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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escuta psicanalítica do sujeito na empresa: utopia ou realidade possível?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Psychoanalytical listening of company&#8217;s employees: utopia or reality?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[These paper reports a study in two companies in the city of Belo Horizonte, both of which aimed at giving an opportunity for the employees to talk and rethink their difficulties and punctual problems. We intend, through acknowledgement of their issues and accepting the responsibilities signed them, that a greater quota of creative power could be released, generating well-being and positive results, both at home and at work. It was a time for reflection, providing for some subjectification of these individuals for the &#8220;illness&#8221; in cause. When necessary, the employees were then referred to a professional psychoanalyst outside the company.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Escuta psicanal&iacute;tica do sujeito na empresa &#8211; utopia ou realidade  poss&iacute;vel?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Psychoanalytical listening of company&#8217;s employees &#8211;  utopia or reality?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Carolina Bellico Fonseca</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#cor">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo relata um trabalho, desenvolvido em empresas de Belo Horizonte,    que visava &agrave; abertura de um espa&ccedil;o para os funcion&aacute;rios    falarem e repensarem dificuldades e problemas pontuais. Com o reconhecimento    das quest&otilde;es e assun&ccedil;&atilde;o das responsabilidades por essas    empresas, pretend&iacute;amos que uma maior quota de energia criadora pudesse    ser liberada, gerando bem-estar e resultados positivos, em casa e no trabalho.    O objetivo era a escuta focal destes sujeitos visando a alguma subjetiva&ccedil;&atilde;o    dos &#8216;males&#8217; em causa. Em caso de necessidade, encaminhamentos eram    feitos a profissionais, fora da empresa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b>    Psican&aacute;lise, Escuta anal&iacute;tica, Aten&ccedil;&atilde;o flutuante,    Desejo, Inconsciente.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abstract</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">These paper reports a study in two companies in the city of Belo Horizonte,    both of which aimed at giving an opportunity for the employees to talk and rethink    their difficulties and punctual problems. We intend, through acknowledgement    of their issues and accepting the responsibilities signed them, that a greater    quota of creative power could be released, generating well-being and positive    results, both at home and at work. It was a time for reflection, providing for    some subjectification of these individuals for the &#8220;illness&#8221; in    cause. When necessary, the employees were then referred to a professional psychoanalyst    outside the company.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Psychoanalysis, Analytical listening, Fluctuating  attention, Desire, Unconscious.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que pode um analista    dentro de uma empresa? Seria poss&iacute;vel a abordagem da singularidade dentro    do espa&ccedil;o coletivo? Quem pagaria pela cara interven&ccedil;&atilde;o    no um a um? Afinal &eacute; sabido que, em sua grande maioria, as empresas,    da mesma forma que os seguros de sa&uacute;de, &#8220;n&atilde;o pagam terapia    para funcion&aacute;rios&#8221; &#8211; o custo &eacute; elevado e o foco desviado,    uma vez que elas favorecem o grupo, o coletivo, muitas vezes em detrimento do    individual. Desta forma, a maior parte das interven&ccedil;&otilde;es se direciona    aos grupos, salvo os processos de <i>coaching</i> que s&atilde;o, em sua quase    totalidade, individuais e desenvolvidos com os executivos de empresas visando    ao aprimoramento de habilidades e compet&ecirc;ncias. Seriam estas interven&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas? O que &eacute; cl&iacute;nica?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o    dicion&aacute;rio eletr&ocirc;nico Houaiss da l&iacute;ngua portuguesa, esta    palavra deriva do grego <i>klinik&ecirc;,&ecirc;s 'cuidados m&eacute;dicos a    um doente acamado'</i>, e seu uso fora do sentido terap&ecirc;utico est&aacute;    ligado ao trabalho de um &#8220;<i>grupo de pessoas dedicado &agrave; an&aacute;lise    e &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de problemas concretos ou &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o    de uma habilidade espec&iacute;fica ou de conhecimentos especializados; curso    intensivo de especializa&ccedil;&atilde;o</i>&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cura, cuidado ou    busca de solu&ccedil;&otilde;es para problemas est&atilde;o sempre relacionados    ao emprego do termo e associados &agrave; figura daquele que sabe e usa o poder    curador e daquele que padece de dor. Esta conceitua&ccedil;&atilde;o se aplica    bem ao trabalho desenvolvido pelos psicoterapeutas e mesmo pelos analistas.    Mas e quanto &agrave;s empresas? S&eacute;vigny, num texto que aborda a atua&ccedil;&atilde;o    das ci&ecirc;ncias humanas em institui&ccedil;&otilde;es e empresas, nos diz    que, quando este termo &eacute; empregado em ci&ecirc;ncias humanas, ele &#8220;<i>remete    a uma pr&aacute;tica centrada em casos individuais, particularmente casos problem&aacute;ticos,    para os quais &eacute; preciso encontrar solu&ccedil;&otilde;es</i>&#8221; (S&Eacute;VIGNY,    2001, p.15). Este autor amplia o campo da abordagem cl&iacute;nica ao referi-la    como utiliz&aacute;vel &#8220;<i>em quase todos os setores que se possa imaginar:    da fam&iacute;lia ao trabalho, da religi&atilde;o &agrave;s artes, dos neg&oacute;cios    sociais aos neg&oacute;cios pol&iacute;ticos, das associa&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es de trabalho</i>&#8221;    (Idem, p.17). Ele chama a aten&ccedil;&atilde;o para o trabalho do cl&iacute;nico,    que inclui desde explica&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es e problemas    at&eacute; a an&aacute;lise da compreens&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o    que os sujeitos fazem dos mesmos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em psican&aacute;lise o conceito de cl&iacute;nica leva em considera&ccedil;&atilde;o,    entre outras coisas, o pressuposto de uma aliena&ccedil;&atilde;o fundamental    do sujeito no Outro, pois a crian&ccedil;a, ao nascer, encontra-se num estado    de n&atilde;o consci&ecirc;ncia de si mesma, em total depend&ecirc;ncia do outro    materno, do qual deve se separar para advir enquanto sujeito. Tal opera&ccedil;&atilde;o,    no entanto, pode apresentar falhas, trope&ccedil;os que marcam o indiv&iacute;duo    impedindo muitas vezes o advir de seu desejo, trazendo consequ&ecirc;ncias que    v&atilde;o desde as diferentes formas de estrutura&ccedil;&atilde;o at&eacute;    o adoecimento f&iacute;sico. &Eacute; claro, por&eacute;m, que a entrada do    Outro &eacute; estruturante e corresponde, numa certa medida, &agrave; pr&oacute;pria    entrada do sujeito na linguagem e na cultura. O perigo est&aacute; no fasc&iacute;nio    que esta aproxima&ccedil;&atilde;o sujeito-Outro pode significar para o primeiro,    a ponto de impedi-lo de se constituir como sujeito do inconsciente, de ter acesso    ao seu pr&oacute;prio desejo. &Eacute; este o nosso campo de atua&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica enquanto psicanalistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, podemos    dizer que o conceito de cl&iacute;nica em Psican&aacute;lise vem associado &agrave;    redescoberta da constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade e suas rela&ccedil;&otilde;es    com o desejo e o gozo. Para isto o analista deve abster-se do aconselhamento,    &#8220;<i>respeitar a individualidade do paciente e n&atilde;o procurar mold&aacute;-lo    de acordo com suas pr&oacute;prias ideias pessoais (...) contentar-se com evitar    dar conselhos e, em vez disso, com despertar o poder de iniciativa do paciente</i>&#8221;    (FREUD, 1922, p.304). Nesta cl&iacute;nica faz-se necess&aacute;ria, a partir    de &#8220;<i>uma aten&ccedil;&atilde;o parcialmente suspensa</i>&#8221;, a escuta    acurada do paciente associada &agrave; &#8220;arte interpretativa&#8221; (como    Freud a descreve no mesmo artigo) para que o sujeito possa advir de sua aliena&ccedil;&atilde;o    no discurso do Outro. Aqui se faz necess&aacute;rio determo-nos um pouco no    conceito de escuta, que &eacute; importante no trabalho que ora descrevemos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A escuta anal&iacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud se refere    &agrave; escuta do paciente em v&aacute;rios momentos de sua obra quando se    dirige aos analistas em recomenda&ccedil;&otilde;es sobre a t&eacute;cnica.    Assim, al&eacute;m da passagem citada acima no texto de 1922, existem muitas    outras passagens, mas, pin&ccedil;arei mais uma no texto de 1912, <i>Recomenda&ccedil;&otilde;es    aos m&eacute;dicos que exercem a Psican&aacute;lise</i>:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;<i>A regra      para o m&eacute;dico pode ser assim expressa: Ele deve conter todas as influ&ecirc;ncias      conscientes da sua capacidade de prestar aten&ccedil;&atilde;o e abandonar-se      inteiramente &agrave; &#8216;mem&oacute;ria inconsciente&#8217;. Ou, para      diz&ecirc;-lo puramente em termos t&eacute;cnicos: &#8216;Ele deve simplesmente      escutar e n&atilde;o se preocupar se est&aacute; se lembrando de alguma coisa</i>&#8221;      (FREUD, 1912/1969, v.XII, p.150, grifo nosso).</font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Escutar est&aacute;    ligado ao desprender-se de si, de um saber j&aacute; dado, para uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o    do outro sem a intermedia&ccedil;&atilde;o da teoria. O analisando n&atilde;o    pode ser colocado numa cama de Procusto te&oacute;rica na qual a escuta de seu    dito &eacute; balizada por uma teoria, seja ela qual for, pois, caso contr&aacute;rio,    em lugar de escutar o sujeito, tudo o que o analista ouvir&aacute; n&atilde;o    passar&aacute; de ecos, restos de um j&aacute; sabido discurso. Nada mais longe    da Psican&aacute;lise... Para escutar, o analista deve despir-se de seu Eu,    abrindo m&atilde;o de seus pensamentos e da atra&ccedil;&atilde;o exercida sobre    si pela teoria, &eacute; preciso &#8220;<i>(...) fazer calar em si as ambiguidades,    os enganos e erros do discurso intermedi&aacute;rio (...)</i>&#8221; (NASIO,    1999, p.126). Nasio se refere a esta atitude do analista como &#8220;fazer-sil&ecirc;ncio-em-si&#8221;,    express&atilde;o interessante para falar da nega&ccedil;&atilde;o, da aboli&ccedil;&atilde;o    do si-mesmo, da imagem especular.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;<i>&Eacute;      fazer sil&ecirc;ncio-em-si, negar o si-mesmo... e suprimir, apenas durante      o espa&ccedil;o de um segundo, os diversos suportes construtivos do nosso      Eu, a saber: o tempo, o espa&ccedil;o, os outros e principalmente toda visada      ideal, todo objetivo no horizonte, todo sujeito-suposto-saber que, habitualmente,      garante a escolha &agrave; qual procedemos quando o psicanalista est&aacute;      sentado em sua poltrona e acredita escutar o analisando</i>&#8221; (NASIO,      1999, p.126).</font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta recomenda&ccedil;&atilde;o    marca a diferen&ccedil;a do trabalho do analista para o dos outros psicoterapeutas    &#8211; nada de conselhos, casos, considera&ccedil;&otilde;es ou tarefas. O    lugar do analista deve ser opaco, uma vez que seu ser de sujeito n&atilde;o    entra em cena com o paciente, ou seja, seu desejo, pensamento e julgamento racionais    n&atilde;o devem participar de um trabalho que mere&ccedil;a o nome de psicanal&iacute;tico.    O analista &#8216;na dire&ccedil;&atilde;o&#8217; de uma an&aacute;lise n&atilde;o    dirige na acep&ccedil;&atilde;o do termo: &#8220;<i>exercer a dire&ccedil;&atilde;o    de (institui&ccedil;&atilde;o, cidade, pa&iacute;s etc.); administrar, governar,    gerir; ou no sentido figurado, dar (a algu&eacute;m) orienta&ccedil;&atilde;o    com conselhos, exemplo etc.</i>&#8221; (<i>Dicion&aacute;rio eletr&ocirc;nico    Houaiss da l&iacute;ngua portuguesa</i>). N&atilde;o, o analista dirige sem    dar ou exercer dire&ccedil;&atilde;o, apagando-se para que o outro possa advir    com seu desejo, medos e ang&uacute;stias. Ao silenciar frente &agrave; demanda    de amor e ao convite &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o na transfer&ecirc;ncia,    o analista &#8220;dirige&#8221; o paciente rumo ao diferente, ao inusitado de    seu ser e, consequentemente, para fora da neurose. &Eacute;, pois, nessa dire&ccedil;&atilde;o    que deve caminhar a cura e todo o trabalho do analista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas seria tal escuta    poss&iacute;vel fora do setting anal&iacute;tico, fora de um trabalho de an&aacute;lise?    Por que n&atilde;o? Afinal, o sujeito do inconsciente n&atilde;o se d&aacute;    a ver apenas num consult&oacute;rio, pois caso contr&aacute;rio, n&atilde;o    existiriam atos falhos, lapsos, sintomas e sonhos. Al&eacute;m disso, a escuta    do sujeito, como vimos, &eacute; poss&iacute;vel quando o ser do analista se    apaga e quando este se abst&eacute;m de dar conselhos, estipular tarefas, como    um Mestre que tudo sabe, ou, como nos diz Freud (1912), quando ele consegue    evitar a &quot;atividade educativa&#8221; controlando-se e guiando-se &#8220;<i>pelas    capacidades do paciente em vez de por seus pr&oacute;prios desejos</i>&#8221;    (FREUD, 1912/1969, v.XXII, p.157), sem &#8220;<i>privilegiar, em sua escuta,    nenhum dos elementos particulares do discurso do analisando</i>&#8221; (CHEMAMA,    1995, p.22).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples numa proposta de    trabalho focal, pois, as pessoas que aderem a ela t&ecirc;m, no m&iacute;nimo,    uma fantasia de que &#8216;basta conversar com o psic&oacute;logo que tudo se    resolver&aacute;&#8217;, como num passe de m&aacute;gica. Este, pois, seria    ent&atilde;o o primeiro problema a ser confrontado neste trabalho nas empresas    &#8211; a alta expectativa das pessoas e a cren&ccedil;a num al&iacute;vio r&aacute;pido    sem um grande envolvimento dos sujeitos. Al&eacute;m disso, um trabalho de escuta    fora do setting correria o risco de se tornar um trabalho de an&aacute;lise    selvagem, o que n&atilde;o era meu desejo. Mas achei que valeria o risco, confiei    na possibilidade de transposi&ccedil;&atilde;o desta frustra&ccedil;&atilde;o    inicial, na efic&aacute;cia da escuta e no meu bom senso e experi&ecirc;ncia    como analista para evitar as malhas de uma atua&ccedil;&atilde;o selvagem. E    foi apostando nisto que aceitei o trabalho dentro de uma empresa, tendo em mente    que &eacute; poss&iacute;vel a escuta pontual; afinal, se este era um espa&ccedil;o    &#8220;para pensar quest&otilde;es pessoais&#8221;, deveria ser tamb&eacute;m    para pensar responsabilidades e envolvimentos nas quest&otilde;es trazidas e    isto poderia ser o come&ccedil;o, o meio ou o fim de alguma coisa para essas    pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, foi com    o conceito de escuta em mente que iniciei o trabalho, aberta &agrave;s diferentes    possibilidades de encaminhamento de cada indiv&iacute;duo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O trabalho </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O psiquismo e, em especial, o inconsciente s&atilde;o enigm&aacute;ticos e    o trabalho daqueles que se dedicam a eles sempre atrai, no m&iacute;nimo, a    curiosidade das pessoas. Aqui n&atilde;o foi diferente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Simpson (nome fict&iacute;cio) era uma empresa jovem, com aproximadamente    250 empregados numa faixa de idade de 30 anos, com um n&uacute;mero maior de    solteiros que de casados e poucos descasados. Quando o programa foi implantado,    ele atendia &agrave; demanda de funcion&aacute;rios que queriam um psic&oacute;logo    cl&iacute;nico para discutir quest&otilde;es ligadas principalmente &agrave;    educa&ccedil;&atilde;o de filhos e relacionamentos pessoais. Al&eacute;m disso,    a coordena&ccedil;&atilde;o do departamento de Recursos Humanos (RH), atrav&eacute;s    de queixas das chefias, j&aacute; havia notado que tais quest&otilde;es tomavam    um tempo precioso do envolvido e dos colegas ao seu redor, al&eacute;m de implicar    em baixa de produ&ccedil;&atilde;o e faltas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este programa fazia parte de uma s&eacute;rie de outros implantados por este    departamento com o foco no &#8216;bem-viver&#8217;. Eram implantados simultaneamente    dois, que ficavam por um tempo e depois eram substitu&iacute;dos &#8211; gin&aacute;stica    laboral, shiatsu, artes, culin&aacute;ria eram alguns dos programas que j&aacute;    haviam sido implantados e terminados. A dura&ccedil;&atilde;o de cada programa    variava de acordo com a demanda dos funcion&aacute;rios, numa m&eacute;dia de    um a tr&ecirc;s anos e com o limite imposto pelo departamento de RH. As aulas    ou sess&otilde;es aconteciam num espa&ccedil;o reservado dentro da empresa e    no hor&aacute;rio de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fui contatada, fizemos um pequeno projeto e iniciamos o trabalho. Primeiro montamos    um pequeno consult&oacute;rio &#8211; tr&ecirc;s poltronas, um tapete, uma mesinha    de centro e duas plantas arrumadas de maneira a compor um espa&ccedil;o confort&aacute;vel,    no qual a luz era quebrada dando um toque aconchegante ao local. &#8220;Ficou    muito bom&#8221;, era o primeiro coment&aacute;rio de todos que entravam seguido    por, &#8220;nem parece que estamos na empresa&#8221;. A agenda era organizada    pelo departamento de RH atrav&eacute;s da &#8216;intranet&#8217;, ou seja, os    funcion&aacute;rios se inscreviam e eram organizados de forma a serem atendidas    de cinco a dez pessoas por semana (come&ccedil;amos com duas manh&atilde;s e,    depois de algum tempo, passamos para uma manh&atilde; de trabalho semanal).    Caso necessitassem, poderiam voltar dentro do m&ecirc;s da consulta desde que    houvesse vaga, pois a prefer&ecirc;ncia era atender aqueles que ainda n&atilde;o    tinham participado. Isso gerou reclama&ccedil;&otilde;es, mas a empresa pretendia    garantir que aquele espa&ccedil;o n&atilde;o se transformasse num de &#8220;terapia&#8221;,    fugindo assim da proposta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para minha surpresa, as pessoas entenderam e aceitaram bem a proposta sem perder    de vista que, se necessitassem de um trabalho anal&iacute;tico, seriam encaminhadas    para um profissional fora da empresa. Seguindo minha proposta inicial eu escutava    as queixas, medos, d&uacute;vidas e pedidos de conselhos e tentava remeter os    sujeitos ao seu papel em cada situa&ccedil;&atilde;o que era trazida, ou seja,    para sua implica&ccedil;&atilde;o na mesma. Alguns foram evasivos e se calaram,    outros negaram qualquer participa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o voltaram, mas    muitos foram fisgados e se propuseram a repensar os problemas por um novo prisma    do qual o ganho secund&aacute;rio, desejos inconfess&aacute;veis, medos e ang&uacute;stias    pr&oacute;prios a cada um constitu&iacute;am algumas de suas facetas. Estas    pessoas retornaram sempre que poss&iacute;vel e puderam se beneficiar do programa.    Entre elas obtive resultados que realmente me surpreenderam e que me sinalizaram    a import&acirc;ncia do trabalho que eu estava desenvolvendo, como no fragmento    de caso que se segue abaixo:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;Rita, casada h&aacute; muitos anos com Jos&eacute;, procurou o atendimento    para se queixar do marido alco&oacute;latra. A bebida, assim como a embriagu&ecirc;s    e suas consequ&ecirc;ncias, era motivo de muitas brigas e discuss&otilde;es.    Mas sua maior queixa era o distanciamento do marido e sua falta de compreens&atilde;o,    que substitu&iacute;a a antiga rela&ccedil;&atilde;o de companheirismo. Ela    se dizia em estado de constante mau-humor e impaci&ecirc;ncia. Problemas de    sa&uacute;de foram surgindo e ele sem lhes dar aten&ccedil;&atilde;o at&eacute;    que sofreu um Acidente Vascular Cerebral. Apavorado com a proximidade da morte,    ele &#8216;NUNCA MAIS BEBEU&#8217;, isso h&aacute; TR&Ecirc;S ANOS (primeira    incoer&ecirc;ncia no discurso). Em seguida Rita passa a falar que, ap&oacute;s    um tratamento prolongado, &#8216;ELE MUDOU COMPLETAMENTE&#8217; &#8211; vendeu    o bar que tinha, passou a ficar mais tempo em casa, tornou-se carinhoso e paciente    com &#8216;as implic&acirc;ncias&#8217; da esposa, mas que ela, apesar de am&aacute;-lo    muito, achava que o casamento tinha acabado, pois ELA N&Atilde;O CONSEGUIA &#8216;ACEIT&Aacute;-LO    ASSIM&#8217; (segunda incoer&ecirc;ncia).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pontuei: &#8211; parece que voc&ecirc; precisa de seu marido alco&oacute;latra...    Ela se assustou e ap&oacute;s ter dito que n&atilde;o havia pensado nisto, calou-se    pensativamente e foi embora. Remarcou mais uma sess&atilde;o e entrou chorando    e me agradecendo por eu ter &#8220;devolvido a vida para ela&#8221;, ela n&atilde;o    estava podendo ver que a situa&ccedil;&atilde;o tinha mudado e reagia &agrave;    situa&ccedil;&atilde;o anterior. Em suma, ela n&atilde;o estava podendo ser    feliz por rancor, dificuldade de perd&atilde;o, etc. Disse que n&atilde;o precisava    mais de mim, tornou a agradecer e foi embora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rita poderia ter sido encaminhada para uma an&aacute;lise, mas n&atilde;o era    esse seu desejo. Ela, e ao que parece o marido tamb&eacute;m (pois ele mandou    me agradecer), estava feliz por ter o marido de volta, este era o seu desejo    e deveria ser respeitado. Foi o que fiz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; claro que nem todos os casos foram como o de Rita, mas em muitos deles    foi poss&iacute;vel:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; Em lugar de dar conselhos sobre educa&ccedil;&atilde;o, ajudar os pais    a repensarem o motivo pelo qual n&atilde;o conseguiam se fazer obedecer pelos    filhos, o que estava em jogo por tr&aacute;s da guerra na hora das refei&ccedil;&otilde;es,    banhos, desobedi&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; Repensar a forma como viam a adolesc&ecirc;ncia, a inf&acirc;ncia e    &agrave;s vezes se dar conta que n&atilde;o tinham que repetir os pr&oacute;prios    pais em tudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; Ajudar os casados a se reverem em suas rela&ccedil;&otilde;es com seus    c&ocirc;njuges, pontuando seu envolvimento na provoca&ccedil;&atilde;o de atritos    ou na dificuldade de abrir m&atilde;o dos mesmos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; Repensar com as mo&ccedil;as e os rapazes solteiros sua responsabilidade    na dificuldade de conquistar e, acima de tudo, manter um(a) parceiro(a).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8226; Em suma, pin&ccedil;ar a ponta do desejo que se fazia ver por tr&aacute;s    das quest&otilde;es, denunciada pelas incoer&ecirc;ncias, atos falhos, piadas    e brincadeiras que traziam para as sess&otilde;es. Pin&ccedil;ar na inconsist&ecirc;ncia    do discurso um pouco desse sujeito do inconsciente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos foram os    pedidos de encaminhamento para an&aacute;lise, mas, at&eacute; onde eu sei,    poucos foram levados adiante. Depois de tr&ecirc;s anos o programa foi finalizado    com avalia&ccedil;&atilde;o muito positiva do trabalho, mas com a justificativa    de que ele j&aacute; havia cumprido sua fun&ccedil;&atilde;o e que, mant&ecirc;-lo    por mais tempo, poderia implicar num v&iacute;nculo indesej&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que pode a Psican&aacute;lise? Qual a extens&atilde;o de sua aplica&ccedil;&atilde;o?    Numa &eacute;poca de consumo exacerbado e tempo acelerado, tudo tem que ser    &#8220;para ontem&#8221;, e o fim da Psican&aacute;lise vem sendo preconizado    por muitos &#8211; por ser um processo longo, caro, mas acima de tudo, por n&atilde;o    se conformar e sim por arrancar o sujeito das malhas de um gozo de consumo que    n&atilde;o pode ser questionado. Da&iacute; o sucesso das terapias mais adaptativas    que atuam no comportamento e na adequa&ccedil;&atilde;o do sujeito ao seu tempo    e cultura. Com isso nada &eacute; questionado e o imp&eacute;rio do consumo    cresce.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Psican&aacute;lise    n&atilde;o s&oacute; tem um lugar como tem uma fun&ccedil;&atilde;o &#8211;    ir na contram&atilde;o desse <i>acting out</i> auxiliando o sujeito a encarar    o vazio, a dor de existir, sem ter que recorrer &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o    de <i>gadgets</i> tamponadores e descart&aacute;veis. Encarar o vazio como &uacute;nica    possibilidade de acesso ao desejo, ao sujeito do inconsciente e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, os trabalhos fora dos consult&oacute;rios n&atilde;o s&oacute;    s&atilde;o poss&iacute;veis como desej&aacute;veis. A aten&ccedil;&atilde;o    flutuante e a escuta s&atilde;o vi&aacute;veis e necess&aacute;rias se o objetivo    &eacute; colocar o indiv&iacute;duo frente a frente consigo mesmo e com suas    quest&otilde;es. Isso &eacute; poss&iacute;vel a partir da escuta atenta do    discurso, do apaziguamento interior do analista e de uma postura &eacute;tica,    na qual o compromisso n&atilde;o pode ser com a produ&ccedil;&atilde;o, mas    com o sujeito. Pre&ccedil;o alto que pode implicar na dispensa do analista...    &Eacute; preciso coragem, estofo e muita an&aacute;lise...</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho que desenvolvi nessas empresas enriqueceu-me muito ao me ajudar a    apurar minha escuta. Al&eacute;m dos atendimentos, fui convidada a fazer palestras    sobre educa&ccedil;&atilde;o, drogas, relacionamento afetivo, etc. Eu reservava    esses momentos para trabalhar as d&uacute;vidas relacionadas aos temas pedidos,    e os momentos das consultas para escutar as pessoas. &Eacute; claro que nem    sempre o efeito de sujeito p&ocirc;de ser alcan&ccedil;ado e que algumas vezes    precisei ser mais direta e falante, responder a quest&otilde;es, mas, ainda    assim, nestas ocasi&otilde;es, foi poss&iacute;vel apontar para a maioria das    pessoas o lugar em que se colocavam no mundo, o que j&aacute; era um come&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s esta    experi&ecirc;ncia, fui indicada pela Simpson para desenvolver o mesmo trabalho,    tamb&eacute;m muito bem-sucedido, em outra empresa. Trabalho poss&iacute;vel    a partir da aplica&ccedil;&atilde;o da Psican&aacute;lise fora do setting, tamb&eacute;m    chamado de Psican&aacute;lise em extens&atilde;o. O sujeito humano &eacute;    o mesmo em qualquer lugar, &#8220;<i>sujeito livre, dotado de raz&atilde;o,    mas cuja raz&atilde;o vacila no interior de si mesma. &Eacute; de sua fala e    seus atos, e n&atilde;o de sua consci&ecirc;ncia alienada, que pode surgir o    horizonte de sua pr&oacute;pria cura</i>&#8221; (ROUDINESCO, 2000, p.69). Da&iacute;    a necessidade da escuta acurada, cuidadosa. Al&eacute;m disso, como nos lembra    Pommier (1990), em Psican&aacute;lise trabalhamos n&atilde;o com a &#8220;verdade    do saber&#8221;, mas com o erro &#8211; lapso, erro de gram&aacute;tica, erro    l&oacute;gico, <i>fading</i> &#8211; que &eacute; o que constitui o melhor crit&eacute;rio    de deciframento do inconsciente. Sendo assim, pode-se pensar que, onde houver    um ser falante dotado de inconsciente, desejo e gozo, &eacute; poss&iacute;vel    um trabalho anal&iacute;tico de escuta e pontua&ccedil;&otilde;es no discurso    que possam abrir as cortinas para uma outra cena.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CHEMAMA, R. <i>Dicion&aacute;rio    de Psican&aacute;lise Larrouse</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1995.    241 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402433&pid=S0102-7395201200020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Dois    verbetes de Psicologia. <i>ESB</i>, v.XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1969, p.287-307.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402435&pid=S0102-7395201200020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Recomenda&ccedil;&otilde;es    aos m&eacute;dicos que exercem a psican&aacute;lise. <i>ESB</i>, v.XII. Rio    de Janeiro: Imago, 1969, p.148-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402437&pid=S0102-7395201200020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HOUAISS, A. Houaiss.    <i>Dicion&aacute;rio eletr&ocirc;nico da l&iacute;ngua portuguesa</i>. Verbete:    Cl&iacute;nica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402439&pid=S0102-7395201200020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NASIO, J.-D. <i>Como    trabalha um psicanalista?</i> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. 170 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402441&pid=S0102-7395201200020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">POMMIER, G. <i>O    desenlace de uma an&aacute;lise</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. 217    p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402443&pid=S0102-7395201200020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROUDINESCO, E.    <i>Por que a psican&aacute;lise?</i> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. 163    p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402445&pid=S0102-7395201200020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&Eacute;VIGNY,    R. Abordagem cl&iacute;nica nas ci&ecirc;ncias humanas. IN <i>Cen&aacute;rios    sociais e abordagem cl&iacute;nica</i>. Jos&eacute; Newton de Ara&uacute;jo    e Teresa Cristina Carreteiro (Orgs.). Belo Horizonte: Escuta, 2001, p.15-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402447&pid=S0102-7395201200020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/reverso/v34n63/seta.gif" border=0><a href="#end">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>:    <br>   Rua Santa Rita Dur&atilde;o, 321/511 &#8211; Funcion&aacute;rios     <br>   30140-110 &#8211; BELO HORIZONTE/MG     <br>   Tel.: (31)3281-3677     <br>   E-mail: <a href="mailto:cbellico@terra.com.br">cbellico@terra.com.br</a></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RECEBIDO EM: 28/02/2012    <br>   APROVADO EM: 30/04/2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sobre a Autora</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Carolina Bellico Fonseca</b>    <br>   Psicanalista. S&oacute;cia do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais.    Mestre em Psicologia pela UFMG.</font></p>      ]]></body>
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