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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista de Alain Badiou e Elisabeth Roudinesco à Revista Le Nouvel Observateur publicada na França, em abril de 2012]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Entrevista de Alain Badiou e Elisabeth Roudinesco &agrave; Revista Le Nouvel Observateur  publicada na Fran&ccedil;a, em abril de 2012</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tradu&ccedil;&atilde;o:</b> Raul Oct&aacute;vio Amaral do Valle</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;Critiquem    os seus desvios: disso depende a sobreviv&ecirc;ncia de voc&ecirc;s!&#8221;<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup>    <br>   Alain Badiou et Elisabeth Roudinesco fazem soar o alarme: a psican&aacute;lise    se afastou da sociedade.     <br>   Por&eacute;m, mais do que nunca &eacute; necess&aacute;rio defender a sua dimens&atilde;o    libertadora.</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Le    Nouvel Observateur</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> Ao    final de uma obra escrita em conjunto (&#8220;<i>Jacques Lacan, pass&eacute;    pr&eacute;sent&#8221;, Seuil, 104 p.</i>) <i>o Sr. lan&ccedil;ou um apelo para    salvar a psican&aacute;lise. O que est&aacute; ocorrendo de t&atilde;o grave?    (O livro Jacques Lacan, pass&eacute; pr&eacute;sent &#8211; Jacques Lacan, passado    presente</i> &#8211; ser&aacute; publicado em breve no Brasil pela Editora Bertrand.    Ele aborda, de forma bem mais completa e detalhada, as considera&ccedil;&otilde;es    dos autores apresentadas na presente entrevista.)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alain Badiou:</b>    A psican&aacute;lise &eacute;, com o darwinismo e o marxismo, uma das maiores    revolu&ccedil;&otilde;es do nosso tempo. Nos tr&ecirc;s casos n&atilde;o se    trata nem de ci&ecirc;ncias exatas nem de ci&ecirc;ncias filos&oacute;ficas    ou religiosas, mas de &#8220;pensamentos&#8221;: materialistas, ligados &agrave;    pr&aacute;tica, eles transformaram nossa vis&atilde;o do mundo e sofreram o    mesmo tipo de cr&iacute;tica. Os ataques contra a psican&aacute;lise devem ser    compreendidos no quadro de uma crise global da intelectualidade. Uma crise que,    se podemos resumi-la, se caracteriza pela tentativa de substituir o &#8220;sujeito&#8221;    pelo indiv&iacute;duo. O que &eacute; o &#8220;sujeito&#8221;? &Eacute; o ser    humano compreendido como uma rede de capacidades que lhe permitem pensar, criar,    dividir, agir coletivamente, ir al&eacute;m das singularidades &#8211; um corpo,    uma identidade, uma posi&ccedil;&atilde;o social, puls&otilde;es &#8211; mas    que n&atilde;o se reduz a isto. Ser sujeito &eacute; circular entre a singularidade    e a universalidade, e &eacute; sobre este distanciamento que a psican&aacute;lise    estabelece sua a&ccedil;&atilde;o: colabora com o indiv&iacute;duo para tornar-se    um sujeito pleno. Nesta medida trata-se de uma disciplina emancipadora, antes    de ser terap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>Esta    dimens&atilde;o est&aacute; realmente amea&ccedil;ada?</i>     <br>   <b>Alain Badiou:</b> Atualmente dizem que ser um indiv&iacute;duo &eacute; suficiente.    &Eacute; o discurso do liberalismo dito democr&aacute;tico e liberal, mas que    produz indiv&iacute;duos male&aacute;veis, submissos, doentes, incapazes de    a&ccedil;&otilde;es comuns: indiv&iacute;duos privados da capacidade de ser    sujeito. Pois o capitalismo n&atilde;o produz sujeitos: seu &uacute;nico interesse    &eacute; o apetite animal do indiv&iacute;duo. Este &eacute; tamb&eacute;m o    discurso da neurologia, que pretende reduzir o indiv&iacute;duo a sua dimens&atilde;o    neuronal. Criticando os s&aacute;bios que, no s&eacute;culo XIX, acreditavam    poder deduzir os caracteres de um indiv&iacute;duo a partir da forma de seu    cr&acirc;nio, Hegel disse que, para eles, <i>o esp&iacute;rito &eacute; um osso</i>.    Atualmente a neurologia diz: <i>O homem &eacute; um grande saco de neur&ocirc;nios</i>.    Isto n&atilde;o constitui um avan&ccedil;o! Atingimos um novo cientificismo    submetido desta vez ao desenvolvimento do capital. No campo do psiquismo somente    a psican&aacute;lise, creio, est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de nos preservar    desta amea&ccedil;a. Mas &#8211; e esta &eacute; a segunda parte do nosso apelo    &#8211; tenho a impress&atilde;o que os psicanalistas, aprisionados em suas    querelas internas, n&atilde;o fazem o que &eacute; necess&aacute;rio para se    defender. Eles precisam encontrar a forma de satisfazer a nova demanda que lhes    &eacute; dirigida sem ceder a este neopositivismo. Eles est&atilde;o imobilizados:    cabe-lhes dar um passo &agrave; frente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>Elisabeth    Roudinesco, a Sra., que defende a psican&aacute;lise h&aacute; longo tempo,    como chegamos a este ponto?</i>    <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elisabeth    Roudinesco:</b> Inicialmente a psican&aacute;lise, como forma&ccedil;&atilde;o    de psicopatologias, &eacute; ensinada nos departamentos de psicologia, que n&atilde;o    t&ecirc;m a capacidade de levar em conta o inconsciente e n&atilde;o disp&otilde;em    da forma&ccedil;&atilde;o adequada &agrave; sua compreens&atilde;o. Dominada    pela ci&ecirc;ncia m&eacute;dica, a psicologia obedece a crit&eacute;rios que    nada t&ecirc;m a ver com as ci&ecirc;ncias humanas. Outrora, para tornar-se    psicanalista, era necess&aacute;ria uma forma&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica    e uma s&oacute;lida cultura filos&oacute;fica, hist&oacute;rica e liter&aacute;ria.    Ao inscrever a psican&aacute;lise em uma l&oacute;gica de profissionaliza&ccedil;&atilde;o,    n&oacute;s destru&iacute;mos sua transmiss&atilde;o como pensamento. Por outro    lado, h&aacute; trinta anos, a maioria dos psicanalistas era psiquiatra por    forma&ccedil;&atilde;o e, por consequ&ecirc;ncia, cl&iacute;nicos da alma; atualmente,    s&atilde;o psic&oacute;logos. A psiquiatria se aliou a terapias cognitivas e    comportamentalistas (TCC), que remetem a uma concep&ccedil;&atilde;o do homem    reduzida a seus neur&ocirc;nios. &Eacute; claro que as patologias podem ter    uma dimens&atilde;o org&acirc;nica. Mas, mesmo nestes casos, o medicamento n&atilde;o    &eacute; suficiente: &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio levar-se em considera&ccedil;&atilde;o    a parte subjetiva do paciente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>Qual    &eacute; a parcela de responsabilidade dos psicanalistas?</i>    <br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> Eles n&atilde;o produzem mais obras te&oacute;ricas.    Suas sociedades funcionam como corpora&ccedil;&otilde;es profissionais. Condenar    a homoparentalidade, a procria&ccedil;&atilde;o assistida ou o poder das m&atilde;es    contra a fun&ccedil;&atilde;o paterna &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o complicada:    n&atilde;o cabe aos psicanalistas se institu&iacute;rem como soldados da boa    conduta em nome do complexo de &Eacute;dipo. Eles realizam diagn&oacute;sticos    ao vivo nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, e abandonam a quest&atilde;o    pol&iacute;tica: eles s&atilde;o majoritariamente estetas c&eacute;ticos, desengajados    da sociedade. Pretendem, sobretudo, tratar os sofrimentos atrav&eacute;s de    um modelo antigo. As patologias mudaram. A psican&aacute;lise nasceu da neurose    e da histeria, dois sintomas pr&oacute;prios das sociedades marcadas pela frustra&ccedil;&atilde;o    sexual. Atualmente, o que faz sofrer &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o consigo    mesmo: nota-se isso pela import&acirc;ncia atribu&iacute;da ao narcisismo e    &agrave; pervers&atilde;o. No tempo de Freud, os pacientes eram os grandes burgueses    que dispunham de tempo e de dinheiro, coisas de que carece o nosso p&uacute;blico,    menos elitista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>Ent&atilde;o,    como se adaptar?</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> O &#8220;passo &agrave; frente&#8220; de que nos    fala Alain Badiou seria escutar esta nova demanda. Creio ser poss&iacute;vel,    no enquadre da psican&aacute;lise, conduzir terapias de curta dura&ccedil;&atilde;o    com sess&otilde;es longas, como fazia Freud, nas quais se fale &agrave;s pessoas    com empatia. A an&aacute;lise cl&aacute;ssica ficaria reservada para aqueles    que assim o quisessem. Nem todo mundo deseja explorar t&atilde;o profundamente    o seu inconsciente. N&atilde;o estamos mais em 1900; a psican&aacute;lise faz    parte da cultura e as pessoas sabem que possuem um inconsciente. A demanda n&atilde;o    &eacute; mais descobri-lo, mas solucionar uma situa&ccedil;&atilde;o concreta.    A nova gera&ccedil;&atilde;o de analistas dever&aacute; faz&ecirc;-lo e se n&atilde;o    o fizerem n&atilde;o ter&atilde;o mais pacientes. &Eacute; a esta gera&ccedil;&atilde;o    que nos dirigimos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>N&atilde;o    &eacute; isto que dizem os pais das crian&ccedil;as autistas?</i>    <br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> O desamor n&atilde;o vem de qualquer lugar. Ainda    assim, n&atilde;o se pode aceitar todas as cr&iacute;ticas. Por exemplo, assistimos    a um fen&ocirc;meno novo: os doentes querem decidir sobre o tratamento e consideram    em especial que seus epis&oacute;dios delirantes fazem parte de sua identidade.    Eles n&atilde;o veem por que deveriam ser controlados pelos medicamentos sob    o pretexto de que escutam vozes. &Eacute; nisto que &eacute; preciso escut&aacute;-los.    Mas, estamos indo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o    do paciente em senhor do seu destino, o que n&atilde;o &eacute; desej&aacute;vel.    Nisto ainda, os psicanalistas t&ecirc;m uma parcela de responsabilidade, porque    ao se fecharem em suas torres de marfim, perdem sua autoridade. No essencial,    o que foi perdido pelas sociedades psicanalistas foi a posi&ccedil;&atilde;o    de mestre em proveito de uma posi&ccedil;&atilde;o de pequenos chefes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>O    que se entende por &#8220;mestre&#8221;?</i>    <br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> A posi&ccedil;&atilde;o de mestre permite a transfer&ecirc;ncia:    o psicanalista &eacute; &#8220;suposto saber&#8221; sobre aquilo que o analisante    ir&aacute; descobrir. Sem isto a busca da origem do sofrimento &eacute; quase    imposs&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>&Eacute;    realmente necess&aacute;rio passar pela restaura&ccedil;&atilde;o do mestre?</i>    <br>   <b>Alain Badiou:</b> O mestre &eacute; aquele que ajuda o indiv&iacute;duo a    se tornar sujeito. Pois se admitimos que o sujeito emerge na tens&atilde;o entre    o indiv&iacute;duo e o universal, &eacute; evidente que ele necessita de uma    media&ccedil;&atilde;o para avan&ccedil;ar em seu caminho. E, portanto, de uma    autoridade. A crise do mestre &eacute; a consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica da    crise do sujeito, e a psican&aacute;lise n&atilde;o escapou dela. &Eacute; preciso    restaurar a posi&ccedil;&atilde;o do mestre, e engana-se quem acha que podemos    evitar isso principalmente, e sobretudo, numa perspectiva emancipat&oacute;ria.    <br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> Quando o mestre desaparece ele &eacute; substitu&iacute;do    pelo chefe, pelo autoritarismo, e isso sempre termina, cedo ou tarde, no fascismo    &#8211; a hist&oacute;ria, infelizmente, j&aacute; nos provou isto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>A    psican&aacute;lise, o Sr. diz, faz parte das ci&ecirc;ncias humanas e n&atilde;o    da avalia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Mas, diferentemente de outras    ci&ecirc;ncias humanas, ela se prop&otilde;e cuidar e ser paga por isto.</i>    <br>   <b>Alain Badiou:</b> Os pol&iacute;ticos n&atilde;o cessam de solicitar aos    soci&oacute;logos e economistas &#8211; remunerando-os! &#8211; relat&oacute;rios    a partir dos quais eles elaboram medidas que t&ecirc;m efeitos concretos sobre    a vida dos cidad&atilde;os. Tomemos a economia: ela vai de fracasso em fracasso    e, entretanto, ela se apresenta sempre como uma ci&ecirc;ncia. O que dizer da    ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, que tira vantagens do r&oacute;tulo cient&iacute;fico,    mas cujos produtos revelam-se, regularmente, muito mais perigosos do que um    tratamento anal&iacute;tico? Nossa sociedade est&aacute; infestada de pr&aacute;ticas    que se pretendem cient&iacute;ficas. &Eacute; justamente isto que a psican&aacute;lise    n&atilde;o faz.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>Elisabeth Roudinesco:</b> Quando ca&iacute;mos nas m&atilde;os de um mau    cirurgi&atilde;o n&atilde;o acusamos Hip&oacute;crates! Sim, a medicina realizou    imensos progressos que beneficiaram todos n&oacute;s, mas a compara&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o tem sentido. Se a psican&aacute;lise pode fazer progressos, isto    se dar&aacute; sobre outras modalidades, simplesmente porque jamais seremos    curados da condi&ccedil;&atilde;o humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N. O.:</b> <i>Portanto    h&aacute; impostores .....</i>    <br>   Elisabeth Roudinesco: H&aacute;, &eacute; verdade, e provavelmente mais do que    em outras disciplinas, pois o psiquismo &eacute; um dom&iacute;nio menos tang&iacute;vel.    As associa&ccedil;&otilde;es de analistas devem editar regras e &eacute; este    tamb&eacute;m o sentido do apelo que lan&ccedil;amos: critiquem seus desvios,    disso depende a sobreviv&ecirc;ncia da psican&aacute;lise. Caso contr&aacute;rio,    caminharemos em dire&ccedil;&atilde;o a uma sociedade org&acirc;nica onde seremos    tratados como objetos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elisabeth Roudinesco</b>,    67 anos, historiadora da psican&aacute;lise. Escreveu uma <i>Hist&oacute;ria    da Psicanalise na Fran&ccedil;a</i>, em dois volumes, bem como uma biografia    de Jacques Lacan (1993). Defende regularmente a psican&aacute;lise contra seus    detratores, mas criticou igualmente o dogmatismo dos psis, sobretudo no momento    do pacs (contrato de uni&atilde;o civil est&aacute;vel).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alain Badiou</b>,    75 anos, fil&oacute;sofo e escritor. Figura de proa do novo pensamento radical,    &eacute; autor do ensaio <i>Que nome encerra Sarkozy?</i> (2007). Nos anos 60    pertenceu ao grupo que, em torno de Louis Althusser, criticava o marxismo e    a psican&aacute;lise. Atualmente Lacan permanece uma de suas grandes fontes    de inspira&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maio/2012</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup> Critiquez    vos d&eacute;rives, il en va de votre survie! Texto publicado no Le Nouvel Observateur,    n.2476, em 19 de abril de 2012.</font></p>      ]]></body>

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