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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alguns impasses da clínica psicanalítica contemporânea e a sua operacionalização pelo desejo do analista]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text discusses some of the impasses found in contemporary psychoanalytic clinic, which will affect the transference relations and the conduct of the treatment. As the clinical management mode, Lacan proposes his theory of the desire of the analyst, allowing the analysand to repeat and to work through in the transference. The analyst takes the place of a function operator, making semblance of the object a, using enthusiastic knowledge, the so called gay science, or joyful science.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alguns impasses da cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica contempor&acirc;nea    e a sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o pelo desejo do analista</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Some impasses of the contemporary psychoanalytic clinic and its management    by the desire of the analyst</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Eliana Rodrigues Pereira Mendes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&iacute;rculo    Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#cor">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O texto discute    alguns dos impasses encontrados na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica contempor&acirc;nea,    que v&atilde;o afetar as rela&ccedil;&otilde;es tranferenciais e a condu&ccedil;&atilde;o    do tratamento. Como modo de abordar essa cl&iacute;nica, Lacan prop&otilde;e    sua teoriza&ccedil;&atilde;o sobre o desejo do analista, permitindo ao analisante    repetir e elaborar seus pr&oacute;prios conflitos na transfer&ecirc;ncia. O    analista atua como uma fun&ccedil;&atilde;o operadora, fazendo semblante de    objeto <i>a</i>, empregando um saber entusiasmado: o gaio saber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Impasses, Cl&iacute;nica Contempor&acirc;nea, Desejo de analista, Semblante    de objeto a, Gaio saber.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This text discusses some of the impasses found in contemporary psychoanalytic    clinic, which will affect the transference relations and the conduct of the    treatment. As the clinical management mode, Lacan proposes his theory of the    desire of the analyst, allowing the analysand to repeat and to work through    in the transference. The analyst takes the place of a function operator, making    semblance of the object a, using enthusiastic knowledge, the so called gay science,    or joyful science.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Impasses,    Contemporary Clinic, Desire of the Analyst, Semblance of the object a, Gay or    Joyful Science.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando Freud criou a psican&aacute;lise, explicitou e nomeou, desde o in&iacute;cio    de sua caminhada, a exist&ecirc;ncia de um empuxo &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o    da vida e &agrave; procria&ccedil;&atilde;o de outros seres, ao qual chamou    de libido ou puls&atilde;o de vida. No decorrer do tempo e de sua observa&ccedil;&atilde;o    das vicissitudes do desenvolvimento humano, chegou &agrave; explicita&ccedil;&atilde;o    e &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o de outro empuxo presente tamb&eacute;m nos    seres humanos, contr&aacute;rio &agrave; puls&atilde;o de vida, que leva &agrave;    disrup&ccedil;&atilde;o e ao fim de tudo, que chamou de puls&atilde;o de morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As duas puls&otilde;es est&atilde;o presentes em todos os seres vivos j&aacute;    que a natureza cobra da vida o seu fim; todo ser vivo tende &agrave; morte.    Essa &eacute; ent&atilde;o a ess&ecirc;ncia de todos os humanos: viver no p&ecirc;ndulo    constante que oscila de um extremo ao outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se as puls&otilde;es, como o inconsciente, s&atilde;o atemporais, os modos de    defesa do ser humano v&atilde;o variar de acordo com o tempo em que se vive,    pois cada &eacute;poca, cada cultura, cada mentalidade traz seus pr&oacute;prios    desafios. &Eacute; por isso que o analista tem que se inteirar dos novos tipos    de comportamento e de sintomas que aparecem em sua cl&iacute;nica, pois os modos    de gozo se modificam com o tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise como um saber explicitado &eacute; nova, tem pouco mais    de cem anos. Mas foi exatamente nesses cem anos, e talvez at&eacute; mesmo com    a sua importante contribui&ccedil;&atilde;o, que as mudan&ccedil;as em todos    os tipos de conhecimento e de modos de vida se tornaram manifestas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivemos numa sociedade    conflitiva, em que &eacute; necess&aacute;ria a ren&uacute;ncia de muitas puls&otilde;es    individuais para que se atinja um m&iacute;nimo de harmonia na vida em comum,    como j&aacute; foi dito por Freud em seu grande texto <i>O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</i>    (1930).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Birman (2008), o vis&iacute;vel mal-estar da sociedade atual incide    em tr&ecirc;s categorias b&aacute;sicas: perturba&ccedil;&otilde;es no corpo,    perturba&ccedil;&otilde;es na a&ccedil;&atilde;o e perturba&ccedil;&atilde;o    nos afetos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso, as patologias atuais, tais como os sintomas psicossom&aacute;ticos,    a anorexia, a bulimia demonstram a precariedade do processo de simboliza&ccedil;&atilde;o,    o que acaba por explodir no corpo, sendo ele o que nos resta de nosso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na a&ccedil;&atilde;o, vemos a agressividade, a viol&ecirc;ncia e a criminalidade    cada vez mais presentes. Para se livrar das puls&otilde;es, para n&atilde;o    ter que se destruir narcisicamente, o sujeito faz atua&ccedil;&otilde;es. A    neurose de p&acirc;nico e a fadiga cr&ocirc;nica, assim como as compuls&otilde;es    &agrave; droga, &agrave; comida e ao consumo exagerado est&atilde;o nessa categoria.    As compuls&otilde;es s&atilde;o, na verdade, formas fracassadas de a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que se refere aos afetos, o sujeito n&atilde;o tem mais controle de si pr&oacute;prio,    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dificuldades que encontra. Sendo assim, experimenta    a depress&atilde;o como um vazio, em vez da autoagress&atilde;o. H&aacute;,    na verdade, um esvaziamento do campo do pensamento, acompanhado de pobreza de    linguagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa pobreza aparece n&atilde;o s&oacute; por causa do predom&iacute;nio das    imagens, fen&ocirc;meno espec&iacute;fico do nosso tempo, mas tamb&eacute;m    por causa das pr&oacute;prias transforma&ccedil;&otilde;es internas. Esses fatores    favorecem o aparecimento de processos verbais meton&iacute;micos como a linguagem    da internet, por exemplo, ou as picha&ccedil;&otilde;es feitas por toda parte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O sujeito contempor&acirc;neo &eacute; cada vez mais marcado pela dor e menos    pelo sofrimento. A dor &eacute; experimentada no corpo, e o sofrimento &eacute;    a subjetiva&ccedil;&atilde;o da dor. No mundo marcado pela desconfian&ccedil;a    do outro, os espa&ccedil;os de transfer&ecirc;ncia e interlocu&ccedil;&atilde;o    ficam diminu&iacute;dos. O que existe ent&atilde;o &eacute; o desalento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A depress&atilde;o se demonstra muito mais pela melancolia, pelo vazio do que    pela ang&uacute;stia ou pelo conflito da interioridade. O que se v&ecirc; hoje    &eacute; o sujeito sem interioridade, entregue a uma vida desqualificada. O    sofrimento, qualquer que seja ele, tem que ser evitado. Disso resulta o uso    exagerado de medica&ccedil;&otilde;es psicotr&oacute;picas, que supostamente    acabam com o sofrimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De que modo a psican&aacute;lise pode intervir nessa situa&ccedil;&atilde;o?    Em primeiro lugar temos de lembrar sempre que a psican&aacute;lise &eacute;    um instrumento de desaliena&ccedil;&atilde;o do sujeito. Ela pode abrir espa&ccedil;o    de transfer&ecirc;ncia e de interlocu&ccedil;&atilde;o. Mas para isso ela tem    de &#8220;se desapegar da ortodoxia&#8221; (BIRMAN, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da    psican&aacute;lise em intens&atilde;o (a an&aacute;lise individual cl&aacute;ssica,    na qual se busca a cura-tipo), hoje s&atilde;o comuns as abordagens que extrapolam    esse modelo anal&iacute;tico, como a an&aacute;lise da psicose, a an&aacute;lise    da crian&ccedil;a, a an&aacute;lise dos psicossom&aacute;ticos e dos <i>borderlines</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se pode deixar de considerar a import&acirc;ncia da assim chamada    psican&aacute;lise em extens&atilde;o, que atua no campo social, em m&uacute;ltiplas    situa&ccedil;&otilde;es e organiza&ccedil;&otilde;es (como nas empresas, nas    escolas, nas comunidades e em outras organiza&ccedil;&otilde;es), o que leva    a uma reformula&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio espa&ccedil;o anal&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso, n&oacute;s, psicanalistas, somos convocados a repensar nossas categorias    da escuta psicanal&iacute;tica, alargando nosso dom&iacute;nio de a&ccedil;&atilde;o.    &Agrave; psican&aacute;lise cabe abrir o espa&ccedil;o para a palavra, para    o discurso &eacute;tico e pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as vertiginosas de nosso tempo levam tamb&eacute;m a novas configura&ccedil;&otilde;es    amorosas e familiares, o que muda o campo de a&ccedil;&atilde;o do psicanalista.    Isso impele o profissional da psican&aacute;lise a se preocupar com sua maneira    de agir diante dos novos sintomas que se tornam mais usuais e flagrantes a cada    dado momento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica tem apresentado tantos novos formatos    de males ps&iacute;quicos, a transfer&ecirc;ncia que se desenvolve entre analista    e analisante merece um olhar mais atento. Entre as quest&otilde;es que mais    tenho observado, gostaria de chamar aten&ccedil;&atilde;o para algumas. Gostaria    de chamar aten&ccedil;&atilde;o para algumas das quest&otilde;es que mais tenho    observado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na contemporaneidade,    a rela&ccedil;&atilde;o de tempo e espa&ccedil;o foi totalmente modificada.    Hoje, no mundo informatizado, j&aacute; se pode ocupar v&aacute;rios espa&ccedil;os    ao mesmo tempo. A internet nos p&otilde;e em contato, simultaneamente, com dois    ou mais espa&ccedil;os diferentes. Sem sair do lugar, podemos nos comunicar    tanto pela vis&atilde;o, quanto pela <i>voz</i>, com pessoas &agrave; dist&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paradoxalmente, no entanto, a facilidade com que se d&aacute; essa comunica&ccedil;&atilde;o    virtual n&atilde;o corresponde &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o presencial,    que se tem tornado cada dia mais complexa. Esse estado de coisas vai afetar,    sem d&uacute;vida, as pessoas que procuram uma an&aacute;lise. Quem mora numa    cidade grande, onde o tr&aacute;fego de ve&iacute;culos &eacute; cada dia mais    ca&oacute;tico, tem que pensar muito antes de tomar um compromisso. Quanto tempo    se leva para chegar a um determinado lugar, quanto tempo se perde, ser&aacute;    que vale a pena?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se hoje em dia a anatomia n&atilde;o &eacute; mais o destino, pois se pode at&eacute;    trocar fisicamente de sexo, a geografia tomou esse lugar. A geografia parece    ser o destino, com muitos clientes buscando um analista nas proximidades de    sua casa ou trabalho. Estaremos n&oacute;s, enquanto analistas, destinados a    s&oacute; receber os clientes de nosso bairro, como a mercearia da esquina?    Essa &eacute; uma novidade que nos faz pensar e que interfere na transfer&ecirc;ncia    inicial do cliente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro impasse que se criou: numa economia inst&aacute;vel, j&aacute; n&atilde;o    se pode pensar em mais de uma sess&atilde;o por semana. Al&eacute;m de tudo,    temos a concorr&ecirc;ncia com todas as exig&ecirc;ncias da vida atual, em que    a pessoa, para ser feliz, tem que cuidar ao m&aacute;ximo de sua pr&oacute;pria    imagem, andar na moda, com bons carros e acess&oacute;rios, viajar sempre para    se manter &agrave; altura das conversa&ccedil;&otilde;es sociais, que sempre    incluem o relato de viagens feitas &agrave;s v&aacute;rias partes do mundo.    Com tantos gastos, acaba-se chegando &agrave; proposta de uma sess&atilde;o    a cada quinze dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paradoxalmente, nossos analisantes n&atilde;o querem uma an&aacute;lise &#8220;demorada&#8221;.    Ora, se as sess&otilde;es psicanal&iacute;ticas n&atilde;o podem e n&atilde;o    devem se ater apenas aos relatos factuais da vida do analisante, se elas n&atilde;o    podem ser apenas a &#8220;cr&ocirc;nica dos acontecimentos cotidianos&#8221;,    como se pode atender com uma dist&acirc;ncia t&atilde;o longa no tempo, como    essa de duas em duas semanas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise sup&otilde;e uma &#8220;frequ&ecirc;ncia razo&aacute;vel&#8221;    de sess&otilde;es, que propicie um clima de trabalho entre o analista e seu    analisante, que chegue a favorecer o aparecimento das associa&ccedil;&otilde;es    livres e a instaura&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia. As sess&otilde;es    de quinze em quinze dias s&atilde;o um eterno recome&ccedil;ar pelos fatos vividos    e n&atilde;o avan&ccedil;am muito, em geral, e principalmente no in&iacute;cio    da an&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale lembrar que, quando um analisante vem &agrave; an&aacute;lise &#8220;sem    nada para dizer&#8221;, quando n&atilde;o se programa previamente, produz as    sess&otilde;es que mais rendem, do ponto de vista da exposi&ccedil;&atilde;o    do inconsciente. Ali&aacute;s, n&atilde;o se pode esperar do analisante que    ele venha &agrave; an&aacute;lise para fazer an&aacute;lise, ele vem sempre    fazer outra coisa. Vem se queixar de ser v&iacute;tima em suas rela&ccedil;&otilde;es    conjugais com um mau parceiro, de ter sido negligenciado pelos pais, de n&atilde;o    ter sorte no emprego, e por a&iacute; vai. Em sua vis&atilde;o, &eacute; o analista    quem tem a chave da porta que o conduzir&aacute; &agrave; felicidade e ao bem-estar    totais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma analista relata que seu analisante disse um dia: &#8220;N&atilde;o sei o    que dizer hoje&#8221;. Ao que ela respondeu: &#8220;E &eacute; preciso saber?&#8221;    N&atilde;o &eacute; preciso saber para fazer an&aacute;lise, &eacute; preciso,    primordialmente, falar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O analisante, em sua procura pelo sujeito suposto saber, posi&ccedil;&atilde;o    em que ele coloca o analista, se mant&eacute;m diante dele como um enigma a    ser decifrado. E espera que ele descubra a fonte de todos os seus problemas,    e que conclua logo sua ideia sobre o analisante, com frases grandiloquentes    que definam exatamente o que ele &eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;Decifra-me ou vou-me embora&#8221;, parecem querer dizer os clientes    atuais, na sua demanda por uma an&aacute;lise r&aacute;pida e sem sofrimento.    Lembro-me de uma analisante que dizia sempre: &#8220;Voc&ecirc; n&atilde;o quer    me falar o que me falta; depois de tanto tempo, voc&ecirc; sabe, mas n&atilde;o    fala&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a transfer&ecirc;ncia    anal&iacute;tica tem sido cada vez mais atingida por tantos fatores contempor&acirc;neos,    temos tamb&eacute;m o avan&ccedil;o, na sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o,    da instigante teoriza&ccedil;&atilde;o que Lacan nos traz quando fala do seu    conceito de desejo do analista e do seu papel de semblante do objeto <i>a</i>,    formula&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o encontramos em Freud nem nos p&oacute;s-freudianos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que vem a ser esse &#8220;desejo do analista?&#8221; O desejo do analista    &eacute; o desejo que move algu&eacute;m em an&aacute;lise, particularmente    no per&iacute;odo final da an&aacute;lise, a se tornar analista. Esse mesmo    desejo &eacute; o instrumento com o qual o analisante que se tornou analista    vai operar, por sua vez, na condu&ccedil;&atilde;o do tratamento anal&iacute;tico    de seus pr&oacute;prios analisantes. &Eacute; o desejo do analista que se encontra    na base da &eacute;tica da psican&aacute;lise, pois &eacute; o desejo correlato    &agrave; a&ccedil;&atilde;o do analista na sua cl&iacute;nica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo de analista    n&atilde;o se apresenta como algo consciente, da ordem do ser, dos bens e da    moral. N&atilde;o &eacute; um desejo egoico nem parte da consci&ecirc;ncia.    O &#8220;eu quero ser analista&#8221; &eacute; efeito da an&aacute;lise, dos    restos da an&aacute;lise que, tendo escapado da cadeia significante, terminam    por dar lugar a uma escritura, a um <i>synthome</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na an&aacute;lise o desejo que conta e que est&aacute; em causa &eacute; um    s&oacute;, est&aacute; do lado do analisante e n&atilde;o do analista, mas vai    depender do analista e do desejo dele, que todo o processo ocorra ou n&atilde;o.    Que sentido teria o desejo do analista nesse processo?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O analista tem desejo, mas n&atilde;o &eacute; o desejo singular dele que est&aacute;    em causa. Mesmo ap&oacute;s uma longa an&aacute;lise levada a s&eacute;rio,    o analista n&atilde;o fica desprovido de desejo, nem de inconsciente. Os desejos    s&atilde;o sempre infantis, inconscientes e indestrut&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O analista, pela experi&ecirc;ncia de sua pr&oacute;pria an&aacute;lise, adquire    n&atilde;o s&oacute; uma nova forma de lidar com seu inconsciente, como tamb&eacute;m    uma nova forma de saber reconhecer o que &eacute; o desejo; essa &eacute; uma    das vertentes do seu &#8220;saber fazer&#8221; no processo. O desejo do analista    &eacute; que a psican&aacute;lise ocorra, que o analisante venha &agrave; sess&atilde;o    para falar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O analista tem de resistir e n&atilde;o ceder de sua posi&ccedil;&atilde;o;    caso contr&aacute;rio, acabar&aacute; demonstrando autoritariamente seu saber    sobre o outro. Sem d&uacute;vida, tem de ter o conhecimento de que o saber que    opera numa an&aacute;lise n&atilde;o &eacute; o saber consciente, mas sim um    outro saber que tanto o analista quanto o analisante ignoram.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O saber do analisante &eacute; o saber inconsciente, recalcado, que ele ignora,    e a verdade a que ele chega n&atilde;o pode ser dita toda. H&aacute; sempre    um meio dizer, por parte do analista, porque, se a verdade &eacute; toda dita,    n&atilde;o restaria nada para marcar o recalcado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse meio dizer n&atilde;o &eacute;, no entanto, equivalente &agrave; mentira    ou ao engodo. H&aacute; algo que escapa sempre, o real do simb&oacute;lico,    chamado algumas vezes de umbigo do sonho, fenda que marca para sempre o sujeito    barrado, dividido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; o analista quem guia o tratamento, mas isso n&atilde;o quer dizer que    ele guie a vida, a consci&ecirc;ncia de quem o escuta. Guiar o tratamento &eacute;    saber fazer advir o saber do pr&oacute;prio analisante, fazendo vir &agrave;    tona esse saber que emerge, tomando como via o analista na transfer&ecirc;ncia.    O analisante se dirige ao analista como objeto de seu amor, amor propriamente    ao sujeito suposto saber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas &eacute; fun&ccedil;&atilde;o do analista, a partir do seu saber fazer,    reendere&ccedil;ar essa suposi&ccedil;&atilde;o de saber ao analisante, ao inconsciente    dele. O amor do analisante &eacute; uma tentativa de encobrir o desejo. Como    o amor pertence ao registro do Imagin&aacute;rio, o amor ao sujeito suposto    saber &eacute; uma ilus&atilde;o, na tentativa de fazer UM com o analista. O    desejo, no entanto, &eacute; particular, do campo do Simb&oacute;lico, do Outro,    da Diferen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que se espera do analista &eacute; uma an&aacute;lise. Do seu lado sup&otilde;e-se    uma an&aacute;lise anterior, e, portanto, espera-se que ele suporte e reconhe&ccedil;a    o seu n&atilde;o saber da particularidade do desejo do analisante. Essa posi&ccedil;&atilde;o    o remete &agrave; castra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo &eacute;    sempre desejo do Outro e &eacute; por interm&eacute;dio dessa coloca&ccedil;&atilde;o    em causa do analista, enquanto semblante do objeto <i>a</i>, que ele pode, atrav&eacute;s    da repeti&ccedil;&atilde;o da puls&atilde;o na transfer&ecirc;ncia, fazer advir    o que ignora e que concerne apenas ao analisante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando o analista tenta dirigir a vida do analisante, ele teme n&atilde;o saber    do imposs&iacute;vel. O efeito desse temor &eacute; a perda da dire&ccedil;&atilde;o    do tratamento, no momento em que o analista d&aacute; consist&ecirc;ncia ao    lugar que ocupa, e que deveria estar esvaziado. Dessa forma se repete a condi&ccedil;&atilde;o    do analisante de assujeitamento ao desejo do Outro, ao desejo dos pais. Ao dar    consist&ecirc;ncia a esse lugar, o analista se coloca como o pr&oacute;prio    grande Outro, fortalecendo sua posi&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio e de    prest&iacute;gio. O desejo do analista &eacute; um desejo advertido: &eacute;    imposs&iacute;vel saber da particularidade do desejo e da hist&oacute;ria de    cada um!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>Avesso da    psican&aacute;lise</i>, Lacan ([1969-1970] 1992) enfatiza que a an&aacute;lise    ocorre na passagem de um discurso a outro, e n&atilde;o em cada um deles. O    sujeito seria, ent&atilde;o, um efeito do discurso, dos v&aacute;rios discursos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posi&ccedil;&atilde;o    do analista, por sua vez, &eacute; feita substancialmente do objeto <i>a</i>,    mas o analista deve saber que n&atilde;o est&aacute; nessa posi&ccedil;&atilde;o    por si mesmo. O objeto <i>a</i> &eacute; opaco, &eacute; dado n&atilde;o ao    conhecimento, mas ao desejo, ele &eacute; a pr&oacute;pria causa do desejo.    O analista faz semblante do objeto <i>a</i>, mas sabe que n&atilde;o &eacute;    o pr&oacute;prio objeto de seu analisante, e sim apenas o lugar de promover    a articula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas o que fazer para que o saber do analisante se coloque, para oferecer o analista    enquanto lugar desse endere&ccedil;amento? O que funciona a&iacute; &eacute;    o desejo do analista, fazendo com que o analisante possa repetir e elaborar,    na transfer&ecirc;ncia com o analista, seus pr&oacute;prios conflitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora no princ&iacute;pio do tratamento o analisante considere o analista como    o sujeito suposto saber, &eacute; a partir do desejo de analista que o analisante    se reconhece como detentor de seu pr&oacute;prio saber, da radical diferen&ccedil;a    do Outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Caso o analista se coloque no lugar de amante, de dom&iacute;nio, vai impedir    o analisante de des-supor o saber do analista. Agindo dessa forma, o analista    refor&ccedil;a a demanda de amor do analisante e alimenta a doen&ccedil;a, fechando    a possibilidade de aparecimento do desejo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O analista n&atilde;o tem um lugar compacto, mas &eacute; apenas uma fun&ccedil;&atilde;o    operadora. Caso se coloque numa posi&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, resiste    &agrave; castra&ccedil;&atilde;o, tentando completar o sujeito naquilo que ele    tem de primordial na sua constitui&ccedil;&atilde;o &#8211; a falta. Ao analista    cabe promover a articula&ccedil;&atilde;o do desejo, exatamente ao introduzir    a falta e a castra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quinet (2000, p. 112) usa uma imagem interessante quanto a isso:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo do analista &eacute; como uma vaga na garagem. &Eacute; a vaga onde    o bonde chamado desejo do analisante pode estacionar pelo tempo necess&aacute;rio    de uma an&aacute;lise.</font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na <i>Nota italiana</i>    Lacan ([1973] 1991 <i>apud</i> Quinet, 2000, p. 114) acrescenta outro atributo    que caracteriza o desejo do analista: o entusiasmo. O desejo do analista n&atilde;o    &eacute; um desejo triste, conformado com a falta, n&atilde;o &eacute; resigna&ccedil;&atilde;o    do conformista, apesar de ser um desejo que assume a falta, como consentimento    &agrave; castra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se antes de um desejo que empolga, anima, vertendo afeto para o &acirc;mbito    do saber que ele enquadra, conferindo-lhe a conota&ccedil;&atilde;o de um saber    alegre, um gaio saber. O desejo aqui n&atilde;o &eacute; o sujeito, e sim um    objeto do saber, &eacute; uma caracter&iacute;stica do saber, &eacute; um saber    que &eacute; desejante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltando aos impasses, &eacute; natural que a evolu&ccedil;&atilde;o dos tempos    coloque novos problemas para quem lida com pessoas em sofrimento ps&iacute;quico.    O importante &eacute; saber buscar meios e formula&ccedil;&otilde;es que nos    possam ser &uacute;teis no enfrentamento desses impasses. Ao tratar da transfer&ecirc;ncia    &agrave; luz do desejo do analista, estamos em busca de uma operacionalidade    que nos permita superar as dificuldades que se apresentem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afinal, cabe ao analista, atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia bem trabalhada,    fazer seu analisante chegar aos pontos cruciais que definem uma an&aacute;lise    bem-sucedida. Dessa forma, o analisante, ao fim de uma an&aacute;lise, deve    poder reconhecer: a efic&aacute;cia silenciosa (e &agrave;s vezes flagrante)    do inconsciente, o peso das amarras que o pr&oacute;prio sujeito constr&oacute;i    para complicar sua vida e a dos outros, a fun&ccedil;&atilde;o liberadora do    conhecimento de si, e ainda a for&ccedil;a criadora da fantasia e do desejo,    a ponto de poder continuar, ele mesmo, com o desejo de analista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIRMAN, J. Palestra    proferida no CPMG, em 2008. In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2412400&pid=S0102-7395201500020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FALC&Atilde;O,    A. L. B. <i>Desejo do analista</i>. Dispon&iacute;vel em: &lt;www.interseccaopsicanalitica.com.br&gt;.    Acesso em 11 jul. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2412402&pid=S0102-7395201500020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. O mal-estar    na civiliza&ccedil;&atilde;o (1930 [1929]). In: ______. <i>O futuro de uma ilus&atilde;o,    o mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o e outros trabalhos</i> (1927-1931).    Dire&ccedil;&atilde;o-geral da tradu&ccedil;&atilde;o de Jayme Salom&atilde;o.    Rio de Janeiro: Imago, 1974. p. 73-148. (Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud, 21).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2412404&pid=S0102-7395201500020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    semin&aacute;rio, livro 17: o avesso da psican&aacute;lise</i> (1969-1970).    Rio de Janeiro: Zahar, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2412406&pid=S0102-7395201500020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">QUINET, A. Demanda    e desejo. In: ______. <i>A descoberta do inconsciente: do desejo ao sintoma</i>.    Rio de Janeiro: Zahar, 2000. cap. IV, p. 87-116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2412408&pid=S0102-7395201500020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/reverso/v37n70/seta.gif" border=0><a href="#end">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>:    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Araguari, 1541/7&ordm; andar - Santo Agostinho    <br>   30190-111 - Belo Horizonte - MG    <br>   E-mail: <a href="mailto:elianarpmendes@hotmail.com">elianarpmendes@hotmail.com</a></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 11/08/2015    <br>   Aprovado em: 14/08/2015</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sobre a Autora</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Eliana Rodrigues Pereira Mendes</b>    <br>   Psic&oacute;loga. Psicanalista.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Presidente do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais - Tri&ecirc;nio    2011/2014.</font></p>      ]]></body>
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