o geogr&aacute;fica definida. As estruturas f&iacute;sicas das <i>polis</i> gregas tinham ao centro uma &aacute;gora, espa&ccedil;o que funcionava n&atilde;o s&oacute; para que os dirigentes se dirigissem aos cidad&atilde;os, mas tamb&eacute;m como uma ouvidoria, que teria como incumb&ecirc;ncia ouvir queixas, resolver pendengas e outras quest&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento da tecnologia imprimiu velocidade &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o gerando consequ&ecirc;ncias. O homem do s&eacute;culo XXI substituiu os di&aacute;logos face a face pelas conex&otilde;es em rede. Dirigir a palavra ao outro foi substitu&iacute;do pelo envio da mensagem no <i>iphone</i>, trazendo ao sujeito a falsa impress&atilde;o de relacionamento e proximidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O homem contempor&acirc;neo cada vez mais se isola em sua "bolha", tomando a imagem da tela do computador como a experi&ecirc;ncia em si. O acesso imediato &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e o translado ao mundo virtual fazem com o sujeito se confunda frente &agrave; realidade em si, criando certa passividade e in&eacute;rcia frente &agrave; vivencia pr&oacute;pria, ao "estar no mundo". O desdobramento desta confus&atilde;o est&aacute; na ado&ccedil;&atilde;o de verdades parciais editadas pelo canal de TV, pela pol&iacute;tica do <i>site</i>, pelo editor da mat&eacute;ria, etc, implicando no engano de tomar como pessoal uma forma de pensar e agir pr&eacute;-fabricada. Melhor dizendo, o sujeito deixa de ser sujeito de seu desejo para colocar-se alienado no significante do outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a m&iacute;dia diz ao homem o que ele deve desejar ou possuir, apresentando objetos de desejo que se pretendem universais, tamb&eacute;m a ind&uacute;stria do turismo opera neste sentido, transformando o conhecimento e a experi&ecirc;ncia intercultural em mais um produto do mundo capitalista. As pessoas passam a consumir "turismo" muitas vezes como um direito e como um dever frente ao imperativo de gozo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O turismo de massa e sua intensifica&ccedil;&atilde;o configuram para Aug&eacute; uma dessacraliza&ccedil;&atilde;o do mundo: valores hist&oacute;ricos e simb&oacute;licos de determinado grupo s&atilde;o minimizados e/ou eliminados. Seria uma experi&ecirc;ncia geogr&aacute;fica despojada de seu valor particular na qual n&atilde;o se experimentaria o estrangeiro enquanto indicador da diferen&ccedil;a cultural pelas mais diversas raz&otilde;es: quer seja pelo imediatismo e rapidez da experi&ecirc;ncia em si, quer seja pela incapacidade de introspec&ccedil;&atilde;o do visitante, seu desinteresse nos aspectos hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos e filos&oacute;ficos do que contempla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez possamos culpar a busca pelo lucro econ&ocirc;mico e a demanda crescente de passageiros como justificativa para isso. As ag&ecirc;ncias de turismo buscam adequar-se construindo itiner&aacute;rios padr&atilde;o e uma programa&ccedil;&atilde;o minimalista das visitas, limitando o tempo de contempla&ccedil;&atilde;o e, por conseguinte, qualquer produ&ccedil;&atilde;o subjetiva frente aos &iacute;cones culturais. Melhor dizendo, em favor do capital os s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos, monumentos hist&oacute;ricos, templos sagrados perderiam seu valor simb&oacute;lico para se tornarem objetos de consumo, o "must see" dos guias de turismo, assim como os "must have" ditado pelas revistas de moda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qualquer introspec&ccedil;&atilde;o frente a uma obra &eacute; desencorajada pela exiguidade do tempo de observa&ccedil;&atilde;o permitido pelo guia de turismo. At&eacute; o mais motivado visitante &eacute; atravessado por uma voz de ordem que interfere em sua capacidade imaginativa que buscaria recompor um tempo que o antecedeu. Assim, as interroga&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas cedem lugar &agrave;s <i>gift shops</i> e aos <i>souvenirs.</i> Haveria para o homem de hoje uma diferen&ccedil;a na experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel vivida com o original e vivida com a r&eacute;plica?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os livros destinados a orientar o turista tamb&eacute;m determinam qual experi&ecirc;ncia "vale a viagem", imprimindo ao visitante um ju&iacute;zo uniformizado, antecipando o que &eacute; relevante a ser observado, assim como os espa&ccedil;os que nada lhe acrescentariam (?) e que deveriam se constituir apenas "pontos de passagem" nas rotas de deslocamento! As informa&ccedil;&otilde;es superficialmente apresentadas transformam &iacute;cones culturais em mais uma vitrine de consumo. O singular da viv&ecirc;ncia multicultural n&atilde;o se ad&eacute;qua ao imediatismo do capital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Rodolphe Christin (2010), o mundo que percebemos sofre uma produ&ccedil;&atilde;o que busca se impor sobre nossa percep&ccedil;&atilde;o de mundo. Esta produ&ccedil;&atilde;o do mundo incidiria sobre o imagin&aacute;rio, dando forma aos espa&ccedil;os, encontros, descobertas, etc tornando-os rent&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Christin (2010) afirma que, no mundo pr&eacute;-fabricado, o viajante que busca turismo de aventura deveria se frustrar. Ao contr&aacute;rio da aventura, o que se tem &eacute; a experi&ecirc;ncia planejada, a intensidade emocional controlada, evitando que o turista se acidente ou corra algum risco. Logo, a experi&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; livre e espont&acirc;nea, ela &eacute; manipulada, restrita, canalizada. Ora, nada mais oposto &agrave; aventura do que a aventura organizada! Se o viajante foi seduzido pelo desejo de aventura, o que recebe &eacute; a ilus&atilde;o de aventura. O problema se torna maior ao percebermos que o sujeito &eacute; indiferente ao que recebe: uma experi&ecirc;ncia controlada que substituiu a viv&ecirc;ncia real. &Eacute; a domestica&ccedil;&atilde;o do mundo, segundo Christin, em prol do lucro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nova forma de nomadismo que nos relata Aug&eacute; &eacute; tamb&eacute;m fruto de uma pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o pelo capital em que os sujeitos s&atilde;o objetos de gozo servindo aos interesses econ&ocirc;micos. A busca pela homogeneiza&ccedil;&atilde;o e pela exclus&atilde;o do diferente visa eliminar os tra&ccedil;os particulares de cada povo, sua hist&oacute;ria e tradi&ccedil;&atilde;o, tornando os homens mais pass&iacute;veis de manipula&ccedil;&atilde;o. Tudo se justifica em prol da conscientiza&ccedil;&atilde;o pela responsabilidade que lhe cabe na preserva&ccedil;&atilde;o do planeta, pelo avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia, pela democracia no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, o que implica que a comunica&ccedil;&atilde;o envolva uma compreens&atilde;o globalizada (!).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O distanciamento ou indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria de seu pa&iacute;s ou de sua fam&iacute;lia reflete uma ex-territorialidade do homem contempor&acirc;neo, apontando que tradi&ccedil;&atilde;o e nome de fam&iacute;lia s&atilde;o valores em desuso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aliena&ccedil;&atilde;o de si mesmo frente aos conceitos globalizados nos impede de emitir um ju&iacute;zo cr&iacute;tico, calando quest&otilde;es que sempre intrigaram o homem e produziram respostas particulares, interroga&ccedil;&otilde;es dirigidas ao inconsciente, ao que nos rege, nossa vers&atilde;o paterna.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A antropologia traz luz a aspectos que talvez nos tenham passado despercebidos, contribuindo para a compreens&atilde;o dos impasses com que nos deparamos na cl&iacute;nica: a intensifica&ccedil;&atilde;o da busca pelo gozo, a diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade de articula&ccedil;&atilde;o no discurso do analisando, a melancolia, a compuls&atilde;o desenfreada que surge na adi&ccedil;&atilde;o nas mais diversas formas: &aacute;lcool, drogas, trabalho, sexo, etc. Todos estes sintomas apontam para um empobrecimento da atividade simb&oacute;lica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O inconsciente que se faz presente na psicopatologia cotidiana, no vazio do sentido, no equ&iacute;voco significante, enfim, em toda a diversidade que nos interroga fazendo surgir o sujeito em seu <i>devir</i>, &eacute; indesejado e desestimulado, n&atilde;o havendo espa&ccedil;o para d&uacute;vidas no mundo globalizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao inv&eacute;s da sociedade do espet&aacute;culo, assim denominada por Guy Debord (1997), que apontava a imposi&ccedil;&atilde;o da imagem e a preval&ecirc;ncia do narcisismo nos tempos modernos, Aug&eacute; aponta um homem que vive sob a &eacute;gide do movimento, deslocamento no espa&ccedil;o desarticulado de seu tempo. Para Aug&eacute; (2009: 87; tradu&ccedil;&atilde;o nossa): "Pensar a mobilidade no espa&ccedil;o, mas ser incapaz de conceb&ecirc;-la na sua rela&ccedil;&atilde;o com o tempo, esta &eacute; finalmente a caracter&iacute;stica do pensamento contempor&acirc;neo presa de uma acelera&ccedil;&atilde;o que o sidera e o paralisa".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O espa&ccedil;o a-simb&oacute;lico de que fala Aug&eacute; &eacute; um constructo antropol&oacute;gico e espacial que nos serve principalmente na cl&iacute;nica da compuls&atilde;o, na qual o movimento, em acelera&ccedil;&atilde;o, coloca o sujeito "fora" do que &eacute; ou do que pensa, descarregando suas intensidades sem prop&oacute;sito algum, em fren&eacute;tica repeti&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Christin, R. (2010). Manager le monde. In: <i>Divertir pour dominer - La culture de masse contre les peuples</i> (pp. 200-205). Montreuil: &Eacute;ditions L'&Eacute;chapp&eacute;e.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448557&pid=S0101-4838201200010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Debord, G. (1997). <i>A sociedade do espet&aacute;culo</i>. Rio de Janeiro: Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448559&pid=S0101-4838201200010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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