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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sintoma da criança, atualização do processo constitutivo parental?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Psychoanalysis with children, since the beginning, discusses the parent's importance in their child's treatment. The influence they exercise in the child's psychic constitution is evident and for a long time it has been questioned, between psychoanalysis' different pers pectives, about the need to study what the parents have to say regarding the symptomatolo gy the child presents. In this article we make a theoretical discussion about what the child's symptom activates and updates in the parents' constitutive process. In this sense, the article addresses the possibility that some of the child's symptoms become a structuring aspect of the parents' psyche. It intends, with this, to situate the parents' suffering in the face of the demand for care of the child, and in the face of the child's symptomatology.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sintoma da crian&ccedil;a, atualiza&ccedil;&atilde;o do processo constitutivo parental?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Child's symptom, an update on parental constitution?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Andrea Gabriela Ferrari</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Psic&oacute;loga; Psicanalista; Professora do Departamento de Psican&aacute;lise e Psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise com crian&ccedil;as discute, desde os seus prim&oacute;rdios, o estatuto dos pais no atendimento cl&iacute;nico do filho. A influ&ecirc;ncia que exercem na constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica do filho &eacute; evidente e por muito tempo questionou-se, dentro das diferentes perspectivas da psican&aacute;lise, a necessidade de se escutar o que os pais t&ecirc;m a dizer a respeito da sintomatologia apresentada pelo filho. Neste artigo fazemos uma discuss&atilde;o te&oacute;rica a respeito do que o sintoma do filho aciona e atualiza do processo constitutivo parental. Neste aspecto aborda a possibilidade de que alguns sintomas da crian&ccedil;a funcionem como estruturante ps&iacute;quico dos pais. Pretende-se, com isso, situar o sofrimento dos pais frente &agrave; demanda de atendimento do filho e frente &agrave; sintomatologia apresentada por ele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> psican&aacute;lise com crian&ccedil;as; sintoma; demanda de tratamento; entrevistas preliminares.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Psychoanalysis with children, since the beginning, discusses the parent's importance in their child's treatment. The influence they exercise in the child's psychic constitution is evident and for a long time it has been questioned, between psychoanalysis' different pers pectives, about the need to study what the parents have to say regarding the symptomatolo gy the child presents. In this article we make a theoretical discussion about what the child's symptom activates and updates in the parents' constitutive process. In this sense, the article addresses the possibility that some of the child's symptoms become a structuring aspect of the parents' psyche. It intends, with this, to situate the parents' suffering in the face of the demand for care of the child, and in the face of the child's symptomatology.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> children psychoanalysis; symptom; demand for care; preliminary interviews. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ESPECIFICIDADE DA PSICAN&Aacute;LISE COM CRIAN&Ccedil;AS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise com crian&ccedil;as discute, desde seus prim&oacute;rdios, o lugar e a import&acirc;ncia que os pais ocupam no tratamento do filho j&aacute; que, em geral, s&atilde;o eles que demandam atendimento. Desde o in&iacute;cio da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as se destaca a preocupa&ccedil;&atilde;o a respeito do lugar dos pais nesses atendimentos. Freud (1909/1990), no caso Hans, afirma que a an&aacute;lise do menino somente foi poss&iacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o entre a pessoa do m&eacute;dico e a do pai. Por&eacute;m na "Confer&ecirc;ncia de 1933", comentando os trabalhos iniciais de Anna Freud, refere que uma das especificidades da an&aacute;lise da crian&ccedil;a diz respeito &agrave; transfer&ecirc;ncia. Visto que os pais da realidade est&atilde;o presentes no cotidiano da crian&ccedil;a e visto que a crian&ccedil;a n&atilde;o dissolveu seu complexo de &Eacute;dipo, a transfer&ecirc;ncia na cl&iacute;nica com crian&ccedil;as cumpre outra fun&ccedil;&atilde;o.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A transfer&ecirc;ncia desempenha outro papel j&aacute; que os progenitores reais seguem presentes. As resist&ecirc;ncias internas que combatemos no adulto est&atilde;o substitu&iacute;das na crian&ccedil;a, na maioria das vezes, por dificuldades externas. Quando os pais se colocam como portadores da resist&ecirc;ncia, frequentemente o objetivo da an&aacute;lise se encontra em perigo e por isso &eacute; necess&aacute;rio integrar &agrave; an&aacute;lise da crian&ccedil;a alguma influ&ecirc;ncia anal&iacute;tica sobre seus progenitores (Freud, 1932/1990: 137). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o entre transfer&ecirc;ncia e resist&ecirc;ncia &eacute; recolocada, pois, no caso da escuta &agrave; crian&ccedil;a; a resist&ecirc;ncia est&aacute; relacionada aos pais, sendo reconhecida na &eacute;poca como algo externo ao trabalho anal&iacute;tico propriamente dito. No intuito de dar conta dessa resist&ecirc;ncia, uma das adapta&ccedil;&otilde;es annafreudianas sobre a t&eacute;cnica se refere &agrave; necessidade de reservar algum espa&ccedil;o pr&oacute;ximo para trabalhar com os pais da crian&ccedil;a. Al&eacute;m disso, j&aacute; que n&atilde;o era a crian&ccedil;a que demandava atendimento, Anna Freud (1971) propunha um atendimento pr&eacute;vio a partir do qual seriam trabalhadas a demanda de atendimento e a consci&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, visto que a crian&ccedil;a, para a autora, n&atilde;o a tem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Anna Freud (1971) acreditava que as crian&ccedil;as tinham dificuldades em estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o transferencial com o analista visto que os pais da realidade tinham, ainda, uma influ&ecirc;ncia muito forte, ou seja, o pequeno paciente n&atilde;o poderia reeditar seus v&iacute;nculos amorosos porque a primeira edi&ccedil;&atilde;o desses v&iacute;nculos n&atilde;o estaria esgotada. Esta influ&ecirc;ncia dos pais relacionava-se, ent&atilde;o, a quest&otilde;es ambientais (depend&ecirc;ncia efetiva dos pais) e a quest&otilde;es intraps&iacute;quicas (a n&atilde;o internaliza&ccedil;&atilde;o completa das figuras parentais). Nesse sentido, a dificuldade em empreender uma an&aacute;lise com uma crian&ccedil;a se refere ao fato de que as for&ccedil;as de enfrentamento de uma neurose s&atilde;o, para a crian&ccedil;a, internas e externas pela fraqueza superegoica caracter&iacute;stica da inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zornig (2000) aponta que na corrente annafreudiana da psican&aacute;lise com crian&ccedil;as h&aacute; um privilegio de uma vertente pedag&oacute;gica atrav&eacute;s de orienta&ccedil;&otilde;es aos pais. Outra maneira encontrada para driblar esta incapacidade da crian&ccedil;a &eacute; propor um trabalho pr&eacute;vio &agrave; entrada em an&aacute;lise, no qual se abordaria a consci&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, o desejo de cura e a confian&ccedil;a no analista, propiciando a cria&ccedil;&atilde;o de uma transfer&ecirc;ncia positiva (&uacute;nica desej&aacute;vel para o trabalho com a crian&ccedil;a). Anna Freud (1971) diz que o objetivo do tratamento tinha uma dupla vertente: uma psicanal&iacute;tica propriamente dita, pela libera&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica, e a outra pedag&oacute;gica, que visava ensinar a crian&ccedil;a a lidar com sua vida instintiva. Nesse aspecto, Anna Freud, segundo Zornig (2000), privilegiava o trabalho com os pais da realidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melanie Klein (1964) apostava na capacidade transferencial da crian&ccedil;a e prescindia da presen&ccedil;a dos pais na an&aacute;lise com o pequeno paciente. Tendo feito modifica&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-cl&iacute;nicas, considera que a crian&ccedil;a passa por um &Eacute;dipo precoce, o que possibilita o trabalho com os pais introjetados, da fantasia. Acreditava nos benef&iacute;cios, para a crian&ccedil;a, de empreender uma an&aacute;lise na tenra idade. Zornig (2000), analisando a obra kleiniana, afirma que na an&aacute;lise com a crian&ccedil;a se trabalhava com os pais da fantasia e, nesse sentido, n&atilde;o havia questionamentos em rela&ccedil;&atilde;o ao estabelecimento da rela&ccedil;&atilde;o transferencial com o analista. Como o aparelho ps&iacute;quico est&aacute;, desde a origem da crian&ccedil;a, constitu&iacute;do pelos mecanismos introjetivos e projetivos, trata-se de trabalhar analiticamente com as imagos parentais internalizadas e as fantasias da crian&ccedil;a. Nesta concep&ccedil;&atilde;o, segundo a autora, n&atilde;o h&aacute; motivo para o trabalho com os pais da realidade. Para Klein (1964), a an&aacute;lise de uma crian&ccedil;a deveria prescindir de toda vincula&ccedil;&atilde;o com os pais, com sua hist&oacute;ria ou com qualquer obst&aacute;culo concreto que fosse alheio &agrave; situa&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poulain-Colombier (1998) lembra que em 1932 houve uma discord&acirc;ncia entre Burlingham e Melanie Klein sobre a influ&ecirc;ncia das fantasias parentais no tratamento dos filhos que abriria uma terceira possibilidade. Burlingham (1935: 71) passou a enfatizar a necessidade de an&aacute;lise simult&acirc;nea, com diferentes analistas, para a crian&ccedil;a e a m&atilde;e, pela dificuldade, para a m&atilde;e, de suportar a an&aacute;lise de seu filho, uma vez que "a inter-rela&ccedil;&atilde;o entre pais e crian&ccedil;a est&aacute; marcada por poderosas for&ccedil;as inconscientes". Este trabalho foi iniciado porque se percebeu que, em muitos casos, o tratamento da crian&ccedil;a n&atilde;o progride pela psicopatologia do(s) progenitor(es), que interfere no andamento da an&aacute;lise da crian&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Anna Freud (1971), caso o sintoma e/ou o conflito apresentado pela crian&ccedil;a esteja ancorado n&atilde;o somente na sua personalidade, mas tamb&eacute;m sustentado pelas for&ccedil;as emocionais dos pais, a a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica anal&iacute;tica pode se tornar lenta ou mesmo imposs&iacute;vel. Para a autora, nesses casos em que a interfer&ecirc;ncia da psicopatologia parental na an&aacute;lise da crian&ccedil;a &eacute; excessiva, a an&aacute;lise simult&acirc;nea dos pais e da crian&ccedil;a possibilita que as interpreta&ccedil;&otilde;es oferecidas &agrave; crian&ccedil;a tornem-se mais eficazes, j&aacute; que as posi&ccedil;&otilde;es libidinais regressivas s&atilde;o deixadas de lado na mesma propor&ccedil;&atilde;o do abandono da posi&ccedil;&atilde;o psicopatol&oacute;gica parental. Entretanto, nos casos nos quais as fantasias maternas conduzem a determinada a&ccedil;&atilde;o e a crian&ccedil;a &eacute; utilizada na satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades amorosas ou hostis da m&atilde;e, a an&aacute;lise dificilmente consegue libertar a crian&ccedil;a do efeito dessa interfer&ecirc;ncia materna (Burlingham, 1935).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O surgimento do movimento lacaniano com sua concep&ccedil;&atilde;o de "sujeito" fez surgir uma nova polaridade no campo da psican&aacute;lise com crian&ccedil;as. Desta vez, segundo Rosemberg (2002), esta polaridade coloca-se entre a teoria da constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva, sustentada por Lacan, e a teoria do sujeito constitu&iacute;do, sustentada por Klein. A partir dos questionamentos lacanianos a respeito da forma&ccedil;&atilde;o do sujeito, o lugar dos pais na cl&iacute;nica passa a ser privilegiado n&atilde;o como orienta&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, mas como possibilidade de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bleichmar (1988), fazendo uma retrospectiva a respeito da psican&aacute;lise com crian&ccedil;a, colocou que nos anos setenta, pelo mau entendimento da concep&ccedil;&atilde;o lacaniana sobre a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, a crian&ccedil;a, na cena anal&iacute;tica, ficava reduzida &agrave; figura de deposit&aacute;rio das neuroses parentais. A poss&iacute;vel sintomatologia neur&oacute;tica ou psic&oacute;tica da crian&ccedil;a n&atilde;o lhe pertencia, era da rede relacional preexistente ao seu surgimento. Este entendimento teve como consequ&ecirc;ncia o oferecimento de longas entrevistas preliminares com os pais, objetivando, muitas vezes, uma psicoterapia de casal em detrimento do atendimento da crian&ccedil;a. Nesse sentido, para a autora, a estrutura ps&iacute;quica da crian&ccedil;a reduziu-se a um interacionismo muito pr&oacute;ximo das propostas terap&ecirc;uticas sist&ecirc;micas. Este movimento fez com que se perdesse a especificidade cl&iacute;nica da psican&aacute;lise de crian&ccedil;as conquistada pelos kleinianos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta dire&ccedil;&atilde;o, Bleichmar (1988) lembra do escrito de Mannoni (1976: 7) no qual a autora inaugura a obra com a frase "a psican&aacute;lise de crian&ccedil;as &eacute; psican&aacute;lise" em uma tentativa de fazer retornar &agrave; psican&aacute;lise o trabalho com a crian&ccedil;a. Zornig (2000) observa que uma leitura precipitada de Mannoni poderia nos levar a pensar que h&aacute; uma valoriza&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica familiar em detrimento da quest&atilde;o individual da crian&ccedil;a. Cabe lembrar que Mannoni (1976) se refere &agrave; necessidade de compreender a hist&oacute;ria da linhagem parental no sentido de se estabelecer o lugar que essa crian&ccedil;a em especial ocupa nessa cadeia geracional: "Quando escutamos o discurso parental, o fazemos porque isto explica aquilo que, na crian&ccedil;a, n&atilde;o pode ser nomeado" (Mannoni, 1976: 9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zornig (2000) aponta que as implica&ccedil;&otilde;es da teoria lacaniana e de autores como Manonni (1976) e Dolto (1985) para a cl&iacute;nica com crian&ccedil;as ocorrem numa</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> dupla vertente: o discurso parental &eacute; privilegiado n&atilde;o como possibilidade de informar (anamnese) e discorrer sobre a hist&oacute;ria da crian&ccedil;a, mas sim como desvendamento da posi&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a ocupa na fantasia parental, enquanto cabe ao analista suportar a transfer&ecirc;ncia em sua dupla faceta: a dos pais e a da crian&ccedil;a (Zornig, 2000: 127). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan (1971) refere que seria fun&ccedil;&atilde;o do analista se opor a que o corpo da crian&ccedil;a responda como objeto <i>a</i> materno. Zornig (2000) aponta que para que a crian&ccedil;a n&atilde;o seja tomada como objeto parcial na fantasia de um dos pais o analista deve se colocar como mediador entre a crian&ccedil;a e o desejo da m&atilde;e. Berg&egrave;s e Balbo (2010) discutem sobre a necessidade de escutar os pais das crian&ccedil;as que se encontram em psicoterapia ou em psican&aacute;lise. Em se tratando de atendimento psicanal&iacute;tico, referem ser necess&aacute;rio escutar os pais no intuito de que a transfer&ecirc;ncia que eles constituem com o psicanalista n&atilde;o seja ignorada. Al&eacute;m disso, colocam ser importante o al&iacute;vio da preocupa&ccedil;&atilde;o dos pais colocados no lugar terceiro ao permitir instaurar uma rela&ccedil;&atilde;o transitivista entre os pais e a crian&ccedil;a. A instaura&ccedil;&atilde;o desta rela&ccedil;&atilde;o objetiva que a crian&ccedil;a seja liberada do engodo narc&iacute;sico e possa vir a falar em nome pr&oacute;prio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m das diverg&ecirc;ncias espistemol&oacute;gicas a respeito da concep&ccedil;&atilde;o de sujeito, existe uma concord&acirc;ncia cl&iacute;nica a respeito da dificuldade do trabalho com os pais e da alta taxa de abandono das psicoterapias com crian&ccedil;as. O estudo feito por Nunes, Silvares, Maturano e Oliveira (2009) aponta alta taxa de abandono de psicoterapia de crian&ccedil;as. As autoras ainda colocam a dificuldade de fazer levantamentos mais precisos nesta &aacute;rea vista a dificuldade de acesso aos prontu&aacute;rios ou mesmo falha no preenchimento dos mesmos. Al&eacute;m disso, Deakin e Nunes (2008) apontam para a escassez de pesquisas em psicoterapia psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as, o que dificulta pensar a respeito dos efeitos na constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva das crian&ccedil;as que se submetem a esse tipo de tratamento. Mesmo no intuito de amenizar o abandono dos tratamentos organizando o acompanhamento a pais nas diferentes modalidades (individual, grupo, conjunta...), percebe-se que, apesar dessas tentativas, muitos atendimentos fracassam. Desde os primeiros trabalhos psicanal&iacute;ticos com crian&ccedil;as a quest&atilde;o dos pais &eacute; colocada em cena. Apesar de alguns pais conseguirem suportar a an&aacute;lise do filho, frequentemente o que ocorre &eacute; uma interrup&ccedil;&atilde;o brusca no atendimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; evidente que as diferentes concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas entendem ser o lugar dos pais nos atendimentos dos filhos algo que precisa ser mais investigado, dadas a depend&ecirc;ncia da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos pais e as inter-rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre os sintomas trazidos pelas crian&ccedil;as e o sofrimento ps&iacute;quico que isso acarreta nos pais. Percebemos em profissionais que trabalham com crian&ccedil;as a ang&uacute;stia despertada quando uma crian&ccedil;a em tratamento, cujo sofrimento est&aacute; sendo amenizado, &eacute; retirada do atendimento por resist&ecirc;ncia dos pais frente &agrave; cura do filho. Assim, partindo da concep&ccedil;&atilde;o lacaniana de constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito, veremos como o infantil parental pode se atualizar no sintoma do filho. Para isto, abordaremos alguns conceitos que permitam entender o lugar que a crian&ccedil;a ocupa na fantasm&aacute;tica dos pais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DO SUJEITO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das especificidades da psican&aacute;lise com a crian&ccedil;a se refere &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de um infantil que possibilitar&aacute; uma estrutura&ccedil;&atilde;o subjetiva quando do processo de recalcamento. Zavaroni, Viana e Celes (2007) notam que, apesar da import&acirc;ncia do conceito infantil para a psican&aacute;lise, este verbete est&aacute; ausente dos dicion&aacute;rios de psican&aacute;lise. A inf&acirc;ncia faz refer&ecirc;ncia a uma realidade hist&oacute;rica, cronol&oacute;gica. O infantil, sendo atemporal, est&aacute; relacionado com conceitos cruciais da psican&aacute;lise como o de recalque.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao recalque, Bernardino (2004) aponta que na obra freudiana o infantil encontra-se posicionado entre o recalque origin&aacute;rio e o recalque propriamente dito, constitutivo do inconsciente e do fantasma fundamental. O infantil aponta para um movimento que parte dos agentes do Outro (cuidadores) para a crian&ccedil;a, sinalizando-lhe o lugar que ocupa no desejo deles. Esta sinaliza&ccedil;&atilde;o permite que a crian&ccedil;a responda a partir de sua interpreta&ccedil;&atilde;o desses assinalamentos e construa a sua pr&oacute;pria neurose infantil atrav&eacute;s do sinthoma e do fantasma. A autora coloca que nesta constru&ccedil;&atilde;o se situa a "g&ecirc;nese da responsabilidade subjetiva" por parte da crian&ccedil;a (Bernardino, 2004: 56).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe lembrar que o projeto de um filho se concretiza, na maioria das vezes, quando falta alguma coisa ao casal. Assim, a aposta narc&iacute;sica nesse projeto evidencia o renascimento da busca da completude perdida quando da constitui&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio infantil. A express&atilde;o freudiana "sua majestade o beb&ecirc;" nos lembra o renascimento narc&iacute;sico quando da vinda de um filho. Por&eacute;m, para a crian&ccedil;a se constituir como sujeito diferenciado, a aposta narc&iacute;sica precisa minimamente fracassar para que as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a possam aparecer (Ferrari, Piccinini &amp; Lopes, 2006; Ferrari &amp; Piccinini, 2010). Isto ocorre em grande parte porque a crian&ccedil;a n&atilde;o acata tudo o que lhe &eacute; reservado, esbo&ccedil;ando pontos de resist&ecirc;ncia a aquilo que lhe foi destinado. &Agrave;s vezes, esse movimento de resist&ecirc;ncia faz com que, nos pais, surja uma sensa&ccedil;&atilde;o de estranhamento (Freud, 1919/1999) frente &agrave; crian&ccedil;a, ressituando o filho no projeto para ele esbo&ccedil;ado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fracasso necess&aacute;rio da aposta narc&iacute;sica dos pais frente &agrave; crian&ccedil;a a libera para constituir sua subjetividade a partir dos primeiros enunciados identificantes (Aulagnier, 1994) assinalados pelos pais e encenados (Stern, 1997) na rela&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a. Este fracasso da completude narc&iacute;sica permite abrir um espa&ccedil;o a partir do qual a crian&ccedil;a passa a se perguntar sobre o lugar que ela ocupa frente ao desejo dos pais, lugar este que, at&eacute; ent&atilde;o, n&atilde;o era questionado. Essas perguntas v&atilde;o surgindo a partir do momento em que a crian&ccedil;a se sente negligenciada nas aten&ccedil;&otilde;es cotidianas. Essa sensa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o satisfa&ccedil;&atilde;o completa estabelece um espa&ccedil;o a ser preenchido. Esse preenchimento come&ccedil;a a acontecer quando a crian&ccedil;a passa a questionar sobre sua origem e, consequentemente, elaborar suas teorias sexuais infantis (Ferrari &amp; Sordi, 2009). As teorias sexuais infantis tentam dar conta, em parte, do fracasso da aposta narc&iacute;sica dos pais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a (Pommier, 1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&eacute;vy (2008) sugere que as teorias sexuais infantis, acionadas a partir de algum acontecimento, se reportam a um primeiro conflito ed&iacute;pico da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s respostas evasivas dos pais, o que desencadeia o processo de recalcamento. As teorias sexuais infantis permitem que a crian&ccedil;a v&aacute; se tornando aut&ocirc;noma frente &agrave; fala e ao pensamento dos pais. A elabora&ccedil;&atilde;o dessas teorias permite que a crian&ccedil;a responda &agrave; inc&oacute;gnita sobre o desejo do Outro montando aquilo que se denominou de fantasma ou fantasia fundamental (Berg&egrave;s &amp; Balbo, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Jerusalinsky (2008), as opera&ccedil;&otilde;es formadoras do fantasma para a crian&ccedil;a s&atilde;o a suposi&ccedil;&atilde;o de um sujeito pelo Outro materno; a altern&acirc;ncia da presen&ccedil;a e aus&ecirc;ncia; o estabelecimento da demanda, e a fun&ccedil;&atilde;o paterna. A suposi&ccedil;&atilde;o de um sujeito diz respeito &agrave; possibilidade de a m&atilde;e antecipar, naquilo que a crian&ccedil;a apresenta, uma intencionalidade que sup&otilde;e um sujeito. A altern&acirc;ncia presen&ccedil;a /aus&ecirc;ncia refere-se &agrave; necessidade de a m&atilde;e n&atilde;o estar sempre presente ou sempre ausente, mas se alternar no intuito de instituir uma falta onde o desejo da crian&ccedil;a vai se inscrever. O estabelecimento da demanda apoia-se na capacidade da m&atilde;e de interpretar as necessidades do beb&ecirc; atrav&eacute;s das significa&ccedil;&otilde;es dadas aos seus comportamentos. A met&aacute;fora paterna diz respeito &agrave; refer&ecirc;ncia terceira com rela&ccedil;&atilde;o a seu la&ccedil;o com o beb&ecirc;. Esta refer&ecirc;ncia terceira permite que a m&atilde;e se coloque como n&atilde;o totalmente suficiente para seu beb&ecirc; e n&atilde;o fa&ccedil;a do seu filho objeto de satisfa&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica. Segundo o autor, s&atilde;o esses elementos que constituir&atilde;o, na crian&ccedil;a, o seu fantasma fundamental a partir do qual seus desejos ser&atilde;o comandados. Os enigmas colocados pelo fantasma fundamental ser&atilde;o resolvidos atrav&eacute;s de forma&ccedil;&otilde;es de compromisso que caracterizam o sintoma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan (1975-1976/2007) redefiniu o conceito de sintoma diferenciando dois termos: "sintoma" e "sinthome". A no&ccedil;&atilde;o de sintoma continua muito pr&oacute;xima daquela freudiana, caracterizada como forma&ccedil;&atilde;o de compromisso ou forma&ccedil;&atilde;o substitutiva (Freud, 1920/1990). Para Simonney (2008: 297) sintoma seria a "express&atilde;o metaf&oacute;rica da verdade do recalque inconsciente que se interpreta gra&ccedil;as ao equivoco significante. &Eacute; um 'n&oacute; de sentido' que primeiro se apresenta ao sujeito como sem sentido, mas que convoca ao sentido &#91;...&#93; &eacute; substitu&iacute;vel e pass&iacute;vel de deslocamento". J&aacute; o sinthome n&atilde;o apresenta as caracter&iacute;sticas do deslocamento e da substitui&ccedil;&atilde;o, mas remete &agrave; "resposta da falta do Outro &#91;...&#93;. O sinthome ser&aacute; a resposta de um sujeito confrontado &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o de assumir sua singularidade, consequentemente, sua solid&atilde;o" (Simonney, 2008: 298). Neste sentido, o sinthome &eacute; aquilo que permite elaborar uma car&ecirc;ncia pr&oacute;pria do per&iacute;odo infantil, constitu&iacute;do a partir do momento no qual a crian&ccedil;a, pela percep&ccedil;&atilde;o da castra&ccedil;&atilde;o parental e em consequ&ecirc;ncia disto, tenta suportar esse desamparo a partir da constitui&ccedil;&atilde;o de seu sinthoma e de seu fantasma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constitui&ccedil;&atilde;o do sinthoma e do fantasma s&atilde;o poss&iacute;veis pelos movimentos constitutivos de aliena&ccedil;&atilde;o - ao desejo do Outro - e separa&ccedil;&atilde;o - acionada pela introdu&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora paterna. A aliena&ccedil;&atilde;o se evidencia, originalmente, pela depend&ecirc;ncia absoluta do beb&ecirc; &agrave; m&atilde;e. A m&atilde;e, ocupando o lugar primordial de introduzir, atrav&eacute;s dos cuidados cotidianos, seu desejo frente &agrave; crian&ccedil;a, sup&otilde;e e antecipa comportamentos que est&atilde;o relacionados &agrave; sua hist&oacute;ria infantil e constitutiva. O que &eacute; encenado na rela&ccedil;&atilde;o com o beb&ecirc;, de certa forma, &eacute; a reatualiza&ccedil;&atilde;o do momento constitutivo do seu infantil (Ferrari &amp; Piccinini, 2010). Nos momentos nos quais a m&atilde;e se coloca como n&atilde;o toda sabedora do seu beb&ecirc;, ela convoca, mesmo que de forma indireta, a met&aacute;fora paterna que possibilitar&aacute; a sa&iacute;da do beb&ecirc; dessa aliena&ccedil;&atilde;o, permitindo que o beb&ecirc; olhe para al&eacute;m do desejo materno ou pelo menos que busque reencontrar em outro lugar aquilo que at&eacute; ent&atilde;o ele acreditava estar completando. Esse &eacute; um dos motivos pelo qual se sustenta que:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> A neurose dos pais tem um papel fundamental na eclos&atilde;o dos sintomas da crian&ccedil;a, pois esta fixa sua exist&ecirc;ncia num lugar determinado pelos pais em seu sistema de fantasias e desejos. A crian&ccedil;a procura responder ao enigma dos significantes obscuros propostos pelos adultos, se identificando ao que julga ser objeto de desejo materno, tentando preencher a falta estrutural do Outro e evitar a ang&uacute;stia de castra&ccedil;&atilde;o (assun&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria falta) (Zornig, 2000: 17). </blockquote> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O SINTOMA DA CRIAN&Ccedil;A</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan (1969/1986) considera que os sintomas da crian&ccedil;a podem ser entendidos de duas formas: como respostas &agrave; sintomatologia familiar ou como correlato de um fantasma da m&atilde;e que pretende obturar a falta materna, presentificando, assim, o objeto <i>a</i> na sua fantasia. Levando em conta o primeiro aspecto - sintoma da crian&ccedil;a como uma resposta &agrave; sintomatologia familiar -, considera-se que existe certa dist&acirc;ncia entre a crian&ccedil;a e a m&atilde;e operada pela fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, constituindo o campo da neurose. Este aspecto da sintomatologia apresentada pela crian&ccedil;a permite aos pais se perguntarem sobre o motivo do sintoma esbo&ccedil;ando hip&oacute;teses que permitem os deslocamentos necess&aacute;rios para que a crian&ccedil;a possa ingressar em uma rela&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica (Flesler, 2008). Considerando o segundo aspecto do sintoma da crian&ccedil;a - que ele venha obturar a falta materna -, estamos no campo estruturante de uma psicose. Neste caso, dificilmente os pais chegam &agrave; consulta com alguma ang&uacute;stia frente ao que o filho apresenta, mas porque foram encaminhados por alguma institui&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a frequenta. Flesler (2008) categoriza ainda uma terceira possibilidade de entendimento da sintomatologia da crian&ccedil;a, quando o sintoma do filho fere a imagem narc&iacute;sica parental projetada nele. O pedido dos pais, quando da procura de atendimento, se circunscreve a uma restitui&ccedil;&atilde;o da adequa&ccedil;&atilde;o aos ideais sociais que a crian&ccedil;a deveria cumprir. Neste aspecto, a autora observa que os pais, em lugar de se perguntar sobre o motivo do sintoma, pretendem que o analista restitua o narcisismo parental atrav&eacute;s da nova adequa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave;s demandas a que deixou de responder.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flechet (1989) prop&otilde;e, seguindo a proposta de Lacan (1969/1986), que o sintoma na inf&acirc;ncia seja pensado a partir de duas categorias. A primeira se refere aos sintomas articulados ao recalcamento origin&aacute;rio da crian&ccedil;a, organizador de uma estrutura&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica. Estes sintomas, para Jerusalinsky (2008), seriam manifesta&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas da inf&acirc;ncia, constituintes da sua fantasm&aacute;tica, que denotam uma mudan&ccedil;a na posi&ccedil;&atilde;o subjetiva como, por exemplo, desenhar, brincar, terrores noturnos transit&oacute;rios, transgress&otilde;es explorat&oacute;rias, entre outros. A segunda categoria est&aacute; relacionada &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas da inf&acirc;ncia produzidas como resposta &agrave; neurose parental. Esta sintomatologia cumpre uma fun&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;o entre o corpo da crian&ccedil;a e os Outros reais que o analista deve liberar pelas entrevistas preliminares com os pais.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> &#91;...&#93; a menos que se torne psic&oacute;tica, a crian&ccedil;a fracassa na realiza&ccedil;&atilde;o do falo imagin&aacute;rio (&eacute; o que a constitui como sujeito), e na falta de vir dar consist&ecirc;ncia a um imagin&aacute;rio ideal que chame a repara&ccedil;&atilde;o &#91;...&#93; reenviando cada um dos protagonistas a esse limite que &eacute; a sua pr&oacute;pria castra&ccedil;&atilde;o (Flechet, 1989: 41).</blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este tipo de apresenta&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica expressaria impossibilidades de elabora&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica colocada pelo seu fantasma fundamental evidenciando um excesso paralisante de dif&iacute;cil elabora&ccedil;&atilde;o (Jerusalinsky, 2008). Nesse sentido, o sintoma da crian&ccedil;a tem uma dupla vertente, pois emerge como real no seu pr&oacute;prio corpo e como pertencente ao campo simb&oacute;lico daqueles que dela se queixam. As manifesta&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas da crian&ccedil;a denunciam a rela&ccedil;&atilde;o dos pais com a pr&oacute;pria castra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Rosemberg (2002) as crian&ccedil;as e os adolescentes costumam fazer sintomas naqueles lugares em que se tornam insuport&aacute;veis para seus pais, e isso os deixa em situa&ccedil;&atilde;o embara&ccedil;osa, de mal-estar, uma vez que denuncia algo que deveria ficar mascarado. Esse mal-estar se instala porque o sintoma cl&iacute;nico parece ter a propriedade de se fazer ouvir ao mesmo tempo que se apresenta como uma mensagem endere&ccedil;ada ao Outro, uma mensagem cifrada que tem como endere&ccedil;o certo os pais. Melman (1995), sobre o embara&ccedil;o provocado pelas crian&ccedil;as quando dizem algo por meio do sintoma que n&atilde;o era para aparecer, afirma que isso ocorre tamb&eacute;m porque elas teriam um ouvido que parece psicanal&iacute;tico, pois conseguem escutar para al&eacute;m do que lhes &eacute; dito, e a grande dificuldade dos adultos estaria no fato de as crian&ccedil;as jogarem de volta o que escutam sem muitos pudores, ou seja, elas "devolvem para n&oacute;s o nosso pr&oacute;prio inconsciente" (Melman, 1995: 34).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&eacute;vy (2008) refere ser uma das especificidades do trabalho psicanal&iacute;tico com crian&ccedil;as prestar aten&ccedil;&atilde;o ao discurso trazido pelos outros para os quais a crian&ccedil;a ou seu sintoma funciona como sinthome. Apesar dos riscos de empreender este trabalho, frequentemente longo, ele &eacute; necess&aacute;rio, pois pode levar &agrave; escuta de um dos pais, &agrave; continua&ccedil;&atilde;o do trabalho com a crian&ccedil;a ou, at&eacute; mesmo, n&atilde;o dar sequ&ecirc;ncia &agrave; demanda de atendimento. Neste aspecto o analista precisa funcionar como "desejo de lugar vazio" (L&eacute;vy, 2008: 71) para a crian&ccedil;a, em contraponto &agrave; enxurrada de desejos dos pais e cuidadores com que a crian&ccedil;a tem que lidar. "O trabalho anal&iacute;tico com as crian&ccedil;as, contrariamente ao que se acredita, nos aproxima daquilo que 'no desconforto do desmame humano &eacute; a fonte do desejo da morte'" (L&eacute;vy, 2008: 72).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&eacute;vy (2008) sugere pensar a sintomatologia da crian&ccedil;a desde a viv&ecirc;ncia da castra&ccedil;&atilde;o materna, retomando a no&ccedil;&atilde;o winnicottiana de que uma m&atilde;e suficientemente boa tem condi&ccedil;&otilde;es de decodificar as necessidades de seus beb&ecirc;s porque parte dela se liga a ele. A partir desse racioc&iacute;nio podemos retomar a no&ccedil;&atilde;o de equivalente simb&oacute;lico, de desamparo e de ang&uacute;stia de castra&ccedil;&atilde;o (Freud, 1931/1990) para pensar o lugar que o beb&ecirc; pode vir a ocupar na fantasm&aacute;tica materna. Neste aspecto, L&eacute;vy (2008) afirma que a sintomatologia apresentada pela crian&ccedil;a &eacute; uma resposta &agrave; ang&uacute;stia despertada quando da constitui&ccedil;&atilde;o do infantil dos seus pais (ou de um deles). Isto porque, como aponta Melman (1987), os pais t&ecirc;m a expectativa de que a crian&ccedil;a realize um ideal imposs&iacute;vel de se alcan&ccedil;ar, que se mantenha na posi&ccedil;&atilde;o de satisfaz&ecirc;-los de forma narc&iacute;sica no intuito de driblar a castra&ccedil;&atilde;o &agrave; qual eles mesmos tiveram que se submeter. O sintoma da crian&ccedil;a remeteria, ent&atilde;o, &agrave; posi&ccedil;&atilde;o ideal infantil de um dos pais, considerando infantil (Bernardino, 2004) um momento entre o recalque origin&aacute;rio e o recalque propriamente dito, constitutivo do inconsciente e da fantasia fundamental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hamad (2001) mostra que, nas entrevistas preliminares, quando os pais falam sobre o filho, sobrev&eacute;m um dizer que simboliza sua pr&oacute;pria falta. O autor constata tr&ecirc;s momentos em rela&ccedil;&atilde;o ao pedido dos pais pelo atendimento do filho. O primeiro refere-se &agrave; inacessibilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a pelo surgimento do sintoma em que se evidencia uma sensa&ccedil;&atilde;o de desconhecimento frente &agrave;quela crian&ccedil;a. O segundo momento se refere ao surgimento do conflito no casal, relacionado, em geral, &agrave;s formas diferentes de educar o filho. A esta discord&acirc;ncia sucedem-se as confiss&otilde;es nas quais pelo menos um dos pais se reconhece nos comportamentos do filho, reatualizando, pela reviv&ecirc;ncia de sua hist&oacute;ria constitutiva, o ressurgimento daquela crian&ccedil;a que nunca cresceu. Bounes (2008) observa que os sintomas apresentados pelas crian&ccedil;as podem ter uma rela&ccedil;&atilde;o direta, inversa ou reacional com a hist&oacute;ria da fam&iacute;lia e tomam sentido para os pais pelas suas pr&oacute;prias hist&oacute;rias. Nessa reatualiza&ccedil;&atilde;o h&aacute; um engajamento das hist&oacute;rias passadas atualizadas na sintomatologia dada a ver pela crian&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sintomatologia apresentada pela crian&ccedil;a ser&aacute; uma resposta constru&iacute;da resultante da posi&ccedil;&atilde;o dos pais frente &agrave; castra&ccedil;&atilde;o quando da constitui&ccedil;&atilde;o do seu ideal infantil. Na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as &eacute; necess&aacute;rio considerar que a crian&ccedil;a &eacute; o "para&iacute;so do engodo" (L&eacute;vy, 2008: 69) parental e, nesse sentido, abordar a crian&ccedil;a implica em questionar o narcisismo dos pais. Tentar suprimir, sem trabalho pr&eacute;vio de deslocamentos discursivos, o sintoma da crian&ccedil;a imp&otilde;e aos pais um sofrimento dif&iacute;cil de suportar. Suprimir o sintoma da crian&ccedil;a implica suprimir algo do gozo que isso traz aos pais. A partir desse aspecto, L&eacute;vy diz que a crian&ccedil;a faz sinthome para os pais j&aacute; que a crian&ccedil;a funciona como c&iacute;rculo suplementar que repara uma falha de um dos pais ou mesmo de ambos. Segundo o autor, quando, por exemplo, um pai fracassa na introdu&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora paterna, o filho organiza um sintoma que tenta suprimir essa falha. Considerando que, ao mesmo tempo, o sintoma apresentado pela crian&ccedil;a revela essa falha, &eacute; evidente pensar nos movimentos resistenciais dos pais frente a esse desvelamento na frente de um terceiro, o analista, que, questionando o sintoma da crian&ccedil;a, reconduz, muitas vezes, o questionamento daquelas manifesta&ccedil;&otilde;es a situa&ccedil;&otilde;es que remontam &agrave; &eacute;poca constitutiva do infantil dos pr&oacute;prios pais. Assim, tocar no sintoma do filho desestabiliza o sinthoma dos pais. Para o autor, mesmo aquelas manifesta&ccedil;&otilde;es sintom&aacute;ticas t&iacute;picas da inf&acirc;ncia, como encoprese, enurese, dist&uacute;rbios da alimenta&ccedil;&atilde;o, do sono e hiperatividade, podem ter valor de sinthoma para a crian&ccedil;a em fun&ccedil;&atilde;o do momento do recalcamento no qual ela se encontrar. Como no infantil o recalque ainda &eacute; parcial muitas dessas manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o frutos n&atilde;o do recalque, mas da falta dele. O analista dever&aacute; trabalhar, ent&atilde;o, em favor do processo de recalcamento. Neste aspecto, nas consultas com a crian&ccedil;a, os pais que, em geral, s&atilde;o os que demandam atendimento para o filho, se confrontam com a dificuldade no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o paterna.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Para poder dizer um N&Atilde;O a uma crian&ccedil;a (um n&atilde;o do pai), &eacute; preciso poder correr o risco enquanto pai, n&atilde;o s&oacute; de ser eventualmente desaprovado pela m&atilde;e da crian&ccedil;a, como tamb&eacute;m aceitar perder momentaneamente o amor da crian&ccedil;a. Essa opera&ccedil;&atilde;o leva inevitavelmente os pais &agrave; pr&oacute;pria castra&ccedil;&atilde;o &#91;...&#93; (L&eacute;vy, 2008: 64). </blockquote> </font>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A DEMANDA E A TRANSFER&Ecirc;NCIA NA CL&Iacute;NICA COM CRIAN&Ccedil;AS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das especificidades da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as refere-se &agrave; demanda de atendimento. Dificilmente uma crian&ccedil;a chega ao tratamento psicanal&iacute;tico ou psicoterap&ecirc;utico por vontade pr&oacute;pria, ela &eacute; trazida porque se interpreta em determinado comportamento que algo n&atilde;o vai bem no seu desenvolvimento (Berg&egrave;s &amp; Balbo, 2010; Costa, 2009). Balbo (1992), considerando que quem demanda atendimento para seus filhos s&atilde;o os pais, reconhece que, nesses pedidos, seja feito um trabalho de escuta a respeito da crian&ccedil;a narc&iacute;sica que os pais desejariam, ou gostariam de ser e de reconhecer em seus filhos. Quando a crian&ccedil;a n&atilde;o consegue corresponder a essa imagem idealizada n&atilde;o &eacute; ela quem est&aacute; em fracasso, s&atilde;o os pais mesmos que fracassam. &Eacute; frequente que as entrevistas preliminares permitam desvelar a fun&ccedil;&atilde;o que a crian&ccedil;a tem para seus pais (L&eacute;vy 2008). Assim, Berg&egrave;s e Balbo (2010) colocam em evid&ecirc;ncia a transitividade, sempre presente entre os pais e a crian&ccedil;a, que precisa ser elaborada quando na chegada para um tratamento de uma crian&ccedil;a. Nas entrevistas preliminares &eacute; necess&aacute;rio permitir que a crian&ccedil;a se liberte de algo que n&atilde;o lhe pertence. Caso, nessas entrevistas, se evidencie que o sintoma da crian&ccedil;a &eacute; relativo a uma patologia de quem a traz, n&atilde;o &eacute; a crian&ccedil;a que precisa ser tomada em atendimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise com crian&ccedil;as tem como uma de suas especificidades a n&atilde;o demanda de tratamento pela pr&oacute;pria crian&ccedil;a. Hamad (2001) lembra que a demanda est&aacute; relacionada ao Sujeito Suposto Saber, mas, no caso da crian&ccedil;a, esta rela&ccedil;&atilde;o est&aacute; estabelecida ainda com seus pais, a crian&ccedil;a sup&otilde;e que s&atilde;o seus pais que sabem sobre ela. Neste sentido, a crian&ccedil;a se deixa levar para tratamento porque os pais n&atilde;o conseguem dar conta daquilo que ela apresenta, coloca-os como testemunha de seu mal-estar e os reenvia &agrave;quilo que da sua hist&oacute;ria permanece vivo no seu infantil. Este testemunho impotente nos permite relacionar, conforme Ferrari, Piccinini e Lopes (2006) o que h&aacute; de resto nos pais de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria constitutiva quando da interven&ccedil;&atilde;o do recalque propriamente dito e a consequente constitui&ccedil;&atilde;o do infantil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe ressaltar que os pais trazem a crian&ccedil;a &agrave; consulta quando eles n&atilde;o conseguem mais assumir a transfer&ecirc;ncia deles com seus pr&oacute;prios filhos. Para Porge (1998) na an&aacute;lise com a crian&ccedil;a est&aacute; colocada uma transfer&ecirc;ncia particular e indireta, visto que &eacute; contempor&acirc;nea ao estabelecimento de uma transfer&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o com os pais. &Eacute; fun&ccedil;&atilde;o da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as restabelecer a transfer&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quele que em determinado momento foi inapto em sustentar essa rela&ccedil;&atilde;o. Por esta raz&atilde;o, Flesler (2007) diz que, no tempo constitutivo da inf&acirc;ncia, &eacute; necess&aacute;rio que ocorra uma opera&ccedil;&atilde;o que permita transformar os pais da inf&acirc;ncia nos pais da fantasia, quest&atilde;o colocada em toda a an&aacute;lise com crian&ccedil;as.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUEST&Otilde;ES FINAIS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este trabalho pretendeu retomar, teoricamente, a import&acirc;ncia de considerar as quest&otilde;es constitutivas parentais quando da chegada de uma crian&ccedil;a para um atendimento psicanal&iacute;tico. Queixar-se sobre o filho recoloca para os pais o abismo aberto no seu processo constitutivo pela instala&ccedil;&atilde;o da castra&ccedil;&atilde;o. Castra&ccedil;&atilde;o esta desencadeada pelo sentimento de neglig&ecirc;ncia despertado quando a crian&ccedil;a n&atilde;o pode mais ter a ilus&atilde;o de satisfazer plenamente o desejo do Outro. Considerando que o projeto de um filho permite retomar o momento de completude narc&iacute;sica, pensamos que o sintoma apresentado pelo filho aciona, nos pais, o momento da castra&ccedil;&atilde;o em uma dupla identifica&ccedil;&atilde;o - eles no lugar de seus pr&oacute;prios pais que n&atilde;o conseguiram se manter na completude narc&iacute;sica e eles como os pr&oacute;prios filhos que foram, que n&atilde;o conseguiram satisfazer o desejo parental. Ter isso em mente permite n&atilde;o tomar as queixas dos pais literalmente como algo a ser restitu&iacute;do, mas como algo pass&iacute;vel de ser trabalhado nas entrevistas preliminares com os pais e a pr&oacute;pria crian&ccedil;a. O paradoxal na constitui&ccedil;&atilde;o de um sujeito refere-se a que ela n&atilde;o se constitui sen&atilde;o pela atualiza&ccedil;&atilde;o do momento constitutivo parental, mas &eacute; justamente isso que em algumas situa&ccedil;&otilde;es faz com que a crian&ccedil;a precise estruturar algum sintoma que d&ecirc; conta daquilo de que os pais n&atilde;o conseguem dar. As quest&otilde;es aqui colocadas n&atilde;o significam que se deva escutar os pais em detrimento da crian&ccedil;a visto que, como refere Rodulfo (2005), h&aacute; algo dela que faz com que se situe dessa forma frente a aquilo que os pais lhe oferecem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aulagnier, P. (1994) Nacimiento de un cuerpo, inicio de una historia. In: Horstein, L. 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(1992) Demanda e transfer&ecirc;ncia. <i>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Porto Alegre, 7</i>, s/p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448875&pid=S0101-4838201200020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Berg&egrave;s, J. &amp; Balbo, G. (2010). <i>Psicoterapias de crian&ccedil;as, crian&ccedil;as em psican&aacute;lise</i>. Porto Alegre: CMC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448877&pid=S0101-4838201200020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bernardino, L. (2004). <i>As psicoses n&atilde;o decididas da inf&acirc;ncia: um estudo psicana l&iacute;tico</i>. S&atilde;o Paulo: Caso do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448879&pid=S0101-4838201200020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bleichmar, S. (1988). Indicaciones y contraindicaciones en el tratamiento psicoanal&iacute;tico de ni&ntilde;os. <i>Asociaci&oacute;n Escuela Argentina para Graduados, 15</i>,9-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448881&pid=S0101-4838201200020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bounes, M. (2008). "Eu n&atilde;o sei... &eacute; minha m&atilde;e que sabe...". In: Berg&egrave;s, J.; Berg&egrave;s-Bounes, M. &amp; Calmettes-Jean, S. <i>O que aprendemos com as crian&ccedil;as que n&atilde;o aprendem?</i> (pp. 73-80). Porto Alegre: CMC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448883&pid=S0101-4838201200020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Burlingham, D. (1935). Child analysis and the mother. <i>The Psychoanalytic Quarterly, 4</i>,69-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448885&pid=S0101-4838201200020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Costa, T. (2009). O desejo do analista e a cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica com crian&ccedil;as. <i>Psican&aacute;lise &amp; Barroco em revista, 7</i>(2),86-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448887&pid=S0101-4838201200020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deakin, E. &amp; Nunes, M. L. (2008). Investiga&ccedil;&atilde;o em psicoterapia com crian&ccedil;as: uma revis&atilde;o. <i>Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 30</i>(1), s/p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448889&pid=S0101-4838201200020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dolto, F. (1985). <i>Semin&aacute;rio de Psican&aacute;lise de Crian&ccedil;as</i>. Rio de Janeiro: Guanabara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448891&pid=S0101-4838201200020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferrari, A. &amp; Piccinini, C. (2010). Fun&ccedil;&atilde;o materna e mito familiar: evid&ecirc;ncias a partir de um estudo de caso. &Aacute;gora, <i>13</i>(2),243-257.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448893&pid=S0101-4838201200020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferrari, A. &amp; Sordi, R. (2009). A dimens&atilde;o do corpo na aprendizagem. <i>Estilos da Cl&iacute;nica, 14</i>,208-229.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448895&pid=S0101-4838201200020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferrari, A.; Piccinini, C. &amp; Lopes, R. (2006). O narcisismo no contexto da maternidade: algumas evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas.<i> Psico, 37</i>(3),271-278.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448897&pid=S0101-4838201200020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flechet, M. (1989). Algumas observa&ccedil;&otilde;es sobre os sintomas das crian&ccedil;as. In: Souza, A. (org.). <i>Psican&aacute;lise de crian&ccedil;as </i>(pp. 38-46). Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448899&pid=S0101-4838201200020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flesler, A. (2007). <i>El ni&ntilde;o en an&aacute;lisis y el lugar de los padres.</i> Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448901&pid=S0101-4838201200020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Flesler, A. (2008). El ni&ntilde;o, el analista y las entrevistas preliminares. Porque recibir a los padres? <i>Actualidad Psicol&oacute;gica, 361</i>,19-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448903&pid=S0101-4838201200020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, A. (1971). <i>O tratamento psicanal&iacute;tico com crian&ccedil;as</i>. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448905&pid=S0101-4838201200020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1909/1990). La novela familiar del neur&oacute;tico. <i>Obras completas</i>, v. IX. Buenos Aires: Amorrortu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448907&pid=S0101-4838201200020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1919/1990). Lo ominoso. <i>Obras completas</i>, v. XVII. Buenos Aires: Amorrortu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448909&pid=S0101-4838201200020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1920/1990). Inhibici&oacute;n, sintoma y angustia. <i>Obras completas</i>, v. XII. Buenos Aires: Amorrortu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448911&pid=S0101-4838201200020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1931/1990). Sobre la sexualidad femenina. <i>Obras completas</i>, v. XXI. Buenos Aires: Amorrortu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448913&pid=S0101-4838201200020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1932/1990). 33ª Conferencia: la feminilidad. <i>Obras completas</i>, v. XXII. Buenos Aires: Amorrortu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448915&pid=S0101-4838201200020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hamad, N. (2001). A psican&aacute;lise com crian&ccedil;as entre Freud e Lacan. In: Vidal, M. C. (org.). <i>Quando chega ao final a an&aacute;lise com uma crian&ccedil;a? </i>(pp. 129143). Salvador: &Aacute;galma.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448917&pid=S0101-4838201200020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jerusalinsky, A. (2008). Considera&ccedil;&otilde;es acerca da Avalia&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Crian&ccedil;as de Tr&ecirc;s anos - AP3. In: Lerner, R. &amp; Kupfer, M. C. (orgs.). <i>Psican&aacute;lise com crian&ccedil;as: cl&iacute;nica e pesquisa </i>(pp. 117-136). S&atilde;o Paulo: Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448919&pid=S0101-4838201200020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Klein, M. (1964). <i>El psicoan&aacute;lisis de ni&ntilde;os</i>. Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448921&pid=S0101-4838201200020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1969/1986). Deux notes sur l'enfant. <i>Ornicar, 37</i>,13-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448923&pid=S0101-4838201200020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1971). Discurso de clausura de las jornadas sobre psicosis infantil. In: Mannoni, M. <i>Psicosis Infantil </i>(pp. 150-161). Buenos Aires: Nueva Visi&oacute;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448925&pid=S0101-4838201200020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1975-1976/2007). <i>O semin&aacute;rio, livro 23: o sinthoma</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448927&pid=S0101-4838201200020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&eacute;vy, R. (2008). <i>O infantil e a psican&aacute;lise: o que entendemos por sintoma na crian&ccedil;a.</i> Rio de Janeiro: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448929&pid=S0101-4838201200020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mannoni, M. (1976). <i>El ni&ntilde;o su enfermedad y los otros</i>. Buenos Aires: Nueva Visi&oacute;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448931&pid=S0101-4838201200020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melman, C. (1987). Sobre a inf&acirc;ncia do sintoma. <i>Revista Che voi? Psican&aacute;lise e Cultura, 3-4</i>, s/p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448933&pid=S0101-4838201200020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melman, C. (1995). Sobre a educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. <i>Educa-se uma crian&ccedil;a?,Revista da Associa&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Porto Alegre </i>(pp. 31-40). Porto Alegre: Artes e Of&iacute;cios.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448935&pid=S0101-4838201200020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nunes, M. L.; Silvares, E.; Maturano, E. &amp; Oliveira, M. (2009). 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(1997). <i>A constela&ccedil;&atilde;o da maternidade - o panorama da psicoterapia pais/beb&ecirc;.</i> Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448951&pid=S0101-4838201200020000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zavaroni, D.; Viana, T. &amp; Celes, L. (2007). 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S&atilde;o Paulo: Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4448955&pid=S0101-4838201200020000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 20 de setembro de 2012    <br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 11 de novembro de 2012</font></p>      ]]></body>
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