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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ser alguém na vida: uma análise institucional do discurso de estudantes do litoral paranaense]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Given the Institutional Discourse Analysis as reference, this study investigates the attributed meanings of "to be somebody" in the discourse of high school students in a public institution at the coast of Parana. Interviews were conducted, which analysis sought to outline the modes of production of subjectivity, paying attention to the manner in which the speeches were organized and the relationships established with other discourses. It was evident the configuration of "being someone in life" enunciated as transposition/legitimation of families and teachers expectations, in a self-made saying as opposed to those "who want nothing to do with anything" (place usually assigned to many young people from the coast). At the same time, we could identify some resistance on the order of speeches set: by taking a personal position in their will and by relativizing places and practices, some students did not fail to signal the desire to be listened to what their voices have to say.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS DE PESQUISA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>"Ser algu&eacute;m na vida": uma an&aacute;lise institucional do discurso de estudantes do litoral paranaense</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>"Be someone in life": an institutional analysis of students'discourse of the Paran&aacute; coast</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Luciana Albanese Valore<sup>I</sup>; Marlene Guirado<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup> Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paran&aacute;    <br> <sup>II</sup> Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o  para contato</a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Referenciado na An&aacute;lise Institucional do Discurso, o estudo investigou os sentidos atribu&iacute;dos ao "ser algu&eacute;m na vida" no discurso de estudantes do ensino m&eacute;dio de uma escola p&uacute;blica do litoral paranaense. Realizaram-se entrevistas, cuja an&aacute;lise buscou delinear os modos de produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade, atentando-se &agrave; maneira pela qual as falas se organizavam e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es que estabeleciam com outros discursos. Evidenciou-se uma configura&ccedil;&atilde;o do "ser algu&eacute;m na vida" enunciada como transposi&ccedil;&atilde;o&#47;legitima&ccedil;&atilde;o das expectativas familiares e docentes, num dizer de si constitu&iacute;do em oposi&ccedil;&atilde;o aos que  "n&atilde;o querem nada com nada" (lugar em geral atribu&iacute;do a muitos jovens do litoral). Ao mesmo tempo, p&ocirc;de-se identificar certa resist&ecirc;ncia na ordem dos discursos institu&iacute;dos: ao assumirem um posicionamento pessoal em seu querer e ao relativizarem lugares e pr&aacute;ticas, alguns estudantes n&atilde;o deixaram de sinalizar o desejo de serem escutados naquilo que suas vozes t&ecirc;m a dizer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Projeto de vida, Discurso, Subjetividade.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Given the Institutional Discourse Analysis as reference, this study investigates the attributed meanings of  "to be somebody" in the discourse of high school students in a public institution at the coast of Parana. Interviews were conducted, which analysis sought to outline the modes of production of subjectivity, paying attention to the manner in which the speeches were organized and the relationships established with other discourses. It was evident the configuration of  "being someone in life" enunciated as transposition&#47;legitimation of families and teachers expectations, in a self-made saying as opposed to those  "who want nothing to do with anything" (place usually assigned to many young people from the coast). At the same time, we could identify some resistance on the order of speeches set: by taking a personal position in their will and by relativizing places and practices, some students did not fail to signal the desire to be listened to what their voices have to say.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Life project, Discourse, Subjectivity.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto de futuro de estudantes de escolas p&uacute;blicas tem sido bastante investigado, especialmente no campo da Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional (OP). Referenciadas, em abordagens te&oacute;ricas distintas da utilizada no presente estudo, as pesquisas t&ecirc;m evidenciado o trabalho e a fam&iacute;lia como principais elementos a compor tal projeto. Para tanto, a inser&ccedil;&atilde;o num curso superior ap&oacute;s a conclus&atilde;o do ensino m&eacute;dio tem sido a alternativa privilegiada, ao ser percebida como meio de obten&ccedil;&atilde;o de um bom emprego (est&aacute;vel e rent&aacute;vel) e, com isto, de ascens&atilde;o social (Bastos, 2005; Dias &amp; Soares, 2007; Marcelino, Cat&atilde;o &amp; Lima, 2009; Soares, Krawulski, Dias &amp; D'Avila, 2007; Sparta, Bardagi &amp; Andrade, 2005; Sparta &amp; Gomes, 2005). Como observaram Dias e Soares, no &uacute;nico estudo encontrado com jovens ilh&eacute;us do Paran&aacute;, al&eacute;m de ser associado a um projeto de independ&ecirc;ncia, o trabalho <i> "&eacute; interiorizado tamb&eacute;m a partir da valoriza&ccedil;&atilde;o dos estudos e do curso superior, como se o curso superior fosse uma garantia de sucesso profissional"</i>. (2007, p. 329).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal estar presente no sonho de futuro, a quest&atilde;o socioecon&ocirc;mica como elemento central, tanto da escolha profissional como do projeto de vida dos estudantes das camadas populares, foi apontada por v&aacute;rios autores. Al&eacute;m dos supracitados, vale tamb&eacute;m mencionar Coutinho e cols. (2005), Nascimento (2006), Paredes e Pecora (2004), Ribeiro (2003), Valore e Viaro (2007), Zonta (2007). Ao mesmo tempo, curiosamente, o esfor&ccedil;o pessoal foi recorrentemente identificado nesses estudos como o requisito mais importante para uma vida futura bem sucedida. Alguns estudantes, por&eacute;m, afirmaram certo receio (sobretudo ao relacionarem tal sucesso &agrave; chance de aprova&ccedil;&atilde;o no vestibular) tendo em vista a percep&ccedil;&atilde;o de um ensino de menor qualidade comparado ao da escola privada (Bastos, 2005; Nascimento, 2006; Uvaldo &amp; Silva, 2010; Zonta, 2007). Um outro aspecto destacado na literatura referese ao desconhecimento das condi&ccedil;&otilde;es do mercado de trabalho e suas transforma&ccedil;&otilde;es nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (Lassance &amp; Sparta, 2003) e ao crescente desemprego dentre os trabalhadores jovens e com maior escolaridade (OIT, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tais pesquisas t&ecirc;m sinalizado a urg&ecirc;ncia de novas metodologias na OP, visando a aproxim&aacute;-la das necessidades concretas de jovens economicamente desfavorecidos. Como desafios do orientador nesse contexto, sugerem-se: conhecer suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, demandas de orienta&ccedil;&atilde;o e os sentidos atribu&iacute;dos ao trabalho&#47;estudo; discutir os condicionantes da escolha e as alternativas poss&iacute;veis de qualifica&ccedil;&atilde;o&#47;inser&ccedil;&atilde;o profissional; instrumentalizar a reflex&atilde;o sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho com vistas a criar estrat&eacute;gias de enfrentamento da exclus&atilde;o; incentivar o comportamento explorat&oacute;rio (de si e da realidade ocupacional); engajar a escola na constru&ccedil;&atilde;o do projeto de vida e na educa&ccedil;&atilde;o para a carreira (Bastos, 2005; Bardagi, Arteche &amp; Neiva-Silva, 2005; Lassance &amp; Sparta, 2003; Lehman, 2010; Munhoz, 2010; Ribeiro, 2003; Sparta, Bardagi &amp; Andrade, 2005; Uvaldo &amp; Silva, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo voltou-se a este tema, buscando delinear as configura&ccedil;&otilde;es de futuro e os sentidos atribu&iacute;dos ao  "ser algu&eacute;m na vida" no discurso de estudantes de uma escola p&uacute;blica de ensino m&eacute;dio do litoral paranaense. Tal express&atilde;o foi escolhida tendo em vista seu uso corrente, no discurso do senso comum, como decorr&ecirc;ncia natural do estudo ( "para ser algu&eacute;m na vida, &eacute; preciso estudar") e a escola em quest&atilde;o foi selecionada objetivando conhecer as eventuais demandas de OP numa comunidade que, dadas suas prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida e a queixa de viol&ecirc;ncia, consumo e tr&aacute;fico de drogas, pode ser considerada em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade social. O interesse pelo tema derivou do desejo de compreender a preocupa&ccedil;&atilde;o &ndash; quase profecia &ndash; do corpo docente em quest&atilde;o, recorrentemente expressa no enunciado <i> "Muitos alunos daqui n&atilde;o t&ecirc;m futuro. N&atilde;o importa o que a gente fa&ccedil;a, n&atilde;o levam nada a s&eacute;rio&#33;"</i> Enunciado este que fez eco ao discurso de alguns moradores do munic&iacute;pio, segundo o qual o  "destino" de muitos jovens dali seria o de sucumbir &agrave;  "vida f&aacute;cil" (leia-se o tr&aacute;fico de drogas). Tanto para os professores, quanto para as demais pessoas da comunidade, este comportamento teria como principal explica&ccedil;&atilde;o a falta de controle e de incentivo aos estudos, caracter&iacute;stica das  "fam&iacute;lias largadas" da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante deste cen&aacute;rio, e dentre as v&aacute;rias abordagens poss&iacute;veis para o estudo da constitui&ccedil;&atilde;o da subjetividade, optou-se por nortear a pesquisa pela An&aacute;lise Institucional do Discurso- AID &ndash; (Guirado, 2010). Nesta proposta de leitura, tal como no pensamento foucaultiano, com o qual dialoga &ndash; entende-se a subjetividade como produto de uma forma&ccedil;&atilde;o discursiva (Foucault, 2000a). Circunscrev&ecirc;-la como efeito de discursos, por&eacute;m, n&atilde;o impede de atribuir-lhe a condi&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, desde que se tomem &ndash; como seu engenho instituinte &ndash; as rela&ccedil;&otilde;es concretas, estabelecidas vida a fora e n&atilde;o uma interioridade supostamente constitu&iacute;da para al&eacute;m, ou a priori, destas rela&ccedil;&otilde;es. Tal modo de pensar sustenta-se numa determinada conceitua&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&atilde;o e de discurso, cuja articula&ccedil;&atilde;o engendra uma maneira particular de realizar a an&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base em Albuquerque (1980), entende-se institui&ccedil;&atilde;o como o conjunto de pr&aacute;ticas e rela&ccedil;&otilde;es sociais que, pela a&ccedil;&atilde;o concreta de seus atores, repete-se e, com isto, legitima-se. Essas rela&ccedil;&otilde;es, definidas como rela&ccedil;&otilde;es de poder&#47;saber (Foucault, 1999), s&atilde;o geralmente encenadas no discurso como naturais. Sua repeti&ccedil;&atilde;o, todavia, n&atilde;o anula a possibilidade de ruptura. Para tanto, h&aacute; que se considerar outro pressuposto: o de que a subjetividade se produz na tens&atilde;o assujeitamento-resist&ecirc;ncia na ordem mesma dos discursos institu&iacute;dos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na AID n&atilde;o h&aacute;, pois, como conceber uma exterioridade entre sujeito e institui&ccedil;&atilde;o. Trata-se, antes, de uma rela&ccedil;&atilde;o constitutiva que se produz pela via do discurso &ndash; este sendo entendido como  "cena enunciativa" (Maingueneau, 1997), como acontecimento, campo de correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, espa&ccedil;o de lutas, ocupa&ccedil;&atilde;o e subvers&atilde;o de lugares e de expectativas (Foucault, 2000b). Diferente, portanto, de uma representa&ccedil;&atilde;o da realidade (que estaria fora daquilo que se diz), nesta concep&ccedil;&atilde;o o discurso &eacute; a realidade e tem como condi&ccedil;&atilde;o de sua produ&ccedil;&atilde;o outros discursos (da&iacute; a import&acirc;ncia de se considerar as m&uacute;ltiplas vozes que sustentam a enuncia&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De tais concep&ccedil;&otilde;es deriva um conceito de sujeito que se pode dizer ps&iacute;quico se tomado no modo singular com que, em seu dizer, insere-se no universo de determinadas pr&aacute;ticas, organiza e reedita (ou ressignifica) sua hist&oacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es e os lugares nelas atribu&iacute;dos (Guirado, 2010). Disto resulta uma anal&iacute;tica da subjetividade que se volta ao modo de produ&ccedil;&atilde;o&#47;organiza&ccedil;&atilde;o dos discursos, permitindo delinear as singularidades ao mesmo tempo em que se reconhecem suas condi&ccedil;&otilde;es institucionais de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A escolha pela AID se deu por acreditar que a mesma, ao constituir-se como uma estrat&eacute;gia do pensamento que permite configurar uma anal&iacute;tica da subjetividade no &acirc;mbito das pr&aacute;ticas discursivas, possa contribuir para evidenciar aspectos n&atilde;o abordados nas pesquisas anteriormente citadas. Dentre eles, as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas, nos dizeres de alguns estudantes da referida escola, com os demais discursos. E, nestas, os modos de produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade. Ainda, espera-se contribuir com o campo da OP, intensificando os estudos voltados para segmentos da popula&ccedil;&atilde;o, como esse, das pequenas comunidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Participantes</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Participaram da pesquisa de campo 16 estudantes da 3&ordf; s&eacute;rie do ensino m&eacute;dio de uma escola p&uacute;blica do litoral do Paran&aacute;, os quais, ap&oacute;s convite feito em sala de aula, voluntariaram-se a participar. Constitu&iacute;do por 7 mo&ccedil;as e 9 rapazes, com faixa et&aacute;ria entre 16-17 anos, a maior parte do grupo (60&#37;) morava no munic&iacute;pio desde o nascimento (com seus pais e irm&atilde;os), frequentando a escola em quest&atilde;o desde o in&iacute;cio do ensino m&eacute;dio. Doze deles j&aacute; tinham trabalhado e nove ainda o faziam. As ocupa&ccedil;&otilde;es exercidas, em sua maioria, consistiram em atuar como vendedores em estabelecimentos comerciais dos familiares (lojas de roupas, mercado, peixaria, lanchonete) ou como auxiliares em servi&ccedil;os ofertados pelos mesmos (pousadas, constru&ccedil;&atilde;o civil). Seis estudantes trabalhavam em fun&ccedil;&otilde;es desvinculadas do contexto familiar (jardineiro, instalador de alarmes, vendedor de roupas, estagi&aacute;rio de banco, estagi&aacute;rio de uma companhia de eletricidade, corretor de im&oacute;veis).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Instrumentos e coleta dos dados</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O instrumento consistiu numa entrevista semiestruturada, cujas quest&otilde;es, dentre outras, versaram sobre a imagem de si como alunos, seus projetos de vida futura e expectativas &ndash;supostas- de seus pais com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tal vida, o modo como viam os jovens do litoral, o que pensavam sobre a opini&atilde;o dos professores sobre alguns alunos da escola que  "n&atilde;o querem nada com nada" e o que imaginavam ser necess&aacute;rio para serem bem sucedidos. As entrevistas foram gravadas na escola (mediante autoriza&ccedil;&atilde;o expressa no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos estudantes ou por seus pais, no caso dos menores de idade), com dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 30 minutos. Os cuidados &eacute;ticos foram devidamente observados e o estudo foi aprovado por um Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa (Res.196&#47;96 do Conselho Nacional de Sa&uacute;de &ndash; Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de). Os depoimentos foram transcritos de modo a registrar, o mais fidedignamente poss&iacute;vel, a fala dos entrevistados, tendo sido alterada, ou omitida, qualquer informa&ccedil;&atilde;o referente &agrave; sua identifica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando os pressupostos da AID, a an&aacute;lise focou as cenas discursivas, atentando ao modo de organiza&ccedil;&atilde;o das falas e &agrave;s marcas de subjetividade nelas produzidas. Nisto, o uso de alguns operadores lingu&iacute;sticos (verbos, referentes de pessoas, adv&eacute;rbios, adjetivos) tamb&eacute;m veio em aux&iacute;lio. Seguindo as formula&ccedil;&otilde;es de Guirado (2004), na an&aacute;lise de cada entrevista (e, posteriormente, na de seu conjunto), investigaram-se: as regularidades&#47;descontinuidades&#47;singularidades no dizer, as verdades institu&iacute;das, o deslizamento de sentidos, o movimento de atribui&ccedil;&atilde;o&#47;assun&ccedil;&atilde;o&#47;subvers&atilde;o de lugares (de si e dos outros), as interlocu&ccedil;&otilde;es estabelecidas (e nelas, o jogo assujeitamento-resist&ecirc;ncia) e as expectativas criadas na cena da entrevista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados, cabe observar que, na AID, estes n&atilde;o se constituem &agrave; parte da leitura que deles se faz. Assim, mais do que uma transposi&ccedil;&atilde;o isolada dos discursos investigados (ordenada de acordo com temas pr&eacute;-determinados), produz-se outro discurso: o de an&aacute;lise. Este, embora suportado pelas falas registradas, as reorganiza e redistribui em novos arranjos. &Eacute; o que veremos a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu aluno: bagunceiro, por&eacute;m cumpridor&#33;</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao serem perguntados sobre como se viam como alunos e como pensavam que seus professores o faziam, o discurso dos entrevistados fez equivaler as duas imagens, afirmando o conceito de bom aluno como recorr&ecirc;ncia. Tal qualifica&ccedil;&atilde;o, para a maioria, sustentou-se no pressuposto de que o que deles se esperaria, independente de conversarem em sala ou fazerem bagun&ccedil;a, era  "tirar notas boas".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O depoimento de Wellington foi emblem&aacute;tico: <i> "Como aluno, eu acho meio conversador, mas sou um bom aluno". &Agrave; pergunta, o que &eacute; ser um bom aluno, respondeu:  "&Eacute; fazer a tarefa, e tirar a nota que precisa, na m&eacute;dia. Principalmente acima da m&eacute;dia n&eacute;, pra ter um bom resultado no final do ano"</i>. Assim, numa explica&ccedil;&atilde;o, supostamente compartilhada pela entrevistadora&#47;professora, o ser bom aluno foi equiparado aos resultados obtidos (mostrados como algo determinado de fora, tanto naquilo que os definiria &ndash; a nota que precisa &ndash;, quanto na temporalidade em que se circunscreveriam: no final do ano), sem qualquer men&ccedil;&atilde;o ao conhecimento adquirido ou a alguma outra imagem de si al&eacute;m de  "aluno aprovado". Quanto &agrave; opini&atilde;o de seus professores, a aprecia&ccedil;&atilde;o feita confirmou a sua pr&oacute;pria, mas acrescentou algo novo &ndash; uma negocia&ccedil;&atilde;o entre as expectativas: <i> "Eu acho que... a mesma coisa que eu falei, que eu sou um bom aluno e que conversa bastante, s&oacute; que eu presto aten&ccedil;&atilde;o". Numa equa&ccedil;&atilde;o em que o  "conversar bastante" &eacute; compensado pelo  "prestar aten&ccedil;&atilde;o"</i>, nada se fica a dever quanto ao que do bom aluno o professor, por suposto, espera. Por um lado. Por outro, ao ser indagado se havia reclama&ccedil;&atilde;o, o entrevistado n&atilde;o se intimidou, deixando entrever que h&aacute; outras expectativas em jogo na pr&aacute;tica docente, &agrave;s quais nem sempre os estudantes atendem: <i> "Reclamam, isso, todo ano &eacute; assim"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em alguns depoimentos, &agrave; imagem do bom aluno (ainda que conversador em sala de aula) associou-se uma outra &ndash; a de pessoa esfor&ccedil;ada, participativa nos debates, curiosa. Outras condutas, que n&atilde;o apenas a de  "tirar boas notas" foram ent&atilde;o configuradas. No dizer de Maira, al&eacute;m disso, tal conduta legitimou-se como algo que escapa ao controle docente e que marca um querer do aluno que n&atilde;o se cola, exclusivamente, ao querer do professor:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu me vejo uma menina esfor&ccedil;ada sabe, eu aprendo ali na aula, e depois, eu sou muito curiosa, ent&atilde;o depois eu corro atr&aacute;s da mat&eacute;ria. Eu aprendo aquilo que ela t&aacute; passando e ainda aprendo um pouco mais fora</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando considerado ativo na busca pelos seus direitos, curiosamente, a imagem de bom aluno em que se reconheceram, passou a ser nomeada de outra forma, atribuindo novos sentidos para o  "correr atr&aacute;s". Como na fala de Inara, em que o  "estar metida em tudo", aparentemente mostrado tamb&eacute;m como um direito, acabou por desenhar um interessante rearranjo de lugares &ndash; se o professor avalia e corrige, o aluno n&atilde;o faz por menos:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu acho que eles me veem como aquela pentelha, que t&aacute; sempre indo atr&aacute;s assim, se v&ecirc; que eles t&atilde;o errados fala, brigo sempre por causa de nota, se t&aacute; errado, nem que seja por d&eacute;cimos eu quero ter o que eu tenho direito. T&aacute; sempre nos teatro, sempre na r&aacute;dio do col&eacute;gio, t&aacute; metida em tudo</i>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De modo geral, o dizer de si como bom aluno reconheceu a possibilidade de concilia&ccedil;&atilde;o entre diferentes condutas (bagunceiro e cumpridor). Entretanto, confrontada &agrave; dos jovens do litoral (ainda que refor&ccedil;ada), tal imagem trouxe &agrave; cena novos elementos e outro jogo de correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. &Eacute; disto que trata o item a seguir.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A  "mo&ccedil;ada" do litoral: pensar grande X vidinha</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao serem indagados sobre como viam os jovens de sua cidade, as falas dos entrevistados operaram uma marcante oposi&ccedil;&atilde;o: entre os que  "querem ser algu&eacute;m na vida" e os que  "se contentam com pouco". Nisto, os aspectos tomados como refer&ecirc;ncia consistiram nos modos de se comportar frente ao futuro &ndash;  "esfor&ccedil;ar-se" ou  "n&atilde;o levar nada a s&eacute;rio" &ndash; e nos resultados nele esperados. Entretanto, se houve mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; temporalidade privilegiada (n&atilde;o mais o final do ano letivo), a rela&ccedil;&atilde;o linear estabelecida na configura&ccedil;&atilde;o do aluno bem sucedido &ndash; tirar boas notas e com isto, obter a aprova&ccedil;&atilde;o no final do ano &ndash; se manteve na imagem insinuada de pessoa bem sucedida. Para tanto, bastou operar uma transposi&ccedil;&atilde;o: no tipo de a&ccedil;&atilde;o (que passou a ser afirmada como  "fazer faculdade") e no produto a ser alcan&ccedil;ado (obter um bom emprego, diferenciado de um simples emprego). Em ambos, presente e futuro, o que faz a diferen&ccedil;a &eacute; o querer. O discurso de Sheila exemplifica:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Acho que a maioria n&atilde;o tem um objetivo n&eacute;. Pra eles &eacute; normal n&eacute;, acabar o col&eacute;gio, arranjar um emprego n&eacute;, ter a sua vidinha, eu acho que eles n&atilde;o t&ecirc;m um objetivo de vida depois que sair do col&eacute;gio. S&atilde;o poucos que realmente pensam em crescer, em fazer uma faculdade. S&atilde;o poucos mesmo. A maioria &eacute; a mesma vidinha que quer seguir</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao falar sobre como entendia o abandono dos estudos no ensino m&eacute;dio, reafirmou a pot&ecirc;ncia dessa vontade, tomando a si pr&oacute;pria como exemplo:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A maioria come&ccedil;a a trabalhar cedo, &agrave;s vezes pra ajudar os pais, e a&iacute; acaba desistindo. Porque &eacute; puxado, assim, eu vejo por mim sabe. Trabalhar, e da&iacute; chegar, e voc&ecirc; quer dormir entendeu. A mat&eacute;ria parece que n&atilde;o entra na cabe&ccedil;a, voc&ecirc; t&aacute; com tanta coisa na cabe&ccedil;a que voc&ecirc; acaba n&atilde;o prestando aten&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o tem que querer mesmo. Ainda mais quem estuda &agrave; noite, tem que querer estudar mesmo. Porque sen&atilde;o &eacute; complicado, desiste</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Interessante observar nestes extratos o sentido atribu&iacute;do ao  "trabalhar" como algo que prejudica o  "pensar em crescer" e o  "estudar". Interessante tamb&eacute;m o quanto o querer, apresentado como um imperativo, apesar de legitimado como algo do sujeito, n&atilde;o deixou de ser mostrado em sua depend&ecirc;ncia a outros fatores (necessidade de ajudar os pais, de dormir, de esvaziar a cabe&ccedil;a).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal como em Sheila, o n&atilde;o reconhecimento do  "arranjar um emprego" como um objetivo para a vida ap&oacute;s o ensino m&eacute;dio, tamb&eacute;m se deu na fala de Inara, para a qual, a imagem encenada dos jovens do litoral tamb&eacute;m foi a de pessoas  "em falta". Curiosamente, por&eacute;m, se h&aacute; falta num lado &eacute; porque  "sobra" num outro: <i> "Os jovens, eles n&atilde;o sabem muito bem o que querem. Eles v&atilde;o muito pela cabe&ccedil;a dos outros, s&atilde;o muito influenci&aacute;veis"</i>. Exemplifica o excesso &ndash; a condi&ccedil;&atilde;o de influenci&aacute;vel &ndash; dizendo:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Muitos acham que pra se dar bem na vida tem que sair de X (nome da cidade), tem que procurar emprego l&aacute; fora. Sendo que aqui tem, aqui tem a nossa faculdade aqui, que d&aacute; bastante oportunidade</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se os jovens n&atilde;o sabem o que querem, Inara pareceu sab&ecirc;-lo: <i> "se dar bem na vida"</i> consiste em obter um emprego e isto depende de fazer faculdade, o que pode ser realizado  "aqui", na institui&ccedil;&atilde;o j&aacute; assumida como  "nossa". Assim, ao mesmo tempo em que afirmou um desconhecimento de seus pares quanto ao que querem, a entrevistada parece n&atilde;o ter se dado conta de que o referido querer &eacute; sim sabido por eles (obter um emprego). S&oacute; que, deste querer, Inara n&atilde;o quer saber&#33; Afinal, &eacute; preciso resistir &agrave;s influ&ecirc;ncias, como ela mesma enfatizou ao explicar as raz&otilde;es desse  "ser influenci&aacute;vel" e dele diferenciar-se:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Dizem que &eacute; m&aacute;s companhias, mas n&atilde;o &eacute; porque eu ando com tal fulano que eu preciso ser igual a ele. Eu tenho que ter a minha opini&atilde;o e manter a minha cabe&ccedil;a no lugar</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; no discurso de Vera, conviver com as  "m&aacute;s companhias" e, ao mesmo tempo, a elas resistir, pareceu demandar uma atitude mais radical:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Bom, com quem eu ando assim, &eacute; a galera n&atilde;o tem esse neg&oacute;cio de beber, fumar, arrumar briga, assim. Eu converso com todo mundo, s&oacute; que quando eu vejo que j&aacute;, a&iacute; eu j&aacute; dou uma afastada</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A responsabiliza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia quanto ao querer menos dos filhos, repetida &agrave; exaust&atilde;o no discurso docente do  "aluno-problema", tamb&eacute;m foi endossada em alguns depoimentos. O dizer de Ester, todavia, evidenciou certa ambiguidade na cena montada para explicar o que leva algu&eacute;m a  "se folgar":</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&Agrave;s vezes, o pai e a m&atilde;e trabalham bastante e da&iacute; vem na escola s&oacute; quando &eacute; pra pegar boletim e da&iacute; acaba s&oacute; escutando reclama&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; n&atilde;o v&ecirc; o que o filho t&aacute; precisando, o que o filho pensa, n&atilde;o senta pra conversar</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Efetivamente, n&atilde;o se pode saber, se a falta reconhecida seria de inten&ccedil;&atilde;o ou de oportunidade, nesse c&iacute;rculo vicioso que a&iacute; se desenhou: o trabalho, desejado para a vida futura como resultado para o esfor&ccedil;o empreendido nos estudos, ao mesmo tempo, quando excessivo, impossibilita uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o com os filhos. De qualquer forma, os dois lados acabam sendo punidos ao n&atilde;o terem suas vozes ouvidas. A fala de Camile repetiu o discurso dos filhos  "largados":</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu acho que eles s&atilde;o muito solto, eu vejo assim porque, eu n&atilde;o saio, n&atilde;o fa&ccedil;o quase nada. Nunca fui pra uma festa, nunca, nem sei o que &eacute; beber, nunca fiz nada, eu fico em casa porque a minha m&atilde;e n&atilde;o deixa</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todavia, ao ser interrompida na descri&ccedil;&atilde;o dos exageros cometidos pelos jovens com a pergunta <i> "O que voc&ecirc; acha do modo como a sua fam&iacute;lia educa voc&ecirc;?"</i>, seu dizer marcou uma reviravolta: de algu&eacute;m que a princ&iacute;pio produziu um discurso pela &oacute;tica dos pais, passou a ocupar o lugar de algu&eacute;m que gostaria de faz&ecirc;-lo atrav&eacute;s de seu pr&oacute;prio olhar. Nem que fosse uma &uacute;nica vez&#33; Vejamos:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu acho legal, mas assim, eu queria &agrave;s vezes ter uma experi&ecirc;ncia de ver como que &eacute; essa vida de balada, dessas coisas assim. Pelo menos uma vez, pra mim ver se &eacute; bom ou n&atilde;o, se &eacute; isso que... eu queria ter essa experi&ecirc;ncia. Mas pela minha m&atilde;e e meu pai n&atilde;o</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A oposi&ccedil;&atilde;o  "mocinhos" e  "bandidos" tamb&eacute;m apareceu no discurso dos rapazes. Entretanto, a ades&atilde;o aos discursos institu&iacute;dos, quanto aos caminhos do  "bem" e do  "mal" na constitui&ccedil;&atilde;o da vida futura, n&atilde;o foi t&atilde;o marcada, evidenciando algumas rupturas:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Muitos deles desviam do seu caminho n&eacute;, come&ccedil;am a usar droga e tal e coisa. S&oacute; que tem uns que apesar de que eles usam droga, s&atilde;o boas pessoas sabe, trabalham, t&ecirc;m seu dinheiro. N&atilde;o tenho nada contra eles. (Wellington)</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Num modo de dizer que antecipa expectativas (em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; entrevistadora, vide o  "n&eacute;", e a outros poss&iacute;veis interlocutores que poderiam ter  "algo contra"), o desvio afi rmado remeteu a um comportamento e n&atilde;o, &agrave; pessoa como um todo (que continua sendo  "boa"), possibilitando uma concilia&ccedil;&atilde;o entre as duas a&ccedil;&otilde;es, geralmente circunscritas em lados opostos: usar drogas e  "ser algu&eacute;m" de valor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outros aspectos, que n&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o com os estudos ou as baladas, tamb&eacute;m organizaram alguns depoimentos sobre os jovens do litoral:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Geralmente l&aacute; em Curitiba sempre no primeiro dia de aula tem briga, essas coisas, aqui &eacute; todo mundo de boa, cada um no seu lado, todo mundo respeita todo mundo. (Caio, rec&eacute;m-chegado na cidade)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Caio, assim como para um outro entrevistado, a diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos demais jovens n&atilde;o foi reconhecida como falta e sim, legitimada em sua positividade: como algo que produz pessoas  "de boa",  "tranquilas", "sem maldade".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O discurso sobre os jovens da cidade foi tamb&eacute;m produzido em outros momentos da entrevista. Dentre eles, um merece destaque por ter trazido &agrave; cena atores mais pr&oacute;ximos: seus colegas e professores. Perguntamos aos participantes o que pensavam de um enunciado proferido por alguns membros do corpo docente; a saber:  "alguns alunos daqui n&atilde;o t&ecirc;m futuro porque n&atilde;o querem nada com nada". Como resposta, obtivemos v&aacute;rias falas que concordaram com tal avalia&ccedil;&atilde;o, legitimando, mais uma vez, a rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre  "querer ser algu&eacute;m" e  "fazer faculdade", e a  "pouca for&ccedil;a de vontade", as condi&ccedil;&otilde;es da cidade &ndash; quanto ao tamanho de suas exig&ecirc;ncias e&#47;ou oportunidades &ndash; e a falta de incentivo familiar como determinantes do  "n&atilde;o querer nada". Alguns dizeres, por&eacute;m, resistiram a essa l&oacute;gica:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>&Agrave;s vezes, assim, pela sala ser muito bagunceira, eles tiram de todos um sabe. Da&iacute; tem vezes que o aluno tem dificuldade e da&iacute; o aluno &agrave;s vezes at&eacute; conversa, mas tenta se enturmar. Da&iacute; pela turma bagunceira n&atilde;o consegue. Da&iacute; eles falam que o aluno n&atilde;o tem futuro. Mas eu n&atilde;o acho que &eacute; isso. Eu acho que assim, se pegasse assim, se ajudasse ele, se tivesse do lado dele, tipo, n&atilde;o brigasse com todo mundo sabe, tirasse aqueles que atrapalha e ficasse em cima daqueles que precisam eu acho que teria futuro sim, porque eu j&aacute; vi assim um exemplo. Que nem ano passado, tinha um amigo meu, o Y. que, assim, ele era bastante, tipo, evang&eacute;lico assim sabe, ele &eacute; obreiro da igreja e ele ajuda e tudo. E muita gente zoava com ele tipo, qualquer coisinha que acontecia na sala falava  "ah Y. faz uma ora&ccedil;&atilde;o a&iacute; pela sala",  "manda o Y. tirar o diabo". E da&iacute; isso atrapalhava bastante ele sabe e os professores n&atilde;o viam. E da&iacute; &agrave;s vezes ele ficava at&eacute; nervoso e at&eacute; discutia com os outros e os professores n&atilde;o viam e acabavam brigando com ele, sabe. Eu achei que isso, que nem muita gente no come&ccedil;o, muito professor falou que ele n&atilde;o tinha futuro, que ele n&atilde;o ia dar nada sabe. S&oacute; que agora, eu vi assim, que o &uacute;ltimo bimestre, nos &uacute;ltimos bimestres assim ele tava bem mal, e eu vi. Ele sentava l&aacute; na frente, se desligava de todo mundo sabe, deixava tipo, se algu&eacute;m, &agrave;s vezes os outros eram tipo t&atilde;o sacanas que &agrave;s vezes nem precisava de borracha, e ficava pedindo borracha s&oacute; pra ele dispersar a aten&ccedil;&atilde;o. E da&iacute; ele j&aacute; deixava tudo ali do lado pra ningu&eacute;m ficar cutucando ele. E que nem, ele caiu no terceiro  "B" que tem aqueles casos que no ano passado foram maus, mas que conseguiram passar pendurado e t&atilde;o tudo no terceiro  "B". E ele n&atilde;o, tipo, chamou o pai dele, correu atr&aacute;s e mudou pro terceiro  "A", e isso j&aacute; foi um passo que eu achei assim que ele quer mudar sabe. Ele quer ser algu&eacute;m na vida, ele n&atilde;o quer ficar s&oacute; naquilo. (Ester)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lado a lado aos alunos que  "s&oacute; fazem bagun&ccedil;a", o dizer de Ester instituiu uma outra categoria, mostrada como algo que apenas a entrevistada p&ocirc;de ver: dos alunos com dificuldade, cujo futuro poder&aacute; ser mudado dependendo do seu  "correr atr&aacute;s". Ao mesmo tempo, expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s a&ccedil;&otilde;es do professor foram anunciadas: n&atilde;o brigar, ajudar, tirar os maus alunos. A sala de aula foi encenada como um campo de batalha, uma disputa entre quereres que passa desapercebida ao corpo docente. Por sorte, ao quererem  "ser algu&eacute;m na vida", alguns alunos resistem ao que, ironicamente, foi mostrado como um certo n&atilde;o querer (ver&#47;fazer) docente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O reconhecimento de um equ&iacute;voco na profecia do professor e a expectativa de que sua a&ccedil;&atilde;o contribua na constru&ccedil;&atilde;o do querer do aluno tamb&eacute;m foram produzidos no dizer de Tiago que, al&eacute;m disso, assim como Ester, deixou entrever um apelo:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Os professores dizem  "ele n&atilde;o quer nada com nada", mas &agrave;s vezes eles n&atilde;o procuram chegar mais perto do aluno pra tentar ajudar, eles n&atilde;o procuram se aproximar mais do aluno, dizer  "voc&ecirc; t&aacute; no terceiro ano, voc&ecirc; n&atilde;o pensa em fazer alguma coisa?" N&atilde;o, eu nunca vi um professor chegar e falar isso. O aluno fez uma bagun&ccedil;a, bagun&ccedil;ou e tal, a&iacute; j&aacute; &eacute; aluno que n&atilde;o quer nada com nada. &Agrave;s vezes n&atilde;o &eacute; bem isso, porque muitas vezes ele espera uma brecha pra falar s&oacute; que ningu&eacute;m d&aacute; essa brecha pra ele falar, pra ele poder se expressar, pra ele poder falar o que t&aacute; acontecendo e tal, ningu&eacute;m abre esse espa&ccedil;o pra ele. Ent&atilde;o ele se fecha e continua daquele mesmo jeito</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mesmo ato de dizer como viam os jovens de sua cidade e de sua escola mostrou como os estudantes se viam ou queriam ser vistos (bons alunos, bons jovens). Delineou tamb&eacute;m os contornos do  "algu&eacute;m" que querem ser, naturalizando a continuidade e a identidade entre presente e futuro. No item a seguir, um novo personagem entrou em cena: o do  "bom filho" que pensa o futuro  "como nossos pais"...</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i> "Se dar bem na vida" para poder ser algu&eacute;m:</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave; exce&ccedil;&atilde;o de dois entrevistados que reconheceram n&atilde;o saber como seriam seus futuros, os demais prontamente arriscaram uma resposta na qual tal confi gura&ccedil;&atilde;o legitimou cenas de inquestion&aacute;vel sucesso. Este, para boa parte dos estudantes, resultou na constitui&ccedil;&atilde;o de um arranjo &ndash; ora enunciado impessoalmente <i> "Casa pr&oacute;pria, um carro pr&oacute;prio, uma faculdade e um bom emprego"</i> (Pedro), ora apresentado como algo seu:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu sonho em ter o meu pr&oacute;prio neg&oacute;cio, assim eu sou muito louca por maquiagem, ent&atilde;o assim, meu sonho &eacute; ter a minha pr&oacute;pria loja, fazer o que eu gosto, porque eu amo trabalhar com isso. (Lidiane)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constituir fam&iacute;lia e dar  "um bom futuro para os filhos" comp&ocirc;s igualmente os sonhos dos entrevistados. Mas isto apenas ap&oacute;s o cumprimento de certas etapas (concluir a faculdade, trabalhar, conseguir uma vida est&aacute;vel adquirindo bens materiais e casa pr&oacute;pria). Tal encadeamento, contudo, foi rompido em alguns dizeres, abrindo espa&ccedil;o para a imprevisibilidade:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu quero ir encaixando, n&atilde;o sei a ordem ainda sabe. Voc&ecirc; tamb&eacute;m tem que deixar um pouco, tem que ter aquela vontade, aquela ambi&ccedil;&atilde;o, mas voc&ecirc; tem que ir deixando n&eacute;, as coisas acontecerem e tal. (Maira)</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na maioria dos discursos, o  "se dar bem" como possibilidade de vir a  "ser algu&eacute;m na vida" (constitu&iacute;da pela jun&ccedil;&atilde;o das aquisi&ccedil;&otilde;es reportadas acima) legitimou as expectativas de futuro supostas aos pais, desenhando cenas em que as vozes de ambos os atores (pais e filhos) se superpuseram e sinalizaram a interlocu&ccedil;&atilde;o com outro discurso socialmente institu&iacute;do, o de que, para ser algu&eacute;m na vida, &eacute; preciso estudar:</font></p>    <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ela (m&atilde;e) fala que quer que eu fa&ccedil;a uma boa faculdade, que eu me forme, que seja uma pessoa boa na vida, algu&eacute;m na vida. (Diego)</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eles querem o melhor de mim n&eacute;, 'estuda, estuda, estuda', eles pegam no meu p&eacute; at&eacute; o &uacute;ltimo n&eacute;, principalmente a minha m&atilde;e. Porque a gente tem que ter um futuro, n&atilde;o adianta querer se igualar aos outros. (Davi)</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ela (m&atilde;e) incentiva a fazer uma faculdade, ela deixa ser da minha livre escolha. Ela sempre fala que se a pessoa quer ser alguma coisa na vida ela tem que pelo menos falar duas l&iacute;nguas e ter um curso superior, n&eacute;? (Andr&eacute;)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desejo dos pais (ou da m&atilde;e) implica a desautoriza&ccedil;&atilde;o de outros eventuais desejos:  "se igualar aos outros",  "ser alguma coisa na vida" diferente dos tantos  "tem que" institu&iacute;dos para o seu futuro. Questionados quanto &agrave; import&acirc;ncia, para eles, de fazer faculdade, o mercado de trabalho foi reconhecido como agente a ditar a imposi&ccedil;&atilde;o:</font></p>    <br>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ah&#33; &Eacute; importante porque hoje ningu&eacute;m com terceiro ano consegue um servi&ccedil;o bom n&eacute;. Hoje pra sobreviver, um sal&aacute;rio m&iacute;nimo n&atilde;o d&aacute;, se for pensar bem entendeu? (Celso)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ades&atilde;o a esses discursos, por&eacute;m, n&atilde;o deixou de encenar resist&ecirc;ncia &ndash; quer em rela&ccedil;&atilde;o ao querer da m&atilde;e (como em Andr&eacute;: <i> "Eu acho que ela t&aacute; certa n&eacute;, mas a pregui&ccedil;a &agrave;s vezes &eacute; maior"</i>), quer em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolha do curso superior. A autoria dessa escolha foi afi rmada de maneira un&acirc;nime pelos estudantes, legitimando uma correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as um pouco diferente do jogo em que a m&atilde;e  "deixa" e o filho aparentemente aceita (Andr&eacute;). No dizer de Pedro, por exemplo, quem  "acaba aceitando" s&atilde;o os pais:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Pra mim o futuro, eles pensam que eu vou t&aacute; bem, com a minha faculdade j&aacute;. S&oacute; que, eles queriam que eu fosse advogado, a fam&iacute;lia inteira &eacute; advogado. Da&iacute; eu fui pra computa&ccedil;&atilde;o, mas eles aceitaram. (Pedro)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute;, na fala de Clara, m&atilde;e e filha se revezam quanto aos lugares ocupados no movimento assujeitamento-resist&ecirc;ncia:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ah, minha m&atilde;e queria que eu me alistasse no ex&eacute;rcito. Mas eu falei  "ah no Ex&eacute;rcito n&atilde;o. Pode at&eacute; ser na Aeron&aacute;utica, mas no Ex&eacute;rcito n&atilde;o". Ah eles, eles querem o melhor pra gente n&eacute;, querem que a gente seja feliz com o que a gente faz. Assim, eu falo assim pra ela  "ah eu quero ser veterin&aacute;ria",  "ah, mas tem que ver isso, tem que ver aquilo", ent&atilde;o t&ecirc;m muitas possibilidades de fazer e possibilidades de n&atilde;o fazer</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se o  "querer o melhor para os filhos" constitui-se argumento irrefut&aacute;vel do qual n&atilde;o h&aacute; como escapar, a defini&ccedil;&atilde;o do que seja esse melhor se d&aacute; numa negocia&ccedil;&atilde;o que abre possibilidades de fazer (muitas) e de n&atilde;o fazer. Tal argumento, como pressuposto compartilhado por todos, tamb&eacute;m organizou o dizer de Caio sobre seu pai. Entretanto, ao longo da cena, um deslocamento em rela&ccedil;&atilde;o ao sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o chamou a aten&ccedil;&atilde;o (vide o uso do  "mas"):</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Como todo pai n&eacute;, procura sempre o melhor pro fi lho n&eacute;, ent&atilde;o meu pai e minha m&atilde;e sempre me aconselham a estudar. Meu pai, sempre, desde pequeno sempre investiu em mim, pagou curso, pagou tudo pra mim, entendeu. Mas eles querem que eu seja algu&eacute;m na vida</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave; voz coletiva e de autoridade, com que  "deu o tom" de sua fala, Caio deixou entrever uma voz singular (ainda que n&atilde;o assumida) que, de certo modo, questiona a validade da contrapartida a ser feita na negocia&ccedil;&atilde;o de pai para filho. Assim, ao mesmo tempo em que falou desta negocia&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m a fez em seu dizer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em alguns depoimentos &ndash; em complemento ao desejo de uma vida estabilizada ou como aspecto isolado &ndash; outros alvos puderam ser delineados na configura&ccedil;&atilde;o deste  "ser algu&eacute;m na vida" como algu&eacute;m que ir&aacute; se  "dar bem". E neles, a possibilidade de pensar um futuro um pouco descolado do pensamento de seus pais, na medida em que se privilegiaram outras a&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o apenas a de ter (diploma, bom emprego, dinheiro para sustentar a fam&iacute;lia), mas tamb&eacute;m a de ser: feliz, independente, tranquilo, respeitado profissionalmente, algu&eacute;m que trabalha com o que gosta, que est&aacute; bem consigo mesmo e que, al&eacute;m de trabalhar, tamb&eacute;m se diverte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Uma brecha para dizer</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como &uacute;ltimo aspecto a registrar, vale mencionar o cr&eacute;dito dado pelos estudantes &agrave; entrevista, reconhecida como oportunidade de falar de um tema que raramente se apresenta em suas conversas cotidianas. Mais do que isto, dar seu depoimento foi algo assumido como possibilidade de mostrarem seus pontos de vista a uma pessoa imaginada como algu&eacute;m que, apesar de desconhecida (ou talvez por isto), poderia ouvi-los e entend&ecirc;-los sem critic&aacute;-los:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Muito bom, eu gosto de falar desse tipo de coisa assim, e &agrave;s vezes dependendo da pessoa que voc&ecirc; conversa ela n&atilde;o consegue te entender, &agrave;s vezes ela tira at&eacute; sarro,  "ah, por favor, vai fazer outra coisa, nada a ver" sabe? Ent&atilde;o voc&ecirc; &eacute; muito criticada, ent&atilde;o &eacute; legal voc&ecirc; conversar com uma pessoa que t&aacute; ali pra ouvir o que voc&ecirc; tem pra dizer&#33; (Maira)</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ah&#33; &Eacute; legal tipo, a gente conversar com algu&eacute;m que tipo, entenda assim, que, que escute o que a gente t&aacute; falando, que nem muita gente d&aacute; bola pra isso n&eacute;. Ent&atilde;o a gente se sente tipo, compartilhando tipo, uma opini&atilde;o tua assim, que por mais que eu n&atilde;o conhe&ccedil;a voc&ecirc; bem assim, &eacute; legal conversar com voc&ecirc; assim, tipo foi bom entendeu? (Davi)</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerada a aparente convic&ccedil;&atilde;o com que enunciaram seu dizer o que definiria o  "ser algu&eacute;m na vida", tais coment&aacute;rios n&atilde;o deixaram de surpreender. Por um lado. Por outro, confirmaram algo evidenciado na an&aacute;lise: na maior parte das vezes, mais do que se fazer numa interlocu&ccedil;&atilde;o (pensada como di&aacute;logo) com outros discursos, o destes estudantes se teceu na incorpora&ccedil;&atilde;o inquestion&aacute;vel de outras vozes. Mas, talvez, nem t&atilde;o inquestion&aacute;vel assim. Vide o intrigante coment&aacute;rio de Wellington (dado a poucas palavras, ao longo de toda a entrevista): <i> "Ah eu, tipo, parece que eu tirei um peso da consci&ecirc;ncia, t&aacute; falando isso com algu&eacute;m."</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o ao o qu&ecirc; foi dito, o discurso dos participantes confirmou alguns dados obtidos nos estudos reportados anteriormente; a saber: cursar faculdade, obter um bom emprego e constituir fam&iacute;lia como principais a&ccedil;&otilde;es a compor tal projeto e a definir o  "ser algu&eacute;m na vida"; a rela&ccedil;&atilde;o causa-efeito entre tais a&ccedil;&otilde;es; o ensino superior creditado como principal meio de inser&ccedil;&atilde;o profissional e ascens&atilde;o social; a falta de informa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es e atuais demandas do mercado de trabalho &ndash; vide a &ecirc;nfase conferida ao  "emprego melhor" (est&aacute;vel, bem remunerado, consequ&ecirc;ncia imediata do diploma universit&aacute;rio), na contram&atilde;o dos discursos contempor&acirc;neos sobre a empregabilidade e dos altos &iacute;ndices de desemprego em profissionais mais qualificados; o esfor&ccedil;o pessoal como aspecto exclusivo na obten&ccedil;&atilde;o do sucesso profissional. Em contrapartida, a percep&ccedil;&atilde;o de uma forma&ccedil;&atilde;o escolar insuficiente, comparada ao ensino particular, n&atilde;o foi verificada. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica, como determinante priorit&aacute;rio da escolha profissional de jovens oriundos das camadas populares, tamb&eacute;m se observou uma diferen&ccedil;a, uma vez que o crit&eacute;rio utilizado pelos participantes consistiu na afinidade pessoal. Mesmo assim, h&aacute; que se observar sua presen&ccedil;a na defini&ccedil;&atilde;o de uma vida futura bem sucedida. Neste sentido, &eacute; interessante registrar a diferencia&ccedil;&atilde;o feita em rela&ccedil;&atilde;o ao  "mau" e ao  "bom" emprego: o primeiro (atribu&iacute;do aos jovens que  "se contentam com pouco"), como algo que interrompe a continuidade dos estudos e restringe a ambi&ccedil;&atilde;o &agrave; mera sobreviv&ecirc;ncia; o segundo como algo que depende dessa continuidade e d&aacute; suporte ao  "pensar grande", ao abrir um leque maior de op&ccedil;&otilde;es e, nelas, a chance de trabalhar em algo de que se goste.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o ao como foi dito, entretanto, o modo de fazer a an&aacute;lise dos discursos permitiu evidenciar aspectos inexplorados na literatura. Dentre eles, a rela&ccedil;&atilde;o texto &ndash;contexto da entrevista que posicionou os atores da cena em lugares espec&iacute;ficos, conforme um jogo de expectativas previamente determinado. Assim, pode-se afirmar que os estudantes que se dispuseram a participar da investiga&ccedil;&atilde;o, efetivamente atenderam ao pedido da pesquisadora-professora de uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de ensino superior (a eles apresentada tamb&eacute;m como orientadora profissional), falando daquilo que lhes foi solicitado: suas perspectivas de futuro. E nisto, ao mostrarem-se como pessoas que pensavam no futuro &ndash; relacionando-o &agrave; necessidade de fazer faculdade &ndash; recusaram-se a ocupar o lugar atribu&iacute;do, no discurso de seus professores, daqueles alunos que  "n&atilde;o querem nada com nada" e que, por isto,  "n&atilde;o t&ecirc;m futuro". Tal atrelamento de expectativas (certamente importante na configura&ccedil;&atilde;o do perfil dos estudantes que se voluntariaram &ndash; todos assumidos como  "bons alunos") poderia levar a questionar os resultados obtidos. Embora limitador da amostra, na AID, todavia, este fato n&atilde;o constitui problema; ao contr&aacute;rio, confirma o pressuposto quanto &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o, uma vez que, longe de se buscar uma neutralidade, entende-se que os discursos produzidos numa investiga&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o sempre parte do referido jogo de expectativas (Guirado, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A recusa ao lugar atribu&iacute;do pelos professores, por&eacute;m, acabou por legitimar as expectativas a eles supostas quanto ao que definiria o  "ser algu&eacute;m na vida". Tal legitima&ccedil;&atilde;o, como vimos, tamb&eacute;m se produziu em rela&ccedil;&atilde;o ao que imaginavam que seus pais esperavam para o seu futuro. Produziu-se, assim, um discurso fechado, politicamente correto, que equiparou as figuras de bom aluno, bom filho e profissional bem sucedido e engendrou um modo de subjetiva&ccedil;&atilde;o sustentado numa polariza&ccedil;&atilde;o entre o  "bom" e o  "mau". Pode-se supor que tal assujeitamento aos discursos institu&iacute;dos tenha se dado em fun&ccedil;&atilde;o do contexto, e n&atilde;o apenas o da entrevista. Provavelmente, as condi&ccedil;&otilde;es concretas de vida destes estudantes (empregos escassos, tempor&aacute;rios e pouco remunerados, viol&ecirc;ncia, uso de drogas) contribuem para refor&ccedil;ar os discursos de autoridade, deixando pouco espa&ccedil;o para questionamentos ou para a imprevisibilidade no desenho de futuro. Para dois estudantes, todavia, o n&atilde;o saber imaginar como seriam seus futuros se fez valer, levando-nos a pensar, inspirados na reflex&atilde;o de Dib e Castro (2010), que este pode ser um aspecto importante a ser explorado e n&atilde;o,  "prontamente eliminado ou reparado" (p.7) numa Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional: como observam as autoras, considerar a incerteza pode ser produtivo para romper a linearidade e o automatismo atribu&iacute;do &agrave;s etapas da vida. Mais do que o n&atilde;o saber, preocupam-nos, pois, as respostas prontas no discurso destes estudantes, o que faz supor tal orienta&ccedil;&atilde;o &ndash; aqui pensada na perspectiva da modalidade cl&iacute;nica proposta por Bohoslavsky (1991)- tamb&eacute;m como possibilidade de exerc&iacute;cio de desconstru&ccedil;&atilde;o de verdades, em busca de maior implica&ccedil;&atilde;o e autonomia na elabora&ccedil;&atilde;o do projeto de vida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nem s&oacute; de respostas prontas, contudo, constituiu-se o dizer dos entrevistados. Ainda que boa parte tenha se posicionado no lugar de porta-voz dos discursos paterno e&#47;ou docente, em alguns depoimentos, como vimos, evidenciaram-se resist&ecirc;ncias, marcando uma diferencia&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos demais discursos e ao lugar neles ocupado. Assim, a relativiza&ccedil;&atilde;o entre o  "bom" e o  "mau" e a legitima&ccedil;&atilde;o de certas negocia&ccedil;&otilde;es (em especial quanto &agrave; configura&ccedil;&atilde;o do  "bom aluno", &agrave; escolha do curso e, em alguns casos, aos dizeres sobre os demais jovens) evidenciaram a tese presente na AID de que o ato de assujeitarse n&atilde;o anula o de resistir, nas rela&ccedil;&otilde;es de poder&#47;saber em que uma condi&ccedil;&atilde;o de sujeito vem a se produzir. E, nisto, a confirma&ccedil;&atilde;o de uma outra possibilidade: a de um modo de subjetiva&ccedil;&atilde;o, nas e pelas pr&aacute;ticas discursivas, que resiste &agrave; sujei&ccedil;&atilde;o. Uma resist&ecirc;ncia que, se surda por um lado (pois n&atilde;o h&aacute; ouvidos para ouvir), por outro, certamente n&atilde;o &eacute; muda, ao ter palavras para se fazer dizer. Neste sentido, chamou especialmente a aten&ccedil;&atilde;o o pedido de uma  "brecha" (nas palavras de Tiago) na rela&ccedil;&atilde;o com os professores, sem a qual, o aluno  "se fecha e continua do mesmo jeito". Pedido este igualmente mostrado nos coment&aacute;rios sobre a entrevista, em que, mesmo n&atilde;o explicitando a quem se referiam, deixaram entrever que eram criticados, ou n&atilde;o escutados, ao falarem de seus sonhos futuros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao que parece, seus discursos foram direcionados &agrave; entrevistadora professora, aos docentes da escola e, tamb&eacute;m, a algu&eacute;m disposto a ouvir (a entrevistadora psic&oacute;loga, talvez?), o que sinaliza a necessidade de di&aacute;logo, na escola principalmente, a fim de propiciar a oportunidade de estes estudantes, efetivamente, serem  "algu&eacute;m na vida", desde j&aacute;. Assim, paralelamente &agrave; oferta de um projeto de orienta&ccedil;&atilde;o profissional e a um trabalho de informa&ccedil;&atilde;o sobre cursos e profiss&otilde;es, que poderia ser desenvolvido junto &agrave; Universidade p&uacute;blica sediada na regi&atilde;o, considera-se importante elaborar, com a equipe pedag&oacute;gica da escola em quest&atilde;o, a&ccedil;&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o profissional que favore&ccedil;am: 1) a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o &ndash; no interior das pr&aacute;ticas educativas &ndash; voltado ao desenvolvimento das compet&ecirc;ncias relativas &agrave; escolha e &agrave; tomada de decis&atilde;o profissional; 2) a discuss&atilde;o sobre o projeto de vida futura, os elementos componentes de um planejamento de carreira e os v&aacute;rios elementos implicados no sucesso profissional (os quais transcendem o esfor&ccedil;o pessoal). Al&eacute;m disto, considerando-se as limita&ccedil;&otilde;es da amostra desta pesquisa, sugerem-se estudos que possam contemplar um maior n&uacute;mero de alunos do ensino m&eacute;dio da institui&ccedil;&atilde;o selecionada &ndash; bem como de outras escolas do litoral paranaense &ndash; e, principalmente, que venham a escutar o discurso dos professores, de modo a aprofundar a investiga&ccedil;&atilde;o quanto ao futuro (esperado para os estudantes de escolas p&uacute;blicas) e ao lugar que nele se atribuem em seus discursos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Albuquerque, J. G. (1980). <i>Institui&ccedil;&atilde;o e poder</i>. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095302&pid=S1413-0394201100020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bardagi, M. P., Arteche, A. X., &amp; Neiva-Silva, L. (2005). Projetos sociais com adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de risco: discutindo o trabalho e a orienta&ccedil;&atilde;o profissional como estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o. Em C. Hutz (Org.), <i>Viol&ecirc;ncia e risco na inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia: Pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o</i> (pp.101-146). S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095304&pid=S1413-0394201100020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bastos, J. C. (2005). Efetiva&ccedil;&atilde;o de escolhas profissionais de jovens oriundos do ensino p&uacute;blico: um olhar sobre suas trajet&oacute;rias. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 6</i>(2), 31-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095306&pid=S1413-0394201100020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bohoslavsky, R. (1991). <i>Orienta&ccedil;&atilde;o vocacional: A estrat&eacute;gia cl&iacute;nica</i> (8.ed.). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095308&pid=S1413-0394201100020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Coutinho, L. G., Insfr&aacute;n, F. F. N., Peixoto, M. V., Gomes, R. M., Backes, J. C., Carvalho, H. P., &amp; Oliveira, F. S. (2005). Ideais e identifica&ccedil;&otilde;es em adolescentes de Bom Retiro. <i>Psicologia &amp; Sociedade, 17</i>(3), 33-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095310&pid=S1413-0394201100020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dias, M. S., &amp; Soares, D. H. P. (2007). Jovem, mostre sua cara: um estudo das possibilidades e limites da escolha profissional. <i>Psicologia, ci&ecirc;ncia e profiss&atilde;o, 27</i>(2), 316-331.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095312&pid=S1413-0394201100020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dib, S. K., &amp; Castro, L. R. (2010). O trabalho &eacute; projeto de vida para os jovens? <i>Cadernos de Psicologia Social e do Trabalho, 13</i>(1), 1-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095314&pid=S1413-0394201100020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault, M. (1999). <i>Hist&oacute;ria da sexualidade</i> (Vol. 1, 13.ed.). Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095316&pid=S1413-0394201100020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault, M. (2000a). <i>A arqueologia do saber</i> (6.ed.). Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095318&pid=S1413-0394201100020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foucault, M. (2000b). <i>A ordem do discurso</i> (6.ed.). S&atilde;o Paulo: Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095320&pid=S1413-0394201100020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guirado, M. (2004). <i>Institui&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es afetivas: o v&iacute;nculo com o abandono</i>. (ed.rev. e ampl.), S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095322&pid=S1413-0394201100020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guirado, M. (2010). <i>A An&aacute;lise institucional do discurso como anal&iacute;tica da subjetividade</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095324&pid=S1413-0394201100020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lassance, M. C., &amp; Sparta, M. (2003). A orienta&ccedil;&atilde;o profissional e as transforma&ccedil;&otilde;es no mundo do trabalho. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 4</i>(1-2),13-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095326&pid=S1413-0394201100020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lehman, Y. P. (2010). Orienta&ccedil;&atilde;o profissional na p&oacute;s-modernidade. Em R. S. Levenfus &amp; D. H. P. Soares (Orgs.), <i>Orienta&ccedil;&atilde;o vocacional ocupacional</i>. (pp.19-30). 2.ed. Porto Alegre: ArtMed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095328&pid=S1413-0394201100020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Maingueneau, D. (1997). <i>Novas tend&ecirc;ncias em an&aacute;lise do discurso</i>. Campinas: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095330&pid=S1413-0394201100020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Marcelino, M. Q. S., Cat&atilde;o, M. F. F. M., &amp; Lima, C. M. P. (2009). Representa&ccedil;&otilde;es sociais do projeto de vida entre adolescentes do ensino m&eacute;dio. <i>Psicologia, ci&ecirc;ncia e profiss&atilde;o, 29</i>(3), 544-557.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095332&pid=S1413-0394201100020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Munhoz, I. M. S. (2010). <i>Educa&ccedil;&atilde;o para a carreira e representa&ccedil;&otilde;es sociais de professores: Limites e possibilidades na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica</i>. Tese de Doutorado n&atilde;o publicada, Universidade de S&atilde;o Paulo, Ribeir&atilde;o Preto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095334&pid=S1413-0394201100020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nascimento, I. P. (2006). Projeto de vida de adolescentes do ensino m&eacute;dio: um estudo psicossocial sobre suas representa&ccedil;&otilde;es. <i>Imagin&aacute;rio, 12</i>(12), 55-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095336&pid=S1413-0394201100020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT). (2007). Desemprego no mundo registrou recorde hist&oacute;rico em 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:&#47;&#47;noticias.uol.com.br&#47;economia&#47;ultnot&#47;2007&#47;01&#47;24&#47;jhtm&gt; Acessado em: 11&#47;2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095338&pid=S1413-0394201100020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paredes, E. C., &amp; Pecora, A. R. (2004). Questionando o futuro: as representa&ccedil;&otilde;es sociais de jovens estudantes. <i>Psicologia: teoria e pr&aacute;tica, 6</i>(3), 49-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095340&pid=S1413-0394201100020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ribeiro, M. A. (2003). Demandas em orienta&ccedil;&atilde;o profissional: um estudo explorat&oacute;rio em escolas p&uacute;blicas. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 4</i>(1/2), 141-151.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095342&pid=S1413-0394201100020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Soares, D. H. P., Krawulski, E., Dias, M. S. de L., &amp; D'Avila, G. T. (2007). Orienta&ccedil;&atilde;o profissional em contexto coletivo: uma experi&ecirc;ncia em pr&eacute;-vestibular popular. <i>Psicologia, ci&ecirc;ncia e profiss&atilde;o, 27</i>(4),746-759.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095344&pid=S1413-0394201100020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sparta, M., Bardagi, M. P., &amp; Andrade, A. M. J. (2005) Explora&ccedil;&atilde;o vocacional e informa&ccedil;&atilde;o profissional percebida em estudantes carentes. <i>Aletheia, 22</i>(2), 79-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095346&pid=S1413-0394201100020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sparta, M., &amp; Gomes, W. (2005). Import&acirc;ncia atribu&iacute;da ao ingresso na educa&ccedil;&atilde;o superior por alunos do ensino m&eacute;dio. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 6</i>(2), 45 &ndash; 53.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uvaldo, M. C. C., &amp; Silva, F. F. (2010). Escola e escolha profissional: um olhar sobre a constru&ccedil;&atilde;o de projetos profissionais. Em R. S. Levenfus e D. H. P. Soares (Orgs.), <i>Orienta&ccedil;&atilde;o Vocacional Ocupacional</i> (pp. 31-38). 2.ed. Porto Alegre: ArtMed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095349&pid=S1413-0394201100020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Valore, L. A., &amp; Viaro, R. V. (2007). Profiss&atilde;o e sociedade no projeto de vida de adolescentes em orienta&ccedil;&atilde;o profissional. <i>Revista Brasileira de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional, 8</i>(2), 57-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095351&pid=S1413-0394201100020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Zonta, G. A. (2007). A constru&ccedil;&atilde;o do projeto de vida do aluno da rede p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o. <i>Psicol. Argum., 25</i>(50), 261-268.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=095353&pid=S1413-0394201100020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/aletheia/n3536/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para contato</a></b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <b>E-mail</b>: <a href="mailto:luvalore@uol.com.br">luvalore@uol.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em janeiro de 2012    <br> Aceito em junho de 2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Luciana Albanese Valore:</b> Doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de S&atilde;o Paulo, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paran&aacute;.    <br> <b>Marlene Guirado:</b> Professora Livre-Docente do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP, orientadora desta pesquisa.</font></p>      ]]></body>
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