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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A devastação: uma singularidade feminina]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Devastation: a feminine singularity]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Lacan has used the word ravage in two moments of his teaching. Once to allude to the relation of the daughter to her mother - "a daughter expects more substance from her mother than from her father" (Lacan, 1972/2001) -, and again to refer to the relation of a woman to a man - "who is for her a worst affliction then a sinthome, that is, a ravage" (1975-1976/2007). The ravage is the return of a woman's request for love.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A devasta&ccedil;&atilde;o: uma singularidade feminina</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Devastation: a feminine singularity</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Malvine Zalcberg</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutora em Psican&aacute;lise; Membro Psicanalista da Sociedade de Psican&aacute;lise Iracy Doyle (SPID)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan empregou o termo <i>devasta&ccedil;&atilde;o </i>em dois momentos de seu ensino para se referir: seja &agrave; rela&ccedil;&atilde;o da filha com sua m&atilde;e - "a filha espera mais <i>subst&acirc;ncia </i>de sua m&atilde;e do que de seu pai" (1972/2001); seja na rela&ccedil;&atilde;o de uma mulher com um homem - "este que &eacute; para ela uma afli&ccedil;&atilde;o pior que um sintoma, a saber, uma devasta&ccedil;&atilde;o" (1975-1976/2007). A <i>devasta&ccedil;&atilde;o </i>&eacute; o retorno da demanda de amor para uma mulher.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> amor; devasta&ccedil;&atilde;o; demanda; filha-m&atilde;e; mulher-homem.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan has used the word ravage in two moments of his teaching. Once to allude to the relation of the daughter to her mother - "a daughter expects more substance from her mother than from her father" (Lacan, 1972/2001) -, and again to refer to the relation of a woman to a man - "who is for her a worst affliction then a sinthome, that is, a ravage" (1975-1976/2007). The ravage is the return of a woman's request for love. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> love; ravage; request; daughter-mother; woman-man. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A mulher n&atilde;o existe" &eacute; a f&oacute;rmula encontrada por Lacan (19741975: 109) para sintetizar a impossibilidade de definir a ess&ecirc;ncia feminina, uma quest&atilde;o em torno da qual Freud edifica suas formula&ccedil;&otilde;es a respeito da sexualidade feminina. As equa&ccedil;&otilde;es freudianas de "rocha" e de "continente negro" para designar o que se refere &agrave; feminilidade d&atilde;o testemunho dessa falha na defini&ccedil;&atilde;o do ser feminino.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Introduzir, sob a influ&ecirc;ncia de Saussure (1933/1965), a figura lingu&iacute;stica de <i>significante</i> e fazer deste um dos eixos de suas elabora&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas iniciais permite a Lacan atribuir a inconsist&ecirc;ncia feminina &agrave; falta de significante para dizer a mulher.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se uma mulher buscar identificar-se ao significante <i>mulher </i>(que n&atilde;o existe), em vez de se encontrar, se unificar, ela ir&aacute;, pelo contr&aacute;rio, se desdobrar em duas partes: numa em que ela &eacute; sujeito do inconsciente e noutra em que ela s&oacute; encontra aus&ecirc;ncia em vez de uma exist&ecirc;ncia. &Eacute; o que justifica Lacan (1960/1995: 742) dizer que, pelo fato de a mulher se mover entre "uma pura aus&ecirc;ncia e uma pura sensibilidade", ela, de alguma forma, habita um lugar em que nem nome tem. Compreens&iacute;vel que Lacan formule que a busca de uma exist&ecirc;ncia poss&iacute;vel faz a mulher procurar "um homem a t&iacute;tulo de significante" (Lacan, 1972-1973/1982: 46), ainda mais que &eacute; s&oacute; "de onde ele a v&ecirc; que ela pode ter um inconsciente" (Lacan, 19721973/1982: 173).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Que a mulher n&atilde;o existe n&atilde;o significa que o lugar da mulher n&atilde;o exista de todo, pois que nesse lugar essencialmente vazio pode-se encontrar "alguma coisa", segundo Miller (1988: 13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa "alguma coisa" que se encontra no vazio e que caracteriza a estrutura feminina justifica a conex&atilde;o da mulher com os <i>semblantes</i>. A fun&ccedil;&atilde;o do <i>semblante</i>, que do simb&oacute;lico se dirige ao real, &eacute; mesmo o recobrir o nada (Lacan, 1972-1973/1982).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como h&aacute; sempre algo na mulher que escapa ao discurso, mesmo o amor n&atilde;o pode vir sem um dizer (Lacan, 1973-1974). Atrav&eacute;s desse dizer, que tem por fun&ccedil;&atilde;o a restaura&ccedil;&atilde;o de uma identifica&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, a mulher obt&eacute;m um <i>semblante</i> de subsist&ecirc;ncia. Em sua demanda de amor ao Outro, h&aacute; fundamentalmente uma demanda de ser, ainda e ainda. O amor &eacute; um dos <i>semblantes</i> ao qual a mulher recorre para suprir a falta de significante do sexo feminino (Lacan, 1977).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A formula&ccedil;&atilde;o de inspira&ccedil;&atilde;o lacaniana de que, quando nessa demanda de uma mulher, fracassa o <i>semblante</i> do amor surge a devasta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de evocar a proposi&ccedil;&atilde;o de Freud de que a perda do amor &eacute; a figura que a castra&ccedil;&atilde;o assume do lado feminino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira men&ccedil;&atilde;o de devasta&ccedil;&atilde;o no ensino de Lacan refere-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-filha na medida em que, para a maioria das mulheres, &eacute; assim que essa rela&ccedil;&atilde;o se constitui: de forma devastadora. A devasta&ccedil;&atilde;o decorre do fato de "a filha esperar como mulher mais subsist&ecirc;ncia de sua m&atilde;e que de seu pai, ele vindo em segundo nessa devasta&ccedil;&atilde;o" (Lacan, 1972/2001: 465).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o devastadora que pode existir entre m&atilde;e e filha fala da expectativa da filha de receber uma identifica&ccedil;&atilde;o feminina da m&atilde;e exatamente no ponto em que se coloca a impossibilidade de uma transmiss&atilde;o da feminilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda f&oacute;rmula da devasta&ccedil;&atilde;o de uma mulher, Lacan a prop&otilde;e em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda de amor de uma mulher a um homem. At&eacute; Lacan (1975-1976/2007: 98) formular em termos precisos, num de seus &uacute;ltimos semin&aacute;rios, "que a mulher &eacute; um sintoma para um homem e um homem &eacute; pior que uma afli&ccedil;&atilde;o e um sintoma para uma mulher - &eacute; mais uma devasta&ccedil;&atilde;o", todo um caminho havia sido percorrido por ele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desde sua proposi&ccedil;&atilde;o de que a mulher quer ser "desejada e amada por aquilo que ela n&atilde;o &eacute;" e, para tanto, se apresenta como o falo - significante do desejo - para ser causa do desejo de um homem, Lacan (1958/1998: 701) indica que os sexos n&atilde;o se relacionam diretamente e sim atrav&eacute;s do falo, atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de um <i>parecer: parecer </i>que, do lado do homem, se formula como ostenta&ccedil;&atilde;o de um ter e um <i>parecer</i> do lado feminino, que faz a mulher esconder sua falta (a ter) na mascarada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo quanto &agrave; f&oacute;rmula da fantasia introduzida em seguida por Lacan que se mostrava comum aos dois sexos - <img src="/img/revistas/tpsi/v44n2a13car01.jpg" align="absmiddle"> -, coube a Miller (1988) dizer que se deveria consider&aacute;-la com uma varia&ccedil;&atilde;o no caso feminino. No caso da mulher, a f&oacute;rmula seria mais <img src="/img/revistas/tpsi/v44n2a13car02.jpg" align="absmiddle">, correspondendo a uma substitui&ccedil;&atilde;o do <i>a</i>, objeto fetiche, causa do desejo, do lado masculino, por <img src="/img/revistas/tpsi/v44n2car01.jpg" align="absmiddle" >do lado feminino, este Outro do desejo que deve falar, dizer palavras de amor, para dar &agrave; mulher alguma consist&ecirc;ncia de ser.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da demanda de ser ao Outro, a mulher espera que o amor lhe sirva de barreira protetora em rela&ccedil;&atilde;o a um gozo que &eacute; s&oacute; dado &agrave; mulher sentir e que tem como caracter&iacute;stica ser pass&iacute;vel de revelar-se sem limite. Tanto quanto n&atilde;o h&aacute; palavras para dizer a mulher, tamb&eacute;m n&atilde;o as h&aacute; para se dizer esse gozo que n&atilde;o &eacute; complementar ao gozo f&aacute;lico que ela compartilha com o homem; motivo pelo qual Lacan o chamou <i>suplementar</i>. Esse gozo da mulher heterog&ecirc;neo ao gozo f&aacute;lico, embora referido a ele, &eacute; evid&ecirc;ncia da n&atilde;o complementaridade dos sexos na rela&ccedil;&atilde;o sexual. Essa constata&ccedil;&atilde;o &eacute; coerente com o aforismo lacaniano da "inexist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o sexual propriamente dita" (Lacan, 1972-1973/1982: 94).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Homens e mulheres posicionados diferentemente nas f&oacute;rmulas da sexua&ccedil;&atilde;o buscam, atrav&eacute;s das suas respectivas formas de amar, suprir essa inexist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o sexual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; ent&atilde;o uma forma de o homem lidar com essa quest&atilde;o da n&atilde;o exist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o sexual e uma forma de a mulher lidar com ela. Entre essas formas diferentes, h&aacute; a considerar o que um parceiro exige do outro. O homem, em sua forma fetichista de amar, faz da mulher um objeto fetiche, um objeto <i>a</i>, causa do seu desejo, enquanto a mulher, em sua forma erotoman&iacute;aca de amar, faz do homem um Outro que fala, que lhe fala.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desdobramento do gozo feminino corresponde ao fato de que a mulher n&atilde;o est&aacute; toda sob a reg&ecirc;ncia do complexo de &Eacute;dipo como o homem est&aacute;. H&aacute; um mais al&eacute;m do &Eacute;dipo na mulher que determina a ela n&atilde;o se submeter totalmente &agrave; castra&ccedil;&atilde;o nem &agrave; l&oacute;gica f&aacute;lica. Mas, alerta Lacan (1972-1973/1982: 100), "n&atilde;o &eacute; porque ela &eacute; n&atilde;o-toda na fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica que ela deixa de estar nela de todo". A mulher est&aacute; sempre referida &agrave; fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica embora n&atilde;o totalmente sob a sua reg&ecirc;ncia. De forma que Lacan se refere &agrave; "loucura" feminina, mas com a ressalva de que, se as mulheres s&atilde;o loucas, s&atilde;o n&atilde;o todas-loucas ou n&atilde;o loucas de todo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mulher ent&atilde;o se desdobra: por um lado, tem rela&ccedil;&atilde;o com </font>&#934;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> e, por outro, com S(<img src="/img/revistas/tpsi/v44n2car01.jpg" align="absmiddle">). Do lado do </font>&#934;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, n&atilde;o esque&ccedil;amos que Lacan, desde seu texto sobre "A significa&ccedil;&atilde;o do falo" (1958/1998), enfatiza como a mulher busca o significante de seu desejo no corpo do seu parceiro masculino. Mas, por outro lado, a f&oacute;rmula S(<img src="/img/revistas/tpsi/v44n2car01.jpg"align="absmiddle">), com a qual a mulher tamb&eacute;m tem rela&ccedil;&atilde;o, indica que o simb&oacute;lico n&atilde;o &eacute; tudo; que h&aacute; um real que n&atilde;o se reduz ao significante. E que &eacute; justamente com S(<img src="/img/revistas/tpsi/v44n2car01.jpg"  align="absmiddle">) - o que se produz em excesso quanto a um processo de simboliza&ccedil;&atilde;o - que a mulher tem uma rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. A mulher tem rela&ccedil;&atilde;o com o significante desse Outro, na medida em que, "como Outro, ele s&oacute; pode continuar sendo sempre Outro" (Lacan, 1972-1973/1982: 109).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a modernidade tenda a foracluir o que anima uma mulher como ser de saber e como sujeito de uma alteridade radical, h&aacute; algo que a mulher sabe: que ela n&atilde;o pode ser mulher a n&atilde;o ser se fazendo Outra: &eacute; "o homem que serve de conector para que a mulher se torne esse Outro para ela mesma, como ela o &eacute; para ele" (Lacan, 1960/1995: 741).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A devasta&ccedil;&atilde;o de uma mulher por uma decep&ccedil;&atilde;o amorosa ou um rompimento amoroso a atinge nesses tr&ecirc;s n&iacute;veis: a dificuldade de sustentar um <i>semblante</i> de exist&ecirc;ncia, de encontrar uma barreira asseguradora de seu gozo, amea&ccedil;ando-a da puls&atilde;o de morte, e a impossibilidade de encontrar f&oacute;rmulas de tornar-se Outra para ela mesma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As consequ&ecirc;ncias cl&iacute;nicas v&atilde;o da desorienta&ccedil;&atilde;o &agrave; ang&uacute;stia profunda, passando por todos os graus de extravio. A depress&atilde;o, t&atilde;o pr&oacute;pria &agrave; nossa modernidade, vem falar da equa&ccedil;&atilde;o moderna que procura correlacionar desejo e gozo, sem falhas, sem resto. Algumas mulheres querem crer no amor louco, um amor combinando com a desmedida de seu gozo, enquanto outras escolhem nada ceder - no sentido de consentir - n&atilde;o mais de seu corpo que do seu ser, reivindicando uma solid&atilde;o que n&atilde;o engana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se as montagens sintom&aacute;ticas s&atilde;o t&atilde;o numerosas como o s&atilde;o os modos de gozo, eles encontram formas de se alimentar naquilo que a era contempor&acirc;nea veicula em termos de "pronto-a-gozar" na cl&iacute;nica da anorexia, na cl&iacute;nica das adi&ccedil;&otilde;es, na cl&iacute;nica da procria&ccedil;&atilde;o, entre outras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste ponto, faz-se mais evidente a equa&ccedil;&atilde;o de que "a demanda de amor da mulher retorna a ela sob a forma de devasta&ccedil;&atilde;o" (Miller, 1998: 114).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o amor em crise em nossos tempos, faltam os <i>semblantes </i>que limitem e regulem os gozos que se apresentam na propor&ccedil;&atilde;o inversa do estabelecimento de v&iacute;nculos sociais s&oacute;lidos e, por isso mesmo, <i>semblantes</i> que regulem as rela&ccedil;&otilde;es entre os sexos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O novo reino do n&atilde;o todo, que n&atilde;o &eacute; mais exclusivo das mulheres, mas ao qual elas t&ecirc;m acesso mais direto, anula as diferen&ccedil;as e universaliza as rela&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mulheres em nossa modernidade nunca foram t&atilde;o pouco "Outra" em rela&ccedil;&atilde;o a elas mesmas, identificadas que elas s&atilde;o a figuras ferozes que se sucedem e que as afastam do que poderiam ser enquanto sujeitos de desejo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A devasta&ccedil;&atilde;o na mulher se manifesta no ponto em que os <i>semblantes</i> fracassam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1958/1998). A significa&ccedil;&atilde;o do falo. <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454094&pid=S0101-4838201200020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1960/1995). Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. <i>Escritos </i>(pp. 734-775). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454096&pid=S0101-4838201200020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1972/2001). L'&Eacute;tourdie. <i>Autres &eacute;crits</i>. Paris: Editions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454098&pid=S0101-4838201200020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lacan, J. (1972-1973/1982). <i>O semin&aacute;rio, livro 20: mais, ainda. </i>Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454100&pid=S0101-4838201200020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1973-1974). <i>Le s&eacute;minaire, livre XXI: les non-dupes errent</i>. In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454102&pid=S0101-4838201200020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1974-1975). <i>Le s&eacute;minaire, livre XXII: RSI.Ornicar?, 6</i>,7-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454104&pid=S0101-4838201200020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1975-1976/2007). <i>O semin&aacute;rio, livro 23: o sinthoma. </i>Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454106&pid=S0101-4838201200020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1977). Vers un significant nouveau. <i>Ornicar?, 17/18</i>,23-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454108&pid=S0101-4838201200020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Miller, J.-A. (1988). Un r&eacute;partitoire sexuel: maladies d'amour. <i>La Cause freu  dienne, 40</i>,7-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454110&pid=S0101-4838201200020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Miller, J.-A. (1998). O osso de uma an&aacute;lise. <i>Agente-Revista da Escola Brasileira de Psican&aacute;lise-Bahia, </i>N&uacute;mero especial, p. 114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454112&pid=S0101-4838201200020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Saussure, F. (1933/1965). <i>Cours de linguistique g&eacute;n&eacute;rale. </i>Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4454114&pid=S0101-4838201200020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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