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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A angústia na cena contemporânea e os avatares da masculinidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the male malaise in the contemporary scene, taking into account the context of anxiety installed in the field of masculinity in the face of demands that are imposed on the «new man». We theorises that anguish and distress are related to changes in contemporary Identification correlateded with the representations waver based on oedipal context. So, we try to discuss how this «new man» which is constructed by the media discourse, as a social imaginary about virility, causing what might be called identity crisis. Finally, we support the idea that the crisis of male identity, with its harrowing effect, relates to a certain decline of the father, with their varied effects on the social bond.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Angústia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEORIA PSICANAL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ang&uacute;stia na cena contempor&acirc;nea e os avatares da masculinidade<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The angst in the contemporary scene and the avatars of masculinity</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&aacute;ssio Eduardo Soares Miranda</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Federal de Minas Gerais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#cor">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente trabalho<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup> discute o mal-estar masculino na cena contempor&acirc;nea, levando-se em considera&ccedil;&atilde;o o quadro de ang&uacute;stia instalado no campo da masculinidade diante das exig&ecirc;ncias que s&atilde;o impostas ao "novo homem&quot;. Apostamos que a ang&uacute;stia e o mal-estar encontram-se associados &agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es identificat&oacute;rias na contemporaneidade que fizeram vacilar as representa&ccedil;&otilde;es fundadas no contexto edipiano. Assim, buscaremos discutir como esse "novo homem&quot;, que &eacute; constru&iacute;do pelo discurso midi&aacute;tico<sup><a name="3"></a><a href="#4">2</a></sup>, forma um imagin&aacute;rio social em torno da virilidade, causando aquilo que pode ser chamado de crise de identidade. Por fim, defendemos a ideia de que a crise de identidade masculina, com seu efeito angustiante, relaciona-se a um certo decl&iacute;nio do pai, com seus variados efeitos no la&ccedil;o social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>Ang&uacute;stia, La&ccedil;o social, Decl&iacute;nio paterno, Masculinidade.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abstract</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper discusses the male malaise in the contemporary scene, taking into account the context of anxiety installed in the field of masculinity in the face of demands that are imposed on the &laquo;new man&raquo;. We theorises that anguish and distress are related to changes in contemporary Identification correlateded with the representations waver based on oedipal context. So, we try to discuss how this &laquo;new man&raquo; which is constructed by the media discourse, as a social imaginary about virility, causing what might be called identity crisis. Finally, we support the idea that the crisis of male identity, with its harrowing effect, relates to a certain decline of the father, with their varied effects on the social bond.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b> Anxiety, The social bond, Decline paternal, Masculinity.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De um modo um tanto quanto excessivo e com um tom um tanto quanto alarmante, a m&iacute;dia brasileira tem afirmado e sustentado, nos &uacute;ltimos 15 anos, a crise que se criou no mundo em torno dos pap&eacute;is masculinos e femininos. Em 1995, a revista <i>Isto &Eacute;</i> anunciou: <i>O mach&atilde;o falhou</i>, enquanto que, em 1996, a revista <i>Veja</i> mostrou como mat&eacute;rias j&aacute; estampadas em sua capa <i>A ang&uacute;stia do macho e Mulheres liberadas intimidam o apetite sexual masculino</i>. S&atilde;o apenas alguns exemplos entre tantos outros no mundo da imprensa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, interessa-nos o que tem sido localizado como um mal-estar masculino no mundo contempor&acirc;neo. Apresentado sob termos tais como "a ang&uacute;stia do macho&quot;, "o macho perdido&quot;, dentre outros, esse tema nutre-se de trabalhos vindos de campos interdisciplinares diversos que discutem basicamente a quest&atilde;o da identidade masculina. Nolasco (1995), por exemplo, afirma que homem, mulher, masculino, feminino s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es, no&ccedil;&otilde;es que nos ajudam quanto &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o, mas que frequentemente nos induzem ao erro, uma vez que o sujeito se revela perpetuamente deslocado em rela&ccedil;&atilde;o ao seu corpo sexuado. Do mesmo modo, verificamos que uma equival&ecirc;ncia entre o sexo biol&oacute;gico e a posi&ccedil;&atilde;o do sujeito diante de sua sexualidade n&atilde;o &eacute; necessariamente coincidente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sabemos, a partir de Freud e Lacan, que a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito se d&aacute; no campo do Outro e aquilo que funciona como defini&ccedil;&atilde;o da masculinidade e da feminilidade a partir dos corpos gera o que poder&iacute;amos chamar de identidade de g&ecirc;nero. Como se sabe, tal conceito inclui o sexo biol&oacute;gico, associado aos valores e considera&ccedil;&otilde;es que a cultura confere a tal sexo. No entanto, apostamos que "masculino&quot; e "feminino&quot; dizem respeito a uma posi&ccedil;&atilde;o que o sujeito ocupa no discurso e, a partir de uma incid&ecirc;ncia imagin&aacute;ria, masculinidade e feminilidade constituem-se a partir de elementos identificat&oacute;rios que criaram uma identidade masculina ou feminina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, se ficarmos atentos a alguns sinais como os destacados nos par&aacute;grafos precedentes, veremos que nos tempos atuais as rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres parecem ser sustentadas por uma "mulher multim&iacute;dia&quot;, ser humano eficiente, que se deslocou na cultura e que prop&otilde;e um novo rumo ao amor. O que nos leva a pensar em como as rela&ccedil;&otilde;es amorosas assumem uma nova configura&ccedil;&atilde;o na contemporaneidade marcadas pelo discurso da ci&ecirc;ncia &ndash; que coloca a "qu&iacute;mica do amor&quot; e se ampara por pressupostos gen&eacute;ticos &ndash; que aparece como o definidor da nova l&oacute;gica amorosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ao lado da "nova mulher&quot;, o "novo homem&quot; parece ser assim conduzido a assumir, quase que obrigatoriamente, uma certa fragilidade diante das rela&ccedil;&otilde;es entre os dois sexos. A palavra "crise&quot; surge ent&atilde;o de modo exacerbado e insistente. Para uns, ela &eacute; o resultado da multiplicidade de identidades promovidas pela hipermodernidade. Para outros, refere-se a um modo de exist&ecirc;ncia ancorado pela liquidez das rela&ccedil;&otilde;es e, tamb&eacute;m, por um certo nomadismo que se instaurou nos la&ccedil;os humanos<sup><a name="5"></a><a href="#6">3</a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se h&aacute; uma crise, &eacute; poss&iacute;vel sustentar que ela tende a suscitar pap&eacute;is estereotipados tanto para o homem como para a mulher, demarcando-lhes espa&ccedil;os fixos, preestabelecidos, refletindo e refratando uma dada realidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. Psican&aacute;lise e crise de identidade masculina</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme j&aacute; antecipamos, os deslocamentos com os quais a identidade masculina se v&ecirc; confrontada no mundo contempor&acirc;neo constituem o que tem sido chamado de crise de identidade masculina. Pensar em identidade &eacute; partir de um princ&iacute;pio de coincid&ecirc;ncia<sup><a name="7"></a><a href="#8">4</a></sup>, ou seja, &eacute; verificar que um sujeito coincide consigo mesmo e, consequentemente, a crise implica em uma n&atilde;o coincid&ecirc;ncia do sujeito consigo mesmo. Assim, verificamos que as bases nas quais foram constru&iacute;das a no&ccedil;&atilde;o de identidade masculina no Ocidente, e de modo mais espec&iacute;fico, no Brasil, passam pelo campo das constru&ccedil;&otilde;es discursivas realizadas no decorrer do tempo. Sabemos, a partir disso, que masculinidade e feminilidade, longe de serem realidades objetivas e muito menos fen&ocirc;menos naturais calcados em elementos an&aacute;tomo-biol&oacute;gicos, s&atilde;o, antes, no&ccedil;&otilde;es dependentes das formas culturais dentro das quais tais no&ccedil;&otilde;es emergem. Um exemplo disso s&atilde;o as afirma&ccedil;&otilde;es cotidianas que demarcam o campo da masculinidade: "homem &eacute; homem&quot; ou "homem que &eacute; homem...&quot;; ao reca&iacute;rem sobre o ser, permitiriam ao sujeito afirmar: "eu sou homem&quot;, a partir do efeito que o significante tem sobre o sujeito. Desse modo, podemos dizer que a crise da identidade masculina &eacute;, ao mesmo tempo, uma crise das representa&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s das quais o imagin&aacute;rio social define o que &eacute; ser homem e, por conseguinte, &eacute; uma crise das identifica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A nosso ver, como de algum modo j&aacute; dissemos, os deslocamentos do feminino promoveram um deslocamento do masculino e fizeram com que, de certa forma, os homens fossem "abalados&quot; em seus referenciais sobre o que &eacute; a masculinidade. O que &eacute; ser um homem? O que &eacute; ser uma mulher? Acreditamos que a denominada crise dos pap&eacute;is masculinos e femininos surgiu exatamente no ponto em que as mulheres deixaram as posi&ccedil;&otilde;es nas quais elas tradicionalmente foram colocadas: o lugar de esposas dedicadas, dependentes de seus maridos, voltadas para os filhos e condicionadas ao espa&ccedil;o do lar. Desse modo, os lugares atribu&iacute;dos a homens e mulheres mudaram drasticamente em rela&ccedil;&atilde;o aos s&eacute;culos precedentes, o que teve por efeito uma produ&ccedil;&atilde;o de novas e in&eacute;ditas fantasias. No entanto, em raz&atilde;o de nossa proposta de trabalho, n&atilde;o discutiremos tal situa&ccedil;&atilde;o neste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, dos diversos elementos constru&iacute;dos discursivamente em torno da masculinidade, verificamos que os deslocamentos ocorridos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas em fun&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de fatores, fizeram vacilar o campo dos ideais e, consequentemente, provocaram uma crise na identifica&ccedil;&atilde;o. Basta lembrarmos que, em Freud, a identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; resultado de um processo de idealiza&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o da identidade e do efeito de massa. Diz-nos Freud: "<i>Um grupo prim&aacute;rio desse tipo &eacute; um certo n&uacute;mero de indiv&iacute;duos que colocaram um s&oacute; e mesmo objeto no lugar de seu ideal do ego e, consequentemente, se identificaram uns com os outros em seu ego</i>&quot; (FREUD, 2005; p. 126). Desse modo, entendemos que a "Crise&quot; ocorre exatamente no momento em que as certezas se fazem vacilar e t&ecirc;m o efeito de fazer o sujeito interrogar: suas rela&ccedil;&otilde;es com o Outro do amor, da sua posi&ccedil;&atilde;o enquanto sujeito, de seus modos de gozo e do acesso que se tem ao seu desejo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No entanto, clinicamente torna-se evidente que tais situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o muito simples e normalmente s&atilde;o acompanhadas de ang&uacute;stia. Assim, pensar na ang&uacute;stia na cena contempor&acirc;nea no que diz respeito ao masculino &eacute; pensar nos avatares que fixam o sujeito em uma posi&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e, por vezes, em uma posi&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o, protegido da ang&uacute;stia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todavia, para n&oacute;s tamb&eacute;m &eacute; evidente o fato de que tal crise acontece e se sustenta, n&atilde;o se d&aacute; apenas pelas modifica&ccedil;&otilde;es que ocorrem nos modos de gozo no decorrer da hist&oacute;ria e fazem com que as representa&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das imaginariamente fracassem. Tal crise aparece tamb&eacute;m pela oferta de novas representa&ccedil;&otilde;es, embora encontremos no mercado de imagens contempor&acirc;neo uma s&eacute;rie de ofertas imagin&aacute;rias com as quais o sujeito possa se identificar (MIRANDA, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dessa maneira, entendemos que as modifica&ccedil;&otilde;es na esfera do que &eacute; ser um homem e ser uma mulher ocasionam a busca de padr&otilde;es identificat&oacute;rios que dir&atilde;o ao sujeito como se portar na vida. Sabemos que tanto a condi&ccedil;&atilde;o de masculinidade como a condi&ccedil;&atilde;o de feminilidade passam necessariamente por forma&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias e pelo circuito dos ideais, e a cl&iacute;nica nos mostra que a "forma&ccedil;&atilde;o&quot; da masculinidade se d&aacute; essencialmente atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o do menino com o pai via identifica&ccedil;&atilde;o, associada &agrave;s particularidades do sistema social no qual est&aacute; inserido. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>2. Um pai, seu filho e o decl&iacute;nio do viril</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Miller (2006), a ideia do decl&iacute;nio do viril, e mesmo de sua desapari&ccedil;&atilde;o no mundo contempor&acirc;neo, tem todo o seu interesse. Sem d&uacute;vida, ela n&atilde;o &eacute; pens&aacute;vel sem o decl&iacute;nio do pai. Com esse autor, observamos que Lacan assinala o decl&iacute;nio da imago paterna j&aacute; em 1938, no seu texto sobre "Os complexos familiares na forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo&quot;. No citado texto, Lacan afirma que o decl&iacute;nio social da imago paterna se mostra condicionado pela migra&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es concentrando-se nas grandes cidades. Este fato produz efeitos sobre a estrutura familiar observ&aacute;vel no "crescimento das exig&ecirc;ncias matrimoniais&quot;, acarretando o "protesto da esposa lan&ccedil;ado ao marido&quot;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em suas discuss&otilde;es te&oacute;ricas Lacan afirma: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"N&atilde;o somos daqueles que se afligem com um pretenso afrouxamento do la&ccedil;o familiar (...). Mas um grande n&uacute;mero de efeitos psicol&oacute;gicos nos parece se originar em um decl&iacute;nio social da imago paterna (...). Seja qual for seu futuro, esse decl&iacute;nio constitui uma crise psicol&oacute;gica. Talvez seja a essa crise que devamos reportar a apari&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria psican&aacute;lise&quot;</i> (LACAN, 1997, p.60).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m desse texto, podemos tamb&eacute;m, a partir da releitura do caso cl&iacute;nico do Pequeno Hans, de Lacan, 1957, formular a tese de que o homem, "o viril n&atilde;o existe&quot; (MILLER, 2006, p.181). Na leitura lacaniana, Hans n&atilde;o completa o percurso significante da castra&ccedil;&atilde;o; devido a uma inoper&acirc;ncia paterna, ele n&atilde;o chega a integrar a sua masculinidade. Em fun&ccedil;&atilde;o disso, a vida amorosa de Hans fica marcada pela identifica&ccedil;&atilde;o feminina; isso se manifesta em uma posi&ccedil;&atilde;o passiva, em certo estilo masculino que &eacute; o da gera&ccedil;&atilde;o de 1945, ou seja, o daqueles encantadores rapazes que esperam que as iniciativas venham das damas (LACAN, 1995&#91;1956-1957&#93;, p. 429). Dito de outro modo, Lacan caracterizou os homens de sua &eacute;poca como os homens "tipo Hans&quot; e que seriam homens angustiados frente &agrave;s mulheres, homens que n&atilde;o tomam a iniciativa no campo sexual, prot&oacute;tipo de homens passivos que esperam que a mulher-m&atilde;e fa&ccedil;a por eles.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desse modo, a pergunta "o que &eacute; ser homem?&quot; necessariamente leva-nos a interrogar: "o que &eacute; um pai?&quot;. Lacan nos diz que o pai &eacute; uma met&aacute;fora, &eacute; um significante que substitui outro significante. Nesse momento, a posi&ccedil;&atilde;o masculina &eacute; tamb&eacute;m definida enquanto metaf&oacute;rica: "<i>na medida em que &eacute; viril, um homem &eacute; sempre mais ou menos a sua pr&oacute;pria met&aacute;fora&quot;</i> (LACAN, 1999, p. 201). Se h&aacute; uma identifica&ccedil;&atilde;o do filho ao pai, a identidade sexual do sujeito masculino &eacute; marcada por um certo decl&iacute;nio em fun&ccedil;&atilde;o de um certo decl&iacute;nio do pai.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No entanto, n&atilde;o nos esque&ccedil;amos, do ponto de vista lacaniano, &eacute; preciso pensar nos avatares da masculinidade a partir dos discursos que circulam na sociedade. Assim, pensar no decl&iacute;nio do masculino aponta para uma ang&uacute;stia masculina em fun&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as ocorridas no campo discursivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>3. O discurso como princ&iacute;pio do la&ccedil;o social</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos anos 1970, o pensamento lacaniano centra-se na presen&ccedil;a dos discursos na sociedade e o modo como eles constituem la&ccedil;o social. A partir da no&ccedil;&atilde;o de significante mestre (S1), estamos autorizados a que os giros dos discursos fazem com que tais significantes que d&atilde;o uma sustenta&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria &agrave; masculinidade se localizem n&atilde;o mais em um lugar fixo, mas em lugares diversos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se um significante representa o sujeito para outro significante, o sujeito identificado ao S1 &ndash; significante que o representa &ndash; encontra-se alienado em sua condi&ccedil;&atilde;o. No entanto, se a identifica&ccedil;&atilde;o, por algum motivo, vacila, a n&atilde;o identidade aparece e a divis&atilde;o do sujeito se presentifica. Desse modo, interrogamo-nos se na vida contempor&acirc;nea &ndash; a partir da rela&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os identificat&oacute;rios da masculinidade com a ang&uacute;stia &ndash; n&atilde;o estaria sofrendo uma passagem do discurso do mestre ao discurso da hist&eacute;rica. O que nos leva a pensar assim? Ora, de alguma forma, quando o sujeito se divide temos no discurso da hist&eacute;rica o questionamento que o sujeito faz sobre sua pr&oacute;pria sexualidade. Al&eacute;m disso, lembremos-nos que homem e mulher s&atilde;o efeitos de discurso<a name="9"></a><sup><a href="#10">5</a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entretanto, precisamos pensar tamb&eacute;m que nossa civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a civiliza&ccedil;&atilde;o do objeto a, em que os objetos s&atilde;o colocados no mundo como objetos de mais-gozar, de puro gozo. &Eacute; nesse sentido que podemos pensar que a ang&uacute;stia na cena contempor&acirc;nea refere-se mais ao fato de o mais-gozar ser causa de desejo (SOLER, 1988) do que a uma dimens&atilde;o do ideal. Essa autora observa que nossa civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a civiliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e dos objetos por ela produzidos; tais objetos parecem ser a sa&iacute;da para os desejos humanos. Sabemos que h&aacute; um mercado que parece realizar o "desejo dos sujeitos tomados um a um&quot; e, por isso, O consumo est&aacute; de acordo com o tempo presente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>4. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se aquilo que se passa no campo da identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se realiza completamente, podemos pensar que, talvez, a ang&uacute;stia na cena contempor&acirc;nea, no que diz respeito &agrave; masculinidade, aparece em fun&ccedil;&atilde;o tanto de um certo decl&iacute;nio da imago paterna quanto a uma oferta de objetos de mais-gozar. De um lado, verificamos que a fun&ccedil;&atilde;o paterna est&aacute; cada vez menos privilegiada. Na pr&aacute;tica cl&iacute;nica observamos que, em muitos casos, o pai n&atilde;o orienta mais a fam&iacute;lia. Da mesma maneira, as parcerias contempor&acirc;neas s&atilde;o muito mais diversificadas: h&aacute; casais homoparentais, fam&iacute;lias recompostas com padrastos e madrastas, mulheres solteiras que buscam a ado&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es, ou seja, a cultura moderna descobriu que o pai &eacute; uma m&aacute;scara, um <i>semblant</i>, que pode ser usada por qualquer um. De outro lado, percebemos que h&aacute; uma prolifera&ccedil;&atilde;o de "objetos de mais gozar&quot; na cena contempor&acirc;nea. Ora, Jacques Lacan, em "Televis&atilde;o&quot;, j&aacute; sustentava que o discurso do capitalismo viria a balizar nosso tempo, uma vez que esse discurso se encontra regulado pela a&ccedil;&atilde;o do saber cient&iacute;fico. O discurso capitalista, associado ao Saber do discurso da ci&ecirc;ncia, produz objetos de mais-de-gozar, que por sua vez criam um imperativo de gozo frente ao consumo, junto com uma insaciabilidade em adquiri-los. Do mesmo modo, parece-nos que "falta alguma coisa&quot; no que tange &agrave; transmiss&atilde;o do pai no que diz respeito ao "como desejar&quot; uma mulher. Nestes termos, podemos convocar Lacan (1975), com sua no&ccedil;&atilde;o de <i>p&egrave;re-version</i> para nos ajudar a encerrar: "<i>Um pai s&oacute; tem direito ao respeito e ao amor se o dito respeito &eacute; &#91;...&#93; p&eacute;re-versamente &#91;...&#93; orientado, quer dizer que faz de uma mulher objeto a que causa seu desejo</i>&quot;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> BAUMAN, Z. <i>O amor l&iacute;quido</i>: sobre a fragilidade dos la&ccedil;os humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396610&pid=S0102-7395201000010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> BAUMAN, Z. <i>Identidade. Entrevista a Benedetto Vecchi.</i> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396612&pid=S0102-7395201000010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> FREUD, S. (1921). Psicologia das massas e a an&aacute;lise do ego. In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileiras das obras psicol&oacute;gicas completas</i>. Rio de Janeiro: Imago, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396614&pid=S0102-7395201000010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. (1956-1957). <i>O semin&aacute;rio, livro 4: a rela&ccedil;&atilde;o de objeto</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396616&pid=S0102-7395201000010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> LACAN, J. (1975). <i>O semin&aacute;rio: R.S.I.</i> In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396618&pid=S0102-7395201000010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> LACAN, J. (1957-1958). <i>O semin&aacute;rio, livro 5: as forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396620&pid=S0102-7395201000010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> LACAN, J. <i>Os complexos familiares na forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396622&pid=S0102-7395201000010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> MILLER, J. A. <i>El Outro que no existe y sus comit&ecirc;s de &eacute;tica</i>. Buenos Aires: Paid&oacute;s, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396624&pid=S0102-7395201000010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> MIRANDA, C&aacute;ssio Eduardo Soares. <i>Uma abordagem do discurso amoroso na perspectiva da an&aacute;lise do discurso e da psican&aacute;lise</i>. 342f. Faculdade de Letras da UFMG. Belo Horizonte: 2008 (Tese de doutorado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396626&pid=S0102-7395201000010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> NOLASCO, S. <i>A desconstru&ccedil;&atilde;o do masculino</i>. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396628&pid=S0102-7395201000010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> SOLER, Colette. <i>Finales del analisis</i>. Buenos Aires: Manantial, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2396630&pid=S0102-7395201000010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/reverso/v32n59/seta.gif" border=0><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>:    <br>   Rua Ant&ocirc;nio de Albuquerque, 717/603    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Savassi &ndash; 30.112-010    <br>   BELO HORIZONTE &ndash; MG    <br>   Tel.: (31)3327-7462    <br>   E-mail: <a href="mailto:cassio.edu2007@gmail.com">cassio.edu2007@gmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RECEBIDO EM: 01/04/2010    <br>   APROVADO EM: 01/05/2010</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sobre o Autor</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&aacute;ssio Eduardo Soares Miranda</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Psic&oacute;logo. Psicanalista. Doutor em Letras pela UFMG. P&oacute;s-Doutorando pela FALE. FALE-UFMG/FAPEMIG</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup> O presente trabalho foi apresentado na XVIII jornada do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais, realizada em outubro de 2009, na cidade de Belo Horizonte. &Eacute; resultado das pesquisas desenvolvidas pelo autor no &acirc;mbito de seu projeto de p&oacute;s-doutorado realizado na Universidade Federal de Minas Gerais, com bolsa da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).    <br>     <sup><a name="4"></a><a href="#3">2</a></sup> Tivemos a preocupa&ccedil;&atilde;o em pensar como h&aacute; uma depend&ecirc;ncia do humano ao campo das imagens. Sabemos que o <i>eu</i> &eacute; constitu&iacute;do por um conjunto de identifica&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias e, por isso, o campo das imagens &eacute; um espa&ccedil;o de batalhas para ele: l&aacute; ele se aliena para, ao mesmo tempo, constituir-se. Seguindo essa hip&oacute;tese &eacute; que optamos por pensar nos efeitos do discurso midi&aacute;tico sobre os sujeitos, enquanto um mestre contempor&acirc;neo. No entanto, por quest&otilde;es de recorte metodol&oacute;gico e de tempo, trabalharemos isso em outra oportunidade.    <br>     <sup><a name="6"></a><a href="#5">3</a></sup> Cf.: BAUMAN, 2004; 2005.    <br>     <sup><a name="8"></a><a href="#7">4</a></sup> &Eacute; oportuno lembrar que, do ponto de vista da l&oacute;gica matem&aacute;tica, Identidade pode referir-se a uma igualdade que permanece verdadeira quaisquer que sejam os valores das vari&aacute;veis que nela apare&ccedil;am, isto para fazer distin&ccedil;&atilde;o com <i>igualdade matem&aacute;tica</i>, que &eacute; verdadeira apenas sob condi&ccedil;&otilde;es mais particulares.     <br>     <sup><a name="10"></a><a href="#9">5</a></sup> A esse respeito, conferir o Semin&aacute;rio 17, de Jacques Lacan (<i>O avesso da psican&aacute;lise</i>). Al&eacute;m disso, &eacute; oportuno verificar os trabalhos de Maria Rita Kehl sobre a tem&aacute;tica, principalmente os livros <i>Deslocamentos do feminino e Masculino e feminino: a m&iacute;nima diferen&ccedil;a</i>.</font></p>      ]]></body>
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