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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Intervenção clínica em grupo baseada na terapia de aceitação e compromisso: Manejo da ansiedade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Acceptance and Commitment Therapy (ACT) proposes acceptance of thoughts and feelings and the recongnition of contingencies that are related to them, enabling behavior changes that can also change them. The purpose of this work was to report and discuss a groupal clinical intervention experience, based on ACT, for patients with anxiety complaint, held in the school-clinic of a public university. The group was conducted by two psychologists and registered by three students of the Psychology course. Six participants were selected for the group based on the previous screenings existing in the school-clinic. After individual interviews, the participants were invited to the intervention phase. Thirteen therapeutic sessions were held, focusing on anxiety as an adaptive response, the impossibility of controlling thoughts and feelings, consequences of experiential avoidance behaviors, acceptance, goals, values-based living and coping with situations. Practical activities and metaphors were used in most sessions. Most participants reported that they have started to accept thoughts and feelings, to expose themselves and face situations that had previously been avoided. This study has a descriptive exploratory application of the ACT concepts in a group. It is suggested that controlled studies are conducted to evaluate the efficacy from such kind of intervention.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="4"><b>Interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em grupo baseada na terapia   de aceita&ccedil;&atilde;o e compromisso: Manejo da ansiedade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="3"><b>   Group clinical intervention based on acceptance and commitment therapy:   Anxiety management</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>Mariana de Toledo Chagas; Gisela Guilherme; Josy de Souza Moriyama</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>  </b>Universidade Estadual de Londrina (Brasil) </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif"> <a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">A Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o e Compromisso (ACT) prop&otilde;e a aceita&ccedil;&atilde;o de pensamentos e sentimentos e a identifica&ccedil;&atilde;o   de conting&ecirc;ncias relacionadas a eles, possibilitando mudan&ccedil;as de comportamento que possam alter&aacute;las.   O objetivo deste trabalho foi relatar e discutir uma experi&ecirc;ncia de interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em grupo, baseada   na ACT, para pacientes com queixa de ansiedade, realizada na Cl&iacute;nica-Escola de uma universidade p&uacute;blica.   O grupo foi conduzido por duas psic&oacute;logas e registrado por tr&ecirc;s alunas do curso de Psicologia. Foram selecionados   seis participantes para o grupo a partir de triagens j&aacute; existentes na cl&iacute;nica. Ap&oacute;s passarem por   entrevistas individuais, os participantes foram convidados para a interven&ccedil;&atilde;o. Foram realizadas 13 sess&otilde;es   terap&ecirc;uticas, enfocando quest&otilde;es como a ansiedade enquanto resposta adaptativa, a impossibilidade de controlar   sentimentos e pensamentos, consequ&ecirc;ncias do comportamento de esquiva experiencial, aceita&ccedil;&atilde;o,   metas e valores de vida e enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es. Buscou-se utilizar atividades pr&aacute;ticas e met&aacute;foras em   grande parte das sess&otilde;es. A maioria dos participantes relatou passar a aceitar sentimentos e pensamentos,   expor&ndash;se e enfrentar situa&ccedil;&otilde;es que anteriormente vinham evitando. O estudo tem um car&aacute;ter explorat&oacute;rio   descritivo da aplica&ccedil;&atilde;o dos conceitos da ACT em grupo. Sugere-se que estudos controlados sejam realizados para avaliar a efic&aacute;cia desde exemplo de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> aceita&ccedil;&atilde;o; terapia de aceita&ccedil;&atilde;o e compromisso (ACT); esquiva experiencial; ansiedade; terapia em grupo; estudo de caso; an&aacute;lise do comportamento; emo&ccedil;&atilde;o</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">Acceptance and Commitment Therapy (ACT) proposes acceptance of thoughts and feelings and the recongnition   of contingencies that are related to them, enabling behavior changes that can also change them. The   purpose of this work was to report and discuss a groupal clinical intervention experience, based on ACT, for patients with anxiety complaint, held in the school-clinic of a public university. The group was conducted by two psychologists and registered by three students of the Psychology course. Six participants were selected for the group based on the previous screenings existing in the school-clinic. After individual interviews, the participants were invited to the intervention phase. Thirteen therapeutic sessions were held, focusing on anxiety as an adaptive response, the impossibility of controlling thoughts and feelings, consequences of experiential avoidance behaviors, acceptance, goals, values-based living and coping with situations. Practical activities and metaphors were used in most sessions. Most participants reported that they have started to accept thoughts and feelings, to expose themselves and face situations that had previously been avoided. This study has a descriptive exploratory application of the ACT concepts in a group. It is suggested that controlled studies are conducted to evaluate the efficacy from such kind of intervention.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"><b>Key words:</b> acceptance; acceptance and commitment therapy (ACT); experiential avoidance; anxiety; group therapy; case study; behavior analysis; emotion</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">A Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o e Compromisso (ACT) surgiu na d&eacute;cada de 80, dentro de um contexto que foi denominado   de Terapias de Terceira Onda, em que analistas do comportamento passaram a considerar tanto   a subjetividade (eventos como pensamentos e sentimentos) do cliente, quanto a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Na   cl&iacute;nica, &eacute; comum que os clientes apresentem como objetivo a necessidade de livrar-se dos seus pensamentos   e sentimentos considerados aversivos. Terapeutas da terceira onda enfocam estes eventos como fen&ocirc;menos   f&iacute;sicos, isto &eacute;, manifesta&ccedil;&otilde;es do organismo diante de conting&ecirc;ncias espec&iacute;ficas e n&atilde;o como causa de comportamentos.   Desse modo, prop&otilde;em que n&atilde;o se deve buscar modificar ou adequar estes eventos, assim como   propunham as Terapias de Segunda Onda. A alternativa a isto &eacute; aceitar os pensamentos e sentimentos, sem   tentar control&aacute;-los, identificar as conting&ecirc;ncias relacionadas a eles e propor mudan&ccedil;as de comportamentos que realmente possam alter&aacute;-las (Vandenberghe &amp; Sousa, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Nos eventos como emo&ccedil;&otilde;es e sentimentos est&atilde;o presentes dois tipos de rela&ccedil;&atilde;o do organismo com o   ambiente: o comportamento respondente e o comportamento operante. O medo, por exemplo, poderia ser   explicado como um conjunto de respostas das gl&acirc;ndulas e m&uacute;sculos lisos diante de algum objeto temido &ndash; comportamentos respondentes &ndash; e ainda uma baixa probabilidade de aproxima&ccedil;&atilde;o do objeto &ndash; comportamento   operante (Skinner, 1986/1995). No caso da ansiedade, os comportamentos respondentes ou respostas   fisiol&oacute;gicas s&atilde;o muito semelhantes aos apresentados no medo, por&eacute;m, estas respostas ocorrem na aus&ecirc;ncia   do objeto temido. Ao inv&eacute;s da presen&ccedil;a de um est&iacute;mulo aversivo, h&aacute; est&iacute;mulos que sinalizam a possibilidade   da apresenta&ccedil;&atilde;o deste. Alguns est&iacute;mulos podem ter adquirido este car&aacute;ter pr&eacute;-aversivo a partir de processos   de condicionamento respondente, em que est&iacute;mulos neutros s&atilde;o pareados com est&iacute;mulos aversivos (Zamignani &amp; Banaco, 2005). Al&eacute;m disso, os est&iacute;mulos podem adquirir este car&aacute;ter a partir de processos de generaliza&ccedil;&atilde;o   ou equival&ecirc;ncia de est&iacute;mulos. Com o advento do comportamento verbal, os seres humanos passam   a formar redes de rela&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias entre est&iacute;mulos que n&atilde;o foram diretamente pareados. Este processo   pode ocorrer inclusive com est&iacute;mulos verbais, como pensamentos, lembran&ccedil;as e sentimentos, que podem ser   relacionados a est&iacute;mulos aversivos como situa&ccedil;&otilde;es, lugares e pessoas. Atrav&eacute;s desse processo, um evento   verbal, como um sentimento ou um pensamento, pode adquirir um car&aacute;ter aversivo por si pr&oacute;prio (Friman,   Hayes, &amp; Wilson, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   O car&aacute;ter aversivo adquirido por algumas experi&ecirc;ncias privadas do indiv&iacute;duo pode levar &agrave; denominada   Esquiva Experiencial, que ocorre quando o indiv&iacute;duo se engaja em comportamentos de fuga ou esquiva   dessas experi&ecirc;ncias. Dessa forma, a pessoa passa a se esquivar n&atilde;o apenas do evento que inicialmente lhe   causava sensa&ccedil;&otilde;es aversivas, mas tamb&eacute;m das sensa&ccedil;&otilde;es que passam a ser consideradas aversivas em si   mesmas. O comportamento de esquiva &eacute; negativamente refor&ccedil;ado, pois diminui momentaneamente as sensa&ccedil;&otilde;es   aversivas. O problema da Esquiva Experiencial &eacute; que n&atilde;o h&aacute; mudan&ccedil;a nas conting&ecirc;ncias de que estes eventos s&atilde;o produto, n&atilde;o levando &agrave; dessensibiliza&ccedil;&atilde;o do organismo aos est&iacute;mulos aversivos e pr&eacute;-aversivos   (Blackledge &amp; Hayes, 2001).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Para a An&aacute;lise do Comportamento, os comportamentos t&iacute;picos dos transtornos psiqui&aacute;tricos s&atilde;o desenvolvidos   ao longo da vida de um indiv&iacute;duo, a partir de suas intera&ccedil;&otilde;es com o meio. Portanto, s&atilde;o fruto da   hist&oacute;ria de refor&ccedil;amento e das conting&ecirc;ncias atuais. A maioria dos comportamentos t&iacute;picos dos transtornos   de ansiedade pode ser explicada por meio da Esquiva Experiencial. Indiv&iacute;duos com padr&otilde;es de ansiedade   buscam se esquivar n&atilde;o apenas das situa&ccedil;&otilde;es que inicialmente foram aversivas ou outros eventos relacionados   a elas, mas principalmente, das sensa&ccedil;&otilde;es de ansiedade em si. Quando estes indiv&iacute;duos buscam por   terapia, geralmente, esperam se livrar das sensa&ccedil;&otilde;es de ansiedade (Moriyama &amp; Amaral, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   A proposta primordial da ACT seria levar o indiv&iacute;duo a aceitar as sensa&ccedil;&otilde;es de ansiedade, entre outros   eventos privados considerados aversivos e se comprometer a modificar comportamentos de esquiva de   uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es. Com isso, seriam alteradas as conting&ecirc;ncias realmente respons&aacute;veis pelas sensa&ccedil;&otilde;es   aversivas (Hayes, 1987).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   O objetivo deste trabalho &eacute; relatar e discutir uma experi&ecirc;ncia de interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica baseada na ACT   utilizada em um grupo terap&ecirc;utico cujos participantes tinham como queixa principal o manejo da ansiedade.   Com este prop&oacute;sito, os participantes ser&atilde;o caracterizados e as sess&otilde;es terap&ecirc;uticas realizadas ser&atilde;o descritas.   Nas descri&ccedil;&otilde;es das sess&otilde;es, poder&atilde;o ser observados alguns relatos literais dos participantes e das terapeutas   como exemplos e resultados das interven&ccedil;&otilde;es propostas. Os relatos dos participantes foram adequados &agrave;   norma culta da l&iacute;ngua portuguesa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="3">     <b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Participantes</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   A sele&ccedil;&atilde;o dos participantes foi feita a partir dos relatos das triagens da Cl&iacute;nica Psicol&oacute;gica. Foram selecionadas   seis triagens de clientes com queixas de quadros de ansiedade. Eles foram chamados para uma entrevista   individual, que avaliou a possibilidade de participarem de atendimento em grupo. Nesta entrevista,   foram abordados os seguintes t&oacute;picos: a) dados da vida atual, como descri&ccedil;&atilde;o dos aspectos da fam&iacute;lia, afetividade/   vida conjugal, escola/trabalho, atividades f&iacute;sica e lazer, rotina; b) dados relacionados &agrave; ansiedade,   como diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico/medica&ccedil;&atilde;o, in&iacute;cio, frequ&ecirc;ncia, situa&ccedil;&otilde;es/contexto em que se sentiam ansiosos,   comportamentos emitidos nessas situa&ccedil;&otilde;es e suas consequ&ecirc;ncias. A partir das entrevistas individuais,   foi poss&iacute;vel levantar alguns dados sobre os participantes, descritos a seguir:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P1, 28 anos, professor de m&uacute;sica, ensino superior completo. O cliente apresentou como queixas iniciais   medo e ansiedade frente ao futuro profissional, tendo como objetivo da terapia diminuir a ansiedade.   Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria de vida, P1 relatou que seu pai sofria de Transtorno Bipolar do Humor e era alcoolista,   tratando a fam&iacute;lia de maneira violenta. Sua m&atilde;e era deprimida, preocupada e pessimista. P1 disse ter   passado por muitas tentativas na carreira de cantor, que resultaram em exig&ecirc;ncias e insucesso. Tamb&eacute;m   passou mal em uma viagem. P1 passou a evitar ambientes e situa&ccedil;&otilde;es em que poderia ter contato com m&uacute;sica   sertaneja ou com pessoas que questionassem sobre sua profiss&atilde;o de cantor, al&eacute;m de viagens. Apresentava   pensamentos obsessivos sobre ser cantor e doen&ccedil;as, falta de ar, inseguran&ccedil;a, taquicardia e dores de cabe&ccedil;a   cr&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P2, 37 anos, motorista afastado, ensino fundamental. Foi encaminhado para tratamento com o diagn&oacute;stico   de Transtorno do P&acirc;nico. Foi casado duas vezes. Ap&oacute;s as separa&ccedil;&otilde;es, rompeu totalmente o contato   com as ex-esposas e seus familiares. Trabalhava em uma empresa de &ocirc;nibus que exercia muita press&atilde;o sobre   seus funcion&aacute;rios. Um exemplo foi quando sofreu um assalto e precisou pagar &agrave; empresa com seu pr&oacute;prio   sal&aacute;rio. Foi afastado do trabalho ap&oacute;s sofrer um ataque de p&acirc;nico durante o expediente. O cliente passou a evitar toda e qualquer situa&ccedil;&atilde;o relacionada &agrave; empresa em que trabalhava, por exemplo, n&atilde;o andava de &ocirc;nibus,   n&atilde;o ia at&eacute; a sede da empresa, nem mesmo ao terminal. Procurava andar de carro e desviava de caminhos   pr&oacute;ximos &agrave; empresa. Evitava tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es de conflitos familiares, gritando, saindo de perto das pessoas   e at&eacute; evitando encontr&aacute;-las. P2 relatava sentir dores na nuca, boca seca, tremores e suor. Frequentemente   tinha pesadelos de que estava voltando a trabalhar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P3, 21 anos, graduando, superior incompleto. Relatou ter muita ansiedade para interagir com pessoas   e estudar. Sentia-se muito ansioso no momento que sentava para estudar, adiando suas tarefas, o que atrapalhava   seu desempenho acad&ecirc;mico. J&aacute; havia reprovado na gradua&ccedil;&atilde;o. Evitava situa&ccedil;&otilde;es relacionadas ao   curso, por exemplo, nos momentos em que ia estudar, ficava se levantando, engajava-se em outras atividades,   deixava tudo para a &uacute;ltima hora. Relatava ter pensamentos obsessivos e quebrar alguns objetos quando   se sentia nervoso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P4, 34 anos, secret&aacute;rio p&uacute;blico e graduando, superior incompleto. Sua queixa inicial foi a de perder   a paci&ecirc;ncia muito facilmente, sendo grosseiro com as pessoas, o que acabava afastando-as. Veio de outro   estado, praticamente perdendo o contato com sua fam&iacute;lia de origem. Separou-se da mulher, que tamb&eacute;m   morava distante, passando a ver seu filho apenas duas vezes ao ano. Na cidade em que vivia, n&atilde;o chegou a ter   nenhum relacionamento amoroso e n&atilde;o tinha amigos. Evitava situa&ccedil;&otilde;es em que tinha que expor suas ideias   e argumentos, pois as pessoas poderiam discordar dele. Diante deste tipo de situa&ccedil;&atilde;o, respondia de forma   agressiva, alterando o tom de voz e assumindo uma postura r&iacute;gida. Sentia taquicardia, boca seca, sudorese   e um "branco".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P5, 20 anos, secret&aacute;ria e graduanda, superior incompleto. Sua queixa inicial era sentir muita ansiedade   ao interagir em grupo de pessoas e ao apresentar semin&aacute;rios na faculdade e fazer perguntas ao professor.   Tamb&eacute;m relatou sentir muito ci&uacute;mes do marido. Evitava apresentar semin&aacute;rios e falar em sala de aula. Quando   precisava apresentar semin&aacute;rios, decorava o conte&uacute;do e sentia um "branco". Deixava de sair sozinha para   tentar evitar que o marido tamb&eacute;m sa&iacute;sse, o que lhe provocava muito ci&uacute;mes. Nestas situa&ccedil;&otilde;es, chorava,   gaguejava, suava, tremia e agredia verbal e fisicamente o marido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P6, 57 anos, auxiliar de enfermagem, superior incompleto. As queixas iniciais da cliente eram medo   de viajar de avi&atilde;o e ansiedade em situa&ccedil;&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o social, principalmente quando envolvia figuras de   autoridade. J&aacute; fora diagnosticada com S&iacute;ndrome do P&acirc;nico e relatava que gostaria de viajar de avi&atilde;o, mas   n&atilde;o o fazia por medo de ter novas crises. Sobre a hist&oacute;ria de vida, contou que sua m&atilde;e era esquizofr&ecirc;nica e   tinha alucina&ccedil;&otilde;es de que pessoas estavam tentando invadir a casa. P6 teve um casamento turbulento, com   brigas frequentes. O ex-marido era viciado em jogos e contra&iacute;a d&iacute;vidas constantemente. Ele tamb&eacute;m tinha   medos, por exemplo, de levar as crian&ccedil;as em passeios, alegando que algo de ruim poderia ocorrer. P6 passara   por crises de p&acirc;nico ao andar de elevador, em meio a uma aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas e no dentista. Passou a   evitar oportunidades de intera&ccedil;&atilde;o no trabalho, principalmente com sua chefe, exposi&ccedil;&atilde;o em p&uacute;blico e viagens   de avi&atilde;o. Relatou que seu cora&ccedil;&atilde;o disparava, sentia-se sufocada e saia de perto das pessoas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Procedimento</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Foram realizadas 13 sess&otilde;es de atendimento para manejo da ansiedade na Sala de Grupo da Cl&iacute;nica-Escola   de uma universidade p&uacute;blica, que possu&iacute;a uma sala de espelho unidirecional, permitindo a observa&ccedil;&atilde;o das   sess&otilde;es em tempo real. As sess&otilde;es tinham uma hora e meia de dura&ccedil;&atilde;o e foram conduzidas por duas psic&oacute;logas,   juntamente com uma graduanda do curso de Psicologia. Duas outras graduandas registravam as sess&otilde;es   a partir de observa&ccedil;&atilde;o atr&aacute;s do espelho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="3"><b>RESULTADOS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Desenvolvimento das sess&otilde;es</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 1</i>: O objetivo desta sess&atilde;o foi levantar com os participantes as formas como vinham lidando com a   ansiedade e expor o objetivo do tratamento de ensin&aacute;-los novas formas de lidar com este e outros sentimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Foi realizada a apresenta&ccedil;&atilde;o das terapeutas e do local, dia, hor&aacute;rio de in&iacute;cio e   t&eacute;rmino, n&uacute;mero total de sess&otilde;es do grupo. Al&eacute;m disso, foi estabelecido o contrato terap&ecirc;utico e os participantes leram e assinaram o termo de compromisso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Como primeira atividade, os participantes se apresentaram, relatando seu nome, atividade profissional,   queixa e expectativas com rela&ccedil;&atilde;o ao grupo. P6 afirmou que evitava fazer muitas coisas por causa da ansiedade.   J&aacute; P1 relatou: "Tenho a expectativa de aprender a controlar a ansiedade e os sintomas desprazerosos   que ela traz. Esse v&iacute;cio que eu criei, essa compuls&atilde;o pela m&uacute;sica, que hoje eu sei que n&atilde;o vai mais dar certo.   Eu quero esquecer, tocar a vida, &eacute; isso que eu espero do grupo". Foi realizada, ainda, uma contextualiza&ccedil;&atilde;o   da ACT, na qual foi dito aos participantes que seria trabalhada no grupo uma nova interven&ccedil;&atilde;o, que vinha   sendo utilizada nos Estados Unidos com bons resultados. Foi enfocado que, nesta interven&ccedil;&atilde;o, os participantes   aprenderiam uma nova forma de lidar com a ansiedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Em seguida, foi explicado o Exerc&iacute;cio 1: "Como tenho lidado com a minha ansiedade" (traduzido   e adaptado de Hayes &amp; Smith, 2005). Nesta atividade, os participantes deveriam preencher uma tabela,   composta por tr&ecirc;s colunas. Na primeira, na qual constava a pergunta "O que tenho feito?", os participantes   deveriam descrever as estrat&eacute;gias que vinham adotando para lidar com a ansiedade. Na segunda e na terceira   coluna, respectivamente, podia-se ler "Funciona a curto prazo?" e "Funciona a longo prazo?". Os participantes   deveriam avaliar as estrat&eacute;gias levantadas e, dependendo de sua efetividade, marcar essas colunas da   tabela com um "X".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 2</i>: O objetivo da sess&atilde;o foi expor os mecanismos fisiol&oacute;gicos da ansiedade, refletindo sobre a import&acirc;ncia   desta resposta para a sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie e a impossibilidade de control&aacute;-la.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Os mecanismos fisiol&oacute;gicos da ansiedade foram explicados, atrav&eacute;s de cartazes.   Nestes cartazes havia um esquema de como o c&eacute;rebro interpreta e reage a situa&ccedil;&otilde;es de perigo, reais ou   imagin&aacute;rios, e as principais rea&ccedil;&otilde;es corporais t&iacute;picas da ansiedade, como taquicardia, sudorese, sensa&ccedil;&atilde;o de "frio na barriga", boca seca, sensa&ccedil;&atilde;o de ter "branco", entre outros. Foi explicado que estas rea&ccedil;&otilde;es preparavam   o corpo para lutar ou fugir do risco iminente, tendo assim grande valor de sobreviv&ecirc;ncia. H&aacute; milhares   de anos, estas rea&ccedil;&otilde;es foram selecionadas porque naquele contexto realmente era necess&aacute;rio lutar ou fugir.   Nos dias de hoje, apesar de o homem n&atilde;o enfrentar os mesmos perigos de antigamente, seu organismo ainda   apresenta estas respostas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   A partir das experi&ecirc;ncias de vida dos participantes, foram discutidos os resultados do Exerc&iacute;cio 1,   proposto na sess&atilde;o anterior. P1 apresentou como estrat&eacute;gia n&atilde;o assistir notici&aacute;rios para n&atilde;o sentir ansiedade   e disse: "A ansiedade e suas consequ&ecirc;ncias me esgotam as energias. Desconto, &agrave;s vezes, na irritabilidade".   P3 relatou que tocava um instrumento, desenhava ou ficava agressivo em situa&ccedil;&otilde;es de ansiedade. P4   afirmou: "No trabalho quero resolver as coisas r&aacute;pido e quando percebo que meus colegas protelam, eu   intervenho, quase sempre com agressividade". Todas as estrat&eacute;gias apresentadas foram avaliadas pelos participantes   como efetivas apenas a curto prazo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Foi proposto, ainda, que os participantes refletissem acerca de suas tentativas de controle de pensamentos   e sentimentos, a partir da Met&aacute;fora da dor de cabe&ccedil;a (Hayes, 1987). Nesta met&aacute;fora, os participantes   s&atilde;o levados a imaginar que est&atilde;o com uma dor de cabe&ccedil;a e come&ccedil;am a bater na cabe&ccedil;a para tentar fazer a dor   passar. Ao procurar um m&eacute;dico, no entanto, este aconselha, em primeiro lugar, que parem de bater na cabe&ccedil;a, j&aacute; que isto s&oacute; faz a dor piorar. Bater na cabe&ccedil;a &eacute; comparado com tentar controlar sentimentos e pensamentos,   ou seja, quanto mais tentativas de controle, mais estes persistem. A partir da met&aacute;fora, as terapeutas levaram   os participantes a perceber o quanto as tentativas de controlar pensamentos e sentimentos eram falhas.   Talvez elas funcionassem momentaneamente, por&eacute;m, com o passar do tempo, aqueles sentimentos que eles   mais tentavam evitar eram experimentados novamente. Ent&atilde;o, foi dito claramente aos participantes que o   modo como eles vinham tentando manejar a ansiedade, at&eacute; ent&atilde;o, n&atilde;o funcionava e que as terapeutas n&atilde;o   os ajudariam daquela maneira, deixando impl&iacute;cito que haveria outro modo de lidar com a ansiedade, dentre   outros sentimentos e pensamentos. O di&aacute;logo entre terapeuta e cliente, nesse momento da sess&atilde;o, pode ser   observado no trecho a seguir:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   T: "Voc&ecirc;s est&atilde;o aqui para que n&oacute;s os ajudemos a controlar ou acabar com a ansiedade, n&atilde;o &eacute; mesmo?   Pois sinto muito, n&oacute;s n&atilde;o faremos isso. Isso &eacute; o que voc&ecirc;s t&ecirc;m feito a vida inteira e n&atilde;o tem dado certo".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P6: "N&oacute;s temos que aprender a lidar de um jeito diferente com a ansiedade, ent&atilde;o?".   Para encerrar a sess&atilde;o, foi apresentado aos participantes o Exerc&iacute;cio 2: "A ansiedade acabou. E agora?"   (traduzido e adaptado de Hayes &amp; Smith, 2005). Nesta atividade, os participantes deveriam completar   a seguinte frase: "Se eu n&atilde;o me sentisse t&atilde;o ansioso (a), eu...". As terapeutas forneceram alguns modelos de   preenchimento da atividade e os participantes foram solicitados a fazer a tarefa em casa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 3</i>: O objetivo da sess&atilde;o foi levar os participantes &agrave; reflex&atilde;o sobre a impossibilidade de controlar   sentimentos e pensamentos e as consequ&ecirc;ncias que as tentativas de controle acarretavam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: O Exerc&iacute;cio 2 foi discutido e o que os participantes apontaram como o que gostariam   de fazer foi definido como suas metas e valores de vida. P2 apontou que teria mais paci&ecirc;ncia com a   esposa, com ele mesmo e com as pessoas e que voltaria a dirigir. P3 afirmou que estudaria mais e melhoraria   seu relacionamento com pessoas pr&oacute;ximas, como fam&iacute;lia e amigos. Para P4, livrar-se da ansiedade possibilitaria   que ele ficasse mais calmo e n&atilde;o brigasse tanto com os outros. P5 relatou que conversaria melhor   e apresentaria melhor os semin&aacute;rios da faculdade. Por &uacute;ltimo, P6 disse que seria mais feliz, mais desembara&ccedil;ada   e n&atilde;o teria receio de falar em p&uacute;blico. Nesta sess&atilde;o, foi discutido, ainda, que os indiv&iacute;duos s&atilde;o ensinados   desde a inf&acirc;ncia pela comunidade verbal a realizar tentativas de controle de pensamentos e sentimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Para ilustrar a impossibilidade de controlar sentimentos, foi utilizada a Met&aacute;fora do Rev&oacute;lver (Hayes,   1987). Foi solicitado que os participantes imaginassem estar ligados a diversos eletrodos para medir a   intensidade da ansiedade e, em seguida, seria apontado um rev&oacute;lver para a cabe&ccedil;a deles. Caso a ansiedade   aumentasse, seria disparado um tiro. Foi solicitado, ainda, que os participantes n&atilde;o pensassem num bolo de   chocolate. Foram descritas algumas caracter&iacute;sticas do bolo, como seu cheiro, sua temperatura e aspecto. Os   participantes relataram que n&atilde;o conseguiram controlar os sentimentos e os pensamentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 4</i>: Objetivou promover a aceita&ccedil;&atilde;o de sentimentos e pensamentos, por meio de exerc&iacute;cios pr&aacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Foi realizada uma viv&ecirc;ncia com m&uacute;sicas, na qual num primeiro momento, ao   mesmo tempo em que ouviam a uma m&uacute;sica impactante, os participantes foram solicitados a fechar os olhos   e recordar, com detalhes, os piores momentos de suas vidas. Depois, deveriam relatar os pensamentos   e sentimentos que experimentaram. P1 preferiu n&atilde;o comentar porque sen&atilde;o iria chorar. P5 disse que n&atilde;o   deixou fluir por medo de chorar. P6 disse que "n&atilde;o deixou aprofundar o pensamento". Foi discutido que os   participantes tentaram se esquivar de se lembrar e de falar sobre as sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos dolorosos pelos   quais passaram, enfocando que apenas o lembrar ou relatar situa&ccedil;&otilde;es aversivas pode causar sensa&ccedil;&otilde;es ruins,   das quais todos buscam se esquivar. No entanto, foi explicado que os participantes estavam experimentando   apenas lembran&ccedil;as e sensa&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o aversiva pela qual haviam passado em si. Discutiu-se   que estas situa&ccedil;&otilde;es faziam parte da hist&oacute;ria de vida de cada um, que n&atilde;o pode ser mudada ou esquecida. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">No segundo momento da viv&ecirc;ncia, enquanto ouviam a uma melodia suave, os participantes foram   orientados a fechar os olhos e se lembrar de uma situa&ccedil;&atilde;o em que sentiram muita paz. Foi novamente pedido   que relatassem o que experienciaram. P4 disse que, mesmo tentando se lembrar de uma situa&ccedil;&atilde;o boa, se   lembrava de algo ruim. Por exemplo, relatou que ao se lembrar dos momentos com o filho, j&aacute; se lembrava   que teve que se separar dele. Foi discutido, a partir desta situa&ccedil;&atilde;o, que realmente n&atilde;o se pode controlar pensamentos   e sentimentos. Os outros participantes relataram boas sensa&ccedil;&otilde;es ao se lembrarem de coisas boas.   Ent&atilde;o, foi discutido que essas lembran&ccedil;as tamb&eacute;m n&atilde;o passavam de pensamentos e sensa&ccedil;&otilde;es e, portanto,   mais uma vez, poderiam se expor a elas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Finalizando a sess&atilde;o, foi proposto um exerc&iacute;cio personalizado para eliciar ansiedade. Foi apresentado   a cada participante um objeto ou situa&ccedil;&atilde;o que consistiria em um est&iacute;mulo aversivo, de acordo com dados de   suas hist&oacute;rias de vida, e, em seguida, os sentimentos vivenciados foram discutidos. Um avi&atilde;o de brinquedo   foi apresentado a P6, que relatou n&atilde;o sentir nada por saber que n&atilde;o se tratava de um avi&atilde;o real. P1, P2 e P5   mostraram-se bastante emocionados ap&oacute;s serem apresentadas uma m&uacute;sica sertaneja, uma foto do &ocirc;nibus da   empresa na qual P2 trabalhava e a possibilidade de apresenta&ccedil;&atilde;o de uma palestra no grupo, respectivamente.   Foi discutido que as rea&ccedil;&otilde;es emocionais de cada participante aos est&iacute;mulos citados dependiam de suas hist&oacute;rias   de vida. Eles foram solicitados a identificar situa&ccedil;&otilde;es que estavam evitando em suas vidas, devido &agrave; ansiedade,   e que procurassem enfrent&aacute;-las no cotidiano, mesmo sentindo algumas rea&ccedil;&otilde;es consideradas ruins.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 5</i>: O objetivo da sess&atilde;o foi levar os participantes a refletir sobre as perdas e ganhos que evitar as   situa&ccedil;&otilde;es que consideravam aversivas poderiam acarretar e lev&aacute;-los a compreens&atilde;o da diferen&ccedil;a que existe   entre a pessoa e seus comportamentos, enfocando principalmente pensamentos e sentimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Foi pedido aos participantes que falassem sobre as situa&ccedil;&otilde;es em suas vidas que   estavam evitando para n&atilde;o sentir ansiedade. Por meio dos relatos, p&ocirc;de-se perceber que alguns j&aacute; estavam   se expondo a situa&ccedil;&otilde;es aversivas, evitadas anteriormente. Por exemplo, P2 foi ao terminal de &ocirc;nibus duas   vezes na semana anterior &agrave; sess&atilde;o. P6 havia tomado a iniciativa de conversar com uma pessoa, que antes   evitava e relatou: "Estou conseguindo me expressar melhor, conversar mais".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Com o objetivo de fazer os participantes distinguirem seus pensamentos e sentimentos de si mesmos,   foi utilizada a Met&aacute;fora das Nuvens, desenvolvida pela primeira autora deste trabalho. Foram entregues aos   participantes figuras de nuvens e pedido que escrevessem nelas alguns de seus pensamentos e sentimentos.   Em seguida, solicitou-se que as dividissem em sentimentos ou pensamentos que classificassem como positivos   e negativos. As terapeutas afirmaram que existiam diferentes tipos de nuvens: cinzentas e carregadas,   brancas, grandes, pequenas, e questionaram aos participantes se haveria como classific&aacute;-las em boas ou   ruins. Alguns participantes relataram que nuvens carregadas poderiam ser consideradas ruins. Entretanto, foi   discutido que isso dependeria do contexto, por exemplo, em per&iacute;odos de seca, nuvens carregadas poderiam   ser consideradas como boas e bem-vindas. Da mesma forma, a classifica&ccedil;&atilde;o de sentimentos e pensamentos   dependeria do que cada um aprendeu em sua hist&oacute;ria de vida e dos acontecimentos atuais. Al&eacute;m disso, os   participantes foram questionados se as nuvens eram fixas ou vari&aacute;veis e passageiras. Ap&oacute;s conclu&iacute;rem que   as nuvens eram vari&aacute;veis e passageiras, esses mesmos questionamentos foram realizados sobre os pensamentos   e sentimentos. Em seguida, foi solicitado que cada participante selecionasse apenas uma nuvem que   o representasse. Alguns participantes elegeram somente uma nuvem e outros relataram que seria imposs&iacute;vel   representar a si mesmo com apenas uma delas, ou seja, um pensamento ou sentimento. Diante disso,   as terapeutas questionaram quem ou o que os participantes seriam na Met&aacute;fora das Nuvens, levando-os a   concluir, a partir de todas as reflex&otilde;es anteriores, que seriam o c&eacute;u, ou seja, o contexto que cont&eacute;m todas as   nuvens. Portanto, os participantes continham uma s&eacute;rie de sentimentos e pensamentos, bons ou ruins, mas   n&atilde;o se resumiam a estes. No trecho a seguir, podem ser observadas algumas verbaliza&ccedil;&otilde;es ocorridas durante   a discuss&atilde;o da met&aacute;fora: </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">P3: "as nuvens passam, a cada hora n&oacute;s nos identificamos com algumas nuvens".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   T: "e o que n&oacute;s somos ent&atilde;o?"</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P3: "Deus? Ar? C&eacute;u?"</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   T: "Isso mesmo! O c&eacute;u! Os pensamentos, sentimentos e lembran&ccedil;as fazem parte de n&oacute;s, mas n&atilde;o nos   resumem, somos muito mais do que isso. N&oacute;s contemos tudo isso. A vida machuca, faz doer, mas tentar fugir   da dor &eacute; fugir de n&oacute;s mesmos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Foi aplicado, ainda, um exerc&iacute;cio para experienciar o eu como contexto ao longo da vida. Os participantes   deveriam lembrar-se de si mesmos, com diferentes idades, ao longo de suas vidas. Foi discutido que,   apesar do passar do tempo, eles ainda eram os mesmos, em todos esses diferentes momentos. Mais uma vez,   foi enfatizado que eles eram o contexto em que ocorriam muitos e diferentes pensamentos e sentimentos,   que mudavam ao longo de suas vidas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&otilde;es 6 e 7</i>: O objetivo destas sess&otilde;es foi promover com os participantes uma an&aacute;lise sobre as consequ&ecirc;ncias   de seus comportamentos de evitar sentimentos e pensamentos, considerando-se suas metas e valores   de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Juntamente com cada um dos participantes, em momentos distintos, foi constru&iacute;da   uma tabela composta por quatro colunas no quadro negro. Na primeira coluna, foram retomadas algumas   metas de vida dos participantes. Na segunda e na terceira coluna, respectivamente, foram descritos sentimentos   e as estrat&eacute;gias adotadas pelos participantes para lidar com estes. Na &uacute;ltima coluna, foi descrito o que   os participantes vinham evitando ao utilizar essas estrat&eacute;gias. Na atividade de P2, por exemplo, este citou   como meta de vida ser mais paciente com as pessoas, como a esposa, os pais e os amigos, conversar mais e   saber escutar. Relatou que sentia tremedeira, o cora&ccedil;&atilde;o acelerado, ansiedade, nervosismo e raiva e que lidava   com isso gritando, falando muito ou saindo de perto das pessoas. Com este tipo de atitude, vinha evitando ir &agrave; casa dos parentes e melhorar seus relacionamentos com familiares, o que o afastava de suas metas de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Como reflex&atilde;o desta atividade, uma das terapeutas afirmou: "Nosso grupo &eacute; dif&iacute;cil porque n&oacute;s queremos   que voc&ecirc;s enfrentem seus sentimentos nas situa&ccedil;&otilde;es mais dif&iacute;ceis. O mais importante s&atilde;o as metas de   voc&ecirc;s. E agindo de acordo com os sentimentos de voc&ecirc;s, obedecendo a eles, voc&ecirc;s est&atilde;o se distanciando das   metas". P6 relatou: "N&oacute;s precisamos mostrar quem manda, n&atilde;o &eacute; mesmo? Vou enfrentar minha ansiedade e   o P2 a dele". J&aacute; P3 afirmou que estava buscando sentir a raiva e n&atilde;o express&aacute;-la, e deu exemplo do namoro,   quando costumava gritar e brigar. Disse pensar que estava ganhando com essa mudan&ccedil;a, porque ao n&atilde;o   brigar com a namorada ela ficava bem com ele.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 8</i>: Objetivou fazer com que os participantes refletissem sobre as mudan&ccedil;as que observaram em seus   comportamentos, assim como suas consequ&ecirc;ncias, ap&oacute;s todas as discuss&otilde;es promovidas no grupo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: A partir do relato dos participantes, foi realizada uma discuss&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s   mudan&ccedil;as percebidas por eles em seus comportamentos. P2 relatou que, naquele final de semana, mesmo   sentindo raiva e tremor ap&oacute;s a sogra brigar com ele, n&atilde;o se exaltou. A seguir, podem ser observadas algumas   verbaliza&ccedil;&otilde;es ocorridas na sess&atilde;o:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P6: "Eu tenho mudado bastante. Tem acontecido um problema pessoal, de fam&iacute;lia. O problema est&aacute;   aqui do meu lado e eu estou caminhando. Eu sinto que estou melhorando bastante".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P4: "Lembram daquele problema que eu tinha que resolver com o diretor? Falei bastante tranquilo,   fiquei pensando na estrat&eacute;gia que eu ia usar, lembrei do P3 que falou que dava um prazer ver a raiva da pessoa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Eu vi a raiva no rosto da secret&aacute;ria, mantive a calma. Eu n&atilde;o reagi como antes. N&atilde;o estourei".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P3: "Tem sido bem dif&iacute;cil quando eu tenho que fazer um dever, eu sinto fome, sede, fico inventando   coisas para fazer e nada me satisfaz".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"> T: "Voc&ecirc; vai ter que se esfor&ccedil;ar para n&atilde;o satisfazer, n&atilde;o ceder a essas vontades. Colocar &aacute;gua do lado,   ir ao banheiro antes, preparar-se, depois sentar-se e se esfor&ccedil;ar para n&atilde;o levantar. Aguenta um pouquinho a   aversividade que &eacute; ficar sentado estudando".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&otilde;es 9 e 10</i>: Buscou-se discutir a no&ccedil;&atilde;o do "aqui e agora", que se refere a estar presente, experienciando,   de fato, os momentos que se est&aacute; vivendo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o das sess&otilde;es: Na Sess&atilde;o 9 foi apresentado o filme "Click" (Coraci, 2006), no qual o personagem   principal, um homem muito estressado e muito envolvido com quest&otilde;es de trabalho, encontra outro   que lhe d&aacute; um controle remoto com o poder de acelerar os momentos de sua vida, como num filme. Ent&atilde;o,   o personagem come&ccedil;a a passar rapidamente v&aacute;rios momentos de sua vida e, com o tempo, percebe que n&atilde;o   tem mais controle sobre ela. Passam-se anos sem que ele esteja presente em v&aacute;rios momentos importantes,   como a morte do pai, o crescimento dos filhos e a separa&ccedil;&atilde;o da esposa. No final, o personagem se arrepende   de n&atilde;o ter vivenciado realmente todos estes momentos e ter apenas se dedicado ao trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na Sess&atilde;o 10 foi realizada uma reflex&atilde;o a respeito do filme, a partir da experi&ecirc;ncia de cada participante   e de exemplos do personagem principal. Foi discutido que, muitas vezes, a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; voltada para pensamentos   acerca do futuro ou do passado e que o "piloto autom&aacute;tico" &eacute; ligado, como acontece no filme, e as   atividades do dia-a-dia s&atilde;o realizadas com um distanciamento do momento presente. Foi ressaltado que essa   atitude n&atilde;o propicia que se afaste somente de situa&ccedil;&otilde;es ruins, mas que tamb&eacute;m acarreta no distanciamento   das situa&ccedil;&otilde;es que podem trazer satisfa&ccedil;&atilde;o e prazer. P1 se identificou com o personagem principal do filme e   afirmou: "Acho que fico pensando muito no futuro".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Em seguida, foi realizado o Exerc&iacute;cio da Uva. Os participantes receberam um cacho de uvas e foi   solicitado que pegassem uma uva de cada vez e olhassem para ela, percebessem sua cor, seu tamanho e sua   textura e a saboreassem, experienciando essas sensa&ccedil;&otilde;es. Foi pedido, ainda, que prestassem aten&ccedil;&atilde;o aos seus   pensamentos e sentimentos naquele momento e que os aceitassem. Finalizando a sess&atilde;o, foi iniciada uma   discuss&atilde;o sobre como havia sido a experi&ecirc;ncia para os participantes e foi solicitado, como atividade para   casa, que fosse praticado nas tarefas cotidianas, como escovar os dentes, tomar banho, comer, entre outras,   um exerc&iacute;cio semelhante &agrave; experi&ecirc;ncia com as uvas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&atilde;o 11:</i> O objetivo da sess&atilde;o foi promover a reflex&atilde;o sobre a necessidade de aceita&ccedil;&atilde;o de pensamentos   e sentimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Primeiramente, foi discutida a atividade proposta na sess&atilde;o anterior, sobre as   tarefas cotidianas. O participante P3 relatou que ao se deitar para dormir, procurou experienciar sua cama,   sentir o quanto ela era quentinha e percebeu que, quando fazia isto, dormia mais r&aacute;pido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Em seguida, foi apresentada a Met&aacute;fora da Tia Ida (traduzida e adaptada de Hayes &amp; Smith, 2005).   Nesta met&aacute;fora, os sentimentos e pensamentos dos participantes foram comparados a uma tia que n&atilde;o &eacute;   bem-vinda e chega a uma festa promovida por eles. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, teriam a op&ccedil;&atilde;o de tentar lutar contra ela,   o que acabaria com a festa, ou deix&aacute;-la entrar e aproveitar a festa mesmo na presen&ccedil;a da tia. A apresenta&ccedil;&atilde;o   da met&aacute;fora foi seguida por uma discuss&atilde;o com o objetivo de trabalhar a aceita&ccedil;&atilde;o dos pensamentos e sentimentos   que se buscava evitar. Para ilustrar a discuss&atilde;o, foi realizada uma atividade, na qual os participantes   foram orientados a apertar o bra&ccedil;o esquerdo com a m&atilde;o direita e tentar n&atilde;o sentir. Esse exerc&iacute;cio foi utilizado   para exemplificar o fato de que &eacute; mais dif&iacute;cil tentar n&atilde;o sentir aquilo que, na verdade, j&aacute; se est&aacute; sentindo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   No final da sess&atilde;o, foram atribu&iacute;das tarefas espec&iacute;ficas a cada participante presente na sess&atilde;o, com   o objetivo de promover o enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es evitadas por eles anteriormente. A P2 foi pedido que   tentasse se aproximar da fam&iacute;lia; por exemplo, que ficasse no mesmo ambiente que o cunhado, o qual vinha   evitando. P3 deveria permanecer sentado estudando, mesmo quando sentisse vontade de sair ou realizar outras atividades. P4 deveria debater em sala de aula sobre algum assunto. Finalmente, P5, ao sentir ci&uacute;mes   do marido, n&atilde;o deveria gritar, nem brigar, mas conversar com ele de forma diferente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">     <i>Sess&otilde;es 12 e 13</i>: Objetivou retomar as discuss&otilde;es realizadas no grupo, questionar os participantes sobre as   mudan&ccedil;as de comportamento em ambiente natural, relacionando-as &agrave;s suas metas de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Descri&ccedil;&atilde;o da sess&atilde;o: Os participantes foram questionados quanto &agrave;s mudan&ccedil;as que estavam se propondo   a fazer ao longo do grupo, isto &eacute;, o enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es que antes evitavam devido &agrave; ansiedade.   Alguns apresentaram melhoras significativas, entre eles:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P2: "Fui ver meu filho no col&eacute;gio e fui barrado, ent&atilde;o meu sangue subiu. (...) Eu me senti humilhado,   com raiva, vontade de chorar, vontade de me jogar na frente do &ocirc;nibus. (...) Pensei: se ela &#91;ex-esposa&#93; quer   guerra, vai ter. (...) Ent&atilde;o eu pensei que teria minha chance de ver meu filho e procurei uma advogada para   pedir meus direitos. Antes eu teria iniciado uma briga".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P4: "Tive duas oportunidades, mas acho que n&atilde;o foram as melhores. Mas senti que n&atilde;o agi como   eu agia antes, falei mais tranquilo, sem aquela agressividade. Na segunda foi mais dif&iacute;cil, (...) vi que fiquei   mais ansioso, mas percebi que n&atilde;o me exaltei muito. Senti que estou conseguindo perceber mais que estou   me alterando".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P5: "Eu n&atilde;o consegui n&atilde;o demonstrar que estava com ci&uacute;mes, mas consegui n&atilde;o bater nele &#91;marido&#93;.   Eu senti que me controlei, eu senti raiva, mas n&atilde;o bati nele. Eu senti tudo isso, respirei, acalmei. Eu nunca   tinha feito isso, eu sempre esmurrava ele, descontava nas coisas para me aliviar. Mas depois me arrependia.   Agora eu vi que d&aacute; para fazer coisas diferentes".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   As terapeutas trabalharam a Met&aacute;fora do &ocirc;nibus (traduzida e adaptada de Hayes &amp; Smith, 2005). Foi   pedido aos participantes que imaginassem que estavam dirigindo o &ocirc;nibus de suas vidas. Portanto, teriam   um caminho a seguir que cada um escolheu, o qual equivaleria &agrave;s suas metas de vida. No entanto, foi pedido   que imaginassem alguns passageiros dentro deste &ocirc;nibus, que equivaleria a seus pensamentos e sentimentos,   tentando desvi&aacute;-los de seus caminhos. Discutiu-se o quanto eles n&atilde;o deveriam ceder aos passageiros, mas   continuar seguindo seus caminhos. As metas e valores levantados pelos participantes foram:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P3: "Conviver melhor, me abrir mais, contar mais coisas da vida para as pessoas de casa, perguntar   como est&atilde;o, ver meu pai com mais frequ&ecirc;ncia".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P5: "Estar feliz, melhorar minhas atitudes, sentar para conversar".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P4: "Poder melhorar com o meu filho, passar as f&eacute;rias e estar presente com ele, conseguir mais amigos,   ser honesto".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P2: "Ser mais unido na fam&iacute;lia, pescar, sair, fazer caminhadas, dar mais carinho e amor, ser honesto   e fiel, ser motorista".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na sess&atilde;o 13, o grupo foi encerrado. Para isso, foi retomada grande parte das discuss&otilde;es anteriormente   realizadas, focando-se nas metas e comportamentos de enfrentamento de cada participante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="3">     <b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Como o foco da interven&ccedil;&atilde;o foi a Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o e Compromisso, desde o in&iacute;cio, os participantes   foram selecionados por apresentarem padr&otilde;es de Esquiva Experiencial, relativos ao controle da ansiedade.   Conforme destaca Hayes (1987), a maioria dos clientes, assim como os participantes do grupo, buscam na   terapia eliminar ou diminuir sentimentos e pensamentos considerados negativos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Logo na Sess&atilde;o 1 os participantes verbalizaram algumas tentativas de controle da ansiedade. A explica&ccedil;&atilde;o   dos mecanismos fisiol&oacute;gicos da ansiedade teve como objetivo demonstrar a import&acirc;ncia deste sentimento e   de todas as respostas corporais a ele associadas para a sobreviv&ecirc;ncia e defesa dos seres humanos. Desta forma,   a ansiedade seria uma resposta adaptativa do organismo relacionada a determinados contextos ou situa&ccedil;&otilde;es interpretados como perigosos ou aversivos. Os participantes verbalizaram compreender estas explica&ccedil;&otilde;es e   identificaram as respostas fisiol&oacute;gicas descritas como semelhantes &agrave;quelas que experienciavam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   O objetivo de serem levantados os comportamentos de esquiva, na Sess&atilde;o 2, foi iniciar a Meta 1 &ndash;   Estabelecer um Estado de Desamparo Criativo (Hayes, 1987), em que foi mostrado aos participantes que   suas tentativas de controle da ansiedade n&atilde;o eram eficazes e, portanto, as terapeutas n&atilde;o os ajudariam neste   sentido. No entanto, foi dito que haveria uma nova forma de lidar com este tipo de sentimento, que seria   ensinada no grupo. Foi interessante observar que, ap&oacute;s o Desamparo Criativo, os participantes descreveram   ter ficado animados e curiosos para o que viria em seguida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   O exerc&iacute;cio sobre o que os participantes fariam caso n&atilde;o sentissem ansiedade, discutido na Sess&atilde;o 3,   tinha como foco come&ccedil;ar a levantar metas e valores de vida dos participantes. Em suas discuss&otilde;es, Hayes   (1987) busca diferenciar as metas de valores. As metas seriam objetivos poss&iacute;veis de serem tra&ccedil;ados e alcan&ccedil;ados   ao longo do tratamento. Enquanto os valores representariam a dire&ccedil;&atilde;o para as metas, ou seja, um   modo de levar a vida, algo que nunca acabaria. Para o autor, seriam os valores que norteariam as metas.   Entretanto, as terapeutas, a partir de suas explica&ccedil;&otilde;es, notaram que os participantes tinham dificuldades em   compreender essa diferen&ccedil;a, descrevendo em seus exerc&iacute;cios metas e valores simultaneamente. Ao longo   das interven&ccedil;&otilde;es, as terapeutas desistiram de tentar faz&ecirc;-los compreender essa diferencia&ccedil;&atilde;o, at&eacute; porque   devido ao tempo limitado de sess&otilde;es, parecia mais pr&aacute;tico fazer com que se comportassem, ora em fun&ccedil;&atilde;o   de suas metas, ora em fun&ccedil;&atilde;o de seus valores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na Sess&atilde;o 3, trabalhou-se a Meta 2 &ndash; O Problema &eacute; o Controle (Hayes, 1987), que deixa claro que   quanto mais o indiv&iacute;duo busca controlar seus pensamentos e sentimentos, mais estes se intensificam. Para   que os participantes vivenciassem estas experi&ecirc;ncias na pr&oacute;pria sess&atilde;o, foram utilizadas as met&aacute;foras do   rev&oacute;lver e do bolo de chocolate.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na Sess&atilde;o 4, o exerc&iacute;cio aplicado com as m&uacute;sicas para que os participantes lembrassem os melhores   e piores momentos de suas vidas propiciou que eles vivenciassem na sess&atilde;o sentimentos e pensamentos   considerados negativos. Com isso, foi poss&iacute;vel lidar na sess&atilde;o com as tentativas de Esquiva Experiencial,   assim como iniciar o processo de dessensibiliza&ccedil;&atilde;o. As terapeutas, ao enfatizar que os participantes estavam   experimentando apenas as sensa&ccedil;&otilde;es aversivas e n&atilde;o as situa&ccedil;&otilde;es pelas quais haviam passado estavam buscando   promover o processo de aceita&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na mesma sess&atilde;o, a partir da apresenta&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos que adquiriram car&aacute;ter aversivo para cada   participante, foi poss&iacute;vel mostrar a eles que poderiam enfrentar as situa&ccedil;&otilde;es das quais se esquivavam, apesar   dos respondentes eliciados. Ap&oacute;s o enfrentamento em sess&atilde;o, foi pedido que os participantes passassem a   se expor a situa&ccedil;&otilde;es reais das quais vinham se esquivando. Desta forma, esperava-se que houvesse generaliza&ccedil;&atilde;o   dos comportamentos de enfrentamento em ambiente natural. Na sess&atilde;o seguinte, os participantes   relataram algumas exposi&ccedil;&otilde;es a est&iacute;mulos aversivos no ambiente extra-sess&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   As met&aacute;foras utilizadas na Sess&atilde;o 5 foram fundamentadas na ideia dos contextos s&oacute;cio-verbais propostos   pela ACT, decorrentes da linguagem aprendida na cultura. Ao mostrar aos participantes que as nuvens   n&atilde;o tinham um car&aacute;ter bom ou ruim em si, buscou-se evidenciar que &eacute; a aprendizagem cultural que nos leva   categorizar os sentimentos e pensamentos como bons ou ruins. Tamb&eacute;m se visou quebrar o contexto de   literalidade, em que o indiv&iacute;duo passa a se comportar como se seus pensamentos e sentimentos fossem fatos   literais e n&atilde;o apenas produtos verbais de conting&ecirc;ncias (Vandenberghe &amp; Sousa, 2006). Enfim, a met&aacute;fora   utilizada nessa sess&atilde;o tinha como objetivo trabalhar a Meta 3- Distinguir as Pessoas de seu Comportamento   (Hayes, 1987), na qual os participantes s&atilde;o levados a perceber seus pensamentos e sentimentos como apenas   uma parte de sua experi&ecirc;ncia. Os participantes mostraram, por meio de suas verbaliza&ccedil;&otilde;es, que estavam   compreendendo os conceitos trabalhados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   As Sess&otilde;es 6 e 7 tiveram como objetivo ensinar os participantes a analisar funcionalmente seus comportamentos   de esquiva e quanto estes comportamentos os distanciavam de suas metas e valores de vida. As terapeutas foram conduzindo a an&aacute;lise de cada participante com a ajuda de todos os membros do grupo.   Assim, os participantes identificaram nas sess&otilde;es as fun&ccedil;&otilde;es de seus comportamentos e os preju&iacute;zos relacionados   aos padr&otilde;es de esquiva. Desta forma, foram trabalhadas as Meta 4 e 5 - Permitir que a Luta Pare e   Assumindo um Compromisso de A&ccedil;&atilde;o (Hayes, 1987), enfocando que os participantes n&atilde;o precisavam mais   se comportar em fun&ccedil;&atilde;o de seus pensamentos e sentimentos, podendo enfrentar as situa&ccedil;&otilde;es que os geravam,   indo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas metas e valores de vida. J&aacute; na Sess&atilde;o 8, foram retomadas as mesmas discuss&otilde;es de   modo mais geral e verificadas as mudan&ccedil;as de comportamento e enfrentamentos que os participantes estavam   promovendo em ambiente natural.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   As Sess&otilde;es 9 e 10 buscaram ensinar os participantes a focarem no "aqui e agora" ou seja, a praticar   o <i>mindfulness</i>, que consiste em estar atento de maneira plena no momento atual, aceitando todo e qualquer   sentimento e pensamento, sem julg&aacute;-los, classific&aacute;-los, enfim, simplesmente vivenciando-os e aceitando-os   (Vandenberghe &amp; Sousa, 2006). O filme utilizado teve como objetivo discutir as consequ&ecirc;ncias negativas   de tentar se esquivar do momento atual, sem vivenci&aacute;-lo plenamente. Os participantes ficaram bastante   emocionados ao se compararem com o personagem principal, descrevendo que acabavam perdendo partes   importantes de suas vidas na tentativa de n&atilde;o sentir ansiedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Na Sess&atilde;o 10 e 11, foram aplicadas viv&ecirc;ncias para os participantes experienciarem o "aqui e agora"   no ambiente terap&ecirc;utico e a aceita&ccedil;&atilde;o dos pensamentos e sentimentos. Depois, foi pedido que os participantes   buscassem realizar suas atividades do dia-a-dia da mesma maneira, promovendo possibilidades de   generaliza&ccedil;&atilde;o deste comportamento em ambiente natural. Na Sess&atilde;o 11, os participantes relataram v&aacute;rios   exemplos de atividades que executaram estando mais conscientes do momento presente, sem se preocupar   com os sentimentos de ansiedade. Nas &uacute;ltimas sess&otilde;es, buscou-se retomar os conceitos discutidos ao longo   de todo o grupo e promover o enfrentamento de algumas situa&ccedil;&otilde;es das quais os participantes ainda estavam   se esquivando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P1 foi o &uacute;nico participante que desistiu do grupo. Nas primeiras sess&otilde;es, as terapeutas perceberam   que ele n&atilde;o prestava aten&ccedil;&atilde;o no estava sendo discutido, trazendo trechos de livros de autoajuda e discursos   prontos do que estava fazendo para melhorar, parecendo estar se esquivando de se expor nas sess&otilde;es. O   participante passou a solicitar muita aten&ccedil;&atilde;o das terapeutas, tentando inclusive contatos extra-sess&otilde;es com   uma delas. Diante da recusa da terapeuta, ele n&atilde;o voltou mais ao grupo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Quando P2 iniciou o grupo, estava afastado do servi&ccedil;o devido a crises de p&acirc;nico. Os comportamentos   de esquiva j&aacute; estavam bastante generalizados, pois ele buscava evitar qualquer tipo de contato com est&iacute;mulos   que lembrassem o trabalho. Por ficar muito em casa, P2 tamb&eacute;m estava apresentando problemas de relacionamento   com sua esposa e outros familiares. Discutia diariamente, estava tendo preju&iacute;zos na vida sexual e   n&atilde;o mantinha rela&ccedil;&otilde;es com outros familiares, para evitar situa&ccedil;&otilde;es de conflito. Seus relatos verbais, desde   o in&iacute;cio do grupo, davam a entender que ele n&atilde;o compreendia muito os conceitos que estavam sendo trabalhados,   por isso, foram feitas duas sess&otilde;es individuais com o participante para favorecer sua participa&ccedil;&atilde;o no   grupo. Uma hip&oacute;tese para seu baixo grau de entendimento era seu n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o, inferior ao dos demais   participantes. Apesar disso, P2 rapidamente passou a se comportar em dire&ccedil;&atilde;o ao que o grupo propunha,   por exemplo, come&ccedil;ando a ir de &ocirc;nibus para as sess&otilde;es. No final do grupo, j&aacute; estava se relacionando melhor   com seus familiares e relatou uma situa&ccedil;&atilde;o em que permaneceu no mesmo local que seu cunhado, sem se   envolver em discuss&otilde;es. Ap&oacute;s cerca de um ano, o participante foi visto por uma das terapeutas dirigindo   novamente um &ocirc;nibus da empresa da qual havia sido afastado. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, ele relatou que, apesar de em   alguns momentos ainda se sentir nervoso, conseguia dirigir mesmo assim.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P3 era o participante que parecia ter mais facilidade de compreender a proposta da ACT. Era ele quem   respondia corretamente a maioria das atividades e auxiliava os demais participantes a compreenderem as   ideias propostas. Entretanto, as terapeutas perceberam que ele quase nunca expunha quest&otilde;es pessoais no   grupo, preferindo discutir os aspectos te&oacute;ricos a vivenciar nas sess&otilde;es as atividades propostas. Ao longo das sess&otilde;es foi ficando claro que suas discuss&otilde;es te&oacute;ricas eram reprodu&ccedil;&otilde;es do padr&atilde;o de esquiva no pr&oacute;prio   grupo. Esse padr&atilde;o era extremamente elaborado, tanto nas sess&otilde;es, quanto em ambiente natural, onde dizia   se sentir extremamente ansioso e n&atilde;o conseguir estudar, assim como aprofundar seus relacionamentos   com outras pessoas, al&eacute;m de ter crises em que quebrava objetos. Apesar de quase n&atilde;o se expor no grupo, o   participante relatou melhoras neste tipo de crise, assim como em discuss&otilde;es com outras pessoas, passando   a vivenciar seus sentimentos, mas n&atilde;o agir em fun&ccedil;&atilde;o desses. Dois anos depois, o participante voltou procurando   terapia individual com a queixa de que ainda se sentia ansioso para estudar e se relacionar. O participante   foi atendido em terapia individual por uma das terapeutas durante um ano, formou-se na gradua&ccedil;&atilde;o,   engajou-se num relacionamento fixo e recebeu alta. Atualmente est&aacute; inserido em um programa de mestrado   e continua namorando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P4 j&aacute; havia participado de outro grupo, para treinamento de Habilidades Sociais, em que uma das   terapeutas era moderadora. Esta o indicou para o grupo de ansiedade porque ele parecia ter aprendido o conte&uacute;do   te&oacute;rico do grupo anterior, por&eacute;m n&atilde;o conseguia coloc&aacute;-lo em pr&aacute;tica, dizendo se sentir muito ansioso   e nervoso. Como P4 n&atilde;o p&ocirc;de comparecer nas primeiras sess&otilde;es do grupo de ansiedade, foi feita uma sess&atilde;o   individual para passar os conte&uacute;dos perdidos por ele. Nas tr&ecirc;s primeiras sess&otilde;es em que esteve presente, ele   permanecia calado, expressando raramente suas ideias. No decorrer do grupo, passou a expor suas opini&otilde;es   e trazer v&aacute;rios exemplos de que estava aplicando o que havia aprendido em ambiente natural, inclusive nas   situa&ccedil;&otilde;es onde sentia mais dificuldade, o trabalho e a faculdade. Anteriormente ao grupo, relatava apresentar   comportamentos bastante agressivos no trabalho, especialmente com uma colega, quando era contrariado.   Ao longo das sess&otilde;es, relatou situa&ccedil;&otilde;es em que conseguiu apenas observ&aacute;-la contrariando-o e n&atilde;o a agrediu   verbalmente. Al&eacute;m disso, conseguiu explicar o que estava acontecendo entre eles ao chefe calmamente. Na   faculdade, onde antes evitava se expor com receio de parecer agressivo, passou a expressar suas opini&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P5 tamb&eacute;m fez parte do grupo de Habilidades Socais e foi indicada pela mesma terapeuta, por ainda   apresentar comportamentos de timidez e dificuldades de apresentar semin&aacute;rios e fazer perguntas ao professor   na faculdade, justificando se sentir muito ansiosa. A participante faltou em algumas sess&otilde;es, mas sempre   que retornava, relatava estar colocando em pr&aacute;tica o que aprendia no grupo. Tamb&eacute;m foram percebidas   grandes mudan&ccedil;as em seu comportamento de se expor nas pr&oacute;prias sess&otilde;es. No in&iacute;cio apenas falava de suas   dificuldades na faculdade, por&eacute;m, ao longo do processo, contou sobre os sentimentos de ci&uacute;mes que sentia   do marido e seus comportamentos agressivos em rela&ccedil;&atilde;o a ele. Com o tempo passou a relatar que conseguia   n&atilde;o mais agredir o marido, mesmo sentindo ci&uacute;mes. Cerca de seis meses ap&oacute;s o grupo, a participante ligou   para uma das terapeutas solicitando ajuda porque iria apresentar um semin&aacute;rio. Foi feita apenas uma sess&atilde;o   individual em que foram revisados os conceitos da ACT e a participante relatou que conseguiu se expor para   toda a sala de aula e foi a "melhor apresenta&ccedil;&atilde;o de sua vida".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   P6 desde o in&iacute;cio se mostrou bastante receptiva ao grupo e relatava aplicar o que aprendia em seu   ambiente natural, especialmente em situa&ccedil;&otilde;es de trabalho, em que passou a permanecer nas intera&ccedil;&otilde;es, ao   inv&eacute;s de se esquivar, como fazia anteriormente. Durante o grupo ela passou por alguns problemas pessoais   com sua filha e relatava que buscava aplicar os princ&iacute;pios da ACT neste contexto. Entretanto, a participante   sofreu um acidente e perdeu as cinco &uacute;ltimas sess&otilde;es do grupo. Ap&oacute;s o t&eacute;rmino deste, com a participante   j&aacute; recuperada, as terapeutas fizeram uma devolutiva individual. A participante relatou que o grupo a ajudou   muito e ainda estava colocando em pr&aacute;tica o que havia aprendido, apenas faltava enfrentar o medo de avi&atilde;o.   Ap&oacute;s cerca de seis meses, a participante procurou uma das terapeutas para solicitar ajuda, pois havia marcado   uma viagem de avi&atilde;o. Foram realizadas tr&ecirc;s sess&otilde;es individuais em que foram ensinadas as t&eacute;cnicas de   <i>mindfulness</i>, justamente o conte&uacute;do que ela havia perdido. Foi pedido para ela imaginar toda a situa&ccedil;&atilde;o de   voo, focando em seus pensamentos e sentimentos de ansiedade e procurando aceit&aacute;-los e n&atilde;o tentar neg&aacute;-los   ou control&aacute;-los. Em seguida trabalhou-se com ela o quanto ela poderia aproveitar a situa&ccedil;&atilde;o de voo, mesmo   se sentindo ansiosa. A participante relatou ter voado e gostado muito da experi&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">Conforme foi relatado, todos os participantes que permaneceram no grupo apresentaram mudan&ccedil;as   em seus comportamentos de esquiva, passando a se expor a uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es, das quais vinham se   esquivando. Destaca-se a aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da ACT em grupo, pois muitas das exposi&ccedil;&otilde;es dos participantes   eram feitas durante as sess&otilde;es, principalmente relacionadas a intera&ccedil;&otilde;es sociais entre eles pr&oacute;prios.   Al&eacute;m disso, as sugest&otilde;es de mudan&ccedil;as feitas entre os membros do grupo pareciam ser acatadas com mais   facilidade do que o eram quando partiam das terapeutas. Um participante servia de modelo para o outro, assim   como refor&ccedil;ava os relatos de mudan&ccedil;as em ambiente natural. A experi&ecirc;ncia de aplicar a ACT em grupo   trouxe a vantagem de atender v&aacute;rias pessoas concomitantemente, de modo mais r&aacute;pido, uma vez que a demanda   da cl&iacute;nica psicol&oacute;gica &eacute; bastante grande e a espera por atendimento individual costuma ser demorada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   O fato de alguns dos participantes terem buscado as terapeutas, ap&oacute;s o t&eacute;rmino do grupo, sugere duas   possibilidades. Primeiro, que essa procura deve ser incentivada ao longo da aplica&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o proposta,   j&aacute; que poderia representar um comportamento de exposi&ccedil;&atilde;o dos participantes que solicitaram as sess&otilde;es.   Segundo, pode demonstrar que o procedimento poderia ser enriquecido a partir de revis&otilde;es de alguns   conceitos ap&oacute;s o t&eacute;rmino da interven&ccedil;&atilde;o. Com rela&ccedil;&atilde;o a este aspecto, sugere-se que sejam feitas sess&otilde;es de   <i>follow-up</i> em grupo ou individuais, ap&oacute;s seis meses e depois um ano do t&eacute;rmino da interven&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso,   a realiza&ccedil;&atilde;o de sess&otilde;es individuais com participantes que perderam sess&otilde;es ou que estavam tento dificuldades   em acompanhar o grupo parece ter tido grande relev&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Por fim, este trabalho se caracteriza como um estudo explorat&oacute;rio descritivo da aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios   da ACT em um grupo para participantes com queixa de ansiedade. Sugere-se que sejam feitos estudos   controlados sobre a efic&aacute;cia deste modelo de terapia em grupo para pacientes com essa e outras queixas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="3">     <b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">Blackledge, J. T., &amp; Hayes, S. C. (2001). Emotion regulation in Acceptance and Commitment Therapy.   <i>Journal of Clinical Psychology, 57</i> (2), 243-255.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027342&pid=S0188-8145201300040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2"> Coraci, F. (2006). <i>Click</i>. &#91;filme&#93;. F. Coraci, dir. Estados Unidos: Columbia Pictures, 105 min.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027344&pid=S0188-8145201300040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Friman, P. C., Hayes, S. C., &amp; Wilson, K. G. (1998). Why behavior analysts should study emotion: the example of anxiety. <i>Journal of Applied Behavior Analysis</i>, 31(1), 137-156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027346&pid=S0188-8145201300040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Hayes. S. C. (1987). A contextual approach to therapeutic change. In N. Jacobson (Ed.), <i>Psychotherapists in   clinical practice: Cognitive and behavioral perspectives</i> (pp 327-387). New York: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027348&pid=S0188-8145201300040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Hayes, S. C., &amp; Smith, S. (2005). <i>Get out of your mind and into your life: the new Acceptance and Commitment   Therapy</i>. Oakland, CA: New Harbinger.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027350&pid=S0188-8145201300040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Moriyama, J. S., &amp; Amaral, V. L. A. R. (2007). Transtorno dism&oacute;rfico corporal sob a perspectiva da an&aacute;lise do comportamento. <i>Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 9</i> (1), 11-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027352&pid=S0188-8145201300040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Skinner, B. F. (1995). Quest&otilde;es recentes na an&aacute;lise comportamental . Campinas: Papirus. (Obra originalmente publicada em 1989).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027354&pid=S0188-8145201300040000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Vandenberghe, L., &amp; Sousa, A. C. A. (2006). <i>mindfulness</i> nas terapias cognitivas e comportamentais. <i>Revista   Brasileira de Terapias Cognitivas, 2</i>(1), 35-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027356&pid=S0188-8145201300040000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif" size="2">   Zamignani, D. R., &amp; Banaco, R. A. (2005). Um panorama anal&iacute;tico-comportamental sobre os transtornos de   ansiedade. <i>Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 7</i> (1), 77-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=027358&pid=S0188-8145201300040000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif"><b><a name="end"></a><a href="#" target="_top"><img src="img/revistas/actac/v21n4/seta.gif" border="0"></a> Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia:</b>          ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Mariana de Toledo Chagas,    <br>  R. Goi&aacute;s, 1.777, apto 1024,    <br>    Centro, Londrina - PR.    <br>    CEP:  86020-410.    <br>  E-mail: <a href="mailto:mtchagas@yahoo.com.br">mtchagas@yahoo.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sansserif">Received: August 20, 2012    <br> Accepted: August 21, 2013</font>      ]]></body>
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